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07 junho, 2026

Água Crystal da fonte do Sabá em Jornais do Recife em 1929



Oferecida pelos senhores Vicente Trevas e João Cordeiro, recebemos ontem uma amostra em garrafa da água captada na fonte fria do Sabá, no município de Custódia, nesse estado, e de propriedade daqueles conceituados industriais. A água acima referida, denominada cristal, é produto mineral que pode competir com qualquer água das fontes das Minas Gerais, como sejam: Caxambu e outras, tais são as excelentes soluções nelas contidas de grande eficiência terapêutica. Só nos podemos felicitar por termos em Pernambuco, uma fonte de água mineral, nas condições dessas aqui nos referimos, que, embora pouco divulgada, já tem tido no interior grande aceitação, haja vista a venda que delas tem feito os senhores Vicente Trevas e João Cordeiro. 

Ainda segundo a matéria, foi enviada para analise de um quimico, em Recife, o sr. Guilherme Geissner, que após estudo, relatou as seguintes propriedades da água captada na fonte do Sabá: 

Exame Físico:
-Transparência Perfeita
-Cor Incolor
-Sabor acidulo (levemente ácido ou um pouco azedo), picante e agradável

Conclusão:

A água é de qualidade excelente, podendo ser usada como fina água de mesa e aproxima-se quanto à classificação, as águas as siglas gasosas deve-se tomar em consideração que uma análise feita na própria fonte daria um teor maior em ácido carbônico livre. 

Fonte: Jornal do Recife, edição do dia 05 de Dezembro de 1929



O senhor Vicente Trevas, conhecido químico prático, que se dedica muitos anos ao estudo das nossas fontes de água minerais, fez em julho passado, a descoberta da fonte do Sabá, nesse estado, no município de Custódia, local fica a 2 Km da cidade. Trata-se de uma fonte fria de águas acidulo-gasosa, podendo ser usada como fina água de mesa. Submetidas a exames em nossa Escola de Engenharia, pelo químico professor Guilherme Geissner, repultou-as de excelente qualidade, segundo os atestados médicos, as águas da fonte do Sabá, tem efeito medicinal nas moléstias do estômago, fígado e intestino. A propriedade onde está situada a fonte, foi adquirida pelos senhores Vicente Trevas e João Cordeiro, que constituíram uma sociedade, para explorar. Os novos proprietários, pretendem fundar ali um sanatório (remete às tradicionais estâncias hidrominerais e climáticas), como outros melhoramentos imediato,s até que numa melhor oportunidade ou desenvolvimento da empresa, eles permitam fazer instalações definitivas. Os senhores Vicente Trevas e João Cordeiro, visitaram ontem nossa redação, trazendo amostras de águas da fonte do Sabá.

Fonte: Diário da Manhã, edição de 04 de Dezembro de 1929.

Outras referências sobre a Fonte do Sabá, foi publicada no livro CAMINHOS DO AFETO (2004), da escritora custodiense SEVY OLIVEIRA, autobiografia de forte interesse histórico. Sevy Oliveira nasceu em Custódia, em 1934. Formada em Pedagogia pela UFPE, dedicou-se à docência. 

Confira clicando: AQUI


19 setembro, 2022

A fonte do Sabá - Sevy de Oliveira


A Fonte do Sabá é um dos pontos turísticos mais bonitos e importantes do Munícipio de Custódia. O lugar atrai pela beleza natural de sua serra em rochedos, com inúmeras escritas rupestres. É coberta por uma vegetação bonita e diferenciada, destacando-se pela qualidade das suas águas minerais e pelo saudável banho de bica.

Da sua tradição, ouvi lendas e histórias.

Diz a lenda que, numa noite de inverno, uma tromba d’água soterrou, sob uma camada de granito, milhares de esmeraldas, rubis e outras pedras preciosas, arrobas de ouro e de prata, escravos e animais. Esse tesouro, dos Afonso, conta-se, estaria escondido nas profundezas das gargantas dessa Serra.

O escritor Luíz Wilson, no seu livro “Os Pereiras de Serra Talhada“, relata que a descoberta dessas águas minerais remonta ao segundo quarto do século XVIII, quando ainda se iniciava a colonização dos sertões nordestinos. Só em 1928, o químico Vicente Trevas, ao manusear o histórico “Livro da Torre do Tombo“, encontra registro dessas águas, encravadas em local de difícil acesso, nos limites do Vale do Pajeú – Moxotó, hoje, Município de Custódia. Prosseguem as pesquisas e análises, constando tratar-se de afloração hidromineral de excelentes qualidades terapêuticas, o que enseja licença para a comercialização da água dos Sabá.

Conta-se, ainda, que o técnico mirando-se nessas águas claras, lembrou-se da história da Rainha do Sabá, que conseguiu apaziguar os ânimos e aquecer a amizade com o Rei Salomão, deixando-os maravilhado com o presente de um cântaro de água pura e cristalina do seu reino.

Com essa lembrança, batizou, com alegria, a límpida água que mirava com o nome de Água da Fonte do Sabá, que os sucessivos proprietários, João Nunes Inácio Miranda, José Fernandes de Souza e o atual, Dr. Múcio Dourado, continuam a prestigiar.

Hoje, a Fonte do Sabá tem um movimento comercial que já extrapola os limites do Município. Contudo, ainda deixa a desejar a sua preservação, merecendo ações públicas voltadas para conservar esse recanto ecológico de beleza e águas cristalinas.

(*) Texto extraído do Livro CAMINHOS DO AFETO, de Sevy Gomes de Oliveira, lançado em 2004 no Recife, pela edições Bagaço.

Edições Bagaço
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