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25 setembro, 2026

Resgatando Nossa História: 19 Anos e 3 Milhões de Acessos do Blog Custódia Terra Querida



Alcançar 19 anos de história já é um grande motivo de orgulho, mas ver o Blog Custódia Terra Querida atingir a marca de 3 milhões de acessos torna este momento ainda mais especial.

Trata-se de uma conquista expressiva para o jornalismo regional e para a preservação da memória e da cultura do nosso município. Esse feito confirma a relevância do compromisso em levar informação de qualidade, resgatando as raízes da nossa gente.

Expresso minha sincera gratidão a todos que tornaram isso possível: aos leitores fiéis que acompanham e repassam o conteúdo, aos colaboradores que alimentam o site desde o início e aos incentivadores que apoiam essa trajetória.

Seguimos juntos, registrando e valorizando o que é nosso!

Paulo Peterson

23 setembro, 2026

O Casarão": O Ponto do Embalo e da Disco Music em Custódia


Foto:
Acervo Familiar (Claudete e Lourival Nunes)

Entre o final da década de 1970 e meados dos anos 80, o coração da vida noturna e do entretenimento em Custódia batia na Rua Luiz Epaminondas, no centro da cidade. Era lá que funcionava O Casarão, um dos lugares mais badalados da época, de propriedade de Lourival Nunes.   

O imóvel era um prédio amplo que, inicialmente, operava apenas como bar. Com o balcão localizado ao fundo, o imenso espaço central ficava subaproveitado. Percebendo a carência de opções para dançar na cidade — além do tradicional CLRC - Centro Lítero Recreativo de Custódia —, Lourival acolheu a sugestão de amigos e clientes e decidiu transformar o local em uma verdadeira discoteca, aproveitando a febre mundial da disco music.   



Localizado, na época, na Rua Luiz Epaminondas.

Naquela época, o fenômeno da dança tomava conta do país com o sucesso do filme Os Embalos de Sábado à Noite (1977) e a exibição da novela Dancin' Days. Como o sinal de TV havia começado a funcionar bem em Custódia por volta de 1977, uma televisão foi instalada no bar. Os frequentadores chegavam cedo — o Sr. Joventino Feitosa era habitualmente um dos primeiros — para assistir ao capítulo da novela e, assim que os créditos subiam, a pista se acendia e a festa começava. O ambiente era embalado por hits inesquecíveis de artistas como Tina Charles, Gloria Gaynor, Roberta Flack, Boney M. e Village People.   

Com portas abertas por volta das 18h, a casa trazia uma decoração rústica e estilosa, feita com esteiras de palha de bananeira, combinada com luzes coloridas e iluminação negra. Por muito tempo, foi o ponto de encontro favorito da juventude custodiense.   

Por: Paulo Peterson   

Colaboraram com informaações: Flávia Epaminondas, Jorge Remígio, José Melo, Claudete e Lourival Nunes.
 

20 agosto, 2026

Do Futsal no Condomínio aos Estádios do Mundo: Minha História com Juninho Pernambucano



Por Paulo Peterson
(o primeiro em pé, da esquerda para a direita).

Em 1990, mudei-me para o Recife indo morar no Condomínio Portal da Boa Vista. Logo nos primeiros dias, fiz amizade com um garoto franzino e loiro na quadra do prédio, que me convidou para jogar. O garoto era o  Antônio Augusto Ribeiro Reis Júnior, mais conhecido como Juninho.

Anos depois, fomos campeões de um torneio do condomínio em uma final tensa contra um time de estudantes de Juazeiro-BA — com o Juninho, claro, desequilibrando a partida. No futsal, ele brilhava na lendária equipe da Votorantim ao lado de feras como Manoel Tobias, Calipio, Fininho, além de ser um rubro-negro apaixonado com quem dividi as arquibancadas da Ilha do Retiro no bicampeonato do Sport em 91/92.

Em 1993, ele migrou para o aspirante do Sport e deu início à trajetória brilhante que o consagrou como Juninho Pernambucano, ídolo do Sport, Vasco e Lyon, e eleito por especialistas o maior cobrador de faltas da história.

Quanto a mim? Era o reserva daquele time do condomínio — e entrava em quadra com muito orgulho quando o resultado já estava garantido!


Reencontro de Amigos: A História do Albatroz



Albatroz 

Em 2017, fui convidado por Juninho para um reencontro especial: reunir, 30 anos depois, os amigos que integraram a primeira formação do Albatroz, seu antigo time de futebol de salão. Formada originalmente por moradores do condomínio Portal da Boa Vista, a equipe começou como um time de férias, mas passou a levar o esporte a sério quando começou a ser treinada por um professor de Educação Física. O resultado dessa dedicação foi a conquista do campeonato Sub-10 — um título marcante disputado contra grandes equipes da capital, vencido pelo estreante Albatroz, com Juninho como artilheiro do torneio.

A escalação presente no reencontro: Jonas, Juninho, Madson, Bruno (que atuou no gol, já que Serginho não pôde comparecer) e Anderson (in memorian).

Mesmo sem ter jogado na equipe, tive a alegria de participar como convidado dessa viagem de quatro dias ao Rio de Janeiro. Foi uma experiência gratificante estar entre amigos com quem compartilhei a infância e a juventude no mesmo condomínio. Foram dias de muitas conversas, risadas e boas lembranças daqueles tempos — que, no meu caso, remetem à década de 90.




Para completar a ocasião, levei diversos produtos gentilmente cedidos pela Tambaú Alimentos, vários já eram conhecidos. 

10 agosto, 2026

[Do chão forrado ao Mercado Público]: A História do Abate de Carne em Custódia


Antigo Matadouro Municipal / Abatedouro Publico
Localizado na descida da Av. Inocêncio Lima, no lado esquerdo de quem desce em direção ao trevo/saída da via, logo após a área do cemitério municipal.


Até meados dos anos 1970, a rotina de abastecimento de carne em Custódia refletia uma realidade comum a grande parte do interior do Brasil: o abate e a comercialização de proteína animal ocorriam sob condições precárias de higiene e sem regulamentação sanitária rígida.

Inicialmente, o abate bovino era realizado diretamente no solo, forrado de forma improvisada com folhagens de ariú ou folhas de bananeira. Com o tempo, a construção de um pequeno pátio de cimento evitou o contato direto das carcaças com a terra, mas não resolveu os graves problemas estruturais. O sangue da matança escorria e se infiltrava no chão, gerando um odor forte e permanente no local.

Após o esquartejamento, a carne era transportada em carros de boi até o antigo Açougue Público. Lá, o cenário não era diferente: piso irregular, bancadas de cimento deterioradas e carcaças suspensas ou dispostas sobre as tarimbas. A esse ambiente somava-se a chegada de suínos e caprinos vindos da zona rural no lombo de animais, abatidos na madrugada das segundas-feiras. Apesar das condições, essa era a principal fonte de proteína animal acessível à população da época.



Na foto:

Dorival Gois, Tenorinho, Adeilda Mariano, Francisquinho Laurentino, 
Francy Abreu e Zé do Fato. 

Esse panorama começou a mudar radicalmente com a gestão do prefeito Luizito, que viabilizou a construção do Abatedouro Público Municipal dentro das normas sanitárias exigidas na época. Em seguida, a criação do Mercado Público Municipal organizou a comercialização, garantindo instalações adequadas e higiênicas para feirantes e consumidores.

Por quase cinco décadas, essas duas estruturas cumpriram um papel fundamental na saúde pública e na economia local. Com o crescimento da cidade e o avanço das exigências sanitárias, deram lugar a instalações modernas, consolidando uma transformação histórica na forma como o município produz, fiscaliza e consome seus alimentos.

Por José Soares de Melo e co-participação Paulo Peterson. 
Fotos: Acervo Luiz Epaminondas Filho e Adeilda Mariano.

04 agosto, 2026

Onde a Memória Faz Curva: Iguaracy, Pedro Maraváia e Maciel Melo


Em 2011, durante as festividades do padroeiro São José, em Custódia-PE, uma das atrações musicais da noite era o poeta, cantor e compositor Maciel Melo. Antes de subir ao palco, tive a oportunidade de conversar por alguns minutos em seu camarim.

Sendo ele natural de Iguaracy — antigo distrito de Afogados da Ingazeira —, esse acabou sendo o gancho perfeito para iniciar o nosso breve bate-papo. Comentei que tinha um tio que morava por lá, e Maciel perguntou imediatamente de quem se tratava. Quando respondi que era Sebastião Alves, o cantor abriu um largo sorriso e emendou sem hesitar: — O da farmácia da praça?



A partir dali, a conversa fluiu com ainda mais leveza e descontrações. Como bom iguaraciense, Maciel conhecia a fundo a história de sua terra. Lembrou que o povoado surgiu por volta de 1914, após a construção de uma igreja dedicada a São Sebastião, e que inicialmente se chamava Macacos, em homenagem a uma família tradicional da região. Temendo futuras conotações pejorativas para o lugar, foi justamente o meu tio, Sebastião Alves da Silva — então representante da vila junto à Câmara Municipal de Afogados da Ingazeira —, quem batalhou e conseguiu a mudança do nome para Iguaracy.

Maciel rememorou com carinho as lembranças da infância e juventude na farmácia do meu tio, o convívio com os filhos dele e a importância imensa que Sebastião tinha para a cidade. O que nos unia ali eram laços ainda mais profundos: Sebastião Alves era irmão da minha Tia Maria (mãe de Gerson Gonçalves) e de Corina Pereira Marques, minha avó paterna. Inclusive, quando a mãe dele faleceu, tendo ele apenas dois anos de idade, foi em Custódia que Sebastião foi residir, acolhido pelo casal Joaquim Pereira e Corina Pereira, ambos eram comerciantes.



Conforme a hora do show se aproximava, mencionei que havia criado o Blog Custódia Terra Querida. Para minha grata surpresa, Maciel respondeu que já conhecia o espaço! Contou-me que, durante as pesquisas na internet para a escrita de um de seus livros, encontrou em meu site a fotografia de uma lendária figura folclórica da região: Pedro Maraváia. Maciel fez questão de destacar que usou a imagem em sua obra e que creditou devidamente o blog.

Nos despedimos e saí dali tomado por uma enorme felicidade. Além da profunda admiração que sempre tive pelo trabalho desse "caboclo sonhador", descobri naquela noite que partilhávamos afetos, memórias e amigos em comum.

Essa ligação entre Maciel e a memória de Maraváia não ficou guardada apenas nas páginas do livro. O poeta também imortalizou o personagem na canção O Boi do Pajeú.

Abaixo o texto escrito por Maciel Melo para seu livro, enviado para o Blog Custódia Terra Querida, por Antonio Marinho. Publicado no Facebook perfil de Gilberto Lopes.

𝗣𝗘𝗗𝗥𝗢 𝗠𝗔𝗥𝗔𝗩Á𝗜𝗔: 𝗔 𝗙𝗜𝗚𝗨𝗥𝗔 𝗙𝗢𝗟𝗖𝗟Ó𝗥𝗜𝗖𝗔 𝗤𝗨𝗘 𝗦𝗜𝗠𝗕𝗢𝗟𝗜𝗭𝗔 𝗔 “𝗟𝗢𝗨𝗖𝗨𝗥𝗔 𝗚𝗘𝗡𝗜𝗔𝗟” 𝗗𝗘 𝗜𝗚𝗨𝗔𝗥𝗔𝗖𝗬

Entre as histórias e personagens que fazem parte da cultura popular de Iguaracy-PE, destaca-se a figura folclórica de Pedro Maraváia, lembrado como um símbolo da chamada “Loucura Genial” do município. Com seu jeito único e irreverente, ele ganhou espaço na memória do povo e passou a fazer parte do imaginário cultural da cidade.

Na fotografia, aparece Pedro Lula de Melo, conhecido como Pedro Maravaia, ao lado de Dionete de Nilda (Dionete Belarmino dos Santos) e Sueli de João Gaguinho (Sueli Clemente da Silva). A imagem faz parte da memória popular e contribui para preservar a história de uma das figuras mais marcantes da cultura de Iguaracy.

A história de Maraváia ultrapassou as ruas de Iguaracy e foi registrada em obras culturais, sendo também lembrada em música de Maciel Melo, artista que valoriza em suas composições as raízes, personagens e tradições do Sertão do Pajeú.

“...Mais, que eu tou aqui no meio do mundo carregando umas cantigas, que eu tirei dum matulão de um doido chamado MARAVÁIA...”

Maciel Melo  

13 julho, 2026

MEMÓRIA | Um encontro inesquecível com Ariano Suassuna


Há alguns anos, tive a honra de conversar com Ariano Suassuna após sua Aula-Espetáculo.

Ao lado de Humberto Guerra, estivemos no Hotel Macambira para uma breve conversa sobre cultura, arte e a importância da preservação da nossa história.

Na ocasião, apresentei o trabalho desenvolvido pelo Blog Custódia Terra Querida, que desde 2007 registra fatos, personagens e acontecimentos marcantes da história de Custódia.

Generosamente, Ariano Suassuna aceitou gravar um depoimento exclusivo.

Em suas palavras, destacou a importância de preservar a memória do nosso povo e incentivou a juventude a valorizar a boa arte e a cultura brasileira.

Mais de uma década depois, esse registro continua atual e inspirador. Relembrar momentos como esse é reafirmar o compromisso de manter viva a história de Custódia para as atuais e futuras gerações.


  

Registro histórico publicado por Paulo Peterson – Blog Custódia Terra Querida.

🎥 Assista ao vídeo e confira esse importante depoimento histórico de
Ariano Suassuna.


Em síntese, Ariano Suassuna quis transmitir uma mensagem de valorização da memória, da identidade cultural e da responsabilidade das novas gerações.

O sentido principal do discurso é:

Preservar a história de uma cidade é preservar a identidade de seu povo. Ao registrar a história de Custódia, vocês estavam garantindo que os jovens conhecessem suas origens e não perdessem o vínculo com suas raízes.

Além disso, ele destacou que:

  • A juventude responde positivamente quando tem acesso à cultura de qualidade, contrariando a ideia de que os jovens não se interessam por manifestações culturais.

  • A cultura é um patrimônio essencial, não um entretenimento sem importância. Para Suassuna, ela é "a sede da alma e da honra de uma nação", pois define quem somos como povo.

  • Quem perde o contato com sua cultura perde parte de sua identidade, tornando-se mais vulnerável ao esquecimento de suas origens.

  • O trabalho de preservação histórica e cultural começa na base, nas cidades, escolas, grupos culturais e pessoas comprometidas com a comunidade.

  • É preciso confiar na juventude e no povo, porque, quando recebem oportunidades e referências culturais sólidas, eles correspondem.

Em uma única frase, o pensamento de Ariano Suassuna pode ser resumido assim:

"Preservar a história e a cultura de um povo é garantir que as futuras gerações conheçam suas raízes, fortaleçam sua identidade e construam um futuro sem esquecer quem são."

Esse discurso continua muito atual, especialmente para iniciativas de resgate da memória de Custódia, pois reforça que registrar o passado não é apenas recordar fatos antigos, mas construir identidade, cidadania e pertencimento para as próximas gerações.


26 junho, 2026

O Cristo da Paixão Ano III - Dia 30 e 31 de Março (2013)


Foto: PMC

Por Paulo Peterson 
    
Um dos eventos mais aguardados do ano foi realizado nos dias 30 e 31 de março, na Praça Padre Leão em Custódia. A peça O CRISTO DA PAIXÃO -  terceiro ano consecutivo - consagrou definitivamente o nome da cidade no roteiro turístico da Semana Santa do Estado.

A peça teatral que mais cresce no Sertão do Estado tem direção do ator custodiense Humberto Guerra. Desde a primeira edição em 2011 o elenco é formado por atores renomados da televisão brasileira. Foi assim com Thiago Mendonça e Rômulo Estrela para o papel principal. Para este ano, o convidado para interpretar Jesus Cristo foi Felipe Folgosi, ator com larga experiência em novelas e teatro. Sua mais recente participação em televisão foi no reality show A Fazenda da Record.

Completando o elenco, a atriz Helga Nemeczyk, como Maria, atualmente fazendo Zorra Total na Rede Globo. Pelo segundo ano consecutivo, Antonio Ysmael interpretou Caifás. Ivan Martins, primeiro diretor de teatro da carreira de Humberto Guerra interpretou Judas Iscariot, ano passado fez o papal de Anás. Completando o time de convidados, Babu Santana, constantemente visto na TV, Teatro e principalmente no cinema, interpretou Satanás.

Para que fosse realizada mais uma edição da peça teatral, o evento teve total apoio do Prefeito Luiz Carlos Gaudêncio e toda equipe da Prefeitura Municipal de Custódia, da Secretaria de Educação e de Cultura do Município. Além do apoio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE), da Fábrica de Doces Tambaú, Governo do Estado e da Associação Comunitária (Aliança). Blog Custódia foi parceiro se encarregando de divulgação nas redes sociais e blog da região.

 A produção geral da peça foi de Anderson Cordeiro, Antonio Pacheco e Plínio Fabrício (Cenografia). Produção Executiva de Alison Alcântara. Assistente de Direção Lenilza Pereira. Figurino de Graça Rodrigues. Serralheria e maquinaria Bigurrinha, Fabiano da Silva e Heleno das máquinas.

Os figurinos usados mais uma vez se destacaram pela riqueza de detalhes. A cenografia do artista local Plínio Fabrício, merece também destaque. Talento local. Som de perfeita qualidade, assim como os palcos e iluminação.

Para este ano foi adicionado mais cenas, enriquecendo ainda mais a trajetória de Jesus Cristo, desde Criação do Mundo, passando por seu Nascimento, Sermão da Montanha, Milagres realizados (Ressurreição de Lázaro, Ressurreição da filha de Jairo, exorcização e cura de Cegueira), Martírio, Crucificação, Ressurreição e finalmente Ascensão aos céus. Enforcamento de Judas sempre é um momento bem aguardado, merece destaque atuação de Ivan Martins.

O público total presente aos dois dias de espetáculos foi estimado em torno de 15 mil pessoas.

Durante toda semana o espetáculo foi bastante comentado. A chegada dos atores em pleno feriado da Sexta Feira Santa da Paixão tirou quaisquer resquícios de silêncio no centro da cidade, com os primeiros ensaios durante à tarde. Um bom público compareceu mesmo com o forte calor, acompanhando ensaios atentamente, muitos querendo registrar a passagem dos ídolos com uma fotografia.

Na primeira noite de apresentação (dia 30), mesmo com atraso, o público acompanhou atentamente cada cena apresentada. Ora atento, ora se emocionando, ou aplaudindo cada passagem do Messias. Mesmo com atores experientes, merece serem exaltados os atores locais, mostraram que a cada ano, estão mais seguro e experientes na arte de interpretar, fruto do trabalho incansável do diretor Humberto Guerra. Destaques para Wilton Silva, Salmo Silva, Denyse Deodato, Mateus Góis, Alison Alcântara, Val Felix, Edjunior Cassiano, Cicero Silva, Eranile Rezende, Vinicius Leitte, Elielma Maria, Hindenberg, João Vitor, Antonio Galdino entre outros.

A cena inicial com Helga Nemeczyk segurando bebê cantando Noite Feliz mostrou outro talento pouco conhecido da atriz. Vozeirão digno de registro. Ganhando ainda ares mais emocionantes quando cantou ao vivo Ressuscita-me, sucesso da cantora gospel Aline Barros. Indescritível comentar a cena. Muitos aplausos. Felipe Folgosi foi crescendo a cada cena, ganhando confiança a cada ato interpretado. A impressão era de que estava nervoso. Os demais atores convidados, como Babu Santana, mesmo em pequena aparição, não deixou comprometeu, é um ator bastante versátil, facilmente realizaria qualquer outro papel. Antônio Ysmael mostrou a competência de sempre no palco. Falas sincronizadas, marcação de palco precisa. Mesma coisa para Ivan Martins, ambos com larga experiência de tablado. Participação de atores experientes auxilia no comprometimento e seguranças para os mais novatos.

Outras cenas bastante aplaudidas foram a Ressurreição de Lázaro com Helga cantando; os Milagres com a filha de Jairo e garota exorcizada; Via Crúcis pelas ruas da cidade e por fim Ressurreição e Ascensão aos céus de Jesus Cristo.

Segunda noite prosseguiu sem atrasos, com os atores mais relaxados, produção e figurantes mais ágeis, a peça fluiu sem nenhum problema de ordem técnica. Com a transição de cenários sendo mais rápidas do que a noite anterior. Presença do público mais uma vez foi boa, demonstrando muito carinho pelo espetáculo. Presença de pessoas da zona rural e cidades vizinhas. 

Pontos positivos para organização, área reservada para imprensa, cadeirantes, idosos, crianças e alunos surdos, com acompanhamento de Camila Góis (professora de Libras). Apesar da boa ideia, será necessário em próximos eventos, mais seguranças, para viabilizar um melhor acompanhamento das pessoas sem acessibilidade.

Aguardemos agora a edição de número IV em 2014. Parabéns ao Humberto por mais uma realização cultural em Custódia, e à todos envolvidos direta ou indiretamente com o espetáculo.

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[O Cristo da Paixão Ano III (2013)] Entrevista com o ator Felipe Folgosi

Entrevista realizada por Paulo Peterson,
no Hotel Macambira, em Custódia, 
após primeira noite de apresentação.



Blog Custódia - Como foi ontem a primeira noite da peça? Acompanhei os ensaios no dia anterior e percebi você um pouco apreensivo. 

Felipe Folgosi - Uma peça se ensaia em média um mês. Um mês e meio. Pelo menos isso. Ontem apenas passamos a peça. Foi meio que direto. Acho que conseguimos, chegamos ao o fim(risos). Apresentamos. Houve umas falhas, mas conseguimos realizar. Isso é normal. Hoje vai ser melhor. Na verdade o importante é que hoje logo cedo no café encontrei pessoas daqui da cidade dizendo que havia gostado. É aquela coisa, a primeira noite sempre é mais difícil, muita gente para ensaiar, vários palcos, não teve ensaio base. Eu estava até um pouco preocupado mesmo antes do inicio. Temos essa responsabilidade, de fazer a coisa bacana. Bem feita. Mas eu fiquei feliz, porque saiu o espetáculo, houve algumas falhas, mas a gente espera corrigir hoje no segundo dia. No geral foi muito bom, todos gostaram, isso é o mais importante. Espero que hoje possa fazer uma apresentação melhor ainda.

BC - Como surgiu convite para o espetáculo.

Felipe - Olha na verdade, o Humberto entrou em contato comigo através de uma rede social, essa coisa usual da sociedade pós-moderna de hoje em dia, da coletividade, é muito bom, não é a primeira vez que aparece trabalho para mim através da internet. Foi dessa forma.

BC - Em entrevista à Rádio Custódia FM, você comentou que já tinha estado em Pernambuco com outras peças de teatro? Com a Paixão de Cristo foi a primeira vez?

Felipe - Não, já fiz umas quatro peças quando vim pra cá, entre Recife, Caruaru e Garanhuns. Já gravei uma novela da Record aqui, em Serrambi-PE(litoral Sul do Estado). É muito lindo lá. Eu gosto daqui e de Pernambuco em geral.

BC - Dentre as cenas realizadas na peça como Jesus Cristo, qual foi a mais emocionante?
Felipe - Várias cenas. Além da cena da encenação como a Via Crucis, onde ela visualmente emociona, tem cenas para mim, que o texto mesmo das mensagens de Jesus emociona. A Santa Ceia. O Sermão da Montanha. A cena da tentação com Babu Santana(interpretou Satanás). São textos que eu falo que são palavras eternizadas por Jesus, é muito legal você falar como ator esses textos. São textos que tem um peso.

BC - O que achou da produção do evento e dos atores locais?

Felipe - Eu acho assim, a cidade inteira fez um esforço muito grande para tornar o espetáculo real. Você vê que é uma coisa da comunidade. Todo mundo envolvido. Costureira, Cenógrafo e Carpinteiro. Gente que nunca fez esse tipo de trabalho colaborando com criação de cenários e de outras coisas. É um esforço da comunidade. Isso eu acho muito bacana. É muito difícil você usar um ator que não é profissional, todo mundo que tava lá, estava super disponível, temos uma certa disciplina que aprendemos na carreira de ator ao longo dos anos, poucos foram ao Recife, nunca participaram de um grupo de teatro. São pessoas voluntárias, eles não têm um compromisso tão grande assim. Mas quem tava ontem lá, resistiu ficar no feriado para participar da peça, realmente fez com afinco, com disposição. 

BC - Você já tinha ido para outros interiores pelo país.

Felipe - Sim. Fui em outros Estados, como Roraima e Acre. Aqui em Pernambuco eu nunca tinha ido tão distante. O pernambucano já é muito conhecido pela simpatia, o nordestino em geral, mas o pernambucano  é um povo muito simpático, muito acolhedor. Peço inclusive desculpas para as pessoas ontem que quiseram tirar fotos comigo durante o espetáculo, não pude atender, pois tava em cena e na correria (risos), se eu tirasse foto nesse momento não chegava a tempo no palco. Fora isso, um carinho enorme das pessoas, procurei atender o melhor possível, é bom a gente ter esse contato assim com o público. 

BC - Em 2013 você tem muitos trabalhos a realizar?.

Felipe - Estou fazendo um filme que se chama Aprendiz de Samurai, quando eu retornar vou continuar a gravar. Tem um projeto para um programa na TV a Cabo para o segundo semestre.

BC - Você ta escrevendo algo para cinema no momento?

Felipe - Sim. Tenho dois longa metragem à caminho escritos por mim, e tem um texto que venci um concurso anual de dramaturgia do Ministério da Cultura, que quero ver se eu monto ainda esse ano. 

BC - Deixe uma mensagem para seus fãs em Custódia e para todos os leitores do Blog Custódia Terra Querida.

Felipe - Agradecer a todos as pessoas de Custódia e da região, pela acolhida, espero que todos tenham gostado da minha atuação, tenho certeza que todo mundo tava procurando fazer o melhor de si, que possamos se reencontrar outras vezes e quem sabe eu voltei à Custódia com o espetáculo ou com outra peça em uma outra oportunidade. Obrigado.


 

07 junho, 2026

Exposição Luar do Sertão 10 anos (2012)



Por Paulo Peterson
Apoio: Raquel Santos

Foi aberta ontem (dia 17) às 17h, a exposição “Luar do Sertão: 10 Anos”, no Centro de Referência de Comunicação Social (CRCS). O local da exposição, tem sido sempre usado para divulgar a cultura local. O Centro faz parte do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional – PISF, situado na Rua Major Experidião de Sá, nº 91, ao lado da Escola General Joaquim Inácio.



Logo na entrada, o visitante se encanta com a decoração do espaço, com vários manequins com roupas usadas pelos dançarinos.  A história do Luar do Sertão é apresentada com imagens de ex-integrantes, fotografia da fundadora do grupo, a senhora Terezinha Queiroz, e todos os acessórios usados em suas apresentações de ritmos nordestinos: maracatu, coco caboclinho, forró, samba, ciranda de roda, xote, frevo, dentre outros... Um acervo de grande riqueza cultural. 



A abertura da Exposição foi feita pelo novo coordenador do CRCS Carlos Danger e a curadoria(profissional capacitado responsável pela concepção, montagem e supervisão da exposição) foi feita por Raquel Santos e Pablo Murilo. O cenário escolhido apresenta a diversidade cultural, cada objeto exposto aborda os vários elementos das manifestações do nosso povo. As  integrantes do grupo receberam cada visitante com bastante simpatia e alegria pela data comemorada. Várias personalidades participaram do lançamento, como Célia Costa (participou do grupo em seu começo), Zita Queiroz, o secretário de Agricultura Cicinho, o artista plástico local Jorge Remígio, Rosa Pereira, Humberto Guerra e Kátia Siqueira representando a Casa das Juventudes de Custódia, Diretores e funcionários do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional – PISF entre outros presentes.

Coordenadora do grupo Luar do Sertão Ubira em emocionante discurso
Curadora Raquel Santos apresentando o curta metragem documental "Luar do Sertão" 
Exibição do curta 
Grupo Luar do Sertão com Paulo Peterson e Jorge Remígio 
ao final da abertura da exposição

PROGRAMAÇÃO DA EXPOSIÇÃO

DIA 19/05 (SÁBADO) 
10h – Homenagem às antigas integrantes 
10h30 - Apresentação da dança do Leque 
11h – Apresentação dança Coco de Roda 
11h30 – Exibição do filme “Luar do Sertão” 

DIA 23/05 (QUARTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação dança Xote 

DIA 24/05 (QUINTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação das danças Ciranda e Forró 

DIA 26/05 (SÁBADO) 
11h – Exibição do filme “Luar do Sertão” 

DIA 31/05 (QUINTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação dança Frevo 

DIA 01/06 (SEXTA-FEIRA) 
17h30 – Apresentação dança Samba 

DIA 02/06 (SÁBADO)
10h – Apresentação da nova dança do grupo: xaxado 
11h – Exibição do filme “Luar do Sertão” 

09 maio, 2025

Sabarzinho, um bar que marcou a geração dos anos 70's


Praça Padre Leão
Sabarzinho/1980


O Sabarzinho foi um dos bares mais cultuados em Custódia pela geração Pós 1964, situava-se em cima da Praça Padre Leão, onde até pouco tempo, havia uma fonte luminosa.

Surgiu como um empreendimento do meu pai, 
Dr. Pedro Pereira Sobrinho.

Era um ambiente sadio, 
as famílias iam completas, as moças frequentavam sem problema, os pais assim permitiam, diferente de outros bares, que em seu interior havia jogos. 

Muitos jovens fizeram suas primeiras farras nele. Muito namoro começou no bar, com sua radiola e com embalos da discoteca.

Foi à primeira construção em laje pré-moldado em Custódia, pioneiro em muita coisa para a época. 



Inauguração do Sabarzinho

Primeiro plano:
Dr. Pedro Pereira, Anfilófio Feitosa, Adauto Pereira, João Miro da Silva e o padre Luiz Klur

Por trás:
Maria Lenilda, Maria Lenira, Jussara Burgos e Zezinho de Diva


Um dos primeiros administradores foi Zezinho de Diva, com ajuda do meu tio Genildo Pereira. Também foi administrado por um bom tempo por Ogival Gorgonho da Nóbrega. Um dos garçons mais famosos que o local já teve, foi Camarão, mais conhecido por Macaquinho (hoje funcionário da Funasa). Um dos últimos administradores foi João Amaral. 

A época de ouro do sabarzinho foi em 1975, tempo em que estava sendo construindo o asfalto na cidade pela Construtora Queiroz Galvão.

Os clientes mais assíduos do local eram: João Fernandes, Antônio Medeiros “Totonho”, Dr. José Agapto Moura, Fernando, Silvio Carneiro e Osmar Simões. 

Com a chegada dos bancos, apareceram novos bares mais modernos como do senhor Chiquinho Amaral e o Casarão, com isso, o Sabarzinho foi perdendo espaço.

O curioso é que nunca teve cozinha em seu interior, coisa que os outros bares tinham. 

Por Paulo Peterson

04 maio, 2025

Poeta Pedro Henrique Alves


 
Pedro Henrique Alves, filho de Henrique Francisco Alves e Maria Silvina da Conceição, nasceu no dia 10 de abril de 1946, no sítio Sabá em Custódia. Estudou apenas até a 4ª série do 1º Grau (hoje 4ª série do Ensino Fundamental). Trabalhou como Agricultor e Vigilante do Banco do Brasil, hoje é aposentado.

Em 2011, lançou no Auditório da Secretária de Educação de Custódia, seu livro: Sertão Versos & Poesia, onde aborda vários temas do passado e do cotidiano, relatando assim a verdadeira poesia do povo sertanejo, realizando assim seu grande sonho que era de colocar seus versos e poesias, que antigamente eram escritos e mostrados em pedacinhos de papel. 


Canal Musicalizando (Marcelo Moura)



Canal Mano Amigo (José Luis)



Reporter Matuto do Sertão

27 março, 2025

Paulo Peterson comenta "A Baraúna" de José Carneiro, lançado de 2015



Em 2015, recebi um exemplar do então


recém lançado livro de prosa e versos, "A Baraúna", de autoria do conterrâneo José Carneiros de Farias Souza (in memorian). 

Em "A Baraúna", você encontra um excelente resgate do contexto histórico cultural da cidade de Custódia, bem como da comunidade custodiense. Rico em informações sobre o anos 30/40. Citações de diversos moradores, em sua boa parte, amigos particulares. A obra está dividida em quatro partes, conta ainda com Sonetos, Poesias, Canções, Hinos, Motes e Glosas, finalizando com sextilhas.

Dr. José Carneiro, foi um dos inúmeros colaboradores do Blog Custódia Terra Querida, seus textos estão disponíveis na coluna Traços e Retraços. 

Seus 84 anos de idade, se confunde com a história de Custódia com seus 86 anos de Emancipação Política. Seus textos são verdadeiras relíquias, com informações preciosas de uma longínqua época, descritas de forma apaixonada pelo autor. Afirmava que este trabalho era o seu canto do cisne. Que é a síntese do melhor de tudo de bom do seu pensamento. Da Fé de seu espirito e a paz do seu coração. Não tenho dúvidas.

Por fim, fiquei muito feliz pelas várias citações a minha pessoa nesta obra, e pelo reconhecimento ao meu trabalho com o Blog Custódia Terra Querida. A satisfação de um trabalho, é isso, o reconhecimento, e disso, serei eternamente grato ao Dr. José Carneiro, pois foi graças a colaboradores do seu quilate, que o Blog Custódia Terra Querida, tem hoje um acervo que tem em suas páginas.


Paulo Joaquim Peterson Pereira.

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12 setembro, 2023

Paulo Peterson participa de bate papo com alunos do EEDC em Custódia


A convite da Coordenadora Pedagógica, Makxaely Martins, do EEDC - Espaço Educacional Descobrir e Criar, participei de um bate papo com alunos do primeiro ao quinto ano no dia de hoje, ainda dentro das comemorações aos 95 anos de Emancipação Política de Custódia.

Durante noventa minutos, apresentei um pouco do conhecimento adquirido ao longo dos 16 anos do Blog Custódia Terra Querida, onde com colaboração de diversas pessoas, estamos registrando em um site, um trabalho de resgate e de preservação da história da cidade, com diversos conteúdos publicados e de alcance para todos.

 


Os alunos sob orientação de suas professoras fizeram perguntas, que além de respondidas, pude mostrar diversas fotografias, ajudando ainda mais, em levar uma informação completa a cada um.

Esse momento realizado hoje, deixa claro que, abordar a cultura tanto na educação infantil quanto na rotina com a família, é essencial para estimular o desenvolvimento integral das crianças, formando os pequenos para serem protagonistas de suas próprias histórias e agentes de mudanças no futuro.

 


Meu agradecimento as professoras: Paizinha, Rita, Simone, Andressa, Leica, Iamara, Pollyanna, Vanessa e Mônica e a todos os alunos que proporcionaram este momento na comunidade escolar.



Foi muito gratificante o momento de hoje, constatei nos olhos de cada um durante nossa conversa, a felicidade de cada, o abraço recebido e o carinho de todos.

Obrigado EEDC - Espaço Educacional Descobrir e Criar.

Paulo Peterson
Custódia-PE
12/09/20023