"O verdadeiro amor é feito de bornal"
Esta canção é o coração do álbum "Giz". Enquanto a poeira do giz representa o que é frágil e o que se desmancha no primeiro vento da adversidade, o bornal do cangaço representa a resistência. Costurado fio a fio no meio das maiores tempestades da vida, ele é feito para durar.
A história de Lampião e Maria Bonita vai muito além da lenda; ela reflete as perdas profundas que carregamos, o peso das nossas próprias "volantes".
Assim como canto nos versos:
"ceifando aquele amor..."
O que prevaleceu não foi o fim, mas a humanidade de tantos Lampiões e Marias Bonitas que se mantêm firmes mesmo diante de toda a voracidade e da fragilidade da vida... quando há compreensão.
"o amor não se ufana nem se ensoberbece": caem abraçados.
📜 A História do Festival:
Essa obra chegou à final do 2º festival promovido pelo Pontão Cultural "Os Cabras de Lampião", em Serra Talhada, no dia 28 de abril de 2012.
Naquela noite, subi ao palco calçando uma autêntica sandália de couro, cedida gentilmente pela organização do festival, retirada diretamente do acervo do Museu do Cangaço para a apresentação.
Naquele início de trajetória, por ser a minha primeira final em um festival nacional, eu não tinha a real dimensão da grandeza do evento e do peso dos artistas com quem eu estava dividindo o palco. Naquela época, eu ainda não conhecia o mestre Escurinho, grande parceiro de Chico César, que foi o grande vencedor da noite com a música "Nas Estradas de Bom Nome".
Concorrer ao lado de gigantes como: Escurinho, Rui Grude, Raí, Carlinhos Pajeú entre tantos...foi mágico. Foi aprendizado.
O prêmio pode não ter vindo, mas o que realmente importa é ter deixado minha história, hoje aqui revelada.
Fontes:
https://jornaldaparaiba.com.br/cultura/escurinho-leva-premio-em-pe
https://lampiaoaceso.blogspot.com/2012/03/ii-festival-de-musicas-do-cangaco.html
O Brilho de Lampião (Áudio Original - 2012) :
https://youtu.be/p6xU4Vz9_Js?is=V7uDkh-jeeCY7lXu
A imagem de capa (thumbnail) deste vídeo é uma ilustração digital criada por Inteligência Artificial. Trata-se de uma homenagem artística e afetuosa à estética clássica do cangaço na dramaturgia brasileira. As fisionomias são livremente inspiradas nas brilhantes e inesquecíveis interpretações dos atores Nelson Xavier (in memoriam) e Tânia Alves, que eternizaram Lampião e Maria Bonita em nossos corações.
Esta obra visual possui caráter puramente ilustrativo, poético e de tributo cultural, não constituindo uso oficial, endosso ou apropriação indevida de direitos de imagem.
LETRA:
Um clarão alumiou a noite
escura do meu sertão
Em meio a mandacarus,
asa branca a contemplar
O brilho alvo e fugaz no
meio da escuridão
É um raio?
O que é isso?
É candeeiro?
É lamparina?
É lampião!
Veloz entre aveloz todo mundo viu
Todo mundo ouviu
Que o brilho vinha dos tiros
Disparados do Rifle Winchester
Do valente capitão
Entre as serras talhadas
Surgiu a fera que domada foi
Por aquela flor
Onde um beija flor
Teve medo e não a beijou
Maria tão bonita
Maria o seu amor
Maria tão bonita
Maria o seu amor
Mas o destino infeliz
Foi reservado aquele amor
A tiros de espingarda
Ferido a fera e amada
Assum-preto cantou de dor
Caídos e abraçados
Sobre pedras e alastrados
Ceifando aquele amor
Onde um beija-flor
Chorou por aquela flor
Maria tão bonita
Maria o seu amor
Maria tão bonita
Maria a sua flor
Maria tão bonita
Maria o seu amor
Maria tão bonita
Maria a sua flor
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