27 setembro, 2026

Hoje Djalma Rodrigues de Melo completaria mais um ano de vida!



Em 27 de setembro de 1941, na Fazenda São José, em Custódia, nascia Djalma Rodrigues de Melo, popularmente conhecido pela terra natal como Djalma de João Dodô. Filho de João Rodrigues de Melo e Quitéria Carmo do Amaral, ele cresceu ao lado dos irmãos Marinelza, Maria (Detinha), Luizinho, Lourinaldo (Vavá), Margarida e Sandra, em uma trajetória marcada pelo trabalho e pelos laços de afeto.

Infância, Juventude e Matrimônio

As primeiras lições de vida começaram no sítio. Para dar sequência aos estudos, transferiu-se para a zona urbana de Custódia, onde residiu com o padrinho Elpídio Pires Ferreira. Concluiu o ensino primário na Escola General Joaquim Inácio e, em seguida, prestou serviço militar por dois anos na Aeronáutica, em Recife.

Ao retornar a Custódia, no domingo de Carnaval de 1962, conheceu Zezita Queiroz, filha do ex-prefeito Ernesto Queiroz e de Maria de Sá Queiroz. A união matrimonial ocorreu em 18 de janeiro de 1964, na Matriz de São José, consolidando uma parceria duradoura.

Formação e Atuação Profissional

Determinado a ampliar sua formação, submetia-se a deslocamentos noturnos para Sertânia e Arcoverde para concluir o ensino técnico. Anos mais tarde, graduou-se Bacharel em Direito pela Faculdade de Caruaru, no ano de 1978. Como advogado e cidadão, atuou de maneira prestativa, prestando assistência profissional e suporte comunitário ao longo dos anos.

Vida Familiar e Legado

Ao lado de Zezita, formou uma família de cinco filhos: Andréa, Adriana, Adynara, Darley e Adriene. O legado familiar estendeu-se com a chegada de genros, nora, netos e bisnetos. Reconhecido pela postura aprazível e pelo diálogo, preservava hábitos como as reuniões e conversas com amigos de longa data, entre os quais Ozinaldo, Totonho e Tadeu Barros.

Djalma Rodrigues de Melo faleceu em 28 de julho. O dia 27 de setembro permanece marcado como a data de seu nascimento e de lembrança da sua contribuição comunitária e humana para o município de Custódia.

Texto com informações de familiares, Lindinalva Almeida entre outros.

Festa de São João no CLRC em 1968

 


Foto: 
Acervo familiar Vanuza Bezerra


Da esquerda para direita:

Zita Queiroz(diretora do CLRC), Vanuza Bezerra, Zé da Sorte (pai do noivo), Joãzinho de Abilio (noivo), Mariinha, e Lenira Pereira.

Festa de São João no CLRC em 1968

26 setembro, 2026

Da Paraíba ao Sertão do Moxotó: A Trajetória de Vida e Versos de Chico Paraíba


Foto:
José Luis



CUSTÓDIA (PE) — No coração do Sertão do Moxotó, a zona rural do Sítio Mata Verde guarda histórias que se confundem com a própria identidade do semiárido nordestino. Entre a lida diária da agricultura e o apreço pelo verso improvisado, Francisco Moura, conhecido regionalmente como Chico Paraíba, personifica a resiliência do homem do campo que transformou a escassez do passado em orgulho e poesia.

O Êxodo e as Marcas da Seca Histórica

Natural do Cariri paraibano, da região de Cabaceiras (atual município de Alcantil), Chico viveu na Paraíba até os 11 anos de idade. Sua infância foi moldada pelas severas estiagens que atingiram o Nordeste nos anos 1950, marcando profundamente a memória de sua família.

Ele relembra passagens marcantes da época, como o episódio envolvendo seu parente Mané Ginu, que enfrentava longas caminhadas de madrugada para buscar água em potes de barro. Após escorregar e quebrar dois potes sucessivamente em um único dia, a família se viu forçada a cozinhar com o pouco de água barrenta reaproveitada. O relato reforça o contraste entre o isolamento daquela época e o acesso atual a recursos básicos na região.

Em 1959, com o agravamento da seca, a família de Chico deixou a Paraíba rumo a São Bento do Una, no Agreste pernambucano. Em abril de 1982, ele fixou residência definitiva no Sítio Mata Verde, em Custódia, onde constituiu sua família.

Atuação Social e Reconhecimento Comunitário

Além do trabalho na agricultura, Chico Paraíba dedicou 30 anos de sua vida ao movimento sindical rural de Custódia. Sua trajetória de mediação e defesa dos trabalhadores do campo garantiu-lhe amplo conhecimento da região e respeito comunitário.

Como reconhecimento por sua contribuição social e cultural ao município, a Câmara Municipal de Custódia concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário. Para um agricultor de origem humilde e pouca instrução formal, o título representa a coroação de uma vida pautada no trabalho e na honestidade.

"Não consegui patrimônio financeiro, mas criei meus filhos com dignidade e honestidade. Nunca fiz um inimigo durante minha trajetória no movimento sindical." Chico Paraíba

A Guardiã da Poesia Popular

Pai de dois filhos — entre eles o escritor e poeta Isaías Moura —, Chico é um entusiasta das tradições orais do sertão, como a cantoria de viola, o forró tradicional e as bandas de pífano.

Durante suas memórias, ele resgata versos célebres de grandes nomes da poesia sertaneja, como Manuel Xudú, João Isídio, Pedro Bandeira e Ivanildo Vila Nova. A relação com a poesia, segundo ele, modificou até sua forma de enxergar a natureza. Após ouvir uma sextilha do poeta Pedro Bandeira sobre o aprisionamento de pássaros, Chico tomou a decisão de soltar todas as aves que mantinha em um viveiro em sua casa, abandonando a prática em definitivo.

Hoje aposentado e cercado por filhos, netos e bisnetos, Chico Paraíba permanece como uma referência viva da história oral, da cultura e da resiliência do povo sertanejo no interior de Pernambuco.

Video com a entrevista completa, você pode conferir abaixo:




Texto criado a partir de informações colhidas por José Luís, do Canal Sertão Mano Amigo, no Youtube. (clique aqui)

Do Aprendizado nas Fanfarras ao Ensino Superior: A Trajetória de Vida e Música do Maestro Marcelo Moura



CUSTÓDIA (PE)
— Em uma entrevista ao episódio #99 do Podcast Diferente, exibido diretamente de Custódia, o músico, professor e maestro Marcelo Moura relembrou sua trajetória profissional e pessoal. Com uma vida dedicada ao ensino da música e à regência, Marcelo compartilhou histórias desde o seu primeiro contato com os instrumentos na infância até a consolidação de sua carreira acadêmica e pedagógica no Sertão pernambucano 

1. Primeiros Passos e a Formação nas Bandas de Música

Nascido em São Paulo em 1976, Marcelo Moura mudou-se para Custódia ainda na infância, em 1980. Seu interesse pelas artes manifestou-se cedo, mas o ponto de virada na música ocorreu aos 13 anos, quando ingressou na Banda Mirim da Escola General Joaquim Inácio, regida pelo mestre Galdino.

Naquele período, o aprendizado musical nas fanfarras locais envolvia técnicas de improviso com cornetas sem pisto, nas quais a execução de melodias exigia o revezamento de notas entre diferentes instrumentistas. Posteriormente, o músico adquiriu seu primeiro trompete e passou a integrar a banda municipal Bambu.

Aos 14 anos, viveu suas primeiras experiências profissionais ao tocar em orquestras de frevo durante o Carnaval no Recife. Em seguida, mudou-se para Serra Talhada, onde atuou como vice-maestro da banda da Escola Normal Imaculada Conceição e ingressou na Filarmônica Vila Belense, sob a regência do maestro Renato, conciliando o ensino regular com o estudo das partituras.

2. Passagem por Orquestras e a Conversão ao Evangelho

Em meados da década de 1990, Marcelo integrou a Super Oara (Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos), sediada em Arcoverde. Durante a atuação no grupo, aperfeiçoou a leitura à primeira vista de partituras e a execução de arranjos bailáveis.

Em 1995, optou por se afastar das orquestras seculares ao converter-se ao protestantismo. A partir desse período, passou a dedicar-se à música sacra, atuando na formação de corais evangélicos em cidades como Recife, Serra Talhada, Afogados da Ingazeira, Surubim e no distrito de Caldeirão. Em 1997, concluiu o Curso de Capacitação para Regentes de Coral, promovido pela Igreja Assembleia de Deus no Recife.

3. Empreendedorismo, Concursos e Educação Acadêmica

Paralelamente às atividades musicais, Marcelo atuou no setor comercial em Custódia como colportor (vendedor de livros evangélicos) e proprietário de uma livraria e videolocadora.

Em 2006, transferiu residência para Araripina, onde passou a ministrar aulas de teclado, violão e instrumentos de sopro, formando a primeira orquestra de música sacra da Assembleia de Deus local. Em 2010, foi aprovado no concurso público para a Banda Filarmônica Maestro Álvaro Campos, da Prefeitura de Araripina, onde permanece como trompetista concursado.

Buscando a titulação acadêmica, ingressou na graduação em Licenciatura em Música com Habilitação em Trompete no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) - Campus Belo Jardim, reconhecido polo de formação filarmônica no estado.

4. Projetos Atuais e Atuação Pedagógica

Atualmente, o maestro desenvolve diferentes frentes de trabalho no campo educacional e artístico:

  • Docência na Rede Estadual: É professor de Artes e Linguagens da rede estadual de ensino de Pernambuco na EREM Osmar de Souza Ferraz, no município de Betânia. No ambiente escolar, coordena grupos de flauta doce e corais.

  • Centro de Educação Musical de Custódia (SEMUC): Empresa e escola de música fundada por Marcelo em 2018 para o ensino particular de teclado, violão e sopros.

  • Banda Municipal Almir Melo: Atua na regência e preparação técnica da banda musical da Secretaria Municipal de Educação de Custódia, em parceria com o maestro Adriano Rezende.

  • Grupo Os Mouras: Projeto de música instrumental voltado para cerimônias e eventos sociais, ao lado de músicos regionais.

  • Produção de Conteúdo: Mantém o canal no YouTube "Musicalizando com Marcelo Moura", focado em videoaulas, treinos e apresentações.

VIDEO DA ENTREVISTA COMPLETA




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Como Nasceu a CJC em Custódia: Relato do Início de um Movimento Transformador

 


A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido.
Não na vitória propriamente dita.
(Mahatma Gandhi).

              

Fiz uma viagem no túnel do tempo e me veio à lembrança da CJC (Comunidade de Jovens Cristãos). Lembro-me como se fosse hoje, Washington Nestor estudava em Sertânia e nesse período, teve a oportunidade de conhecer e participar da CJC de lá. Estimulado pelo encanto e energia contagiante da juventude, trouxe a idéia para Custódia e assim, tive o privilégio de ser convidada, por ele, para participar e coordenar o grupo local, com o compromisso de fazê-lo crescer e trabalhar para sua oficialização, bem como organizar a primeira eleição de coordenador. A princípio questionei: como vou coordenar um grupo se não sei nada sobre a sua origem, o seu objetivo, enfim. O mesmo respondeu: fique tranqüila minha amiga, vou providenciar todo material que você precisa, vamos a Sertânia conhecer o grupo. Aí Não pensei duas vezes, aceitei o desafio e a partir daí iniciava-se o meu trabalho comunitário e social.

A CJC Custódia foi fundada em 13/04/1980 e oficializada em 06/09/1980. Fui a primeira Coordenadora, tendo sido eleita logo depois com Suelene e Nivalda Santos. Enquanto coordenadoras nossas realizações foram as seguintes:

- Aproximação dos Jovens na Igreja Católica,

- Fundação da Conferência São José (conhecida também como São Vicente de Paula),

- Fundação da CJC mirim,

- Criação do coral da CJC ( sob a responsabilidade de Leônia)

- Criação do Jornalzinho: CJC Informando,

- Implantação do trabalho de Evangelização nos respectivos locais:

- escolas,

- hospital,

- delegacia e

- residências.

Desenvolvemos também um trabalho social maravilhoso em prol dos menos favorecidos, como por exemplo:

- missa do quilo,

- campanha do ovo,

- campanha de roupas e calçados usados,

- campanha de alimentos nas residências e comércio local.


Quando se aproximava a Semana Santa, o Dia das Mães, Dia das Crianças, Natal, distribuíamos o que havíamos arrecadado com as famílias mais carentes da cidade

Para participarmos dos congressos organizamos festas como a da garota Custodiense, serestas nas cidades circunvizinhas, além de rifas e bingos.

As reuniões aos sábados eram muito divertidas e estimulantes. Após a acolhida com cânticos, mensagens e dinâmicas refletíamos o evangelho e encerrávamos a reunião com o hino da CJC. Foi um trabalho bonito e muito proveitoso. As missas do domingo eram simplesmente lindas, cantávamos músicas do Pe. Zezinho, o coral era maravilhoso, composto por: Leônia, Sr. João(violão), José Eugênio, Hugo, Leonildo, Washington, Renildo, José Arnaldo, Milton, Ivan, Ester, Nilma, Nivalda, Suelene, Marinês, Aldecir, Dalva, Lucinha, Lélia, Ana Marques, Ana Rodrigues, Cícera Soares, Francinete, Evanilda, Severino, Graça Melo e eu. Na época contávamos com o apoio de uma pessoa muito especial que batizamos como mãe da CJC. Estou me referindo a Dona Osminda Carneiro.

O trabalho do grupo aqui homenageado foi tão relevante que muitas vocações foram despertadas e dele surgiram bons frutos: 

- Vocação religiosa: Pe. Luciano, Frade Givaldo, Frade Fábio, Ir. Maria Helena e Ir. Lélia,

- Vocação Sindical: Aparecida Alves, Luciene Cordeiro, Fátima Figueiredo, eu, no SISMUC e Leônia no Sindicato dos Servidores Públicos Civis de Pernambuco – SINDSERPE (Recife)

- Vocação Musical: Hugo Simões. 

 


Encontro da CJC em setembro de 1989


O VERDADEIRO SENTIDO DA CJC

 CJC (Comunidade de Jovens Cristãos) foi criada em Carpina-PE pelo Pe. Genário Augusto de Melo, é um movimento que congrega jovens de ambos os sexos e tem como orientador geral um salesiano, é aberto a todos sem distinção e limite de número.

Não existe só por existir, visa engajar os jovens na Igreja local procurando prepará-los, integrá-los, despertá-los para a vivência comunitária através do serviço à comunidade motivando-os com o lema “UNIR PARA TESTEMUNHAR”.

Este movimento nasce dentro da comunidade paroquial e isto não quer dizer as pessoas que participam sejam carolas, ao contrário são pessoas que apesar dos inúmeros obstáculos surgidos na caminhada lutam na esperança de um mundo melhor onde o homem possa encontrar a justiça, a verdadeira paz de espírito, enfim um mundo onde todos vivam em perfeita harmonia.

Luciene Pinto 

25 setembro, 2026

Resgatando Nossa História: 19 Anos e 3 Milhões de Acessos do Blog Custódia Terra Querida



Alcançar 19 anos de história já é um grande motivo de orgulho, mas ver o Blog Custódia Terra Querida atingir a marca de 3 milhões de acessos torna este momento ainda mais especial.

Trata-se de uma conquista expressiva para o jornalismo regional e para a preservação da memória e da cultura do nosso município. Esse feito confirma a relevância do compromisso em levar informação de qualidade, resgatando as raízes da nossa gente.

Expresso minha sincera gratidão a todos que tornaram isso possível: aos leitores fiéis que acompanham e repassam o conteúdo, aos colaboradores que alimentam o site desde o início e aos incentivadores que apoiam essa trajetória.

Seguimos juntos, registrando e valorizando o que é nosso!

Paulo Peterson

Eleições de 1986 em Custódia: A Mobilização Popular no Retorno de Miguel Arraes ao Governo de Pernambuco


Foto:
Acervo Gilberto de Belchior


A histórica campanha para Governador do Estado em 1986, marcou o retorno de Miguel Arraes ao poder após ter sido cassado e exilado pela ditadura militar. Em Custódia, uma multidão se aglomerou para ouvi-lo ao lado do Padre Mansueto de Lavor, de Manoel Alves e do coordenador de campanha Gilberto de Belchior. O registro dessa passagem celebra a memória de um líder que reacendeu a esperança popular no período de redemocratização de Pernambuco.



Foto:
Acervo Gilberto de Belchior


O movimento político percorreu centenas de municípios pernambucanos, para consolidar a base sertaneja, pela qual Arraes mantinha forte prestígio histórico ligado aos movimentos sociais e agrários dos anos 1960. Eleitores de cidades como Custódia participaram ativamente do processo de redemocratização, impulsionados pelas propostas de eletrificação rural e apoio aos pequenos agricultores que marcaram sua gestão.

Resultado das Eleições no Município de Custódia - 1986



GOVERNADOR

JOSE MUCIO MONTEIRO FILHO 5.575 votos NAO ELEITO
MIGUEL ARRAES DE ALENCAR 5.307 votos ELEITO

Apuração: 13.067
Válidos: 10.882 (83,28%)
Brancos: 1.821 (13,94%)
Nulos: 364 (2,79%)

SENADOR 
ANTONIO ARRUDA DE FARIAS 3.980 votos ELEITO
CID FEIJO SAMPAIO 1.177 votos NAO ELEITO
IVAN MAURICIO M. DOS SANTOS 380 votos NAO ELEITO 
JACOB NOURI TUMAJAN 118 votos NAO ELEITO
MARGARIDA OLIVEIRA CANTARELLI 4.532 votos NAO ELEITO
PEDRO MANSUETO DE LAVOR 4.296 votos ELEITO

Apuração: 26.134
Válidos: 19.376 (74,14%)
Brancos: 5.237 (20,04%)
Nulos: 1.521 (5,82%)


Curiosidades - por José Melo

 


Autor:
José Melo
Recife-PE
Outubro/2008

CURIOSIDADES

Você conhece aquelas sandálias, tipo havaianas, lançadas há alguns anos, com o nome de sandálias japonesas? Pois bem. Muitos, muitos anos mesmo, antes de ser “criada” a tal sandália, o sertanejo já usava um tipo de calçado praticamente igual, com a diferença apenas do material.

Lembro perfeitamente delas, pois na casa dos meus avós, era comum se ver os trabalhadores rurais confeccionando as mesmas. Chamavam-na de “lep-lep,” por causa do barulho que fazia ao bater nos pés, ou “salga-bunda”, pois quando pisavam na areia, a sandália jogava a areia na bunda do cristão, espalhando-a como se faz com a carne ao ser salgada.

O processo de fabricação era simples: o proprietário pisava na folha de sola (couro de boi curtido, igual aos solados de sapatos ainda hoje existentes), e com o auxílio de um pedaço de carvão, na ausência de um lápis (coisa rara, naquela época), desenhava o seu pé na referida sola, tendo o cuidado de fazer uma marca entre o dedão do pé e seu vizinho.

Em seguida, cortavam a sola, furavam um buraco na marca feita próximo ao dedão do pé e mais duas próximas ao calcanhar do cristão (na sola, claro).

Depois, pegavam duas tiras de couro de bode, também curtido, passavam pelo buraco feito próximo ao dedão, davam um nó e aparavam as sobras.

Para concluir a obra, bastava passar cada uma das pontas das tiras em cada buraco perto do calcanhar, dar o nó e aparar as sobras.

Estava pronta a salga-bunda, ou a Lep-Lep para os mais puritanos.

24 setembro, 2026

[Revista Interação] Entrevista com Jânio Queiroz "Há muita gente com carteira de OAB, mas poucos Advogados"

 


Revista Interação
Edição 09
Setembro 2026

ENTREVISTA EXCLUSIVA


“HÁ MUITA GENTE COM CARTEIRA DA OAB, MAS POUCOS ADVOGADOS”

Com experiência em casos de alta complexidade, Dr. Jânio Queiroz fala sobre os desafios da profissão, a importância da habilidade humana e o impacto da inteligência artificial na advocacia.

Em um cenário de transformações tecnológicas, redes sociais e acesso instantâneo à informação, o advogado Dr. Jânio Queiroz defende que o Direito continua sendo, acima de tudo, uma profissão de pessoas. A afirmação — "há muita gente com carteira da OAB, mas poucos advogados" — ganhou grande repercussão nas redes sociais e abriu uma discussão sobre o que, de fato, significa exercer a advocacia nos dias de hoje. Em entrevista à Revista Interação, Queiroz explica que sua fala não é uma crítica à habilitação profissional, mas um convite à reflexão sobre o verdadeiro papel do advogado na sociedade.

CARTEIRA É TÍTULO. ADVOCACIA É ENTREGA

"Ter uma carteira da OAB significa estar legalmente habilitado para exercer a profissão. Ser advogado, no sentido mais profundo da palavra, é algo que se constrói todos os dias", afirma.

Para ele, a formação jurídica é apenas o ponto de partida. A prática exige estudo contínuo, coragem, experiência, equilíbrio emocional e, sobretudo, compromisso com quem confia seus problemas nas mãos do advogado.

“Advocacia exige estudo, responsabilidade, coragem, experiência e, principalmente, compromisso com as pessoas.” DR. JÂNIO QUEIROZ

DOIS DIPLOMAS: DIREITO E VIDA

Durante a entrevista, Queiroz falou sobre a chamada "habilidade humana" — a capacidade de ouvir, compreender e se colocar no lugar do outro.

"O cliente chega com medo, angústia, expectativa e, muitas vezes, com uma história muito difícil. O Direito não é feito apenas de leis, prazos e processos. É feito de pessoas."

É nesse contexto que ele costuma citar uma frase que costuma repetir:

“Tenho dois diplomas: um da Faculdade de Direito e outro de sofrer.”

A expressão, segundo ele, não pretende romantizar dificuldades, mas mostrar que a experiência de vida também ensina lições essenciais para a atuação profissional.

O DIREITO ENSINA PELA DOR

Questionado sobre jovens advogados que ingressam na profissão acreditando já saber de tudo, Queiroz é direto:

"O Direito vai ensinar pela dor. A faculdade nos dá a base, mas é na prática, com os processos difíceis, as derrotas, os clientes, as audiências e os tribunais, que a gente realmente aprende."

Ele também critica a ideia de que firmeza se confunde com agressividade.

"Quem tem segurança técnica não precisa fazer barulho. A consistência fala mais alto e pesa muito mais."

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: FERRAMENTA, NÃO SUBSTITUTO

Para Queiroz, a inteligência artificial já é uma realidade na advocacia e traz ganhos de produtividade. Mas ele alerta:

"A IA escreve petições, pesquisa jurisprudência e organiza informações. Mas ela não conhece a dor do cliente, não sente a pressão de uma audiência e não constrói a confiança que sustenta a relação entre advogado e cliente."

No fim, resume: "A técnica faz o advogado conhecer o Direito. A experiência de vida ajuda o advogado a conhecer as pessoas."

Publicado Originalmente no Instagram da Revista Interação (Clique Aqui)


A Voz Pioneira de Custódia: A História de Tuta de Dona Manoca


Artur Pereira do Amaral "Tuta"

A história da comunicação em Custódia (PE) tem um ponto de partida inesquecível. O primeiro locutor a ecoar pela cidade foi Artur Pereira do Amaral, "Tuta de Dona Manoca" (filho de Maria Augusta do Amaral), uma figura marcante que deu vida à “Duas Américas” — a estação pioneira no município.

O Estilo e o Trabalho

Embora não se considerasse propriamente um comunicador no sentido moderno, Tuta exercia um papel comunitário fundamental. Com sua voz forte e grave, seu trabalho consistia em aproximar a população por meio dos microfones:

  • Leitura de avisos de interesse público e utilidade pública;

  • Anúncios de missas e notas de falecimento;

  • Dedutórias e pedidos musicais dos ouvintes;

  • Apresentação e participação em serestas locais.

Um Encerramento Marcante

Ao final de cada transmissão, Tuta marcou a memória dos custodienses com sua assinatura inconfundível. Ele encerrava a programação da "Duas Américas" declarando:

"Com este sufixo musical, a Duas Américas encerra a sua programação. Obrigado a todos, boa noite, e Tudo pelo Brasil!"

Quer saber mais sobre “Serviço de Auto-Falantes Duas Américas”, implantada por José Ferraz de Oliveira, “Duda Ferraz”, pai de Adamastor Ferraz, confira esses textos escritos por José Soares de Melo para o Blog Custódia Terra Querida:


Primeira Rádio de Custódia (clique aqui)

O Rádio em Custódia (clique aqui)

O Bravo Povo Nordestino! - Lindinalva Almeida




“Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.”


Em vários períodos da história, a água caída dos céus, na região Nordeste, fez longas paradas, emoldurando a região em um cenário devastador.

Os fenômenos climáticos sempre existiram, e o alvo central foi o homem, com todas as consequências de uma terra que já não tinha mais o vigor de outrora.

Secas da Região Nordeste: nesses períodos trágicos da história, as estiagens causaram incontáveis prejuízos. A seca de 1915 é retratada no livro O Quinze, de Rachel de Queiroz. A obra conta que foi criado um campo de concentração para retirantes do Ceará.

Um dos períodos mais difíceis foi o das secas de 1932 e 1962, que resultaram em grande sofrimento social. Foi então, nesse contexto, que o Governo Federal criou um órgão de combate às dificuldades da região, a SUDENE, em 1959.

A SUDENE diminuiu substancialmente as dificuldades na vida de muitos nordestinos; porém, não supria os estragos deixados pelas estiagens.

Os períodos de 1950-1951 e, sobretudo, o dramático episódio de 1958 também causaram miséria generalizada em todo o Nordeste. O povo não tinha direção. Os carros de boi eram o meio de transporte de várias pessoas que fugiam da famigerada seca.

Nesse fatídico relato, ainda são registradas na região a grande seca de 1877-1879 e a estiagem entre 2012 e 2017, que causou a morte de cerca de 400 mil a 500 mil pessoas, dizimando rebanhos e provocando migração em massa, sendo considerada pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) como a mais longa sequência de anos com chuvas abaixo da média na região.

Ao escrever este texto, revivi momentos de reflexão sobre a vida desse povo, que sofreu na pele a dor e a tristeza de perder tudo e partir sem norte. Quem poderia fazer alguma coisa pela população seriam os políticos, mas pouco se fez durante décadas.

E, com toda sinceridade, vejo que as pessoas não veem e não dão valor a quem se propõe a fazer o bem pelo nosso Nordeste. Eu me pergunto: por onde anda a consciência política dessa gente?

Eu me lembrei, ainda, da minha infância, na casa de meus pais, quando estávamos em hora de refeição. Alguém batia à porta, e um dos filhos ia atender. Imaginem quem era? Famílias inteiras pedindo comida. E esse cenário se alongou por anos: crianças pedintes, chorando por não terem o pão de cada dia. Os homens, nas segundas-feiras, dia da feira de Custódia, saqueavam a feira e toda a cidade, no desespero de ver suas famílias passando fome.

Hoje, ninguém vê mais crianças pedindo nas portas.

No início do texto, coloquei a frase: “Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.” Pois bem, e para recordar: quem trouxe a água para o Nordeste foi o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com esse bem maior, tudo melhorou para o meu Nordeste.

Queria lembrar a quem esqueceu que a grande maioria dos programas sociais foi criada pelo Presidente Lula ao longo de seus governos.

Lembrar é urgente. Leiam a rasa e perigosa biografia desse ser abjeto chamado Flávio Bolsonaro, que quer cortar ou até extinguir os programas do povo.

Ele já lhe mostrou o instrumento que simboliza cortes: a tesoura.

O voto que você der errado terá consequências amanhã. Pense nisso!


Custódia, 22 de setembro de 2026.
Lindinalva (Nenê)
Escritora.


(*) Todo e qualquer texto publicado não reflete necessariamente a opinião deste blog. Refletem apenas a opinião do autor.

23 setembro, 2026

O Casarão": O Ponto do Embalo e da Disco Music em Custódia


Foto:
Acervo Familiar (Claudete e Lourival Nunes)

Entre o final da década de 1970 e meados dos anos 80, o coração da vida noturna e do entretenimento em Custódia batia na Rua Luiz Epaminondas, no centro da cidade. Era lá que funcionava O Casarão, um dos lugares mais badalados da época, de propriedade de Lourival Nunes.   

O imóvel era um prédio amplo que, inicialmente, operava apenas como bar. Com o balcão localizado ao fundo, o imenso espaço central ficava subaproveitado. Percebendo a carência de opções para dançar na cidade — além do tradicional CLRC - Centro Lítero Recreativo de Custódia —, Lourival acolheu a sugestão de amigos e clientes e decidiu transformar o local em uma verdadeira discoteca, aproveitando a febre mundial da disco music.   



Localizado, na época, na Rua Luiz Epaminondas.

Naquela época, o fenômeno da dança tomava conta do país com o sucesso do filme Os Embalos de Sábado à Noite (1977) e a exibição da novela Dancin' Days. Como o sinal de TV havia começado a funcionar bem em Custódia por volta de 1977, uma televisão foi instalada no bar. Os frequentadores chegavam cedo — o Sr. Joventino Feitosa era habitualmente um dos primeiros — para assistir ao capítulo da novela e, assim que os créditos subiam, a pista se acendia e a festa começava. O ambiente era embalado por hits inesquecíveis de artistas como Tina Charles, Gloria Gaynor, Roberta Flack, Boney M. e Village People.   

Com portas abertas por volta das 18h, a casa trazia uma decoração rústica e estilosa, feita com esteiras de palha de bananeira, combinada com luzes coloridas e iluminação negra. Por muito tempo, foi o ponto de encontro favorito da juventude custodiense.   

Por: Paulo Peterson   

Colaboraram com informaações: Flávia Epaminondas, Jorge Remígio, José Melo, Claudete e Lourival Nunes.
 

Árvore Genealógica de Elpidio Pires Ferreira e Alzira de Souza Pires


ELPÍDIO PIRES FERREIRA *05/12/1912 +26/10/1991
ALZIRA DE SOUZA PIRES *20/11/1920 +13/01/1998



FILHOS


Os irmãos Pires, da esquerda para direita:
Elson, Elzira, Jarbas, Emilson, Ana Lúcia e Jorge.



Elzira e sua família


ELZIRA – 20/01/1948 Pedagoga, casou-se com Ibraim Atala em 06/03/1971 Licenciado em Ciência da Computação – seus filhos:

DANIEL IBRAIM 11/02/1974 – PhD em Engenharia de Alimentação, reconhecido nos meios acadêmico-científicos, como “DOUTOR ETANOL”, casou-se com Maria Isabel Berto, Phd em Engenharia de Alimentação, têm 2 filhas: Amanda 10/08/2004 e Olívia 23/05/2007;

DANILO 26/02/1975 – Advogado, casou-se com Laura Maia, Advogada, tem uma filha Ana Carolina 25/04/1997, atualmente está casado com Lidiane da Cruz Garcia, Bacharela em Direito;

ALLE 05/08/1978 Químico



Emilson e sua familia



EMILSON – 23/12/1949, licenciado em História e Bacharel em Direito, casou-se com Aparecida Maria Ramsay Garcia – seus filhos:

FLÁVIA - 01/05/1976, Médica, casada com Luiz Carlos Pieroni, Médico;

FLAVIANE - 27/09/1978, Psicóloga, casou-se com Júlio César Vieira, tem um filho Felipe 28/08/1998;

FLÁVIO LUZ - 01/03/1986, acadêmico de Medicina;

Atualmente casado com Durcinéa Alves Cândida (Dulce)



José e familia


JOSÉ ELSON – 02/12/1950, casou-se com Maria Auxiliadora Arruda – seus filhos:

ELAINNE - 31/05/1975 Farmacêutica e Bioquímica, casada com Alessandro Marino Cintra, fisioterapeuta, têm um filho, Kadú 15/07/2006;

ELIANNE - 23/11/1976, Nutricionista, casada com Juliano Pinto de Oliveira, licenciado em Educação Física, têm um filho, João Pedro 07/08/2005;

ELIZANNE - 29/08/1979, Cosmopolita, casada com Kevin O’brien, Engenheiro Eletricista, residem em Dublin, Irlanda



Jorge Luiz Souza Pires


JORGE LUIZ 29/08/1955, Contador, casou-se com Margareth Lino Pedroso, Licenciada em Letras – seus filhos:

JOISEANNE 02/06/1981, Médica

IVAN LUIZ 12/10/1983, Licenciado em Computação e Mestrando em Ciência da computação;



Jarbas e família


JARBAS 27/09/1956, Técnico em Telecomunicações, casou-se com Ediane Cintra – seus filhos:

JARDSON 19/05/1982 Bacharel em Administração de Empresa

JARDIANE 12/12/1986



Ana Lúcia e famiília


ANA LÚCIA 16/03/1958, Licenciada em Educação Artística, casou-se com Péricles Antonio Fernandes Gonçalves, Ms em Direito e Pró Reitor de Extensão da FURG – seus filhos:

ALYSSON 25/07/1977 Ms em Sistema de Informação pela Universidade do Minho – Portugal.

THIAGO 16/11/1982, Jornalista, casado com Danny Cerpa Moraes, Jornalista, tem duas filhas Isabelle e Marina 20/02/2008 são gêmeas.



Elson, Emilson, Elzira, Jarbas e Jorge.



HISTÓRICO


A família Pires emigrou de Custódia, por injunções políticas no dia 10/03/1965, chegando em Cáceres, ao ocaso do dia 01/04/1965.

Em Cáceres, onde já residia Ivone, sobrinha-filha de Elpidio, casada com Alcides Vidal Salomé, os Pires se instalaram. Os meninos continuaram os estudos e se integraram socialmente, recebidos e aceitos de braços abertos pelos locais.

Elzira casou-se com Ibraim, colega do Emilson no Colégio Onze de Março, onde em 1965 cursaram a 4ª série ginasial; Mudaram-se para São Paulo, onde o Ibraim concluiu o curso de Técnico Têxtil, trabalhando na área até 1986, quando retornaram à Cáceres, ganhando, o Ibraim, o título de “Nariz de Ouro”, até por deixar de cheirar a poluição da paulicéia.

Ana Lúcia, casou-se com o Péricles, que era o gestor do Campus Avançado da FURG em Cáceres, no Projeto Rondon, mudando-se para Rio Grande-RS, onde residem até hoje.

Alzira, religiosa que era, manteve um grande círculo de amizade, com visível reconhecimento e sutil liderança. Adorava a nova terra que tão bem recebera seus filhos. Morreu amando a Princesinha do Paraguai, entretanto, jamais esqueceu o torrão natal, guardando e relembrando sempre, as reminiscências d’antanho; costureira de renome, trabalhava horas a fio, cantarolando antigas canções “que hoje na memória eu guardo e sei de cor” (“Naquela Mesa”, de Sérgio Bittencourt, para Jacó do Bandolin)

Elpidio se realizou na nova terra por gostar tanto de pescaria, tendo à sua disposição o caudaloso e piscoso Rio Paraguai, tendo com ele uma relação telúrica. Faleceu no dia 26/10/1981. No dia 27, logo após o seu sepultamento, seus filhos, juntamente com o cunhado Ibraim e alguns poucos amigos fundaram o “Grupo Pídio Véi” para homenagear o patriarca, hoje o Grupo conta com 12 “compadres”. O objetivo da criação do Grupo, é um acampamento anual no Pantanal, o que rigorosamente acontece; no Estandarte está presente um Mandacarú; o lema é: “pescar é lazer, preservar é dever”, da lavra do compadre Gentil Pires Dantas; o hino é o samba “Naquela Mesa”. O acampamento deste ano se dará do dia 08 a 12 de Outubro. Há dentro do Grupo alguns “Compadres” e algumas “Comadres” requerendo para o ano de 2009, um passeio ao litoral em vez da pescaria no pantanal, talvez se torne realidade.

No dia 09 de Setembro de 2008, nós, os custodienses e as ‘custodianas’, termo bem empregado pelo amigo Ernestinho Queiroz, no seu Jornal “CUSTODIANAS”, ausentes do torrão natal, estaremos presentes virtualmente nas homenagens programadas, na Praça Pe. Leão, nas ladeiras da Várzea e da Rua da Remela, na Igreja, no Bar Fênix e no Centro Lítero Recreativo da Custódia, num “abraço apertado, um sorriso dobrado e amor sem fim” (linda guarânia), aos tios, primos e conterrâneos, desta terra querida, cantada e abençoada pelo Padre Antonio Duarte (im memorian)

Enviado por Ibraim Itala