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31 maio, 2023

Rogério Gonçalves - Porque vale a pena ser família!

 



 
No Episódio Catolicast2121 - EP 05 | Vida Cristã, tem a história de Rogério Gonçalves, que enfatiza a importância da tradição católica ser passada de geração pra geração, e que no seu caso, o cuidado que seus pais tiveram em manter esses ensinamentos, o que permitiu encarar de forma mais leve, sua saída de Custódia interior de Pernambuco para vir morar na capital Recife. 
 
Mudança essa que fez com que viesse a conhecer sua esposa Paula, constituindo assim uma família fundamentada naquela tradição católica herdada dos seus pais e dar continuidade na chegada do seu primogênito Rafael
 
Uma história bacana de muitos bons exemplos de servidão à Deus e de vida cristã, carregando em sua vida o ensinamento do livro de Isaías 41:10 “Não temas, porque eu sou contigo...”.

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15 maio, 2023

O dia em que eu vi o Rei - Rogério Gonçalves

Rogério Gonçalves Pessoa
Olinda - PE
Maio/2020


Quanto mais vamos caminhando ao longo da vida e a neve do tempo teimando em cobrir nossos cabelos, mais distantes ficam as lembranças do nosso passado. Porém, existem fatos que, comprovadamente não saem da nossa memória, que não são vencidos pelo passar dos anos, como sua primeira bicicleta, seu passeio inesquecível, sua primeira comunhão, suas professoras do primário e ABC.

Claro que, muitas destas emoções remetem da época em que vivemos neste pedaço de chão que nos envolve, mesmo a distância, embora a um longo tempo sem pisar nesta terra abençoada por Deus, Custódia – PE.

E é justamente desta época que vou falar, lá pelos idos de 1976, 1977, onde um dia comum na vida daquele garoto começara e que deixaria entalhado em sua memória este encontro inusitado com o rei do baião.

Era costume na maioria dos finais de semana irmos até o Hotel Macambira, almoçar com a família, recebidos por Tio Gerson e tia Teca. 

Por lá, onde caminhávamos por todo os lugares, lembro da cozinha a todo vapor, preparando as delícias, as carnes de sol temperadas por meu avô Amaro estendidas no quintal, vovó Maria inspecionando tudo, os adultos conversando e os primos? Ah, esta equipe não parava um segundo: 

Os filhos de Gerson e Terezinha se juntando com os de Nicinha e Rui, meu Pai do céu. Pegava fogo! Não tinha um lugar do terreno em que a gente não explorasse. E Virgínia, nossa eterna cuidadora ainda tinha que ouvir piadas em que ficava vermelha e pedia pra gente parar. Ah, Virgínia, quantas lembranças boas.

Acredito que antes do almoço parou uma comitiva na frente do hotel e como todos sem exceção eram bem recebidos, um senhor alto chegou no balcão e pediu rapadura batida, produto bem vendido no hotel. Eu vinha saindo da cozinha e parei diante do balcão, identificando aquela voz. 

Sim, era ele, seu Luiz Gonzaga, rei do baião, aquele que cantava a “Apologia do Jumento”, que eu repetia tanto. Já que não tinha vergonha de nada mesmo, olhei pra ele e disse: 

-Seu Luiiiiz, comi seu mi, e como, e como, e como...

Já junto da portinha que dividia os balcões. 

Aí todo mundo se virou e queria saber de quem era aquela voz, e o rei do baião, solícito e muito simpático, colocando sua mão em minha cabeça falou:

-Fi da peste, comeu mesmo! 

Risos no salão do hotel e eu realizado! O rei tocou minha cabeça e falou comigo!

Pronto, deste dia para cá, ao escutar suas músicas, este fato se repete na memória, onde já contei inúmeras vezes, o que aviva mais esta linda experiência: 

O dia em que vi o rei.

26 março, 2022

Amizade é tesouro para cuidar - por Rogério Gonçalves


VIII Encontro de Amigos de Infância
Escola General Joaquim Inácio
[1978-1986]

 

Muito interessante quando comento em uma conversa de família ou encontros aleatórios, que consigo sim, me encontrar e reencontrar com amigos de infância de 40 anos atrás (isto mesmo, quatro décadas).  Mas como pode? É muito tempo!

Espanto para uns, gratidão para mim, para nós, que vivemos isto e perseveramos em não deixar morrer.

Cada um foi atrás do seu sonho, do seu destino para tocar suas vidas, perto ou longe do nosso sertão, da nossa Custódia. Novas famílias, novos lugares, novas pessoas, mas um sentimento que é difícil de explicar e que mexe com nosso coração, moveu a todos nesta busca do reencontro, facilitado também pelo advento das redes sociais, onde as novidades são compartilhadas bem como também os desafios  e tristezas que por vezes podem nos abater. Com esta força, temos motivação pela palavra, pela atenção, por estarmos juntos, pelos conselhos, enfim, sempre atualizados.

E quando o encontro é presencial? Ah, daí um misto de alegria e uma vontade de falar, de contar as novidades, de rever a característica de cada um, de cantar as músicas da época, de dançar, de brincar, de fazer uma viagem no tempo sem sair do lugar. Nem esta época sombria que estamos passando fez a gente parar, justamente por fazermos um encontro on line com a mesma alegria. Agora que tudo volta a clarear, planos são feitos para continuar com este encontro tão belo, tão gratificante, tão fortalecedor, que faz até os mais soltos, se aventurarem em versos simples e até amadores, mas carregados de emoção, como estes, que deixei para o coração de cada um, para sempre entalhado na lembrança:

 

 



Amizade é Tesouro para cuidar
Rogério Gonçalves

                              

Vamos aqui fazer história
Neste encontro que não é esquecido
E na terra de um povo querido
Aventura que fica na memória


Não uso dedicatória
No recado que vai pro coração
Sigo aqui com a minha missão
De tirar isso tudo da cabeça


Que ninguém neste mundo não esqueça
A amizade é tesouro pra cuidar


No começo era sonho e curtição
Lá na praça e também no mei da rua
Todo dia e até na luz da lua
E ninguém arredava não


E a gente crescendo meu irmão
Cada um foi tomando seu destino
Seja menina ou menino
Procurando o futuro que mereça


Que ninguém neste mundo não esqueça
A amizade é tesouro pra cuidar



Vou aqui lembrar do clube
Toda festa a galera sempre ia
Era vó, era pai e era tia
Essa turma ninguém pegava não


Mas também tinha o casarão
Eita lugar tão quente apertado
Todo mudo com aquele cuidado
Com a ressaca outro dia na cabeça


Que ninguém neste mundo não esqueça
A amizade é tesouro pra cuidar



O açude pra banho ali tomar
Pra nadar lá no fundo escondido
E a mãe sem saber do moído
Na cria tinha que confiar


E no mundo sem e-mail e celular
A fofoca demais ali corria
Se brincasse tão serio alguém morria
Seja segunda, seja quarta ou até terça


Que ninguém neste mundo não esqueça
A amizade é tesouro pra cuidar



E na praça pra turma passear
Todo dia assunto diferente
Coisa simples alegrava toda gente
Não tem como esquecer este lugar


Sabazinho também para ficar
Tu sozinho ou bem acompanhado
O cantor com o violão de lado
Repertório o melhor que se conheça


Que ninguém neste mundo não esqueça
A amizade é tesouro pra cuidar


Sei que agora é hora de parar
Vai acabar ficado sem graça
Todo mundo enfiado na cachaça
E o véi inventando de cantar

 Minha gente meus irmãos pra terminar
Peço a Deus que abençoe sua vida
E em Custódia minha terra querida
Pedir que essa  união nunca pereça

Que ninguém neste mundo não esqueça
A amizade é tesouro pra cuidar

07 julho, 2020

[Causo] Ainda hoje corro da Monga

por
Rogério Gonçalves Pessoa
Olinda-PE
Junho/2020


Custódia, início dos anos 80. 

Nem imaginávamos quantas surpresas nos esperava esta década inesquecível. E para bem começar, lembro das festas em Custódia, dos parques montados na praça e suas atrações: Os carrosséis motorizados e claro, o famoso carrossel manual. “O Juju de Dona Tea”, as Canoas de Adamastor (Que adrenalina!), as barracas de comida e de tiro ao alvo, argolas, entre outras atrações. Felicidade “de muito” na minha linda cidade. Como nós morávamos na Nemésio Rodrigues, paralela a praça, Dona Nicinha, minha mãe, já me deixava passear e cuidar do meu irmão Romero, 4 anos mais novo que eu. Encubido desta missão, responsável por outros amigos, minha auto estima aumentou e me senti o papai de todos, bem convencido, sem saber ainda do fato que estaria para sempre em minha memória, com muita alegria e saudade.

Aquele ano foi diferente: Como atração inédita, vimos uma cabine metálica muito colorida, espaçosa e com um letreiro bem vistoso: MONGA. Só isto. Procurei me informar sobre do que se tratava e vi que seria um bom lugar pra levar os meninos e claro, fazer a fama de corajoso e depois zoar da turma. Ingressos comprados, fomos para os primeiros bancos e os demais ao lado, bem como na fila subsequente e eu lá, só fazendo medo e deixando todos apreensivos. 

Começa a apresentação. Luzes apagadas (o que eu não esperava) e já fui ficando sério, mas atento sabendo que seria só uma encenação. Fui então buscando encontrar explicação para o truque, a mágica. Começa uma música e a moça chega dançando e a plateia começa a aplaudir e eu observando tudo. Continua o ato. O apresentador a coloca numa jaula e a música já muda. Até então não tinha descoberto nada até que me distraí com a conversa do sujeito, que já começou a bater na jaula e a transformação teve seu ápice. Continuei bem atento, impressionado como aquele(a) gorila apareceu do nada, começando a fazer barulho e a bater na grade. Minha pressão já estava lá em cima e eu, pensando em manter a pose, mas tendo a certeza que aquele bicho estaria bem preso e domado pelo apresentador, que em certo momento bateu mais forte na grade, a porta abriu e a Monga pulou para o lado dos expectadores. Boca aberta!

Meus queridos, vou confessar: Caiu toda a pose e pasmem, não sei de jeito nenhum como terminou aquilo, pois deixei meu irmãozinho (que vergonha) pra trás com toda a turma e levantei poeira pra casa! Claro que todos me seguiram e ao chegar, mamãe perguntou aos meninos que carreira foi aquela e a surpresa de tanta criança. Eu já tomando água e os risos tomando o ambiente, quando escutei lá de dentro: correu da Monga!!!! Demorou um pouco mas consegui dormir mais tarde.

Claro que isto foi assunto para pesquisa, onde conheci como tudo é feito, mas não vou revelar aqui, evidentemente, não é? Quem sabe você possa ter uma experiência desta e eu vá estragar a surpresa. Então prepare-se e boa corrida!

Relato de quem teve a melhor infância nesta terra querida, “Berço amigo de gente de valor”.