29 janeiro, 2022

O conterrâneo e amigo José Melo - por Jorge Remígio



José Soares de Melo


Temos um grupo no whatsapp, denominado por Paulo Peterson de REDATORES. São colaboradores mais assíduos do Blog Custódia Terra Querida, administrado por ele, e que tem a finalidade de discutir postagens, sugerir outras, propor ideias, ou mesmo fazer alguma crítica interna. É composto por cinco pessoas, quais sejam: Eu, Paulo Peterson, Zé Melo, Jussara e Vanise Rezende. Seria até de bom grado que mais pessoas participassem dele.

Certo dia, no mês de novembro do ano próximo passado, Paulo sugeriu que escrevêssemos sobre os integrantes do grupo. No caso, cada um escolheria um componente e escreveria sobre ele. A ideia foi encampada de imediato por todos, porém, a nobre companheira Vanise Rezende, por estar em fase de conclusão do seu livro, momento bastante atarefado e que requer muita concentração no objetivo, pediu para participar posteriormente, no que foi compreendido perfeitamente por todos.

Eu poderia escolher ou optar por qualquer um dos três componentes. Jussara para mim é uma sumidade, Paulo, tem o meu maior apreço e admiração. Pessoa extraordinária e o criador dessa ferramenta imprescindível para o armazenamento e divulgação da memória de Custódia, que é o excelente blog citado acima. Eu fiz a escolha por Zé Melo. Ele de imediato falou que me escolhia também.

Achei excelente, pois é prova da sintonia que estamos vivenciando. Inclusive, o texto que ele escreveu já foi publicado no Blog e fiquei imensamente lisonjeado e agradecido com os adjetivos qualitativos que me foram direcionados e, sinceramente, não sei se mereço tanto. A minha escolha por Zé Melo, foi principalmente porque os vários textos que este já havia produzido e publicado no Blog Custódia Terra Querida, sobre a memória da nossa cidade, me inspiraram a tentar escrever a minha primeira crônica, precisamente no ano de 2010.

Sempre admirei os seus escritos, pois são relatos que marcam personagens e momentos da história do nosso município. São textos leves, bem escritos e quase todos com uma pitada de humor. Sabemos que o conterrâneo tem vários predicados valorosos, facilidade no tocante a comunicação, que para mim é um talento bastante incomum, só para citar algumas das suas várias vertentes que ele desenvolve com habilidade e excelência nos resultados.

Um grande abraço para o amigo Zé Melo, e creio que estamos no caminho certo em escrever, pesquisar e publicar a memória da nossa querida Custódia.


Recife, 19 de janeiro de 2022
Jorge Remígio

28 janeiro, 2022

Tambaú: força e sabor que vêm do sertão


Dedicação, padrão de qualidade, investimento em tecnologia, preservação do meio ambiente e responsabilidade com as entregas

Por Inspiração Pernambuco

O empresário paraibano Gerson Gonçalves de Lima, nascido em uma família humilde do município de Prata, quase na divisa com Pernambuco, sempre sonhou em ser um industrial. Desde criança, observava fascinado as chaminés das fábricas com suas nuvens de fumaça e imaginava os grandes feitos que viria a realizar. Mais de meio século depois, seu sonho se transformou na Tambaú Alimentos, uma das mais fortes indústrias de doces, molhos e condimentos das regiões Norte e Nordeste.



Mas essa história de sucesso não aconteceu por acaso. Foi preciso muita garra, obstinação, coragem e, acima de tudo, muita fé, características que nunca faltaram ao paraibano. Ansioso para ganhar seu próprio dinheiro e com a energia que é própria daqueles que têm espírito empreendedor, Gerson começou a trabalhar cedo, aos 14 anos. Ele não queria perder tempo. Então, com a ajuda do pai, começou a fazer pirulitos em casa para vender nas ruas de Sertânia, cidade do sertão pernambucano que acolheu a família Gonçalves de Lima em meados da década de 1940.

Extremamente disciplinado e talentoso com os números, o jovem Gerson investia grande parte do que ganhava nas vendas em matéria-prima para a produção de novos pirulitos. O pai, admirado com a dedicação, deu a Gerson a ideia de fazer doces de frutas tropicais, já que havia muita produção de goiaba, banana e caju nas proximidades dos rios Moxotó e Pajeú. Pesquisaram o mercado, alugaram uma casa e compraram os equipamentos para iniciar a produção. Nascia a Goiabada Telma, embrião do que mais tarde se tornaria a Tambaú Alimentos.

Doce invenção

Conhecido pela sua inquietação e capacidade de inovar, Gerson não se limitou a um único produto. Assim, foi criando variações da goiabada e aumentando o portfólio da sua pequena fábrica. Com um novo sócio, levou o negócio para Campina Grande, na Paraíba, buscando as oportunidades de uma cidade maior. Mas logo viu que era no sertão que havia abundância da sua principal matéria-prima. Após três anos, desfez a sociedade, voltou para Pernambuco e se estabeleceu em Custódia. Era hora de recomeçar e o primeiro passo foi escolher um novo nome.

Gerson tinha três opções na cabeça e todas remetiam à sua terra natal. Ele queria honrar suas origens. Entre Borborema, Cariri e Tambaú, ele optou pelo último, em homenagem a uma das mais famosas praias paraibanas. Então, em 1962, a Tambaú Alimentos é oficialmente fundada, focada na produção dos doces de goiaba, banana e caju.



Cinco anos depois de ter sido inaugurada, uma enchente destruiu a fábrica. O empresário, em nenhum momento, se desesperou. Em meio ao caos, foi para casa, juntou os filhos e colocou uma música para tocar. Ele dizia que o que Deus tira, ele dá em abundância. Com sua fé inquestionável, recomeçou do zero e seguiu em frente.

Uma marca que tem sabor

Inicialmente, as vendas da Tambaú eram feitas para as cidades próximas de Custódia. Mas logo os produtos foram chegando no interior de estados como Piauí, Paraíba, Maranhão e Bahia. Conquistar as capitais e as grandes redes varejistas também foi uma questão de tempo. Quando a Tambaú fez 25 anos, em 1987, passou a produzir sua linha de atomatados com o lançamento do extrato, molhos de tomate e catchup, produto que mais tarde viria a se tornar seu carro-chefe de vendas.



Com uma estratégia baseada em três eixos principais, sendo eles dedicação, responsabilidade com as entregas e investimento em tecnologia, e com a ajuda dos três filhos, que desde cedo aprenderam a amar e respeitar o negócio do pai, Gerson continuou levando a Tambaú para o futuro. Em 2000, o empresário faleceu aos 67 anos, deixando para as futuras gerações um legado de solidez, coragem, determinação e esforço incomparáveis.

Constante evolução

Sob o comando dos irmãos Hugo, Iuri e Maura, filhos de Gerson, e com a terceira geração da família dando os primeiros passos no negócio, a Tambaú Alimentos continua em sua trajetória de crescimento e atualização constantes. Seu catálogo chega a agregar cerca de 120 itens diferentes, entre molhos, condimentos, doces e muitos outros. No moderno parque industrial, que continua instalado no município de Custódia, são produzidas seis mil toneladas de produtos por mês, gerando, na região, mais de 500 empregos diretos, além das oportunidades indiretas para mais de 500 pessoas.



Cerca de quatro mil clientes estão cadastrados na carteira da indústria, entre mercados, supermercados, atacados, distribuidores e food services, o que permite uma capilaridade significativa na entrega dos produtos, principalmente para as regiões Norte e Nordeste. Com a criação de uma transportadora própria, inaugurada no final de 2021, a empresa ampliou ainda mais a distribuição dos seus produtos, contando com uma frota inicial de 40 veículos, e mira novos mercados.





A preocupação com o suprimento de matéria-prima, uma das principais filosofias de negócio do seu fundador, faz com que a Tambaú esteja constantemente monitorando seus fornecedores e mantendo profissionais qualificados em suas instalações, como forma de garantir o padrão de qualidade que sempre foi sinônimo da marca. Prova disso é relação fiel e duradoura que os consumidores têm com a empresa, elevando o seu catchup, por seis anos consecutivos, a líder de consumo no Nordeste, segundo o ranking Cinco Mais da pesquisa Nielsen/Revista Super Varejo.


Legado na sustentabilidade

O cuidado com as pessoas e a preservação do meio ambiente é uma preocupação muito antiga na Tambaú. É da época de dona Terezinha, esposa de Gerson Gonçalves, e que ajudava ativamente o marido no dia a dia da fábrica, sempre com um olhar atento e carinhoso com todos. Um cuidado constante da matriarca era evitar o desperdício. Procurava sempre formas de reutilizar tudo que sobrava, desde sacos de açúcar a vidros e embalagens.






Foi dela a iniciativa de comprar uma prensa para compactar os materiais que podiam ser vendidos para reutilização. Muitas das ações implementadas por ela na empresa são mantidas até hoje. E o exemplo da importância da sustentabilidade e do cuidado com o meio ambiente deixado por dona Terezinha é passado de geração em geração na gestão da Tambaú. Como resultado, apenas em 2020, cerca de 347 toneladas de resíduos sólidos e 200 toneladas de orgânicos foram reciclados na indústria.

Além da reciclagem, a Tambaú também segue as instruções de dona Terezinha no consumo consciente da água. A empresa tem um circuito que capta o mínimo possível de água da natureza sem comprometer a segurança alimentar dos produtos. Através da utilização dessa ferramenta, a instituição conseguiu reduzir a média de consumo de 8,16m³/toneladas em 2009 para 2,48m³/toneladas em 2020.

Este conteúdo, disponibilizado publicamente em parceria com a Folha de Pernambuco, foi desenvolvido com exclusividade pela equipe da Editora Inspiração para o livro Inspiração Pernambuco, com breve lançamento para 2022.

A História da Música - Custódia, Saudades e Lembranças (Plínio Fabrício)



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As laranjas de seu Dezinho - por Paulo Peterson


Dezinho Aureliano da Silva, nasceu em 30 de Setembro de 1923 na Paraíba. Muito cedo veio morar em Custódia com seus pais. Era casado com dona Amara, ambos tiveram 8 filhos, são eles: Maria de Lourdes, Antônio Aureliano, Maria das Graças, Clemilda Aureliano, Nazidir, Leonor, Joana Aureliano e Cícera Aureliano. Nos anos 60  negociava na feira vendendo cereais, na época a feira era localizada na Praça Padre Leão, sempre trabalhou na agricultura para nos sustentar sua família. Faleceu em 01 de Dezembro de 2012.

Os mais novos quando passam ao lado do prédio onde funciona a Câmara Municipal de Vereadores de nosso município, não sabe que ali até algum tempo atrás, uma TV era um entretenimento para os estudantes da zona rural e pessoas que não tinham o aparelho em suas residências.
O público era maior em dia de jogos de futebol. Os assentos de concreto ficavam lotados também aos domingo durante exibição do Fantástico, e os gols da rodada de cada domingo.





Ao lado da TV ficava sentado um senhor de idade e o seu famoso carrinho de vender laranja, amendoim, ceriguela, pipoca e balas em gerais, chamado seu Dezinho. Não passava despercebido o modo como aquele senhor descascava suas laranjas. Sempre muito atencioso, enquanto fazia seu serviço, gostava de uma boa prosa com seus clientes. Uma simpatia de pessoa.

Por Paulo Peterson

(*) Colaboração de sua filha Clemilda Aureliano da Silva, que reside em São Paulo há 41 anos, e não esquece sua terra natal.

Passagem de Miguel Arraes por Custódia (1986)



Fotos da passagem de Miguel Arraes por Custódia em 1986, resgatadas pelo vereador Gilberto de Belchior em seu blog. Depois de cassado e deportado pelo golpe militar de 1964, Arraes volta ao poder através da memorável e emocionante campanha de 1986, onde os jingles da campanha diziam: "Arrastaí Arrastaí denovo, Arrastaí Arrastaí meu povo"; "Volta Arraes ao Palácio das Princesas, vai entrar pela porta que saiu", entre tantas outras frases de efeito.

Nas fotos acima observa-se Arraes no centro de Custódia em desfile pela rua Manoel Borba, com o candidato ao Senado, Padre Mansueto de Lavor, que se encontra discursando, ao seu lado Gilberto de Belchior (coordenador da campanha) e o candidato a Deputado Estadual, Manoel Alves, tendo a frente do palanque uma grande multidão que se espremia para ver Arraes.

Fonte: Blog do Vereador Gilberto de Belchior

27 janeiro, 2022

Como Frei Damião veio para Custódia


Depois de Padre Cícero Romão Batista, Frei Damião é, sem dúvida, a maior figura da crença popular no Nordeste. Nascido na pequena Bozzanno, província de Lucca, Itália, em 5 de Novembro de 1898, Frei Damião ingressou na ordem dos Capuchinhos em 1914 e se ordenou sacerdote em Agosto de 1923. Após cinco anos de trabalho na Itália, Frei Damião foi designado, com mais dois companheiros, para trabalhar no município de Custódia, no sertão de Pernambuco. A partir de então, ele se tornou um missionário ao estilo mais tradicional. Sua missão, dizia sempre, era salvar as almas das garras do demônio; Suas "missões" ficaram famosas em todo o Nordeste. Conservador e vigilante exigente dos preceitos da Igreja, ele confessava, realizava casamentos coletivos e pregava incansavelmente. Extremamente disciplinado e humilde. Frei Damião. no coração do povo sertanejo, era um santo. Morreu no Recife em 31 de Maio de 1997, depois de uma longa enfermidade.



A minibiografia de Frei Damião, faz parte de um riquíssimo acervo cultural pernambucano que abrange vários artistas plásticos, intelectuais, poetas, artesões, políticos e desportistas. Ícones de Pernambuco, foi lançado pela Editora Construir, em 2006, oferecendo em estilo leve e de forma popular, estimulando os jovens, especialmente estudantes do Ensino Médio, a conhecerem as grandes personalidade pernambucanas. A intenção era que, a partir desse primeiro contato, induzir os jovens a ampliarem o conhecimento sobre a cultura do nosso Estado.

(*) Agradecimento ao colaborador Claúdio Campos por nos ceder a revista para esta matéria.

26 janeiro, 2022

Tambaú cresceu 12% no ano passado, mas não faz projeções para 2022


Matéria postada originalmente no site ALGO MAIS.
Por Rafael Dantas
 
Hugo Gonçalves, presidente da Tambaú Alimentos, conversou com a Revista Algomais sobre como a empresa tem enfrentado os altos e baixos da pandemia e quais as perspectivas para 2022. Após um crescimento forte em 2020 e um avanço no faturamento ainda elevado de 12% em 2021, as previsões para este ano são mais conservadoras.

Como tem sido as operações da Tambaú em meio às incertezas – aberturas e fechamentos – da Pandemia?

A pandemia veio através de ondas. A primeira foi assustadora porque era gigantesca e desconhecida para todos, até para a ciência. Graças a Deus, nossas operações se mantêm firmes. Vamos endurecendo ou flexibilizando os protocolos, de acordo com a orientação do governo, e tudo isso tem gerado um aprendizado. A gente sabe que não é uma brincadeira e tem encarado tudo com muita seriedade, atentos aos cenários dentro e fora da empresa.

Sem ter um cenário mais preciso para o ano de 2022, como a empresa planejou o ano? A mudança dos números da Pandemia com a Ômicron mudaram em alguma coisa os planos para o ano?

Temos trabalhado de forma a não criar nenhuma expectativa de grandes crescimentos para 2022 porque a gente sabe que tanto a questão sanitária da pandemia, quanto os dados macroeconômicos demonstram que não será possível uma resolução rápida dos danos no cotidiano das pessoas, na economia e em diversos setores. Nos últimos dois anos, muitas empresas foram impactadas pelas consequências da pandemia , outras encerraram suas atividades, a taxa de desemprego está muito grande, a queda no poder de compra também. Sabemos que a economia vai encolher . Os custos de matérias-primas, insumos, subiram muito e nem sempre temos como repassar . Uma inflação de dois dígitos em 2021. A massa salarial que está empregada vem sendo afetada com os aumentos dos preços e impactando no consumo.

A nossa orientação interna aqui na Tambaú é não fazer grandes projeções, apenas manter o que já conquistamos. Em 2020 nós crescemos 35%. Em 2021, crescemos 12% e para este ano novo, diante dessas situações atuais, nos damos satisfeitos em manter nossa posição. Mas temos expectativas de crescimento através dos lançamentos de linhas e produtos.

Além das preocupações com o mercado, como a Tambaú tem trabalhado sobre a questão emocional da sua equipe de profissionais?

Temos uma equipe de aproximadamente 530 funcionários. A questão emocional é algo que nos preocupa bastante porque temos nos deparado com alguns colaboradores em situações onde é preciso um cuidado nosso. Contratação de psicólogos para dar uma assistência e acompanhá-los. Para amenizar o sofrimento deles com o isolamento, o risco iminente, as crises de ansiedade, temos buscado dar esse apoio profissional. Também criamos campanhas de saúde com uma equipe multidisciplinar para atuar no tratamento da obesidade, combater o sedentarismo e incentivar uma alimentação mais saudável. Reunimos profissionais de nutrição, psicologia e educação física com programas que foram implementados, surtiram efeitos grandes, que têm sido comemorados e que estão proporcionando um ambiente de trabalho melhor.

Como foi o desempenho da empresa em 2021? Quais as perspectivas e planos para 2022?

Este é um ano que traz pontos preocupantes como a escalada no aumento de preços dos insumos com o cenário da inflação de dois dígitos que o Brasil já vem enfrentando. Mas há também perspectivas de novas ações voltadas à população, por ser um ano de eleições, que podem contribuir para a retomada do consumo. Enfim, são perspectivas que já vêm sendo acompanhadas pela Tambaú e diante das quais já estamos nos preparando há um tempo, nas ações de redução de custo, aumento de produtividade e eficiência , além de investimentos que fizemos antes e agora já estão se consolidando, como a transferência para o nosso novo galpão de logística. Podemos dizer que somos realistas, porém otimistas. Enxergando com bons olhos este novo ano.

A arte de rua que tocou meu coração - por Plínio Fabrício




Hoje recebi a visita desse artista, Flanklin Barros que me presenteou com esse trabalho.

"O valor da simplicidade é você receber um sorriso de alguém que nunca viu. O dinheiro faz homens ricos, o conhecimento faz homens sábios e a humildade faz grandes homens".

Peço que compartilhem esse vídeo, para que o trabalho de Flanklin seja mais conhecido.
Ele mora no Recife na Caxangá, por trás do Hospital das Clínicas.

Peço que compartilhem esse vídeo, para que a Arte de Flanklin Barros, seja mais conhecida.

Muito Obrigado aos que ajudarem.

Plínio Fabrício

Juventude Dourada - por Jorge Remígio



Foto: Acervo da Família.

                                                       
A juventude é uma fase da vida tão marcante, que muitos se referem a ela com: “no meu tempo”. Ela é muito significativa, porém bastante efêmera. É aquela coisa, “o que é bom dura pouco”. A minha juventude insiste em ficar cada dia mais distante, porém as lembranças lá da década de setenta são combustíveis que a mantém viva nas minhas memórias. Muitas vezes, envolto em pensamentos que levam aos meus verdes anos, tenho plena consciência de que fui um cara privilegiado. Vivi com intensidade uma juventude quase rebelde, lúdica, carregada nos prazeres inerentes à idade, como dançar, cantar, tocar, beber, conversar, namorar, jogar futebol, foram verbos bem conjugados na minha rotina de pouquíssimas preocupações ou quase nenhuma. Bem, a grande importância disso tudo, foi o compartilhamento junto aos diletos amigos e amigas que comungaram comigo nessa grande trajetória festiva, onde teve como território geográfico principal a minha amada cidade de Custódia. Todos eles estão representados nessa crônica. A maioria da minha turma estudava em Recife, residindo em casas de estudante ou em pensões modestas, mas nossas cabeças e pensamentos estavam sempre apontados para nossa cidade e, com certeza, isso interferia no andamento escolar. O Centro Lítero Recreativo de Custódia foi um templo festivo para todos nós, como também um espaço facilitador para o início de muitos namoros. Palco de carnavais inesquecíveis e de festas memoráveis organizadas em sua maioria por Zezita Queiroz, mas não devemos esquecer outros presidentes atuantes, caso de Sílvio Carneiro, Aparício Feitosa (Chandinha), Reginaldo Rafael, João Ivonaldo, Natalício Vieira, esses que lembro no momento que escrevo. O campo de futebol, batizado de Carneirinho, justamente por ter sido construído na administração do Prefeito Silvio Carneiro e concluído no ano de 1972, atraia multidões de espectadores aos domingos à tarde, para ver o futebol custodiense que naquela década inteira foi destaque em nossa cidade. E os bares? Ah! Esses foram muito presentes em nossa juventude. O Sabazinho, construído entre 1968 e 1969, ainda frequentamos, mas seus dias de glória haviam passado. O Ponto Certo, até pela sua localização em frente à Praça Padre Leão, era um “point” para os jovens da época. Seu proprietário era Jeferson Alves de Queiroz Filho, o amigo Deta. Funcionou de 1971 até 1973. No ano seguinte mudou a localização, porém, sem o glamour inicial, acarretando a ida de Deta para capital do Brasil. No ano de 1977 o amigo Lourival Barros abriu um bar na Rua Luiz Epaminondas. Não tinha muitas pretensões, mas passamos a influenciá-lo a transformar o espaço que era bastante imenso, em uma discoteca. Justamente porque era uma febre mundial naquele momento. Ele encampou nossa ideia, fez uma pista de dança e não demorou para ser um grande sucesso. Foi quase uma revolução em termos de transformar em pouco tempo um armazém em uma boate com jogos de luzes, decoração, música popular brasileira de boa qualidade, como também os sucessos de Bee Gees, Michael Jackson, Donna Summer, ABBA, e os dançarinos inspirados em John Travolta e Olivia Newton John, embalavam os sábados e domingos à noite com muita alegria em um CASARÃO superlotado. Abro um parêntese para falar de um bar muito especial. Com início por volta de 1974, o bar de seu Chiquinho de Panfila foi um local emblemático para toda aquela moçada, que às onze da matina já estava ávida para iniciar as reuniões etílicas. Isso durante as férias estudantis ou nos feriadões, quando íamos da Capital para Custódia, geralmente aventurando caronas na BR 232. Realmente, essas caronas é um capítulo à parte em nossas viagens ousadas, muitas vezes sofridas, mas, com a maior certeza, prazerosas. Quero fazer um preito de gratidão ao casal que, por quase uma década, foi tão generoso com todos nós. Seu Chiquinho e Dona Pura, obrigado por segurar tantos “pinduras” dessa turma tão descapitalizada, mas que no final dava tudo certo. O fiado era uma cultura, quase uma “instituição” em épocas passadas. Quando se ia até a padaria, era comum levar a caderneta para anotar a compra que era paga no final do mês. Como também as feiras que eram feitas nas bodegas. Um detalhe, não havia ainda supermercados. Me recordo que em uma farta bebedeira, acompanhada de batucadas e muitas conversas, estava o nosso amigo Josimar Siqueira, o querido Josa. Policial da Rodoviária Federal, era com certeza o destaque em termos financeiros no meio daqueles jovens e pobres estudantes. Esse detalhe deu até uma certa segurança para seu Chiquinho, esboçado claramente em seu semblante tranquilo e sereno, com os cotovelos sobre o balcão a nos observar. Em dado momento, após várias saideiras, decidimos levantar voo até outras paragens, então, pedimos a “dolorosa”. Era assim que chamávamos a conta e pela quantidade de garrafas de cerveja em cima da mesa e no chão, com certeza estava fora do nosso padrão de consumo. Seu Chiquinho deixou sobre a mesa o papel da conta com tudo discriminado e retornou ao balcão. Josa antecipou-se a todos nós e puxou a carteira do bolso traseiro da bermuda branca. Sinceramente, eu nunca tinha visto ao mesmo tempo uma carteira tão gorda e seu Chiquinho tão contente. Nesse exato momento, pularam três na direção de Josa, seguraram em sua mão e falam bem alto e quase ao mesmo tempo. “ôxe! Tais doido? Tu aqui não paga nada, tu és nosso convidado” Em seguida voltamos para seu Chiquinho, que certamente já estava em outro estágio, e falamos. “Seu Chiquinho, anote aí que depois a gente paga” Bem, a gente pagava mesmo, mas à vista é sempre melhor para o dono do bar. E o fígado que Dona Pura preparava com tanta maestria? Inigualável. Ainda hoje guardo lembranças daquele sabor de um tempero mágico no paladar da memória. Havia com certeza algum segredo naquela iguaria, alguma ciência. Sem falar na costelinha suína que ao lembrar dar água na boca. Todas as vezes que retorno à minha cidade, passo na Rua Nemesio Rodrigues com casas e espaços totalmente modificados, e fico procurando identificar o local onde fomos tão felizes. Gratidão “in memoriam” ao Seu Chiquinho e Dona Pura, pela paciência e por nos acolher tão bem naquele local inesquecível para todos nós que fizemos parte daquela juventude dourada, juventude paz e amor dos anos setenta.



Texto

Jorge Remígio
Recife-PE
Janeiro/2022

Fotos da Juventude Dourada



Carnaval de 1979 no CLRC. Podemos identificar Socorro irmã de Salene, Carminha, Jorge Remígio, Walkiria Góis, Lula Epaminondas, Rosane Souza e Lucidalva esposa de Marcos Ramalho.


Julho de 1979 na Praça Padre Leão.
Atrás. Otacílio Góis, Marcelo Burgos e Jorge Remígio.
Na frente. Enildo Pires, Fernando José Carneiro e Antônio Remígio.


Janeiro de 1977
Aprovação de Fernando José no vestibular. 
Na foto: Graça de Geni, Nerice, Nita, Neli Aleixo, Nobinha Amaral e Hiran Burgos.
Agachados: Cláudio Simões, Tadeu Burgos e Jorge Remígio



Comemoração da aprovação do vestibular de Jorge no bar de seu Chiquinho com alguns amigos em Janeiro de 1976.
O primeiro na foto é: Nivaldo Marcolino, depois Jorge Remígio, João Vital, Elijário, por trás o casal seu Chiquinho e dona Pura, a criança é um dos filhos de Zé Virgínio, Marcos Viola, Otacílio Góis, Luciano Veríssimo, Rui Rezende e Zé Virgínio



Jorge e o amigo Otacílio Góis, quando foram aprovados no vestibular e a comemoração foi no bar de seu Chiquinho


Time do Tambaú de Custódia.
Foto do ano de 1979.
A esquerda: goleiro reserva, era de Arcoverde, Chico de Antuza, Luciano Góis Veríssimo, Celso Bezerra, Bel Mariano, Edmilson, era do Recife, Zé Esdras Góis e Antônio Eli Constantino.
Agachados. O primeiro era de Arcoverde, seguido de Brasília, Jorge Remígio, Reginaldo do Projeto Sertanejo, o seguinte era de Serra Talhada e Evaldo Simões. O Tambaú foi campeão no ano anterior.
Nesse ano de 1979 o campeão foi o Independente que era de Sinval Vaz.



Santa Cruz de Custódia.
Foto em julho de 1973.

Na a esquerda em pé: Urbano Rafael, Josimar Siqueira, Jorge Remígio, Ferdinando Feitosa, Nego, irmão de Ozinaldo, Rui Rezende, Elione Rodrigues e Deda cunhado de Zé de Arnoud.

Agachados. Zezinho Freire, Bartolomeu Quidute, Evaldo Simões, Antônio Eli Constantino, Fernando Vitor e Zé Esdras Góis.



 Praça Padre Leão no dia primeiro de janeiro de 1974.

Havíamos raiado o dia na famosa barraca de Zé de Arnoud, que está a esquerda por trás da foto.
Dr. Pedro Pereira, Otacílio Góis, Marcelo Burgos, Jorge Remígio e Zezinho de Joci. Um detalhe. Pedro nos encontrou por acaso naquele momento.



Praça Padre Leão no ano de 1978.
Segundo prédio após a Farmácia Pinheiro, funcionava o Bar Ponto Certo.



Foto na parede do açude do DNOCS em julho de 1973.
Na foto, Lírio Pereira, Urbano Rafael, Zezinho Duarte, Nadja Simões e Cláudio Simões.
Atrás, Jorge Remígio



Festa Nipônica no CLRC. Vanúzia Bezerra, Zezita Queiroz e Evanúzia Rodrigues.
Festa Nipônica foi em 1970


Festa da Cigana no Ginásio Padre Leão em 1970. 
Lírio Pereira, Lúcia Gois e Célia Feitosa.


Carnaval no CLRC em 1979.
Da esquerda. Aruza Torres, Elzir Valeriano, Ana Cluadia Remígio, Rejane Medeiros, Flávia Epaminondas, Irlene Moises, Eliane Remígio e por trás, Genival Mariano.



Carnaval de 1973 no CLRC. Tadeu Burgos, Otacílio Gois, Célia Semião, irmã de Baiá e Marcelo Burgos. Atrás da foto estão Maggi, não se é assim que se escreve, Rita Amaral e o esposo Deusinho, Guilherme Andrada e dona Elisa Queiroz.

Foto na Palhoça de Kida Aleixo.

Inaugurada em dezembro de 1976, funcionou por quase quinze anos. Localizada no bairro da Pindoba, ao lado da BR 232, atraia as pessoas da cidade por ter um famoso peixe tilápia assado e uma deliciosa iguaria, que era o xerém com galinha.

Na foto a esquerda, Célia Feitosa, Jorge Remígio, Zezinho Freire, Rui Rezende, Otacílio Gois, Geni Lira e Tadeu Burgos. Dezembro de 1976.

09 janeiro, 2022

[Entrevista] Janúncio de Custódia

Janúncio sempre acompanha notícias de sua terra 
acessando o blog Custódia Terra Querida

Retornando as entrevistas com artistas e nomes da terra, o Blog Custódia bateu um papo com o cantor e compositor Janúncio de Custódia. Confira o bate papo.

Blog Custódia - Como começou seu interesse pela música?

Janúncio de Custódia - Começou aos 10 anos de idade. Sabendo que meus antecessores eram grandes músicos e seresteiros, assim como meu tio João Benício, por parte da minha mãe. Depois aparece meu primo Marzinho de Arcoverde com a mesma idade que eu, porém, herdando uma veia musical por parte dos nossos pais. Eu cantava muito no banheiro. Participei da banda do Escola General Joaquim Inácio. Fiz parte da Custocata em épocas de carnaval. Até que meu mestre Rubinaldo José, da banda RJ7, resolveu me convidar à fazer parte desta banda em Sítio dos Nunes, Município de Flores. Antes ele tinha me visto cantar nos bailes do C.L.R.C , quando eu sempre pedia pra cantar uma música. Fiquei 4 anos nesta banda RJ7, logo depois fui pra capital pernambucana, onde resolvi seguir com forró pé de serra, que já fazem 26 anos, com 5 CDS gravados, e uma marca já consagrada em todo Nordeste,J anúncio de Custódia e Forró Megaxote. Entre os estados mais frequentes com o nosso show é Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia.

BC - Quem te incentivou a se tornar um cantor e compositor de forró?

JC - Eu não poderia deixar de citar o nome de grande amigo que já se encontra no andar de cima, Feitosa, pai de Serginho. Esse cara exigia que as bandas que se apresentavam no C.L.R.C, me dessem oportunidades de cantar, e sempre me dizia: Neguinho tu canta muito. Fica com Deus meu amigo Feitosa. Meus pais eram contra, mas hoje, torcem muito por mim. Meu pai, já falecido, me encorajava sempre dizendo, se é o que você quer, então segue em frente! José Siqueira Sobrinho.Te amo meu pai. Saudades eterna.

BC - Nos conte um fato que te marcou na sua carreira.

JC - Foi um show em Carnaíba-PE, quando no momento celebravam a festa do padroeiro de um povoado, naquele município.Tocava RJ7 de um lado da praça, e do outro, Caras e Bocas, ou seja, eu e Marzinho de Arcoverde. Lá pras 2h da manhã, Marzinho veio para o meu show, e então entreguei o microfone pra ele, e fui ao show dele, onde a banda já me aguardava, e então mandei valer. Tudo foi feito sem combinar nada. Pra mim foi marcante até hoje, e nos perguntamos como aconteceu aquilo. Coisa de Deus.

BC - Qual a sua primeira composição e qual inspiração para escrever?

JC - Minha primeira composição só gravei no segundo CD, porém, ganhei o segundo lugar no festival Universitário de São José do Egito em 1984. A canção chama-se '' Mandacaru''. Ela retrata a cara do meu sertão. Fala da caatinga nordestina. A canção que foi interpretada pelo sanfoneiro Dema da cidade de Fátima-Flores-PE. Minha inspiração para escrever, é minha esposa Lú. Quando estamos de cara virada, é melhor ainda. Sempre estamos de boa, aí que brota coisa boa. Mais uma vez eu digo...é coisa de Deus!

BC - Nos conte um pouco da sua família.

JC - Meu amigo, a família pra mim é tudo! é minha basa, meu chão. Procurei muito a mulher que me aceitasse como sou, e que juntos somaríamos um só! Hoje agradeço a papai do céu, pela grande família que tenho. Sou muito feliz pelos meus filhos magníficos... cada um seguindo seu caminho, sempre com Deus no coração. Em relação a família, hoje somamos uma grande união de pessoas que desejam apenas ser felizes... meu filho Luiz Fillipe, conhecido como Fillipe Mariano, onde já gravou seu primeiro CD Pop-Rock. E Thiago José, o Negão, manda bem na Rádio Mix, pela internet, e segue sua caminhada do jeito que ele acha correto.

BC - Quais artistas já gravaram suas músicas?

JC - Em 26 anos de carreira, sou muito grato a Deus, pela confiança dos artistas em gravar minhas canções, como por exemplo: Aroldinho do Recife, com a canção ''Esse alguém sou''. Depois dele, vários artistas gravaram essa canção: Kelvis Duran/Paulo Marcio DVD, Forrozão Arizona, Marlon e Maicon, André Viana, Nilson Pastor, Banda Maçã, Wanderley Andrade, Mala sem Alça, Betão entre outros... E outras canções se destacaram pelo nordeste. Fico feliz por isto! Banda como Magníficos, e o cantor Luan Santana, colocaram canções minha em seu repertório. Fonte informativa: UBC(União Brasileira de Compositores), na qual sou filiado.

BC - Qual a sensação de tocar em sua terra natal?

JC - A sensação de fazer um show em minha terra é simplesmente ímpar. Sonhei e sonho todo dia com isso... é maravilhoso cantar em casa, um público nosso que se criou conosco... amigos, família, povão. Enfim, é tudo de bom! Existe um ditado que se diz ''Santo de casa não faz milagre''. Eu acho que o artista local, é um pouco desprestigiado. Acho que isso acontece por conta de pessoas que não entendem, que toda cidade, tem que preservar sua própria cultura. Se não fizermos isso, seremos idiotas sem rumo e sem causa! Agradecemos desde já, a sua colaboração e sua força...VALEU! Estamos a sua disposição. Abraços do amigo Janúncio de Custódia.

Entrevista conduzida por Paulo Peterson



Grupo Teatral Os Gândavos



Grupo de teatro custodiense OS GÂNDAVOS.

Foi encenada com o Título ¨Égua Gorda¨ em 03 de maio de 1978, no Colégio Técnico Joaquim Pereira, horas antes houve uma apresentação na Escola Municipal Padre Leão.

No dia 19 de agosto de 1980, no Centro Lítero Recreativo de Custódia, como parte da programação da Primeira Semana Cultural de Custódia. Se chamava ¨Pedido de Casamento¨ e contava com um tempo de duração, de uns 70 minutos.

Blog Família Lopes e Santos



[Baú do Futebol] Cruzeiro do DNOCS (1969)




Em pé: 
Tonho da Celpe, Jailson Pinguin, Urbano Rafael, Natalício do DNOCS, Celso de Moacir e Pedro Aleixo(Árbitro).

Agachados: 
Gilson de Adauto, Coelho, Eli, Sinval, Fernando Vitor e Zé Esdras.

Foto: Nadilson Santos



Paternidade irresponsável - autor Fernando Florêncio

Trecho contido no livro Foi Assim 2
Breve lançamento
Exclusividade para o Blog Custódia

PATERNIDADE IRRESPONSÁEL
ZÉ ALENCAR (e Fernando Saboya)
(Dois iguais na forma e no conteúdo)

Tenho feito uma analogia entre os fatos que envolveram o Ex - Presidente José Alencar e o Dr. Fernando Padilha Saboya de Albuquerque.

Zé Alencar, valendo-se de ser homem do poder, extremamente rico, protelou o quanto que pode o reconhecimento de paternidade de uma teórica filha, que lhe move um processo de reconhecimento biológico de paternidade. Direito inalienável de se ter o nome do pai na Certidão de Nascimento.

A moça, professora do serviço público em Caratinga, cidade de Minas Gerais, aos 52 anos pleiteia na justiça ser reconhecida como filha biológica do Ex-Vice Presidente e sócio majoritário da Coteminas, empresa de cunho familiar e maior tecelagem de produtos de cama e mesa do país. Quiçá da America Latina.

Como o processo corre em segredo de justiça, pouco se sabe sobre o assunto. Porém a imprensa livre e democrática, foi fundo, esmiuçou o caso e levou-o ao conhecimento público.

Zé Alencar, já com a Funérea Beatriz da mão gelada, mas única Beatriz consoladora, a rondar-lhe o leito no Hospital Einstein, disse em juízo e em entrevista à imprensa, que se tratava do caso de uma filha de “puta de zona”, que na juventude ele “transava” todas em Caratinga, portanto jamais admitiria que a professora fosse sua filha, negando-se terminantemente fazer o exame de DNA. Diante do exposto não consigo um adjetivo, embora haja muitos, que se encaixam perfeitamente para qualificá-lo por esta postura abjeta do finado ex-vice-presidente.

Uma curiosidade:

As mães adotivas tendem a esconder dos filhos adotados a procedência dos mesmos.

A mãe desta então suposta filha biológica do Ex-Vice Presidente, só confessou a paternidade da moça, já nos estertores no leito da morte.

Com Dona Laura em relação a mim, aconteceu o mesmo procedimento. Dona Laura nunca me disse explicitamente, quem eram os meus pais biológicos. Virtualmente evitava o assunto.

Zé Alencar vai ter que fazer o DNA depois de morto? Não creio. Será exumado? Também não vejo esta premissa como viável. O poderio político, econômico e financeiro do falecido e por extensão dos herdeiros, se sobrepõe às mais reais e necessárias providências judiciais. Muito embora a simples recusa em fazer o exame do DNA configura-se o aceite da paternidade.

A justiça autorizará a exumação do cadáver para colheita do material, e a professora com certeza será aquinhoada com o que de direito sempre foi dela? Bom seria que assim fosse.

Orientada por executivos de grandes bancos, vai botar gente dela na diretoria da Coteminas, principalmente na diretoria financeira? Seria ótimo que isso acontecesse.

Bom seria que Zé Alencar estivesse entre os viventes, então aprenderia:

Se não vai por amor, vai pela dor, já proclama um evangelho de São, não me lembro quem.

Acrescente-se que Zé Alencar como industrial também não foi flor que se cheirasse.

Li num site de informações de extrema confiabilidade, que a Coteminas, empresa de Zé Alencar, participou de uma concorrência para fornecimento às forças armadas de uniformes camuflados.

Até então, duas únicas e pequenas confecções de empresas familiares sediadas em Brusque, Santa Catarina, detinham o monopólio do fornecimento daqueles uniformes. Era a salvação da lavoura daquelas empresas, apesar da concorrência ocorrer esporadicamente.

A cotação era feita sempre entre as duas tecelagens. As grandes tecelagens nunca se interessaram em participar. Até porque aquela cotação se dava uma vez na vida outra na morte. Ainda por cima com valores pífios para a gigantesca Coteminas.

A Coteminas de Zé Alencar, com informações privilegiadas, resolveu melar o negócio. Inscreveu sua gigantesca empresa para a concorrência dos uniformes camuflados, batendo de frente com os micros empresários de Brusque. Cotou com preço irrisório, ganhou a concorrência, importou o tecido da China e levou à bancarrota as duas empresas catarinenses.

Como comerciante, consta que Zé Alencar era de lascar com qualquer concorrente. Neste aspecto, nenhuma crítica.

Quem tiver a unha maior, que suba parede acima. São normas e leis do mercado.

Fiz este parêntese sobre Zé Alencar para não esquecer de que o Vice era capaz.

A colocação feita por Zé Alencar, no tocante às putas, é muito parecida com a que foi feita pelo do Dr. Fernando Saboya, na última audiência sobre o processo do reconhecimento da minha paternidade. O Juiz, Dr, Romero perguntou-lhe se diante do resultado (99.99,5%) do exame do DNA o réu admitiria o resultado pacificamente ou optaria que a aquela côrte arbitrasse? Resposta do Dr. Saboya:

“—Diante do resultado do teste, diante de todo o progresso da ciência, ainda resta uma dúvida: Tratava-se de uma doméstica serviçal dada ao vício do sexo, que “dava” pra todo mundo, inclusive para seus outros irmãos. Portanto que a corte arbitrasse.

“Este fato está contido no FOI ASSIM, uma história autobiográfica.

Zé Alencar demorou a morrer. Precisou de dezoito cirurgias para mantê-lo vivo mesmo com um câncer devastador a comer-lhe as entranhas.

Finalmente entregou os pontos. Na décima nona cirurgia, satanás resolveu liberar seu acesso ao inferno. Atualmente deve estar sentado no colo do capeta.

Espero resultados mais amenos para o meu pai biológico, Dr. Fernando Padilha Saboya de Albuquerque, porque se for igual ou pior que o do Zé Alencar, para mim, onde eu estiver não terá sido surpresa, até porque céu e inferno ficam tudo aqui por baixo mesmo.

Diante de uma infeliz colocação feita pelo Advogado do Dr. Fernando, de que o “litigante,”mesmo sendo um empresário bem sucedido, ainda queria se aquinhoar dos possíveis bens do réu”. Fiz questão de fazer constar no processo, de que em caso de alguma partilha de bens, o que me agraciasse em nível de herança, seria encaminhado incontinenti às Obras Sociais de Irmã Dulce, em Salvador na Bahia.

Eu poderei até “partir” primeiro e não ver como foi a “partida” do Dr. Fernando, entretanto não me apraz deixar este mundo com esta pendência a ser resolvida.

No tocante ao Zé Alencar, pena que não tenha sobrevivido para saber que:

MORTALHA NÃO TEM BOLSO NEM CAIXÃO TEM GAVETA.

Recentemente tem sido apresentado no programa Fantástico, da Rede Globo, um quadro que versa sobre a Paternidade Irresponsável, cujo título bem exprime a ansiedade de muitos que carregam nos documentos a lacuna de Pai Desconhecido e/ou Ignorado. QUEM É MEU PAI? O titulo do quadro.

Tenho acompanhado as diversas colocações de cada programa. Tem cada sujeito sendo investigado, cada filho da puta asqueroso, que morrendo, fazia um belo favor aos homens que merecem ostentar as calças que vestem.

Desejo às filhas e netas desses elementos toda a felicidade que a vida possa lhes proporcionar. Lembrando que o céu e o inferno, repito, ficam aqui por baixo mesmo.

Não se precisa morrer para poder pagar os pecados. Castigo vem a cavalo, e para aqueles mais radicais, vingança é um prato que se come frio.

08 janeiro, 2022

Lembranças vivas - por José Melo

 


Fotos: Jorge Remígio


Diz o dito que uma imagem vale por mil palavras. Parafraseando a citação, afirmo que uma fotografia vale por milhões de recordações. Foi o que aconteceu com a fotografia postada por Jorge Remígio, da nossa belíssima Igreja Matriz.

Voltei no tempo, e revivi o longo período em que, trabalhando na Prefeitura, no prédio que hoje sedia a Câmara de Vereadores, passava longos períodos apreciando exatamente a imagem postada por Jorge. Ou os momentos de lazer, sentado em dos bancos sombreados pela Igreja, em divertidas tardes quentes, cujo calor era amenizado pela brisa e pela sombra amiga da Igreja. Intermináveis tardes com muita brincadeira, muito papo entre amigos, e com uma visão panorâmica da cidade: observávamos toda a Praça Padre Leão, a Praça Ernesto Queiroz, boa parte da extensa Avenida Manoel Borba, e toda a extensão da Rua Dr. Fraga Rocha. Tal qual sentinelas em vigia, nós acompanhávamos tudo o que ocorria na cidade, pois praticamente todo o centro da cidade ficava sob nossa vista observadora naquelas tarde.

Voltei mais ainda, e me vi, meninote de seus 14 anos, tomando banho na maior ducha que já vi: a bica que despejava sob as cabeças da meninada, uma torrente forte de água das chuvas, que até pesava sobre nosso corpo. Só lembranças, é o que resta.

As tardes quentes da década de sessenta, com dezenas de crianças brincando na calçada da igreja, por vezes escorraçados pelos gritos “embolados” do Padre Luiz, ou sentados ao pé da gruta de N.Senhora, esperando o tempo passar.

As famosas missões de Frei Damião, que ajuntava milhares de fiéis vindos de todos os recantos do Município e de Municípios vizinhos.

Como esquecer a voz fraquinha do frade entoando:


“Vinde Pais, e vinde Mães,

Vinde todos à Missão...”.




As novenas do mês de maio, com a disputa entre os Noiteiros, para ver qual categoria de profissionais ou famílias se destacavam na melhor apresentação dos fogos de artifícios. Nada mais empolgante do que observar as verdadeiras obras de arte de Mané Fogueteiro, que se esmerava na criação de um verdadeiro espetáculo pirotécnico. Eram rodas de fogo que espalhavam fagulhas, rodando em todas as direções, a peleja do vaqueiro com o boi, onde uma haste com o vaqueiro em uma ponta e o boi na outra, girava bastante, simulando o vaqueiro correndo atrás do boi, até que a haste parava, e ficavam o boi e o vaqueiro se encarando, e ameaçando um ao outro, até que os dois partiam para o encontro, que acabava em uma grande explosão.

Isso sem falar na magia dos fogos de lágrima, e o ápice do espetáculo, que era a subida dos balões, multicoloridos, que subiam devagarinho, iam se distanciando até sumir as nossas vistas. Era uma pena o espetáculo acabar tão cedo. Pela meninada, deveria durar pelo menos a noite inteira, haja vista a alegria e o prazer de observar tais espetáculos.




Tudo isso está representado na foto acima, postada por Jorge Remígio, posto que tudo acima relatado girava em torno da majestosa Matriz de São José, símbolo maior da fé do povo custodiense.



Texto: José Melo
Recife
Janeiro/2022