
Criado pela educadora de apoio – LINALVA PINTO SIMÕES RODRIGUES, em 01/09/2001 e confeccionado pela professora VERA LÚCIA SIMÕES.
BANDEIRA

Embora não existam registros exatos sobre a data ou o ano em que a gruta foi erguida pelo antigo vigário Padre Luiz Klur, a sua história foi preservada no Livro do Tombo da Paróquia de São José. No entanto, o documento não detalha a sua inauguração, mas sim o motivo surpreendente do seu fim.
No dia 1º de março de 1973, assumiu a paróquia o Padre Herbert Henke, MSF (Missionários da Sagrada Família), sacerdote natural da Alemanha. Entre as reformas e intervenções estruturais prioritárias realizadas durante sua gestão, o religioso registrou no Livro do Tombo a necessidade de demolir o antigo ponto de devoção:
"A demolição da gruta, outrora erguida por Pe. Luiz Klur, sendo essa obra indispensável tanto para executar a fortificação dos fundamentos da torre como também para evitar maior infiltração d'água de chuva na parede lateral."
Além da remoção da gruta, o Padre Herbert executou o reforço da estrutura da torre principal da matriz com uma base de cimento armado (radier), medindo dois metros de comprimento por um metro e meio de largura e profundidade em cada lado da torre.
Apesar de ter sido demolida há mais de cinco décadas por razões de engenharia e preservação do templo, a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes permanece viva na memória dos custodiense mais antigos.
Registros como esse, mantidos no arquivo paroquial, ajudam a reconstruir a arquitetura e o cotidiano religioso que moldaram o centro urbano de Custódia ao longo dos anos.
Maria Augusta do Amaral de Sá, carinhosamente conhecida como Dona Manoca, foi uma das figuras mais emblemáticas da formação educacional e social do município de Custódia (PE).
Nasceu em 1883 em Custódia, filha de Francisco de Queiroz Amaral e Hermelinda de Gois Amaral (também registrada em documentos como Ermelinda Alves de Goes Mello.). O casal ainda teve mais 3 filhos, foram eles: Artur de Queiroz Amaral, Capitão Sebastião Amaral e Maria Cândida Do Amaral. Maria Augusta marcou a história local ao tornar-se a primeira professora registrada a lecionar na cidade.
Vida Familiar e Integração Comunitária
Em 1913, casou-se em Custódia com o Tenente-Coronel Joaquim Pereira de Sá (conhecido como Quinca de Sá, tio de Zezita Queiroz). O casal teve apenas um filho: Aprigio Pereira do Amaral, nascido em 20 de fevereiro de 1914 em Custódia. Dona Manoca adotou Artur Pereira do Amaral, conhecido carinhosamente por Tuta.
Cartório de Sertânia, tem em sua ata de 25 de dezembro de 1915, consta batizado Maria, na presença dos padrinhos Francisco Alves de Queiroz Amaral e Maria Umbelina do Amaral. Não foi encontrado mais informações sobre Maria, por ter falecido ainda muito pequena, comum naquela época.
Seu legado familiar atualmente constitui de 05 (cinco) netos, 11 (onze) bisnetos e 11 (onze) trisnetos.
Residiu na Praça Padre Leão, onde atualmente funciona o Banco Sicoob.
Sua atuação na comunidade ia além das salas de aula, sendo presença constante na vida religiosa e social do município:
Maio de 1918: Serviu como madrinha de casamento de Alexandre Cyrinaco dos Santos e Justina Maria da Conceição.
Madrinha de Batismo: Apadrinhou a jovem Zilda, filha do casal Antônio Alves de Queiroz e Maria Otília Freire.
Pioneirismo na Educação e Dedicação Cívica
A trajetória profissional de Dona Manoca acompanhou a própria evolução política e administrativa da região ao longo das primeiras décadas do século XX:
1918: Exercia o cargo de professora municipal e atuava como secretária da Comissão Organizadora dos Desfiles Cívicos de Custódia, liderando os festejos da Independência no 7 de Setembro daquele ano.
26 de maio de 1920: Foi nomeada professora interina da Cadeira Mista nº 03, em Custódia (que na época pertencia ao município de Alagoa de Baixo, atual Sertânia).
19 de maio de 1927: Assumiu a Cadeira Mista nº 350, em substituição à docente Oswaldina Paulina de Sá.
01 de outubro de 1929: Com a autonomia política do município, passou a reger a Cadeira nº 624 (Primeira Entrância), levando o ensino público ao distrito de Quitimbu.
Também administrou um ponto comercial bastante frequentado nas décadas de 1950 e 1960: o Café da Hora. O estabelecimento marcou gerações servindo café, tapioca, queijo, doces e outras iguarias regionais. Ponto de encontro tradicional, era frequentado por figuras ilustres como João Veríssimo, Nozinho Veríssimo e Seu Chiquinho Amaral. Ficava localizado na esquina da Avenida Inocêncio Lima com a Praça Padre Leão, próximo a sua residência.
Últimos Anos e Legado
Já viúva, Maria Augusta mudou-se para a capital pernambucana. Vendeu sua residência para um primo Izaias de Queiroz Amaral.
Faleceu em 13 de fevereiro de 1963, às 7 horas da manhã, em sua residência na Avenida Santos Dumont, nº 573, no Recife, aos 80 anos de idade. Seu óbito foi registrado no Cartório da Graça e seu sepultamento ocorreu no Cemitério de Santo Amaro.
Fonte:
Pesquisa realizada por Paulo Peterson, com suporte incondicional de Vanuza Bezerra e Veronica Bezerra(filha). Algumas informações foram obtidas em Jornais de grande circulação no Estado de Pernambuco, Diário Oficial, Family Search, Genealogia Pernambucana, livro Caminhos do Afeto de Sevy Oliveira.
Também zombava do hábito do governador de ameaçar pedir renúncia sempre que contrariado pelos aliados.
Comparação Histórica com Custódia: O colunista traça um paralelo ("a parelha") entre o comportamento do governador e o do primeiro prefeito de Custódia, o velho Nemésio, conhecido por ameaçar "pedir a muda" ou "pedir baixa" a cada problema político, embora nunca tenha deixado o cargo.
Confira o paragrafo onde o colunista faz a comparação com Nemézio Rodrigues e o Governado Barbosa Lima Sobrinho:
De vez em quando corre na esquina do Lafaiete que o dr. Barbosa resolveu renunciar. Basta que lhe despertem o sono e lhe perturbem a leitura favorita.
Isso me faz lembrar o primeiro prefeito de Custódia, o velho Nemésio, fazendeiro de largas posses e homem de ideias curtas.
Quando tinha êle uma pequena contrariedade, por causa da função, ameaçava de "pedir a muda". Se a cousa era mais séria, se os espinhos do ofício penetravam mais fundo, dizia que "ia pedir baixa". Mas nunca fez nada disso e tirou o tempo todo.
O dr. Barbosa está direitinho o velho Nemésio. Por dá cá aquela palha, o pobre homem fica pelos cabelos e promete renunciar.
Nemésio foi a única parelha que encontrei para o dr. Barbosa, na história desadministrativa de Pernambuco.
A Djanira Pires, filha de Pordeus Pires, merecedora de registro na história de Custódia, como pioneira da pintura em sua terra, deixando muitas conterrâneas adeptas da bela arte.
A Carlos A. Lopes, embora não sendo natural de Custódia, nela passou boa parte de sua vida e por ela nutre grande afeição. Responsável pelo Blog Gandavos, reuniu uma plêiades de escritores, vem colhendo suas produções literárias e publicando em livros, numa original contribuição à cultura literária.
E, por fim, a Paulo Joaquim Peterson Pereira, apaixonado custodiense, criador e mantenedor do festejado Blog Custódia Terra Querida, que tanto vem difundindo de forma criteriosa as manifestações de sua terra e sua gente.
Fonte: A Baraúna (prosa e versos). Paginas 144/145
Partindo de Custódia em direção ao Quitimbu, havia duas estradas. Uma pelo antigo campo de futebol, onde hoje é o Tamboril e outra pelo beco de João Florêncio, ali nos fundos da igreja.
Estas duas saídas mais na frente se encontravam, convergindo para uma estrada única em direção à Cacimba Nova e outros povoados até o Quitimbu e daí até o infinito.
Bem no local onde as estradas se encontravam, ficava a fazenda de Seu Pedro Mariano, pai de Dr. Rubinaldo Rezende, que entre outros animais, criava porcos (e porcas) e conhece bem essa história.
De repente, bem em frente à casa da fazenda, que por sinal tinha uma cruz fincada na beira da estrada, em memória de alguém que fora assassinado naquele local, começou a aparecer uma "visagem" apavoradora. Era escurecer, e naquela cruz, antes inofensiva, passou a ser palco de uma assombração tão pavorosa que a matutada saía da feira antes de escurecer para não cruzar com aquele demônio.
No Bar Ponto Certo, depois de algumas "lapadas" de Serra Grande, Zé Aleijado, que tinha as pernas atrofiadas em decorrência de uma paralisia infantil e andava com ajuda de muletas, apostou que por uma meiota de Serra Grande ele passaria a noite ao lado daquela cruz, desmoralizando assim a visagem. Só preciso que um cabra corajoso igual a mim me leve nas costas até lá.
Foi aquele alvoroço. Teria Zé Aleijado tanta coragem a ponto de desafiar o sobrenatural?
Logo Mané Bidó, um preto forte, gente boa até demais, também amante da Serra Grande se prontificou:
- Eu levo o "home" até lá. Vamos esperar anoitecer.
Dez da noite, Mané Bidó jogou Zé Aleijado nas costas e se mandou para o local mal assombrado.
Só que descobriram que aquela "marmota" não era bicho do outro mundo coisa nenhuma, era sim, uns ciganos que acamparam ali próximo e resolveram roubar os porcos de Pedro Mariano.
Enquanto uns iam até o chiqueiro pegar os porcos, outros ciganos enrolados em um lençol branco, faziam todo tipo de piruetas para assombrar quem eventualmente por ali tentasse passar.
Quase meia-noite, aparece Mané Bidó com Zé Aleijado nas costas. Perto da Cruz, a lua cheia clareava tudo. A "assombração" quando viu Mané Bidó com Zé Aleijado nas costas, imaginou que seria um comparsa cigano com um porco às costas e foi perguntando:
- É porco ou porca?
Mané Bidó não conversou. Sacudiu Zé Aleijado em direção à "alma", dizendo: Ou porco ou porca, tome ai seu bagulho!!!
Pegou a estrada de volta que terminava no beco de João Florêncio, fazendo curva em duas rodas a mil por hora.
Zé Aleijado, arremessado, tocou o chão correndo e diferentemente de Mané Bidó, pegou a estradinha que desembocava no campo de futebol descendo a ladeira do grupo escolar.
Quando Mané Bidó, suando que nem tampa de bule, com olhos esbugalhados e faltando a voz chegou ao Bar Ponto Certo, (que fechava sempre na madrugadas), Zé Aleijado já tinha tomado duas lapadas de Serra Grande.
Dr. Rubinaldo conhece bem essa história.
Natural de Custódia, Felicíssimo de Lima Pires nasceu em 26 de abril de 1911, filho de Manoel Pordeus Pires Ferreira e Constança Pereira de Lima. Casou-se com Sebastiana Pires de Freitas (irmã de Antonia Pires de Freitas Gois "Dondon Pires), em 18 de dezembro de 1940, em Custódia, com quem teve quatro filhos: Marinalva de Lima Pires (1941–2003), Airton de Lima Pires (1943–2016), Rildete de Lima Pires e Irani de Lima Pires.
Sua trajetória política ganhou destaque a partir de 1945, quando integrou a Comissão de Organização Política e Partidária da União Democrática Nacional (UDN) em Pernambuco. Na ocasião, atuou na comissão de Propaganda e Assistência Política, então presidida por Germano de Souza Lima.
Em 7 de agosto de 1947, por meio do Ato nº 106 (publicado em 6 de agosto no Diário do Poder Executivo), foi nomeado Prefeito do Município de Custódia pelo Presidente da Assembleia Legislativa, que exercia interinamente o cargo de Governador do Estado.
Felicíssimo assumiu o comando do município em substituição a Jerônimo de Souza Neto.
Sua gestão durou cerca de três meses, antecedendo o retorno de Ernesto Alves de Queiroz à prefeitura para o seu segundo mandato.
Em comemoração aos 98 anos de Emancipação Política de Custódia, tivemos a alegria de prestigiar o 4º Encontro de Bandas Marciais de Custódia.
Foi um momento muito especial, marcado pela música, cultura, tradição e talento dos músicos e das bandas que abrilhantaram essa grande celebração.
E tem mais!
O canal Musicalizando com Marcelo Moura preparou uma playlist especial com os vídeos deste evento, para que todos possam assistir, reviver esses momentos e prestigiar o trabalho dos músicos e das bandas participantes.
Acesse a playlist, assista aos vídeos, compartilhe com seus amigos e deixe o seu 👍 LIKE!
Sua curtida e seu compartilhamento são muito importantes para valorizar e fortalecer a música, a cultura e as bandas marciais de nossa região.
Parabéns, Custódia, pelos seus 98 anos de história!
Viva a música! Viva a cultura! Viva Custódia!
A construção, integrante do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), encontrava-se totalmente paralisada devido a um impasse envolvendo a Igreja de São Luiz Gonzaga. Protegida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em razão de vestígios e restos quilombolas sob sua estrutura secular, a igrejinha tornou-se o símbolo dos entraves operacionais e da falta de planejamento que marcavam o projeto.
Para liberar a passagem da linha férrea, o traçado foi alterado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para contornar o templo a uma distância de 14 metros. Além disso, uma nova estrutura religiosa foi erguida em 2011 para transferir os cultos, mas a comunidade local resistiu e não aderiu à mudança, mantendo o canteiro de obras estagnado.
Na época, especialistas e entidades como a Associação Nordestina de Logística (Anelog) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) alertavam para o descontrole dos custos e dos prazos:
Explosão Orçamentária: O custo inicial de R$ 4,5 bilhões em 2006 saltou para R$ 11,2 bilhões até 2015.
Atrasos Sequenciais: O prazo inicial de entrega (2010) foi adiado sucessivamente para 2017 e 2018, sem entregas operacionais dos trechos de Pernambuco.
Impacto Econômico: O atraso prejudicava setores estratégicos, como o polo gesseiro do Araripe, que enfrentava altos custos no transporte rodoviário (responsável por mais de 60% do escoamento regional) em comparação ao potencial de redução de 30% nos fretes com o modal ferroviário.
Custódia, 98 Anos de História, Fé e Tradição na Terra Querida
Desde os tempos em que a antiga Fazenda Santa Cruz servia de entreposto para tropeiros e viajantes, Custódia vocacionou-se como ponto de encontro, de acolhimento e de comércio.
Foi o abrigo afetuoso da lendária Dona Custódia (Maria Custódia Osório de Campos) em sua hospedaria que batizaram esta terra com o nome que hoje carregamos no peito com reverência e carinho.
Relembrar nossa emancipação através do resgate histórico é honrar os nomes e episódios que moldaram nossa identidade:
As Origens e a Fé: Do pioneirismo de figuras como o Coronel Luiz de Melo (Dodô) aos doadores do terreno de nossa matriz; do sonho do Padre Leão Pedro Verseri à bravura dos trabalhadores que ergueram nossa Igreja Matriz dedicada ao padroeiro São José.
O Comércio e o Trabalho: A tradição das feiras livres, o algodão, o caroá e a força de feirantes e comerciantes que transformaram a vila de 1909 na cidade pujante que se emancipou em 11 de setembro de 1928.
O Povo e a Cultura: A riqueza de nossos distritos — Quitimbu e Maravilha —, dos povoados como Samambaia, Caiçara, Ingá, Bom Nome e das mais de cem comunidades rurais; a expressividade dos nossos artistas, poetas e guardiões da memória política e cultural.
Custódia não é feita apenas de pedras e ruas; é feita da resiliência dos seus filhos, do calor do Sertão e da certeza de que o futuro se constrói sem jamais esquecer as raízes.
Parabéns a todos os custodiense de nascimento e de coração! Que o Glorioso São José continue abençoando nossos caminhos.
Viva Custódia! Viva os seus 98 anos de liberdade e história!
Uma história de afeto, rios e versos entre o sertão pernambucano e as águas do Brasil
No sertão pernambucano, mais precisamente em Sertânia, surge uma história que revela como a literatura pode nascer dos vínculos mais genuínos. Uma história entrelaçada pelo escritor Paulo Mapu, membro da rede ESCRITOR DANADO DE BOM, a poetisa Jussara Burgos, hoje radicada em Goiás, filha de seus padrinhos, oriundos de Custódia — município vizinho a Sertânia, igualmente reconhecido por sua tradição poética, Ramon Japiassu, primo de Jussara, e o amigo Digerson Almeida que acompanhou Mapu em sua jornada pelo mundo, na condição de companheiro de estrada.
Conforme Mapu, os três — ele, Ramon e um terceiro conterrâneo de Sertânia — partiram em busca de novos horizontes, estabelecendo residência em diferentes regiões do Brasil. Foi no Amazonas, contudo, que a história adquiriu contornos verdadeiramente literários: ali, Mapu compunha poemas que, em seguida, rasgava e lançava ao rio, entregando os fragmentos de papel à correnteza.
Dessa vivência singular nasceu “Os Rios Correndo em Mim”, poema inspirado nos cursos d’água que marcaram a trajetória do autor. Mapu acreditava ter compartilhado essa história diretamente com Jussara; ela, porém, revelou que o relato lhe chegou por intermédio de Ramon. Inspirada pela narrativa, a poetisa compôs um poema dedicado ao amigo — intitulado simplesmente “Mapu” —, obra que viria a ser agraciada com uma distinção literária. A amizade entre ambos, como a própria autora registra, foi edificada por seus pais.
Transcrito pelo autor a partir de seu livro Mulher Lua, o poema percorre os rios de cada lugar por onde passou:
Os Rios Correndo em mim
Só agora me dei conta
Que os rios contam
A minha história
Em Sertânia o Moxotó
Sem pena e sem dó
Desvia seu curso
Me jogando no Velho Chico
No Recife o Capibaribe
Como uma catapulta
Me lança no Rio Guamá
No Amazonas
O Negro e o Solimões
Guardam alucinações
Poemas lançados
Em papéis picados
Com destino ao mar
Na Bahia
Rio de Contas
Me conta da família
Matogrosso
E seus encantos em Itacaré
Na Venezuela
Rio Orinoco
Carimba meu passaporte
Na primeira fronteira
Em busca de outros rios
No Caribe
Cuba me chama
Até Baracoa
No Rio Toa
À toa…
Poema do livro Mulher Lua — Paulo Mapu
Em resposta, Jussara Burgos compôs o poema que dedica ao amigo:
Mapu
Nas veias do meu amigo
correm rios que ele conheceu.
Águas de doces lembranças
do seu sonhar.
Águas fluviais
correm na certeza
do encontro com o mar.
Rios são caminhos tortuosos
vencendo obstáculos
em busca da sua grandeza.
Sobre os rios, tem pontes
ligando gente e seus ideais.
Sobre os rios, balsas, canoas e barcos
dizendo que navegar é preciso
para poder chegar.
O rio é etéreo,
é um momento que não se repete jamais.
Rios tem calmarias e temporais…
Na correnteza, os sonhos chegam e vão.
Rio é vida que segue…
É um eterno recomeçar.
No remanso dos rios
tem borboletas a voar
e flor de mussambê
pra meu amigo brincar,
sentado às margens do rio,
escrevendo poemas em pedaços de papel;
fazendo barquinhos
que a correnteza do Solimões levava embora…
Era poesia que nas águas corriam.
Para Paulo Mapu — Nossa amizade foi construída por nossos pais
O poema de Jussara rendeu-lhe a honraria Destaque Acadêmico 2026 – Mérito Acadêmico Imortal, acompanhada do Diploma de Mérito Acadêmico Ciccillo Matarazzo, outorgado pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia (ALSPA). A distinção foi entregue em 6 de setembro de 2026, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em cerimônia conduzida sob a presidência de Rogério Veiga e com a participação da Presidente de Honra, Leni Ziliotto.
A premiação reconhece a trajetória de Helena Jussara Pereira Burgos Monteiro — a Jussara Burgos da nossa rede — por sua contribuição às artes e à cultura, e presta, ainda, reverência ao legado de Ciccillo Matarazzo, idealizador da Bienal de São Paulo e figura central na abertura do país à arte universal.
Para encerrar
Essa história evidencia que a poesia, quando nutrida por laços verdadeiros, transcende a página e circula entre gerações e geografias. Dos rios de Sertânia às águas do Solimões, das margens do Orinoco ao mar do Caribe, a palavra segue seu curso — e, como os rios, encontra sempre o caminho do encontro.
Que a amizade entre Paulo Mapu, Jussara Burgos e Ramon Japiassu permaneça como testemunho de que a literatura nordestina, longe de correr solitária, floresce na partilha.
Jussara Burgos ocupa a Cadeira 34, sob a patronagem de Rachel de Queiroz na Academia Valparaisense de Letras- AVL em Luziânia Goiás.
Publicado Originalmente em DANADO DE BOM, para visualizar CLIQUE AQUI
O Ginásio Municipal Padre Leão foi fundado em 1959 e iniciou suas atividades letivas em 1960. Sua primeira turma do antigo 4º ano ginasial formou-se em 1964. A equipe gestora pioneira contou com o Dr. Francisco de Sá Sampaio na direção e Maria José de Sá Queiroz como secretária — função que mais tarde foi assumida por Ana Auxiliadora Queiroz Amaral.
Entre 1960 e 1974, a instituição funcionou na estrutura da Escola General Joaquim Inácio, atendendo a uma turma inicial de 42 alunos do Ensino Fundamental (então 5ª a 8ª série). Em 17 de outubro de 1967, teve início a formação da 1ª Turma de Professores, concluída em 1970.
A partir de 1975, a escola passou a ocupar sede própria com uma dinâmica em dois turnos:
Tarde: Colégio Municipal Ernesto Queiroz, ofertando o Curso de Magistério.
Noite: Ginásio Municipal Padre Leão, mantendo as turmas de 5ª a 8ª série. Nessa fase, a direção ficou a cargo de Sílvio Carneiro de Souza e a secretaria com Maria Auxiliadora de Queiroz Amaral.
Em 1980, com a criação da Escola José Pereira Burgos, o Ginásio Municipal Padre Leão foi extinto. O prédio próprio permaneceu com o Colégio Municipal Ernesto Queiroz, que manteve o Curso de Magistério até 2008. Posteriormente, a instituição expandiu sua atuação para o Ensino Fundamental completo sob o sistema idealizado por Maria de Fátima Rodrigues Rafael, passando a operar nos três turnos: alfabetização e 1ª a 4ª série pela manhã; Curso Normal Médio (antigo Magistério) à tarde; e 5ª a 8ª série à noite.
Colégio Municipal Ernesto Queiroz, passou a oferecer todas as formas de ensino para a população, em 08 de setembro de 2008. O Curso Normal Médio foi para Escola Estadual General Joaquim Inácio, e sendo extinta em definitivo em 2020, com a criação do Curso Superior de Pedagogia.
Agradecimento as informações importantes enviadas por Francisco Bernardo (Chico de Aliti). Sua contribuição foi de grande importância para manter registrada a história dessa importante escola do município.