25 setembro, 2026

Resgatando Nossa História: 19 Anos e 3 Milhões de Acessos do Blog Custódia Terra Querida



Alcançar 19 anos de história já é um grande motivo de orgulho, mas ver o Blog Custódia Terra Querida atingir a marca de 3 milhões de acessos torna este momento ainda mais especial.

Trata-se de uma conquista expressiva para o jornalismo regional e para a preservação da memória e da cultura do nosso município. Esse feito confirma a relevância do compromisso em levar informação de qualidade, resgatando as raízes da nossa gente.

Expresso minha sincera gratidão a todos que tornaram isso possível: aos leitores fiéis que acompanham e repassam o conteúdo, aos colaboradores que alimentam o site desde o início e aos incentivadores que apoiam essa trajetória.

Seguimos juntos, registrando e valorizando o que é nosso!

Paulo Peterson

Eleições de 1986 em Custódia: A Mobilização Popular no Retorno de Miguel Arraes ao Governo de Pernambuco


Foto:
Acervo Gilberto de Belchior


A histórica campanha para Governador do Estado em 1986, marcou o retorno de Miguel Arraes ao poder após ter sido cassado e exilado pela ditadura militar. Em Custódia, uma multidão se aglomerou para ouvi-lo ao lado do Padre Mansueto de Lavor, de Manoel Alves e do coordenador de campanha Gilberto de Belchior. O registro dessa passagem celebra a memória de um líder que reacendeu a esperança popular no período de redemocratização de Pernambuco.



Foto:
Acervo Gilberto de Belchior


O movimento político percorreu centenas de municípios pernambucanos, para consolidar a base sertaneja, pela qual Arraes mantinha forte prestígio histórico ligado aos movimentos sociais e agrários dos anos 1960. Eleitores de cidades como Custódia participaram ativamente do processo de redemocratização, impulsionados pelas propostas de eletrificação rural e apoio aos pequenos agricultores que marcaram sua gestão.

Resultado das Eleições no Município de Custódia - 1986



GOVERNADOR

JOSE MUCIO MONTEIRO FILHO 5.575 votos NAO ELEITO
MIGUEL ARRAES DE ALENCAR 5.307 votos ELEITO

Apuração: 13.067
Válidos: 10.882 (83,28%)
Brancos: 1.821 (13,94%)
Nulos: 364 (2,79%)

SENADOR 
ANTONIO ARRUDA DE FARIAS 3.980 votos ELEITO
CID FEIJO SAMPAIO 1.177 votos NAO ELEITO
IVAN MAURICIO M. DOS SANTOS 380 votos NAO ELEITO 
JACOB NOURI TUMAJAN 118 votos NAO ELEITO
MARGARIDA OLIVEIRA CANTARELLI 4.532 votos NAO ELEITO
PEDRO MANSUETO DE LAVOR 4.296 votos ELEITO

Apuração: 26.134
Válidos: 19.376 (74,14%)
Brancos: 5.237 (20,04%)
Nulos: 1.521 (5,82%)


Curiosidades - por José Melo

 


Autor:
José Melo
Recife-PE
Outubro/2008

CURIOSIDADES

Você conhece aquelas sandálias, tipo havaianas, lançadas há alguns anos, com o nome de sandálias japonesas? Pois bem. Muitos, muitos anos mesmo, antes de ser “criada” a tal sandália, o sertanejo já usava um tipo de calçado praticamente igual, com a diferença apenas do material.

Lembro perfeitamente delas, pois na casa dos meus avós, era comum se ver os trabalhadores rurais confeccionando as mesmas. Chamavam-na de “lep-lep,” por causa do barulho que fazia ao bater nos pés, ou “salga-bunda”, pois quando pisavam na areia, a sandália jogava a areia na bunda do cristão, espalhando-a como se faz com a carne ao ser salgada.

O processo de fabricação era simples: o proprietário pisava na folha de sola (couro de boi curtido, igual aos solados de sapatos ainda hoje existentes), e com o auxílio de um pedaço de carvão, na ausência de um lápis (coisa rara, naquela época), desenhava o seu pé na referida sola, tendo o cuidado de fazer uma marca entre o dedão do pé e seu vizinho.

Em seguida, cortavam a sola, furavam um buraco na marca feita próximo ao dedão do pé e mais duas próximas ao calcanhar do cristão (na sola, claro).

Depois, pegavam duas tiras de couro de bode, também curtido, passavam pelo buraco feito próximo ao dedão, davam um nó e aparavam as sobras.

Para concluir a obra, bastava passar cada uma das pontas das tiras em cada buraco perto do calcanhar, dar o nó e aparar as sobras.

Estava pronta a salga-bunda, ou a Lep-Lep para os mais puritanos.

24 setembro, 2026

[Revista Interação] Entrevista com Jânio Queiroz "Há muita gente com carteira de OAB, mas poucos Advogados"

 


Revista Interação
Edição 09
Setembro 2026

ENTREVISTA EXCLUSIVA


“HÁ MUITA GENTE COM CARTEIRA DA OAB, MAS POUCOS ADVOGADOS”

Com experiência em casos de alta complexidade, Dr. Jânio Queiroz fala sobre os desafios da profissão, a importância da habilidade humana e o impacto da inteligência artificial na advocacia.

Em um cenário de transformações tecnológicas, redes sociais e acesso instantâneo à informação, o advogado Dr. Jânio Queiroz defende que o Direito continua sendo, acima de tudo, uma profissão de pessoas. A afirmação — "há muita gente com carteira da OAB, mas poucos advogados" — ganhou grande repercussão nas redes sociais e abriu uma discussão sobre o que, de fato, significa exercer a advocacia nos dias de hoje. Em entrevista à Revista Interação, Queiroz explica que sua fala não é uma crítica à habilitação profissional, mas um convite à reflexão sobre o verdadeiro papel do advogado na sociedade.

CARTEIRA É TÍTULO. ADVOCACIA É ENTREGA

"Ter uma carteira da OAB significa estar legalmente habilitado para exercer a profissão. Ser advogado, no sentido mais profundo da palavra, é algo que se constrói todos os dias", afirma.

Para ele, a formação jurídica é apenas o ponto de partida. A prática exige estudo contínuo, coragem, experiência, equilíbrio emocional e, sobretudo, compromisso com quem confia seus problemas nas mãos do advogado.

“Advocacia exige estudo, responsabilidade, coragem, experiência e, principalmente, compromisso com as pessoas.” DR. JÂNIO QUEIROZ

DOIS DIPLOMAS: DIREITO E VIDA

Durante a entrevista, Queiroz falou sobre a chamada "habilidade humana" — a capacidade de ouvir, compreender e se colocar no lugar do outro.

"O cliente chega com medo, angústia, expectativa e, muitas vezes, com uma história muito difícil. O Direito não é feito apenas de leis, prazos e processos. É feito de pessoas."

É nesse contexto que ele costuma citar uma frase que costuma repetir:

“Tenho dois diplomas: um da Faculdade de Direito e outro de sofrer.”

A expressão, segundo ele, não pretende romantizar dificuldades, mas mostrar que a experiência de vida também ensina lições essenciais para a atuação profissional.

O DIREITO ENSINA PELA DOR

Questionado sobre jovens advogados que ingressam na profissão acreditando já saber de tudo, Queiroz é direto:

"O Direito vai ensinar pela dor. A faculdade nos dá a base, mas é na prática, com os processos difíceis, as derrotas, os clientes, as audiências e os tribunais, que a gente realmente aprende."

Ele também critica a ideia de que firmeza se confunde com agressividade.

"Quem tem segurança técnica não precisa fazer barulho. A consistência fala mais alto e pesa muito mais."

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: FERRAMENTA, NÃO SUBSTITUTO

Para Queiroz, a inteligência artificial já é uma realidade na advocacia e traz ganhos de produtividade. Mas ele alerta:

"A IA escreve petições, pesquisa jurisprudência e organiza informações. Mas ela não conhece a dor do cliente, não sente a pressão de uma audiência e não constrói a confiança que sustenta a relação entre advogado e cliente."

No fim, resume: "A técnica faz o advogado conhecer o Direito. A experiência de vida ajuda o advogado a conhecer as pessoas."

Publicado Originalmente no Instagram da Revista Interação (Clique Aqui)


A Voz Pioneira de Custódia: A História de Tuta de Dona Manoca


Artur Pereira do Amaral "Tuta"

A história da comunicação em Custódia (PE) tem um ponto de partida inesquecível. O primeiro locutor a ecoar pela cidade foi Artur Pereira do Amaral, "Tuta de Dona Manoca" (filho de Maria Augusta do Amaral), uma figura marcante que deu vida à “Duas Américas” — a estação pioneira no município.

O Estilo e o Trabalho

Embora não se considerasse propriamente um comunicador no sentido moderno, Tuta exercia um papel comunitário fundamental. Com sua voz forte e grave, seu trabalho consistia em aproximar a população por meio dos microfones:

  • Leitura de avisos de interesse público e utilidade pública;

  • Anúncios de missas e notas de falecimento;

  • Dedutórias e pedidos musicais dos ouvintes;

  • Apresentação e participação em serestas locais.

Um Encerramento Marcante

Ao final de cada transmissão, Tuta marcou a memória dos custodienses com sua assinatura inconfundível. Ele encerrava a programação da "Duas Américas" declarando:

"Com este sufixo musical, a Duas Américas encerra a sua programação. Obrigado a todos, boa noite, e Tudo pelo Brasil!"

Quer saber mais sobre “Serviço de Auto-Falantes Duas Américas”, implantada por José Ferraz de Oliveira, “Duda Ferraz”, pai de Adamastor Ferraz, confira esses textos escritos por José Soares de Melo para o Blog Custódia Terra Querida:


Primeira Rádio de Custódia (clique aqui)

O Rádio em Custódia (clique aqui)

O Bravo Povo Nordestino! - Lindinalva Almeida




“Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.”


Em vários períodos da história, a água caída dos céus, na região Nordeste, fez longas paradas, emoldurando a região em um cenário devastador.

Os fenômenos climáticos sempre existiram, e o alvo central foi o homem, com todas as consequências de uma terra que já não tinha mais o vigor de outrora.

Secas da Região Nordeste: nesses períodos trágicos da história, as estiagens causaram incontáveis prejuízos. A seca de 1915 é retratada no livro O Quinze, de Rachel de Queiroz. A obra conta que foi criado um campo de concentração para retirantes do Ceará.

Um dos períodos mais difíceis foi o das secas de 1932 e 1962, que resultaram em grande sofrimento social. Foi então, nesse contexto, que o Governo Federal criou um órgão de combate às dificuldades da região, a SUDENE, em 1959.

A SUDENE diminuiu substancialmente as dificuldades na vida de muitos nordestinos; porém, não supria os estragos deixados pelas estiagens.

Os períodos de 1950-1951 e, sobretudo, o dramático episódio de 1958 também causaram miséria generalizada em todo o Nordeste. O povo não tinha direção. Os carros de boi eram o meio de transporte de várias pessoas que fugiam da famigerada seca.

Nesse fatídico relato, ainda são registradas na região a grande seca de 1877-1879 e a estiagem entre 2012 e 2017, que causou a morte de cerca de 400 mil a 500 mil pessoas, dizimando rebanhos e provocando migração em massa, sendo considerada pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) como a mais longa sequência de anos com chuvas abaixo da média na região.

Ao escrever este texto, revivi momentos de reflexão sobre a vida desse povo, que sofreu na pele a dor e a tristeza de perder tudo e partir sem norte. Quem poderia fazer alguma coisa pela população seriam os políticos, mas pouco se fez durante décadas.

E, com toda sinceridade, vejo que as pessoas não veem e não dão valor a quem se propõe a fazer o bem pelo nosso Nordeste. Eu me pergunto: por onde anda a consciência política dessa gente?

Eu me lembrei, ainda, da minha infância, na casa de meus pais, quando estávamos em hora de refeição. Alguém batia à porta, e um dos filhos ia atender. Imaginem quem era? Famílias inteiras pedindo comida. E esse cenário se alongou por anos: crianças pedintes, chorando por não terem o pão de cada dia. Os homens, nas segundas-feiras, dia da feira de Custódia, saqueavam a feira e toda a cidade, no desespero de ver suas famílias passando fome.

Hoje, ninguém vê mais crianças pedindo nas portas.

No início do texto, coloquei a frase: “Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.” Pois bem, e para recordar: quem trouxe a água para o Nordeste foi o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com esse bem maior, tudo melhorou para o meu Nordeste.

Queria lembrar a quem esqueceu que a grande maioria dos programas sociais foi criada pelo Presidente Lula ao longo de seus governos.

Lembrar é urgente. Leiam a rasa e perigosa biografia desse ser abjeto chamado Flávio Bolsonaro, que quer cortar ou até extinguir os programas do povo.

Ele já lhe mostrou o instrumento que simboliza cortes: a tesoura.

O voto que você der errado terá consequências amanhã. Pense nisso!


Custódia, 22 de setembro de 2026.
Lindinalva (Nenê)
Escritora.


(*) Todo e qualquer texto publicado não reflete necessariamente a opinião deste blog. Refletem apenas a opinião do autor.

23 setembro, 2026

O Casarão": O Ponto do Embalo e da Disco Music em Custódia


Foto:
Acervo Familiar (Claudete e Lourival Nunes)

Entre o final da década de 1970 e meados dos anos 80, o coração da vida noturna e do entretenimento em Custódia batia na Rua Luiz Epaminondas, no centro da cidade. Era lá que funcionava O Casarão, um dos lugares mais badalados da época, de propriedade de Lourival Nunes.   

O imóvel era um prédio amplo que, inicialmente, operava apenas como bar. Com o balcão localizado ao fundo, o imenso espaço central ficava subaproveitado. Percebendo a carência de opções para dançar na cidade — além do tradicional CLRC - Centro Lítero Recreativo de Custódia —, Lourival acolheu a sugestão de amigos e clientes e decidiu transformar o local em uma verdadeira discoteca, aproveitando a febre mundial da disco music.   



Localizado, na época, na Rua Luiz Epaminondas.

Naquela época, o fenômeno da dança tomava conta do país com o sucesso do filme Os Embalos de Sábado à Noite (1977) e a exibição da novela Dancin' Days. Como o sinal de TV havia começado a funcionar bem em Custódia por volta de 1977, uma televisão foi instalada no bar. Os frequentadores chegavam cedo — o Sr. Joventino Feitosa era habitualmente um dos primeiros — para assistir ao capítulo da novela e, assim que os créditos subiam, a pista se acendia e a festa começava. O ambiente era embalado por hits inesquecíveis de artistas como Tina Charles, Gloria Gaynor, Roberta Flack, Boney M. e Village People.   

Com portas abertas por volta das 18h, a casa trazia uma decoração rústica e estilosa, feita com esteiras de palha de bananeira, combinada com luzes coloridas e iluminação negra. Por muito tempo, foi o ponto de encontro favorito da juventude custodiense.   

Por: Paulo Peterson   

Colaboraram com informaações: Flávia Epaminondas, Jorge Remígio, José Melo, Claudete e Lourival Nunes.
 

Árvore Genealógica de Elpidio Pires Ferreira e Alzira de Souza Pires


ELPÍDIO PIRES FERREIRA *05/12/1912 +26/10/1991
ALZIRA DE SOUZA PIRES *20/11/1920 +13/01/1998



FILHOS


Os irmãos Pires, da esquerda para direita:
Elson, Elzira, Jarbas, Emilson, Ana Lúcia e Jorge.



Elzira e sua família


ELZIRA – 20/01/1948 Pedagoga, casou-se com Ibraim Atala em 06/03/1971 Licenciado em Ciência da Computação – seus filhos:

DANIEL IBRAIM 11/02/1974 – PhD em Engenharia de Alimentação, reconhecido nos meios acadêmico-científicos, como “DOUTOR ETANOL”, casou-se com Maria Isabel Berto, Phd em Engenharia de Alimentação, têm 2 filhas: Amanda 10/08/2004 e Olívia 23/05/2007;

DANILO 26/02/1975 – Advogado, casou-se com Laura Maia, Advogada, tem uma filha Ana Carolina 25/04/1997, atualmente está casado com Lidiane da Cruz Garcia, Bacharela em Direito;

ALLE 05/08/1978 Químico



Emilson e sua familia



EMILSON – 23/12/1949, licenciado em História e Bacharel em Direito, casou-se com Aparecida Maria Ramsay Garcia – seus filhos:

FLÁVIA - 01/05/1976, Médica, casada com Luiz Carlos Pieroni, Médico;

FLAVIANE - 27/09/1978, Psicóloga, casou-se com Júlio César Vieira, tem um filho Felipe 28/08/1998;

FLÁVIO LUZ - 01/03/1986, acadêmico de Medicina;

Atualmente casado com Durcinéa Alves Cândida (Dulce)



José e familia


JOSÉ ELSON – 02/12/1950, casou-se com Maria Auxiliadora Arruda – seus filhos:

ELAINNE - 31/05/1975 Farmacêutica e Bioquímica, casada com Alessandro Marino Cintra, fisioterapeuta, têm um filho, Kadú 15/07/2006;

ELIANNE - 23/11/1976, Nutricionista, casada com Juliano Pinto de Oliveira, licenciado em Educação Física, têm um filho, João Pedro 07/08/2005;

ELIZANNE - 29/08/1979, Cosmopolita, casada com Kevin O’brien, Engenheiro Eletricista, residem em Dublin, Irlanda



Jorge Luiz Souza Pires


JORGE LUIZ 29/08/1955, Contador, casou-se com Margareth Lino Pedroso, Licenciada em Letras – seus filhos:

JOISEANNE 02/06/1981, Médica

IVAN LUIZ 12/10/1983, Licenciado em Computação e Mestrando em Ciência da computação;



Jarbas e família


JARBAS 27/09/1956, Técnico em Telecomunicações, casou-se com Ediane Cintra – seus filhos:

JARDSON 19/05/1982 Bacharel em Administração de Empresa

JARDIANE 12/12/1986



Ana Lúcia e famiília


ANA LÚCIA 16/03/1958, Licenciada em Educação Artística, casou-se com Péricles Antonio Fernandes Gonçalves, Ms em Direito e Pró Reitor de Extensão da FURG – seus filhos:

ALYSSON 25/07/1977 Ms em Sistema de Informação pela Universidade do Minho – Portugal.

THIAGO 16/11/1982, Jornalista, casado com Danny Cerpa Moraes, Jornalista, tem duas filhas Isabelle e Marina 20/02/2008 são gêmeas.



Elson, Emilson, Elzira, Jarbas e Jorge.



HISTÓRICO


A família Pires emigrou de Custódia, por injunções políticas no dia 10/03/1965, chegando em Cáceres, ao ocaso do dia 01/04/1965.

Em Cáceres, onde já residia Ivone, sobrinha-filha de Elpidio, casada com Alcides Vidal Salomé, os Pires se instalaram. Os meninos continuaram os estudos e se integraram socialmente, recebidos e aceitos de braços abertos pelos locais.

Elzira casou-se com Ibraim, colega do Emilson no Colégio Onze de Março, onde em 1965 cursaram a 4ª série ginasial; Mudaram-se para São Paulo, onde o Ibraim concluiu o curso de Técnico Têxtil, trabalhando na área até 1986, quando retornaram à Cáceres, ganhando, o Ibraim, o título de “Nariz de Ouro”, até por deixar de cheirar a poluição da paulicéia.

Ana Lúcia, casou-se com o Péricles, que era o gestor do Campus Avançado da FURG em Cáceres, no Projeto Rondon, mudando-se para Rio Grande-RS, onde residem até hoje.

Alzira, religiosa que era, manteve um grande círculo de amizade, com visível reconhecimento e sutil liderança. Adorava a nova terra que tão bem recebera seus filhos. Morreu amando a Princesinha do Paraguai, entretanto, jamais esqueceu o torrão natal, guardando e relembrando sempre, as reminiscências d’antanho; costureira de renome, trabalhava horas a fio, cantarolando antigas canções “que hoje na memória eu guardo e sei de cor” (“Naquela Mesa”, de Sérgio Bittencourt, para Jacó do Bandolin)

Elpidio se realizou na nova terra por gostar tanto de pescaria, tendo à sua disposição o caudaloso e piscoso Rio Paraguai, tendo com ele uma relação telúrica. Faleceu no dia 26/10/1981. No dia 27, logo após o seu sepultamento, seus filhos, juntamente com o cunhado Ibraim e alguns poucos amigos fundaram o “Grupo Pídio Véi” para homenagear o patriarca, hoje o Grupo conta com 12 “compadres”. O objetivo da criação do Grupo, é um acampamento anual no Pantanal, o que rigorosamente acontece; no Estandarte está presente um Mandacarú; o lema é: “pescar é lazer, preservar é dever”, da lavra do compadre Gentil Pires Dantas; o hino é o samba “Naquela Mesa”. O acampamento deste ano se dará do dia 08 a 12 de Outubro. Há dentro do Grupo alguns “Compadres” e algumas “Comadres” requerendo para o ano de 2009, um passeio ao litoral em vez da pescaria no pantanal, talvez se torne realidade.

No dia 09 de Setembro de 2008, nós, os custodienses e as ‘custodianas’, termo bem empregado pelo amigo Ernestinho Queiroz, no seu Jornal “CUSTODIANAS”, ausentes do torrão natal, estaremos presentes virtualmente nas homenagens programadas, na Praça Pe. Leão, nas ladeiras da Várzea e da Rua da Remela, na Igreja, no Bar Fênix e no Centro Lítero Recreativo da Custódia, num “abraço apertado, um sorriso dobrado e amor sem fim” (linda guarânia), aos tios, primos e conterrâneos, desta terra querida, cantada e abençoada pelo Padre Antonio Duarte (im memorian)

Enviado por Ibraim Itala

22 setembro, 2026

Quase acidente - por José Melo


Autor: 
José Melo
Recife-PE
Agosto/2008


Quase Acidente


Como já disse anteriormente, guardei na memória muitos fatos curiosos e hilariantes que tomei conhecimento, nas conversas com os mais velhos, com os amigos nas mesas de bar, enfim, na minha vivência na pequena e querida Custódia.

Hoje conto um fato que sempre era lembrado às gargalhadas pela turma. Diz-se que um senhor, agricultor, gostava de tomar seus “golinhos” vez por outra, na cidade, e já de cabeça feita, comprava seu suprimento para levar para casa.

Certa feita, o nosso personagem vai calmamente montado em seu cavalo, segurando com todo cuidado as duas garrafas da “marvada” que levava para consumo em casa, quando, passando próximo ao cemitério, havia uma turma de meninos em suas costumeira guerras de pedras. Um atira daqui, o outro responde de lá, e nosso herói, despreocupado, cruzou o “fogo” da guerra dos meninos. Vocês já podem imaginar o que aconteceu: uma pedrada acertou em cheio a cabeça do pobre coitado, fazendo esguichar sangue na sua face. Passando a mão no rosto, e observando que tinha sido ferido, ficou extremamente revoltado, e gritou para a molecada:

- Muleques “fela da puta”, assim como essa pedra furou minha cabeça, se pega nessas garrafas, eu ia lascar vocês!”

Os Ardentes: Memórias, Causos e o Som de uma Época


OS ARDENTES
Maminha, Beto de João Anjo, Paulo Félix, Expedito, Dida, Lucas e Zil

Os Ardentes: Memórias, Causos e o Som de uma Época

Falar dos Ardentes é mergulhar numa das páginas mais vivas, bem-humoradas e saudosas da música do Sertão pernambucano nos anos 1970. É uma história feita de improviso, companheirismo e daquela irreverência típica da juventude de uma época que deixaria saudades para sempre.

As Origens e o Mal-Entendido

Muita gente confunde até hoje a história do conjunto com a da antiga Escola de Música de Seu Seba. A única ligação real, na verdade, foi o facto de Expedito Batista ter sido aluno de Seba. A criação dos Ardentes foi um capítulo à parte.

Tudo começou quando Zil permaneceu na cidade após a partida da construtora Queiroz Galvão. Perante esse cenário, Expedito Batista — grande amigo de Sílvio — teve a ideia de formar um conjunto musical. Para tirar o projeto do papel, pediu a José Melo que organizasse uma lista de contribuição junto da comunidade para arrecadar verbas para os equipamentos. Paralelamente, Expedito conversou com Sílvio, que conseguiu uma subvenção para uma escola de música onde Zil seria o professor. Essa escola durou pouco: com a formação do grupo a avançar a todo o vapor, as aulas foram encerradas para dar lugar aos ensaios.

Com recursos próprios dos músicos e o dinheiro angariado na vaquinha comunitária, comprou-se o básico para arrancar:

  • Um amplificador

  • Uma guitarra

  • Um baixo

  • Uma bateria

A Estreia Trágica como "The Black Bat"

Com o equipamento montado e o repertório ensaiado, faltava batizar o grupo. Recorreu-se a Assis, filho de Jorge Arruda, que sugeriu The Black Bat — traduzido na época como "Os Morcegos Negros".

Com o nome escolhido e a expetativa em alta, agendou-se a estreia para o distrito de Sítio dos Nunes, com a ajuda de Chá Preto, que conseguiu o local. Na data e hora marcadas, a banda subiu ao palco pronta para abafar. O resultado, contudo, foi um desastre histórico de público: para não dizer que não esteve ninguém, a plateia foi composta única e exclusivamente por Chá Preto.

Inconformados com o fiasco, os componentes atribuíram a culpa ao nome: "Onde já se viu um conjunto com nome de Morcego? Só podia dar azar!"

O Renascimento e a Virada Regional

Após acaloradas discussões, decidiram mudar o nome para Os Ardentes. A mudança operou um milagre imediato.

A verdadeira estreia sob o novo nome aconteceu numa cerimónia de colação de grau na antiga Petrolândia. Seguiu-se o casamento de um influente político em Betânia e, em pouco tempo, a banda tornou-se atração indispensável nos bailes e festas de toda a região do Pajeú e arredores, passando por Iguaraci, Afogados da Ingazeira, Carnaíba e várias outras localidades.

No CLRC, Os Ardentes animavam todos os domingos, durante o "Jotamelo Show", programa de auditório. O conjunto formou uma orquestra improvisada e tocou em um dos carnavais do CLRC.

Causos de Bastidores: Coragem Falsa e Vestidos Longos em Petrolândia

A viagem para a estreia em Petrolândia rendeu histórias inesquecíveis. O grupo levou os seus parcos equipamentos: a bateria, um amplificador com caixa de som para o baixo, outro para a guitarra e um único microfone para o vocalista, Paulo Félix.

Como ainda era cedo para o show, os músicos foram passear no Cais do Rio São Francisco. Lá, ficaram a admirar rapazes de 14 ou 15 anos a saltar de uma altura de cerca de 15 metros para as águas do Velho Chico. Paulo Félix resolveu então aprontar uma das suas: disse que também tinha coragem para dar aquele pulo perigoso. Desafiado por Dida, Paulo começou a despir-se para mergulhar. Durante meia hora, todos os companheiros imploraram para que não cometesse essa loucura, lembrando o compromisso do show e o risco de um acidente. Só após muita insistência ele fingiu desistir.

Já no hotel, a verdade veio ao cimo quando lhe perguntaram se ia mesmo saltar:

“Eu? Pular daquela altura? Só se fosse doido. Eu estava era a gozar com a vossa cara!” — respondeu rindo debochadamente.

Mais tarde, ao chegarem ao clube e observarem a entrada do público por trás das cortinas do palco, veio o susto: a maioria das mulheres vestia longos elegantíssimos — o "chique dos últimos" da época. Assustado com tanta sofisticação, Paulo Félix cismou que não tinha gabarito para cantar para uma plateia tão fina. Foi um custozão convencê-lo de que era normal e que Os Ardentes eram um conjunto jovem, e não uma orquestra. A apresentação acabou por acontecer e esteve longe de desapontar.

A Irreverência de Dida: Do Galo do Terreiro ao Suco de Frutas

Dida era a alegria contagiante da trupe. Extremo gozador, fazia todos rir mesmo quando não tinha intenção.

Numa regresso de um show em Iguaraci, por volta das cinco da manhã, ao passarem pelo terreiro de uma casa no Açudinho, Dida pediu ao motorista da Rural que atropelasse uma galinha para o almoço. Depois de algumas manobras, ouviu-se o estrondo da "vítima" por baixo do carro. Dida correu, "socorreu" a caça jogando-a para dentro do veículo e o grupo arrancou antes que alguém aparecesse. Com o almoço combinado na casa de um dos componentes, a expetativa era grande. A decepção veio ao chegar a Custódia: a vítima do atropelamento não era uma galinha, mas sim o galo do terreiro — de carne rija e difícil de cozinhar.

Mesmo assim, ao meio-dia, reuniram-se para saborear o ensopado. Enquanto esperavam o galo cozinhar, Dida reparou numa enorme jarra de sumo de frutas sobre a mesa. Pediu um copo à dona da casa, mas, devido às suas habituais peraltices, o pedido foi-lhe recusado.

Dida segredou aos companheiros: "Quem duvida que eu consigo um copo de suco?". Para dobrar a dona da casa, apelou à curiosidade feminina:

“Eu estou na dúvida... Nem sei se conto o que Burro Preto aprontou ontem em Iguaraci!”

A curiosidade e o ciúme falaram mais alto. A dona da casa cedeu e serviu-lhe o copo de sumo em troca da informação. Dida bebeu tudo de uma assentada e cumpriu a sua parte no trato, disparando:

“Burro Preto esta noite em Iguaraci estava a bufandar tanto que ninguém aguentava tocar!”

Quase levou uma tareia de cabo de vassoura da dona da casa, para gargalhada de todos.

Formação e Memória Histórica

Ao longo da sua trajetória, a formação dos Ardentes reuniu talentos marcantes. Na foto clássica do grupo, registaram-se: Fanca (que era cantor, substituiu Paulo de Zé Miúdo e mais tarde viria a tocar bateria e outros instrumentos), Beto, Paulo Félix, Expedito (dono da banda), Dida e Zil — sem esquecer a passagem de Maminha de Pedrinho da Banca (guitarrista e irmão de Binha) e Lucas.

Tragicamente, com o passar das décadas, o tempo levou alguns dos seus protagonistas. Fanca faleceu em Brasília num incêndio ao tentar salvar a filha. Em junho de 2026, deu-se a partida de Dida Boiadeiro, meses após um emocionante encontro em janeiro do mesmo ano com o seu grande parceiro Paulo Félix e da visita marcante na Semana Santa, quando já sexagenário e alquebrado pela diabetes, relembrou com o mesmo brilho nos olhos as memórias douradas dos tempos de Os Ardentes.

A história dos Ardentes permanece acesa no coração de Custódia e do Sertão do Pajeú como um testemunho vibrante de uma era em que a música se fazia com alma, amizade e boas gargalhadas.




Último encontro entre Dida e Paulo Félix, em janeiro de 2026.


Em junho de 2026, Dida faleceu. Acima o vídeo do encontro.

Texto criado a partir de informações de JOSÉ SOARES DE MELO 
Fotos e vídeo enviados por FÁBIO FÉLIX, filho de Paulo.