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19 setembro, 2026

A alegria das Festas - Sevy Oliveira



No texto "A alegria das festas", integrante da obra Caminhos do Afeto (2004), Sevy Oliveira resgata com nostalgia e delicadeza as memórias do calendário cultural, social e religioso que marcava a vida da população de Custódia durante a sua infância. As celebrações eram impulsionadas pelo envolvimento da própria comunidade, que mantinha vivas as tradições e costumes trazidos pelos seus antepassados.   

O ano festivo iniciava-se com o fascínio do Ciclo Natalino, que estendia as suas comemorações até o Dia de Reis (06 de Janeiro). Nesse período, a cidade transformava-se com barracas de doces, parques de diversões, leilões dirigidos por Floriano Pinto para erguer a Casa Paroquial e os bailes com a “jazz” de Serra Talhada. 

A devoção expressava-se no presépio ornamentado por Tia Dona e na realização do pastoril no pátio da igreja, organizado pelo Padre Duarte e liderado por Darcira Florêncio e Neuman Florêncio nos cordões azul e encarnado. Nele, destacavam-se figuras como a Diana (Maria do Carmo Braga), a borboleta (Joany Pereira), a cigana (Zélia Sá) e o divertido Velho Félix.

Enquanto as crianças pediam "as festas" com cestas confeccionadas por Dona Luisa Pinto, a solenidade atingia o ápice na Missa do Galo. A celebração encerrava-se com a tradicional queima da lapinha ao lado da igreja, onde os fiéis atiravam à fogueira os seus pedidos, e com o Reisado, cujos duelos de espadas e trajes vistosos preenchiam a Rua do Rio (atual Rua Tenente Moura).   

A rotina escolar era em seguida interrompida pelo Período Carnavalesco, anunciado logo cedo pela voz do preto Alaíde. Iniciado no sábado de "Zé Pereira" — personificado por Isaías Queiroz e Floriano Pinto —, o evento trazia um cortejo de papangus, a animação do "entrudo" com banhos coletivos e o arremesso das "laranjinhas" de parafina recheadas com água de cheiro, preparadas por Tia Alexandrina. Os blocos de Cari e de Seu Amaro Gomes animavam as tardes, enquanto as noites ganhavam sofisticação nos bailes à fantasia do Bar Phoenix, de Tio Né.   

Em março, as atenções voltavam-se para a Festa de São José, padroeiro do município, com especial expectativa para o dia 19 de Março, tido como prenúncio de boas chuvas. Com novenários, tiros de bacamarteiros, retretas da banda de pífano de Zé Biá na Pracinha Ernesto de Queiroz e teatrinhos de mamulengo, o festejo reunia moradores e custodienses ausentes. O encerramento dava-se com um elegante baile no Bar Phoenix e a procissão solene pelas ruas da cidade.   

Com o fim da Quaresma, a Semana Santa cobria a cidade de solenidade, do Domingo de Ramos à Páscoa. O Padre Duarte conduzia o lava-pés na Quinta-Feira Santa e a prédica da procissão do Senhor Morto na Sexta-Feira, momento abrilhantado pelos cânticos de Zé Florêncio. Pela manhã, a população fazia a peregrinação ao Cruzeiro — aproveitando para quebrar o jejum nos umbuzeiros e na fábrica de doce japonês de Joaquim Pinto —, reservando o Sábado de Aleluia para a divertida caça e execução dos bonecos de Judas no Centro.   

O Mês de Maio trazia o encanto do Exercício Mariano. Diariamente, meninas vestidas de branco ofertavam flores no altar, ao som das orações conduzidas por Dona Maria Queiroz e dos cânticos de um grupo de jovens formado por Neuza, Dulcília, Genedite, Maria Emília, Zé Florêncio, Maria Cordeiro Rezende, Nita Freire, Anália Febrônio, Luzia Aleixo e Elizabete Mafra. Tia Dona encarregava-se de vestir as crianças que representavam os anjos, e o mês encerrava-se festivamente com a coroação de Nossa Senhora.   

Durante as férias de junho, as Festas Juninas iluminação as ruas com fogueiras, fogos e fartura de comidas típicas. As pessoas escolhiam padrinhos em volta do fogo sob a bênção de São João e São Pedro, dançavam a quadrilha matuta comandada por João Veríssimo no Bar Phoenix e participavam do tradicional coco de roda na Rua do Rio, onde a graciosidade de Dona Felizarda, aos setenta anos, encantava os presentes.   

Por fim, o Calendário Escolar marcava o segundo semestre com desfiles cívicos nas datas comemorativas do 7 de Setembro e do 11 de Setembro (aniversário de Emancipação Política de Custódia). Alunos do Grupo Escolar General Joaquim Inácio desfilavam fardados até a Prefeitura para cantar hinos, ouvir o prefeito e declamar poesias. Periodicamente, a cidade transformava-se também com a realização das Missões religiosas, marcadas pelos cânticos de Frei Fernando Rossi e pelas pregações veementes de Frei Damião Bozzano, que atraíam multidões em procissão pelas ruas.   

Adaptação ao texto do livro CAMINHOS DO AFETO, lançado em 2004, pela Editora Bagaço.

31 agosto, 2026

Samambaia "As emoções de uma jovem professora" - Sevy Oliveira


Vista parcial do povoado de Samambaia durante 
Procissão de São Sebastião, padroeiro local.


Sevy Oliveira
Livro "Caminhos do Afeto" lançado em 2004
Editora Bagaço


Sem previsão de concurso para o preenchimento de vagas no Magistério, as nomeações eram geralmente intermediadas junto ao Governo do Estado.

Não tendo ainda 18 anos completos, fui designada, interinamente, para substituir uma professora licenciada por tempo indeterminado, na Vila de Betânia, a 72 km de Custódia — uma articulação do deputado Metódio Godoy, amigo particular do meu pai.

Era uma vila que esboçava um perfil urbano autossuficiente, com casas comerciais, feira livre, energia elétrica, transporte, diversões e a Capela de Santo Antônio, tendo um representante na Assembleia Legislativa do Estado, Capitão Olímpio Ferraz.

A casa onde me instalei era grande, mas eu contava com a companhia carinhosa de minha irmã Maria e da aluna Julieta, que, frágil e delicada, me fez acolhê-la enquanto permaneci nessa vila. A minha classe funcionava na sala da minha residência, com alunos da 3ª série, variando a idade entre 14 e 16 anos. Não era adotado ainda o critério de turmas por faixa etária.

Apesar de contar com a receptividade e o apoio das professoras do Estado, Zilda Feitosa e Maria do Carmo Moreira, o número de alunos não ultrapassou o total de 13, durante todo o segundo semestre, sendo isto o fator determinante da transferência da cadeira para outra localidade do Município.

De volta das férias de fim de ano, assumi a cadeira no povoado de Samambaia, a 37 km da sede, sempre na companhia de Maria.

A escola tinha prédio próprio, com um salão em cimento, quintal grande para o recreio e dependências para a moradia da professora.

Por se tratar de uma escola isolada, a classe era multisseriada, abrangendo da alfabetização até a 4ª série. O mobiliário da professora era limitado a uma mesa, um banco e um quadro de giz num cavalete, e o das crianças, os pais proviam com mesas e bancos.

O material escolar disponível era o livro de texto e o caderno dos alunos.

A escola recebia para merenda o leite em pó, fornecido pela Secretaria de Educação do Estado. Não tendo receptividade pela maior parte dos alunos, o leite dissolvido era distribuído por Maria com pessoas carentes da comunidade, evitando o seu desperdício.

Semanalmente, o caminhão do Sr. Cecílio Ferreira, único meio de transporte motorizado, levava os moradores e suas mercadorias para a feira livre em Custódia, oportunidade em que eu recebia os mantimentos da semana, enviados por meus pais.

Percebia-se que o progresso por ali passara, deixando as suas marcas na construção das casas de moradia, do açougue, do armazém, do salão de festas, da mercearia, da vila dos operários e do cemitério. Tudo isso impulsionado pelo funcionamento da fábrica, que exportava a fibra do caroá, em grande escala, para o Município de Caruaru.

O fato de o caroá ser extraído desordenadamente, sem uma política voltada para preservar a espécie, levou quase à extinção essa planta nativa do Sertão. Em consequência e com a escassez da matéria-prima, houve a desativação da fábrica e o êxodo dos moradores.

Em Samambaia, a fuga para a sobrevivência era endereçada para a construção do açude Poço da Cruz, em Ibimirim, para a hidroelétrica de Paulo Afonso, na Bahia, ou para a cidade de São Paulo.

Nas ruelas, a maioria das casas estavam fechadas. Havia apenas doze casas com moradores: a de Josefa Simões, a de dona Bela, a mercearia dos irmãos Ferreira, a da escola, a casa de pousada de José Cirzino e Maria Pereira, a de Dezinho e Margarida Rezende, a de Abílio e Rosa Ferreira, a de Neco e Anísia Pereira, a de Nomeriano de Freitas, empresário da fábrica de caroá, a de Júlio e Tereza Simões, a de Cecílio e Alice Simões, a de Lídia Ferreira e a de Dona Mãezinha, além de casas isoladas próximas.

À noite, frestas de luz de candeeiros, refletidas dessas casas com portas abertas, emprestavam àquelas ruas um ar nostálgico. Era como se refletissem e testemunhassem a fragilidade das casas vazias, por não conseguirem deter seus moradores, que, fechando as suas portas, abandonavam o seu aconchego.

Recém-formada, sentia-me insegura para executar o papel de professora e para lidar com essa realidade. Talvez a comunidade não tenha percebido esses meus conflitos e a dificuldade de adaptação às noites sem luz e às ruas vazias. Muitas vezes pensei em renunciar.

Esses anseios iam perdendo a sua intensidade em face da perseverança e, por que não dizer, da bravura daquelas crianças, que enfrentavam o caminho da escola sob o sol forte ou sob as chuvas e, muitos deles, a pé e só com o café da manhã.

Conscientizando-me dessas dificuldades, não deveria mais me acomodar nem fazer do ensino uma simples rotina.

As minhas emoções deveriam ser agora direcionadas para uma vivência nova, que iria exigir muita abnegação e criatividade.

Sugeri ao delegado de ensino local, Cecílio Ferreira, solicitar à Prefeitura de Custódia uma professora para a classe de alfabetização. Foi designada Alzira Simões, que, no início de cada ano letivo, entregava-me as crianças alfabetizadas.

As tardes eram reservadas para avaliar as tarefas de classe e planejar as atividades da próxima aula, confeccionando material didático e redigindo os exercícios de classe e de casa de cada aluno das primeiras séries.

A Secretaria de Educação solicitava o resumo quinzenal dessas atividades, por série, e, mensalmente, um exemplar da prova com o seu gabarito, a relação das notas e as provas de maior e de menor resultado. Lamentavelmente, não recebia o retorno com a avaliação dessas informações.

A visita semestral de Maurina Rodrigues, inspetora escolar, era realizada na sede de Custódia. Nas reuniões, abordava assuntos gerais e anotava as atividades e dificuldades das escolas isoladas dos povoados.

Enviava também para a Diocese de Pesqueira exemplares das provas de Religião e o relato das atividades em classe e na igreja.

Pela exiguidade do tempo — oito da manhã ao meio dia — na sala de aula, para atender aos diferentes níveis de escolaridade, tornavam-se imprescindíveis atividades extra-classe de cunho social, artístico, religioso e de lazer.

Quando ia a Custódia nos fins de semana, fazia passeios, participava de festas e me divertia, sempre na companhia agradável das amigas, em especial Leny, Neide Campos e Angélica Rodrigues. Nas férias, comprava jogos educativos e livros de histórias, que ficavam disponíveis para as crianças na escola, no horário da tarde. Muitas vezes, jogava com elas.

Além das datas comemorativas do calendário escolar, as crianças participavam das festas tradicionais e religiosas locais.

Na data da independência, pela manhã, os alunos, orientados por Cabo Menezes, da Polícia Militar, ali em destaque, desfilavam pelas ruas, organizados em pelotões com uma ala de frente. Encerravam o desfile com manobras diante da escola, entoando hinos cívicos e, após o hasteamento da Bandeira, pelo Delegado de Ensino, recitavam poesias.

A tarde desportiva constava de jogos e brincadeiras por classe, e era prestigiada com a presença e a torcida da comunidade, inclusive dos que vinham das fazendas e sítios vizinhos.

Partindo das observações do relacionamento entre os alunos na sala de aula, no recreio, com as plantas e com os animais, organizava passeios no campo. Essas atividades eram direcionadas para desenvolver atitudes de respeito pela natureza e espírito de competitividade e de solidariedade nos jogos e nas brincadeiras.

As atividades da igreja eram também da coordenação da professora, com terço diário, catecismo à tarde, nos domingos, novenário do Coração de Jesus, semana santa, assistência ao pároco de Custódia na celebração das missas, festa de São Sebastião, padroeiro local, e os exercícios do mês de maio.

O conjunto das vozes de Socorro e Margarida Rezende, Neginha, Lia Simões, Zequinha e da aluna Geni Pereira formava um coro harmonioso que recebia elogios do pároco e dos visitantes.

No mês de maio, toda a comunidade participava dos exercícios marianos, lotando a Capela.

O altar era ornamentado com folhas, galhos e flores silvestres, lamparinas, velas e, por concessão dos irmãos Ferreira, tecidos da sua loja.

Além dos cânticos e orações, alguns noiteiros inovavam com outras atividades. Na noite dos moradores de Caiçara, um arruado próximo de Samambaia, eles traziam a banda de pífanos e prestavam a sua homenagem com um interessante ritual ao redor do altar. Na noite dos jovens, no último domingo de maio, diante da igreja, armavam uma grande fogueira, colocavam mesas com comidas típicas de milho, soltavam fogos de artifício e culminavam com um animado forró no salão de festas.

O último dia era reservado à escola. As crianças ofertavam flores, coroavam no altar a imagem de Nossa Senhora e levavam-na em procissão até a calçada, onde cantavam hinos em coro e representavam, em jogral, cenas alusivas à Nossa Senhora, encerrando o mês Samambaia recebeu a visita de Dom Adelmo Cavalcanti Machado, bispo diocesano de Pesqueira, com uma calorosa recepção. Entre missas, confissões, batismos e crismas, amadrinhei alunos e testemunhei casamentos: um saldo religioso positivo nessa semana litúrgica. Dom Adelmo considerou significativa a minha atuação catequética, afirmando o reconhecimento do meu trabalho, pela Diocese.

A Capela precisava de reparos. Com os alunos, os jovens locais e as meninas Nilda Campos, Maria do Carmo Tenório e as minhas irmãs Ezilda e Darcy, vindas de Custódia, organizava "show" com o objetivo de angariar recursos e de tornar as noites mais movimentadas.

Era gratificante observar a desenvoltura e a espontaneidade de todos no palco, diante da platéia, interpretando com graça a revista da cidade, os monólogos, os diálogos e os dramas, peças teatrais de histórias emocionantes, que eu elaborava.

Com alegria, constatava que a arte de representar e de cantar só dependia de oportunidade.

O "show" foi levado aos povoados vizinhos de Maravilha e de Caiçara, contando com o transporte do compadre Cecílio Ferreira e a carinhosa receptividade dos seus moradores.

Na festa do padroeiro São Sebastião, em 20 de janeiro, mesmo estando de férias, era solicitada pelo Monsenhor Urbano de Carvalho, pároco de Custódia. A primeira noite do novenário era, por tradição, da família do Sr. Manoel Olímpio de Rezende, que, durante muitos anos, fora o coordenador da Capela.

Estando doente, levamos as imagens de São Sebastião e de Nossa Senhora das Dores em procissão até a sua casa. Um quadro de grande emoção: ver a expressão de alegria e de fé daquele homem enfermo, agradecendo, com humildade, a presença dos santos da sua devoção e lhes pedindo para ser o seu advogado diante de Deus.

Muitos samambaienses voltavam ao povoado para prestigiar a festa do seu padroeiro. Havia muita alegria nos rituais da igreja, nas barracas, nos leilões de prendas e nos bailes. Com a entrega da bandeira ao novo patrono da festa, encerrava-se o novenário.

Nos fins de semana, fazia passeios em fazendas vizinhas ou ia com a professora Alzira para Caiçara, onde morava a sua mãe, Chiquinha Simões — uma casa alegre, mesa farta e uma família de muitas moças e rapazes. Aproveitava para visitar os meus parentes da família Rodrigues — Joaquim, Dona Milu, Antônia, Alonso, Elpídio e Benzinho de Melo, uma das lideranças locais.

O luar das noites de Samambaia clareava as ruas, e na calçada de Dona Josefa Simões, cantávamos em seresta ao som do violão de Adauto Costa.

Nesse período que ali vivi, perdi pessoas muito queridas: o irmão Luiz Carlos, com 25 anos, casado com Lucila Angelim, em Salgueiro, a minha avó Dondon e, em Pesqueira, o Sr. Zé Guilherme.

Vivi também a forte emoção de ganhar os dois primeiros sobrinhos, Cícero Gomes de Oliveira Neto, filho de Dedé, e Maria Auxiliadora Angelim, filha de Luiz Carlos.

Marcaram minha lembrança Leu Rezende, sempre bem-humorado no atendimento à comunidade, com suas múltiplas habilidades profissionais, e o Sr. Nomeriano de Freitas, industrial e agropecuarista, que mantinha, com os seus ternos em cores claras, uma postura urbana de empresário. Também guardo na memória Sebastião Bernardo — o Boca, ajudante de caminhão que, nos dias de sábado e nas vindas extras a Samambaia, trazia-me pães, carnes e frutas frescas, mandados por minha mãe. Os compadres, os alunos e as afilhadas Luzia Pieta, Geni Pereira, Edite Sitônio, Cilene Simões, Áurea de Melo e Percy Ribeiro fazem parte dessas lembranças, que guardam também nítida a figura da aluna Didi Campos.

Como professora, era convocada para receber autoridades, presidir seção eleitoral, mesmo quando votei pela primeira vez, intervir em desentendimentos entre adultos, batizar crianças enfermas, cortar cabelo, preparar noivas e rezar em velórios.

Os meus medos de insetos, de fantasmas e de velórios foram gradativamente atenuados por não haver alternativas para evitar essas coisas.

Transferida, deixava em Samambaia as inseguranças, os anos e os sonhos da juventude. Ganhei afilhadas, fiz amigos e consegui, mesmo com limitações didáticas, extrapolar as paredes da escola, tornando a aprendizagem mais interativa com o social, com o religioso e com o lazer.

Essa experiência me legou uma bagagem pedagógica e de vida que me fez assumir sem dificuldades a direção do Grupo Escolar João Guilherme, em Tacaimbó, e passar, com destaque, no concurso de Supervisor Escolar de Professores Leigos, promovido pela Secretaria de Educação do Estado, em Recife.

03 junho, 2026

Bairros de Custódia em 1970


 

Circundada de fazendas e sítios, Custódia era dividida em: Centro, Várzea, Alto, Bomba e o Cruzeiro.

No Centro havia ruas paralelas, divididas em quarteirões. As casas tinham sua frente voltada para a Praça Padre Leão, e o muros para as ruas secundárias, com destaque para Igreja Matriz de São José. Ainda no centro, funcionava casas comerciais, escolas, feiras livres e locais de assistência médica, farmacêutica, jurídica e administrativa. Em noites de luar, a praça Padre Leão transformava-se em grande picadeiro para as cantigas de roda, jogos e correrias.

No oeste ficava a Várzea, num plano abaixo do nível da cidade, onde se passava os afluentes do Rio Moxotó. Existia um posto de saúde, uma escola municipal, uma fábrica de tanino (curtume), uma fábrica de caroá, o motor e o gerador da luz eletrica e um chafariz público para abastecer a cidade.

Para o leste, tínhamos o Alto, na parte mais elevada da cidade, onde a predominância era de casas residenciais. Existia o Grupo Escolar General Joaquim Inácio, o mercado público, o matadouro, a delegacia e a cadeia. Numa área mais reservada, ficava a zona meretrícia e ao lado o cemitério.

Outro local bastante movimentado da cidade, era a Bomba, onde havia o setor hoteleiro, casas de lanche, postos de gasolina e armazéns. Era a porta de entrada e saída da cidade.

Margeando a BR 232, a uns dois quilômetros, ficava o Cruzeiro, na parte mais alta de um morro, símbolo de religiosidade, para onde eram feitas romarias no período de Semana Santa. A caminha até o local, tinha em seu percurso carvoarias, olarias, fábrica de doce japonês, fazendas, sítios e casebres.

(*)Textos extraídos do livro Caminhos do Afeto de Sevy Oliveira.

27 junho, 2023

A euforia das travessuras (Sevy Oliveira)


Niralda Campos

Éramos meninas da mesma idade. Na busca do desconhecido, pensávamos ser livres como a natureza. Descalças, cabelos em desalinho, corríamos pelas ruas, estávamos em todos os recantos e nos acontecimentos locais. E a quebra dos limites impostos não era por rebeldia ou afronta às regras: apenas ignorávamos o porquê do proibido. Acompanhávamos as bandas de músicas nos dias de festa e os palhaços nas propagandas dos circos. Havia excesso nas brincadeiras do pega, do chicote queimado, nas cantigas de roda, nos jogos de competição, sendo inevitável as briguinhas com as colegas de classe.

A bica do telhado da igreja...que tentação! Lá, com os meninos de rua, molhávamos nossos corpos nos dias de chuva e nos banhos na correnteza dos riachos. As palmadas era constantes das mães preocupadas. Felizmente, por onde andávamos havia o carinho e os cuidados das comadres e amigas. Possivelmente, saciamos a curiosidade de nossas inquietações, encontramos as possíveis respostas e desenvolvemos habilidades.

Tornamo-nos alunas exemplares, criativas nas cantigas de roda e competitivas nos jogos escolares. Gostávamos de ler e dramatizar as estórias de príncipes e fadas sendo inesquecível a estória da Princesa Nagadinha, que tão bem contas, suscitando lágrimas nas crianças que te ouviam. Queríamos somente brincar e desafiar os perigos existentes, talvez de um modo diferente dos padrões de bem-comportadas.

O tempo passou, ficamos jovens e seguimos caminhos diferentes. Tua partida precoce do nosso convívio deixou uma lacuna na minha seleção de amizades. Quando volto a Custódia, a minha alma entristece por não mais sorrir com teu sorriso e nem poder relembrar nossas travessuras. Minhas orações reverenciam tua memória. Que a tua alegria descanse em paz.





Sevy Oliveira - Livro "Caminhos do Afeto". Página 49. Edições Bagaço

02 junho, 2023

Luizinho Tenório homenageia Sevy Oliveira


Sevy, que nesta data tão especial não só para você, mas para seus amigos e familiares, para seus ex-alunos, que tiveram a chance de ter uma vida melhor por terem tido a oportunidade de ter encontrado pelos caminhos da vida uma educadora na acepção mais plena que essa palavra possa ter; para todos os que te admiram, mesmo à distância como nós, teus primos do distante Mato Grosso do Sul; para todos os que foram tocados por sua arte, você possa olhar para trás e ter a convicção de que tudo valeu a pena, que olhe para o presente e receba os louros de uma vida devotada ao próximo e que olhe para o futuro e sinta a esperança renascer, pois a idade não precisa ser um fardo, uma sentença, para aqueles que têm consciência de seu valor e de seu papel neste mundo, como você, cada ano que passa é uma nova oportunidade de fazer de sua terra um lugar melhor para se viver.

Sem mais delongas, quero concluir com um poema de Mário Quintana que creio ser bem sugestivo para um momento. 

Um abraço, de seu primo Luizinho Tenório e de todos os seus familiares do estado do Pantanal.
 
Idade para ser feliz

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo, nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor. 

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa.

 

Luiz Tenório de Melo é sertanejo de Quitimbu, fiscal de rendas aposentado da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul. Foi por duas vezes secretário municipal de administração, prefeito de Cassilândia e duas vezes deputado estadual. Filho de Joaquim Tenório Sobrinho, vereador mais bem votado da história de Cassilândia, vice-prefeito e duas vezes prefeito.

19 setembro, 2022

A fonte do Sabá - Sevy de Oliveira


A Fonte do Sabá é um dos pontos turísticos mais bonitos e importantes do Munícipio de Custódia. O lugar atrai pela beleza natural de sua serra em rochedos, com inúmeras escritas rupestres. É coberta por uma vegetação bonita e diferenciada, destacando-se pela qualidade das suas águas minerais e pelo saudável banho de bica.

Da sua tradição, ouvi lendas e histórias.

Diz a lenda que, numa noite de inverno, uma tromba d’água soterrou, sob uma camada de granito, milhares de esmeraldas, rubis e outras pedras preciosas, arrobas de ouro e de prata, escravos e animais. Esse tesouro, dos Afonso, conta-se, estaria escondido nas profundezas das gargantas dessa Serra.

O escritor Luíz Wilson, no seu livro “Os Pereiras de Serra Talhada“, relata que a descoberta dessas águas minerais remonta ao segundo quarto do século XVIII, quando ainda se iniciava a colonização dos sertões nordestinos. Só em 1928, o químico Vicente Trevas, ao manusear o histórico “Livro da Torre do Tombo“, encontra registro dessas águas, encravadas em local de difícil acesso, nos limites do Vale do Pajeú – Moxotó, hoje, Município de Custódia. Prosseguem as pesquisas e análises, constando tratar-se de afloração hidromineral de excelentes qualidades terapêuticas, o que enseja licença para a comercialização da água dos Sabá.

Conta-se, ainda, que o técnico mirando-se nessas águas claras, lembrou-se da história da Rainha do Sabá, que conseguiu apaziguar os ânimos e aquecer a amizade com o Rei Salomão, deixando-os maravilhado com o presente de um cântaro de água pura e cristalina do seu reino.

Com essa lembrança, batizou, com alegria, a límpida água que mirava com o nome de Água da Fonte do Sabá, que os sucessivos proprietários, João Nunes Inácio Miranda, José Fernandes de Souza e o atual, Dr. Múcio Dourado, continuam a prestigiar.

Hoje, a Fonte do Sabá tem um movimento comercial que já extrapola os limites do Município. Contudo, ainda deixa a desejar a sua preservação, merecendo ações públicas voltadas para conservar esse recanto ecológico de beleza e águas cristalinas.

(*) Texto extraído do Livro CAMINHOS DO AFETO, de Sevy Gomes de Oliveira, lançado em 2004 no Recife, pela edições Bagaço.

Edições Bagaço
Rua dos Arcos, 150 – Poço da Panela
CEP: 52061-180 – Recife-PE
Tel: (81) 3441-0133 / 3441-0134

12 março, 2022

Recife - Autor Sevy Oliveira


CIDADE CRENTE E HISTÓRICA,
de igrejas centenárias
e de procissões tradicionais,
marcada pela bravura de raças
e tombada em praças e monumentos

CIDADE ECLÉTICA,
de ritmo, de cor e de fé,
de belezas naturais e arquitetônicas,
decantada em prosa e verso
por escritores, poetas e artistas.

CIDADE MUSICAL,
sonorizada pela vibração de tambores,
de sanfonas e de ritmos orquestrais,
embalando frevos, maracatus,
cirandas, capoeiras e forrós.

CIDADE TURISTICA,
de cantos e recantos a descobrir,
praias lindas, de águas mornas e sol claro,
um referencial pólo gastronômico,
artesanato criativo e gente solidária.

CIDADE METROPOLITANA,
expandida, invadida, acolhedora.
sertaneja migrante,
tornei-me cidadã recifense, adotiva,
por admiração e emoções aqui vividas.

SEVY OLIVEIRA:

Nascida no município de Custódia/PE, a escritora e educadora licenciada em Pedagogia com Especialização em Supervisão Educacional, pela UFPE, pós-graduada em planejamento e desenvolvimento de Recursos Humanos pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Foi homenageada por sua trajetória na edição de 2008 do livro - MULHERES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DE PERNAMBUCO, do escritor Carlos Cavalcante. Em 2004, edita seu primeiro livro autobiográfico - CAMINHOS DO AFETO com recursos próprios e concede a renda para a restauração da matriz de São José, em Custódia. No ano de 2008 em homenagem aos 80 anos de emancipação política de sua cidade natal, lança seu segundo livro - CUSTÓDIA RELICÁRIO DO SERTÃO - que conta a história da cidade desde sua fundação até os dias atuais. O livro hoje faz parte do acervo do Centro de estudos de História Municipal - CEHM de Pernambuco.

20 fevereiro, 2022

O Menino que cresceu - autor Sevy Oliveira


Lembranças 

Da minha infância – Guardo a imagem do menino Fernando, de olhos vivos, andar ligeiro, sorriso meigo, sobrecarregado de ternura, de carinho e dos cuidados da família Florêncio, do Sr. José Daniel e Dona Laura, nossos vizinhos. 

Com os amiguinhos da época, explora todos os cantos, recantos e encantos daquele Sertão - Custódia, a cidade que não se esquece. 

Da juventude – Re-encontro o menino na Cidade Maravilhosa, agora um jovem estudante e orador eloquente, cavalheiro e responsável pela segurança da família. 

Proporciona-me a emoção de rever, em Nova Iguaçu, os seus pais, a família do carismático Sr. Catonho e o primo Padre Assis, que me fez conhecer lindos pontos turísticos do Rio. 

Da maturidade – Um novo re-encontro com Fernando acontece, agora em Custódia e com sua esposa, Maria Apolônia, na comemoração festiva do aniversário da emancipação política do Município. 

A alegria contagiante com os amigos, agora senhores, e surge a feliz ideia de promover um encontro dos custodienses a cada dois anos, incluindo os que moram na cidade e os que hoje vivem em outros recantos do Brasil. 

Dos seus caminhos percorridos – O labirinto das direções tomadas pelo menino, dos caminhos por ele trilhados e das experiências vividas e carregadas de crenças, descrenças, lágrimas, frustrações e sucessos merece o registro vivo que ele faz neste livro. Mas em tantas outras razões repousa o nosso aplauso à dignidade do profissionalismo e da honradez do homem - O MENINO QUE CRESCEU. 

Severina Oliveira (Sevy) 

30 dezembro, 2021

Livro Caminhos do Afeto - Sevy de Oliveira




Em Caminhos do Afeto, a custodiense Sevy de Oliveira, narra de forma carinhosa a fase infanto-juvenil de sua vida em Custódia, do carinho por seus amigos, das festas e personagens da época, citados com todos os detalhes. Cita também sua passagem por Samambaia, onde foi designada interinamente para substituir uma professora por tempo indeterminado na Vila de Betânia. Leitura obrigatória para todos os custodienses.

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22 novembro, 2021

Sevy Gomes de Oliveira - Mulheres que mudaram a história de Pernambuco


Natural do Município de Custódia – Sertão do Moxotó, ali vivi uma infância de muito espaço, muitos folguedos, contato com a natureza e aconchego familiar. Conclui o curso primário aos 11 anos no Grupo Escolar General Joaquim Inácio. No Colégio Santa Dorotéia, em Pesqueira, as irmãs, abnegadas e competentes, souberam lidar com as inquietações e as fantasias de normalistas adolescentes, tornando-se cidadãs profissionais.

Volto à minha terra como profissional titular, e, aos 17 anos, fui designada para uma escola multisseriada em Samambaia – zona rural do Município. A inexperiência, as limitações do material didático, a falta de energia elétrica e transporte motorizado só nos finais de semana, num primeiro impulso, me fizeram pensar em renunciar.

O exemplo de bravura e a persistência das crianças vindas de sítios e de fazendas, a pé ou a cavalo, sob o sol forte ou sob chuvas, o seu afeto e carinho me sensibilizaram, e assumi a escola e as atividades da comunidade durante cinco anos.

Essa experiência, que me legou uma bagagem pedagógica e de vida, me fez administrar sem dificuldades o Grupo Escola João Guilherme, em Tacaimbó, no Agreste, e passar com destaque no Concurso de Supervisor Escolar de Professores Leigos, promovido pela Secretária de Educação, em Recife. Tal supervisão se desenvolveu dentro de um programa com excelentes resultados nas escolas municipais do Interior e da Região Metropolitana, que lamentavelmente foi suspenso com o afastamento do governador Miguel Arraes.


Lotada na Divisão de Contabilidade da Secretaria de Educação, participei do curso intensivo Orçamento e Administração Financeira, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. A programação de visitas e passeis da disciplina Relações Pública me fez comprovar ser o Rio de Janeiro a Cidade Maravilhosa, que não se repete, pela exuberância de sua natureza, pela construção do homem e pela sua vocação turística.

De volta a Recife, prestei vestibular para o Curso de Pedagogia, com especialização em Supervisão Escolar, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Professora atuei em turmas com perfis sociais, econômicas e emocionais diferentes: alunos da zona rural e do Recife – Nova Descoberta, Colégio Israelita (particular) e Juizado de Menores. Foram vivências que exigiram uma dinâmica pedagógica diferenciada para lidar com um universo de atendimento tão distinto, ainda que criança.

Como técnica em assuntos educacionais, o tempo maior de serviço público, foi voltado para o Ensino Supletivo. Coordenei a equipe de Educação e Promoção Profissional do Adulto – DEPPA, sob a direção do Professor Josias de Albuquerque.

Com o advento da Lei de Diretrizes e Bases n° 1.692, de 11 de agosto de 1972. O Ministério de Educação e Cultura- MEC, cria o Departamento de Ensino Supletivo – DSU Nacional e nos Estados.

Com a reforma da estrutura técnica e administrativa da Secretária de Educação e Cultura – SEC, em 1974, durante gestão de dois secretários – Coronel Costa Cavalcanti e Dr. José Jorge, assumi a Divisão de Ensino Supletivo – DSU.



Com essa função, participei dos encontros de diretores dos DSU´s, em Brasilia, congressos dos Secretários de Educação, em diferentes Estados, e reuniões técnicas com representantes de outros países, patrocinada pela OEA, OIT e Ministério do Governo Brasileiro. Em todos esses eventos, a pauta social incluía jantares, passeios e festas de congratulações que estreitavam círculo de relações pessoais e profissionais.

Com a pretensão de ampliar experiências, submeti-me ao concurso interno da SUDENE/MINTER. Selecionada, integrei a equipe da Divisão de Treinamento do Departamento de Recursos Humanos, assessorando as Secretarias do Trabalho nos Estados do Nordeste, com visitas mensais.

Para essa atuação, participei do curso de Pós-Graduação em Planejamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos, por meio de convênio celebrado entre a SUDENE e a Universidade Federal de Minas Gerais. Foi uma experiência de universidade aberta, com um curso a distância e em serviço, com avaliações prévias e posteriores para cada módulo de ensino, em Belo Horizonte, durante 18 meses.



Essas atividades de trabalho e de estudo foram entremeadas por viagens de férias em excursão a cidade brasileiras e passeios aos países da América do Sul e da Europa.

Revivi, com festas comemorativas, à altura das datas, as bodas de 50 e 60 anos dos meus pais, com a presença de quatro gerações, casamentos e conclusão de curso dos familiares.

Com a aposentadoria, voltam as imagens da “pátria da infância” – Custódia. Edito o primeiro livro autobiográfico, Caminhos do Afeto, com recursos próprios e lançamento em Brasília, Recife e Custódia, onde a renda foi revertida para a restauração da Matriz de São José, um belo templo construído pelo Padre Pedro Leão Verzeri, italiano, no ano de 1934.

Participei de reuniões do Centro de Estudo da História Municipal – CEHM, em Recife, organismo integrante da Agência CONDEPE/FIDEM, e centrada na afirmativa do poeta acadêmico Cyl Galindo de que “Um povo sem história é um povo se identidade… ”e de que o Brasil precisa coletar o registro histórico dos municípios e do seu povo”, decidi historiar o meu município.

O livro Custódia Relicário do Sertão tem a justificativa de homenagear os 80 anos de emancipação política do Município, divulgar de modo singular e específico a história e a força dessa gente sertaneja, despertar o senso de preservação nos jovens da sua própria história e propiciar o acervo particulares público de escolar, bibliotecas e instituições.

Do Sertão ao Litoral, passando pelo Agreste e pela Zona da Mata, vivenciei experiências com grupos diferenciados social e economicamente, cujo linguajar, costumes e anseios caracterizaram o regionalismo do meu Estado. Esses caminhos são minha história, onde fui me deixando e me construindo como individuo, como um ser coletivo e como profissional.

Texto extraído especialmente do livro “MULHERES que mudaram a história de Pernambuco” – IV Volume – Carlos Cavalcante.

19 julho, 2021

Custodiense Sevy Gomes - [Livro] Mulher que mudou a história de Pernambuco


Natural do Município de Custódia – Sertão do Moxotó, ali vivi uma infância de muito espaço, muitos folguedos, contato com a natureza e aconchego familiar. Conclui o curso primário aos 11 anos no Grupo Escolar General Joaquim Inácio. No Colégio Santa Dorotéia, em Pesqueira, as irmãs, abnegadas e competentes, souberam lidar com as inquietações e as fantasias de normalistas adolescentes, tornando-se cidadãs profissionais.

Volto à minha terra como profissional titular, e, aos 17 anos, fui designada para uma escola multisseriada em Samambaia – zona rural do Município. A inexperiência, as limitações do material didático, a falta de energia elétrica e transporte motorizado só nos finais de semana, num primeiro impulso, me fizeram pensar em renunciar.

O exemplo de bravura e a persistência das crianças vindas de sítios e de fazendas, a pé ou a cavalo, sob o sol forte ou sob chuvas, o seu afeto e carinho me sensibilizaram, e assumi a escola e as atividades da comunidade durante cinco anos.


Essa experiência, que me legou uma bagagem pedagógica e de vida, me fez administrar sem dificuldades o Grupo Escola João Guilherme, em Tacaimbó, no Agreste, e passar com destaque no Concurso de Supervisor Escolar de Professores Leigos, promovido pela Secretária de Educação, em Recife. Tal supervisão se desenvolveu dentro de um programa com excelentes resultados nas escolas municipais do Interior e da Região Metropolitana, que lamentavelmente foi suspenso com o afastamento do governador Miguel Arraes.

Lotada na Divisão de Contabilidade da Secretaria de Educação, participei do curso intensivo Orçamento e Administração Financeira, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. A programação de visitas e passeis da disciplina Relações Pública me fez comprovar ser o Rio de Janeiro a Cidade Maravilhosa, que não se repete, pela exuberância de sua natureza, pela construção do homem e pela sua vocação turística.

De volta a Recife, prestei vestibular para o Curso de Pedagogia, com especialização em Supervisão Escolar, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Professora atuei em turmas com perfis sociais, econômicas e emocionais diferentes: alunos da zona rural e do Recife – Nova Descoberta, Colégio Israelita (particular) e Juizado de Menores. Foram vivências que exigiram uma dinâmica pedagógica diferenciada para lidar com um universo de atendimento tão distinto, ainda que criança.

Como técnica em assuntos educacionais, o tempo maior de serviço público, foi voltado para o Ensino Supletivo. Coordenei a equipe de Educação e Promoção Profissional do Adulto – DEPPA, sob a direção do Professor Josias de Albuquerque.


Com o advento da Lei de Diretrizes e Bases n° 1.692, de 11 de agosto de 1972. O Ministério de Educação e Cultura- MEC, cria o Departamento de Ensino Supletivo – DSU Nacional e nos Estados.


Com a reforma da estrutura técnica e administrativa da Secretária de Educação e Cultura – SEC, em 1974, durante gestão de dois secretários – Coronel Costa Cavalcanti e Dr. José Jorge, assumi a Divisão de Ensino Supletivo – DSU.

Com essa função, participei dos encontros de diretores dos DSU´s, em Brasilia, congressos dos Secretários de Educação, em diferentes Estados, e reuniões técnicas com representantes de outros países, patrocinada pela OEA, OIT e Ministério do Governo Brasileiro. Em todos esses eventos, a pauta social incluía jantares, passeios e festas de congratulações que estreitavam círculo de relações pessoais e profissionais.

Com a pretensão de ampliar experiências, submeti-me ao concurso interno da SUDENE/MINTER. Selecionada, integrei a equipe da Divisão de Treinamento do Departamento de Recursos Humanos, assessorando as Secretarias do Trabalho nos Estados do Nordeste, com visitas mensais.


Para essa atuação, participei do curso de Pós-Graduação em Planejamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos, por meio de convênio celebrado entre a SUDENE e a Universidade Federal de Minas Gerais. Foi uma experiência de universidade aberta, com um curso a distância e em serviço, com avaliações prévias e posteriores para cada módulo de ensino, em Belo Horizonte, durante 18 meses.


Essas atividades de trabalho e de estudo foram entremeadas por viagens de férias em excursão a cidade brasileiras e passeios aos países da América do Sul e da Europa.

Revivi, com festas comemorativas, à altura das datas, as bodas de 50 e 60 anos dos meus pais, com a presença de quatro gerações, casamentos e conclusão de curso dos familiares.

Com a aposentadoria, voltam as imagens da “pátria da infância” – Custódia. Edito o primeiro livro autobiográfico, Caminhos do Afeto, com recursos próprios e lançamento em Brasília, Recife e Custódia, onde a renda foi revertida para a restauração da Matriz de São José, um belo templo construído pelo Padre Pedro Leão Verzeri, italiano, no ano de 1934.

Participei de reuniões do Centro de Estudo da História Municipal – CEHM, em Recife, organismo integrante da Agência CONDEPE/FIDEM, e centrada na afirmativa do poeta acadêmico Cyl Galindo de que “Um povo sem história é um povo se identidade… ”e de que o Brasil precisa coletar o registro histórico dos municípios e do seu povo”, decidi historiar o meu município.

O livro Custódia Relicário do Sertão tem a justificativa de homenagear os 80 anos de emancipação política do Município, divulgar de modo singular e específico a história e a força dessa gente sertaneja, despertar o senso de preservação nos jovens da sua própria história e propiciar o acervo particulares público de escolar, bibliotecas e instituições.

Do Sertão ao Litoral, passando pelo Agreste e pela Zona da Mata, vivenciei experiências com grupos diferenciados social e economicamente, cujo linguajar, costumes e anseios caracterizaram o regionalismo do meu Estado. Esses caminhos são minha história, onde fui me deixando e me construindo como individuo, como um ser coletivo e como profissional.


Texto extraído especialmente do livro “MULHERES que mudaram a história de Pernambuco” – IV Volume – Carlos Cavalcante.