02 setembro, 2026

[Diário de Pernambuco]: O audacioso furto de 5 milhões da prefeitura de Custódia-PE em 1965


Diário de Pernambuco
Edição 25 de Setembro de 1965

João Gracindo um dos autores do roubo, furtou do ex-prefeito Miguel José da Silva o valor dr Cr$ 5.078.451 em julho daquele ano.

 

Por Blog Custódia Terra Querida

Em 23 de setembro de 1965, as páginas do tradicional jornal Diário de Pernambuco traziam uma história policial inacreditável envolvendo diretamente o município de Custódia. O episódio reuniu um grande valor em dinheiro público, um desespero no ônibus, investigações policiais e a recaptura de um criminoso procurado em outro estado.

O Furto no Ônibus

Cerca de dois meses antes da publicação da notícia, o então prefeito em exercício de Custódia, o tenente reformado Miguel José da Silva, preparava-se para retornar à cidade. Ele embarcou em um ônibus da linha de Arcoverde carregando uma pasta de couro. Dentro dela havia documentos oficiais e a quantia exata de Cr$ 5.078.451 (cinco milhões, setenta e oito mil e quatrocentos e cinquenta e um cruzeiros), pertencente aos cofres da Prefeitura de Custódia.

Após se acomodar na poltrona e deixar a pasta sobre o assento, o prefeito desceu momentaneamente do veículo para pegar sua valise de viagem. Ao retornar ao seu assento, a surpresa: a pasta com todo o dinheiro havia sumido.

O relato da época descreve que, desorientado com a situação, o tenente Miguel Silva começou a procurar o pertence por todo o ônibus, indagando os passageiros sobre o paradeiro da quantia. Diante da busca infrutífera, ele dirigiu-se à Delegacia de Investigações e Capturas (DIC) para prestar queixa.

As Investigações e a Primeira Prisão

A polícia deu início às sindicâncias e ouviu mais de 20 suspeitos. As investigações apontaram para dois homens: João Gracindo da Silva (residente em Olinda) e José Marques Barbosa (morador de Abreu e Lima).

Os investigadores José Nildo, Francisco Pereira e Manuel Leopoldino localizaram os dois suspeitos em suas próprias residências e recuperaram o dinheiro integralmente. Pressionados no interrogatório pelo comissário João Medeiros, ambos caíram em contradições e confessaram a autoria do furto.

O Desfecho: Habeas Corpus e Latrocínio na Paraíba

O caso deu uma reviravolta logo após a primeira prisão: João Gracindo foi solto beneficiado por uma ordem de habeas corpus. No entanto, a liberdade durou pouco.

A polícia de João Pessoa (PB) enviou um telegrama informando que João Gracindo era, na verdade, um criminoso de alta periculosidade, já condenado pela Justiça paraibana a 26 anos de reclusão por crime de latrocínio (assalto à mão armada seguido de morte ou lesão grave).

A recaptura final ocorreu nas proximidades do velho cemitério de Olinda, efetuada pelo investigador Francisco Pereira, sob o comando dos comissários João Medeiros e José Armando Catende. O homem que tentou desviar os recursos da Prefeitura de Custódia acabou finalmente reconduzido à prisão para cumprir sua pena.

Nota de Contexto Histórico: O valor furtado em 1965 (mais de 5 milhões de cruzeiros) representava uma quantia expressiva para a época, um montante significativo para o orçamento municipal de Custódia na década de 1960.


Contexto do Período

O Tenente Miguel José da Silva governou Custódia como prefeito nomeado (interventor) entre 10 de outubro de 1964 e 28 de fevereiro de 1966, assumindo o cargo após o falecimento do prefeito eleito José Gonçalves Florêncio, durante o início do regime militar. Sua gestão tenha ficado marcada por ações como a inauguração do projeto inicial da Unidade Mista de Saúde Elizabeth Barbosa. 

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