24 julho, 2026

HISTÓRIA LOCAL: A trajetória de Elpídio Pires e a memória da saúde em Custódia

 



Relembrar o passado é fundamental para compreender o presente. Em junho de 2015, a cidade viveu um momento marcante de resgate histórico com a inauguração do busto de Elpídio Pires Ferreira, localizado na praça que leva seu nome no Bairro Mandacaru.

A solenidade contou com a presença de autoridades locais — como o então prefeito Luiz Carlos Gaudêncio, o presidente da Câmara Ronivaldo Pinto Barbalho e os vereadores Gilberto de Belchior (autor do projeto) e Chico Eliseu —, além de membros das famílias Pires e Souza.

Quem foi Elpídio Pires?

O "Prático de Farmácia" da cidade: Numa época em que Custódia não tinha hospitais ou médicos residentes, era a farmácia de Seu Elpídio que socorria a população. Com autorização do Conselho Regional de Farmácia de Recife, ele preparava medicamentos manipulados com balança de precisão e pipetas.

Pioneirismo e parceria: Junto ao saudoso "Antônio do Posto", a farmácia de Elpídio era o ponto de apoio onde eram feitas desde esterilizações de seringas em água fervente até pequenas intervenções de emergência.


Detalhe do Busto

Resistência política e legado

Forçado a deixar Custódia em meados da década de 1960 devido a perseguições do contexto político vigente, Elpídio reconstruiu a vida com a família na cidade de Cáceres, no Mato Grosso. Anos mais tarde, seu legado de ética, serviço social e dedicação política voltou a ser celebrado em sua terra natal.


Élcio Pires ao lado do autor do Projeto
Gilberto Nunes

Durante o discurso de inauguração, o filho do homenageado, Élcio Pires, expressou o sentimento da família:

"É uma homenagem tardia, mas justa, em virtude de tudo que papai representou em vida nesta urbe. Plantamos nesta praça o busto de Elpídio Pires Ferreira para que seja lembrado, perenemente, como um custodiense que contribuiu para o progresso contínuo de Custódia."

Outras Publicações sobre Elpidio Pires Ferreira:

BIOGRAFIA
ELPIDIO PIRES POR JOSÉ CARNEIRO

23 julho, 2026

O bom filho à casa torna! Divon Amorim está de volta ao Podcast Nordestino #405!



Dois anos depois de uma das participações mais marcantes na história do Podcast, ele está de volta! 

O Podcast Nordestino #405 teve a honra de receber novamente o custodiense Divon Amorim para um papo imperdível. Durante mais de 3 horas, o apresentador e idealizador do canal Arthur Vilar colocou a conversa em dia, relembrando grandes momentos e, claro, trouxe muitas novidades que aconteceram ao longo desse tempo!

A primeira entrevista já foi épica, e nova já é destaque novamente!

Corre para conferir, porque o episódio no podcast mais nordestino do mundo está no ar! 

 

Custódia na Poesia de João Cabral de Melo Neto: O Cemitério Pernambucano

 


Texto:

A título de colaboração, trazemos um pequeno comentário a respeito do livro Quaderna, de autoria do nosso poeta maior, João Cabral de Melo Neto, onde ele nomeia a nossa querida Custódia em um de seus poemas.

"O livro Quaderna foi publicado primeiramente em Portugal, no ano de 1960. Sua escrita iniciou-se em 1956, quando João Cabral, trabalhando como cônsul, foi removido para Barcelona e autorizado a residir em Sevilha, a fim de fazer pesquisas no Arquivo das Índias. No Brasil, foi publicado em 1962, juntamente com 'Dois Parlamentos' e 'Serial', em um volume chamado Terceira Feira."

Após tematizar a morte na célebre obra "Morte e Vida Severina", João Cabral a presentifica em Quaderna com poemas dedicados a cemitérios. São quatro aparições localizadas geograficamente no título ou abaixo dele:

  • "Cemitério Paraibano" (Entre Flores e Princesas)

  • "Cemitério Pernambucano" (Custódia)

  • "Cemitério Pernambucano" (Floresta do Navio)

  • "Cemitério Alagoano" (Trapiche da Barra)

Tal localização demarca o espaço regional e, acima de tudo, as descrições feitas permitem identificar as particularidades de cada local. Desse modo, percebe-se que a identificação geográfica precisa não impede o poeta de revelar, até mesmo no tratamento da morte, a diferença socioeconômica entre as regiões.

Em "Cemitério Paraibano" (Entre Flores e Princesas), João Cabral considera o cemitério uma casa, transformando-o em um espaço necessário e coletivo:

Uma casa é o cemitério dos mortos deste lugar. A casa só, sem puxada, e casa de um só andar.

E da casa só o recinto entre a taipa lateral. Nunca se usou o jardim; Muito menos, o quintal.

E casa pequena: própria menos a hotel que a pensão; pois os inquilinos cabem no cemitério saguão,

os poucos que, por aqui recusaram o privilégio de cemitérios cidades em cidades cemitérios.

Mesmo delimitando a região geograficamente, em "Cemitério Pernambucano" (Custódia), a descrição do espaço aproxima-se da realidade do poema anterior. Percebe-se uma atmosfera semelhante, revelando a dificuldade financeira que assola seus habitantes e os acompanha até na morte:

É mais prático enterrar-se em covas feitas no chão: ao sol daqui, mais que covas são fornos de cremação.

Ao sol daqui, as covas logo se transformam nas caieiras onde enterrar certas coisas para, queimando-as, fazê-las:

assim, o tijolo ainda cru, as pedras que dão a cal ou a capoeira raquítica que dá o carvão vegetal.

Só que nas covas caieiras nenhuma coisa é apurada: tudo se perde na terra, em forma de alma, ou de nada.

Além de apontar uma situação social, o poema mostra uma região precisa: o Sertão pernambucano, castigado pela ação da natureza, salientando a presença do sol escaldante como elemento de identificação do espaço. O sol do sertão é severo, duro e cumpre a sina de "cremar" os corpos lançados ao chão.

Verifica-se também a junção de dois elementos: a terra e o fogo (sol). O primeiro esconde, e o segundo dá fim ao corpo sertanejo. Nem por isso, contudo, consegue livrar-se do que o move: sua alma. A terra parece herdar a essência do interior do corpo extinto, abrindo uma reflexão filosófica e uma dúvida sobre a própria existência nos versos finais.

(Sugestão enviada por Marcelo Genário Burgos Pereira)

21 julho, 2026

Baú do Blog: Desabafo Apressado e Meio 'Sem Tempo'



Por: Daniel Feitosa 



Nota do Editor: Resgatamos hoje dos nossos arquivos esta belíssima e necessária reflexão escrita por Daniel Feitosa. Em um mundo que parece girar cada vez mais rápido, reler estas palavras é um convite obrigatório para desacelerar e recuperar a nossa essência.

É que nessa correria de poucas horas, a gente esquece o quanto de vida há pra ser vivida. Os pequenos gestos, tão simples e tão grandiosos, olvidam-se num ostracismo ingrato. Pouco se percebe e pouco se aproveita da riqueza do cotidiano. É uma pena.

Os relógios correm, frenéticos em seu ofício regulador; já não há quase tempo para olhar para o céu; e os dias vão se repetindo num calendário tedioso, nos deixando empoeirados, cansados e carcomidos pelo que se habitou a chamar de “estresse”. Há tantas pessoas, tantas coisas, tanto ar a nossa volta; e acabamos por deixar a parte mais bonita de cada um abandonada em meio às poluições sonoras, visuais e industriais deste mundo.

"O que me angustia, apressadamente, é essa sistematização que toma conta das pessoas, numa padronização medíocre, em que tudo se repete num ciclo hipócrita."

Parece que cada vez mais se esquece do quanto vale um sorriso, um abraço ou um mero aperto de mãos. Cada vez menos eu vejo as pessoas serem solidárias, agirem com humildade ou se esforçarem para ao menos esboçar um mínimo de boa educação, de respeito, de consideração. É desgastante conviver com tamanha brutalidade do animal social que nos tornamos; é ensurdecedor o grito insensato da falta de tato das pessoas para com os sentimentos; é triste constatar que cada vez mais tudo se banaliza.

Quase sempre esquecemos o que nós mesmos podemos representar, mas só pra rapidamente exemplificar: nós somos a alegria de quem nos quer bem, somos as rimas dos versos de quem nos ama, somos o bem mais precioso de nós mesmos.

E podemos ser sempre mais, basta querermos: corramos, então, para recuperar a essência perdida, ainda há tempo pra se andar devagar.

Fico por aqui, e volto aos meus prazos.

Abraços saudosos àqueles que sumiram no ’sem-tempo’.

Resgate Cultural: O Lançamento de "Sertão Versos & Poesia" (2011)


Maestro Galdino e o poeta Pedro Alves


Na noite de 9 de dezembro de 2011, o auditório da Secretaria Municipal de Educação foi palco de um marco para a nossa literatura. O poeta e escritor custodiense Sr. Pedro Henrique Alves realizou o grande sonho de sua vida: o lançamento de sua primeira obra literária, o livro "Sertão Versos & Poesia".

Conhecido carinhosamente por todos como Seu Pedro, ele transformou em páginas definitivas os versos e poesias que, antigamente, guardava com tanto zelo em pedacinhos de papel. Na obra, o autor aborda com sensibilidade temas do passado e do cotidiano, traduzindo a alma e a verdadeira essência do povo sertanejo.

Uma Noite de Riqueza Cultural

A cerimônia, marcada pela mesma simplicidade que define a personalidade de Seu Pedro, contou com uma concorrida noite de autógrafos. O evento transformou-se em uma celebração da identidade local, fortalecida pelo apoio da comunidade e por belíssimas apresentações de artistas e grupos culturais de Custódia, tais como:

  • Grupo de Danças Luar do Sertão

  • Sanfoneiro Eduardo

  • Cantor Romântico Amadeilson Neres

  • Grupo de Dança de Rua The Break Boys

  • Violeiros José Bartolomeu e Evaldo Severino (vindos de Sumé-PB)


Grandes Nomes e Apoio à Arte da Terra

O evento reuniu diversas personalidades da nossa sociedade. Entre os convidados, o popular Chico Paraíba recitou versos e compartilhou seu desejo de também lançar um livro futuramente. A noite ainda contou com uma entrevista emocionante conduzida pelo Dr. Cícero Bento com o homenageado, além das palavras marcantes de Dona Zita Queiroz.

Prestigiaram o momento grandes nomes do nosso cenário artístico, como o ator Humberto Guerra, o artista plástico e radialista Fernando Alves, o músico e cantor Rubinho, e o maestro Galdino da BAMUC. Na ocasião, Galdino — na qualidade de presidente da Associação Comunitária Cultural de Custódia (ACCC) — colocou a entidade à disposição dos talentos locais. Ele também destacou a importância do apoio do comércio e dos empresários da região, deixando um agradecimento especial ao Sr. Ivan, peça-chave para que esse empreendimento cultural ganhasse vida.

"Custódia, Terra Querida, prova mais uma vez que é berço de gente de valor e de grandes talentos — basta apenas que se abram as portas da oportunidade."

Nossos eternos parabéns ao Sr. Pedro por registrar sua sensibilidade na história e fazer parte da construção da nossa identidade cultural!

Texto original de: Galdino da Banda (Publicado originalmente em dezembro de 2011)

20 julho, 2026

Das Raízes ao Pincel: A homenagem de Lourdes de Deus a Custódia



Em comemoração aos 83 anos de Emancipação Política de Custódia em 2011, a artista plástica Lourdes de Deus prestou uma homenagem à sua terra natal. A celebração ganhou forma em uma nova tela que exalta a história e as raízes do município.



Quem é Lourdes de Deus?

Nascida em Custódia, PE, em 1959, Lourdes mudou-se para Osasco quando tinha apenas dois anos de idade. Casou-se com o pintor naïf Waldomiro de Deus, em 1976, e convivendo com o dia-a-dia do artista, passou a tomar gosto pela arte, começando a pintar em 1992. Daí em diante, seu trabalho foi se aperfeiçoando.

Autodidata, percorreu o Brasil com seu marido e incentivador Waldomiro de Deus, um dos mais consagrados artistas populares brasileiros. Lourdes pinta com romantismo e com muitas cores o cotidiano e as manifestações folclóricas nacionais, como a festa de São João, a folia de Reis e o bumba-meu-boi. Algumas telas da artista estão expostas no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, no Museu Internacional de Arte Naïf de Quebec (Canadá) e em diversas residências no Brasil e na Europa, cujas obras foram adquiridas por turistas.

19 julho, 2026

Fabricante de ketchup líder no NE, Tambaú investe R$ 130 mi em expansão


Hugo Gonçalves, diretor-presidente da Tambaú alimentos,
aposta na ampliação e modernização da fábrica para incrementar a produção 
 Foto: Acervo Tambaú


por Mariana Araújo
Movimento Econômico

A fabricante pernambucana Tambaú Alimentos prepara um novo ciclo de crescimento com investimentos estimados em R$ 130 milhões destinados à ampliação da capacidade produtiva, modernização industrial e expansão logística. O aporte, dividido entre este ano e 2027, permitirá à empresa elevar a produção em 25%.

Fundada em 1962, em Custódia, no Sertão do Moxotó, a Tambaú vive uma trajetória de crescimento contínuo desde a pandemia. Segundo o diretor-presidente da empresa, Hugo Gonçalves, a indústria conseguiu manter índices expressivos de expansão mesmo após o período mais crítico da crise sanitária.

Desde a pandemia, a gente vem crescendo, em média, entre 12% e 15% ao ano. No ano da pandemia, crescemos 35%, mas o grande desafio foi manter esse desempenho nos anos seguintes”, afirmou o executivo.

Atualmente, a empresa produz cerca de 6 mil toneladas de alimentos por mês, distribuídas principalmente para os mercados do Norte e Nordeste. Um terço desse volume corresponde ao ketchup, categoria na qual a marca lidera as vendas regionais há uma década.

Parte dos insumos vem de fora de Pernambuco. Enquanto frutas como goiaba, banana e caju são adquiridas principalmente no Nordeste, boa parte do tomate utilizado na produção de ketchup vem de outros estados e até do exterior.

Hoje, além de Goiás e Minas Gerais, a Tambaú importa polpa de tomate de países como Peru, Chile e China, movimento que acompanha uma tendência observada em outras indústrias do setor alimentício.

Tambaú amplia estrutura industrial em Custódia

Para acompanhar o crescimento da demanda, a companhia iniciou uma série de obras no parque fabril de Custódia. Entre os projetos em andamento está a construção de um galpão de 2,6 mil metros quadrados destinado à expansão da produção de embalagens plásticas.

A unidade receberá uma nova máquina automática de sopro com capacidade para produzir até 6 mil embalagens por hora, além de contar com duas máquinas semiautomáticas. O investimento permitirá à Tambaú reduzir a dependência de fornecedores externos.

Hoje eu não consigo produzir todas as embalagens de que preciso e preciso comprar uma parte fora. Com essa nova máquina, teremos autonomia para atender toda a demanda interna”, explicou Hugo Gonçalves.

Paralelamente, a empresa está construindo um prédio administrativo de 400 metros quadrados para abrigar áreas como diretoria industrial, gerência de produção, almoxarifado e controle de qualidade. A mudança liberará espaço dentro da fábrica para novas linhas produtivas.

Investimentos chegam a R$ 130 milhões

Do total previsto, cerca de R$ 50 milhões serão investidos até o fim deste ano. Para 2027, a expectativa é aplicar mais R$ 80 milhões em automação industrial e na construção de um novo centro logístico.

A expansão do armazenamento tornou-se necessária porque o galpão atual já opera próximo do limite de capacidade. Além disso, a companhia pretende automatizar diversas etapas da produção para aumentar a eficiência e reduzir custos operacionais.

“A automação é uma condição indispensável para manter a competitividade. Hoje existe uma dificuldade muito grande para contratar mão de obra, e a tecnologia vem justamente preencher essa lacuna”, afirmou o diretor-presidente.

Os investimentos serão financiados por uma combinação de recursos próprios e linhas de crédito. Aproximadamente 30% do aporte deverá sair do caixa da companhia, enquanto o restante será obtido junto a instituições financeiras como o Banco do Nordeste e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Reforço na logística para mercado regional

Além da expansão industrial, a empresa vem reforçando sua estrutura logística para acelerar a distribuição de produtos nos estados nordestinos e nortistas. “A gente tem investido em transporte e ampliação de frota para garantir entregas mais rápidas. O Nordeste é uma região muito extensa e exige um esforço logístico importante”, afirmou o executivo.

Atualmente, a companhia emprega cerca de 830 trabalhadores e fabrica mais de 120 produtos. Embora continue focada nos mercados do Norte e Nordeste, a Tambaú busca novas formas de alcançar consumidores de outras regiões.

Uma das apostas é o comércio eletrônico. A empresa iniciou, em junho, a venda de itens premium e de nicho em plataformas digitais, como ketchup com goiaba, mostarda com mel e doces especiais.

Segundo Hugo Gonçalves, a estratégia surgiu da necessidade de ampliar o alcance de produtos que nem sempre encontram espaço nas prateleiras dos supermercados. “O único caminho para acessar o Brasil inteiro era o e-commerce. Queremos chegar à casa dos consumidores por meio dessas plataformas”, afirmou.

Embora a operação digital ainda esteja em fase inicial, a expectativa é que o canal represente, no futuro, até 15% das vendas da companhia.

Matéria publicada originalmente em Movimento Econômico (Clique Aqui)


18 julho, 2026

Memória e Legado | Vanete Almeida: a voz sertaneja que transformou a luta das mulheres rurais




Há histórias que continuam inspirando mesmo muitos anos depois. Uma delas é a de Vanete Almeida, filha de Custódia (PE), educadora popular, feminista e uma das maiores defensoras dos direitos das mulheres rurais no Brasil e na América Latina.

Antes de partir, Vanete deixou como última mensagem o livro "Lutando e Lutando", escrito durante o enfrentamento de um câncer. A obra reúne reflexões sobre saúde, vida, limites, coragem e perseverança, especialmente voltadas às mulheres do campo, transformando sua experiência pessoal em um legado de esperança.

Reconhecida internacionalmente, Vanete foi fundadora da Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe (Rede LAC), participou da criação do Cecor, assessorou a Fetape e integrou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Sua trajetória também lhe rendeu importantes homenagens, como o Prêmio Cláudia (2002), a indicação ao projeto das Mil Mulheres para o Nobel da Paz (2005) e o Prêmio TRIP Transformadores (2009).

Natural de Custódia e moradora da comunidade de Jatiúca, em Santa Cruz da Baixa Verde, Vanete dedicou sua vida à organização política das agricultoras, tornando-se referência para gerações de mulheres sertanejas.

Relembrar o lançamento de "Lutando e Lutando" é manter viva a memória de uma mulher que transformou sua própria luta em inspiração para milhares de pessoas. Seu exemplo continua atual, mostrando que conhecimento, solidariedade e coragem também são sementes capazes de mudar o mundo.

Maria Vanete de Almeida, faleceu em 09 de Setembro de 2012, aos 69 anos, vítima de um câncer.

Preservar a história de Vanete Almeida é preservar a memória das mulheres que ajudaram a transformar o Sertão e o Brasil.

17 julho, 2026

Artista custodienses Edmar Sales conquista Medalha de Bronze em um dos mais tradicionais salões de arte de São Paulo



O artista plástico Edmar Sales acaba de alcançar mais um importante reconhecimento para sua trajetória artística. Sua obra "Sé Paulistana" foi premiada com a Medalha de Bronze no Salão da Miniatura 2026, promovido pela Associação Paulista de Belas Artes (APBA), uma das mais tradicionais e respeitadas instituições dedicadas às artes visuais no Brasil.

A pintura, executada em óleo sobre tela, mede 16 x 22 centímetros e retrata a região da Catedral da Sé, em São Paulo, valorizando a arquitetura histórica, a luz do entardecer e o reflexo da chuva sobre as ruas. A composição traduz, em uma pequena dimensão, a atmosfera e a identidade de um dos cenários mais emblemáticos da capital paulista.

O prêmio reforça o talento e a dedicação de Edmar Sales, consolidando seu nome entre os artistas contemporâneos que se destacam pela sensibilidade e qualidade técnica de suas obras. O reconhecimento obtido em um salão de grande prestígio nacional representa não apenas uma conquista pessoal, mas também um motivo de orgulho para Pernambuco e para sua terra natal, Custódia.

Ao celebrar a premiação, o artista agradeceu à APBA, aos jurados, organizadores, colegas de profissão, colecionadores, amigos e a todos que acompanham sua trajetória, destacando que a honraria renova seu compromisso com a arte e o incentiva a continuar transformando paisagens e memórias em pinturas carregadas de emoção.

Ficha da obra:

  • 🎨 Obra: Sé Paulistana
  • 🖼️ Técnica: Óleo sobre tela
  • 📏 Dimensões: 16 × 22 cm
  • 🥉 Premiação: Medalha de Bronze – Salão da Miniatura 2026
  • 📍 Local: Associação Paulista de Belas Artes (APBA) – São Paulo.

[Vozes do Mangue] O Último Suspiro do Guerrilheiro do Moxotó.



O Último Suspiro do Guerrilheiro do Moxotó.

– A Imortalidade de Jovenildo Pinheiro -

A notícia do falecimento do professor, historiador e escritor Jovenildo Pinheiro de Sousa golpeia o peito com a força de um vento forte que varre a caatinga. O Sertão perde um de seus intérpretes mais profundos, e a cultura pernambucana despede-se de uma mente brilhante. Ele guardava em si a essência do território que o gerou.

Nascido em Custódia, Jovenildo trazia na alma a altivez de sua terra natal e, acima de tudo, definia a si mesmo com a bravura lírica de quem não aceitava amarras: era o legítimo “Guerrilheiro da Revolução do Sertão do Moxotó”. Sua partida física deixa um vazio imenso, mas sua contribuição para a História Social do Nordeste permanece inabalável.

Jovenildo revolucionou os estudos sobre o banditismo em sua obra-prima, Sertão Sangrento: Luta e Resistência. Para ele, o cangaço jamais poderia ser resumido à dicotomia rasa de heróis ou vilões. Jovenildo enxergava o fenômeno com o rigor metodológico de quem sabia que as raízes da violência sertaneja estavam plantadas nas sesmarias da colonização, no genocídio dos povos indígenas e no abandono estrutural do Estado. Ele via as táticas de Lampião não como mera barbárie, mas como uma refinada e pragmática inteligência de guerrilha militar, nascida da própria geografia do semiárido.

Tive a imensa felicidade e a honra de conhecê-lo pessoalmente. Conversamos por mais de uma vez sobre as páginas densas do seu livro e, de forma tocante, sobre as dores de sua própria história. Ouvir Jovenildo relatar os anos de exílio em Cuba era caminhar por um labirinto de desencantos políticos. Jovem idealista perseguido pela ditadura militar brasileira na década de 1960, ele buscou abrigo na ilha caribenha. No entanto, sua mente livre e crítica recusou-se a silenciar diante da opressão, tornando-se também um dissidente do modelo autoritário de Fidel Castro. Ele me confidenciou os horrores sofridos naquele regime, uma dupla cicatriz que carregava com a dignidade dos que nunca negociaram suas convicções libertárias. Este capítulo da história de Jovenildo está na Exposição ” Memórias da resistência – 5 0 anos do Golpe militar em Sertânia”; , organizada por mim , em 2014 , da qual ele é uma das personalidades enfocadas.

A vivência de Jovenildo em Sertânia era o reflexo desse espírito agregador e profundamente sensível. O município testemunhou sua convivência fraterna com uma constelação de mentes brilhantes, gigantes da palavra e da poesia, como José Carneiro, Ésio Rafael, Marcos Cordeiro e os queridos irmãos Belo — Joaquim, Antônio, Inêz e Maninho —, alguns dos quais compartilhavam com ele o orgulho do berço custodiense. Ver esse grupo reunido, ou debater com eles, era testemunhar a própria efervescência intelectual do Moxotó- Ipanema em sua máxima potência.Mas a grandeza de Jovenildo Pinheiro não se limitava aos livros ou aos debates acadêmicos; ela transbordava em gestos concretos de amor ao próximo. Tive o privilégio de caminhar ao seu lado nas trincheiras da solidariedade.Participamos juntos do Projeto Natal Solidário e das incansáveis ações humanitárias do Lar Fraterno Vovó Cavendish, instituição admirável liderada por seu primo, o também poeta André Pinheiro, à frente da Casa dos Espíritas de Sertânia. Ali, longe dos holofotes da academia, o historiador transformava sua teoria de justiça social em prato de sopa, em acolhimento e em afeto para os mais vulneráveis.

Jovenildo Pinheiro parte no dia de hoje, mas o seu legado não aceita o esquecimento. Ele seguiu os passos dos bravos de que tanto escreveu: resistiu, lutou, sofreu o exílio e floresceu na generosidade. O Guerrilheiro do Moxotó descansou das batalhas terrenas, mas sua voz continuará ecoando em cada página de sua obra e em cada ação de amor que deixou plantada no solo sagrado do Sertão. Descanse em paz, mestre, amigo e eterno combatente.



* Josessandro Andrade é Artista da Palavra e Educador
Publicado Originalmente em Vozes do Mangue (Clique Aqui)


15 julho, 2026

O Sertão em Versos: O Cangaço e a Geografia Poética de Nertan Macêdo



O resgate de registros históricos nos permite viajar no tempo e compreender a complexa teia social do Nordeste de meados do século XX. O verso a seguir, coletado pelo escritor e jornalista cearense Nertan Macêdo e publicado no Rio de Janeiro em 1950, reconstrói o imaginário do cangaço, misturando o nomadismo, as alianças com coronéis e a forte ligação com territórios que hoje guardam essas memórias.

O Registro Histórico (1950)


"Tenho casa, tenho fome,
bolandeira no Salgueiro,
na serra da Cana Brava
 coronel é coiteiro,
 na serra do Logradouro
o compadre é fazendeiro,
nas furnas da Serra Negra
viro bicho maloqueiro,
no Limão, no Canindé
tenho cavalo estradeiro,
 suspiro pelo descanso
no viver de cangaceiro,
quero moça de janela
em Custódia e Tabuleiro.
"


A Geografia do Verso

A poesia popular coletada por Macêdo funciona como um mapa do Sertão de Pernambuco e Ceará, citando locais emblemáticos para a dinâmica do cangaço:

  • Salgueiro, Custódia e Serra Negra: Cidades e acidentes geográficos pernambucanos conhecidos pelas rotas e esconderijos de bandos.

  • O "Coiteiro" e o "Fazendeiro": O verso escancara a rede de apoio que os cangaceiros possuíam entre os poderosos locais (coronéis), essencial para a sobrevivência no bioma da Caatinga.

Quem foi Nertan Macêdo?

Natural de Crato, Ceará (nascido em 20 de maio de 1929), Nertan Macêdo foi uma voz fundamental para a literatura e o jornalismo regionalista. Vindo de uma família de intelectuais — irmão de Denizard Macêdo, renomado jornalista com passagens pelo Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e O Jornal —, Nertan dedicou sua vida a registrar a cultura e a história do povo sertanejo. Sua relevância intelectual o levou a ocupar a cadeira número 17 do prestigiado Instituto Cultural do Cariri (ICC).

Matérias enviada por
José Soares de Melo

14 julho, 2026

Memória de Custódia: Missa de Vaqueiro (2001)

 



Quando eu era criança, poucas coisas me faziam tão feliz em Custódia quanto a Missa do Vaqueiro. Filho de vaqueiro que sou, cresci entre a cidade e a roça. Ser filho de Manoel Paulino podia não significar muito para os mais antenados nas coisas da capital, no entanto, no meio dos vaqueiros, sempre logrei de certo prestígio. Grande vaqueiro que foi, meu pai aos poucos foi deixando de lado o gosto pelas festividades. Na verdade, ele nunca fora chegado à missa do vaqueiro. O bom nisso é que sempre sobrava um cavalo para algum amigo meu.




Coruja como era, minha mãe tratou de encomendar a gravação de minha primeira missa. Eu já havia participado de uma outra, mas era tão pequeno e inseguro que fui de garupa. Essa foi, de fato, a primeira missa em que montei sozinho. Março de 2001. Michel comigo. Lembro que os dois estávamos com medo do cavalo desgarrar porque o cavalo branco, que chamava “Novidade”, minha fama de assombrado, era imprevisível, se espantava com qualquer coisa.



A segunda missa que participei depois dessa foi em 2003. Entre uma e outra, foram dois anos de muita cela. Nesse período eu praticamente troquei a vida que eu tinha na cidade por aquela que julguei mais próxima de mim. Achei que jamais seria um bom vaqueiro, e faria jus ao nome de meu pai, se não realizasse essa mudança radicalmente. Mudei meus costumes, o jeito de falar, de vestir. A vida do vaqueiro me pegou de tal forma que cheguei a pedir à minha mãe para morar no sítio de vez e estudar na cidade à noite, como faziam os outros.

Nessa fase, meu primo Thiago (de Val) teve grande importância. Mais novo que eu, porém mais maduro nas rédeas, me levou pra campear com ele na Lagoa do Mulungu, onde pastava o rebanho de ovelhas de Val e dos Bernardos. Thiago foi desde então, para mim, uma referência. Dali em diante, pouco tempo depois, ganhei de Tadeu Barros o primeiro terno de couro. Alegria só! O menino que havia chegado ao sítio como um matuto às avessas, sem saber sequer amarrar um burro na cerca, estava finalmente pronto para ser batizado, e se dizer vaqueiro.

Foi assim que, mais seguro e dessa vez montando meu próprio cavalo, adquiri certo respeito e encarei a segunda missa levando comigo meu irmão Ricardo. Irmão, sim, sem nenhum exagero. Ricardo e eu formamos uma grande parceria nessa época. A família dele tinha terreno próximo ao meu e mesmo na cidade era difícil me ver em algum lugar em que ele não estivesse. É por isso que ele faz parte de todas as outras histórias que eu teria pra contar a partir daqui.



Que vaqueiro sou eu?


Maxsuel Siqueira, custodiense radicado no Rio de Janeiro, atualmente cursando Administração Pública na UFRRJ

História e Memória: Você sabe quem dá nome à Academia das Cidades de Custódia?

 


Muita gente frequenta a Academia das Cidades da Vila da Cohab, em Custódia, mas poucos sabem a origem do nome desse importante espaço público.

O equipamento foi inaugurado em 10 de março e recebeu o nome de Maximiano Accioly Campos, escritor, jornalista e poeta pernambucano, pai do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Maximiano Accioly Campos Eduardo Campos

A solenidade de inauguração reuniu diversas autoridades da época, entre elas o então prefeito Nemias Gonçalves de Lima, o deputado Aglailson Júnior, o então secretário estadual das Cidades Danilo Cabral, além de vereadores, secretários municipais e lideranças políticas.

Mais do que um espaço para a prática de atividades físicas, a Academia das Cidades também preserva uma homenagem a uma personalidade importante da cultura pernambucana.

Resgatar fatos como esse é valorizar a memória de Custódia e manter viva a história dos lugares que fazem parte do nosso cotidiano.

Quem foi?



Maximiano Accioly Campos nasceu no Recife, em 19 de novembro de 1941, e começou a escrever muito cedo, no Colégio São João.

Foi um dos expoentes da Geração 65. Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco, foi cronista do Diario de Pernambuco e superintendente do Instituto de Documentação da Fundaj e secretário de Turismo, Cultura e Esportes do Governo de Pernambuco, durante a segunda gestão do governador Miguel Arraes.

Do seu casamento com Ana Arraes, teve dois filhos: o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (1965-2014) e o advogado e escritor Antônio Campos.

13 julho, 2026

MEMÓRIA | Um encontro inesquecível com Ariano Suassuna


Há alguns anos, tive a honra de conversar com Ariano Suassuna após sua Aula-Espetáculo.

Ao lado de Humberto Guerra, estivemos no Hotel Macambira para uma breve conversa sobre cultura, arte e a importância da preservação da nossa história.

Na ocasião, apresentei o trabalho desenvolvido pelo Blog Custódia Terra Querida, que desde 2007 registra fatos, personagens e acontecimentos marcantes da história de Custódia.

Generosamente, Ariano Suassuna aceitou gravar um depoimento exclusivo.

Em suas palavras, destacou a importância de preservar a memória do nosso povo e incentivou a juventude a valorizar a boa arte e a cultura brasileira.

Mais de uma década depois, esse registro continua atual e inspirador. Relembrar momentos como esse é reafirmar o compromisso de manter viva a história de Custódia para as atuais e futuras gerações.


  

Registro histórico publicado por Paulo Peterson – Blog Custódia Terra Querida.

🎥 Assista ao vídeo e confira esse importante depoimento histórico de
Ariano Suassuna.


Em síntese, Ariano Suassuna quis transmitir uma mensagem de valorização da memória, da identidade cultural e da responsabilidade das novas gerações.

O sentido principal do discurso é:

Preservar a história de uma cidade é preservar a identidade de seu povo. Ao registrar a história de Custódia, vocês estavam garantindo que os jovens conhecessem suas origens e não perdessem o vínculo com suas raízes.

Além disso, ele destacou que:

  • A juventude responde positivamente quando tem acesso à cultura de qualidade, contrariando a ideia de que os jovens não se interessam por manifestações culturais.

  • A cultura é um patrimônio essencial, não um entretenimento sem importância. Para Suassuna, ela é "a sede da alma e da honra de uma nação", pois define quem somos como povo.

  • Quem perde o contato com sua cultura perde parte de sua identidade, tornando-se mais vulnerável ao esquecimento de suas origens.

  • O trabalho de preservação histórica e cultural começa na base, nas cidades, escolas, grupos culturais e pessoas comprometidas com a comunidade.

  • É preciso confiar na juventude e no povo, porque, quando recebem oportunidades e referências culturais sólidas, eles correspondem.

Em uma única frase, o pensamento de Ariano Suassuna pode ser resumido assim:

"Preservar a história e a cultura de um povo é garantir que as futuras gerações conheçam suas raízes, fortaleçam sua identidade e construam um futuro sem esquecer quem são."

Esse discurso continua muito atual, especialmente para iniciativas de resgate da memória de Custódia, pois reforça que registrar o passado não é apenas recordar fatos antigos, mas construir identidade, cidadania e pertencimento para as próximas gerações.


Memória de Custódia | Há 28 anos, um feito que colocou nossa cidade no mapa internacional




Em janeiro de 1998, Custódia viveu um dos momentos mais marcantes de sua história econômica.

A Tambaú Indústria Alimentícia realizou a sua primeira exportação internacional, enviando 22 toneladas de goiabada cascão produzidas em Custódia pelo Porto de Suape, com destino a Porto Rico e posterior distribuição nos Estados Unidos.

Na época, a empresa já era considerada uma das maiores indústrias do interior nordestino, gerando cerca de 300 empregos diretos, produzindo aproximadamente 600 toneladas de doces por mês e incentivando centenas de pequenos produtores rurais da região.

A reportagem destacava o espírito empreendedor de Gerson Gonçalves de Lima, fundador da Tambaú, que transformou uma pequena fábrica familiar em uma referência nacional no setor alimentício.

Um trecho da reportagem resume bem aquele momento histórico:

"Os americanos vão ficar caídos com o sabor da nossa goiabada", afirmou Gerson Gonçalves de Lima ao celebrar a primeira exportação do doce produzido em Custódia.

Esse episódio marcou a história do município e demonstrou que o Sertão pernambucano também era capaz de produzir alimentos de qualidade para conquistar o mercado internacional.

📖 Fonte: Reportagem publicada em janeiro de 1998.

Você conhecia essa história? Compartilhe para que mais pessoas descubram esse importante capítulo da história de Custódia.

10 julho, 2026

Time Juvenil do Sport de Pedro Aleixo (Julho/1970)


Time juvenil Sport de Pedro Aleixo.

Foto publicada no Facebook por Jorge Remígio, em julho de 2016.

Em  pé: Osório, Chico Elizeu Leite, por trás, Gilvan Bernardo, José Esdras, Elione, por trás, Pompeu, Celso de Moacir, Beto de Zé Nego, por trás, Nereu Aleixo, Zequinha, por trás, Zé Marcos, Pedro Aleixo e Otacílio Pires Freitas Góis.

Agachados: João Batista, Binha de Pedim da banca, Jorge Remígio, Luciano Góis Veríssimo e Savinho de seu Domingos. Julho de 1970


 

Chafariz Público Municipal de Custódia

foto: Leônia Simões



RELATO DE JORGE REMÍGIO

Este é o chafariz público, também conhecido por banheiro, foi construído provavelmente no início da década de trinta. 

Em conversa com o Sr. Djalma Moisés (88 anos), nascido em Agosto de 1932, me falou que era criança quando transportou água do chafariz para sua residência. 

Era localizado na Várzea, como se denominava a localidade, devido ser um baixio, vazante, próximo do leito do riacho periódico Custódia que corta parte da cidade, portanto, com água em seu subsolo.

O meu avô paterno Antônio Remígio da Silva (1875-1938), que era proprietário de um sítio que ficava por trás do prédio onde foi construído o chafariz, forneceu um cacimbão de onde a água seria bombeada até o chafariz, e de lá, abasteceria as latas d'água em torneiras. 

Foto: Jorge Remígio


O prédio ficava em frente ao curtume e vizinho ao sítio do Sr. José Mariano de Sá, conhecido por Zé Major, posteriormente vendido ainda nos anos cinquenta ao Sr. João Miro da Silva. 

Nos anos quarenta, o Senhor conhecido por Duda, era o responsável. Espécie de gerente. 

A água é de extrema necessidade e fundamental para a fixação humana em qualquer local do planeta. 

Portanto, o chafariz público de Custódia, foi de relevante valor histórico, fornecendo água para comunidade por mais de cinquenta anos. 

Fechando as suas torneiras só no ano de 1971, na administração Sílvio Carneiro, quando finalmente a água foi encanada até as residências da cidade.


DEPOIMENTO GENESIA MARIANO DE RESENDE

Genesia Mariano de Resende

Antes desse chafariz, existia a Cacimba no Sítio Tamboril do avô Serapião Resende, onde depois de vendido, passou a ser Sítio Mata Verde (na bomba).  

Cacimba essa que abastecia de água as casas do povoado de Custódia  e também tinha os primeiros banheiros públicos na cor creme, 3 de um lado e 3 do outro com uma porta no final de acesso para o sítio.

Cobravam 2 tões por pessoa. Não exista ainda a ponte, nem estrada e nem as casas na bomba, era um caminho apenas para chegar no sítio, as casas eram nas imediações da igrejinha, não tinha ainda em Custódia ruas bem definidas.

A Rua Tenente Moura, por exemplo, tinha apenas as casinhas de taipa dos Simãos. As ruas  mais antigas eram formadas por poucas casas, com 3 a 5 ou pouco mais casas espalhadas. 

Informações prestadas por Genesia Mariano de Resende, não soube informar quando foram construídos o chafariz e os banheiros da Várzea.