30 março, 2021

Abílio José Duarte - por Marlos Duarte


Por Antônio Marlos Duarte

A história desse homem reflete-se na importância de explorar a memória da família e também da sua cidade, Custódia. Meu avô nasceu no ano de 1888: ano da abolição da escravatura. Percebe-se que o meu avô nasceu algumas décadas antes da emancipação de Custódia como município. Abílio José Duarte nasceu em Cacimba Limpa e foi criado pelo tio José Josino em São João do Leite. Seus pais moravam em Palmeiras dos Índios, no estado de Alagoas, e, por motivos desconhecidos por mim, não criaram meu avô. Vivendo nessa região a sua infância, meu avô foi criado num contexto de bucólico, de fazendas e de sítios. Tendo fazendas para se dedicar a cuidar (visto que seu tio era dono de terras), meu avô sonhava em ser vaqueiro... e foi. Tornou-se o vaqueiro do sítio de seu tio-pai.

Meu avô cresceu e virou o que ele sempre quis na infância: vaqueiro. Num dia, em que corria pelas fazendas que fora criado, Abílio José Duarte corria em alta velocidade com o seu cavalo quando não viu um buraco enorme. Não conseguindo "frear" o cavalo, caiu e ficou, como se diz na nossa linguagem típica, "corcunda". Ele ficou assim até o último dia de sua vida. Com o acidente, deixou de ser vaqueiro para ser outras coisas. Casou-se anos depois com a sua primeira mulher - Enedina Leite - , a qual morreu após uma série de complicações após um parto. Ela deixou filhos, tios meus que já morreram - Joanita, Zezito (Rock Lane), mas outros continuam vivos como Tia Neta e Irene. Passado alguns anos de "viuvez", casou-se novamente. Casou com a jovem Juvina Alves Figueredo, minha avó, a qual permaneceu com o meu avó até o seu último dia de vida. Com ela, teve oito filhos: Gilda, Djanira, Josa, Afonso, João, José, Dorinha e Magaly, esta última minha mãe.

Como Oficial de Justiça, meu avô pregou a Justiça sempre, nunca se subjugando a subornos ou coisas do ramo. Por várias vezes, pessoas que queriam ser privilegiadas em divisões de terras, em heranças, tentavam subornar meu avô querendo "dar um bônus", caso meu avô aumentasse suas posses. Meu avô nunca aceitou a ideia de ser um qualquer corrupto da justiça, sendo reconhecido por todos. Já escutei várias histórias sobre pessoas que hoje são idosas e que, quando jovens, conheceram meu avô e me falaram sobre isso. Sempre escutei histórias sobre Abílio José Duarte como um homem digno, honesto, entendido, inteligente, sábio... incorruptível.

Na Justiça, meu avó já passou por muita coisa como o caso, que sempre escuto com muita frequência, da insistência de Lampião em enfrentar o meu avô. O tio que criou o meu avô gostava muito de Lampião, dando comida e abrigo quando os cangaceiros vinham a Custódia. Meu avô, ao contrário do seu tio-pai, nunca gostou de Lampião e vivia reclamando quando o anti-herói ia se abrigar na casa que fora criado. Lampião soube desse "mal-estar" e passou a afrontar o meu avô, mandando ameaças. Dizem que, quando Lampião chegava em Custódia, meu avô corria. Quando Lampião o ameaçava, ele viajava para outros lugares, inesperadamente. Eu disse que ele era incorruptível, não corajoso com cangaceiros! Enfim, todos os homens têm suas fraquezas... e meu avô não seria diferente! (risos)

Já aposentado, meu avô criava em sua casa um papagaio muito ciumento, que só queria a atenção dele e de mais ninguém da casa. A minha tia ensinava palavrões ao papagaio. Após dias da morte do meu avô, ele também morreu. Eram inseparáveis dentro de casa. Enquanto vivia nessa vida de aposentado, meu avô tinha uma rotina: durante a manhã, caminhava em direção ao Cruzeiro, onde tinha alguns parentes que ia visitar; durante a tarde escrevia muito e, a noite, vivia em casa. Meu avô fez um livro autobiográfico, que se encontra com minha tia, que mora no Estado do Rio de Janeiro. Diversas prosas pequenas meu avô escrevia, todos os dias. Além disso, meu avô era "consultor político". Muitas pessoas iam na casa dele para saber em quem ele iria votar, para votar no mesmo candidato, visto que todos julgavam meu avô "entendido". Quem não gostava desses "conselhos políticos" era a minha avó, que sempre dizia: "Abílio, esse povo só vem na hora do almoço, é? Abílio, deixa de ser besta... esse povo só vem para cá comer!!!" (risos)

Em uma de suas manhãs, foi caminhar e, mais ou menos, de frente onde hoje é a Tambaú (na época era o Posto Texaco) teve o seu destino cruzado com o de uma moça que estava aprendendo a dirigir carro. Inesperadamente, ela atropelou o meu avô, que não resistiu às lesões e faleceu. Era 15 de Dezembro de 1972. Meu avô tinha 84 anos e deixou filhos e a minha avó, que ainda tinha 50 anos na época (hoje, minha avó - Juvina Alves Duarte - tem 89 anos e completará 90 anos no dia 22 de Março). Em 2012, completa-se 40 anos da morte do "Abílio Corcunda", da morte de um homem de caráter incontestável, de índole, de firmeza de ideias, de pensamento e de sonhos. Existe uma rua com o nome "Rua Abílio José Duarte", que fica perto da CIOSAC, na entrada do Bairro Mandacaru.

Foi uma satisfação muito grande compartilhar, mesmo que tão pouco, a história de um homem de ideais. Tenho orgulho de ser neto dele, porque, quando se é adolescente, sempre nós procuramos a quem seguir em pensamento, vendo as histórias de seus heróis. Encontrei, além do meu pai, um outro herói na minha família: uma homem de Justiça e de sabedoria paterna. Encontrei um herói querido por todos na sua vizinhança e na sua cidade. Encontrei um herói paciente e que não guardava mágoas de ninguém. Encontrei a história de um incorruptível, de um cidadão, de um homem real e ideal. Encontrei a história de Abílio José Duarte. 

Publicado no (blogdotoiim.blogspot.com)

Custódia: A última grande peleja do século XIX


Em 1900, em comemoração festiva que homenageava São José, em Custódia, cidade vizinha de Carnaíba, se encontraram e travaram uma luta verbal o famoso poeta Antônio Açudinho, carnaibano e Ferreirinha, natural de Caruaru.

Essas festas eram eventos privilegiados pelos cantadores porque reuniam grande número de pessoas que após os atos litúrgicos saiam em busca de diversão.

As pelejas, modalidade de cantoria em que dois poetas disputam o reconhecimento do público através de sua agilidade com as palavras proporcionavam esse entretenimento. Mas, muitas vezes a poesia dava lugar a discussões e brigas como acontece hoje nos estádios de futebol entre as torcidas organizadas.

Não foi diferente em Custódia, há mais de cem anos, naquela festa de São José em que cantavam Ferreirinha e Açudinho, pois cada estrofe improvisada por esse último era seguida de sorrisos e aplausos, enquanto as do outro eram acompanhadas de urros, gritos e vaias.

Criava-se assim, o ambiente propício para agressões físicas que não ocorreram em virtude da habilidade dos poetas que acalmaram os ânimos da plateia.

Vejamos algumas estrofes dessa peleja:

_ Meu colega Ferreirinha,
Seja bem-vindo a esta terra,
Mas me diga se é de paz.
Ou tem intenções de guerra,
pois eu preciso avisar
Os meus caboclos da serra.

_Muito obrigado, Açudinho
E permita que o saúde,
mas você fala com um homem
que a ninguém no mundo ilude,
Eu venho aqui de bem longe,
Só conhecer seu açude.


No meio da cantoria entra no recinto um padre que de certa forma é eleito pelos cantadores o juiz da disputa, como deixa evidente uma estrofe de Ferreirinha:

_Assim você bem parece
Que está com medo de mim,
Porque não me mostra o açude,
Eu fico pensado assim,
Chega agora um sacerdote…
Nos julgue o padre Rolim.


A partir desse momento os ânimos se agitam entre os admiradores de um e outro cantador, pois Ferreirinha afirma em uma estrofe não ser católico e Açudinho sai com essa:

_Valha-me Nossa Senhora,
E bom Deus que tudo pode,
Em meio dessa surpresa,
Um seu ministro me acode,
Com o cordão de São Francisco,
Meu padre amarre este bode.


Material enviado por José Soares de Melo, extraído do blog BRAIÇÃO.

(*) A palavra braiação significa em uma das variantes linguísticas do Sertão nordestino mistura. Nosso objetivo, portanto, é braiar. Diante, entretanto, das inúmeras possibilidades de braias que o Sertão oferece decidimos pela braiação da cantoria e do cordel, sobretudo, a produçao daquelas figuras notáveis como Antônio Açudinho, poeta carnaibano, do final do século XIX, respeitado pelos cantadores e amado pelos seus ouvintes, mas completamente esquecido dos que vivem, hoje, em sua cidade natal.

26 março, 2021

Nem Davanira simboliza tanto as Casas José Araujo como Seu Jurandi (natural de Custódia)

 


Por MARIANA MESQUITA
09/10/2017
Por Aqui


Grande parte dos funcionários das Casas José Araújo, que segue no coração fregueses, se orgulha de fazer parte da empresa por dez, vinte, trinta anos ou mais. No salão da única remanescente da rede na Tamarineira, muitos têm histórias para contar desde o tempo em que a loja foi inaugurada e tinha uma escada rolante que fazia a festa das crianças. Porém, em matéria de tempo de serviço ninguém bate Jurandi Bezerra de Messias – Jurandi “sem r”, como ele faz questão de ressaltar.

Natural de Custódia, no Sertão pernambucano, ele veio trabalhar na filial da Rua Duque de Caxias em 1956, por indicação do padre Duarte, de Pesqueira. De lá para cá, já são quase 61 anos de dedicação à empresa. Certamente, ele não ficou tão famoso como a personagem Davanira, que foi interpretada num dos comerciais mais famosos da loja pela hoje advogada Veruska Lins, mas é um símbolo imbatível da empresa.


Dono de uma memória invejável, seu Jurandi gerencia o setor de decoração da loja e conhece cada detalhe. “Aqui o sortimento é muito grande, temos de panos baratos, de R$ 7 o metro, até tecidos para vestido de noiva que custam mais de mil reais”, comenta. Simpático, ligeiro, de fala mansa e olhar esperto, seu Jurandi entende de tudo: estoque, estampa, textura, valor, fabricação… E nós da reportagem do PorAqui pudemos conferir como é necessário e querido.

A conversa foi interrompida por três funcionários diferentes pedindo informações e autorização, e por uma cliente antiga, que parou para cumprimentá-lo. Aos 84 anos, Seu Jurandi está aposentado mas não quer parar de trabalhar, contrariando a vontade da esposa, dos filhos e das netas. “Minha vida é isso aqui”, sorri.

Você conhece ou sabe como nós podemos encontrar Veruska Lins? 

Envia uma dica para o e-mail colabore@poraqui.news

Queremos também contar a história da menina que interpretou a inesquecível Davanira.


19 março, 2021

19 de março, dia do nosso Padroeiro São José.


“O anjo do Senhor manifestou-lhe em sonho dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria como tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo”. (Mt. 1, 20)


19 de março, dia do nosso Padroeiro São José.

Ano especial de São José!


2021, ano especial do pai adotivo de Jesus. No dia 08 de dezembro de 2020 foi iniciado, a pedido do Papa Francisco, a celebração dos 150 anos da Declaração de São José como padroeiro da Igreja Católica.

São José: nascido em Belém; nome: Joseph; pai: Jacob; profissão: carpinteiro; esposo da Virgem Maria; pai adotivo de Jesus e venerado por toda a cristandade.

São José; José de Nazaré; José, o Carpinteiro ou São José, o Operário.

O nome José é a versão lusófona do hebraico Yosef, que significa “Ele acrescenta”, referindo-se a Deus. Descendente da Casa Real de David, é venerado como santo pelas Igrejas Católica e Ortodoxa, que o celebram como seu Padroeiro Universal. A liturgia luterana também lhe dedica o dia 19 de março a sua memória, sob o título de “Tutor de Nosso Senhor”. Operário, é tido como “Padroeiro dos Trabalhadores”. E, pela fidelidade a sua esposa e dedicação paternal a Jesus, como “Padroeiro das Famílias” e empresta seu nome a muitas igrejas e lugares ao redor do mundo.

Nas tradição católica, José é considerado o Santo Padroeiro dos Trabalhadores e está associado a vários dias de festa. O Papa Pio IX declarou-o Patrono e Protetor da Igreja Católica. Na piedade popular, José é considerado um modelo para os pais como também se tornou patrono de várias dioceses e lugares. Na iconografia religiosa popular, ele é associado a lírios ou nardo, representando sua castidade e pureza.

Padroeiro da Igreja Católica da Bélgica, do Canadá e dos pais biológicos e adotivos, das famílias, da Diocese de Beja (Portugal), da cidade de Santarém, do Estado do Ceará, do Maranhão e das capitais Palmas e Macapá.

A Paróquia de Custódia tem a graça de tê-lo como patrono. A veneração ao bom José é de uma singeleza e amor que transcende as nossas forças.

Chegamos ao dia 19 de março, encerramento das homenagens ao nosso padroeiro. As restrições impostas pelas autoridades públicas de saúde afastaram os paroquianos da Casa de Deus. A pandemia da COVID-19 chegou a Custódia e assustou todos nós. E no dia 15/03/2020, na sétima noite de Novena do Padroeiro de Custódia, para a surpresa dos paroquianos, o Padre Roberto comunicou a suspensão de toda programação da festa. A determinação era contundente e precisa. No seu bojo, determinava o isolamento social e cuidados efetivos de higiene. Não foi e não está sendo fácil ficar afastada de tudo e de todos. Sinto falta de ir à igreja, de tomar a Hóstia - Corpo de Cristo - mas entendo que estamos num caos total, onde o sistema de saúde colapsou e o povo está morrendo sem assistência médica. E hoje, não diferente do ano passado, temos de priorizar a vida. Tivemos procissão de São José com as pessoas dentro de seus carros, de máscara e com álcool em gel, seguindo todo protocolo que se faz necessário. O percurso foi conduzido pela equipe da Paróquia de Custódia. Os carros seguiram o andor com seus vidros fechados. Terminada a procissão, voltaram para suas casas.

São José, intercede a teu filho Jesus pela minha família, pelos meus amigos e pelo Mundo inteiro! Amém!

São José, rogai por nós!

Lindinalva (Nenê).

Custódia, 19 de março de 2021.


Guardião e História de José - Música e Letra de Lindinalva "Nenê"

 


Letra e Música: Lindinalva Almeida "Nenê"
Interpretação: Linalva e Hugo Simões

18 março, 2021

Está morrendo a geração de ferro, para dar passagem à geração de cristal - Atanael Rezende


Dias atrás eu recebi a imagem abaixo acompanhada de um texto que dizia:

ESTÁ MORRENDO A GERAÇÃO DE FERRO, 
PARA DAR PASSAGEM À GERAÇÃO DE CRISTAL.

Está morrendo a geração que sem estudos educou seus filhos.

Aquela que, apesar da falta de tudo, nunca permitiu que faltasse o indispensável em casa.

Aquela que ensinou valores, começando por amor e respeito.

As pessoas que ensinavam aos homens o valor de uma mulher.

E às mulheres o respeito pelos homens.

Estão morrendo os que podiam viver com poucos luxos sem se sentir frustrados com isso.

Aqueles que trabalharam desde tenra idade e ensinaram o valor das coisas, não o preço.

Morrem os que passaram por mil dificuldades e sem desistir nos ensinaram a viver com dignidade.

Aqueles que depois de uma vida de sacrifícios e agruras vão com as mãos enrugadas, mas a testa erguida.

A geração que nos ensinou a viver sem medo está morrendo. Ela está morrendo.
Autoria desconhecida.

Agora sou eu aqui: De fato está morrendo a geração que sem estudo transmitiu valores para os seus descendentes e estes, aos poucos, vêm se rendendo a um mundo de hábitos doentios e de valores distorcidos. 

Atanael Rezende
Empresário

Roteiro da carreata com a imagem de São José dia 19 em Custódia


Roteiro da carreata com a imagem de São José.
Dia 19/03 às 17hrs

Saída da igreja Matriz de São José segue pelo Banco do Brasil  Avenida Inocêncio Lima Parede da barragem  Rua Samuel Carneiro Rua 02 contorno na academia das cidades Rua do Polivalente CIOSAC sobe a Av. Inocêncio Lima Rua Manoel Tenório (ao lado da igreja de Lourdes) Rua do Espaço Vip Pindoba Velha  cruza a BR 232  Pindoba nova (Igreja de Santa Luzia) BR 232 Principal da Redenção Rua do depósito da Atan  cruza a BR 232 Rua 11 de setembro Av. Dr° Manoel Borba  Igreja Matriz.

Doe alimentos, entregue durante o percurso da carreata em honra a São José no dia 19. 


Custodiense faz a diferença no Piauí



O sucesso de uma empresa depende de um bom planejamento estratégico (plano de negócios), pessoas capacitadas e conhecimento geral do empreendimento. Por este motivo, a Batista Representações, comandada pelo custodiense Juscelino Amaral Batista,  vem fazendo a diferença no estado do Piauí.  


Motivo de orgulho para todos custodienses!!!
Parabéns



 

08 março, 2021

Oito de Março, Dia Internacional da Mulher!


Texto: Lindinalva Almeida (Nenê)
Custódia-PE
Março/2021


O dia é seu, é meu, é nosso! Quem é você?

Sou mulher com muito orgulho!

Durante muitos séculos fomos retratadas com conceitos que não nos deixavam caminhar com nossas próprias pernas. Fomos humanizadas no sentido de fragilidade, de virtuosa e de tantas outras características que nos imprimiam incapacidades.

Hoje, entende-se que humanizar é a capacidade de ser frágil, ser vulnerável e ao mesmo tempo ter vigor, ser criativa e resistir às intempéries da vida e poder traçar seus caminhos sem jamais deixar de ser terna e amável. É, “a mulher, traz essa harmonia que nos ensina a acariciar, a amar com ternura que faz do mundo uma coisa bonita”.

A mulher aprendeu em sua longa caminhada a ser ela mesma e a partir dessa visão, criou-se uma nova “Eva”, com luminosidade no condão de viver a vida conforme lhe proviesse à sua natureza ao aceitar-se plenamente, a mulher deu seu grito de liberdade, de alforria de um paradigma que afugentava a alma feminina.

Mulher de um novo tempo: o tempo delas! O tempo delas serem tudo que podem e o que quiserem ser. Mulheres que ousam ultrapassar fronteiras e assumir a transformação de uma sociedade ainda tão dona da verdade.

Guiada pela proteção da Virgem Maria, a mulher seguiu sua coragem e a sua fé. É premente que a classe dominante, que teima em vê-la como submissa, alargue o olhar e veja a mulher como uma figura presente em toda história da humanidade. É preciso, sim, aprofundar o pensamento e compreensão e com certeza encontrará a história da mulher, Mãe que deu seu Sim, num tempo em que tudo era visto na condição de obediência e subordinação. E sob à luz das Escrituras, a mulher esteve presente no nascimento do Salvador, no primeiro milagre de Jesus, na sua vida pública e ainda como as primeiras testemunhas da Ressurreição de Jesus Cristo.

O Papa Francisco tem demonstrado preocupação com o escancarado preconceito com as mulheres negras, pobres e enfim, com mulheres que buscam um lugar ao sol. E esboça frases que merecem reflexão: “A Igreja é feminina, é esposa, é mãe”. “Uma Igreja sem as mulheres é como o Colégio Apostólico sem Maria”.

As Marias, as Josefas, as Júlias, as Clarices, todas estão aí precisando do seu apoio para uma convivência saudável, onde seu espaço seja acolhedor e amigo.

Concluo com a célebre frase de Jean-Jacques Rousseau: “as mulheres constituem a metade mais bela do mundo”. Eu particularmente amo essa frase.

Parabéns a cada uma, mesmo distante pela pandemia, transmito de coração o meu desejo de um mundo de paz e de luz. E que a Virgem Maria interceda a seu filho Jesus, nos livrando desse mal que assola o mundo.

Abraço fraterno,

Lindinalva (Nenê).
Custódia, 08 de março de 2021.



07 março, 2021

[Gandavos] A Cruz da Professorinha (Vídeo)

 


Mais uma produção do CANAL GANDAVOS, "A CRUZ DA PROFESSORINHA". 

Neste documentário, sobre um fato ocorrido em 1918 no município de Custódia.

Assista clicando acima. Siga o CANAL GANDAVOS

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O Canal Gandavos tem como objetivo publicar vídeos sobre a literatura e a cultura de um modo geral.

06 março, 2021

Madrinha Cila. A mãe de muitos - por João Verissímo

Foto: Acervo Familiar

por
João Veríssimo Neto
Sertânia
Março/2021

A senhora deixa eu ir madrinha Cila?. Você vai.

Assim foi o início da trajetória que o Senhor do universo possibilitou a mim e a este espírito de luz rumo ao litoral, naquela viagem que seria o desenraizamento do sertão e o enraizamento mais perto do mar, para mais tarde fazer o caminho inverso porque tudo volta ao princípio.

Madrinha Cila.

Extraordinária guerreira com a coragem de migrar para uma cidade grande acompanhada de nove filhos (Álvaro, Adson, Adilson, Nairlê, Naiclê, Nadja, Natiene, Niedja e Nadege), um sobrinho/afilhado agregado (que sou eu) e duas irmãs (Edith e Toinha) que ajudavam tanto.Treze pessoas!!! Nem tanto diante de tantos mais que ela abraçaria na sua extraordinária trajetória de vida.

Madrinha Cila

Enfrentou todas as intempéries que uma mãe, como só elas mesmas conseguem ser assim, às vezes é escolhida para resistir. E resistiu. Plantou sementes. Que frutificaram, diga-se. Ergueu uma imensa árvore genealógica que jamais esquecerá os seus ensinamentos, os seus exemplos, a sua fortaleza, a sua fé, a sua compaixão, a sua mansidão feroz quando o momento exigia uma posição mais enérgica. O vigor e o senso de quem sabe que sua missão é EDUCAR.

AUXILIADORA E EDUCADORA.

Construiu um império. Não desses impérios cheios de riquezas materiais. Não. Construiu o maior e mais forte de todos eles. Ensinou que é na luta cotidiana, na garra, na vontade e na crença em si mesmo que as coisam andam. E, acima de tudo, que estudar éuma das melhores maneiras de viver a vida.

Deixa, por isso, o legado que sempre enunciou, ou pelo menos era o que eu ouvia naqueles fins de tardes nublados e já distantes na varandinha de sua casa ao lado da igreja da Praça Padre Leão. Ali estava ela conversando com Dona Mocinha sobre a vida. E eu, meio que de cócoras ou sentado com as costas na parede ouvia.

Estudar, estudar, estudar. Simples assim.

Não há maior ensinamento do que dizer que a melhor forma de aprender é estudar e é ensinando que se aprende. Seja nos livros, seja nos relacionamentos, seja no emprego ou aonde quer que vá. Bom senso. Moto-contínuo.

Por isto que hoje melhor que chorar é ter conforto. Tenho orgulho de ter recebido ensinamentos tão profundos. Ela deixou muita coisa boa aqui conosco e que frutifica.Agradeço a Deus por ter o privilégio de ter sido, por um triz de tempo, aprendiz desse maravilhoso ser que foi Madrinha Cila. E sabê-la como espírito de luz passageiro e filha do tempo é confortante.

Aceitar e lutar com bravura e coragem, como fez Madrinha Cila, com o inexorável destino da vida inteira, me faz lembrar um poeta que eu lia nos anos 1980/1981 quando moravaem sua casa na Vila Cardeal e Silva, que diz:

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Khalil Gibran 

O tempo e a história da professora Maria Auxiliadora

Foto: Acervo de Familia
Texto: Lindinalva Simões "Nenê"
Custódia-PE
Março/2021

Dona Cila, como era chamada carinhosamente, registrou no livro do tempo a sua extraordinária história vivida nas escolas do município. Custódia, sua terra berço, teve a honra de tê-la como filha ilustre e hoje, com certeza, constará na galeria dos profissionais em educação que engrandeceram esse belo e sagrado processo educacional do município.

A sua vocação andou de mãos dadas com o seu profissionalismo porque amava o que fazia. E já dizia o filósofo chinês Confúcio: “escolha um trabalho que você ama e nunca terá que trabalhar um dia sequer em sua vida”.

Tenho recordações de Dona Cila como sua aluna e professora de seus filhos. Senti saudades das aulas dadas por ela e da sua organização nos desfiles cívicos. Lembrei da sua fala mansa, porém segura. E ainda quando se dirigia aos alunos para explicar determinados assuntos. E num gesto rápido, fechava os olhos, como a dizer: “olhem para mim, eu estou aqui!”. E agora, seus olhos foram fechados para sempre pelas mãos do Altíssimo, fazendo-a dormir um sono profundo até a ressurreição, quando participará da vida eterna.

Dona Cila, a senhora, com a luz do seu saber, iluminou a vida de vários alunos e esse brilho a iluminará na eternidade.

Meu sincero pesar aos irmãos Lúcia e Luciano, em nome dos quais transmito também meu pesar.

Abraço fraterno,

Lindinalva (Nenê).

01 março, 2021

Poetas de Custódia na casa do Poeta Leonardo Bastião em Itapetim-PE

 

Os poetas custodienses Izaias Moura e Marcos Silva, foram até a cidade de Itapetim-PE, visitar o poeta Leonardo Bastião

Um agricultor de 75 anos que vive na zona rural, no Sertão do Pajeú pernambucano. 

Não sabe ler e nem escrever. Suas poesias são inspiradas no que vê no seu sítio.



Gandavos - Série sobre o Sabá

 

Serra do Sabá - Episódio 2
Série NE Gandavos pelo Brasil.


Serra da Torre - Episódio 3
Série NE Gandavos pelo Brasil


Lagoinha do Sabá - Episódio 4
Série NE Gandavos pelo Brasil


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24 fevereiro, 2021

Miss Pernambuco Gay 2021. Saiba quem representará Custódia.

 



O Miss Pernambuco Gay 2021 terá um serra-talhadense representando a cidade de Custódia, no Sertão do Moxotó. 

A bela e delicada personagem Medley Sabrina do cantor, transformista e dançarino Saulo Stemell, de 24 anos, estará concorrendo este ano ao certame de beleza mais renomado do público LGBTQ+ do estado.

Saulo trabalha atualmente como personagem masculino e feminino na Tindolelê, uma empresa de recreação local, mas também faz back vocal e participações para importantes artistas da cidade, como Vinny Lima e a dupla Ítala e Brenda. 

Além de ser uma das mais famosas noivas da quadrilha Junina Sem Limite.

A atual campeã do Miss Gay é a lindíssima Antônia Gutierrez, que foi coroada em 2019 e ascendeu para o título de Miss Brasil Gay 2019/2020. 

Acompanhe todos os detalhes do concurso nas redes sociais no Instagram @misspernambucogayoficial e Facebook Miss Pernambuco Gay.

Crédito jornalístico: @blogmannusilva

Cordel Brasileiro - Dois Poetas de Custódia-PE


A CORDEL EDITORA GORRIÓN vai publicar o folheto de 
cordel Brasileiro de dois poetas de Custódia-PE, Marcos Silva e Izaias Moura .

O cordel contém 08 páginas no tamanho 11cm X 15 cm com 32 estrofes!

Vale a pena ler.
Recomendo-o.

Poeta matuto Izaias Moura comentou este lançamento:

Vem ai meu mais novo trabalho em cordel, dessa vez com meu amigo conterrâneo Marcos Silva Silva,  quero agradecer a cordel editora Gorrión, viva a poesia, viva o cordel brasileiro. Dois poetas de Custódia traz uma diversidade em poesia, Marcos Silva brilhantemente iluminando esse trabalho. (Izaias Moura)

Marcos Silva acabou de editar mais um cordel, em parceria com o grande poeta matuto, Izaias Moura também de Custódia. Um cordel com 32 sextilhas onde falamos de vários temas.






Contato Izaias Moura: https://www.facebook.com/izaias.moura.904


Contato Marcos Silva: https://www.facebook.com/profile.php?id=100004024986545

22 fevereiro, 2021

Minha Terra - por Jussara Burgos




Minha Custódia tem sentinelas,
São os imponentes coqueiros
Que há muito tempo estão ali.

Presenciando a história
De gerações passadas
E das que hão de vir.

Custódia da minha infância,
Saudades tenho de ti!

No doce balanço da onda,
No juju e nas canoas do seu Duda,
Quantas vezes me diverti.

Como era bom dormir
Ouvindo o barulho da chuva
Caindo nas telhas de barro
E acordar com o cheiro do sertão.

Aroma melhor nunca senti!

Ver as plantas orvalhadas
E ouvir o barulho da passarada,
Quando o sol começa a surgir.

Saudade dos suspiros,
Que dona Aurora fazia
E na sua banca vendia.

Eles adoçaram a minha infância.

Iguaria tão boa quanto
Aos doces de Diva ou Didi
Custódia das noites enluaradas
Cheirando a flor de bugari.

Banhando nas águas mansas
Do teu riacho, eu cresci.

Nas tuas ruas brinquei e corri.

Dos meus amigos, familiares
Pessoas honradas com que convivi.

Minha terra querida,
Acho que esqueci
De agradecer por teres
Me acolhido, no dia em que nasci.

Peço-te perdão, por que
Como uma andorinha,
Um dia, levantei voo e

Parti!



Jussara Burgos

PS: Quando fiz o poema, ainda tinha os coqueiros de Dona Nita

Escritora custodiense realiza encontros sobre produção feminina de cordéis

 


Para lançar luz sobre o cordel, trazendo a ótica e produção feminina e dialogando com outros elementos e gêneros da cultura, o Encontro Literário de Escrita Feminina em Pernambuco ganha a cena virtual. Desde do dia 15 de Fevereiro no canal do Youtube "Cordel Mulher PE". 

A programação será realizada ao longo do mês de março, com convidadas para discutir a produção do gênero e a relação com o cotidiano.

A iniciativa que reflete sobre o espaço feminino nos folhetos de cordel é assinada pela Rede de Mulheres Cordelistas de Pernambuco, que têm à frente as pesquisadoras e escritoras Eulina Fraga e Shirley Rodrigues

Juntas, atuam há mais de 15 anos no estudo, produção de livros e projetos educativos que objetivam a visibilidade do cordel e a presença feminina nele.

Serão mais de 10 encontros, sempre às 19h e mediados por elas, e que trarão sempre uma convidada para discutir temas que têm o cordel como protagonista.

Todas as conversas continuarão disponíveis no canal, após transmissão, para quem não puder acompanhar ao vivo. “É uma forma de discutirmos temas urgentes e necessários no que dizem respeito ao trabalho das mulheres cordelistas no estado, tendo em vista a vasta produção de folhetos, xilogravura, contação de histórias, música, formação e pesquisa, entre outros”, diz Shirley.

Entre outros temas, estão “A educação pela poesia do Cordel”, com Erica Montenegro, “Redescobrindo a arte de cordelizar na terceira idade”, com Edilene Chick Cordéis, “A representação feminina na cadeia produtiva do cordel em Pernambuco”, com Ana Ferraz, e “Xilogravura e a produção de cordéis em Pernambuco do tradicional ao contemporâneo”, com Graciela Castro e Kelmara.


Programação:
15/02 – Aprendizado e Produção, com Isabel Maia
16/02 – Entre Glosas e Cordéis, com Elenilda Amaral
17/02 – Cordelizar é preciso, com Dani Almeida e Edimaria
18/02 – Confluência da literatura de cordel com o turismo criativo e a música, com Elis Almeida
19/02 – A vida é um poema de cordel, com Suzana Morais
22/02 - Ângela Paiva e o desafio de escrever o cordel para o futuro
23/02 – A educação pela poesia de cordel, com Erica Montenegro
24/02 – A cangaceira de cordel - Rivani Nasário
25/02 – Redescobrindo a arte de cordelizar na terceira idade, com Edilene Chick Cordéis
25/02 - Xilogravura e a produção de cordéis em Pernambuco do tradicional ao contemporâneo, com Graciela Castro e Kelmara
02/03 - Entre a poesia, a contação de histórias e o engajamento social, com Mariane Bigio
03/03 – A representação feminina na cadeia produtiva do cordel em Pernambuco, com Ana Ferraz
04/03 - Movimento psicordélico: do lirismo às temáticas sociais, Neide Germano

SERVIÇO
Encontro Literário de Cordel de Escrita Feminina em Pernambuco
Quando: de 15 de fevereiro a 4 de março, sempre às 19h
Onde: Transmissão via Youtube Cordel Mulher PE (Clique para acessar o canal)

Publicado original do Diário de Pernambuco, Caderno Viver, dia 17/02/2021.

Link: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/viver/2021/02/escritoras-pernambucanas-realizam-encontros-sobre-producao-feminina-de.html

21 fevereiro, 2021

A paixão pelo varejo - por Atanael Rezende

 


A paixão pelo varejo me motivou aproveitar a minha estada em vários países mundo afora, para visitar as feiras locais (Suíça, Itália, França, China, Dubai, Paraguai, Argentina, etc). Inclusive inúmeras feiras de praticamente todas as regiões do Brasil.

As feiras livres, além de muito divertidas, são verdadeiras aulas de motivação e de empreendedorismo.

Essa minha paixão é antiga: desde criança eu frequentava e já comprava na feira livre de Custódia-PE. 

Ao negociar com feirantes, eu barganhava preços, ameaçava sair para comprar na banca concorrente ao lado e geralmente ouvia de quem nunca tinha me visto na vida, “vou fazer esse preço só porque é para você”. Eu, claro, não perdia a oportunidade de perguntar, o senhor ou senhora me conhece de onde? Rsrsrs. Riamos juntos. Às vezes escutava frases como: ó menino danado!... além de comprar barato, ainda rir de mim”.

Vale ressaltar que quase tudo se comprava nas feiras livres do Nordeste. E que, anos atrás eu encomendei uma tela retratando a feira de Custódia ao artista local Edmar Sales , exposto hoje na sede da nossa empresa.

Por fim, fica a minha homenagem e admiração aos feirantes (homens e mulheres, empreendedores e lutadores), que acordam cedo para garantir, nas feiras, o sustendo das suas famílias...

Atanael Rezende
Empresário

12 fevereiro, 2021

Faces da Cidade - por José Melo

Texto: José Melo
Recife-PE
Fevereiro-2021


As figuras populares formatam a face de uma cidade, por vezes deixando marcas profundas na lembrança de seus conteporâneos, ou mesmo eternizando fatos e causos para sempre na memória de uma gente. 

Custódia tem acervo rico de figuras populares, que marcaram a face da cidade em seu tempo, que pelos seus dotes, suas habilidades, suas características, suas curiosidades, enfim, pelo seu modo de ser. 

Esta semana, vendo uma fotografia de um informe publicitário da Prefeitura de Custódia, sobre a vacinação dos idosos contra o Corona Virus, reconheci de imediato um desses personagens: Zé Brito, em uma foto promocional, no Abrigo de idosos de Custódia. Um simples nome, indiferente para a grande maioria da população atual da cidade, mas uma figura marcante para quem já está chegado nos anos. 

Servente de pedreiro da equipe de obras da Prefeitura, Zé Brito era sempre requisitado para trabalhos penosos e pesados, rejeitados pela maioria de trabalhadores da época. Chamava a atenção, no vigor de seus quarenta anos, por duas qualidades que possuía - uma delas chamava a atenção de todos pelo sua peculiaridade: Além de ser conhecido pela sua incrível disposição para o trabalho pesado – insuperável nessa qualidade, ele tinha outra que era motivo de admiração e gozação pela turma de gaiatos, seus contemporâneos: seu apetite era insaciável. Diziam que ele comprava um “quarto de bode” - prá quem não sabe, uma das quatro partes em que o caprino é divido para venda, e cozinhava de uma só vez, e consumia em apenas uma refeição. Um quarto de bode na média pesa entre dois e meio a três quilos. Não posso assegurar que é verdade, mas que ele comia bem, isso é indiscutível. 

Assistí uma brincadeira de mau gosto que certa vez fizeram com ele. A Mercearia de Evilácio, sob a batuta de Ticaquinha, nosso amigo Zé Carlos, na esquina da Fraga Rocha com a Praça Padre Leão, era ponto de reunião da galera, pra bate papo. Numa dessas reuniões, Zé Brito estava lá e a turma começou a provocar ele, dizendo que ele era incapaz de comer uma lata de doce pequena, que eles mostravam, apontando para uma lata de extrato de tomate. Desafiado a comer o conteúdo todo daquele “doce” sem beber água, Zé Brito aceitou, e virou o conteúdo em pouco goles. Terminado o lanche, alguém perguntou se o doce era bom e ele respondeu:

 - É bonzinho, mais é mei azêdo!! 

Tomou cerca de um litro de água e disse que agora estava pronto pra almoçar. 

Calejado pelo trabalho e pelo sofrimento, Zé Brito vivia sozinho. Não recordo de nenhum familiar dele, apenas que morava sozinho, sempre trabalhando diuturnamente, numa rotina cansativa, estando hoje, conforme o informe mencionado com cem anos de idade, descansando no Abrigo Público.

06 fevereiro, 2021

[Há 9 anos] Custódia no NE TV 2ª Edição TV Globo


Matéria exibida pela TV Globo Nordeste dia 11/02/2012

Na última reportagem da série sobre as obras de transposição das águas do Rio São Francisco, você vai ver que muitos comerciantes aproveitaram o momento para ganhar mais dinheiro.

02 fevereiro, 2021

No AR!!! J. Melo show

Foto: Adeilda Mariano
Texto: José Melo
Recife-PE
Fevereiro/2021



Sempre fui um “radiouvinte” inveterado. Ouvia rádio praticamente o tempo todo. Acompanhava todos os grandes programas da época de ouro do Rádio. Rádio Clube de Pernambuco, Rádio Jornal do Commércio, Rádio Globo, Rádio Sociedade da Bahia entre outras, sem falar nas emissoras regionais da época: Rádio Pajeú, de Afogados da Ingazeira, e depois, Rádio Cardeal, de Arcoverde. Adorava “Atrações do Meio Dia”, onde acompanhei os primeiros passos do Coroné Ludujero, e sua trupe, com “Sêo Mané, Otrope, Felomena, alé de José Santa Cruz, Barreto Júnior entre muitos outros grandes nomes da Televisão Brasileira que começaram no rádio pernambucano. Ouvia também programas de auditório da Rádio Clube, Rádio Jornal, Rádio Globo e Rádio Sociedade da Bahia, entre outras emissoras.

Ficava tão ligado neses programas de auditório, que eu além de “ouvir”, eu “via” aqueles programas. Na minha imaginação, eu visualizava as cenas que deveriam se desenrolar nos auditórios das emissoras de rádio. Isso ficou tão marcado em minha mente que quase passei a acreditar ter “visto” aquelas cenas.

Por isso, após ajudar Expedito Batista a criar o Conjunto Musical “OS ARDENTES”, ao participar dos ensaios do mesmo acabei por criar um programa de auditório em plena década de setenta. Imaginem vocês, numa época em que a comunicação conhecida na região era apenas as difusoras, que apenas transmitiam musicas acompanhadas de ofertas, surgir um programa com música, brincadeiras, danças, humor, distribuição de brindes, prêmios, tudo ao vivo, alí, bem pertinho de todos.

O ineditismo do programa chamou a atenção de muita gente, e todos os domingos o CLRC abrigava uma grande quantidade de jovens que participavam ativamente do programa.

A existência do Programa chegou ao conhecimento da direção da Rádio Pajeú de Afogados da Ingazeira, que enviou um emissário a Custódia, para tratar de uma apresentação do Programa, através daquela emissora. Tal emissário, - Senhor Agamenom, se não me engano, me procurou, e após discutir vários aspectos – o horário teria que se adaptar a programação da emisora, a colocação de uma antena exigia uma localização adequada, os custos da transmissão, enfim pequenas questões que foram solucionadas, e o programa foi acertado, e divulgado pela emissora. Estava marcada a primeira transmissão radiofônica direto de Custódia.

No dia marcado, a equipe da Rádio Pajeú chegou cedo a Custódia. Comandada pelo Diretor da Emissora, Valdecyr Menezes, acompanhado do Técnico Vanderley Galdino e demais colaboradores, providenciaram a instalação dos equipamentos, que se resumia a um pequeno transmissor SSB, um microfone e só. Feito o teste, apesar da “chiadeira” no som, estava pronta para iniciar a transmissão.

Surpreendetemente, nesse dia, o CLRC ficou pequeno para abrigar a quantidade de expectadores. Uma multidão compareceu para assisir ao programa daquele dia, que tinha o “charme” de ser transmitido ao vivo pela “Rádio”.

E durante mais de duas horas, apresentei o programa com um verdadeiro desfile de calouros, acompanhados pelo conjunto musical Os Ardentes, brincadeiras foram realizadas, brindes distribuídos. Recordo alguns nomes de jovens calouros da época: Flávia Epaminondas, Nely Aleixo, José Esdras, João Amaral, Ferdinando Feitosa, Ozório Amaral, Jorge Farias, Dadá de Zé de Noca, entre muitos outros que não consigo lembrar.

Uma atração especial foi o popular Doca, que como se sabe, tinha a mania de fazer “Discursos”, e mesmo sem pronunciar uma palavra compreensível, fez seu “discurso”, foi aplaudido, e dias depois, eu soube que a emissora recebeu diversas cartas de ouvintes elogiando o programa, e perguntando em que língua aquele “orador” havia falado.

Assim foi a primeira transmissão de rádio diretamente de Custódia

José Soares de Melo - Zé Melo