23 setembro, 2026

Árvore Genealógica de Elpidio Pires Ferreira e Alzira de Souza Pires


ELPÍDIO PIRES FERREIRA *05/12/1912 +26/10/1991
ALZIRA DE SOUZA PIRES *20/11/1920 +13/01/1998



FILHOS


Os irmãos Pires, da esquerda para direita:
Elson, Elzira, Jarbas, Emilson, Ana Lúcia e Jorge.



Elzira e sua família


ELZIRA – 20/01/1948 Pedagoga, casou-se com Ibraim Atala em 06/03/1971 Licenciado em Ciência da Computação – seus filhos:

DANIEL IBRAIM 11/02/1974 – PhD em Engenharia de Alimentação, reconhecido nos meios acadêmico-científicos, como “DOUTOR ETANOL”, casou-se com Maria Isabel Berto, Phd em Engenharia de Alimentação, têm 2 filhas: Amanda 10/08/2004 e Olívia 23/05/2007;

DANILO 26/02/1975 – Advogado, casou-se com Laura Maia, Advogada, tem uma filha Ana Carolina 25/04/1997, atualmente está casado com Lidiane da Cruz Garcia, Bacharela em Direito;

ALLE 05/08/1978 Químico



Emilson e sua familia



EMILSON – 23/12/1949, licenciado em História e Bacharel em Direito, casou-se com Aparecida Maria Ramsay Garcia – seus filhos:

FLÁVIA - 01/05/1976, Médica, casada com Luiz Carlos Pieroni, Médico;

FLAVIANE - 27/09/1978, Psicóloga, casou-se com Júlio César Vieira, tem um filho Felipe 28/08/1998;

FLÁVIO LUZ - 01/03/1986, acadêmico de Medicina;

Atualmente casado com Durcinéa Alves Cândida (Dulce)



José e familia


JOSÉ ELSON – 02/12/1950, casou-se com Maria Auxiliadora Arruda – seus filhos:

ELAINNE - 31/05/1975 Farmacêutica e Bioquímica, casada com Alessandro Marino Cintra, fisioterapeuta, têm um filho, Kadú 15/07/2006;

ELIANNE - 23/11/1976, Nutricionista, casada com Juliano Pinto de Oliveira, licenciado em Educação Física, têm um filho, João Pedro 07/08/2005;

ELIZANNE - 29/08/1979, Cosmopolita, casada com Kevin O’brien, Engenheiro Eletricista, residem em Dublin, Irlanda



Jorge Luiz Souza Pires


JORGE LUIZ 29/08/1955, Contador, casou-se com Margareth Lino Pedroso, Licenciada em Letras – seus filhos:

JOISEANNE 02/06/1981, Médica

IVAN LUIZ 12/10/1983, Licenciado em Computação e Mestrando em Ciência da computação;



Jarbas e família


JARBAS 27/09/1956, Técnico em Telecomunicações, casou-se com Ediane Cintra – seus filhos:

JARDSON 19/05/1982 Bacharel em Administração de Empresa

JARDIANE 12/12/1986



Ana Lúcia e famiília


ANA LÚCIA 16/03/1958, Licenciada em Educação Artística, casou-se com Péricles Antonio Fernandes Gonçalves, Ms em Direito e Pró Reitor de Extensão da FURG – seus filhos:

ALYSSON 25/07/1977 Ms em Sistema de Informação pela Universidade do Minho – Portugal.

THIAGO 16/11/1982, Jornalista, casado com Danny Cerpa Moraes, Jornalista, tem duas filhas Isabelle e Marina 20/02/2008 são gêmeas.



Elson, Emilson, Elzira, Jarbas e Jorge.



HISTÓRICO


A família Pires emigrou de Custódia, por injunções políticas no dia 10/03/1965, chegando em Cáceres, ao ocaso do dia 01/04/1965.

Em Cáceres, onde já residia Ivone, sobrinha-filha de Elpidio, casada com Alcides Vidal Salomé, os Pires se instalaram. Os meninos continuaram os estudos e se integraram socialmente, recebidos e aceitos de braços abertos pelos locais.

Elzira casou-se com Ibraim, colega do Emilson no Colégio Onze de Março, onde em 1965 cursaram a 4ª série ginasial; Mudaram-se para São Paulo, onde o Ibraim concluiu o curso de Técnico Têxtil, trabalhando na área até 1986, quando retornaram à Cáceres, ganhando, o Ibraim, o título de “Nariz de Ouro”, até por deixar de cheirar a poluição da paulicéia.

Ana Lúcia, casou-se com o Péricles, que era o gestor do Campus Avançado da FURG em Cáceres, no Projeto Rondon, mudando-se para Rio Grande-RS, onde residem até hoje.

Alzira, religiosa que era, manteve um grande círculo de amizade, com visível reconhecimento e sutil liderança. Adorava a nova terra que tão bem recebera seus filhos. Morreu amando a Princesinha do Paraguai, entretanto, jamais esqueceu o torrão natal, guardando e relembrando sempre, as reminiscências d’antanho; costureira de renome, trabalhava horas a fio, cantarolando antigas canções “que hoje na memória eu guardo e sei de cor” (“Naquela Mesa”, de Sérgio Bittencourt, para Jacó do Bandolin)

Elpidio se realizou na nova terra por gostar tanto de pescaria, tendo à sua disposição o caudaloso e piscoso Rio Paraguai, tendo com ele uma relação telúrica. Faleceu no dia 26/10/1981. No dia 27, logo após o seu sepultamento, seus filhos, juntamente com o cunhado Ibraim e alguns poucos amigos fundaram o “Grupo Pídio Véi” para homenagear o patriarca, hoje o Grupo conta com 12 “compadres”. O objetivo da criação do Grupo, é um acampamento anual no Pantanal, o que rigorosamente acontece; no Estandarte está presente um Mandacarú; o lema é: “pescar é lazer, preservar é dever”, da lavra do compadre Gentil Pires Dantas; o hino é o samba “Naquela Mesa”. O acampamento deste ano se dará do dia 08 a 12 de Outubro. Há dentro do Grupo alguns “Compadres” e algumas “Comadres” requerendo para o ano de 2009, um passeio ao litoral em vez da pescaria no pantanal, talvez se torne realidade.

No dia 09 de Setembro de 2008, nós, os custodienses e as ‘custodianas’, termo bem empregado pelo amigo Ernestinho Queiroz, no seu Jornal “CUSTODIANAS”, ausentes do torrão natal, estaremos presentes virtualmente nas homenagens programadas, na Praça Pe. Leão, nas ladeiras da Várzea e da Rua da Remela, na Igreja, no Bar Fênix e no Centro Lítero Recreativo da Custódia, num “abraço apertado, um sorriso dobrado e amor sem fim” (linda guarânia), aos tios, primos e conterrâneos, desta terra querida, cantada e abençoada pelo Padre Antonio Duarte (im memorian)

Enviado por Ibraim Itala

22 setembro, 2026

Quase acidente - por José Melo


Autor: 
José Melo
Recife-PE
Agosto/2008


Quase Acidente


Como já disse anteriormente, guardei na memória muitos fatos curiosos e hilariantes que tomei conhecimento, nas conversas com os mais velhos, com os amigos nas mesas de bar, enfim, na minha vivência na pequena e querida Custódia.

Hoje conto um fato que sempre era lembrado às gargalhadas pela turma. Diz-se que um senhor, agricultor, gostava de tomar seus “golinhos” vez por outra, na cidade, e já de cabeça feita, comprava seu suprimento para levar para casa.

Certa feita, o nosso personagem vai calmamente montado em seu cavalo, segurando com todo cuidado as duas garrafas da “marvada” que levava para consumo em casa, quando, passando próximo ao cemitério, havia uma turma de meninos em suas costumeira guerras de pedras. Um atira daqui, o outro responde de lá, e nosso herói, despreocupado, cruzou o “fogo” da guerra dos meninos. Vocês já podem imaginar o que aconteceu: uma pedrada acertou em cheio a cabeça do pobre coitado, fazendo esguichar sangue na sua face. Passando a mão no rosto, e observando que tinha sido ferido, ficou extremamente revoltado, e gritou para a molecada:

- Muleques “fela da puta”, assim como essa pedra furou minha cabeça, se pega nessas garrafas, eu ia lascar vocês!”

Os Ardentes: Memórias, Causos e o Som de uma Época


OS ARDENTES
Maminha, Beto de João Anjo, Paulo Félix, Expedito, Dida, Lucas e Zil

Os Ardentes: Memórias, Causos e o Som de uma Época

Falar dos Ardentes é mergulhar numa das páginas mais vivas, bem-humoradas e saudosas da música do Sertão pernambucano nos anos 1970. É uma história feita de improviso, companheirismo e daquela irreverência típica da juventude de uma época que deixaria saudades para sempre.

As Origens e o Mal-Entendido

Muita gente confunde até hoje a história do conjunto com a da antiga Escola de Música de Seu Seba. A única ligação real, na verdade, foi o facto de Expedito Batista ter sido aluno de Seba. A criação dos Ardentes foi um capítulo à parte.

Tudo começou quando Zil permaneceu na cidade após a partida da construtora Queiroz Galvão. Perante esse cenário, Expedito Batista — grande amigo de Sílvio — teve a ideia de formar um conjunto musical. Para tirar o projeto do papel, pediu a José Melo que organizasse uma lista de contribuição junto da comunidade para arrecadar verbas para os equipamentos. Paralelamente, Expedito conversou com Sílvio, que conseguiu uma subvenção para uma escola de música onde Zil seria o professor. Essa escola durou pouco: com a formação do grupo a avançar a todo o vapor, as aulas foram encerradas para dar lugar aos ensaios.

Com recursos próprios dos músicos e o dinheiro angariado na vaquinha comunitária, comprou-se o básico para arrancar:

  • Um amplificador

  • Uma guitarra

  • Um baixo

  • Uma bateria

A Estreia Trágica como "The Black Bat"

Com o equipamento montado e o repertório ensaiado, faltava batizar o grupo. Recorreu-se a Assis, filho de Jorge Arruda, que sugeriu The Black Bat — traduzido na época como "Os Morcegos Negros".

Com o nome escolhido e a expetativa em alta, agendou-se a estreia para o distrito de Sítio dos Nunes, com a ajuda de Chá Preto, que conseguiu o local. Na data e hora marcadas, a banda subiu ao palco pronta para abafar. O resultado, contudo, foi um desastre histórico de público: para não dizer que não esteve ninguém, a plateia foi composta única e exclusivamente por Chá Preto.

Inconformados com o fiasco, os componentes atribuíram a culpa ao nome: "Onde já se viu um conjunto com nome de Morcego? Só podia dar azar!"

O Renascimento e a Virada Regional

Após acaloradas discussões, decidiram mudar o nome para Os Ardentes. A mudança operou um milagre imediato.

A verdadeira estreia sob o novo nome aconteceu numa cerimónia de colação de grau na antiga Petrolândia. Seguiu-se o casamento de um influente político em Betânia e, em pouco tempo, a banda tornou-se atração indispensável nos bailes e festas de toda a região do Pajeú e arredores, passando por Iguaraci, Afogados da Ingazeira, Carnaíba e várias outras localidades.

No CLRC, Os Ardentes animavam todos os domingos, durante o "Jotamelo Show", programa de auditório. O conjunto formou uma orquestra improvisada e tocou em um dos carnavais do CLRC.

Causos de Bastidores: Coragem Falsa e Vestidos Longos em Petrolândia

A viagem para a estreia em Petrolândia rendeu histórias inesquecíveis. O grupo levou os seus parcos equipamentos: a bateria, um amplificador com caixa de som para o baixo, outro para a guitarra e um único microfone para o vocalista, Paulo Félix.

Como ainda era cedo para o show, os músicos foram passear no Cais do Rio São Francisco. Lá, ficaram a admirar rapazes de 14 ou 15 anos a saltar de uma altura de cerca de 15 metros para as águas do Velho Chico. Paulo Félix resolveu então aprontar uma das suas: disse que também tinha coragem para dar aquele pulo perigoso. Desafiado por Dida, Paulo começou a despir-se para mergulhar. Durante meia hora, todos os companheiros imploraram para que não cometesse essa loucura, lembrando o compromisso do show e o risco de um acidente. Só após muita insistência ele fingiu desistir.

Já no hotel, a verdade veio ao cimo quando lhe perguntaram se ia mesmo saltar:

“Eu? Pular daquela altura? Só se fosse doido. Eu estava era a gozar com a vossa cara!” — respondeu rindo debochadamente.

Mais tarde, ao chegarem ao clube e observarem a entrada do público por trás das cortinas do palco, veio o susto: a maioria das mulheres vestia longos elegantíssimos — o "chique dos últimos" da época. Assustado com tanta sofisticação, Paulo Félix cismou que não tinha gabarito para cantar para uma plateia tão fina. Foi um custozão convencê-lo de que era normal e que Os Ardentes eram um conjunto jovem, e não uma orquestra. A apresentação acabou por acontecer e esteve longe de desapontar.

A Irreverência de Dida: Do Galo do Terreiro ao Suco de Frutas

Dida era a alegria contagiante da trupe. Extremo gozador, fazia todos rir mesmo quando não tinha intenção.

Numa regresso de um show em Iguaraci, por volta das cinco da manhã, ao passarem pelo terreiro de uma casa no Açudinho, Dida pediu ao motorista da Rural que atropelasse uma galinha para o almoço. Depois de algumas manobras, ouviu-se o estrondo da "vítima" por baixo do carro. Dida correu, "socorreu" a caça jogando-a para dentro do veículo e o grupo arrancou antes que alguém aparecesse. Com o almoço combinado na casa de um dos componentes, a expetativa era grande. A decepção veio ao chegar a Custódia: a vítima do atropelamento não era uma galinha, mas sim o galo do terreiro — de carne rija e difícil de cozinhar.

Mesmo assim, ao meio-dia, reuniram-se para saborear o ensopado. Enquanto esperavam o galo cozinhar, Dida reparou numa enorme jarra de sumo de frutas sobre a mesa. Pediu um copo à dona da casa, mas, devido às suas habituais peraltices, o pedido foi-lhe recusado.

Dida segredou aos companheiros: "Quem duvida que eu consigo um copo de suco?". Para dobrar a dona da casa, apelou à curiosidade feminina:

“Eu estou na dúvida... Nem sei se conto o que Burro Preto aprontou ontem em Iguaraci!”

A curiosidade e o ciúme falaram mais alto. A dona da casa cedeu e serviu-lhe o copo de sumo em troca da informação. Dida bebeu tudo de uma assentada e cumpriu a sua parte no trato, disparando:

“Burro Preto esta noite em Iguaraci estava a bufandar tanto que ninguém aguentava tocar!”

Quase levou uma tareia de cabo de vassoura da dona da casa, para gargalhada de todos.

Formação e Memória Histórica

Ao longo da sua trajetória, a formação dos Ardentes reuniu talentos marcantes. Na foto clássica do grupo, registaram-se: Fanca (que era cantor, substituiu Paulo de Zé Miúdo e mais tarde viria a tocar bateria e outros instrumentos), Beto, Paulo Félix, Expedito (dono da banda), Dida e Zil — sem esquecer a passagem de Maminha de Pedrinho da Banca (guitarrista e irmão de Binha) e Lucas.

Tragicamente, com o passar das décadas, o tempo levou alguns dos seus protagonistas. Fanca faleceu em Brasília num incêndio ao tentar salvar a filha. Em junho de 2026, deu-se a partida de Dida Boiadeiro, meses após um emocionante encontro em janeiro do mesmo ano com o seu grande parceiro Paulo Félix e da visita marcante na Semana Santa, quando já sexagenário e alquebrado pela diabetes, relembrou com o mesmo brilho nos olhos as memórias douradas dos tempos de Os Ardentes.

A história dos Ardentes permanece acesa no coração de Custódia e do Sertão do Pajeú como um testemunho vibrante de uma era em que a música se fazia com alma, amizade e boas gargalhadas.




Último encontro entre Dida e Paulo Félix, em janeiro de 2026.


Em junho de 2026, Dida faleceu. Acima o vídeo do encontro.

Texto criado a partir de informações de JOSÉ SOARES DE MELO 
Fotos e vídeo enviados por FÁBIO FÉLIX, filho de Paulo.

21 setembro, 2026

Custódia em 1946 e 1947: Bastidores Políticos, Eleições e a Força da UDN no Sertão

 


Visita ao Jornal Pequeno

Acompanhado do Cel. Antônio Japiassú, figura de grande projeção política no Sertão, visitou a nossa redação, ontem, o Sr. Ernesto Queiroz, presidente da União Democrática Nacional (UDN) em Custódia — município onde a candidatura de Eduardo Gomes obteve expressiva maioria.

Com a anulação de três urnas na localidade, haverá eleições suplementares no próximo dia 10 de fevereiro. Mais uma vez, o povo de Custódia dará uma esplêndida demonstração de civismo e de solidariedade à causa da democracia.

Publicado no Jornal Pequeno, edição de 17 de Janeiro de 1946




Os democratas de Custódia escolhem os seus candidatos Reorganizado o diretório da UDN naquele município

Sr. Ernesto Queiroz, futuro prefeito de Custódia


Em convenção recentemente realizada em Custódia, com a presença da bancada coligacionista e representantes do diretório estadual da U.D.N., foi aclamada a seguinte chapa ao pleito municipal de 16 de outubro próximo:

Prefeito — Ernesto Queiroz, fazendeiro e proprietário; vereadores — Germano de Sousa Lima — fazendeiro, comerciante e proprietário; Joaquim Pereira da Silva — farmacêutico, comerciante e proprietário; Pompílio Alves de Queiroz — comerciante, fazendeiro e proprietário; Sidrônio Cordeiro dos Santos — comerciante, fazendeiro e proprietário; Manuel Pires Ferreira — comerciante e proprietário; Jovino Costa Lobo — comerciante e proprietário; José Miguel da Silva — comerciante, fazendeiro e proprietário; Manoel Joaquim Diniz — comerciante, fazendeiro e proprietário; e Anísio Ferreira de Araujo — comerciante, fazendeiro e proprietário.

Na mesma ocasião foi reorganizado o diretório municipal da U.D.N. ficando assim constituído:

COMISSÃO EXECUTIVA — Coronel José Ferreira Leite — Presidente; Jerônimo de Sousa Neto — vice-presidente; João Veríssimo do Amaral — tesoureiro; Pompílio Alves de Queiroz — 1º secretário; Estevão Pires de Lima — 2º secretário.

MEMBROS — Pedro Joaquim de Sá Feitosa — Severino Pinheiro de Souza — João Leite do Amaral — Euclides do Amaral Filho — José Pereira da Silva — José Amaral de Góis — Luís Silvino da Silva — Lucas de Sousa Lima.

COMISSÃO DE ALISTAMENTO — Francisco de Moura Leite — Romeu de Sousa Lima — Cícero Bezerra de Messias — José de Siqueira Sobrinho — Antônio Pires de Lima — Abílio José Duarte — Anísio Cordeiro dos Santos.

COMISSÃO DE PROPAGANDA — Amancio Rodrigues de Queiroz — Juvencino Alves Feitosa — Antônio Florêncio de Góis — Francisco Pereira da Silva — Manuel José de Resende — Joaquim Alves do Amaral — Arnaud Tomás da Silva — Luís Cavalcanti de Siqueira — Anísio Vitório da Silva — Manuel Teotônio de Sousa.

Publicado no Jornal Pequeno na edição de 27 de Agosto de 1947.

20 setembro, 2026

Pesquisador e jornalista custodiense apresenta livro sobre alternativas para levar água doce ao semiárido nordestino

 



Após uma pesquisa científica nos principais repositórios de artigos, teses e dissertações disponíveis no Brasil, o jornalista e escritor Cristiano Jerônimo Valeriano, Mestre em Desenvolvimento Humano, acaba de ter no prelo o livro Águas de Sal - O desafio de irrigar no semiárido nordestino, Editora Dialética (São Paulo - 1ª ed. - 126 p.).

A obra aborda análises de conteúdo no que tange ao insistente flagelo provocado pela seca na região nordeste do Brasil e norte de Minas Gerais. A previsão é o livro e debate de lançamento ocorram entre dezembro deste ano e janeiro próximo. O projeto é iniciar as apresentações do livro para debates em cinco cidades de Pernambuco: Arcoverde, Custódia, Serra Talhada, Salgueiro e São José do Belmonte.

 Antecipa-se que a obra e a construção do seu projeto piloto estão baseados, cientificamente, nos dados sobre as precipitações pluviométricas, informações sobre o alto grau de evaporação na região, e a qualidade da água disponível na região.

O livro foi fruto do diálogo entre centenas de autores sobre, por exemplo, a realidade das áreas que já estão desertificadas, como uma parte do Norte da Bahia.




São 126 páginas que percorrem a realidade histórica, o êxodo rural, a qualidade do solo e a dessalinização responsável dos lençóis freáticos a fins de consumo humano, plantios e uso do resto (rejeito ou concentrado) para cria de tilápias e irrigação de plantas halófitas (resistentes ao sal) para produzir forragem para as criações.

RESUMO DA OBRA PELOS EDITORES

De acordo com o parecer final do Conselho Editorial da editora paulista, “Águas de Sal aborda um desafio decisivo para o desenvolvimento sustentável do semiárido nordestino. Cristiano Jerônimo reúne pesquisas, dados e experiências práticas sobre dessalinização, gestão comunitária e aproveitamento responsável dos rejeitos. A obra combina conhecimento técnico com clara preocupação social e ambiental. Sua abordagem acessível amplia o debate sobre segurança hídrica e alternativas produtivas para comunidades rurais. Por sua relevância e potencial de impacto, o livro merece ser publicado pela Editora Dialética.

 A EDITORA E O NOSSO INTUITO

A Dialética é a editora com mais indicações na história do Prêmio Jabuti Acadêmico, o principal prêmio de livros científicos do Brasil. Trata-se da segunda maior editora do país em catálogo, com presença em mais de 100 países, e publicação dos principais professores e pesquisadores do Brasil e do exterior. Para mim, publicar pela Dialética é, primeiramente, um marco para grafarmos a questão da seca e água, falta e presença de poços que extraem água salobra in natura que pode trazer prejuízos, mas que sabendo manejá-la, pode ser uma espécie de panaceia para o semiárido nordestino”, avalia o autor, Cristiano Jerônimo Valeriano, natural de Custódia, nascido no Sítio Mimoso, distrito de Quitimbu.



 QUEM É CRISTIANO JERÔNIMO VALERIANO

Cristiano é sertanejo, natural de Custódia, da Fazenda Mimoso, cujas terras abrigavam os ancestrais Dodô Tenório, Serapião Rezende, Francisco Domingues de Rezende,  Raimundo Rezende, Maria Marina Rezende e Odilon Jerônimo de Oliveira. Do lado paterno, é filho de Edson Valeriano do Amaral e da professora Diuza Jerônimo de Rezende Valeriano.

Na sua atuação como pesquisador e literato, Cristiano é jornalista, poeta e escritor, pesquisador com Mestrado em Desenvolvimento Social, na Universidade de Taubaté (Unitau/SP). Com Licenciatura em Letras - Língua Portuguesa; Pós-graduação em Docência do Ensino Superior (SER-Uninassau); Pós-Graduação em Inteligência Artificial Aplicada à Didática do Ensino.

Como jornalista, Cristiano Jerônimo atuou no Jornal do Commercio, Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco. Além disso, foi assessor de Imprensa - por três anos - do governador, prefeito e deputado federal por Pernambuco, Joaqui Francisco de Freitas Cavalcanti.

Em seu currículo, o autor conta ainda com oito anos como Secretário de Comunicação Social do Município de Camaragibe. Atuou em várias assessorias de imprensas. Atualmente, Cristiano produz literatura e é um dos analistas de conteúdo da Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco, lotado da ETEPAC, uma escola técnica com 11 cursos técnico profissionalizantes ofertados para todo o Pernambuco.

19 setembro, 2026

A alegria das Festas - Sevy Oliveira



No texto "A alegria das festas", integrante da obra Caminhos do Afeto (2004), Sevy Oliveira resgata com nostalgia e delicadeza as memórias do calendário cultural, social e religioso que marcava a vida da população de Custódia durante a sua infância. As celebrações eram impulsionadas pelo envolvimento da própria comunidade, que mantinha vivas as tradições e costumes trazidos pelos seus antepassados.   

O ano festivo iniciava-se com o fascínio do Ciclo Natalino, que estendia as suas comemorações até o Dia de Reis (06 de Janeiro). Nesse período, a cidade transformava-se com barracas de doces, parques de diversões, leilões dirigidos por Floriano Pinto para erguer a Casa Paroquial e os bailes com a “jazz” de Serra Talhada. 

A devoção expressava-se no presépio ornamentado por Tia Dona e na realização do pastoril no pátio da igreja, organizado pelo Padre Duarte e liderado por Darcira Florêncio e Neuman Florêncio nos cordões azul e encarnado. Nele, destacavam-se figuras como a Diana (Maria do Carmo Braga), a borboleta (Joany Pereira), a cigana (Zélia Sá) e o divertido Velho Félix.

Enquanto as crianças pediam "as festas" com cestas confeccionadas por Dona Luisa Pinto, a solenidade atingia o ápice na Missa do Galo. A celebração encerrava-se com a tradicional queima da lapinha ao lado da igreja, onde os fiéis atiravam à fogueira os seus pedidos, e com o Reisado, cujos duelos de espadas e trajes vistosos preenchiam a Rua do Rio (atual Rua Tenente Moura).   

A rotina escolar era em seguida interrompida pelo Período Carnavalesco, anunciado logo cedo pela voz do preto Alaíde. Iniciado no sábado de "Zé Pereira" — personificado por Isaías Queiroz e Floriano Pinto —, o evento trazia um cortejo de papangus, a animação do "entrudo" com banhos coletivos e o arremesso das "laranjinhas" de parafina recheadas com água de cheiro, preparadas por Tia Alexandrina. Os blocos de Cari e de Seu Amaro Gomes animavam as tardes, enquanto as noites ganhavam sofisticação nos bailes à fantasia do Bar Phoenix, de Tio Né.   

Em março, as atenções voltavam-se para a Festa de São José, padroeiro do município, com especial expectativa para o dia 19 de Março, tido como prenúncio de boas chuvas. Com novenários, tiros de bacamarteiros, retretas da banda de pífano de Zé Biá na Pracinha Ernesto de Queiroz e teatrinhos de mamulengo, o festejo reunia moradores e custodienses ausentes. O encerramento dava-se com um elegante baile no Bar Phoenix e a procissão solene pelas ruas da cidade.   

Com o fim da Quaresma, a Semana Santa cobria a cidade de solenidade, do Domingo de Ramos à Páscoa. O Padre Duarte conduzia o lava-pés na Quinta-Feira Santa e a prédica da procissão do Senhor Morto na Sexta-Feira, momento abrilhantado pelos cânticos de Zé Florêncio. Pela manhã, a população fazia a peregrinação ao Cruzeiro — aproveitando para quebrar o jejum nos umbuzeiros e na fábrica de doce japonês de Joaquim Pinto —, reservando o Sábado de Aleluia para a divertida caça e execução dos bonecos de Judas no Centro.   

O Mês de Maio trazia o encanto do Exercício Mariano. Diariamente, meninas vestidas de branco ofertavam flores no altar, ao som das orações conduzidas por Dona Maria Queiroz e dos cânticos de um grupo de jovens formado por Neuza, Dulcília, Genedite, Maria Emília, Zé Florêncio, Maria Cordeiro Rezende, Nita Freire, Anália Febrônio, Luzia Aleixo e Elizabete Mafra. Tia Dona encarregava-se de vestir as crianças que representavam os anjos, e o mês encerrava-se festivamente com a coroação de Nossa Senhora.   

Durante as férias de junho, as Festas Juninas iluminação as ruas com fogueiras, fogos e fartura de comidas típicas. As pessoas escolhiam padrinhos em volta do fogo sob a bênção de São João e São Pedro, dançavam a quadrilha matuta comandada por João Veríssimo no Bar Phoenix e participavam do tradicional coco de roda na Rua do Rio, onde a graciosidade de Dona Felizarda, aos setenta anos, encantava os presentes.   

Por fim, o Calendário Escolar marcava o segundo semestre com desfiles cívicos nas datas comemorativas do 7 de Setembro e do 11 de Setembro (aniversário de Emancipação Política de Custódia). Alunos do Grupo Escolar General Joaquim Inácio desfilavam fardados até a Prefeitura para cantar hinos, ouvir o prefeito e declamar poesias. Periodicamente, a cidade transformava-se também com a realização das Missões religiosas, marcadas pelos cânticos de Frei Fernando Rossi e pelas pregações veementes de Frei Damião Bozzano, que atraíam multidões em procissão pelas ruas.   

Adaptação ao texto do livro CAMINHOS DO AFETO, lançado em 2004, pela Editora Bagaço.

17 setembro, 2026

História da Escola Municipal Maria Augusta do Amaral



Fundação e Nome: Criada em 1967 e localizada na Avenida João Veríssimo (centro, Custódia-PE), a escola foi batizada em homenagem à primeira professora do município.

Origem do Prédio: O espaço original funcionava como posto de saúde local. Com a inauguração do hospital da cidade na gestão do prefeito Sílvio Carneiro, a estrutura do posto foi reformada e adaptada para sediar a primeira Escola Municipal de Custódia.

Primeiras Educadoras: Em fevereiro de 1969, a escola iniciou suas atividades contando com professoras recém-formadas no magistério em outras cidades (entre elas Maria Claudete Simões Feitosa, Creuza Carneiro, Ivonete Sousa "Netinha" e Joselita Bezerra), nomeadas pelo prefeito Sílvio Carneiro.

Transição para o Estado: Em 1970, o município cedeu as instalações da escola para o Governo do Estado abrigar temporariamente a rede estadual. A equipe permaneceu no prédio até a inauguração da Escola José Pereira Burgos, construída no governo de Marco Maciel e na gestão do prefeito Luiz Epaminondas Filho.

Expansão e Gestão (2001–2004): A partir da gestão de 2001 a 2004, a instituição passou por um forte salto de crescimento: O número de estudantes subiu de 100 para 400 alunos.

A oferta de ensino, antes restrita à Educação Infantil, foi ampliada com a implantação do Ensino Fundamental.

Foi criada a Unidade Executora e desenvolvidos os símbolos oficiais da instituição (Bandeira, Escudo e Hino).

A escola foi pioneira no município a elaborar e implementar o Projeto Político Pedagógico (PPP), fortalecendo a gestão democrática com pais, professores e funcionários.





ESCUDO



Criado pela educadora de apoio – LINALVA PINTO SIMÕES RODRIGUES, em 01/09/2001 e confeccionado pela professora VERA LÚCIA SIMÕES.


BANDEIRA


Criada pela Diretora – LUCIENE PINTO SIMÕES IZIDRO, em 01/09/2001.

Suas cores:

O AZUL - simboliza o nosso céu de anil.
A FAIXA BRANCA - simboliza pureza e paz.
O AMARELO - simboliza o amarelo da nossa pátria amada.
A CUSTÓDIA - simboliza guarda-receptáculo-justiça.
O LIVRO E O LÁPIS - simboliza instrução-sabedoria-educação.
SLOGAN - educação e cidadania.

HINO

Letra: Linalva Pinto Simões Rodrigues em 29/08/2001.
Música: Hugo Simões.
Arranjos: Plínio Fabrício Pinto Simões Rodrigues


LETRA DO HINO

Maria Augusta tu és pioneira
Na nossa história da educação
Iluminaste com o teu talento
Muitos alunos e sem exceção

A nossa escola que tem o teu nome
Muitos doutores também surgiram aqui
Ficou pra trás as antigas palmatórias
E a saudade do A, E, I, O, U

Mesmo com tantas inovações
Este teu nome será lembrado
Não só você quanto os Jesuítas
Por nossa terra onde aqui passaram

És pioneira e brava gente
O nosso povo te homenageia
Porque um dia foste professora
Hasteando assim a nossa bandeira


16 setembro, 2026

A antiga Gruta da Matriz de São José: Uma Memória Esquecida da História de Custódia


Foto:
Cedida por Dulce Góis

Durante a década de 1970, quem passava ao lado da entrada principal da Igreja Matriz de São José, em Custódia-PE, encontrava um importante ponto de fé e encontro comunitário: uma gruta ornamental em homenagem a Nossa Senhora de Lourdes.

Por muitos anos, o local atraiu devotos, estudantes e moradores que ali faziam suas orações e orações diárias. A construção seguia uma tradição muito comum nas paróquias do interior do Nordeste, onde grutas artificiais em pedras eram erguidas nos pátios e laterais dos templos para abrigar imagens de grande devoção popular.

 

O Registro Histórico no Livro do Tombo

Embora não existam registros exatos sobre a data ou o ano em que a gruta foi erguida pelo antigo vigário Padre Luiz Klur, a sua história foi preservada no Livro do Tombo da Paróquia de São José. No entanto, o documento não detalha a sua inauguração, mas sim o motivo surpreendente do seu fim.

No dia 1º de março de 1973, assumiu a paróquia o Padre Herbert Henke, MSF (Missionários da Sagrada Família), sacerdote natural da Alemanha. Entre as reformas e intervenções estruturais prioritárias realizadas durante sua gestão, o religioso registrou no Livro do Tombo a necessidade de demolir o antigo ponto de devoção:

"A demolição da gruta, outrora erguida por Pe. Luiz Klur, sendo essa obra indispensável tanto para executar a fortificação dos fundamentos da torre como também para evitar maior infiltração d'água de chuva na parede lateral."

Além da remoção da gruta, o Padre Herbert executou o reforço da estrutura da torre principal da matriz com uma base de cimento armado (radier), medindo dois metros de comprimento por um metro e meio de largura e profundidade em cada lado da torre.



Nesta imagem da Igreja Matriz de São José, é possível observar,
na lateral da entrada principal, um trecho da antiga gruta que ali existia.


Memória e Resgate

Apesar de ter sido demolida há mais de cinco décadas por razões de engenharia e preservação do templo, a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes permanece viva na memória dos custodiense mais antigos.

Registros como esse, mantidos no arquivo paroquial, ajudam a reconstruir a arquitetura e o cotidiano religioso que moldaram o centro urbano de Custódia ao longo dos anos.


Foto 2 e 3: Cedida pela Paroquia de São José

Maria Augusta do Amaral de Sá (Dona Manoca)

 
Pioneira na Educação e Primeira Professora de Custódia–PE

Maria Augusta do Amaral de Sá, carinhosamente conhecida como Dona Manoca, foi uma das figuras mais emblemáticas da formação educacional e social do município de Custódia (PE).

Nasceu em 1883 em Custódia, filha de Francisco de Queiroz Amaral e Hermelinda de Gois Amaral (também registrada em documentos como Ermelinda Alves de Goes Mello.). O casal ainda teve mais 3 filhos, foram eles: Artur de Queiroz Amaral, Capitão Sebastião Amaral e Maria Cândida Do Amaral. Maria Augusta marcou a história local ao tornar-se a primeira professora registrada a lecionar na cidade. 


Vida Familiar e Integração Comunitária

Em 1913, casou-se em Custódia com o Tenente-Coronel Joaquim Pereira de Sá (conhecido como Quinca de Sá, tio de Zezita Queiroz). O casal teve apenas um filho: Aprigio Pereira do Amaral, nascido em 20 de fevereiro de 1914 em Custódia. Dona Manoca adotou Artur Pereira do Amaral, conhecido carinhosamente por Tuta.

Cartório de Sertânia, tem em sua ata de 25 de dezembro de 1915, consta batizado Maria, na presença dos padrinhos Francisco Alves de Queiroz Amaral e Maria Umbelina do Amaral. Não foi encontrado mais informações sobre Maria, por ter falecido ainda muito pequena, comum naquela época.

Seu legado familiar atualmente constitui de 05 (cinco) netos, 11 (onze) bisnetos e 11 (onze) trisnetos.

Residiu na Praça Padre Leão, onde atualmente funciona o Banco Sicoob. 

Sua atuação na comunidade ia além das salas de aula, sendo presença constante na vida religiosa e social do município:

  • Maio de 1918: Serviu como madrinha de casamento de Alexandre Cyrinaco dos Santos e Justina Maria da Conceição.

  • Madrinha de Batismo: Apadrinhou a jovem Zilda, filha do casal Antônio Alves de Queiroz e Maria Otília Freire.

Pioneirismo na Educação e Dedicação Cívica

A trajetória profissional de Dona Manoca acompanhou a própria evolução política e administrativa da região ao longo das primeiras décadas do século XX:

  • 1918: Exercia o cargo de professora municipal e atuava como secretária da Comissão Organizadora dos Desfiles Cívicos de Custódia, liderando os festejos da Independência no 7 de Setembro daquele ano.

  • 26 de maio de 1920: Foi nomeada professora interina da Cadeira Mista nº 03, em Custódia (que na época pertencia ao município de Alagoa de Baixo, atual Sertânia).

  • 19 de maio de 1927: Assumiu a Cadeira Mista nº 350, em substituição à docente Oswaldina Paulina de Sá.

  • 01 de outubro de 1929: Com a autonomia política do município, passou a reger a Cadeira nº 624 (Primeira Entrância), levando o ensino público ao distrito de Quitimbu.

Também administrou um ponto comercial bastante frequentado nas décadas de 1950 e 1960: o Café da Hora. O estabelecimento marcou gerações servindo café, tapioca, queijo, doces e outras iguarias regionais. Ponto de encontro tradicional, era frequentado por figuras ilustres como João Veríssimo, Nozinho Veríssimo e Seu Chiquinho Amaral. Ficava localizado na esquina da Avenida Inocêncio Lima com a Praça Padre Leão, próximo a sua residência.

Últimos Anos e Legado

Já viúva, Maria Augusta mudou-se para a capital pernambucana. Vendeu sua residência para um primo Izaias de Queiroz Amaral. 

Faleceu em 13 de fevereiro de 1963
, às 7 horas da manhã, em sua residência na Avenida Santos Dumont, nº 573, no Recife, aos 80 anos de idade. Seu óbito foi registrado no Cartório da Graça e seu sepultamento ocorreu no Cemitério de Santo Amaro.




Em reconhecimento à sua dedicação e ao seu papel precursor na alfabetização de diversas gerações, o município eternizou sua memória batizando a Escola Municipal Maria Augusta do Amaral, criada em 1967, localizada na Avenida João Veríssimo, no Centro de Custódia.


Fonte:


Pesquisa realizada por Paulo Peterson, com suporte incondicional de Vanuza Bezerra e Veronica Bezerra(filha). Algumas informações foram obtidas em Jornais de grande circulação no Estado de Pernambuco, Diário Oficial, Family Search, Genealogia Pernambucana, livro Caminhos do Afeto de Sevy Oliveira.

15 setembro, 2026

A Parelha Histórica: Quando o Jornal Pequeno comparou Barbosa Lima Sobrinho ao Primeiro Prefeito de Custódia

 



A coluna do Jornal Pequeno de Recife, edição de 24 de Janeiro de 1950, assinada por Melchiades Montenegro, fazia sátira política e ácida ao então governador de Pernambuco, Barbosa Lima Sobrinho (1948-1951)

Criticava o estilo pacato de governar de Barbosa Lima Sobrinho, satirizando seus longos banhos de imersão e falta de pulso político. 

Nessa edição, expoe dois escândalos envolvendo a liberação de jogos no estado — a proibição foi pelo delegado de São José do Egito contra a vontade de chefes do PSD, e a concessão de um "víspora elétrico" no Recife beneficiando parentes de coronéis (como Chico Heráclio) através da mediação do secretário João Roma.

Também zombava do hábito do governador de ameaçar pedir renúncia sempre que contrariado pelos aliados.

Comparação Histórica com Custódia: O colunista traça um paralelo ("a parelha") entre o comportamento do governador e o do primeiro prefeito de Custódia, o velho Nemésio, conhecido por ameaçar "pedir a muda" ou "pedir baixa" a cada problema político, embora nunca tenha deixado o cargo.

Confira o paragrafo onde o colunista faz a comparação com Nemézio Rodrigues e o Governado Barbosa Lima Sobrinho:




De vez em quando corre na esquina do Lafaiete que o dr. Barbosa resolveu renunciar. Basta que lhe despertem o sono e lhe perturbem a leitura favorita.

Isso me faz lembrar o primeiro prefeito de Custódia, o velho Nemésio, fazendeiro de largas posses e homem de ideias curtas.

Quando tinha êle uma pequena contrariedade, por causa da função, ameaçava de "pedir a muda". Se a cousa era mais séria, se os espinhos do ofício penetravam mais fundo, dizia que "ia pedir baixa". Mas nunca fez nada disso e tirou o tempo todo.

O dr. Barbosa está direitinho o velho Nemésio. Por dá cá aquela palha, o pobre homem fica pelos cabelos e promete renunciar.

Nemésio foi a única parelha que encontrei para o dr. Barbosa, na história desadministrativa de Pernambuco.

14 setembro, 2026

[Livro A Baraúna] Justas homenagens - José Carneiro de Farias Souza (2015)

 


Livro A Baraúna
Prosa e Versos

Autor:
José Carneiro de Farias Souza
Recife-PE
2015



Não seria justo deixar de prestar calorosas homenagens às figuras que tanto contribuíram para a história de Custódia, propagando seu nome e costumes, como privilegiados autores de livros, destacando-se Jovenildo Pinheiro, Ernesto Queiroz Júnior, Sevy Oliveira, Maria José Amaral; Odete Andrada e Fernando Florêncio.



Uma menção especial a Zezita Queiroz, mulher forte e destemida, competente tabeliã, pelo muito que fez como presidente do Centro Lítero Recreativo de Custódia, que marcou época, com promoções de festas memoráveis e movimentos filantrópicos.




A Dona Manoca, vanguardeira do ensino em Custódia. Mestra de várias gerações. Ensinou muita gente a ler. Era a Carta de ABC em corpo e alma.

A Djanira Pires, filha de Pordeus Pires, merecedora de registro na história de Custódia, como pioneira da pintura em sua terra, deixando muitas conterrâneas adeptas da bela arte.


A José Melo, homem bom e direito, pelos serviços prestados à comunidade como servidor público e pelo tanto que escreveu sobre o torrão natal e seu povo, ressaltando seu exemplar comportamento político e social.


A Carlos A. Lopes, embora não sendo natural de Custódia, nela passou boa parte de sua vida e por ela nutre grande afeição. Responsável pelo Blog Gandavos, reuniu uma plêiades de escritores, vem colhendo suas produções literárias e publicando em livros, numa original contribuição à cultura literária.


E, por fim, a Paulo Joaquim Peterson Pereira, apaixonado custodiense, criador e mantenedor do festejado Blog Custódia Terra Querida, que tanto vem difundindo de forma criteriosa as manifestações de sua terra e sua gente.

Fonte: A Baraúna (prosa e versos). Paginas 144/145

A assombração do aveloz - Fernando Florêncio

 


​Partindo de Custódia em direção ao Quitimbu, havia duas estradas. Uma pelo antigo campo de futebol, onde hoje é o Tamboril e outra pelo beco de João Florêncio, ali nos fundos da igreja.

​Estas duas saídas mais na frente se encontravam, convergindo para uma estrada única em direção à Cacimba Nova e outros povoados até o Quitimbu e daí até o infinito.

​Bem no local onde as estradas se encontravam, ficava a fazenda de Seu Pedro Mariano, pai de Dr. Rubinaldo Rezende, que entre outros animais, criava porcos (e porcas) e conhece bem essa história.

​De repente, bem em frente à casa da fazenda, que por sinal tinha uma cruz fincada na beira da estrada, em memória de alguém que fora assassinado naquele local, começou a aparecer uma "visagem" apavoradora. Era escurecer, e naquela cruz, antes inofensiva, passou a ser palco de uma assombração tão pavorosa que a matutada saía da feira antes de escurecer para não cruzar com aquele demônio.

​No Bar Ponto Certo, depois de algumas "lapadas" de Serra Grande, Zé Aleijado, que tinha as pernas atrofiadas em decorrência de uma paralisia infantil e andava com ajuda de muletas, apostou que por uma meiota de Serra Grande ele passaria a noite ao lado daquela cruz, desmoralizando assim a visagem. Só preciso que um cabra corajoso igual a mim me leve nas costas até lá.

​Foi aquele alvoroço. Teria Zé Aleijado tanta coragem a ponto de desafiar o sobrenatural?

​Logo Mané Bidó, um preto forte, gente boa até demais, também amante da Serra Grande se prontificou:

- Eu levo o "home" até lá. Vamos esperar anoitecer.

​Dez da noite, Mané Bidó jogou Zé Aleijado nas costas e se mandou para o local mal assombrado.

​Só que descobriram que aquela "marmota" não era bicho do outro mundo coisa nenhuma, era sim, uns ciganos que acamparam ali próximo e resolveram roubar os porcos de Pedro Mariano.

​Enquanto uns iam até o chiqueiro pegar os porcos, outros ciganos enrolados em um lençol branco, faziam todo tipo de piruetas para assombrar quem eventualmente por ali tentasse passar.

Quase meia-noite, aparece Mané Bidó com Zé Aleijado nas costas. Perto da Cruz, a lua cheia clareava tudo. A "assombração" quando viu Mané Bidó com Zé Aleijado nas costas, imaginou que seria um comparsa cigano com um porco às costas e foi perguntando:

- É porco ou porca?

Mané Bidó não conversou. Sacudiu Zé Aleijado em direção à "alma", dizendo: Ou porco ou porca, tome ai seu bagulho!!!

​Pegou a estrada de volta que terminava no beco de João Florêncio, fazendo curva em duas rodas a mil por hora.

​Zé Aleijado, arremessado, tocou o chão correndo e diferentemente de Mané Bidó, pegou a estradinha que desembocava no campo de futebol descendo a ladeira do grupo escolar.

​Quando Mané Bidó, suando que nem tampa de bule, com olhos esbugalhados e faltando a voz chegou ao Bar Ponto Certo, (que fechava sempre na madrugadas), Zé Aleijado já tinha tomado duas lapadas de Serra Grande.

​Dr. Rubinaldo conhece bem essa história.



Autor: 
Fernando Florêncio de Souza
Foi Assim (Uma História Autobiográfica)
Ilhéus-BA
2010

Para adquirir entrar em contato pelo e-mail: florencio.fernando@hotmail.com


13 setembro, 2026

[Biografia] ex-Prefeito Felicissimo de Lima Pires (11/08/1947 à 15/11/1947)

Felicissimo de Lima Pires
Prefeito: 11/08/1947 à 15/11/1947)

Natural de Custódia, Felicíssimo de Lima Pires nasceu em 26 de abril de 1911, filho de Manoel Pordeus Pires Ferreira e Constança Pereira de Lima. Casou-se com Sebastiana Pires de Freitas (irmã de Antonia Pires de Freitas Gois "Dondon Pires), em 18 de dezembro de 1940, em Custódia, com quem teve quatro filhos: Marinalva de Lima Pires (1941–2003), Airton de Lima Pires (1943–2016), Rildete de Lima Pires e Irani de Lima Pires.

Sua trajetória política ganhou destaque a partir de 1945, quando integrou a Comissão de Organização Política e Partidária da União Democrática Nacional (UDN) em Pernambuco. Na ocasião, atuou na comissão de Propaganda e Assistência Política, então presidida por Germano de Souza Lima.

Em 7 de agosto de 1947, por meio do Ato nº 106 (publicado em 6 de agosto no Diário do Poder Executivo), foi nomeado Prefeito do Município de Custódia pelo Presidente da Assembleia Legislativa, que exercia interinamente o cargo de Governador do Estado.

Felicíssimo assumiu o comando do município em substituição a Jerônimo de Souza Neto.

Sua gestão durou cerca de três meses, antecedendo o retorno de Ernesto Alves de Queiroz à prefeitura para o seu segundo mandato.

4º Encontro de Bandas Marciais de Custódia-PE



Em comemoração aos 98 anos de Emancipação Política de Custódia, tivemos a alegria de prestigiar o 4º Encontro de Bandas Marciais de Custódia.

Foi um momento muito especial, marcado pela música, cultura, tradição e talento dos músicos e das bandas que abrilhantaram essa grande celebração. 

E tem mais!

O canal Musicalizando com Marcelo Moura preparou uma playlist especial com os vídeos deste evento, para que todos possam assistir, reviver esses momentos e prestigiar o trabalho dos músicos e das bandas participantes.

Acesse a playlist, assista aos vídeos, compartilhe com seus amigos e deixe o seu 👍 LIKE!

Sua curtida e seu compartilhamento são muito importantes para valorizar e fortalecer a música, a cultura e as bandas marciais de nossa região.

Parabéns, Custódia, pelos seus 98 anos de história!

Viva a música! Viva a cultura! Viva Custódia! 

🎬 Musicalizando com Marcelo Moura
levando música, conhecimento e cultura até você!



Sonho de Amor 
Banda Marcial Almir Mello


Meu sangue ferve por você
Banda Marcial Almir Mello



Se for amor
Banda Marcial Almir Mello


Tequila
Banda Marcial Almir Mello