
IBGE
Enciclopédia dos Municipios Brasileiros vol. XVIII.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica.
Segundo a tradição local, a
ocupação do atual território de Custódia teve início no século XVIII com o
coronel Luiz Tenório de Melo Dodô. O ponto de partida, foi a localidade de
Quitimbu, área então habitada por uma tribo indígena de nome desconhecido, originária
da aldeia de Serra Negra.
Com o passar dos anos, Quitimbu
consolidou-se como um núcleo de relativa importância. Tanto que, em 1º de julho
de 1909, a Lei Estadual nº 991 elevou a localidade à sede de distrito,
integrando o município de Alagoa de Baixo — atual Sertânia.
Paralelamente, ainda no século
XIX, um grupo de pioneiros fixou residência em uma área próxima, atraindo novos
moradores. Entre eles estavam Manoel Alves de Siqueira, Serapião Domingos de
Resende, José Florêncio da Silva, José de Moura Leite, José Alves de Siqueira,
Joaquim Pereira de Sá, Antônio Alves de Góis Melo e o tenente Antônio José de
Moura.
Manoel Alves de Siqueira batizou
a propriedade onde hoje fica a sede municipal como Fazenda Santa Cruz. Já
Antônio Alves de Góis Melo e o tenente Antônio José de Moura doaram terras —
com cerca de 160 metros de frente por 3.000 metros de fundo — para a criação de
um patrimônio dedicado a São José, atual padroeiro da cidade.
Na mesma época, instalou-se na
região Maria Custódia Osório de Campos, a "Dona Custódia". Nascida em
1800 na Fazenda Conceição (em Flores do Pajeú, hoje Betânia, a 5 quilômetros de
Sítio dos Nunes), ela era filha de Firmina Barbosa de Aragão e do capitão de
ordenanças Manoel José de Campos. O prestígio e a presença de Dona Custódia
foram tão marcantes que, mais tarde, seu nome acabou batizando a sede do
município.
Pouco depois, os padres jesuítas
Ibiapino e Agostiniano chegaram à localidade enquanto fugiam de uma
perseguição. Acolhidos calorosamente pelos habitantes, os religiosos
permaneceram ali por alguns meses e ergueram uma capela também dedicada a São
José, consolidando a fé e a comunidade local.
Em reunião com os antigos
moradores para a escolha de uma nova denominação para o lugar, convencionou-se
adotar o nome de Custódia. Embora o termo signifique "guarda" ou
"proteção" (e, por extensão jurídica, "local de detenção"),
a escolha foi uma homenagem direta à benfeitora Dona Custódia. Após a
definição, os jesuítas enviaram cartas a Sua Santidade, o Papa, relatando as
novidades do interior pernambucano, com especial destaque para o povoado que
nascia.
O crescimento acelerado da localidade impulsionou o tenente Antônio José de Moura e José de Siqueira a criarem uma feira livre. A iniciativa transformou a dinâmica do lugarejo, atraindo moradores de fora e diversificando a economia local.
Na agricultura e na pecuária, ganharam destaque pioneiros como Joaquim Barbalho, Antônio Cleto, os irmãos Antônio Palmeira e Lúcio Ferreira, o capitão Francisco do Amaral, João Veríssimo e o capitão Antônio Alves de Góis (popularmente conhecido como Antônio do "Umbuzeiro").
Já no comércio, os primeiros expoentes foram
Manoel Rodrigues de Melo (o Manoel da Barra), José de Moura Leite, José Estrela
de Sousa e José Ferreira da Silva.
Graças a esse desenvolvimento, uma lei municipal de 15 de outubro de 1909 elevou o povoado à categoria de vila. Na época, o território pertencia ao município de Alagoa de Baixo (atual Sertânia), e a mudança fez com que Custódia assumisse a sede do distrito, posto que até então pertencia a Quitimbu. Na divisão administrativa de 1911, a região consolidou-se nessa estrutura.
O desejo de emancipação política
crescia entre os habitantes. Em 1916, aproveitando a passagem do governador do
Estado, Dr. Manoel Borba, a população prestou-lhe uma grande homenagem e
apresentou formalmente o pedido de autonomia.
A aspiração popular
concretizou-se 12 anos depois. Pela Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de
1928, a vila de Custódia foi elevada à categoria de cidade, constituindo um
município autônomo com terras desmembradas de Alagoa de Baixo, Flores e
Floresta do Navio.
Sua instalação oficial ocorreu em
1º de janeiro de 1929, inicialmente composta por dois distritos: a sede e
Betânia. Embora tenha começado sob a jurisdição jurídica de Alagoa de Baixo, a
independência plena veio com o Decreto-Lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro
de 1943. O decreto estabeleceu a Comarca de Custódia, com termo único, mantendo
em sua composição jurídica e administrativa os distritos da sede e de Betânia.
FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA
O distrito foi inicialmente
criado pela Lei Estadual nº 991, de 1º de julho de 1909, com sede na povoação
de Quitimbu, então elevada à categoria de vila. Pouco tempo depois, em 15 de
outubro do mesmo ano, uma Lei Municipal transferiu a sede do distrito para a
povoação de Custódia.
Na divisão administrativa de
1911, Custódia figurava oficialmente como distrito pertencente ao município de
Alagoa de Baixo.
A emancipação política ocorreu
por meio da Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, que criou o
município de Custódia com território desmembrado dos municípios de Alagoa de
Baixo, Flores e Floresta, concedendo à sede os foros de cidade. Sua instalação
oficial deu-se em 1º de janeiro de 1929.
Nas divisões territoriais
subsequentes — incluindo o quadro de 1933 (publicado pelo Ministério do
Trabalho, Indústria e Comércio), as apurações de 1936 e 1937, e o Decreto-Lei
Estadual nº 92, de 31 de março de 1938 — o município permaneceu composto por
dois distritos: o da Sede e o de Betânia.
Essa mesma estrutura com dois
distritos (Sede e Betânia) foi ratificada e mantida pelos Decretos-Leis
Estaduais nº 235 (de 9 de dezembro de 1938) e nº 952 (de 31 de dezembro de
1943), que fixaram a divisão territorial para os quinquênios 1939-1943 e
1944-1948, respectivamente.
PARTICULARIDADES GEOGRÁFICAS
O principal destaque geográfico do município é a Serra do
Sabá, formação que abriga a famosa fonte de água mineral de mesmo nome.
A denominação do local foi dada
em 1929 por Vicente Trevas, o responsável por descobrir a fonte. Segundo a
tradição oral da região, Trevas teria obtido o roteiro de localização da
nascente no estado da Bahia. Documentos históricos baianos da época confirmam
que o nome escolhido por ele foi uma homenagem direta à lendária Rainha de
Sabá.
Autor do Histórico:
José de França Filho - Agente de Estatistica
Redação Final:
Denise Duarte de Barros
Fonte dos Dados:
Agência Municipal de Estatistica e Departamento Estadual de Estatistica
Enciclopédia dos Municipios Brasileiros vol. XVIII.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica.
Rio de Janeiro 1958. pag 103.












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