
Vista parcial do povoado de Samambaia durante
Procissão de São Sebastião, padroeiro local.
Sevy Oliveira
Livro "Caminhos do Afeto" lançado em 2004
Editora Bagaço

A feira livre de Custódia sempre foi uma das maiores e mais movimentadas da região do Moxotó. Sendo uma cidade em termos populacionais, menor que suas vizinhas Serra Talhada, Arcoverde, Afogados, mesmo assim a feira de Custódia suplantava as feiras da vizinhança. Mascates de todos os lugares era presença garantida na feira cujo gigantismo ocupava toda a praça principal e as ruas adjacentes.
Frutas e verduras vinham de Triunfo, roupas de Caruaru, milho, feijão de corda eram de arranca era da produção local.
Meu pai, Zé Daniel, tinha uma bodega na esquina do beco de Zuca Pinto, vizinha à barbearia de Zé Nego.
Sonrisal, um comprimido que parecia uma bolacha, era vendido na Farmácia Pereira para tratar de “queima”, que não era nada mais, nada menos que azia.
Chegou à bodega um matuto (termo usado para identificar o pessoal que vinha da roça), com um sonrisal na mão e pediu a minha mãe, Dona Laura, que ajudava meu pai na vendinha, um copo dágua.
Acho que não explicaram ao homem que aquele comprimido parecendo uma bolacha, precisava ser diluído no copo d’água para poder ser tomado.
O Matuto jogou o sonrisal inteiro na boca, como engoliu não se sabe, e imediatamente tomou a água.
Dizem que quando o sonrisal recebeu a água, já na barriga começou a ferver por dentro, o homem danou-se a gritar, que estava sendo sufocado, sem fôlego e sentindo “coscas no bucho”, desabotou o cinturão e começou a dar massagem na barriga, e a andar desesperado pelos cantos da venda, com os olhos esbugalhados e
dando cada arroto de assombrar. Era como se tivesse tomado sozinho um litro de coca-cola quente. Não ficou ninguém dentro da venda até o matuto vomitar aquela explosiva mistura.
Curou-se com uma gelada de morango de gelo raspado vendida em garrafas imundas, por um cabra que vinha de Sertânia. Imaginem o quadro.
Nunca imaginamos, eu e Pedro de Dona Izaque, o efeito devastador que teria sobre a feira de Custódia, a soltura de um casal de jumentos, estando a jumenta no cio, no meio daquele povão.
A matutada que vinha montada para a feira, amarrava seus animais lá “nas gramas”. Naquela área gramada que usávamos como campo de futebol, bem ali no comecinho da Várzea, bem em frente à casa de Seu Luiz Amaral.
Hoje o CLRC - Clube Lítero Recreativo de Custódia, ocupa parte daquela área. Os animais ficavam amarrados na cerca do Sítio de Dona Nita e se alimentavam da grama.
Eu desamarrei um jumento forte, liso de tão gordo, enquanto Pedro procurava uma jumenta que estivesse com “as partes” bem inchadas, sinal de cio intenso.
Aproximamos os dois e a paquera começou, acompanhada de coices dela e relincho dele.
Como nada acontece por acaso, a jumentinha se fez de difícil e o jumento tal qual um tarado obsessivo, passou a morder-lhe o pescoço.
A jumenta acuada, disparou em direção ao beco de Valentin, com o jumento atrás mostrando as armas, exibindo a espada fora da bainha. Adentraram ao ambiente da feira, levando logo pelos peitos a banca de feira de Anizio Batista. Derramou tudo. Foi sabonete gessy, e brilhantina glostora pra todo lado.
Algumas moças da nossa sociedade fugindo daquele quadro dantesco, mesmo em desabalada carreira, conseguiram algumas latinhas de pó “promessa,” famosa Cashemere Bouquet, que estavam esparramadas pelo chão da feira.
Mais abaixo, o casal de jegues pegou de frente as bancas de roupas que ficavam em frente à Casa Gois, sem deixar nenhuma de pé. Como era época de seca, muita gente pensou que a feira estava sendo saqueada pelos retirantes. A correria foi de fazer medo. Teve feirante que deu até tiro pra cima para acalmar aquele povão.
Mesmo assim ainda roubaram muitas coisas dos feirantes. Eu corri logo para casa a fim de arranjar a desculpa de que não teria nada a ver com aquela desordem.
E o jumento enlouquecido, continuava na feroz perseguição à pobre jumenta, que aquela altura procurava um refúgio. Inicialmente tentou a Padaria de Seu João Miro, foi na Casa Gois, as portas batiam na sua cara impedindo a entrada, sendo enfim alcançada pelo jumento no beco de Pedro Rafael. Beco sem saída, fechado na outra extremidade pelo caminhão de João Bernardo. Aí não teve jeito. Acabou a resistência, capitulou, entregou os pontos e fez-se a luz.
Depois, como que habituados ao local aonde eram amarrados pelos seus respectivos donos, o casal de jumentos seguiu calmamente em direção às gramas e a feira que normalmente acabava por volta das seis da tarde, naquela segunda-feira, os feirantes arrumaram o que sobrou daquele terremoto e foram embora antes das quatro.
Crônica faz parte do livro FOI ASSIM - UMA HISTÓRIA AUTOBIOGRAFICA - 2010
Para adquirir entrar em contato pelo e-mail: florencio.fernando@hotmail.com
Entre os agraciados com a comenda (in memoriam) está o ex-prefeito de Custódia, Luiz Epaminondas Filho. Sua inclusão no grupo de homenageados reafirma a relevante participação do sertão no processo legislativo que resultou na elaboração da Carta Magna de Pernambuco, promulgada após a redemocratização do país.
A comenda levou o nome do deputado João Ferreira Lima Filho, que presidiu os trabalhos constituintes no final da década de 1980. Figura marcante na política pernambucana, João Ferreira Lima foi prefeito dos municípios de Aliança e Timbaúba, secretário de Saúde no primeiro governo de Miguel Arraes (1963-1964) e exerceu diversos mandatos na Alepe.
A cerimônia reuniu ex-parlamentares, familiares dos constituintes já falecidos e autoridades estaduais no auditório do TCE-PE, cedido especialmente para acomodar a solenidade do Poder Legislativo.
Receberam a Medalha, a saber:
1- João Ferreira Lima Filho (in memoriam)
2- Felipe Coelho (in memoriam)
3- Carlos Lapa
4- José Humberto Barradas
5- Geraldo Barbosa
6- Gilvan Coriolano
7- Manoel Ferreira
8- Marcus Cunha (relator)
9- Ademir Cunha
10- Adolfo José da Silva
11- Álvaro Ribeiro
12- Antonio Mariano
13- Argemiro Pereira
14- Arthur Corrêa de Oliveira (in memoriam)
15- Carlos Porto
16- Roberto Fontes
17- Clodoaldo Torres
18- Eduardo Araújo
19- Fausto Freitas
20- Fernando Pessoa
21- Cintra Galvão
22- Garibaldi Gurgel
23- Geraldo Pinho Alves Filho
24- Geraldo Coelho
25- Henrique Queiroz
26- Inaldo Lima
27- Ivo Tinô do Amaral
28- João Lyra Filho (in memoriam)
29- João Coelho
30- Joel de Holanda
31- José Aglailson
32- José Liberato (in memoriam)
33- José Áureo Bradley
34- José Cardoso (in memoriam)
35- José Amorim
36- José Humberto Cavalcanti
37- Mendonça Filho
38- Luiz Epaminondas (in memoriam)
39- Manoel Alves de Souza
40- Manoel Ramos
41- Manoel Luna (in memoriam)
42- Marcantônio Dourado
43- Lúcia Heráclio
44- Maviael Cavalcanti
45- Murilo Paraíso (in memoriam)
46- Newton Carneiro
47- Osvaldo Rabelo (in memoriam)
48- Paulo Guerra Filho
49- Pedro Eurico
50- Ranilson Ramos
51- Roldão Joaquim
52- Almeida Filho
53- Severino Cavalcanti
54- Sérgio Guerra
55- Valdemar Ramos
56- Vanildo Ayres (in memoriam)
57- Vital Novaes.
Link da Alepe: CLIQUE AQUI
Matéria enviada por Francisco Lima Leite "Chico Elizeu" em 06 de Outubro de 2009.
As ruas são a vida da cidade. Alegre e animada, a Várzea. Não era a rua principal, mas, na época, a mais movimentada de Custódia. Nela estavam localizados cerca de dez estabelecimentos públicos e privados, a saber:
1) o Cartório de Notas e Registro Geral de Imóveis, a cargo do Tabelião Manoel Marinho de Resende, Né Marinho;
2) o motor da luz, movido a diesel, que iluminava a cidade, chamado de motor de Zé de Izaias e Bernabé;
3) a Escola Estadual Sete de Setembro;
4) o Posto de Saúde do Estado, denominado Dispensário, contando com o pronto atendimento de Antônio do Posto e Aíde Calado;
Este, em ligeiras pinceladas, o perfil de uma das mais festejadas ruas do passado de Custódia. Quem quiser saber mais sobre ela, leia a saborosa crônica de Jailson Vital, a Várzea, no blog Custódia Terra Querida. (Clique Aqui)
Na infância brinquei muito na Várzea. Grandes saudades.
"O verdadeiro amor é feito de bornal"
Esta canção é o coração do álbum "Giz". Enquanto a poeira do giz representa o que é frágil e o que se desmancha no primeiro vento da adversidade, o bornal do cangaço representa a resistência. Costurado fio a fio no meio das maiores tempestades da vida, ele é feito para durar.
A história de Lampião e Maria Bonita vai muito além da lenda; ela reflete as perdas profundas que carregamos, o peso das nossas próprias "volantes".
Assim como canto nos versos:
"ceifando aquele amor..."
O que prevaleceu não foi o fim, mas a humanidade de tantos Lampiões e Marias Bonitas que se mantêm firmes mesmo diante de toda a voracidade e da fragilidade da vida... quando há compreensão.
"o amor não se ufana nem se ensoberbece": caem abraçados.
📜 A História do Festival:
Essa obra chegou à final do 2º festival promovido pelo Pontão Cultural "Os Cabras de Lampião", em Serra Talhada, no dia 28 de abril de 2012.
Naquela noite, subi ao palco calçando uma autêntica sandália de couro, cedida gentilmente pela organização do festival, retirada diretamente do acervo do Museu do Cangaço para a apresentação.
Naquele início de trajetória, por ser a minha primeira final em um festival nacional, eu não tinha a real dimensão da grandeza do evento e do peso dos artistas com quem eu estava dividindo o palco. Naquela época, eu ainda não conhecia o mestre Escurinho, grande parceiro de Chico César, que foi o grande vencedor da noite com a música "Nas Estradas de Bom Nome".
Concorrer ao lado de gigantes como: Escurinho, Rui Grude, Raí, Carlinhos Pajeú entre tantos...foi mágico. Foi aprendizado.
O prêmio pode não ter vindo, mas o que realmente importa é ter deixado minha história, hoje aqui revelada.
Fontes:
https://jornaldaparaiba.com.br/cultura/escurinho-leva-premio-em-pe
https://lampiaoaceso.blogspot.com/2012/03/ii-festival-de-musicas-do-cangaco.html
O Brilho de Lampião (Áudio Original - 2012) :
https://youtu.be/p6xU4Vz9_Js?is=V7uDkh-jeeCY7lXu
A imagem de capa (thumbnail) deste vídeo é uma ilustração digital criada por Inteligência Artificial. Trata-se de uma homenagem artística e afetuosa à estética clássica do cangaço na dramaturgia brasileira. As fisionomias são livremente inspiradas nas brilhantes e inesquecíveis interpretações dos atores Nelson Xavier (in memoriam) e Tânia Alves, que eternizaram Lampião e Maria Bonita em nossos corações.
Esta obra visual possui caráter puramente ilustrativo, poético e de tributo cultural, não constituindo uso oficial, endosso ou apropriação indevida de direitos de imagem.
LETRA:
Um clarão alumiou a noite
escura do meu sertão
Em meio a mandacarus,
asa branca a contemplar
O brilho alvo e fugaz no
meio da escuridão
É um raio?
O que é isso?
É candeeiro?
É lamparina?
É lampião!
Veloz entre aveloz todo mundo viu
Todo mundo ouviu
Que o brilho vinha dos tiros
Disparados do Rifle Winchester
Do valente capitão
Entre as serras talhadas
Surgiu a fera que domada foi
Por aquela flor
Onde um beija flor
Teve medo e não a beijou
Maria tão bonita
Maria o seu amor
Maria tão bonita
Maria o seu amor
Mas o destino infeliz
Foi reservado aquele amor
A tiros de espingarda
Ferido a fera e amada
Assum-preto cantou de dor
Caídos e abraçados
Sobre pedras e alastrados
Ceifando aquele amor
Onde um beija-flor
Chorou por aquela flor
Maria tão bonita
Maria o seu amor
Maria tão bonita
Maria a sua flor
Maria tão bonita
Maria o seu amor
Maria tão bonita
Maria a sua flor
Aviso Legal: Obra integralmente protegida. A reprodução, distribuição ou uso não autorizado deste fonograma ou videograma, bem como a sua utilização para treinamento de inteligências artificiais sem consentimento prévio, constitui violação direta de direitos autorais.
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Resgatando as páginas históricas do jornal Diário de Pernambuco de 1967, encontramos um registro valioso para a nossa cidade: a cobertura da construção e dos preparativos para a entrega da Unidade Mista de Custódia.
A semente desse grande projeto foi plantada pelo prefeito José Gonçalves Florêncio, que exerceu seu mandato entre 15/11/1963 e 10/10/1964.
Jovem idealista e profundamente preocupado com a saúde, a educação e as obras sociais, ele marcou época na cidade. Juntamente com sua grande amiga Elizabeth Barbosa (Dona Bé), organizava lindas festas sociais. Um dos momentos mais marcantes eram as comemorações do Dia das Mães, nas quais promoviam premiações especiais para a mãe mais nova e para a mãe mais velha presentes no evento.
Visionário, José Gonçalves Florêncio deu início às obras de um dos projetos de maior importância da história de Custódia: o hospital e maternidade local. Infelizmente, antes que completasse um ano de mandato, o jovem prefeito teve seus sonhos interrompidos por sua morte precoce.
Após o seu falecimento, assumiu a gestão municipal o Tenente Miguel José da Silva, que governou de 10/10/1964 a 28/02/1966.
O hospital e maternidade recebeu o nome de Unidade Mista Elizabeth Barbosa em homenagem à grande amiga do prefeito fundador.
Elizabeth Barbosa, carinhosamente conhecida por todos como Dona Bé, não teve sucesso durante uma cirurgia para a retirada de um sinal e faleceu ainda muito jovem. A nomeação do hospital eternizou a sua memória e o carinho do povo custodiense por sua figura.
No ano de 1967, o jornal Diário de Pernambuco noticiou os detalhes da obra do governo estadual comandado por Paulo Guerra, destacando que a Unidade Mista contou com um investimento de Cr$ 50 milhões (sendo Cr$ 30 milhões para a construção civil e Cr$ 20 milhões para equipamentos), estruturada com 21 leitos para atender a população do sertão.
Embora o noticiário da época projetasse a solenidade para o ano de 1967, a inauguração oficial do hospital aconteceu no ano de 1968, durante a gestão do prefeito João Miro da Silva (que governou de 28/02/1966 a 31/01/1969).
Embora sua carreira tenha tido pouca divulgação em Custódia, Vanete cravou seu nome na história do feminismo e do sindicalismo no Sertão pernambucano a partir da década de 1980. Ela não apenas abriu portas para a inserção das mulheres na vida pública e do campo, mas também presidiu o Centro de Educação Comunitária Rural em Serra Talhada, integrou o Conselho Nacional de Políticas para Mulheres (1996–2003) e assessorou a Fetape. Sua atuação atravessou fronteiras quando ajudou a fundar e coordenar a Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe.
O reconhecimento internacional e o Nobel da Paz
O ápice de sua visibilidade internacional ocorreu em 2005, quando Vanete fez parte do projeto "1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz". Essa iniciativa coletiva global indicou mil mulheres de diversos países ao Nobel para dar visibilidade ao trabalho invisível, porém vital, de lideranças comunitárias no combate à violência, à miséria e às desigualdades. Estar entre as escolhidas representou um marco histórico para o Sertão: uma filha de Custódia figurando entre as principais pacifistas do planeta.
Vanete Almeida nos deixou aos 69 anos, no Recife, após um ano de corajosa batalha contra o câncer, deixando um legado inestimável inspirando até o livro "Ser Mulher num Mundo de Homens", de Cornélia Parisius.
Reconhecer o valor de Vanete é um dever da nossa cidade. Que sua memória sirva de orgulho e inspiração para todas as futuras gerações de custodienses.
Brasileiras na disputa
DA REDAÇÃO
A Associação Mil Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz, uma organização suíça, anuncia hoje a indicação de 52 brasileiras para a edição de 2005 do evento. Elas fazem parte de um grupo de mil mulheres selecionadas em 150 países para concorrerem à premiação deste ano. Entre as brasileiras, estaria a pernambucana Vanete Almeida, que faz parte da Rede de Mulheres Rurais da América Latina e Caribe e lidera o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR), que atua no sertão de Pernambuco.
As mulheres que serão indicadas em conjunto ao prêmio foram escolhidas com base em seus currículos e biografias, que deviam ter ligações com a promoção da paz. A Associação Mil Mulheres contou com indicações e sugestões de organizações comunitárias, rede de ajuda e de pessoas interessadas na promoção da paz para compor a lista. O comitê brasileiro do projeto, coordenado pela militante Clara Charf, recebeu 262 biografias. Segundo o comitê, as 52 mulheres escolhidas contemplam "a diversidade de etnias, classes sociais, nível educacional, estados de origem e áreas de atividade das mulheres do Brasil".
Desde a criação do Nobel da Paz, há 104 anos, apenas 13 mulheres foram premiadas. O projeto suíço pretende prestigiar o trabalho dessas promotoras do bem-estar de suas comunidades. A Associação Mil Mulheres não confirma nem nega, mas tudo indica que entre as indicadas está a pernambucana Vanete Almeida, de 62 anos, que trabalha há mais de 30 anos com movimentos de trabalhadores rurais.
Biografia Filha de um gerente de uma fábrica de sisal, Vanete nasceu em Sitio Cachoeira, municipio de Custódia (PE), mas se mudou aos dois anos para Serra Talhada, a 420 quilômetros da capital Recife, para morar com a avó materna. Vanete perdeu o pai aos sete anos, mas não teve uma infância muito dura. Ela não cresceu na roça e não sofreu com a falta de chuva no sertão. Mesmo assim, desde jovem se sensibilizou com a luta pela sobrevivência dos agricultores de sua região. A líder comunitária chegou a concluir o primeiro grau, mas teve que abandonar os estudos para ajudar em casa. O primeiro emprego de Vanete foi de costureira, ajudando a avó. Com 15 anos, começou a trabalhar como secretária no Colégio Municipal Cônego Torres, em Serra Talhada, e já revelava seu lado filantrópico em atividades com idosos do abrigo Ana Ribeiro.
Vanete se destacou durante os anos 80, quando, insatisfeita com a falta de participação das trabalhadoras rurais em seus sindicatos, liderou um grupo de dez mulheres que pretendiam reivindicar seus direitos. Seu trabalho pioneiro com as agricultoras do sertão se expandiu para o Nordeste e a América Latina. Hoje, existem 800 organizações de mulheres no Nordeste.
A emoção, a velocidade e a paixão pelas corridas de cavalos já têm data e local marcados para fazer o Sertão de Pernambuco pulsar mais forte! Entre os dias 04, 05 e 06 de setembro, Custódia/PE sediará o IV GP Haras Germano, consolidado como uma das maiores e melhores festas turfísticas do Brasil.
Nesta edição, o evento eleva ainda mais o nível da competição ao ofertar uma premiação recorde de R$ 400 mil, atraindo os maiores criadores, proprietários, treinadores e jóqueis do Quarto de Milha de corrida de todo o país para disputar metro a metro a glória nos 301 metros de pista.
O homenageado especial no IV GP Haras Germano em Custódia é o Sr. Adenir Jonatan Wheisheimer. Presidente do Jockey Club de Sorocaba, em reconhecimento à sua trajetória, dedicação e contribuição para o desenvolvimento do esporte. Um gesto de admiração, respeito e gratidão por quem representa com excelência a paixão pelo cavalo, pelo esporte e pela criação de animais de alta performance.
INFORMAÇÕES DO EVENTO
RELEMBRE OS CAMPEÕES DE CADA EDIÇÃO
Para esquentar a torcida e relembrar a história escrita na pista do Haras Germano, confira a galeria de campeões dos anos anteriores:
2023 — I GP HARAS GERMANO
Campeão: BILLY THE KID SEIS
Filiação: Fantastic Corona Jr x Elektra Seis (Avô Materno: Tres Seis)
Tempo Classificatória: 17.362s | Tempo Final: 17.652s
Criador: Leonardo Pamponet
Treinador: Paulo da Mariana
Jóquei: L. Barbosa (53 kg)
Proprietários: JR Rações / Carlos do Flor / Alfredinho / Pipi / Galego
2024 — II GP HARAS GERMANO
Campeão: POTENCIA LAKE (Recordista da Pista)
Filiação: Granite Lake x Donzela Fly (Avô Materno: Signed To Fly)
Tempo Classificatória: 17.071s ⭐ (Recorde da Pista) | Tempo Final: 17.357s
Criador: Haras São Matheus
Treinador: João Vitor / Nenen Bala
Jóquei: R. Freitas
Proprietários: Rancho Padre Cícero
2025 — III GP HARAS GERMANO
Campeão: LUIZ STRAW HRZ
Filiação: Desirio x Three Times The Toll (Avô Materno: Tres Seis)
Tempo Classificatória: 17.756s | Tempo Final: 17.305s
Criador: Rancho Horizonte
Treinador: Berg
Jóquei: R. Freitas
Proprietários: Stud HMX / Branquinho / Milton Junior / Cavalcante / Haras Iguatu / Juju do Peixe
O QUE ESPERAR DO IV GP HARAS GERMANO?
A cada ano, a disputa fica mais acirrada e os tempos mais baixos. Com a premiação de R$ 400 mil, a expectativa é de grid cheio e disputas resolvidas nos milésimos de segundo. Além do espetáculo na pista, o GP Haras Germano se consolida como um ponto de encontro festivo para famílias, amantes do cavalo e turfistas de todas as regiões.
Em breve, divulgaremos a lista completa com todos os animais e planteis participantes confirmados.
Anote na agenda, convide os amigos e venha vivenciar de perto o espetáculo da velocidade em Custódia/PE!
Uma curiosidade para as novas gerações: onde hoje funciona a fábrica da Tambaú Alimentos, na Avenida Inocêncio Lima, o local era conhecido por todos simplesmente como "Texaco".
O apelido veio do tradicional posto de combustíveis de propriedade de José Pinheiro, casado com Coraci Bezerra, irmão de Severino Pinheiro, marcou época como ponto de referência e abastecimento durante a década de 1960 — na época era a BR 25. Quando construíram a nova estrada asfaltada, que passou ao lado da cidade, essa sim, BR 232. O asfalto foi concluído no início de 1971. As obras da BR 25 em Custódia, foi entre 1939 e 1940.
Na imagem, chama a atenção a estrutura moderna para os padrões da época, destacando o letreiro clássico da estrela, a área de cobertura, a placa de "Posto de Lavagem" ao fundo e as bombas vintage em primeiro plano. Um verdadeiro patrimônio da memória de Custódia!
Naquele tempo, a Avenida Inocêncio Lima já despontava como a principal artéria do tráfego local. O crescimento urbano dava seus primeiros passos: o coração da avenida ficava perto do centro, na área até hoje chamada de Bomba. Para o lado leste, as grandes referências eram a ladeira do hospital e o cemitério; para o lado oeste, o inesquecível Posto Texaco.
Se hoje abrir a torneira e ter água tratada em casa é algo essencial para o dia a dia de Custódia, a história nos mostra as lutas e conquistas do nosso povo no passado para tornar isso realidade.
No dia 21 de julho de 1980, o tradicional jornal Diário de Pernambuco estampava em suas páginas uma notícia histórica para a nossa terra: a instalação de uma nova adutora da Compesa, com capacidade de quadruplicar o volume de água distribuído na cidade e levar o abastecimento até as áreas mais afastadas do município.
Trabalho para os nossos agricultores Além de garantir água nas torneiras, a obra teve um papel social fundamental no combate à seca da época. O projeto foi financiado pelo Programa de Emergência das Secas (da Sudene) e priorizou a contratação de trabalhadores e agricultores locais que estavam impedidos de cultivar suas terras devido à estiagem. Foi uma fonte crucial de renda para diversas famílias custodienses naquele ano.
O projeto foi viabilizado por meio da parceria entre a Secretaria de Saneamento e Obras do Estado, liderada por Artur Lopes Araújo, e a coordenação do Geacap/Sudene, comandada por Manoel de Souza, integrando as ações do então governo estadual de Marco Maciel.
Você lembra dessa época? Resgatar reportagens como essa nos faz valorizar a trajetória do nosso município e a força do nosso povo.
💬 Você ou alguém da sua família viveu esse período em Custódia ou trabalhou nas obras da Compesa em 1980? Deixe nos comentários a sua lembrança!
Em 1990, mudei-me para o Recife indo morar no Condomínio Portal da Boa Vista. Logo nos primeiros dias, fiz amizade com um garoto franzino e loiro na quadra do prédio, que me convidou para jogar. O garoto era o Antônio Augusto Ribeiro Reis Júnior, mais conhecido como Juninho.
Anos depois, fomos campeões de um torneio do condomínio em uma final tensa contra um time de estudantes de Juazeiro-BA — com o Juninho, claro, desequilibrando a partida. No futsal, ele brilhava na lendária equipe da Votorantim ao lado de feras como Manoel Tobias, Calipio, Fininho, além de ser um rubro-negro apaixonado com quem dividi as arquibancadas da Ilha do Retiro no bicampeonato do Sport em 91/92.
Em 1993, ele migrou para o aspirante do Sport e deu início à trajetória brilhante que o consagrou como Juninho Pernambucano, ídolo do Sport, Vasco e Lyon, e eleito por especialistas o maior cobrador de faltas da história.
Quanto a mim? Era o reserva daquele time do condomínio — e entrava em quadra com muito orgulho quando o resultado já estava garantido!