22 junho, 2026

Biografia Joaquim Tenório Sobrinho


Joaquim Tenório Sobrinho nasceu em 22 de dezembro de 1922,  em Custódia, filho do casal Gabriel Ferreira Arcanjo e Maria Tenório De Melo. O casal ainda teve mais 8 filhos, são eles: Maria Tenório Veras, José Tenório de Melo, Sebastião Tenório De Melo,  Antonia Tenório Da Silva, Antônio Tenório Sobrinho, Francisca Tenório De Melo, Rita Tenório Da Silva e Solidade Ferreira Cirilo.

Ainda residindo em Quitimbu, casou-se com Maria José Oliveira em 20 de agosto de 1944. 

Foi o primeiro da família a migrar para o sul, embora nunca tivesse deixado de proclamar sua paixão por sua terra. A circunstância, porém, assim o exigia, não chovia naquela região há algum tempo e desta forma tornou-se ele mais um retirante da seca.


Casal Maria José Oliveira e Joaquim Tenório Sobrinho


Foi vaqueiro, agricultor, comprador e vendedor de caprino e suíno, além de marchante (açougueiro) em Quitimbú, distrito do municipio de Custódia, em Pernambuco; trabalhou em lavouras da região de Novo Cravinho, distrito de Pompéia-SP e no município de Marília.

Mudou-se para Mato Grosso do Sul no ano de 1955, seu destino desde que saiu de sua terra natal, o que não aconteceu no primeiro momento porque, o dinheiro findou-se por completo em São Paulo-capital, tendo sido obrigado a procurar na Estação da Luz, o serviço de migração e de lá, acompanhado da esposa grávida e dos filhos Luizinho e Marizalve, tomar outro rumo e não o que projetara inicialmente.




Natal de 1986
último natal em familia.
(Joaquim tenório e sua esposa Maria José Oliveira)

Chegou a Cassilândia tempos depois, no dia 12 de abril de 1955. Sua família havia proliferado (coisas do sangue nordestino) haviam nascido mais três filhos: Lourdes, Cícera e Francisco de Assis, nascidos no interior do Estado de São Paulo. Deu uma volta na cidade, quando pode verificar não existir nenhuma carroça para fazer frete, sem pensar muito voltou ao interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Rubiácea, adquiriu uma com animal e tralha e rumou de volta a Cassilândia. Lá se foram 10 dias de viagem, dormindo ora embaixo da carroça ora em galpões ou paióis de fazendas.

Assim que retornou, iniciou o trabalho duro juntamente com seu filho mais velho, Luizinho; poucos dias depois estava de volta a Rubiácea para comprar outra carroça, o que foi feito sucessivamente durante 18 meses, período em que comercializou algo em torno de 40 destes veículos, tendo adquirido recurso suficiente para comprar um sítio, loteá-lo e homenagear seu estado de origem dando o nome do novo bairro de VILA PERNAMBUCO - o maior da cidade.

Comprou fazendas, chácaras, sítios, gado, jipes, caminhonetes, caminhões e até aviões. Também foi o primeiro corretor de fazendas de Cassilândia.


1º hidrelétrica de Cassilândia-MS,
foi construida por Joaquim Tenório Sobrinho,
esta usina foi um marco na história da cidade,
antes da construção o município tinha energia a motor,
e mesmo assim, era usada por poucos.

Foi vítima de um acidente de avião quase fatal, no dia 02 de julho de 1968, no aeroporto de Ribeirão Preto-SP. Inexplicavelmente a aeronave caiu logo após decolar. Passou meses na UTI, teve seu rosto completamente deformado, o que não pôde ser corrigido a contento por cirurgias plásticas, dada a gravidade do acidente. Ainda assim não se deixou abater, dado seu carisma e coração devotado ao bem de seu próximo, tornou-se político por imposição do povo.

É, até hoje em dia, proporcionalmente o vereador mais votado da história de Cassilândia-MS, obteve 35% dos votos válidos em sua primeira eleição. Para que tal votação seja superada, hoje, são necessários algo em torno de 4.500 votos! Foi Presidente da Câmara Municipal, uma vez vice-prefeito e duas vezes prefeito.

Maria Tenório de Melo, minha avó, a prima de Dodô, faleceu aos 77 anos, no dia 15 de abril de 1962, em Volta Redonda-RJ, vítima de um acidente, quando retornava ao estado de Pernambuco, depois de uma visita aos filhos em São Paulo e Mato Grosso, respectivamente.

Ela pretendia fazer uma visita ao seu primo Tenório Cavalcante, o lendário “Homem da Capa Preta”, em Duque de Caxias, para onde seguia antes de voltar para sua terra, vez que na adolescência residira por aproximadamente 4 anos na pequena propriedade rural de seu tio, pai de Tenório, de quem a mesma cuidou.

Acalentava o sonho de conhecer um avião, achava, conforme ela mesma dizia: interessante ver aquelas máquinas voando como pássaros. Seu filho, Joaquim, sabendo disso a esperou em Jales-SP, no final de 1961, com um avião de sua propriedade. Lembro-me, como se fosse hoje, de lhe perguntar se havia gostado da viagem, ela respondeu que adorara, mas que havia ficado mouca (surda). Este foi o primeiro e único reencontro de Maria Tenório com Joaquim e sua família, dado o desfecho no Rio de Janeiro.

Os contatos anteriores a esse reencontro eram apenas por correspondência, via cartas, que demoravam de 30 a 60 dias para chegarem ao seu destino. O sistema de telefonia (interurbano) praticamente não existia, quando muito se falava de uma capital para outra ou de uma cidade grande para outra também grande, com demora nunca inferior a 10 horas.

O interurbano chegou a Cassilândia somente nos idos de 1976, com Pernambuco na prefeitura, quando fez questão que o então Pároco da cidade, Pe. Jhon Pace, fizesse a primeira ligação internacional para um parente residente em Washington, capital dos EUA. Na sequência, ele próprio ligou para o último governador de Mato Grosso uno, o sergipano José Garcia Neto, em Cuiabá.


Filho Luizinho Tenório em frente a Prefeitura de Cassilândia-MS
O prédio leva o nome de Joaquim Tenório Sobrinho

Dois dos filhos de Joaquim Pernambuco enveredaram na política, eu, Luizinho Tenório, em Mato Grosso do Sul; e o caçula, Francisco de Assis Tenório, no Mato Grosso.

As filhas são educadoras e também moram em Cassilândia.

Concomitantemente a política, fui Fiscal de Rendas até me aposentar e hoje, enquanto economista, presto consultoria a diversas empresas, Câmaras e Prefeituras. Assis é empresário do setor madeireiro com atividades em diversos Estados do país.

Espero ter sido o mais esclarecedor possível, é muito bom, mesmo que a distância, sentir-me com um pé em minha terra, em meu berço!

Aos conterrâneos custodienses um abraço fraterno do sempre sertanejo.

Autor Luizinho Tenório 


Joaquim Tenório Sobrinho pelos filhos:


Joaquim Tenório Sobrinho foi mais que um homem público ímpar, foi um ser - humano notável, não se entregou à tragédia da morte prematura do pai nem às intempéries de sua terra natal, castigada pela seca. Foi senhor de sua própria história, mesmo tendo tudo contra ele não se entregou. Assumiu ainda na adolescência a responsabilidade de chefiar sua família, não se furtou à sua predestinação, quiçá outorgada-lhe por Deus, de superar seus próprios limites em nome do bem do seu próximo. Sua mãe e irmãos foram os primeiros a vislumbrar o visionário obstinado que tempos mais tarde viria a ser revelado aos olhos de gente de tão distante terra, mas que veio a ser tratada por ele como uma extensão de sua família.

Em Cassilândia, o Joaquim Pernambuco, como ficou conhecido, construiu sua saga. De humilde retirante, quase miserável, mas pertinaz como poucos veio a se tornar um dos maiores produtores rurais da região, e antes de se tornar político, diga-se de passagem. Mas seu grande feito não foi simplesmente ter vencido a miséria e ter guinado os rumos de sua própria história e de sua família, seu grande mérito foi não ter se deixado embevecer pelo dinheiro e pelo poder.

Jamais perdeu de vista suas origens e justamente por isso nunca negou auxílio a quem quer que fosse. Mesmo após ter amargado a derrocada financeira, continuou ajudando àqueles que buscavam auxílio sobre suas asas, pois era bem assim que ele se portava, como um grande pai que a todos acolhia sob suas benesses. A Vila Pernambuco é , hodiernamente, a prova mais tangível disso, embora seja apenas a ponta do iceberg. Um bairro inteiro, o maior da cidade, entregue à população carente!

Sem deixar transparecer a mínima ponta de amargura continuou a ajudar ao próximo até o último dia de sua vida, literalmente, tendo doado o último punhado de arroz que tinha em casa pela manhã a um pedinte alegando à esposa que ao menos eles contavam com crédito na venda da esquina, mas aquele coitado nem isso. Veio a falecer poucas horas depois.

São inúmeros os casos de prova de humildade e fraternidade deste homem que poderíamos continuar a enumerar, aqui, mas este não é nosso objetivo. A homenagem já foi feita e por jovens que sequer chegaram a conhecê-lo pessoalmente, o que reforça ainda mais nosso sentimento de gratidão. Toda tentativa de se manter vivos na memória do povo vultos do passado que ajudaram a construir nosso presente são louváveis, pois um povo sem história, não é um povo, é tão somente um agrupamento de indivíduos sem identidade coletiva, sem referências.

Mais uma vez agradecemos pela distinta homenagem e apresentamos nossos votos de sucess.

Por: Luizinho, Marizalve, Lourdes, Cícera e Assis Tenório.


Joaquim Tenório Sobrinho em homenagem Póstuma do Cassilândia Urgente

A SAGA DE PERNAMBUCO, O PREFEITO DOS POBRES



Joaquim Tenório Sobrinho, o Pernambuco, mais conhecido como o prefeito dos pobres, nasceu na cidade de Custódia, Estado do Pernambuco, sob o sol inclemente no agreste nordestino, no dia 23 de dezembro de 1922.

Pernambuco, segundo as palavras do poeta repentista Carolino Leobas, é o “Herói nordestino/Que se jogou no mundo/Para cumprir seu destino/Pois a sorte da pessoa/Já se traz de pequenino.” Esse poeta, em simples palavra, soube muito traçar a trajetória de Joaquim Pernambuco, que foi dono de uma grande história.

Filho de um lavrador chamado Gabriel Ferreira e de dona Maria Tenória, foi crescendo e aprendendo que no mundo é preciso lutar muito, que na vida é preciso determinação para vencer as barreiras, é preciso ter vergonha na cara. No dia 20 de agosto de 1944, casou com Maria Francisca de Oliveira e com ela teve os filhos Luiz e Maria Isalve.

Em busca de melhores condições de vida, deixou o seu rincão e rumou-se para o “Sul”, a bordo de um pau de arara, durante 11 dias, chegando finalmente à capital paulista, pegando um trem para Pompeia, onde ficou por seis anos, trabalhando numa fazenda de propriedade de Osvaldo José Paroni. Depois, passou uns tempos em Cravinhos, também em São Paulo, e lá nasceram os filhos Maria de Lourdes, Cícera e Francisco, num total de cinco herdeiros.Homem corajoso e determinado, Pernambuco mandou a cara no mundo e veio parar na região de Cassilândia no dia 12 de abril de 1955 para trabalhar inicialmente como carroceiro, isto é, no ofício de fazer frete com uso de carroça. Um certo dia, dona Walkíria Romão o viu, cheio de amigos para ouvi-lo, não se conteve e comentou para si própria:

Este é um grande homem. Pelo seu carisma de conquistar amizades, ele vai conquistar todos os cassilandenses. Ele é muito especial. Sabe ser simples e humilde. E realmente eu estava certo. Pernambuco foi uma pessoa extraordinária. Nasceu assim e assim morreu.

Como carroceiro, trabalhou um ano e meio. Naquela época começou a ganhar dinheiro. Num passe de mágica, estava com 18 carroças bem equipadas e novas. Daí passou a fazer “gambiras”, ou seja, negócios na base da troca, compra e venda de mercadorias diversas. Eram terrenos, carroças, materiais, apetrechos, utensílios domésticos, chácaras, fazendas. Começou a chover dinheiro em sua hora e ali acabaram os tempos de miséria e de sofrimento pelo mundo.

Havia dois tipos de transporte naquela época: a carroça era para carregar mercadorias e a charrete era para carregar pessoas como fazem os táxis nos dias de hoje. Na compra e venda de carroças e charretes, ele ganhou um bom dinheiro. Ia a São Paulo, fazia as compras e vendia tudo aqui em Cassilândia. Uma fórmula simples que funcionou por algum tempo até esgotar esse nicho de mercado.

Como lembra o ditado, “Deus dá a farinha e o Diabo carrega o saco”, as amizades multiplicaram, afinal os amigos não faltam na hora de gastar o dinheiro. E, assim, vivia Pernambuco, ora rico, ora mais pobre, mas sempre rodeado de muita gente.

E foi assim que recebeu o convite para entrar na política, elegendo-se vereador no pleito de 3 de outubro de 1958, assumindo o cargo no dia 31 de janeiro de 1959, ao lado de mais quatro vereadores, e, tendo sido o mais votado, foi aclamado presidente da Câmara de Vereadores de Cassilândia.

Na eleição seguinte, elegeu-se prefeito, assumindo o cargo em janeiro de 1963, tendo como vice-prefeito Manoel Nogueira da Cunha. Nesse mesmo ano empenhou-se ao máximo para trazer o Banco da Lavoura, iniciou a construção da cadeia em 1964, inaugurada em 1965; montou a usina do salto do Aporé, utilizando as aparelhagens adquiridas pelo primeiro prefeito eleito, Sebastião Leal. A verba ele conseguiu junto ao governador Fernando Correa da Costa. A usina foi inaugurada em julho de 1963. Naquela época construiu várias pontes de madeira para melhorar o tráfego de veículos. Concluiu a construção do prédio da Prefeitura, do Forum, construiu dois grupos escolares, comprou uma moto niveladora e caminhão, com parte do dinheiro do bolso, já que a Prefeitura não tinha condições financeiras.

Naquela época, ia ao Paraná, Minas Gerais e Goiás para buscar gente com a finalidade de morar em Cassilândia, já que a mão de obra estava escassa por aqui, pois visava o rápido progresso do município. Para incentivar a vinda das pessoas, ele doava o terreno e até ajudava na construção da casa. Assim, ficou conhecido como o prefeito dos pobres e passou a ser cada vez mais procurado pelos carentes.

No ano de 1968, Pernambuco e o amigo Expedito Baiano, apelido de Expedito Alves de Lima, viajavam a bordo de um avião particular, de propriedade do senhor Manoel Valente, tendo como piloto Miguel Capistânia, rumo a São Paulo, mais precisamente Ribeirão Preto, lá cuidaram de negócios. No retorno a Cassilândia, na decolagem do avião, ocorreu o imprevisto, o avião ganhou uma boa altura e de repente caiu na pista do aeroporto, chocando-se violentamente no solo e causando ferimentos gravíssimos nos ocupantes. Expedito Baiano quebrou uma perna e um braço, tendo que ficar internado durante 38 dias. Mas o pior ocorreu com Pernambuco, que teve sua face toda esfacelada, precisando de um transplante, afinal teve o nariz decepado pelas ferragens da aeronave. Ficou durante três meses internado e sofreu de súbito uma notável transformação na fisionomia, ficando com o nariz achatado e a voz anasalada, características que carregou até a morte.

E Pernambuco permaneceu bem com os pobres de Cassilândia, sendo muito humano na hora de suas necessidades e chegando até a pagar salários dos servidores com dinheiro do próprio bolso quando a verba da Prefeitura não dava para suprir as despesas municipais.

A porta de sua residência estava sempre aberta para o povo, não se percebia nem tramela, trinco ou chave, a exemplo de seu coração que era do tamanho de Cassilândia.

Foi convidado novamente para se candidatar a prefeito pelos amigos e acabou sendo eleito em 15 de novembro de 1969 como vice-prefeito de Ib Fabres de Queiroz, juntos construindo várias obras no município.

Novamente voltou ao paço municipal e desta vez como prefeito no dia 15 de novembro de 1972, declarado prefeito no dia 31 de janeiro de 1973. Com apenas cinco meses de gestão pôs em funcionamento a usina hidrelétrica do Salto, que havia sido montada pelo ex-gestor Ib Fabres de Queiroz; concluiu a construção de oito grupos escolares na zona urbana; completou prédios escolares que haviam sido iniciados pelo seu antecessor, bem como deixou o prédio do grupo escolar da Vila Bom Jesus quase pronto, já em fase de acabamento; trouxe o interurbano telefônico nacional e internacional, que foi inaugurado pelo padre John Pace, ao unir Brasil e Itália, via DDI, fato solene ocorrido na Praça São José, muito aplaudido pelos presentes, com o uso de um orelhão improvisado.

Ao lado do senhor Ib Fabres de Queiroz, foi o prefeito que mais efetuou abertura de estradas no município, e, sobretudo, foi uma das pessoas que mais fizeram pelos cassilandenses, sobretudo em assistência social. Um pau-de-arara de outrora se transformou no mais humano e amigo prefeito que Cassilândia já viu.

Deixamos que o poeta repentista Carolino Leobas termine a história de Joaquim Tenório Sobrinho, o imortal Pernambuco de todos nós. 


Estava em 12 de abril
Há muitos anos atrás,
Quando entrei em Cassilândia
Para ficar e não sair mais.

Enxada? Foice? Facão?
Machado? Carga pesada?
Nunca pensei duas vezes:
Topava logo a parada.

Era pobre, sem recursos
Não vou mentir pra quê?
Mas tinha um forte desejo:
Trabalhar para vencer.

Lidei com burro e carroça,
Fiz gambiras – não sei quantas!
Matei Bichos, vendi couros
De onça, cateto e anta.

Fotos extraídas do Museu da Imagem de Cassilândia / Facebook.

21 junho, 2026

Biografia: Veneranda Alves de Góis - Dona Sinhá



Veneranda Alves de Góis
nasceu em 20 de maio de 1919, na cidade de Afogados da Ingazeira, Pernambuco. Era filha de Antero Alves de Góis e Maria Madalena Alves de Góis.

Ainda criança, mudou-se com a família para o Sítio Várzea Grande, na zona rural deste município. Anos mais tarde, já na adolescência, passou a residir definitivamente na cidade de Custódia.

Realizou seus estudos no tradicional Colégio Santa Doroteia, em Pesqueira, instituição fundada pela Congregação das Irmãs de Santa Dorotéia e amplamente conhecida como "Colégio das Freiras". Com mais de um século de história, o educandário destacou-se pela excelência do ensino confessional católico e pela formação de inúmeras gerações de pernambucanos.

Dedicou parte de sua vida ao magistério, atuando como professora do Grupo Escolar Joaquim Inácio, em Custódia. Ao longo de sua carreira, lecionou para diversas gerações de estudantes, sendo lembrada pelo compromisso, dedicação e amor à educação. Seu nome permanece como uma das grandes referências da história educacional do município, ao lado da também renomada educadora Maria Augusta do Amaral, carinhosamente conhecida como Dona Manoca.


Na vida pública, ingressou no serviço estadual em 1952, quando foi nomeada pela Diretoria de Rendas do Interior para exercer o cargo de Auxiliar de Escrita na Secretaria da Fazenda, em Afogados da Ingazeira. Ainda naquele ano, foi transferida para a Coletoria de Pesqueira.

Foi nomeada para trabalhar na Escola General Joaquim Inácio, em maio de 1947 juntamente com a professora Aliete Ferreira Leal. Na mesma portaria foram nomeadas: Alice de Souza Ferraz (Betânia), Marieta de Souza Lima (Boa Vista) e Genesia Mariano de Rezende (Distrito de Maravilha).

Em 1954, foi aprovada em concurso público, da Secretária da Fazenda, para o cargo de Escrivão de 4ª Classe, conquistando a 25ª colocação.

No ano seguinte, passou a atuar na Coletoria de Alagoinha-PE, sendo posteriormente transferida para a Coletoria Estadual de Joaquim Nabuco, zona Mata Sul do estado de Pernambuco.


Foto recriada com uso de IA


Ao longo de sua carreira no serviço público estadual, Veneranda Alves de Góis foi sucessivamente promovida em reconhecimento à sua competência, dedicação e aos relevantes serviços prestados à administração fazendária de Pernambuco.


Em 1961, foi promovida do cargo de Auxiliar de Escrita de 3ª Classe para o de 4ª Classe, consolidando sua ascensão funcional. No ano seguinte, passou a exercer suas atividades na Coletoria Estadual de Custódia, onde permaneceu por mais de duas décadas, desempenhando suas funções com reconhecido zelo, responsabilidade e compromisso, até sua aposentadoria.

Aposentou-se em 10 de março de 1988, no cargo de Agente de Administração Fiscal, após décadas de relevantes serviços prestados ao Estado de Pernambuco.

Veneranda nunca se casou e não teve filhos. Dedicou-se, porém, à criação e educação de seus sobrinhos: Paulo Gilvan de Góis, Francisco de Assis Góis (Cleomates), Antônio Robélio de Góis, José Petrônio Góis e José Carlos Góis, aos quais dedicou carinho, cuidado e orientação.

Faleceu em 20 de abril de 1994, na Unidade Mista Elisabete Barbosa, em Custódia, aos 74 anos de idade, em decorrência de uma úlcera duodenal.

Pela sua dedicação ao ensino, ao serviço público e à formação de inúmeras gerações de custodienses, Veneranda Alves de Góis permanece como uma figura de destaque na história do município de Custódia, deixando um legado de trabalho, integridade e compromisso com a educação e com a administração pública.

A Família Góis no Sítio Várzea Grande, em Custódia (PE)


A história da família Góis no Sítio Várzea Grande confunde-se com a própria formação da zona rural de Custódia, no Sertão do Moxotó pernambucano. Ao longo de gerações, seus membros contribuíram para o desenvolvimento da comunidade por meio da agricultura, da pecuária e da preservação dos valores tradicionais que caracterizam as famílias sertanejas.

Raízes da família Góis

O sobrenome Góis — também grafado Góes em documentos antigos — possui origem toponímica, derivada da antiga vila de Góis, localizada no distrito de Coimbra, em Portugal. Com a colonização portuguesa, diversos ramos da família estabeleceram-se no Brasil, especialmente no Nordeste, onde participaram da ocupação do interior e da expansão das atividades agropecuárias.

Em Pernambuco, a família Góis consolidou sua presença em diferentes municípios sertanejos, entre eles Custódia, Betânia, Flores, Serra Talhada e Afogados da Ingazeira, tornando-se parte do conjunto de famílias tradicionais que contribuíram para o povoamento e o desenvolvimento econômico da região.

O Sítio Várzea Grande

Situado na zona rural de Custódia, o Sítio Várzea Grande integra a paisagem típica do Sertão do Moxotó, marcada pelo clima semiárido, pela vegetação da caatinga e pela proximidade do Riacho Várzea Grande, afluente da bacia hidrográfica do Rio Moxotó.

Historicamente, a economia local esteve baseada na agricultura de subsistência, com o cultivo de milho, feijão e mandioca, além da criação de bovinos, caprinos e ovinos. Como em grande parte do sertão pernambucano, a convivência com os longos períodos de estiagem moldou o modo de vida da população, fortalecendo os laços de solidariedade entre as famílias e consolidando uma cultura de resistência e adaptação às condições do semiárido.

Formação da comunidade

A ocupação das terras da região ocorreu de forma gradual, por meio da divisão de propriedades entre herdeiros e da formação de novos núcleos familiares. Dessa maneira, o Sítio Várzea Grande tornou-se um importante espaço de convivência entre famílias aparentadas, unidas por vínculos de parentesco, compadrio e casamentos.

Nesse contexto, a família Góis destacou-se como uma das responsáveis pela consolidação da comunidade, preservando tradições, transmitindo conhecimentos e participando ativamente da vida social, econômica e religiosa da localidade.

A importância da memória familiar

Grande parte da história das famílias sertanejas foi preservada por meio da tradição oral, complementada por registros paroquiais, documentos civis, inventários, escrituras e demais fontes históricas. Esses registros permitem reconstruir a trajetória dos primeiros moradores, compreender os vínculos familiares e preservar a memória das gerações que ajudaram a construir o município de Custódia.

O resgate da história da família Góis representa, portanto, mais do que uma pesquisa genealógica: constitui uma forma de valorizar o patrimônio cultural do Sertão do Moxotó e reconhecer a contribuição daqueles que, com trabalho, perseverança e espírito comunitário, participaram da formação histórica da região.


Texto: Familiares Alves de Góis
Pesquisa: Paulo Peterson

16 junho, 2026

Jovem ator custodiense fez participação em novela da Globo em 2014

 



Em 2014, a Rede Globo exibiu em sua programação a novela Amor à Vida, escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Wolf Maia. A produção contou com um elenco de destaque, formado por Paolla Oliveira, Malvino Salvador, Mateus Solano, Antônio Fagundes, Susana Vieira, Vanessa Giácomo, Juliano Cazarré e Elizabeth Savalla.

Naquele período, o jovem ator custodiense Salmo Silva residia no Rio de Janeiro, onde estudava teatro e participava de novelas, séries e produções cinematográficas. Durante aproximadamente oito meses, dedicou-se intensamente à atuação. Posteriormente, passou a atuar na área de eventos, sem abandonar os palcos, tendo trabalhado ao lado de nomes renomados do teatro, como Eduardo Martini, Marquinhos Moura e Regiana Antonini.

Sua participação em Amor à Vida ocorreu em uma das cenas envolvendo os personagens Gina, interpretada por Carolina Kasting, e Elias, vivido por Sidney Sampaio. Na trama, os dois formaram um casal após a conversão de Gina ao evangelismo.



Salmo Silva (2026)


Como curiosidade, durante as gravações, Salmo Silva teve a oportunidade de conversar com Sidney Sampaio nos bastidores. Na ocasião, o ator demonstrou grande interesse em conhecer e participar do espetáculo O Cristo da Paixão, realizado em Custódia. Sidney relembrou sua experiência na encenação da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, da qual participou em 2011. Ao final da conversa, destacou sua admiração pelo estado de Pernambuco, afirmando ter gostado muito da experiência de estar na região.

Por Paulo Peterson

15 junho, 2026

Foi Assim 1 - 2ª Edição ampliada e revisada (Fernando Florêncio)

 


2ª edição de FOI ASSIM!...

Uma história autobiográfica de Fernando Florêncio.
Revisada e ampliada.

Quem quiser adquirir o exemplar, entrar em contato com o autor,
pelo e-mail:
florencio.fernando@hotmail.com 


 

14 junho, 2026

DVD Vozes da Cidade Cantam Almir Mello


Em 30 de Setembro de 2013, o Teatro Municipal de São José dos Campos
recebeu mais de 30 profissionais da música regional local, 
para cantar as composições do maestro custodiense Almir Mello.

O áudio completo dessa apresentação, está disponível no Canal da Rádio CT no Youtube.

Um registro fascinanente desse músico que partiu muito cedo, deixando seu legado músical na cidade de São José dos Campos com sua musicalidade.

No canal no Youtube de Marcelo Mariano,
é possível assistir todos os vídeos dessa apresentação

(Clique Aqui)





13 junho, 2026

Abraço na Praça Padre Leão


 
Em 2015, dia 20 de Junho, a praça Padre Leão amanheceu recebendo abraço dos funcionários da Tambaú Alimentos, durante SIPAT.

Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho, evento anual de conscientização .

Mirante - (Jussara Burgos)

 


Para Marcelo Burgos

No alto de Brasília,
onde o céu cobre a imensidão do Planalto
há um mirante suspenso,sentinela das alvoradas crepúsculos,
nele, nós dois.

Era um dia simples,
como são os dias que não sabem
que serão eternos.

O vento brincava entre os cabelos,
e o horizonte tão aberto
parecia caber dentro dos nossos olhos.

Você ao meu lado, meu irmão,
feito presença firme
num mundo ainda por descobrir.

Cinco décadas passaram
como quem atravessa uma ponte invisível.
A cidade cresceu,
o concreto ganhou histórias,
e nós  espalhamos pegadas pelos caminhos do tempo.

Mas aquela foto…
ah, aquela foto não envelhece.
Ela guarda um momento,

Ali, no alto da Torre,
o futuro era apenas um sopro
e a vida,
uma promessa silenciosa.

Hoje, quando olho de novo,
não vejo só dois rostos
vejo raízes.
Vejo o que ficou,
o que resistiu,
o que ainda nos liga
mesmo quando o mundo nos distancia.

Porque há lugares
que não são feitos de pedra,
nem de altura
são feitos de memória.

E há fotografias
que não são imagens,
são laços
que o tempo
não destrói. 

Jussara Burgos


11 junho, 2026

Celebração entre Sambas de Coco no Sítio Cachoeira da Onça, em Quitimbu.


Foto: José Luis
Sertão Mano Amigo


O canal Sertão Mano Amigo pegou a estrada e foi até o sítio Cachoeira da Onça, na região quilombola de Custódia, para testemunhar um encontro inesquecível: a visita do Samba de Coco Raízes de Arcoverde ao Samba de Coco da comunidade, com a familia Gonçalo. Uma celebração emocionante de ritmo, ancestralidade e pura cultura sertaneja. Celebrando a força e a união dessa tradição.

A família Calixto, dos mestres Assis e Damião, foi recebida pelo grupo Samba de Coco Cachoeira da Onça, com a liderança da mestra Joana (76 anos de idade). Houve uma troca de conhecimento a partir da conexão entre pessoas, famílias, brincantes da cultura popular, corpos, vozes, escutas, entendimentos, contextos, conceitos, criações, realidades, coletividade etc. 

No encontro entre diversas gerações da cultura popular e quilombolas, a mestra e os mestres reforçaram a importância de preservar as tradições, por meio da oralidade, compartilhamento de saberes e da valorização da própria existência/história. O acontecimento também contribuiu para o fortalecimento das pautas de identidade racial, gênero, território, classe e ancestralidade. O Sítio Cachoeira da Onça é um lugar de pertencimento, resistência e memória, além de ancestral, com quilombo, cultura popular de raiz e sabedorias. 

Na ocasião, foram realizadas filmagens, para serem usadas futuramente no longa-metragem, que tem direção e roteiro de Leonardo Lacca. 



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09 junho, 2026

Fábrica de Caroá no Sabá (1940)


Diário da Manhã
26/09/1940


Devido à política de estímulo às constantes fontes de produção do Estado de Pernambuco na década de 1940, a região vivenciou uma expressiva expansão industrial, além da criação de novos empreendimentos. O aproveitamento do caroá, uma das principais iniciativas beneficiadas por esse incentivo, consolidou-se como uma importante fonte de riqueza para o Estado. Essa multiplicação de indústrias foi viabilizada pelo amparo do então governador interventor, Agamenon Magalhães, o que impulsionou o progresso local e a abertura de novos postos de trabalho.

Impulsionadas por esse cenário favorável, as classes produtoras apoiaram o empresário Inácio Miranda & Cia. Ltda. a fundar mais uma fábrica de beneficiamento de caroá. O local escolhido foi o Sabá, na zona rural do município de Custódia. Construída sob rigorosas exigências técnicas, a unidade contava com uma capacidade inicial de processamento de 500 litros diários, volume que, em pouco tempo, saltou para 1.000 litros por dia.

O expressivo investimento financeiro na localidade, estimulado pelo governo estadual, permitiu a aquisição de terras e de maquinários modernos para aperfeiçoar a industrialização da fibra. Com isso, a fábrica do Sabá tornou-se uma das mais importantes de Pernambuco. Além da instalação de energia elétrica, o complexo incluiu a construção de residências para o gerente e para os operários, promovendo uma melhoria significativa no bem-estar e na qualidade de vida dos trabalhadores.

Fonte: Jornal Diário da Manhã

Casal Justina Pereira de Sá e Nemézio Rodrigues de Mello


 
Némezio Rodrigues de Mello nasceu em 12 de Dezembro de 1866, em Custódia-PE, era filho do casal Antonio Rodrigues De Mello (1832) e Antonia Thomazia dos Santos (1840). 

Teve como irmãos: Manoel Rodrigues de Mello, Sebastiana Rosa de Mello, Luiz Rodrigues de Mello e Manoel Rodrigues de Mello.

Faleceu em 10 de Junho de 1931.

Justina Pereira de Sá, nasceu em 26 de Setembro de 1871, em Custódia-PE, era filha do casal Joaquim Antonio de Freire da Silva (1840-1927) e Clara Osseria de Sá (1850-1926).

Constituiram uma grande prole familiar: Antonio Rodrigues de Mello, Jose Rodrigues De Mello, Eloy Rodrigues de Mello, Padre Joăo Rodrigues De Mello, Joana Rodrigues De Melo, Francisca Rodrigues de Melo e Chiquinha Rodrigues Pereira. 

Faleceu em 9 de Setembro de 1937.

Coronel Nemésio Rodrigues de Mello foi o primeiro prefeito de Custódia, governou de 01/01/1929 até 20/10/1930. Com a Revolução de 1930, foi nomeado Elpídio Padilha do Amaral.


08 junho, 2026

História do Município de Custódia (IBGE - julho 1958)


IBGE
 Enciclopédia dos Municipios Brasileiros vol. XVIII.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica.

Segundo a tradição local, a ocupação do atual território de Custódia teve início no século XVIII com o coronel Luiz Tenório de Melo Dodô. O ponto de partida, foi a localidade de Quitimbu, área então habitada por uma tribo indígena de nome desconhecido, originária da aldeia de Serra Negra.

Com o passar dos anos, Quitimbu consolidou-se como um núcleo de relativa importância. Tanto que, em 1º de julho de 1909, a Lei Estadual nº 991 elevou a localidade à sede de distrito, integrando o município de Alagoa de Baixo — atual Sertânia.

Paralelamente, ainda no século XIX, um grupo de pioneiros fixou residência em uma área próxima, atraindo novos moradores. Entre eles estavam Manoel Alves de Siqueira, Serapião Domingos de Resende, José Florêncio da Silva, José de Moura Leite, José Alves de Siqueira, Joaquim Pereira de Sá, Antônio Alves de Góis Melo e o tenente Antônio José de Moura.

Manoel Alves de Siqueira batizou a propriedade onde hoje fica a sede municipal como Fazenda Santa Cruz. Já Antônio Alves de Góis Melo e o tenente Antônio José de Moura doaram terras — com cerca de 160 metros de frente por 3.000 metros de fundo — para a criação de um patrimônio dedicado a São José, atual padroeiro da cidade.

Na mesma época, instalou-se na região Maria Custódia Osório de Campos, a "Dona Custódia". Nascida em 1800 na Fazenda Conceição (em Flores do Pajeú, hoje Betânia, a 5 quilômetros de Sítio dos Nunes), ela era filha de Firmina Barbosa de Aragão e do capitão de ordenanças Manoel José de Campos. O prestígio e a presença de Dona Custódia foram tão marcantes que, mais tarde, seu nome acabou batizando a sede do município.

Pouco depois, os padres jesuítas Ibiapino e Agostiniano chegaram à localidade enquanto fugiam de uma perseguição. Acolhidos calorosamente pelos habitantes, os religiosos permaneceram ali por alguns meses e ergueram uma capela também dedicada a São José, consolidando a fé e a comunidade local.

Em reunião com os antigos moradores para a escolha de uma nova denominação para o lugar, convencionou-se adotar o nome de Custódia. Embora o termo signifique "guarda" ou "proteção" (e, por extensão jurídica, "local de detenção"), a escolha foi uma homenagem direta à benfeitora Dona Custódia. Após a definição, os jesuítas enviaram cartas a Sua Santidade, o Papa, relatando as novidades do interior pernambucano, com especial destaque para o povoado que nascia.

O crescimento acelerado da localidade impulsionou o tenente Antônio José de Moura e José de Siqueira a criarem uma feira livre. A iniciativa transformou a dinâmica do lugarejo, atraindo moradores de fora e diversificando a economia local. 

Na agricultura e na pecuária, ganharam destaque pioneiros como Joaquim Barbalho, Antônio Cleto, os irmãos Antônio Palmeira e Lúcio Ferreira, o capitão Francisco do Amaral, João Veríssimo e o capitão Antônio Alves de Góis (popularmente conhecido como Antônio do "Umbuzeiro"). 

Já no comércio, os primeiros expoentes foram Manoel Rodrigues de Melo (o Manoel da Barra), José de Moura Leite, José Estrela de Sousa e José Ferreira da Silva.

Graças a esse desenvolvimento, uma lei municipal de 15 de outubro de 1909 elevou o povoado à categoria de vila. Na época, o território pertencia ao município de Alagoa de Baixo (atual Sertânia), e a mudança fez com que Custódia assumisse a sede do distrito, posto que até então pertencia a Quitimbu. Na divisão administrativa de 1911, a região consolidou-se nessa estrutura. 

O desejo de emancipação política crescia entre os habitantes. Em 1916, aproveitando a passagem do governador do Estado, Dr. Manoel Borba, a população prestou-lhe uma grande homenagem e apresentou formalmente o pedido de autonomia.

A aspiração popular concretizou-se 12 anos depois. Pela Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, a vila de Custódia foi elevada à categoria de cidade, constituindo um município autônomo com terras desmembradas de Alagoa de Baixo, Flores e Floresta do Navio.

Sua instalação oficial ocorreu em 1º de janeiro de 1929, inicialmente composta por dois distritos: a sede e Betânia. Embora tenha começado sob a jurisdição jurídica de Alagoa de Baixo, a independência plena veio com o Decreto-Lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943. O decreto estabeleceu a Comarca de Custódia, com termo único, mantendo em sua composição jurídica e administrativa os distritos da sede e de Betânia.

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA

O distrito foi inicialmente criado pela Lei Estadual nº 991, de 1º de julho de 1909, com sede na povoação de Quitimbu, então elevada à categoria de vila. Pouco tempo depois, em 15 de outubro do mesmo ano, uma Lei Municipal transferiu a sede do distrito para a povoação de Custódia.

Na divisão administrativa de 1911, Custódia figurava oficialmente como distrito pertencente ao município de Alagoa de Baixo.

A emancipação política ocorreu por meio da Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, que criou o município de Custódia com território desmembrado dos municípios de Alagoa de Baixo, Flores e Floresta, concedendo à sede os foros de cidade. Sua instalação oficial deu-se em 1º de janeiro de 1929.

Nas divisões territoriais subsequentes — incluindo o quadro de 1933 (publicado pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio), as apurações de 1936 e 1937, e o Decreto-Lei Estadual nº 92, de 31 de março de 1938 — o município permaneceu composto por dois distritos: o da Sede e o de Betânia.

Essa mesma estrutura com dois distritos (Sede e Betânia) foi ratificada e mantida pelos Decretos-Leis Estaduais nº 235 (de 9 de dezembro de 1938) e nº 952 (de 31 de dezembro de 1943), que fixaram a divisão territorial para os quinquênios 1939-1943 e 1944-1948, respectivamente.

PARTICULARIDADES GEOGRÁFICAS

O principal destaque geográfico do município é a Serra do Sabá, formação que abriga a famosa fonte de água mineral de mesmo nome.

A denominação do local foi dada em 1929 por Vicente Trevas, o responsável por descobrir a fonte. Segundo a tradição oral da região, Trevas teria obtido o roteiro de localização da nascente no estado da Bahia. Documentos históricos baianos da época confirmam que o nome escolhido por ele foi uma homenagem direta à lendária Rainha de Sabá.


Autor do Histórico:
José de França Filho - Agente de Estatistica 

Redação Final:
Denise Duarte de Barros 

Fonte dos Dados:
Agência Municipal de Estatistica e Departamento Estadual de Estatistica 

Enciclopédia dos Municipios Brasileiros vol. XVIII.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica.
Rio de Janeiro 1958. pag 103.

07 junho, 2026

Exposição Luar do Sertão 10 anos (2012)



Por Paulo Peterson
Apoio: Raquel Santos

Foi aberta ontem (dia 17) às 17h, a exposição “Luar do Sertão: 10 Anos”, no Centro de Referência de Comunicação Social (CRCS). O local da exposição, tem sido sempre usado para divulgar a cultura local. O Centro faz parte do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional – PISF, situado na Rua Major Experidião de Sá, nº 91, ao lado da Escola General Joaquim Inácio.



Logo na entrada, o visitante se encanta com a decoração do espaço, com vários manequins com roupas usadas pelos dançarinos.  A história do Luar do Sertão é apresentada com imagens de ex-integrantes, fotografia da fundadora do grupo, a senhora Terezinha Queiroz, e todos os acessórios usados em suas apresentações de ritmos nordestinos: maracatu, coco caboclinho, forró, samba, ciranda de roda, xote, frevo, dentre outros... Um acervo de grande riqueza cultural. 



A abertura da Exposição foi feita pelo novo coordenador do CRCS Carlos Danger e a curadoria(profissional capacitado responsável pela concepção, montagem e supervisão da exposição) foi feita por Raquel Santos e Pablo Murilo. O cenário escolhido apresenta a diversidade cultural, cada objeto exposto aborda os vários elementos das manifestações do nosso povo. As  integrantes do grupo receberam cada visitante com bastante simpatia e alegria pela data comemorada. Várias personalidades participaram do lançamento, como Célia Costa (participou do grupo em seu começo), Zita Queiroz, o secretário de Agricultura Cicinho, o artista plástico local Jorge Remígio, Rosa Pereira, Humberto Guerra e Kátia Siqueira representando a Casa das Juventudes de Custódia, Diretores e funcionários do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional – PISF entre outros presentes.

Coordenadora do grupo Luar do Sertão Ubira em emocionante discurso
Curadora Raquel Santos apresentando o curta metragem documental "Luar do Sertão" 
Exibição do curta 
Grupo Luar do Sertão com Paulo Peterson e Jorge Remígio 
ao final da abertura da exposição

PROGRAMAÇÃO DA EXPOSIÇÃO

DIA 19/05 (SÁBADO) 
10h – Homenagem às antigas integrantes 
10h30 - Apresentação da dança do Leque 
11h – Apresentação dança Coco de Roda 
11h30 – Exibição do filme “Luar do Sertão” 

DIA 23/05 (QUARTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação dança Xote 

DIA 24/05 (QUINTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação das danças Ciranda e Forró 

DIA 26/05 (SÁBADO) 
11h – Exibição do filme “Luar do Sertão” 

DIA 31/05 (QUINTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação dança Frevo 

DIA 01/06 (SEXTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação dança Samba 

DIA 02/06 (SÁBADO)
10h – Apresentação da nova dança do grupo: xaxado 
11h – Exibição do filme “Luar do Sertão” 

Água Crystal da fonte do Sabá em Jornais do Recife em 1929



Oferecida pelos senhores Vicente Trevas e João Cordeiro, recebemos ontem uma amostra em garrafa da água captada na fonte fria do Sabá, no município de Custódia, nesse estado, e de propriedade daqueles conceituados industriais. A água acima referida, denominada cristal, é produto mineral que pode competir com qualquer água das fontes das Minas Gerais, como sejam: Caxambu e outras, tais são as excelentes soluções nelas contidas de grande eficiência terapêutica. Só nos podemos felicitar por termos em Pernambuco, uma fonte de água mineral, nas condições dessas aqui nos referimos, que, embora pouco divulgada, já tem tido no interior grande aceitação, haja vista a venda que delas tem feito os senhores Vicente Trevas e João Cordeiro. 

Ainda segundo a matéria, foi enviada para analise de um quimico, em Recife, o sr. Guilherme Geissner, que após estudo, relatou as seguintes propriedades da água captada na fonte do Sabá: 

Exame Físico:
-Transparência Perfeita
-Cor Incolor
-Sabor acidulo (levemente ácido ou um pouco azedo), picante e agradável

Conclusão:

A água é de qualidade excelente, podendo ser usada como fina água de mesa e aproxima-se quanto à classificação, as águas as siglas gasosas deve-se tomar em consideração que uma análise feita na própria fonte daria um teor maior em ácido carbônico livre. 

Fonte: Jornal do Recife, edição do dia 05 de Dezembro de 1929



O senhor Vicente Trevas, conhecido químico prático, que se dedica muitos anos ao estudo das nossas fontes de água minerais, fez em julho passado, a descoberta da fonte do Sabá, nesse estado, no município de Custódia, local fica a 2 Km da cidade. Trata-se de uma fonte fria de águas acidulo-gasosa, podendo ser usada como fina água de mesa. Submetidas a exames em nossa Escola de Engenharia, pelo químico professor Guilherme Geissner, repultou-as de excelente qualidade, segundo os atestados médicos, as águas da fonte do Sabá, tem efeito medicinal nas moléstias do estômago, fígado e intestino. A propriedade onde está situada a fonte, foi adquirida pelos senhores Vicente Trevas e João Cordeiro, que constituíram uma sociedade, para explorar. Os novos proprietários, pretendem fundar ali um sanatório (remete às tradicionais estâncias hidrominerais e climáticas), como outros melhoramentos imediato,s até que numa melhor oportunidade ou desenvolvimento da empresa, eles permitam fazer instalações definitivas. Os senhores Vicente Trevas e João Cordeiro, visitaram ontem nossa redação, trazendo amostras de águas da fonte do Sabá.

Fonte: Diário da Manhã, edição de 04 de Dezembro de 1929.

Outras referências sobre a Fonte do Sabá, foi publicada no livro CAMINHOS DO AFETO (2004), da escritora custodiense SEVY OLIVEIRA, autobiografia de forte interesse histórico. Sevy Oliveira nasceu em Custódia, em 1934. Formada em Pedagogia pela UFPE, dedicou-se à docência. 

Confira clicando: AQUI


06 junho, 2026

Cruzeiro do DNOCS


Foto: Acervo Nadilson Santos


 Em pé:
 Tonho da Celpe, Jailson Pinguim, Urbano Rafael, Natalicio do DNOCS, Celso de Moacir, Pedro Aleixo (Árbitro).

Agachados:
 Gilson Pereira Coelho, Eli Constantino, Sinval Amaral, Fernando Vitor  e Zé Esdras

05 junho, 2026

Francisco Alves é homenageado com o Troféu Ébano 2025 em cerimônia no Teatro Vitória, em Limeira (SP)


Em uma noite marcada pela emoção, reconhecimento e valorização do trabalho comunitário, Francisco Alves da Silva foi um dos homenageados da edição 2025 do Troféu Ébano, honraria concedida a personalidades que se destacam por sua atuação em favor da comunidade e da promoção da dignidade humana.

O evento foi realizado no tradicional Teatro Vitória, em Limeira-SP, reunindo autoridades civis, religiosas, representantes de movimentos sociais, familiares e membros da comunidade. O Troféu Ébano foi idealizado pelo saudoso Padre Maurício (in memoriam), que criou a premiação com o objetivo de reconhecer pessoas que dedicam parte de suas vidas ao serviço comunitário, especialmente em ações voltadas à inclusão, solidariedade e valorização da cultura afro-brasileira.

Francisco Alves recebeu a homenagem pelos relevantes trabalhos prestados à comunidade da Paróquia Santa Luzia, sendo reconhecido por sua dedicação às causas sociais, culturais e humanas desenvolvidas ao longo dos anos.



A entrega da premiação foi realizada pelo Padre Ricardo, que representou a Paróquia Santa Luzia na cerimônia, acompanhado pelo Secretário Municipal de Cultura de Limeira, Bruno Bortolan, reforçando a importância institucional do reconhecimento concedido aos homenageados.

Em um dos momentos mais emocionantes da solenidade, Francisco Alves foi conduzido ao palco por membros da comunidade, em um gesto simbólico que representou o carinho, o respeito e a gratidão daqueles que acompanharam sua trajetória de serviço e compromisso social.

Ao receber o troféu e o certificado de reconhecimento, Francisco destacou a importância do trabalho coletivo e agradeceu a todos que fizeram parte de sua caminhada. Entre os presentes estavam sua esposa, Maria Auxiliadora, a coordenadora da Pastoral Vocacional, Zezé Tavares, sua sobrinha Tayana, acompanhada de seu esposo Jonas, além de amigos, familiares e diversos representantes da comunidade paroquial.

As imagens da cerimônia registraram momentos marcantes da noite: a entrada solene dos homenageados, a entrega oficial da premiação e a celebração conjunta entre lideranças religiosas, autoridades públicas e membros da comunidade.

O Troféu Ébano reafirma, a cada edição, sua missão de reconhecer homens e mulheres que transformam realidades por meio da solidariedade, do compromisso social e do serviço ao próximo. Em 2025, a homenagem concedida a Francisco Alves da Silva tornou-se mais um capítulo dessa história de valorização daqueles que fazem a diferença na vida das pessoas.

"Receber este reconhecimento é uma honra que compartilho com minha família, amigos e toda a comunidade que caminhou ao meu lado. Este troféu representa o valor do serviço, da fraternidade e do amor ao próximo." — destacou Francisco Alves durante a cerimônia.

A noite encerrou-se sob aplausos do público presente, celebrando não apenas os homenageados, mas também os valores de união, respeito, inclusão e compromisso comunitário que inspiraram a criação do Troféu Ébano e continuam vivos em cada edição da premiação.

Link: BIOGRAFIA