
Agradecimentos a Armando Lopes Rafael, e ao Blog Crato de Outrora, onde foi publicado diversas informações contidas neste texto.
Outra publicação sobre o PADRE FREDERICO NIERHOFF:
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José Pereira de Sousa, conhecido artisticamente como Zé Caboclo, nasceu em 13 de janeiro de 1953, no Sítio Malhada Grande, no município de Custódia, Pernambuco. Filho dos agricultores Antônio Moura de Sousa e Aureliana Pereira de Sousa, cresceu ao lado de três irmãos vivenciando a rotina do trabalho na terra.
Sua ligação com a música começou cedo: enquanto seu pai tocava sanfona nos momentos de descanso da lavoura, o pequeno José o acompanhava no pandeiro. Em 1963, a família mudou-se para Poço do Boi (atual povoado de Ibimirim), onde, aos 10 anos de idade, ganhou sua primeira sanfona de 20 baixos.
Devido às dificuldades financeiras, a família precisou se mudar novamente para o povoado de Nazário e, posteriormente, vender a sanfona para abrir um pequeno bar e restaurante. Com o insucesso do negócio, retornaram à lavoura de macaxeira para enfrentar um período de extrema escassez.
Determinado a apoiar o talento do filho, o senhor Antônio tomou a decisão de vender a própria casa para adquirir um conjunto de instrumentos: uma sanfona, um tarol e um pandeiro. Aos 16 anos, após ensaios intensos exigidos pelo pai, Zé Caboclo começou a se apresentar timidamente nos bares da região tocando "Asa Branca", de Luiz Gonzaga.
Sua primeira grande apresentação ocorreu nas festas de Santo Antônio, em Ibimirim, aos 17 anos, momento em que se destacou perante o público local e passou a ser requisitado em municípios vizinhos. Em busca de subsistência, a família retornou para a localidade de Samambaia, onde Zé dividia o tempo entre a agricultura e as apresentações musicais.
Aos 21 anos, casou-se com Vânia Bezerra, com quem teve quatro filhos: Wberlândio, Igor, Erolândia e Vânia. O matrimônio durou 21 anos, até o falecimento de Vânia por infarto. Zé Caboclo também teve duas filhas, Wirlândia e Luana.
Na década de 1990, uniu-se a Lucileide Cândido (Leide), com quem teve três filhos: Antônio (que faleceu precocemente aos 1 ano de idade por erro de medicação prescrita), Vitória e Natália, além de assumir a paternidade de Letícia, filha de sua esposa.
Em 1977, após uma viagem a Juazeiro do Norte com o pai para pagar uma promessa ao Padre Cícero Romão, a dupla compôs a canção "Já paguei minha promessa".
Essa composição foi o marco de sua projeção estadual e nacional:
O Festival: Em 1981, inscrito representando a região (com registros divididos entre Custódia e Arcoverde), participou do I Festival Arizona de Música Sertaneja, promovido pela Companhia Souza Cruz e Rádio Clube de Pernambuco, concorrendo com milhares de candidatos.
A Vitória: Sagrou-se o grande vencedor do festival, conquistando o Troféu Viola de Ouro no Ginásio Geraldão, no Recife, perante um público de cerca de 15 mil pessoas.
Premiação e Gravadoras: Recebeu o prêmio de Cr$ 30 mil, gravou faixas no LP coletivo do festival pela Rosemblites e assinou contrato com a gravadora Chantecler para a gravação de um compacto duplo em São Paulo.
Apesar do reconhecimento crítico e da repercussão nos meios de comunicação (como o Diário de Pernambuco), a escassez de divulgação mercadológica na época limitou o alcance de seu trabalho ao grande público comercial.
No ano de 2000, com o apoio financeiro de seu filho Wberlândio, realizou o sonho de formar a banda "Sonho de Caboclo", levando o forró pé-de-serra em turnês pelos estados de Pernambuco, Bahia, Alagoas, Sergipe e Ceará, além de gravar um CD. Em 2002, devido aos custos de manutenção do grupo, encerrou as atividades da banda.
De volta à carreira solo como Zé Caboclo, lançou o CD "Ardendo de Paixão", patrocinado por Genivaldo Odilon e pela Câmara Municipal de Vereadores local, cuja tiragem original de 2 mil cópias ultrapassou a marca de 4 mil unidades vendidas.
Ao longo de sua trajetória, compôs e interpretou canções marcantes sobre a vida e a saudade do sertanejo, como a faixa escrita em parceria com José Melo:
"Ai que vontade danada / me aperreia o coração / De voltar lá pra Custódia / no primeiro caminhão / e rever a minha terra / e abraçar o meu rincão"
Residindo em Ibimirim, Zé Caboclo manteve a sustentabilidade da família alternando a música com trabalhos como pedreiro. Em 2017, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que o afastou temporariamente das sanfonas e comprometeu seu instrumento de trabalho.
Convertido à fé cristã, o sanfoneiro passou a direcionar seu talento para a música religiosa e o louvor, buscando apoio e mobilizações comunitárias para adquirir uma nova sanfona e dar continuidade ao seu legado musical e espiritual no Sertão.
Para ouvir suas músicas, acesse o site SUA MÚSICA: clique aqui
Entre os dias 9 e 20 de novembro, serão realizadas missas e bênçãos especiais nas comunidades rurais que receberam novos altares e a instalação do sacrário
Um dos momentos mais marcantes ocorrerá no dia 21 de novembro, às 18h, quando será celebrada a Santa Missa de envio da comunidade religiosa, simbolizando a conclusão do seu ciclo de missão na cidade de Custódia
Já no dia 22 de novembro, as celebrações na Matriz de São José acontecem às 9h e 19h30, contando também com a realização de um matrimônio e o encerramento das festividades dedicadas a São Boaventura
Mudanças a partir de 23 de Novembro
A partir de 23 de novembro, as celebrações nas áreas rurais ficarão temporariamente suspensas
Conforme nota oficial divulgada pela Diocese de Floresta nesta quarta-feira (28 de outubro), o Pe. Roberto Luciano Tenório do Amaral assumirá temporariamente o comando da paróquia como administrador paroquial interino
Todo lugar tem seu personagem folclórico. Custódia não foge a regra, tem José, o mudo do Sr. Mocinho Severo. Ele nunca estudou o método "Braille" e mesmo assim se comunica por mímica, mas eu não entendo sua gesticulação.
Uma manhã, chegando em Pesqueira (minha casa tinha a traseira para a Praça Jurandir Britto de Freitas, por onde sempre entrávamos, principalmente quando chegávamos da fazenda. Nessa praça fica o ponto dos transportes tipo lotação, para o famoso Cruzeiro de Poção.
Comecei a colocar as coisas em ordem, e fui para a cozinha, quando vejo o Mudo em minha frente. Olho para ele, espantada, o mesmo já entendendo que eu queria saber o motivo daquela presença inesperada, ajoelha-se, cruza os dedos, une as mãos, olha para o céu e se benze fazendo o sinal da cruz, três vezes seguidas.
Fiquei louca! Libério que na hora estava entrando, vê aquela cena e me pergunta o que estava acontecendo. Eu respondi apavorada: pelo jeito, ele matou uma pessoa em Custódia e veio aqui para casa.
É quando, para felicidade nossa, a esposa do mesmo aparece, e eu pergunto:
- Minha filha, pelo amor de Deus, diga-me o que aconteceu com o Mudo?
Ela rindo disse:
- Vamos pagar uma promessa no Cruzeiro de Poção.
Que alívio!
Logo, comecei a entender que a cruz com os dedos era o cruzeiro e as mãos postas, ele ajoelhado e mostrando o céu, era o pagamento da promessa.
Suspirei fundo, e fui providenciar o café para os visitantes amigos.
Fonte: Livro RETRATO ESCRITOS III de Zezé do Amaral França, pag. 62-63, 2003
Essa denominação perpetua na infraestrutura do Sertão do Moxotó o legado de uma das figuras públicas mais influentes da história custodiarense. Agropecuarista e liderança política tradicional do município, Luiz Epaminondas assumiu a Prefeitura de Custódia em 15 de novembro de 1955, após ser eleito pelo voto popular. Era filho de Antônio Epaminondas Nogueira de Barros e Úrsula Benigna Pereira Valões. Pertencente a tradicionais familias sertanejas.
Sua gestão, contudo, foi precocemente interrompida em 11 de dezembro de 1957, data de seu falecimento em pleno exercício do mandato executivo. Na ocasião, o vice-prefeito Adauto Pereira de Souza assumiu o comando do município para dar continuidade aos trabalhos da municipalidade.
O legado político da família seguiu vivo nas gerações seguintes: Luiz Epaminondas era pai de Luiz Epaminondas Filho, carinhosamente conhecido como Luizito, que mais tarde também ocupou o cargo de prefeito de Custódia. Seu irmão João Bosco também foi político, chegando a ser Vice-Prefeito de Custódia.
Matéria indicada por Josenildo Lacerda.
A instituição desempenhou um papel divisor de águas na educação do Sertão do Moxotó, pois trouxe o ensino técnico-profissionalizante e o curso normal/pedagógico para o município em uma época em que as opções de formação secundária na região eram extremamente restritas.
Origem do Nome: A escola recebeu o nome de Joaquim Pereira, em homenagem ao pai do Dr. Pedro Pereira Sobrinho, figura respeitada na história familiar e local. (Clique aqui)
Abertura de Oportunidades: Antes de sua criação, jovens de Custódia precisavam se deslocar para centros maiores (como Arcoverde, Serra Talhada ou Recife) para cursar o ensino secundário técnico ou de formação de professores. A chegada do colégio fixou os estudantes na cidade.
Curso Oferecido: O colégio destacou-se pela oferta de Cursos Técnicos em Contabilidade, sendo responsável pela formação de dezenas de profissionais que exercem suas funções até hoje no municipio. Alguns se aposentaram.
Pioneirismo Educacional: Representou uma das primeiras iniciativas privadas de ensino comunitário/técnico no município, combinando rigor acadêmico com formação voltada ao mercado de trabalho regional.
Advogado, cirurgião-dentista, auditor, professor e ex-vereador de Custódia, Dr. Pedro idealizou o colégio como um projeto de desenvolvimento social. Sua visão era de que o acesso à educação técnica e pedagógica era o único caminho para emancipar a juventude custodiense e impulsionar a economia local.
O Colégio Técnico Joaquim Pereira marcou a história cultural e educacional de Custódia ao longo das décadas de 1970 e 1980. Grande parte dos profissionais, educadores e gestores públicos que atuaram na cidade nos anos subsequentes teve sua base de formação nos bancos escolares dessa instituição.

Ao denunciar a interferência do governo estadual e as retaliações contra oposicionistas no município, a reportagem revelou as contradições vividas pela população no conturbado processo de transição democrática do país
Para que a população conheça em detalhes os fatos narrados naquela época, preparamos este material especial. A seguir, você confere a nossa interpretação histórica sobre o período e, logo em seguida, o texto original completo da notícia tal como foi publicado em 1945.
"MANDA QUEM PODE" NA ZONA SERTANEJA
TERROR FASCISTA DOMINA O MUNICIPIO DE CUSTODIA
O SR. ETELVINO ORDENA UMA SERIE DE PERSEGUIÇÕES A TODOS QUANTOS NÃO RESAM PELA SUA CARTILHA — DEMITIDA A TESOUREIRA DA PREFEITURA COM 9 ANOS DE SERVIÇO PORQUE É CASADA COM UM OPOSICIONISTA — DESMEMBRADO O CARTORIO — O JUIZ A SERVIÇO DA POLITICAGEM DE 10 DE NOVEMBRO
Esteve, ontem, na redação deste jornal, o sr. João Verissimo do Amaral, membro do diretorio local da União Democratica Nacional de Custodia, em cujo municipio é proprietario
. Falando á reportagem, declarou que em Custodia a campanha eleitoral está sendo processada com evidente desigualdade de tratamento, por parte das autoridades publicas, para os membros da oposição . Os partidarios do governo têm todas as facilidades para aliciar o eleitorado, enquanto toda sorte de impecilhos e obstaculos se opõem ás atividades dos adversarios . O mais grave, porém — salienta o sr. João Verissimo — é que essa desigualdade de tratamento emana até do juiz de Direito, a quem cabia, pela natureza da propria função que exerce, uma atitude mais isenta de animo, o que não se verifica
. "Vamos aos fatos tais quais se passam" e prossegue: "Para demonstrar a parcialidade do juiz de Custodia basta dizer que tendo-lhe sido entregue o livro de registro de nascimento para rubricar, e deses modo procedermos aos alistamento dos nossos eleitores, ficou o juiz com esse livro durante quinze dias, prejudicando e atrazando cerca de trezentas petições
. "Essa demora, como é facil de compreender, só poderia aproveitar ao P. S. D. que, com todas as facilidades que lhe são permitidas, vai prosseguindo o alistamento dos seus filiados
. "Mas ha outras coisas que convem ser ditas. Por exemplo não faz muitos dias, regressando do Recife aquela cidade, o prefeito declarou que levava ordem do interventor para demitir a tesoureira da prefeitura; isto porque a ocupante daquele cargo era casada com um oposicionista
. A demissão verificou-se mesmo no dia 22 do corrente; e a tesoureira tinha cerca de nove anos de serviço, desempenhando seu posto com um zelo que ninguem lhe contesta e todos reconhecem . Acresce, ainda — esclarece o sr. João Verissimo — que a referida funcionaria se encontrava em goso de licença para tratamento de saude, quando foi surpreendida com a noticia da sua demissão
. A's pessoas mais aproximadas do prefeito, informou este que o sr. Etelvino Lins o autorizara a pôr os pontos nos ii, em seu municipio, afirmando-lhe que contasse com o apoio do governo . Mas aí não ficou a façanha do prefeito de Custodia
. Chegou ao municipio disposto mesmo a cumprir á risca as ordens do interventor, para manter a politica do "manda quem pode" . Assim, o tabelionato unico daquele municipio, consoante as instruções do palacio das Princesas, foi desmembrado e o funcionario do mesmo — conforme voz geral, nos meios oficiais — ia ser posto em disponibilidade . "Aí está — diz o procer udenista de Custodia — a que se reduz a afirmativa do interventor, quando no Teatro Santa Isabel, por ocasião da convenção do P. S. D. afirmou, "naturalmente para inglês ver" que marchavamos para uma redemocratização do país, e que era chegado o tempo da livre manifestação do pensamento, podendo o funcionario votar contra o governo
. Tudo isso é pouco. Para amedrontar os partidarios da U. D. N. os cabos eleitorais do P. S. D. fazem excursões pelas fazendas e povoados do municipio, dizendo que aqueles que não votarem no governo serão perseguidos e não conseguirão operar nas cooperativas, nem fazer transações com o Banco do Brasil
. As ameaças, em Custodia, se sucedem, e é de todos conhecido o caso da Cooperativa Agro-Pecuaria, que desapareceu como autarquia
. O fato se passou do seguinte modo . No dia 17 do corrente mês, ali chegou o sr. Pitagora de Souza Dantas, assistente do Departamento de Assistencia ás Cooperativas, o qual, recebido pelo gerente — este regularmente eleito em assembléia geral ordinaria, a 15 de abril deste ano — disse-lhe que o objetivo de sua viagem era entregar a direção da cooperativa ao sr. Pereira da Nobrega (que, por sinal, já esteve no Estado de Goiaz), passando este a interventor da cooperativa . Avisou ao gerente para vir imediatamente ao Recife, pois o sr. Etelvino Lins queria ter com ele um entendimento pessoal
. Assim fez o gerente . O sr. Pitagora procedeu ao balanço da cooperativa e logo entregou a mesma ao sr. Pereira da Nobrega, enquanto, sem formalidade de especie alguma, era demitido o gerente . O motivo desta demissão é ser o gerente da tal cooperativa amigo particular do sr. Ernesto Queiroz, presidente do diretorio da U. D. N. "Como vê — conclue o sr. João Verissimo — em Custodia é assim que se prepara o ambiente para as eleições de dezembro
. A frase do sr. Agamenon Magalhães é a diretriz fundamental da politica seguida e praticada em toda a sua realidade pelos seus mandatarios . Mais do que em qualquer outra parte do Estado, aplica-se a Custodia o "manda quem pode e quem tiver o que perder vote no governo" . Isso não importa contra que direito . Não repugnam aos dirigentes governistas os meios de que se utilizam . Todos servem, desde que consigam atemorizar o eleitorado para que vote com eles . "Entretanto, a oposição em Custodia dispõe de um grande nucleo eleitoral e vai levar vitoriosamente ás urnas, dentro em breve, o nome do brigadeiro Eduardo Gomes, que redimirá o pais da situação atrás em que o lançou o Estado Novo, para garantir a verdadeira liberdade democratica
. "O governo de Pernambuco nada perderá em esperar pelo resultado das eleições de dezembro no tão espezinhado municipio de Custodia
. Nada como um dia atrás do outro" — concluiu o sr. João Verissimo .