20 setembro, 2026

Pesquisador e jornalista custodiense apresenta livro sobre alternativas para levar água doce ao semiárido nordestino

 



Após uma pesquisa científica nos principais repositórios de artigos, teses e dissertações disponíveis no Brasil, o jornalista e escritor Cristiano Jerônimo Valeriano, Mestre em Desenvolvimento Humano, acaba de ter no prelo o livro Águas de Sal - O desafio de irrigar no semiárido nordestino, Editora Dialética (São Paulo - 1ª ed. - 126 p.).

A obra aborda análises de conteúdo no que tange ao insistente flagelo provocado pela seca na região nordeste do Brasil e norte de Minas Gerais. A previsão é o livro e debate de lançamento ocorram entre dezembro deste ano e janeiro próximo. O projeto é iniciar as apresentações do livro para debates em cinco cidades de Pernambuco: Arcoverde, Custódia, Serra Talhada, Salgueiro e São José do Belmonte.

 Antecipa-se que a obra e a construção do seu projeto piloto estão baseados, cientificamente, nos dados sobre as precipitações pluviométricas, informações sobre o alto grau de evaporação na região, e a qualidade da água disponível na região.

O livro foi fruto do diálogo entre centenas de autores sobre, por exemplo, a realidade das áreas que já estão desertificadas, como uma parte do Norte da Bahia.




São 126 páginas que percorrem a realidade histórica, o êxodo rural, a qualidade do solo e a dessalinização responsável dos lençóis freáticos a fins de consumo humano, plantios e uso do resto (rejeito ou concentrado) para cria de tilápias e irrigação de plantas halófitas (resistentes ao sal) para produzir forragem para as criações.

RESUMO DA OBRA PELOS EDITORES

De acordo com o parecer final do Conselho Editorial da editora paulista, “Águas de Sal aborda um desafio decisivo para o desenvolvimento sustentável do semiárido nordestino. Cristiano Jerônimo reúne pesquisas, dados e experiências práticas sobre dessalinização, gestão comunitária e aproveitamento responsável dos rejeitos. A obra combina conhecimento técnico com clara preocupação social e ambiental. Sua abordagem acessível amplia o debate sobre segurança hídrica e alternativas produtivas para comunidades rurais. Por sua relevância e potencial de impacto, o livro merece ser publicado pela Editora Dialética.

 A EDITORA E O NOSSO INTUITO

A Dialética é a editora com mais indicações na história do Prêmio Jabuti Acadêmico, o principal prêmio de livros científicos do Brasil. Trata-se da segunda maior editora do país em catálogo, com presença em mais de 100 países, e publicação dos principais professores e pesquisadores do Brasil e do exterior. Para mim, publicar pela Dialética é, primeiramente, um marco para grafarmos a questão da seca e água, falta e presença de poços que extraem água salobra in natura que pode trazer prejuízos, mas que sabendo manejá-la, pode ser uma espécie de panaceia para o semiárido nordestino”, avalia o autor, Cristiano Jerônimo Valeriano, natural de Custódia, nascido no Sítio Mimoso, distrito de Quitimbu.



 QUEM É CRISTIANO JERÔNIMO VALERIANO

Cristiano é sertanejo, natural de Custódia, da Fazenda Mimoso, cujas terras abrigavam os ancestrais Dodô Tenório, Serapião Rezende, Francisco Domingues de Rezende,  Raimundo Rezende, Maria Marina Rezende e Odilon Jerônimo de Oliveira. Do lado paterno, é filho de Edson Valeriano do Amaral e da professora Diuza Jerônimo de Rezende Valeriano.

Na sua atuação como pesquisador e literato, Cristiano é jornalista, poeta e escritor, pesquisador com Mestrado em Desenvolvimento Social, na Universidade de Taubaté (Unitau/SP). Com Licenciatura em Letras - Língua Portuguesa; Pós-graduação em Docência do Ensino Superior (SER-Uninassau); Pós-Graduação em Inteligência Artificial Aplicada à Didática do Ensino.

Como jornalista, Cristiano Jerônimo atuou no Jornal do Commercio, Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco. Além disso, foi assessor de Imprensa - por três anos - do governador, prefeito e deputado federal por Pernambuco, Joaqui Francisco de Freitas Cavalcanti.

Em seu currículo, o autor conta ainda com oito anos como Secretário de Comunicação Social do Município de Camaragibe. Atuou em várias assessorias de imprensas. Atualmente, Cristiano produz literatura e é um dos analistas de conteúdo da Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco, lotado da ETEPAC, uma escola técnica com 11 cursos técnico profissionalizantes ofertados para todo o Pernambuco.

19 setembro, 2026

A alegria das Festas - Sevy Oliveira



No texto "A alegria das festas", integrante da obra Caminhos do Afeto (2004), Sevy Oliveira resgata com nostalgia e delicadeza as memórias do calendário cultural, social e religioso que marcava a vida da população de Custódia durante a sua infância. As celebrações eram impulsionadas pelo envolvimento da própria comunidade, que mantinha vivas as tradições e costumes trazidos pelos seus antepassados.   

O ano festivo iniciava-se com o fascínio do Ciclo Natalino, que estendia as suas comemorações até o Dia de Reis (06 de Janeiro). Nesse período, a cidade transformava-se com barracas de doces, parques de diversões, leilões dirigidos por Floriano Pinto para erguer a Casa Paroquial e os bailes com a “jazz” de Serra Talhada. 

A devoção expressava-se no presépio ornamentado por Tia Dona e na realização do pastoril no pátio da igreja, organizado pelo Padre Duarte e liderado por Darcira Florêncio e Neuman Florêncio nos cordões azul e encarnado. Nele, destacavam-se figuras como a Diana (Maria do Carmo Braga), a borboleta (Joany Pereira), a cigana (Zélia Sá) e o divertido Velho Félix.

Enquanto as crianças pediam "as festas" com cestas confeccionadas por Dona Luisa Pinto, a solenidade atingia o ápice na Missa do Galo. A celebração encerrava-se com a tradicional queima da lapinha ao lado da igreja, onde os fiéis atiravam à fogueira os seus pedidos, e com o Reisado, cujos duelos de espadas e trajes vistosos preenchiam a Rua do Rio (atual Rua Tenente Moura).   

A rotina escolar era em seguida interrompida pelo Período Carnavalesco, anunciado logo cedo pela voz do preto Alaíde. Iniciado no sábado de "Zé Pereira" — personificado por Isaías Queiroz e Floriano Pinto —, o evento trazia um cortejo de papangus, a animação do "entrudo" com banhos coletivos e o arremesso das "laranjinhas" de parafina recheadas com água de cheiro, preparadas por Tia Alexandrina. Os blocos de Cari e de Seu Amaro Gomes animavam as tardes, enquanto as noites ganhavam sofisticação nos bailes à fantasia do Bar Phoenix, de Tio Né.   

Em março, as atenções voltavam-se para a Festa de São José, padroeiro do município, com especial expectativa para o dia 19 de Março, tido como prenúncio de boas chuvas. Com novenários, tiros de bacamarteiros, retretas da banda de pífano de Zé Biá na Pracinha Ernesto de Queiroz e teatrinhos de mamulengo, o festejo reunia moradores e custodienses ausentes. O encerramento dava-se com um elegante baile no Bar Phoenix e a procissão solene pelas ruas da cidade.   

Com o fim da Quaresma, a Semana Santa cobria a cidade de solenidade, do Domingo de Ramos à Páscoa. O Padre Duarte conduzia o lava-pés na Quinta-Feira Santa e a prédica da procissão do Senhor Morto na Sexta-Feira, momento abrilhantado pelos cânticos de Zé Florêncio. Pela manhã, a população fazia a peregrinação ao Cruzeiro — aproveitando para quebrar o jejum nos umbuzeiros e na fábrica de doce japonês de Joaquim Pinto —, reservando o Sábado de Aleluia para a divertida caça e execução dos bonecos de Judas no Centro.   

O Mês de Maio trazia o encanto do Exercício Mariano. Diariamente, meninas vestidas de branco ofertavam flores no altar, ao som das orações conduzidas por Dona Maria Queiroz e dos cânticos de um grupo de jovens formado por Neuza, Dulcília, Genedite, Maria Emília, Zé Florêncio, Maria Cordeiro Rezende, Nita Freire, Anália Febrônio, Luzia Aleixo e Elizabete Mafra. Tia Dona encarregava-se de vestir as crianças que representavam os anjos, e o mês encerrava-se festivamente com a coroação de Nossa Senhora.   

Durante as férias de junho, as Festas Juninas iluminação as ruas com fogueiras, fogos e fartura de comidas típicas. As pessoas escolhiam padrinhos em volta do fogo sob a bênção de São João e São Pedro, dançavam a quadrilha matuta comandada por João Veríssimo no Bar Phoenix e participavam do tradicional coco de roda na Rua do Rio, onde a graciosidade de Dona Felizarda, aos setenta anos, encantava os presentes.   

Por fim, o Calendário Escolar marcava o segundo semestre com desfiles cívicos nas datas comemorativas do 7 de Setembro e do 11 de Setembro (aniversário de Emancipação Política de Custódia). Alunos do Grupo Escolar General Joaquim Inácio desfilavam fardados até a Prefeitura para cantar hinos, ouvir o prefeito e declamar poesias. Periodicamente, a cidade transformava-se também com a realização das Missões religiosas, marcadas pelos cânticos de Frei Fernando Rossi e pelas pregações veementes de Frei Damião Bozzano, que atraíam multidões em procissão pelas ruas.   

Adaptação ao texto do livro CAMINHOS DO AFETO, lançado em 2004, pela Editora Bagaço.

17 setembro, 2026

História da Escola Municipal Maria Augusta do Amaral



Fundação e Nome: Criada em 1967 e localizada na Avenida João Veríssimo (centro, Custódia-PE), a escola foi batizada em homenagem à primeira professora do município.

Origem do Prédio: O espaço original funcionava como posto de saúde local. Com a inauguração do hospital da cidade na gestão do prefeito Sílvio Carneiro, a estrutura do posto foi reformada e adaptada para sediar a primeira Escola Municipal de Custódia.

Primeiras Educadoras: Em fevereiro de 1969, a escola iniciou suas atividades contando com professoras recém-formadas no magistério em outras cidades (entre elas Maria Claudete Simões Feitosa, Creuza Carneiro, Ivonete Sousa "Netinha" e Joselita Bezerra), nomeadas pelo prefeito Sílvio Carneiro.

Transição para o Estado: Em 1970, o município cedeu as instalações da escola para o Governo do Estado abrigar temporariamente a rede estadual. A equipe permaneceu no prédio até a inauguração da Escola José Pereira Burgos, construída no governo de Marco Maciel e na gestão do prefeito Luiz Epaminondas Filho.

Expansão e Gestão (2001–2004): A partir da gestão de 2001 a 2004, a instituição passou por um forte salto de crescimento: O número de estudantes subiu de 100 para 400 alunos.

A oferta de ensino, antes restrita à Educação Infantil, foi ampliada com a implantação do Ensino Fundamental.

Foi criada a Unidade Executora e desenvolvidos os símbolos oficiais da instituição (Bandeira, Escudo e Hino).

A escola foi pioneira no município a elaborar e implementar o Projeto Político Pedagógico (PPP), fortalecendo a gestão democrática com pais, professores e funcionários.





ESCUDO



Criado pela educadora de apoio – LINALVA PINTO SIMÕES RODRIGUES, em 01/09/2001 e confeccionado pela professora VERA LÚCIA SIMÕES.


BANDEIRA


Criada pela Diretora – LUCIENE PINTO SIMÕES IZIDRO, em 01/09/2001.

Suas cores:

O AZUL - simboliza o nosso céu de anil.
A FAIXA BRANCA - simboliza pureza e paz.
O AMARELO - simboliza o amarelo da nossa pátria amada.
A CUSTÓDIA - simboliza guarda-receptáculo-justiça.
O LIVRO E O LÁPIS - simboliza instrução-sabedoria-educação.
SLOGAN - educação e cidadania.

HINO

Letra: Linalva Pinto Simões Rodrigues em 29/08/2001.
Música: Hugo Simões.
Arranjos: Plínio Fabrício Pinto Simões Rodrigues


LETRA DO HINO

Maria Augusta tu és pioneira
Na nossa história da educação
Iluminaste com o teu talento
Muitos alunos e sem exceção

A nossa escola que tem o teu nome
Muitos doutores também surgiram aqui
Ficou pra trás as antigas palmatórias
E a saudade do A, E, I, O, U

Mesmo com tantas inovações
Este teu nome será lembrado
Não só você quanto os Jesuítas
Por nossa terra onde aqui passaram

És pioneira e brava gente
O nosso povo te homenageia
Porque um dia foste professora
Hasteando assim a nossa bandeira


16 setembro, 2026

A antiga Gruta da Matriz de São José: Uma Memória Esquecida da História de Custódia


Foto:
Cedida por Dulce Góis

Durante a década de 1970, quem passava ao lado da entrada principal da Igreja Matriz de São José, em Custódia-PE, encontrava um importante ponto de fé e encontro comunitário: uma gruta ornamental em homenagem a Nossa Senhora de Lourdes.

Por muitos anos, o local atraiu devotos, estudantes e moradores que ali faziam suas orações e orações diárias. A construção seguia uma tradição muito comum nas paróquias do interior do Nordeste, onde grutas artificiais em pedras eram erguidas nos pátios e laterais dos templos para abrigar imagens de grande devoção popular.

 

O Registro Histórico no Livro do Tombo

Embora não existam registros exatos sobre a data ou o ano em que a gruta foi erguida pelo antigo vigário Padre Luiz Klur, a sua história foi preservada no Livro do Tombo da Paróquia de São José. No entanto, o documento não detalha a sua inauguração, mas sim o motivo surpreendente do seu fim.

No dia 1º de março de 1973, assumiu a paróquia o Padre Herbert Henke, MSF (Missionários da Sagrada Família), sacerdote natural da Alemanha. Entre as reformas e intervenções estruturais prioritárias realizadas durante sua gestão, o religioso registrou no Livro do Tombo a necessidade de demolir o antigo ponto de devoção:

"A demolição da gruta, outrora erguida por Pe. Luiz Klur, sendo essa obra indispensável tanto para executar a fortificação dos fundamentos da torre como também para evitar maior infiltração d'água de chuva na parede lateral."

Além da remoção da gruta, o Padre Herbert executou o reforço da estrutura da torre principal da matriz com uma base de cimento armado (radier), medindo dois metros de comprimento por um metro e meio de largura e profundidade em cada lado da torre.



Nesta imagem da Igreja Matriz de São José, é possível observar,
na lateral da entrada principal, um trecho da antiga gruta que ali existia.


Memória e Resgate

Apesar de ter sido demolida há mais de cinco décadas por razões de engenharia e preservação do templo, a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes permanece viva na memória dos custodiense mais antigos.

Registros como esse, mantidos no arquivo paroquial, ajudam a reconstruir a arquitetura e o cotidiano religioso que moldaram o centro urbano de Custódia ao longo dos anos.


Foto 2 e 3: Cedida pela Paroquia de São José

Maria Augusta do Amaral de Sá (Dona Manoca)

 
Pioneira na Educação e Primeira Professora de Custódia–PE

Maria Augusta do Amaral de Sá, carinhosamente conhecida como Dona Manoca, foi uma das figuras mais emblemáticas da formação educacional e social do município de Custódia (PE).

Nasceu em 1883 em Custódia, filha de Francisco de Queiroz Amaral e Hermelinda de Gois Amaral (também registrada em documentos como Ermelinda Alves de Goes Mello.). O casal ainda teve mais 3 filhos, foram eles: Artur de Queiroz Amaral, Capitão Sebastião Amaral e Maria Cândida Do Amaral. Maria Augusta marcou a história local ao tornar-se a primeira professora registrada a lecionar na cidade. 


Vida Familiar e Integração Comunitária

Em 1913, casou-se em Custódia com o Tenente-Coronel Joaquim Pereira de Sá (conhecido como Quinca de Sá, tio de Zezita Queiroz). O casal teve apenas um filho: Aprigio Pereira do Amaral, nascido em 20 de fevereiro de 1914 em Custódia. Dona Manoca adotou Artur Pereira do Amaral, conhecido carinhosamente por Tuta.

Cartório de Sertânia, tem em sua ata de 25 de dezembro de 1915, consta batizado Maria, na presença dos padrinhos Francisco Alves de Queiroz Amaral e Maria Umbelina do Amaral. Não foi encontrado mais informações sobre Maria, por ter falecido ainda muito pequena, comum naquela época.

Seu legado familiar atualmente constitui de 05 (cinco) netos, 11 (onze) bisnetos e 11 (onze) trisnetos.

Residiu na Praça Padre Leão, onde atualmente funciona o Banco Sicoob. 

Sua atuação na comunidade ia além das salas de aula, sendo presença constante na vida religiosa e social do município:

  • Maio de 1918: Serviu como madrinha de casamento de Alexandre Cyrinaco dos Santos e Justina Maria da Conceição.

  • Madrinha de Batismo: Apadrinhou a jovem Zilda, filha do casal Antônio Alves de Queiroz e Maria Otília Freire.

Pioneirismo na Educação e Dedicação Cívica

A trajetória profissional de Dona Manoca acompanhou a própria evolução política e administrativa da região ao longo das primeiras décadas do século XX:

  • 1918: Exercia o cargo de professora municipal e atuava como secretária da Comissão Organizadora dos Desfiles Cívicos de Custódia, liderando os festejos da Independência no 7 de Setembro daquele ano.

  • 26 de maio de 1920: Foi nomeada professora interina da Cadeira Mista nº 03, em Custódia (que na época pertencia ao município de Alagoa de Baixo, atual Sertânia).

  • 19 de maio de 1927: Assumiu a Cadeira Mista nº 350, em substituição à docente Oswaldina Paulina de Sá.

  • 01 de outubro de 1929: Com a autonomia política do município, passou a reger a Cadeira nº 624 (Primeira Entrância), levando o ensino público ao distrito de Quitimbu.

Também administrou um ponto comercial bastante frequentado nas décadas de 1950 e 1960: o Café da Hora. O estabelecimento marcou gerações servindo café, tapioca, queijo, doces e outras iguarias regionais. Ponto de encontro tradicional, era frequentado por figuras ilustres como João Veríssimo, Nozinho Veríssimo e Seu Chiquinho Amaral. Ficava localizado na esquina da Avenida Inocêncio Lima com a Praça Padre Leão, próximo a sua residência.

Últimos Anos e Legado

Já viúva, Maria Augusta mudou-se para a capital pernambucana. Vendeu sua residência para um primo Izaias de Queiroz Amaral. 

Faleceu em 13 de fevereiro de 1963
, às 7 horas da manhã, em sua residência na Avenida Santos Dumont, nº 573, no Recife, aos 80 anos de idade. Seu óbito foi registrado no Cartório da Graça e seu sepultamento ocorreu no Cemitério de Santo Amaro.




Em reconhecimento à sua dedicação e ao seu papel precursor na alfabetização de diversas gerações, o município eternizou sua memória batizando a Escola Municipal Maria Augusta do Amaral, criada em 1967, localizada na Avenida João Veríssimo, no Centro de Custódia.


Fonte:


Pesquisa realizada por Paulo Peterson, com suporte incondicional de Vanuza Bezerra e Veronica Bezerra(filha). Algumas informações foram obtidas em Jornais de grande circulação no Estado de Pernambuco, Diário Oficial, Family Search, Genealogia Pernambucana, livro Caminhos do Afeto de Sevy Oliveira.

15 setembro, 2026

A Parelha Histórica: Quando o Jornal Pequeno comparou Barbosa Lima Sobrinho ao Primeiro Prefeito de Custódia

 



A coluna do Jornal Pequeno de Recife, edição de 24 de Janeiro de 1950, assinada por Melchiades Montenegro, fazia sátira política e ácida ao então governador de Pernambuco, Barbosa Lima Sobrinho (1948-1951)

Criticava o estilo pacato de governar de Barbosa Lima Sobrinho, satirizando seus longos banhos de imersão e falta de pulso político. 

Nessa edição, expoe dois escândalos envolvendo a liberação de jogos no estado — a proibição foi pelo delegado de São José do Egito contra a vontade de chefes do PSD, e a concessão de um "víspora elétrico" no Recife beneficiando parentes de coronéis (como Chico Heráclio) através da mediação do secretário João Roma.

Também zombava do hábito do governador de ameaçar pedir renúncia sempre que contrariado pelos aliados.

Comparação Histórica com Custódia: O colunista traça um paralelo ("a parelha") entre o comportamento do governador e o do primeiro prefeito de Custódia, o velho Nemésio, conhecido por ameaçar "pedir a muda" ou "pedir baixa" a cada problema político, embora nunca tenha deixado o cargo.

Confira o paragrafo onde o colunista faz a comparação com Nemézio Rodrigues e o Governado Barbosa Lima Sobrinho:




De vez em quando corre na esquina do Lafaiete que o dr. Barbosa resolveu renunciar. Basta que lhe despertem o sono e lhe perturbem a leitura favorita.

Isso me faz lembrar o primeiro prefeito de Custódia, o velho Nemésio, fazendeiro de largas posses e homem de ideias curtas.

Quando tinha êle uma pequena contrariedade, por causa da função, ameaçava de "pedir a muda". Se a cousa era mais séria, se os espinhos do ofício penetravam mais fundo, dizia que "ia pedir baixa". Mas nunca fez nada disso e tirou o tempo todo.

O dr. Barbosa está direitinho o velho Nemésio. Por dá cá aquela palha, o pobre homem fica pelos cabelos e promete renunciar.

Nemésio foi a única parelha que encontrei para o dr. Barbosa, na história desadministrativa de Pernambuco.

14 setembro, 2026

[Livro A Baraúna] Justas homenagens - José Carneiro de Farias Souza (2015)

 


Livro A Baraúna
Prosa e Versos

Autor:
José Carneiro de Farias Souza
Recife-PE
2015



Não seria justo deixar de prestar calorosas homenagens às figuras que tanto contribuíram para a história de Custódia, propagando seu nome e costumes, como privilegiados autores de livros, destacando-se Jovenildo Pinheiro, Ernesto Queiroz Júnior, Sevy Oliveira, Maria José Amaral; Odete Andrada e Fernando Florêncio.



Uma menção especial a Zezita Queiroz, mulher forte e destemida, competente tabeliã, pelo muito que fez como presidente do Centro Lítero Recreativo de Custódia, que marcou época, com promoções de festas memoráveis e movimentos filantrópicos.




A Dona Manoca, vanguardeira do ensino em Custódia. Mestra de várias gerações. Ensinou muita gente a ler. Era a Carta de ABC em corpo e alma.

A Djanira Pires, filha de Pordeus Pires, merecedora de registro na história de Custódia, como pioneira da pintura em sua terra, deixando muitas conterrâneas adeptas da bela arte.


A José Melo, homem bom e direito, pelos serviços prestados à comunidade como servidor público e pelo tanto que escreveu sobre o torrão natal e seu povo, ressaltando seu exemplar comportamento político e social.


A Carlos A. Lopes, embora não sendo natural de Custódia, nela passou boa parte de sua vida e por ela nutre grande afeição. Responsável pelo Blog Gandavos, reuniu uma plêiades de escritores, vem colhendo suas produções literárias e publicando em livros, numa original contribuição à cultura literária.


E, por fim, a Paulo Joaquim Peterson Pereira, apaixonado custodiense, criador e mantenedor do festejado Blog Custódia Terra Querida, que tanto vem difundindo de forma criteriosa as manifestações de sua terra e sua gente.

Fonte: A Baraúna (prosa e versos). Paginas 144/145

A assombração do aveloz - Fernando Florêncio

 


​Partindo de Custódia em direção ao Quitimbu, havia duas estradas. Uma pelo antigo campo de futebol, onde hoje é o Tamboril e outra pelo beco de João Florêncio, ali nos fundos da igreja.

​Estas duas saídas mais na frente se encontravam, convergindo para uma estrada única em direção à Cacimba Nova e outros povoados até o Quitimbu e daí até o infinito.

​Bem no local onde as estradas se encontravam, ficava a fazenda de Seu Pedro Mariano, pai de Dr. Rubinaldo Rezende, que entre outros animais, criava porcos (e porcas) e conhece bem essa história.

​De repente, bem em frente à casa da fazenda, que por sinal tinha uma cruz fincada na beira da estrada, em memória de alguém que fora assassinado naquele local, começou a aparecer uma "visagem" apavoradora. Era escurecer, e naquela cruz, antes inofensiva, passou a ser palco de uma assombração tão pavorosa que a matutada saía da feira antes de escurecer para não cruzar com aquele demônio.

​No Bar Ponto Certo, depois de algumas "lapadas" de Serra Grande, Zé Aleijado, que tinha as pernas atrofiadas em decorrência de uma paralisia infantil e andava com ajuda de muletas, apostou que por uma meiota de Serra Grande ele passaria a noite ao lado daquela cruz, desmoralizando assim a visagem. Só preciso que um cabra corajoso igual a mim me leve nas costas até lá.

​Foi aquele alvoroço. Teria Zé Aleijado tanta coragem a ponto de desafiar o sobrenatural?

​Logo Mané Bidó, um preto forte, gente boa até demais, também amante da Serra Grande se prontificou:

- Eu levo o "home" até lá. Vamos esperar anoitecer.

​Dez da noite, Mané Bidó jogou Zé Aleijado nas costas e se mandou para o local mal assombrado.

​Só que descobriram que aquela "marmota" não era bicho do outro mundo coisa nenhuma, era sim, uns ciganos que acamparam ali próximo e resolveram roubar os porcos de Pedro Mariano.

​Enquanto uns iam até o chiqueiro pegar os porcos, outros ciganos enrolados em um lençol branco, faziam todo tipo de piruetas para assombrar quem eventualmente por ali tentasse passar.

Quase meia-noite, aparece Mané Bidó com Zé Aleijado nas costas. Perto da Cruz, a lua cheia clareava tudo. A "assombração" quando viu Mané Bidó com Zé Aleijado nas costas, imaginou que seria um comparsa cigano com um porco às costas e foi perguntando:

- É porco ou porca?

Mané Bidó não conversou. Sacudiu Zé Aleijado em direção à "alma", dizendo: Ou porco ou porca, tome ai seu bagulho!!!

​Pegou a estrada de volta que terminava no beco de João Florêncio, fazendo curva em duas rodas a mil por hora.

​Zé Aleijado, arremessado, tocou o chão correndo e diferentemente de Mané Bidó, pegou a estradinha que desembocava no campo de futebol descendo a ladeira do grupo escolar.

​Quando Mané Bidó, suando que nem tampa de bule, com olhos esbugalhados e faltando a voz chegou ao Bar Ponto Certo, (que fechava sempre na madrugadas), Zé Aleijado já tinha tomado duas lapadas de Serra Grande.

​Dr. Rubinaldo conhece bem essa história.



Autor: 
Fernando Florêncio de Souza
Foi Assim (Uma História Autobiográfica)
Ilhéus-BA
2010

Para adquirir entrar em contato pelo e-mail: florencio.fernando@hotmail.com


13 setembro, 2026

[Biografia] ex-Prefeito Felicissimo de Lima Pires (11/08/1947 à 15/11/1947)

Felicissimo de Lima Pires
Prefeito: 11/08/1947 à 15/11/1947)

Natural de Custódia, Felicíssimo de Lima Pires nasceu em 26 de abril de 1911, filho de Manoel Pordeus Pires Ferreira e Constança Pereira de Lima. Casou-se com Sebastiana Pires de Freitas (irmã de Antonia Pires de Freitas Gois "Dondon Pires), em 18 de dezembro de 1940, em Custódia, com quem teve quatro filhos: Marinalva de Lima Pires (1941–2003), Airton de Lima Pires (1943–2016), Rildete de Lima Pires e Irani de Lima Pires.

Sua trajetória política ganhou destaque a partir de 1945, quando integrou a Comissão de Organização Política e Partidária da União Democrática Nacional (UDN) em Pernambuco. Na ocasião, atuou na comissão de Propaganda e Assistência Política, então presidida por Germano de Souza Lima.

Em 7 de agosto de 1947, por meio do Ato nº 106 (publicado em 6 de agosto no Diário do Poder Executivo), foi nomeado Prefeito do Município de Custódia pelo Presidente da Assembleia Legislativa, que exercia interinamente o cargo de Governador do Estado.

Felicíssimo assumiu o comando do município em substituição a Jerônimo de Souza Neto.

Sua gestão durou cerca de três meses, antecedendo o retorno de Ernesto Alves de Queiroz à prefeitura para o seu segundo mandato.

4º Encontro de Bandas Marciais de Custódia-PE



Em comemoração aos 98 anos de Emancipação Política de Custódia, tivemos a alegria de prestigiar o 4º Encontro de Bandas Marciais de Custódia.

Foi um momento muito especial, marcado pela música, cultura, tradição e talento dos músicos e das bandas que abrilhantaram essa grande celebração. 

E tem mais!

O canal Musicalizando com Marcelo Moura preparou uma playlist especial com os vídeos deste evento, para que todos possam assistir, reviver esses momentos e prestigiar o trabalho dos músicos e das bandas participantes.

Acesse a playlist, assista aos vídeos, compartilhe com seus amigos e deixe o seu 👍 LIKE!

Sua curtida e seu compartilhamento são muito importantes para valorizar e fortalecer a música, a cultura e as bandas marciais de nossa região.

Parabéns, Custódia, pelos seus 98 anos de história!

Viva a música! Viva a cultura! Viva Custódia! 

🎬 Musicalizando com Marcelo Moura
levando música, conhecimento e cultura até você!



Sonho de Amor 
Banda Marcial Almir Mello


Meu sangue ferve por você
Banda Marcial Almir Mello



Se for amor
Banda Marcial Almir Mello


Tequila
Banda Marcial Almir Mello


Retrospectiva Histórica: O Embates dos Trilhos e a Igreja em Custódia (2016)


Foto: Ricardo Fernandes (Diário de Pernambuco)



Em 2016, um dos episódios mais emblemáticos das obras de infraestrutura no Nordeste ganhou repercussão nacional a partir do trecho da ferrovia Transnordestina que cortava o município de Custódia, em Pernambuco.

A construção, integrante do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), encontrava-se totalmente paralisada devido a um impasse envolvendo a Igreja de São Luiz Gonzaga. Protegida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em razão de vestígios e restos quilombolas sob sua estrutura secular, a igrejinha tornou-se o símbolo dos entraves operacionais e da falta de planejamento que marcavam o projeto.

Para liberar a passagem da linha férrea, o traçado foi alterado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para contornar o templo a uma distância de 14 metros. Além disso, uma nova estrutura religiosa foi erguida em 2011 para transferir os cultos, mas a comunidade local resistiu e não aderiu à mudança, mantendo o canteiro de obras estagnado.

Na época, especialistas e entidades como a Associação Nordestina de Logística (Anelog) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) alertavam para o descontrole dos custos e dos prazos:

  • Explosão Orçamentária: O custo inicial de R$ 4,5 bilhões em 2006 saltou para R$ 11,2 bilhões até 2015.

  • Atrasos Sequenciais: O prazo inicial de entrega (2010) foi adiado sucessivamente para 2017 e 2018, sem entregas operacionais dos trechos de Pernambuco.

  • Impacto Econômico: O atraso prejudicava setores estratégicos, como o polo gesseiro do Araripe, que enfrentava altos custos no transporte rodoviário (responsável por mais de 60% do escoamento regional) em comparação ao potencial de redução de 30% nos fretes com o modal ferroviário.


    Texto completo da matéria no Diário de Pernambuco


Quem pensa que a igreja abre caminhos pode até ter provas legítimas de que é verdade, mas a “fé” do governo federal não deve funcionar muito bem, principalmente em Pernambuco. A obra da ferrovia Transnordestina é o retrato claro. A construção está parada por conta da Igreja São Luiz Gonzaga, que já virou famosa em Custódia por “travar” o trem de passar.

Há pelo menos dois anos, e desde então, não há oração que faça essa obra andar e quebrar a ironia de integrar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Especialistas alertam para os equívocos do planejamento da obra até a execução e garantem que o simbolismo da igrejinha representa a falta de prioridade com o projeto. Além disso, pela importância para o país, reforçam que não deveria ser tratada como item político. O Ministério dos Transportes não apresenta sequer uma previsão de conclusão nos últimos relatórios do PAC.

“A obra estoura todos os orçamentos previstos e não tem qualquer utilidade para a economia. O custo partiu de R$ 4,5 bilhões em 2006 e chegou a R$ 11,2 bilhões atuais. A previsão de entregar em 2010 também foi ignorada. A última previsão era 2018, que eu não acredito que ocorra”, destaca o presidente da Associação Nordestina de Logística do Nordeste (Anelog), Fernando Trigueiro. “Até o percentual de conclusão é questionável. Se tivesse 55% concluídos teria algum trecho pronto, seja de Salgueiro a algum porto (Pecém ou Suape) ou na integração do Piauí. E nada disso é apresentado”, acrescenta.

A construção em Pernambuco tinha tudo para ser a primeira a engrenar. O estado foi o primeiro a concluir o processo de desapropriação das áreas que serão impactadas pela construção. O traçado passou por quatro mudanças no trecho pernambucano para livrar áreas de barragem (para evitar inundações) e centros urbanos (que encarecem as indenizações), além da igreja de Custódia, protegida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por ter restos quilombolas sob a construção do tempo. Depois de anos de entraves para definição da manutenção da igreja, foi planejada e entregue à Agência Nacional de Transportes Terrestres a mudança, com a construção passando 14 metros ao lado do templo. Uma nova igreja chegou a ser construída em 2011 para que os cultos fossem transferidos, mas não houve adesão da comunidade. Nesse embróglio, a obra estacionou.

De acordo com o professor do departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Maurício Pina, o agravante do atraso é que chega a um ponto em que, quanto mais atrasa, mais cara a obra fica para os cofres públicos. "Tratar como política é problemático. No fim, ninguém ganha. Principalmente no estágio atual, como projeto pronto e obra na metade. Não dá para recuar e desistir. Dá para concluir, se colocar como prioridade", assinala. Segundo o professor, além do caráter político, os problemas que uma obra encontra é pela falta de atenção que se dá ao projeto. "Não se prioriza a elaboração e a importância do projeto. Trabalha-se como prazos inexequíveis de elaboração do projeto para que a obra comece logo. Isso é um erro grave porque dá margens para custo imprecisos, por exemplo", pontua.

RESPONSABILIDADE

A construção é responsabilidade da Transnordestina Logística S.A (TLSA), concessionária responsável por implantar os 1.753 quilômetros de malha ferroviária, mas que, atualmente, não trabalha em Pernambuco, apenas no Ceará e no Piauí. A TLSA foi procurada pelo Diario, mas não informou quando deve voltar a mobilizar equipamentos no estado, não apresentou calendário de entrega do projeto, nem informou orçamento à disposição para tirar o projeto do papel. O Ministério dos Transportes, apesar de ser o órgão do governo vinculado à obra, disse que qualquer assunto é tratado com o agente privado.

Especialistas afirmam que cada paralisação de obras interfere diretamente no custo. Obras já estiveram mobilizadas em Pernambuco, em 2012, mas não avançaram. 

Os ganhos de integrar uma malha ferroviária à logística do Nordeste e do estado representam mais que a economia na redução de custos, hoje altos por depender de caminhões em estradas para movimentar a produção na região. De acordo com o presidente da Associação Nordestina de Logística (Anelog), Fernando Trigueiro, representa desenvolvimento em todas as cidades cortadas pelos trilhos, além de uma forma real de colocar nossa produção em eixos de competitividade. E assegura: se a Transnordestina sair, colocará o Nordeste em outro patamar.

“Mais de 60% do escoamento de produção do Nordeste usa rodovias. Ter o acréscimo dos trilhos reduziria o custo do frente em 30%, porque só usaria as rodovias em rotas finais ou iniciais e deixaria os grandes percursos por trem”, explica, reforçando a necessidade da integração dos modais. “O gesso do Araripe, por exemplo, perde mercado para o gesso importado, pelo custo. É mais barato importar do que trazer de Araripina até o Porto de Suape, de onde segue por navio, outro modal de integração logístico.”

Ainda segundo Trigueiro, para um país com as nossas proporções, o ideal é usar mais ferrovias do que estradas e, no Nordeste, a malha disponível é zero. “Mas a falta de envolvimento nesse aspecto frustra o setor. A obra anda somente no Ceará, o que se caracteriza um caráter político e não técnico. Qualquer que seja o governo, é preciso priorizar essa obra. São dez anos de defasagem”, ressalta.

O professor do departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Pernambuco, Mauricio Pina, reforça que é necessário cessar esse círculo vicioso sobre a Transnordestina. "Afirma-se que não se faz infraestrutura ferroviária porque não tem demanda para sustentar o fluxo e depois rebate-se assegurando que só não existe carga porque não tem ferrovia. E ninguém avança. É preciso superar esse círculo e perceber que a Transnordestina é importante para a economia, já tem parte executada e precisa ser concluída. OS atrasos são péssimos", ressalta. "Terraplanagem, por exemplo, é uma etapa de obra muito exposta. Se fizer essa parte e parar, o próximo recurso que chegar vai ser usado para refazer em vez de avançar. Terrível para uma construção e uma forma muito improdutiva de tratar recurso público", complementa.

Mobilização em outros estados

Com status de 100% parada em Pernambuco, a obra tem sinais de mobilização nos demais estados. Ainda assim, sem grandes expressão de engenharia. O governo federal apresenta um balanço de 55% de conclusão na obra total, mas não consegue informar quais os trechos que têm todas as etapas da montagem de trilhos realizadas. No Piauí, por exemplo, o trecho que possuía canteiros de obra em operação demitiu mais de mil pessoas há um mês e a obra parou. Há uma semana, o último lote resistente também parou, pouco mais de seis meses depois de iniciar. Ninguém foi recontratado para retomar as atividades, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção pesada lotada no Piauí. No Ceará, a obra reúne o maior volume de obras.

Hoje, a obra emprega mais de três mil operários, maioria no Ceará. Missão Velha-Pecém reúne o maior volume de trabalhadores. O trecho possui atividades e mais de 2 mil trabalhadores na construção. O governador do Ceará, Camilo Santana, teria solicitado um repasse de R$ 3,5 bilhões para entregar a rota no estado. Sobre a possibilidade de voltar as atividades no Piauí, a TLSA não informou qualquer data para a obra ser retomada. A concessionária não deu prazos para resolver o impasse da igreja em Pernambuco, nem se será garantida a continuidade da obra no Ceará. Conforme o projeto, a ferrovia poderá transportar 30 milhões de toneladas/ano, com destaque para granéis sólidos (minério e grãos).

Entenda as mudanças na obra

- Entre 2005 e 2006, na fase de tirar o projeto inicial do papel, a ferrovia teria 800 quilômetros de novos trechos ferroviários e 1.100 seriam aproveitados de malhas já existentes da Rede Ferroviária Federal, que passariam por remodelação.

- O projeto passou por fortes intervenções em 2011 e passou a ser 100% rota de trilhos novos, sem trechos a serem recuperados.

- Para evitar áreas de inundação com a construção da barragem de Serro Azul, iniciada em 2015, o traçado foi readequado em 2011.

- Outra alteração ocorreu para que o centros urbanos das cidades de Escada, Gameleira e Ribeirão não fossem “cortados” pelos trilhos. A proposta foi apresentada em 2012.

- O projeto sofreu intervenção em 2014 para desviar o centro do Cabo de Santo Agostinho, onde, inclusive, está sendo implantado o projeto Convida Suape, cidade planejada para 100 mil habitantes.

- Em 2015, uma nova mudança inclui, além de atualização e reajuste, uma incorporação de novos pontos de engenharia, que inclui os pontos de mudança de rotas, postos de acessibilidade, adequações e custos com medidas socioambientais.

- O prazo de entrega do projeto, atualmente, é 2017.

Mudanças no custo:

O orçamento para a obra já foi reajustado três vezes

Começou em 2007 com R$ 4,5 bilhões
foi reajustado em 2010 para R$ 5,4 bilhões
e revisto em 2013 para R$ 7,5 bilhões
A última revisão de custo foi em 2015 e levou o valor da obra para R$ 11,2 bilhões.

Fonte: Transnordestina Logística S.A. (TLSA)/Ministério dos Transportes

11 setembro, 2026

Sucesso do IV GP do Haras Germano.




O garoto que sonhava um sonho acordado.

O sonho consistia em um grande e audacioso projeto: a construção de um Haras em sua terra natal. Esse sonho foi sendo construído em sua mente com a certeza de que o grande homenageado seria seu pai, exemplo de trabalho e dedicação.

O tempo passou e, no calendário da vida, a cada dia era um dia a menos para que seu sonho se tornasse realidade.

E, conforme a psicologia, sonhar acordado estimula e facilita a regulação emocional, auxiliando na estruturação de metas pessoais ou profissionais.

O garoto cresceu, vendo, a cada dia, o cuidado e a dedicação de seu pai com os cavalos, lá pelas bandas do Maranhão.

O tempo não para. Isso é uma verdade ou até uma convenção do homem. E é nessas mudanças que muitas coisas acontecem.

Aquele garoto do sonho acordado sempre foi atento e inteligente. Seu nome é Patrick, que, assim como seu pai, Paulo Germano, tinha muito amor pelos cavalos.

Paulo foi acometido por um problema de saúde. E, para tristeza de seus filhos, Patrick, Paula e sua mãe, Francisca, e também seus familiares, ele cruzou a ponte que o levou para a morada celestial.

Com a ausência de seu pai, Patrick assumiu todos os negócios deixados por ele. Paulo Germano era um homem de posses e, como herdeiros, só tinha Patrick e Paula.

Lidar com a fortuna deixada por seu pai, no início, não foi fácil. Porém, apesar dos murmúrios inconvenientes de que ele acabaria com tudo o que o pai havia deixado, Patrick mostrou que trazia raízes profundas de seus dois avós: Raimundo Germano e José Rodrigues de Almeida (Lola), homens que se destacaram bravamente no âmbito municipal de Custódia. O trabalho também proporcionou a esses dois homens ilustres uma tranquila e destacada situação financeira.

Depois da morte de seu pai, Patrick volta para Custódia:

“Custódia, Terra Querida, Berço Amigo de Gente de Valor. És Livre pelo Esforço de Teus Filhos que Te Adoram e Te Amam com Fervor.”

Ah, e aquele sonho que ele trazia de construir um Haras estava vivíssimo. E aí se lê: “O homem sonha e Deus realiza a obra!”

O Haras Germano foi construído na região central do estado de Pernambuco.

Na última sexta-feira, 04/09, o Haras Germano realizou o seu quarto evento.

Foi bonito ver a banda tocando, com músicos filhos de Custódia para um grande número de patrocinadores, convidados, familiares de Patrick e toda a sua equipe.

Um momento de destaque foi a fala dos familiares. Em nome de Rogéria e Paula, parabenizo todos os que fizeram uso da palavra.

Rogéria, a grande colaboradora desse magnífico evento, agradeceu a todos os presentes, dizendo que seus familiares que ali se encontravam eram em número pequeno, mas grandiosos na presença.

O anfitrião, ao começar sua fala, agradeceu aos presentes e disse da sua satisfação em estar no quarto ano desse grande prêmio: o Haras Germano.

Ele explicou a genealogia da Família Germano. Disse que Germano era o sobrenome de seu avô e ressaltou a importância de trazer Germano como sobrenome, que foi transmitido a seu filho como nome próprio.

Parabéns às matriarcas: Nilda Campos Almeida e Ana Germano.

A Patrick, a sua noiva Kalinda e a Rogéria, eu e Arnaldo agradecemos pelo convite para esse extraordinário evento, que engrandece a nossa querida Custódia.

Abraços de paz e luz!
Custódia, 11 de setembro de 2026.
Lindinalva – Nenê
Escritora.

Custódia, 98 Anos de História, Fé e Tradição na Terra Querida



Custódia, 98 Anos de História, Fé e Tradição na Terra Querida


Neste 11 de setembro, o coração do Moxotó se enche de orgulho. Celebrar os 98 anos de Emancipação Política de Custódia (1928–2026) é percorrer as linhas de uma história rica, construída a muitas mãos, com a força e a fé do povo sertanejo.

Desde os tempos em que a antiga Fazenda Santa Cruz servia de entreposto para tropeiros e viajantes, Custódia vocacionou-se como ponto de encontro, de acolhimento e de comércio.

Foi o abrigo afetuoso da lendária Dona Custódia (Maria Custódia Osório de Campos) em sua hospedaria que batizaram esta terra com o nome que hoje carregamos no peito com reverência e carinho.

Relembrar nossa emancipação através do resgate histórico é honrar os nomes e episódios que moldaram nossa identidade:

As Origens e a Fé: Do pioneirismo de figuras como o Coronel Luiz de Melo (Dodô) aos doadores do terreno de nossa matriz; do sonho do Padre Leão Pedro Verseri à bravura dos trabalhadores que ergueram nossa Igreja Matriz dedicada ao padroeiro São José.

O Comércio e o Trabalho: A tradição das feiras livres, o algodão, o caroá e a força de feirantes e comerciantes que transformaram a vila de 1909 na cidade pujante que se emancipou em 11 de setembro de 1928.

O Povo e a Cultura: A riqueza de nossos distritos — Quitimbu e Maravilha —, dos povoados como Samambaia, Caiçara, Ingá, Bom Nome e das mais de cem comunidades rurais; a expressividade dos nossos artistas, poetas e guardiões da memória política e cultural.

Custódia não é feita apenas de pedras e ruas; é feita da resiliência dos seus filhos, do calor do Sertão e da certeza de que o futuro se constrói sem jamais esquecer as raízes.

Parabéns a todos os custodiense de nascimento e de coração! Que o Glorioso São José continue abençoando nossos caminhos.

Viva Custódia! Viva os seus 98 anos de liberdade e história!

10 setembro, 2026

Quando a poesia nasce da amizade: a trajetória de Paulo Mapu, Jussara Burgos e o poema premiado

 

Uma história de afeto, rios e versos entre o sertão pernambucano e as águas do Brasil


1. A origem da amizade

No sertão pernambucano, mais precisamente em Sertânia, surge uma história que revela como a literatura pode nascer dos vínculos mais genuínos. Uma história entrelaçada pelo escritor Paulo Mapu, membro da rede ESCRITOR DANADO DE BOM, a poetisa Jussara Burgos, hoje radicada em Goiás, filha de seus padrinhos, oriundos de Custódia — município vizinho a Sertânia, igualmente reconhecido por sua tradição poética, Ramon Japiassu, primo de Jussara, e o amigo Digerson Almeida que acompanhou Mapu em sua jornada pelo mundo, na condição de companheiro de estrada.

Conforme Mapu, os três — ele, Ramon e um terceiro conterrâneo de Sertânia — partiram em busca de novos horizontes, estabelecendo residência em diferentes regiões do Brasil. Foi no Amazonas, contudo, que a história adquiriu contornos verdadeiramente literários: ali, Mapu compunha poemas que, em seguida, rasgava e lançava ao rio, entregando os fragmentos de papel à correnteza.

Dessa vivência singular nasceu “Os Rios Correndo em Mim”, poema inspirado nos cursos d’água que marcaram a trajetória do autor. Mapu acreditava ter compartilhado essa história diretamente com Jussara; ela, porém, revelou que o relato lhe chegou por intermédio de Ramon. Inspirada pela narrativa, a poetisa compôs um poema dedicado ao amigo — intitulado simplesmente “Mapu” —, obra que viria a ser agraciada com uma distinção literária. A amizade entre ambos, como a própria autora registra, foi edificada por seus pais.

2. O poema de Paulo Mapu

Transcrito pelo autor a partir de seu livro Mulher Lua, o poema percorre os rios de cada lugar por onde passou:

Os Rios Correndo em mim
Só agora me dei conta
Que os rios contam
A minha história

Em Sertânia o Moxotó
Sem pena e sem dó
Desvia seu curso
Me jogando no Velho Chico

No Recife o Capibaribe
Como uma catapulta
Me lança no Rio Guamá
No Amazonas

O Negro e o Solimões
Guardam alucinações
Poemas lançados
Em papéis picados

Com destino ao mar
Na Bahia
Rio de Contas
Me conta da família

Matogrosso
E seus encantos em Itacaré
Na Venezuela
Rio Orinoco

Carimba meu passaporte
Na primeira fronteira
Em busca de outros rios
No Caribe

Cuba me chama
Até Baracoa
No Rio Toa
À toa…

Poema do livro Mulher Lua — Paulo Mapu

3. A resposta de Jussara Burgos

Em resposta, Jussara Burgos compôs o poema que dedica ao amigo:

Mapu
Nas veias do meu amigo
correm rios que ele conheceu.

Águas de doces lembranças
do seu sonhar.

Águas fluviais
correm na certeza
do encontro com o mar.

Rios são caminhos tortuosos
vencendo obstáculos
em busca da sua grandeza.

Sobre os rios, tem pontes
ligando gente e seus ideais.

Sobre os rios, balsas, canoas e barcos
dizendo que navegar é preciso
para poder chegar.

O rio é etéreo,
é um momento que não se repete jamais.

Rios tem calmarias e temporais…
Na correnteza, os sonhos chegam e vão.

Rio é vida que segue…
É um eterno recomeçar.

No remanso dos rios
tem borboletas a voar
e flor de mussambê
pra meu amigo brincar,
sentado às margens do rio,
escrevendo poemas em pedaços de papel;
fazendo barquinhos
que a correnteza do Solimões levava embora…
Era poesia que nas águas corriam.

Para Paulo Mapu — Nossa amizade foi construída por nossos pais

4. O reconhecimento

O poema de Jussara rendeu-lhe a honraria Destaque Acadêmico 2026 – Mérito Acadêmico Imortal, acompanhada do Diploma de Mérito Acadêmico Ciccillo Matarazzo, outorgado pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia (ALSPA). A distinção foi entregue em 6 de setembro de 2026, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em cerimônia conduzida sob a presidência de Rogério Veiga e com a participação da Presidente de Honra, Leni Ziliotto.

A premiação reconhece a trajetória de Helena Jussara Pereira Burgos Monteiro — a Jussara Burgos da nossa rede — por sua contribuição às artes e à cultura, e presta, ainda, reverência ao legado de Ciccillo Matarazzo, idealizador da Bienal de São Paulo e figura central na abertura do país à arte universal.

Para encerrar

Essa história evidencia que a poesia, quando nutrida por laços verdadeiros, transcende a página e circula entre gerações e geografias. Dos rios de Sertânia às águas do Solimões, das margens do Orinoco ao mar do Caribe, a palavra segue seu curso — e, como os rios, encontra sempre o caminho do encontro.

Que a amizade entre Paulo Mapu, Jussara Burgos e Ramon Japiassu permaneça como testemunho de que a literatura nordestina, longe de correr solitária, floresce na partilha.

Jussara Burgos ocupa a Cadeira 34, sob a patronagem de Rachel de Queiroz na Academia Valparaisense de Letras- AVL em Luziânia Goiás.

Publicado Originalmente em DANADO DE BOM, para visualizar CLIQUE AQUI