03 setembro, 2026

A inauguração do Mercado Público de Quitimbu em 1966


Acervo Paulo Peterson

 

Voltar ao passado é essencial para compreender a força e a identidade do nosso povo. Esta fotografia emblemática registra um marco divisor de águas para a economia e o convívio social do distrito de Quitimbu, em Custódia (PE): a inauguração do seu Mercado Público no ano de 1966.
O clique capta a solenidade e a presença de importantes lideranças da época. Da esquerda para a direita, podemos identificar:
  • Tenente Miguel José da Silva (Prefeito Nomeado)
  • Ernesto Queiroz Júnior (Presidente da Câmara Municipal de Vereadores)
  • Padre Luiz Klur (representando a força religiosa e comunitária)
  • Dr. Pedro Pereira (dentista) (ao microfone, discursando para os presentes)
  • Silvio Carneiro (Secretário Municipal)
  • Dr. Orlando Ferraz (médico)
Cada rosto na imagem carrega a expressão de quem testemunhava o progresso chegando à comunidade, consolidando um espaço que viria a ser o coração do comércio local por gerações.

🌾 Quitimbu: O Berço da História de Custódia
Falar da inauguração do mercado em 1966 exige também olhar para trás e reconhecer que Quitimbu é o primeiro núcleo de povoamento de toda a região. A história do distrito começou muito antes, ainda no século XVIII, com a chegada pioneira do coronel Luiz Tenório de Melo Dodô, cujas fazendas e caminhos abriram as portas para o surgimento do que hoje conhecemos como o município de Custódia.
O crescimento da comunidade e a sua relevância foram oficialmente coroados em 28 de maio de 1963, quando o local foi elevado à categoria de distrito pela Lei Municipal nº 30. A construção e entrega do Mercado Público apenas três anos após essa emancipação distrital — em 1966 — simbolizou a consolidação de Quitimbu como um polo vivo, independente e próspero.
Preservar memórias como esta é manter viva a alma da nossa terra!
E você, conhece alguém que esteve presente nesse dia ou tem histórias para contar sobre o Mercado Público de Quitimbu? Deixe seu comentário!
👉 Compartilhe esta relíquia e ajude a valorizar a nossa história local!

02 setembro, 2026

Custódia da minha infância - Zezé do Amaral França



Não é de muito longe. Quase de ontem, a Custódia da minha meininice. A gente sempre guarda uma saudade do que se chama “recordações da infância”...

Nasci nessa cidade, na casa nº 45; ficava no local onde se realizava a feira livre, em dia de segunda-feira. Esse quadro tinha a denominação de Praça 4 de Outubro. Hoje, a bonita Praça Padre Leão. Aí, está a Igreja da cidade. Nela, fui batizada, tendo como padrinhos: Euclides Amaral e Santa Ana.

Nesse imenso espaço, reunia-me com as meninas, para as brincadeiras de roda, cujas canções ainda são repetidas nas rodas atuais: academia desenhada no chão; pular corda, etc.

Época do Padre Antônio Duarte, vigário local. Como pedagogo nato, sabia lidar com a criançada, promovendo recreação, após o catecismo. Dramas, show, competição com distribuição de prêmios aos vencedores; declamação de poesias; cânticos, eram ensaiados. A escolha para se exercer determinados papéis era de conformidade com a habilidade das pequenas artistas. Sobressaíam: Osminda, Orcinda, Neusa, Durcília, Luiza Aleixo, Alzira Farias, Neuma Florêncio, Áurea, Maria Emília, Gerusa Amaral, entre outras.

Para cada acontecimento social ou político ou mesmo para prestar uma homenagem o Padre Duarte compunha estrofes, musicando-as. Foi o que aconteceu, quando o Prefeito Ernesto Queiroz favoreceu a cidade, com luz elétrica. Na inauguração, em 1939, foi feita, ao mesmo, uma homenagem e JOANY (hoje, primeira-dama) cantou:

Em Custódia antigamente
 só reinava escuridão
 eram trevas e mais trevas
 que pairavam na amplidão
 Que horror, que coisa triste 
 Santo Deus, e Credo em Cruz
 Mas por uma felicidade
Veio Ernesto e deu a luz.

Estribilho:

Digamos todos, e todos nós 
Viva o Prefeito Ernesto de Queiroz.


FESTA DE SÃO JOSÉ — Repetiam as atrações externas, comuns às outras festas.

O novenário atrai os cristãos para louvar o querido padroeiro. O altar do Sacrário e sobre o mesmo, o nicho com a imagem do venerado, revestiam-se de maior beleza. Tudo era culminado com a procissão, pelas principais ruas da cidade. Ao chegar o andor, os sinos repicavam com mais insistência e a girândola estourava, aparecendo luminoso o retrato de São José.

DONA (Maria), a quem muitos dos custodienses a chamavam de Madrinha Dona, era uma pessoa singular. Lembro-me, que em sua casa, ao lado da Igreja, no seu quintal, mantinha um cercadinho onde cultivava: espirradeira, bogari, jasmim, alfinete de noiva, bambu, latinhas com bonina, crótons variados e outras plantas que resistiam à inclemência do verão sertanejo.

Mantinha, permanentemente, o altar do Santíssimo ornamentado com essas flores e folhagem.

MÊS MARIANO: Noiteiros, ladainha cantada, etc. As crianças, participantes do catecismo, no 1º dia de maio, vestidas de anjo, com asas trabalhadas com papel crepom e flores nas mãos, chegavam à Igreja cantando:

Queremos a Maria
flores oferecer...


Assim vestidas, no último dia, entravam para coroar Nossa Senhora.

As enfrentantes das festas e do dia-a-dia da Igreja, além de Dona: Maria Josefina, Iaiá Florêncio, Ester Pires, etc.

SÃO JOÃO — O som da bandinha de pífanos e zabumba me fascinava. As barraquinhas eram freqüentadas. Fogueiras crepitantes esquentavam as noites juninas e as rodas, em torno das mesmas, indispensáveis. Delas, firmavam-se os compromissos com as madrinhas e padrinhos, abençoados por São João Batista.

Comida de milho, sim, essas não faltavam.

Nas casas, a imagem de São João, com seu inseparável carneirinho, cercada de flores e velas acesas num atestado de fé e religiosidade.

A iluminação discreta das lanternas oscilantes, penduradas nas janelas.

Portas abertas num abraço de luz e hospitalidade.

As moças agrupavam-se para as adivinhações: umas, vão colocar facas novinhas nos troncos polpudos de bananeiras; outras, enchem d'água bacias que ficavam ao relento; a adivinhação do ovo no copo para descobrir alguma mancha que denotasse uma igreja, terço ou então...

Os primeiros raios do sol surgem. É a hora de interpretar as adivinhações: correm algumas, debruçam-se sobre bacias para verem seus rostos retratados ou não na água.

Retiram a faca da bananeira, procurando descobrir o nome do futuro marido. Outra, levanta o guardanapo que esconde o copo feiticeiro: Uma torre! É de igreja! E a mocinha fica feliz com tão próximo casamento assegurado pelo milagroso santo. Figura de terço: convento ou ficar para titia.

Daí, as decifrações das adivinhações resultarem em alegrias ou insatisfações. Os balões eram atrações. Pontinhos trêmulos, na sua corrida efêmera de estrelas de papel... Na minha visão, era algo que subia em viagem; para onde?

Nunca descobri!

Despediam-nos da festa, já pensando no São João vindouro.

7 e 11 DE SETEMBRO — Desfile dos escolares. Farda nova ou a da diária, muito engomada. Nos cabelos, lacinhos verde-amarelo. O tênis branco complementava a indumentária. Alguém discursava, poesias eram recitadas e a bandeira do Brasil, hasteada. “Pátria”, nome ouvido com respeito, emoção e amor.

NATAL — Festa muito esperada. O Pastoril animava o povo. Armavam-se barracas. Nas minhas compras, não faltava a cestinha de papelão revestida de papel de seda em duas cores. Um dos artesanatos dessa época. Conteúdo: bolinhos e os deliciosos confeitos de mel de abelha. Bebia-se a famosa gasosa.

O carrossel e barcos de propriedade de Duda Ferraz, empurrados à mão, completavam nossa alegria. Sim, o vestido novo fazia-nos vaidosas. Meia-noite, a Missa do Galo, no patamar da Igreja.

Gradativamente, essas festas iam tomando nova fisionomia, chegando a vez da difusora “Duas Américas”, onde se ouvia dedicatória de canções da época.

ESCOLA — A aula era ministrada na sala de visita da professora. Conduzíamos o nosso tamborete. Professoras municipais: Betinha de D. Isabel, Rosinha e Maria Augusta Amaral (Manoca). Do Estado: Corsina Valença e Ivete Matos.

Depois, veio a construção do 1º Grupo Escolar “General Joaquim Inácio”, em 1944, na 2ª gestão do Prefeito Ernesto Queiroz. Os professores eram tidos como autoridades. Suas funções iam além do ensino.

MATURIDADE — Custódia chegou a sua idade adulta: Várias Escolas de 1º Grau, Hospital, três Bancos, oito farmácias, dois clubes sociais, mais de dois hotéis, casas comerciais variadas. A fábrica de doce Tambaú é de excelente qualidade. Bonitas casas residenciais e a cidade bastante estendida.

Fui acompanhando o seu progresso, visitando-a sempre. Daí, não me surpreender com a sua evolução.

Custódia da minha infância tem muito de que fazer saudades...

Ambientes, usos e costumes foram retocados pelas tintas da civilização.

Cresça mais CUSTÓDIA, e muito mais! Eu, agora, a vejo com olhos adultos.

Extraído do livro RETRATO ESCRITO VOLUMA I, publicado em Recife, em 1993.

Um dia de horror - Autor José Melo



 



Texto:
José Soares de Melo
Recife-PE



Nossa terra era estigmatizada pela violência. Não por acaso o Bairro da Redenção – nome dado por Luizito, era conhecido por Beco do Iraque, em função das constantes ocorrências policiais que ali aconteciam, principalmente nos dias de segunda-feira, nos famosos “ fins-de-feira”.

Entretanto, o dia mais cruel para Custódia (de que me lembro) foi no final da década de setenta.

Naquela época a palavra assalto era desconhecida na região. Perto do meio dia, dois veículos estacionam na Praça Padre Leão, e dele descem dois homens, se dirigindo à Padaria Confiança, de propriedade do então Prefeito, João Miro. Lá, apontando uma arma para a esposa do Prefeito, D. Jovelina, pediram o dinheiro, tendo ela se negado a dar, até porque não se tinha conhecimento dessa modalidade de crime, e, inocentemente a mesma correu sério perigo. O Assaltante desistindo, saiu e entrou no mercado vizinho, e apontando a arma para o proprietário anunciou o assalto. Este ao se levantar, também inocentemente, fez um gesto de suspender a calça, levantando-a pela cintura. Foi seu último gesto: uma bala atravessou o coração de Heleno Chaves naquele dia.

Os assaltantes fugiram em disparada nos dois carros, e quando a polícia veio ao local já haviam se passados longos minutos. Naquela época a cidade era praticamente desprotegida. Não havia viaturas, armamentos, policiais em número suficiente, e para concluir, a Delegacia tinha como titular um velho sargento reformado que praticamente nada fez para prender os assaltantes.

Entretanto, a solidariedade dos custodienses mostrou a capacidade de se defender que a cidade tinha à época: dezenas de populares iniciaram uma verdadeira caçada humana aos assaltantes, percorrendo as caatingas, trocando tiros, provocando acidentes, enfim, um verdadeiro horror, que culminou com um saldo triste: além da morte de Heleno Chaves, morreram três bandidos fuzilados, e um PM, de nome Moreira, (meu contra-parente) em um acidente ocorrido em uma barreira policial nas proximidades do atual Posto Tamboril, quando o mesmo foi atropelado. Recordo que a cada assaltante que chegava, a população pensando que o mesmo estava vivo partia pra cima do carro aos berros de “lincha, lincha...”.

Conta-se que o primeiro bandido capturado foi obrigado a gritar pelos companheiros, na tentativa de localiza-los. Era noite, e de repente a luz apagou e ouviu-se um tiro. Imediatamente a luz voltou e o bandoleiro já estava caído no chão, com uma bala no ouvido. Outros dois foram metralhados no Cruzeiro, quando tentavam a fuga, pulando uma cerca.

Escapou apenas um dos assaltantes, de nome Eurípedes, assim mesmo porque que foi preso tentando a fuga, já dentro de um ônibus, próximo a Cruzeiro do Nordeste, pois ao entrar no mesmo deparou-se com um militar fardado, que o prendeu. Foi o único que escapou, e segundo comentários da época, quasae era morto na cadeia, por uma autoridade que revoltada com os fatos chegou a sacar a arma, sendo contida pelos policiais. Dias depois esse assaltante sumiu misteriosamente, durante as várias transferências de presídios. Esse foi o dia de maior violência que a cidade viveu, pelo menos no meu tempo.

[Diário de Pernambuco]: O audacioso furto de 5 milhões da prefeitura de Custódia-PE em 1965


Diário de Pernambuco
Edição 25 de Setembro de 1965

João Gracindo um dos autores do roubo, furtou do ex-prefeito Miguel José da Silva o valor dr Cr$ 5.078.451 em julho daquele ano.

 

Por Blog Custódia Terra Querida

Em 23 de setembro de 1965, as páginas do tradicional jornal Diário de Pernambuco traziam uma história policial inacreditável envolvendo diretamente o município de Custódia. O episódio reuniu um grande valor em dinheiro público, um desespero no ônibus, investigações policiais e a recaptura de um criminoso procurado em outro estado.

O Furto no Ônibus

Cerca de dois meses antes da publicação da notícia, o então prefeito em exercício de Custódia, o tenente reformado Miguel José da Silva, preparava-se para retornar à cidade. Ele embarcou em um ônibus da linha de Arcoverde carregando uma pasta de couro. Dentro dela havia documentos oficiais e a quantia exata de Cr$ 5.078.451 (cinco milhões, setenta e oito mil e quatrocentos e cinquenta e um cruzeiros), pertencente aos cofres da Prefeitura de Custódia.

Após se acomodar na poltrona e deixar a pasta sobre o assento, o prefeito desceu momentaneamente do veículo para pegar sua valise de viagem. Ao retornar ao seu assento, a surpresa: a pasta com todo o dinheiro havia sumido.

O relato da época descreve que, desorientado com a situação, o tenente Miguel Silva começou a procurar o pertence por todo o ônibus, indagando os passageiros sobre o paradeiro da quantia. Diante da busca infrutífera, ele dirigiu-se à Delegacia de Investigações e Capturas (DIC) para prestar queixa.

As Investigações e a Primeira Prisão

A polícia deu início às sindicâncias e ouviu mais de 20 suspeitos. As investigações apontaram para dois homens: João Gracindo da Silva (residente em Olinda) e José Marques Barbosa (morador de Abreu e Lima).

Os investigadores José Nildo, Francisco Pereira e Manuel Leopoldino localizaram os dois suspeitos em suas próprias residências e recuperaram o dinheiro integralmente. Pressionados no interrogatório pelo comissário João Medeiros, ambos caíram em contradições e confessaram a autoria do furto.

O Desfecho: Habeas Corpus e Latrocínio na Paraíba

O caso deu uma reviravolta logo após a primeira prisão: João Gracindo foi solto beneficiado por uma ordem de habeas corpus. No entanto, a liberdade durou pouco.

A polícia de João Pessoa (PB) enviou um telegrama informando que João Gracindo era, na verdade, um criminoso de alta periculosidade, já condenado pela Justiça paraibana a 26 anos de reclusão por crime de latrocínio (assalto à mão armada seguido de morte ou lesão grave).

A recaptura final ocorreu nas proximidades do velho cemitério de Olinda, efetuada pelo investigador Francisco Pereira, sob o comando dos comissários João Medeiros e José Armando Catende. O homem que tentou desviar os recursos da Prefeitura de Custódia acabou finalmente reconduzido à prisão para cumprir sua pena.

Nota de Contexto Histórico: O valor furtado em 1965 (mais de 5 milhões de cruzeiros) representava uma quantia expressiva para a época, um montante significativo para o orçamento municipal de Custódia na década de 1960.


Contexto do Período

O Tenente Miguel José da Silva governou Custódia como prefeito nomeado (interventor) entre 10 de outubro de 1964 e 28 de fevereiro de 1966, assumindo o cargo após o falecimento do prefeito eleito José Gonçalves Florêncio, durante o início do regime militar. Sua gestão tenha ficado marcada por ações como a inauguração do projeto inicial da Unidade Mista de Saúde Elizabeth Barbosa. 

31 agosto, 2026

Samambaia "As emoções de uma jovem professora" - Sevy Oliveira


Vista parcial do povoado de Samambaia durante 
Procissão de São Sebastião, padroeiro local.


Sevy Oliveira
Livro "Caminhos do Afeto" lançado em 2004
Editora Bagaço


Sem previsão de concurso para o preenchimento de vagas no Magistério, as nomeações eram geralmente intermediadas junto ao Governo do Estado.

Não tendo ainda 18 anos completos, fui designada, interinamente, para substituir uma professora licenciada por tempo indeterminado, na Vila de Betânia, a 72 km de Custódia — uma articulação do deputado Metódio Godoy, amigo particular do meu pai.

Era uma vila que esboçava um perfil urbano autossuficiente, com casas comerciais, feira livre, energia elétrica, transporte, diversões e a Capela de Santo Antônio, tendo um representante na Assembleia Legislativa do Estado, Capitão Olímpio Ferraz.

A casa onde me instalei era grande, mas eu contava com a companhia carinhosa de minha irmã Maria e da aluna Julieta, que, frágil e delicada, me fez acolhê-la enquanto permaneci nessa vila. A minha classe funcionava na sala da minha residência, com alunos da 3ª série, variando a idade entre 14 e 16 anos. Não era adotado ainda o critério de turmas por faixa etária.

Apesar de contar com a receptividade e o apoio das professoras do Estado, Zilda Feitosa e Maria do Carmo Moreira, o número de alunos não ultrapassou o total de 13, durante todo o segundo semestre, sendo isto o fator determinante da transferência da cadeira para outra localidade do Município.

De volta das férias de fim de ano, assumi a cadeira no povoado de Samambaia, a 37 km da sede, sempre na companhia de Maria.

A escola tinha prédio próprio, com um salão em cimento, quintal grande para o recreio e dependências para a moradia da professora.

Por se tratar de uma escola isolada, a classe era multisseriada, abrangendo da alfabetização até a 4ª série. O mobiliário da professora era limitado a uma mesa, um banco e um quadro de giz num cavalete, e o das crianças, os pais proviam com mesas e bancos.

O material escolar disponível era o livro de texto e o caderno dos alunos.

A escola recebia para merenda o leite em pó, fornecido pela Secretaria de Educação do Estado. Não tendo receptividade pela maior parte dos alunos, o leite dissolvido era distribuído por Maria com pessoas carentes da comunidade, evitando o seu desperdício.

Semanalmente, o caminhão do Sr. Cecílio Ferreira, único meio de transporte motorizado, levava os moradores e suas mercadorias para a feira livre em Custódia, oportunidade em que eu recebia os mantimentos da semana, enviados por meus pais.

Percebia-se que o progresso por ali passara, deixando as suas marcas na construção das casas de moradia, do açougue, do armazém, do salão de festas, da mercearia, da vila dos operários e do cemitério. Tudo isso impulsionado pelo funcionamento da fábrica, que exportava a fibra do caroá, em grande escala, para o Município de Caruaru.

O fato de o caroá ser extraído desordenadamente, sem uma política voltada para preservar a espécie, levou quase à extinção essa planta nativa do Sertão. Em consequência e com a escassez da matéria-prima, houve a desativação da fábrica e o êxodo dos moradores.

Em Samambaia, a fuga para a sobrevivência era endereçada para a construção do açude Poço da Cruz, em Ibimirim, para a hidroelétrica de Paulo Afonso, na Bahia, ou para a cidade de São Paulo.

Nas ruelas, a maioria das casas estavam fechadas. Havia apenas doze casas com moradores: a de Josefa Simões, a de dona Bela, a mercearia dos irmãos Ferreira, a da escola, a casa de pousada de José Cirzino e Maria Pereira, a de Dezinho e Margarida Rezende, a de Abílio e Rosa Ferreira, a de Neco e Anísia Pereira, a de Nomeriano de Freitas, empresário da fábrica de caroá, a de Júlio e Tereza Simões, a de Cecílio e Alice Simões, a de Lídia Ferreira e a de Dona Mãezinha, além de casas isoladas próximas.

À noite, frestas de luz de candeeiros, refletidas dessas casas com portas abertas, emprestavam àquelas ruas um ar nostálgico. Era como se refletissem e testemunhassem a fragilidade das casas vazias, por não conseguirem deter seus moradores, que, fechando as suas portas, abandonavam o seu aconchego.

Recém-formada, sentia-me insegura para executar o papel de professora e para lidar com essa realidade. Talvez a comunidade não tenha percebido esses meus conflitos e a dificuldade de adaptação às noites sem luz e às ruas vazias. Muitas vezes pensei em renunciar.

Esses anseios iam perdendo a sua intensidade em face da perseverança e, por que não dizer, da bravura daquelas crianças, que enfrentavam o caminho da escola sob o sol forte ou sob as chuvas e, muitos deles, a pé e só com o café da manhã.

Conscientizando-me dessas dificuldades, não deveria mais me acomodar nem fazer do ensino uma simples rotina.

As minhas emoções deveriam ser agora direcionadas para uma vivência nova, que iria exigir muita abnegação e criatividade.

Sugeri ao delegado de ensino local, Cecílio Ferreira, solicitar à Prefeitura de Custódia uma professora para a classe de alfabetização. Foi designada Alzira Simões, que, no início de cada ano letivo, entregava-me as crianças alfabetizadas.

As tardes eram reservadas para avaliar as tarefas de classe e planejar as atividades da próxima aula, confeccionando material didático e redigindo os exercícios de classe e de casa de cada aluno das primeiras séries.

A Secretaria de Educação solicitava o resumo quinzenal dessas atividades, por série, e, mensalmente, um exemplar da prova com o seu gabarito, a relação das notas e as provas de maior e de menor resultado. Lamentavelmente, não recebia o retorno com a avaliação dessas informações.

A visita semestral de Maurina Rodrigues, inspetora escolar, era realizada na sede de Custódia. Nas reuniões, abordava assuntos gerais e anotava as atividades e dificuldades das escolas isoladas dos povoados.

Enviava também para a Diocese de Pesqueira exemplares das provas de Religião e o relato das atividades em classe e na igreja.

Pela exiguidade do tempo — oito da manhã ao meio dia — na sala de aula, para atender aos diferentes níveis de escolaridade, tornavam-se imprescindíveis atividades extra-classe de cunho social, artístico, religioso e de lazer.

Quando ia a Custódia nos fins de semana, fazia passeios, participava de festas e me divertia, sempre na companhia agradável das amigas, em especial Leny, Neide Campos e Angélica Rodrigues. Nas férias, comprava jogos educativos e livros de histórias, que ficavam disponíveis para as crianças na escola, no horário da tarde. Muitas vezes, jogava com elas.

Além das datas comemorativas do calendário escolar, as crianças participavam das festas tradicionais e religiosas locais.

Na data da independência, pela manhã, os alunos, orientados por Cabo Menezes, da Polícia Militar, ali em destaque, desfilavam pelas ruas, organizados em pelotões com uma ala de frente. Encerravam o desfile com manobras diante da escola, entoando hinos cívicos e, após o hasteamento da Bandeira, pelo Delegado de Ensino, recitavam poesias.

A tarde desportiva constava de jogos e brincadeiras por classe, e era prestigiada com a presença e a torcida da comunidade, inclusive dos que vinham das fazendas e sítios vizinhos.

Partindo das observações do relacionamento entre os alunos na sala de aula, no recreio, com as plantas e com os animais, organizava passeios no campo. Essas atividades eram direcionadas para desenvolver atitudes de respeito pela natureza e espírito de competitividade e de solidariedade nos jogos e nas brincadeiras.

As atividades da igreja eram também da coordenação da professora, com terço diário, catecismo à tarde, nos domingos, novenário do Coração de Jesus, semana santa, assistência ao pároco de Custódia na celebração das missas, festa de São Sebastião, padroeiro local, e os exercícios do mês de maio.

O conjunto das vozes de Socorro e Margarida Rezende, Neginha, Lia Simões, Zequinha e da aluna Geni Pereira formava um coro harmonioso que recebia elogios do pároco e dos visitantes.

No mês de maio, toda a comunidade participava dos exercícios marianos, lotando a Capela.

O altar era ornamentado com folhas, galhos e flores silvestres, lamparinas, velas e, por concessão dos irmãos Ferreira, tecidos da sua loja.

Além dos cânticos e orações, alguns noiteiros inovavam com outras atividades. Na noite dos moradores de Caiçara, um arruado próximo de Samambaia, eles traziam a banda de pífanos e prestavam a sua homenagem com um interessante ritual ao redor do altar. Na noite dos jovens, no último domingo de maio, diante da igreja, armavam uma grande fogueira, colocavam mesas com comidas típicas de milho, soltavam fogos de artifício e culminavam com um animado forró no salão de festas.

O último dia era reservado à escola. As crianças ofertavam flores, coroavam no altar a imagem de Nossa Senhora e levavam-na em procissão até a calçada, onde cantavam hinos em coro e representavam, em jogral, cenas alusivas à Nossa Senhora, encerrando o mês Samambaia recebeu a visita de Dom Adelmo Cavalcanti Machado, bispo diocesano de Pesqueira, com uma calorosa recepção. Entre missas, confissões, batismos e crismas, amadrinhei alunos e testemunhei casamentos: um saldo religioso positivo nessa semana litúrgica. Dom Adelmo considerou significativa a minha atuação catequética, afirmando o reconhecimento do meu trabalho, pela Diocese.

A Capela precisava de reparos. Com os alunos, os jovens locais e as meninas Nilda Campos, Maria do Carmo Tenório e as minhas irmãs Ezilda e Darcy, vindas de Custódia, organizava "show" com o objetivo de angariar recursos e de tornar as noites mais movimentadas.

Era gratificante observar a desenvoltura e a espontaneidade de todos no palco, diante da platéia, interpretando com graça a revista da cidade, os monólogos, os diálogos e os dramas, peças teatrais de histórias emocionantes, que eu elaborava.

Com alegria, constatava que a arte de representar e de cantar só dependia de oportunidade.

O "show" foi levado aos povoados vizinhos de Maravilha e de Caiçara, contando com o transporte do compadre Cecílio Ferreira e a carinhosa receptividade dos seus moradores.

Na festa do padroeiro São Sebastião, em 20 de janeiro, mesmo estando de férias, era solicitada pelo Monsenhor Urbano de Carvalho, pároco de Custódia. A primeira noite do novenário era, por tradição, da família do Sr. Manoel Olímpio de Rezende, que, durante muitos anos, fora o coordenador da Capela.

Estando doente, levamos as imagens de São Sebastião e de Nossa Senhora das Dores em procissão até a sua casa. Um quadro de grande emoção: ver a expressão de alegria e de fé daquele homem enfermo, agradecendo, com humildade, a presença dos santos da sua devoção e lhes pedindo para ser o seu advogado diante de Deus.

Muitos samambaienses voltavam ao povoado para prestigiar a festa do seu padroeiro. Havia muita alegria nos rituais da igreja, nas barracas, nos leilões de prendas e nos bailes. Com a entrega da bandeira ao novo patrono da festa, encerrava-se o novenário.

Nos fins de semana, fazia passeios em fazendas vizinhas ou ia com a professora Alzira para Caiçara, onde morava a sua mãe, Chiquinha Simões — uma casa alegre, mesa farta e uma família de muitas moças e rapazes. Aproveitava para visitar os meus parentes da família Rodrigues — Joaquim, Dona Milu, Antônia, Alonso, Elpídio e Benzinho de Melo, uma das lideranças locais.

O luar das noites de Samambaia clareava as ruas, e na calçada de Dona Josefa Simões, cantávamos em seresta ao som do violão de Adauto Costa.

Nesse período que ali vivi, perdi pessoas muito queridas: o irmão Luiz Carlos, com 25 anos, casado com Lucila Angelim, em Salgueiro, a minha avó Dondon e, em Pesqueira, o Sr. Zé Guilherme.

Vivi também a forte emoção de ganhar os dois primeiros sobrinhos, Cícero Gomes de Oliveira Neto, filho de Dedé, e Maria Auxiliadora Angelim, filha de Luiz Carlos.

Marcaram minha lembrança Leu Rezende, sempre bem-humorado no atendimento à comunidade, com suas múltiplas habilidades profissionais, e o Sr. Nomeriano de Freitas, industrial e agropecuarista, que mantinha, com os seus ternos em cores claras, uma postura urbana de empresário. Também guardo na memória Sebastião Bernardo — o Boca, ajudante de caminhão que, nos dias de sábado e nas vindas extras a Samambaia, trazia-me pães, carnes e frutas frescas, mandados por minha mãe. Os compadres, os alunos e as afilhadas Luzia Pieta, Geni Pereira, Edite Sitônio, Cilene Simões, Áurea de Melo e Percy Ribeiro fazem parte dessas lembranças, que guardam também nítida a figura da aluna Didi Campos.

Como professora, era convocada para receber autoridades, presidir seção eleitoral, mesmo quando votei pela primeira vez, intervir em desentendimentos entre adultos, batizar crianças enfermas, cortar cabelo, preparar noivas e rezar em velórios.

Os meus medos de insetos, de fantasmas e de velórios foram gradativamente atenuados por não haver alternativas para evitar essas coisas.

Transferida, deixava em Samambaia as inseguranças, os anos e os sonhos da juventude. Ganhei afilhadas, fiz amigos e consegui, mesmo com limitações didáticas, extrapolar as paredes da escola, tornando a aprendizagem mais interativa com o social, com o religioso e com o lazer.

Essa experiência me legou uma bagagem pedagógica e de vida que me fez assumir sem dificuldades a direção do Grupo Escolar João Guilherme, em Tacaimbó, e passar, com destaque, no concurso de Supervisor Escolar de Professores Leigos, promovido pela Secretaria de Educação do Estado, em Recife.

O caos na feira - Fernando Florêncio


Ilustração para a crônica - IA

Texto: Fernando Florêncio
Ilhéus-BA
2010



A feira livre de Custódia sempre foi uma das maiores e mais movimentadas da região do Moxotó. Sendo uma cidade em termos populacionais, menor que suas vizinhas Serra Talhada, Arcoverde, Afogados, mesmo assim a feira de Custódia suplantava as feiras da vizinhança. Mascates de todos os lugares era presença garantida na feira cujo gigantismo ocupava toda a praça principal e as ruas adjacentes.

Frutas e verduras vinham de Triunfo, roupas de Caruaru, milho, feijão de corda eram de arranca era da produção local.

Meu pai, Zé Daniel, tinha uma bodega na esquina do beco de Zuca Pinto, vizinha à barbearia de Zé Nego.

Sonrisal, um comprimido que parecia uma bolacha, era vendido na Farmácia Pereira para tratar de “queima”, que não era nada mais, nada menos que azia.

Chegou à bodega um matuto (termo usado para identificar o pessoal que vinha da roça), com um sonrisal na mão e pediu a minha mãe, Dona Laura, que ajudava meu pai na vendinha, um copo dágua.

Acho que não explicaram ao homem que aquele comprimido parecendo uma bolacha, precisava ser diluído no copo d’água para poder ser tomado.

O Matuto jogou o sonrisal inteiro na boca, como engoliu não se sabe, e imediatamente tomou a água.

Dizem que quando o sonrisal recebeu a água, já na barriga começou a ferver por dentro, o homem danou-se a gritar, que estava sendo sufocado, sem fôlego e sentindo “coscas no bucho”, desabotou o cinturão e começou a dar massagem na barriga, e a andar desesperado pelos cantos da venda, com os olhos esbugalhados e

dando cada arroto de assombrar. Era como se tivesse tomado sozinho um litro de coca-cola quente. Não ficou ninguém dentro da venda até o matuto vomitar aquela explosiva mistura.

Curou-se com uma gelada de morango de gelo raspado vendida em garrafas imundas, por um cabra que vinha de Sertânia. Imaginem o quadro.

Nunca imaginamos, eu e Pedro de Dona Izaque, o efeito devastador que teria sobre a feira de Custódia, a soltura de um casal de jumentos, estando a jumenta no cio, no meio daquele povão.

A matutada que vinha montada para a feira, amarrava seus animais lá “nas gramas”. Naquela área gramada que usávamos como campo de futebol, bem ali no comecinho da Várzea, bem em frente à casa de Seu Luiz Amaral.

Hoje o CLRC - Clube Lítero Recreativo de Custódia, ocupa parte daquela área. Os animais ficavam amarrados na cerca do Sítio de Dona Nita e se alimentavam da grama.

Eu desamarrei um jumento forte, liso de tão gordo, enquanto Pedro procurava uma jumenta que estivesse com “as partes” bem inchadas, sinal de cio intenso.

Aproximamos os dois e a paquera começou, acompanhada de coices dela e relincho dele.

Como nada acontece por acaso, a jumentinha se fez de difícil e o jumento tal qual um tarado obsessivo, passou a morder-lhe o pescoço.

A jumenta acuada, disparou em direção ao beco de Valentin, com o jumento atrás mostrando as armas, exibindo a espada fora da bainha. Adentraram ao ambiente da feira, levando logo pelos peitos a banca de feira de Anizio Batista. Derramou tudo. Foi sabonete gessy, e brilhantina glostora pra todo lado. 

Algumas moças da nossa sociedade fugindo daquele quadro dantesco, mesmo em desabalada carreira, conseguiram algumas latinhas de pó “promessa,” famosa Cashemere Bouquet, que estavam esparramadas pelo chão da feira. 

Mais abaixo, o casal de jegues pegou de frente as bancas de roupas que ficavam em frente à Casa Gois, sem deixar nenhuma de pé. Como era época de seca, muita gente pensou que a feira estava sendo saqueada pelos retirantes. A correria foi de fazer medo. Teve feirante que deu até tiro pra cima para acalmar aquele povão.

Mesmo assim ainda roubaram muitas coisas dos feirantes. Eu corri logo para casa a fim de arranjar a desculpa de que não teria nada a ver com aquela desordem.

E o jumento enlouquecido, continuava na feroz perseguição à pobre jumenta, que aquela altura procurava um refúgio. Inicialmente tentou a Padaria de Seu João Miro, foi na Casa Gois, as portas batiam na sua cara impedindo a entrada, sendo enfim alcançada pelo jumento no beco de Pedro Rafael. Beco sem saída, fechado na outra extremidade pelo caminhão de João Bernardo. Aí não teve jeito. Acabou a resistência, capitulou, entregou os pontos e fez-se a luz.

Depois, como que habituados ao local aonde eram amarrados pelos seus respectivos donos, o casal de jumentos seguiu calmamente em direção às gramas e a feira que normalmente acabava por volta das seis da tarde, naquela segunda-feira, os feirantes arrumaram o que sobrou daquele terremoto e foram embora antes das quatro.

Crônica faz parte do livro FOI ASSIM - UMA HISTÓRIA AUTOBIOGRAFICA - 2010
Para adquirir entrar em contato pelo e-mail: florencio.fernando@hotmail.com

29 agosto, 2026

Em 2009, Alepe e TCE homenagearam Constituintes de 1989; Luiz Epaminondas Filho foi um os contemplados




A sessão solene ocorreu no dia 5 de outubro de 2009, data em que se comemorou o aniversário de 20 anos da promulgação da Constituição do Estado de Pernambuco de 1989.

O auditório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) foi cedido para a Assembleia Legislativa (ALEPE) porque o plenário da sede do Poder Legislativo estava passando por reformas na época.

Ao todo, 57 personalidades — entre titulares e suplentes — receberão a Medalha João Ferreira Lima Filho, honraria criada em memória do ex-presidente da Constituinte e ex-deputado estadual.

Entre os agraciados com a comenda (in memoriam) está o ex-prefeito de Custódia, Luiz Epaminondas Filho. Sua inclusão no grupo de homenageados reafirma a relevante participação do sertão no processo legislativo que resultou na elaboração da Carta Magna de Pernambuco, promulgada após a redemocratização do país.

A Honraria e o Patrono

A comenda levou o nome do deputado João Ferreira Lima Filho, que presidiu os trabalhos constituintes no final da década de 1980. Figura marcante na política pernambucana, João Ferreira Lima foi prefeito dos municípios de Aliança e Timbaúba, secretário de Saúde no primeiro governo de Miguel Arraes (1963-1964) e exerceu diversos mandatos na Alepe.

A cerimônia reuniu ex-parlamentares, familiares dos constituintes já falecidos e autoridades estaduais no auditório do TCE-PE, cedido especialmente para acomodar a solenidade do Poder Legislativo.

Receberam a Medalha, a saber:

1- João Ferreira Lima Filho (in memoriam)
2- Felipe Coelho (in memoriam)
3- Carlos Lapa
4- José Humberto Barradas
5- Geraldo Barbosa
6- Gilvan Coriolano
7- Manoel Ferreira
8- Marcus Cunha (relator)
9- Ademir Cunha
10- Adolfo José da Silva
11- Álvaro Ribeiro
12- Antonio Mariano
13- Argemiro Pereira
14- Arthur Corrêa de Oliveira (in memoriam)
15- Carlos Porto
16- Roberto Fontes
17- Clodoaldo Torres
18- Eduardo Araújo
19- Fausto Freitas
20- Fernando Pessoa
21- Cintra Galvão
22- Garibaldi Gurgel
23- Geraldo Pinho Alves Filho
24- Geraldo Coelho
25- Henrique Queiroz
26- Inaldo Lima
27- Ivo Tinô do Amaral
28- João Lyra Filho (in memoriam)
29- João Coelho
30- Joel de Holanda
31- José Aglailson
32- José Liberato (in memoriam)
33- José Áureo Bradley
34- José Cardoso (in memoriam)
35- José Amorim
36- José Humberto Cavalcanti
37- Mendonça Filho
38- Luiz Epaminondas (in memoriam)
39- Manoel Alves de Souza
40- Manoel Ramos
41- Manoel Luna (in memoriam)
42- Marcantônio Dourado
43- Lúcia Heráclio
44- Maviael Cavalcanti
45- Murilo Paraíso (in memoriam)
46- Newton Carneiro
47- Osvaldo Rabelo (in memoriam)
48- Paulo Guerra Filho
49- Pedro Eurico
50- Ranilson Ramos
51- Roldão Joaquim
52- Almeida Filho
53- Severino Cavalcanti
54- Sérgio Guerra
55- Valdemar Ramos
56- Vanildo Ayres (in memoriam)
57- Vital Novaes.

Link da Alepe: CLIQUE AQUI

Matéria enviada por Francisco Lima Leite "Chico Elizeu" em 06 de Outubro de 2009.

28 agosto, 2026

A vida das ruas - Autor: José Carneiro

 


As ruas são a vida da cidade. Alegre e animada, a Várzea. Não era a rua principal, mas, na época, a mais movimentada de Custódia. Nela estavam localizados cerca de dez estabelecimentos públicos e privados, a saber:

1) o Cartório de Notas e Registro Geral de Imóveis, a cargo do Tabelião Manoel Marinho de Resende, Né Marinho;

2) o motor da luz, movido a diesel, que iluminava a cidade, chamado de motor de Zé de Izaias e Bernabé;

3) a Escola Estadual Sete de Setembro;

4) o Posto de Saúde do Estado, denominado Dispensário, contando com o pronto atendimento de Antônio do Posto e Aíde Calado;


Tanino extraido em Custódia,era noticia em Jornal da Manhã de Recife
Edição de 26 de Setembro de 1931.


5) a fábrica de tanino, orgulho da terra, a segunda do gênero na América do Sul, de propriedade de José Estrela e administrada pelo genial Duda Ferraz;


Chafariz Público


6) o chafariz público, o tradicional banheiro de seu Duda, que abastecia a cidade com a água transportada por latas, galões e carroças;

7) a Usina de Caroá de Raul Guimarães, casado com uma custodiense e pai de Jarbas Guimarães, que se tornou industrial na cidade de Sertânia;



Sítio Dona Anita Remigio


8) e, por fim, o verdejante sítio de dona Anita Remígio, com seu poético coqueiral embelezando a paisagem e, lá no final, de frente, o casarão de Seu Manoel Lopes e dona Isaque, ainda desafiando o tempo.

Este, em ligeiras pinceladas, o perfil de uma das mais festejadas ruas do passado de Custódia. Quem quiser saber mais sobre ela, leia a saborosa crônica de Jailson Vital, a Várzea, no blog Custódia Terra Querida. (Clique Aqui)

Na infância brinquei muito na Várzea. Grandes saudades.


José Carneiro (in memorian)
Recife-PE
Livro A Baraúna (2015)