24 setembro, 2026

[Revista Interação] Entrevista com Jânio Queiroz "Há muita gente com carteira de OAB, mas poucos Advogados"

 


Revista Interação
Edição 09
Setembro 2026

ENTREVISTA EXCLUSIVA


“HÁ MUITA GENTE COM CARTEIRA DA OAB, MAS POUCOS ADVOGADOS”

Com experiência em casos de alta complexidade, Dr. Jânio Queiroz fala sobre os desafios da profissão, a importância da habilidade humana e o impacto da inteligência artificial na advocacia.

Em um cenário de transformações tecnológicas, redes sociais e acesso instantâneo à informação, o advogado Dr. Jânio Queiroz defende que o Direito continua sendo, acima de tudo, uma profissão de pessoas. A afirmação — "há muita gente com carteira da OAB, mas poucos advogados" — ganhou grande repercussão nas redes sociais e abriu uma discussão sobre o que, de fato, significa exercer a advocacia nos dias de hoje. Em entrevista à Revista Interação, Queiroz explica que sua fala não é uma crítica à habilitação profissional, mas um convite à reflexão sobre o verdadeiro papel do advogado na sociedade.

CARTEIRA É TÍTULO. ADVOCACIA É ENTREGA

"Ter uma carteira da OAB significa estar legalmente habilitado para exercer a profissão. Ser advogado, no sentido mais profundo da palavra, é algo que se constrói todos os dias", afirma.

Para ele, a formação jurídica é apenas o ponto de partida. A prática exige estudo contínuo, coragem, experiência, equilíbrio emocional e, sobretudo, compromisso com quem confia seus problemas nas mãos do advogado.

“Advocacia exige estudo, responsabilidade, coragem, experiência e, principalmente, compromisso com as pessoas.” DR. JÂNIO QUEIROZ

DOIS DIPLOMAS: DIREITO E VIDA

Durante a entrevista, Queiroz falou sobre a chamada "habilidade humana" — a capacidade de ouvir, compreender e se colocar no lugar do outro.

"O cliente chega com medo, angústia, expectativa e, muitas vezes, com uma história muito difícil. O Direito não é feito apenas de leis, prazos e processos. É feito de pessoas."

É nesse contexto que ele costuma citar uma frase que costuma repetir:

“Tenho dois diplomas: um da Faculdade de Direito e outro de sofrer.”

A expressão, segundo ele, não pretende romantizar dificuldades, mas mostrar que a experiência de vida também ensina lições essenciais para a atuação profissional.

O DIREITO ENSINA PELA DOR

Questionado sobre jovens advogados que ingressam na profissão acreditando já saber de tudo, Queiroz é direto:

"O Direito vai ensinar pela dor. A faculdade nos dá a base, mas é na prática, com os processos difíceis, as derrotas, os clientes, as audiências e os tribunais, que a gente realmente aprende."

Ele também critica a ideia de que firmeza se confunde com agressividade.

"Quem tem segurança técnica não precisa fazer barulho. A consistência fala mais alto e pesa muito mais."

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: FERRAMENTA, NÃO SUBSTITUTO

Para Queiroz, a inteligência artificial já é uma realidade na advocacia e traz ganhos de produtividade. Mas ele alerta:

"A IA escreve petições, pesquisa jurisprudência e organiza informações. Mas ela não conhece a dor do cliente, não sente a pressão de uma audiência e não constrói a confiança que sustenta a relação entre advogado e cliente."

No fim, resume: "A técnica faz o advogado conhecer o Direito. A experiência de vida ajuda o advogado a conhecer as pessoas."

Publicado Originalmente no Instagram da Revista Interação (Clique Aqui)


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