03 outubro, 2026

A Voz do Sertão na Era Digital: Conheça a História do Podcast Diferente


Se você acompanha a cena cultural e as histórias do Sertão do Moxotó e do Pajeú, com certeza já esbarrou em um trecho do Podcast Diferente. Transmitido pelo canal Gabriel CDs no YouTube, o programa se tornou um ponto de encontro semanal para quem quer matar a saudade de Custódia (PE), conhecer os personagens da terra e se conectar com as raízes sertanejas.

Sob o comando da dupla Gabriel e Juninho, o projeto provou que a comunicação no interior de Pernambuco tem força, audiência e muita história para contar.

Como tudo começou?

O Podcast Diferente nasceu da paixão de Gabriel pela música e pela divulgação da cultura regional — bagagem que ele já acumulava há anos no ambiente digital com a divulgação de CDs e bandas locais. Percebendo a carência de um espaço onde os artistas, atletas e personalidades da região pudessem falar abertamente sobre suas vidas, surgiu a ideia: criar um estúdio ao vivo em Custódia.

Com transmissões semanais, o programa não demorou a conquistar a simpatia do público. O grande segredo do sucesso? A simplicidade e a autenticidade. O formato combina conversas sem roteiro engessado, interação em tempo real com o chat e aquele tom acolhedor de quem está batendo um papo na calçada de casa.

De sanfoneiros a campeões internacionais: a diversidade no estúdio

Um dos pontos mais fortes do programa é a pluralidade de convidados. O microfone do Podcast Diferente já recebeu uma verdadeira constelação de talentos sertanejos:

  • Música e Tradição de Vaqueirama: Ícones do forró e das pegas de boi, como a dupla Petrônio e Placildo, Divom Amorim, Maestro Marcelo Moura, Marcilio Amaral já passaram por lá para cantar ao vivo, contar causos de estrada e relembrar as tradições das cavalgadas.

  • Esporte e Orgulho Sertanejo: O programa também dá voz aos esportistas que levam o nome do Sertão para o mundo. Um dos episódios mais marcantes foi com o lutador de Jiu-Jitsu Dudu Armlock, logo após ele conquistar o título europeu na Espanha. O esportidas Fabiano Santos, popular Mãozinha.

  • Comunidade e Religiosidade: Lideranças comunitárias, empreendedores locais e figuras religiosas (como os padres da paróquia local) também marcam presença, debatendo a história, a fé e o desenvolvimento do município.

Mais que entretenimento: um acervo vivo da memória local

Para além das risadas e das palhinhas musicais, o Podcast Diferente cumpre um papel fundamental: o de documentar a memória de Custódia e região. Cidades vizinhas como Betânia, Serra Talhada, Arcoverde e Flores frequentemente se veem representadas nas pautas.

Para quem mora fora — seja no Sudeste ou até no exterior —, assistir às transmissões ao vivo é uma forma de se reestabelecer com as origens. Com milhares de visualizações acumuladas e uma comunidade fiel no YouTube e nas redes sociais, Gabriel e Juninho provam semanalmente que o Sertão tem voz, tem acervo e tem muito orgulho de sua gente.

💬 E você, já assistiu ao Podcast Diferente? Qual foi o seu episódio favorito até hoje? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe este post com aquele conterrâneo que ama a cultura do nosso Sertão!

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Petrônio e Placildo: A Trajetória dos "Dois Vaqueiros Diferentes" que Conquistaram o Sertão




A trajetória de Petrônio e Placildo — autointitulados "Dois Vaqueiros Diferentes" — é marcada pelo amor à cultura nordestina, à vaquejada e às pegas de boi no mato. Com raízes no sertão pernambucano, a dupla construiu uma história de persistência, superação e grande alcance popular no cenário do forró de vaquejada.

Origens e Início da Parceria

Petrônio (natural de Betânia / Custódia) e Placildo (natural da região de Cachoeira do Leite / Betânia) iniciaram sua jornada conjunta no final dos anos 1990. A gravação do primeiro CD aconteceu por volta de 1999.

Os primeiros anos foram marcados por bastantes desafios:

  • Venda manual de CDs: Na época, vendiam discos físicos debaixo do braço em feiras e festas.

  • Perrengues na estrada: Enfrentavam longas caminhadas, viagens de carona e madrugadas no topo e boleias de caminhões para chegar às festas do sertão.

  • Tradição das Pegas de Boi: Placildo sempre viveu a rotina de vaqueiro de boi no mato, organizando tradicionais pegas de boi (como a realizada na Fazenda Conceição), enquanto Petrônio trazia o talento nas composições e no vocal sertanejo.

Músicas de Sucesso e Virada na Carreira

Ao longo dos anos, a dupla consolidou um repertório com forte apelo entre os vaqueiros e apreciadores do arrastapé e do forró de vaquejada:

  1. "Não Tem Jeito Não": Originalmente uma composição encomendada para o cenário político local, a música ganhou uma adaptação para o universo da vaquejada com o refrão "Não tem jeito não, nasci pra ser vaqueiro..." e tornou-se um grande hit regional.

  2. "Amor Verdadeiro": Gravada entre 2016 e 2017, a música foi regravada por diversos artistas de expressão como Frank Aguiar, Zeca Bota Bom, Buscapé (Arreio de Ouro) e Jorge de Altinho.

  3. "Tá Vendo Aí": Outra composição marcante que ganhou força durante o período da pandemia, sendo gravada por nomes como Danielzinho e tocada em cavalgadas pelo Nordeste.

Expansão, Gravações com Ícones e Atualidade

Um dos momentos mais importantes na trajetória da dupla ocorreu em 2019, quando viajaram a São Paulo para divulgar suas músicas de trabalho. Nessa ocasião, com o apoio de incentivadores da Baixada Santista e da capital paulista, tiveram a oportunidade de gravar parcerias ao vivo com ícones do forró, como Frank Aguiar e posteriormente Jorge de Altinho.

A formação musical da banda adaptou-se com o tempo. Atualmente, trabalham com uma estrutura enxuta e marcante baseada em sanfonas, teclado, baixo e guitarra, mantendo apresentações em Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Sergipe. Petrônio e Placildo seguem sendo uma referência viva da música de vaqueiro, unindo a identidade do sertão nordestino ao circuito de cavalgadas e festas tradicionais.

Com informações colhidas no Podcast Diferente, com Gabriel e Junior.

Video completo abaixo:



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02 outubro, 2026

A História da Fazenda Malhadinha: Tradição, Lendas e Transfomação no Sertão do Moxotó




Localizada no município de Custódia, em Pernambuco, a Fazenda Malhadinha é um dos símbolos da memória rural e da história centenária do Sertão do Moxotó. Com origens que remontam a tempos em que a pequária era a principal atividade econômica da região, a propriedade preserva memórias de fartura, vivências familiares e transformações marcantes do semiárido pernambucano.

Origens e o Apogeu da Pecuária

Segundo os relatos de moradores e descendentes da propriedade, como Divon Amorim e seu primo Bosco, as terras pertenciam originalmente a um influente coronel da região.

Posteriormente, a propriedade foi adquirida pelo bisavô de Divon, vindo de Tuparetama (PE).

Durante o seu auge, a Malhadinha destacou-se pela intensa criação de gado de corte e produção leiteira. Os grandes currais de madeira abrigavam centenas de cabeças de gado que eram manuseadas por vaqueiros experientes. Com cerca de 500 hectares em sua configuração original, a fazenda acabou sendo dividida entre herdeiros após o falecimento do patriarca, o Sr. Benigno, no início da década de 1960.

Arquitetura Antiga e Vida Comunitária

O grande casarão da fazenda foi erguido com técnicas tradicionais da época:

  • Estrutura de Tijolo e Barro: A edificação não utilizava cimento ou estruturas de ferro, sendo sustentada por colunas de tijolos maciços e paredes espessas.

  • Convivência Social: A ampla calçada batida ao redor da casa era o ponto de encontro da juventude local, onde eram organizadas brincadeiras tradicionais como a "brincadeira do anel" e "cair no poço" durante as noites sertanejas.

  • Marcas do Tempo: Atualmente em ruínas, o local ainda preserva artefatos históricos, como armadores de rede de madeira, fechos artesanais feitos por ferreiros e suportes para moagem manual de milho.

Lendas Sertanejas: Botijas e o Cangaço

A história da Fazenda Malhadinha também é marcada pelo imaginário popular do Sertão:

Contos de Botijas:
Na tradição local, contam-se histórias sobre moedas de ouro enterradas. Moradores relatam que uma dessas botijas teria sido desenterrada no passado por um antigo habitante da região chamado Delfino.


Passagem do Cangaço:
A memória oral da região guarda registros da presença de grupos de cangaceiros que transitavam pela região do Moxotó e Pajeú nas primeiras décadas do século XX.

A Chegada das Águas do São Francisco

Nos últimos anos, a Fazenda Malhadinha ganhou um novo capítulo em sua trajetória. As terras da propriedade passaram a ser cortadas pelo canal do Projeto de Transposição do Rio São Francisco.

A presença da água canalizada trouxe uma nova perspectiva para a população e para a criação de animais, simbolizando a convivência e a superação das severas estiagens que historicamente marcaram a região de Custódia.

O Sopro da Tradição: A História do Mestre Gonzaga, um pioneiro do pífano!


Sr. Gonzaga
Sitio Lajedo em Quitimbu-PE

Nas terras do Sertão do Moxotó, onde o chão de lajedo esquenta sob o sol forte de Pernambuco, a história de um povo muitas vezes se sopra em madeira de taboca. No Sítio Lajedo, localizado na comunidade de Quitimbu, município de Custódia, a memória musical do sertão ganha rosto e nome: Luiz Gonzaga da Silva, Seu Gonzaga, um dos pioneiros do pífano na região. Nascido em 27 de Setembro de 1943. Filho de Alexandrina Avelino da Conceição e João Gonçalo da Silva.

Menino de Quinze Anos e a Descoberta da Toada

A trajetória de Gonzaga com o pífano começou cedo. Aos 15 anos de idade, embalado pelas festas de padroeiro e pelas feiras livres que animavam o interior, ele colocou as primeiras notas no instrumento rústico de sopro. Não demorou para que sua vocação se consolidasse na formação da Banda de Pífano do Sitio Lajedo.

Ao lado de seus companheiros de jornada — entre eles Luiz Feliciano, seu irmão Zé e outros tocadores do sítio —, Gonzaga formou um quarteto que virou referência na região. Onde havia novena, festa de padroeira ou alvorada festiva, a banda estava presente. Durante dias seguidos, o som do pífano acompanhado da caixa e da zabumba marcava o ritmo da comunidade, arrastando crianças e adultos pelas ruas poeirentas.

Caminhos Percorridos e a Vida no Sítio

Com o passar das décadas, a fama dos tocadores do Sitio Lajedo ultrapassou os limites de Custódia. A banda viajou pelo sertão até a calha do São Francisco em Petrolina e chegou a levar a autenticidade do pífano sertanejo até a capital, Recife.

Em casa, Gonzaga construiu sua vida no Sítio Lajedo ao lado da esposa, Dona Neuza. Do matrimônio nasceram 12 filhos, dos quais 6 cresceram e ganharam o mundo — construindo vidas que vão desde os arredores de Custódia até capitais distantes como Manaus e São Paulo.

O Silêncio do Instrumento e a Memória Viva

Com o tempo, o ciclo natural da vida trouxe perdas à antiga formação. Seus companheiros de banda partiram, e Gonzaga tornou-se o único guardião daquela memória musical original do Sitio Lajedo.

Mais tarde, um problema de saúde forçou o mestre a tomar uma decisão difícil: após extrair os dentes da parte inferior da boca, o sopro firme e preciso que por mais de seis décadas alimentou o pífano perdeu o ponto de apoio necessário, obrigando-o a silenciar o instrumento.

Apesar de não tocar mais como antigamente, a figura de Seu Gonzaga permanece como um símbolo da resistência cultural sertaneja. Sua casa continua sendo um ponto de encontro com a história viva de Pernambuco — a lembrança de uma época em que o sertão celebrava suas alegrias ao som simples e marcante do pífano de madeira.

Informações obtidas através do canal NOVO SERTÃO (Verde Sertão) e seu administrador, o sr. Julio Neto Santana. Entrevista realizada em 24/11/2021

PARA ASSISTIR COMPLETO A ENTREVISTA, BASTA CLICAR ABAIXO



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Responsável Julio Neto Santana

As Histórias do Sítio Timbaúba, com sr. Cicero Mariano



No coração do Sertão do Moxotó, no Sítio Timbaúba, em Custódia, a história da formação rural brasileira permanece viva através dos relatos orais e das estruturas arquitetônicas do local. Em entrevista concedida ao canal Sertão Mano Amigo, Seu Cícero Mariano(cargo militar e administrativo de Portugal e do seu império colonial, responsável por comandar forças militares e administrar regiões), morador local de 89 anos, resgatou memórias fundamentais sobre a colonização regional, o período escravagista e os episódios que moldaram o interior pernambucano.

Uma Arquitetura Centenária

A residência de Seu Cícero Mariano, erguida em 1929, preserva traços marcantes da arquitetura sertaneja do início do século XX. A estrutura destaca-se por sua calçada elevada em relação ao solo e pelo reaproveitamento de materiais de uma antiga edificação colonial. As madeiras e o alvenaria pertenciam ao antigo casarão do Capitão-Mor, situado originalmente no Sítio Capoeiras, antes de serem transplantados para o Sítio Timbaúba.



Geografia Colonial e a Divisão das "Léguas"

Os relatos de Seu Cícero traçam a cartografia de uma vasta propriedade territorial que se estendia por diversos pontos de referência do sertão, como as localidades de Iguaraci, o Poço do Boi, o Poço da Cruz e Jeritacó.

Para assegurar a fixação da família nas terras, o Capitão-Mor dividiu sua imensa propriedade entre seus 12 filhos utilizando o sistema de léguas (cada légua equivalente a aproximadamente 6 km). Cada herdeiro recebia uma faixa de uma légua de largura para casar, construir sua moradia e dar continuidade à exploração agropecuária na região.

O Livro de Registros e a População Escravizada

A rotina e a contabilidade da fazenda colonial eram registradas pelo próprio Capitão-Mor em um documento histórico confeccionado com penas de peru e tinta importada de Portugal.

Entre as informações preservadas pela memória oral, destacam-se:

  • Produção e Tributação: A propriedade registrava uma média anual de 1.000 bezerros. Dez por cento da produção (100 bezerros) eram destinados ao pagamento de dízimos e tributos coloniais.

  • Inventário Humano: O livro contábil listava o inventário de 42 pessoas escravizadas, entre adultos e crianças, categorizadas como patrimônio da fazenda.

  • Rotas e Violência: Os escravizados eram comprados no litoral, em Recife, e forçados a realizar longas caminhadas a pé pelo interior em busca de terras e minérios. Relata-se que eram marcados a ferro quente, vestiam apenas tangas e enfrentavam a escassez de alimentos.

O Destino do Acervo: Entre a Praga e o Fogo

A memória material daquele período sofreu com a ação do tempo e o desgaste natural:

  • A Perda do Livro: O antigo livro de registros foi lido por um padre da cidade de Custódia antes de sua degradação final. Sem conservação adequada, o documento acabou destruído por traças e ratos ao longo das décadas.

  • O Tronco de Punição: Próximo à antiga senzala, ficava o instrumento de castigo: madeira de altíssima densidade. Equipado com rodadeiras e cadeados, o tronco mantinha os escravizados presos pelos pés por dois a três dias consecutivos. A carcaça da madeira resistiu até a geração do irmão mais velho de Seu Cícero, sendo eventualmente consumida pelo fogo.

Entre a Libertação e a Era do Cangaço

A trajetória da família Mariano entrelaça-se com momentos decisivos da história nacional:

  • O Ano da Abolição (1888): O pai de Seu Cícero nasceu em 1888, ano da assinatura da Lei Áurea. Órfão ainda jovem, ele chegou a habitar as ruínas do antigo casarão colonial abandonado.

  • Violência Local e o Cangaço: A memória oral guarda episódios de figuras autoritárias, como o Capitão Chico, na região da Várzea Grande, e relatos das passagens do bando de Lampião pelo Sertão e por Sergipe. Seu Cícero recorda histórias das tropas em combate, onde homens feridos eram abandonados na caatinga, culminando no desfecho do cangaço na Grota do Angico (SE), em 1938.

Preservação do Patrimônio Imaterial

Além de documentar a evolução das famílias tradicionais da região — como os laços dos Mariano com a família Machado, em Carnaíba —, os depoimentos de Seu Cícero Mariano reafirmam o valor da tradição oral. Suas memórias resgatam a complexa rede social, econômica e humana que fundamentou o sertão pernambucano.

Para acompanhar a entrevista completa. 



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01 outubro, 2026

Dr. Jânio Queiroz recebe em novembro, comenda Honra ao Mérito em São Paulo

 




Homenageado:
Jânio Queiroz, destacado na categoria "Advogado em causas de alta complexidade, com atuação nos Tribunais Superiores" com a comenda de Honra ao Mérito
.

  • Data e Hora: 10 de Novembro de 2026, às 18h.

  • Local: Salão Nobre (8.º andar) da Câmara Municipal de São Paulo, localizado no Viaduto Jacareí, 100 – Bela Vista, São Paulo/SP.

  • Apoio e Instituições: Promovido com o apoio da Câmara Municipal de São Paulo e da Vereadora Edir Sales.

  • Realização: Ramildo dos Santos.


  • Encontro durante casamento com personalidades locais (1988)


    Da esq. para dir:

    Seu Romeu Medeiros, Edivaldo Gonçalves de Medeiros (Vada), Zé Duro, por trás Dr. Airton Pereira, Dr. Pedro Pereira, Josenaldo Pereira de Siqueira "Bigode", Dr. José Ivo de Paula Guimarães (Juiz na época, hoje Desembargador), Josué do BB e Urbano Rafael. 

    Reunião ocorrida durante festividade do enlace matrimonial entre Adeilda Pereira (filha de Adalberto e Elvira) e Ednaldo Gonçalves de Medeiros (Dida de Zé Duro), realizado em sua residência em 27 de Maio de 1988.


    "Tem alguma foto antiga da cidade ou da sua família? Envie para a nosso e-mail e faça parte deste resgate!"

    Três Décadas de Estrada: A Trajetória de Marcílio Amaral no Podcast Diferente



    Natural de Pernambuco e com mais de 30 anos dedicados à música regional brasileira, o cantor Marcílio Amaral foi o convidado especial do Episódio 48 do Podcast Diferente, comandado por Gabriel e Júnior. Em um bate-papo descontraído e repleto de nostalgias, Marcílio compartilhou momentos marcantes de sua carreira, desde o início humilde como percussionista até se tornar a voz à frente de bandas de grande destaque no cenário do forró

    O Início e a Era "Mauricinhos do Forró"

    Marcílio começou sua caminhada musical ainda muito jovem em Custódia. Suas primeiras experiências ocorreram acompanhando os ensaios da banda Ideologia, até ter a oportunidade de subir ao palco em pequenos shows e bares da região ao lado de Neide Santos.

    O grande divisor de águas em sua carreira aconteceu nos anos 2000, aos 16 anos, quando conheceu a equipe da banda Feras no Rio Grande do Norte. O empresário Adones Antônio o convidou para integrar um novo projeto formado apenas por jovens talentos: os Mauricinhos do Forró.

    Cronologia de sua Carreira

    Início na Percussão e Bandas Locais
    Anos 1990

    Começou tocando percussão na banda Ideologia e formou o grupo 'Os Funis' fazendo apresentações em bares da região.

    Entrada no Mauricinhos do Forró
    Setembro de 2000

    Viajou de carona até Caicó/Parelhas (RN) para integrar a banda, onde permaneceu por uma década.

    Primeiro CD de Sucesso
    2001

    Lançamento do primeiro álbum da banda com o hit Vou Largar Dessa Mulher.

    Projeção Nacional e DVD de Sucesso
    2006

    Gravação do DVD marcante lançado com a faixa duplo sentido Música do Tabaco, expandindo shows para Sergipe, Alagoas e Bahia.

    Durante os 10 anos em que permaneceu nos Mauricinhos do Forró, Marcílio gravou diversos CDs e DVDs, se apresentou em grandes palcos do Nordeste e realizou turnês em São Paulo, participando de programas de TV.

    Projetos Autorais e Bastidores da Indústria

    Após sua saída dos Mauricinhos do Forró em 2010, Marcílio retornou a Pernambuco para criar o projeto Forró do Mato, com uma proposta voltada ao xote e ao vanerão.

    Além de atuar como cantor, Marcílio passou a trabalhar nos bastidores do mercado fonográfico. Durante quatro anos, ele atuou na divulgação, produção e venda de shows de nomes influentes da música nacional:

    • Mano Walter: Auxiliou nos primeiros passos do cantor em Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte.

    • Calcinha Preta: Trabalhou na circulação de shows da banda pelo estado de Pernambuco e interior do Nordeste.

    • Banda Calypso: Trabalhou diretamente na venda e divulgação da banda no seu último ano de formação original (2014-2015).

    Incentivado por colegas do meio, como o próprio Mano Walter, Marcílio gravou o projeto Forró Mulher de Gado no estúdio da Banda Calypso em Recife, retornando aos palcos com estrutura própria e frota de shows.

    Desafios na Pandemia e Novas Perspectivas

    Como ocorreu com a maioria dos artistas independentes, a pandemia da COVID-19 interrompeu abruptamente a rotina de shows de Marcílio. Para manter os compromissos financeiros, precisou vender o ônibus da banda e os equipamentos. No período de isolamento, concluiu sua graduação em Gestão Pública e atuou no comércio de veículos.

    De volta à música, o cantor aposta agora em um formato atualizado focado no estilo Arrocha/Sofrência. Morando entre Sergipe e Pernambuco, Marcílio gravou o projeto "Bregão dos 600", adaptando seu repertório para o público da Bahia e Sergipe, sem deixar de lado o forró tradicional nos seus shows.

    Ao final da entrevista, Marcílio ressaltou a importância do incentivo aos novos talentos locais e reiterou seu carinho por sua terra natal.

    30 setembro, 2026

    Cativeiro, Fome e Violência: A Realidade da Escravização no Sertão do Nordeste


    Foto e Texto:
    Tiago de Andrade Lima Motta


    A história do sertão nordestino é entrelaçada por relatos transmitidos através das gerações, preservando a memória de um tempo de dor, opressão e resistência. Em depoimento resgatado pela tradição oral, Seu Dezinho Mansidão da Silva (filho de Firmino Mansidão, descendente dos escravos do Capitão Lili, no sítio Carvalho), traz à tona lembranças do tempo da escravização e das violências perpetradas por senhores de engenho e fazendeiros regionais na transição para o período pós-Abolição.

    1. A Punição e a Crueldade Institucionalizada

    As memórias compartilhadas por Seu Dezinho detalham o rigor punitivo aplicado pelas figuras de autoridade locais, como o chamado Capitão Campo. Entre as práticas relatadas pela memória familiar, destacam-se:

    • Castigos Corporais Exacerbados: Punições como o retalhamento e a salga das costas dos escravizados.

    • Acomodação no Tronco e Agilhos: O uso de correntes pesadas nos pés e o confinamento no tronco, instrumento recorrente de tortura e imobilização nas propriedades da região.

    2. Condições de Subsistência e Restrição de Recursos

    A dieta e os meios de sobrevivência oferecidos às populações cativas e submetidas ao trabalho compulsório eram extremamente precários:

    • Alimentação Limitada: A base alimentar consistia em rações mínimas de farinha de feijão, toucinho, xerém e leite.

    • Interdição da Autossustentação: Havia proibições estritas por parte dos proprietários quanto ao aproveitamento de recursos naturais ou caça local (como o peba), impedindo qualquer alternativa de complemento alimentar por conta própria.

    3. A Ilusão da Liberdade e a Manutenção da Dependência

    Embora a promulgação da Lei Áurea pela Princesa Isabel em 1888 tenha marcado o fim jurídico da escravidão no Brasil, Seu Dezinho e os interlocutores locais chamam a atenção para a continuidade das estruturas de dominação:

    • Permanência nas Fazendas: Sem acesso à terra, crédito ou assistência do Estado, muitos libertos e ex-escravizados não tinham para onde ir e permaneceram sujeitos aos mesmos patrões.

    • Submissão às Mesmas Condições: Na prática, o cotidiano no pós-Abolição manteve-se marcado por jornadas exaustivas, alimentação restrita e maus-tratos, perpetuando a dinâmica de exploração sob o pretexto da sobrevivência contra a fome.

    4. Territorialidade e Preconceito Social

    As narrativas conectam essa memória a pontos específicos do sertão (como Poção, Cacimba de Cima e São Sebastião do Umbuzeiro, na Paraíba) e evidenciam a profundidade das barreiras raciais e do preconceito que marcaram as relações sociais na região, onde a miscigenação e os relacionamentos inter-raciais enfrentavam forte oposição das elites locais.

    Estes relatos orais constituem um valioso patrimônio imaterial para a compreensão da história social do sertão, evidenciando as marcas deixadas pelo sistema escravista na formação das comunidades rurais e quilombolas do interior nordestino.

    Com informações colhidas por 
    Tiago de Andrade Lima Motta

    A Fé que Cura e Atravessa Gerações: Dona Helena, Neto Mateus e a Tradição Espiritual no Sertão de Custódia



    Por Sertão Místico (Fevereir/2026)

    No coração do Sertão Pernambucano, no Sítio Caldeirão, em Custódia, a fé popular ganha forma, voz e cura. É lá que vive Dona Helena, rezadeira e parteira quilombola de 81 anos, cuja trajetória de vida confunde-se com a própria essência da religiosidade e do saber ancestral sertanejo. Ao lado de seu neto, Mateus, de 21 anos, ela lidera um trabalho espiritual centrado na devoção ao Padre Cícero, na força da Jurema Sagrada e no auxílio de espíritos de beatas.

    O Chamado no Sonho e a Cura pelas Ervas

    A trajetória de Dona Helena no universo da cura popular não começou por escolha, mas por missão e necessidade de sobrevivência. Embora o chamado espiritual tenha surgido ainda na infância, aos 7 anos, a resistência da família e o medo de preconceitos — como o estigma de ser chamada de "catimbozeira" — adiaram sua aceitação.

    Foi somente por volta dos 20 anos, após ser desenganada pela junta médica no Recife, que o destino tomou seu rumo.

    "Sentia muita dor, desmaiava. Pedi a Nossa Senhora que me levasse, pois não aguentava mais. Foi quando sonhei com uma mulher bem-vestida que me disse: 'Você não vai morrer. Vai fazer um remédio de lambedor e tomar durante um ano, e esses da medicina vai jogar no mato. Quem vai criar seus filhos é você.'"

    Através de revelações em sonhos e intuição espiritual, Dona Helena aprendeu a identificar as propriedades medicinais das plantas e cascas da caatinga. Recuperou a própria saúde e a de seu esposo, assumindo o compromisso de rezar e ajudar o próximo sem jamais cobrar por isso.

    Relatos de Milagres e Acolhimento sem Distinção

    Ao longo de décadas de dedicação no Sítio Caldeirão, milhares de pessoas já passaram pelo oratório da família — herdado de sua avó e de sua mãe, também parteira e rezadeira. Os relatos acumulam histórias impressionantes: pessoas trazidas amarradas que saíram pacificadas, casos desenganados pela medicina convencional e pessoas em cadeiras de rodas que voltaram a andar.

    Apesar dos relatos extraordinários, Dona Helena e Mateus mantêm a humildade e fazem questão de atribuir as curas à fé individual e ao poder divino.

    • Fé sem preconceito: A casa de oração recebe a todos — católicos, protestantes, umbandistas — sem distinção religiosa.

    • Gratuidade: As orações e garrafadas de ervas são oferecidas gratuitamente como ato de caridade.

    • Guia dos caboclos: A medicina tradicional da caatinga conta com o auxílio do Mestre Cauã e do Rei dos Índios, protetores das matas.


    A Continuidade com Mateus: A Sucessão da Linhagem

    O trabalho espiritual da casa tem uma tradição guiada por espíritos de beatas vinculadas à doutrina do Padre Cícero. Historicamente, a missão foi acompanhada por três figuras doutrinadoras:

    1. Beata Maria: Acompanhou Dona Helena nos primeiros 18 anos de trabalho espiritual.

    2. Beata Mocinha: Assumiu o guia espiritual da casa durante 24 anos.

    3. Beata Kinô: A atual mentora espiritual que atua nos atendimentos.

    A sucessão familiar, no entanto, já é uma realidade. Previsto anos antes por revelações espirituais, o jovem Mateus assumiu a liderança das rezas coletivas nos últimos anos, permitindo que sua avó poupe as forças devido à idade avançada.

    "No começo foi um martírio grande por causa das regras e da minha idade. Mas quando olho para trás e vejo uma pessoa triste sair sorrindo, desenganada sair curada, tenho certeza da minha missão. A recompensa maior é ver a fé agir." — Mateus

    Com cânticos de Jurema, orações ancestrais e a botânica sertaneja, a história de Dona Helena e Mateus reafirma o papel essencial das rezadeiras na preservação do patrimônio imaterial do Sertão.

    Para assistir ao vídeo completo, abaixo o link:



    Outra matéria foi postada anteriormente sobre Dona Helena, escrita por Géssica Amorim, pode ser acessada clicando: AQUI

    A Pernambucana que Cozinhou para Luiz Gonzaga e Viveu Tempos do Cangaço


    Foto: Sertão Mamoeiro 


    CUSTÓDIA (PE)
    — Entre as paisagens do interior nordestino, que conectam Monteiro, na Paraíba, a municípios sertanejos de Pernambuco como Santana do Congo e Custódia, histórias centenárias permanecem vivas na memória de seus moradores. Aos 97 anos de idade, Dona Maria de Lourdes, popularmente conhecida como Dona Maria Morena, guarda em suas lembranças encontros marcantes com ícones da cultura popular e episódios históricos do sertão.

    O Almoço para o Rei do Baião em Custódia

    Durante a juventude, enquanto trabalhava na cozinha de um tradicional hotel no município de Custódia, Dona Maria Morena teve a oportunidade de preparar refeições para o cantor e compositor Luiz Gonzaga. Na ocasião, o Rei do Baião cumpria uma agenda na cidade, dividindo-se entre apresentações musicais e eventos de campanha eleitoral. A passagem do artista marcou a trajetória da cozinheira, que relembra com carinho a experiência de servir uma das maiores figuras da música brasileira.

    O Pavor do Cangaço e a Passagem de Lampião

    Além dos bastidores da música regional, a história de Dona Maria Morena também se entrelaça com o período do cangaço. Embora não tenha chegado a ver Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, pessoalmente, sua irmã já falecida, conhecida como Dica, testemunhou a chegada do famoso bando a uma pequena cidade paraibana.

    De acordo com o relato, o clima de tensão tomava conta das populações sertanejas sempre que a presença dos cangaceiros era anunciada. Naquele dia específico, a movimentação fez com que moradores buscassem abrigo às pressas:

    • Esconderijo no beco: Dica correu para o beco de uma bodega para proteger um irmão pequeno que havia ficado exposto na rua.

    • Tensão sem confrontos: Apesar do pavor generalizado, a ocasião terminou sem trocas de tiros ou saques violentos registrados na localidade. A criança permaneceu escondida até ser resgatada pela família.

    Resgate Histórico e Lucidez Centenária

    A trajetória de Dona Maria Morena foi registrada em entrevista ao repórter Antony Rufino, no projeto Sertão Mamoeiro. Aos 97 anos, a sertaneja demonstra lucidez ao reconstituir episódios do cotidiano e das transformações sociais do Sertão do Pajeú e do Cariri paraibano ao longo do século XX.

    Para mais conteúdos, acesse o canal: SERTÃO MAMOEIRO

    29 setembro, 2026

    A História do Engenho do Sítio Caldeirão em Custódia



    No coração do Sertão do Moxotó, no município de Custódia (PE), a rotina rural no Sítio Caldeirão preserva memórias vivas de trabalho na terra, educação comunitária e tradição açucareira. A história da família formada pelo saudoso Pedro Cícero do Amaral e pela professora aposentada Dona Maria do Carmo exemplifica a identidade e a resistência cultural sertaneja.

    A Origem do Engenho e a Vida no Sítio Caldeirão

    A história do engenho remonta ao trabalho de Zé Camilo, morador da comunidade vizinha de Queimada Nova, que havia trazido a estrutura da cidade de Triunfo. Em 1985, Seu Pedro Cícero adquiriu a moenda e a instalou no Sítio Caldeirão.

    Durante anos, o local tornou-se referência na fabricação artesanal de rapadura, mel e mel batido. As moagens reuniam trabalhadores e vizinhos em percursos produtivos que duravam meses:

    • Funcionamento técnico: A moenda era tracionada por motor, despejando o caldo no parol. A fornalha, alimentada por lenha e pelo próprio bagaço seco da cana, aquecia os tachos onde o caldo apurava até atingir o ponto. O melaço era virado na gamela de madeira para esfriar e ser modelado.

    • Convivência comunitária: Enquanto Dona Maria do Carmo preparava o almoço para os ajudantes, Seu Pedro distribuía caldo de cana e rapadura quente para as crianças que estudavam na escola vizinha.

    Educação e Marcenaria: Legados da Família

    Além do trabalho no campo, a trajetória da família destaca-se pela contribuição à educação e aos ofícios artesanais da região:


    Dona Maria do Carmo
    (nascimento 1939) — Educação Rural

    Trajetória: Formou-se em Custódia e iniciou a carreira no magistério entre as décadas de 1970 e 1980.

    Atuação: Atuou na alfabetização de adultos pelo Mobral no armazém da família e lecionou na Escola José Pereira da Silva (originalmente batizada como Francisco Camilo da Silva, em homenagem ao seu sogro).


    Antônio de Pedro Cícero — Ofício e Marcenaria

    Trajetória: Aprendiz do próprio pai, domina a carpintaria desde os 8 anos de idade.

    Atuação: Baseado no Sítio Buenos Aires, é artesão do trabalho em madeira maciça (como o tamboril). Constrói e restaura carros de boi, fabrica móveis rústicos e opera máquinas de beneficiar milho e feijão.



    Após a morte de Seu Pedro Cícero em 2015, Antônio e seu irmão Derivan reformaram a estrutura da fornalha e reativaram as moagens temporárias.

    Com informações de Antão Rufino ("Repórter Matuto") do Canal Sertão Mamoeiro.
    11 de novembro de 2023


    [Cordel] Paulo Peterson um sertanejo nota mil - autor: Jussara Burgos



    Se existe um cabra no mundo
    Que merece um cordel,
    É Paulo Peterson,
    Figura de muito papel!
    Gosta de rock pesado,
    Mas tem coração afinado,
    E escreve bonito e fiel.

    É dono de um grande blog,
    Que Custódia faz brilhar:
    Custódia Terra Querida,
    Um lugar pra recordar
    A história da nossa terra,
    Que tanta memória encerra
    E não podemos deixar passar.

    Mas quando o rock começa
    Com guitarra a estrondar,
    Paulo esquece até do blog
    E começa a acompanhar.
    Se o vizinho perguntar:
    “Que barulho é esse no ar?”
    “É cultura a se espalhar!”

    Tem Vanessa do seu lado,
    Companheira de jornada,
    Que conhece muito bem
    Essa figura apaixonada.
    E João Paulo, seu rebento,
    Que faz parte desse invento
    De família bem-amada.

    Paulo é desses que conseguem
    Misturar, sem confusão,
    Rock, memória e poesia,
    Sertão e recordação.
    Não  toca guitarra,
    Mas quando o assunto é Custódia,
    Ele toca o coração.

    Se perguntarem lá em casa:
    “Paulo, hoje vai descansar?”
    Ele diz: “Só mais um texto,
    Que eu preciso publicar!”
    E quando pensa que terminou,
    Outro assunto já brotou:
    “Tenho um blog pra alimentar!”

    Vanessa olha e já sabe:
    “Lá vem ele outra vez…”
    João Paulo dá risada,
    Pois conhece o freguês.
    E Paulo, muito contente,
    Vai escrevendo novamente
    Pela quarta, quinta, sexta vez!

    Que viva Paulo Peterson,
    Com seu rock e seu jornal,
    Defendendo suas raízes
    Com carinho especial.
    Que nunca falte inspiração,
    Nem guitarra, nem paixão,
    Nem Custódia no seu quintal!

    Felicidades meu primo querido, saúde e vitorias!

    Jussara Burgos
    Luziania-GO
    Setembro/2026



    Memória, Forró e Cultura: Bastidores Imperdíveis com Janúncio Siqueira no Podcast Diferente




    Se você gosta de boa música sertaneja, histórias inspiradoras e um resgate emocionante da cultura de Custódia e de Pernambuco, não pode deixar de conferir entrevista no Podcast Diferente foi feito sob medida para você!

    Nesta edição especial, o apresentador Gabriel recebe no estúdio duas figuras de grande relevância cultural: o cantor e compositor Janúncio Siqueira e o historiador e blogueiro Paulo Peterson do Blog Custódia Terra Querida.

    O que você vai encontrar na entrevista completa?

    A conversa passou por momentos marcantes da carreira de Janúncio e da história da região.

    Confira alguns dos destaques que tornam esse bate-papo imperdível:

    • Veia Musical e Herança Familiar: Janúncio relembra como suas raízes entre a Paraíba e Pernambuco influenciaram seu talento, destacando figuras marcantes como o tio Joãozinho Benício e o primo Mazinho de Arcoverde.

    • Momentos Inusitados no Rádio: Uma história hilária de quando Janúncio participava de um programa ao vivo com Fábio Santos na Custódia FM e seu tio invadiu o estúdio só para prestigiar o sobrinho.

    • Preservação da Memória Cultural: Reflexões nostálgicas sobre o histórico CLRC (Clube Literário e Recreativo Custodiense) e a importância da recuperação de fitas VHS antigas para manter viva a história dos grandes eventos da cidade.

    • A Jornada na Capital Pernambucana: A transição de Janúncio para o Recife no final dos anos 1980, conciliando a vida no serviço público (SUCAN) com os shows em barzinhos, casas de recepção e eventos locais.

    No podcast, Janúncio Siqueira conversa abertamente sobre sua trajetória como compositor, o sucesso de suas músicas e o processo de registro e arrecadação de direitos autorais.

    1. O Grande Sucesso: "Esse Alguém Sou Eu"

    • Carro-chefe da carreira: Lançada no seu primeiro disco há mais de 25 anos, a canção "Esse Alguém Sou Eu" é sua composição de maior destaque e projeção nacional.

    • Mais de 28 regravações: Janúncio revela que a música já foi gravada por cerca de 28 artistas pelo Brasil inteiro, adaptando-se a múltiplos gêneros como forró pé de serra, forró estilizado, sertanejo, axé music e brega.

    • Diversidade de intérpretes: Entre os artistas que interpretaram a canção, ele destaca:

      • Paulo Márcio (conhecido como o "Príncipe do Brega" em Recife)

      • Mito / Banda Labaredas

      • Luan Santana (que a cantou em shows pelo Mato Grosso)

      • Dupla Marlon & Maicon (do Paraná, que a executava frequentemente no circuito sertanejo) .

      • Além de nomes como Amadeus, Betão, Kevos Duran e André Viana 

    2. Processo Criativo e Quantidade de Obras

    • Mais de 130 composições: Janúncio conta com um acervo de mais de 130 músicas compostas, tendo gravado cerca de 90 delas em seus trabalhos.

    • Criação sem instrumentos: Ele explica que, no início, criava arranjos simples no violão. Hoje em dia, cria a melodia e a letra diretamente "na cabeça", gravando a guia pelo celular para depois estruturar o arranjo em estúdio com parceiros como o músico Isaías.

    3. Registro e Direitos Autorais (ECAD e UBC)

    • Formalização do artista: Janúncio reforça a importância de o compositor estar devidamente registrado na Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) e filiado a uma associação/editora — no caso dele, a UBC (União Brasileira de Compositores).

    • Recebimento via ECAD: Explica que não precisa ir ao cartório registrar partituras; basta enviar o áudio com o arranjo simples para a associação. Por conta do acompanhamento do ECAD, ele recebe os relatórios impressos detalhando em quais rádios e cidades do país suas músicas foram executadas, garantindo o retorno financeiro em direitos autorais .

    4. Parcerias e Homenagens

    • Parcerias com grandes nomes: Destaca parcerias marcantes e trocas de composições com Zezito Doceiro (autor de "Chá de Costas"), Dogival Argolo, Omar Cavalcante e Flávio Leandro (com quem regravou a faixa "Anjo da Guarda" autorizada com adaptações nos nomes dos filhos).

    • Homenagens a Custódia: Janúncio também compôs músicas em homenagem à sua terra natal, como a canção "Custódia" (feita em parceria com Zezito) e "Estou de Passagem" (com Mazinho de Palmares).

      Assista ao Episódio Completo no YouTube!

      Abaixo você pode conferir a entrevista na íntegra no canal do programa:

      👉 Clique aqui para assistir ao Podcast Diferente no YouTube

      Não perca a chance de conferir esse bate-papo cheio de nostalgia, causos sertanejos e muita valorização da nossa gente!