08 junho, 2026

História do Município de Custódia (IBGE - julho 1958)


IBGE
 Enciclopédia dos Municipios Brasileiros vol. XVIII.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica.

Segundo a tradição local, a ocupação do atual território de Custódia teve início no século XVIII com o coronel Luiz Tenório de Melo Dodô. O ponto de partida, foi a localidade de Quitimbu, área então habitada por uma tribo indígena de nome desconhecido, originária da aldeia de Serra Negra.

Com o passar dos anos, Quitimbu consolidou-se como um núcleo de relativa importância. Tanto que, em 1º de julho de 1909, a Lei Estadual nº 991 elevou a localidade à sede de distrito, integrando o município de Alagoa de Baixo — atual Sertânia.

Paralelamente, ainda no século XIX, um grupo de pioneiros fixou residência em uma área próxima, atraindo novos moradores. Entre eles estavam Manoel Alves de Siqueira, Serapião Domingos de Resende, José Florêncio da Silva, José de Moura Leite, José Alves de Siqueira, Joaquim Pereira de Sá, Antônio Alves de Góis Melo e o tenente Antônio José de Moura.

Manoel Alves de Siqueira batizou a propriedade onde hoje fica a sede municipal como Fazenda Santa Cruz. Já Antônio Alves de Góis Melo e o tenente Antônio José de Moura doaram terras — com cerca de 160 metros de frente por 3.000 metros de fundo — para a criação de um patrimônio dedicado a São José, atual padroeiro da cidade.

Na mesma época, instalou-se na região Maria Custódia Osório de Campos, a "Dona Custódia". Nascida em 1800 na Fazenda Conceição (em Flores do Pajeú, hoje Betânia, a 5 quilômetros de Sítio dos Nunes), ela era filha de Firmina Barbosa de Aragão e do capitão de ordenanças Manoel José de Campos. O prestígio e a presença de Dona Custódia foram tão marcantes que, mais tarde, seu nome acabou batizando a sede do município.

Pouco depois, os padres jesuítas Ibiapino e Agostiniano chegaram à localidade enquanto fugiam de uma perseguição. Acolhidos calorosamente pelos habitantes, os religiosos permaneceram ali por alguns meses e ergueram uma capela também dedicada a São José, consolidando a fé e a comunidade local.

Em reunião com os antigos moradores para a escolha de uma nova denominação para o lugar, convencionou-se adotar o nome de Custódia. Embora o termo signifique "guarda" ou "proteção" (e, por extensão jurídica, "local de detenção"), a escolha foi uma homenagem direta à benfeitora Dona Custódia. Após a definição, os jesuítas enviaram cartas a Sua Santidade, o Papa, relatando as novidades do interior pernambucano, com especial destaque para o povoado que nascia.

O crescimento acelerado da localidade impulsionou o tenente Antônio José de Moura e José de Siqueira a criarem uma feira livre. A iniciativa transformou a dinâmica do lugarejo, atraindo moradores de fora e diversificando a economia local. 

Na agricultura e na pecuária, ganharam destaque pioneiros como Joaquim Barbalho, Antônio Cleto, os irmãos Antônio Palmeira e Lúcio Ferreira, o capitão Francisco do Amaral, João Veríssimo e o capitão Antônio Alves de Góis (popularmente conhecido como Antônio do "Umbuzeiro"). 

Já no comércio, os primeiros expoentes foram Manoel Rodrigues de Melo (o Manoel da Barra), José de Moura Leite, José Estrela de Sousa e José Ferreira da Silva.

Graças a esse desenvolvimento, uma lei municipal de 15 de outubro de 1909 elevou o povoado à categoria de vila. Na época, o território pertencia ao município de Alagoa de Baixo (atual Sertânia), e a mudança fez com que Custódia assumisse a sede do distrito, posto que até então pertencia a Quitimbu. Na divisão administrativa de 1911, a região consolidou-se nessa estrutura. 

O desejo de emancipação política crescia entre os habitantes. Em 1916, aproveitando a passagem do governador do Estado, Dr. Manoel Borba, a população prestou-lhe uma grande homenagem e apresentou formalmente o pedido de autonomia.

A aspiração popular concretizou-se 12 anos depois. Pela Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, a vila de Custódia foi elevada à categoria de cidade, constituindo um município autônomo com terras desmembradas de Alagoa de Baixo, Flores e Floresta do Navio.

Sua instalação oficial ocorreu em 1º de janeiro de 1929, inicialmente composta por dois distritos: a sede e Betânia. Embora tenha começado sob a jurisdição jurídica de Alagoa de Baixo, a independência plena veio com o Decreto-Lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943. O decreto estabeleceu a Comarca de Custódia, com termo único, mantendo em sua composição jurídica e administrativa os distritos da sede e de Betânia.

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA

O distrito foi inicialmente criado pela Lei Estadual nº 991, de 1º de julho de 1909, com sede na povoação de Quitimbu, então elevada à categoria de vila. Pouco tempo depois, em 15 de outubro do mesmo ano, uma Lei Municipal transferiu a sede do distrito para a povoação de Custódia.

Na divisão administrativa de 1911, Custódia figurava oficialmente como distrito pertencente ao município de Alagoa de Baixo.

A emancipação política ocorreu por meio da Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, que criou o município de Custódia com território desmembrado dos municípios de Alagoa de Baixo, Flores e Floresta, concedendo à sede os foros de cidade. Sua instalação oficial deu-se em 1º de janeiro de 1929.

Nas divisões territoriais subsequentes — incluindo o quadro de 1933 (publicado pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio), as apurações de 1936 e 1937, e o Decreto-Lei Estadual nº 92, de 31 de março de 1938 — o município permaneceu composto por dois distritos: o da Sede e o de Betânia.

Essa mesma estrutura com dois distritos (Sede e Betânia) foi ratificada e mantida pelos Decretos-Leis Estaduais nº 235 (de 9 de dezembro de 1938) e nº 952 (de 31 de dezembro de 1943), que fixaram a divisão territorial para os quinquênios 1939-1943 e 1944-1948, respectivamente.

PARTICULARIDADES GEOGRÁFICAS

O principal destaque geográfico do município é a Serra do Sabá, formação que abriga a famosa fonte de água mineral de mesmo nome.

A denominação do local foi dada em 1929 por Vicente Trevas, o responsável por descobrir a fonte. Segundo a tradição oral da região, Trevas teria obtido o roteiro de localização da nascente no estado da Bahia. Documentos históricos baianos da época confirmam que o nome escolhido por ele foi uma homenagem direta à lendária Rainha de Sabá.


Autor do Histórico:
José de França Filho - Agente de Estatistica 

Redação Final:
Denise Duarte de Barros 

Fonte dos Dados:
Agência Municipal de Estatistica e Departamento Estadual de Estatistica 

Enciclopédia dos Municipios Brasileiros vol. XVIII.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica.
Rio de Janeiro 1958. pag 103.

07 junho, 2026

Exposição Luar do Sertão 10 anos (2012)



Por Paulo Peterson
Apoio: Raquel Santos

Foi aberta ontem (dia 17) às 17h, a exposição “Luar do Sertão: 10 Anos”, no Centro de Referência de Comunicação Social (CRCS). O local da exposição, tem sido sempre usado para divulgar a cultura local. O Centro faz parte do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional – PISF, situado na Rua Major Experidião de Sá, nº 91, ao lado da Escola General Joaquim Inácio.



Logo na entrada, o visitante se encanta com a decoração do espaço, com vários manequins com roupas usadas pelos dançarinos.  A história do Luar do Sertão é apresentada com imagens de ex-integrantes, fotografia da fundadora do grupo, a senhora Terezinha Queiroz, e todos os acessórios usados em suas apresentações de ritmos nordestinos: maracatu, coco caboclinho, forró, samba, ciranda de roda, xote, frevo, dentre outros... Um acervo de grande riqueza cultural. 



A abertura da Exposição foi feita pelo novo coordenador do CRCS Carlos Danger e a curadoria(profissional capacitado responsável pela concepção, montagem e supervisão da exposição) foi feita por Raquel Santos e Pablo Murilo. O cenário escolhido apresenta a diversidade cultural, cada objeto exposto aborda os vários elementos das manifestações do nosso povo. As  integrantes do grupo receberam cada visitante com bastante simpatia e alegria pela data comemorada. Várias personalidades participaram do lançamento, como Célia Costa (participou do grupo em seu começo), Zita Queiroz, o secretário de Agricultura Cicinho, o artista plástico local Jorge Remígio, Rosa Pereira, Humberto Guerra e Kátia Siqueira representando a Casa das Juventudes de Custódia, Diretores e funcionários do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional – PISF entre outros presentes.

Coordenadora do grupo Luar do Sertão Ubira em emocionante discurso
Curadora Raquel Santos apresentando o curta metragem documental "Luar do Sertão" 
Exibição do curta 
Grupo Luar do Sertão com Paulo Peterson e Jorge Remígio 
ao final da abertura da exposição

PROGRAMAÇÃO DA EXPOSIÇÃO

DIA 19/05 (SÁBADO) 
10h – Homenagem às antigas integrantes 
10h30 - Apresentação da dança do Leque 
11h – Apresentação dança Coco de Roda 
11h30 – Exibição do filme “Luar do Sertão” 

DIA 23/05 (QUARTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação dança Xote 

DIA 24/05 (QUINTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação das danças Ciranda e Forró 

DIA 26/05 (SÁBADO) 
11h – Exibição do filme “Luar do Sertão” 

DIA 31/05 (QUINTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação dança Frevo 

DIA 01/06 (SEXTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação dança Samba 

DIA 02/06 (SÁBADO)
10h – Apresentação da nova dança do grupo: xaxado 
11h – Exibição do filme “Luar do Sertão” 

Água Crystal da fonte do Sabá em Jornais do Recife em 1929



Oferecida pelos senhores Vicente Trevas e João Cordeiro, recebemos ontem uma amostra em garrafa da água captada na fonte fria do Sabá, no município de Custódia, nesse estado, e de propriedade daqueles conceituados industriais. A água acima referida, denominada cristal, é produto mineral que pode competir com qualquer água das fontes das Minas Gerais, como sejam: Caxambu e outras, tais são as excelentes soluções nelas contidas de grande eficiência terapêutica. Só nos podemos felicitar por termos em Pernambuco, uma fonte de água mineral, nas condições dessas aqui nos referimos, que, embora pouco divulgada, já tem tido no interior grande aceitação, haja vista a venda que delas tem feito os senhores Vicente Trevas e João Cordeiro. 

Ainda segundo a matéria, foi enviada para analise de um quimico, em Recife, o sr. Guilherme Geissner, que após estudo, relatou as seguintes propriedades da água captada na fonte do Sabá: 

Exame Físico:
-Transparência Perfeita
-Cor Incolor
-Sabor acidulo (levemente ácido ou um pouco azedo), picante e agradável

Conclusão:

A água é de qualidade excelente, podendo ser usada como fina água de mesa e aproxima-se quanto à classificação, as águas as siglas gasosas deve-se tomar em consideração que uma análise feita na própria fonte daria um teor maior em ácido carbônico livre. 

Fonte: Jornal do Recife, edição do dia 05 de Dezembro de 1929



O senhor Vicente Trevas, conhecido químico prático, que se dedica muitos anos ao estudo das nossas fontes de água minerais, fez em julho passado, a descoberta da fonte do Sabá, nesse estado, no município de Custódia, local fica a 2 Km da cidade. Trata-se de uma fonte fria de águas acidulo-gasosa, podendo ser usada como fina água de mesa. Submetidas a exames em nossa Escola de Engenharia, pelo químico professor Guilherme Geissner, repultou-as de excelente qualidade, segundo os atestados médicos, as águas da fonte do Sabá, tem efeito medicinal nas moléstias do estômago, fígado e intestino. A propriedade onde está situada a fonte, foi adquirida pelos senhores Vicente Trevas e João Cordeiro, que constituíram uma sociedade, para explorar. Os novos proprietários, pretendem fundar ali um sanatório (remete às tradicionais estâncias hidrominerais e climáticas), como outros melhoramentos imediato,s até que numa melhor oportunidade ou desenvolvimento da empresa, eles permitam fazer instalações definitivas. Os senhores Vicente Trevas e João Cordeiro, visitaram ontem nossa redação, trazendo amostras de águas da fonte do Sabá.

Fonte: Diário da Manhã, edição de 04 de Dezembro de 1929.

Outras referências sobre a Fonte do Sabá, foi publicada no livro CAMINHOS DO AFETO (2004), da escritora custodiense SEVY OLIVEIRA, autobiografia de forte interesse histórico. Sevy Oliveira nasceu em Custódia, em 1934. Formada em Pedagogia pela UFPE, dedicou-se à docência. 

Confira clicando: AQUI


06 junho, 2026

Cruzeiro do DNOCS


Foto: Acervo Nadilson Santos


 Em pé:
 Tonho da Celpe, Jailson Pinguim, Urbano Rafael, Natalicio do DNOCS, Celso de Moacir, Pedro Aleixo (Árbitro).

Agachados:
 Gilson Pereira Coelho, Eli Constantino, Sinval Amaral, Fernando Vitor  e Zé Esdras

05 junho, 2026

Francisco Alves é homenageado com o Troféu Ébano 2025 em cerimônia no Teatro Vitória, em Limeira (SP)


Em uma noite marcada pela emoção, reconhecimento e valorização do trabalho comunitário, Francisco Alves da Silva foi um dos homenageados da edição 2025 do Troféu Ébano, honraria concedida a personalidades que se destacam por sua atuação em favor da comunidade e da promoção da dignidade humana.

O evento foi realizado no tradicional Teatro Vitória, em Limeira-SP, reunindo autoridades civis, religiosas, representantes de movimentos sociais, familiares e membros da comunidade. O Troféu Ébano foi idealizado pelo saudoso Padre Maurício (in memoriam), que criou a premiação com o objetivo de reconhecer pessoas que dedicam parte de suas vidas ao serviço comunitário, especialmente em ações voltadas à inclusão, solidariedade e valorização da cultura afro-brasileira.

Francisco Alves recebeu a homenagem pelos relevantes trabalhos prestados à comunidade da Paróquia Santa Luzia, sendo reconhecido por sua dedicação às causas sociais, culturais e humanas desenvolvidas ao longo dos anos.



A entrega da premiação foi realizada pelo Padre Ricardo, que representou a Paróquia Santa Luzia na cerimônia, acompanhado pelo Secretário Municipal de Cultura de Limeira, Bruno Bortolan, reforçando a importância institucional do reconhecimento concedido aos homenageados.

Em um dos momentos mais emocionantes da solenidade, Francisco Alves foi conduzido ao palco por membros da comunidade, em um gesto simbólico que representou o carinho, o respeito e a gratidão daqueles que acompanharam sua trajetória de serviço e compromisso social.

Ao receber o troféu e o certificado de reconhecimento, Francisco destacou a importância do trabalho coletivo e agradeceu a todos que fizeram parte de sua caminhada. Entre os presentes estavam sua esposa, Maria Auxiliadora, a coordenadora da Pastoral Vocacional, Zezé Tavares, sua sobrinha Tayana, acompanhada de seu esposo Jonas, além de amigos, familiares e diversos representantes da comunidade paroquial.

As imagens da cerimônia registraram momentos marcantes da noite: a entrada solene dos homenageados, a entrega oficial da premiação e a celebração conjunta entre lideranças religiosas, autoridades públicas e membros da comunidade.

O Troféu Ébano reafirma, a cada edição, sua missão de reconhecer homens e mulheres que transformam realidades por meio da solidariedade, do compromisso social e do serviço ao próximo. Em 2025, a homenagem concedida a Francisco Alves da Silva tornou-se mais um capítulo dessa história de valorização daqueles que fazem a diferença na vida das pessoas.

"Receber este reconhecimento é uma honra que compartilho com minha família, amigos e toda a comunidade que caminhou ao meu lado. Este troféu representa o valor do serviço, da fraternidade e do amor ao próximo." — destacou Francisco Alves durante a cerimônia.

A noite encerrou-se sob aplausos do público presente, celebrando não apenas os homenageados, mas também os valores de união, respeito, inclusão e compromisso comunitário que inspiraram a criação do Troféu Ébano e continuam vivos em cada edição da premiação.

Link: BIOGRAFIA

Conheça "Como surgiu o Menino do Inbu"

 
Ronaldo Leonel o "Menino do Inbu"



Ronaldo Leonel, é o famoso "Menino do Inbu", tem 19 anos, nasceu na cidade de Custódia-PE, mora no distrito de Samambaia. Este ano, durante Missa de Vaqueiros, realizada no Parque de Exposição Armando Wanderley da Fonte, dia 8 de Março, a dupla Petrônio e Plácidio interrompeu seu show para apresentar Ronaldo ao publico presente, mais de 10.000 pessoas, ficaram conhecendo o mais novo "influence digital" de nossa cidade.

Seus vídeos no Youtube são cheios de humorismo. Suas Live no Facebook chegam a ter mais de 4.000 pessoas assistindo simultaneamente, nesta rede social é seguido por 34 mil pessoas.

Ronaldo é um rapaz humilde e de muita simplicidade, típica de um jovem do Campo. Seus vídeos no Vlog "Menino do Inbu" sempre viralizam com muita frequência. 

Um dos sonhos do jovem humorista, é conhecer a dupla Tiringa e Charles, dupla de Serra Talhada. Também sonha conhecer o famoso Carlinhos Maia, o fenômeno do Youtube. 

Sua página no Instagram tem hoje 128 mil seguidores.

Sua popularidade fez o Galeguinho das Encomendas fosse até o seu encontro e tirasse fotos com ele, e até, almoçou xerem com galinha caipira. 

Durante uma curta Live, foi surpreendido com a presença da dupla Sertaneja César Menotti e Fabiano, a surpresa foi tamanha, que ele achou que se tratava de um perfil fake.

Agora aguarda o fim desta pandemia do Covid-19 para soltar as novidades em suas redes socias.

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04 junho, 2026

Biografia Etelvina de Freitas Lima "Dona Teté" - Por Lindinalva Almeida




Nome: Etelvina de Freitas Lima.
Nascimento: 28 de março de 1937.
Naturalidade: Custódia – PE.
Religião: Católica.
Profissão: Professora.
Grau de instrução: Ensino Superior.
Filiação: José Rodrigues de Melo e Dativa Rodrigues de Freitas.

Irmãos: Jurandir Rodrigues de Freitas, Iracilda Rodrigues de Freitas, Elvira Rodrigues de Freitas Oliveira, Sueli Rodrigues de Freitas, Eunice Rodrigues, Zezito Rodrigues e Nemésio Rodrigues.

Esposo: Nivaldo Gonçalves de Lima, empresário de destaque.
Filhas: Tatiana de Freitas Lima, Luciana de Freitas Lima e Adriana de Freitas Lima
Netos: Tiago Freitas Correia, João Victor Lima  Batista, João Gabriel Lima Marques.

Residência: Praça Padre Leão, nº 66.

Dona Etelvina partiu!

Custódia está de luto e reconhece a importância e a contribuição que sua geração ofereceu para o desenvolvimento do município em todos os seus campos.

Foi a esposa que se dedicou com a força do amor e do companheirismo. A mãe e avó que conhecia cada um dos seus e cuidava de todos com carinho e amor incondicional. A sogra sempre de mãos estendidas para acolher e ajudar.

Foi também a amiga que todos gostariam de ter. Sua face serena confirmou que a paz conduz à luz. Chamou minha atenção seu semblante enquanto participamos do seu velório, pois era o de quem não deixou nada fora do lugar. E partiu com a certeza de que a eternidade é sua nova morada.

Católica, firme na fé e fiel aos seus princípios religiosos, nunca faltava às missas dos domingos, das quintas-feiras e das primeiras sextas-feiras do mês. Integrava o Apostolado da Oração e era uma das primeiras a chegar à igreja para participar das celebrações. 

Com o terço nas mãos, rezava baixinho, meditando os mistérios.Era bonito ver o respeito e o carinho que demonstrava pelos padres da Paróquia São José. Na procissão de entrada, cantava e acompanhava os cânticos com suas pequenas e delicadas palmas. Em um gesto de quem reconhecia a importância do outro, abraçava e beijava a mão dos sacerdotes da paróquia.

Simples, não é, meu irmão? Contudo, um gesto grandioso.

Por isso, ame enquanto pode. Cuide enquanto há tempo. Valorize os detalhes simples e as conversas verdadeiras.

Ah, e na igreja ela sempre se sentava nas primeiras bancas do lado esquerdo da nave central. Esse espaço será ocupado por outros fiéis, mas sua presença permanecerá na memória de todos. Dona Etelvina, sentiremos sua falta. A saudade chegará e doerá. Contudo, com o tempo, será suavizada pelas boas lembranças, que serão guardadas com todo carinho e respeito.

Dona Etelvina vinha de uma família abastada. Entretanto, graças à educação religiosa que recebeu, soube lidar com as adversidades próprias de uma cidade do interior, onde muitas vezes tudo era mais difícil.

Estudou no renomado Colégio Stella Maris, em Triunfo, sob a orientação de religiosas dedicadas e comprometidas com a formação das alunas internas. Concluiu seus estudos em 1955, obtendo a formação necessária para o exercício do magistério.

Ainda muito jovem, teve sua primeira experiência profissional como professora do Ensino Fundamental I — o antigo curso primário — no município de São Bento do Una, em 1956. No mesmo ano, retornou a Custódia e prestou concurso público para o Estado de Pernambuco. Aprovada para o cargo de professora primária, foi lotada na Escola Estadual Joaquim Inácio, onde assumiu uma turma do ensino primário.

Posteriormente, concluiu a Licenciatura Plena em Geografia pela AESA/CESA, em Arcoverde. Nesse período, também lecionou Geografia para turmas da 5ª a 8ª série do antigo ginásio.

Professora responsável e dedicada, permaneceu por mais tempo em sala de aula do que na função de supervisora exercida posteriormente na mesma escola. Toda a experiência e o conhecimento adquiridos ao longo da carreira lhe permitiram compartilhar saberes com seus colegas de profissão até sua aposentadoria, em 1986. Já aposentada, foi convidada pelo então prefeito de Custódia, o Excelentíssimo Senhor Nemias Gonçalves de Lima, para assumir a Secretaria Municipal de Educação, uma das mais desafiadoras pastas da administração pública. Com vasta experiência, preocupou-se em formar uma equipe de profissionais qualificados e comprometidos para enfrentar os desafios da área educacional.

Sua gestão não foi longa, mas deixou sementes importantes e contribuições que permaneceram.

Em nome de Tatiana, estendemos nossos mais sinceros sentimentos e nossas orações.

Lindinalva (Nenê) – Escritora
Arnaldo
Custódia,
Junho de 2026

03 junho, 2026

Bairros de Custódia em 1970


 

Circundada de fazendas e sítios, Custódia era dividida em: Centro, Várzea, Alto, Bomba e o Cruzeiro.

No Centro havia ruas paralelas, divididas em quarteirões. As casas tinham sua frente voltada para a Praça Padre Leão, e o muros para as ruas secundárias, com destaque para Igreja Matriz de São José. Ainda no centro, funcionava casas comerciais, escolas, feiras livres e locais de assistência médica, farmacêutica, jurídica e administrativa. Em noites de luar, a praça Padre Leão transformava-se em grande picadeiro para as cantigas de roda, jogos e correrias.

No oeste ficava a Várzea, num plano abaixo do nível da cidade, onde se passava os afluentes do Rio Moxotó. Existia um posto de saúde, uma escola municipal, uma fábrica de tanino (curtume), uma fábrica de caroá, o motor e o gerador da luz eletrica e um chafariz público para abastecer a cidade.

Para o leste, tínhamos o Alto, na parte mais elevada da cidade, onde a predominância era de casas residenciais. Existia o Grupo Escolar General Joaquim Inácio, o mercado público, o matadouro, a delegacia e a cadeia. Numa área mais reservada, ficava a zona meretrícia e ao lado o cemitério.

Outro local bastante movimentado da cidade, era a Bomba, onde havia o setor hoteleiro, casas de lanche, postos de gasolina e armazéns. Era a porta de entrada e saída da cidade.

Margeando a BR 232, a uns dois quilômetros, ficava o Cruzeiro, na parte mais alta de um morro, símbolo de religiosidade, para onde eram feitas romarias no período de Semana Santa. A caminha até o local, tinha em seu percurso carvoarias, olarias, fábrica de doce japonês, fazendas, sítios e casebres.

(*)Textos extraídos do livro Caminhos do Afeto de Sevy Oliveira.

02 junho, 2026

[Cine Mandacaru] Eduardo Sanfoneiro



O relojoeiro e sanfoneiro nas horas vagas Eduardo, falou um pouco da sua profissão e do prazer que tem em tocar uma sanfona. 

Vídeo exibido no Projeto Cine Mandacaru durante 2ª Amostra Cine Mandacaru em Custódia, em Julho de 2013.

Para conhecer sobre esse Projeto, acesse AQUI

Para assistir mais vídeos da amostra, acesse AQUI

01 junho, 2026

Uma Viagem no Tempo: Custódia em 1970


Esta é uma bela recordação aérea de 1970, registrada durante a gestão do prefeito Silvio Carneiro.

Detalhes Urbanos e Expansão de Custódia

Na imagem, destacam-se as principais e mais antigas ruas do centro da cidade:

Rua João Veríssimo
Rua Dr. Manoel Borba
Rua Nemézio Rodrigues
Rua Luiz Epaminondas Nogueira Barros
Rua Dr. Fraga Rocha
Rua 11 de Setembro 
Travessa Heleno Aleixo
A pacata Rua Tenente Moura (chamada de Beira do Rio)

Naquela época, a Rua Joaquim Tenório ainda não existia oficialmente, pois a área era pouco povoada.

Onde hoje está localizada a Prefeitura Municipal, funcionava o antigo Mercado Público.

Já a Praça Padre Leão era marcada pela presença de várias algarobas e pelo tradicional Bar do Sabarzinho.

Outro detalhe notável é que a Rua 11 de Setembro ainda não contava com a sua praça, e a Vila dos Germanos dava seus primeiros passos, sendo ainda pouco habitada.

Mais adiante, às margens da BR-232, funcionava o antigo Posto de Gasolina Ribeirão,de propriedade de Chá Preto.

Próximo à Igreja Matriz, é possível avistar o parque da Praça Ernesto Queiroz e a Casa Paroquial.

Outro grande destaque da paisagem era o sítio de Dona Nita, que chamava a atenção por seu vasto e belo coqueiral.




Na segunda imagem, o grande destaque fica por conta da Unidade Mista Elizabeth Barbosa.

Naquela época, a Avenida Inocêncio Lima e diversas outras ruas da região ainda não possuíam calçamento. Logo acima, é possível visualizar a estrada que dá acesso ao distrito de Quitimbu.

O bairro Redenção e a Rua Germano Souza Lima ainda não existiam; naqueles tempos, a localidade era popularmente conhecida como "Beco do Iraque".

Por Paulo Peterson

Igreja de Santa Rita - Quitimbu

 



A Igreja está situada no principal núcleo urbano de Quitimbu, distrito de Custódia, que se destaca por abrigar diversos remanescentes de Quilombo. 

Conta-se que sonhando com a liberdade os quilombolas fizeram uma promessa à Santa Rita, compraram uma imagem da Santa e a esconderam em uma pequena gruta na Serra do Leitão.

Anos depois a trouxeram para Quitimbu e com a permissão da proprietária das terras, a Srª Felisbela, a colocaram no altar-mor da igreja que teve sua construção iniciada em 1822.

Edificada em alvenaria de tijolo, tem a fachada principal quadrangular, com frontispício triangular, e no centro deste, uma pequena torre sineira (estilo gótico) encimada por uma cruz de madeira. De cada lado das extremidades pequeno pináculo. Possui uma porta de acesso e duas janelas à altura do coro. Conserva ainda o beiral de dois lances de telha.

Seu interior é de nave única e as janelas altas lembram seteiras. Possui dois altares laterais um com a imagem do Sagrado Coração e outra com Nossa Senhora do Rosário. Na capela-mor três nichos com a imagem de Santa Rita, ao centro. ladeada por São Francisco e Nossa Senhora de Fátima.


As missas acontecem a cada primeira sexta-feira do Mês, as 15h.

Santa Rita é festejada no mês de maio; Nossa Senhora do Rosário em dezembro, coincidindo com os festejos do Natal; São Francisco é reverenciado em outubro.

Localização: Rua Francisco Domingos Resende de Melo, S/N, Distrito de Quitimbu.

Fonte: Empetur

29 maio, 2026

Caminhoneiros - por José Melo




 DEDICADO AO MOTORISTA JUBILINO FERREIRA DA SILVA


Por José Melo                 


A vida de caminhoneiro sempre atraiu muitos fazendeiros do sertão, que não raro, vendiam seus rebanhos e aplicavam todo o dinheiro em caminhões, na maioria das vezes, velhos, que terminavam por arruinar financeiramente os antigos fazendeiros.

Muitas estórias eram contadas sobre a ventura e desventura desses aventureiros. Como a de um fazendeiro que comprou um velho caminhão, depois de ter vendido boa parte de seu rebanho. O caminhão quebrava mais que bolacha Creme Craker, e constantemente o velho fazendeiro tinha que vender algumas rezes para custear os constantes reparos.

Até que sem mais nenhuma rês para vender, com o caminhão quebrado no terreiro da fazenda, tomou uma decisão: mandou o “Chauffer” abrir a boca do “bicho” ( levantar o Capô), e dirigindo-se ao caminhão deu o veredito:

- “ Ô seu infeliz, você já comeu todo o meu gadinho, comeu toda a minha safra de algodão, comeu todo meu rebanho de cabras, e agora num tem mais nada. Se quer comer, agora você só tem as minhas terras. Vender eu não vendo mas se quizer, pode começar a comer!”

Esse evidentemente é um caso que não posso assegurar como verídico, mas muitos outros são verdadeiros, como o que relato a seguir.

Zé Batista sempre foi um fazendeiro muito equilibrado e trabalhador, sempre zelando por sua bela fazenda na Cacimba Nova.

Dado a proximidade da cidade, passou a morar na cidade. E foi contaminado pelo “cheiro da gasolina”.

Mas, precavido, procurou não errar. Antes de mais nada, construiu uma Garagem, na Rua Dr. Fraga Rocha. E quando alguém perguntava que construção era aquela, ele respondia sempre:

- “É uma garagem, pois penso no futuro em comprar um caminhão”.

Os amigos então o aconselhavam a desistir da empreitada, apontando os insucessos de muitos que enveredaram pela vida de caminhoneiro. Mas ele, apesar de analfabeto, era inteligente. Terminou a construção, trabalhou mais algum tempo, e depois comprou um Caminhão Chevrolet Brasil, zero quilômetro. Contratou um motorista e passou a realizar o seu sonho: fazia o transporte de mercadorias do Sudeste para o Nordeste e vice-versa. 

Com o passar dos tempos passou a encaminhar a filharada para a profissão de caminhoneiro. Resultado: todos os seus filhos, à exceção do caçula, o saudoso Ozório, passaram a dotar a profissão de motorista. Foi assim, um dos poucos fazendeiros que migrou para a atividade de transporte com sucesso.

Outros, nem tanto. Meu próprio pai tinha um comércio ativo, bem movimentado, com grande clientela. Caiu na tentação de ser caminhoneiro e viu seu comércio ir a deriva.

Vários “causos” engraçados se contam sobre caminhoneiros sertanejos. Como o de um Fazendeiro das Bandas do Barro Vermelho, que comprou um caminhão, e na primeira viagem, o novo caminhoneiro segui na cabine ao lado tendo o motorista, de nome Valdeci, constatado já no final da descida da Serra do mimoso que o “bruto” perdera os freios, exclamou:

“- Valha-me Deus, faltou freio!”

Ao que o apavorado transportador passa a implorar:

“- Intonce, Sêo Vardemar, pare pra eu descer, qui eu nun quero morrer de virada não!”

Outro fala sobre a arrogância de um motorista que acabara de dar um polimento na pintura do famoso “Marta Rocha” ( Chevrolet 1956, de linhas arrojadas para a época), quando um fazendeiro, encantado com a beleza do bruto passou a mão na pintura, ao que o motorista “chiou”:

“ - Ei, velho, tire a mão e esse saco velho da pintura do caminhão.”

Ao que o pobre coitado, humilhado, pergunta ao motorista:

“- Sêo moço, qui má lhe pregunto: quanto custa mar ou meno um caminhão desse?”

O Motorista, para humilhar ainda mais o velhote, deu um preço bem superior ao real. O velhinho fez as contas, abriu o saco velho e despejou em cima do capô do caminhão, uma verdadeira fortuna, fruto da venda de uma boiada, e cujo valor cobria o valor informado pelo motorista, e deu o troco ao motorista:

“- Apois se o caminhão vale isso e é seu, me passe os papé dele que eu compro ele agora, e pago a vista. Agora se não for seu, dêxe de xalerá o dono e num venha querer passar pito nas pessoa!”

Certa feita, Adamastor foi chamado para consertar uma camionete, em Quitimbu, que fazia semanas que a “bicha” não “pegava” nem no tranco. 

Limpeza do carburador, regulagem do relê, bota em tempo, enfim, faz uma revisão geral. Como a bateria estava arriada, pede aos presentes para dar uma empurradinha na camionete, para ver se ela “pegava”.

Na primeira tentativa, nada, na segunda também não. Depois de várias tentativas e novos ajustes, enfim ela pega, fazendo aquele barulhão tão esperado pelo dono, que não se contendo agradeceu:

“ Viva Santa Luzia, qui graças a ela meu carrim tá bom de novo!!!

Ao que, Adamastor, conhecido por sua fina ironia, não perdoou:

“- Se foi ela que consertou seu carro, porque você foi me chamar pra consertar?”

E o agora feliz proprietário contra argumentou:

“- Você consertou, mas ela ajudou!”

Adamastor aproveitou e concluiu:

“- Então você vai ter que pagar dobrado: além do meu trabalho, que deu certo, você teve a sorte de ter uma Santa ajudando!

E o pobre homem pagou a Adamastor regiamente e ainda faz uma doação para a Padroeira de Quitimbu.

E pra finalizar, nada mais ridículo do que aquele ajudante de caminhão que, para garantir a segurança do veículo e da carga, foi dormir na boleia do caminhão. Quando se preparava para dormir, descobriu um pijama do dono do bruto, e não teve conversa: vestiu aquela roupa “chic”.

Só que na manhã seguinte, quem disse que ele conseguia desamarrar o nó cego que ele deu no cordãozinho do pijama? Pense num sufoco, vendo a hora o dono chegar e ele ali vestido no seu belo pijama!!!

Não sei o final, só sei que isso aconteceu na antiga Bomba, no Posto Shell que lá havia.

28 maio, 2026

Fonte Luminosa da Praça Padre Leão



Quem lembra da fonte luminosa na Praça Padre Leão, década de 1990, é uma das lembranças mais nostálgicas e marcantes para quem viveu ou frequentou o centro de Custódia nessa época. Ela não era apenas um elemento decorativo, um ponto de encontro para os jovens custodiense.

Após reforma, a Praça Padre Leão passou por uma mudança, e nela, foi construido uma Fonte Luminosa. Era o cenário principal após a reforma, o costume de dar voltas ao redor da praça para conversar, paquerar e encontrar os amigos, embalado pelo movimento das noites de fim de semana e após as missas na Igreja Matriz de São José.

Para a tecnologia da época, a fonte era uma verdadeira atração visual na cidade. Ela operava com um sistema de jatos de água intermitentes que mudavam de altura, combinados com um jogo de luzes coloridas (geralmente tons de verde, azul, vermelho e amarelo) instaladas submersas ou na base dos jatos. O reflexo das cores na água em movimento causava um efeito fascinante, especialmente para as crianças da época.

Antes da era dos smartphones, a fonte luminosa era o "cartão-postal" oficial da cidade para registros fotográficos analógicos. Muitas famílias custodieneses, jovens casais e visitantes guardam em seus álbuns de fotos de papel registros com a fonte colorida ao fundo, registrando momentos festivos, vestimentas de domingo ou os tradicionais festejos de fim de ano e padroeiro.

Com o passar dos anos e as sucessivas reformas urbanas que a praça sofreu ao longo das últimas décadas, o desenho original do espaço foi se modificando. O desgaste natural dos sistemas hidráulico e elétrico, somado às novas concepções de arquitetura das gestões públicas, fez com que a dinâmica da praça mudasse, deixando a antiga fonte luminosa dos anos 90 guardada na memória afetiva e na identidade cultural dos moradores de Custódia.

Paulo Peterson

27 maio, 2026

Encontro de Luiz Epaminondas Filho com Presidente João Figueiredo e Marco Maciel (1979)


Arquivo Familiar:
Pereira Epaminondas


Visita do então Presidente João Figueiredo ao Governador Marco Maciel, em outubro de 1979, para um almoço no Palácio Campo das Princesas, em Recife.

O então Prefeito de Custódia, Luiz Epaminondas Filhos, foi um dos convidados, foi na Gestão de Marco Maciel, que a cidade de Custódia recebeu grandes investimentos anos depois.

Na oportunidade, o Presidente anunciou novas medidas de apoio ao Nordeste e ao Estado de Pernambuco, dentre elas investimentos no transporte ferroviário, construção de um terminal rodoviário de passageiros, investimento numa central de cargas e comércio atacadista, aumento no silo portuario do Recife, investimentos no Polo Industrial de Cabo, Curado, Paulista e Prazeres, além de projetos para Agricultura com o Projeto do Leite, o mais beneficiado.

Pesquisa e informações: José Soars de Melo e Paulo Peterson

24 maio, 2026

Homenagem a Ditinha - por Lindinalva Almeida

 



 

Homenagem a Ditinha

"Meus escritos são a minha voz para o presente e para o futuro."

Ditinha, cruzaste a ponte entre a Terra e o Céu! Sentiremos eternamente a sua falta.

A cada dia, nos perguntamos: por que tanta pressa, se somos apenas visitantes?

Se, a cada vinte e quatro horas, é subtraído o nosso tempo, é aí que percebemos que a vida é linda! A vida — esse pestanejar de olhos — tem suas raízes profundas nas terras do coração. Essas raízes nem sempre seguem o mesmo percurso; porém, estarão sempre ligadas pela força do seu tronco.

A metáfora acima nos mostra que o ser humano é único neste universo sobre o qual, ainda, sabemos tão pouco.

Ditinha viveu setenta e sete anos bem vividos. Filha do senhor João Dodô e da dona Quitéria, tinha seis irmãos; era casada com o senhor João Batista e mãe de cinco filhos. A alegria era a mola propulsora dessa mulher grandiosa: amava a vida e a família com a pureza de uma criança. Posicionava-se sempre com disposição para ajudar. Na doença de qualquer um da família, era a primeira a chegar. A sua fé e o seu carinho eram essenciais nos momentos difíceis. Sua resiliência e bondade se estendiam também aos amigos e vizinhos. A esposa dedicada, a mãezona, a vovó coruja, a irmã amiga, a cunhada afetuosa e a sogra com coração de mãe deixou um vazio que só Deus para curar. Seu ciclo de amizade era marcado pelo afeto e pelo bom humor.

Tudo é temporário, menos a maneira como você fazia o outro se sentir. Isso é para sempre.

Minha amiga querida partiu neste dezenove de maio, mês da Virgem Maria, que segurou em sua mão, levando-a à Casa Celestial. Hoje, faz sete dias da sua partida.

Nossos sinceros sentimentos ao seu João, ao Ebinho e à Priscilla. Estendemos o nosso pesar a todos os seus familiares:

• Irmãos: Djalma, Luizinho, Vavá, Marinelza, Margarida e Sandra.

• Filhos: Djan, João Elbert, Janclebio, Shirlene e Higor.

• Netos: João Lucas, Kamila, João Ítalo, Kauan, Priscylla, Stefanny Caroline, João Victor, Victória, Higor Filho, Melissa e Rafael.

• Bisnetos: Davi Luiz, Heitor, João Miguel, Alice, Natan, Nícolas e Vicente.

• Noras: Priscilla e Roberta.

• Genro: Marcelo.


Nosso abraço de paz e luz!

Arnaldo e Lindinalva-Nenê

(Escritora).

Custódia, maio, 2026.

22 maio, 2026

Joany - por Jussara Burgos


Foto: Paulo Peterson

 Joany

Joany com Y no fim,
como quem redesenha o próprio nome
para que o tempo jamais a alcance.

Disseram-lhe um dia
que Joana era nome de velha,
e ela, com graça e decisão,
plantou um Y no final
e ali floresceu para sempre.

Foi professora
bordava saberes nas manhãs,
abria janelas onde não havia horizontes,
e ensinava, sobretudo,
a dignidade de existir.

Foi filha, esposa, mãe,avó e bisavó, colo sempre aberto e palavra certa para acolher sobrinhos.
Inteira no gesto,
imensa no cuidado,abrigo firme
nos dias de vendavais.

Primeira-dama
de um município, sim,
mas também da delicadeza cotidiana,
do passo elegante,
do olhar que acolhe sem esforço.

Eterna, disseram,
porque certas presenças
não acabam, vivem, tem permanência.

Exímia doceira
e nisso havia um segredo:
transformava açúcar em afeto,
receitas em memória,
e cada doce seu
era um pedaço de seu coração
oferecido ao mundo.

E que casa…
um primor de zelo,
um abrigo bonito, generoso
como quem se entrega inteira
a cada detalhe,

a cada canto arrumado com amor.
Ali, tudo respirava cuidado,
tudo dizia: há vida aqui.

Hoje, a ausência tem peso de silêncio,
e o mundo parece um pouco desalinhado
sem sua exatidão de beleza.

Mas há um Y desenhado no céu,
como um galho de luz aberto,
sustentando seu nome
no alto da memória.

Joany permanece
no doce que ainda lembra o seu toque,
no cuidado que ela ensinou sem dizer,
na elegância que não se aprende, é nata

Permanece
como quem não partiu,
apenas se espalhou
em tudo que continua
a florescer.

Vá em paz, tia.
Leve a minha gratidão e a certeza que a senhora viverá
sempre no meu coração.


Jussara Burgos
Luziania-GO
Maio/2026

21 maio, 2026

[Biografia] Joana Pereira Marques Epaminondas "Dona Joany" - Por Lindinalva Almeida "


 

Joana Pereira Marques Epaminondas, nascida em 17 de julho de 1931 e natural de Custódia, era católica, professora aposentada e filha de Joaquim Pereira da Silva e Corina Marques Pereira. Foi casada com o deputado Luiz Epaminondas Filho (in memoriam), com quem constituiu uma bela família.

Teve dois filhos, Flávia Inês Pereira Epaminondas e Luiz Cláudio Pereira Epaminondas, além de sete netos e quatro bisnetos. Conhecida carinhosamente pelo apelido de Joany, residia na Avenida Inocêncio Lima.

Dona Joany sempre foi considerada uma das mulheres mais elegantes de Custódia. Sua fineza nos gestos e atitudes lhe conferia características de verdadeira nobreza.

 Representou o município por dois mandatos como primeira-dama, desempenhando a função com elegância e estrito respeito aos padrões protocolares exigidos pelo cargo. Esposa dedicada, foi também companheira e amiga inseparável do esposo, mãe carinhosa, anfitriã de primeira grandeza e dona de um admirável talento culinário. Entre tantos dotes, destacava-se ainda pelo bordado à mão, um verdadeiro trabalho de arte.

A sólida educação recebida de seus pais serviu-lhe como base para um futuro seguro e promissor. Sua formação acadêmica foi construída em importantes instituições de ensino, como o Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Caruaru, o Colégio Americano Batista e o Instituto de Educação de Pernambuco (IEP), ambos em Recife. Leitora assídua de bons livros, iniciou sua trajetória profissional como professora primária na Escola Reunida Maria Augusta — hoje Escola Municipal Maria Augusta —, localizada na Rua João Veríssimo, antiga Rua da Várzea.

O conteúdo transmitido pela professora Joany marcou profundamente a vida de muitas crianças que, hoje adultas, guardam belas lembranças do aprendizado. Um ex-aluno relata que jamais esqueceu suas aulas e os recursos didáticos utilizados: leitura de histórias, ensinamentos sobre boas maneiras, urbanidade, religião e os conteúdos da grade curricular. Em seu depoimento, ele afirmou:

“Pode parecer muito simples o que exponho, mas, para mim, foi de grande importância. Aprendi a gostar da leitura e da escrita, a sentar à mesa, a usar garfo e faca, a lavar as mãos ao sair do banheiro e, sobretudo, aprendi a respeitar o próximo.”

Um belo testemunho do legado deixado pela educadora.

O município de Custódia também contou com relevantes serviços prestados por Dona Joany na vida pública. Na primeira gestão do prefeito Luizito, como era conhecido Luiz Epaminondas Filho, ela assumiu a Secretaria de Assistência Social. Nesse período, o município foi contemplado com diversos projetos e programas sociais, como cursos de corte e costura, pintura e culinária, além de apoio às gestantes com a entrega de kits de enxoval para bebês. Houve ainda incentivo e apoio ao fortalecimento das associações comunitárias.

Na segunda gestão de Luizito, exerceu com grande competência o cargo de Secretária de Educação, em uma fase marcada pelo progresso educacional do município. Várias escolas foram construídas e muitas outras, reformadas. As bibliotecas das escolas municipais receberam valiosos acervos, enquanto a Biblioteca Municipal Zenilda Simões de Oliveira Burgos funcionava de forma contínua, atendendo alunos das redes municipal e estadual, bem como a população em geral, assídua na leitura e no acompanhamento do jornal matinal.

Dona Joany deixou como ensinamento uma frase que traduzia seu pensamento humanista: “Nada mais civilizado do que saber conviver com as diferenças.”

Nossos sinceros sentimentos a Flávia, Luiz Cláudio, netos, bisnetos e a toda a família Pereira Epaminondas.

(Esta biografia integra meu livro, que em breve será publicado.)

Nosso abraço de paz e luz!

Custódia, 20 de Maio de 2026.

Arnaldo e Lindinalva/Nenê (Escritora)