Em 2011, durante as festividades do padroeiro São José, em Custódia-PE, uma das atrações musicais da noite era o poeta, cantor e compositor Maciel Melo. Antes de subir ao palco, tive a oportunidade de conversar por alguns minutos em seu camarim.
Sendo ele natural de Iguaracy — antigo distrito de Afogados da Ingazeira —, esse acabou sendo o gancho perfeito para iniciar o nosso breve bate-papo. Comentei que tinha um tio que morava por lá, e Maciel perguntou imediatamente de quem se tratava. Quando respondi que era Sebastião Alves, o cantor abriu um largo sorriso e emendou sem hesitar:
— O da farmácia da praça?
A partir dali, a conversa fluiu com ainda mais leveza e descontrações. Como bom iguaraciense, Maciel conhecia a fundo a história de sua terra. Lembrou que o povoado surgiu por volta de 1914, após a construção de uma igreja dedicada a São Sebastião, e que inicialmente se chamava Macacos, em homenagem a uma família tradicional da região. Temendo futuras conotações pejorativas para o lugar, foi justamente o meu tio, Sebastião Alves da Silva — então representante da vila junto à Câmara Municipal de Afogados da Ingazeira —, quem batalhou e conseguiu a mudança do nome para Iguaracy.
Maciel rememorou com carinho as lembranças da infância e juventude na farmácia do meu tio, o convívio com os filhos dele e a importância imensa que Sebastião tinha para a cidade. O que nos unia ali eram laços ainda mais profundos: Sebastião Alves era irmão da minha Tia Maria (mãe de Gerson Gonçalves) e de Corina Pereira Marques, minha avó paterna. Inclusive, quando a mãe dele faleceu, tendo ele apenas dois anos de idade, foi em Custódia que Sebastião foi residir, acolhido pelo casal Joaquim Pereira e Corina Pereira, ambos eram comerciantes.
Conforme a hora do show se aproximava, mencionei que havia criado o Blog Custódia Terra Querida. Para minha grata surpresa, Maciel respondeu que já conhecia o espaço! Contou-me que, durante as pesquisas na internet para a escrita de um de seus livros, encontrou em meu site a fotografia de uma lendária figura folclórica da região: Pedro Maraváia. Maciel fez questão de destacar que usou a imagem em sua obra e que creditou devidamente o blog.
Nos despedimos e saí dali tomado por uma enorme felicidade. Além da profunda admiração que sempre tive pelo trabalho desse "caboclo sonhador", descobri naquela noite que partilhávamos afetos, memórias e amigos em comum.
Essa ligação entre Maciel e a memória de Maraváia não ficou guardada apenas nas páginas do livro. O poeta também imortalizou o personagem na canção O Boi do Pajeú.



Muito bom o seu texto, Paulo. Parabéns!
ResponderExcluirJorge Remígio
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