15 julho, 2026

O Sertão em Versos: O Cangaço e a Geografia Poética de Nertan Macêdo



O resgate de registros históricos nos permite viajar no tempo e compreender a complexa teia social do Nordeste de meados do século XX. O verso a seguir, coletado pelo escritor e jornalista cearense Nertan Macêdo e publicado no Rio de Janeiro em 1950, reconstrói o imaginário do cangaço, misturando o nomadismo, as alianças com coronéis e a forte ligação com territórios que hoje guardam essas memórias.

O Registro Histórico (1950)


"Tenho casa, tenho fome,
bolandeira no Salgueiro,
na serra da Cana Brava
 coronel é coiteiro,
 na serra do Logradouro
o compadre é fazendeiro,
nas furnas da Serra Negra
viro bicho maloqueiro,
no Limão, no Canindé
tenho cavalo estradeiro,
 suspiro pelo descanso
no viver de cangaceiro,
quero moça de janela
em Custódia e Tabuleiro.
"


A Geografia do Verso

A poesia popular coletada por Macêdo funciona como um mapa do Sertão de Pernambuco e Ceará, citando locais emblemáticos para a dinâmica do cangaço:

  • Salgueiro, Custódia e Serra Negra: Cidades e acidentes geográficos pernambucanos conhecidos pelas rotas e esconderijos de bandos.

  • O "Coiteiro" e o "Fazendeiro": O verso escancara a rede de apoio que os cangaceiros possuíam entre os poderosos locais (coronéis), essencial para a sobrevivência no bioma da Caatinga.

Quem foi Nertan Macêdo?

Natural de Crato, Ceará (nascido em 20 de maio de 1929), Nertan Macêdo foi uma voz fundamental para a literatura e o jornalismo regionalista. Vindo de uma família de intelectuais — irmão de Denizard Macêdo, renomado jornalista com passagens pelo Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e O Jornal —, Nertan dedicou sua vida a registrar a cultura e a história do povo sertanejo. Sua relevância intelectual o levou a ocupar a cadeira número 17 do prestigiado Instituto Cultural do Cariri (ICC).

Matérias enviada por
José Soares de Melo

14 julho, 2026

Memória de Custódia: Missa de Vaqueiro (2001)

 



Quando eu era criança, poucas coisas me faziam tão feliz em Custódia quanto a Missa do Vaqueiro. Filho de vaqueiro que sou, cresci entre a cidade e a roça. Ser filho de Manoel Paulino podia não significar muito para os mais antenados nas coisas da capital, no entanto, no meio dos vaqueiros, sempre logrei de certo prestígio. Grande vaqueiro que foi, meu pai aos poucos foi deixando de lado o gosto pelas festividades. Na verdade, ele nunca fora chegado à missa do vaqueiro. O bom nisso é que sempre sobrava um cavalo para algum amigo meu.




Coruja como era, minha mãe tratou de encomendar a gravação de minha primeira missa. Eu já havia participado de uma outra, mas era tão pequeno e inseguro que fui de garupa. Essa foi, de fato, a primeira missa em que montei sozinho. Março de 2001. Michel comigo. Lembro que os dois estávamos com medo do cavalo desgarrar porque o cavalo branco, que chamava “Novidade”, minha fama de assombrado, era imprevisível, se espantava com qualquer coisa.



A segunda missa que participei depois dessa foi em 2003. Entre uma e outra, foram dois anos de muita cela. Nesse período eu praticamente troquei a vida que eu tinha na cidade por aquela que julguei mais próxima de mim. Achei que jamais seria um bom vaqueiro, e faria jus ao nome de meu pai, se não realizasse essa mudança radicalmente. Mudei meus costumes, o jeito de falar, de vestir. A vida do vaqueiro me pegou de tal forma que cheguei a pedir à minha mãe para morar no sítio de vez e estudar na cidade à noite, como faziam os outros.

Nessa fase, meu primo Thiago (de Val) teve grande importância. Mais novo que eu, porém mais maduro nas rédeas, me levou pra campear com ele na Lagoa do Mulungu, onde pastava o rebanho de ovelhas de Val e dos Bernardos. Thiago foi desde então, para mim, uma referência. Dali em diante, pouco tempo depois, ganhei de Tadeu Barros o primeiro terno de couro. Alegria só! O menino que havia chegado ao sítio como um matuto às avessas, sem saber sequer amarrar um burro na cerca, estava finalmente pronto para ser batizado, e se dizer vaqueiro.

Foi assim que, mais seguro e dessa vez montando meu próprio cavalo, adquiri certo respeito e encarei a segunda missa levando comigo meu irmão Ricardo. Irmão, sim, sem nenhum exagero. Ricardo e eu formamos uma grande parceria nessa época. A família dele tinha terreno próximo ao meu e mesmo na cidade era difícil me ver em algum lugar em que ele não estivesse. É por isso que ele faz parte de todas as outras histórias que eu teria pra contar a partir daqui.



Que vaqueiro sou eu?


Maxsuel Siqueira, custodiense radicado no Rio de Janeiro, atualmente cursando Administração Pública na UFRRJ

História e Memória: Você sabe quem dá nome à Academia das Cidades de Custódia?

 


Muita gente frequenta a Academia das Cidades da Vila da Cohab, em Custódia, mas poucos sabem a origem do nome desse importante espaço público.

O equipamento foi inaugurado em 10 de março e recebeu o nome de Maximiano Accioly Campos, escritor, jornalista e poeta pernambucano, pai do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Maximiano Accioly Campos Eduardo Campos

A solenidade de inauguração reuniu diversas autoridades da época, entre elas o então prefeito Nemias Gonçalves de Lima, o deputado Aglailson Júnior, o então secretário estadual das Cidades Danilo Cabral, além de vereadores, secretários municipais e lideranças políticas.

Mais do que um espaço para a prática de atividades físicas, a Academia das Cidades também preserva uma homenagem a uma personalidade importante da cultura pernambucana.

Resgatar fatos como esse é valorizar a memória de Custódia e manter viva a história dos lugares que fazem parte do nosso cotidiano.

Quem foi?



Maximiano Accioly Campos nasceu no Recife, em 19 de novembro de 1941, e começou a escrever muito cedo, no Colégio São João.

Foi um dos expoentes da Geração 65. Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco, foi cronista do Diario de Pernambuco e superintendente do Instituto de Documentação da Fundaj e secretário de Turismo, Cultura e Esportes do Governo de Pernambuco, durante a segunda gestão do governador Miguel Arraes.

Do seu casamento com Ana Arraes, teve dois filhos: o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (1965-2014) e o advogado e escritor Antônio Campos.

13 julho, 2026

MEMÓRIA | Um encontro inesquecível com Ariano Suassuna


Há alguns anos, tive a honra de conversar com Ariano Suassuna após sua Aula-Espetáculo.

Ao lado de Humberto Guerra, estivemos no Hotel Macambira para uma breve conversa sobre cultura, arte e a importância da preservação da nossa história.

Na ocasião, apresentei o trabalho desenvolvido pelo Blog Custódia Terra Querida, que desde 2007 registra fatos, personagens e acontecimentos marcantes da história de Custódia.

Generosamente, Ariano Suassuna aceitou gravar um depoimento exclusivo.

Em suas palavras, destacou a importância de preservar a memória do nosso povo e incentivou a juventude a valorizar a boa arte e a cultura brasileira.

Mais de uma década depois, esse registro continua atual e inspirador. Relembrar momentos como esse é reafirmar o compromisso de manter viva a história de Custódia para as atuais e futuras gerações.


  

Registro histórico publicado por Paulo Peterson – Blog Custódia Terra Querida.

🎥 Assista ao vídeo e confira esse importante depoimento histórico de
Ariano Suassuna.


Em síntese, Ariano Suassuna quis transmitir uma mensagem de valorização da memória, da identidade cultural e da responsabilidade das novas gerações.

O sentido principal do discurso é:

Preservar a história de uma cidade é preservar a identidade de seu povo. Ao registrar a história de Custódia, vocês estavam garantindo que os jovens conhecessem suas origens e não perdessem o vínculo com suas raízes.

Além disso, ele destacou que:

  • A juventude responde positivamente quando tem acesso à cultura de qualidade, contrariando a ideia de que os jovens não se interessam por manifestações culturais.

  • A cultura é um patrimônio essencial, não um entretenimento sem importância. Para Suassuna, ela é "a sede da alma e da honra de uma nação", pois define quem somos como povo.

  • Quem perde o contato com sua cultura perde parte de sua identidade, tornando-se mais vulnerável ao esquecimento de suas origens.

  • O trabalho de preservação histórica e cultural começa na base, nas cidades, escolas, grupos culturais e pessoas comprometidas com a comunidade.

  • É preciso confiar na juventude e no povo, porque, quando recebem oportunidades e referências culturais sólidas, eles correspondem.

Em uma única frase, o pensamento de Ariano Suassuna pode ser resumido assim:

"Preservar a história e a cultura de um povo é garantir que as futuras gerações conheçam suas raízes, fortaleçam sua identidade e construam um futuro sem esquecer quem são."

Esse discurso continua muito atual, especialmente para iniciativas de resgate da memória de Custódia, pois reforça que registrar o passado não é apenas recordar fatos antigos, mas construir identidade, cidadania e pertencimento para as próximas gerações.


Memória de Custódia | Há 28 anos, um feito que colocou nossa cidade no mapa internacional




Em janeiro de 1998, Custódia viveu um dos momentos mais marcantes de sua história econômica.

A Tambaú Indústria Alimentícia realizou a sua primeira exportação internacional, enviando 22 toneladas de goiabada cascão produzidas em Custódia pelo Porto de Suape, com destino a Porto Rico e posterior distribuição nos Estados Unidos.

Na época, a empresa já era considerada uma das maiores indústrias do interior nordestino, gerando cerca de 300 empregos diretos, produzindo aproximadamente 600 toneladas de doces por mês e incentivando centenas de pequenos produtores rurais da região.

A reportagem destacava o espírito empreendedor de Gerson Gonçalves de Lima, fundador da Tambaú, que transformou uma pequena fábrica familiar em uma referência nacional no setor alimentício.

Um trecho da reportagem resume bem aquele momento histórico:

"Os americanos vão ficar caídos com o sabor da nossa goiabada", afirmou Gerson Gonçalves de Lima ao celebrar a primeira exportação do doce produzido em Custódia.

Esse episódio marcou a história do município e demonstrou que o Sertão pernambucano também era capaz de produzir alimentos de qualidade para conquistar o mercado internacional.

📖 Fonte: Reportagem publicada em janeiro de 1998.

Você conhecia essa história? Compartilhe para que mais pessoas descubram esse importante capítulo da história de Custódia.

10 julho, 2026

Time Juvenil do Sport de Pedro Aleixo (Julho/1970)


Time juvenil Sport de Pedro Aleixo.

Foto publicada no Facebook por Jorge Remígio, em julho de 2016.

Em  pé: Osório, Chico Elizeu Leite, por trás, Gilvan Bernardo, José Esdras, Elione, por trás, Pompeu, Celso de Moacir, Beto de Zé Nego, por trás, Nereu Aleixo, Zequinha, por trás, Zé Marcos, Pedro Aleixo e Otacílio Pires Freitas Góis.

Agachados: João Batista, Binha de Pedim da banca, Jorge Remígio, Luciano Góis Veríssimo e Savinho de seu Domingos. Julho de 1970


 

Chafariz Público Municipal de Custódia

foto: Leônia Simões



RELATO DE JORGE REMÍGIO

Este é o chafariz público, também conhecido por banheiro, foi construído provavelmente no início da década de trinta. 

Em conversa com o Sr. Djalma Moisés (88 anos), nascido em Agosto de 1932, me falou que era criança quando transportou água do chafariz para sua residência. 

Era localizado na Várzea, como se denominava a localidade, devido ser um baixio, vazante, próximo do leito do riacho periódico Custódia que corta parte da cidade, portanto, com água em seu subsolo.

O meu avô paterno Antônio Remígio da Silva (1875-1938), que era proprietário de um sítio que ficava por trás do prédio onde foi construído o chafariz, forneceu um cacimbão de onde a água seria bombeada até o chafariz, e de lá, abasteceria as latas d'água em torneiras. 

Foto: Jorge Remígio


O prédio ficava em frente ao curtume e vizinho ao sítio do Sr. José Mariano de Sá, conhecido por Zé Major, posteriormente vendido ainda nos anos cinquenta ao Sr. João Miro da Silva. 

Nos anos quarenta, o Senhor conhecido por Duda, era o responsável. Espécie de gerente. 

A água é de extrema necessidade e fundamental para a fixação humana em qualquer local do planeta. 

Portanto, o chafariz público de Custódia, foi de relevante valor histórico, fornecendo água para comunidade por mais de cinquenta anos. 

Fechando as suas torneiras só no ano de 1971, na administração Sílvio Carneiro, quando finalmente a água foi encanada até as residências da cidade.


DEPOIMENTO GENESIA MARIANO DE RESENDE

Genesia Mariano de Resende

Antes desse chafariz, existia a Cacimba no Sítio Tamboril do avô Serapião Resende, onde depois de vendido, passou a ser Sítio Mata Verde (na bomba).  

Cacimba essa que abastecia de água as casas do povoado de Custódia  e também tinha os primeiros banheiros públicos na cor creme, 3 de um lado e 3 do outro com uma porta no final de acesso para o sítio.

Cobravam 2 tões por pessoa. Não exista ainda a ponte, nem estrada e nem as casas na bomba, era um caminho apenas para chegar no sítio, as casas eram nas imediações da igrejinha, não tinha ainda em Custódia ruas bem definidas.

A Rua Tenente Moura, por exemplo, tinha apenas as casinhas de taipa dos Simãos. As ruas  mais antigas eram formadas por poucas casas, com 3 a 5 ou pouco mais casas espalhadas. 

Informações prestadas por Genesia Mariano de Resende, não soube informar quando foram construídos o chafariz e os banheiros da Várzea.



06 julho, 2026

Memória Viva: O dia em que Custódia uniu passado e presente através da Medalha “Águas do Sabá”




No dia 7 de setembro de 2008, enquanto o país celebrava a sua independência, a Câmara de Vereadores de Custódia escrevia um capítulo inesquecível para a preservação da identidade local. Naquela data, sob o amparo da Resolução Nº 002/2008, foi instituída e entregue pela primeira vez a Medalha “Águas do Sabá”, acompanhada da Placa Distintiva de Honra ao Mérito — uma das maiores honrarias da história legislativa do município.




O objetivo da comenda não poderia ser mais nobre: reverenciar os guardiões da saudade, os organizadores do tradicional Encontro Anual de Custodienses Ausentes. Homens e mulheres que, voluntariamente, transformaram o desejo de reencontro em uma ponte sólida entre aqueles que partiram e a terra natal que nunca os esqueceu.




Os Homenageados e Seus Padrinhos na História

Em um ato de profundo reconhecimento, os parlamentares da época subiram à tribuna para eternizar o agradecimento da população a personalidades que marcaram época:

Sevy Oliveira: A sensibilidade da icônica escritora foi reverenciada e sua medalha entregue diretamente pelas mãos do então presidente da Casa, Cristiano Dantas, a um representante da autora.

Maria das Graças Queiroz Ferreira: Teve seu empenho e dedicação reconhecidos em homenagem entregue pelo vereador Lourinaldo Vieira.

Odete Andrada: Recebeu a honraria das mãos do vereador Chiquinho Elizeu, simbolizando o carinho de Custódia por suas raízes.

Fernando Florêncio: Uma das peças fundamentais do movimento dos ausentes, recebeu sua medalha através do vereador Joãozito Moura.

Maria José do Amaral França: Fechando com chave de ouro a solenidade, foi agraciada pelo vereador Luciano Lira.

Um Legado que Atravessa Gerações

Hoje, anos após aquela sessão solene, o registro fotográfico e o texto da resolução original funcionam como um portal para o passado. Mais do que uma entrega de medalhas, o evento de 2008 fixou na história de Custódia o valor do pertencimento.

As "Águas do Sabá", que batizam a comenda, seguem correndo na memória de cada custodiense, lembrando que não importa quão longe um filho da terra vá, o caminho de volta para casa estará sempre pavimentado pelo respeito e pelo reconhecimento de sua gente.


 

Memória Local: A história por trás do nome da quadra do Colégio Ernesto Queiroz


Quem frequenta as atividades esportivas e culturais no Colégio Municipal Ernesto Queiroz já deve ter reparado na placa que dá nome ao espaço. Mas você conhece a história por trás dela?

Por meio da Lei Nº 0959/2012 — proposta pelo vereador Gilberto de Belchior e sancionada pelo então prefeito Nemias Gonçalves de Lima —, a quadra poliesportiva foi oficialmente denominada Professora Ednalva Marinho da Silva.

Mais do que um ato oficial, a iniciativa foi um gesto de gratidão: a Professora Ednalva foi uma das primeiras educadoras do próprio vereador autor do projeto. Hoje, anos após a sanção, o nome dela segue eternizado no chão da escola, inspirando estudantes e lembrando a todos nós o valor e o impacto que um bom professor deixa na vida de seus alunos.


03 julho, 2026

"Pintando Memórias" mais do que um livro, um manifesto para quem cria e para quem admira a verdadeira arte.



É com grande entusiasmo que o artista plástico Edmar Sales, compartilhou a prévia de um projeto que está sendo lapidado nos mínimos detalhes. Este livro nasce da necessidade de preencher um vazio no mercado literário artístico, trazendo à tona assuntos profundos e inéditos que raramente são discutidos de forma aberta e acessível.

Ele foi pensado tanto para quem está no campo de batalha da criação quanto para quem aprecia a obra final:

- Para artistas iniciantes e intermediários que buscam bases sólidas para crescer.

- Para artistas experientes que já sabem pintar, mas continuam na busca incansável pela sua própria voz e identidade no mercado.

- Para admiradores e entusiastas, que aprenderão a ler as entrelinhas e a reconhecer o valor real de uma obra genuinamente autoral.

A obra atualmente está em fase de composição e, logo após o término desta etapa, o artista dará início à pré-venda oficial. 

Prepare-se para ter acesso a um conteúdo transformador, feito para mudar definitivamente a sua relação com o universo das artes visuais. Fique atento aos próximos capítulos!


SINOPSE


E se a sua maior fonte de originalidade não estivesse na técnica, mas na sua própria história?

Milhares de artistas dedicam anos ao estudo do desenho, da perspectiva, da teoria das cores e das mais diversas técnicas de pintura. Aprendem a observar, a reproduzir imagens e a aperfeiçoar a execução. No entanto, uma pergunta continua acompanhando grande parte deles:

Como encontrar um estilo verdadeiramente próprio?

Em Pintando Memórias, o artista plástico Edmar Sales apresenta um caminho para responder a essa questão. Mais do que ensinar técnicas, este livro propõe uma transformação na maneira de enxergar a arte, mostrando como memória, emoção, luz, observação e interpretação podem se tornar os pilares de uma linguagem artística autêntica.

Ao longo da leitura, você descobrirá como transformar fotografias em narrativas visuais, compreender o papel da atmosfera na pintura, desenvolver uma identidade artística consistente e criar obras que expressem não apenas o que os olhos veem, mas aquilo que permanece vivo na memória.

Baseado no exclusivo Método Sales – Pintando Memórias, o livro conduz o leitor por um processo prático e reflexivo que une experiência, sensibilidade e conhecimento técnico para construir uma produção verdadeiramente autoral.

Se você é um artista iniciante, intermediário ou experiente e sente que ainda procura sua própria voz, este livro foi escrito para você.

Porque existe uma grande diferença entre pintar um lugar…

…e pintar a memória que esse lugar deixou em você.

Neste livro você aprenderá:

* Como desenvolver sua identidade artística.

* Como deixar de apenas copiar fotografias e começar a interpretá-las.

* Como utilizar a luz para transmitir emoção e atmosfera.

* Como transformar lembranças em obras autorais.

* Como fortalecer sua linguagem artística por meio da observação e da memória.

* Como aplicar o Método Sales – Pintando Memórias para criar pinturas que carregam significado, emoção e personalidade.

PINTANDO MEMÓRIAS não é apenas um livro sobre pintura.

É um convite para descobrir que sua maior obra pode começar exatamente onde sua história encontra a arte.

02 julho, 2026

Memória Histórica: A Homenagem do Município de Custódia a Adauto Pereira de Souza (2007)


 

Em 26 de maio de 2007, a Câmara Municipal de Vereadores de Custódia prestou homenagem ao Sr. Adauto Pereira de Souza. Na ocasião, foi-lhe entregue a Comenda Luiz Epaminondas Nogueira de Barros, instituída por Decreto Legislativo.

A condecoração foi um reconhecimento pelos relevantes serviços prestados ao município de Custódia, não só como prefeito (11/12/1957 a 15/11/1959), mas por ser um cidadão com grande senso de responsabilidade, justiça e honestidade, além de uma influência importantíssima nas decisões partidárias locais.

Adauto Pereira de Souza nasceu no município de Santa Maria do Cambucá, agreste pernambucano, em 06/09/1918. Transferiu-se para Custódia em 1937 para trabalhar na Usina de Caroá José de Vasconcelos, localizada na Fazenda São Gonçalo (que hoje pertence a Betânia, mas na época integrava o município de Custódia).

O Sr. Adauto fixou residência na cidade de Custódia após 17 anos de trabalho na usina. Na cidade, conheceu a Sra. Josefa Lins, com quem se casou e teve 10 filhos. Hoje, a família conta com 22 netos, 43 bisnetos e 6 tataranetos.

Faleceu em 20 de dezembro de 2011.

Texto: Paulo Peterson
Foto: Acervo Familia.

01 julho, 2026

Os estudos geológicos, hidrogeológicos e geofísicos da região do Açude do DNOCS



Os estudos geológicos, hidrogeológicos e geofísicos da região do Açude Público de Custódia (também conhecido como Açude Marrecas) foram mapeados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM). A bacia é compreendida no contexto geológico do semiárido pernambucano, integrando o Alto Vale do Rio Moxotó.

Os principais aspectos geológicos e hidrológicos da área incluem:


1. Contexto Geológico Regional

Embasamento Cristalino:

O município de Custódia está inserido geologicamente na Província Borborema. O substrato é dominantemente composto por rochas cristalinas pré-cambrianas (ígneas e metamórficas), com grande incidência de gnaisses, migmatitos e granitoides.

Estruturas e Fraturas:

As pesquisas do SGB/CPRM e de estudos universitários na área piloto de Caiçara-Samambaia mostram a importância das feições tectônicas (zonas de falhas e fraturamentos) para a estruturação local.


2. Hidrogeologia e Recursos Hídricos

Vocação Subterrânea:

Por estar em terreno cristalino, a água subterrânea ocorre de forma fissural (circulando pelas fraturas das rochas). O cadastramento de poços na região indica uma densidade significativa de captações no município.

Aluviões:

Os mapeamentos do SGB/CPRM constatam a presença de depósitos aluvionares nas margens dos rios e riachos da bacia (como o Rio Moxotó), que são importantes aquíferos locais para a recarga hídrica e manutenção de poços rasos.

3. Dinâmica do Açude

Disponibilidade e Clima: A área apresenta precipitação média anual de 828 mm e taxas de evaporação elevadas que alcançam 1896 mm ao ano.

Estudos de Vazão: O comportamento do açude já foi alvo de simulações hidrológicas usando modelos matemáticos (como o Tank Model e o MODHAC) para estimativa de afluência e garantia de disponibilidade hídrica ao longo de séries históricas de mais de 50 anos.

Para acessar os mapas digitais detalhados, levantamentos de aluvião e notas explicativas, consulte o Repositório Institucional de Geociências (RIGeo) do Serviço Geológico do Brasil, buscando pela Folha Custódia (SC.24-X-A-III). Para o diagnóstico detalhado da área, acesse o Relatório de Diagnóstico do Município de Custódia (CPRM).


30 junho, 2026

Rodovia com nome de custodiense em Mato Grosso do Sul




Placa na Rodovia Joaquim Tenório Sobrinho (MS-306)

Esta rodovia liga os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Com aproximadamente 200 km de extensão, a via é um importante corredor logístico para o escoamento de produtos primários de MS e MT em direção aos estados de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Além disso, funciona como a principal porta de entrada para produtos industrializados vindos de São Paulo com destino às regiões Centro-Oeste e Norte do país.

Através da Lei Ordinária nº 2059, de 23 de dezembro de 1999, denominou "Joaquim Tenório Sobrinho" a Rodovia MS-306. Publicada no Diário Oficial nº 5.168, de 27 de dezembro de 1999. Revogada pela Lei nº 4.639, de 24 de dezembro de 2014. Governador era José Orcirio Miranda dos Santos.



Joaquim Tenório Sobrinho é custodiense que radicou em Cassilândia, no Mato Grosso do Sul desde 1955. Conhecido popularmente pelo apelido de “Pernambuco”, Joaquim nasceu no sítio Lajedo, localizado no distrito de Quitimbu.


Biografia - Djalma Bezerra de Souza


Fotos: Arquivo Familiar


Djalma Bezerra de Souza, nascido em 04 de julho de 1925, em Custódia, no Sítio Vitória, filho de Antônio Fontino de Souza e Filomena Bezerra de Souza, teve muitos irmãos oriundos dos três casamentos do seu genitor: Eva Souza e Silva, Adão Bezerra de Souza, Djanira Pires, Iracema Souza Pires, Cremilda de Souza Pinheiro, Antonio Fontino de Souza “filho”, Maria Tereza de Souza, José Alves de Souza, Terezinha Alves Gonçalves, Inês Alves de Souza, Raimunda Alves Soares, Regina Alves de Medeiros, Cícera Alves de Souza, Maria de Lourdes Alves de Souza,Ivonete Alves de Souza e Maria do Carmo.

Veio morar no Sítio Cacimba Limpa, com 12 anos de idade, mudando 8 anos depois para o Povoado de Ingá. Morou ainda no Sítio Lambedor onde trabalhava como curtidor de couro e vaqueiro.




Em 1º de fevereiro de 1959, Djalma casou-se com Maria Rozilda Feitoza de Souza, com quem teve os seguintes filhos: Lúcia Maria Feitoza Bezerra, Edilene Feitoza Bezerra, Flaviano Feitoza Bezerra, Ivan Feitoza Bezerra, José Kildere Feitoza Bezerra e Roberta Feitoza Bezerra, residindo no Ingá.

Depois se mudou para a sede do município de Custódia, residindo na Praça Padre Leão. Retornou para a Fazenda Maracajá, saindo de lá para Ingá em 1980, onde permaneceu morando até seus últimos dias.

Homem honrado, honesto e trabalhador, Djalma laborava negociando com bovinos e caprinos. Trabalhou também, por muitos anos na Usina de Caroá, do seu cunhado José Pinheiro de Souza, vindo depois a comprá-la, salvando-a da bancarrota, vez que com saturamento da matéria-prima, a usina quase fechou, na época.

Porém, o Sr. Djalma logo substituiu o caroá por agave. Ao longo desse tempo ele continuou desenvolvendo em suas propriedades novas técnicas, além do plantio do agave, plantavam algodão. Por conta das suas habilidades, foi várias vezes eleito o agricultor do ano pelas Cooperativas e Associações, Banco do Nordeste e do Brasil.

Logo se envolveu em várias atividades sociais. E como tinha uma amizade de longa data com o Sr. Luiz Epaminondas Filho “Luizito”, que o convidou para ser candidato a Vereador.

De inicio relutou em aceitar o convite, mas, devido á insistência do amigo terminou cedendo, sendo eleito Vereador em 1976, pela já extinta ARENA, ingressando assim na política.




Como político foi candidato a Prefeito pela primeira vez, já pelo extinto PDS1, derrotando o candidato do PDS2. Desempenhou um excelente papel no comando Executivo Municipal. Construiu escolas em toda zona rural, construiu o Parque de Exposição Armando Wanderley da Fonte.

Em seu governo, primou por educação de qualidade, como incentivo, aumentou o valor da hora-aula; melhorou o saneamento básico do perímetro urbano e rural; construiu a nova sede da Prefeitura e do Fórum, o mercado público, o matadouro; renovou a frota de veículos públicos.

Em fevereiro de 2008, recebeu uma homenagem pelos relevantes serviços prestados ao Município de Custódia, através da Lei nº 798/2008, que denominou DJALMA BEZERRA DE SOUZA, a Unidade de Saúde da Família da Vila do Ingá.

Faleceu dia 10 de Outubro de 1998.

Fonte: Câmara Municipal de Vereadores (2013)

26 junho, 2026

O Cristo da Paixão Ano III - Dia 30 e 31 de Março (2013)


Foto: PMC

Por Paulo Peterson 
    
Um dos eventos mais aguardados do ano foi realizado nos dias 30 e 31 de março, na Praça Padre Leão em Custódia. A peça O CRISTO DA PAIXÃO -  terceiro ano consecutivo - consagrou definitivamente o nome da cidade no roteiro turístico da Semana Santa do Estado.

A peça teatral que mais cresce no Sertão do Estado tem direção do ator custodiense Humberto Guerra. Desde a primeira edição em 2011 o elenco é formado por atores renomados da televisão brasileira. Foi assim com Thiago Mendonça e Rômulo Estrela para o papel principal. Para este ano, o convidado para interpretar Jesus Cristo foi Felipe Folgosi, ator com larga experiência em novelas e teatro. Sua mais recente participação em televisão foi no reality show A Fazenda da Record.

Completando o elenco, a atriz Helga Nemeczyk, como Maria, atualmente fazendo Zorra Total na Rede Globo. Pelo segundo ano consecutivo, Antonio Ysmael interpretou Caifás. Ivan Martins, primeiro diretor de teatro da carreira de Humberto Guerra interpretou Judas Iscariot, ano passado fez o papal de Anás. Completando o time de convidados, Babu Santana, constantemente visto na TV, Teatro e principalmente no cinema, interpretou Satanás.

Para que fosse realizada mais uma edição da peça teatral, o evento teve total apoio do Prefeito Luiz Carlos Gaudêncio e toda equipe da Prefeitura Municipal de Custódia, da Secretaria de Educação e de Cultura do Município. Além do apoio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE), da Fábrica de Doces Tambaú, Governo do Estado e da Associação Comunitária (Aliança). Blog Custódia foi parceiro se encarregando de divulgação nas redes sociais e blog da região.

 A produção geral da peça foi de Anderson Cordeiro, Antonio Pacheco e Plínio Fabrício (Cenografia). Produção Executiva de Alison Alcântara. Assistente de Direção Lenilza Pereira. Figurino de Graça Rodrigues. Serralheria e maquinaria Bigurrinha, Fabiano da Silva e Heleno das máquinas.

Os figurinos usados mais uma vez se destacaram pela riqueza de detalhes. A cenografia do artista local Plínio Fabrício, merece também destaque. Talento local. Som de perfeita qualidade, assim como os palcos e iluminação.

Para este ano foi adicionado mais cenas, enriquecendo ainda mais a trajetória de Jesus Cristo, desde Criação do Mundo, passando por seu Nascimento, Sermão da Montanha, Milagres realizados (Ressurreição de Lázaro, Ressurreição da filha de Jairo, exorcização e cura de Cegueira), Martírio, Crucificação, Ressurreição e finalmente Ascensão aos céus. Enforcamento de Judas sempre é um momento bem aguardado, merece destaque atuação de Ivan Martins.

O público total presente aos dois dias de espetáculos foi estimado em torno de 15 mil pessoas.

Durante toda semana o espetáculo foi bastante comentado. A chegada dos atores em pleno feriado da Sexta Feira Santa da Paixão tirou quaisquer resquícios de silêncio no centro da cidade, com os primeiros ensaios durante à tarde. Um bom público compareceu mesmo com o forte calor, acompanhando ensaios atentamente, muitos querendo registrar a passagem dos ídolos com uma fotografia.

Na primeira noite de apresentação (dia 30), mesmo com atraso, o público acompanhou atentamente cada cena apresentada. Ora atento, ora se emocionando, ou aplaudindo cada passagem do Messias. Mesmo com atores experientes, merece serem exaltados os atores locais, mostraram que a cada ano, estão mais seguro e experientes na arte de interpretar, fruto do trabalho incansável do diretor Humberto Guerra. Destaques para Wilton Silva, Salmo Silva, Denyse Deodato, Mateus Góis, Alison Alcântara, Val Felix, Edjunior Cassiano, Cicero Silva, Eranile Rezende, Vinicius Leitte, Elielma Maria, Hindenberg, João Vitor, Antonio Galdino entre outros.

A cena inicial com Helga Nemeczyk segurando bebê cantando Noite Feliz mostrou outro talento pouco conhecido da atriz. Vozeirão digno de registro. Ganhando ainda ares mais emocionantes quando cantou ao vivo Ressuscita-me, sucesso da cantora gospel Aline Barros. Indescritível comentar a cena. Muitos aplausos. Felipe Folgosi foi crescendo a cada cena, ganhando confiança a cada ato interpretado. A impressão era de que estava nervoso. Os demais atores convidados, como Babu Santana, mesmo em pequena aparição, não deixou comprometeu, é um ator bastante versátil, facilmente realizaria qualquer outro papel. Antônio Ysmael mostrou a competência de sempre no palco. Falas sincronizadas, marcação de palco precisa. Mesma coisa para Ivan Martins, ambos com larga experiência de tablado. Participação de atores experientes auxilia no comprometimento e seguranças para os mais novatos.

Outras cenas bastante aplaudidas foram a Ressurreição de Lázaro com Helga cantando; os Milagres com a filha de Jairo e garota exorcizada; Via Crúcis pelas ruas da cidade e por fim Ressurreição e Ascensão aos céus de Jesus Cristo.

Segunda noite prosseguiu sem atrasos, com os atores mais relaxados, produção e figurantes mais ágeis, a peça fluiu sem nenhum problema de ordem técnica. Com a transição de cenários sendo mais rápidas do que a noite anterior. Presença do público mais uma vez foi boa, demonstrando muito carinho pelo espetáculo. Presença de pessoas da zona rural e cidades vizinhas. 

Pontos positivos para organização, área reservada para imprensa, cadeirantes, idosos, crianças e alunos surdos, com acompanhamento de Camila Góis (professora de Libras). Apesar da boa ideia, será necessário em próximos eventos, mais seguranças, para viabilizar um melhor acompanhamento das pessoas sem acessibilidade.

Aguardemos agora a edição de número IV em 2014. Parabéns ao Humberto por mais uma realização cultural em Custódia, e à todos envolvidos direta ou indiretamente com o espetáculo.

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[O Cristo da Paixão Ano III (2013)] Entrevista com o ator Felipe Folgosi

Entrevista realizada por Paulo Peterson,
no Hotel Macambira, em Custódia, 
após primeira noite de apresentação.



Blog Custódia - Como foi ontem a primeira noite da peça? Acompanhei os ensaios no dia anterior e percebi você um pouco apreensivo. 

Felipe Folgosi - Uma peça se ensaia em média um mês. Um mês e meio. Pelo menos isso. Ontem apenas passamos a peça. Foi meio que direto. Acho que conseguimos, chegamos ao o fim(risos). Apresentamos. Houve umas falhas, mas conseguimos realizar. Isso é normal. Hoje vai ser melhor. Na verdade o importante é que hoje logo cedo no café encontrei pessoas daqui da cidade dizendo que havia gostado. É aquela coisa, a primeira noite sempre é mais difícil, muita gente para ensaiar, vários palcos, não teve ensaio base. Eu estava até um pouco preocupado mesmo antes do inicio. Temos essa responsabilidade, de fazer a coisa bacana. Bem feita. Mas eu fiquei feliz, porque saiu o espetáculo, houve algumas falhas, mas a gente espera corrigir hoje no segundo dia. No geral foi muito bom, todos gostaram, isso é o mais importante. Espero que hoje possa fazer uma apresentação melhor ainda.

BC - Como surgiu convite para o espetáculo.

Felipe - Olha na verdade, o Humberto entrou em contato comigo através de uma rede social, essa coisa usual da sociedade pós-moderna de hoje em dia, da coletividade, é muito bom, não é a primeira vez que aparece trabalho para mim através da internet. Foi dessa forma.

BC - Em entrevista à Rádio Custódia FM, você comentou que já tinha estado em Pernambuco com outras peças de teatro? Com a Paixão de Cristo foi a primeira vez?

Felipe - Não, já fiz umas quatro peças quando vim pra cá, entre Recife, Caruaru e Garanhuns. Já gravei uma novela da Record aqui, em Serrambi-PE(litoral Sul do Estado). É muito lindo lá. Eu gosto daqui e de Pernambuco em geral.

BC - Dentre as cenas realizadas na peça como Jesus Cristo, qual foi a mais emocionante?
Felipe - Várias cenas. Além da cena da encenação como a Via Crucis, onde ela visualmente emociona, tem cenas para mim, que o texto mesmo das mensagens de Jesus emociona. A Santa Ceia. O Sermão da Montanha. A cena da tentação com Babu Santana(interpretou Satanás). São textos que eu falo que são palavras eternizadas por Jesus, é muito legal você falar como ator esses textos. São textos que tem um peso.

BC - O que achou da produção do evento e dos atores locais?

Felipe - Eu acho assim, a cidade inteira fez um esforço muito grande para tornar o espetáculo real. Você vê que é uma coisa da comunidade. Todo mundo envolvido. Costureira, Cenógrafo e Carpinteiro. Gente que nunca fez esse tipo de trabalho colaborando com criação de cenários e de outras coisas. É um esforço da comunidade. Isso eu acho muito bacana. É muito difícil você usar um ator que não é profissional, todo mundo que tava lá, estava super disponível, temos uma certa disciplina que aprendemos na carreira de ator ao longo dos anos, poucos foram ao Recife, nunca participaram de um grupo de teatro. São pessoas voluntárias, eles não têm um compromisso tão grande assim. Mas quem tava ontem lá, resistiu ficar no feriado para participar da peça, realmente fez com afinco, com disposição. 

BC - Você já tinha ido para outros interiores pelo país.

Felipe - Sim. Fui em outros Estados, como Roraima e Acre. Aqui em Pernambuco eu nunca tinha ido tão distante. O pernambucano já é muito conhecido pela simpatia, o nordestino em geral, mas o pernambucano  é um povo muito simpático, muito acolhedor. Peço inclusive desculpas para as pessoas ontem que quiseram tirar fotos comigo durante o espetáculo, não pude atender, pois tava em cena e na correria (risos), se eu tirasse foto nesse momento não chegava a tempo no palco. Fora isso, um carinho enorme das pessoas, procurei atender o melhor possível, é bom a gente ter esse contato assim com o público. 

BC - Em 2013 você tem muitos trabalhos a realizar?.

Felipe - Estou fazendo um filme que se chama Aprendiz de Samurai, quando eu retornar vou continuar a gravar. Tem um projeto para um programa na TV a Cabo para o segundo semestre.

BC - Você ta escrevendo algo para cinema no momento?

Felipe - Sim. Tenho dois longa metragem à caminho escritos por mim, e tem um texto que venci um concurso anual de dramaturgia do Ministério da Cultura, que quero ver se eu monto ainda esse ano. 

BC - Deixe uma mensagem para seus fãs em Custódia e para todos os leitores do Blog Custódia Terra Querida.

Felipe - Agradecer a todos as pessoas de Custódia e da região, pela acolhida, espero que todos tenham gostado da minha atuação, tenho certeza que todo mundo tava procurando fazer o melhor de si, que possamos se reencontrar outras vezes e quem sabe eu voltei à Custódia com o espetáculo ou com outra peça em uma outra oportunidade. Obrigado.


 

25 junho, 2026

A Menina que limpava livros - Paulo Mapu

 


- A menina que limpava livros...

Era seu primeiro dia como higienizadora de livros na Biblioteca...nada melhor do que começar a limpeza pelo Poema Sujo de Ferreira Gullar era preciso deixá-lo limpinho, onde já se viu um poema sujo.

Enquanto limpava os poemas seu coração se agitava com o poder das palavras que saltavam dos livros como se tivesse vida própria.

Seu trabalho foi se tornado uma missão e sem pedir permissão foi modificando os versos de acordo com sua imaginação.

Não bastava matar os fungos, retirar o mofo impregnado pelo tempo...era preciso ir além limpar os versos e os gestos que para ela era mais forte do que a própria sujeira contida nas páginas...

Foi assim que com pena do Homem Bicho, ou do Bicho Homem, de Manuel Bandeira catando comida entre os detritos...resolveu sentá-lo em uma mesa farta de alimentos ao lado de gente importante como está escrito nas Sagradas Escrituras Deus tira o pobre do monturo e o faz assentar ao lado de príncipe do seu povo.

Umas pilhas de outros autores ficaram sobre sua mesa para serem higienizados...e se necessário modificado em histórias alegres...afinal chega de tanta tristeza pensava a menina.

Logo cedo na manhã cai na sua frente o poeta Leminski brigando com sua própria criação...que como ele tornava-se revoltado e desobediente rimando frases não ditas nem pensadas por ele.

À medida que ia limpando os livros ela também se limpava dos seus conceitos e preconceitos e foi assim que entrou em contato com Maiakovski e lavou seu coração enlouquecido pela paixão...

Não foi sem razão que mexeu nos versos de Augusto dos Anjos tirando o gosto de cemitério em alegres jardins primaveris.

Não poupou os clássicos, ressuscitou Romeu e Julieta que envelheceram juntos vivendo de amor.

Achou muito asqueroso a barata de Kafka e dela surgiu uma borboleta colorida em pleno voo pousando em uma flor.

Teve pena também de Mario de Andrade atirando para o diabo suas tripas e num gesto piedoso deu-lhe um destino mais digno jogou-as para os urubus e o resto deixou como estava, o sexo na Paissandu, os pés na Rua Aurora, apenas fez uma mudança em relação aos ouvidos, telegrafo não mais existe...se queres saber da vida alheia, basta deixar os ouvidos em cima da Torre de Brasília e ali ficar bem atento.

Enquanto limpava os livros, a menina ia também se politizando...por isso descobriu que a fome não era uma sina, a fome não era preguiça nem tampouco era um destino, foi graças a Josué de Castro com seu livro proibido que veio a revelação: a fome era produto da má distribuição.

Enfim sua profissão tão nobre e merecedora foi lhe trazendo angustia por não poder transformar tanta dor e agonia vivida ao seu redor, os livros ficaram limpos, os versos ficaram certos...mas os homens continuaram dormindo pelas calçadas as crianças perderam as praças e os carros encheram as ruas...

Paulo Mapu
São Paulo-SP
18.03.2014

Lido no ato do livrocidio de Osasco em 07.04.26