Blog Custódia
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26 julho, 2026
CARCARÁ | Movimento VárzeaBeat - Plínio Fabrício
Memória Viva: A inauguração da Praça José Cordeiro dos Santos (Duquinha)
Registros do acervo familiar guardam momentos valiosos que ajudam a contar a história da nossa cidade e das pessoas que ajudaram a construí-la.
Na ocasião retratada, o então prefeito Belchior Ferreira Nunes (89-92), acompanhado de sua esposa, D. Teca, esteve presente no ato solene de inauguração da Praça José Cordeiro dos Santos — carinhosamente conhecido por todos como Duquinha. A praça está localizada no bairro da Bomba, na Avenida Inocêncio Lima.
O evento foi marcado por emoção e homenagens. Durante a solenidade, Marilene Virgínio realizou a leitura de um texto em tributo à memória e ao legado de José Cordeiro dos Santos.
Após o encerramento e a entrega do espaço público, a viúva do homenageado, D. Ednalda Marinho, recebeu as felicitações e o carinho do prefeito Belchior, de sua esposa Teca e do senhor Gilberto Valeriano.
“Recordar esses momentos é valorizar aqueles que deixaram sua marca na nossa terra e manter acesa a chama da nossa identidade.”
📸 Acervo Histórico:
Registros fotográficos gentilmente cedidos por Kassio Valeriano (Acervo da Família Valeriano).
[Memória] Filho de custodiense revolucionou a produção de etanol e conquistou o Prêmio Bunge
A história da ciência brasileira e a força das nossas raízes se cruzam na trajetória do engenheiro de alimentos Daniel Ibraim Pires Atala.
Com conexões profundas em Custódia, Daniel marcou seu nome na inovação sustentável ao conquistar o prestigiado Prêmio Bunge Juventude. Sua tese de doutorado, desenvolvida nos laboratórios da Unicamp, apresentou um sistema inédito (Processo Contínuo Extrativo a Vácuo para Produção de Etanol) capaz de triplicar a produtividade nas dornas de fermentação alcoólica a partir do melaço da cana-de-açúcar.
Inovação, economia e sustentabilidade
A tecnologia desenvolvida por Daniel trouxe um impacto significativo para o setor industrial:
Redução de custos: Otimização direta do processo de destilação do etanol.
Ganho econômico: Solução de alto rendimento para a matriz energética nacional.
Sustentabilidade: Processo mais eficiente e alinhado à redução de impactos ambientais.
Raízes Custodienses
O orgulho para a nossa terra vem de berço: Daniel é filho da custodiense Elzira Pires (carinhosamente conhecida como Elzirinha). Ele traz na bagagem familiar o legado do saudoso farmacêutico Elpídio Pires e de Alzira Farias, sendo também bisneto de Samuel Carneiro e Prezalina Goés.
Um exemplo inspirador de como a bagagem de nossa gente alcança e transforma a ciência em nível nacional!
Saiba mais sobre a premiação:
() Agradecimento ao colaborador: Jailson Vital*
25 julho, 2026
Relembrando 2014: O dia em que Janúncio de Custódia gravou sua história no álbum "Simples Assim"
Reviver esse momento é reencontrar a força da cultura local e o carinho do cantor Janúncio de Custódia por sua terra natal. Olhando hoje para trás, esse anúncio feito às vésperas do Natal de 2014 marcou um capítulo memorável para os fãs do Forró Megaxote e para a história musical do município.
Aqui está como essa notícia ecoou na época e os pontos principais que embalaram aquele lançamento:
🎶 O Realização de um Sonho em Solo Sertanejo
Em dezembro de 2014, Janúncio de Custódia foi a público para anunciar com grande alegria o lançamento do seu CD Volume 06, intitulado "Simples Assim".
A grande marca desse trabalho foi o sentimento de dever cumprido: o álbum realizou o antigo desejo do artista de gravar um registro ao vivo em Custódia (PE), sua terra natal. O show que deu origem ao disco aconteceu durante os tradicionais festejos do padroeiro São José (a famosa Festa de Março) daquele mesmo ano.
"Já vinha buscando a gravação de um CD ao vivo em minha terra natal. É claro que o sonho maior é a realização de um DVD, mas tudo acontece no tempo de Deus."
— Janúncio de Custódia (2014)
💿 O Repertório e a Ficha Técnica
O disco trouxe 17 faixas recheadas do melhor do forró autêntico, misturando composições próprias com grandes clássicos e canções de autores renomados do Nordeste:
Compositores presentes: Flávio Leandro, Targino Gondim, Petrúcio Amorim, Diego Alencar, Chik, Junior Vieira, Roberto Lins, Ederaldo Lemos, Ilmar Cavalcante e Zezito Doceiro.
Destaque especial: Um saudosista pot-pourri de samba de latada, recheado de menções e homenagens a figuras queridas da cidade, parceiros, organizadores locais e ao fã-clube paraibano que o acompanhava pela estrada.
A Formação da Banda (Janúncio e Forró Megaxote)
Para colocar o projeto de pé e entregar a energia do palco no disco gravado em março, a banda contou com a seguinte formação:
Voz principal: Janúncio de Custódia
Acordeon: Jó Silva
Bateria: Zé Mario
Baixo: Bartô
Zabumba: Baby
Guitarra: Zé Elias
Percussão: Eron
Backing Vocals: Ana e Elias
🎁 Presente de Natal em 2014
O CD ficou disponível para venda a partir do dia 24 de dezembro de 2014, funcionando como um verdadeiro presente de fim de ano para a comunidade custodiense e para a legião de fãs do sanfona e do forró pé-de-serra pela região.
Janúncio fez questão de encerrar sua mensagem expressando profunda gratidão a Deus, aos músicos, aos parceiros de produção (como Gabriel CDs e Souza Gravações), aos apoiadores políticos e culturais da cidade e, claro, ao seu público.
10 Anos de Memória e Legado: Uma Homenagem a um Homem Honrado
Há uma década, a sociedade e a família despediam-se de um homem cuja trajetória foi pautada pela inteligência, integridade e vocação para servir.
Profissional exemplar, marcou época em Custódia durante as décadas de 70 e 80. Como educador, foi amplamente elogiado por gerações de alunos por sua atuação na Escola Municipal Ernesto Queiroz e no Colégio Técnico de Contabilidade Joaquim Pereira.
Na esfera pública, dedicou anos de trabalho técnico e ilibado como Auditor Fiscal da Secretaria da Fazenda.
Além do brilhantismo profissional, foi um pai de família dedicado e um exemplo de caráter. Deixou para seus filhos o maior dos ensinamentos: o valor da honestidade e o caminho do bem.
Sua ausência física completa 10 anos, mas seu legado de honra, sabedoria e amor permanece vivo e inspirando a todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Quem foi Zezito Caju:
Josezito Melo de Almeida, nasceu no Açude da Barra, em Custódia, em 22 de Dezembro de 1936. Filho de Amélia Melo de Almeida e José Franco de Almeida. Perdeu os pais precocemente, sendo criado por Maria Olinda do Rego "Dona Maroquinha" e Luiz Marinho "Luiz Caju", tio de Ednalva Marinho.
Era formado em História e em Economia. Foi Auditor Fiscal da Secretaria da Fazenda.
Casou-se com Terezinha Siqueira de Almeida, dessa união teve os filhos: Maria do Socorro Siqueira de Almeida, João Geraldo e Ricardo Rivelino. Familia aumentou e hoje são cinco netos: João Lucas, Marcos Vinicius, David Luiz, Maria Luiza e Marina Cerqueira.
Faleceu em 21 de Julho de 2016, em Recife.
"A felicidade e o prazer de te-lo como pai é inexplicável, homem inteligente, íntegro, honesto, preparado, que ensinou, a mim e meus irmãos, como ser realmente pessoas de bem e honesta. Trabalhou em Custódia nos anos 70 e 80, elogiado por todos como grande professor, ensinou no Ernesto Queiroz e no colégio Tec. Contabilidade, funcionário Público da Secretaria da Fazenda, como Auditor Fiscal, grande profissional, tenho orgulho dele, infelizmente nos deixou fisicamente, mas vai sempre está comigo, te amo pai, vou sentir muitas saudades, até breve." (Ricardo Rivelino, filho)
Sertânia e Custódia nas rimas de Waldemar Cordeiro: a poesia que canta o nosso Sertão
O acervo literário do Sertão guarda preciosidades que conectam nossas cidades através da arte e da cultura. Um desses registros marcantes está no livro "Salão de Sombras", de autoria do renomado escritor, músico, compositor, poeta e líder cultural sertaniense Waldemar Cordeiro.
Na obra, o autor faz uma ode à nossa terra no poema "Paisagem do Sertão", mapeando a identidade da região através de suas subdivisões marcantes: Ipanema, Moxotó, Pajeú, Baixa Verde, São Francisco e Chapéu de Couro.
Entre os versos dedicados às riquezas da nossa região, o município de Custódia ganha um destaque poético especial:
II
Custódia. Nos grotões onde a água mina,
Nos contrafortes de Jabitacá,
Destila como um filtro de água fina
E decantada fonte de Sabá.
Sobre a obra
Lançado em maio de 1992 pelo Conselho Municipal de Cultura (vinculado à Secretaria de Educação e Cultura da Cidade do Recife), Salão de Sombras permanece como um documento afetuoso e atemporal sobre as paisagens, a água e a força do povo sertanejo.
Uma verdadeira relíquia da poesia pernambucana que vale a pena relembrar e compartilhar!
24 julho, 2026
HISTÓRIA LOCAL: A trajetória de Elpídio Pires e a memória da saúde em Custódia

Relembrar o passado é fundamental para compreender o presente. Em junho de 2015, a cidade viveu um momento marcante de resgate histórico com a inauguração do busto de Elpídio Pires Ferreira, localizado na praça que leva seu nome no Bairro Mandacaru.
A solenidade contou com a presença de autoridades locais — como o então prefeito Luiz Carlos Gaudêncio, o presidente da Câmara Ronivaldo Pinto Barbalho e os vereadores Gilberto de Belchior (autor do projeto) e Chico Eliseu —, além de membros das famílias Pires e Souza.
Quem foi Elpídio Pires?
O "Prático de Farmácia" da cidade: Numa época em que Custódia não tinha hospitais ou médicos residentes, era a farmácia de Seu Elpídio que socorria a população. Com autorização do Conselho Regional de Farmácia de Recife, ele preparava medicamentos manipulados com balança de precisão e pipetas.
Pioneirismo e parceria: Junto ao saudoso "Antônio do Posto", a farmácia de Elpídio era o ponto de apoio onde eram feitas desde esterilizações de seringas em água fervente até pequenas intervenções de emergência.
Resistência política e legado
Forçado a deixar Custódia em meados da década de 1960 devido a perseguições do contexto político vigente, Elpídio reconstruiu a vida com a família na cidade de Cáceres, no Mato Grosso. Anos mais tarde, seu legado de ética, serviço social e dedicação política voltou a ser celebrado em sua terra natal.
Durante o discurso de inauguração, o filho do homenageado, Élcio Pires, expressou o sentimento da família:
"É uma homenagem tardia, mas justa, em virtude de tudo que papai representou em vida nesta urbe. Plantamos nesta praça o busto de Elpídio Pires Ferreira para que seja lembrado, perenemente, como um custodiense que contribuiu para o progresso contínuo de Custódia."
Outras Publicações sobre Elpidio Pires Ferreira:
BIOGRAFIA
ELPIDIO PIRES POR JOSÉ CARNEIRO
23 julho, 2026
O bom filho à casa torna! Divon Amorim está de volta ao Podcast Nordestino #405!
Corre para conferir, porque o episódio no podcast mais nordestino do mundo está no ar!
Custódia na Poesia de João Cabral de Melo Neto: O Cemitério Pernambucano
Texto:
A título de colaboração, trazemos um pequeno comentário a respeito do livro Quaderna, de autoria do nosso poeta maior, João Cabral de Melo Neto, onde ele nomeia a nossa querida Custódia em um de seus poemas.
"O livro Quaderna foi publicado primeiramente em Portugal, no ano de 1960. Sua escrita iniciou-se em 1956, quando João Cabral, trabalhando como cônsul, foi removido para Barcelona e autorizado a residir em Sevilha, a fim de fazer pesquisas no Arquivo das Índias. No Brasil, foi publicado em 1962, juntamen
te com 'Dois Parlamentos' e 'Serial', em um volume chamado Terceira Feira."
Após tematizar a morte na célebre obra "Morte e Vida Severina", João Cabral a presentifica em Quaderna com poemas dedicados a cemitérios. São quatro aparições localizadas geograficamente no título ou abaixo dele:
"Cemitério Paraibano" (Entre Flores e Princesas)
"Cemitério Pernambucano" (Custódia)
"Cemitério Pernambucano" (Floresta do Navio)
"Cemitério Alagoano" (Trapiche da Barra)
Tal localização demarca o espaço regional e, acima de tudo, as descrições feitas permitem identificar as particularidades de cada local. Desse modo, percebe-se que a identificação geográfica precisa não impede o poeta de revelar, até mesmo no tratamento da morte, a diferença socioeconômica entre as regiões.
Em "Cemitério Paraibano" (Entre Flores e Princesas), João Cabral considera o cemitério uma casa, transformando-o em um espaço necessário e coletivo:
Uma casa é o cemitério dos mortos deste lugar. A casa só, sem puxada, e casa de um só andar.
E da casa só o recinto entre a taipa lateral. Nunca se usou o jardim; Muito menos, o quintal.
E casa pequena: própria menos a hotel que a pensão; pois os inquilinos cabem no cemitério saguão,
os poucos que, por aqui recusaram o privilégio de cemitérios cidades em cidades cemitérios.
Mesmo delimitando a região geograficamente, em "Cemitério Pernambucano" (Custódia), a descrição do espaço aproxima-se da realidade do poema anterior. Percebe-se uma atmosfera semelhante, revelando a dificuldade financeira que assola seus habitantes e os acompanha até na morte:
É mais prático enterrar-se
Ao sol daqui, as covas logo
assim, o tijolo ainda c
Só que nas covas caieiras
Além de apontar uma situação social, o poema mostra uma região precisa: o Sertão pernambucano, castigado pela ação da natureza, salientando a presença do sol escaldante como elemento de identificação do espaç
Verifica-se também a junção de dois elementos: a terra e o fogo (sol). O primeiro esconde, e o segundo dá fim ao corpo sertanejo. Nem por isso, contudo, consegue livrar-se do que o move: sua alma. A terra parece herdar a essência do interior do corpo extinto, abrindo uma reflexão filosófica e uma dúvida sobre a própria existência nos versos finais.
(Sugestão enviada por Marcelo Genário Burgos Pereira)
21 julho, 2026
Baú do Blog: Desabafo Apressado e Meio 'Sem Tempo'
É que nessa correria de poucas horas, a gente esquece o quanto de vida há pra ser vivida. Os pequenos gestos, tão simples e tão grandiosos, olvidam-se num ostracismo ingrato. Pouco se percebe e pouco se aproveita da riqueza do cotidiano. É uma pena.
Os relógios correm, frenéticos em seu ofício regulador; já não há quase tempo para olhar para o céu; e os dias vão se repetindo num calendário tedioso, nos deixando empoeirados, cansados e carcomidos pelo que se habitou a chamar de “estresse”. Há tantas pessoas, tantas coisas, tanto ar a nossa volta; e acabamos por deixar a parte mais bonita de cada um abandonada em meio às poluições sonoras, visuais e industriais deste mundo.
"O que me angustia, apressadamente, é essa sistematização que toma conta das pessoas, numa padronização medíocre, em que tudo se repete num ciclo hipócrita."
Parece que cada vez mais se esquece do quanto vale um sorriso, um abraço ou um mero aperto de mãos. Cada vez menos eu vejo as pessoas serem solidárias, agirem com humildade ou se esforçarem para ao menos esboçar um mínimo de boa educação, de respeito, de consideração. É desgastante conviver com tamanha brutalidade do animal social que nos tornamos; é ensurdecedor o grito insensato da falta de tato das pessoas para com os sentimentos; é triste constatar que cada vez mais tudo se banaliza.
Quase sempre esquecemos o que nós mesmos podemos representar, mas só pra rapidamente exemplificar: nós somos a alegria de quem nos quer bem, somos as rimas dos versos de quem nos ama, somos o bem mais precioso de nós mesmos.
E podemos ser sempre mais, basta querermos: corramos, então, para recuperar a essência perdida, ainda há tempo pra se andar devagar.
Fico por aqui, e volto aos meus prazos.
Abraços saudosos àqueles que sumiram no ’sem-tempo’.
Resgate Cultural: O Lançamento de "Sertão Versos & Poesia" (2011)
Na noite de 9 de dezembro de 2011, o auditório da Secretaria Municipal de Educação foi palco de um marco para a nossa literatura. O poeta e escritor custodiense Sr. Pedro Henrique Alves realizou o grande sonho de sua vida: o lançamento de sua primeira obra literária, o livro "Sertão Versos & Poesia".
Conhecido carinhosamente por todos como Seu Pedro, ele transformou em páginas definitivas os versos e poesias que, antigamente, guardava com tanto zelo em pedacinhos de papel. Na obra, o autor aborda com sensibilidade temas do passado e do cotidiano, traduzindo a alma e a verdadeira essência do povo sertanejo.
Uma Noite de Riqueza Cultural
A cerimônia, marcada pela mesma simplicidade que define a personalidade de Seu Pedro, contou com uma concorrida noite de autógrafos. O evento transformou-se em uma celebração da identidade local, fortalecida pelo apoio da comunidade e por belíssimas apresentações de artistas e grupos culturais de Custódia, tais como:
Grupo de Danças Luar do Sertão
Sanfoneiro Eduardo
Cantor Romântico Amadeilson Neres
Grupo de Dança de Rua The Break Boys
Violeiros José Bartolomeu e Evaldo Severino (vindos de Sumé-PB)
Grandes Nomes e Apoio à Arte da Terra
O evento reuniu diversas personalidades da nossa sociedade. Entre os convidados, o popular Chico Paraíba recitou versos e compartilhou seu desejo de também lançar um livro futuramente. A noite ainda contou com uma entrevista emocionante conduzida pelo Dr. Cícero Bento com o homenageado, além das palavras marcantes de Dona Zita Queiroz.
Prestigiaram o momento grandes nomes do nosso cenário artístico, como o ator Humberto Guerra, o artista plástico e radialista Fernando Alves, o músico e cantor Rubinho, e o maestro Galdino da BAMUC. Na ocasião, Galdino — na qualidade de presidente da Associação Comunitária Cultural de Custódia (ACCC) — colocou a entidade à disposição dos talentos locais. Ele também destacou a importância do apoio do comércio e dos empresários da região, deixando um agradecimento especial ao Sr. Ivan, peça-chave para que esse empreendimento cultural ganhasse vida.
"Custódia, Terra Querida, prova mais uma vez que é berço de gente de valor e de grandes talentos — basta apenas que se abram as portas da oportunidade."
Nossos eternos parabéns ao Sr. Pedro por registrar sua sensibilidade na história e fazer parte da construção da nossa identidade cultural!
Texto original de: Galdino da Banda (Publicado originalmente em dezembro de 2011)
20 julho, 2026
Das Raízes ao Pincel: A homenagem de Lourdes de Deus a Custódia
Nascida em Custódia, PE, em 1959, Lourdes mudou-se para Osasco quando tinha apenas dois anos de idade. Casou-se com o pintor naïf Waldomiro de Deus, em 1976, e convivendo com o dia-a-dia do artista, passou a tomar gosto pela arte, começando a pintar em 1992. Daí em diante, seu trabalho foi se aperfeiçoando.
19 julho, 2026
Fabricante de ketchup líder no NE, Tambaú investe R$ 130 mi em expansão

Hugo Gonçalves, diretor-presidente da Tambaú alimentos,
aposta na ampliação e modernização da fábrica para incrementar a produção
Foto: Acervo Tambaú
por Mariana Araújo
Movimento Econômico
Matéria publicada originalmente em Movimento Econômico (Clique Aqui)
18 julho, 2026
Memória e Legado | Vanete Almeida: a voz sertaneja que transformou a luta das mulheres rurais
Há histórias que continuam inspirando mesmo muitos anos depois. Uma delas é a de Vanete Almeida, filha de Custódia (PE), educadora popular, feminista e uma das maiores defensoras dos direitos das mulheres rurais no Brasil e na América Latina.
Antes de partir, Vanete deixou como última mensagem o livro "Lutando e Lutando", escrito durante o enfrentamento de um câncer. A obra reúne reflexões sobre saúde, vida, limites, coragem e perseverança, especialmente voltadas às mulheres do campo, transformando sua experiência pessoal em um legado de esperança.
Reconhecida internacionalmente, Vanete foi fundadora da Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe (Rede LAC), participou da criação do Cecor, assessorou a Fetape e integrou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Sua trajetória também lhe rendeu importantes homenagens, como o Prêmio Cláudia (2002), a indicação ao projeto das Mil Mulheres para o Nobel da Paz (2005) e o Prêmio TRIP Transformadores (2009).
Natural de Custódia e moradora da comunidade de Jatiúca, em Santa Cruz da Baixa Verde, Vanete dedicou sua vida à organização política das agricultoras, tornando-se referência para gerações de mulheres sertanejas.
Relembrar o lançamento de "Lutando e Lutando" é manter viva a memória de uma mulher que transformou sua própria luta em inspiração para milhares de pessoas. Seu exemplo continua atual, mostrando que conhecimento, solidariedade e coragem também são sementes capazes de mudar o mundo.
Maria Vanete de Almeida, faleceu em 09 de Setembro de 2012, aos 69 anos, vítima de um câncer.
Preservar a história de Vanete Almeida é preservar a memória das mulheres que ajudaram a transformar o Sertão e o Brasil.
17 julho, 2026
Artista custodienses Edmar Sales conquista Medalha de Bronze em um dos mais tradicionais salões de arte de São Paulo
O artista plástico Edmar Sales acaba de alcançar mais um importante reconhecimento para sua trajetória artística. Sua obra "Sé Paulistana" foi premiada com a Medalha de Bronze no Salão da Miniatura 2026, promovido pela Associação Paulista de Belas Artes (APBA), uma das mais tradicionais e respeitadas instituições dedicadas às artes visuais no Brasil.
A pintura, executada em óleo sobre tela, mede 16 x 22 centímetros e retrata a região da Catedral da Sé, em São Paulo, valorizando a arquitetura histórica, a luz do entardecer e o reflexo da chuva sobre as ruas. A composição traduz, em uma pequena dimensão, a atmosfera e a identidade de um dos cenários mais emblemáticos da capital paulista.
O prêmio reforça o talento e a dedicação de Edmar Sales, consolidando seu nome entre os artistas contemporâneos que se destacam pela sensibilidade e qualidade técnica de suas obras. O reconhecimento obtido em um salão de grande prestígio nacional representa não apenas uma conquista pessoal, mas também um motivo de orgulho para Pernambuco e para sua terra natal, Custódia.
Ao celebrar a premiação, o artista agradeceu à APBA, aos jurados, organizadores, colegas de profissão, colecionadores, amigos e a todos que acompanham sua trajetória, destacando que a honraria renova seu compromisso com a arte e o incentiva a continuar transformando paisagens e memórias em pinturas carregadas de emoção.
Ficha da obra:
- 🎨 Obra: Sé Paulistana
- 🖼️ Técnica: Óleo sobre tela
- 📏 Dimensões: 16 × 22 cm
- 🥉 Premiação: Medalha de Bronze – Salão da Miniatura 2026
- 📍 Local: Associação Paulista de Belas Artes (APBA) – São Paulo.
[Vozes do Mangue] O Último Suspiro do Guerrilheiro do Moxotó.
A notícia do falecimento do professor, historiador e escritor Jovenildo Pinheiro de Sousa golpeia o peito com a força de um vento forte que varre a caatinga. O Sertão perde um de seus intérpretes mais profundos, e a cultura pernambucana despede-se de uma mente brilhante. Ele guardava em si a essência do território que o gerou.
Nascido em Custódia, Jovenildo trazia na alma a altivez de sua terra natal e, acima de tudo, definia a si mesmo com a bravura lírica de quem não aceitava amarras: era o legítimo “Guerrilheiro da Revolução do Sertão do Moxotó”. Sua partida física deixa um vazio imenso, mas sua contribuição para a História Social do Nordeste permanece inabalável.
Jovenildo revolucionou os estudos sobre o banditismo em sua obra-prima, Sertão Sangrento: Luta e Resistência. Para ele, o cangaço jamais poderia ser resumido à dicotomia rasa de heróis ou vilões. Jovenildo enxergava o fenômeno com o rigor metodológico de quem sabia que as raízes da violência sertaneja estavam plantadas nas sesmarias da colonização, no genocídio dos povos indígenas e no abandono estrutural do Estado. Ele via as táticas de Lampião não como mera barbárie, mas como uma refinada e pragmática inteligência de guerrilha militar, nascida da própria geografia do semiárido.
Tive a imensa felicidade e a honra de conhecê-lo pessoalmente. Conversamos por mais de uma vez sobre as páginas densas do seu livro e, de forma tocante, sobre as dores de sua própria história. Ouvir Jovenildo relatar os anos de exílio em Cuba era caminhar por um labirinto de desencantos políticos. Jovem idealista perseguido pela ditadura militar brasileira na década de 1960, ele buscou abrigo na ilha caribenha. No entanto, sua mente livre e crítica recusou-se a silenciar diante da opressão, tornando-se também um dissidente do modelo autoritário de Fidel Castro. Ele me confidenciou os horrores sofridos naquele regime, uma dupla cicatriz que carregava com a dignidade dos que nunca negociaram suas convicções libertárias. Este capítulo da história de Jovenildo está na Exposição ” Memórias da resistência – 5 0 anos do Golpe militar em Sertânia”; , organizada por mim , em 2014 , da qual ele é uma das personalidades enfocadas.
A vivência de Jovenildo em Sertânia era o reflexo desse espírito agregador e profundamente sensível. O município testemunhou sua convivência fraterna com uma constelação de mentes brilhantes, gigantes da palavra e da poesia, como José Carneiro, Ésio Rafael, Marcos Cordeiro e os queridos irmãos Belo — Joaquim, Antônio, Inêz e Maninho —, alguns dos quais compartilhavam com ele o orgulho do berço custodiense. Ver esse grupo reunido, ou debater com eles, era testemunhar a própria efervescência intelectual do Moxotó- Ipanema em sua máxima potência.Mas a grandeza de Jovenildo Pinheiro não se limitava aos livros ou aos debates acadêmicos; ela transbordava em gestos concretos de amor ao próximo. Tive o privilégio de caminhar ao seu lado nas trincheiras da solidariedade.Participamos juntos do Projeto Natal Solidário e das incansáveis ações humanitárias do Lar Fraterno Vovó Cavendish, instituição admirável liderada por seu primo, o também poeta André Pinheiro, à frente da Casa dos Espíritas de Sertânia. Ali, longe dos holofotes da academia, o historiador transformava sua teoria de justiça social em prato de sopa, em acolhimento e em afeto para os mais vulneráveis.
Jovenildo Pinheiro parte no dia de hoje, mas o seu legado não aceita o esquecimento. Ele seguiu os passos dos bravos de que tanto escreveu: resistiu, lutou, sofreu o exílio e floresceu na generosidade. O Guerrilheiro do Moxotó descansou das batalhas terrenas, mas sua voz continuará ecoando em cada página de sua obra e em cada ação de amor que deixou plantada no solo sagrado do Sertão. Descanse em paz, mestre, amigo e eterno combatente.
* Josessandro Andrade é Artista da Palavra e Educador
15 julho, 2026
O Sertão em Versos: O Cangaço e a Geografia Poética de Nertan Macêdo
O Registro Histórico (1950)
bolandeira no Salgueiro,
na serra da Cana Brava
coronel é coiteiro,
na serra do Logradouro
o compadre é fazendeiro,
viro bicho maloqueiro,
no Limão, no Canindé
tenho cavalo estradeiro,
suspiro pelo descanso
no viver de cangaceiro,
quero moça de janela
em Custódia e Tabuleiro."
A Geografia do Verso
A poesia popular coletada por Macêdo funciona como um mapa do Sertão de Pernambuco e Ceará, citando locais emblemáticos para a dinâmica do cangaço:
Salgueiro, Custódia e Serra Negra: Cidades e acidentes geográficos pernambucanos conhecidos pelas rotas e esconderijos de bandos.
O "Coiteiro" e o "Fazendeiro": O verso escancara a rede de apoio que os cangaceiros possuíam entre os poderosos locais (coronéis), essencial para a sobrevivência no bioma da Caatinga.
Quem foi Nertan Macêdo?
Natural de Crato, Ceará (nascido em 20 de maio de 1929), Nertan Macêdo foi uma voz fundamental para a literatura e o jornalismo regionalista. Vindo de uma família de intelectuais — irmão de Denizard Macêdo, renomado jornalista com passagens pelo Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e O Jornal —, Nertan dedicou sua vida a registrar a cultura e a história do povo sertanejo. Sua relevância intelectual o levou a ocupar a cadeira número 17 do prestigiado Instituto Cultural do Cariri (ICC).
Matérias enviada por José Soares de Melo


















