O Êxodo e as Marcas da Seca Histórica
Natural do Cariri paraibano, da região de Cabaceiras (atual município de Alcantil), Chico viveu na Paraíba até os 11 anos de idade. Sua infância foi moldada pelas severas estiagens que atingiram o Nordeste nos anos 1950, marcando profundamente a memória de sua família.
Ele relembra passagens marcantes da época, como o episódio envolvendo seu parente Mané Ginu, que enfrentava longas caminhadas de madrugada para buscar água em potes de barro. Após escorregar e quebrar dois potes sucessivamente em um único dia, a família se viu forçada a cozinhar com o pouco de água barrenta reaproveitada. O relato reforça o contraste entre o isolamento daquela época e o acesso atual a recursos básicos na região.
Em 1959, com o agravamento da seca, a família de Chico deixou a Paraíba rumo a São Bento do Una, no Agreste pernambucano. Em abril de 1982, ele fixou residência definitiva no Sítio Mata Verde, em Custódia, onde constituiu sua família.
Atuação Social e Reconhecimento Comunitário
Além do trabalho na agricultura, Chico Paraíba dedicou 30 anos de sua vida ao movimento sindical rural de Custódia. Sua trajetória de mediação e defesa dos trabalhadores do campo garantiu-lhe amplo conhecimento da região e respeito comunitário.
Como reconhecimento por sua contribuição social e cultural ao município, a Câmara Municipal de Custódia concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário. Para um agricultor de origem humilde e pouca instrução formal, o título representa a coroação de uma vida pautada no trabalho e na honestidade.
A Guardiã da Poesia Popular
Pai de dois filhos — entre eles o escritor e poeta Isaías Moura —, Chico é um entusiasta das tradições orais do sertão, como a cantoria de viola, o forró tradicional e as bandas de pífano.
Durante suas memórias, ele resgata versos célebres de grandes nomes da poesia sertaneja, como Manuel Xudú, João Isídio, Pedro Bandeira e Ivanildo Vila Nova. A relação com a poesia, segundo ele, modificou até sua forma de enxergar a natureza. Após ouvir uma sextilha do poeta Pedro Bandeira sobre o aprisionamento de pássaros, Chico tomou a decisão de soltar todas as aves que mantinha em um viveiro em sua casa, abandonando a prática em definitivo.
Hoje aposentado e cercado por filhos, netos e bisnetos, Chico Paraíba permanece como uma referência viva da história oral, da cultura e da resiliência do povo sertanejo no interior de Pernambuco.
Video com a entrevista completa, você pode conferir abaixo:
Texto criado a partir de informações colhidas por José Luís, do Canal Sertão Mano Amigo, no Youtube. (clique aqui)