26 agosto, 2026

Orgulho Custodiense: A história de Vanete Almeida, a filha da nossa terra indicante ao Prêmio Nobel da Paz


Vanete Almeida


Leitores do Blog Custódia Terra Querida, hoje resgatamos da nossa história uma figura extraordinária que nasceu em nosso solo, mas cuja trajetória ultrapassou as fronteiras do Sertão, do Brasil e do mundo. Falamos de Maria Vanete Almeida, uma custodiense de fibra que dedicou a vida à defesa e à organização das trabalhadoras rurais, alcançando o reconhecimento global por sua luta.

Embora sua carreira tenha tido pouca divulgação em Custódia, Vanete cravou seu nome na história do feminismo e do sindicalismo no Sertão pernambucano a partir da década de 1980. Ela não apenas abriu portas para a inserção das mulheres na vida pública e do campo, mas também presidiu o Centro de Educação Comunitária Rural em Serra Talhada, integrou o Conselho Nacional de Políticas para Mulheres (1996–2003) e assessorou a Fetape. Sua atuação atravessou fronteiras quando ajudou a fundar e coordenar a Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe.


Correio Braziliense 
Edição 29 de julho de 2005


O reconhecimento internacional e o Nobel da Paz

O ápice de sua visibilidade internacional ocorreu em 2005, quando Vanete fez parte do projeto "1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz". Essa iniciativa coletiva global indicou mil mulheres de diversos países ao Nobel para dar visibilidade ao trabalho invisível, porém vital, de lideranças comunitárias no combate à violência, à miséria e às desigualdades. Estar entre as escolhidas representou um marco histórico para o Sertão: uma filha de Custódia figurando entre as principais pacifistas do planeta.



Vanete Almeida nos deixou aos 69 anos, no Recife, após um ano de corajosa batalha contra o câncer, deixando um legado inestimável inspirando até o livro "Ser Mulher num Mundo de Homens", de Cornélia Parisius.

Reconhecer o valor de Vanete é um dever da nossa cidade. Que sua memória sirva de orgulho e inspiração para todas as futuras gerações de custodienses.


Transcição completa da matéria publicada no Jornal Correio Braziliense

Brasileiras na disputa

DA REDAÇÃO

A Associação Mil Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz, uma organização suíça, anuncia hoje a indicação de 52 brasileiras para a edição de 2005 do evento. Elas fazem parte de um grupo de mil mulheres selecionadas em 150 países para concorrerem à premiação deste ano. Entre as brasileiras, estaria a pernambucana Vanete Almeida, que faz parte da Rede de Mulheres Rurais da América Latina e Caribe e lidera o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR), que atua no sertão de Pernambuco.

As mulheres que serão indicadas em conjunto ao prêmio foram escolhidas com base em seus currículos e biografias, que deviam ter ligações com a promoção da paz. A Associação Mil Mulheres contou com indicações e sugestões de organizações comunitárias, rede de ajuda e de pessoas interessadas na promoção da paz para compor a lista. O comitê brasileiro do projeto, coordenado pela militante Clara Charf, recebeu 262 biografias. Segundo o comitê, as 52 mulheres escolhidas contemplam "a diversidade de etnias, classes sociais, nível educacional, estados de origem e áreas de atividade das mulheres do Brasil".

Desde a criação do Nobel da Paz, há 104 anos, apenas 13 mulheres foram premiadas. O projeto suíço pretende prestigiar o trabalho dessas promotoras do bem-estar de suas comunidades. A Associação Mil Mulheres não confirma nem nega, mas tudo indica que entre as indicadas está a pernambucana Vanete Almeida, de 62 anos, que trabalha há mais de 30 anos com movimentos de trabalhadores rurais.

Biografia Filha de um gerente de uma fábrica de sisal, Vanete nasceu em Sitio Cachoeira, municipio de Custódia (PE), mas se mudou aos dois anos para Serra Talhada, a 420 quilômetros da capital Recife, para morar com a avó materna. Vanete perdeu o pai aos sete anos, mas não teve uma infância muito dura. Ela não cresceu na roça e não sofreu com a falta de chuva no sertão. Mesmo assim, desde jovem se sensibilizou com a luta pela sobrevivência dos agricultores de sua região. A líder comunitária chegou a concluir o primeiro grau, mas teve que abandonar os estudos para ajudar em casa. O primeiro emprego de Vanete foi de costureira, ajudando a avó. Com 15 anos, começou a trabalhar como secretária no Colégio Municipal Cônego Torres, em Serra Talhada, e já revelava seu lado filantrópico em atividades com idosos do abrigo Ana Ribeiro.

Vanete se destacou durante os anos 80, quando, insatisfeita com a falta de participação das trabalhadoras rurais em seus sindicatos, liderou um grupo de dez mulheres que pretendiam reivindicar seus direitos. Seu trabalho pioneiro com as agricultoras do sertão se expandiu para o Nordeste e a América Latina. Hoje, existem 800 organizações de mulheres no Nordeste.

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