11 outubro, 2026

O dia em que a Paraíba reconheceu o talento e a dedicação do custodiense Expedito Arruda



Em 2007, o plenário da Assembleia Legislativa da Paraíba (Casa de Epitácio Pessoa) viveu uma tarde emocionante de homenagens. Em sessão solene promovida pelo ex-deputado Ricardo Barbosa, duas grandes personalidades que deixaram suas marcas no estado foram celebradas por suas contribuições profissionais e pessoais.

O arquiteto Expedito de Arruda Pires de Freitas, natural de Custódia (PE), foi oficialmente contemplado com o título de Cidadão Paraibano. Responsável por assinar centenas de projetos e obras marcantes espalhadas pela Paraíba — com destaque para a capital, João Pessoa —, o arquiteto destacou em sua fala o vínculo antigo e profundo com o estado: "Sempre me senti paraibano, fato que agora se torna uma realidade de direito".


LEI Nº 8.439 de 15 de Dezembro de 2007
Concede Título de Cidadão Paraibano 




Mais sobre Expedito Arruda Pires de Freitas:

Expedito de Arruda Pires de Freitas, nascido no ano de 1948, é um arquiteto de origem humilde que conquistou seu espaço na paisagem da capital paraibana. Após o assasinato de seu pai, quando tinha apenas 7 anos, por motivo de conflitos políticos, ele se muda com sua mãe e seus 5 irmãos para Recife. Em 1969 ingressou na Universidade Federal de Pernambuco, graduando-se como arquiteto e urbanista em 1974.

A sua trajetória até se estabelecer em João Pessoa seguiu etapas ligadas à sua formação acadêmica e ao mercado de trabalho:

- Estudos em Recife: Ainda na juventude, mudou-se de Custódia para a capital pernambucana, onde ingressou no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), graduando-se em 1974.

- Atração pelo Mercado Paraibano: Após a formatura, João Pessoa despontava como um mercado promissor e em plena expansão urbana. Ele fez parte de um grupo de arquitetos recém-formados em Recife que migraram para a capital paraibana atraídos pelas oportunidades de trabalho e projetos na cidade.

- Consolidação na Academia: Poucos anos após se fixar como projetista na cidade, ele ingressou na carreira docente na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 1977, estreitando definitivamente seus laços comunitários, profissionais e afetivos com o estado.

Obras Residenciais de Destaque de Expedito Arruda

A produção residencial de Expedito Arruda divide-se entre casas unifamiliares modernas integradas à paisagem e, posteriormente, edifícios multifamiliares na fase de verticalização de João Pessoa e arredores nas décadas de 1990 e 2000:

• Residência Haroldo Coutinho de Lucena (1959/Transição): Uma das referências documentadas de sua contribuição para a evolução do desenho residencial na capital.

• Casa Galvão (Solânea - PB): Conhecida como o "Mirante sobre o Vale", destaca-se pelo uso de estruturas integradas à topografia e valorização da vista natural da região serrana.

• Condomínio Rainha da Serra (Solânea - PB): Projeto residencial de destaque no interior do estado.

• Condomínio Residencial em Ponta de Campina e Residencial Cienfuegos (Cabedelo - PB): Projetos que marcam a expansão residencial multifamiliar em direção às praias da região metropolitana de João Pessoa.


10 outubro, 2026

IMEC Farmacêutica: Tradição Familiar, Inovação e Impacto Social no Sertão Pernambucano


Com quase três décadas de história e uma trajetória que une compromisso social, rigor sanitário e inovação, a IMEC Farmacêutica consolidou-se como a maior indústria do setor no interior de Pernambuco, alcançando projeção e presença em todo o território nacional.

Origem e Propósito Familiar

A história da IMEC confunde-se com a visão empreendedora e o amor do fundador Gilson Castelo Branco de Araújo pelo Sertão. Aos 26 anos, ele deu os primeiros passos ao fundar a Farmácia Pronto-Socorro, em Custódia (PE). O empreendimento familiar cresceu, transformando-se em uma rede de farmácias e, posteriormente, em uma distribuidora.

Movido pelo desejo de ampliar o acesso da população a medicamentos de qualidade fabricados na própria região, Gilson, ao lado de sua esposa Edilene Feitosa, idealizou e fundou a IMEC Farmacêutica em 1996.

Desde 2015, a condução da empresa está sob a liderança do presidente Djalma Bezerra de Souza Neto, que preserva os valores de ética, cuidado com as pessoas e respeito às origens, ao mesmo tempo em que prepara a indústria para os desafios do mercado contemporâneo.



Djalma Bezerra de Souza Neto | Presidente da IMEC
Gilson Castelo Branco de Araújo | Fundador.



Solidez no Mercado e Portfólio Estratégico

Fundamentada nos pilares de qualidade, confiança com os clientes e visão de longo prazo, a IMEC combina capacidade fabril com rigoroso cumprimento das normas da ANVISA.

  • Portfólio Direcionado: A empresa possui 10 medicamentos em linha, desenvolvidos para atender demandas essenciais da saúde pública e privada, focando no alívio da dor e desconfortos gástricos.

  • Liderança Nacional: O principal destaque da marca é o DORMEC, responsável por mais de 70% do faturamento da empresa. O medicamento ocupa liderança no mercado nacional e responde por cerca de 70% dos atendimentos realizados por estados e municípios, além de ter ampla presença no Sistema Único de Saúde (SUS), reforçando a soberania do país no Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).

  • Distribuição Abrangente: Com logística estratégica e atuação voltada tanto a distribuidoras quanto a grandes redes de farmácias, os produtos chegam a todas as regiões do Brasil, com forte presença e consolidação no Nordeste.

Impacto Socioeconômico e Valorização Local

A IMEC desempenha um papel fundamental na economia de Custódia e do Sertão pernambucano:

  • Geração de Oportunidades: Mais de 200 famílias fazem parte da construção diária da empresa. A mão de obra é composta majoritariamente por moradores de Custódia, integrando também especialistas de outras regiões.

  • Capacitação e Desenvolvimento: Diante do desafio de encontrar profissionais especializados na indústria farmacêutica na região, a IMEC investe fortemente em treinamento e qualificação técnica contínua para formar talentos locais.

  • Expansão da Equipe: Com o avanço do portfólio e modernização fabril, a empresa mantém planos consistentes de expansão do quadro de colaboradores.

Inovação, P&D e Parcerias Científicas

Em busca de eficiência e competitividade, a IMEC tem investido em modernização tecnológica e pesquisa:

  1. Aprimoramento Produtivo: Modernização das etapas de envase de formas farmacêuticas líquidas (soluções orais), aperfeiçoamento da validação de processos, controle de qualidade físico-químico rigoroso e atualização documental conforme exigências regulatórias.

  2. Desenvolvimento de Fitoterápicos: Por meio do seu Núcleo de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), a empresa lançou produtos como o Xarope de Guaco e a Limonada Purgativa. A aposta em fitoterápicos conecta a riqueza da biodiversidade brasileira às diretrizes estratégicas da Nova Indústria Brasil (NIB).

  3. Fomento e Cooperação: A interação com a FINEP integra o planejamento estratégico para captar recursos voltados à inovação. Além disso, a parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) conecta o conhecimento científico acadêmico às necessidades práticas do mercado, acelerando a inovação e o lançamento de soluções em saúde.

Visão de Futuro

Preparando-se para o lançamento de dois novos medicamentos ainda este ano, a IMEC orienta seu futuro pelo crescimento sustentável, investimento contínuo em tecnologia e ampliação do seu impacto social e econômico.

"Em síntese, vemos uma IMEC cada vez mais sólida, inovadora e comprometida com o desenvolvimento do país e com o acesso a medicamentos de qualidade para a população."

— Djalma Bezerra de Souza Neto, Presidente da IMEC


Para conferir matéria e entrevista ao Jornal do Sertão, acesse: (AQUI) 

Para conhecer mais sobre a IMEC Farmacêutica (AQUI)

Zé Melo: O Guardião da Nossa História e a Alma do Sertão Custodiense




Falar de José Soares de Melo — o querido Zé Melo — é ir muito além de reconhecer um colaborador do blog; é prestar um verdadeiro tributo à memória, à inteligência e ao dinamismo cultural de Custódia. Mais do que uma admirável trajetória de superação pessoal e dedicação ao serviço público, a história de Zé Melo traduz a própria essência do sertanejo: aquele que transforma as vivências do cotidiano em sabedoria e faz do seu vasto conhecimento um patrimônio coletivo.

O Guardião da Memória Custodiense

A grande marca de Zé Melo reside na sua extraordinária capacidade de resgatar a história e as figuras humanas de Custódia. Em uma era em que o tempo apaga registros e o esquecimento consome as tradições locais, ele atua como um verdadeiro cronista e arqueólogo da memória cultural do município.

  • Voz aos Esquecidos: Zé Melo não se limita a registrar fatos institucionais ou grandes nomes da elite local; ele devolve o protagonismo a figuras populares que deram cor e vida ao cotidiano custodiense — como Doca, Zé Preto, Alaíde, Zé Burgos, Zé Biá, Adamastor, Né Marinho, Capitão, Paulino Caititu, Carí e Pedro Maraváia e tantos outros. Esse olhar humanizado resgata a dignidade do povo e mantém viva a identidade cultural do sertão.

  • O "Baú do Zé": Por meio de suas crônicas, colaborações no blog Custódia Terra Querida e resgates históricos, ele transforma lembranças individuais em um acervo comunitário. O resgate da memória deixa de ser um ato de saudosismo e passa a ser uma ponte de conexão entre gerações.

  • A Alma Artística e Comunicadora: A trajetória de Zé Melo vai além da escrita. Sua atuação nas locuções do alto-falante "Duas Américas", a apresentação dos programas de auditório nos domingos do clube local e a composição do hino afetivo "Lembrando de Custódia" gravada por Zé Caboclo, revelam um comunicador nato que sempre usou a arte para unir e cultivar o orgulho de sua terra.

A Inteligência Prática e Compartilhada

O conceito sertanejo de inteligência vai muito além de acúmulo de diplomas ou títulos acadêmicos: trata-se da capacidade prática de assimilar o mundo, agir com presteza e compartilhar saberes de forma generosa.

Autodidata e dono de uma trajetória admirável, Zé Melo trilhou um caminho de pura superação. Das feiras do Pajeú e do Agreste, onde começou como comerciante ambulante vendendo "sulanca", chegou ao posto de Coordenador Administrativo e Secretário de Finanças do município, tornando-se uma verdadeira referência em gestão e licitações públicas. No entanto, a sua maior virtude nunca esteve no acúmulo de cargos ou posições, mas na sua imensa generosidade intelectual.

A Relevância para Custódia

A importância de José Soares de Melo para Custódia reside no fato de ele ser um elo vivo entre o passado de lutas e o presente de registros. Ao colocar sua capacidade de escrita e sua erudição autodidata a serviço do resgate histórico, Zé Melo garante que o legado das rotinas, das festas, dos personagens e das histórias de Custódia não se percam com o tempo. Ele prova que a verdadeira inteligência do Sertão é aquela que ilumina a própria gente e ensina a valorizar as origens.

Para ler todas as crônicas publicadas: CLIQUE AQUI (Ao final de cada página, clique na aba Postagens mais Antigas para ir visualizando as demais, até chegar ao final)

Lembrança e Legado: 28 Anos da Partida de Djalma Bezerra de Souza

 



Neste 10 de outubro, completam-se
28 anos desde que Custódia se despediu de uma de suas figuras mais emblemáticas e queridas: o ex-prefeito Djalma Bezerra de Souza. Embora o tempo avance, a memória do seu trabalho, da sua simplicidade e do seu amor incondicional por nossa terra permanece viva no coração do povo custodiense.

Uma Vida Marcada pelo Trabalho e pela Humildade

Nascido em 04 de julho de 1925 no Sítio Vitória, filho de Antônio Fontino de Souza e Filomena Bezerra de Souza, Djalma construiu sua trajetória na lida do campo. Passou pelos sítios Cacimba Limpa, Lambedor — onde trabalhou como vaqueiro e curtidor de couro — e pelo Povoado Ingá, comunidade à qual esteve profundamente ligado ao longo de toda a sua vida.

Homem de visão e coragem, destacou-se também no setor produtivo. Ao adquirir a Usina de Caroá de seu cunhado, José Pinheiro de Souza, substituiu a matéria-prima pelo agave e salvou o empreendimento. Com habilidade e pioneirismo no cultivo do algodão e do agave, foi reconhecido por diversas vezes como Agricultor do Ano por cooperativas e órgãos financeiros.

Em 1º de fevereiro de 1959, uniu-se em matrimônio a Maria Rozilda Feitoza de Souza, construindo uma grande família com os filhos Lúcia Maria, Edilene, Flaviano, Ivan, José Kildere e Roberta.

Um Legado Inesquecível na Política de Custódia

Incentivado pelo amigo Luiz Epaminondas Filho ("Luizito"), Djalma ingressou na vida pública e foi eleito vereador pela primeira vez em 1976. Sua vocação para servir o povo o levou a ocupar o cargo de Prefeito de Custódia por dois mandatos (1983–1988 e 1995–1996), sendo apontado pelo Governo do Estado como um dos gestores mais eficientes da história do município.

Sua administração transformou a infraestrutura urbana e rural de Custódia:

  • Grandes Obras: Início da construção do Fórum, da nova sede da Prefeitura, da rodoviária, do Mercado Público, do Matadouro e do Parque de Exposição Armando Wanderley da Fonte.

  • Zona Rural e Infraestrutura: Pioneiro em levar energia elétrica, calçamento, saneamento básico e água encanada para diversas comunidades rurais.

  • Educação e Saúde: Construção de escolas em toda a zona rural, valorização do magistério com o aumento da hora-aula e reestruturação da saúde pública.

Como reconhecimento por sua dedicação sem limites, em 2008 a Unidade de Saúde da Família da Vila do Ingá foi batizada com seu nome, perpetuando sua contribuição para a comunidade que ele tanto amava.

A Lição que Fica

Além do imenso legado de obras, Djalma Bezerra deixou ensinamentos preciosos sobre a vida, a resiliência e a humildade. Como ele costumava refletir:

“Na vida, tanto os momentos bons quanto os ruins duram o mesmo tempo. O problema é que aproveitamos os bons e acabamos acomodados com o tempo; já os ruins vivemos intensamente, cada minuto, por isso parecem durar muito mais e por esse motivo aprendemos tanto com eles.”

Há 28 anos, Djalma nos deixava fisicamente, mas sua história, seus valores e o progresso que semeou em Custódia continuam presentes no dia a dia da nossa gente.

*Djalma Bezerra de Souza (04/07/1925 – †10/10/1998)

Eterna saudade, respeito e admiração.

OUTRAS PUBLICAÇÕES SOBRE DJALMA BEZERRA DE SOUZA

BIOGRAFIA - (Clique Aqui)

09 outubro, 2026

Conheça Espelho D’água: A Sensibilidade Poética do Custodiense Francisco Alves



Lançado originalmente no final de 2009, o livro de poesias "Espelho D’água", de autoria do poeta, músico e compositor custodiense Francisco Alves da Silva, continua sendo uma obra marcante que merece ser (re)descoberta por todos os amantes da boa literatura.

Com 105 páginas impressas pela Gráfica Azul, a obra reúne uma coletânea de poemas que convidam a uma leitura suave e contemplativa. Um dos grandes diferenciais do livro é o seu projeto gráfico e design interior, idealizado pelo artista plástico Fernando Alves. A proposta foi fugir das convenções tradicionais de diagramação sem perder a delicadeza que os textos pedem, criando uma experiência visual e literária única.

A edição contou com uma equipe dedicada: diagramação de Cinthia Nagasawa e Jessica Naomi; registros fotográficos de JB Anthero, Bruno Marin Quirino e acervo Stock.XCHNG; e revisão textual criteriosa do Prof. Jurandir Godoy Vitta e de Eduardo Maguerbes.

O que dizem sobre a obra

A recepção crítica do livro destaca a profundidade e a honestidade dos versos de Francisco Alves:

  • No prefácio, o psicanalista Rogério E. Noce pontua:

    “Nesta obra, Francisco Alves se desnuda mostrando interessantes facetas de seu ser. Mesmo no mundo de hoje, onde os valores materiais são impostos às gerações como caminhos certos para a felicidade, o autor consegue falar em suaves poesias.”

  • Na orelha do livro, o Prof. Nelson Leandro observa:

    “Quando me deparei com este livro, logo pensei: aí está o reflexo de tudo o que fazemos, pensamos e sentimos.”

  • A professora de inglês Lisandra Fais acrescenta uma reflexão inspiradora sobre a essência do trabalho:

    “Não deixe que qualquer pessoa lhe imponha a forma de fazer as coisas, mesmo porque cada caminho é sempre um caminho.”

O evento de lançamento oficial aconteceu na cidade de Limeira (SP), com um marcante sarau lítero-musical acompanhado pelo violão de Simone Carvalho e declamações de poetas convidados, celebrando a premissa central que guia o autor: “O maior sentimento ainda é o amor”.

Como adquirir

Para quem deseja conhecer ou adquirir um exemplar da obra do poeta custodiense, entre em contato diretamente pelo e-mail: livroespelhodagua@yahoo.com.br.

08 outubro, 2026

A Trajetória de Izaías Moura: A Alma da Poesia Popular e do Cordel Sertanejo


 
A história do poeta cordelista Izaías Moura — conhecido carinhosamente como o Matuto do Pé Rachado — é uma celebração da essência sertaneja, da identidade quilombola e do poder transformador da poesia popular. Nascido no município de Custódia, Pernambuco, no Sítio Cachoeira da Onça, Izaías carrega no sangue o orgulho de suas raízes: filho de pai paraibano e de uma mãe negra pernambucana.

Como Tudo Começou e as Primeiras Inspirações

A faísca poética em Izaías acendeu ainda na infância. Ele relata que a musa da poesia já habitava nele desde muito pequeno, mas o momento exato em que seu primeiro verso ganhou forma foi em 1994, aos 10 anos de idade, impactado pela tragédia da morte do piloto Ayrton Senna.

"Foi na curva Tamburello que Ayrton Senna bateu,
E no hospital em Bolonha onde ele faleceu,
Deixando imensa saudade a Adriane Galisteu."


Suas referências e inspirações vêm da rica tradição da cantoria e do repente. Entre as grandes mestres e poetas que o influenciaram, ele destaca nomes fundamentais do cenário nordestino:

  • Mestres da Cantoria e Poesia: João Paraibano, Pinto do Monteiro, Otacílio Batista, Lourival Batista, Dimas Batista, Severino Ferreira, Diomedes Mariano e Pinto do Monteiro.

  • No Cordel Contemporâneo: Marcos Silva (seu companheiro de escrita e idealizador do Bisaco do Cordel), Marciano Medeiros, Luiz Gonzaga Maia e Leandro Gomes de Barros (considerado por ele o pai do cordel).

Superação Pessoal, Família e Valores

Além de sua jornada artística, a vida de Izaías é um testemunho de superação. O poeta aborda de forma franca a luta contra o alcoolismo, um vício que por anos trouxe sofrimento pessoal e familiar. Com o apoio incondicional de sua família e sua fé, Izaías superou essa fase difícil e hoje celebra mais de sete anos de sobriedade.

A família é a grande base de sua vida e obra — desde a homenagem diária ao pai (Seu Chico Paraíba) e à mãe, até a parceria de mais de duas décadas com sua esposa, Dona Regina Moura, com quem tem dois filhos, Emanuel e Heitor.

O Tripé da Poesia e Versos Marcantes

Para Izaías Moura, a poesia não é uma busca por dinheiro ou fama, mas uma vocação da alma. Ele defende que a verdadeira poesia sertaneja e o cordel devem obrigatoriamente respeitar três pilares:

Poesia de Bancada e Cordel + {Rima} + {Métrica} + {Oração}

Seleção de Versos e Decantações

1. Orgulho das Origens Sertanejas

"Eu sou Isaías Moura, matuto do pé rachado,
Custódia é minha cidade, Pernambuco é meu estado,
Nas estradas percorridas sou livre de páginas lidas,
A Deus o meu muito obrigado!"


2. Amar com Alma e Amor Verdadeiro


"Eu não busco fama, aceito vaia e palma,
Perder não me discrimina, eu sei reagir com calma,
E levo na sensatez, porque Deus quando me fez,
Pôs amor na minha alma."

 

3. Improviso e Gratidão ao Pai (Seu Chico Paraíba)

"Digo com certeza: eu jamais temo o perigo,
Pois ao lado do Senhor que me dá amor e abrigo,
E tenha, papai, a certeza que eu sempre estarei contigo."


Destaque e Reconhecimento

Hoje, Izaías Moura é reconhecido não apenas no interior pernambucano, mas em diversos festivais estaduais e nacionais de literatura de cordel. Entre suas conquistas, ele orgulha-se de ter conquistado posições de destaque no conceituado festival "Vamos Fazer Poesia", em Serra Talhada, competindo ao lado dos maiores nomes da poesia de bancada do Brasil.

Sua trajetória reflete a resistência cultural do Sertão do Moxotó, levando o nome da comunidade quilombola da Cachoeira da Onça e da cidade de Custódia para todo o Brasil através da força da rima e da palavra falada.

Com informações colhidas por Gabriel Cd´s e Junior no Podcast Diferente

Biografia e Genealogia: Otacílio Pires de Freitas

 


Otacílio Pires de Freitas e Tereza Arruda Pires

Publicado Originalmente no Facebook,
através de pesquisas no perfil da sra: 
Adanelice Medeiros De Farias Varandas 

Memória e Trajetória

Otacílio Pires de Freitas nasceu em 16 de março de 1925 e faleceu prematuramente em Custódia, Pernambuco, em 17 de novembro de 1955, aos 30 anos de idade. Homem de destaque e espírito comunitário, atuou como comerciante no ramo farmacêutico — onde exercia o importante papel de proprietário de farmácia — e destacou-se na vida pública local como político.

Família e Descendência

Otacílio foi casado com Tereza Arruda Pires (nascida em 10 de novembro de 1929), filha de Jorge Florentino Arruda e Margarida Albuquerque Arruda.

Do matrimônio de Otacílio e Tereza nasceram seis filhos:

  • Expedito de Arruda Pires de Freitas

  • Antônio Carlos Pires de Freitas

  • Maria Goretti de Arruda Pires

  • Margarida Arruda Pires

  • Márcio José Pires de Freitas

  • Hamilton Pires de Freitas

Ancestralidade e Tronco Genealógico

Otacílio Pires de Freitas pertencia a importantes e tradicionais famílias do sertão pernambucano e nordestino. Era filho de João Pires Ferreira e de Cândida Pires de Freitas (carinhosamente conhecida como Dona Candóia).

Abaixo detalha-se a sua ascendência por suas linhas paterna e materna:

Lineagem Paterna

  • Pais: João Pires Ferreira e Cândida Pires de Freitas

  • Avós Maternos/Paternos: Francisco Pires Ferreira e Antônia Damascena Bastos

  • Bisavós: Severino Pires Ferreira ("O Velho") e Cândida Maria Freitas; bem como João Damascena Bastos e Ana Damascena Bastos

  • Trisavós: Capitão João Rodrigues de Freitas e Rosa da Rocha Lima

Lineagem de Ramos Familiares (Freitas Barros / Seixas / Rocha Motta)

  • Avós: Theophilo Rodrigues de Freitas e Cândida de Freitas Barros ("Dona Candinha")

  • Bisavós: Capitão Marcolino de Freitas Barros e Joaquina Rodrigues de Freitas

  • Trisavós: Manoel Albino de Barros e Anna Rodrigues de Freitas

  • Tetravós: José Rodrigues de Freitas Júnior e Anna Maria do Espírito Santo

  • Pentavós: José Rodrigues de Freitas (Sênior) e Francisca da Rocha Motta

  • Hexavós: Capitão Bazílio Rodrigues Seixas e Thereza da Rocha Motta

  • Heptavós: Coronel João da Rocha Motta e Lourença Gomes de Figueiredo

Custódia e a Era do Caroá: O Pioneirismo Têxtil no Sertão

 


 A Chegada das Iniciativas e os Irmãos Vasconcelos

  • Aquisição da Fazenda São Gonçalo: A expansão industrial do caroá em Pernambuco teve papel central na iniciativa da firma algodoeira José de Vasconcelos & Cia.. Aurélio Vasconcelos, sócio da firma, adquiriu a Fazenda "São Gonçalo", localizada no município de Custódia, originalmente voltada à criação de gado, mas logo passando a focar no aproveitamento do caroá.

  • Estudos Técnicos e Maquinário: Seu irmão, Francisco Vasconcelos, viajou à Europa trazendo amostras das folhas em estado natural para estudos técnicos e em busca de máquinas descorticadoras. A partir daí, realizaram os primeiros ensaios práticos de desfibramento mecânico na própria Fazenda São Gonçalo.

2. Condições Geográficas e Abundância Local

  • Localização Estratégica e Extensão: Custódia destacou-se por estar no trajeto da estrada de rodagem federal de penetração do interior e por contar com uma vasta reserva nativa da bromélia.

  • Área Caroazeira: O estudo aponta que o município de Custódia possuía uma superfície de 2.399 km², dos quais aproximadamente 1.000 km² eram cobertos por campos de caroá.

  • Pesquisas de Água Subterrânea: Para viabilizar as instalações industriais e o suprimento de água, a firma José de Vasconcelos & Cia. chegou a perfurar poços na Fazenda São Gonçalo, enfrentando os desafios das rochas cristalinas da região.

3. Estrutura Industrial e Operação em Custódia

  • Usina Desfibradora Pernambucana Ltd.: Estabeleceu-se no município uma usina desfibradora movida a óleo crú, operando com um motor de 25 H.P. e movimentando dez máquinas descorticadoras.

  • Capacidade de Produção e Turnos: A fábrica operava em regime ininterrupto de 18 horas diárias, divididas em dois turnos com 20 operários cada. Processava cerca de 16 toneladas de folhas de caroá por dia, produzindo aproximadamente 2.770 kg de fibras úmidas (que, após a secagem ao sol, resultavam em cerca de 734 kg de fibra seca).

  • Organização e Disciplina dos Operários: O autor destaca que, em Custódia, os trabalhadores do campo eram bastante disciplinados no manejo e colheita do caroá, realizando o corte adequado das pontas secas das folhas diretamente no campo para garantir a qualidade do material enviado às máquinas.

  • Volume de Máquinas: O levantamento do documento registra que o município de Custódia chegou a contar com 173 máquinas desfibradoras de caroá registradas.

4. Impacto Social e Econômico

  • Geração de Emprego: A chegada da indústria do caroá trouxe uma nova dinâmica econômica para Custódia, empregando dezenas de operários na fábrica, caminhoneiros, carroceiros e dezenas de trabalhadores rurais voltados exclusivamente à colheita e ao transporte das folhas.

  • Fixação do Homem do Campo: A atividade do caroá proporcionou uma fonte regular de trabalho para a população local, atuando como um forte fator para conter a emigração dos sertanejos durante os períodos de estiagem.



    Colheita e transporte do Caroá no sertão pernambucano


    O Caroá no Sertão Pernambucano

    Importância Socioeconômica e Ecologia

    • Fixação do Homem ao Campo: O caroá é apontado como um elemento estabilizador da economia do sertanejo, oferecendo uma alternativa de renda e trabalho contínuo ao longo do ano, atenuando a necessidade do êxodo rural causado pelas secas.

    • Resistência e Habitat: Planta xerófila nativa da Caatinga, o caroá viceja com preferência em áreas secas de tabuleiros e centros de caatinga, preferindo sombra moderada/filtrada de outras vegetações.

    • Preservação e Colheita: A colheita correta (retirada das folhas maduras sem danificar o rizoma) permite a rápida regeneração da planta em intervalos de aproximadamente dois anos, não contribuindo para a sua extinção se respeitados os períodos de descanso e combate às queimadas e ao pastejo excessivo.

    Distribuição Fitogeográfica em Pernambuco

    • O caroá ocorre amplamente em diversos municípios da faixa sertaneja do estado, como Custódia, Moxotó, Rio Branco, Afogados da Ingazeira, Flores, Serra Talhada, Belmonte, Floresta, Buíque, Boa Vista, Leopoldina, Ouricuri, Petrolina, Pesqueira e Serrinha.

    Industrialização e Beneficiamento

    • Histórico e Expansão: A exploração industrial ganhou forte impulso no início do século XX e especialmente durante a Segunda Guerra Mundial, devido à escassez e dificuldade de importação da juta e do linho.

    • Processamento: O beneficiamento das folhas é feito em usinas desfibradoras (com presença marcante em municípios como Custódia, Caruaru e no Alto Sertão), de onde se obtêm fibras limpas para fiação, tecelagem e fabricação de sacaria, cordoarias, barbantes, telas e tecidos (brins).

    • Aplicações e Subprodutos:

      • Têxtil e Cordoaria: Substitutivo eficiente da juta e do linho; possui grande resistência mecânica e boa aceitação em misturas com algodão.

      • Papel e Celulose: Os resíduos do beneficiamento possuem alto teor de celulose de excelente qualidade, apropriado para a fabricação de papéis finos.

      • Linter do Caroá: Potencial para uso na indústria química (como no preparo de nitrocelulose)

        Fonte: O Caroá em Pernambuco e sua ocorrência em outras cidades do nordeste, de Richomer Barros (1941)