Veneranda Alves de Góis nasceu em 20 de maio de 1919, na cidade de Afogados da Ingazeira, Pernambuco. Era filha de Antero Alves de Góis e Maria Madalena Alves de Góis.
Ainda criança, mudou-se com a família para o Sítio Várzea Grande, na zona rural deste município. Anos mais tarde, já na adolescência, passou a residir definitivamente na cidade de Custódia.
Realizou seus estudos no tradicional Colégio Santa Doroteia, em Pesqueira, instituição fundada pela Congregação das Irmãs de Santa Dorotéia e amplamente conhecida como "Colégio das Freiras". Com mais de um século de história, o educandário destacou-se pela excelência do ensino confessional católico e pela formação de inúmeras gerações de pernambucanos.
Dedicou parte de sua vida ao magistério, atuando como professora do Grupo Escolar Joaquim Inácio, em Custódia. Ao longo de sua carreira, lecionou para diversas gerações de estudantes, sendo lembrada pelo compromisso, dedicação e amor à educação. Seu nome permanece como uma das grandes referências da história educacional do município, ao lado da também renomada educadora Maria Augusta do Amaral, carinhosamente conhecida como Dona Manoca.
Na vida pública, ingressou no serviço estadual em 1952, quando foi nomeada pela Diretoria de Rendas do Interior para exercer o cargo de Auxiliar de Escrita na Secretaria da Fazenda, em Afogados da Ingazeira. Ainda naquele ano, foi transferida para a Coletoria de Pesqueira.
Foi nomeada para trabalhar na Escola General Joaquim Inácio, em maio de 1947 juntamente com a professora Aliete Ferreira Leal. Na mesma portaria foram nomeadas: Alice de Souza Ferraz (Betânia), Marieta de Souza Lima (Boa Vista) e Genesia Mariano de Rezende (Distrito de Maravilha).
Em 1954, foi aprovada em concurso público, da Secretária da Fazenda, para o cargo de Escrivão de 4ª Classe, conquistando a 25ª colocação.
No ano seguinte, passou a atuar na Coletoria de Alagoinha-PE, sendo posteriormente transferida para a Coletoria Estadual de Joaquim Nabuco, zona Mata Sul do estado de Pernambuco.
Aposentou-se em 10 de março de 1988, no cargo de Agente de Administração Fiscal, após décadas de relevantes serviços prestados ao Estado de Pernambuco.
Veneranda nunca se casou e não teve filhos. Dedicou-se, porém, à criação e educação de seus sobrinhos: Paulo Gilvan de Góis, Francisco de Assis Góis (Cleomates), Antônio Robélio de Góis, José Petrônio Góis e José Carlos Góis, aos quais dedicou carinho, cuidado e orientação.
Faleceu em 20 de abril de 1994, na Unidade Mista Elisabete Barbosa, em Custódia, aos 74 anos de idade, em decorrência de uma úlcera duodenal.
Pela sua dedicação ao ensino, ao serviço público e à formação de inúmeras gerações de custodienses, Veneranda Alves de Góis permanece como uma figura de destaque na história do município de Custódia, deixando um legado de trabalho, integridade e compromisso com a educação e com a administração pública.
A Família Góis no Sítio Várzea Grande, em Custódia (PE)
Raízes da família Góis
O sobrenome Góis — também grafado Góes em documentos antigos — possui origem toponímica, derivada da antiga vila de Góis, localizada no distrito de Coimbra, em Portugal. Com a colonização portuguesa, diversos ramos da família estabeleceram-se no Brasil, especialmente no Nordeste, onde participaram da ocupação do interior e da expansão das atividades agropecuárias.
Em Pernambuco, a família Góis consolidou sua presença em diferentes municípios sertanejos, entre eles Custódia, Betânia, Flores, Serra Talhada e Afogados da Ingazeira, tornando-se parte do conjunto de famílias tradicionais que contribuíram para o povoamento e o desenvolvimento econômico da região.
O Sítio Várzea Grande
Situado na zona rural de Custódia, o Sítio Várzea Grande integra a paisagem típica do Sertão do Moxotó, marcada pelo clima semiárido, pela vegetação da caatinga e pela proximidade do Riacho Várzea Grande, afluente da bacia hidrográfica do Rio Moxotó.
Historicamente, a economia local esteve baseada na agricultura de subsistência, com o cultivo de milho, feijão e mandioca, além da criação de bovinos, caprinos e ovinos. Como em grande parte do sertão pernambucano, a convivência com os longos períodos de estiagem moldou o modo de vida da população, fortalecendo os laços de solidariedade entre as famílias e consolidando uma cultura de resistência e adaptação às condições do semiárido.
Formação da comunidade
A ocupação das terras da região ocorreu de forma gradual, por meio da divisão de propriedades entre herdeiros e da formação de novos núcleos familiares. Dessa maneira, o Sítio Várzea Grande tornou-se um importante espaço de convivência entre famílias aparentadas, unidas por vínculos de parentesco, compadrio e casamentos.
Nesse contexto, a família Góis destacou-se como uma das responsáveis pela consolidação da comunidade, preservando tradições, transmitindo conhecimentos e participando ativamente da vida social, econômica e religiosa da localidade.
A importância da memória familiar
O resgate da história da família Góis representa, portanto, mais do que uma pesquisa genealógica: constitui uma forma de valorizar o patrimônio cultural do Sertão do Moxotó e reconhecer a contribuição daqueles que, com trabalho, perseverança e espírito comunitário, participaram da formação histórica da região.



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