16 agosto, 2026

Os Poemas da minha mãe - por Jussara Burgos



Jussara Burgos
Luziânia-GO
Agosto/2026


Hoje abri uma gaveta e encontrei minha mãe.

Não era uma fotografia, nem uma carta, nem uma lembrança guardada em palavras. Eram panos de prato, muitos deles feitos pelas mãos dela, cada um carregando um pouco do seu capricho, do seu bom gosto e da sua delicadeza.

Foi então que pensei: não é preciso fazer versos para fazer poesia.

Minha mãe fazia poesia com as mãos.

Escolhia rendas, entremeios e retalhos lindíssimos. Fazia biquinhos de crochê, combinava cores, inventava barrinhas e, com uma caneta para tecido, escrevia o meu nome: Jussara.

Ela nunca me chamou de Helena. Para ela, eu sempre fui Jussara, o nome que ela escolheu para mim.

E esses panos não eram apenas meus; minha mãe fazia para toda a família. Cada um recebia um pouco daquela poesia doméstica, feita sem pretensão, mas com um cuidado imenso. Era o jeito dela de dizer: “Pensei em você”.

Hoje, depois de tantos anos guardados, eles estavam amarelados pelo tempo. E tive a alegria de cuidar deles: lavei um por um. Depois, vou passá-los e guardá-los novamente em saquinhos, com todo o carinho.

Não os guardarei para usar.

Guardarei para lembrar.

Porque agora compreendo que cada paninho é um poema que minha mãe deixou para mim. Um poema sem rimas, sem versos, sem título. Um poema feito de renda, crochê, retalhos e amor.

Talvez seja essa a forma mais bonita de poesia: aquela que permanece nas coisas simples e que, muitos anos depois, ainda consegue tocar o coração de quem a recebe.

Minha mãe se foi, mas deixou suas mãos espalhadas pela casa.

E hoje, ao abrir aquela gaveta, senti que elas ainda estavam ali.


15 agosto, 2026

MEMÓRIAS DE ZÉ CARNEIRO: Uma Viagem Afetuosa ao Passado em Carta para Jussara Burgos

 



Preservar a história de Custódia é, acima de tudo, manter viva a chama do afeto, do respeito e do reconhecimento àqueles que ajudaram a construir a identidade do nosso município. No acervo de cartas e memórias do nosso blog, destaca-se uma valiosa correspondência escrita em 2012 pelo inesquecível pesquisador e memorista José Carneiro de Farias (Zé Carneiro), endereçada à sua ilustre conterrânea Jussara Burgos (Jussa Burgos).

Em poucas linhas, Zé Carneiro constrói um verdadeiro panorama da Custódia de meados do século XX, resgatando laços de amizade, fatos pitorescos, histórias de bastidores da rádio local e homenagens sinceras a grandes personagens da nossa terra.

1. A Fraternidade com Zé Burgos: Parceria, Trabalho e Lealdade

O ponto de maior emoção na mensagem é a recordação da convivência entre Zé Carneiro e Zé Burgos, pai de Jussara. Ele descreve a amizade como algo verdadeiramente fraternal e define Zé Burgos como um homem de generosidadeímpar, desprovido de vaidades e extremamente dinâmico.

Zé Burgos destacava-se como o melhor e maior vendedor da empresa Antarctica na região. Zé Carneiro atuava como seu secretário e companheiro de rotas, cuidando da correspondência e da escrita comercial. Entre as passagens marcantes dessa fase, Zé Carneiro relembra com leveza um acidente de percurso:

Em uma curva, a porta do caminhão de entregas se abriu e Zé Burgos foi arremessado ao chão. Zé Carneiro freou imediatamente e, pelo retrovisor, viu o amigo se levantar rapidamente, correr de volta ao veículo e continuar dirigindo como se nada tivesse acontecido.

Essa amizade rendeu frutos duradouros: além de companheiros de trabalho, tornaram-se comadres e compadres, reforçando os elos de afeto entre as famílias.

2. Os Tempos da Rádio Difusora e as Lições de Seu Joaquim Pereira

A carta traz de volta a efervescência social provocada pela antiga Rádio Difusora de Custódia, de propriedade de José Pires. Na época, Zé Carneiro era o locutor oficial do programa "DE ALGUÉM PARA VOCÊ", atração de grande audiência que servia como verdadeiro "termômetro social" da cidade a partir do número de dedicatórias enviadas.

Nesse cenário ganha destaque a figura de Seu Joaquim Pereira, homem culto que apreciava brocardos latinos e termos gregos. Zé Carneiro conta com bom humor a correção rigorosa que recebeu ao anunciar a chegada de uma atração artística na cidade:

– "Amanhã, pela segunda vez, estreia..." — anunciou o jovem locutor.

No dia seguinte, Seu Joaquim o chamou e questionou na bucha:

– "Se estreia duas vezes?"

Diante da lição de português, Zé Carneiro admitiu o erro e "enfiou a viola no saco".

3. Painel de Afetos e Famílias Cultivadas

Na sequência da carta, Zé Carneiro realiza um verdadeiro passeio afetivo por diversos nomes tradicionais de nossa sociedade:

  • Dona Corina: Relembrada por sua simpatia e alto astral.
  • Zé Neto: Amigo íntimo e antigo companheiro de quarto nos tempos de pensão no Recife.
  • Joany Pereira: Carinhosamente lembrada como sua namorada mais firme na mocidade custodiense.
  • Noêmia, Pedro e Arnaldo Pereira: Integrantes dessa rede de convivência e consideração mútua.
  • Maria Eunice: Sua estimada madrinha, a quem dedica votos de carinho e pedido de notícias.

4. O Valor do Registro Histórico

Ao final, Zé Carneiro reafirma que seu gesto em relação aos fatos de Custódia (como o esclarecimento sobre a naturalidade do Dr. Anísio Pires) possui caráter exclusivamente histórico e documental, sem disputas pessoais, movido apenas pelo amor à verdade e à preservação da memória local.

As lembranças reunidas por Zé Carneiro nesta carta a Jussara Burgos mostram que, embora o tempo passe e cubra os fatos nas "brumas do passado", a história de Custódia continua viva enquanto houver quem a conte com a alma e o coração.

(Gostou dessa recordação? Deixe seu comentário e compartilhe com os conterrâneos e familiares que vivenciaram ou ouviram falar dessa época inesquecível de nossa terra!)

14 agosto, 2026

Sport Custódia (1963/1964)


Foto: Acervo Familiar de Branco Góis (Elza, Berg e Gugu)


Em pé:

Hélio filho de Né Marinho, Hermes do DNOCS, Ozinaldo, Nezinho de João Preto, Sitônio, ?

Agachados:

Jogador do DNOCS, Osmar Simões, Toreba, João Bosco e Branco Góis.


Informações do panorama da época, por Jorge Remígio


Zé de Nozinho, Josimar e Baía!


Gildo, Natalício e Branco Góis.


No Ano de 1965, chegaram muitos funcionários do DNOCS para terminar as obras do Açude Marrecas, concluindo no ano de 1969. Nesse período, foi fundado o time do Independente, basicamente com funcionários federais e sapateiros de Custódia. Esse time ganhou um jogo contra o Sport que ficou na história. Creio que em 1967. Natalício trouxe o cunhado Gildo para jogar no Independente, o cara era muito bom de bola, foi show. Criou-se uma rivalidade grande, mas com a conclusão das obras do DNOCS, muitos jogadores foram embora de Custódia.

Resultado das Eleições Municipais de Custódia em 1936 (Prefeito e Vereadores)


CUSTODIA (39.ª zona)

PREFEITO 

Pelo Progresso de Custodia:
Inocêncio Gomes Lima — 299 votos. Foi afastado do cargo por ter mais de 68 anos (*).

Em 12 de Maio de 1939, o Interventor Federal no Estado, através do Ato nº 593 de 11 de Maio, nomeou como Prefeito, o sr. Ernesto Queiroz. Sua posse ocorreu no dia 17 de maio. Após a leitura do termo de compromisso e posse, usou da palavra o padre Antonio Duarte que, em nome do povo de Custodia, saudou o prefeito nomeado

VEREADORES 

Pelo Progresso de Custodia:
Ernesto de Queiroz — 105 votos (1.º turno);
Sabino Lacerda — 62 votos (idem);
Euclydes do Amaral Filho — 39 votos (idem);
Francisco Gonçalves Lima — 38 votos (idem)
Osorio Valeriano da Silva — 30 votos (2.º turno).

Partido Social Democratico de Pernambuco:
José Marinho do Rego — 51 votos (1.º turno);
Henrique Tenorio de Mello — 50 votos (idem);
Horacio Pires Ferreira — 36 votos (idem) 
Cicero Gomes de Oliveira — 24 votos (idem).

SUPLENTES 

Pelo Progresso de Custodia:
Joaquim Pereira da Silva — 13 votos;
João Pires Ferreira — 8;
Lourenço Cavalcanti Albuquerque Maranhão — 8 
José Miguel da Silva (legenda).

Partido Social Democratico de Pernambuco:
José Gregorio da Silva — 22 votos;
José Rodrigues de Mello — 21 votos;
Manoel Pordeus Pires — 19;
José Gonçalves Lima — 15
Izaias de Queiroz Amaral — 11 votos.

Câmara de Vereadores:
presidente Ernesto Queiroz,
1.º secretario Sabino Lacerda,
2.º secretario José Marinho do Rego. 

12 agosto, 2026

Uma Joia Chamada Zé Nilton: A Saudade e o Legado de um Grande Amigo


 

Zé Nilton Soldado, Zé Nilton Vereador, Zé Nilton Pai, Zé Nilton Esposo, Zé Nilton Homem-Cidadão...

Ele deixou quatro JÓIAS em sua vida: a esposa e as três filhas, e uma JÓIA ainda maior, que é toda a sua família — que sempre esteve ao seu lado.

Tive o prazer de ser vereador junto com Zé Nilton entre 2001 e 2004. Ele foi, com certeza, o político mais próximo de mim; travamos muitas lutas lado a lado. Nesta última eleição, Zé Nilton conquistou 321 votos. Foram 321 votos livres e conscientes, sem a ajuda de nenhuma outra força que não fosse ele próprio, sua família e seus amigos. Ele, sim, foi uma grande liderança — um político prestigiado pelo povo (embora, talvez, não tão prestigiado pelos outros quanto deveria ter sido).

Quantos abraços e beijos ele nos deu? Agora, Zé Nilton, leva contigo nossos eternos abraços, beijos e a nossa saudade. Nós não aceitamos a morte, mas nos acostumamos a ela, sabendo que é o caminho de todos nós.

Saber que, seja o que for que tenhamos de enfrentar, tudo fica mais fácil com Deus habitando em nossos corações. E Deus nos deu Amigos... Zé Nilton foi um deles. Um amigo sem cobranças, um Amigo com "A" maiúsculo.

ZÉ NILTON! VOCÊ É QUE É A NOSSA JOIA.
Vá com Deus.

Custódia (PE), 09 de Abril de 2009

Mensagem do Amigo EDERALDO LEMOS

Conheça o Médium Doutor Valentim: O Custodiense que Dedicou a Vida à Cura Espiritual



É com orgulho e admiração que o Blog Custódia Terra Querida apresenta a história de Valentim Ribeiro de Souza, popularmente conhecido como Doutor Valentim, um ilustre filho de nossa terra que ganhou fama nacional e internacional por seu trabalho de acolhimento e cura espiritual.

Nascido em 25 de junho de 1940, na nossa amada Custódia (PE), Valentim é o sexto de nove irmãos. Ainda na infância, enfrentou grandes provações: perdeu a mãe aos 8 anos e mudou-se com a família para Minas Gerais. Foi lá que começou a manifestar sua vocação espiritual, curando-se milagrosamente de episódios graves de cegueira e paralisia após visões espirituais que o orientaram a seguir o caminho da caridade.

Analfabeto e sem formação acadêmica em medicina, Doutor Valentim estabeleceu-se em Brasília na década de 1960. No Recinto de Caridade Bezerra de Menezes, no Gama (DF), passou a realizar diariamente centenas de atendimentos espirituais gratuitos.

A Medicina da Fé e o Reconhecimento

Com seu jeito humilde, usando jaleco branco e manuseando uma tesoura simbólica sem cortes físicos, o médium atrai milhares de pessoas todos os meses — desde trabalhadores simples até médicos, engenheiros, padres, pastores e políticos. Acompanhado por voluntários e profissionais da saúde, como médicos convertidos em auxiliares, ele reforça sempre que seu trabalho espiritual não substitui a medicina tradicional, mas a complementa: "Quem cura é Deus. A fé das pessoas ajuda muito".

Mesmo atendendo personalidades do mundo inteiro e acumulando relatos impressionantes de superação de doenças graves, o filho de Custódia sempre manteve a simplicidade, vivendo exclusivamente de doações e da dedicação total ao próximo, sem jamais cobrar por suas bênçãos.

O Blog Custódia Terra Querida rende sua homenagem a este filho custodiense, cuja trajetória de fé, resiliência e caridade levou esperança e alívio a milhares de corações pelo Brasil e pelo mundo.

Fonte: Correio Braziliense
Postado originalmente no site: Idade Certa
Enviado por José Soares de Melo

11 agosto, 2026

Ferro, Fogo e Afeto: A História de Maria Pixô e o Legado das Engomadeiras de Custódia




No coração da história de Custódia, no Sertão de Pernambuco, paira a memória de uma família que, com suor e dignidade, marcou época.

Esta é a história da matriarca Maria Constância da Conceição Pereira, eternizada pelo apelido Pixô, e de seus filhos, cujas vidas se entrelaçaram com o desenvolvimento da região do sítio Peba e arredores do sítio Carvalho.

A família marcou a paisagem social e econômica da época através de um ofício que exigia força, paciência e maestria: o de engomadeiras. 

Usando os pesados ferros de engomar movidos uma cozinha a lenha, elas garantiam o impecável das vestes da sociedade custodiense, transformando calor e peso em elegância.

A descendência de Maria Pixô formava um cordão robusto de trabalhadores:

 * Maria José Pereira da Silva: A primogênita, nascida em 19 de agosto de 1912.
 * Ulisses Pereira da Silva: Nascido em março de 1915. 
 * Cícera Pereira da Silva: Nascida em 28 de maio de 1917.
 * Zulmira Pereira da Silva: Nascida em 1919.
 * Elvira Pereira da Silva: A caçula, nascida em 1925, que seguiu os passos das irmãs mais velhas.

(*) Zulmira teve sua trajetória tragicamente interrompida por um atropelamento nas imediações onde hoje se localiza o atual prédio do Fórum da cidade.

A rede familiar se estendia através de figuras como o sobrinho José Pereira de Siqueira, pai de Josa Pereira de Siqueira (o mais velho), Janúncio, Hilda e Geiza.

Na vizinhança, a convivência era estreita com outras famílias tradicionais, como as Simão — Virgínia, Rita, Joaquina, Júlia (filha de Manoel Bidó), Antônia e seu José Preto, pai de Beta.

O impacto dessa família na comunidade foi tão profundo que os laços de amizade se tornaram parentesco de alma. 

O professor Francisco Bernardo, por exemplo, as considerava como membros de sua própria família, fruto de uma convivência estreita e carinhosa desde a infância.

Resgatar a história de Maria Constância da Conceição Pereira (Pixô) e seus filhos, é honrar a memória de uma Custódia feita de trabalho duro, fumaça de carvão, cheiro de roupa engomada e, acima de tudo, de laços humanos que o tempo não apaga.

Com informações de Francisco Bernardo.
Fotos acervo Noêmia Pereira Burgos

Prefeitos de Custódia 1929-2028

 

01) Nemésio Rodrigues de Melo (01/01/1929 à 20/10/1930)

02) Elpídio Padilha do Amaral (20/10/1930 à 10/11/1933)

03) Aurélio José Vasconcelos ( 10/10/1933 à 23/02/1935)

04) Francisco Santana (Secretário respondendo) (23/02/1935 à 15/08/1936)

05) Major Inocêncio Gomes de Lima (eleito) (15/08/1936 à 15/05/1939)

06) Ernesto Queiroz (nomeado) (15/05/1939 à 25/07/1944)

07) José Estrela de Souza (25/07/1944 à 23/03/1946)

08) Francisco Pereira da Nóbrega Sobrinho (23/03/1946 à 07/12/1946)


09) Jerônimo de Souza Neto (07/12/1946 à 10/08/1947)

10) Felicíssimo de Lima Pires (11/08/1947 à 15/11/1947)

11) Ernesto Queiroz (eleito) (15/11/1947 à 15/11/1951)

12) Joel Inocêncio Lima (eleito) (15/11/1951 à 15/11/1955)

13) Luiz Epaminondas Nogueira de Barros (eleito) (15/11/1955 à 11/12/1957)

14) Adauto Pereira de Souza (vice assumiu) (11/12/1957 à 15/11/1959)

15) Ernesto Queiroz (eleito) (15/11/1959 à 15/11/1963)

16) José Gonçalves Florêncio (eleito) (15/11/1963 à 10/10/1964)

17)Tenente Miguel José da Silva (nomeado) (10/10/1964 à 28/02/1966)

18) João Miro da Silva (nomeado) 28/02/1966 à 31/01/1969)

19) Sílvio Carneiro de Farias Souza (eleito) (31/01/1969 à 31/01/1973)

20) João Miro da Silva (eleito) (31/01/1973 à 31/01/1977)

21) Luiz Epaminondas Filho (eleito) (31/01/1977 à 31/01/1983)

22) Djalma Bezerra de Souza (eleito) (31/01/1983 à 31/12/1988)

23) Belchior Ferreira Nunes (eleito) (01/01/1989 à 31/01/1992) 

24) Major Vital Barros de Oliveira (interventor durante um mês)


25) Luiz Epaminondas Filho (01/01/1993 à 22/05/1995) faleceu no cargo, 
assumiu o vice Djalma Bezerra

26) Djalma Bezerra de Souza (22/05/1995 à 31/12/1996)

27) Nemias Gonçalves de Lima (01/01/1997 à 31/12/2000)

28) José Esdras de Freitas Góis (01/01/2001 à 31/12/2004)

29) Nemias Gonçalves de Lima (01/01/2005 à 31/12/2008)

30) Nemias Gonçalves de Lima (01/01/2009 à 31/12/2012) Primeiro Prefeito Reeleito da História de Custódia-PE


31) Luiz Carlos Gaudêncio (01/01/2013 à 31/12/2016)


32) Emanuel Fernandes de Freitas Góis (01/01/2017 à 31/12/2020)

33) Emanuel Fernandes de Freitas Góis (01/01/2020 à 31/12/2024)


 34) Manoel Messias de Souza (01/01/2025 à 31/12/2028)