Agosto/2008
De carona nas garras da saudade
Viajei pela estrada da lembrança
Fui parar no meu tempo de criança
Relembrando a minha mocidade
Percorri as caatingas e serrotes
Pés descalços, sem camisa, a vagar
Ouvindo os passarinhos a cantar
Voando em bandos, juntos, aos magotes.
Tomei banho no Riacho da Marreca,
Joguei bola,carrapeta e pião
Fiz da lata de sardinha um caminhão
No mato, cacei rolinha de peteca
Joguei pedras no alto do mulungu,
Descansei na sombra do juazeiro
Depois corri até o imbuzeiro
E apanhei dezenas de imbu.
De quixabas tão doces e tão pretinhas,
Enchi os bolsos e levei lá pra casa
Assei o milho verdinho na brasa
Do velho fogão lá na cozinha.
Fiz boneco de barro no terreiro,
Um magote de boi e de cavalo
Um cachorro um bode e um galo
E olhando tudo isso, um vaqueiro.
Já cansado, fui pra casa me deitei
E em transe, de Custódia vim embora
Tristemente, acordei naquela hora
Aquele dia não existiu, só sonhei.
Quem me dera voltar a estrada da lembrança
E parar no meu tempo de criança
E sonhar, e reviver tão áureos dias.
Mas não pode o tempo não perdoa
E embora a malvada saudade doa
É bom lembrar aquela vida de alegrias
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