29 abril, 2026

Custodiense Jussara Burgos se torna Membro Titular na Academia Valparaisense de Letras (GO)




A Academia Valparaisense de Letras (AVL) realizou na noite de ontem, a Cerimônia de Posse de seus novos Membros Titulares e Membro Correspondente. Um encontro que celebrou a literatura, a arte e o fortalecimento da cultura naquela cidade.

A custodiense Jussara Burgos, filha do casal José Burgos e Noêmia Pereira, tomou posse como Membro Titular da Cadeira nº 34, que tem como Patronesse Raquel de Queiroz.

Comentou para o Blog Custódia Terra Querida, onde colabora desde do inicio em 2007, sobre a Posse na AVL.

Com alegria serena e o coração tomado de gratidão, compartilho este momento que se inscreve entre os mais significativos da minha trajetória.

A posse na Academia Valparaisense de Letras, ontem, dia 28 de abril de 2026, representa não apenas uma conquista pessoal, mas a celebração de um caminho tecido com dedicação, afeto e perseverança.

Divido, com minha terra querida, este instante de realização, na esperança de que ele também inspire outros a acreditarem na força dos seus próprios sonhos.











DISCURSO

Tudo começa com uma história. Antes mesmo de compreendermos o mundo, já somos conduzidos por narrativas aquelas que nossos pais nos contam, que embalam nossos medos, alimentam nossos sonhos e nos ensinam, com delicadeza, a existir. Crescemos ouvindo histórias e, quase sem perceber, passamos também a contá-las: nos palcos, nas páginas, nas telas e até nos silêncios. Porque, no fundo, viver é isso: tecer histórias com o fio invisível do tempo. Eu fui Gandavo, uma contadora de histórias.

E talvez nunca tenha deixado de ser. Era esse o nome do grupo de teatro amador do qual fiz parte, onde entre luzes simples e sonhos imensos, aprendi que toda existência pede voz. Mais tarde, meu amigo Carlos Lopes, também Gandavo, fundou um blog com esse mesmo nome. E foi ali que minhas palavras encontraram abrigo: publiquei contos, compartilhei caminhos, dividi páginas com escritores de todo o Brasil. E assim, pouco a pouco, fui voltando para casa para aquilo que sempre fui.

Mas houve um instante inaugural, desses que a memória guarda como um milagre silencioso. Eu tinha 16 anos, estudava em um colégio interno de freiras, e escrevi um poema que, quase sem perceber, abriu em mim uma fresta de mundo. Uma colega, cujo pai trabalhava no jornal da cidade, pediu para publicá-lo. Dias depois, voltou com ele impresso e, naquele papel simples, recortei um pedaço de sonho e, com todo carinho, nas férias, levei-o como presente à minha mãe. Ela leu e, emocionada, disse: “Quem sabe se não estou diante de uma Rachel de Queiroz…”

Naquele instante, algo em mim despertou para sempre.

Ao chegar a esta Academia Valparaisense de Letras, não escolhi por acaso a cadeira 34. Sobre meus ombros repousa a honra de ter a cearense Rachel de Queiroz como patronesse a primeira mulher a ocupar um lugar na Academia Brasileira de Letras. Fundada em 1897, sob a presidência de Machado de Assis, a ABL levou oitenta anos para acolher uma mulher. Oito décadas para que o silêncio se convertesse em voz e a voz encontrasse imortalidade.

Ao assumir seu lugar, Rachel não apenas ocupou um espaço:  deu início a um novo tempo. Raquel de Queiroz recebeu outra honraria , foi   também a primeira mulher a receber o Prêmio Camões, consagração que veio pela força incontestável de sua obra e como reconhecimento de um talento que já iluminava gerações. Assim, tornou-se farol para tantas outras mulheres

Escolho esta cadeira como quem faz um gesto de amor e de memória.

É a minha forma de homenagear, com palavras, aquela mulher que um dia me viu antes de mim mesma: minha mãe.

Trago também comigo a presença do meu avô materno, Joaquim Pereira. Foi analfabeto até os 14 anos.

E, depois de aprender a ler, tornou-se um apaixonado pelas palavras, dono da maior biblioteca particular de sua cidade. Ele me ensinou, sem jamais dizer, que nunca é tarde para começar — e que os livros são portas que, uma vez abertas, jamais se fecham.

A poesia de João do Vale me deu asas para voar até aqui.

Ele compôs Rojão de Brasília — e, no tempo em que a Capital nascia do barro e do sonho, ela ecoava na voz de Jackson do Pandeiro, dizendo:

“O Brasil está construindo mais uma grande cidade
Que antigamente foi sonho e hoje é realidade
Está ficando povoado, todo o meu Brasil central
Riqueza própria e glória trouxe a nova capital.”

E mais adiante, como um sopro de encantamento a música diz:

“O Planalto é tão lindo que a gente tem a impressão
Que bem ali, bem pertinho, o céu encosta no chão.”

Foi essa imagem do céu tocando a terra que acendeu em mim o desejo profundo de conhecer o Planalto Central. Em 1976, conheci Brasília foi amor à primeira vista. Nesse ano celebramos nossas bodas de ouro. Brasília foi a ponte para eu chegar aqui. E, entre todas as conquistas, reconhecimentos e caminhos percorridos, a minha maior premiação é este fardão que agora visto não como adorno, mas como símbolo de uma caminhada 

Neste momento tão significativo, agradeço aos amigos e familiares aqui presentes, testemunhas e, muitas vezes, personagens dessa jornada feita de histórias.

Porque tudo gira em torno delas. Uma peça de teatro só respira porque há uma história pulsando em seu coração. Um filme nos atravessa porque reconhecemos nele fragmentos de nós mesmos. E eu estou aqui, diante de vocês, porque acreditei, contei e vivi histórias.

E assim sigo.

Delicadamente tecida por palavras, movida pela emoção, sustentada pela memória.

Porque, no fim, somos isso: histórias que caminham, que sentem, que resistem…e que encontram, na escuta do outro, não apenas abrigo, mas a sua eternidade.




POSSE DOS NOVOS ACADÊMICOS - AVL



Para assistir apenas o discurso de Jussara Burgos, vá até em 1h32min e 09s do video acima.

28 abril, 2026

Mensagem da amiga Lindinalva Almeida para Maria Lenilda (Lena Pereira)



Morre, neste 25 de abril, a querida amiga Lenilda Lins Pereira, na cidade do Recife.

Ah, como dói perder nossos entes queridos, meu Deus!

“Algumas pessoas passam pela nossa vida como o vento leve de uma tarde de verão. Não ficam para sempre, mas deixam uma brisa que refresca a alma.”

O paradoxo da vida é este: aprender o valor da vida ao tempo que, lentamente, a perdemos.

Hoje, todos choramos a partida da nossa conterrânea Lenilda, ou Lena, como era conhecida. A despedida de alguém que parte para a casa celestial traz consigo um sentimento de dor e de tristeza. Mas, devemos seguir adiante, com a certeza de que a ressurreição é o nosso galardão.

Lenilda era filha do Excelentíssimo ex-prefeito do município de Custódia, senhor Adauto Pereira e da professora aposentada, a senhora Nita Lins Pereira. O casal teve dez filhos. Lena era uma dessa prole grandiosa: cinco homens e cinco mulheres.

Nascida no distrito da Maravilha, Custódia – PE.
Credo religioso: católica praticante.
Casada com o Dr. Pedro Pereira Sobrinho (in memoriam).
Mãe de um casal de filhos: Paulo Peterson e Paula Peterson, e avó de três netos.

Lena era uma das moças mais bonitas de sua juventude.
Dotada de vários dons, seus trabalhos manuais eram perfeitos. Educada e sempre presente na vida dos amigos. Trabalhou por muitos anos na Farmácia Pereira ao lado de seu sogro Joaquim Pereira e alguns filhos de Dona Noêmia. Ainda trabalhou no Colégio Técnico, de propriedade de seu esposo, além da Secretaria de Assistência Social no Programa Bolsa Família. 

A mulher: filha, esposa, mãe, irmã, sogra, tia e cunhada. Exímia dona de casa, soube ver todos dentro da célula base da família. Amou-os com afeto e discrição.

Essa saudade vai doer. Com certeza, sentirão a falta da mão amiga, sempre estendida a todos que a procuravam; da palavra de apoio; do café, nos intervalos dos jogos de baralho na casa de sua irmã Rosa; dos almoços em família, quando ela se propunha a cozinhar deliciosos pratos.

As boas lembranças também virão com a cadeira vazia na calçada de sua casa, espaço que aconchegava, todas as tardes, família e amigos para um bom e inesquecível bate-papo.

Aos seus filhos, netos, genro, nora, irmãos, sobrinhos e cunhados, o amor era dado e recebido com toda intensidade.

Amigos, agora só a oração vai diminuir a saudade do anjo bom que já não está entre nós.

Descanse em paz, Lena!

Em nome dos queridos amigos Paulo, Paula e Rosa, estendo nosso sentimento e nossas orações a todos os familiares.

Abraços de paz e luz!

Arnaldo e Lindinalva (Nenê).
Escritora.

Custódia, 26 de abril de 2026.


 

14 abril, 2026

As Vitrines - Jorge Remígio


Jorge Remígio.
Recife, abril de 2026


Estávamos no ano de 1982, porém não lembro qual o mês. Finalmente os irmãos Farias Remígio estavam morando juntos na capital. Não era fácil, para muitas famílias do interior, manter os filhos estudando na universidade. Mesmo esta sendo pública, havia gastos que muitos pais não podiam arcar.

Vamberto era um empresário com familiares em Custódia, inclusive, a sua irmã era amiga das minhas irmãs, e isso facilitou todo o processo do contrato de aluguel do imóvel onde fomos morar. Era um apartamento vizinho ao dele. A juventude é festiva por natureza, e creio que a nossa era até demasiada. Então, nos finais de semana não faltavam festas e encontros com amigos da nossa cidade do interior.

Quando não íamos para a Praia de Boa Viagem, sempre tinha opção nos bares da Ilha do Leite, Boa Vista e principalmente no Derby, onde reinava a feirinha na praça, sempre aos domingos. Olinda era um programa raro, até porque ninguém era motorizado. Vamberto era de outra geração, mas muito ligado a todos nós, e em muitos momentos participava das bebedeiras e batucadas que fazíamos. Ele tinha um carro que eu achava o maior “barato".

É uma gíria da época. Carro esportivo, de playboy como se referiam ao famoso Puma. Conversível, pois arriava a capota, um verdadeiro charme. Porém, tinha um detalhe, só havia dois bancos. Eu desejava muito andar de carona naquele Puma, mas Vamberto quando saia era sempre com a noiva. Claro que sempre mantive a esperança, não dizem que é a última que morre? Pois em um final de tarde de um domingo qualquer, tive uma grata surpresa. Vamberto me perguntou.

-Jorge, você conhece a feirinha do Alto da Sé?
-Não

Eu ia em Olinda no carnaval ou em outro momento esporádico. Ele estava se arrumando para sair, então me veio a interrogação. “Será que ele vai me convidar para ir para essa feirinha? Claro que eu pensei no Puma, como não! Que felicidade quando ele perguntou.

-Queres ir comigo lá?
-Oxe! só se for agora. Eu vou trocar de roupa rapidinho.

Quando retornei, Vamberto falou que havia esquecido uma coisa, entrou no quarto, pegou um revólver e colocou no cós, na parte de trás.

-Jorge, tu estás armado?
–Tô nada, tu sabes que eu entrei a pouco tempo na Polícia Civil, e um revólver é caro.

Atualmente eu estou trabalhando no arquivo, depois eu penso nisso. Nessa época, muitas pessoas andavam armadas, bastava ter condições financeiras para comprar, e também gostar de portar. Não era difícil adquirir o porte de armas. Enfim, o sonho realizado. Entramos no Puma e logo pegamos a grande Avenida Agamenon Magalhães com destino a Olinda. Realmente era uma sensação prazerosa, aquele vento na cara e as pessoas nos seus Fuscas, Brasílias, Chevettes e Corcéis, olhando com admiração para o Puma. Usando um neologismo, era um “amostramento” mesmo, da minha parte. Quando chegamos em Olinda, cidade que respira cultura e contracultura também, já era noite, e, após estacionarmos o carro, nos dirigimos para o bar, Cantinho da Sé. Muito conhecido e, naquele local, era o mais badalado e concorrido. Quando adentramos, já havia bastante pessoas, pois em seu interior não havia mesas vazias. Mas, o nosso interesse era ficar no terraço, pois havia uma excelente vista para o Recife ao fundo. Ficamos fitando o local para descobrir uma mesa vazia. Encontramos, porém não havia tamboretes. “E
agora?” Ficamos em pé ao lado da mesa, esperando o garçom para tomar uma providência.

Foi nesse exato momento que Vamberto viu dois tamboretes sem uso, em uma mesa próxima. “Eita! resolvemos o problema” Será? Tinham dois rapazes na mesa, e quando Vamberto pegou um dos tamboretes, um dos rapazes levantou-se rápido e pegou na outra perna do banco. Puxou forte, mas Vamberto não se intimidou e também deu um solavanco.

Ficaram os dois agarrados ao mesmo tempo no banco, e a troca de impropérios foi grande. O outro rapaz da mesa ficou de pé, mas não interveio. Foi tudo muito rápido, eu fiquei ao lado de Vamberto, e a cabeça estava a mil. Pensava: “Que B.O. pesado da gota” Porque aquilo poderia tomar proporções gigantescas. Vamberto estava armado e qualquer atitude da outra parte que configurasse uma ameaça com arma, o desfecho seria fatal. Eu tinha poucos meses como policial, estava no estágio probatório, que são dois anos, então se me metesse em uma confusão daquela, tinha plena consciência que as consequências seriam problemáticas demais. Todas as pessoas que estavam naquela área externa do bar ficaram na expectativa. Muitas de pé, na iminência de se retirar do local. A bala perdida sempre existiu. Os dois rapazes eram louros e de estatura alta, mas Vamberto os enfrentou de frente, com uma coragem que me surpreendeu. Tenho certeza que os dois rapazes também foram surpreendidos por aquela atitude, pois, após soltar o banco, pediram a conta ao garçom, que observava tudo, próximo onde estávamos. Quando os dois saíram, peguei um banco e sentamos na mesa. Vamos relaxar um pouco, baixar a tensão. Mas, fiquei com a “pulga atrás da orelha”.

-Vamberto, não vamos dar as costas para a entrada do bar, porque pode haver surpresa, esses caras podem retornar.

Momento tenso. Pedimos uma cerveja ao garçom, para aliviar o estresse que foi grande. O bar estava cheio, mas fomos atendidos rapidamente. Quando o garçom chegou à mesa, abriu um grande sorriso para Vamberto, e falou.

-Parabéns! Você foi o único que enfrentou esses caras. Eles são Tenentes do Exército, são gaúchos e já causaram vários problemas aqui no bar. Todo final de semana é um tumulto.

São uns quatro que vem sempre.

Eita! gota, pensei no ditado que diz.”Nada é tão ruim que não possa piorar”. Eu sabia que havia um Quartel do Exército na PE 15 e não era muito distante dalí. Então, falei para Vamberto.

-Vamos sair daqui rápido, é muito provável que esses Tenentes cheguem aqui com a Polícia do Exército. Com certeza eles se sentiram desmoralizados e vão querer a desforra

Vamberto ainda quis argumentar que não poderíamos sair correndo dali, mas convenci ele, dizendo que não precisava correr, mas pagar a conta e ir para outro local. Estávamos vivendo em um regime ditatorial, e sabíamos como as coisas eram resolvidas, principalmente quando se envolvia algum militar. Fomos pagar a cerveja, mas o dono do estabelecimento falou que já estava paga. Nem questionei quem havia pago, mas com certeza foi uma cortesia. Saímos do Cantinho da Sé, e seguimos para o outro lado da igreja, e entramos em um bar muito convidativo, até pela bela decoração. Sentamos em uma mesa sem o menor problema, local aconchegante, e pedimos uma cerveja. É como se a poeira tivesse baixando, a normalidade dando as caras. Que tensão, ufa! Agora estava tudo bem, a luz não muito forte, exigia uma melhor observação do ambiente. Olhei os abajus as plantas, e há poucos metros de onde estávamos, uma radiola de ficha luminosa, tocava AS VITRINES, música e letra de Chico Buarque de Holanda.



08 abril, 2026

Praça Padre Leão e seus pontos comerciais no final da década de 70



No primeiro imóvel da foto, funcionou a Farmácia de Elpídio Pires, entre 1963 e 1964.

Posteriormente foi de propriedade de Severino Pinheiro. A residência seguinte foi do Sr. Evilácio Bernardo da Silva e Joana Rodrigues da Silva, ele tinha um bar e uma mercearia, vizinho ao bar de Jurandir, Bar Fênix.

Depois o famoso Bar Ponto Certo. Em 1962, pertencia a Demócrito Rodrigues de Queiroz, tempos depois foi de Gerson Rodrigues de Queiroz (Deta), entre 1970 e 1973. Foi de propriedade também de Joãozito, João do Ponto Certo, e por fim, de Luciano Góis Veríssimo.

A loja seguinte, na década de cinquenta foi uma loja de tecidos de Antenor Pires, depois de Severino Pinheiro, posteriormente foi o primeiro supermercado da cidade, pertencente a Heleno Chaves, depois Supermercado Ribeiro, e hoje lojas Americanas.

Seguido do prédio que foi a Padaria Confiança, de João Miro da Silva e esposa Jovelina, depois os dois prédios conjugados, que era a Casa Góis, de propriedade dos irmãos Domingos Alves de Góis e Sebastião Alves de Góis.

Por último, após o beco, a padaria de Pedro e Delicia Rafael. Posteriormente vários familiares assumiram atividades nesse local, Geralmino, Rildo e Reginaldo.



No outro lado da Praça, com vista da torre da Igreja Matriz a primeira casa, antigamente foi o Cartório de Né Marinho, Budega de Joventino, sua residência em seguida, a casa onde hoje é a Cisagro, era a casa do pai de Zé Agostinho que casou com Vânia Rafael.

O prédio seguinte, só foi o supermercado Ribeiro, em 1976. Nessa época devia funcionar algum bar.

Residência de Zezito Caju e o prédio seguinte, foi o consultório odontológico de Dr. Pedro Pereira Sobrinho, hoje é a Varadinha do Vavá.

Na esquina do outro lado, por muito tempo foi a mercearia e bar de Valdeci, filho de seu João Barros. Já foi Pizzaria e até hoje é o BAR ALTAS HORAS.

Na sequencia a residência de Manoelzinho Cassiano, pai de Neli Aleixo. Após a loja de móveis dos irmãos João e Inaldo Azevedo e o prédio da Farmácia Pereira, fundada em 1937.

Paulo Peterson, com apoio de José Melo e Jorge Remígio.

05 abril, 2026

Das galinhas ao helicóptero: a trajetória que moldou um advogado de sucesso


publicado originalmente em:
Naçao Juridica. 


O início de uma trajetória profissional é, muitas vezes, definido pela resiliência. No interior do Maranhão, um episódio tornou-se emblemático: o recebimento de honorários advocatícios representados por duas galinhas na porta de um fórum. Embora o gesto tenha sido registrado com orgulho pelo profissional, foi alvo de ironia por quem limitava o conceito de sucesso ao valor financeiro imediato.

Para o advogado Janio Queiroz (@janioqueiroz_), essa experiência foi um pilar de sustentação para uma carreira sólida. Anos depois, a dedicação resultou em um cenário distinto: um passeio de helicóptero no Rio de Janeiro, oferecido por um cliente em sinal de reconhecimento. Contudo, a essência desta evolução não reside no luxo do presente, mas na confiança estabelecida ao longo de todo o percurso.

A advocacia de sucesso não deve ser mensurada apenas pelas cifras, mas pela capacidade de construir relacionamentos pautados na ética e na competência. Aqueles que desconsideram os começos humildes falham em compreender que o êxito é um processo cumulativo. Cada etapa cumprida com excelência prepara o profissional para resultados cada vez maiores.

A transição entre o cenário rural e o horizonte urbano demonstra que a carreira responde à persistência e à manutenção de princípios. O sucesso é, portanto, a consequência natural de uma atuação que preserva a dignidade em todas as instâncias. Esta trajetória reafirma que o respeito ao cliente e a constância no trabalho são os maiores ativos de um advogado.

Fonte: Clique Aqui

03 abril, 2026

Atual E.C.



Um dos melhores times de Custódia de todos os tempos, o ATUAL E.C.

Presidente era Fernando de Durval.

Tinha um dos melhores jogadores da época, o craque FRANCIELHO SOBREIRA, mais conhecido como "Esquerdinha", hoje funcionário público municipal.

Nos dias atuais, alguns desse time seriam jogadores de qualquer equipe profissional do cenário nacional.

Por José Orlando


 

7 de Setembro de 1970 em Custódia-PE



Da esquerda para direita :

Ulisses Góis, em seguida morador do Dnocs, filho de Dona Bia, Maninho,
 Ivanildo de Jonas e Marcos Moura.

01 abril, 2026

Livro "Os pedaços dos retalhos de Bebeth" do custodiense Cristiano Jerônimo



Sexto livro do escritor Cristiano Jerônimo e o primeiro no gênero Romance/Prosa, a obra conta a história de uma jovem sertaneja de família tradicional do interior de Pernambuco que deixa a família no interior do seu estado para estudar na capital, Recife. A estrutura narrativa de “Os pedaços dos retalhos de Bebeth” segue um formato não linear, onde a protagonista revisita momentos de sua vida por meio de memórias fragmentadas e reflexões pessoais.

O livro utiliza uma abordagem intimista e sensorial, explorando temas como sexualidade, superação e identidade. A narrativa é construída com saltos temporais, alternando entre o passado e o presente, o que permite ao leitor acompanhar a evolução da personagem e compreender os desafios que ela enfrenta. Além disso, há um forte uso de descrições detalhadas e diálogos introspectivos, que ajudam a criar uma conexão emocional com a jornada da protagonista, Bebeth.

O que ninguém contava é que essa história acabaria com um final tão surpreendente.

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14 março, 2026

Primeiros Sapateiros de Custódia



Francisquinho Laurentino, Raimundo de Mana, Tarcísio de Margarida de Manoel Henrique,
Flávio Laurentino, Luiz de Quitéria. 




Sapataria de Dourinho na Bomba, alguns identificados:

Luiz de Quitéria, Francisquinho Laurentino, Bastinho de Antônio Cota, Raimundo de Mana,
Dourinho e Zito Laurentino.

Quem souber mais nomes, por favor, deixa nos comentários dessa postagem.

13 março, 2026

Inauguração da Escola José Pereira Burgos (1980)


Foto: Marcos Moura
(Colorida com IA com autorização)


Inauguração da Escola José Pereira Burgos, antigamente chamado de "Polivalente". o evento foi realizado em 27 de Dezembro de 1980.

Erem José Pereira Burgos, recebeu uma comitiva formada por secretários, deputados e políticos da região, além do Prefeito da Cidade, Luiz Epaminondas Filho.

Ao microfone, Dep. Antônio Airton Benjamim, na época Secretário de Transportes de Pernambuco; Marcos Moura, Secretário do PDS 2 em Custódia, do Dep. Joel de Holanda, do Governador Marco Maciel e do Dep. Federal Inocêncio Oliveira.

Marcos Moura ainda recebeu a comitiva do Governador, em sua residência, na Rua Dr. Manoel Borba nº 308, e de seu amigo Belchior Ferreira Nunes. 

Posse do Prefeito Belchior Ferreira Nunes (1989)


(foto colorida com IA)

Foto da posse de Belchior como Prefeito de Custódia, em primeiro de Janeiro de 1989.

Além do prefeito eleito, esposa D. Teca, o vereador Washington Nestor Gois do Amaral, Maria de Aranha, filho Toinho, além de outras pessoas não identificadas.


12 março, 2026

Praça Padre Leão na década de 1950


Foto: Família Gonçalves


Uma rara imagem da Praça Padre Leão, provavelmente na década de 1950, o registro foi feito do Hotel Sabá, de propriedade do sr. Amaro e Maria Gonçalves. Este hotel tinha sua fachada para a Avenida Inocêncio Lima e seus dormitórios, eram situados na parte de trás, com vista para a Praça Padre Leão.

Alguns detalhes chamam atenção, a Igreja Matriz de São José ainda não tinha o seu relógio. As canoa de Duda Ferraz, pai de Adamastor. Ele que também tinha o serviço da Rádio Difusora Duas Américas, que começava logo cedo com mensagens para namorados e propaganda das casas comerciais e de profissionais liberais da época.

O prédio da Farmácia Pereira aparece do lado direito e foi um dos primeiros edifícios de dois pavimentos do município.

Construída na administração do Prefeito Joel Inocêncio Gomes Lima, provavelmente concluída entre 1953 e 1954. Inicialmente tinha o nome de Praça 04 de Outubro, quando era ainda chão batido, e após a construção, passou a ser Praça Padre Leão. A foto é de março de 1960.





A segunda imagem, provavelmente é de 1958, de autoria do IBGE, também é de mesma época, porém mais antiga. O Centro de Custódia constituia-se de ruas paralelas, divididas em quarteirões de casas conjugadas, e alguns becos.

As moradias tinha sua frente para voltada para a praça Padre Leão, e os muros e quintais, para as ruas secundárias, formando assim, um largo retangularde terra batida, com a Igreja Matriz de São José em destaque.

Nesse largo, hierarquicamente o mais importante e o mais simbólico, funcionavam as casas comerciais, escolas, feira livre e locais de assistência médica, farmacêutica, juridica e administrativa. Nas noites de luar, o espaço transformava-se, sob a mágica das crianças, num grande picadeiro, para as cantigas de roda, jogos e correria.

Texto: Paulo Peterson, com informações de Berenice Gonçalves, José Melo e Sevy Oliveira.

Ps:

As fotos originais são preto e branco, foi usado IA para colorir, sem alterar as caracteristicas originais. Todos os Direitos Reservados aos seus autores: Familia Gonçalves e IBGE

2ª noite da Novena do Glorioso São José


Na 2ª noite da Novena do Glorioso São José, vivemos mais um momento de fé e comunhão em nossa paróquia. A Santa Missa foi presidida pelo Pe. Marcus Wallace, reunindo a comunidade para juntos elevarmos nossas preces a Deus pela intercessão de São José.

Nesta noite, tivemos como noiteiros: Polícia Militar, BEPI, Polícia Civil, Segurança Privada, Fórum, Ministério Público, Defensoria Pública, Advogados, Cartórios, Escritórios, Justiça Eleitoral, Conselho Tutelar e o Setor São Rafael: Capim, Velha Chica, Buenos Aires, Buenos Aires – Coração de Jesus, Lamarão, Açudinho, Logradouro e Lagoinha.

Que São José, exemplo de fé, silêncio e fidelidade, continue abençoando e intercedendo por todos que participaram desta noite de oração e devoção. 

Publicado por Paróquia São José de Custódia-PE

Recomendações II - autor Cristiano Jerônimo



Não meça ninguém pela sua própria régua
Cada um de nós tem uma medida e uma cor
Respeite os povos que têm as suas próprias regras
Tente enxergar as coisas com um sentido mais de amor.

 Não deixe que todos vistam a mesma roupa
Nem propague culpa a quem afirma ser pecado
Os seres humanos foram abduzidos pelo consumo
O carro, a casa, os móveis, o trabalho, tudo propagado.

A vergonha, na pauta de costumes, não existe na verdade
As diferenças em cada cruzamento de latitude com longitude
Em cada ponto do planeta há uma cabeça pensando diferente
Há também as atrofias do não desenvolvimento das sementes.

Use o raciocínio lógico para conduzir as suas profundas emoções
Na vida, nenhuma proposição ou posição pode ser diferente do binário
Todas as sentenças são divididas em apenas duas opções: verdadeiro ou falso
Não existe, em verdade, aquela alternativa que configure em vida a terceira opção.

 Não existe mais ou menos uma árvore que canta com os galhos segredos
Ou é árvore ou não é; a vida segue e – no entanto – estamos na relatividade
Mas não somos. Estamos. E seguimos o caminho evolutivo pela nossa educação
Mas, a  gente pensa de uma forma que sufoca e nos atinge desde a mais tenra idade.

 Foi dito na tábua, não julgue o outro; mas muitos se usam como juízes morais
O complexo de subserviência do mais pobre em relação ao rico é algo escravizante
Muitas vezes, preferimos a caverna à luz do mundo de fora e, com isso, nos limitamos
A vida, em seu percurso, às vezes, não é nada do que prometeram nem do que sonhamos. 

Por pensar muito, eu sou vários... Permitam-me.

Cristiano Jerônimo
Recife - março 2026

Para conhecer mais sobre o autor, acesse seu blog:

LITEROMANIA

11 março, 2026

Sábado dia 14 tem Seresteiro de Triunfo pelas ruas de Custódia -PE


No dia 14 de março, às 21h, as ruas de Custódia serão tomadas por músicas, romantismo e muitas emoções!

O grupo Seresteiros de Triunfo, formado por músicos apaixonados, vêm pela primeira vez à Custódia-PE, prometem tocar músicas inesquecíveis pelas principais ruas do centro da cidade, finalizando no Pavilhão da Igreja Matriz de São José. 

 O grupo por onde passa, leva alegria e romance às ruas com suas canções românticas. Uma mistura de talento e dedicação e melodias suaves e letras apaixonadas.

Venha viver o encanto da seresta, recordando e se deixando levar por canções que tocam o coração.

Convide quem você ama, traga sua alegria e venha fazer parte dessa noite especial 

Custódia te espera ao som da seresta!

Apoio: Prefeitura Municipal

O BATENTE LÁ DE CASA - Autor Jorge Remígio


Sentado no batente da Casa das Noivas, que era justamente a casa em que eu residia
nos últimos anos da década de cinquenta.


Eu ficava um bom tempo do dia sentado no batente da entrada da casa onde morávamos. Talvez seja esta uma das memórias mais remotas de minha longínqua infância. São memórias misturadas e vividas entre o final do ano de 1957 e o final do ano de 1959, quando mudamos de endereço e fomos residir na Rua Manoel Borba. Nesse espaço temporal, eu tinha entre três e cinco anos de idade, morava com os meus pais e o único irmão, Antônio. A casa ficava por trás da Igreja de São José, na Rua Vinte de Julho, local bastante privilegiado para a minha imaginação, devido ao fluxo contínuo de pessoas que passavam na rua em frente da casa, num vai e vem constante e ininterrupto.

Eu ficava horas sentado, observando a cidade passar na minha frente, pois quase tudo convergia para a Várzea, local onde ficava o chafariz da cidade. Era uma infinidade de mulheres com rodilhas de pano na cabeça, para equilibrar e amenizar o peso das latas d’água que carregavam o dia inteiro, para encher os tanques dos banheiros residenciais. Passavam, também, rapazes novos e adultos, com toalhas no pescoço e saboneteiras nas mãos, nessa mesma direção, justamente porque, conjugado ao chafariz, tinham uns banheiros masculinos.

Quando chegava o final da tarde, era o momento onde os sapateiros, em grupos, se dirigiam para o chafariz, porém, como já era uma prática habitual, faziam duas paradas obrigatórias antes de chegarem nos banheiros. A primeira era logo após a ladeira, na bodega de seu Né da Várzea, e a segunda, em Maria Galega, onde tomavam suas lapadas de Serra Grande com umbu, caju, ou mesmo qualquer outra fruta da época, antes de se deliciarem nos chuveiros de jato forte e frio do chafariz público.

Na frente da minha casa, tinha um pé de aglaia. Aliás, essa árvore foi plantada na frente de muitas residências do centro, e posteriormente cortadas na década de sessenta, devido a proliferação de um inseto que adorava cair nos olhos dos humanos. Mas, era uma árvore frondosa, que provocava uma imensa sombra, local ideal para um descanso para quem conduzia galões de água nos ombros, logo após ter subido a grande ladeira da Várzea.

Eu via meninos de onze ou doze anos, pararem embaixo daquela árvore, totalmente exaustos, e eu me compadecia do sofrimento deles. Realmente era cruel, uma carga muito pesada para tão pouca idade. O que me impressionava, naquele universo, era o barulho das vozes das pessoas falando ao mesmo tempo. Não era um burburinho, porque falavam alto e o som das vozes reverberava num ecoar ininteligível aos meus ouvidos. A tecnologia era um futuro distante, portanto, as vozes eram potencializadas pelo silêncio das máquinas inexistentes. Não se ouvia sons de nenhum objeto eletrônico naquele tempo, e a zuada do motor de algum automóvel, era bastante rara.

Vi muitas vezes, na minha tela, um bando de meninos já grandes, atazanando um pobre rapaz com sofrimento psíquico. Eles vinham lá do início da rua da frente, nas imediações da casa de seu Né Marinho, onde hoje é o Boticário, e atiravam muitas pedras e gritavam “Maraváia, Maraváia, Maraváia”. Este revidava as pedradas, mas tinha que correr para não ser atingido, entrava no beco de seu Manoel Henrique, e se mandava para as bandas de Iguaraci. Minha mãe, no interior da casa, quando ouvia essa gritaria, corria até o batente onde eu observava toda aquela cena, e me conduzia para dentro, me protegendo das pedras. Eu não entendia o porquê daquelas agressões gratuitas contra aquele pobre coitado e, quando cresci, identifiquei alguns daqueles meninos transgressores.

A minha autonomia de voo era bastante limitada, se restringia a alguns metros na calçada no sentido do casarão de seu Ernesto Queiroz, ou até a casa dos meus tios avós, Maria e Apolônio Carneiro, na rua da frente, no caso, a Padre Leão. Eu fazia esses percursos, geralmente pedalando no meu velocípede, e, em uma certa ocasião, parei defronte a terceira casa da Rua Padre Leão. Ela tinha a sala em um plano bastante baixo, havendo a necessidade de descer uns batentes para adentrar nela. Meu olhar foi de encontro a de um homem em seu interior, e me chamou bastante atenção. Ele era baixo, tinha uma cor avermelhada, grisalho e usava uns óculos de grau com armações grossas de cor preta. Ficamos por segundos nos fitando e guardei a fisionomia dele na memória.

Quando eu me deslocava para fora desses limites, era na companhia da minha mãe. Ela me levava para casa dos meus avós maternos, Samuel Carneiro e Prezalina Souza, que residiam em uma casa que tinha duas frentes. Uma dava para Praça Padre Leão, ao lado de onde hoje fica o Banco do Brasil, e a outra, dava para Bomba, que é a Av. Inocêncio Lima.

Mas, eu adorava mesmo quando íamos para casa da minha avó Anita, mãe do meu pai, porque ela morava em um sítio que ficava por trás da Rua da Várzea. Era o meu paraíso, sinto até hoje o aroma daquelas mangas deliciosas e do cheiro forte dos cajus. No sítio tinha uma imensidão de fruteiras, e uma lagoa encantadora, bem próxima da casa da minha avó, e quando chegavam as invernadas, ficava com as suas margens bordadas de beldroegas e os sapos coaxando aos montes, entoavam uma verdadeira sinfonia. O riacho cortava ao meio todo aquele paraíso, e nos períodos de trovoadas enchia o seu leito com água corrente e barrenta, muitas vezes vindo em enxurradas. Para coroar todo esse semblante embelezador da paisagem, os imponentes e altos coqueiros enfileirados à margem do riacho.

Mas, o melhor mesmo era o aconchego que a minha avó Anita me dava. Era a casa das quatro mulheres, porque residiam, além da minha avó, a tia Maria Eunice, a tia Maria Dulce, que casou no ano de 1959 e foi residir na Bahia, e a prima Jussara Burgos, que, ainda muito novinha, foi morar naquele paraíso. Ela foi minha primeira amiga e, nas nossas brincadeiras e imaginações infantis, criávamos mundos e histórias. Quando estávamos embaixo do grande juazeiro ao lado da casa, ela olhava para a imensa torre de tijolos aparente da chaminé do curtume, e me dizia que ali era um castelo, e que moravam um príncipe e uma princesa naquele local. Todo o percurso da minha casa até o sítio era inovador e, muitas vezes, até emocional. A minha mãe segurava na minha mão e descíamos a grande ladeira sempre movimentadíssima de um tráfego humano frenético na direção, em sua maioria, para o chafariz público. Percorríamos toda extensão da rua, até a entrada do sítio, onde hoje fica o Pelotão da PMPE.

Aquele local era aberto, e havia um fluxo de pessoas que transitavam por trás das casas que ficam ao lado da Escola Maria Augusta. A entrada do sítio era uma bifurcação, e foi justamente alí que eu vi pela primeira vez uma caravana de ciganos. Paramos e ficamos observando, como também todos transeuntes que vislumbravam aquele espetáculo. Eles vinham em grupos, com muitas carroças de tração animal, as mulheres vestidas com saias longas e coloridas de cetim, com muitos enfeites e bijuterias, os homens com chapéus grandes e pretos, usando botas, e vi até uns com brincos, outros com violão, além de muitos cavalos e objetos como, tachos e outros utensílios domésticos.

As mulheres ciganas perguntavam, para aquela população curiosa, se podiam ler suas mãos, e eu, sem entender muito, mas deslumbrado com aquele espetáculo fascinante, observava eles passarem na direção do centro. Minha admiração pelos ciganos foi efêmera, pois quando eles sumiram e continuamos nosso caminho para o sítio, a minha mãe falou que eu tivesse muito cuidado, pois era comum os ciganos raptar crianças. Passei anos acreditando nesse preconceito, tão difundido naquele tempo.

No lado oposto da entrada do sítio, acho que umas duas casas depois da residência de seu Lunga, tinha um armazém onde se acomodava muito couro, acho que era uma parte do curtume que ficava ao lado. Quem administrava era uma moça muito bonita, chamada Jandira, filha do dono do curtume. O meu pai tinha um caminhão e fazia uma viagem semanal para Recife. Além de muitas novidades, sempre trazia as revistas O Cruzeiro e Manchete. Folheando-as, via muitas musas do cinema americano, sempre presente naquelas edições, e quando avistava Jandira, na calçada da rua da Várzea, comparava ela com aquelas atrizes hollywoodianas. Minha mãe sempre parava para conversar com ela, e em um dia iluminado, Jandira me botou em seus braços e me suspendendo, falou. “Jorginho, eu sou sua namorada!” Eu fiquei nas nuvens, e alimentei aquela declaração não sei até quando.


No primeiro dia do mês de abril do ano de 1958, eu tinha três anos, cinco meses e seis dias. Claro que essa data eu fui tomar conhecimento muito tempo depois. Era um dia ensolarado, e eu me encontrava na companhia de dois filhos de Zé Biá, o qual era caseiro do sítio e residia em uma casinha de taipa, bem próximo ao riacho. Além de caseiro, ele tinha uma bandinha de pífano e era um excelente músico popular. Tocava pífano nas novenas e em outras festas também, como batizados, casamentos e aniversários. De repente, por volta do meio dia, ouvimos vários estampidos e pensei ser fogos ou bombas, muito comum até nos dias de hoje. Félix era o maior e falou categoricamente. “É tiro, é tiro!”

Foram vários disparos. Na tarde daquele mesmo dia, fiquei curioso com a quantidade de gente em frente de uma casa logo após onde meu tio Apolônio residia, e, sem a minha mãe tomar conhecimento, peguei o velocípede e me dirigi até aquele local. Muitos homens usavam paletó e vi mulheres chorando. Olhei de fora na direção da sala onde jazia, em um leito, um homem sem vida. Ainda observei o seu rosto sereno, e, justamente nesse momento, minha mãe chegou, me colocou de volta no velocípede e me conduziu na direção da nossa casa.

Porém, logo em seguida, ela me levou para o outro lado da rua. Indaguei o porquê de fazer aquele trajeto. Ela me falou que não queria passar em frente da casa onde estava sendo velado Vitoriano. Ele havia assassinado João Veríssimo do Amaral. Antes de entrarmos em nossa residência, olhei na direção da casa que tinha a sala em um plano bastante baixo, e me lembrei do dia em que olhei fixamente para o homem de cor avermelhada, grisalho, com óculos de grau e armação preta que estava no interior daquela casa.


Jorge Remígio
Recife, março de 2026.

Fotos: 

(algumas fotos foram modificadas usando Inteligência Artificial, sem mudar as caracteristicas originais, e com autorização do autor). Se usar, credite o autor por favor.


João Veríssimo do Amaral,  nasceu no dia 11/11/1909 na cidade de Mata Grande-AL, filho de Euclides do Amaral  Góis e de Maria Rosa do Amaral. 
Faleceu no dia 01/04/1958 na cidade de Custódia-PE.



Minha avó Ana Pereira de Sá (Dona Nita) e a prima Jussara Burgos. Foto de 1956.



Minha mãe Ozanira e meu irmão Antônio.  Foto de 1956.



Com meus filhos em frente a casa ainda sem modificada em 2002.





Foto no sítio da minha avó, no ano de 1958.



Curtume uma industria custodiense



Várzea no final dos anos 70


 
Rua João Veríssimo,  popularmente conhecida como Várzea. Ao lado direito prédio do antigo chafariz público já modificado. O prédio não mais existe. Foto do início dos anos dois mil.



Sítio da minha avó Anita. O meu Paraíso. Cheia de 1960









26 fevereiro, 2026

Atrações da Festa de São José 2026 - dia 13 ao dia 18 de Março

 




Durante entrevista na Rádio Custódia FM, o prefeito Manoel Messias, informou quais as atrações da Tradicional Festa de São José, do municipo de Custódia, que ocorrerá entre os dis 13 e 18 de março.

Dentre as atrações confirmadas, o destaque ficou por conta dos artistas de renome nacional: Xand Avião, Alexandre Pires (Só Para Contrariar) e a dupla sertaneja Maiara e Maraisa

Primeira noite, dia 14 (sábado), as atrações são Ranieri Vaqueiro e Wedson e Banda, além de Xand Avião; dia 15 (Domingo), durante a Missa de Vaqueiro no Parque Armando Wanderley da Fonte, as atrações são Junior Vianna, Heraldo Jr. e Emanoel, Edy e Nathan, Vaqueiro Matuto, Petronio e Placildo, Kauã a Menezes e Ademir e Banda; dia 17 (terça), Alexandre Pires, Toque Dez e Sambeer; encerrando no dia 18 (quarta) a dupla Sertaneja Maiara e Maraiasa, Nadson Ferinha e Ingrid Mickaelle.

Mais uma vez, as atrações locais ganharam destaque, em todas as noites de shows. 




A atração gospel confirmada, é Adriana Arydes, dia 13, no Pavilhão ao lado da Igreja Matriz. A cantora é uma das maiores vozes da música católica brasileira. Iniciou sua carreira na Comunidade Canção Nova ainda em sua infância.

Viva São José! Não deixe de participar.


16 fevereiro, 2026

O Combate de Umburanas - Livro Sertão Sangrente de Jovenildo Pinheiro de Souza



Umburanas é uma localidade perto de Custódia, em Pernambuco, onde a Coluna Prestes travou o combate mais importante, quando da passagem por esse Estado. O combate foi travado no dia 14 de fevereiro (primeiro dia de carnaval) de 1926, era, então, Governador do Estado, Sérgio Loreto. A tropa pernambucana era composta de cerca de 200 soldados, comandados pelo "celébre Coronel João Nunes, velho perseguidor de Lampião. Era, portanto, conhecedor da região e aceito a dureza dos combates na caatinga.

Vale salientar a opinião de outros cérebre oficial militar, sobre o colega de farda, o Coronel João Nunes. Segundo optato Gueiros, que foi também por muitos anos Comandante das Forças Volantes contra o Cangaço, "o único comandante da tropa que, de fato, cometeu desatinos, foi o coronel João Nunes. Não tivesse ele mandado fuzilar os pobre rapazes gaúchos que caíram prisioneiros nas mãos das tropas legalistas em floresta, em Nazaré, e determinado que se acabasse de matar um pobre revoltoso, que, além de ferido estava tuberculoso, e se achava moribundo em Campo Alegre, não teria a polícia de Pernambuco adquirido por algum tempo a fama de persividade. 

Em umburanas a Coluna Prestes preparou uma emboscada e na qual caiu a tropa sobre o comando do Coronel João Nunes. Diante da surpresa e do poder de fogo por parte dos revoltosos, a tropa legalista bateu em retirada, desordenadamente perdendo no campo de batalha uma grande quantidade de material bélico, além de ter perdido um quarto do seu efetivo militar entre mortos e feridos.

O Coronel João Nunes já tinha tido a oportunidade de contatar a Coluna, no sul do Estado do Piauí, quando enfrentou o destacamento comandado por Siqueira Campos. Nesta ocasião, João Nunes saqueou incendiou a cidade de Valença.

Em Umburanas, o coronel João Nunes teve o seu Waterloo. Segundo descreve Moreira Lima, "à frente dos fugitivos corria o coronel João Nunes que abandonou seus comandados em pleno combate, com um mísero poltrão, e gastou dois dias para alcançar a Custódia, a três léguas de distância, onde chegou "arrasado" a pé e com a roupa estraçalhada pelos espinhos da caatinga. Anos depois, em 1930, esse veterano perseguidor de Lampião, já aposentado da polícia militar de Pernambuco desde 1927, foi aprisionado por Lampião, quando repousava na fazenda Sueca, de sua propriedade, em Águas Belas, Pernambuco.

Extraído do livro SERTÃO SANGRENTO, lançado em 2012 e no momento se encontra esgotado.

15 fevereiro, 2026

Homenagem marca centenário de PMs mortos em emboscada da Coluna Prestes em Custódia-PE


Foto: Divulgação


Foi realizada no Sítio Pitombeiras, município de Custódia, no Sertão de Pernambuco, uma solenidade que marca os 100 anos em homenagem aos PMs tombados em cumprimento do dever em 14 de fevereiro de 1926, durante uma emboscada promovida pelos militares da coluna Prestes. O movimento político militar brasileiro ocorreu entre os anos de 1924 e 1927, cuja principal motivação era a insatisfação com o governo do Presidente Arthur Bernardes.

O evento que marca 100 anos, contou com a presença do 3º BPM, o BEP - Batalhão Especializado de Policiamento do Interior, o Corpo de Bombeiros Militar e a Polícia Rodoviária Federal e vem resgatar e enaltecer a história e bravura desses heróis que foram mortos em combate.

A Coluna travou seu combate mais violento durante a sua passagem por Pernambuco. Os revoltosos interceptaram uma mensagem nos fios do telégrafo, dando conta do deslocamento de uma tropa da Força Pública do Estado, de Custódia para Serra Talhada. Eram 137 homens distribuídos em cinco caminhões. Foi montada uma emboscada com a colocação de um chapéu de engenheiro na estrada.


Um dos caminhões parou para um soldado verificar do que se tratava, e todo o comboio também parou, quando os policiais foram cercados e atacados pelos insurgentes, em número quase cinco vezes maior. Após 6 horas de combate ao escurecer, a tropa conseguiu furar o bloqueio, e retornar a Custódia. No entanto quatro caminhões foram queimados, escapando apenas aquele onde estavam as munições, facilitando a reorganização da tropa, que no dia seguinte deu início a perseguição dos agressores, que já haviam escapado do local.

Foram oito mortos e três feridos vindo do 1º, 2º e 3º Batalhões, Regimento de Cavalaria e Companhia de Bombeiro da época. As vítimas foram enterradas no local do combate, onde foi erguido o monumento com uma placa de mármore, em homenagem a bravura dos chamados mortos do Riacho do Mulungu, no quilômetro 345 Km da BR-232.

Todos os anos, essa história é lembrada.

Com a leitura do boletim interno, o hasteamento das bandeiras do Brasil, de Pernambuco, do 3º BPM e do Corpo de Bombeiro.

Em 2026 a solenidade foi ainda mais especial: o Centenário desse Marco histórico.

Créditos: Darcio Rabelo

12 fevereiro, 2026

Advogado Janio Queiroz participou do Programa Hora News MA


 

O advogado custodiense Janio Queiroz, residente em São Luis no Maranhão, foi destaque essa semana no programa Hora News MA. 

Durante o bate-papo, de fundamental importância, foi comentado sobre o respeito, o consentimento e a Lei de Importunação Sexual.

Foram feitos esclarecemos de pontos essenciais: o “não” dito por uma mulher encerra qualquer abordagem. Insistir após essa resposta pode configurar crime, mesmo sem contato físico. Jânio explicou que a verbalização clara é sim importante, mas não é a única forma de demonstrar desconforto — gestos e expressões também valem. Também destacou o papel de bares e casas noturnas: os estabelecimentos têm responsabilidade legal e podem ser responsabilizados se não acolherem denúncias ou protegerem vítimas. Seguranças e funcionários precisam agir com agilidade e empatia.

Breve vídeo de sua participação!!!


11 fevereiro, 2026

Tela de Edmar Salles recebe Medalha de Ouro pela Academia APBA – Associação Paulista de Belas Artes.


A obra “Teatro Municipal de São Paulo” foi premiada com Medalha de Ouro no Salão da Cidade de São Paulo, realizado na Academia Paulista de Belas Artes (APBA) – São Paulo/SP.

Nesta obra, o artista plástico Edmar Sales registra o cenário no momento em que seguia rumo ao Salão da cidade de São Paulo, promovido pela Academia APBA – Associação Paulista de Belas Artes.

Uma pintura que nasceu do silêncio do ateliê, atravessou expectativas e conquistou reconhecimento.

🏅 Obra Premiada – Medalha de Ouro no Salão.


A arte encontra seu destino quando técnica e verdade caminham juntas.

Uma conquista que reafirma um percurso construído com disciplina, identidade e verdade pictórica.



SALES

Artista premiado em Salões de Arte