Mostrando postagens com marcador Artigos Jorge Remígio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigos Jorge Remígio. Mostrar todas as postagens

17 agosto, 2026

A Arte de Custódia em Destaque: Uma Recordação Especial da XIV Fenearte (2013)




A Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) sempre foi o grande palco de exaltação à cultura pernambucana, mas a sua 14ª edição, realizada em julho de 2013 no Centro de Convenções de Pernambuco, guardou um gosto especial para a população de Custódia. O evento, marcado por uma vasta programação de estandes, artesanatos e grandes apresentações regionais, transformou-se em um ponto de encontro e orgulho para a intelectualidade e o talento artístico do município.

O Brilho de Netinho de Custódia no Palco Principal

Um dos momentos mais marcantes daquela edição ocorreu na noite de sexta-feira, dia 5 de julho. O jovem sanfoneiro Netinho de Custódia, filho do casal Abelania e Nadilson, deu um show de virtuosidade ao integrar a banda da renomada cantora Nena Queiroga.



Durante a apresentação, Nena teceu elogios calorosos ao sanfoneiro perante o público, referindo-se a ele como um "cabra bom de sanfona de Custódia". A menção honrosa ao talento de Netinho ecoou com emoção entre os terra-talhada presentes no pavilhão, reafirmando a força da tradição musical sertaneja na maior feira de artesanato da América Latina.

Encontro da "Fina Flor" da Intelectualidade e do Artesanato

Além da música, as artes plásticas e a literatura custodiense também marcaram presença nos corredores do Centro de Convenções. Um encontro especial reuniu dois grandes nomes da terra: o escritor Carlos Lopes e o escritor e artesão Jorge Farias Remígio.



Reconhecidos carinhosamente pela produtora cultural Jussara Burgos como "a fina flor da intelectualidade custodiense", os dois celebraram a visibilidade da produção local. Na ocasião, Jorge Remígio levou à feira seus tradicionais chapéus carnavalescos confeccionados artesanalmente — arte que já havia sido destaque recente na Feira de Artesanato da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Em depoimento carinhoso sobre o amigo e conterrâneo, Carlos Lopes reafirmou o orgulho pela amizade e pela obra de Jorge:

"O Jorge Remígio é realmente um sujeito de muito talento e boa gente. Eu encomendei o meu chapéu e estou ansioso para recebê-lo, não vou perder a oportunidade de ter em mãos uma preciosidade desse talentoso artista, que tenho o orgulho de dizer: é meu amigo. Um abraço Paulo Peterson, você é um amigo que faz a diferença, como disse: Custódia faz um bem danado a você... e você à nossa querida Custódia." — Carlos Lopes


A XIV Fenearte ficou registrada na história cultural de Custódia não apenas como uma vitrine de talentos, mas como um testemunho vivo do afeto, do orgulho e da união de suas raízes — celebrando a sanfona, as artes manuais, a literatura e a amizade em um só coração sertanejo. 

11 agosto, 2026

Resgatando a importância de personalidade da minha cidade - ´por Jorge Remígio

Pedro Pereira Sobrinho e Sílvio Carneiro de Farias Souza
 Recife-PE

Foto provavelmente do início da década de 1960, na capital do Estado. Digo “resgate” porque, infelizmente, em nossa cidade não existe a cultura do reconhecimento dos seus filhos nem das pessoas que nasceram fora, mas que deram grande contribuição econômica, cultural e intelectual para a terra. Coincidentemente, nasceram no mesmo ano, 1940, e, na mocidade, foram estudar no Recife.

Dr. Pedro, como é mais conhecido, formou-se em Odontologia em 1963, vindo morar em sua cidade natal. Dez anos depois, concluiu o curso de Direito na Faculdade de Caruaru e passou a advogar em Custódia e cidades vizinhas. Muito eloquente e grande orador, exerceu a vereança por uma legislatura na década de 1970, mas o seu grande destaque foi como educador. Professor do Ginásio Padre Leão, fundou a Escola Técnica Joaquim Pereira em homenagem ao seu genitor.

Sílvio Carneiro foi secretário municipal nos governos intervencionistas do Tenente Miguel José (1964-1966) e de João Miro da Silva (1966-1968), e prefeito no mandato de 1969 a 1972. Destacou-se na área da educação, principalmente ao criar vários grupos escolares na zona rural — ação até então esquecida nas gestões anteriores. Sílvio foi professor e diretor do Ginásio Padre Leão na década de 1960 e em parte dos anos 1970. Faleceu precocemente em 1989, por problemas de saúde, aos 49 anos.

Agradeço, in memoriam a Sílvio Carneiro e Dr. Pedro Pereira pelo legado que deixaram para a minha querida Custódia.


10 julho, 2026

Time Juvenil do Sport de Pedro Aleixo (Julho/1970)


Time juvenil Sport de Pedro Aleixo.

Foto publicada no Facebook por Jorge Remígio, em julho de 2016.

Em  pé: Osório, Chico Elizeu Leite, por trás, Gilvan Bernardo, José Esdras, Elione, por trás, Pompeu, Celso de Moacir, Beto de Zé Nego, por trás, Nereu Aleixo, Zequinha, por trás, Zé Marcos, Pedro Aleixo e Otacílio Pires Freitas Góis.

Agachados: João Batista, Binha de Pedim da banca, Jorge Remígio, Luciano Góis Veríssimo e Savinho de seu Domingos. Julho de 1970


 

14 abril, 2026

As Vitrines - Jorge Remígio


Jorge Remígio.
Recife, abril de 2026


Estávamos no ano de 1982, porém não lembro qual o mês. Finalmente os irmãos Farias Remígio estavam morando juntos na capital. Não era fácil, para muitas famílias do interior, manter os filhos estudando na universidade. Mesmo esta sendo pública, havia gastos que muitos pais não podiam arcar.

Vamberto era um empresário com familiares em Custódia, inclusive, a sua irmã era amiga das minhas irmãs, e isso facilitou todo o processo do contrato de aluguel do imóvel onde fomos morar. Era um apartamento vizinho ao dele. A juventude é festiva por natureza, e creio que a nossa era até demasiada. Então, nos finais de semana não faltavam festas. Nas sextas-feiras ou nos sábados, corriamos animadamente para a Casa dos Festejos ou Cavalo Dourado, embalados ao som das lambadas, ritmo hegemônico e o frenesi do momento. Tudo isso em parceria com a Cuba Libre. Os encontros com amigos da nossa cidade do interior eram constantes. Quando não íamos para a Praia de Boa Viagem, sempre tinha opção nos bares da Ilha do Leite, Boa Vista e principalmente no Derby, onde havia o Drive-In, e a feirinha na praça, sempre aos domingos, e cheia de 'matutos'. Olinda era um programa raro, até porque ninguém era motorizado. Vamberto era de outra geração, mas muito ligado a todos nós, e em muitos momentos participava das bebedeiras e batucadas que fazíamos. Ele tinha um carro que eu achava o maior “barato".

É uma gíria da época. Carro esportivo, de playboy como se referiam ao famoso Puma. Conversível, pois arriava a capota, um verdadeiro charme. Porém, tinha um detalhe, só havia dois bancos. Eu desejava muito andar de carona naquele Puma, mas Vamberto quando saia era sempre com a noiva. Claro que sempre mantive a esperança, não dizem que é a última que morre? Pois em um final de tarde de um domingo qualquer, tive uma grata surpresa. Vamberto me perguntou.

-Jorge, você conhece a feirinha do Alto da Sé?
-Não

Eu ia em Olinda no carnaval ou em outro momento esporádico. Ele estava se arrumando para sair, então me veio a interrogação. “Será que ele vai me convidar para ir para essa feirinha? Claro que eu pensei no Puma, como não! Que felicidade quando ele perguntou.

-Queres ir comigo lá?
-Oxe! só se for agora. Eu vou trocar de roupa rapidinho.

Quando retornei, Vamberto falou que havia esquecido uma coisa, entrou no quarto, pegou um revólver e colocou no cós, na parte de trás.

-Jorge, tu estás armado?
–Tô nada, tu sabes que eu entrei a pouco tempo na Polícia Civil, e um revólver é caro.

Atualmente eu estou trabalhando no arquivo, depois eu penso nisso. Nessa época, muitas pessoas andavam armadas, bastava ter condições financeiras para comprar, e também gostar de portar. Não era difícil adquirir o porte de armas. Enfim, o sonho realizado. Entramos no Puma e logo pegamos a grande Avenida Agamenon Magalhães com destino a Olinda. Realmente era uma sensação prazerosa, aquele vento na cara e as pessoas nos seus Fuscas, Brasílias, Chevettes e Corcéis, olhando com admiração para o Puma. Usando um neologismo, era um “amostramento” mesmo, da minha parte. Quando chegamos em Olinda, cidade que respira cultura e contracultura também, já era noite, e, após estacionarmos o carro, nos dirigimos para o bar, Cantinho da Sé. Muito conhecido e, naquele local, era o mais badalado e concorrido. Quando adentramos, já havia bastante pessoas, pois em seu interior não havia mesas vazias. Mas, o nosso interesse era ficar no terraço, pois havia uma excelente vista para o Recife ao fundo. Ficamos fitando o local para descobrir uma mesa vazia. Encontramos, porém não havia tamboretes. “E agora?” Ficamos em pé ao lado da mesa, esperando o garçom para tomar uma providência.

Foi nesse exato momento que Vamberto viu dois tamboretes sem uso, em uma mesa próxima. “Eita! resolvemos o problema” Será? Tinham dois rapazes na mesa, e quando Vamberto pegou um dos tamboretes, um dos rapazes levantou-se rápido e pegou na outra perna do banco. Puxou forte, mas Vamberto não se intimidou e também deu um solavanco.

Ficaram os dois agarrados ao mesmo tempo no banco, e a troca de impropérios foi grande. O outro rapaz da mesa ficou de pé, mas não interveio. Foi tudo muito rápido, eu fiquei ao lado de Vamberto, e a cabeça estava a mil. Pensava: “Que B.O. pesado da gota” Porque aquilo poderia tomar proporções gigantescas. Vamberto estava armado e qualquer atitude da outra parte que configurasse uma ameaça com arma, o desfecho seria fatal. Eu tinha poucos meses como policial, estava no estágio probatório, que são dois anos, então se me metesse em uma confusão daquela, tinha plena consciência que as consequências seriam problemáticas demais. Todas as pessoas que estavam naquela área externa do bar ficaram na expectativa. Muitas de pé, na iminência de se retirar do local. A bala perdida sempre existiu. Os dois rapazes eram louros e de estatura alta, mas Vamberto os enfrentou de frente, com uma coragem que me surpreendeu. Tenho certeza que os dois rapazes também foram surpreendidos por aquela atitude, pois, após soltar o banco, pediram a conta ao garçom, que observava tudo, próximo onde estávamos. Quando os dois saíram, peguei um banco e sentamos na mesa. Vamos relaxar um pouco, baixar a tensão. Mas, fiquei com a “pulga atrás da orelha”.

-Vamberto, não vamos dar as costas para a entrada do bar, porque pode haver surpresa, esses caras podem retornar.

Momento tenso. Pedimos uma cerveja ao garçom, para aliviar o estresse que foi grande. O bar estava cheio, mas fomos atendidos rapidamente. Quando o garçom chegou à mesa, abriu um grande sorriso para Vamberto, e falou.

-Parabéns! Você foi o único que enfrentou esses caras. Eles são Tenentes do Exército, são gaúchos e já causaram vários problemas aqui no bar. Todo final de semana é um tumulto.

São uns quatro que vem sempre.

Eita! gota, pensei no ditado que diz.”Nada é tão ruim que não possa piorar”. Eu sabia que havia um Quartel do Exército na PE 15 e não era muito distante dalí. Então, falei para Vamberto.

-Vamos sair daqui rápido, é muito provável que esses Tenentes cheguem aqui com a Polícia do Exército. Com certeza eles se sentiram desmoralizados e vão querer a desforra

Vamberto ainda quis argumentar que não poderíamos sair correndo dali, mas convenci ele, dizendo que não precisava correr, mas pagar a conta e ir para outro local. Estávamos vivendo em um regime ditatorial, e sabíamos como as coisas eram resolvidas, principalmente quando se envolvia algum militar. Fomos pagar a cerveja, mas o dono do estabelecimento falou que já estava paga. Nem questionei quem havia pago, mas com certeza foi uma cortesia. Saímos do Cantinho da Sé, e seguimos para o outro lado da igreja, e entramos em um bar muito convidativo, até pela bela decoração. Sentamos em uma mesa sem o menor problema, local aconchegante, e pedimos uma cerveja. É como se a poeira tivesse baixando, a normalidade dando as caras. Que tensão, ufa! Agora estava tudo bem, a luz não muito forte, exigia uma melhor observação do ambiente. Olhei os abajus as plantas, e há poucos metros de onde estávamos, uma radiola de ficha luminosa, tocava AS VITRINES, música e letra de Chico Buarque de Holanda.



08 abril, 2026

Praça Padre Leão e seus pontos comerciais no final da década de 70



No primeiro imóvel da foto, funcionou a Farmácia de Elpídio Pires, entre 1963 e 1964.

Posteriormente foi de propriedade de Severino Pinheiro. A residência seguinte foi do Sr. Evilácio Bernardo da Silva e Joana Rodrigues da Silva, ele tinha um bar e uma mercearia, vizinho ao bar de Jurandir, Bar Fênix.

Depois o famoso Bar Ponto Certo. Em 1962, pertencia a Demócrito Rodrigues de Queiroz, tempos depois foi de Gerson Rodrigues de Queiroz (Deta), entre 1970 e 1973. Foi de propriedade também de Joãozito, João do Ponto Certo, e por fim, de Luciano Góis Veríssimo.

A loja seguinte, na década de cinquenta foi uma loja de tecidos de Antenor Pires, depois de Severino Pinheiro, posteriormente foi o primeiro supermercado da cidade, pertencente a Heleno Chaves, depois Supermercado Ribeiro, e hoje lojas Americanas.

Seguido do prédio que foi a Padaria Confiança, de João Miro da Silva e esposa Jovelina, depois os dois prédios conjugados, que era a Casa Góis, de propriedade dos irmãos Domingos Alves de Góis e Sebastião Alves de Góis.

Por último, após o beco, a padaria de Pedro e Delicia Rafael. Posteriormente vários familiares assumiram atividades nesse local, Geralmino, Rildo e Reginaldo.



No outro lado da Praça, com vista da torre da Igreja Matriz a primeira casa, antigamente foi o Cartório de Né Marinho, Budega de Joventino, sua residência em seguida, a casa onde hoje é a Cisagro, era a casa do pai de Zé Agostinho que casou com Vânia Rafael.

O prédio seguinte, só foi o supermercado Ribeiro, em 1976. Nessa época devia funcionar algum bar.

Residência de Zezito Caju e o prédio seguinte, foi o consultório odontológico de Dr. Pedro Pereira Sobrinho, hoje é a Varadinha do Vavá.

Na esquina do outro lado, por muito tempo foi a mercearia e bar de Valdeci, filho de seu João Barros. Já foi Pizzaria e até hoje é o BAR ALTAS HORAS.

Na sequencia a residência de Manoelzinho Cassiano, pai de Neli Aleixo. Após a loja de móveis dos irmãos João e Inaldo Azevedo e o prédio da Farmácia Pereira, fundada em 1937.

Paulo Peterson, com apoio de José Melo e Jorge Remígio.

11 março, 2026

O BATENTE LÁ DE CASA - Autor Jorge Remígio


Sentado no batente da Casa das Noivas, que era justamente a casa em que eu residia
nos últimos anos da década de cinquenta.


Eu ficava um bom tempo do dia sentado no batente da entrada da casa onde morávamos. Talvez seja esta uma das memórias mais remotas de minha longínqua infância. São memórias misturadas e vividas entre o final do ano de 1957 e o final do ano de 1959, quando mudamos de endereço e fomos residir na Rua Manoel Borba. Nesse espaço temporal, eu tinha entre três e cinco anos de idade, morava com os meus pais e o único irmão, Antônio. A casa ficava por trás da Igreja de São José, na Rua Vinte de Julho, local bastante privilegiado para a minha imaginação, devido ao fluxo contínuo de pessoas que passavam na rua em frente da casa, num vai e vem constante e ininterrupto.

Eu ficava horas sentado, observando a cidade passar na minha frente, pois quase tudo convergia para a Várzea, local onde ficava o chafariz da cidade. Era uma infinidade de mulheres com rodilhas de pano na cabeça, para equilibrar e amenizar o peso das latas d’água que carregavam o dia inteiro, para encher os tanques dos banheiros residenciais. Passavam, também, rapazes novos e adultos, com toalhas no pescoço e saboneteiras nas mãos, nessa mesma direção, justamente porque, conjugado ao chafariz, tinham uns banheiros masculinos.

Quando chegava o final da tarde, era o momento onde os sapateiros, em grupos, se dirigiam para o chafariz, porém, como já era uma prática habitual, faziam duas paradas obrigatórias antes de chegarem nos banheiros. A primeira era logo após a ladeira, na bodega de seu Né da Várzea, e a segunda, em Maria Galega, onde tomavam suas lapadas de Serra Grande com umbu, caju, ou mesmo qualquer outra fruta da época, antes de se deliciarem nos chuveiros de jato forte e frio do chafariz público.

Na frente da minha casa, tinha um pé de aglaia. Aliás, essa árvore foi plantada na frente de muitas residências do centro, e posteriormente cortadas na década de sessenta, devido a proliferação de um inseto que adorava cair nos olhos dos humanos. Mas, era uma árvore frondosa, que provocava uma imensa sombra, local ideal para um descanso para quem conduzia galões de água nos ombros, logo após ter subido a grande ladeira da Várzea.

Eu via meninos de onze ou doze anos, pararem embaixo daquela árvore, totalmente exaustos, e eu me compadecia do sofrimento deles. Realmente era cruel, uma carga muito pesada para tão pouca idade. O que me impressionava, naquele universo, era o barulho das vozes das pessoas falando ao mesmo tempo. Não era um burburinho, porque falavam alto e o som das vozes reverberava num ecoar ininteligível aos meus ouvidos. A tecnologia era um futuro distante, portanto, as vozes eram potencializadas pelo silêncio das máquinas inexistentes. Não se ouvia sons de nenhum objeto eletrônico naquele tempo, e a zuada do motor de algum automóvel, era bastante rara.

Vi muitas vezes, na minha tela, um bando de meninos já grandes, atazanando um pobre rapaz com sofrimento psíquico. Eles vinham lá do início da rua da frente, nas imediações da casa de seu Né Marinho, onde hoje é o Boticário, e atiravam muitas pedras e gritavam “Maraváia, Maraváia, Maraváia”. Este revidava as pedradas, mas tinha que correr para não ser atingido, entrava no beco de seu Manoel Henrique, e se mandava para as bandas de Iguaraci. Minha mãe, no interior da casa, quando ouvia essa gritaria, corria até o batente onde eu observava toda aquela cena, e me conduzia para dentro, me protegendo das pedras. Eu não entendia o porquê daquelas agressões gratuitas contra aquele pobre coitado e, quando cresci, identifiquei alguns daqueles meninos transgressores.

A minha autonomia de voo era bastante limitada, se restringia a alguns metros na calçada no sentido do casarão de seu Ernesto Queiroz, ou até a casa dos meus tios avós, Maria e Apolônio Carneiro, na rua da frente, no caso, a Padre Leão. Eu fazia esses percursos, geralmente pedalando no meu velocípede, e, em uma certa ocasião, parei defronte a terceira casa da Rua Padre Leão. Ela tinha a sala em um plano bastante baixo, havendo a necessidade de descer uns batentes para adentrar nela. Meu olhar foi de encontro a de um homem em seu interior, e me chamou bastante atenção. Ele era baixo, tinha uma cor avermelhada, grisalho e usava uns óculos de grau com armações grossas de cor preta. Ficamos por segundos nos fitando e guardei a fisionomia dele na memória.

Quando eu me deslocava para fora desses limites, era na companhia da minha mãe. Ela me levava para casa dos meus avós maternos, Samuel Carneiro e Prezalina Souza, que residiam em uma casa que tinha duas frentes. Uma dava para Praça Padre Leão, ao lado de onde hoje fica o Banco do Brasil, e a outra, dava para Bomba, que é a Av. Inocêncio Lima.

Mas, eu adorava mesmo quando íamos para casa da minha avó Anita, mãe do meu pai, porque ela morava em um sítio que ficava por trás da Rua da Várzea. Era o meu paraíso, sinto até hoje o aroma daquelas mangas deliciosas e do cheiro forte dos cajus. No sítio tinha uma imensidão de fruteiras, e uma lagoa encantadora, bem próxima da casa da minha avó, e quando chegavam as invernadas, ficava com as suas margens bordadas de beldroegas e os sapos coaxando aos montes, entoavam uma verdadeira sinfonia. O riacho cortava ao meio todo aquele paraíso, e nos períodos de trovoadas enchia o seu leito com água corrente e barrenta, muitas vezes vindo em enxurradas. Para coroar todo esse semblante embelezador da paisagem, os imponentes e altos coqueiros enfileirados à margem do riacho.

Mas, o melhor mesmo era o aconchego que a minha avó Anita me dava. Era a casa das quatro mulheres, porque residiam, além da minha avó, a tia Maria Eunice, a tia Maria Dulce, que casou no ano de 1959 e foi residir na Bahia, e a prima Jussara Burgos, que, ainda muito novinha, foi morar naquele paraíso. Ela foi minha primeira amiga e, nas nossas brincadeiras e imaginações infantis, criávamos mundos e histórias. Quando estávamos embaixo do grande juazeiro ao lado da casa, ela olhava para a imensa torre de tijolos aparente da chaminé do curtume, e me dizia que ali era um castelo, e que moravam um príncipe e uma princesa naquele local. Todo o percurso da minha casa até o sítio era inovador e, muitas vezes, até emocional. A minha mãe segurava na minha mão e descíamos a grande ladeira sempre movimentadíssima de um tráfego humano frenético na direção, em sua maioria, para o chafariz público. Percorríamos toda extensão da rua, até a entrada do sítio, onde hoje fica o Pelotão da PMPE.

Aquele local era aberto, e havia um fluxo de pessoas que transitavam por trás das casas que ficam ao lado da Escola Maria Augusta. A entrada do sítio era uma bifurcação, e foi justamente alí que eu vi pela primeira vez uma caravana de ciganos. Paramos e ficamos observando, como também todos transeuntes que vislumbravam aquele espetáculo. Eles vinham em grupos, com muitas carroças de tração animal, as mulheres vestidas com saias longas e coloridas de cetim, com muitos enfeites e bijuterias, os homens com chapéus grandes e pretos, usando botas, e vi até uns com brincos, outros com violão, além de muitos cavalos e objetos como, tachos e outros utensílios domésticos.

As mulheres ciganas perguntavam, para aquela população curiosa, se podiam ler suas mãos, e eu, sem entender muito, mas deslumbrado com aquele espetáculo fascinante, observava eles passarem na direção do centro. Minha admiração pelos ciganos foi efêmera, pois quando eles sumiram e continuamos nosso caminho para o sítio, a minha mãe falou que eu tivesse muito cuidado, pois era comum os ciganos raptar crianças. Passei anos acreditando nesse preconceito, tão difundido naquele tempo.

No lado oposto da entrada do sítio, acho que umas duas casas depois da residência de seu Lunga, tinha um armazém onde se acomodava muito couro, acho que era uma parte do curtume que ficava ao lado. Quem administrava era uma moça muito bonita, chamada Jandira, filha do dono do curtume. O meu pai tinha um caminhão e fazia uma viagem semanal para Recife. Além de muitas novidades, sempre trazia as revistas O Cruzeiro e Manchete. Folheando-as, via muitas musas do cinema americano, sempre presente naquelas edições, e quando avistava Jandira, na calçada da rua da Várzea, comparava ela com aquelas atrizes hollywoodianas. Minha mãe sempre parava para conversar com ela, e em um dia iluminado, Jandira me botou em seus braços e me suspendendo, falou. “Jorginho, eu sou sua namorada!” Eu fiquei nas nuvens, e alimentei aquela declaração não sei até quando.


No primeiro dia do mês de abril do ano de 1958, eu tinha três anos, cinco meses e seis dias. Claro que essa data eu fui tomar conhecimento muito tempo depois. Era um dia ensolarado, e eu me encontrava na companhia de dois filhos de Zé Biá, o qual era caseiro do sítio e residia em uma casinha de taipa, bem próximo ao riacho. Além de caseiro, ele tinha uma bandinha de pífano e era um excelente músico popular. Tocava pífano nas novenas e em outras festas também, como batizados, casamentos e aniversários. De repente, por volta do meio dia, ouvimos vários estampidos e pensei ser fogos ou bombas, muito comum até nos dias de hoje. Félix era o maior e falou categoricamente. “É tiro, é tiro!”

Foram vários disparos. Na tarde daquele mesmo dia, fiquei curioso com a quantidade de gente em frente de uma casa logo após onde meu tio Apolônio residia, e, sem a minha mãe tomar conhecimento, peguei o velocípede e me dirigi até aquele local. Muitos homens usavam paletó e vi mulheres chorando. Olhei de fora na direção da sala onde jazia, em um leito, um homem sem vida. Ainda observei o seu rosto sereno, e, justamente nesse momento, minha mãe chegou, me colocou de volta no velocípede e me conduziu na direção da nossa casa.

Porém, logo em seguida, ela me levou para o outro lado da rua. Indaguei o porquê de fazer aquele trajeto. Ela me falou que não queria passar em frente da casa onde estava sendo velado Vitoriano. Ele havia assassinado João Veríssimo do Amaral. Antes de entrarmos em nossa residência, olhei na direção da casa que tinha a sala em um plano bastante baixo, e me lembrei do dia em que olhei fixamente para o homem de cor avermelhada, grisalho, com óculos de grau e armação preta que estava no interior daquela casa.


Jorge Remígio
Recife, março de 2026.

Fotos: 

(algumas fotos foram modificadas usando Inteligência Artificial, sem mudar as caracteristicas originais, e com autorização do autor). Se usar, credite o autor por favor.


João Veríssimo do Amaral,  nasceu no dia 11/11/1909 na cidade de Mata Grande-AL, filho de Euclides do Amaral  Góis e de Maria Rosa do Amaral. 
Faleceu no dia 01/04/1958 na cidade de Custódia-PE.



Minha avó Ana Pereira de Sá (Dona Nita) e a prima Jussara Burgos. Foto de 1956.



Minha mãe Ozanira e meu irmão Antônio.  Foto de 1956.



Com meus filhos em frente a casa ainda sem modificada em 2002.





Foto no sítio da minha avó, no ano de 1958.



Curtume uma industria custodiense



Várzea no final dos anos 70


 
Rua João Veríssimo,  popularmente conhecida como Várzea. Ao lado direito prédio do antigo chafariz público já modificado. O prédio não mais existe. Foto do início dos anos dois mil.



Sítio da minha avó Anita. O meu Paraíso. Cheia de 1960









09 setembro, 2025

Jorge Remígio será um dos organizadores do Cariri Cangaço Recife 2025 Oficial



PROGRAMAÇÃO OFICIAL - CARIRI CANGAÇO RECIFE
Pernambuco - Nordeste do Brasil


18 SETEMBRO 25 QUINTA


NOITE SOLENE FREDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO
ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS
Avenida Rui Barbosa, 1596 - Graças - Recife PE


19h Formação da Mesa Solene de Abertura


RAQUEL TEIXEIRA LYRA LUCENA - Governadora do Estado de Pernambuco
MANOEL SEVERO BARBOSA - Curador Cariri Cangaço
FREDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO - Pesquisador e escritor
ERIVELTON DE FRANÇA - Presidente da Comissão Organizadora
KAIO MANIÇOBA - Secretário do Turismo e Lazer do estado de Pernambuco
CACAU DE PAULA - Secretária de Cultura de Pernambuco
CEL. IVANILDO CESAR T. DE MEDEIROS- Comandante Geral da Policia Militar
LOURIVAL DE HOLANDA BARROS - Pres. da Academia Pernambucana de Letras
RINALDO CARVALHO BARBOSA - Museu do Estado de Pernambuco
WESCLEY RODRIGUES DUTRA- SBEC Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
ARCHIMEDES MARQUES- Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
LEONARDO GOMINHO - Academia Brasileira de Estudos do Sertão Nordestino
WASTERLAND FERREIRA - GECAPE Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco
BISMARCK MARTINS - Presidente do Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço
ANITA PAIXÃO - Presidente do Grupo Sergipano de Estudos do Cangaço


19h20 Hino Nacional

Banda de Música da Polícia Militar de Pernambuco
BANDA DE MUSICA CAPITÃO ZUZINHA


19h15 - Entrada do Estandarte 15 Anos do Cariri Cangaço
Conselheira Cariri Cangaço CÉLIA MARIA PARAHYBANA

20h - Fala das Autoridades

20h30 Entrega da Comenda "Personalidade Eterna do Sertão"

FREDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO

Entregue pela Conselheira LUMA HOLLANDA

Palavras pelo Homenageado

20h40 - Entrega de Comendas "Mérito Cultural Cariri Cangaço"

MANOEL SEVERO - Curador do Cariri Cangaço


1. RAQUEL TEIXEIRA LYRA LUCENA
Governadora do Estado de Pernambuco

2. PRISCILA KRAUSE BRANCO
Vice-governadora do Estado de Pernambuco

3. KAIO CÉSAR DE MOURA MANIÇOBA NOVAES FERRAZ
Secretário do Turismo e Lazer de Pernambuco

4. MARIA CLÁUDIA DUBEX DE PAULA FIGUEIREDO BATISTA
CACAU DE PAULA - Secretária da Cultura de Pernambuco

5. CIDA PEDROSA
Vereadora, Poeta e Escritora

6. LAMARTINE DE ANDRADE LIMA
Oficial médico da Marinha, professor, pesquisador e escritor

7. MARILOURDES FERRAZ
Jornalista, pesquisadora e escritora

8. MIGUEL MEIRA DE VASCONCELOS
Pesquisador e Editor

9. MARGARIDA DE OLIVEIRA CANTARELLI
Desembargadora, jurista, professora, escritora

10. ANA CELY FERRAZ
Produtora Cultural

11. CAPITÃO ARLINDO ROCHA, in memorian
Edivanete Bione Rocha

Palavras pela representante dos Homenageados

21h - Entrega às Instituições "Mérito Cultural Cariri Cangaço"
MANOEL SEVERO - Curador do Cariri Cangaço


1. PMPE - POLICIA MILITAR DE PERNAMBUCO
Coronel Ivanildo Cesar Torres de Medeiros

2. IAHGP - INSTITUTO ARQUEOLÓGICO HISTORICO GEOGRAFICO PERNAMBUCANO
George Felix Cabral de Sousa

3. CEHM - CENTRO DE ESTUDOS DE HISTORIA MUNICIPAL
Elisabeth Meneses Gomes Silva

4. GECAPE - GRUPO DE ESTUDOS DO CANGAÇO DE PERNAMBUCO
Wasterland Ferreira

5. IHO - INSTITUTO HISTÓRICO DE OLINDA
Severino Vicente da Silva

6. MUSEU DA POLICIA MILITAR DE PERNAMBUCO
1º Sargento Leandro Cleiton Breyner

7. APL - ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS
Lourival de Holanda Barros

8. MEPE - MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Rinaldo Carvalho Barbosa

Palavras pelo representante das Instituições Homenageadas

21h15 - Posse Conselho Cariri Cangaço

Encerramento


19 SETEMBRO 25 SEXTA




MANHÃ


8h MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Avenida Rui Barbosa,960 Graças - Recife PE

Conferências


8h30 DENNIS RICHARD MOCOCK
As Armas do Cangaço

9h15 CLAUDIO AGUIAR
Movimentos Sociais Assistêmicos: O Caso de Caldeirão

10h JOSÉ MARCELO FERREIRA FILHO
O Cangaço e a Questão Ambiental no Semiárido

10h45 EVANDRO DUARTE DE SÁ
A Saga do Cangaceiro Cabeleira

11h30 BISMARCK MARTINS DE OLIVEIRA
Lançamento "Cangaceiros de Antônio Silvino, o "Rifle de ouro" de A a Z


TARDE

14h MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Avenida Rui Barbosa,960 Graças - Recife PE
Conferências e Lançamentos

14h30 SAULO DE TARCIO DUARTE DE LIMA
Lançamento "Memória da Pedra Bonita do Reino"

14h45 MARCOS ROBERTO NUNES
Os Poetas do Alto Pajeú: Itapetim, Berço Imortal da Poesia

15h25 ANA MARIA CÉSAR
Três Homens Chamados João

16h GEORGE FELIX CABRAL DE SOUSA
Pernambuco Libertário

16h40 DIRCEU SALVIANO MARQUES MARROQUIM
1824 - A Confederação do Equador

17h20. JOAQUIM PEREIRA
A Via Crucies de Anayde Beiriz, com base no Processo Judicial

18h FABIANA AGRA
Lançamento "O Sertão em Chamas: Lampião e Prestes em 1926"

NOITE LIVRE

20 SETEMBRO 25 SÁBADO

MANHÃ

8h30 QUARTEL DO DERBY
Comando Geral da Policia Militar de Pernambuco
Rua do Derby, Derby - Recife PE

9h Visita Técnica
MUSEU DA POLICIA MILITAR DE PERNAMBUCO
9h50 Entrega de Comenda Mérito Cultural Cariri Cangaço

1. CORONEL PM MARCUS VINICIUS RIBEIRO DE OLIVEIRA
Chefe da Assessoria de Comunicação Social da PMPE

2. MAJOR PM GABRIELA ALMEIDA FRAZÃO MACIEL
Chefe do Cerimonial da Assessoria de Comunicação Social da PMPE

3. 1º SARGENTO PM LEANDRO CLEITON BRAYNER
Gerente e Historiador do Museu da PMPE

4. 2º SARGENTO PM CÍCERO BATISTA DA SILVA
Curador do Museu da PMPE

5. CABO ANDERSON JOSÉ DA SILVA
Historiador do Museu da PMPE

10h Roda de Conversa no Quartel do Derby
MARILOURDES FERRAZ
Memórias de "O Canto da Acauã"

TARDE

14h MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Avenida Rui Barbosa,960 Graças - Recife PE
Conferências e Lançamento

14h30 LUIZ RUBEN BONFIM
Lançamento: "Lampião: seu perseguidores e o jornalismo desvirtuado 1935"

14h45 IGOR CARDOSO
A Hecatombe de Garanhuns

15h30 TEN. CEL. ALESSANDRO LOPES BEZERRA
Comandante do BEPI- PMPE - Batalhão Especializado de Polícia do Interior
"A História do BEPI e a Importância das Técnicas de Rastreamento em Ações no Bioma Caatinga"


16h10 ANDRÉ CARNEIRO DE ALBUQUERQUE
Conferência e Lançamento
"Os Capitães do Fim do Mundo"

16h50 ERIVELTON DE FRANÇA & DIANA RODRIGUES
Padre Ibiapina, o Apóstolo de Sertão

NOITE

18h MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Avenida Rui Barbosa,960 Graças - Recife PE
18h15 Grande Lançamento

FREDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO
LANÇAMENTO NOVA EDIÇÃO
" Benjamin Abrahão: Entre Padre Cícero e Lampião "
CEPE - Companhia Editora de Pernambuco

Encerramento

21 SETEMBRO 25 DOMINGO

MANHÃ

8h Saída para Roteiro Histórico pelas Ruas do Recife
Concentração no Instituto Arqueológico Histórico Geográfico Pernambucano
Teatro do Parque
Casa de Clarice Lispector
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Vista
Sobrado de Joaquim Nabuco
Ponte de Ferro
Confeitaria Glória
Casa de Detenção - Casa da Cultura
Cais do Sertão

Encerramento

Comissão Organizadora

Presidente: ERIVELTON DE FRANÇA
Vice: ANA GLEIDE LEAL
Membros:
JOAQUIM PEREIRA
LUMA HOLLANDA
JOSÉ AILTON MATTOS
JORGE REMÍGIO
ANINHA FERRAZ
TAILENE NOGUEIRA BARROS



27 agosto, 2025

Antigo Prédio da Prefeitura Municipal na Praça Padre Leão na década de 50.



Foto provavelmente do ano de 1956.

O prédio à esquerda na fotografia, de arquitetura antiga (era localizada onde hoje funciona o Banco do Brasil), funcionou como Prefeitura Municipal até o ano de 1965.

Posteriormente a Prefeitura Municipal passou a funcionar onde hoje é uma casa pertencente a Nazinha, ao lado direito da Matriz de São José, até o ano de 1968, quando foi inaugurado o moderno prédio administrativo, onde hoje funciona a Câmara Municipal de Vereadores.

A construção do prédio da Prefeitura,  inaugurado no ano de 1968, foi na administração do Prefeito João Miro da Silva. Interventor no ano de 1967 e 1968.

O prédio da antiga prefeitura foi demolido e no ano de 1975 foi inaugurado o prédio da agência do Banco do Brasil

O prédio atualmente da prefeitura, que fica na Travessa Heleno Aleixo, foi construído na Administração de Djalma Bezerra (1983-1987).

Informações e Fotografia: Jorge Remígio



 

20 agosto, 2025

Irmãs Alzira, Jandira e Ozanira com prima Osminda. Mulheres que constituiram familias dignas e de respeito.



Essas mulheres custodienses constituíram famílias dignas de respeito, com filhos brilhantes herdeiros desse precioso legado.

A partir da esquerda, as irmãs: Alzira Pires de Souza, Jandira Vital de Souza, Ozanira Farias Remígio e a prima Osminda Carneiro de Farias Souza.

Alzira casou com Elpídio Pires, Jandira com José Vital, Ozanira com Claudionor Remígio e Osminda com Inácio Germano.

Filhos de ALZIRA: Elzira Pires de Souza, Emilson Pires de Souza, Elson Pires de Souza, Jorge Luiz Pires de Souza, Jarbas Pires de Souza e Ana Lúcia Pires de Souza.

Filhos de JANDIRA: Jailson Vital de Souza, Janise Vital de Souza, Jaise Vital de Souza, José Vital de Souza(Zito), Jaidete Vital de Souza, João Vital de Souza, Maria do Carmo Vital de Souza e Dione Vital de Souza.

Filhos de OZANIRA: Jorge Farias Remígio, Antônio Remígio Neto, Jânio Farias Remígio, Sérgio Murilo Farias Remígio, Eliane Farias Remígio e Ana Cláudia Farias Remígio.

Filho de OSMINDA: Fernando José Carneiro de Farias Souza.

Foto e texto:
Jorge Remigio. 

29 abril, 2025

Como eram os almoços em Custódia na década de setenta


Foto e texto:
Jorge Remígio
Setembro/2019

Esses almoços foram muito comum até a década de setenta em nossa cidade.

O anfitrião convidava os amigos e familiares, e em uma comunhão afetiva, oferecia autênticos banquetes com iguarias nossas.

As buchadas era uma delas. Foto de meados dos ano sessenta.

Na foto, Ismael, pedreiro muito competente, seguido de Antônio do Posto, personalidade da cidade, pessoa que serviu a muita gente, principalmente aos humildes, com a sua habilidade no campo da saúde.

Depois vem seu Antônio Queiroz, comerciante, tinha uma bodega na Rua Manoel em frente da residência de seu Pedro Mariano, seguido de Zé de Zaqueu que foi sapateiro de Duquinha e posteriormente comerciante e agenciador de passagens e seu Pedro Mariano de Rezende, anfitrião do almoço.

Atrás, a esposa de Zé de Zaqueu.


27 dezembro, 2024

Quem foi Dona Nita - por Jorge Remígio


Dona Nita


O seu nome era Ana Pereira de Sá. Na intimidade familiar a chamavam de Anita, mas ficou mesmo conhecida na cidade como Dona Nita. Nasceu em Vila Bela, hoje Serra Talhada, no dia 25 de julho de 1900, e faleceu em Custódia no dia 11 de outubro de 1963, com 63 anos de idade. 



Dona Nita no dia do seu casamento em 1918.

Aos 18 anos, contraiu núpcias com Antônio Remígio da Silva, oriundo de Monteiro, Paraíba, no dia 31 de outubro de 1918. Este era construtor e edificou vários prédios em Custódia. 



Filha de Cassiano Pereira da Silva e de Ana Pereira de Sá, conhecida por Naninha. Ficou órfã de mãe muito cedo, aos seis anos de idade. Juntamente com os irmãos, Manoel Cassiano Pereira de Sá (pai de Noême Sá), José Cassiano Pereira de Sá, e Maria Dolores Pereira de Sá (mãe de Zé Burgos), foram criados pela avó materna, Epifânia Auzéria Mariano de Sá. 

O filho da sua avó, Joaquim Pereira de Sá, conhecido por Quinca Sá, foi residir em Custódia, ainda no século XIX. Casou-se com Maria Augusta do Amaral, Dona Manoca, primeira professora da então vila, a qual era filha do Capitão Chico do Amaral da Fazenda Várzea Grande. 


A esquerda Genário Pereira, sobrinho, José Remígio (filho), Claudionor Remígio (filho), Maria Dulce (filha), Maria Eunice (filha), Zé Burgos (sobrinho) e por trás, Antônio Pereira Burgos (sobrinho)

Por volta de 1915, a família foi residir em Custódia. Após Dona Nita se casar, adquiriram um sítio na parte baixa da vila de Custódia, local que ficou popularmente conhecido por Várzea. É de bom alvitre observar que, várias famílias que ajudaram e contribuíram para o crescimento da cidade, são oriundas de outras cidades pernambucanas e também de outros estados. 

A título de referência, Dona Nita era prima de Maria Josefina Gomes de Sá, conhecida por Dona Maria de seu Ernesto, mãe de Ernestinho, Gracinha, Zito e Zezita Queiróz. Prima também de Luiz Epaminondas Nogueira de Barros, pai de Luizito, João Bosco, Terezinha e mais irmãos. 



Dona Nita com os filhos, Dulce, Murilo, Maria Eunice e a sobrinha Noême Sá.

Ficou viúva aos 39 anos, no dia 30 de agosto de 1939, criando com dignidade e muito zelo, os filhos, ainda menores de idade, Maria Eunice Remígio, José Remígio, Claudionor Remígio (pai de Jorge, Antônio, Jânio, Sérgio, Eliane e Ana Cláudia Remígio), Murilo Remígio e Maria Dulce Remígio. 


Dona Nita colhendo algodão em seu sítio.

Fez-se necessário essa breve informação de dados familiares, porém, considero que o grande legado que Dona Nita deixou para a cidade, foi a água. Sim, ela junto ao esposo, concederam à prefeitura no início da década de trinta, o fornecimento da água vindo de um cacimbão em seu sítio, e levada por canos até o chafariz público, prédio que, até pouco tempo, ficava na Rua João Veríssimo em frente do atual mercado público. 

Essa água, fundamental para a população custodiense, foi cedida gratuitamente para a prefeitura, a qual era distribuída a preço simbólico às pessoas que conduziam em latas na cabeça ou em galões nos ombros, para abastecer as residências da cidade. As carroças de tração animal só apareceram no final da década de sessenta. Essa água foi fornecida à população de Custódia por mais de quarenta anos, pois a água encanada na cidade foi inaugurada em outubro de 1971, na administração Sílvio Carneiro. 

Achei pertinente escrever esse texto, para informar a população da minha cidade, principalmente as gerações mais recentes, quem foi Dona Nita. Explicito também, que nenhum parente interferiu, pediu ou requisitou o seu nome no parque que ora inaugura-se. Foi uma decisão espontânea do gestor público municipal. 



Foto de 1983, quando o sítio foi vendido para Prefeitura de Custódia

O que me espantou foi o contrassenso na mudança brusca e repentina do nome do parque por parte desse poder, o que caracteriza-se uma total desconsideração aos familiares de Dona Nita. Não estou aqui discutindo o mérito da pessoa de José Esdras de Freitas Góis, amigo saudoso que sempre estimei desde a remota infância e sem sombras de dúvidas merecedor de muitas homenagens em nossa cidade por tudo que contribuiu, mas a forma que foi usada nessa homenagem. Já que vão mudar o nome do parque, que coloquem o nome de José Esdras de Freitas Góis, porque Zé do Povo é uma marca de campanha política.

Autor:
Jorge Farias Remígio, 
neto de Dona Nita.


10 agosto, 2024

Arranca Pedra F.C. (1967)


Foto: Nadilson Santos

Texto por

Jorge Remígio
Recife/PE
Agosto/2024

Essa foto retrata muito os pré adolescentes da época. Ainda não se referia a esse termo para definir a idade de transição. Na época, a evolução era menino, menino grande, depois rapaz novo. A fotografia é do Náutico Infanto Juvenil de Custódia. Muitos meninos da época, fizeram parte de dois times que se enfrentavam nos dias de domingo pela manhã. O campinho ficava onde hoje é o posto de combustível Tamboril. 
 
Fernando Vitor criou o time do Ginásio Padre Leão, e Luiz Gonçalo o Náutico. No período das tardes de domingo, pós jogo, íamos todos para as matinês no CLRC, curtir a Jovem Guarda que era a novidade do momento. No dia do registro dessa foto, sete de setembro de 1967, houve um jogo entre Náutico e Ginásio Padre Leão, que ficou na memória de todos nós. Fernando Vitor, trouxe de Recife um amigo para jogar no time do Ginásio. O nome da fera era Hélio. Era infantil do Santa Cruz na capital pernambucana. Um esplêndido jogador. 
 
Nesse confronto, o time do Ginásio saiu vencedor por um placar de 3x2. Hélio fez os 3 gols do Ginásio.

Primeiro a esquerda é Danda. Filho de Izabel de Cândida, a qual tinha um hotel, um pouco abaixo da sorveteria de Olímpio, lado esquerdo. Já é falecido. O segundo é Rubens Siqueira (Binha), filho de Pedrinho da Banca Confiança. Morava na Rua João Veríssimo, após o Clube, lado contrário. Já é falecido. O terceiro é Jorge Remígio, filho de Claudionor, na época morava vizinho onde foi o prédio da biblioteca. O quarto é Germano, filho de João Germano, irmão de Quíria. Não mora mais em Custódia. O quinto é Zezinho Freire, que era conhecido por Zezinho de Diva, sua tia. Mora em Vitória do Espírito Santo, aposentado da Queiroz Galvão. O sexto é Josa Rezende, filho de Sebastião Rezende, sobrinho de dona Genésia. Morava na Rua Manoel Borba. Não reside em Custódia. O sétimo é Chia, arbitro do jogo. Filho de Zé de Noca e dona Mocinha. Morava no início da Manoel Borba. Já falecido. Agachados. Marcos Siqueira,  apelidado de Maminha, filho de Pedrinho da Banca, morava após o Clube, lado contrário. Reside no Rio de Janeiro, aposentado da Construtora Queiroz Galvão, seguido de Rui Rezende, dono da farmácia no início da Manoel Borba. Depois vem Zé Marcos, não sei onde reside, depois vem Cícero, o seu genitor trabalhava no DNOCS, não era natural de Custódia e por último, Luiz Gonçalo, dono do time, trabalhou muito tempo em construtoras, inclusive na Queiroz Galvão. Já é falecido.
 
PS. Conhece algum? Deixa seu comentário dizendo quem é, é qual posição ele se encontra na fotografia.

18 maio, 2024

Amigos na Praça Padre Leão (1979)


Essa foto é de julho de 1979 na Praça Padre Leão. A turma de trás. Otacílio Góis (1955), Marcelo Burgos (1955), Jorge Remígio (1954). A turma da frente. Enildo Pires (1956), Fernando José Carneiro (1956) e Antônio Remígio (1956).

A turma da frente já está no andar de cima. Vemos a casa a esquerda que foi de Severino Pinheiro que após a reforma ficou a casa mais chic da cidade.

Vemos ainda a casa dos meus tios avós Apolônio Carneiro e Maria de Souza, já modificada, seguida da casa onde residiu Demócrito  e Terezinha Queiroz em 1964 e a seguinte residiu Nozinho Veríssimo até 1965.

Em 1966 passou a ser a sede da Prefeitura Municipal até o ano de 1968, quando o prédio novo foi inaugurado, no local que hoje é a Câmara de Vereadores.

Essa casa hoje pertence a Nazinha e foi modificada.

Foto e texto: Jorge Remígio


17 janeiro, 2024

Resgatando a importância de personalidades da minha cidade Custódia.


 Pedro Pereira Sobrinho e Sílvio Carneiro de Farias Souza.

Foto provavelmente do início da década de sessenta, na Capital do Estado. 

Eu digo resgate, porque infelizmente em nossa cidade não existe a cultura do reconhecimento dos filhos ou de pessoas que nasceram fora, mas que deram grande contribuição econômica, cultural e intelectual, para a cidade. 

Coincidentemente nasceram no mesmo ano, 1940, e na mocidade, foram estudar no Recife. Dr. Pedro, como é mais conhecido, formou-se em Odontologia no ano de 1963, vindo morar em sua cidade natal. Dez anos depois, concluiu o curso de Direito na Faculdade de Caruaru, e passou a advogar em Custódia e cidades vizinhas. Muito eloquente e grande orador, exerceu a vereança por uma legislatura na década de setenta, mas, o seu grande destaque foi como educador. Professor do Ginásio Padre Leão, fundou a Escola Técnica Joaquim Pereira, homenageando o seu genitor. Dr. Pedro faleceu em 2021, aos 81 anos de idade. 

Sílvio Carneiro foi secretário municipal nos governos intervencionistas de Tenente Miguel José (1964-1966) e João Miro da Silva (1966-1968) e prefeito no mandato de 1969 ao ano de 1972. Destacou-se na área da educação, principalmente criando vários grupos escolares na zona rural, ação até então esquecida nas gestões anteriores. Sílvio Carneiro foi professor e Diretor do Ginásio Padre Leão na década de sessenta e parte dos anos setenta. Faleceu precocemente no ano de 1989, com problemas de saúde, aos quarenta e nove anos. 

Agradeço "in memoriam" a Sílvio Carneiro e ao Dr. Pedro Pereira, pelo legado que deixaram para minha querida Custódia.

Jorge Remígio
Recife - PE
Janeiro/2019.


12 janeiro, 2024

Jovens custodienses na atual Praça Padre Leão na década de 40



Zélia Sá, Osminda Carneiro, Maria Cordeiro e Ozanira Farias.
Praça Padre Leão
Custódia-PE
(ano:1947/1948)



Foto provavelmente do ano de 1947 ou 1948. Não existia praça ainda. Era chão batido como se diz. A localização das jovens. Em frente ao prédio vizinho da sorveteria de Olímpio Marinho. O prédio onde é hoje a sorveteria ainda não existia. O imóvel à esquerda da foto, é hoje a casa de dona Genésia Rezende. As jovens.

À esquerda é Zélia Sá, irmã de Socorro e Nizinha Sá, filha de José Mariano de Sá (Zé Major) e dona Firmina. Era prima do meu pai Claudionor Remígio. 

Seguida de Osminda Carneiro de Souza Farias, filha de Apolônio Carneiro de Farias e de Maria Góis de Souza.

Depois vem Maria Cordeiro Rezende (Cordeira), filha de Maria Dominéria de Rezende. Dominéria era irmã de Mariano José de Rezende, que era o pai de Pedro Mariano de Rezende, Dezinário, Sebastião, Andrelino, José, Joaninha, Carmélia Terezinha, Genésia e Luiz, todos com sobrenome Mariano de Rezende. Dominéria era irmã também de Alexandrina Rezende, mãe de Cláudio Moisés, Sebastião, José, Cidrack, Pedro, mãe de Djalma Moisés e outros que no momento me falha a memória. Todos com sobrenome Moisés.

E por último, minha mãe Ozanira Farias Remígio, filha de Samuel Carneiro de Farias e de Prezalina Góis de Souza. Minha mãe e Osminda Carneiro são primas carnais, os pais e mães são irmãos.

Jorge Remígio
Recife-PE
Janeiro/2024


08 janeiro, 2024

Mocidade Custodiense no ano de 1916



Foto: Arquivo Pessoal
Jorge Remígio

Publicado Originalmente em seu Perfil no Facebook

Esta foto foi tirada no dia em que o Governador de Pernambuco Manoel Borba teve uma passagem por Custódia, quando se dirigia para inaugurar a estrada que liga Flores a Triunfo. A última a direita, de trança, é a minha tia avó Maria Dolores Pereira de Sá. Ela foi escolhida para fazer uma saudação ao Governador com uma poesia. Nasceu em Vila Bela, atual Serra Talhada-PE, em 05/01/1898 e faleceu em Pesqueira no dia 06/06/1932, aos 34 anos. Foi casada com Antônio Burgos de Santana, natural de Flores (1896-1924) falecido em Custódia. Teve os filhos: Genário Pereira Burgos, Maria do Socorro Pereira Burgos, José Pereira Burgos (Zé Burgos) e Antônio Pereira Burgos. Maria Dolores era filha de Cassiano Pereira da Silva e de Ana Pereira de Sá (Naninha) falecida em Vila Bela no ano de 1902 aos 25 anos. Era irmã de Manoel Cassiano Pereira de Sá,( pai de Noême Sá) de Ana Pereira de Sá (Anita) minha avó e de José Cassiano Pereira de Sá (Zezinho). Os avós maternos de Maria Dolores eram Manoel Pereira de Aguiar, filho do primeiro casamento do Cel. Joaquim Pereira da Silva, da Fazenda Carnaúba, e de Epifânia Auzéria Mariano de Sá. Avós paterno:

Capitão Sebastião Pereira da Silva (do Baixio) e de Januária Pereira da Silva, irmã de Andrelino Pereira da Silva (Barão do Pajeú), primeiro prefeito de Serra Talhada-PE.(1892-1895). A penúltima à direita, é a minha tia avó Maria de Souza Góis.irmã da minha avó Prezalina de Souza Góis. Casou com Apolônio Carneiro de Farias,irmão do meu avô materno Samuel Carneiro de Farias. Maria e Apolônio são os pais de José Carneiro de Farias Souza, Osminda Carneiro de Farias Souza, Lourdes Carneiro de Farias Souza, Dineusa Carneiro de Farias Souza, Sílvio Carneiro de Farias Souza e Fernando Carneiro de Farias Souza. Tia Maria era irmã de minha avó Prezalina, de Ernestina casada com Heleno Aleixo, Carmélia (Bebela), Erundina, Chiquinho Daniel, Otoniel, Joaquim Daniel (pai de Shandinha), José Daniel (pai de Fernando Florêncio) e Gedeão. A terceira à esquerda sentada, de saia escura, é "Dona" Rezende. Irmã de Manoel Marinho de Rezende (Né Marinho).