26 junho, 2026

O Cristo da Paixão Ano III - Dia 30 e 31 de Março (2013)


Foto: PMC

Por Paulo Peterson 
    
Um dos eventos mais aguardados do ano foi realizado nos dias 30 e 31 de março, na Praça Padre Leão em Custódia. A peça O CRISTO DA PAIXÃO -  terceiro ano consecutivo - consagrou definitivamente o nome da cidade no roteiro turístico da Semana Santa do Estado.

A peça teatral que mais cresce no Sertão do Estado tem direção do ator custodiense Humberto Guerra. Desde a primeira edição em 2011 o elenco é formado por atores renomados da televisão brasileira. Foi assim com Thiago Mendonça e Rômulo Estrela para o papel principal. Para este ano, o convidado para interpretar Jesus Cristo foi Felipe Folgosi, ator com larga experiência em novelas e teatro. Sua mais recente participação em televisão foi no reality show A Fazenda da Record.

Completando o elenco, a atriz Helga Nemeczyk, como Maria, atualmente fazendo Zorra Total na Rede Globo. Pelo segundo ano consecutivo, Antonio Ysmael interpretou Caifás. Ivan Martins, primeiro diretor de teatro da carreira de Humberto Guerra interpretou Judas Iscariot, ano passado fez o papal de Anás. Completando o time de convidados, Babu Santana, constantemente visto na TV, Teatro e principalmente no cinema, interpretou Satanás.

Para que fosse realizada mais uma edição da peça teatral, o evento teve total apoio do Prefeito Luiz Carlos Gaudêncio e toda equipe da Prefeitura Municipal de Custódia, da Secretaria de Educação e de Cultura do Município. Além do apoio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE), da Fábrica de Doces Tambaú, Governo do Estado e da Associação Comunitária (Aliança). Blog Custódia foi parceiro se encarregando de divulgação nas redes sociais e blog da região.

 A produção geral da peça foi de Anderson Cordeiro, Antonio Pacheco e Plínio Fabrício (Cenografia). Produção Executiva de Alison Alcântara. Assistente de Direção Lenilza Pereira. Figurino de Graça Rodrigues. Serralheria e maquinaria Bigurrinha, Fabiano da Silva e Heleno das máquinas.

Os figurinos usados mais uma vez se destacaram pela riqueza de detalhes. A cenografia do artista local Plínio Fabrício, merece também destaque. Talento local. Som de perfeita qualidade, assim como os palcos e iluminação.

Para este ano foi adicionado mais cenas, enriquecendo ainda mais a trajetória de Jesus Cristo, desde Criação do Mundo, passando por seu Nascimento, Sermão da Montanha, Milagres realizados (Ressurreição de Lázaro, Ressurreição da filha de Jairo, exorcização e cura de Cegueira), Martírio, Crucificação, Ressurreição e finalmente Ascensão aos céus. Enforcamento de Judas sempre é um momento bem aguardado, merece destaque atuação de Ivan Martins.

O público total presente aos dois dias de espetáculos foi estimado em torno de 15 mil pessoas.

Durante toda semana o espetáculo foi bastante comentado. A chegada dos atores em pleno feriado da Sexta Feira Santa da Paixão tirou quaisquer resquícios de silêncio no centro da cidade, com os primeiros ensaios durante à tarde. Um bom público compareceu mesmo com o forte calor, acompanhando ensaios atentamente, muitos querendo registrar a passagem dos ídolos com uma fotografia.

Na primeira noite de apresentação (dia 30), mesmo com atraso, o público acompanhou atentamente cada cena apresentada. Ora atento, ora se emocionando, ou aplaudindo cada passagem do Messias. Mesmo com atores experientes, merece serem exaltados os atores locais, mostraram que a cada ano, estão mais seguro e experientes na arte de interpretar, fruto do trabalho incansável do diretor Humberto Guerra. Destaques para Wilton Silva, Salmo Silva, Denyse Deodato, Mateus Góis, Alison Alcântara, Val Felix, Edjunior Cassiano, Cicero Silva, Eranile Rezende, Vinicius Leitte, Elielma Maria, Hindenberg, João Vitor, Antonio Galdino entre outros.

A cena inicial com Helga Nemeczyk segurando bebê cantando Noite Feliz mostrou outro talento pouco conhecido da atriz. Vozeirão digno de registro. Ganhando ainda ares mais emocionantes quando cantou ao vivo Ressuscita-me, sucesso da cantora gospel Aline Barros. Indescritível comentar a cena. Muitos aplausos. Felipe Folgosi foi crescendo a cada cena, ganhando confiança a cada ato interpretado. A impressão era de que estava nervoso. Os demais atores convidados, como Babu Santana, mesmo em pequena aparição, não deixou comprometeu, é um ator bastante versátil, facilmente realizaria qualquer outro papel. Antônio Ysmael mostrou a competência de sempre no palco. Falas sincronizadas, marcação de palco precisa. Mesma coisa para Ivan Martins, ambos com larga experiência de tablado. Participação de atores experientes auxilia no comprometimento e seguranças para os mais novatos.

Outras cenas bastante aplaudidas foram a Ressurreição de Lázaro com Helga cantando; os Milagres com a filha de Jairo e garota exorcizada; Via Crúcis pelas ruas da cidade e por fim Ressurreição e Ascensão aos céus de Jesus Cristo.

Segunda noite prosseguiu sem atrasos, com os atores mais relaxados, produção e figurantes mais ágeis, a peça fluiu sem nenhum problema de ordem técnica. Com a transição de cenários sendo mais rápidas do que a noite anterior. Presença do público mais uma vez foi boa, demonstrando muito carinho pelo espetáculo. Presença de pessoas da zona rural e cidades vizinhas. 

Pontos positivos para organização, área reservada para imprensa, cadeirantes, idosos, crianças e alunos surdos, com acompanhamento de Camila Góis (professora de Libras). Apesar da boa ideia, será necessário em próximos eventos, mais seguranças, para viabilizar um melhor acompanhamento das pessoas sem acessibilidade.

Aguardemos agora a edição de número IV em 2014. Parabéns ao Humberto por mais uma realização cultural em Custódia, e à todos envolvidos direta ou indiretamente com o espetáculo.

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[O Cristo da Paixão Ano III (2013)] Entrevista com o ator Felipe Folgosi

Entrevista realizada por Paulo Peterson,
no Hotel Macambira, em Custódia, 
após primeira noite de apresentação.



Blog Custódia - Como foi ontem a primeira noite da peça? Acompanhei os ensaios no dia anterior e percebi você um pouco apreensivo. 

Felipe Folgosi - Uma peça se ensaia em média um mês. Um mês e meio. Pelo menos isso. Ontem apenas passamos a peça. Foi meio que direto. Acho que conseguimos, chegamos ao o fim(risos). Apresentamos. Houve umas falhas, mas conseguimos realizar. Isso é normal. Hoje vai ser melhor. Na verdade o importante é que hoje logo cedo no café encontrei pessoas daqui da cidade dizendo que havia gostado. É aquela coisa, a primeira noite sempre é mais difícil, muita gente para ensaiar, vários palcos, não teve ensaio base. Eu estava até um pouco preocupado mesmo antes do inicio. Temos essa responsabilidade, de fazer a coisa bacana. Bem feita. Mas eu fiquei feliz, porque saiu o espetáculo, houve algumas falhas, mas a gente espera corrigir hoje no segundo dia. No geral foi muito bom, todos gostaram, isso é o mais importante. Espero que hoje possa fazer uma apresentação melhor ainda.

BC - Como surgiu convite para o espetáculo.

Felipe - Olha na verdade, o Humberto entrou em contato comigo através de uma rede social, essa coisa usual da sociedade pós-moderna de hoje em dia, da coletividade, é muito bom, não é a primeira vez que aparece trabalho para mim através da internet. Foi dessa forma.

BC - Em entrevista à Rádio Custódia FM, você comentou que já tinha estado em Pernambuco com outras peças de teatro? Com a Paixão de Cristo foi a primeira vez?

Felipe - Não, já fiz umas quatro peças quando vim pra cá, entre Recife, Caruaru e Garanhuns. Já gravei uma novela da Record aqui, em Serrambi-PE(litoral Sul do Estado). É muito lindo lá. Eu gosto daqui e de Pernambuco em geral.

BC - Dentre as cenas realizadas na peça como Jesus Cristo, qual foi a mais emocionante?
Felipe - Várias cenas. Além da cena da encenação como a Via Crucis, onde ela visualmente emociona, tem cenas para mim, que o texto mesmo das mensagens de Jesus emociona. A Santa Ceia. O Sermão da Montanha. A cena da tentação com Babu Santana(interpretou Satanás). São textos que eu falo que são palavras eternizadas por Jesus, é muito legal você falar como ator esses textos. São textos que tem um peso.

BC - O que achou da produção do evento e dos atores locais?

Felipe - Eu acho assim, a cidade inteira fez um esforço muito grande para tornar o espetáculo real. Você vê que é uma coisa da comunidade. Todo mundo envolvido. Costureira, Cenógrafo e Carpinteiro. Gente que nunca fez esse tipo de trabalho colaborando com criação de cenários e de outras coisas. É um esforço da comunidade. Isso eu acho muito bacana. É muito difícil você usar um ator que não é profissional, todo mundo que tava lá, estava super disponível, temos uma certa disciplina que aprendemos na carreira de ator ao longo dos anos, poucos foram ao Recife, nunca participaram de um grupo de teatro. São pessoas voluntárias, eles não têm um compromisso tão grande assim. Mas quem tava ontem lá, resistiu ficar no feriado para participar da peça, realmente fez com afinco, com disposição. 

BC - Você já tinha ido para outros interiores pelo país.

Felipe - Sim. Fui em outros Estados, como Roraima e Acre. Aqui em Pernambuco eu nunca tinha ido tão distante. O pernambucano já é muito conhecido pela simpatia, o nordestino em geral, mas o pernambucano  é um povo muito simpático, muito acolhedor. Peço inclusive desculpas para as pessoas ontem que quiseram tirar fotos comigo durante o espetáculo, não pude atender, pois tava em cena e na correria (risos), se eu tirasse foto nesse momento não chegava a tempo no palco. Fora isso, um carinho enorme das pessoas, procurei atender o melhor possível, é bom a gente ter esse contato assim com o público. 

BC - Em 2013 você tem muitos trabalhos a realizar?.

Felipe - Estou fazendo um filme que se chama Aprendiz de Samurai, quando eu retornar vou continuar a gravar. Tem um projeto para um programa na TV a Cabo para o segundo semestre.

BC - Você ta escrevendo algo para cinema no momento?

Felipe - Sim. Tenho dois longa metragem à caminho escritos por mim, e tem um texto que venci um concurso anual de dramaturgia do Ministério da Cultura, que quero ver se eu monto ainda esse ano. 

BC - Deixe uma mensagem para seus fãs em Custódia e para todos os leitores do Blog Custódia Terra Querida.

Felipe - Agradecer a todos as pessoas de Custódia e da região, pela acolhida, espero que todos tenham gostado da minha atuação, tenho certeza que todo mundo tava procurando fazer o melhor de si, que possamos se reencontrar outras vezes e quem sabe eu voltei à Custódia com o espetáculo ou com outra peça em uma outra oportunidade. Obrigado.


 

25 junho, 2026

A Menina que limpava livros - Paulo Mapu

 


- A menina que limpava livros...

Era seu primeiro dia como higienizadora de livros na Biblioteca...nada melhor do que começar a limpeza pelo Poema Sujo de Ferreira Gullar era preciso deixá-lo limpinho, onde já se viu um poema sujo.

Enquanto limpava os poemas seu coração se agitava com o poder das palavras que saltavam dos livros como se tivesse vida própria.

Seu trabalho foi se tornado uma missão e sem pedir permissão foi modificando os versos de acordo com sua imaginação.

Não bastava matar os fungos, retirar o mofo impregnado pelo tempo...era preciso ir além limpar os versos e os gestos que para ela era mais forte do que a própria sujeira contida nas páginas...

Foi assim que com pena do Homem Bicho, ou do Bicho Homem, de Manuel Bandeira catando comida entre os detritos...resolveu sentá-lo em uma mesa farta de alimentos ao lado de gente importante como está escrito nas Sagradas Escrituras Deus tira o pobre do monturo e o faz assentar ao lado de príncipe do seu povo.

Umas pilhas de outros autores ficaram sobre sua mesa para serem higienizados...e se necessário modificado em histórias alegres...afinal chega de tanta tristeza pensava a menina.

Logo cedo na manhã cai na sua frente o poeta Leminski brigando com sua própria criação...que como ele tornava-se revoltado e desobediente rimando frases não ditas nem pensadas por ele.

À medida que ia limpando os livros ela também se limpava dos seus conceitos e preconceitos e foi assim que entrou em contato com Maiakovski e lavou seu coração enlouquecido pela paixão...

Não foi sem razão que mexeu nos versos de Augusto dos Anjos tirando o gosto de cemitério em alegres jardins primaveris.

Não poupou os clássicos, ressuscitou Romeu e Julieta que envelheceram juntos vivendo de amor.

Achou muito asqueroso a barata de Kafka e dela surgiu uma borboleta colorida em pleno voo pousando em uma flor.

Teve pena também de Mario de Andrade atirando para o diabo suas tripas e num gesto piedoso deu-lhe um destino mais digno jogou-as para os urubus e o resto deixou como estava, o sexo na Paissandu, os pés na Rua Aurora, apenas fez uma mudança em relação aos ouvidos, telegrafo não mais existe...se queres saber da vida alheia, basta deixar os ouvidos em cima da Torre de Brasília e ali ficar bem atento.

Enquanto limpava os livros, a menina ia também se politizando...por isso descobriu que a fome não era uma sina, a fome não era preguiça nem tampouco era um destino, foi graças a Josué de Castro com seu livro proibido que veio a revelação: a fome era produto da má distribuição.

Enfim sua profissão tão nobre e merecedora foi lhe trazendo angustia por não poder transformar tanta dor e agonia vivida ao seu redor, os livros ficaram limpos, os versos ficaram certos...mas os homens continuaram dormindo pelas calçadas as crianças perderam as praças e os carros encheram as ruas...

Paulo Mapu
São Paulo-SP
18.03.2014

Lido no ato do livrocidio de Osasco em 07.04.26

22 junho, 2026

Biografia Joaquim Tenório Sobrinho


Joaquim Tenório Sobrinho nasceu em 22 de dezembro de 1922,  em Custódia, filho do casal Gabriel Ferreira Arcanjo e Maria Tenório De Melo. O casal ainda teve mais 8 filhos, são eles: Maria Tenório Veras, José Tenório de Melo, Sebastião Tenório De Melo,  Antonia Tenório Da Silva, Antônio Tenório Sobrinho, Francisca Tenório De Melo, Rita Tenório Da Silva e Solidade Ferreira Cirilo.

Ainda residindo em Quitimbu, casou-se com Maria José Oliveira em 20 de agosto de 1944. 

Foi o primeiro da família a migrar para o sul, embora nunca tivesse deixado de proclamar sua paixão por sua terra. A circunstância, porém, assim o exigia, não chovia naquela região há algum tempo e desta forma tornou-se ele mais um retirante da seca.


Casal Maria José Oliveira e Joaquim Tenório Sobrinho


Foi vaqueiro, agricultor, comprador e vendedor de caprino e suíno, além de marchante (açougueiro) em Quitimbú, distrito do municipio de Custódia, em Pernambuco; trabalhou em lavouras da região de Novo Cravinho, distrito de Pompéia-SP e no município de Marília.

Mudou-se para Mato Grosso do Sul no ano de 1955, seu destino desde que saiu de sua terra natal, o que não aconteceu no primeiro momento porque, o dinheiro findou-se por completo em São Paulo-capital, tendo sido obrigado a procurar na Estação da Luz, o serviço de migração e de lá, acompanhado da esposa grávida e dos filhos Luizinho e Marizalve, tomar outro rumo e não o que projetara inicialmente.




Natal de 1986
último natal em familia.
(Joaquim tenório e sua esposa Maria José Oliveira)

Chegou a Cassilândia tempos depois, no dia 12 de abril de 1955. Sua família havia proliferado (coisas do sangue nordestino) haviam nascido mais três filhos: Lourdes, Cícera e Francisco de Assis, nascidos no interior do Estado de São Paulo. Deu uma volta na cidade, quando pode verificar não existir nenhuma carroça para fazer frete, sem pensar muito voltou ao interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Rubiácea, adquiriu uma com animal e tralha e rumou de volta a Cassilândia. Lá se foram 10 dias de viagem, dormindo ora embaixo da carroça ora em galpões ou paióis de fazendas.

Assim que retornou, iniciou o trabalho duro juntamente com seu filho mais velho, Luizinho; poucos dias depois estava de volta a Rubiácea para comprar outra carroça, o que foi feito sucessivamente durante 18 meses, período em que comercializou algo em torno de 40 destes veículos, tendo adquirido recurso suficiente para comprar um sítio, loteá-lo e homenagear seu estado de origem dando o nome do novo bairro de VILA PERNAMBUCO - o maior da cidade.

Comprou fazendas, chácaras, sítios, gado, jipes, caminhonetes, caminhões e até aviões. Também foi o primeiro corretor de fazendas de Cassilândia.


1º hidrelétrica de Cassilândia-MS,
foi construida por Joaquim Tenório Sobrinho,
esta usina foi um marco na história da cidade,
antes da construção o município tinha energia a motor,
e mesmo assim, era usada por poucos.

Foi vítima de um acidente de avião quase fatal, no dia 02 de julho de 1968, no aeroporto de Ribeirão Preto-SP. Inexplicavelmente a aeronave caiu logo após decolar. Passou meses na UTI, teve seu rosto completamente deformado, o que não pôde ser corrigido a contento por cirurgias plásticas, dada a gravidade do acidente. Ainda assim não se deixou abater, dado seu carisma e coração devotado ao bem de seu próximo, tornou-se político por imposição do povo.

É, até hoje em dia, proporcionalmente o vereador mais votado da história de Cassilândia-MS, obteve 35% dos votos válidos em sua primeira eleição. Para que tal votação seja superada, hoje, são necessários algo em torno de 4.500 votos! Foi Presidente da Câmara Municipal, uma vez vice-prefeito e duas vezes prefeito.

Maria Tenório de Melo, minha avó, a prima de Dodô, faleceu aos 77 anos, no dia 15 de abril de 1962, em Volta Redonda-RJ, vítima de um acidente, quando retornava ao estado de Pernambuco, depois de uma visita aos filhos em São Paulo e Mato Grosso, respectivamente.

Ela pretendia fazer uma visita ao seu primo Tenório Cavalcante, o lendário “Homem da Capa Preta”, em Duque de Caxias, para onde seguia antes de voltar para sua terra, vez que na adolescência residira por aproximadamente 4 anos na pequena propriedade rural de seu tio, pai de Tenório, de quem a mesma cuidou.

Acalentava o sonho de conhecer um avião, achava, conforme ela mesma dizia: interessante ver aquelas máquinas voando como pássaros. Seu filho, Joaquim, sabendo disso a esperou em Jales-SP, no final de 1961, com um avião de sua propriedade. Lembro-me, como se fosse hoje, de lhe perguntar se havia gostado da viagem, ela respondeu que adorara, mas que havia ficado mouca (surda). Este foi o primeiro e único reencontro de Maria Tenório com Joaquim e sua família, dado o desfecho no Rio de Janeiro.

Os contatos anteriores a esse reencontro eram apenas por correspondência, via cartas, que demoravam de 30 a 60 dias para chegarem ao seu destino. O sistema de telefonia (interurbano) praticamente não existia, quando muito se falava de uma capital para outra ou de uma cidade grande para outra também grande, com demora nunca inferior a 10 horas.

O interurbano chegou a Cassilândia somente nos idos de 1976, com Pernambuco na prefeitura, quando fez questão que o então Pároco da cidade, Pe. Jhon Pace, fizesse a primeira ligação internacional para um parente residente em Washington, capital dos EUA. Na sequência, ele próprio ligou para o último governador de Mato Grosso uno, o sergipano José Garcia Neto, em Cuiabá.


Filho Luizinho Tenório em frente a Prefeitura de Cassilândia-MS
O prédio leva o nome de Joaquim Tenório Sobrinho

Dois dos filhos de Joaquim Pernambuco enveredaram na política, eu, Luizinho Tenório, em Mato Grosso do Sul; e o caçula, Francisco de Assis Tenório, no Mato Grosso.

As filhas são educadoras e também moram em Cassilândia.

Concomitantemente a política, fui Fiscal de Rendas até me aposentar e hoje, enquanto economista, presto consultoria a diversas empresas, Câmaras e Prefeituras. Assis é empresário do setor madeireiro com atividades em diversos Estados do país.

Espero ter sido o mais esclarecedor possível, é muito bom, mesmo que a distância, sentir-me com um pé em minha terra, em meu berço!

Aos conterrâneos custodienses um abraço fraterno do sempre sertanejo.

Autor Luizinho Tenório 


Joaquim Tenório Sobrinho pelos filhos:


Joaquim Tenório Sobrinho foi mais que um homem público ímpar, foi um ser - humano notável, não se entregou à tragédia da morte prematura do pai nem às intempéries de sua terra natal, castigada pela seca. Foi senhor de sua própria história, mesmo tendo tudo contra ele não se entregou. Assumiu ainda na adolescência a responsabilidade de chefiar sua família, não se furtou à sua predestinação, quiçá outorgada-lhe por Deus, de superar seus próprios limites em nome do bem do seu próximo. Sua mãe e irmãos foram os primeiros a vislumbrar o visionário obstinado que tempos mais tarde viria a ser revelado aos olhos de gente de tão distante terra, mas que veio a ser tratada por ele como uma extensão de sua família.

Em Cassilândia, o Joaquim Pernambuco, como ficou conhecido, construiu sua saga. De humilde retirante, quase miserável, mas pertinaz como poucos veio a se tornar um dos maiores produtores rurais da região, e antes de se tornar político, diga-se de passagem. Mas seu grande feito não foi simplesmente ter vencido a miséria e ter guinado os rumos de sua própria história e de sua família, seu grande mérito foi não ter se deixado embevecer pelo dinheiro e pelo poder.

Jamais perdeu de vista suas origens e justamente por isso nunca negou auxílio a quem quer que fosse. Mesmo após ter amargado a derrocada financeira, continuou ajudando àqueles que buscavam auxílio sobre suas asas, pois era bem assim que ele se portava, como um grande pai que a todos acolhia sob suas benesses. A Vila Pernambuco é , hodiernamente, a prova mais tangível disso, embora seja apenas a ponta do iceberg. Um bairro inteiro, o maior da cidade, entregue à população carente!

Sem deixar transparecer a mínima ponta de amargura continuou a ajudar ao próximo até o último dia de sua vida, literalmente, tendo doado o último punhado de arroz que tinha em casa pela manhã a um pedinte alegando à esposa que ao menos eles contavam com crédito na venda da esquina, mas aquele coitado nem isso. Veio a falecer poucas horas depois.

São inúmeros os casos de prova de humildade e fraternidade deste homem que poderíamos continuar a enumerar, aqui, mas este não é nosso objetivo. A homenagem já foi feita e por jovens que sequer chegaram a conhecê-lo pessoalmente, o que reforça ainda mais nosso sentimento de gratidão. Toda tentativa de se manter vivos na memória do povo vultos do passado que ajudaram a construir nosso presente são louváveis, pois um povo sem história, não é um povo, é tão somente um agrupamento de indivíduos sem identidade coletiva, sem referências.

Mais uma vez agradecemos pela distinta homenagem e apresentamos nossos votos de sucess.

Por: Luizinho, Marizalve, Lourdes, Cícera e Assis Tenório.


Joaquim Tenório Sobrinho em homenagem Póstuma do Cassilândia Urgente

A SAGA DE PERNAMBUCO, O PREFEITO DOS POBRES



Joaquim Tenório Sobrinho, o Pernambuco, mais conhecido como o prefeito dos pobres, nasceu na cidade de Custódia, Estado do Pernambuco, sob o sol inclemente no agreste nordestino, no dia 23 de dezembro de 1922.

Pernambuco, segundo as palavras do poeta repentista Carolino Leobas, é o “Herói nordestino/Que se jogou no mundo/Para cumprir seu destino/Pois a sorte da pessoa/Já se traz de pequenino.” Esse poeta, em simples palavra, soube muito traçar a trajetória de Joaquim Pernambuco, que foi dono de uma grande história.

Filho de um lavrador chamado Gabriel Ferreira e de dona Maria Tenória, foi crescendo e aprendendo que no mundo é preciso lutar muito, que na vida é preciso determinação para vencer as barreiras, é preciso ter vergonha na cara. No dia 20 de agosto de 1944, casou com Maria Francisca de Oliveira e com ela teve os filhos Luiz e Maria Isalve.

Em busca de melhores condições de vida, deixou o seu rincão e rumou-se para o “Sul”, a bordo de um pau de arara, durante 11 dias, chegando finalmente à capital paulista, pegando um trem para Pompeia, onde ficou por seis anos, trabalhando numa fazenda de propriedade de Osvaldo José Paroni. Depois, passou uns tempos em Cravinhos, também em São Paulo, e lá nasceram os filhos Maria de Lourdes, Cícera e Francisco, num total de cinco herdeiros.Homem corajoso e determinado, Pernambuco mandou a cara no mundo e veio parar na região de Cassilândia no dia 12 de abril de 1955 para trabalhar inicialmente como carroceiro, isto é, no ofício de fazer frete com uso de carroça. Um certo dia, dona Walkíria Romão o viu, cheio de amigos para ouvi-lo, não se conteve e comentou para si própria:

Este é um grande homem. Pelo seu carisma de conquistar amizades, ele vai conquistar todos os cassilandenses. Ele é muito especial. Sabe ser simples e humilde. E realmente eu estava certo. Pernambuco foi uma pessoa extraordinária. Nasceu assim e assim morreu.

Como carroceiro, trabalhou um ano e meio. Naquela época começou a ganhar dinheiro. Num passe de mágica, estava com 18 carroças bem equipadas e novas. Daí passou a fazer “gambiras”, ou seja, negócios na base da troca, compra e venda de mercadorias diversas. Eram terrenos, carroças, materiais, apetrechos, utensílios domésticos, chácaras, fazendas. Começou a chover dinheiro em sua hora e ali acabaram os tempos de miséria e de sofrimento pelo mundo.

Havia dois tipos de transporte naquela época: a carroça era para carregar mercadorias e a charrete era para carregar pessoas como fazem os táxis nos dias de hoje. Na compra e venda de carroças e charretes, ele ganhou um bom dinheiro. Ia a São Paulo, fazia as compras e vendia tudo aqui em Cassilândia. Uma fórmula simples que funcionou por algum tempo até esgotar esse nicho de mercado.

Como lembra o ditado, “Deus dá a farinha e o Diabo carrega o saco”, as amizades multiplicaram, afinal os amigos não faltam na hora de gastar o dinheiro. E, assim, vivia Pernambuco, ora rico, ora mais pobre, mas sempre rodeado de muita gente.

E foi assim que recebeu o convite para entrar na política, elegendo-se vereador no pleito de 3 de outubro de 1958, assumindo o cargo no dia 31 de janeiro de 1959, ao lado de mais quatro vereadores, e, tendo sido o mais votado, foi aclamado presidente da Câmara de Vereadores de Cassilândia.

Na eleição seguinte, elegeu-se prefeito, assumindo o cargo em janeiro de 1963, tendo como vice-prefeito Manoel Nogueira da Cunha. Nesse mesmo ano empenhou-se ao máximo para trazer o Banco da Lavoura, iniciou a construção da cadeia em 1964, inaugurada em 1965; montou a usina do salto do Aporé, utilizando as aparelhagens adquiridas pelo primeiro prefeito eleito, Sebastião Leal. A verba ele conseguiu junto ao governador Fernando Correa da Costa. A usina foi inaugurada em julho de 1963. Naquela época construiu várias pontes de madeira para melhorar o tráfego de veículos. Concluiu a construção do prédio da Prefeitura, do Forum, construiu dois grupos escolares, comprou uma moto niveladora e caminhão, com parte do dinheiro do bolso, já que a Prefeitura não tinha condições financeiras.

Naquela época, ia ao Paraná, Minas Gerais e Goiás para buscar gente com a finalidade de morar em Cassilândia, já que a mão de obra estava escassa por aqui, pois visava o rápido progresso do município. Para incentivar a vinda das pessoas, ele doava o terreno e até ajudava na construção da casa. Assim, ficou conhecido como o prefeito dos pobres e passou a ser cada vez mais procurado pelos carentes.

No ano de 1968, Pernambuco e o amigo Expedito Baiano, apelido de Expedito Alves de Lima, viajavam a bordo de um avião particular, de propriedade do senhor Manoel Valente, tendo como piloto Miguel Capistânia, rumo a São Paulo, mais precisamente Ribeirão Preto, lá cuidaram de negócios. No retorno a Cassilândia, na decolagem do avião, ocorreu o imprevisto, o avião ganhou uma boa altura e de repente caiu na pista do aeroporto, chocando-se violentamente no solo e causando ferimentos gravíssimos nos ocupantes. Expedito Baiano quebrou uma perna e um braço, tendo que ficar internado durante 38 dias. Mas o pior ocorreu com Pernambuco, que teve sua face toda esfacelada, precisando de um transplante, afinal teve o nariz decepado pelas ferragens da aeronave. Ficou durante três meses internado e sofreu de súbito uma notável transformação na fisionomia, ficando com o nariz achatado e a voz anasalada, características que carregou até a morte.

E Pernambuco permaneceu bem com os pobres de Cassilândia, sendo muito humano na hora de suas necessidades e chegando até a pagar salários dos servidores com dinheiro do próprio bolso quando a verba da Prefeitura não dava para suprir as despesas municipais.

A porta de sua residência estava sempre aberta para o povo, não se percebia nem tramela, trinco ou chave, a exemplo de seu coração que era do tamanho de Cassilândia.

Foi convidado novamente para se candidatar a prefeito pelos amigos e acabou sendo eleito em 15 de novembro de 1969 como vice-prefeito de Ib Fabres de Queiroz, juntos construindo várias obras no município.

Novamente voltou ao paço municipal e desta vez como prefeito no dia 15 de novembro de 1972, declarado prefeito no dia 31 de janeiro de 1973. Com apenas cinco meses de gestão pôs em funcionamento a usina hidrelétrica do Salto, que havia sido montada pelo ex-gestor Ib Fabres de Queiroz; concluiu a construção de oito grupos escolares na zona urbana; completou prédios escolares que haviam sido iniciados pelo seu antecessor, bem como deixou o prédio do grupo escolar da Vila Bom Jesus quase pronto, já em fase de acabamento; trouxe o interurbano telefônico nacional e internacional, que foi inaugurado pelo padre John Pace, ao unir Brasil e Itália, via DDI, fato solene ocorrido na Praça São José, muito aplaudido pelos presentes, com o uso de um orelhão improvisado.

Ao lado do senhor Ib Fabres de Queiroz, foi o prefeito que mais efetuou abertura de estradas no município, e, sobretudo, foi uma das pessoas que mais fizeram pelos cassilandenses, sobretudo em assistência social. Um pau-de-arara de outrora se transformou no mais humano e amigo prefeito que Cassilândia já viu.

Deixamos que o poeta repentista Carolino Leobas termine a história de Joaquim Tenório Sobrinho, o imortal Pernambuco de todos nós. 


Estava em 12 de abril
Há muitos anos atrás,
Quando entrei em Cassilândia
Para ficar e não sair mais.

Enxada? Foice? Facão?
Machado? Carga pesada?
Nunca pensei duas vezes:
Topava logo a parada.

Era pobre, sem recursos
Não vou mentir pra quê?
Mas tinha um forte desejo:
Trabalhar para vencer.

Lidei com burro e carroça,
Fiz gambiras – não sei quantas!
Matei Bichos, vendi couros
De onça, cateto e anta.

Fotos extraídas do Museu da Imagem de Cassilândia / Facebook.

21 junho, 2026

Biografia: Veneranda Alves de Góis - Dona Sinhá



Veneranda Alves de Góis
nasceu em 20 de maio de 1919, na cidade de Afogados da Ingazeira, Pernambuco. Era filha de Antero Alves de Góis e Maria Madalena Alves de Góis.

Ainda criança, mudou-se com a família para o Sítio Várzea Grande, na zona rural deste município. Anos mais tarde, já na adolescência, passou a residir definitivamente na cidade de Custódia.

Realizou seus estudos no tradicional Colégio Santa Doroteia, em Pesqueira, instituição fundada pela Congregação das Irmãs de Santa Dorotéia e amplamente conhecida como "Colégio das Freiras". Com mais de um século de história, o educandário destacou-se pela excelência do ensino confessional católico e pela formação de inúmeras gerações de pernambucanos.

Dedicou parte de sua vida ao magistério, atuando como professora do Grupo Escolar Joaquim Inácio, em Custódia. Ao longo de sua carreira, lecionou para diversas gerações de estudantes, sendo lembrada pelo compromisso, dedicação e amor à educação. Seu nome permanece como uma das grandes referências da história educacional do município, ao lado da também renomada educadora Maria Augusta do Amaral, carinhosamente conhecida como Dona Manoca.


Na vida pública, ingressou no serviço estadual em 1952, quando foi nomeada pela Diretoria de Rendas do Interior para exercer o cargo de Auxiliar de Escrita na Secretaria da Fazenda, em Afogados da Ingazeira. Ainda naquele ano, foi transferida para a Coletoria de Pesqueira.

Foi nomeada para trabalhar na Escola General Joaquim Inácio, em maio de 1947 juntamente com a professora Aliete Ferreira Leal. Na mesma portaria foram nomeadas: Alice de Souza Ferraz (Betânia), Marieta de Souza Lima (Boa Vista) e Genesia Mariano de Rezende (Distrito de Maravilha).

Em 1954, foi aprovada em concurso público, da Secretária da Fazenda, para o cargo de Escrivão de 4ª Classe, conquistando a 25ª colocação.

No ano seguinte, passou a atuar na Coletoria de Alagoinha-PE, sendo posteriormente transferida para a Coletoria Estadual de Joaquim Nabuco, zona Mata Sul do estado de Pernambuco.


Foto recriada com uso de IA


Ao longo de sua carreira no serviço público estadual, Veneranda Alves de Góis foi sucessivamente promovida em reconhecimento à sua competência, dedicação e aos relevantes serviços prestados à administração fazendária de Pernambuco.


Em 1961, foi promovida do cargo de Auxiliar de Escrita de 3ª Classe para o de 4ª Classe, consolidando sua ascensão funcional. No ano seguinte, passou a exercer suas atividades na Coletoria Estadual de Custódia, onde permaneceu por mais de duas décadas, desempenhando suas funções com reconhecido zelo, responsabilidade e compromisso, até sua aposentadoria.

Aposentou-se em 10 de março de 1988, no cargo de Agente de Administração Fiscal, após décadas de relevantes serviços prestados ao Estado de Pernambuco.

Veneranda nunca se casou e não teve filhos. Dedicou-se, porém, à criação e educação de seus sobrinhos: Paulo Gilvan de Góis, Francisco de Assis Góis (Cleomates), Antônio Robélio de Góis, José Petrônio Góis e José Carlos Góis, aos quais dedicou carinho, cuidado e orientação.

Faleceu em 20 de abril de 1994, na Unidade Mista Elisabete Barbosa, em Custódia, aos 74 anos de idade, em decorrência de uma úlcera duodenal.

Pela sua dedicação ao ensino, ao serviço público e à formação de inúmeras gerações de custodienses, Veneranda Alves de Góis permanece como uma figura de destaque na história do município de Custódia, deixando um legado de trabalho, integridade e compromisso com a educação e com a administração pública.

A Família Góis no Sítio Várzea Grande, em Custódia (PE)


A história da família Góis no Sítio Várzea Grande confunde-se com a própria formação da zona rural de Custódia, no Sertão do Moxotó pernambucano. Ao longo de gerações, seus membros contribuíram para o desenvolvimento da comunidade por meio da agricultura, da pecuária e da preservação dos valores tradicionais que caracterizam as famílias sertanejas.

Raízes da família Góis

O sobrenome Góis — também grafado Góes em documentos antigos — possui origem toponímica, derivada da antiga vila de Góis, localizada no distrito de Coimbra, em Portugal. Com a colonização portuguesa, diversos ramos da família estabeleceram-se no Brasil, especialmente no Nordeste, onde participaram da ocupação do interior e da expansão das atividades agropecuárias.

Em Pernambuco, a família Góis consolidou sua presença em diferentes municípios sertanejos, entre eles Custódia, Betânia, Flores, Serra Talhada e Afogados da Ingazeira, tornando-se parte do conjunto de famílias tradicionais que contribuíram para o povoamento e o desenvolvimento econômico da região.

O Sítio Várzea Grande

Situado na zona rural de Custódia, o Sítio Várzea Grande integra a paisagem típica do Sertão do Moxotó, marcada pelo clima semiárido, pela vegetação da caatinga e pela proximidade do Riacho Várzea Grande, afluente da bacia hidrográfica do Rio Moxotó.

Historicamente, a economia local esteve baseada na agricultura de subsistência, com o cultivo de milho, feijão e mandioca, além da criação de bovinos, caprinos e ovinos. Como em grande parte do sertão pernambucano, a convivência com os longos períodos de estiagem moldou o modo de vida da população, fortalecendo os laços de solidariedade entre as famílias e consolidando uma cultura de resistência e adaptação às condições do semiárido.

Formação da comunidade

A ocupação das terras da região ocorreu de forma gradual, por meio da divisão de propriedades entre herdeiros e da formação de novos núcleos familiares. Dessa maneira, o Sítio Várzea Grande tornou-se um importante espaço de convivência entre famílias aparentadas, unidas por vínculos de parentesco, compadrio e casamentos.

Nesse contexto, a família Góis destacou-se como uma das responsáveis pela consolidação da comunidade, preservando tradições, transmitindo conhecimentos e participando ativamente da vida social, econômica e religiosa da localidade.

A importância da memória familiar

Grande parte da história das famílias sertanejas foi preservada por meio da tradição oral, complementada por registros paroquiais, documentos civis, inventários, escrituras e demais fontes históricas. Esses registros permitem reconstruir a trajetória dos primeiros moradores, compreender os vínculos familiares e preservar a memória das gerações que ajudaram a construir o município de Custódia.

O resgate da história da família Góis representa, portanto, mais do que uma pesquisa genealógica: constitui uma forma de valorizar o patrimônio cultural do Sertão do Moxotó e reconhecer a contribuição daqueles que, com trabalho, perseverança e espírito comunitário, participaram da formação histórica da região.


Texto: Familiares Alves de Góis
Pesquisa: Paulo Peterson

16 junho, 2026

Jovem ator custodiense fez participação em novela da Globo em 2014

 



Em 2014, a Rede Globo exibiu em sua programação a novela Amor à Vida, escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Wolf Maia. A produção contou com um elenco de destaque, formado por Paolla Oliveira, Malvino Salvador, Mateus Solano, Antônio Fagundes, Susana Vieira, Vanessa Giácomo, Juliano Cazarré e Elizabeth Savalla.

Naquele período, o jovem ator custodiense Salmo Silva residia no Rio de Janeiro, onde estudava teatro e participava de novelas, séries e produções cinematográficas. Durante aproximadamente oito meses, dedicou-se intensamente à atuação. Posteriormente, passou a atuar na área de eventos, sem abandonar os palcos, tendo trabalhado ao lado de nomes renomados do teatro, como Eduardo Martini, Marquinhos Moura e Regiana Antonini.

Sua participação em Amor à Vida ocorreu em uma das cenas envolvendo os personagens Gina, interpretada por Carolina Kasting, e Elias, vivido por Sidney Sampaio. Na trama, os dois formaram um casal após a conversão de Gina ao evangelismo.



Salmo Silva (2026)


Como curiosidade, durante as gravações, Salmo Silva teve a oportunidade de conversar com Sidney Sampaio nos bastidores. Na ocasião, o ator demonstrou grande interesse em conhecer e participar do espetáculo O Cristo da Paixão, realizado em Custódia. Sidney relembrou sua experiência na encenação da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, da qual participou em 2011. Ao final da conversa, destacou sua admiração pelo estado de Pernambuco, afirmando ter gostado muito da experiência de estar na região.

Por Paulo Peterson

15 junho, 2026

Foi Assim 1 - 2ª Edição ampliada e revisada (Fernando Florêncio)

 


2ª edição de FOI ASSIM!...

Uma história autobiográfica de Fernando Florêncio.
Revisada e ampliada.

Quem quiser adquirir o exemplar, entrar em contato com o autor,
pelo e-mail:
florencio.fernando@hotmail.com 


 

14 junho, 2026

DVD Vozes da Cidade Cantam Almir Mello


Em 30 de Setembro de 2013, o Teatro Municipal de São José dos Campos
recebeu mais de 30 profissionais da música regional local, 
para cantar as composições do maestro custodiense Almir Mello.

O áudio completo dessa apresentação, está disponível no Canal da Rádio CT no Youtube.

Um registro fascinanente desse músico que partiu muito cedo, deixando seu legado músical na cidade de São José dos Campos com sua musicalidade.

No canal no Youtube de Marcelo Mariano,
é possível assistir todos os vídeos dessa apresentação

(Clique Aqui)





13 junho, 2026

Abraço na Praça Padre Leão


 
Em 2015, dia 20 de Junho, a praça Padre Leão amanheceu recebendo abraço dos funcionários da Tambaú Alimentos, durante SIPAT.

Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho, evento anual de conscientização .

Mirante - (Jussara Burgos)

 


Para Marcelo Burgos

No alto de Brasília,
onde o céu cobre a imensidão do Planalto
há um mirante suspenso,sentinela das alvoradas crepúsculos,
nele, nós dois.

Era um dia simples,
como são os dias que não sabem
que serão eternos.

O vento brincava entre os cabelos,
e o horizonte tão aberto
parecia caber dentro dos nossos olhos.

Você ao meu lado, meu irmão,
feito presença firme
num mundo ainda por descobrir.

Cinco décadas passaram
como quem atravessa uma ponte invisível.
A cidade cresceu,
o concreto ganhou histórias,
e nós  espalhamos pegadas pelos caminhos do tempo.

Mas aquela foto…
ah, aquela foto não envelhece.
Ela guarda um momento,

Ali, no alto da Torre,
o futuro era apenas um sopro
e a vida,
uma promessa silenciosa.

Hoje, quando olho de novo,
não vejo só dois rostos
vejo raízes.
Vejo o que ficou,
o que resistiu,
o que ainda nos liga
mesmo quando o mundo nos distancia.

Porque há lugares
que não são feitos de pedra,
nem de altura
são feitos de memória.

E há fotografias
que não são imagens,
são laços
que o tempo
não destrói. 

Jussara Burgos


11 junho, 2026

Celebração entre Sambas de Coco no Sítio Cachoeira da Onça, em Quitimbu.


Foto: José Luis
Sertão Mano Amigo


O canal Sertão Mano Amigo pegou a estrada e foi até o sítio Cachoeira da Onça, na região quilombola de Custódia, para testemunhar um encontro inesquecível: a visita do Samba de Coco Raízes de Arcoverde ao Samba de Coco da comunidade, com a familia Gonçalo. Uma celebração emocionante de ritmo, ancestralidade e pura cultura sertaneja. Celebrando a força e a união dessa tradição.

A família Calixto, dos mestres Assis e Damião, foi recebida pelo grupo Samba de Coco Cachoeira da Onça, com a liderança da mestra Joana (76 anos de idade). Houve uma troca de conhecimento a partir da conexão entre pessoas, famílias, brincantes da cultura popular, corpos, vozes, escutas, entendimentos, contextos, conceitos, criações, realidades, coletividade etc. 

No encontro entre diversas gerações da cultura popular e quilombolas, a mestra e os mestres reforçaram a importância de preservar as tradições, por meio da oralidade, compartilhamento de saberes e da valorização da própria existência/história. O acontecimento também contribuiu para o fortalecimento das pautas de identidade racial, gênero, território, classe e ancestralidade. O Sítio Cachoeira da Onça é um lugar de pertencimento, resistência e memória, além de ancestral, com quilombo, cultura popular de raiz e sabedorias. 

Na ocasião, foram realizadas filmagens, para serem usadas futuramente no longa-metragem, que tem direção e roteiro de Leonardo Lacca. 



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09 junho, 2026

Fábrica de Caroá no Sabá (1940)


Diário da Manhã
26/09/1940


Devido à política de estímulo às constantes fontes de produção do Estado de Pernambuco na década de 1940, a região vivenciou uma expressiva expansão industrial, além da criação de novos empreendimentos. O aproveitamento do caroá, uma das principais iniciativas beneficiadas por esse incentivo, consolidou-se como uma importante fonte de riqueza para o Estado. Essa multiplicação de indústrias foi viabilizada pelo amparo do então governador interventor, Agamenon Magalhães, o que impulsionou o progresso local e a abertura de novos postos de trabalho.

Impulsionadas por esse cenário favorável, as classes produtoras apoiaram o empresário Inácio Miranda & Cia. Ltda. a fundar mais uma fábrica de beneficiamento de caroá. O local escolhido foi o Sabá, na zona rural do município de Custódia. Construída sob rigorosas exigências técnicas, a unidade contava com uma capacidade inicial de processamento de 500 litros diários, volume que, em pouco tempo, saltou para 1.000 litros por dia.

O expressivo investimento financeiro na localidade, estimulado pelo governo estadual, permitiu a aquisição de terras e de maquinários modernos para aperfeiçoar a industrialização da fibra. Com isso, a fábrica do Sabá tornou-se uma das mais importantes de Pernambuco. Além da instalação de energia elétrica, o complexo incluiu a construção de residências para o gerente e para os operários, promovendo uma melhoria significativa no bem-estar e na qualidade de vida dos trabalhadores.

Fonte: Jornal Diário da Manhã