24 setembro, 2026

O Bravo Povo Nordestino! - Lindinalva Almeida




“Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.”


Em vários períodos da história, a água caída dos céus, na região Nordeste, fez longas paradas, emoldurando a região em um cenário devastador.

Os fenômenos climáticos sempre existiram, e o alvo central foi o homem, com todas as consequências de uma terra que já não tinha mais o vigor de outrora.

Secas da Região Nordeste: nesses períodos trágicos da história, as estiagens causaram incontáveis prejuízos. A seca de 1915 é retratada no livro O Quinze, de Rachel de Queiroz. A obra conta que foi criado um campo de concentração para retirantes do Ceará.

Um dos períodos mais difíceis foi o das secas de 1932 e 1962, que resultaram em grande sofrimento social. Foi então, nesse contexto, que o Governo Federal criou um órgão de combate às dificuldades da região, a SUDENE, em 1959.

A SUDENE diminuiu substancialmente as dificuldades na vida de muitos nordestinos; porém, não supria os estragos deixados pelas estiagens.

Os períodos de 1950-1951 e, sobretudo, o dramático episódio de 1958 também causaram miséria generalizada em todo o Nordeste. O povo não tinha direção. Os carros de boi eram o meio de transporte de várias pessoas que fugiam da famigerada seca.

Nesse fatídico relato, ainda são registradas na região a grande seca de 1877-1879 e a estiagem entre 2012 e 2017, que causou a morte de cerca de 400 mil a 500 mil pessoas, dizimando rebanhos e provocando migração em massa, sendo considerada pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) como a mais longa sequência de anos com chuvas abaixo da média na região.

Ao escrever este texto, revivi momentos de reflexão sobre a vida desse povo, que sofreu na pele a dor e a tristeza de perder tudo e partir sem norte. Quem poderia fazer alguma coisa pela população seriam os políticos, mas pouco se fez durante décadas.

E, com toda sinceridade, vejo que as pessoas não veem e não dão valor a quem se propõe a fazer o bem pelo nosso Nordeste. Eu me pergunto: por onde anda a consciência política dessa gente?

Eu me lembrei, ainda, da minha infância, na casa de meus pais, quando estávamos em hora de refeição. Alguém batia à porta, e um dos filhos ia atender. Imaginem quem era? Famílias inteiras pedindo comida. E esse cenário se alongou por anos: crianças pedintes, chorando por não terem o pão de cada dia. Os homens, nas segundas-feiras, dia da feira de Custódia, saqueavam a feira e toda a cidade, no desespero de ver suas famílias passando fome.

Hoje, ninguém vê mais crianças pedindo nas portas.

No início do texto, coloquei a frase: “Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.” Pois bem, e para recordar: quem trouxe a água para o Nordeste foi o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com esse bem maior, tudo melhorou para o meu Nordeste.

Queria lembrar a quem esqueceu que a grande maioria dos programas sociais foi criada pelo Presidente Lula ao longo de seus governos.

Lembrar é urgente. Leiam a rasa e perigosa biografia desse ser abjeto chamado Flávio Bolsonaro, que quer cortar ou até extinguir os programas do povo.

Ele já lhe mostrou o instrumento que simboliza cortes: a tesoura.

O voto que você der errado terá consequências amanhã. Pense nisso!


Custódia, 22 de setembro de 2026.
Lindinalva (Nenê)
Escritora.


(*) Todo e qualquer texto publicado não reflete necessariamente a opinião deste blog. Refletem apenas a opinião do autor.

Um comentário:

  1. Texto de reflexão sobre dois importantes assuntos, nosso nordeste e sobre o nosso presidente. Parabéns Lindinalva e obrigada por se expressar tão bem sobre nossa política.

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