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31 agosto, 2026

Samambaia "As emoções de uma jovem professora" - Sevy Oliveira


Vista parcial do povoado de Samambaia durante 
Procissão de São Sebastião, padroeiro local.


Sevy Oliveira
Livro "Caminhos do Afeto" lançado em 2004
Editora Bagaço


Sem previsão de concurso para o preenchimento de vagas no Magistério, as nomeações eram geralmente intermediadas junto ao Governo do Estado.

Não tendo ainda 18 anos completos, fui designada, interinamente, para substituir uma professora licenciada por tempo indeterminado, na Vila de Betânia, a 72 km de Custódia — uma articulação do deputado Metódio Godoy, amigo particular do meu pai.

Era uma vila que esboçava um perfil urbano autossuficiente, com casas comerciais, feira livre, energia elétrica, transporte, diversões e a Capela de Santo Antônio, tendo um representante na Assembleia Legislativa do Estado, Capitão Olímpio Ferraz.

A casa onde me instalei era grande, mas eu contava com a companhia carinhosa de minha irmã Maria e da aluna Julieta, que, frágil e delicada, me fez acolhê-la enquanto permaneci nessa vila. A minha classe funcionava na sala da minha residência, com alunos da 3ª série, variando a idade entre 14 e 16 anos. Não era adotado ainda o critério de turmas por faixa etária.

Apesar de contar com a receptividade e o apoio das professoras do Estado, Zilda Feitosa e Maria do Carmo Moreira, o número de alunos não ultrapassou o total de 13, durante todo o segundo semestre, sendo isto o fator determinante da transferência da cadeira para outra localidade do Município.

De volta das férias de fim de ano, assumi a cadeira no povoado de Samambaia, a 37 km da sede, sempre na companhia de Maria.

A escola tinha prédio próprio, com um salão em cimento, quintal grande para o recreio e dependências para a moradia da professora.

Por se tratar de uma escola isolada, a classe era multisseriada, abrangendo da alfabetização até a 4ª série. O mobiliário da professora era limitado a uma mesa, um banco e um quadro de giz num cavalete, e o das crianças, os pais proviam com mesas e bancos.

O material escolar disponível era o livro de texto e o caderno dos alunos.

A escola recebia para merenda o leite em pó, fornecido pela Secretaria de Educação do Estado. Não tendo receptividade pela maior parte dos alunos, o leite dissolvido era distribuído por Maria com pessoas carentes da comunidade, evitando o seu desperdício.

Semanalmente, o caminhão do Sr. Cecílio Ferreira, único meio de transporte motorizado, levava os moradores e suas mercadorias para a feira livre em Custódia, oportunidade em que eu recebia os mantimentos da semana, enviados por meus pais.

Percebia-se que o progresso por ali passara, deixando as suas marcas na construção das casas de moradia, do açougue, do armazém, do salão de festas, da mercearia, da vila dos operários e do cemitério. Tudo isso impulsionado pelo funcionamento da fábrica, que exportava a fibra do caroá, em grande escala, para o Município de Caruaru.

O fato de o caroá ser extraído desordenadamente, sem uma política voltada para preservar a espécie, levou quase à extinção essa planta nativa do Sertão. Em consequência e com a escassez da matéria-prima, houve a desativação da fábrica e o êxodo dos moradores.

Em Samambaia, a fuga para a sobrevivência era endereçada para a construção do açude Poço da Cruz, em Ibimirim, para a hidroelétrica de Paulo Afonso, na Bahia, ou para a cidade de São Paulo.

Nas ruelas, a maioria das casas estavam fechadas. Havia apenas doze casas com moradores: a de Josefa Simões, a de dona Bela, a mercearia dos irmãos Ferreira, a da escola, a casa de pousada de José Cirzino e Maria Pereira, a de Dezinho e Margarida Rezende, a de Abílio e Rosa Ferreira, a de Neco e Anísia Pereira, a de Nomeriano de Freitas, empresário da fábrica de caroá, a de Júlio e Tereza Simões, a de Cecílio e Alice Simões, a de Lídia Ferreira e a de Dona Mãezinha, além de casas isoladas próximas.

À noite, frestas de luz de candeeiros, refletidas dessas casas com portas abertas, emprestavam àquelas ruas um ar nostálgico. Era como se refletissem e testemunhassem a fragilidade das casas vazias, por não conseguirem deter seus moradores, que, fechando as suas portas, abandonavam o seu aconchego.

Recém-formada, sentia-me insegura para executar o papel de professora e para lidar com essa realidade. Talvez a comunidade não tenha percebido esses meus conflitos e a dificuldade de adaptação às noites sem luz e às ruas vazias. Muitas vezes pensei em renunciar.

Esses anseios iam perdendo a sua intensidade em face da perseverança e, por que não dizer, da bravura daquelas crianças, que enfrentavam o caminho da escola sob o sol forte ou sob as chuvas e, muitos deles, a pé e só com o café da manhã.

Conscientizando-me dessas dificuldades, não deveria mais me acomodar nem fazer do ensino uma simples rotina.

As minhas emoções deveriam ser agora direcionadas para uma vivência nova, que iria exigir muita abnegação e criatividade.

Sugeri ao delegado de ensino local, Cecílio Ferreira, solicitar à Prefeitura de Custódia uma professora para a classe de alfabetização. Foi designada Alzira Simões, que, no início de cada ano letivo, entregava-me as crianças alfabetizadas.

As tardes eram reservadas para avaliar as tarefas de classe e planejar as atividades da próxima aula, confeccionando material didático e redigindo os exercícios de classe e de casa de cada aluno das primeiras séries.

A Secretaria de Educação solicitava o resumo quinzenal dessas atividades, por série, e, mensalmente, um exemplar da prova com o seu gabarito, a relação das notas e as provas de maior e de menor resultado. Lamentavelmente, não recebia o retorno com a avaliação dessas informações.

A visita semestral de Maurina Rodrigues, inspetora escolar, era realizada na sede de Custódia. Nas reuniões, abordava assuntos gerais e anotava as atividades e dificuldades das escolas isoladas dos povoados.

Enviava também para a Diocese de Pesqueira exemplares das provas de Religião e o relato das atividades em classe e na igreja.

Pela exiguidade do tempo — oito da manhã ao meio dia — na sala de aula, para atender aos diferentes níveis de escolaridade, tornavam-se imprescindíveis atividades extra-classe de cunho social, artístico, religioso e de lazer.

Quando ia a Custódia nos fins de semana, fazia passeios, participava de festas e me divertia, sempre na companhia agradável das amigas, em especial Leny, Neide Campos e Angélica Rodrigues. Nas férias, comprava jogos educativos e livros de histórias, que ficavam disponíveis para as crianças na escola, no horário da tarde. Muitas vezes, jogava com elas.

Além das datas comemorativas do calendário escolar, as crianças participavam das festas tradicionais e religiosas locais.

Na data da independência, pela manhã, os alunos, orientados por Cabo Menezes, da Polícia Militar, ali em destaque, desfilavam pelas ruas, organizados em pelotões com uma ala de frente. Encerravam o desfile com manobras diante da escola, entoando hinos cívicos e, após o hasteamento da Bandeira, pelo Delegado de Ensino, recitavam poesias.

A tarde desportiva constava de jogos e brincadeiras por classe, e era prestigiada com a presença e a torcida da comunidade, inclusive dos que vinham das fazendas e sítios vizinhos.

Partindo das observações do relacionamento entre os alunos na sala de aula, no recreio, com as plantas e com os animais, organizava passeios no campo. Essas atividades eram direcionadas para desenvolver atitudes de respeito pela natureza e espírito de competitividade e de solidariedade nos jogos e nas brincadeiras.

As atividades da igreja eram também da coordenação da professora, com terço diário, catecismo à tarde, nos domingos, novenário do Coração de Jesus, semana santa, assistência ao pároco de Custódia na celebração das missas, festa de São Sebastião, padroeiro local, e os exercícios do mês de maio.

O conjunto das vozes de Socorro e Margarida Rezende, Neginha, Lia Simões, Zequinha e da aluna Geni Pereira formava um coro harmonioso que recebia elogios do pároco e dos visitantes.

No mês de maio, toda a comunidade participava dos exercícios marianos, lotando a Capela.

O altar era ornamentado com folhas, galhos e flores silvestres, lamparinas, velas e, por concessão dos irmãos Ferreira, tecidos da sua loja.

Além dos cânticos e orações, alguns noiteiros inovavam com outras atividades. Na noite dos moradores de Caiçara, um arruado próximo de Samambaia, eles traziam a banda de pífanos e prestavam a sua homenagem com um interessante ritual ao redor do altar. Na noite dos jovens, no último domingo de maio, diante da igreja, armavam uma grande fogueira, colocavam mesas com comidas típicas de milho, soltavam fogos de artifício e culminavam com um animado forró no salão de festas.

O último dia era reservado à escola. As crianças ofertavam flores, coroavam no altar a imagem de Nossa Senhora e levavam-na em procissão até a calçada, onde cantavam hinos em coro e representavam, em jogral, cenas alusivas à Nossa Senhora, encerrando o mês Samambaia recebeu a visita de Dom Adelmo Cavalcanti Machado, bispo diocesano de Pesqueira, com uma calorosa recepção. Entre missas, confissões, batismos e crismas, amadrinhei alunos e testemunhei casamentos: um saldo religioso positivo nessa semana litúrgica. Dom Adelmo considerou significativa a minha atuação catequética, afirmando o reconhecimento do meu trabalho, pela Diocese.

A Capela precisava de reparos. Com os alunos, os jovens locais e as meninas Nilda Campos, Maria do Carmo Tenório e as minhas irmãs Ezilda e Darcy, vindas de Custódia, organizava "show" com o objetivo de angariar recursos e de tornar as noites mais movimentadas.

Era gratificante observar a desenvoltura e a espontaneidade de todos no palco, diante da platéia, interpretando com graça a revista da cidade, os monólogos, os diálogos e os dramas, peças teatrais de histórias emocionantes, que eu elaborava.

Com alegria, constatava que a arte de representar e de cantar só dependia de oportunidade.

O "show" foi levado aos povoados vizinhos de Maravilha e de Caiçara, contando com o transporte do compadre Cecílio Ferreira e a carinhosa receptividade dos seus moradores.

Na festa do padroeiro São Sebastião, em 20 de janeiro, mesmo estando de férias, era solicitada pelo Monsenhor Urbano de Carvalho, pároco de Custódia. A primeira noite do novenário era, por tradição, da família do Sr. Manoel Olímpio de Rezende, que, durante muitos anos, fora o coordenador da Capela.

Estando doente, levamos as imagens de São Sebastião e de Nossa Senhora das Dores em procissão até a sua casa. Um quadro de grande emoção: ver a expressão de alegria e de fé daquele homem enfermo, agradecendo, com humildade, a presença dos santos da sua devoção e lhes pedindo para ser o seu advogado diante de Deus.

Muitos samambaienses voltavam ao povoado para prestigiar a festa do seu padroeiro. Havia muita alegria nos rituais da igreja, nas barracas, nos leilões de prendas e nos bailes. Com a entrega da bandeira ao novo patrono da festa, encerrava-se o novenário.

Nos fins de semana, fazia passeios em fazendas vizinhas ou ia com a professora Alzira para Caiçara, onde morava a sua mãe, Chiquinha Simões — uma casa alegre, mesa farta e uma família de muitas moças e rapazes. Aproveitava para visitar os meus parentes da família Rodrigues — Joaquim, Dona Milu, Antônia, Alonso, Elpídio e Benzinho de Melo, uma das lideranças locais.

O luar das noites de Samambaia clareava as ruas, e na calçada de Dona Josefa Simões, cantávamos em seresta ao som do violão de Adauto Costa.

Nesse período que ali vivi, perdi pessoas muito queridas: o irmão Luiz Carlos, com 25 anos, casado com Lucila Angelim, em Salgueiro, a minha avó Dondon e, em Pesqueira, o Sr. Zé Guilherme.

Vivi também a forte emoção de ganhar os dois primeiros sobrinhos, Cícero Gomes de Oliveira Neto, filho de Dedé, e Maria Auxiliadora Angelim, filha de Luiz Carlos.

Marcaram minha lembrança Leu Rezende, sempre bem-humorado no atendimento à comunidade, com suas múltiplas habilidades profissionais, e o Sr. Nomeriano de Freitas, industrial e agropecuarista, que mantinha, com os seus ternos em cores claras, uma postura urbana de empresário. Também guardo na memória Sebastião Bernardo — o Boca, ajudante de caminhão que, nos dias de sábado e nas vindas extras a Samambaia, trazia-me pães, carnes e frutas frescas, mandados por minha mãe. Os compadres, os alunos e as afilhadas Luzia Pieta, Geni Pereira, Edite Sitônio, Cilene Simões, Áurea de Melo e Percy Ribeiro fazem parte dessas lembranças, que guardam também nítida a figura da aluna Didi Campos.

Como professora, era convocada para receber autoridades, presidir seção eleitoral, mesmo quando votei pela primeira vez, intervir em desentendimentos entre adultos, batizar crianças enfermas, cortar cabelo, preparar noivas e rezar em velórios.

Os meus medos de insetos, de fantasmas e de velórios foram gradativamente atenuados por não haver alternativas para evitar essas coisas.

Transferida, deixava em Samambaia as inseguranças, os anos e os sonhos da juventude. Ganhei afilhadas, fiz amigos e consegui, mesmo com limitações didáticas, extrapolar as paredes da escola, tornando a aprendizagem mais interativa com o social, com o religioso e com o lazer.

Essa experiência me legou uma bagagem pedagógica e de vida que me fez assumir sem dificuldades a direção do Grupo Escolar João Guilherme, em Tacaimbó, e passar, com destaque, no concurso de Supervisor Escolar de Professores Leigos, promovido pela Secretaria de Educação do Estado, em Recife.

17 março, 2022

Antigos Vídeos de Samambaia




Videos com cenas do Povoado de Samambaia, no Município de Custódia.
Acessando o canal do Youtube CANAL SAMAMBAIA PERNAMBUCO, pode se encontrar mais filmagens.

02 dezembro, 2021

História de Samambaia - Por Facebook Distrito Samambaia


Foto: Evanilson Rezende

O nome do lugar era Santa Verônica uma santa dos Escravos negros do cativeiro do Tenente Henrique. A fazenda do Tenente era na estrada que liga Caiçara a Samambaia,hoje Fazenda Poço Escuro, que pertenceu a Artur Preto. o curioso é que esta Fazenda também se Chamava Poço da Cruz e foi mudada por do açude de Ibimirim. A antiga igreja desta santa era ladrinhada de Tijolos sem o uso de cimento. Foi encontrada uma telha, pertencente a esta antiga igreja, datada 1822, Segundo testemunhos de vários que a tiveram nas mãos-Dezim Pacífico e Jeremias da Caiçara.

O que vem a provar que os escravos foram os iniciantes na religiosidade local. o primeiro padre foi Manoel Marques Bacalhau, desde 1877.

Em 1862, o capitão Joaquim do Rego, lavrou uma escritura de 400 braças de terra que foram doadas ao padroeiro São Sebastião. As terras vão das margens do rio Cupiti até o rio Moxotó. Joaquim do Rego foi o primeiro morador de Samambaia.

A Usina de caroá de José Vasconcelos, empregava mais de 400 pessoas entre arrancadores, os carreiros carreiros com seus jumentos e carros de bois com duas juntas, fabricados de Pau Ferro em Águas Belas e Alagoas. O caroá era arrancado, transportado e pesado, era frequente alguém perder os dedos na desfibradeiras, caso de Paulino e Isabel. As fibras eram colocadas em fardos e transportadas por Tota, nun caminhão Chevolet, para armazéns da Companhia de caroá de Caruaru, Alias o nome Caruaru origina-se deste feito.

O armazém em Samambaia foi incendiado acidentalmente por João Pareira, que ao acender o fuzil do fogueteiro para fumar um cigarro, deixou cair as faíscas. Nesse dia, Crespe bezerra Lafaiete, o primeiro gerente da usina, estava cansado e foi chamado pelas sirenes da campanhia. Não houver tanto prejuízo porque tinha seguro de carga. Depois de Crespe, a gerência passou para o velho Jesus. Manoel Luis de Campos, da Cacimba de Baixo, foi quem tirou a madeira para a confecção das tesouras da usina.

Depois dos Vasconcelos, o Dr. Aurélio passou a ser dono, tinha até avião que pousava em terras da casa de Pedro Simão acima. Depois de Aurélio, Numeriano comprou a usina e seus filhos, Aristóteles e Clodoaldo ainda hoje conservam até hoje. No tempo de Numeriano o pesador era Dezim Felipe e depois, Abilio Ferreira da Silva irmão de Lidia Ferreira da Silva Avô de Evanilson Administrador do Site.

O policiamento era o Coronel Salgado, que vinha do Recife de burro com mais ou menos 10 soldados e percorria Samambaia, Ingá e Quintibu, voltando em seguida para o Recife. Maravilha e Custódia nem existiam.

O primeiro encarregado de samambaia foi o Coronel Joaquim Bezerra, o qual obteve a obediência de todos. A primeira professora foi a dona Aurora, de Buique, trazida por Numeriano em, 1930. Mas antes tinha a Dona Zizi e Dona Eliza mulher de Oiô. O primeiro comerciante podia ser dos Balbino. Antigamente se almoçava de 8 horas da manhã. Sendo que a feira de Samambaia era numa quinta-feira, onde se vendia tapioca e rapadura. Os feirantes almoçavam no hotel de Dona Eliza.

Mas antes da existência desse hotel, havia o da Dona Adelaide. Quilidona era a mulher de Zé Izidoro e colocou um hotel onde depois passou a ser de Chico de Abílio. Era costume comer bolo virado que custava, 1 vintém. Que é o equivalente a 20 reais, com café muido com mel, 100 tustões era 1000 réis. 1 tostão era 100 reais e 5 vinténs era, 1 tostão. 1 pataca era 8 Vintém, Uma rapadura era comprada por, 1 tostão; 250 gramas de café era grãos 400 reis 1 kg de açúcar custava 3 tostões em 1928.

10 tostões depois de, 1930 enquanto o café pulava para 10 "tões" para 1200 réis. O que equivalia a um dia de serviço na roça. Ainda em 1942 surgiu o cruzado antigo. Um escravo preto, com bons dentes e boa saúde físicas, era comprado por 1 conto e 500 réis era considerado muito rico. O bisavô de Dezim Pacífico era dono de senzala e o dinheiro era de ouro. Os correios vinham com a mala nas costas com cadeados, provindo de Floresta para o Rio Branco(Arcoverde). Uma carta poderia demorar mais de 30 dias, pois era transportadas de pé.

O cruzeiro de Samambaia era na frente da igreja enterrado e batido no chão, depois passou para as grandes pedras de Manoel Olímpio. hoje em dia fica no pequeno cercado do popular conhecido por "Pai João" pois reside atras do cruzeiro que é conservado ate hoje.

Em samambaia havia corrida de prado, com cavaleiros devida e orgulhosamente fardados, com calças brancas e camisas vermelhas. O enfrentante era Manoel Simão, irmão de Dona Chiquinha da Caiçara, cantora das novenas das festa religiosas. O melhor cavalo de prado era Vila Bela. Esse evento atraia gente de toda região e cidades vizinhas. Bala Seca e Malambec eram os cavalos que Pedro Cicero (Pedro Vaqueiro) cavalgava, trabalhando para Numeriano. Não havia vaquejada e sim muitas pegas de boi no mato.

Que se tornavam festa de boi visto que havia sanfona, cachaça e muito arrasta-pé. Todo vaqueiro tinha um lenço vermelho no pescoço.

Existiu também uma cavalhada comandada por João de Barro e seus 12 pares, segundo a Dona Josefa Luiz de Souza, esposo de Valdemar da Cacimba de Baixo, essa cavalhada acontecia na vila de Samambaia. Severino era rezador, pedreiro e carpinteiro afamado na Caiçara e região. Já na arte de medicina popular e sem formação educacional, tinha Joaquim Canário, fazedor de garrafadas. Cicero Bezerra era delegado particular de Samambaia. E Pedro Simão era o melhor chamador de Quadrilha da região.

João Canário era tocava oito baixos ou harmônico. Era de costume procurar Joaquim Canário para aliviar dores de dentes e outros pequenos problemas. Dona Olindina da Conceição era enfermeira e parteira da região de Caiçara e Samambaia. Sitônio lopes de Mendonça médico veterinario leigo e segundo contam, nenhum animla morreu por causa das suas operaçõs, sempre ponteadas com ponteiras de pinhão e agulha de saco.


Os melhores artesão da região pertenciam à família do senhor Dezim Pacífico, do Salgado. Esse mesmo senhor completou 90 anos lúcidos em, 13 de julho de 2002. Junto com Jorge Bezerra de Rezende (Jorge felipe de Samambaia) nascido em, 24 de junho de 1919, foram so principais testemunhos desda História de Samambaia.

Facebook Distrito Samambaia

12 agosto, 2020

História de Samambaia



O nome do lugar era Santa Verônica uma santa dos Escravos negros do cativeiro do Tenente Henrique. A fazenda do Tenente era na estrada que liga Caiçara a Samambaia, hoje Fazenda Poço Escuro, que pertenceu a Artur Preto. O curioso é que esta fazenda também se chamava Poço da Cruz e foi mudada por causa do açude de Ibimirim. A antiga igreja desta santa era ladrilhada de tijolos sem o uso de cimento. Foi encontrada uma telha, pertencente a esta antiga igreja, datada de 1822, segundo testemunhos de vários que a tiveram nas mãos – Dezim Pacífico e Jeremias da Caiçara – o que vem a provar que os escravos foram os iniciantes na religiosidade local. O primeiro padre foi Manoel Marques Bacalhau, desde 1877.

Em 1862, o capitão Joaquim do Rego, lavrou uma escritura de 400 braças de terras que foram doadas ao padroeiro São Sebastião. As terras vão das margens do rio Cupiti até o rio Moxotó. Joaquim do Rego foi o primeiro morador de Samambaia e, por conseguinte, seu fundador.

Existia uma bulandeira de algodão dos Gomes.

A Usina de caroá de José Vasconcelos, empregava mais de 400 pessoas entre arrancadores, os carreiros com seus jumentos e carros de boi com duas juntas, fabricados de Pau Ferro em Águas Belas e Alagoas. O caroá era arrancado, transportado e pesado. Era freqüente alguém perder os dedos na desfibradeira, casos de Paulino e Israel. As fibras eram colocadas em fardos e transportadas por Tota, num caminhão Chevolet, para os armazéns da Companhia de caroá de Caruaru, aliás, o nome Caruaru origina-se deste feito. O armazém de Samambaia foi incendiado acidentalmente por João Pereira, que ao acender o fuzil do fogueteiro para fumar um cigarro, deixou cair as faíscas. Nesse dia, Crepe Bezerra Lafaiete, o primeiro gerente da usina, estava caçando e foi chamado pelas sirenes da companhia. Não houve tanto prejuízo porque tinha seguro de carga. Depois de Crepe, a gerência passou para oVelho Jesus. Manoel Luís de Campos, da Cacimba de Baixo, foi quem tirou a madeira para a confecção das tesouras da usina. Depois dos Vasconcelos, o Dr. Aurélio passou a ser o dono, tinha até avião que pousava em terras da casa de Pedro Simão acima. Depois de Aurélio, Numeriano comprou a usina e seus filhos, Aristótelese Clodoaldo ainda a conservam até hoje. No tempo de Numeriano o pesador era Dezim Felipe e, depois, Abílio Ferreira da Silva, avô de Sérgio que, com apenas seis anos de idade desfilou na Cavalhada de Zé Cavaco.



O policiamento era o Coronel Salgado, que vinha do Recife de burro com mais ou menos 10 soldados e percorria Samambaia, Ingá e Quitimbu, voltando em seguida para o Recife. Maravilha e Custódia nem existiam.

O primeiro Cartório de Ofício foi o de Quitimbu, cujo tabelião era finado Cirilo. Quitimbu também foi a primeira vila e cidade antes Custódia.

O primeiro encarregado de Samambaia foi Coronel Joaquim Bezerra, o qual obteve a obediência de todos.

A primeira professora foi a Dona Aurora, de Buíque, trazida por Numeriano, em 1930. Mas antes tinha a Dona Zizi e Dona Eliza mulher de Oiô.

O primeiro comerciante podia ser dos Balbino.

Antigamente se almoçava de 8 horas da manhã. Sendo que a feira de Samambaia era numa quarta-feira, onde se vendia bolo, tapioca e rapadura. Os feirantes almoçavam no hotel de Dona Eliza, mas antes da existência desse hotel, havia o daDona Adelaide. Quilidona era a mulher de Zé Izidoro e colocou um hotel onde hoje é de Chico de Abílio. Era costume comer bolo virado, que custava um vintém, que é o equivalente a vinte réis, com café moído com mel. 100 tostões era 1000 réis, 1 tostão era 100 réis e 5 vinténs era 1 tostão. 1 pataca era 8 vintém. Uma rapadura era comprada por 1 tostão; 250 gramas de café em grãos era 400 réis; 1kg de açúcar custava 3 tostões em 1928 e 10 tostões depois de 1930, enquanto o café pulava de 10 “tões” para 1200 réis, o que eqüivalia a um dia de serviço na roça. Ainda em 1942 surgiu o Cruzado antigo.

Um escravo preto, com bons dentes e boa saúde física, era comprado por 1 conto e 500 réis. Quem tinha 1 conto de réis era considerado muito rico. O bisavô de Dezim Pacífico era dono de senzala e o dinheiro era de ouro.

Os Correios vinham com a mala nas costa com cadeado, provindo de Floresta para Rio Branco (Arcoverde). Uma carta podia demorar até 30 dias, pois era transportada a pé.

O Cruzeiro de Samambaia era na frente da igreja enterrado no chão batido, depois passou para as pedras grandes por Manoel Olímpio.

Os escravos após a libertação em 13 de maio de 1888, saíram da Fazenda do Tenente Henrique e foram morar na Serra da Torre e nas cabeceiras do rio Cupiti. Otenente Henrique era tão rico que os adornos seus e de seu cavalo eram de ouro e prata.

Em Samambaia havia corridas de prado, com cavaleiros devida e orgulhosamente fardados, com calças brancas e camisas vermelhas. O enfrentante eraManoel Simão, irmão de Chiquinha Simão da Caiçara, cantadora das festas religiosas. O melhor cavalo de prado era Vila Bela. Esse evento atraia gente de toda a região e cidades vizinhas. Bala Seca e Mulambec eram os cavalos que Pedro de Cícero (Pedro Vaqueiro) cavalgava, trabalhando para Numeriano. Não havia vaquejada e sim muitas pegas de boi, que se tornavam festa de boi visto que havia sanfona, cachaça e muito arrasta-pé. Todo vaqueiro tinha um lenço vermelho amarrado no pescoço. O maior amansador de boi foi Miguel Carreiro e o melhor montador de cavalo bravo foi João Alexandre, que nunca foi ao chão, a menos que os arreios se partissem. Existiu também uma cavalhada comandada por João de Barro e seus 12 pares e, segundo Dona Josefa Luiz de Souza, esposa de Valdemar da Cacimba de Baixo, essa cavalhada acontecia na vila de Samambaia.

Severiano era rezador, pedreiro e carpinteiro afamado na Caiçara e região. Já na arte da medicina popular e sem formação educacional, tinha Joaquim Canário, fazedor de garrafadas.

Cícero Bezerra era delegado particular de Samambaia.

E Pedro Simão era o melhor chamador de quadrilha. E João Canário tocava os oito baixos ou harmônicos. Era de costume procurar Joaquim Canário para aliviar dores de dente e outros pequenos problemas. Dona Olindina da Conceição era a enfermeira e parteira da região Caiçara e Samambaia.

Sitônio Lopes de Mendonça era médico veterinário leigo e, segundo contam, nenhum animal morreu por causa das suas operações, sempre ponteadas com ponteiras de pião e agulha de saco.

Os melhores artesãos da região pertenciam à família do Senhor Dezim Pacífico, do Salgado. Esse mesmo senhor, que completara 90 anos lúcidos, em 13 de julho de 2002, junto com Jorge Bezerra de Rezende (Jorge Felipe de Samambaia), nascido em 24 de junho de 1919, foram os principais testemunhos desta História de Samambaia. Mais e mais gente Samambaia e região deviam dar mais importância ao que os mais velhos falam, pois só assim a história regional será mantida para a posteridade.

(*) Trabalho elaborado pelo artista plástico PEDRO CEZAR BEZERRA DO NASCIMENTO, cedido gentilmente para o blog CUSTÓDIA TERRA QUERIDA.