01 outubro, 2020

Chuva de granizo, trovões e vento assustam o Município de Custódia.

Texto
Lindinalva Almeida
Custódia-PE
Setembro/2020

Na segunda-feira desta semana, 28/09, por volta das 16h, moradores da cidade viveram momentos de apreensão e medo, com mais um fenômeno natural, dando-nos a oportunidade de ver a ação da natureza com seu encanto e fúria. A chuva de granizo é linda; cair gelo do céu é fantástico. Porém, junto a essa beleza, vem o vento destruindo tudo que alcança. A sua velocidade chegou a aproximadamente 60 km/h. Pena que o município não tem o medidor de velocidade do vento, o anemômetro, para medir com precisão a sua velocidade. A chuva começou com pingos grossos e um vento ameno e de repente parecia que ia destruir tudo que estivesse no seu caminho. Nessa ação violenta do vento, o saldo foi de telhados arrancados, postes de placas de trânsito derrubados, placa do sindicato dos trabalhadores rurais arrancada e a chaminé da Fábrica da Tambaú foi ao chão. As pedrinhas de gelo eram de aproximadamente 1 cm, batiam nas portas e janelas, parecendo crianças brincando com pedrinhas. Os fios da rede elétrica dançavam ao som do assobio e do balanço veloz do vento. Os solavancos foram tantos que a energia colapsou e ficamos no escuro por algumas horas. A Rua Luiz Epaminondas, uma das ruas principais, sofre há anos com chuvas fortes, cujos bueiros não dão vazão ao volume de água e o caminho dessas águas são as casas e comércios da rua.

Graças a Deus, a chuva durou em média de sete a oito minutos. O vento sem passar, parecia mais uma eternidade. Lembrei da passagem bíblica (Marcos 4, 37:39): Então Ele se levantou, falou duro com o vento e disse ao mar: - Silêncio! Fique quieto! O vento parou e tudo ficou calmo. E os discípulos se perguntavam: quem é esse que até o vento e o mar lhe obedecem?

Esse fenômeno se dá pelo processo de gotículas de água que se evaporam dos rios, mares e superfície terrestre. Quando chegam às nuvens e encontram temperatura abaixo de 80°C, viram gelo. Congelado o vapor de água, fica mais pesado do que a nuvem pode aguentar e nesse processo rápido de mudança de estado físico da água, de gasoso para sólido, acontece a chuva de granizo.

O granizo forma-se a partir de uma nuvem muito específica, que tem o nome de cumulonimbus, que costuma aparecer em áreas tropicais quentes. Portanto, nas regiões polares, não chove granizo. Essa nuvem também é responsável por trovões e relâmpagos. Ela atinge até 25 km de altura a partir da linha do equador. É importante não confundir granito com granizo, pois são termos diferentes. Granizo é uma pedrinha de gelo que cai durante algumas chuvas, como já aconteceu em nosso município em alguns momentos. Por exemplo: na década de 1950, conforme meus pais relatavam que aconteceu esse fenômeno e que meu irmão Floriano, pequenino ainda, pegava as pedrinhas e levava à boca, chupando-as e se deliciando do gelo. Naquela época não havia geladeira. Outras crianças também usaram o gelo. Na década de 1990, outra chuva de granizo fez muito estrago na cidade e na Zona Rural do município. Meus filhos Gleisson e João Paulo estavam na escola e viram aflitos o teto voando, deixando a escola descoberta. Minha filha Janielle estava comigo e Arnaldo, meu esposo, estava trabalhando. A garagem da nossa casa ficou cheia de pedrinhas de gelo. Uma das árvores em frente de nossa casa caiu. E no ano de 2017, com outra chuva de granizo, não registrou maiores prejuízos. Nesta de 2020 fiquei menos apreensiva. João Paulo estava em casa e contávamos com a presença de Maria Júlia e José Arthur, meus netos, que não saíram do quarto e ficaram sentadinhos na cama e perguntavam por que aquelas pedrinhas estavam batendo na janela. Arnaldo explicou que estava chovendo granizo. “Já o granito é uma rocha ígnea que, para nossa sorte, não cai do céu!”. 

Finalmente, deixo esta bela frase que bem contextualiza o momento que passamos: “como não ficar encantada com a natureza? Como não registrar essa beleza? Ela me encanta, me fascina e deixa meus olhos brilharem”.

Custódia, 2020.

Sinceramente,

Nenê.

Um comentário:

  1. Parabens Lindinalva .
    Quanta beleza na descrição deste fenômeno da natureza , ela é mesmo maravilhosa e tem uma força inexplicável . Deixa estragos sem tirar beleza do acontecimento.

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