Blog Custódia
Páginas
- Início
- Como Surgiu!
- Interesses do Blog!
- Colaboradores!
- Prefeitos
- História de Custódia
- Contatos
- Artistas Locais
- Bandeira da Cidade
- Brasão da Cidade
- Traços e Retraços: José Carneiro
- Baú do Zé Melo
- Fotos Antigas da Cidade
- Fotos de Custódia
- Textos Jorge Remígio
- Luiz Epaminondas Filho (fotos políticas)
- Biografias
06 julho, 2026
Memória Viva: O dia em que Custódia uniu passado e presente através da Medalha “Águas do Sabá”
Memória Local: A história por trás do nome da quadra do Colégio Ernesto Queiroz
Quem frequenta as atividades esportivas e culturais no Colégio Municipal Ernesto Queiroz já deve ter reparado na placa que dá nome ao espaço. Mas você conhece a história por trás dela?
03 julho, 2026
"Pintando Memórias" mais do que um livro, um manifesto para quem cria e para quem admira a verdadeira arte.
É com grande entusiasmo que o artista plástico Edmar Sales, compartilhou a prévia de um projeto que está sendo lapidado nos mínimos detalhes. Este livro nasce da necessidade de preencher um vazio no mercado literário artístico, trazendo à tona assuntos profundos e inéditos que raramente são discutidos de forma aberta e acessível.
Ele foi pensado tanto para quem está no campo de batalha da criação quanto para quem aprecia a obra final:
- Para artistas iniciantes e intermediários que buscam bases sólidas para crescer.
- Para artistas experientes que já sabem pintar, mas continuam na busca incansável pela sua própria voz e identidade no mercado.
- Para admiradores e entusiastas, que aprenderão a ler as entrelinhas e a reconhecer o valor real de uma obra genuinamente autoral.
A obra atualmente está em fase de composição e, logo após o término desta etapa, o artista dará início à pré-venda oficial.
Prepare-se para ter acesso a um conteúdo transformador, feito para mudar definitivamente a sua relação com o universo das artes visuais. Fique atento aos próximos capítulos!
SINOPSE
E se a sua maior fonte de originalidade não estivesse na técnica, mas na sua própria história?
Milhares de artistas dedicam anos ao estudo do desenho, da perspectiva, da teoria das cores e das mais diversas técnicas de pintura. Aprendem a observar, a reproduzir imagens e a aperfeiçoar a execução. No entanto, uma pergunta continua acompanhando grande parte deles:
Como encontrar um estilo verdadeiramente próprio?
Em Pintando Memórias, o artista plástico Edmar Sales apresenta um caminho para responder a essa questão. Mais do que ensinar técnicas, este livro propõe uma transformação na maneira de enxergar a arte, mostrando como memória, emoção, luz, observação e interpretação podem se tornar os pilares de uma linguagem artística autêntica.
Ao longo da leitura, você descobrirá como transformar fotografias em narrativas visuais, compreender o papel da atmosfera na pintura, desenvolver uma identidade artística consistente e criar obras que expressem não apenas o que os olhos veem, mas aquilo que permanece vivo na memória.
Baseado no exclusivo Método Sales – Pintando Memórias, o livro conduz o leitor por um processo prático e reflexivo que une experiência, sensibilidade e conhecimento técnico para construir uma produção verdadeiramente autoral.
Se você é um artista iniciante, intermediário ou experiente e sente que ainda procura sua própria voz, este livro foi escrito para você.
Porque existe uma grande diferença entre pintar um lugar…
…e pintar a memória que esse lugar deixou em você.
Neste livro você aprenderá:
* Como desenvolver sua identidade artística.
* Como deixar de apenas copiar fotografias e começar a interpretá-las.
* Como utilizar a luz para transmitir emoção e atmosfera.
* Como transformar lembranças em obras autorais.
* Como fortalecer sua linguagem artística por meio da observação e da memória.
* Como aplicar o Método Sales – Pintando Memórias para criar pinturas que carregam significado, emoção e personalidade.
PINTANDO MEMÓRIAS não é apenas um livro sobre pintura.
É um convite para descobrir que sua maior obra pode começar exatamente onde sua história encontra a arte.
02 julho, 2026
Memória Histórica: A Homenagem do Município de Custódia a Adauto Pereira de Souza (2007)
Em 26 de maio de 2007, a Câmara Municipal de Vereadores de Custódia prestou homenagem ao Sr. Adauto Pereira de Souza. Na ocasião, foi-lhe entregue a Comenda Luiz Epaminondas Nogueira de Barros, instituída por Decreto Legislativo.
A condecoração foi um reconhecimento pelos relevantes serviços prestados ao município de Custódia, não só como prefeito (11/12/1957 a 15/11/1959), mas por ser um cidadão com grande senso de responsabilidade, justiça e honestidade, além de uma influência importantíssima nas decisões partidárias locais.
Adauto Pereira de Souza nasceu no município de Santa Maria do Cambucá, agreste pernambucano, em 06/09/1918. Transferiu-se para Custódia em 1937 para trabalhar na Usina de Caroá José de Vasconcelos, localizada na Fazenda São Gonçalo (que hoje pertence a Betânia, mas na época integrava o município de Custódia).
O Sr. Adauto fixou residência na cidade de Custódia após 17 anos de trabalho na usina. Na cidade, conheceu a Sra. Josefa Lins, com quem se casou e teve 10 filhos. Hoje, a família conta com 22 netos, 43 bisnetos e 6 tataranetos.
Faleceu em 20 de dezembro de 2011.
01 julho, 2026
Os estudos geológicos, hidrogeológicos e geofísicos da região do Açude do DNOCS
Os estudos geológicos, hidrogeológicos e geofísicos da região do Açude Público de Custódia (também conhecido como Açude Marrecas) foram mapeados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM). A bacia é compreendida no contexto geológico do semiárido pernambucano, integrando o Alto Vale do Rio Moxotó.
Embasamento Cristalino:
O município de Custódia está inserido geologicamente na Província Borborema. O substrato é dominantemente composto por rochas cristalinas pré-cambrianas (ígneas e metamórficas), com grande incidência de gnaisses, migmatitos e granitoides.
Estruturas e Fraturas:
As pesquisas do SGB/CPRM e de estudos universitários na área piloto de Caiçara-Samambaia mostram a importância das feições tectônicas (zonas de falhas e fraturamentos) para a estruturação local.
Vocação Subterrânea:
Por estar em terreno cristalino, a água subterrânea ocorre de forma fissural (circulando pelas fraturas das rochas). O cadastramento de poços na região indica uma densidade significativa de captações no município.
Aluviões:
Os mapeamentos do SGB/CPRM constatam a presença de depósitos aluvionares nas margens dos rios e riachos da bacia (como o Rio Moxotó), que são importantes aquíferos locais para a recarga hídrica e manutenção de poços rasos.
Disponibilidade e Clima: A área apresenta precipitação média anual de 828 mm e taxas de evaporação elevadas que alcançam 1896 mm ao ano.
Estudos de Vazão: O comportamento do açude já foi alvo de simulações hidrológicas usando modelos matemáticos (como o Tank Model e o MODHAC) para estimativa de afluência e garantia de disponibilidade hídrica ao longo de séries históricas de mais de 50 anos.
30 junho, 2026
Rodovia com nome de custodiense em Mato Grosso do Sul
Placa na Rodovia Joaquim Tenório Sobrinho (MS-306)
Esta rodovia liga os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Com aproximadamente 200 km de extensão, a via é um importante corredor logístico para o escoamento de produtos primários de MS e MT em direção aos estados de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Além disso, funciona como a principal porta de entrada para produtos industrializados vindos de São Paulo com destino às regiões Centro-Oeste e Norte do país.
Através da Lei Ordinária nº 2059, de 23 de dezembro de 1999, denominou "Joaquim Tenório Sobrinho" a Rodovia MS-306. Publicada no Diário Oficial nº 5.168, de 27 de dezembro de 1999. Revogada pela Lei nº 4.639, de 24 de dezembro de 2014. Governador era José Orcirio Miranda dos Santos.
Joaquim Tenório Sobrinho é custodiense que radicou em Cassilândia, no Mato Grosso do Sul desde 1955. Conhecido popularmente pelo apelido de “Pernambuco”, Joaquim nasceu no sítio Lajedo, localizado no distrito de Quitimbu.
Biografia - Djalma Bezerra de Souza
Fonte: Câmara Municipal de Vereadores (2013)
26 junho, 2026
O Cristo da Paixão Ano III - Dia 30 e 31 de Março (2013)
[O Cristo da Paixão Ano III (2013)] Entrevista com o ator Felipe Folgosi
no Hotel Macambira, em Custódia,
após primeira noite de apresentação.
25 junho, 2026
A Menina que limpava livros - Paulo Mapu
São Paulo-SP
22 junho, 2026
Biografia Joaquim Tenório Sobrinho
Joaquim Tenório Sobrinho nasceu em 22 de dezembro de 1922, em Custódia, filho do casal Gabriel Ferreira Arcanjo e Maria Tenório De Melo. O casal ainda teve mais 8 filhos, são eles: Maria Tenório Veras, José Tenório de Melo, Sebastião Tenório De Melo, Antonia Tenório Da Silva, Antônio Tenório Sobrinho, Francisca Tenório De Melo, Rita Tenório Da Silva e Solidade Ferreira Cirilo.
Ainda residindo em Quitimbu, casou-se com Maria José Oliveira em 20 de agosto de 1944.
Foi o primeiro da família a migrar para o sul, embora nunca tivesse deixado de proclamar sua paixão por sua terra. A circunstância, porém, assim o exigia, não chovia naquela região há algum tempo e desta forma tornou-se ele mais um retirante da seca.
Foi vaqueiro, agricultor, comprador e vendedor de caprino e suíno, além de marchante (açougueiro) em Quitimbú, distrito do municipio de Custódia, em Pernambuco; trabalhou em lavouras da região de Novo Cravinho, distrito de Pompéia-SP e no município de Marília.
Mudou-se para Mato Grosso do Sul no ano de 1955, seu destino desde que saiu de sua terra natal, o que não aconteceu no primeiro momento porque, o dinheiro findou-se por completo em São Paulo-capital, tendo sido obrigado a procurar na Estação da Luz, o serviço de migração e de lá, acompanhado da esposa grávida e dos filhos Luizinho e Marizalve, tomar outro rumo e não o que projetara inicialmente.
Chegou a Cassilândia tempos depois, no dia 12 de abril de 1955. Sua família havia proliferado (coisas do sangue nordestino) haviam nascido mais três filhos: Lourdes, Cícera e Francisco de Assis, nascidos no interior do Estado de São Paulo. Deu uma volta na cidade, quando pode verificar não existir nenhuma carroça para fazer frete, sem pensar muito voltou ao interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Rubiácea, adquiriu uma com animal e tralha e rumou de volta a Cassilândia. Lá se foram 10 dias de viagem, dormindo ora embaixo da carroça ora em galpões ou paióis de fazendas.
Assim que retornou, iniciou o trabalho duro juntamente com seu filho mais velho, Luizinho; poucos dias depois estava de volta a Rubiácea para comprar outra carroça, o que foi feito sucessivamente durante 18 meses, período em que comercializou algo em torno de 40 destes veículos, tendo adquirido recurso suficiente para comprar um sítio, loteá-lo e homenagear seu estado de origem dando o nome do novo bairro de VILA PERNAMBUCO - o maior da cidade.
Comprou fazendas, chácaras, sítios, gado, jipes, caminhonetes, caminhões e até aviões. Também foi o primeiro corretor de fazendas de Cassilândia.

1º hidrelétrica de Cassilândia-MS,
foi construida por Joaquim Tenório Sobrinho,
esta usina foi um marco na história da cidade,
antes da construção o município tinha energia a motor,
e mesmo assim, era usada por poucos.
Foi vítima de um acidente de avião quase fatal, no dia 02 de julho de 1968, no aeroporto de Ribeirão Preto-SP. Inexplicavelmente a aeronave caiu logo após decolar. Passou meses na UTI, teve seu rosto completamente deformado, o que não pôde ser corrigido a contento por cirurgias plásticas, dada a gravidade do acidente. Ainda assim não se deixou abater, dado seu carisma e coração devotado ao bem de seu próximo, tornou-se político por imposição do povo.
É, até hoje em dia, proporcionalmente o vereador mais votado da história de Cassilândia-MS, obteve 35% dos votos válidos em sua primeira eleição. Para que tal votação seja superada, hoje, são necessários algo em torno de 4.500 votos! Foi Presidente da Câmara Municipal, uma vez vice-prefeito e duas vezes prefeito.
Maria Tenório de Melo, minha avó, a prima de Dodô, faleceu aos 77 anos, no dia 15 de abril de 1962, em Volta Redonda-RJ, vítima de um acidente, quando retornava ao estado de Pernambuco, depois de uma visita aos filhos em São Paulo e Mato Grosso, respectivamente.
Ela pretendia fazer uma visita ao seu primo Tenório Cavalcante, o lendário “Homem da Capa Preta”, em Duque de Caxias, para onde seguia antes de voltar para sua terra, vez que na adolescência residira por aproximadamente 4 anos na pequena propriedade rural de seu tio, pai de Tenório, de quem a mesma cuidou.
Acalentava o sonho de conhecer um avião, achava, conforme ela mesma dizia: interessante ver aquelas máquinas voando como pássaros. Seu filho, Joaquim, sabendo disso a esperou em Jales-SP, no final de 1961, com um avião de sua propriedade. Lembro-me, como se fosse hoje, de lhe perguntar se havia gostado da viagem, ela respondeu que adorara, mas que havia ficado mouca (surda). Este foi o primeiro e único reencontro de Maria Tenório com Joaquim e sua família, dado o desfecho no Rio de Janeiro.
Os contatos anteriores a esse reencontro eram apenas por correspondência, via cartas, que demoravam de 30 a 60 dias para chegarem ao seu destino. O sistema de telefonia (interurbano) praticamente não existia, quando muito se falava de uma capital para outra ou de uma cidade grande para outra também grande, com demora nunca inferior a 10 horas.
O interurbano chegou a Cassilândia somente nos idos de 1976, com Pernambuco na prefeitura, quando fez questão que o então Pároco da cidade, Pe. Jhon Pace, fizesse a primeira ligação internacional para um parente residente em Washington, capital dos EUA. Na sequência, ele próprio ligou para o último governador de Mato Grosso uno, o sergipano José Garcia Neto, em Cuiabá.

Filho Luizinho Tenório em frente a Prefeitura de Cassilândia-MS
O prédio leva o nome de Joaquim Tenório Sobrinho
Dois dos filhos de Joaquim Pernambuco enveredaram na política, eu, Luizinho Tenório, em Mato Grosso do Sul; e o caçula, Francisco de Assis Tenório, no Mato Grosso.
As filhas são educadoras e também moram em Cassilândia.
Concomitantemente a política, fui Fiscal de Rendas até me aposentar e hoje, enquanto economista, presto consultoria a diversas empresas, Câmaras e Prefeituras. Assis é empresário do setor madeireiro com atividades em diversos Estados do país.
Espero ter sido o mais esclarecedor possível, é muito bom, mesmo que a distância, sentir-me com um pé em minha terra, em meu berço!
Aos conterrâneos custodienses um abraço fraterno do sempre sertanejo.
Joaquim Tenório Sobrinho foi mais que um homem público ímpar, foi um ser - humano notável, não se entregou à tragédia da morte prematura do pai nem às intempéries de sua terra natal, castigada pela seca. Foi senhor de sua própria história, mesmo tendo tudo contra ele não se entregou. Assumiu ainda na adolescência a responsabilidade de chefiar sua família, não se furtou à sua predestinação, quiçá outorgada-lhe por Deus, de superar seus próprios limites em nome do bem do seu próximo. Sua mãe e irmãos foram os primeiros a vislumbrar o visionário obstinado que tempos mais tarde viria a ser revelado aos olhos de gente de tão distante terra, mas que veio a ser tratada por ele como uma extensão de sua família.
Em Cassilândia, o Joaquim Pernambuco, como ficou conhecido, construiu sua saga. De humilde retirante, quase miserável, mas pertinaz como poucos veio a se tornar um dos maiores produtores rurais da região, e antes de se tornar político, diga-se de passagem. Mas seu grande feito não foi simplesmente ter vencido a miséria e ter guinado os rumos de sua própria história e de sua família, seu grande mérito foi não ter se deixado embevecer pelo dinheiro e pelo poder.
Jamais perdeu de vista suas origens e justamente por isso nunca negou auxílio a quem quer que fosse. Mesmo após ter amargado a derrocada financeira, continuou ajudando àqueles que buscavam auxílio sobre suas asas, pois era bem assim que ele se portava, como um grande pai que a todos acolhia sob suas benesses. A Vila Pernambuco é , hodiernamente, a prova mais tangível disso, embora seja apenas a ponta do iceberg. Um bairro inteiro, o maior da cidade, entregue à população carente!
Sem deixar transparecer a mínima ponta de amargura continuou a ajudar ao próximo até o último dia de sua vida, literalmente, tendo doado o último punhado de arroz que tinha em casa pela manhã a um pedinte alegando à esposa que ao menos eles contavam com crédito na venda da esquina, mas aquele coitado nem isso. Veio a falecer poucas horas depois.
São inúmeros os casos de prova de humildade e fraternidade deste homem que poderíamos continuar a enumerar, aqui, mas este não é nosso objetivo. A homenagem já foi feita e por jovens que sequer chegaram a conhecê-lo pessoalmente, o que reforça ainda mais nosso sentimento de gratidão. Toda tentativa de se manter vivos na memória do povo vultos do passado que ajudaram a construir nosso presente são louváveis, pois um povo sem história, não é um povo, é tão somente um agrupamento de indivíduos sem identidade coletiva, sem referências.
Mais uma vez agradecemos pela distinta homenagem e apresentamos nossos votos de sucess.
Por: Luizinho, Marizalve, Lourdes, Cícera e Assis Tenório.
Joaquim Tenório Sobrinho em homenagem Póstuma do Cassilândia Urgente
A SAGA DE PERNAMBUCO, O PREFEITO DOS POBRES
Joaquim Tenório Sobrinho, o Pernambuco, mais conhecido como o prefeito dos pobres, nasceu na cidade de Custódia, Estado do Pernambuco, sob o sol inclemente no agreste nordestino, no dia 23 de dezembro de 1922.
Pernambuco, segundo as palavras do poeta repentista Carolino Leobas, é o “Herói nordestino/Que se jogou no mundo/Para cumprir seu destino/Pois a sorte da pessoa/Já se traz de pequenino.” Esse poeta, em simples palavra, soube muito traçar a trajetória de Joaquim Pernambuco, que foi dono de uma grande história.
Filho de um lavrador chamado Gabriel Ferreira e de dona Maria Tenória, foi crescendo e aprendendo que no mundo é preciso lutar muito, que na vida é preciso determinação para vencer as barreiras, é preciso ter vergonha na cara. No dia 20 de agosto de 1944, casou com Maria Francisca de Oliveira e com ela teve os filhos Luiz e Maria Isalve.
Em busca de melhores condições de vida, deixou o seu rincão e rumou-se para o “Sul”, a bordo de um pau de arara, durante 11 dias, chegando finalmente à capital paulista, pegando um trem para Pompeia, onde ficou por seis anos, trabalhando numa fazenda de propriedade de Osvaldo José Paroni. Depois, passou uns tempos em Cravinhos, também em São Paulo, e lá nasceram os filhos Maria de Lourdes, Cícera e Francisco, num total de cinco herdeiros.Homem corajoso e determinado, Pernambuco mandou a cara no mundo e veio parar na região de Cassilândia no dia 12 de abril de 1955 para trabalhar inicialmente como carroceiro, isto é, no ofício de fazer frete com uso de carroça. Um certo dia, dona Walkíria Romão o viu, cheio de amigos para ouvi-lo, não se conteve e comentou para si própria:
– Este é um grande homem. Pelo seu carisma de conquistar amizades, ele vai conquistar todos os cassilandenses. Ele é muito especial. Sabe ser simples e humilde. E realmente eu estava certo. Pernambuco foi uma pessoa extraordinária. Nasceu assim e assim morreu.
Como carroceiro, trabalhou um ano e meio. Naquela época começou a ganhar dinheiro. Num passe de mágica, estava com 18 carroças bem equipadas e novas. Daí passou a fazer “gambiras”, ou seja, negócios na base da troca, compra e venda de mercadorias diversas. Eram terrenos, carroças, materiais, apetrechos, utensílios domésticos, chácaras, fazendas. Começou a chover dinheiro em sua hora e ali acabaram os tempos de miséria e de sofrimento pelo mundo.
Havia dois tipos de transporte naquela época: a carroça era para carregar mercadorias e a charrete era para carregar pessoas como fazem os táxis nos dias de hoje. Na compra e venda de carroças e charretes, ele ganhou um bom dinheiro. Ia a São Paulo, fazia as compras e vendia tudo aqui em Cassilândia. Uma fórmula simples que funcionou por algum tempo até esgotar esse nicho de mercado.
Como lembra o ditado, “Deus dá a farinha e o Diabo carrega o saco”, as amizades multiplicaram, afinal os amigos não faltam na hora de gastar o dinheiro. E, assim, vivia Pernambuco, ora rico, ora mais pobre, mas sempre rodeado de muita gente.
E foi assim que recebeu o convite para entrar na política, elegendo-se vereador no pleito de 3 de outubro de 1958, assumindo o cargo no dia 31 de janeiro de 1959, ao lado de mais quatro vereadores, e, tendo sido o mais votado, foi aclamado presidente da Câmara de Vereadores de Cassilândia.
Na eleição seguinte, elegeu-se prefeito, assumindo o cargo em janeiro de 1963, tendo como vice-prefeito Manoel Nogueira da Cunha. Nesse mesmo ano empenhou-se ao máximo para trazer o Banco da Lavoura, iniciou a construção da cadeia em 1964, inaugurada em 1965; montou a usina do salto do Aporé, utilizando as aparelhagens adquiridas pelo primeiro prefeito eleito, Sebastião Leal. A verba ele conseguiu junto ao governador Fernando Correa da Costa. A usina foi inaugurada em julho de 1963. Naquela época construiu várias pontes de madeira para melhorar o tráfego de veículos. Concluiu a construção do prédio da Prefeitura, do Forum, construiu dois grupos escolares, comprou uma moto niveladora e caminhão, com parte do dinheiro do bolso, já que a Prefeitura não tinha condições financeiras.
Naquela época, ia ao Paraná, Minas Gerais e Goiás para buscar gente com a finalidade de morar em Cassilândia, já que a mão de obra estava escassa por aqui, pois visava o rápido progresso do município. Para incentivar a vinda das pessoas, ele doava o terreno e até ajudava na construção da casa. Assim, ficou conhecido como o prefeito dos pobres e passou a ser cada vez mais procurado pelos carentes.
No ano de 1968, Pernambuco e o amigo Expedito Baiano, apelido de Expedito Alves de Lima, viajavam a bordo de um avião particular, de propriedade do senhor Manoel Valente, tendo como piloto Miguel Capistânia, rumo a São Paulo, mais precisamente Ribeirão Preto, lá cuidaram de negócios. No retorno a Cassilândia, na decolagem do avião, ocorreu o imprevisto, o avião ganhou uma boa altura e de repente caiu na pista do aeroporto, chocando-se violentamente no solo e causando ferimentos gravíssimos nos ocupantes. Expedito Baiano quebrou uma perna e um braço, tendo que ficar internado durante 38 dias. Mas o pior ocorreu com Pernambuco, que teve sua face toda esfacelada, precisando de um transplante, afinal teve o nariz decepado pelas ferragens da aeronave. Ficou durante três meses internado e sofreu de súbito uma notável transformação na fisionomia, ficando com o nariz achatado e a voz anasalada, características que carregou até a morte.
E Pernambuco permaneceu bem com os pobres de Cassilândia, sendo muito humano na hora de suas necessidades e chegando até a pagar salários dos servidores com dinheiro do próprio bolso quando a verba da Prefeitura não dava para suprir as despesas municipais.
A porta de sua residência estava sempre aberta para o povo, não se percebia nem tramela, trinco ou chave, a exemplo de seu coração que era do tamanho de Cassilândia.
Foi convidado novamente para se candidatar a prefeito pelos amigos e acabou sendo eleito em 15 de novembro de 1969 como vice-prefeito de Ib Fabres de Queiroz, juntos construindo várias obras no município.
Novamente voltou ao paço municipal e desta vez como prefeito no dia 15 de novembro de 1972, declarado prefeito no dia 31 de janeiro de 1973. Com apenas cinco meses de gestão pôs em funcionamento a usina hidrelétrica do Salto, que havia sido montada pelo ex-gestor Ib Fabres de Queiroz; concluiu a construção de oito grupos escolares na zona urbana; completou prédios escolares que haviam sido iniciados pelo seu antecessor, bem como deixou o prédio do grupo escolar da Vila Bom Jesus quase pronto, já em fase de acabamento; trouxe o interurbano telefônico nacional e internacional, que foi inaugurado pelo padre John Pace, ao unir Brasil e Itália, via DDI, fato solene ocorrido na Praça São José, muito aplaudido pelos presentes, com o uso de um orelhão improvisado.
Ao lado do senhor Ib Fabres de Queiroz, foi o prefeito que mais efetuou abertura de estradas no município, e, sobretudo, foi uma das pessoas que mais fizeram pelos cassilandenses, sobretudo em assistência social. Um pau-de-arara de outrora se transformou no mais humano e amigo prefeito que Cassilândia já viu.
Deixamos que o poeta repentista Carolino Leobas termine a história de Joaquim Tenório Sobrinho, o imortal Pernambuco de todos nós.
Estava em 12 de abril
Há muitos anos atrás,
Quando entrei em Cassilândia
Para ficar e não sair mais.
Enxada? Foice? Facão?
Machado? Carga pesada?
Nunca pensei duas vezes:
Topava logo a parada.
Era pobre, sem recursos
Não vou mentir pra quê?
Mas tinha um forte desejo:
Trabalhar para vencer.
Lidei com burro e carroça,
Fiz gambiras – não sei quantas!
Matei Bichos, vendi couros
De onça, cateto e anta.
Fotos extraídas do Museu da Imagem de Cassilândia / Facebook.
21 junho, 2026
Biografia: Veneranda Alves de Góis - Dona Sinhá
Veneranda Alves de Góis nasceu em 20 de maio de 1919, na cidade de Afogados da Ingazeira, Pernambuco. Era filha de Antero Alves de Góis e Maria Madalena Alves de Góis.
Ainda criança, mudou-se com a família para o Sítio Várzea Grande, na zona rural deste município. Anos mais tarde, já na adolescência, passou a residir definitivamente na cidade de Custódia.
Realizou seus estudos no tradicional Colégio Santa Doroteia, em Pesqueira, instituição fundada pela Congregação das Irmãs de Santa Dorotéia e amplamente conhecida como "Colégio das Freiras". Com mais de um século de história, o educandário destacou-se pela excelência do ensino confessional católico e pela formação de inúmeras gerações de pernambucanos.
Dedicou parte de sua vida ao magistério, atuando como professora do Grupo Escolar Joaquim Inácio, em Custódia. Ao longo de sua carreira, lecionou para diversas gerações de estudantes, sendo lembrada pelo compromisso, dedicação e amor à educação. Seu nome permanece como uma das grandes referências da história educacional do município, ao lado da também renomada educadora Maria Augusta do Amaral, carinhosamente conhecida como Dona Manoca.
Na vida pública, ingressou no serviço estadual em 1952, quando foi nomeada pela Diretoria de Rendas do Interior para exercer o cargo de Auxiliar de Escrita na Secretaria da Fazenda, em Afogados da Ingazeira. Ainda naquele ano, foi transferida para a Coletoria de Pesqueira.
Foi nomeada para trabalhar na Escola General Joaquim Inácio, em maio de 1947 juntamente com a professora Aliete Ferreira Leal. Na mesma portaria foram nomeadas: Alice de Souza Ferraz (Betânia), Marieta de Souza Lima (Boa Vista) e Genesia Mariano de Rezende (Distrito de Maravilha).
Em 1954, foi aprovada em concurso público, da Secretária da Fazenda, para o cargo de Escrivão de 4ª Classe, conquistando a 25ª colocação.
No ano seguinte, passou a atuar na Coletoria de Alagoinha-PE, sendo posteriormente transferida para a Coletoria Estadual de Joaquim Nabuco, zona Mata Sul do estado de Pernambuco.
Aposentou-se em 10 de março de 1988, no cargo de Agente de Administração Fiscal, após décadas de relevantes serviços prestados ao Estado de Pernambuco.
Veneranda nunca se casou e não teve filhos. Dedicou-se, porém, à criação e educação de seus sobrinhos: Paulo Gilvan de Góis, Francisco de Assis Góis (Cleomates), Antônio Robélio de Góis, José Petrônio Góis e José Carlos Góis, aos quais dedicou carinho, cuidado e orientação.
Faleceu em 20 de abril de 1994, na Unidade Mista Elisabete Barbosa, em Custódia, aos 74 anos de idade, em decorrência de uma úlcera duodenal.
Pela sua dedicação ao ensino, ao serviço público e à formação de inúmeras gerações de custodienses, Veneranda Alves de Góis permanece como uma figura de destaque na história do município de Custódia, deixando um legado de trabalho, integridade e compromisso com a educação e com a administração pública.
A Família Góis no Sítio Várzea Grande, em Custódia (PE)
Raízes da família Góis
O sobrenome Góis — também grafado Góes em documentos antigos — possui origem toponímica, derivada da antiga vila de Góis, localizada no distrito de Coimbra, em Portugal. Com a colonização portuguesa, diversos ramos da família estabeleceram-se no Brasil, especialmente no Nordeste, onde participaram da ocupação do interior e da expansão das atividades agropecuárias.
Em Pernambuco, a família Góis consolidou sua presença em diferentes municípios sertanejos, entre eles Custódia, Betânia, Flores, Serra Talhada e Afogados da Ingazeira, tornando-se parte do conjunto de famílias tradicionais que contribuíram para o povoamento e o desenvolvimento econômico da região.
O Sítio Várzea Grande
Situado na zona rural de Custódia, o Sítio Várzea Grande integra a paisagem típica do Sertão do Moxotó, marcada pelo clima semiárido, pela vegetação da caatinga e pela proximidade do Riacho Várzea Grande, afluente da bacia hidrográfica do Rio Moxotó.
Historicamente, a economia local esteve baseada na agricultura de subsistência, com o cultivo de milho, feijão e mandioca, além da criação de bovinos, caprinos e ovinos. Como em grande parte do sertão pernambucano, a convivência com os longos períodos de estiagem moldou o modo de vida da população, fortalecendo os laços de solidariedade entre as famílias e consolidando uma cultura de resistência e adaptação às condições do semiárido.
Formação da comunidade
A ocupação das terras da região ocorreu de forma gradual, por meio da divisão de propriedades entre herdeiros e da formação de novos núcleos familiares. Dessa maneira, o Sítio Várzea Grande tornou-se um importante espaço de convivência entre famílias aparentadas, unidas por vínculos de parentesco, compadrio e casamentos.
Nesse contexto, a família Góis destacou-se como uma das responsáveis pela consolidação da comunidade, preservando tradições, transmitindo conhecimentos e participando ativamente da vida social, econômica e religiosa da localidade.
A importância da memória familiar
O resgate da história da família Góis representa, portanto, mais do que uma pesquisa genealógica: constitui uma forma de valorizar o patrimônio cultural do Sertão do Moxotó e reconhecer a contribuição daqueles que, com trabalho, perseverança e espírito comunitário, participaram da formação histórica da região.





















