Mostrando postagens com marcador Artigos Jason Gonçalves. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigos Jason Gonçalves. Mostrar todas as postagens

05 setembro, 2022

Jason Gonçalves relata sua chegada a Custódia com seis anos.


Eu morei em Custódia, onde cheguei com cerca de seis anos de idade.

Morávamos na Rua da Várzea, numa casa em frente ao chafariz que fornecia água a toda a cidade e ao lado do "motor" que fornecia luz elétrica à cidade das seis ou sete da noite até as 9 ou dez horas.

Depois meus pais Amaro Gonçalves de Lima e Maria Alves da Silva instalaram o HOTEL CRUZEIRO, às margens da Central, que era a única estrada que ligava o Norte e Nordeste ao Rio de Janeiro, na época.

Esse hotel era o melhor, situado entre Arcoverde e Serra Talhada. Era ponto de parada quase obrigatório para todos os veículos que circulavam na região. Dessa forma, contribuiu muito para o desenvolvimento do município, já que era por meio dele que saía grande parte dos produtos agrícolas do município.

Eu e meu irmão Gérson muitas vezes transportávamos água do chafariz até o Hotel Cruzeiro, empurrando um barril que rolava ladeira acima e abaixo, empurrado por nós dois.

Muitos anos depois, meus pais instalaram o HOTEL SABÁ, deixando o Hotel Cruzeiro. Meu pai iniciou uma fábrica e confeitos, que depois passou a fabricar também doce de goiaba e queijo de manteiga.

Essa fabriqueta foi assumida pelo meu irmão Gérson, que transformou-a nessa potência da fábrica TAMBAÚ, administrada pelos meus sobrinhos Iuri Gonçalves, Hugo Gonçalves de Souza e Maura Gonçalves.

Saí de Custódia em 1946, com onze anos de idade. Fiquei voltando anualmente, onde passava sempre o mês de janeiro, de férias. Ao sair do seminário, com quinze anos de idade, permaneci vários meses.

Tinha vontade de namorar, porque já naquele tempo Custódia sempre teve lindas moças casadeiras. Mas eu não sabia nem conversar com as garotas, pois aina tinha a cabeça cheia das coisas com que os padres nos preparavam psicologicamente, para ter contato com o mundo exterior ao seminário, quando saíamos de férias.

Ainda hoje tenho, além dos sobrinhos, muitos primos, descendentes de Joaquim Pereira e Manoelzinho Gonçalves.

Por Jason Gonçalves de Lima

30 setembro, 2021

Amaro Gonçalves de Lima - por Jason Gonçalves


AMARO GONÇALVES DE LIMA, mais novo entre os numerosos filhos de José Gonçalves de Lima, proprietário rural no município do então “Alagoa do Monteiro”, começou a trabalhar, na segunda década do século XX, ainda adolescente, na agricultura. Como na época mal começavam a chegar ao Brasil os primeiros veículos automotores, enfrentava também, com o pai, longas viagens, tangendo tropas de burros carregados de algodão, de Monteiro até Recife. De lá voltavam, com a mesma tropa, carregada de outras mercadorias, que iam vendendo ao longo do caminho, até Monteiro. 


Aos 18 anos de idade, casou-se com Maria Alves da Silva, então com doze anos de idade e que viria a ser, ao longo da vida, sua grande estimuladora e colaboradora. Como sempre gostou de leituras, exercia certa liderança intelectual, no tosco meio rural em que vivia e cedo imbuiu-se das ideias já então dominantes, de que o futuro do Brasil estava na industrialização. Daí a razão por que vendeu as terras herdadas de seus pais e decidiu investir em atividades industriais. Começou, mudando-se para a cidade de Custódia, onde inaugurou uma pequena fábrica de confeitos. A cidade, ainda muito pequena, não contava com um comércio capaz de absorver a produção. 

Em vista disso, mudou-se para Sertânia (então Alagoa de Baixo), onde prosseguiu na mesma atividade. Durante esse período, seu filho Gérson (que no futuro viria a se tornar proprietário da Fábrica de Doces Tambaú, hoje INDÚSTRIA DE PRODUTO ALIMENTÍCIO TAMBAÚ, e do Hotel Macambira) com pouco mais de nove anos de idade, já dava amostra do que viria a ser, no futuro, agindo como vendedor de balas no comércio de Sertânia. Nisso era auxiliado pelo irmão mais novo Jason, cuja atividade consistia em carregar, na cabeça, um pequeno tabuleiro, com amostras dos produtos oferecidos. 

Não obstante ser maior do que Custódia, a nova cidade também não foi capaz garantir a sobrevivência da incipiente indústria, em que pese à “valiosa” ajuda daqueles dois. Por isso, aumentou atividade, investindo também em uma fábrica de alpercatas e outros calçados regionais. A despeito de todo esforço, estava prestes a se desiludir da atividade industrial e voltar para a agricultura. Todavia, foi convencido pela esposa a retornar a Custódia e adquirir um pequeno hotel de beira de estrada, por indicação de sua irmã Corina Marques Pereira e com o apoio do cunhado Joaquim Pereira da Silva, um dos próceres da cidade, o que ocorreu no início da década de 40. 

Mudou o nome do estabelecimento para Hotel Cruzeiro, que depois passaria a se chamar Hotel Sabá. Como era o único da cidade, era frequentado por juízes, promotores, advogados, professores e altos funcionários estaduais e Federais, que vinham periodicamente à cidade, como também pelas pessoas mais influentes do município, como fazendeiros e políticos. Como a rodovia que corta a cidade era, naquela época a única via de comunicação terrestre do nordeste e do norte do Brasil com o sul, o hotel tinha também a freguesia de numerosos camioneiros, pois era a única opção aceitável, entre Arcoverde e Serra Talhada. De início, o casal teve muitas dificuldades, devido sobretudo à falta de experiência no ramo, mas foram auxiliados e orientados pelos próprios hóspedes, como também sempre contaram com o apoio e o incentivo do casal Pereira e até mesmo do então prefeito Ernesto Queiroz. No Hotel Cruzeiro contaram com a ajuda das filhas adolescentes Mercês e Joaninha, que ajudavam a servir às mesas e lavar pratos, além de algumas sobrinhas vindas de Monteiro e poucas empregadas locais, todas bisonhas e inexperientes, dependentes de orientação para execução de qualquer tarefa. 

Com o tempo, adicionou à atividade hoteleira, o da indústria, voltando a investir na fabricação de doces, queijo e manteiga. Essas atividades acabaram por se transferir para o filho Gérson, que, dotado de grande talento empresarial, transformou-as nas empresas já citadas acima. 

Sempre preocupados com o futuro, proporcionaram a todos os nove filhos a oportunidade de estudar no Recife, como faziam várias outras famílias, já que, na época, a cidade só contava com o curso primário (hoje primeiro ciclo do nível fundamental). Incutiu neles, mais com seu exemplo do que com palavras o amor e a consciência de que é necessário estudar e trabalhar, para viver condignamente. Com seu esforço, o casal conseguiu fazer dos filhos: um grande, a nível local, industrial, um bancário, que chegou a gerente de agência do Banco do Brasil, um auditor fiscal e um engenheiro da Petrobrás. As filhas empregaram-se no serviço público, bem como em empresas comerciais, no Recife. 

Amaro Gonçalves de Lima e sua mulher Maria Alves da Silva foram dois lutadores, trabalhadores incansáveis, sem esperar benesses do Estado. Venceram na vida, com esforço próprio, conseguindo formar e garantir um futuro para os nove filhos. Criaram empreendimentos, com os quais beneficiavam produtos primários locais, proporcionando o ingresso na cidade de recursos financeiros, que contribuíram para impulsionar as atividades econômicas do município. Dessa forma, podem também, ser considerados construtores da pujante Custódia que hoje conhecemos.

Por Jason Gonçalves