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12 setembro, 2025

Inauguração da Biblioteca da Escola General Joaquim Inácio. Uma Homenagem à Educadora e Diretora Dona Rosa Gois.


A década de 1970 foi um período marcado por mudanças significativas na sociedade e na educação. Os professores tinham um perfil distinto, moldado pelas condições sociais, políticas e econômicas da época. As dificuldades e a simplicidade eram características marcantes da vida no Sertão.

Diante das limitações de recursos, os professores precisavam ser criativos e engenhosos para proporcionar uma educação de qualidade a seus alunos.

Os alunos faziam de tudo para não serem chamados à atenção e evitar suspensão. As professoras eram figuras de autoridade que inspiravam respeito e admiração. 

A educação de ontem e hoje é diferente, mas a essência permanece a mesma: formar indivíduos capazes de pensar, criar e contribuir para a sociedade. 

Na minha infância, tive a honra de ser aluna da Escola General Joaquim Inácio - 1° e 2° graus, na gestão da professora Dona Rosa Gois. Uma mulher respeitada e reverenciada, não apenas por sua autoridade, mas por sua dedicação e amor à educação. Ela se destacava pelo seu jeito simples, sua paixão e compromisso com a escola. Uma mulher, que marcou gerações de alunos com atitudes e valores grandiosos. 

Com gestos suaves e mãos cruzadas para traz, ela percorria a escola, como se tivesse procurando o que corrigir, para melhorar e aperfeiçoar. Sua voz mansa, mas firme, era um reflexo de sua personalidade: uma mistura de doçura e autoridade. Até hoje, ecoa na minha memória o “sininho” que, ela usava para nos lembrar o horário de entrar na escola, hora do recreio e da saída. Como não lembrar o Hino Nacional Brasileiro, cantando durante a semana da pátria, como esquecer os desfiles de 7 e 11 de setembro, data da nossa emancipação política? 

Hoje, 12 de setembro de 2025, ao inaugurar a biblioteca, Dona Rosa Gois, celebramos também a importância dos livros e da educação. 

Os livros são janelas para o mundo, portas para o conhecimento e ferramentas para o crescimento. Eles nos ajudam a descobrir novas ideias e perspectivas, e desenvolver nossas habilidades e competências. Os alunos terão acesso a este tesouro de conhecimento e de inspiração.

Como disse Paulo Freire, "A educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. As pessoas transformam o mundo." E foi exatamente isso que Dona Rosa fez: mudou a vida de muitos alunos e inspirou uma geração de educadores.

Esta biblioteca é um tributo à sua memória e ficará como símbolo da importância da educação em nossas vidas.

Os filhos de Dona Rosa devem sentir um grande orgulho do trabalho dessa mãe, professora e diretora, que dedicou sua vida à educação e ao desenvolvimento de tantas pessoas em nossa querida Custódia.  Seu legado é um testemunho da importância da educação e do impacto que uma pessoa pode ter na vida dos outros. Aproveito para agradecer o convite de Lúcia Gois para participar desse momento de reconhecimento e gratidão. Ainda que distante, sinto-me parte.

Na Escola General não recebi apenas um certificado de conclusão do ensino médio, mas o conhecimento e o encantamento pelos livros. 


Muito obrigado a querida Dona Rosa.
Carinhosamente,  

Leônia Simões

02 janeiro, 2025

Parque Zé do Povo: contribuição de Leônia Simões a Narrativa Histórica de Jorge Remigio.

 


Foto: Django Alves
Divulgação

Caríssimo Jorge

Primeiramente, quero  parabenizá- lo pelo primoroso texto, recheado de informações importantes e significativas para a história local. Sua narrativa, além de nos ajudar a compreender o passado e  inspirar o presente, gera também uma memória coletiva para as gerações futuras. 

Em seu nome, quero saudar a todos os conterrâneos que fazem coro com essa narrativa, reforçando os fatos,  testemunhando o passado e nos fornecendo um sentido temporal de identidade histórica, no qual estamos inseridos. 

Antes de mais nada, quero enfatizar que a minha contribuição, não tem nenhum viés político ou rixa pessoal. Trata-se de uma opinião, genuinamente, pedagógica e cultural, afastada de qualquer influência partidária. Escrevo como cidadã custodiense, apaixonada por sua terra e que defende a preservação da história do seu povo, esteja eu, onde estiver. 

Voltando ao assunto do  novo parque da cidade, penso que o nome de Dona Nita, certamente, seria o mais apropriado para a homenagem do momento. 

Ainda que todos nós reconheçamos o ex prefeito José Esdras, como uma figura também singular, que tem os seus méritos para ser lembrado, em outros prédios públicos, não no sitio que pertenceu a ela.

Diante do exposto, tenho a mais absoluta convicção de que o nome do parque não deveria ter sido trocado de maneira tão intempestiva. Acredito que  o próprio, "Zé do Povo", se vivo fosse, honraria o nome de dona Nita com essa homenagem.  

Cada rua, cada casa,  cada prédio conta uma história única, de conquistas silenciosas e desafios que se conectam com nossas raízes.

Manter o nome da antiga proprietária seria um gesto de reconhecimento e gratidão para todos àqueles que vieram antes de nós e deram sua contribuição. Tal atitude ajuda a fortalecer o senso de pertencimento e orgulho comunitário.

Vale ressaltar que é dever do poder público garantir uma homenagem justa utilizando a consulta pública na escolha de nomes. Mas, para isso é preciso conhecer os fatos e as contribuições dos homenageados.

A transparência nos processos e critérios de escolhas, bem como a manutenção do bem devem ser respeitadas. Que a Câmara de Vereadores fique atenta a isto, nas próximas homenagens. 

Aproveito o momento para pedir ao prefeito eleito, Sr. Manoel Messias, que assumiu recentemente a responsabilidade de governar Custódia, que cuide das pessoas do campo e da cidade, da saúde, da educação e da segurança do nosso povo e não esqueça dos poucos prédios que restaram do passado, a exemplo, do CLRC. Que o novo gestor transforme nossa cidade num lugar bom de se viver e morar. Com oportunidades para todos e todas.

Por fim, insisto em dizer que o objetivo aqui pretendido, não é a critica pela critica, mas a busca pelo conhecimento dos fatos e a compreensão do contexto histórico de nossa terra, tão importante na tomada de decisão.

Feliz 2025 a todos!
Leônia Simões.


09 fevereiro, 2024

Custodiense participa de prévia do centenário Bloco das Flores 2024.


No último dia 14 de Janeiro, aconteceu a prévia do Bloco das Flores, fundado em 1920, primeiro bloco lírico de Pernambuco.  A homenageada deste edição, foi Jane Emirce, funcionária da Empetur. Através da homenageada, a custodiense Leônia Pinto Simões foi convidada a participar da prévia, evento realizado no Paço do Frevo, finalizado no Marco Zero da capital pernambucana.




Além do pioneirismo em trazer a cultura popular do Carnaval de rua, o Bloco das Flores também foi um dos primeiros a contar com a livre participação feminina. Isso mesmo: se hoje existem inúmeras mulheres que desfilam, dançam e se divertem nos blocos, antes não existia lugar para elas. 

13 novembro, 2023

Leônia para Célia Barros


Célia,

Você não imagina quantas lembranças guardo da época em que fomos vizinhas. Não sei se você sabe, mas sua mãe era minha madrinha de fogueira (naquele tempo, madrinha de fogueira era tão importante quanto de batismo). Tinha por ela muito respeito e um imenso carinho que, até hoje, guardo em meu coração. Quando ela ficou doente, chorei muito e fui visitá-la (salvo engano), naquela casa que era de D. Rosa Góis. Lá, ela me disse que quando eu fosse casar faria o meu vestido de noiva… Ela conversava com mamãe sobre muitas coisas. Falava de todos os filhos com muita alegria.

De todas as lembranças, uma que está muita viva em minha mente é voz rouca de Madrinha Maria cantando “meu coração, não sei porque bate feliz quando te ver”.

Seu Anfilófio Feitosa também era uma pessoa extraordinária e um bom vizinho, como dizia papai. Uma vez, chovia muito, estávamos em casa, envolta de Lucinha que lia a estória da “gata borralheira”, como fazia sempre. De repente, um relâmpago clareou toda a rua, provocou a falta de energia e em seguida um trovão tão grande que nós começamos a gritar desesperadamente. Seu Anfilófio chegou imediatamente, trazendo vela e fósforo para alívio de todos nós. Eu morria de medo de relâmpago e trovão.

Quanto a você, lembro que discursou num comício de mulheres, na primeira campanha de Prefeito de Luizito. Em sua fala citou o nome de Gal Costa. Não me recordo de todo o texto, apenas dessa parte. Também já recitei (em 11 de setembro) uma poesia de sua autoria e que agora peço licença para em breve, enviá-la ao Blog.

Bem, a música a qual você se refere no comentário sobre os velhos carnavais é assim:

Juá, juá, Joaquina teu nome lembra o juá!
Teu nome é um convite Joaquina
Para nós irmos pra lá pro juá
Tira o juá do teu nome Joaquina
Ele não serve pra mim
É que o juá só não dar pra enjoar
Quando tem quina no fim
É que o juá só não dar pra enjoar
Quando tem quina no fim.

Um abraço e obrigada por trazer de volta boas lembranças.

Leônia Simões
onisimoes@hotmail.com

24 julho, 2023

A Finitude da Vida não Destrói uma Amizade de décadas. Mariedilsa, Presente!

 


Leonia e Mariedilsa

A morte não é uma opção, mas uma condição humana que não podemos mudar. 

Ela chega pra nos lembrar que nossa existência é fugaz e frágil.

Sua presença gera uma dor imensa na alma e no coração... Diante dela, nossa reação (quase sempre) é de choro, tristeza, revolta, frustração e silêncio. Entramos em choque, cada vez que ela aparece, pra levar alguém (quer seja próximo ou não). É o horror  de saber que para morrer basta estar vivo.

Diante do impacto e da impotência que ela nos impõe dizemos que é injusta, estúpida, violenta, precoce... Perplexos, buscamos explicações e consolo.

Mariedilsa, minha amiga querida!

Não deu tempo me despedir de você nessa sua viagem sem volta. Como dói saber que não  nos veremos mais presencialmente. Que a comunicação virtual não será mais possível, que lá não existe telefone celular pra ligar de vez em quando, fazer uma vídeo chamada ou mandar mensagem pelo WhatsApp e, assim poder aliviar a saudade que invadiu meu coração. Amiga querida, essa realidade provocou em mim uma dor imensa na alma. Essa lacuna só será preenchida, espiritualmente, por meio da oração e das memórias deixadas por você, ao longo de sua existência.

Por falar nisso, o túnel do tempo acabou de abrir trazendo lembranças do passado e de acontecimentos recentes. Lembrei agora, da última vez que nos falamos, do sonho que me contou sobre sua mãe.  

Chorei desesperadamente...

Pensei na mulher forte e  companheira de Dr. Humberto, da mãe preocupada que se desdobrava entre o trabalho na Ematerpe e a educação dos filhos (Arthur, Humberto, Bruno, Túlio),
lembrei das idas e vindas pra levar e pegar os meninos na escola Dalila, na Rua da Várzea.

De repente, um filme foi passando e trazendo as imagens de toda nossa luta para a criação, eleição e implantação do Conselho Tutelar da Criança e Adolescente de Custódia. Pois, foi nossa persistência, determinação e compromisso com o voto  de cada pessoa que  nos fez perseverar no propósito. E, quando vinha o desânimo a gente se apoiava uma na outra.

Mariedilsa, você fez história, na assistência técnica e extensão rural de Custódia conhecia a realidade rural e  às necessidades do homem do campo, conhecia os líderes das comunidades locais e com seu carisma conquistou muita gente.

Como posso esquecer nosso trabalho na equipe Interprofissional do Fórum de Custódia? Como não lembrar da alegria que sentimos, ao receber
de Dr. Teodomiro, juiz da época, uma carta de reconhecimento pelo nosso trabalho no Fórum.


 
Como não lembrar as horas de estudo, na antiga casa, na Manoel Borba. Das nossas conversas nos finais de tarde, do nosso Interesse por assuntos como: Política, Liderança, Direito, Meio Ambiente, Educação, entre  outros.

Vou lembrar para sempre de instantes e imagens como àquela visita que você fez  quando minhas Marias nasceram, da acolhida que eu recebia na sua casa, do bate papo animado, regado a vinho ou cerveja gelada, das gargalhadas depois de uma piada, das novidades contadas.

Quando eu chegava em  Custódia, a primeira coisa era perguntar por você e por outras amigas, que lá deixei.

Tá difícil pensar em outra coisa! Você faz parte da minha história de vida como amiga, colega de trabalho e como ser humano que fez a diferença. Infelizmente, Custódia perdeu uma cidadã de muito valor.

Queria tanto que você tivesse aqui! Curada, sorridente e feliz.

Mas acredite, você continuará presente nas minhas memórias e no meu coração, porque a "amizade verdadeira é um laço mais forte que a morte."

A Humberto, filhos e noras,  parentes e amigos meus sentimentos, minha solidariedade e o meu abraço fraterno.


Texto enviado por Leonia Pinto Simões

20 fevereiro, 2023

Leônia Simões - Não Adianta Reclamar


Caríssimos,

Estou enviando a música de carnaval que fiz em 2009, em homenagem aos blocos de Recife e Olinda. Pois, além de ser uma apaixonada, incondicional, pela riqueza cultural do nosso Estado e desse imenso Brasil, adoro cantar, exercitar minha criatividade e, sobretudo, trazer alegria prá pessoas.

A gravação foi feita em casa, acompanhada por Plínio Fabrício (meu sobrinho) no violão, que em seguida, colocou num desses programas da internet que passa a ser o próprio estúdio de gravação. O resultado, vocês podem conferir pelo Link abaixo:

Um abraço cheio de confete e serpentinas!!!

Carinhosamente,

Leônia 

11 dezembro, 2022

Verdades da Profissão de Professor - por Leônia Simões


Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda. (Paulo Freire).

Dedico este maravilhoso texto a todos os professores(as) que passaram por minha vida escolar, em especial:

Dona Conceição Duarte – 1ª Professora, Netinha Souza, Salete Veríssimo, Creuza Leopoldina, Socorro Costa e Neta Góis(in memorian).

Um abraço no coração e minha eterna gratidão.

Leônia Simões
Recife-PE
Outubro/2008

17 novembro, 2022

A mente criativa por trás dos projetos


Engenhosa, ela põe, tira do papel e faz as coisas acontecerem

Radicada no Recife faz anos, mantém firmes as raízes do sertão de onde saiu, Custódia, terra do padroeiro São José, santo que devota com ardorosa crença. “A fé e a esperança dormem e acordam comigo”, costuma dizer.

Leonia Simões vem de uma família numerosa. A mãe teve 18 filhos, ela é a sétima. Mãe das gêmeas Maria Eduarda e Maria Victória, iniciou-se na vida pública em 1982 no extinto Departamento de
Telecomunicações de Pernambuco.

Bióloga, ambientalista e educadora são alguns títulos que reúne no currículo. Essa polivalência ela aplica nas variadas atividades sob sua coordenação no Cefospe, entre elas, o Roda de Conversa e o RH interativo.

Segue a entrevista.
 
Cepost - Como surgem os temas dos eventos?
Leonia - A partir da construção de ideias, da insatisfação ou inquietação dos RHs e servidores sobre algum assunto na esfera pública e de relevância social.

Cepost - E a definição dos palestrantes?
Leonia - Vem da rede de contatos com gestores públicos, academia e do setor privado também.

Cepost - O que mais estimula a carreira no serviço público?
Leonia - A certeza de que o espaço que ocupo reside em conectar as pessoas e as ideias, entre o conhecimento e a prática.

Cepost - E o que menos estimula?
Leonia - As reformas administrativas e a falta de uma política de valorização ao longo da história acentuaram as perdas de direitos dos servidores públicos.

Cepost - Em uma frase, o que representa o Cefospe para você?
Leonia - Como Escola de Governo tem um potencial incrível que devia ser bem mais aproveitado 

(*) Entrevista cedida e autorizada pelo Centro de Formação dos Servidores e Empregados Públicos do Estado de Pernambuco.

28 fevereiro, 2022

Um carnaval que passou - por Leônia Simões




Não podemos negar que o Carnaval passou por muitas transformações nos últimos anos. Principalmente se compararmos aos carnavais de outrora, que segundo os foliões da época o que prevalecia era a festa de rua, e não a competição entre as agremiações. A diversão nos clubes contava com marchinhas, dedos para cima, confetes, serpentinas, fantasias e muito lança-perfume.

É lógico que os tempos mudaram. Antes, no passado, não éramos tomados pelo consumismo que nos faz escravos, a vida era mais fácil de ser vivida, sem tantas cobranças, competitividade e outros. Tudo mudou, infelizmente, nem tudo para melhor. O carnaval de rua, de Recife e Olinda, por exemplo, tornou-se perigoso, devido à violência e os assaltos à luz do dia. Já na Bahia, o carnaval fugiu da tradição, conta com trios elétricos, embalados por músicas dançantes, em especial o axé. Se bem, que os trios viraram uma “febre” em todo o país. O foco, a estrutura da música, os desfiles do carnaval tradicional ganharam uma nova versão.

Recordo-me, ainda criança, na Rua da Várzea, dos animados e ingênuos foliões que passavam jogando água e talco em todo mundo, durante o período carnavalesco. Ficávamos de portas fechadas, observando dos vidros das janelas de casa, para impedir que algum folião mais ousado adentrasse sem pedir licença. Protegidos do mela-mela nos divertia ver as pessoas correrem para não serem pegas pelos foliões. À tarde, vinha à matinê. Fui poucas vezes. Tínhamos uma educação muito severa e papai nem sempre permitia. Mas, adoráva-mos a folia.

Lembro-me de um baile de fantasias no Clube, na gestão (Zezita Queiroz). Eu, minhas irmãs (Lucinha, Luciene, Lélia) e algumas amigas fomos caracterizadas de Branca de Neve e os Sete Anões. Nas noites seguintes nos vestimos de palhacinhas e ciganas. Mesmo não vencendo o concurso de fantasias, promovido pela Presidente, brincamos muito, pois a orquestra era excelente e o salão estava cheio de rapazes querendo paquerar. Foi muito legal.

Na década de 80, Sílvio Carneiro, através de D. Osminda convidou-me para aprender uma Marchinha de sua autoria e cantar no clube, num domingo de Carnaval, aí chamei o grupo de Jovens para fazer o Refrão. Aprendemos a marchinha nos primeiros ensaios, deixando o autor muito feliz. Penso que a idéia dele era resgatar os “velhos carnavais”. Apesar de ter sido muito bom, o projeto não foi adiante. O tempo foi passando, e os carnavais do clube e das ruas desapareceram. Sílvio partiu desta vida sem ver, à volta do famoso carcará. Quando vim para Recife, Luciene guardou a Letra da música, com cuidado e enviou-me nesses dias. Nunca esqueci a melodia. Agora, em homenagem ao Ex-Prefeito e Compositor Sílvio Carneiro, Deixemo-nos envolver pela folia e pela letra da música que nos remete a um passado recheado de saudades. Segue abaixo a letra. Um bom Carnaval para todos!


A VOLTA DO CARCARÁ

Marcha – Letra e Música: Sílvio Carneiro

I
UM CARNAVAL QUE PASSOU, DEIXOU:
A SAUDADE DO CARCARÁ
E ANTES DE SUA PARTIDA, CÔRO.
DEIXOU A DESPEDIDA, (BIS)
MAS UM DIA VOLTARÁ

II
FESTA IGUAL, NINGUÉM MAIS VIU,
DIA DE SONHO, ALEGRIA SEM IGUAL,
UMA AVE QUE REI MOMO ASSISTIU,
FOI UMA BRASA NO NOSSO CARNAVAL.

III
FOI UM SUCESSO INESQUECÍVEL
NO SALÃO DA FOLIA IMORTAL,
FOI A GLÓRIA, O CANTO INVENCÍVEL.
DA MARCHA FIRME NO NOSSO CARNAVAL


Um abraço,

Leônia Simões

20 setembro, 2021

Dr. Pedro e o Veleiro - por Leônia Pinto Simôes

 


Foto de Conclusão do Curso de Magistério,
em 27 de dezembro de 1980,
em Custódia/PE.

Sem muito tempo para as redes sociais, só agora me deparei com a notícia da partida de Dr. Pedro. Isso me fez lembrar um  texto do rabino, Henry Sobel, que faz uma analogia entre partida e chegada, sobre a morte e a Vida Eterna. compartilho com vocês... 

"Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "Já se foi !".

Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.

E talvez, no exato instante em que alguém diz: "já se foi", haverão outras vozes, mais além, a afirmar: "lá vem o veleiro!!!"

Assim é a morte."

Seu Joaquim, dona Corina, dona Noemia, Hiran e tantos outros que já atravessaram o mar, agora aguardam com alegria a chegada de Dr. Pedro.

A Paulo Peterson, familiares e amigos, pela tristeza de verem o veleiro se afastar, meu abraço fraterno e solidário.

"Ao Mestre com Carinho"

Leônia Simões
Recife/PE
Setembro/2021

11 setembro, 2020

Poesia para Custódia (1973) - autora Célia Feitosa de Barros


    PARABÉNS CUSTÓDIA !!! 
    92 anos de Emancipação Política

    Parece que foi ontem! Logo após o desfile pelas ruas empilhadas de gente, disputando o melhor lugar para ver as escolas passarem, de longe, podia se ouvir minha voz ressoando da sacada da prefeitura em homenagem a Custódia pelo seu aniversário. 

    Cada ano era uma novidade: recitava uma poesia, lia novo texto, cantava ou representava. Era uma expectativa tão grande que, na véspera, quase não conseguia dormir. 

    Em 1973, recitei uma poesia, de autoria de Célia Feitosa de Barros, que até hoje guardo em minha memória. E como não poderia ser diferente, é com a mesma alegria e emoção que agora compartilho, com a autora, com todos os custodienses, com os amigos e amigas do Brasil afora, uma poesia que marcou minha infância.

    (*) Enviado por Leônia Simões



    11 DE SETEMBRO, 
    DIA DE GRANDE EMOÇÃO! 
    HOJE, O CALENDÁRIO MARCA. 
    A NOSSA EMANCIPAÇÃO.

    OS NOSSOS ANTEPASSADOS 
    ESTAVAM SEMPRE A BATALHAR,
     PARA QUE NOSSA CUSTÓDIA 
    CONSEGUISSE SE LIBERTAR.

    ERA UMA PEQUENA VILA, 
    DE UMA CIDADE VIZINHA MAS, 
    HÁ 85 ANOS.
     TORNOU-SE CIDADEZINHA.

    HOJE É GRANDE CIDADE, 
    DO SERTÃO PERNAMBUCANO 
    E SEMPRE TENDE A CRESCER, 
    CADA DIA, CADA ANO.

    JUVENTUDE DE CUSTÓDIA 
    SAIBA SEMPRE USAR À MENTE 
    PARA QUE NOSSA CUSTÓDIA 
    SEJA CIDADE PRÁ FRENTE

20 agosto, 2020

Semana do Patrimônio Histórico e Cultural. Tombamento da Matriz de São José, em Custódia


17 a 22 de agosto - Semana do Patrimônio Histórico e Cultural.

17 de agosto: Dia Nacional do Patrimônio Histórico.
Tombamento da Matriz de São José em Custódia-PE.
Decreto n° 48.739, de 28/02/2020.
Um marco na história de nossa cidade.

Tombamento da Matriz de São José, em Custódia. 
Um marco na história de nossa cidade.

Decreto n° 48.739, de 28/02/2020, publicado em, 29 de março de 2020. 

O que é tombamento?

- Tombamento é a proteção de bens móveis e imóveis feita pela União, pelos Estados, ( Distrito Federal) ou pelos municípios . 

Qual a origem da palavra tombamento?

- A palavra tombamento 

advém da "Torre do Tombo", arquivo público português onde são guardados e conservados os documentos importantes.

Ou seja, utilizamos a palavra tombo, no sentido de registrar algo de valor para uma comunidade protegendo-o por meio de legislação específica.

Qual o objetivo do tombamento? 

- O objetivo é preservar, através da aplicação da lei, bens de valor histórico, arquitetônico, ambiental, cultural, artístico ou paisagístico; para a sociedade ou para parte dela, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados.

De quem é a responsabilidade pelo zelo e preservação do patrimônio?

- Segundo a Constituição Federal no Artigo 216, é função da União, do Estado e dos Municípios, com o apoio da comunidade, preservar os bens culturais e naturais brasileiros.

Quais os efeitos do tombamento nas obras de manutenção e conservação?

- O tombamento confere ao bem, regime jurídico diferenciado. Convém ressaltar que a execução de obras deve ser comunicada aos órgãos públicos (prefeitura Municipal e instituições de preservação do patrimônio para a devida autorização e liberação dos serviços. As obras não devem alterar nenhuma característica da edificação.

A manutenção de telhados será autorizada desde que não haja a alteração de características como, por exemplo: ponto da cumeeira, inclusão de água-furtada, substituição de revestimento de cobertura, eliminação de elementos construtivos ou decorativos do beirais, etc. A cobertura deverá ser mantida na sua volumetria e forma originais.


Leônia Pinto Simões 

Cidadã de Custódia.

21 julho, 2020

Uma data para ser lembrada...



14 de julho é uma data importante no calendário mundial porque marca a tomada da Bastilha em 1789. 

151 anos depois, aqui no Brasil, a quilômetros de distância da França, numa cidadezinha de interior chamada Custódia, Sertão de Pernambuco, nascia, em 14 de julho de 1940, Pedro Pereira Sobrinho. 

Mais tarde, conhecido como dr. Pedro. 

É de conhecimento de todos os custodienses, as inúmeras qualidades do ilustre dr. Pedro, por isso, não vou repeti-las nesse texto. Vou contar aqui um episódio dos tempos em que foi Diretor do Colégio Municipal Ernesto Queiroz, em nossa cidade. 

Certa vez, depois de um breve intervalo, estávamos na sala de aula, aguardando o professor chegar. 

Quando de repente, entra dr. Pedro e começa a andar na sala, parando de banca em banca, olhando de cima a baixo para cada uma de nós, futuras professoras. 

Convém ressaltar que a direção do colégio exigia o fardamento completo. Ou seja, saia azul marinho, abaixo do joelho, blusa (xadrez) azul claro, meia branca também ao joelho e sapato vulcabrás, preto. E, ai de quem descumprisse a ordem. 

Nesse dia, uma colega estava de farda e chinelo, o que não era permitido, em hipótese alguma.

A "coitada" não teve como escapar. Ele parou diante dela e perguntou, alto e bom som: 

- cadê o seu sapato? 

Ela, muito nervosa, falou baixinho: 

- "se furou-se." O silêncio tomou conta da sala.

Aí, ele caminhou, lentamente, até o quadro e escreveu em letras garrafais: 

"SE FUROU-SE". 

Pronto! Foi o suficiente pra nos explicar, as funções da partícula "SE." na língua portuguesa, dando um show de conhecimento gramatical. 

Com ar de seriedade e ao mesmo tempo de humor, virou pra classe e disparou: 

- O sapato da colega, furou duas vezes: no primeiro "se" e no último.

Nessa hora, quase deixamos escapar uma gargalhada, mas imaginando o que ia acontecer em seguida, nos controlamos. 

Sua postura profissional, como educador, era inquestionável devido a firmeza com que esclarecia conceitos, pela inteligência e capacidade de argumentação, pela experiência e clara consciência de que naquele espaço sagrado ele deveria exercer sua autoridade.

Finalmente, revestido da autoridade de educador/diretor, suspendeu a colega por desrespeitar as normas do colégio e por tropeçar na língua portuguesa.

Ao professor Pedro Pereira, meu reconhecimento, gratidão e votos de felicidade pela passagem do seu aniversário!

Leônia Pinto Simões. 
onisimoes@hotmail.com

13 outubro, 2015

Matriz de São José de Custódia Tombamento e Reforma


Durante anos estive presente nas missas e nos trabalhos pastorais da matriz de São José. Por isso, pode até soar estranho, para alguns, o fato de eu está envolvida com outros custodienses numa ação de tombamento para preservação da nossa igreja, como patrimônio histórico da cidade.

Por que não deveria está? Por que as pessoas não fizeram isso antes? Por que deixaram que a casa paroquial fosse demolida para dá lugar a uma secretaria? Por que permitiram a retirada da calçada lateral para em seu lugar surgir um estacionamento? Por que deixaram que o mais bonito cartão postal de nossa terra sofresse tantas intervenções, especialmente, nesses últimos anos? Será que todos os custodienses, católicos e não católicos, concordam com essas reformas? Creio que não. A igreja está incorporada a história da cidade, portanto é patrimônio de todos.

Mas, por onde andava os vereadores que não fizeram nada para proteger tão importante patrimônio? Por que a prefeitura não se manifestou diante de tantas mudanças? Na verdade os argumentos são frágeis e inconsistentes, haja vista sermos conhecedores da maioria deles.

Eu não compreendo como algumas pessoas viajam em excursão, para conhecer lugares históricos, dentro e fora do nosso país, e permitem que a história da sua própria cidade seja apagada da memória. Imagine se, de repente, o Ministro Provincial da Terra Santa, responsável por coordenar e encaminhar a acolhida dos peregrinos que chegam nos lugares sagrados, resolvesse reformar a casa onde Nossa Senhora nasceu, o Santo Sepulcro, as muralhas de Jerusalém, o horto das oliveiras, os templos, os vales, enfim, os lugares onde Jesus nasceu, viveu e morreu, simplesmente, por entender que, todas essas maravilhas, não condizem com a arquitetura moderna, estão ultrapassadas, antigas ou ficaram pequenas demais para o número de pessoas que visitam , diariamente, esses lugares. Pelo contrário, o zelo e o “cuidado amável” faz parte do seu ofício. Preservar a cultura e a história da humanidade é uma forma de contar para as gerações do presente e do futuro o que aconteceu em cada época.

Custódia cresceu, o número de pessoas que frequentam a Igreja aumentou! Nossa cidade carece de um templo maior, moderno, com estacionamento amplo do jeito que o padre gosta. Quanto a matriz, esta deve ser mantida como sempre foi, retratando toda a beleza de uma época que não volta mais. Por isso, considero essa reforma totalmente desnecessária.

Precisamos preservá-la não só pela sua beleza arquitetônica, não só pelo seu valor histórico, mas também pelo sentimento de amor que ela faz nascer em cada um de nós, estejamos pertos ou longe.

Nunca é demais lembrar que a ação de tombamento da Matriz de São José, não é um luta contra a Igreja, não é um duelo contra o padre Roberto Luciano, nem uma batalha contra a fé católica, mas, uma ação consciente para preservar o mais valoroso patrimônio histórico de nossa querida Custódia. É importante esclarecer também que a reforma, ora em andamento, foi autorizada, pela FUNDARPE, com restrições e NÃO ANULA o processo de tombamento em curso.

Por Leônia Simões
Publicado originalmente em Patrimônio Histórico: de Geração a Geração

12 setembro, 2015

[Opinião] A história continua.. Leônia Simões

foto Django Jr.

Custódia, como a maioria das cidades brasileiras, nasceu de uma pequena Vila. 

Conta- nos a história que no século XVIII o domínio do território teve o pioneirismo do Coronel Luiz de Melo, conhecido como Dodô. A exploração territorial deu-se, essencialmente, pelos habitantes de Quitimbu, um importante centro político da época e também dos dias de hoje.

Graças a sua boa localização, o povoado denominado de Fazenda Santa Cruz foi crescendo e se tornou Vila, em 1909, mas passou a figurar como distrito de Alagoa de Baixo, Sertânia até 1916. Sua emancipação política só veio acontecer em 11 de setembro de 1928, 12 anos depois da visita do então governador Dr. Manoel Borba a Custódia, que mais tarde viria a ter o seu nome lembrado em uma das principais ruas da cidade.

Quanto à origem do nome de nossa cidade, temos duas versões, a primeira é de que naquela ocasião uma senhora conhecida por dona Custódia instalou uma hospedaria no lugar e por isso teria sido homenageada, a segunda é devido à presença de padres jesuítas que, fugindo de perseguições políticas foram acolhidos pelo povo de nossa terra, ficando “sob Custódia” que significa guarda e proteção. Esses mesmos jesuítas construíram uma capela dedicada a São José.

Os nossos antepassados já fizeram a sua parte. Cabe a cada um de nós, cidadãos custodienses, fazer a nossa. Por isso, o objetivo desse grupo é divulgar as notícias da terra, interagir com os que estão distantes e apresentar propostas para melhoria contínua de nossa cidade.

Somos todos responsáveis!

Sejam todos bem-vindos!

Leônia Simões

11 setembro, 2015

Exaltação a Custódia! 87 anos de Emancipação Política por Leônia Simões



Custódia, neste teu dia
De liberdade e de glória
Quero cantar em poesia 
Exaltá-la em verso e prosa
Fazer dos versos meu canto 
Pra cantar os teus encantos
Recordar a tua história.

Pra falar de um sentimento 
Que mesmo distante se sente
Pois é sentimento de gente... 
Que não se cansa de amar 
Não tem quem tire do peito
Ou arranque esse direito 
Esse meu jeito de amar

É com esse mesmo sentimento de amor profundo que deixo aqui uma reflexão para todos os custodienses sobre os 87 anos de Emancipação Política de nossa cidade: não é difícil constatar que todo o esforço coletivo para estabelecer as mudanças necessárias está longe se ser alcançado. 

De um lado os interesses menores daqueles que governam, do outro a pouca participação da sociedade. 

Os problemas dessa disputa interna se traduzem no baixo desenvolvimento da cidade em relação as suas vizinhas.

Por Leônia Simões

04 junho, 2015

A FUNDARPE DEU INÍCIO AO PROCESSO DE TOMBAMENTO DA MATRIZ DE SÃO JOSÉ DE CUSTÓDIA – PE


Caríssimos Custodienses,
Senhores Vereadores,
Comunidade Católica de Custódia,
Prezados Jovens,
Senhoras e Senhores!

A luta em defesa do patrimônio histórico brasileiro vem de longa data. Em 1937, Mário de Andrade assim disse: “Não basta ensinar o analfabeto a ler. (...) Defender o nosso patrimônio histórico e artístico é alfabetização”.

Em janeiro de 2014, o Vereador Chico Elizeu postou no facebook fotos da demolição da antiga casa paroquial e construção da nova secretaria, houve uma discussão “um tanto pacífica" no facebook, no blog de Custódia Terra Querida e na rádio Panorama FM de Custódia, em torno da reforma na Matriz de São José.

Em março de 2014, fui participar das festividades do nosso Padroeiro São José, e, aí me reuni com os conterrâneos Jorge Remígio, Jailson Vital, Fernando José, Francisco Nunes Queiroz, Rodrigo Burgos e Luciene Izidro (minha irmã, amiga e companheira de luta), para discutir o problema e participar da 1ª reunião da criação da Associação em Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de nossa cidade.

Na ocasião, estive também na Câmara de Vereadores, com Luciene, para defender a preservação do mais antigo e estimado patrimônio de nossa terra, que vem perdendo sua originalidade com as várias reformas sofridas ao longo dos anos. Alguns Vereadores da casa João Miro da Silva entenderam que esse era um “problema dos católicos”, outros, não se manifestaram, talvez por desconhecimento, ou, quem sabe, para não se indispor com o padre. Ledo engano! Defender e resguardar a identidade de um patrimônio histórico, neste caso, a Igreja Matriz de São José, é dever de todo e qualquer cidadão. “Cada indivíduo é parte de um todo, da sociedade e do ambiente onde vive, e constrói, com os demais, a história da sociedade.”

Quando voltei pra Recife, criei uma página na internet, chamada Patrimônio Histórico de Geração a Geração, no intuito de conversar, informar, orientar, ajudar a conhecer e ampliar a discussão como um processo educativo que visa à construção coletiva do conhecimento sobre a gestão e responsabilidade da preservação do patrimônio, seja ele, cultural ou natural.

No dia 22 de abril de 2014, fui a FUNDARPE e dei entrada no processo de Tombamento da Matriz de São José. Em 17 de setembro do mesmo ano, a instituição supracitada publicou no Diário Oficial do Estado o Edital que deferiu a proposta da Associação, ficando assegurado ao referido bem, até a resolução final, o mesmo regime de preservação dos bens efetivamente tombados. Esse processo é decorrente da discussão, da reunião, dos representantes dessa associação.

Em 27 de novembro, o mesmo Edital, foi publicado também no Jornal do Commercio. Isso significa dizer que esse é o primeiro passo para o atendimento ao nosso pedido principal, que é o de TOMBAMENTO da IGREJA MATRIZ DE SÃO JOSÉ, em razão do seu valor histórico e Cultural, não sendo possível sua alienação, nem tampouco a desconfiguração das linhas arquitetônicas.

Vale ressaltar ainda que a Constituição Federal no Artigo 216, estabelece que é função da União, do Estado e dos Municípios, com o apoio da comunidade, preservar os bens culturais e naturais brasileiros, dando especial atenção aos sítios arqueológicos.

O tombamento é um ato administrativo realizado pelo poder público com o objetivo de preservar, através da aplicação da lei, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico e ambiental para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados.

É necessário deixar claro que aquele que ameaçar ou destruir um bem tombado está sujeito a processo legal que poderá definir multas, medidas compensatórias ou até mesmo a reconstrução do bem como estava na data do tombamento dependendo do veredicto final do processo.

De acordo com a FUNDARPE, a Nota Técnica esclarecendo a situação do processo aos proponentes será encaminhada a Diocese para esclarecimento das prerrogativas de preservação que pesam sobre a Igreja Matriz de São José de Custódia, no entanto, a notícia do Edital publicado pelos jornais acima citados, provavelmente, já chegou ao conhecimento do padre e da própria diocese.
Quanto a mim, estava aguardando essa notificação para poder comunicar a notícia a todos. Entretanto, fiquei sabendo que novas reformas estão sendo realizadas pelo Padre Roberto Luciano, que apesar de ter sido questionado, antes, por moradores e custodienses distantes, quando da retirada das escadarias, continua fazendo suas mudanças.

A FUNDARPE me disse que, independente dessa NOTA TÉCNICA, eu poderia divulgar o processo. Assim sendo, por amor a Custódia e pela preservação da Matriz de São José, comunico a todos os custodienses presentes e distantes que, o processo de Tombamento da nossa Matriz de São José está em andamento para que as gerações futuras tenham o direito de conhecer o passado e preservar a memória do mais lindo cartão postal da nossa cidade.

Por fim, é importante ressaltar que essa ação, ora em andamento, não é contra a Igreja, não é contra o padre Roberto Luciano, não é contra a fé católica, mas, tão somente para preservar a Igreja de São José, cartão postal da nossa cidade, de indiscutível valor histórico.

Respeitosamente,

Leônia Pinto Simões

22 março, 2015

Custódia, o açude DNOCS e a crise de água.


por Leônia Simões


Hoje o dia amanheceu chovendo! Nada melhor que a chuva para relembrar o Dia Mundial da Água instituído pela ONU em 22 de março de 1992. Esse dia nos chama a atenção para o uso racional da água e os cuidados fundamentais para garantir qualidade de vida para nós e para as gerações futuras.

Quem não se lembra do refrão daquela música “Lata d’água na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria...” Pois bem, Não só lembro a música, como também de quando não existia água encanada em Custódia. Meu pai, como a maioria das pessoas, comprava o precioso líquido aos carroceiros que, passavam vendendo de porta em porta. Tinha também um chafariz na Rua da Várzea que as pessoas podiam encher suas latas e tomar banho nos banheiros públicos que “Maria de Aranha” era responsável. Essa água era puxada por um motor.

Em casa, mamãe tinha o maior cuidado para não deixar faltar, ela não permitia que a gente desperdiçasse nenhuma gota. Muita gente construía cisterna para coletar a água da chuva que era coada e filtrada. Quem não tinha filtro de barro, fervia e guardava no pote, na quartinha ou na jarra. A lição era essa: não basta ter água, é preciso saber usar e guardar bem.

A região nordeste sempre esteve associada aos cenários devastadores da seca que castigam sua população há muitas décadas. As políticas adotadas, pelos governantes, para o nosso semiárido são questionadas até hoje, pelo caráter emergencial, fragmentado e descontínuo, especialmente, no que diz respeito à conservação e recuperação ambiental.

Vale lembrar algumas questões fundamentais tais como: o rio Moxotó ( que banha nossa cidade) não é perene. É preciso preservar seus principais afluentes. É importante ressaltar também que, a falta de planejamento na gestão dos recursos hídricos da região aumenta os problemas da população com reflexos diretos na qualidade de vida, no bolso das pessoas e na economia local.

Por fim, quero ver o açude do DNOCS limpo, transbordante e mandando água para as torneiras de todos os custodienses. Afinal de contas, a água é um bem comum e um direito de todos, fazer uso político da crise como instrumento de negociação do voto com perfuração de poços e cacimbas para favorecer uma minoria é crime.

19 março, 2015

São José, um amor que não passa... Por Leônia Simões


Hoje, 19 de março dedicado ao Glorioso São José, Padroeiro de Custódia e de tantas outras cidades, quero reafirmar o meu amor e a minha devoção ao patrono das famílias e protetor da Santa Igreja.

O meu compromisso com São José vem desde a minha infância porque mamãe nos ensinou (a mim e aos meus irmãos) a amá-lo desde sempre. Esse amor é baseado nos princípios éticos e cristãos, na vida humilde e santa de José, nas suas virtudes, na sua obediência a Deus como esposo fiel da Virgem Maria, no conhecimento de sua história como pai adotivo de Jesus e nos valores deixados pela sagrada família.


Entre tantos títulos São José é considerado o padroeiro dos agricultores. Por isso, a espera de chuvas para este dia (19) tem um significado especial. Caso isso aconteça, será o sinal de que o inverno vai ser muito bom. Caso contrário, a estiagem é dada como certa.

Embora tenha planejado ir a Custódia como sempre faço nessa época do ano, infelizmente, não deu. Porém, mesmo não estando presente, fisicamente, o olhar de São José vela por mim. De minha parte, e, como forma de agradecimento por tantas graças recebidas, esteja eu onde estiver, cantarei os seus louvores por toda minha vida.

Ó Divino São José, protegei minha família, abençoai minhas filhas... Daí ao povo de Custódia, de Recife, do Brasil e do mundo inteiro a paz e a prosperidade.

Obrigada, meu amado e inesquecível São José!

11 setembro, 2014

Por amor a Custódia - Leônia Simões (2009)



Custódia Terra Querida 

Hoje é aniversário da minha terra natal...
Pensei na melhor maneira de homenageá-la
Declarando um amor incondicional...
Começando assim...
Cidade do Padroeiro São José
De um povo religioso e pacato, 
Hospitaleiro e acolhedor em sua essência...
Um amor incondicional... É o que sente teus filhos.
Perto ou longe de ti, o teu nome é lembrado.
Misto de saudade e alegria o coração invade...
Saudarão sempre teus filhos, ó Custódia amada!
Em 11 de setembro de 1928, foste alforriada,
És soberana pela tua audácia...
Transborda em teu seio a Divindade.
Ostensório onde guarda o Cristo, também és chamada 
Com tantos predicados assim,
És cidade abençoada!
Ó cidade querida, teu porte juvenil não condiz com a tua idade!
Tens tudo para crescer com essa maturidade...
Lutas por mais expressão no cenário do Estado
Despontas como uma estrela que, brilha na constelação!
Dotada de muita doçura e singular singeleza...
Teu calor de Terra-mãe já está cristalizado...
Iluminada e festiva nestes teus 80 anos
Quero dizer-te ó Custódia, do fundo do coração.
Tens o luar mais bonito do nosso querido sertão... 
Amor incondicional, reafirmo!
Porque muito mais que uma cidade...
És torrão inesquecível!
Parabéns Custódia!!!
Parabéns a todos os custodienses
E a todos que a adotaram como terra – mãe.

Texto/Leônia - 2009