Preservar a história de Custódia é, acima de tudo, manter viva a chama do afeto, do respeito e do reconhecimento àqueles que ajudaram a construir a identidade do nosso município. No acervo de cartas e memórias do nosso blog, destaca-se uma valiosa correspondência escrita em 2012 pelo inesquecível pesquisador e memorista José Carneiro de Farias (Zé Carneiro), endereçada à sua ilustre conterrânea Jussara Burgos (Jussa Burgos).
Em poucas linhas, Zé Carneiro constrói um verdadeiro panorama da Custódia de meados do século XX, resgatando laços de amizade, fatos pitorescos, histórias de bastidores da rádio local e homenagens sinceras a grandes personagens da nossa terra.
1. A Fraternidade com Zé Burgos: Parceria, Trabalho e Lealdade
O ponto de maior emoção na mensagem é a recordação da convivência entre Zé Carneiro e Zé Burgos, pai de Jussara. Ele descreve a amizade como algo verdadeiramente fraternal e define Zé Burgos como um homem de generosidadeímpar, desprovido de vaidades e extremamente dinâmico.
Zé Burgos destacava-se como o melhor e maior vendedor da empresa Antarctica na região. Zé Carneiro atuava como seu secretário e companheiro de rotas, cuidando da correspondência e da escrita comercial. Entre as passagens marcantes dessa fase, Zé Carneiro relembra com leveza um acidente de percurso:
Em uma curva, a porta do caminhão de entregas se abriu e Zé Burgos foi arremessado ao chão. Zé Carneiro freou imediatamente e, pelo retrovisor, viu o amigo se levantar rapidamente, correr de volta ao veículo e continuar dirigindo como se nada tivesse acontecido.
Essa amizade rendeu frutos duradouros: além de companheiros de trabalho, tornaram-se comadres e compadres, reforçando os elos de afeto entre as famílias.
2. Os Tempos da Rádio Difusora e as Lições de Seu Joaquim Pereira
A carta traz de volta a efervescência social provocada pela antiga Rádio Difusora de Custódia, de propriedade de José Pires. Na época, Zé Carneiro era o locutor oficial do programa "DE ALGUÉM PARA VOCÊ", atração de grande audiência que servia como verdadeiro "termômetro social" da cidade a partir do número de dedicatórias enviadas.
Nesse cenário ganha destaque a figura de Seu Joaquim Pereira, homem culto que apreciava brocardos latinos e termos gregos. Zé Carneiro conta com bom humor a correção rigorosa que recebeu ao anunciar a chegada de uma atração artística na cidade:
– "Amanhã, pela segunda vez, estreia..." — anunciou o jovem locutor.No dia seguinte, Seu Joaquim o chamou e questionou na bucha:– "Se estreia duas vezes?"Diante da lição de português, Zé Carneiro admitiu o erro e "enfiou a viola no saco".
3. Painel de Afetos e Famílias Cultivadas
Na sequência da carta, Zé Carneiro realiza um verdadeiro passeio afetivo por diversos nomes tradicionais de nossa sociedade:
- Dona Corina: Relembrada por sua simpatia e alto astral.
- Zé Neto: Amigo íntimo e antigo companheiro de quarto nos tempos de pensão no Recife.
- Joany Pereira: Carinhosamente lembrada como sua namorada mais firme na mocidade custodiense.
- Noêmia, Pedro e Arnaldo Pereira: Integrantes dessa rede de convivência e consideração mútua.
- Maria Eunice: Sua estimada madrinha, a quem dedica votos de carinho e pedido de notícias.
4. O Valor do Registro Histórico
Ao final, Zé Carneiro reafirma que seu gesto em relação aos fatos de Custódia (como o esclarecimento sobre a naturalidade do Dr. Anísio Pires) possui caráter exclusivamente histórico e documental, sem disputas pessoais, movido apenas pelo amor à verdade e à preservação da memória local.
As lembranças reunidas por Zé Carneiro nesta carta a Jussara Burgos mostram que, embora o tempo passe e cubra os fatos nas "brumas do passado", a história de Custódia continua viva enquanto houver quem a conte com a alma e o coração.
(Gostou dessa recordação? Deixe seu comentário e compartilhe com os conterrâneos e familiares que vivenciaram ou ouviram falar dessa época inesquecível de nossa terra!)

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