11 março, 2026

Sábado dia 14 tem Seresteiro de Triunfo pelas ruas de Custódia -PE


No dia 14 de março, às 21h, as ruas de Custódia serão tomadas por músicas, romantismo e muitas emoções!

O grupo Seresteiros de Triunfo, formado por músicos apaixonados, vêm pela primeira vez à Custódia-PE, prometem tocar músicas inesquecíveis pelas principais ruas do centro da cidade, finalizando no Pavilhão da Igreja Matriz de São José. 

 O grupo por onde passa, leva alegria e romance às ruas com suas canções românticas. Uma mistura de talento e dedicação e melodias suaves e letras apaixonadas.

Venha viver o encanto da seresta, recordando e se deixando levar por canções que tocam o coração.

Convide quem você ama, traga sua alegria e venha fazer parte dessa noite especial 

Custódia te espera ao som da seresta!

Apoio: Prefeitura Municipal

O BATENTE LÁ DE CASA - Autor Jorge Remígio


Sentado no batente da Casa das Noivas, que era justamente a casa em que eu residia
nos últimos anos da década de cinquenta.


Eu ficava um bom tempo do dia sentado no batente da entrada da casa onde morávamos. Talvez seja esta uma das memórias mais remotas de minha longínqua infância. São memórias misturadas e vividas entre o final do ano de 1957 e o final do ano de 1959, quando mudamos de endereço e fomos residir na Rua Manoel Borba. Nesse espaço temporal, eu tinha entre três e cinco anos de idade, morava com os meus pais e o único irmão, Antônio. A casa ficava por trás da Igreja de São José, na Rua Vinte de Julho, local bastante privilegiado para a minha imaginação, devido ao fluxo contínuo de pessoas que passavam na rua em frente da casa, num vai e vem constante e ininterrupto.

Eu ficava horas sentado, observando a cidade passar na minha frente, pois quase tudo convergia para a Várzea, local onde ficava o chafariz da cidade. Era uma infinidade de mulheres com rodilhas de pano na cabeça, para equilibrar e amenizar o peso das latas d’água que carregavam o dia inteiro, para encher os tanques dos banheiros residenciais. Passavam, também, rapazes novos e adultos, com toalhas no pescoço e saboneteiras nas mãos, nessa mesma direção, justamente porque, conjugado ao chafariz, tinham uns banheiros masculinos.

Quando chegava o final da tarde, era o momento onde os sapateiros, em grupos, se dirigiam para o chafariz, porém, como já era uma prática habitual, faziam duas paradas obrigatórias antes de chegarem nos banheiros. A primeira era logo após a ladeira, na bodega de seu Né da Várzea, e a segunda, em Maria Galega, onde tomavam suas lapadas de Serra Grande com umbu, caju, ou mesmo qualquer outra fruta da época, antes de se deliciarem nos chuveiros de jato forte e frio do chafariz público.

Na frente da minha casa, tinha um pé de aglaia. Aliás, essa árvore foi plantada na frente de muitas residências do centro, e posteriormente cortadas na década de sessenta, devido a proliferação de um inseto que adorava cair nos olhos dos humanos. Mas, era uma árvore frondosa, que provocava uma imensa sombra, local ideal para um descanso para quem conduzia galões de água nos ombros, logo após ter subido a grande ladeira da Várzea.

Eu via meninos de onze ou doze anos, pararem embaixo daquela árvore, totalmente exaustos, e eu me compadecia do sofrimento deles. Realmente era cruel, uma carga muito pesada para tão pouca idade. O que me impressionava, naquele universo, era o barulho das vozes das pessoas falando ao mesmo tempo. Não era um burburinho, porque falavam alto e o som das vozes reverberava num ecoar ininteligível aos meus ouvidos. A tecnologia era um futuro distante, portanto, as vozes eram potencializadas pelo silêncio das máquinas inexistentes. Não se ouvia sons de nenhum objeto eletrônico naquele tempo, e a zuada do motor de algum automóvel, era bastante rara.

Vi muitas vezes, na minha tela, um bando de meninos já grandes, atazanando um pobre rapaz com sofrimento psíquico. Eles vinham lá do início da rua da frente, nas imediações da casa de seu Né Marinho, onde hoje é o Boticário, e atiravam muitas pedras e gritavam “Maraváia, Maraváia, Maraváia”. Este revidava as pedradas, mas tinha que correr para não ser atingido, entrava no beco de seu Manoel Henrique, e se mandava para as bandas de Iguaraci. Minha mãe, no interior da casa, quando ouvia essa gritaria, corria até o batente onde eu observava toda aquela cena, e me conduzia para dentro, me protegendo das pedras. Eu não entendia o porquê daquelas agressões gratuitas contra aquele pobre coitado e, quando cresci, identifiquei alguns daqueles meninos transgressores.

A minha autonomia de voo era bastante limitada, se restringia a alguns metros na calçada no sentido do casarão de seu Ernesto Queiroz, ou até a casa dos meus tios avós, Maria e Apolônio Carneiro, na rua da frente, no caso, a Padre Leão. Eu fazia esses percursos, geralmente pedalando no meu velocípede, e, em uma certa ocasião, parei defronte a terceira casa da Rua Padre Leão. Ela tinha a sala em um plano bastante baixo, havendo a necessidade de descer uns batentes para adentrar nela. Meu olhar foi de encontro a de um homem em seu interior, e me chamou bastante atenção. Ele era baixo, tinha uma cor avermelhada, grisalho e usava uns óculos de grau com armações grossas de cor preta. Ficamos por segundos nos fitando e guardei a fisionomia dele na memória.

Quando eu me deslocava para fora desses limites, era na companhia da minha mãe. Ela me levava para casa dos meus avós maternos, Samuel Carneiro e Prezalina Souza, que residiam em uma casa que tinha duas frentes. Uma dava para Praça Padre Leão, ao lado de onde hoje fica o Banco do Brasil, e a outra, dava para Bomba, que é a Av. Inocêncio Lima.

Mas, eu adorava mesmo quando íamos para casa da minha avó Anita, mãe do meu pai, porque ela morava em um sítio que ficava por trás da Rua da Várzea. Era o meu paraíso, sinto até hoje o aroma daquelas mangas deliciosas e do cheiro forte dos cajus. No sítio tinha uma imensidão de fruteiras, e uma lagoa encantadora, bem próxima da casa da minha avó, e quando chegavam as invernadas, ficava com as suas margens bordadas de beldroegas e os sapos coaxando aos montes, entoavam uma verdadeira sinfonia. O riacho cortava ao meio todo aquele paraíso, e nos períodos de trovoadas enchia o seu leito com água corrente e barrenta, muitas vezes vindo em enxurradas. Para coroar todo esse semblante embelezador da paisagem, os imponentes e altos coqueiros enfileirados à margem do riacho.

Mas, o melhor mesmo era o aconchego que a minha avó Anita me dava. Era a casa das quatro mulheres, porque residiam, além da minha avó, a tia Maria Eunice, a tia Maria Dulce, que casou no ano de 1959 e foi residir na Bahia, e a prima Jussara Burgos, que, ainda muito novinha, foi morar naquele paraíso. Ela foi minha primeira amiga e, nas nossas brincadeiras e imaginações infantis, criávamos mundos e histórias. Quando estávamos embaixo do grande juazeiro ao lado da casa, ela olhava para a imensa torre de tijolos aparente da chaminé do curtume, e me dizia que ali era um castelo, e que moravam um príncipe e uma princesa naquele local. Todo o percurso da minha casa até o sítio era inovador e, muitas vezes, até emocional. A minha mãe segurava na minha mão e descíamos a grande ladeira sempre movimentadíssima de um tráfego humano frenético na direção, em sua maioria, para o chafariz público. Percorríamos toda extensão da rua, até a entrada do sítio, onde hoje fica o Pelotão da PMPE.

Aquele local era aberto, e havia um fluxo de pessoas que transitavam por trás das casas que ficam ao lado da Escola Maria Augusta. A entrada do sítio era uma bifurcação, e foi justamente alí que eu vi pela primeira vez uma caravana de ciganos. Paramos e ficamos observando, como também todos transeuntes que vislumbravam aquele espetáculo. Eles vinham em grupos, com muitas carroças de tração animal, as mulheres vestidas com saias longas e coloridas de cetim, com muitos enfeites e bijuterias, os homens com chapéus grandes e pretos, usando botas, e vi até uns com brincos, outros com violão, além de muitos cavalos e objetos como, tachos e outros utensílios domésticos.

As mulheres ciganas perguntavam, para aquela população curiosa, se podiam ler suas mãos, e eu, sem entender muito, mas deslumbrado com aquele espetáculo fascinante, observava eles passarem na direção do centro. Minha admiração pelos ciganos foi efêmera, pois quando eles sumiram e continuamos nosso caminho para o sítio, a minha mãe falou que eu tivesse muito cuidado, pois era comum os ciganos raptar crianças. Passei anos acreditando nesse preconceito, tão difundido naquele tempo.

No lado oposto da entrada do sítio, acho que umas duas casas depois da residência de seu Lunga, tinha um armazém onde se acomodava muito couro, acho que era uma parte do curtume que ficava ao lado. Quem administrava era uma moça muito bonita, chamada Jandira, filha do dono do curtume. O meu pai tinha um caminhão e fazia uma viagem semanal para Recife. Além de muitas novidades, sempre trazia as revistas O Cruzeiro e Manchete. Folheando-as, via muitas musas do cinema americano, sempre presente naquelas edições, e quando avistava Jandira, na calçada da rua da Várzea, comparava ela com aquelas atrizes hollywoodianas. Minha mãe sempre parava para conversar com ela, e em um dia iluminado, Jandira me botou em seus braços e me suspendendo, falou. “Jorginho, eu sou sua namorada!” Eu fiquei nas nuvens, e alimentei aquela declaração não sei até quando.


No primeiro dia do mês de abril do ano de 1958, eu tinha três anos, cinco meses e seis dias. Claro que essa data eu fui tomar conhecimento muito tempo depois. Era um dia ensolarado, e eu me encontrava na companhia de dois filhos de Zé Biá, o qual era caseiro do sítio e residia em uma casinha de taipa, bem próximo ao riacho. Além de caseiro, ele tinha uma bandinha de pífano e era um excelente músico popular. Tocava pífano nas novenas e em outras festas também, como batizados, casamentos e aniversários. De repente, por volta do meio dia, ouvimos vários estampidos e pensei ser fogos ou bombas, muito comum até nos dias de hoje. Félix era o maior e falou categoricamente. “É tiro, é tiro!”

Foram vários disparos. Na tarde daquele mesmo dia, fiquei curioso com a quantidade de gente em frente de uma casa logo após onde meu tio Apolônio residia, e, sem a minha mãe tomar conhecimento, peguei o velocípede e me dirigi até aquele local. Muitos homens usavam paletó e vi mulheres chorando. Olhei de fora na direção da sala onde jazia, em um leito, um homem sem vida. Ainda observei o seu rosto sereno, e, justamente nesse momento, minha mãe chegou, me colocou de volta no velocípede e me conduziu na direção da nossa casa.

Porém, logo em seguida, ela me levou para o outro lado da rua. Indaguei o porquê de fazer aquele trajeto. Ela me falou que não queria passar em frente da casa onde estava sendo velado Vitoriano. Ele havia assassinado João Veríssimo do Amaral. Antes de entrarmos em nossa residência, olhei na direção da casa que tinha a sala em um plano bastante baixo, e me lembrei do dia em que olhei fixamente para o homem de cor avermelhada, grisalho, com óculos de grau e armação preta que estava no interior daquela casa.


Jorge Remígio
Recife, março de 2026.

Fotos: 

(algumas fotos foram modificadas usando Inteligência Artificial, sem mudar as caracteristicas originais, e com autorização do autor). Se usar, credite o autor por favor.


João Veríssimo do Amaral,  nasceu no dia 11/11/1909 na cidade de Mata Grande-AL, filho de Euclides do Amaral  Góis e de Maria Rosa do Amaral. 
Faleceu no dia 01/04/1958 na cidade de Custódia-PE.



Minha avó Ana Pereira de Sá (Dona Nita) e a prima Jussara Burgos. Foto de 1956.



Minha mãe Ozanira e meu irmão Antônio.  Foto de 1956.



Com meus filhos em frente a casa ainda sem modificada em 2002.





Foto no sítio da minha avó, no ano de 1958.



Curtume uma industria custodiense



Várzea no final dos anos 70


 
Rua João Veríssimo,  popularmente conhecida como Várzea. Ao lado direito prédio do antigo chafariz público já modificado. O prédio não mais existe. Foto do início dos anos dois mil.



Sítio da minha avó Anita. O meu Paraíso. Cheia de 1960









26 fevereiro, 2026

Atrações da Festa de São José 2026 - dia 13 ao dia 18 de Março

 




Durante entrevista na Rádio Custódia FM, o prefeito Manoel Messias, informou quais as atrações da Tradicional Festa de São José, do municipo de Custódia, que ocorrerá entre os dis 13 e 18 de março.

Dentre as atrações confirmadas, o destaque ficou por conta dos artistas de renome nacional: Xand Avião, Alexandre Pires (Só Para Contrariar) e a dupla sertaneja Maiara e Maraisa

Primeira noite, dia 14 (sábado), as atrações são Ranieri Vaqueiro e Wedson e Banda, além de Xand Avião; dia 15 (Domingo), durante a Missa de Vaqueiro no Parque Armando Wanderley da Fonte, as atrações são Junior Vianna, Heraldo Jr. e Emanoel, Edy e Nathan, Vaqueiro Matuto, Petronio e Placildo, Kauã a Menezes e Ademir e Banda; dia 17 (terça), Alexandre Pires, Toque Dez e Sambeer; encerrando no dia 18 (quarta) a dupla Sertaneja Maiara e Maraiasa, Nadson Ferinha e Ingrid Mickaelle.

Mais uma vez, as atrações locais ganharam destaque, em todas as noites de shows. 




A atração gospel confirmada, é Adriana Arydes, dia 13, no Pavilhão ao lado da Igreja Matriz. A cantora é uma das maiores vozes da música católica brasileira. Iniciou sua carreira na Comunidade Canção Nova ainda em sua infância.

Viva São José! Não deixe de participar.


16 fevereiro, 2026

O Combate de Umburanas - Livro Sertão Sangrente de Jovenildo Pinheiro de Souza



Umburanas é uma localidade perto de Custódia, em Pernambuco, onde a Coluna Prestes travou o combate mais importante, quando da passagem por esse Estado. O combate foi travado no dia 14 de fevereiro (primeiro dia de carnaval) de 1926, era, então, Governador do Estado, Sérgio Loreto. A tropa pernambucana era composta de cerca de 200 soldados, comandados pelo "celébre Coronel João Nunes, velho perseguidor de Lampião. Era, portanto, conhecedor da região e aceito a dureza dos combates na caatinga.

Vale salientar a opinião de outros cérebre oficial militar, sobre o colega de farda, o Coronel João Nunes. Segundo optato Gueiros, que foi também por muitos anos Comandante das Forças Volantes contra o Cangaço, "o único comandante da tropa que, de fato, cometeu desatinos, foi o coronel João Nunes. Não tivesse ele mandado fuzilar os pobre rapazes gaúchos que caíram prisioneiros nas mãos das tropas legalistas em floresta, em Nazaré, e determinado que se acabasse de matar um pobre revoltoso, que, além de ferido estava tuberculoso, e se achava moribundo em Campo Alegre, não teria a polícia de Pernambuco adquirido por algum tempo a fama de persividade. 

Em umburanas a Coluna Prestes preparou uma emboscada e na qual caiu a tropa sobre o comando do Coronel João Nunes. Diante da surpresa e do poder de fogo por parte dos revoltosos, a tropa legalista bateu em retirada, desordenadamente perdendo no campo de batalha uma grande quantidade de material bélico, além de ter perdido um quarto do seu efetivo militar entre mortos e feridos.

O Coronel João Nunes já tinha tido a oportunidade de contatar a Coluna, no sul do Estado do Piauí, quando enfrentou o destacamento comandado por Siqueira Campos. Nesta ocasião, João Nunes saqueou incendiou a cidade de Valença.

Em Umburanas, o coronel João Nunes teve o seu Waterloo. Segundo descreve Moreira Lima, "à frente dos fugitivos corria o coronel João Nunes que abandonou seus comandados em pleno combate, com um mísero poltrão, e gastou dois dias para alcançar a Custódia, a três léguas de distância, onde chegou "arrasado" a pé e com a roupa estraçalhada pelos espinhos da caatinga. Anos depois, em 1930, esse veterano perseguidor de Lampião, já aposentado da polícia militar de Pernambuco desde 1927, foi aprisionado por Lampião, quando repousava na fazenda Sueca, de sua propriedade, em Águas Belas, Pernambuco.

Extraído do livro SERTÃO SANGRENTO, lançado em 2012 e no momento se encontra esgotado.

15 fevereiro, 2026

Homenagem marca centenário de PMs mortos em emboscada da Coluna Prestes em Custódia-PE


Foto: Divulgação


Foi realizada no Sítio Pitombeiras, município de Custódia, no Sertão de Pernambuco, uma solenidade que marca os 100 anos em homenagem aos PMs tombados em cumprimento do dever em 14 de fevereiro de 1926, durante uma emboscada promovida pelos militares da coluna Prestes. O movimento político militar brasileiro ocorreu entre os anos de 1924 e 1927, cuja principal motivação era a insatisfação com o governo do Presidente Arthur Bernardes.

O evento que marca 100 anos, contou com a presença do 3º BPM, o BEP - Batalhão Especializado de Policiamento do Interior, o Corpo de Bombeiros Militar e a Polícia Rodoviária Federal e vem resgatar e enaltecer a história e bravura desses heróis que foram mortos em combate.

A Coluna travou seu combate mais violento durante a sua passagem por Pernambuco. Os revoltosos interceptaram uma mensagem nos fios do telégrafo, dando conta do deslocamento de uma tropa da Força Pública do Estado, de Custódia para Serra Talhada. Eram 137 homens distribuídos em cinco caminhões. Foi montada uma emboscada com a colocação de um chapéu de engenheiro na estrada.


Um dos caminhões parou para um soldado verificar do que se tratava, e todo o comboio também parou, quando os policiais foram cercados e atacados pelos insurgentes, em número quase cinco vezes maior. Após 6 horas de combate ao escurecer, a tropa conseguiu furar o bloqueio, e retornar a Custódia. No entanto quatro caminhões foram queimados, escapando apenas aquele onde estavam as munições, facilitando a reorganização da tropa, que no dia seguinte deu início a perseguição dos agressores, que já haviam escapado do local.

Foram oito mortos e três feridos vindo do 1º, 2º e 3º Batalhões, Regimento de Cavalaria e Companhia de Bombeiro da época. As vítimas foram enterradas no local do combate, onde foi erguido o monumento com uma placa de mármore, em homenagem a bravura dos chamados mortos do Riacho do Mulungu, no quilômetro 345 Km da BR-232.

Todos os anos, essa história é lembrada.

Com a leitura do boletim interno, o hasteamento das bandeiras do Brasil, de Pernambuco, do 3º BPM e do Corpo de Bombeiro.

Em 2026 a solenidade foi ainda mais especial: o Centenário desse Marco histórico.

Créditos: Darcio Rabelo

12 fevereiro, 2026

Advogado Janio Queiroz participou do Programa Hora News MA


 

O advogado custodiense Janio Queiroz, residente em São Luis no Maranhão, foi destaque essa semana no programa Hora News MA. 

Durante o bate-papo, de fundamental importância, foi comentado sobre o respeito, o consentimento e a Lei de Importunação Sexual.

Foram feitos esclarecemos de pontos essenciais: o “não” dito por uma mulher encerra qualquer abordagem. Insistir após essa resposta pode configurar crime, mesmo sem contato físico. Jânio explicou que a verbalização clara é sim importante, mas não é a única forma de demonstrar desconforto — gestos e expressões também valem. Também destacou o papel de bares e casas noturnas: os estabelecimentos têm responsabilidade legal e podem ser responsabilizados se não acolherem denúncias ou protegerem vítimas. Seguranças e funcionários precisam agir com agilidade e empatia.

Breve vídeo de sua participação!!!


11 fevereiro, 2026

Tela de Edmar Salles recebe Medalha de Ouro pela Academia APBA – Associação Paulista de Belas Artes.


A obra “Teatro Municipal de São Paulo” foi premiada com Medalha de Ouro no Salão da Cidade de São Paulo, realizado na Academia Paulista de Belas Artes (APBA) – São Paulo/SP.

Nesta obra, o artista plástico Edmar Sales registra o cenário no momento em que seguia rumo ao Salão da cidade de São Paulo, promovido pela Academia APBA – Associação Paulista de Belas Artes.

Uma pintura que nasceu do silêncio do ateliê, atravessou expectativas e conquistou reconhecimento.

🏅 Obra Premiada – Medalha de Ouro no Salão.


A arte encontra seu destino quando técnica e verdade caminham juntas.

Uma conquista que reafirma um percurso construído com disciplina, identidade e verdade pictórica.



SALES

Artista premiado em Salões de Arte

10 fevereiro, 2026

Recém lançado Romance "O Doce Amargo do Açucar" de Paulo Mapu está à venda



O Romance "O Doce Amargo do Açúcar" tem início em Custódia-PE, no engenho de Zé Baé, no sítio Umbuzeiro, e avança em várias direções geográficas (Recife, Berlin, Lisboa, entre outras) para contar a trama do amor de Teresa, uma sinhazinha, por seu escravo Kalimba. 

A história se passa no período da Revolução Pernambucana e da Confederação do Equador, em pleno ciclo da cana-de-açúcar, em meio ao comércio transatlântico e a escravização. 

O autor resgata a história do quilombo do Catucá dos malunguinhos - no Recife - e as tensões políticas e revolucionárias do momento.
 
Apesar de o romance ser uma ficção, é totalmente ancorado na história em que Frei Caneca, Cruz Cabugá, Leão Coroado e figuras femininas aparecem como protagonistas envolvidas na luta pela liberdade.

Entre elas se destacam Nzinga, a angolana, Zeferina do quilombo do Urubu, em Salvador, e Nã Agontimé, criadora da Casa das Minas de São Luís do Maranhão.  

Tem ainda a saga do negro Baquaqua, o escravo, que passou por Olinda e se tornou referência por ter escrito sua biografia contando os horrores da viagem . 

O romance "O Doce Amargo do Açúcar" resgata um período que não pode ser esquecido pela nova geração.

Para adquirir seu exemplar, entrar em contato com o autor:

Paulo Mapu
Contato whatsapp:
(11 ) 96817-0744


 

03 fevereiro, 2026


Essa foto foi postada num grupo de WhatsApp há algum tempo. Algumas pessoas não foram identificadas.

Registro feito possivelmente no Bar Fênix, situado na época na Praça Padre Leão, onde hoje funciona sorveteria e a Fortunato Tecidos, na metade dos anos cinquenta.

Na primeira fila em pé temos: Novinho, Aparício Feitosa (Shandinha), Luizito e Antônio do Posto. 

Não sei se a moça ao lado é Terezinha de João Laurentino. Na frente. Tatá de Zé de Noca, esse rapaz de paletó deve ser de Betânia, da família Inocêncio Lima, Joventino Feitosa.  Os três seguintes em destaque, não identifiquei.

31 dezembro, 2025

Custódia – Quilombo Sítio Carvalho

O Quilombo Sítio Carvalho, em Custódia-PE, foi certificado como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares.

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

FCP – Fundação Cultural Palmares

Nome Atribuído: Quilombo Sítio Carvalho (composta Pelas Comunidades: Sítios Vassouras, Poço do Capim, Cacimba Limpa, Barreiros, Papagaio, Bigode, Lagoa da Onça, Riacho Novo, Areia, Umbuzeiro, Fazenda Nova, Juá I e Ii, Barriguda, Samambaia, Poço do Boi, Barro Branco, Trocado e Bandeira)

Localização: Custódia-PE
Processo FCP: Processo n° 01420.000885/2007-43
Certificado FCP: Portaria n° 51/2007, de 16/05/2007
Quilombos certificados (2020)

Resolução de Tombamento: Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: […] § 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos.

Fonte: Constituição Federal de 1988.

Observação: Os quilombos foram localizados em áreas vazias do terreno urbano para segurança dos mesmos, buscando evitar crimes de ódio racial.

Comunidades Quilombolas: Conforme o art. 2º do Decreto nº 4.887, de 20 de novembro de 2003, “consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos, para os fins deste Decreto, os grupos étnico-raciais, segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida.”

São, de modo geral, comunidades oriundas daquelas que resistiram à brutalidade do regime escravocrata e se rebelaram frente a quem acreditava serem eles sua propriedade.

As comunidades remanescentes de quilombo se adaptaram a viver em regiões por vezes hostis. Porém, mantendo suas tradições culturais, aprenderam a tirar seu sustento dos recursos naturais disponíveis ao mesmo tempo em que se tornaram diretamente responsáveis por sua preservação, interagindo com outros povos e comunidades tradicionais tanto quanto com a sociedade envolvente. Seus membros são agricultores, seringueiros, pescadores, extrativistas e, dentre outras, desenvolvem atividades de turismo de base comunitária em seus territórios, pelos quais continuam a lutar.

Embora a maioria esmagadora encontrem-se na zona rural, também existem quilombos em áreas urbanas e peri-urbanas.

Em algumas regiões do país, as comunidades quilombolas, mesmo aquelas já certificadas, são conhecidas e se autodefinem de outras maneiras: como terras de preto, terras de santo, comunidade negra rural ou, ainda, pelo nome da própria comunidade (Gorutubanos, Kalunga, Negros do Riacho, etc.).

De todo modo, temos que comunidade remanescente de quilombo é um conceito político-jurídico que tenta dar conta de uma realidade extremamente complexa e diversa, que implica na valorização de nossa memória e no reconhecimento da dívida histórica e presente que o Estado brasileiro tem com a população negra.

Fonte: FCP.

15 dezembro, 2025

Saudades de José Arnaldo por Josedith Bezerra



"Somos tão passageiros..."

Como dói perder alguém...Mas não é disso que você falaria. Tristeza não. Você era somente alegria, mesmo em meio a tempestade. Sempre vinha o riso fácil. Meu irmão, meu grande amigo. Como queria sua alegria aqui por perto. Não conto os dias que foi se foi, conto os dias em que dividimos companheirismo, conversas e risos. Você não era o tipo que queria ver alguém chorar... lembro dias em que chorei de aperreio e você me mandava parar, e simplesmente dizia: ... vamos ao Shopping.

Meu querido, Deus com certeza, está feliz em ter você por perto.

Saudades, hoje saudades... embora uma lágrima teima em cair.

Esteja nos braços do Pai.


Josedith Bezerra
Custódia-PE
Dezembro/2017

12 dezembro, 2025

Tambaú recebe reconhecimento da FIEPE por prática de ESG


A Casa da Indústria sediou, nesta quinta-feira (11), a entrega do Prêmio ESG FIEPE e do Prêmio FIEPE de Jornalismo, que reuniu empresas e jornalistas finalistas em uma noite dedicada ao reconhecimento de boas práticas e de produção de informação qualificada. O evento contou com palestra do professor Sérgio Matias, que falou sobre “ESG, Educação Empresarial e o Futuro dos Negócios: da Conformidade à Cultura Sustentável”.

Durante a cerimônia, o presidente da FIEPE, Bruno Veloso, destacou que reconhecer as empresas que adotaram práticas consistentes de sustentabilidade, governança e responsabilidade social é fundamental. “Essas organizações mostram, na prática, que o compromisso com resultados pode e deve caminhar junto com uma atuação ética, transparente e orientada para o futuro”, disse, destacando também o trabalho dos jornalistas que, ao longo do ano, colaboraram para ampliar e qualificar o debate público sobre a indústria pernambucana.

O presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente (Contema) da FIEPE, Anísio Coelho, ressaltou que as iniciativas destacadas representaram exemplos concretos de evolução no setor produtivo. “As empresas reconhecidas hoje mostram que é possível crescer com responsabilidade, reduzir impactos, inovar e entregar resultados de forma sustentável. De certo modo, o prêmio também dialoga com a imprensa, que exerce papel essencial ao trazer para o debate público temas complexos e decisivos para o setor produtivo”. (FIEPE)

Grupo 2 – Médio e Grande Porte

EMPRESA: TAMBAÚ

Com o projeto: arborização e recuperação de área degradada.

A Tambaú recebeu com bastante orgulho esse reconhecimento da FIEPE pelas práticas de ESG, especialmente pela Arborização e Recuperação de Áreas Degradadas da Caatinga.

A equipe da Tambaú, e em especial ao José Cândido e Edilania Melo, do time de Meio Ambiente!

Esse prêmio é um reflexo do compromisso da Tambaú com a sustentabilidade e o meio ambiente. É inspirador ver como a empresa está fazendo a diferença e motivando outras a seguir o mesmo caminho.

A Fiepe é uma instituição de peso, então esse reconhecimento é ainda mais significativo.

Parabéns novamente à toda a equipe! 

Ps. A sigla ESG vem de “Environmental, Social and Governance” (ambiental, social e governança, em português) é um indicador para as práticas ambientais, sociais e de governança de uma empresa.

Bananinha Cremosa Tambaú: Lançamento do Carrinho de Ouro 2025


A Tambaú marcou presença como empresa apoiadora da festa de confraternização anual da Associação Pernambucana de Supermercados (APES), realizada no dia 26 de novembro, no Mirante do Paço, no Recife.

Durante o evento, também foram entregues os troféus Carrinho de Ouro e Personalidade Destaque 2025, reconhecendo profissionais e empresas que impulsionam o setor.

Os convidados tiveram a oportunidade de experimentar a nossa Bananinha Cremosa Tambaú, apresentada em uma embalagem especial que esteve em todas as mesas da festa.

A Tambaú foi representada pela analista de marketing Fernanda Anciutti, pelo gerente regional Hudson Coelho e pelos representantes Diogo Lima, Ricardo Melo e Raphael Henrique.

11 dezembro, 2025

"A história da canção VOLTA PARA MIM, composição de Ederaldo Lemos.

 


"A história da canção "VOLTA PARA MIM", composição de Ederaldo Lemos, interpretada por Betão e melodia de Plínio Fabrício. 

Esta é uma de tantas histórias que tivemos juntos. 

Ao familiares e amigos, saudades do Eterno Betão."

Por: Ederaldo Ĺemos

09 dezembro, 2025

O legado da primeira professora: Gratidão eterna a Dona Almerentina - Por Fábio Santos


Fiquei com o coração apertado ao receber a notícia da partida de Dona Almerintina Joana de Souza para a eternidade, ocorrida neste domingo(07.12.2025).

Ela foi minha primeira professora, aquela que me guiou nos primeiros passos da leitura e do saber.

Revirei o baú das memórias e lembrei da nossa Escola Cícero Rodrigues de Aquino, que funcionava, de forma tão acolhedora e dedicada, naquele armazém ao lado de sua residência. Ali, entre caixas e sonhos, ela me ensinou as minhas primeiras letras, me preparando para uma vida abençoada por Deus.

Tem um momento que se eternizou na minha infância, foi o dia em que Dona Almerintina reuniu a turma e nos levou a pé para conhecer o prédio próprio da escola em construção. Aquele lugar, construído no entroncamento da estrada rural que acessa Pindoba e a região da Fazenda Nova, Caiçara e Samambaia, era mais que um prédio: era a materialização de um sonho e a prova viva da sua dedicação incansável pela educação. Ela nos mostrou que a educação nos levaria para muitos lugares. Dona Almerintina era um exemplo de zelo. E o legado dessa professora dedicada ultrapassou as lições da cartilha do ABC.

Hoje, aquele menino que saiu da roça se tornou um comunicador, e o conhecimento adquirido em seu armazém e em suas aulas segue sendo repassado, germinando na minha família e tocando muitas outras vidas. A semente que ela plantou continua florescendo.

À família, a nossa palavra de conforto e o nosso abraço mais apertado. Saibam que a força de Dona Almerintina segue viva em todos aqueles que, como eu, foram transformados por sua luz e seu saber.

Professores assim não morrem. Eles não se vão. Professor entra para a História, e Dona Almerentina Joana de Souza está gravada para sempre no livro da minha.

Eterna saudade.



FÁBIO SANTOS
Arcoverde-PE
Dezembro/2025

25 novembro, 2025

De Custódia para o Supremo Tribunal Federal: Jânio Queiroz recebe distinção nacional em Brasília



O advogado Jânio Queiroz, natural de Custódia–PE e hoje atuante em São Luís no Maranhão, acaba de alcançar um novo patamar em sua trajetória profissional. Em viagem oficial a Brasília, ele recebeu a placa de membro da Escola Brasileira de Atuação nos Tribunais Superiores, instituição nacional que reúne juristas, pesquisadores, advogados e autoridades com atuação qualificada no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal.

O convite para integrar o corpo de membros foi concedido pessoalmente pelo Dr. Willamem Akerman, Assessor-Chefe do Gabinete de um Ministro do Supremo Tribunal Federal, reconhecimento raro e direcionado apenas a profissionais que demonstram excelência técnica, reputação ilibada e capacidade de contribuir com debates relevantes no âmbito dos Tribunais Superiores.

O que significa esse novo nível?

Ao ingressar como membro, Jânio Queiroz passa a ter:

• Acesso direto a análises, debates e atualizações sobre temas de repercussão geral no STF, o que permite compreender em primeira mão as teses que impactam o país inteiro.

• Participação em encontros nacionais presenciais em Brasília, ao lado de juristas renomados, ministros, assessores e professores de destaque no cenário jurídico.

• Possibilidade de atuar como palestrante em eventos oficiais da Escola, compartilhando experiências, estudos e estratégias processuais aplicadas nos Tribunais Superiores.

• Interação constante com membros de outros estados, criando uma rede técnica e intelectual de altíssimo nível.

• Formação especializada e contínua, que aprofunda temas complexos do STF e STJ, incluindo repercussão geral, precedentes qualificados, filtros recursais, competências e técnicas de atuação nos tribunais.

Trata-se de um avanço de carreira que agrega prestígio, visibilidade e credibilidade nacional, aproximando o advogado dos debates mais importantes do Judiciário brasileiro.





Orgulho para Custódia

Filho da cidade de Custódia, em Pernambuco, Jânio destaca que essa conquista simboliza mais do que um reconhecimento técnico:

Levo comigo o nome da minha cidade. Cada passo que dou, cada porta que se abre, traz junto a história de onde eu vim. Ser membro de uma instituição ligada ao âmbito do STF é uma honra que dedico ao povo de Custódia.”

Sua ascensão demonstra que origem humilde não limita quem tem disciplina, preparo e coragem para competir nos mais altos níveis da advocacia nacional.

29 outubro, 2025

Custodiense Paulo Mapu comenta seu novo livro "O Doce Amargo do Açucar"



Introdução por
PAULO MAPU



A ideia desse romance não foi premeditada, nem mesmo numa possibilidade futura, a única explicação que dei para mim mesmo para escrevê-lo, foi ter ido morar na cidade do Recife, que sempre me fascinou, quando com doze anos, nossa família saindo de Sertânia foi morar na capital pernambucana. A vontade de escrever foi surgindo espontaneamente, me incomodando como uma febre incontida incendiando o meu corpo.

Talvez esse tenha sido o gatilho que me fez pensar no Recife e suas histórias. Assim foi nascendo o Doce Amargo do Açúcar. As lembranças dos engenhos onde se fabricavam a rapadura sempre me encantou na infância, onde passava as férias junto com os primos no engenho de Zé Baé no sítio do Umbuzeiro em Custódia. Fazer o alfenim melando a cana raspada no caldo quente no tacho em ebulição foi uma das melhores recordações das férias.

Zé Baé tornou um dos personagens relevante onde o Reino de Daomé, Pernambuco e Portugal formaram um triângulo de amor e ódio, de dor e alegria de lucro e miséria e de opressão e resistência.

Os período históricos em torno do Recife, foram se descortinando como camadas de cebolas, onde cada uma trazia à tona novas camadas que se uniam, até chegar no ciclo da produção do açúcar e consequentemente na época da escravização. 

La dolce vita gozada pelos brancos europeus em seus cafés parisienses e nas diversas cidades europeias só foi possível com o amargor das correntes, das chicotadas nos lombos dos negros nos pelourinhos e das marcas dos escravagistas nos corpos de milhões de escravizados vindo da África.  Cada colherada de açúcar numa xicara de um branco europeu, tinha no seu correspondente as gotas de sangue de um negro. 

Essa história foi mal contada e depois invisibilizada para que a República fosse poupada das atrocidades do império. Assim Rui Barbosa deu a ordem para queimar todos os documentos referente a escravidão, anistiando todos escravagistas e deletando os escravizados da história do nosso país. O prédio da Alfandega do Rio de Janeiro esconde essa história em meio a fumaça. 

Os fatos históricos emolduram o romance onde Kalimba e Teresa furam a bolha. Ela uma indígena e sinhazinha dona do engenho Olho D’água e ele um escravo do Reino de Daomé que se apaixonam e vivem um romance inusitado, onde a ficção e a realidade se abraçam concatenados. 

Ora surge o malunguinho do quilombo do Catucá da Cova da Onça no Recife recebendo foragidos do quilombo do Urubu em Salvador. Personagens históricos voltam reescrevendo a história nas figuras de Frei Caneca, Cruz Cabugá, Baquaquá e a Rainha Nã Agotimé do Reino de Daomé, atual Benin. O curioso baiano Francisco Félix de Sousa, maior traficante de escravizados da época despede Kalimba através da Porta do Nunca Mais. O Seminário de Olinda e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos cumprem seus papéis no movimento abolicionista da época incendiando os corações e as mentes dos jovens revolucionários. 

Personagens ficcionais, mas que fazem parte da vida real do autor ganham vida e destaque com detalhes sutis que são narrados na trama. Em alguns momentos mudei a história pela simples razão de dar vazão as próprias emoções, como um gesto terapêutico de me curar de alguma dor da alma, seja de raiva, ciúmes ou desapego. 

Cada uma se identificará com aquilo que tocou sua alma. Nada foi por acaso, até os mínimos detalhes como as cores da blusa da Teresa na queda, o paninho da menstruacão da Lucinda, a agulha e a linha no Lago em Ganvié, as marcas do prazer nas costas de Kalimba ou o oco do Jacarandá onde guardavam os segredos de Kalimba e Teresa tiveram seus correspondentes do mundo real. Alguns destes detalhes serão revelados nos próximos romances se um dia tiver o privilégio de escrever.  

As nomenclaturas escravos e escravizados caracterizam duas visões de mundo diferentes, uma aponta para a lente do opressor do mundo ocidental em acreditar que o ser escravo era uma condição natural. Quanto ao termo escravizado denota a condição forçada em que os descendentes de reis e rainhas, povos com suas histórias ricas e milenares foram colocados em condições de escravidão contra a sua vontade. A resistência e a resiliência do povo negro usam na contemporaneidade o termo escravizados.

Prefácio de "O Doce Amargo do Açuçar" livro do custodiense Paulo Mapu



PREFÁCIO PARA PAULO MAPU
 

Este romance de Paulo Mapu, a partir da combinação de diversos elementos entrelaçados por meios ficcionalmente criativos, resulta em surpreendente arranjo que seduz as leitoras e os leitores mais exigentes.  

O doce amargo do açúcar sugere que sensações, motivações, pensamentos e valores são relativos; dependem sempre de quem percebe e vive experiências com o mundo e com outras pessoas, disso extraindo o sabor que lhes apetece ou incomoda. O que é doce para um pode ser amargo para outro; ainda, pode haver um continuum doce-amargo-amargo-doce, a depender de circunstâncias e de estados de espírito. É isto: o que é doce num momento pode ser amargo logo a seguir. Coisas da vida, passageira, traiçoeira, que ora rebaixa, ora eleva; agora sorri favoravelmente para logo depois rir em desprezo num doce-amargo surpreendente. 

Ao lado de lances amorosos e arroubos revolucionários, a escravidão, por exemplo, um dos temas centrais deste romance, pode realçar a ideia desse duplo opositivo amargo-doce, pois terá um sabor para quem recebe chibatadas e outro para quem segura o chicote. Em nosso mundo, sempre há mãos para segurar o chicote: golpes de violência continuam e o enquadre violento do sistema servil ainda molda mentes e dirige ações.

Dentre elementos relativos à escravidão, o romance pincela os tumbeiros, navios de morte em que eram transportados os africanos para as Américas; num deles veio Baquaqua, africano que viveu uma saga em países diversos e nos legou um relato emocionado sobre a atroz condição desses cemitérios das águas; Baquaqua, essa figura inspiradora, fez questão de participar do romance de Paulo Mapu, com um depoimento tocante. 

As peripécias principais deste romance ocorrem em Recife e arredores, importante centro produtor de açúcar na segunda década do século XIX. Há ênfase à Revolução pernambucana de 1817, representada por Cruz Cabugá; o movimento contou com apoio de Frei Caneca, religioso que participaria da Confederação do Equador, ocorrida apenas dois anos depois da Independência, que teve caráter elitista, distante das aspirações populares. 

A economia açucareira estava fazendo a riqueza da elite senhorial de então (o doce), toda sustentada no trabalho escravo (o amargo), percepção que intitula esta narrativa cheia de reentrâncias que oscilam entre esses dois extremos.

Encontraremos neste livro menções a outros eventos históricos, sobretudo referentes a movimentos de resistência, como a revolução do Haiti, que difundiu terror nos senhores de engenho, todos escravagistas. Esse panorama enriquece as ações das personagens, tensionando o andamento da trama.

Leitores e leitoras vão ainda passear por paisagens africanas e conhecer aspectos das culturas de nossos ancestrais; conhecerão Francisco Felix de Souza, o Chachá, o maior traficante de escravos de seu tempo que, por lance de oportunismo e arrojo, chegou a ter muito prestígio em Benin e Daomé; do Brasil negros libertos e parentes para lá retornaram, sob a proteção do Chachá, formando uma comunidade ainda hoje existente, um pedaço do Brasil na terra-mãe. 

A vida de escravizados nunca foi fácil, situação sempre conhecida; eram obrigados a viver sempre no fio da navalha da sobrevivência, para o que era preciso muita arte, o que não lhes faltou, inclusive para lutar pelo fim do jugo que os desumanizava. Afinal, ninguém gosta de viver em escravidão. Não foram inertes nem conformados os escravizados e o romance de Paulo Mapu aponta essa dimensão, inspirado na luta pelo fim do regime servil, com resgate da coragem e da memória de nossos ancestrais.

A liberdade tão sonhada não viria por concessão dos senhores, mas por ação corajosa, consciente de escravizados e de idealistas da Abolição. Nas inciativas do romance figuram mulheres como agentes de protagonismo – de rainhas africanas a jovens brasileiras: Nzinga, Na Agotimé, Tereza, Lucinda, Eliane, Eulália; expõem-se elas à tarefa, nem sempre simples, de reconhecer a violência daquele sistema e de se comprometer com a sua extinção. Assim, há esforços de reabilitação do lugar que mulheres ocupam em processos de resistência, que a elas também dizem respeito; e aqui vai mais uma efetiva contribuição desta narrativa. 

Paulo Mapu é poeta de mão cheia, de aguçada sensibilidade, tendo já oferecido ao público trabalhos de envergadura; aventura-se agora em prosa, gênero que exige fôlego, por certo, o que não faltou ao autor, que produziu um relato romanesco recheado de emoção e de surpresa. Ao longo de sua trajetória, acumulou singulares experiências e desafios que pintaram seus sonhos com a cor da solidariedade e da luta por um mundo justo. Viveu como hippie na juventude, tendo circulado por países da América Latina e convivido com comunidades indígenas, vítimas de interesses diversos, desumanos; como pastor protestante, sempre adotou o caminho mais difícil de olhar – e sentir – o sofrimento dos oprimidos; militou ao lado dos sem-teto; abraçou a causa ecológica; organizou cooperativas. Atualmente é terapeuta comunitário integrativo e se dedica a assessorar mães atípicas, dentre outras atividades. 

Essas emanações de incentivo das pessoas e dos grupos aos quais se dedicou são o pano de fundo que organiza a trama narrativa; acompanham também os enlaces entre as ações das diversas personagens que realçam os recursos expressivos que brotam das diversas relações que mantêm com o conjunto.

Marca saliente deste romance é a dimensão ficcional, arranjada com muito tino e esmero, em que as diversas passagens convergem para a edificação de um todo coerente. Por outro lado, a materialidade linguística é constituída por uma escrita que afrouxa o cinto, tira a gravata e adota a simplicidade do povo que procura representar. Daí nasce a vivacidade e a expressividade da matéria narrada.

África (a mítica, talvez, mas inspiração necessária), Brasil, Cuba, Haiti se encontram numa geografia romanesca para gerar e sustentar a utopia, simbolizada na conjunção amorosa entre Kalimba e Teresa, que representam a comunhão de povos originários daqui e de lá; no romance, o africano e a brasileira-indígena, depois de breve separação, se encontram em solo cubano tendo por miragem os contornos do lugar em que uma revolução de escravos venceu o poderio militar do império de Napoleão Bonaparte: doçura utópica de outros mundos, possíveis.

Tudo pura expectativa de redenção, inspiradora da necessária superação do racismo, herança da escravidão – desafio que ainda incomoda e, por isso mesmo, faz de O doce amargo do açúcar uma narrativa arrebatadora e indispensável para nos reencontrarmos com nossa própria história.


Por Paulo Proença 
professor e especialista em assuntos da África e diretor da TV Matracas


19 outubro, 2025

Projeto Custódia Mais Verde & Sementes da Caatinga no EREM José Pereira Burgos



No mês de setembro, os alunos do EREM José Pereira Burgos, participaram do PROJETO CUSTÓDIA MAIS VERDE, sob coordenação do professor e idealizador Vinícius Melo. Em diversos pontos da cidade, foram plantadas mudas de Ipê Amarelo e Caroá.




Outro projeto realizado no EREM JPB foi SEMENTES DA CAATINGA, idealizado pela professora Raquel Melo, da disciplina de Biologia. Ambos foram realizados no mês de setembro, em alusão ao aniversário de Custódia e também mês em que é comemorado o Dia da Árvore.

18 outubro, 2025

Livro Eclipse de Paulo Mapu




Apresentação

Eclipse, de Paulo Mapu, é uma leitura indispensável, um convite que não se pode rejeitar. Coleção de poemas e de crônicas, o livro é uma oferta do autor, uma abertura de si mesmo em tentativa de capturar aquilo que de melhor ainda habita em nós.

A trajetória de vida de Paulo Mapu tem consonância com a proposta do livro. Em sua juventude foi hippie, em momento no qual jovens ousaram sonhar com um mundo livre do consumismo capitalista e que fosse movido por paz e por amor, logo após os escombros da Segunda Guerra. Andarilho da esperança, Paulo Mapu viajou pelo Brasil e pelo interior de si mesmo à busca de sentido para a vida.

Encontrou-o. Na expansão de si, solicitada por um sentimento de solidariedade cada vez mais raro e que nos faz descobrir a dimensão que nos torna mais humanos: a solidariedade.

Viveu-a. Primeiramente entre povos originários, guardiões da Mãe Terra, mestres da vida plena e saúdaável, inspirada na simplicidade e mistério de vínculos coletivos e na direta conexão com as forças da natureza. Por sua vez, essa conjunção aponta para forças divinas.

Descobriu-as. Foi nova motivação. Tornou-se pastor, missionário da velha e cada vez mais esquecida e deturpada mensagem evangélica: paz e amor, aos seres humanos de boa vontade. Contudo, nem sempre é fácil defender essa bandeira em instituições eclesiásticas, por incrível que nos pareça tal contradição.

Há ventos contrários.

Enfrentou-os. Procurou mostrar e viver o evangelho em sua simplicidade e essência, percorrendo por dentro organizações eclesiásticas. Apoios pessoais e eventuais houve, mas insuficientes para sustentar projetos e ideais que se expandiam para além dos quintais das comunidades religiosas. Era preciso abrir portas e janelas para a sociedade e para o mundo.

Abriu-as. Sua comunidade religiosa passou a ser as ruas, os grupos marginalizados, os sem teto. Foi assim que atuou com catadores de lixo, com a luta de moradia para eles e com os hóspedes da Cracolândia.

Paulo Mapu é isto: a alegria de viver para o próximo, na exata dimensão do que Evangelho significa.

Conheci-o quando, há pouco mais de quinze anos, já tendo exercido o pastorado na Igreja Presbiteriana Unida, ele foi recebido na Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e, por exigência desta última, deveria cumprir o curso teológico da Instituição. Eu era, então, professor da Faculdade de Teologia e Paulo Mapu foi meu aluno. Logo pude notar sua vocação e compreender sua trajetória de vida e a falta de adaptação que suas propostas de vida e sua atividade pastoral provocavam, no âmbito institucional. Continuou firme em seus propósitos e, embora atuando além da dimensão eclesiástica, manteve seus princípios e sua entrega solidária aos esquecidos.

Hoje ele encontra motivação também na Terapia Comunitária Integrativa, técnica terapêutica que busca soluções nas potencialidades curativas de grupo, qualquer que ele seja, no esforço coletivo necessário para curar as nossas feridas.

Além de tudo, Paulo Mapu é escritor, de grande inspiração, como demonstra Eclipse. O título, segundo indicação do autor na introdução ao livro, faz referência à escuridão que vivemos, às vezes, de diversas maneiras, em nosso árduo drama de viver. O livro é esforço de superar essa escuridão existencial, no anseio de que o sol, com seus raios, possa aquecer corações e mentes: o dia da justiça e da igualdade haverá de raiar.

O livro se compõe de crônicas e de poemas; em maior número, os poemas são representativos de experiências vividas em diversas fases da vida do autor; também há reflexões e muita intuição poética, necessária à ressignificação da banalidade de certos lances da vida e da violência que passeia pelas ruas da nossa cidade e pelas nossas mentes e corações.

Em alguns poemas há epígrafes de Naara Saboia, formuladas também com sensibilidade poética, como esta: “Não há nada como o sonho pra criar o futuro que você desejar” (p. 77). Além disso, algumas fotos ilustram acontecimentos e pessoas mencionadas, para realce e maior vivacidade das experiências partilhadas.

O poema “Desapego” indica com propriedade a renúncia à ânsia proprietária inculcada pelo capitalismo, que deforma a solidariedade para superpor a ela a acumulação:

Nada é seu
Nem você se pertence
Viva na eminencia da perda
De si e do outro.

Finalizando, vai aqui reproduzida a parte final de “Contradição”:
Meu poema
Me muda
Me veste
De trajes
De justiça
Me transforma
Me leva a luta.

Esse poema pinta, em sintonia com todo Eclipse, por meio de recursos literários adequados, a vida de não conformidade com a ordem desumana de nosso mundo e aquilata o anseio de que nós, seres humanos, encontremos na solidariedade a motivação maior para a vida. Essa é, por certo, a grande inspiração de Paulo Mapu e o legado de sua trajetória de vida.


Paulo Sérgio de Proença
Professor da Universidade da Integração Internacional da
Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Campus dos Malês-BA




Biografia

Paulo Mapu nasceu em Betânia, com menos de um mês a família Belo se muda para Custódia. Aos quatro anos foi morar em Sertânia e aos 18 mudou-se para o Recife e quando completou 18 anos foi morar no mundo como hippie junto com Ramon Japiassu e Digerson de Sertânia. Foi ordenado reverendo por convite do Rev. Jaime Wright um dos autores do Brasil: Nunca Mais pela Igreja Presbiteriana Unida. Sempre em apoio aos movimentos sociais, com destaque para o MTST, e os povos originários, em especial os Guarani Kaiowá e os Mapuche no Chile. Trabalha há 12 anos na Cracolândia como especialista em Dependentes Química e atualmente se dedica a trabalhar como Terapeuta Comunitário Integrativo com mães e pais de crianças com autismo. Terminou recentemente o romance o Doce Amargo do Açúcar que conta uma história do ciclo da produção de açúcar em Pernambuco, com foco em um engenho no Recife, a trama mistura fatos históricos e fictícios e os protagonistas são a dona do engenho que se apaixona por um dos seus escravos. Em janeiro será lançado em Sertânia numa balada cultural, com à convite de Marcos Nigro e Ésio Rafael que deram a ideia. Aguardem!

16 outubro, 2025

Raissa Gonçalves representa a Tambaú na Feeira Anuga 2025 na Alemanha



A gerente de Marketing, Raissa Gonçalves, representou a Tambaú na Feira Anuga 2025, o principal evento mundial de alimentos e bebidas, realizado entre os dias 4 e 8 de outubro, em Colônia, na Alemanha.

A Anuga reúne a indústria alimentícia global em um encontro estratégico para tomadores de decisão, visionários e formadores de mercado, que se conectam para fazer networking, definir tendências e moldar o futuro do setor.

Durante o evento, Raissa participou do The Tomate Conference News, que trouxe discussões sobre temas relevantes para o mercado de atomatados. A gestora tambémTa destacou a oportunidade de fortalecer o relacionamento com parceiros estratégicos e conhecer inovações que estão transformando a indústria alimentícia.

Como ressaltou Raissa Gonçalves:

“Além de acompanhar as principais tendências do setor, participei do The Tomate Conference News, onde pude aprender sobre temas relevantes para o mercado de atomatados. A feira também foi uma excelente oportunidade para fortalecer o relacionamento com parceiros estratégicos e explorar inovações que estão moldando o futuro da indústria alimentícia.”

10 outubro, 2025

O Medo e o Respeito de Seu Dede pelo Sargento Jorge Arruda



Lá pras bandas de Custódia, no coração quente do sertão pernambucano, quando o sol rachava o chão e o vento trazia cheiro de terra molhada, vivia um menino magricelo de uns sete anos de idade — curioso e cheio de imaginação. Era eu mesmo.

Naquele tempo, a cidade era pequena, mas cheia de personagens grandes, daqueles que a gente nunca esquece. Um deles era o Sargento Jorge Arruda. Homem de presença!

Barrigudo, bigode grosso, farda apertada, revólver na cintura e uma conversa que prendia qualquer um do começo ao fim. Quando ele começava um “causo”, ninguém arredava o pé.

Eita homem que gostava de contar história!
Dizia, com a maior firmeza do mundo, que tinha brigado com Lampião, o cangaceiro mais temido do Nordeste.

— Eu meti foi taca em Lampião, menino! — dizia ele, batendo no peito. — E quando ele tava se levantando, eu gritei: “Aqui é família Arruda, aprenda a respeitar!”

E o povo, mesmo duvidando, ficava quieto… porque o Sargento Jorge falava com tanta convicção que até o vento parava pra ouvir.

Meu pai, seu Dede do Sítio dos Nunes, era o que ele chamava de “inimigo número um” do sargento. Ninguém sabe direito o porquê — talvez política, talvez orgulho de homem sertanejo.

Mas o mais engraçado é que, mesmo dizendo que não tinha medo, quando tomava umas pingas a mais, chegava em casa e soltava a pérola:

— Tô todo cagado de medo de Jorge!
E ria, completando:
— Jorge, vem me limpar!

Era o jeito dele de tirar onda do medo que não queria admitir.

Diz o povo que um dia o Sargento Jorge prendeu meu pai, mas não durou muito. Parece que até a cadeia respeitava o humor de seu Dede.

E mesmo com essa “inimizade” dos grandes, lá na Rua da Várzea, nós, os pequenos, éramos amigos dos filhos do sargento — o Bebé, Edmilson e mais uma porção deles.

Brincávamos juntos, correndo no barro, dividindo bola, pão e segredo. Porque, no sertão, as rixas dos adultos não impediam as amizades das crianças.

No fundo, o Sargento Jorge era um homem justo, desses que pareciam ter nascido pra fazer justiça com as próprias mãos e com o coração.

Diziam que ele não era de Custódia, que tinha vindo lá de Triunfo, mas acabou se enraizando ali, entre as histórias e o respeito do povo.

E até hoje, quando lembro dele, imagino o homem de farda, com o revólver pendendo na cintura e a voz grossa dizendo: Aqui é família Arruda!

E fico pensando: se ele brigou mesmo com Lampião, ninguém sabe…

Mas que ele brigou com o destino e venceu na memória da gente, ah, isso ele venceu.


Por Jânio Queiroz
São Luis-MA
Outubro/2025