28 dezembro, 2023

Januncio Siqueira faz 35 anos de carreira neste mês de dezembro



No último dia 21 de Dezembro, o cantor e compositor custodiense, Januncio Siqueira, completou 35 anos de carreira. com sua banda Forró Megaxote. Em sua carreira, constam 14 trabalhos, e mais de 135 composições de sua autoria, muitas interpretadas e gravadas por diversos artistas. 30 canções gravadas de outros artistas.

Sua carreira teve início numa banda de baile no longínquo ano de 1979. A banda era RJ7, do seu Professor Rubinaldo José. Pai de Romário Som, um dos melhores equipamentos de som do Estado de Pernambuco. 

Desde criança já tinha o dom pela música regional nordestina, cresceu ouvindo as canções de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Trio Nordestino entre outros artistas. Ainda garoto, foi convidado para cantar em uma banda. Nunca perdeu sua fidelidade pela música raiz, o forró pé de serra. Conquistou vários prêmios, com sua luta pelo forró autêntico e pela cultura nordestina. 

Parabéns Januncio!!!!

Para ouvir ou baixar suas composições e discos lançados, acesse: AQUI



27 dezembro, 2023

Bisaco do Cordel perde Luciene Maria. Poesia de luto


Esta semana, o Bisaco do Cordel, sofreu uma baixa, com a precoce partida de Luciene Maria, esposa do poeta Marcos Silva. Juntos comandavam diariamente o BISACO DO CORDEL, um canal de divulgação para a poesia e cultura popular. Eram casados há 23 anos, residiam em São Paulo. Sempre que podiam, visitavam a terra natal.


O casal que Deus criou
Tinha uma mulher cortez
Pouco tempo na cultura
Muito por ela, ela fez
Deus levou ela pra Ele
Deixando eu pra vocês.

Quero pedir pra vocês:
Não esqueçam da rainha
Das canções deste Bisaco
Que grande vontade tinha
De manter a nossa página
No prumo, no rumo e linha.

Marcos Silva.

 

Fica aqui nossos votos de Condolências a família neste momento de dor. 

A poesia perdeu uma grande incentivadora, mas seu legado será mantido, com a continuação do trabalho realizado pelo BISACO DO CORDEL, com o incansável poeta Marcos Silva. 




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Tambaú Alimentos é premiada no Destaque Melhores do Ano 2023 da Rede Pernambuco de Supermercado,


Gostaria de compartilhar com vocês que quinta-feira, dia 21, recebi em nome da Tambaú Alimentos uma premiação Destaque Melhores do Ano 2023 da Rede Pernambuco de Supermercado, associação com mais de 160 varejista de Pernambuco na categoria Melhor Goiabada.

Aproveito para desejar um Feliz e Próspero Ano Novo.
Que venha com toda alegria 2024!

Hugo Gonçalves

09 dezembro, 2023

Diretor do Colégio Ernesto Queiroz representará o Estado em Evento Nacional


O Diretor do Colégio Municipal Ernesto Queiroz, Rogério Rodrigues de Oliveira, foi indicado pela Secretaria de Educação de Pernambuco entre os 5 Diretores Escolares que se destacaram com boas práticas de gestão escolar voltadas a alfabetização no ano de 2023. Os cinco diretores indicados foram submetidos a um processo seletivo, onde o vencedor representará o Estado de Pernambuco em um evento do CAED, no Rio de Janeiro. Após três etapas do processo seletivo, o custodiense Rogério Rodrigues, do Colégio Ernesto Queiroz, foi anunciado como vencedor. 

Esse projeto está sendo realizado pela Universidade Federal de Juiz de Fora - RJ, tem como objetivo destacar boas práticas de gestão escolar com ênfase na alfabetização. 

Na segunda semana de Janeiro de 2024, serão produzidos documentários com as melhores práticas de gestão escolar do Brasil, onde Pernambuco estará representado pelo Diretor Rogério.

Morada Jardim da Saudade - (Jorge Remígio)

 
Zé Burgos, D. Corina e Noêmia Burgos


Naquela calorenta terça-feira do dia 29 de janeiro de 1974, Zé Burgos estava meio que inquieto, mas nada excessivo que fosse observado como algo fora do seu jeito de ser. Porém, o diferencial era que alternava com momentos de pura introspecção. Curioso, justamente porque era mais comum vê-lo falando alguma coisa disparadamente, e quase sempre provocando risos. 

 Após o falecimento do seu sogro Joaquim Pereira da Silva, no ano de 1972, assumiu definitivamente o controle da farmácia da família, juntamente com a sua sogra, dona Corina Marques Pereira. Era um farmacêutico prático muito competente, e uma pessoa de um carisma inquestionável. Ele foi, para mim, a primeira pessoa preocupada com o social que conheci. Presenciei várias cenas dele na minha infância, adolescência e até na fase adulta, que atestam essa minha afirmação. 




Às 11:50 horas, como de costume, saiu da farmácia, era hora de ir até a sua residência almoçar. Porém, naquele dia seguiu o sentido oposto, entrando na residência de seu Chiquinho de Panfila, na Rua Padre Leão, dirigindo-se até ao bar que ficava no final da casa, com frente para a Rua Nemésio Rodrigues. Às 14:30 horas, horário que sempre retornava à farmácia após o almoço, nada de Zé Burgos. Meia hora depois, dona Corina já estava um pouco preocupada, pois ele sempre avisava quando ia atrasar. Nesse momento, um rapazinho entra na farmácia e informa para dona Corina que Zé Burgos estava bebendo no bar de seu Chiquinho e que comentava muito sobre o pai, lembrando para todos que estavam presentes, que naquele dia era aniversário da sua morte. “Dona Corina, ele disse que vai para Sítio dos Nunes onde o pai está enterrado, já chamou até Zé do Bode para levá-lo, e a Rural está na frente do bar”. Dona Corina pediu, por obséquio, que a pessoa fosse até a casa da sua filha Noêmia, avisar do que estava se passando. Dona Noêmia, ao tomar conhecimento, além da preocupação, pensava em como interferir na decisão do marido. Quando Zé Burgos botava uma coisa na cabeça, todos sabiam como era difícil demovê-lo da ideia. Lembrou dos filhos de Claudionor, primo do seu esposo, e sabia que Zé Burgos, tinha uma grande atenção a eles, era impressionante. Foi de imediato à casa de Claudionor que ficava muito próximo a sua e, quando chegou, avistou minha mãe na sala e falou ofegante: “comadre, Zé Burgos está bebendo no bar de Chiquinho, já tomou todas, e está dizendo que vai para Sítio dos Nunes, quer visitar o túmulo do pai, diz que hoje é aniversário de sua morte e tem que visitar de todo jeito o local onde ele está sepultado. Comadre, o pai de Zé Burgos morreu em 1924, ele não tinha nem dois anos de idade”. 



Sérgio com 12 anos com a mãe Osanira



Hoje

Naquele momento, dos filhos de Claudionor, só se encontrava Sérgio, que era o mais novo, com 12 anos. Foi pedido a Sérgio que se dirigisse correndo até o bar, pois poderia nem mais encontrar Zé Burgos no local. Sérgio saiu em disparada, e enquanto corria com todas as suas forças, pensava em como fazer Zé Burgos desistir daquela viagem improvisada.  

Claro que não deu tempo para elaborar nada em seu cérebro, mesmo diminuindo intensamente a velocidade de sua correria, ao avistar a rural ainda em frente ao bar. Quando adentrou no estabelecimento de seu Chiquinho, deparou-se com Zé Burgos em uma mesa cheia de garrafas vazias de cerveja, e Zé do Bode, sentado em uma mesa ao lado, só esperando, como se diz no jargão militar, a voz de comando. Zé Burgos ao avistar o primo, fala alto e sorridente “Serginho, você chegou em boa hora, Chiquinho, traz mais uma saideira e um guaraná prá Sérgio, vamos para Sítio dos Nunes e você vai comigo visitar o túmulo do meu pai.” Sérgio já sabia desse intento, porém, não estava em seus planos fazer essa viagem, muito menos para um cemitério. 

- E agora, fazer o quê? 

Calculou. Eram 15:30 horas, uma viagem para Sítio dos Nunes não leva mais do que meia hora, pois só são 20 KM, muito próximo. Com folga, às 16:00 horas chegaremos ao cemitério, e ainda retornaremos com a claridade da tarde, mesmo que as preces e meditações se estendam um pouco. Perfeito. Entraram finalmente na Rural e seguiram viagem na BR 232. Realmente, a viagem foi tranquila e Sérgio respirou aliviado quando avistou as primeiras casas. Porém, subitamente, Zé Burgos fez um pedido inesperado ao condutor. “Zé do Bode, antes de irmos até o cemitério, quero rever meu primo Zé Velho, ele tem um bar aqui pertinho na rua Dr. Santana Filho. É meu parente também, pois meu pai era Antônio Burgos de Santana.” Nesse momento Sérgio acendeu o alerta, tinha que recalcular todo o seu plano. Zé Burgos, ao entrar no bar, foi saudado calorosamente pelo primo Zé Velho e outros parentes que estavam ali. O anfitrião abriu logo uma cerveja e em seguida foi dizendo para Zé Burgos o grau de parentesco de alguns que se encontravam no local. 

Todos passaram a se confraternizar embalados pelas Brahmas que eram abertas seguidamente e em pequenos intervalos, um guaraná para Sérgio, que pouco tempo depois passou a recusar, alegando que o bucho não aguentava mais. Sim, a sua grande preocupação agora era com o falecimento do sol, e o horizonte quase opaco, já não mais refletia a luz. Sérgio constatou isso, pois a todo instante, impaciente, saia na calçada e olhava o sol descambando velozmente lá prás bandas de Serra Talhada. Ir no cemitério durante o dia, para ele, era até suportável, mas à noite? Passou a ter calafrios, medo, pânico mesmo, imaginando a morada dos mortos no escuro.





A noite chegou, agora não fazia mais diferença alguma os minutos e nem as horas, a realidade era a mesma, a escuridão. Até imaginou a possibilidade de Zé Burgos desistir da visita noturna, porém, foi um ledo engano, pois justamente nesse momento, Zé Burgos pediu para um dos primos comprar um maço de velas em uma bodega próxima. Morrendo de medo das almas, mas agora teria que encarar aquela empreitada, pois não podia interferir numa quase promessa do seu primo valoroso. Ao receber o pacote de velas, Zé Burgos o abriu de imediato e entregou uma vela para Zé do Bode e outra para Sérgio, pois queria que eles compartilhassem daquele momento de sentimento fúnebre. Foram feitas as despedidas de praxe, e, em seguida, entraram na rural com destino ao campo santo, o qual não ficava distante. Sérgio, com os batimentos cardíacos acelerados, começou a rezar baixinho, pois só um milagre impediria de transitar entre túmulos, cruzes de madeira e até alguma cova aberta. O medo estava explícito em seu semblante. A rural saiu lentamente na rua que dá acesso a BR 232, e em uma fração de minutos ouviu-se um barulho, alguma coisa havia caído no piso do veículo. Zé do Bode olhou à sua direita e viu o maço de velas no assoalho, e falou baixinho. “Sérgio, Zé Burgos dormiu” A rural já estava parada e a pista cruzando a frente. À direita de onde estavam, havia uma placa informativa.


“CEMITÉRIO MORADA JARDIM DA SAUDADE a 300 metros.” E agora? Zé do Bode olhou para Sérgio e não falou, mas os gestos e olhares substituíram qualquer palavra naquele momento conflitante, até porque temiam acordar Zé Burgos. Sérgio parecia despertar de um pesadelo, e com as duas mãos, olhando para Zé do Bode, gesticulava freneticamente na direção leste, à esquerda, para Custódia, “meu Deus, que alívio, minhas preces foram ouvidas” O retorno foi mais veloz, porém, a necessidade de se chegar logo, tornou-se angustiante. A rural parou em frente à casa número 55 da Rua 20 de Julho, e dona Noêmia encontrava-se à sua frente. Zé Burgos acordou do sono breve e Sérgio foi o primeiro a sair do carro. Ajudou seu primo a sair e dona Noêmia agradeceu a Sérgio pela companhia que fez a seu esposo. 
 

“Não foi nada, dona Noêmia, foi tudo tranquilo.” Enquanto se dirigia para sua casa na Rua Padre Leão 12, pensou: “será que Zé Burgos quando acordar amanhã, vai pensar que tudo isso foi um sonho? Ou também poderá imaginar que a corrida com Zé do Bode limitou-se do bar de seu Chiquinho para sua residência? A vida imita a literatura!" Entendeu? compreendeu?  

Zé Burgos faleceu no início da noite, do dia 25 de fevereiro de 1978, aos 55 anos e quatro meses.  

 
Obs. Estamos esperando uma foto de Zé do Bode, tão presente nesta crônica.  

Texto de Jorge Remígio 
Recife, 06 de dezembro de 2023 

Marketing da Tambaú marca presença em evento exclusivo da TV Globo


A executiva de marketing da Tambaú, Raissa Gonçalves, participou do Roadshow Globo 2024, evento realizado na sede da TV Globo, no Recife. Voltado para agências de propaganda e clientes da emissora, o evento mostrou as novidades em formatos de anúncios do canal, que estão sendo elaborados para o ano que vem. Tem coisa boa chegando por aí! 📺

Placa indicando Custódia (Marcos Silva)


 
FAÇO QUESTÃO DE MOSTRAR E DESMENTIR OS COMENTÁRIOS CONTRÁRIOS.

- Não tem placas indicando a cidade de Custódia! Tem sim! É só querer fotografar. Eu fiz questão de registrar em 9 julho.

Saindo da capital
Siga sempre a direção.
Na BR 232
Cravada naquele chão.
Pesqueira tá no Agreste
Arcoverde no Sertão
Tem Custódia é sertaneja
Minha terra, meu rincão.

Marcos Silva.

08 dezembro, 2023

Tambaú no Prêmio Carrinho de Ouro 2023



A Associação Pernambucana de Supermercados (APES) reuniu no Arcádia Apipucos, Zona Norte do Recife, empresários do setor supermercadista para a última edição do Prêmio Carrinho de Ouro. O evento marca a celebração do Dia Nacional do Supermercado, comemorado em 12 de novembro.

Concedido anualmente pela APES, o Carrinho de Ouro é o mais valioso e esperado prêmio destinado aos destaques do setor no Estado. O propósito é mobilizar o mercado em torno de empresas e pessoas que, ao longo deste ano, despontaram em suas áreas de atuação.

A Tambaú foi uma das empresas apoiadoras do evento e foi representada pelo presidente Hugo Gonçalves junto a Raissa Gonçalves (executiva de marketing), Thais Guimarães (assistente de marketing), Luiza Andrade (assistente de marketing), Mariana Gonçalves (trainee) e Anúzia Torres (representante de vendas).

07 dezembro, 2023

[Download] Este é o DNOCS de José Antunes de Oliveira



O Engenheiro Agrônomo José Antunes de Oliveira formado na UFRPE, com curso de Pós Graduação em Engenharia de Irrigação, está divulgando mais um trabalho de valorização e importância do DNOCS.


Conheça um pouco do autor e sobre seu período como Gerente do DNOCS acessando:

https://custodia-pe.blogspot.com/2020/10/jose-antunes-de-oliveira-dnocs-de.html


Chegou em nosso município em 1975, assumindo a chefia de explotação. Depois se tornou Gerente.

ESTE É O DNOCS,
esta sendo compartilhado para todos, tendo em vista, levar ao conhecimento da importância do Órgão no desenvolvimento do Nordeste.


Para baixar o arquivo, basta:

CLICAR AQUI

(escolha Abrir Com para visualizar, ou na setinha para baixo ⬇️, para baixar o arquivo em seus computador, celular ou tablet.

Boa Leitura
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06 dezembro, 2023

“Quero tornar a Tambaú uma empresa nacional” (Hugo Gonçalves)

Hugo Gonçalves, presidente da Tambaú conta como seu pai ergueu uma das maiores indústrias alimentícias do Nordeste começando a vender, aos 14 anos, nas ruas de Sertânia, pirulitos feitos em casa. Também fala da segunda e terceira gerações da empresa familiar e dos planos para ganhar o mercado brasileiro.


Aos 14 anos, Gerson Gonçalves de Lima era um garoto pobre de Sertânia, no Sertão do Moxotó, que um dia disse ao pai não ter vocação para estudar e que queria ganhar seu próprio dinheiro. A resposta paterna veio em forma de sugestão: que tal fazer pirulitos na cozinha de casa para vender? Proposta aceita, Gerson em pouco tempo já não dependia dos recursos da família, com os trocados que passou a ganhar. Um sucesso que levou seu pai a sonhar mais alto ao propor comercializar doces de frutas tropicais. Montaram uma fabriqueta na vizinha Custódia, onde produziam delícias a partir da goiaba, abacaxi, caju, jaca e até do leite. Tudo feito com receita caseira da família.

A produção caiu no gosto do consumidor e transformou a fábrica de Gerson, a Tambaú, numa das maiores indústrias de alimentação do Nordeste. Hoje presidida pelo seu filho, Hugo Gonçalves, a empresa conta com 650 funcionários e produz uma média de 5 mil toneladas de produto acabado por mês – 60 mil toneladas por ano. Hoje, o portfólio é bastante diversificado e inclui, principalmente, derivados de tomates. Essa, aliás, foi mais uma inovação de Gerson. O motivo? “Meu pai disse: `é um mercado muito maior do que o de doces’. Foi uma decisão acertada porque hoje os atomatados representam mais de 70% do nosso faturamento”, ratifica Hugo.

Nesta entrevista online a Cláudia Santos, o presidente da Tambaú conta a trajetória da empresa familiar que teve um crescimento de 50% entre 2019 e 2023, mantido sustentável até hoje. O que também permanece é a decisão de manter a fábrica em Custódia, apesar de todos os percalços de se produzir no Sertão. Hugo, porém, tem planos ousados: “pensamos em ter uma outra unidade industrial para poder tornar a Tambaú uma empresa nacional”. É o DNA de empreendedor arrojado de Gerson que persiste na outra geração.

Como começou a história da Tambaú?

A Tambaú é uma empresa familiar, fundada pelo meu pai Gerson Gonçalves de Lima. Ele era de uma família humilde de Sertânia e, aos 14 anos, disse para o meu avô que não tinha vocação para estudar. Queria ganhar o dinheiro dele e que seu sonho, desde a infância, era ter uma indústria. Foi quando meu avô deu a ideia de começar a fazer pirulitos na cozinha da casa deles. Meu pai saía pela cidade vendendo e no final do dia passava na mercearia, comprava o açúcar que era matéria-prima para o dia seguinte. E foi ganhando dinheiro, não tinha mais a dependência dos pais. Um dia meu avô disse: “Gerson, vamos fazer doces de frutas tropicais”. Naquela época, há 60 anos, na região onde estavam, havia muita produção de frutas porque não havia estiagens tão fortes. Eles alugaram uma outra casa em Custódia onde meu pai montou uma fabriqueta.

Inicialmente produziam doce de goiaba. Meu pai era uma pessoa que sempre valorizava a inovação e começou a fazer doces cristalizados, que é aquela mariola. E aí foi de fato, o início da Tambaú. Antes o nome do produto era Goiabada Telma. Depois meu pai teve uma experiência de sair de Custódia para Campina Grande, onde achava que tinha condições de crescer mais rápido por ser um grande centro comercial. Mas chegando lá, percebeu que não havia produção de frutas como na região de Custódia. Ele ainda passou uns dois anos, depois voltou.

E veio com três nomes que faziam referência à Paraíba: Tambaú, nome da praia em João Pessoa, Borborema, Campina Grande é conhecida como a rainha da Borborema (referência ao planalto onde fica a cidade) e Cariri (nome da região sertaneja). A família inteira falou que Tambaú era mais bonito. Ele registrou esse nome e inclusive os primeiros rótulos tinham uma alusão a uma praia, com um coqueiro e o mar. Mas, depois, fomos interiorizando mais esse nome, tiramos esses elementos do rótulo e hoje Tambaú, pernambucanamente, é um nome muito forte porque a empresa fez 62 anos, prosperamos e perpetuamos o legado de meu pai.

Como era a característica dele como empreendedor?


Ele era uma pessoa que valorizava muito a inovação, não se contentou em fabricar somente doces de goiaba. Depois, passou a produzir também de banana, caju, jaca, abacaxi. Quando a empresa fez 25 anos ele disse: “agora vou trabalhar com atomatados”. Perguntei para ele, por que o interesse de entrar nessa área. Ele disse: “é um mercado muito maior do que o de doces”. Como de fato é. Foi uma decisão acertada porque hoje os atomatados representam mais de 70% do nosso faturamento.

E em 1997, meu pai foi diagnosticado com câncer de próstata, fez cirurgia e vários tratamentos, mas, no ano 2000, veio a falecer. A Tambaú já era uma empresa bem estruturada e nós nos reunimos – eu, minha mãe, meus irmãos – e, por decisão unânime, passei a ser o presidente, embora fosse o filho mais novo. A empresa começou com meu pai e meu avô, somos a segunda geração e já tem membros da terceira geração trabalhando na empresa.

De onde vinham as receitas dos doces?

De minha avó, que tinha a habilidade de fazer doces; e meu avô também. Eles passaram muita receita e uma coisa que também faz parte do nosso DNA, que é fazer produtos com foco para o Nordeste. Pessoas de São Paulo, às vezes, comiam nossos doces em calda e achavam muito açucarados, mas nossa região foi colonizada em cima da cana-de-açúcar que, na culinária nordestina, tem um peso muito forte. O nosso ketchup, campeão de vendas, nós o chamamos de “ketchup nordestino” porque é um produto mais adocicado e é o mais vendido porque agrada ao paladar do Nordeste.

A Tambaú deixou de fabricar alguns doces. Por quê?

Pois é, tínhamos doce de leite, de jaca, de abacaxi, de caju. Eles vendiam muito, mas por causa da estiagem, não temos mais a matéria-prima. Antes, em Custódia, recebíamos 2 mil litros de leite por dia, depois foi reduzido para 1.500, depois para 1000, cada vez mais foi reduzindo a produção e percebemos que não compensava trabalhar com uma quantidade muito pequena, então retiramos de linha. A produção de jaca na região chegou a zero. Eu já tive casos de passar três anos sem entrar nada de caju.

Aí você pergunta e a goiaba não afetou? Afetou, mas São Paulo é um grande produtor de goiaba, e compramos dele a polpa. Paralelo a isso, foi surgindo a fruticultura irrigada do Vale do São Francisco que independe de seca. Hoje compramos uma produção muito grande de lá.

Mas a matéria-prima que mais consumimos é o tomate. Não processamos tomate na fábrica porque, para processar, é preciso muita água, que a gente não dispõe. Por isso, compro o concentrado de tomate normalmente do Centro-Oeste, a região que mais produz tomate do Brasil. Aqui, diluímos o concentrado para fazer molhos, ketchup, extrato de tomate, a própria polpa de tomate. Também temos a opção de importar, a depender dos preços internacionais. Às vezes, é mais vantagem importar do Peru, do Chile ou mesmo da China, que é uma grande produtora e o país que mais processa tomate no mundo e exporta para a Europa, os Estados e para o Brasil.

Uma coisa que gosto de ressaltar é que de 2019 a 2023, que coincide com o período da pandemia, a Tambaú teve um crescimento muito acentuado de 50%, que vem se mantendo de forma sustentável, consistente, sem criar nenhum gargalo. Claro que existem os gargalos para atender mais pedidos, porém estamos fazendo os investimentos necessários para poder ampliar a produção e a frota de veículos, para fazer esses atendimentos.

Qual a causa desse crescimento?

Todas as indústrias de alimentos na pandemia tiveram um crescimento grande, porque foi um dos setores que não parou naquele período. Se parasse, haveria desabastecimento seria muito traumático. O governo concedeu a ajuda emergencial que se revertia em compra, principalmente de alimento. Além disso, muitas indústrias dos eixos do Centro-Oeste e do Sudeste, que atendiam o mercado daqui, tiveram um crescimento de vendas nas suas regiões muito grande. E, em razão da logística, havia muito carreteiro que não estava querendo viajar para o Nordeste. Então criou-se um vácuo na região que as empresas nordestinas ocuparam.

Para você ter uma ideia, tínhamos alguns produtos que concorriam com o de empresas do Centro-Oeste e Sudeste, como mostarda, que antes não vendíamos tanto. Como criou esse vácuo, passei a vender muita mostarda, assim como azeitona. E esse crescimento permaneceu. Aquele espaço que ganhei na pandemia, eu não perdi em seguida.

O consumidor experimentou seus produtos, aprovou e continuou a consumi-los?

Exatamente. Aqueles nossos produtos que os consumidores chegaram a provar pela primeira vez, eles gostaram e permaneceram fiéis. A pandemia teve a parte ruim de perdas de saúde e de vidas, mas deixou muitos aprendizados para o mundo. Esse tipo de reunião que eu estou fazendo contigo, uma videoconferência, quase não fazíamos antes. Aprendemos a fazer e agora isso é um legado que apropriamos.

Seus irmãos trabalham com o senhor também?

Todos os meus irmãos trabalham na empresa e eu já tenho filhos adultos que também trabalham em cargo de gestão. Meu filho mais velho, Igor, é gerente de vendas, uma área de muita responsabilidade porque é quem transaciona toda essa questão de atender o cliente, de desenvolver novos mercados. Mas ele vem fazendo isso com muita maestria e passou por essa prova de fogo que foi a pandemia, porque ele já vem nesse cargo há mais de 10 anos. Meu irmão Iuri é diretor financeiro, e minha irmã Maura é diretora administrativa.

Apesar de toda a dificuldade de produzir no Sertão, a Tambaú continua em Custódia. Por quê?

Nossa localização geográfica termina sendo, em termos logísticos, um diferencial. Num raio de 400 km, a Tambaú alcança capitais, como o Recife, Alagoas, João Pessoa, Natal e se dobrar esse raio para 800 km, alcançamos também as principais cidades. A localização termina nos favorecendo, embora soframos com a estiagem. E crescemos muito, eu confesso que crescemos além do que imaginávamos em Custódia, e já pensamos em ter uma outra unidade industrial para poder tornar a Tambaú uma empresa nacional.

O raio de atuação da Tambaú é o Norte e Nordeste brasileiro. Vale salientar que pesquisas da Nielsen apontam que o nosso ketchup nessas regiões é o mais consumido. Isso a gente vem conseguindo pelo oitavo ano consecutivo, disputando com multinacionais que lideram no mundo inteiro, como é o caso da Heinz.

Como estão esses planos de se tornar uma marca nacional. Onde seria a outra fábrica?

Estamos fazendo esses estudos, mas acredito que é um projeto para cinco anos à frente. Talvez vamos produzir no Centro-Oeste.

Qual a importância de uma fábrica como a Tambaú estar situada numa pequena cidade do Sertão?

Empregamos 650 funcionários diretos e isso para Custódia tem um peso muito grande porque toda cidade de interior tem uma certa carência de emprego. O que não acontece em Custódia. Não falo só da Tambaú, mas o próprio comércio de lá está sobrando vaga de trabalho. E nessa questão social, temos dado alguns apoios, como ao NACC que é o Núcleo de Apoio às Crianças com Câncer, e ao Imip. Em Custódia apoiamos vários atletas de corrida, de luta, de jiu-jitsu. A gente sempre tem esse espírito de retribuir o que a cidade vem nos dando. Então, apoiamos todas as festividades de Custódia, seja vaquejada, seja missa do vaqueiro.

Seu pai era muito inovador. Como vocês perpetuam essa característica dele?

Antigamente o extrato de tomate era vendido em copo com tampa de alumínio, depois veio aquela tampa que abre fácil, que tem um botãozinho de borracha, você puxa, extrai o ar. A primeira empresa do Nordeste a utilizar aquele tipo de tampa foi a Tambaú. Antes, os doces eram vendidos em lata, a primeira empresa do Nordeste a lançar a embalagem plástica também foi a Tambaú. Meu pai todo ano viajava para São Paulo, visitava as feiras do setor. Continuamos fazendo isso anualmente.

Meu pai também ia para feiras na Europa e a primeira vez que eu fui para a Alemanha foi para a Anuga e fui junto com ele. Este ano, estive lá novamente com Igor, Francisca que é a diretora industrial e Raíssa, que é quem conduz o marketing. É a maior feira de alimentos do planeta e a gente se inspira, vê lançamentos, tendências para poder servir de referência.

É importante você sempre acompanhar a transformação e as tendências nesse mundo da alimentação. Eu sempre digo que o sucesso do passado não vai garantir sucesso no futuro. A primeira empresa do Nordeste a lançar embalagens flexíveis de atomatado foi a Tambaú. Isso permite diferenciais que nos impulsionam. Essa foi uma decisão tão acertada que a gente hoje vende uma quantidade de molho bem significativa por ter acertado na embalagem.

Com tantos familiares na empresa, como é a relação de vocês, principalmente entre gerações?

Na qualidade de presidente, a palavra final é minha, mas não faço nada de forma autoritária. Quando não concordo com uma ideia, peço que me convençam de que ela é a melhor. Se eu não estiver convencido, mostro experiências passadas que não deram certo e explico que esse não é o melhor caminho e a gente termina se convencendo. Acho que esse embate de gerações é importante, eu lembro que na minha época, quando cheguei na fábrica, com 23 anos, formado, tinha alguns embates com meu pai.

Mas a melhor experiência que tive na vida, não digo que foi nem a faculdade, foi quando cheguei em Custódia, passei 10 anos ao lado do meu pai. Isso me propiciou um aprendizado muito grande que, mesmo depois da morte dele, a gente conseguiu dar continuidade ao seu legado. Em determinadas decisões que vou tomar, procuro ouvir a terceira geração e os funcionários para acertar o mais possível. Na medida que você escuta, você ouve, às vezes, uma opinião divergente da sua e isso propicia um enriquecimento, você tem a melhor escolha.

E quais são os planos da Tambaú?

Temos um comitê interno que abrange o marketing, o industrial, o comercial e fazemos reuniões periódicas para analisar novos produtos que podem fazer parte do nosso portfólio. Eu não vou te falar quais serão, porque ainda é segredo, mas existe uma lista de novos produtos a serem lançados. Como eu te falei, quero deixar o legado de tornar a Tambaú uma empresa nacional e para isso a gente precisa ter o apoio de uma outra unidade industrial. Sem ela, eu nem abro vendas para outras regiões, pois não iria conseguir atender. Já a unidade de Custódia tem como foco o Norte e Nordeste e a gente vem fazendo isso com muita maestria, com muita dedicação, com muita sensibilidade.

O que eu gosto de reafirmar é que ter essa sintonia, essa raiz com o Nordeste muito nos orgulha e nos enobrece, porque é uma região que desses últimos 10 anos muitas empresas passaram a enxergar também como seu mercado. Mas a Tambaú sempre teve a mente voltada para cá. A convivência com a seca, a ausência de malha ferroviária, as rodovias muito precárias, isso tudo procuramos superar, porque o importante para nós é chegar na casa do nosso consumidor nordestino e, para isso, todo o esforço vale a pena.

Entrevista publicada originalmente em ALGOMAIS "A revista de Pernambuco"