O ano festivo iniciava-se com o fascínio do Ciclo Natalino, que estendia as suas comemorações até o Dia de Reis (06 de Janeiro). Nesse período, a cidade transformava-se com barracas de doces, parques de diversões, leilões dirigidos por Floriano Pinto para erguer a Casa Paroquial e os bailes com a “jazz” de Serra Talhada.
A devoção expressava-se no presépio ornamentado por Tia Dona e na realização do pastoril no pátio da igreja, organizado pelo Padre Duarte e liderado por Darcira Florêncio e Neuman Florêncio nos cordões azul e encarnado. Nele, destacavam-se figuras como a Diana (Maria do Carmo Braga), a borboleta (Joany Pereira), a cigana (Zélia Sá) e o divertido Velho Félix.
Enquanto as crianças pediam "as festas" com cestas confeccionadas por Dona Luisa Pinto, a solenidade atingia o ápice na Missa do Galo. A celebração encerrava-se com a tradicional queima da lapinha ao lado da igreja, onde os fiéis atiravam à fogueira os seus pedidos, e com o Reisado, cujos duelos de espadas e trajes vistosos preenchiam a Rua do Rio (atual Rua Tenente Moura).
A rotina escolar era em seguida interrompida pelo Período Carnavalesco, anunciado logo cedo pela voz do preto Alaíde. Iniciado no sábado de "Zé Pereira" — personificado por Isaías Queiroz e Floriano Pinto —, o evento trazia um cortejo de papangus, a animação do "entrudo" com banhos coletivos e o arremesso das "laranjinhas" de parafina recheadas com água de cheiro, preparadas por Tia Alexandrina. Os blocos de Cari e de Seu Amaro Gomes animavam as tardes, enquanto as noites ganhavam sofisticação nos bailes à fantasia do Bar Phoenix, de Tio Né.
Em março, as atenções voltavam-se para a Festa de São José, padroeiro do município, com especial expectativa para o dia 19 de Março, tido como prenúncio de boas chuvas. Com novenários, tiros de bacamarteiros, retretas da banda de pífano de Zé Biá na Pracinha Ernesto de Queiroz e teatrinhos de mamulengo, o festejo reunia moradores e custodienses ausentes. O encerramento dava-se com um elegante baile no Bar Phoenix e a procissão solene pelas ruas da cidade.
Com o fim da Quaresma, a Semana Santa cobria a cidade de solenidade, do Domingo de Ramos à Páscoa. O Padre Duarte conduzia o lava-pés na Quinta-Feira Santa e a prédica da procissão do Senhor Morto na Sexta-Feira, momento abrilhantado pelos cânticos de Zé Florêncio. Pela manhã, a população fazia a peregrinação ao Cruzeiro — aproveitando para quebrar o jejum nos umbuzeiros e na fábrica de doce japonês de Joaquim Pinto —, reservando o Sábado de Aleluia para a divertida caça e execução dos bonecos de Judas no Centro.
O Mês de Maio trazia o encanto do Exercício Mariano. Diariamente, meninas vestidas de branco ofertavam flores no altar, ao som das orações conduzidas por Dona Maria Queiroz e dos cânticos de um grupo de jovens formado por Neuza, Dulcília, Genedite, Maria Emília, Zé Florêncio, Maria Cordeiro Rezende, Nita Freire, Anália Febrônio, Luzia Aleixo e Elizabete Mafra. Tia Dona encarregava-se de vestir as crianças que representavam os anjos, e o mês encerrava-se festivamente com a coroação de Nossa Senhora.
Durante as férias de junho, as Festas Juninas iluminação as ruas com fogueiras, fogos e fartura de comidas típicas. As pessoas escolhiam padrinhos em volta do fogo sob a bênção de São João e São Pedro, dançavam a quadrilha matuta comandada por João Veríssimo no Bar Phoenix e participavam do tradicional coco de roda na Rua do Rio, onde a graciosidade de Dona Felizarda, aos setenta anos, encantava os presentes.
Por fim, o Calendário Escolar marcava o segundo semestre com desfiles cívicos nas datas comemorativas do 7 de Setembro e do 11 de Setembro (aniversário de Emancipação Política de Custódia). Alunos do Grupo Escolar General Joaquim Inácio desfilavam fardados até a Prefeitura para cantar hinos, ouvir o prefeito e declamar poesias. Periodicamente, a cidade transformava-se também com a realização das Missões religiosas, marcadas pelos cânticos de Frei Fernando Rossi e pelas pregações veementes de Frei Damião Bozzano, que atraíam multidões em procissão pelas ruas.
Adaptação ao texto do livro CAMINHOS DO AFETO, lançado em 2004, pela Editora Bagaço.
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