

Um dos momentos mais marcantes daquela edição ocorreu na noite de sexta-feira, dia 5 de julho. O jovem sanfoneiro Netinho de Custódia, filho do casal Abelania e Nadilson, deu um show de virtuosidade ao integrar a banda da renomada cantora Nena Queiroga.
Durante a apresentação, Nena teceu elogios calorosos ao sanfoneiro perante o público, referindo-se a ele como um "cabra bom de sanfona de Custódia". A menção honrosa ao talento de Netinho ecoou com emoção entre os terra-talhada presentes no pavilhão, reafirmando a força da tradição musical sertaneja na maior feira de artesanato da América Latina.
Além da música, as artes plásticas e a literatura custodiense também marcaram presença nos corredores do Centro de Convenções. Um encontro especial reuniu dois grandes nomes da terra: o escritor Carlos Lopes e o escritor e artesão Jorge Farias Remígio.
Reconhecidos carinhosamente pela produtora cultural Jussara Burgos como "a fina flor da intelectualidade custodiense", os dois celebraram a visibilidade da produção local. Na ocasião, Jorge Remígio levou à feira seus tradicionais chapéus carnavalescos confeccionados artesanalmente — arte que já havia sido destaque recente na Feira de Artesanato da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).
Em depoimento carinhoso sobre o amigo e conterrâneo, Carlos Lopes reafirmou o orgulho pela amizade e pela obra de Jorge:
"O Jorge Remígio é realmente um sujeito de muito talento e boa gente. Eu encomendei o meu chapéu e estou ansioso para recebê-lo, não vou perder a oportunidade de ter em mãos uma preciosidade desse talentoso artista, que tenho o orgulho de dizer: é meu amigo. Um abraço Paulo Peterson, você é um amigo que faz a diferença, como disse: Custódia faz um bem danado a você... e você à nossa querida Custódia." — Carlos Lopes
A XIV Fenearte ficou registrada na história cultural de Custódia não apenas como uma vitrine de talentos, mas como um testemunho vivo do afeto, do orgulho e da união de suas raízes — celebrando a sanfona, as artes manuais, a literatura e a amizade em um só coração sertanejo.
A história das conquistas trabalhistas e da valorização dos serviços públicos em nosso município passa, obrigatoriamente, pela capacidade de organização e pela coragem dos educadores custodienses. Revisitando o acervo documental do nosso blog, resgatamos o histórico redigido em outubro de 2008 pela professora e servidora Luciene Pinto Simões, que resgata os bastidores da criação do Sindicato dos Servidores Municipais de Custódia (SISMUC).
No início dos anos 1990, a categoria dos educadores em Custódia convivia com uma realidade salarial extremamente precarizada e com a insensibilidade da gestão pública de época. Diante dessa realidade, um grupo pioneiro de professores decidiu organizar a classe para reivindicar condições dignas de trabalho.
Com a orientação e o apoio institucional de diretores do Sindicato dos Professores de Pernambuco (SINPRO-PE) e representantes da CUT-PE — notadamente Jesualdo Campos e o saudoso Roberto Pereira —, foi realizada uma assembleia histórica nas dependências da Escola Maria Augusta, marcando o nascimento da organização sindical no município. A ata de fundação foi redigida por Leônia Pinto Simões, culminando na formalização e no registro em cartório efetuado no dia 11 de janeiro de 1991.
Sem canais efetivos de diálogo com o poder local, os servidores recorreram ao seu recurso legítimo de mobilização: a primeira greve pública da categoria.
O Marco da Mobilização:
A paralisação reuniu a maioria dos educadores na Praça Padre Leão, em frente ao antigo Departamento de Educação. Durante quase trinta dias ininterruptos de vigília e resistência, a força do movimento forçou o governo municipal a abrir negociações formais. A principal vitória daquele movimento foi a garantia do pagamento do salário mínimo legal, que até então parecia uma meta inalcançável para os servidores locais.
A superação dos desafios iniciais do sindicato deveu-se à firmeza dos servidores que assumiram a primeira Direção Colegiada Provisória:
Secretaria Geral: Luciene Pinto Simões
Tesouraria: Antônia Pires de Freitas Góis
Membros Colegiados: Maria Luciene Cordeiro, Maria Aparecida Alves da Silva, Maria Luciene da Silva, Natividade Constância de Souza, Alda Maria Veras, Genedite de Queiroz Lima, Maria Antônia dos Santos Rezende, Rubinéia Pereira de Lima, Josedithe Bezerra da Silva, Maria Auxiliadora Pereira Virgínio, Josefa Bonome de Almeida, Quitéria Cristina Rodrigues Amaral, Maria Betânia de Oliveira e Maria Edileuza Barbalho de Matos.
Em seu registro, Luciene Pinto destaca que os sobressaltos e os momentos difíceis enfrentados ficaram superados pelo significado maior da conquista: a edificação de uma entidade sólida e autônoma dedicada à proteção do servidor público.
O texto presta uma homenagem a todos os funcionários públicos municipais e expressa gratidão a dirigentes sindicais que foram pilares do movimento no Sertão, com menções especiais a Jesualdo Campos, Venâncio Izidro de Oliveira e ao inesquecível Roberto Pereira.
📢 A SEMENTE DA CORAGEM: A Corajosa Trajetória de Fundação do SISMUC de Custódia
Confira a nova publicação do Blog Custódia Terra Querida!
Resgatamos o registro histórico redigido pela professora Luciene Pinto Simões, relembrando os bastidores e os desafios que marcaram a fundação do SISMUC em 1991:
🏫 A Assembleia na Escola Maria Augusta: A união dos professores contra salários defasados;
🪧 A Greve Histórica de 30 Dias: A resistência na Praça Padre Leão que garantiu conquistas fundamentais;
👥 Pioneirismo: As servidoras e lideranças que formaram a primeira gestão colegiada e os apoiadores do movimento sindical no Sertão.
Uma homenagem justa a todos os servidores públicos que construíram e constroem a história de Custódia!
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Hoje abri uma gaveta e encontrei minha mãe.
Não era uma fotografia, nem uma carta, nem uma lembrança guardada em palavras. Eram panos de prato, muitos deles feitos pelas mãos dela, cada um carregando um pouco do seu capricho, do seu bom gosto e da sua delicadeza.
Foi então que pensei: não é preciso fazer versos para fazer poesia.
Minha mãe fazia poesia com as mãos.
Escolhia rendas, entremeios e retalhos lindíssimos. Fazia biquinhos de crochê, combinava cores, inventava barrinhas e, com uma caneta para tecido, escrevia o meu nome: Jussara.
Ela nunca me chamou de Helena. Para ela, eu sempre fui Jussara, o nome que ela escolheu para mim.
E esses panos não eram apenas meus; minha mãe fazia para toda a família. Cada um recebia um pouco daquela poesia doméstica, feita sem pretensão, mas com um cuidado imenso. Era o jeito dela de dizer: “Pensei em você”.
Hoje, depois de tantos anos guardados, eles estavam amarelados pelo tempo. E tive a alegria de cuidar deles: lavei um por um. Depois, vou passá-los e guardá-los novamente em saquinhos, com todo o carinho.
Não os guardarei para usar.
Guardarei para lembrar.
Porque agora compreendo que cada paninho é um poema que minha mãe deixou para mim. Um poema sem rimas, sem versos, sem título. Um poema feito de renda, crochê, retalhos e amor.
Talvez seja essa a forma mais bonita de poesia: aquela que permanece nas coisas simples e que, muitos anos depois, ainda consegue tocar o coração de quem a recebe.
Minha mãe se foi, mas deixou suas mãos espalhadas pela casa.
E hoje, ao abrir aquela gaveta, senti que elas ainda estavam ali.
Em uma curva, a porta do caminhão de entregas se abriu e Zé Burgos foi arremessado ao chão. Zé Carneiro freou imediatamente e, pelo retrovisor, viu o amigo se levantar rapidamente, correr de volta ao veículo e continuar dirigindo como se nada tivesse acontecido.
– "Amanhã, pela segunda vez, estreia..." — anunciou o jovem locutor.No dia seguinte, Seu Joaquim o chamou e questionou na bucha:– "Se estreia duas vezes?"Diante da lição de português, Zé Carneiro admitiu o erro e "enfiou a viola no saco".

PREFEITO
Pelo Progresso de Custodia:
Inocêncio Gomes Lima — 299 votos. Foi afastado do cargo por ter mais de 68 anos (*).
Em 12 de Maio de 1939, o Interventor Federal no Estado, através do Ato nº 593 de 11 de Maio, nomeou como Prefeito, o sr. Ernesto Queiroz. Sua posse ocorreu no dia 17 de maio. Após a leitura do termo de compromisso e posse, usou da palavra o padre Antonio Duarte que, em nome do povo de Custodia, saudou o prefeito nomeado
VEREADORES
Pelo Progresso de Custodia:
Ernesto de Queiroz — 105 votos (1.º turno);
Sabino Lacerda — 62 votos (idem);
Euclydes do Amaral Filho — 39 votos (idem);
Francisco Gonçalves Lima — 38 votos (idem)
Osorio Valeriano da Silva — 30 votos (2.º turno).
Partido Social Democratico de Pernambuco:
José Marinho do Rego — 51 votos (1.º turno);
Henrique Tenorio de Mello — 50 votos (idem);
Horacio Pires Ferreira — 36 votos (idem)
Cicero Gomes de Oliveira — 24 votos (idem).
SUPLENTES
Pelo Progresso de Custodia:
Joaquim Pereira da Silva — 13 votos;
João Pires Ferreira — 8;
Lourenço Cavalcanti Albuquerque Maranhão — 8
José Miguel da Silva (legenda).
Partido Social Democratico de Pernambuco:
José Gregorio da Silva — 22 votos;
José Rodrigues de Mello — 21 votos;
Manoel Pordeus Pires — 19;
José Gonçalves Lima — 15
Izaias de Queiroz Amaral — 11 votos.
Câmara de Vereadores:
presidente Ernesto Queiroz,
1.º secretario Sabino Lacerda,
2.º secretario José Marinho do Rego.