1. Origem e Formação Familiar (Séculos XVIII a XX)
A história da comunidade tem suas raízes no século XVIII, quando a família Rodrigues de Melo, de origem e tradição católica, migrou do Rio Grande do Norte e se estabeleceu na região como proprietária das terras. Inicialmente, o local recebia o nome de "Logradouro".
A mudança para a denominação Caiçara ocorreu após uma forte enchente do Rio Cupiti, nos anos de 1923 e 1924 (primeiro quartel do século XX). As águas do rio transbordaram e destruíram as cercas do curral e da residência dos irmãos Rodrigues de Melo, deixando um grande acúmulo de varas, galhos e troncos — estrutura que remetia a uma caiçara. Nesse mesmo período, fixou-se na parte sul do território o vaqueiro Dodô Rodrigues de Melo, acompanhado de seus três irmãos, a serviço do fazendeiro e criador de gado José Américo.
A família Rodrigues de Melo expandiu-se na localidade por meio de casamentos consanguíneos, formando um clã com antepassados comuns. Entre os pioneiros que enfrentaram as adversidades iniciais para desenvolver a pecuária e a agricultura nas terras destacam-se os irmãos Joaquim, José e João Alfredo (conhecido como "Sr. Benzinho").
2. Tradições Culturais, Religiosidade e Sociedade
A vida comunitária em Caiçara sempre foi marcada pelas festas tradicionais e pela forte expressão religiosa e artesanal:
Religiosidade: Na festa do novenário de Santana, a comunidade reunia-se em frente às casas com tocadores de pífano (como João Paulo, Luiz de Janja e Godofredo), bacamarteiros, sanfoneiros e barracas de comidas típicas. A devoção levou à construção da Capela do Sagrado Coração de Jesus no centro do povoado, em terreno doado por Júlia Clara de Melo e sob a liderança comunitária de Áurea Clara de Melo. O Padre Josef Butheniez celebrou a primeira missa na capela em 12 de setembro de 1984. A tradicional festa do padroeiro é celebrada anualmente entre 13 e 22 de julho.
Festejos Juninos: As noites de São João eram comemoradas com fogueiras, quadrilhas organizadas por Pedro Simões, rodas de coco lideradas por Ernestina, Eva e Linda, além de encontros na "venda" de Chiquinha Simões.
Medicina Popular e Educação: As mulheres da comunidade desempenhavam papéis centrais nos cuidados domésticos e na farmácia caseira, utilizando raízes, cascas, folhas e sementes medicinais para chás e xaropes. Na educação e nos cuidados de saúde do lugarejo, destacaram-se figuras como os professores João Rodrigues, Maria de Milu e Adalgisa Simões, além do raizeiro Anísio Cordeiro.
Artesanato e Rendas: Trazendo a herança cultural do Rio Grande do Norte, mulheres como Lolita, Elvira, Júlia Clara e Linda Umbelina sobressaíram-se como fiadeiras, parteiras e rendeiras de bilro, produzindo trabalhos em crochê e bordados (ponto cheio, rococó e vazado).
3. Urbanização, Infraestrutura e Projetos Sociais
O reconhecimento oficial e a estruturação do perímetro urbano de Caiçara ocorreram na década de 1980:
Emancipação Urbana: Em 11 de setembro de 1984, o Decreto Municipal nº 387/84 declarou toda a área da antiga Fazenda Caiçara como Perímetro Urbano.
Estrutura Urbana: O distrito abrange uma área de 104 km². Seu núcleo urbano é estruturado por uma via dupla calçada que circunda a Praça Júlia Clara de Melo, contando com posto de saúde (PSF), escolas, estabelecimentos comerciais localmente chamados de "vendas" e residências.
Acesso: A partir da sede municipal de Custódia, o acesso é realizado percorrendo cerca de 20 a 30 km no sentido sul via rodovia PE-312.
Recursos Hídricos: Por estar inserido no semiárido nordestino, o distrito integrou o projeto "Conhecendo e Mobilizando o Social no Moxotó IV", vinculado ao Programa de Água Subterrânea para a Região Nordeste (PROASNE). Fruto de cooperação técnica internacional entre o Brasil (via Agência Brasileira de Cooperação - ABC) e o Canadá, com engajamento de docentes e estudantes de Serviço Social da UFPE, o projeto implementou tecnologias para perfuração de poços e dessalinização. O abastecimento de água potável da população é proveniente de poço localizado na Fazenda Porteiras, aliado ao uso de dessalinizador local.
Fomento ao Artesanato: A vocação artesanal do povoado culminou na fundação da COOPEARTC (Cooperativa de Artesanato de Caiçara) a partir de janeiro de 2003, proporcionando uma fonte alternativa de renda à agricultura e à pecuária. Destaca-se ainda a implantação do Centro Vocacional Tecnológico, voltado ao capacitação em artesanato, e o Espaço Cultural Recreativo Luiz Epaminondas Filho, considerado referência na região.
Educação e Serviços: A principal instituição de ensino local é a Escola Luis Crispino Bezerra. Para a continuidade dos estudos a partir do 5º ano (Ensino Fundamental II), os estudantes deslocam-se para a sede do município de Custódia por meio de transporte gratuito.
4. Representatividade e Atualidade
A economia local baseia-se na agricultura de subsistência, na caprinocultura, na pecuária bovina, na criação de aves e no artesanato cooperativo. No cenário político de Custódia, Caiçara mantém histórico de representatividade desde a atuação de João Alfredo (Senhor Benzinho) e Elpídio Rodrigues até lideranças contemporâneas, como Reginaldo de Lima Pereira.
Hoje, o distrito de Caiçara é reconhecido como um cartão-postal do município de Custódia, preservando suas tradições culturais e a linhagem da família Rodrigues de Melo.


meu avozinho antônio marques barbosa era um artesã de mão cheia na confecção do santo são sebastião feito em pedra vendia em toda regiao do pageu por solidão afogados ingazeira nasceu no sítio cajazeiras dos marques entre tabira i solidão
ResponderExcluirMuito bom o documentário
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