20 setembro, 2020

Retalhos de Lembranças I - Arribando (José Melo)

 

Texto: José Melo
Recife-PE

Mais ou menos uma hora da madrugada. Zeca é acordado pela mãe, e levado até a pequena sala de visitas, sob a luz amarelada de um candeeiro. Ela explica que seu pai estará viajando para longe, e é preciso se despedir. 

Sem compreender a razão daquela viagem, Zeca nos seus inocentes cinco anos tem mais vontade é de voltar a dormir. Sua cabeça ainda não poderia compreender que aquela viagem, antes de viagem era mais uma fuga. Uma fuga da crise que permanentemente assolava aquele seu pequenino mundo, que se resumia a sua pequena casa, na rua de acesso ao centro da cidadezinha acanhada que era Alvorada da década de cinquenta. 

Só dias depois é que Zeca entendia aquilo. A bodega se resumia a quatro garrafas empoeiradas sobre a prateleira quase vazia, a balança enferrujada, enfim, um cenário de penúria que se abatia naquele pequeno estabelecimento comercial tão típico das pequenas cidades sertanejas. 

Em casa, praticamente nada. A velha petisqueira com espelhos desgastados pelo tempo abrigava alguns copos, poucas xícaras e pratos. A mesa descoberta. Cadeiras que já pediam aposentadoria há muito tempo. Na sala de visitas, apenas algumas fotografias ampliadas, com retoques feitos grosseiramente, um pequeno rádio elétrico encimando uma pequena prateleira a que chamavam de Atajé, algumas cadeiras envernizadas circundando uma pequena mesa de centro cuidadosamente forrada por minúscula toalha feita de renda branca. 

Praticamente mais nada restou de lembranças daquela fase. Apenas o dia em que o empregado da loja de eletrodomésticos ao cobrar e não receber as prestações do pequeno rádio, o levou para sempre. 

E como se acordasse de um sonho esquecido, Zeca se vê agora na casa do Avô materno, no sítio Estrada Nova, na Serra da Xícara, pés descalços, calça segurada por suspensórios feitos do mesmo tecido da calça, sem camisa, correndo pelo terreiro do velho casarão. Sempre as manhãs, acompanhava o avô ao curral, para observar a ordenha, ou como o velho Juvêncio dizia olhar ele “tirar” o leite das poucas vacas, mansas, que pacientemente aguardavam o final da ordenha, quando o bezerro que se mantivera preso à sua pata dianteira esquerda, era solto e, faminto, dava verdadeiros socos com a cabeça no úbere da vaca, em busca do pouco leite que sobrara.


[Gandavos] Becos de Custódia

 

Becos de Custódia, é mais um vídeo do canal Gandavos, com narração de José Melo, através de imagens conta um pouco sobre um dos becos mais conhecidos de Custódia. 

Apoiem o Canal Gandavos, acesse e se INSCREVA, depois ative o SINO para receber suas atualizações. 

O site tem como objetivo publicar vídeos sobre a literatura e a cultura de um modo geral. Visite sua página e confira diversos conteúdos publicados, muitos sobre nossa cidade.

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17 setembro, 2020

Desfile 7 de Setembro no General Joaquim Ignácio


Da esquerda para Direita: Luciano Góis, Genival Mariano, Savinho Góis, Jaildo, Lenilza Pereira (Rosa) (Maria da Glória), Jerônimo Mariano (D. Pedro), Lúcia Góis (representou D. Leopoldina), Otacilio Pires, e José Aloisio.

Roupas representando a Família Real, foto feita no pátio da Escola General Joaquim Ignácio em 1965.

Foto: Lúcia Góis.



 

Governador Manoel Borba em Custódia (1917)

 



Na edição do dia 04 de Janeiro de 1917 do jornal Diário de Pernambuco, trazia a seguinte manchete:

"A Excursão do governador a Triunfo. O regresso. As impressões de sua excelência"

De regresso de sua excursão a Triunfo, onde fora inaugurar a estrada carroçável recentemente construída entre Rio Branco, ponto terminal da estrada central e aquela importante cidade sertaneja, chegou ontem ao Recife o sr. dr. Manoel Borba, governador do Estado, em companhia das pessoas que até ali o acompanharam.


Daqui haviam partido no dia 28, em trem especial até Rio Branco. No dia 29, conforme noticiamos telegraficamente, s. exe. dirigiu-se a Buíque, tendo feito à cavalo o trecho do percurso ainda não servido pela estrada federal em construção. Acompanharam-no até ali e no regresso, que se fez no mesmo dia, 153 cavalheiros, proprietários e fazendeiros residentes naquela zona.

Partiram de Rio Branco (Arcoverde), em automóvel, s. exe. e a comitiva, pela nova estrada, com estações em Custódia, a 82 quilômetros, a Flores, a 134 quilômetros. Ai pernoitaram.

No dia imediato partiram para Triunfo, galgando a Serra da Baixa Verde, num percurso de 24 quilômetros. 

Sobre Custódia falou "“Em Custódia não encontrei escola estadual. Vou providenciar quanto esta falta."

Link da matéria: Clique Aqui

Zé Caboclo de Custódia - O anjo da guarda me avisou

 


Biografia: José Virgínio de Queiroz


 
* 07 de Julho de 1945
+ 22 de Julho de 2008



Filho único de Antônio Alves de Queiroz e Elvira Virgínio de Queiroz, nasceu no dia 07 de julho de 1945 na Fazenda Soares – Custódia/PE. Com 11 anos foi estudar no Colégio Olavo Bilac, na cidade de Sertânia, no ano seguinte foi transferido para o Colégio Salesiano, no Recife, no sistema de internato, em seguida passou a morar na pensão de seu tio Elídio.

Sendo filho único, sempre foi muito paparicado pelos pais, que não mediram esforços para lhe proporcionar tudo de melhor que a vida pode oferecer em termos de conforto, educação e diversão. Dessa forma, Zé Virgínio desfrutou na sua adolescência no Recife, tudo quanto tinha direito.

Voltou para Custódia em 1965 com 20 anos de idade. No dia 18 de janeiro de 1966 conhece a mulher que mudaria sua vida para sempre, Marilene. Nesse mesmo dia começaram um namoro que terminaria em casamento, realizado no dia 26 de setembro de 1967 na Igreja Matriz de São José. Dessa união nasceram 9 filhos, a primogênita morreu na hora do parto, mas em seguida vieram Fred, Darlene, Kleber, Ricardo, Roberta( In memorian), Brena, Péricles e Emerson. Zé Virgínio teve o privilégio de formar uma grande e bonita família, pois, com o passar dos anos, juntaram-se aos filhos, quatro noras e dez netos.

Tanto na doença de sua mãe, Dona Elvira, quanto na velhice de seu pai, seu Tonho, Zé Virgínio foi de um dedicação impressionante, não deixando-lhes faltar conforto, carinho e principalmente muito amor.

Com a morte dos seus pais, muitos acharam que ele ia acabar com todo o patrimônio herdado. Mas, contrariando toda essa gente, ele investiu pesado nas suas fazendas, deixando para sua família, um legado para ser lembrado para sempre.

A Fazenda Soares foi a grande paixão da vida de Zé Virgínio, a qual ele dedicou a maior parte da sua vida. Pois, foi do Soares que tirou todo seu sustento e também foi a única fonte de renda com a qual conseguiu criar e educar sua família.

A Fazenda Soares também foi palco de grandes farras realizadas por ele, onde reunia seus filhos e amigos no dias de vacinação e ferra de gado. Foram certamente os dias mais felizes da sua vida, porque passava o dia inteiro comendo, bebendo e ouvindo seus CD´s preferidos.

Com sua personalidade forte e autoritária, Zé Virgínio foi um homem muito rígido na criação de seus filhos, exigindo sempre muito respeito de todos e, do seu jeito, às vezes, rude, procurava incentivar todos quando o assunto era educação, sempre mostrando o valor que a mesma exerce na formação moral e profissional de cada um. Graças a Deus e com seus exemplos de esforço, dedicação e honestidade, conseguiu formar uma família bem estrutura.

Texto cedido pela família

[Causo] Primeira aula na Auto Escola



Vou contar um causo de uma custodiense radicada no DF que resolveu tirar CNH. 

Minha querida amiga Rosilda viúva de Vavá, pessoa muito divertida, alto astral e de bom coração. Amiga de infância da minha mãe. 

Uma vez fizeram uma festa de aniversário para ela e sua exigência foi contratar um sanfoneiro para tocar músicas de Luiz Gonzaga. 

Ela me disse: diga a sua mãe que eu dancei com o padre na minha festa. 

Rosa, como eu gostava de chamá-la me disse que na primeira aula da auto escola o instrutor disse: 

- aqui tem três pedais são embreagem, acelerador e o freio. 

Ela prontamente perguntou e como eu vou usar os três pedais se eu só tenho dois pés? 

Na continuação ela estava dirigindo e ouviu uma buzina insistente, o que a deixou irritada, ela bradou:

- "quem p**** está buzinando?" 

Calmamente o instrutor disse: com todo respeito, dona Rosilda, são seus seios...

14 setembro, 2020

Januncio Siqueira - Vol. 8 "Prá quem ama de verdade"

 

Confira o mais novo trabalho de Januncio Siqueira

Vol. 8 "Prá Quem ama de verdade".


MUSICAS

PRA QUEM AMA DE VERDADE
UM CAMINHÃO DE BEIJO
CASA DE TAPERA
ROENDO OS PUNHOS
BASTA ACREDITAR NA GENTE
DAMA DA ROÇA
SER FELIZ DE NOVO
UM BEIJO DE ADEUS
NOSSA PAIXÃO
POR AMOR
ESSE ALGUÉM SOU EU
DOCE MAGIA

Gravado no Studio Kleber Gomes, Serra Talhada - PE 



Redes Sociais:

• Instagram: @janunciodecustodia

• Facebook: Janunciodecustodia@gmail.com

• YouTube: JanuncioCustodia

•Spotify: ~~

•Deezer: ~~

- CONTATOS PARA SHOW:

• (81)9-95356820

• (81)9-79067182 

As Andorinhas de Custódia


foto: Paulo Fonseca


As andorinhas da minha infância moravam na torre e nos beirais da igrejinha de São José, que o Padre Leão Pedro Verzeri levantou com tanto sacrifício, no meio da praça da antiga vila de Custódia.

Elas chegavam, ninguém sabia de onde, aos milhares, num alvoroço ruidoso, mal o inverno aparecia, depois do ribombo das trovoadas do fim-de-ano, quando as primeiras chuvas caíam, perfumando o sertão, com o cheiro volutuoso de terra molhada, cobrindo de folhas o chão duro e revestindo de brotos as árvores desnudas.

Eu ficava, pela manhã, horas a fio, sentado na calçada de casa, sob o olhar vigilante de mamãe costurando na sua “Singer”, a olhar enternecido para o céu, onde milhares de asas, entre chilreio e evoluções, traçavam voos caprichosos, e, de súbito, em descaída rasante, baixavam, quase ao solo, por sobre a praça quieta.

Depois, subiam rumorosamente, fendiam os ares num barulho ensurdecedor, pousando depois, aos magotes, nos fios dos telégrafos que transmitiam as mensagens de Kepler Lafaiete e de “seu” Isaías, ou se afastavam em busca dos açudes próximos, onde, sobre a lâmina de água barrenta se atiravam, em voo de flecha, molhando os bicos e as penas.

Até que um dia, de repente, lá se iam as andorinhas, numa fuga misteriosa, abandonando a vila e a igrejinha humilde que as hospedara, emprestando-lhes os beirais para o calor dos ninhos

Para onde fugiam?

Ninguém sabia explicar.

Nem “seu” Joaquim, de bodega vizinha, que dava notícia de tudo: de “coiteiros” que aparecessem, disfarçadamente, ou de volantes que pernoitassem na rua, na perseguição ao grupo de Lampião.

O velho Numeriano, no caldo-de-cana de seu Zé Tomaz, dizia que as andorinhas tinham voltado para as beiras do São Francisco, em cujas margens e ilhas elas viviam e se multiplicavam.

O negro “Bezouro”, por sua vez, com os olhos raiados de sangue, a voz roquenha de tangedor de gado, que batia as estradas poeirentas levando boiadas para Alagoa de Baixo, Vila Bela, Salgueiro e outros lugares, afirmava, entre duas “bicadas” de aguardente, na venda de seu Leopoldo Mafra, que as “indurinhas” vinham dos rochedos da Serra do Araripe, e, para lá voltavam, quando se acabava o inverno e o calor chegava para o sertão.

´É lá que elas “assiste”, pois “indurinha” é “passo” de frio e ali tem mata que o sol não atravessa, e furna, prá elas viverem, onde só moram morcegos e onça pintada. 

Ninguém, no entanto, sabia, com precisão, o destino das aves que enfeitavam, por algum tempo, o céu azul do sertão.

O certo, (sei-o eu, tantos anos passados), é que elas fugiram.

E levaram nas asas ligeiras, para o distante e misterioso país onde se esconderam, os dias ensolarados da infância descuidosa, passada na “ribeira” ardente do Riacho do Cupiti, enfeitada de juazeiros e de quixabeiras e recendendo, nas noites de lua, ao suave perfume dos pereiros em flor.



Crônica de Luiz Cristóvão dos Santos, extraída do livro Caminhos do Sertão. 
Edição 1970.

Creio que como eu, muitos custodienses se sentirão protagonistas dessa história. 


(*) Enviado ao Blog pelo colaborador Jorge Remígio.

Sobre o meu percurso de vida - Por Vanise Rezende


Acredito que a maioria dos leitores deste blog não me conhecem, a não ser, talvez, pelo nome, como uma das filhas de Manuel Marinho de Rezende e de Ester Pires de Rezende.



Saí de Custódia com 11 anos (1953), para estudar no internato do Colégio Santa Doroteia de Pesqueira. Voltava a casa apenas nos períodos de férias, mas quase sempre íamos visitar meus avós, em Tabira, no carro de Seu Zé Ferreira, que nos levava, e voltava para nos buscar. 


Aos 15 anos me estabeleci num pensionato, em Recife, para cursar o ensino médio. Meus contatos sociais eram com rapazes e moças, jovens como eu, ou universitários profissionais associados à Ação Católica, um movimento de espiritualidade cristã que surgiu na França, e se disseminou em vários países. 


Aos 21 anos participei de um congresso em Frankfurt, na Alemanha, promovido pelo Movimento dos Focolares, um outro movimento de espiritualidade pelo qual me interessei tanto, que consegui licença dos meus pais para ficar morando na Itália, onde seguiria meus estudos universitários. Fui residir em Roma, onde estudei Comunicação e Jornalismo, e trabalhei na Rádio Vaticana (elaboração e voz dos programas em língua portuguesa – para Portugal, Brasil e países da África). Na Itália, Espanha e Portugal, realizei várias atividades junto às comunidades do Movimento dos Focolares. Assim, com tanto tempo longe do Capibaribe e do Moxotó, não mantive contato com os amigos das cidades onde vivi. Dez anos depois, ao voltar, me estabeleci em São Paulo, só retornando ao Recife em 1969. 


Em dezembro de 1970 me casei, no Recife, com Luiz Carlos de Araújo. Sou viúva, e tenho três filhas: Letícia, Vera e Carla. E dois netos: Artur, 9 anos e João Miguel, 6 anos. 

Meu trabalho atual é escrever (acabo de produzir um livro a ser publicado ainda este ano).

Mantenho o blog www.vaniserezende.com.br – um espaço em que reproduzo postagens e entrevistas sobre questões atuais da sociedade, algumas delas assinadas por mim, em prosa e poesia. 

Aliás, gostaria de convidar os seguidores de Custódia Terra Querida para entrarem no meu blog e, se acharem oportuno, assinalar sua presença como seguidor. 

Sobre a minha contribuição neste blog

Meus rabiscos iniciais para este espaço, sobre as memórias de minha infância em Custódia, serão publicados na cadência da roda do tempo, assim como vou me lembrando. 

E cada postagem estará ligada com a que virá depois, como se fossem bonecas de Matrióchka, juntando peça por peça, da mesma forma que funciona a memória dos mais velhos, que vão juntando os pedacinhos de vida em busca de reconstituí-la por inteiro. 

Meu contato: rezende.vanise@gmail.com

11 setembro, 2020

Bandeira de Custódia - História de sua criação

 



Em 1978 nosso município completava 50 anos de Emancipação Política. Entre os dias 01 e 11 de Setembro daquele ano, houve uma vasta programação elaborada por uma comissão designada pelo Prefeito, na época Luiz Epaminondas Filho.

Uma das primeiras providências foi à realização de um concurso para criação de uma bandeira para nossa cidade. Mesmo chegando ao seu cinquentenário, Custódia ainda não dispunha também de um Hino oficial.

Vinte dias antes da comemoração cinquentenário, foi divulgado um concurso para instituir uma bandeira para nossa cidade.

O regulamento indicava que cada pessoa podia apresentar até dois desenhos com bandeira, que seriam enviados à Prefeitura Municipal para serem avaliados e analisados por uma comissão julgadora.

A Comissão achou por bem fazer a junção de dois desenhos da bandeira dentre os melhores enviados.

No final, foi escolhido um desenho enviado por Jorge Remígio, filho de Claudionor Remígio e outro enviado por Adelma Arruda, filha do sargento Jorge Arruda.

Então, em 11 de Setembro de 1978, foi criada bandeira de Custódia, ficando assim, de autoria de Jorge Remígio e Adelma Arruda.

Na bandeira enviada por Jorge, tinha um Mandacaru, que é um símbolo do sertão nordestino, e no desenho de Adelma havia o Ostensório, que é também chamado de Custódia, objeto sacro usado em diversos cultos da Igreja Católica.

A premiação do concurso foi de Cr$ 1.000,00 (Mil cruzeiros), prêmio dividido entre os vencedores.

Texto: Paulo Peterson, com a colaboração de Jorge Remígio e José Melo Soares.

 



Parabéns, menina dos olhos de Pernambuco! Plínio Fabrício

 


Parabéns Custódia pelo seus 92 anos de Emancipação Política.

Morre em Salgueiro aos 91 anos, Dr. Chico Sampaio, ex-Juiz de Direito em Custódia


Faleceu ontem na cidade de Salgueiro, o vice-prefeito Dr. Francisco de Sá Sampaio. Dr. Chico como era conhecido, tinha 91 anos, ficou conhecido no Estado após se tornar presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, na década de 90. Após aposentadoria da vida jurídica, enveredou pela política nos anos de 2000. Nunca chegou a ser prefeito, tentando três vezes sem êxito. Na última eleição de 2016, finalmente conseguiu entrar na vida pública , realizando assim seu sonho de um mandado eletivo.

Foi Juiz de Direito em Custódia na década de 60, chegando a trabalhar como Professor do Ginásio Padre Leão. Se tornou uma pessoa muito querida em Custódia, chegando a ser padrinho de batismo e de casamento de algumas pessoas nesta época. 

No dia em que completa 92 anos de Emancipação Política, Custódia está de Luto!!

Poesia para Custódia (1973) - autora Célia Feitosa de Barros


    PARABÉNS CUSTÓDIA !!! 
    92 anos de Emancipação Política

    Parece que foi ontem! Logo após o desfile pelas ruas empilhadas de gente, disputando o melhor lugar para ver as escolas passarem, de longe, podia se ouvir minha voz ressoando da sacada da prefeitura em homenagem a Custódia pelo seu aniversário. 

    Cada ano era uma novidade: recitava uma poesia, lia novo texto, cantava ou representava. Era uma expectativa tão grande que, na véspera, quase não conseguia dormir. 

    Em 1973, recitei uma poesia, de autoria de Célia Feitosa de Barros, que até hoje guardo em minha memória. E como não poderia ser diferente, é com a mesma alegria e emoção que agora compartilho, com a autora, com todos os custodienses, com os amigos e amigas do Brasil afora, uma poesia que marcou minha infância.

    (*) Enviado por Leônia Simões



    11 DE SETEMBRO, 
    DIA DE GRANDE EMOÇÃO! 
    HOJE, O CALENDÁRIO MARCA. 
    A NOSSA EMANCIPAÇÃO.

    OS NOSSOS ANTEPASSADOS 
    ESTAVAM SEMPRE A BATALHAR,
     PARA QUE NOSSA CUSTÓDIA 
    CONSEGUISSE SE LIBERTAR.

    ERA UMA PEQUENA VILA, 
    DE UMA CIDADE VIZINHA MAS, 
    HÁ 85 ANOS.
     TORNOU-SE CIDADEZINHA.

    HOJE É GRANDE CIDADE, 
    DO SERTÃO PERNAMBUCANO 
    E SEMPRE TENDE A CRESCER, 
    CADA DIA, CADA ANO.

    JUVENTUDE DE CUSTÓDIA 
    SAIBA SEMPRE USAR À MENTE 
    PARA QUE NOSSA CUSTÓDIA 
    SEJA CIDADE PRÁ FRENTE

09 setembro, 2020

Luiz Cristóvão dos Santos um grande escritor que viveu sua infância em Custódia.

 


Luiz Cristóvão dos Santos nasceu em Pesqueira num dia de Natal. 25/12/1916. Foi logo depois da “Missa do Galo” rezada pelo vigário Frutuoso Rolim, que o farmacêutico Manoel Cristóvão dos Santos atravessou, apressado, a então “Rua Grande” (hoje, Praça Dom José Lopes), em busca do Dr. Lídio Paraíba, para trazê-lo urgente, à casa n. 146, onde sua esposa dona Carlinda Santos aguardava a hora do parto que se aproximava. E quando rompeu a madrugada nasceu o quinto filho do casal e que seria, anos depois, o autor de “Caminhos do Sertão”

Com cinco anos de idade, toda a família mudou-se para vila (hoje cidade) de Custódia, no Sertão do Cupiti. Luiz Cristóvão passou a infância naquela pequena vila, alarmada, vez por outra, pela presença de cangaceiros ou dos soldados das Volantes, que apareciam quebrando a pasmaceira do lugarejo e incendiando a imaginação dos meninos. Ali conheceu Lampião entrando porta a dentro da farmácia do “seo” Manoel Cristóvão, para comprar remédio, e solicitar, maneiroso, tratamento para dois ou três “cabras”, feridos em combate com a polícia, perto de Vila Bela. Ali conheceu também os heróis da luta contra os bandoleiros: Higino Belarmino, Optato Gueiros, Nelson Leobaldo, João Nunes, Manoel Neto, sargento Quelé, Manoel e Euclides Flor, Serrano de Andrade, José Caetano, Luiz Mariano, Theófanes Torres, Gabriel Queiroz, Braz Calmon, Alípio de Souza, o cabo Filadelfo, homens duros , queimados do sol, mosquetão à mão e tórax cruzado pelas cartucheiras. Luiz Cristóvão gravava na memória aquelas histórias que abalavam o sertão.

Anos depois, o regresso ao Agreste, para iniciar os estudos: Pesqueira e Caruaru respectivamente, com os grandes educadores sertanejos: Monsenhor Urbano de Carvalho e Luiz Pessoa da Silva. E também o litoral: Olinda e Recife, onde terminou bacharelado em Direito no ano de 1944.

Como advogado e promotor, retornou ao Sertão, percorrendo de volta, os caminhos da infância, visitando fazendas, vilas e cidadezinhas do Moxotó e do Pajeú. Foi o reencontro com as velhas histórias que ouvia, em menino, agora preso à ideia de levá-las para o livro. No meio de uma dezena deles, “Brasil de Chapéu de Couro”, lançado pela Editora Civilização Brasileira, o tornou conhecido em todo país. Com o livro “Caminhos do Pajeú”, em 1954, conquistou o primeiro prêmio: o “Othon Linch Bezerra de Mello”, distribuído pela Academia Pernambucana de Letras, que em 1970, lhe seria concedido pela segunda vez, com este “Caminhos do Sertão”, agora editado pela Imprensa Universitária de Pernambuco.

Texto extraído da contracapa do livro Caminhos do Sertão. Recife, ano de 1970.

Luiz Cristóvão dos Santos, foi Sociólogo, Antropólogo, Folclorista, Cronista, Escritor, Promotor Público e Jornalista. Foi também Deputado Estadual pela UDN em 1947. Faleceu em Recife no dia 30 de junho de 1997, aos 80 anos de idade. 

Bibliografia ao autor. 


Hino ao Sertão -1938. 
Adolescência-1950. 
Bilhetes do Sertão-1950. 
Padre Cottar, Um Vigário do Sertão-1953. 
Carlos Frederico Xavier de Brito, O Bandeirante da Goiaba-1953. 
Caminhos do Pajeú-1954. 
Brasil de Chapéu de Couro-1956. 
Caminhos do Sertão-1970. 
Chão de Infância-1983. 
Paisagem Humana do Pajeú-inacabado. 


Estou encaminhado esta biografia do escritor Luiz Cristóvão dos Santos para o Blog Custódia Terra Querida, para familiarização dos participantes, uma vez que enviarei posteriormente, crônicas desse grande personagem, citando parte de sua infância vivenciada em nossa cidade na década de vinte. Praticamente cem anos atrás.

Jorge Remígio

Sai de Custódia e ela não saiu de mim - por Lúcia Marta

 


Meu nome Lúcia Marta Santa Cruz. Cheguei em Custódia com 6 anos de idade. Com minha mãe adotiva Quitéria Duarte, meu Pai se chamava Vicente Duarte e minha irmã Rita. 



Morávamos na rua Luiz Epaminondas. Em frete a casa de Nilda Campos. Minha mãe e minha irmã eram costureiras. Estudei no grupo escolar General Joaquim Inácio e no Ginásio Padre Leão. Tive uma adolescência feliz com muitos amigos, e amo a Igreja Matriz de São José, acho linda.

Fui embora de Custódia em 1973 para a cidade de Paulo Afonso, morei em vários outros lugares, em 1975 fui a Custódia pela última vez, mas Custódia nunca saiu do meu coração. 

Em 1990 mudei para os Estados Unidos sempre pensando que um dia voltaria a Custódia.

Ano passado encontrei Lucia Góis e Marcos Moura, ambos me convenceram a ir ao Encontro de Custodienses Ausentes, reforçando o convite de Rosa Pereira e seu sobrinho Paulo Peterson.



Tenho que admitir que passei momentos maravilhosos revendo todos os meus grandes amigos.

Pretendo voltar se Deus quiser breve.

Obrigada minha Custódia linda pela acolhida.

por Lúcia Marta

08 setembro, 2020

Festa do Folclore de 1975.

 

Segundo Aurélio a palavra FOLCLORE quer dizer: 1.Conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em provérbios, contos ou canções.2.Conjunto das canções populares de uma época ou região.3. Estudo e conhecimento das tradições de um povo, expressas nas lendas, crenças, canções e costumes; desmologia, demopsicologia.

Uma festa que ficou nos anais da história custodiense com certeza aconteceu nos dias 24 e 25 de agosto de 1975. Organizada por Zezita Queiroz. Tivemos apresentação de bacamarteiros e Zé Biá e banda tocou no Parque Ernesto Queiroz enquanto dançamos ao som do pífano.

Zita trouxe do Recife um coreógrafo Carlos Almiro Leite, conhecido como Mirinho. Ele era sobrinho de seu Manoel Moura. Ele passou vários dias ensaiando as apresentações de danças.

Tivemos antes do baile que aconteceu no sábado dia 24 no Centro Lítero Recreativo de Custódia uma apresentação de danças do Candomblé, caboclinhos e outro.



Fizemos roupas para as apresentações. Havia uma moça que ia se apresentar e não podia arcar com as despesas do traje. Ana de Brasa frequentava centro de umbanda e tinha as roupas. Eu pensei que ela me emprestaria à roupa então falei para pessoa que iria conseguir. Ana era minha amiga e não me negaria. Ledo engano. Quando falei, ela me disse: Vou pedir consentimento a Mãe de Santo. E a resposta foi um NÃO. Fiquei sem saber o que fazer, pois havia apalavrado. Cumprir com minha palavra é uma questão de honra. Há única alternativa foi “roubar” a roupa de Ana. Pensei que ela não ia nem desconfiar. Chegando a nossa casa após o baile eu guardaria a roupa e estava tudo resolvido. Mas não foi isso que aconteceu.

Na hora da apresentação, o Clube lotado as pessoas que iam se apresentaram formaram um círculo na pista de dança. O responsável pelo som ficou tentando sem sucesso colocar a música (nos idos anos 70 ainda era radiolas e os LPs). O tempo passando, o povo ficando impaciente. Era uma situação constrangedora. Foi quando eu me lembrei da roupa de Ana.



Corri até a menina que estava usando os trajes e pedi baixinho para ela tirar a saia e ficar só de anágua. Assim que ela retirou a saia o som funcionou. Célia Feitosa pode comprovar esse fato.

Contei a Ana o que aconteceu, ela não gostou nem um pouco. Ficou um tempo de cara amarrado com toda razão.

Devo dizer que hoje não concordo que candomblé seja folclore, embora possamos encontrar nele cânticos, danças e lendas. Candomblé é um rito. Está dentro de um contexto religioso. É uma religião pagã e primitiva trazida pelos escravos e que se expandiu pelo Brasil. Dizem que na Bahia o candomblé está mais preservado do que nos países africano.

Jussara Pereira Burgos

Caros amigos Custodienses - por Vanise Rezende

 Caros amigos custodienses, e caros leitores amigos dos custodienses,


Vanise Rezende em 2018, aos 80 anos.


           Sou Vanise Rezende. Recentemente recebi um convite do ilustre Paulo Peterson – que há vários anos se dedica com afinco à produção e manutenção do Blog Custódia Terra Querida – para fazer parte do grupo de colaboradores desta 2ª fase do blog. Desde a sua 1ª fase eu acompanho este blog. Com colaboradores como José Carneiro de Farias, um amigo inesquecível, que nos deixou dois excelentes livros de memórias da nossa terra natal. Zé Carneiro, como o chamávamos, foi um excelente pesquisador de história das famílias custodienses. Uma produção que, certamente, ainda está à nossa disposição.  

        José de Melo é um colaborador muito reconhecido, bem mais jovem do que eu e Zé Carneiro. Consultor de profissão, tem uma memória ímpar, e uma narrativa irretocável. Não esqueço a postagem que ele fez sobre o meu pai, Manoel Marinho de Rezende, aqui neste espaço. Não seríamos capazes de descrever o meu pai como José de Melo o fez. Suas crônicas revelam o conhecimento que ele tem dos antigos habitantes de nossa terra, descrevendo inclusive as aventuras da sua infância ativa e precoce. 

Fernando Florêncio – muito conhecido por nós todos – tem a capacidade de nos contar, nas histórias que publica, detalhes preciosos dos acontecidos que ele presenciou ou que nos revela nas suas pesquisas. Foi, também, o incentivador e animador dos primeiros encontros periódicos dos custodienses.

      Hoje, em sua fase de maior expressão, como vimos no recente encontro de março passado, em Custódia, organizado por uma equipe local capaz de promover o retorno de muitos que há anos não voltavam à sua terra natal. 

      Minha sugestão é que as pessoas que participaram desse evento, enviassem à redação deste blog, as suas impressões dos reencontros com a nova paisagem da cidade, e com os seus antigos amigos. 

       Não poderia deixar de lembrar, aqui, duas primas minhas que certamente muitos conheceram. Odete Andrade – membro da velha guarda do blog, que muito cedo nos deixou, e Sevy Oliveira, que também escreveu um livro, com suas memórias de quando foi professora primária no interior do município. 

        Para essa nova etapa, o nosso redator chefe, Paulo Peterson, convocou a ilustre Jussara Burgos, cujos escritos que li, neste blog, comprovam um sábio manejo da arte da escrita. Além do conhecido Jorge Remígio que, salvo engano, está, como eu, entre os novos convocados. Sinto-me imensamente honrada de poder colaborar com esse grupo de redatores ilustres, tão presentes na história de nossa cidade natal.  

      Aos 82 anos, careço da compreensão dos leitores, pelos lapsos da memória e imprecisões das minhas lembranças.  Neste sentido, a correção e as dicas dos leitores serão sempre bem-vindas. O que resultaria num texto mais preciso para a história da cidade. Sintam-se à vontade

       A minha impressão é que – no percurso da velhice de escribas e escritores – à medida que se desgasta a precisão da memória, em seu lugar surge um refluxo criativo. Dá-se, então, que o cérebro nos devolve um lastro de invenções e memórias entrelaçadas, que nos dá suporte às nossas narrativas, tornando-as reais.  E com certeza serão. Basta que o leitor aceite esse faz-de-conta da imaginação, como um novo recurso do ofício de escrever. 

      O nosso caro Zé Carneiro, publicou dois livros – A Baraúna, prosa e verso, em 2015, e A sabedoria do tempo, em 2016, quando já adentrava a casa dos 90 anos. Nesses seus livros, de prosa e poesia, fatos reais e fictícios contam a sua história, e cabe ao leitor decidir o que é real ou imaginado. 

     Um outro custodiense, o Prof. José Pires da Silva – que esteve em Custódia, pela última vez, nos anos 50 – escreveu Viver, Pensar, Amar, um livro de poemas publicado em 2015, quando já estava com 81 anos. Nasceu em Custódia, filho do Sr. Elias e de Emília Pires (minha tia). Foram tentar a vida no Rio de Janeiro. Lá, fez mestrado em Literatura Portuguesa na UFRJ e foi professor titular de Literatura Portuguesa, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. 

      É certo que o tempo urge, mas ainda está à nossa disposição. Certamente o blog Custódia Terra Querida estará sempre aberto, para todas as nossas memórias, pesquisas, e inspirações poéticas. Não importa a idade, nem o estilo da narrativa, nem se é uma crônica em prosa ou poesia, uma fotografia, ou mesmo uns versos de cantador. O que importa é que façamos uma troca de talentos, e somemos as nossas memórias, para enriquecer o precioso acervo da história da nossa cidade querida.

 Vanise Rezende