No alto de Brasília,
onde o céu cobre a imensidão do Planalto
há um mirante suspenso,sentinela das alvoradas crepúsculos,
nele, nós dois.
Era um dia simples,
como são os dias que não sabem
que serão eternos.
O vento brincava entre os cabelos,
e o horizonte tão aberto
parecia caber dentro dos nossos olhos.
Você ao meu lado, meu irmão,
feito presença firme
num mundo ainda por descobrir.
Cinco décadas passaram
como quem atravessa uma ponte invisível.
A cidade cresceu,
o concreto ganhou histórias,
e nós espalhamos pegadas pelos caminhos do tempo.
Mas aquela foto…
ah, aquela foto não envelhece.
Ela guarda um momento,
Ali, no alto da Torre,
o futuro era apenas um sopro
e a vida,
uma promessa silenciosa.
Hoje, quando olho de novo,
não vejo só dois rostos
vejo raízes.
Vejo o que ficou,
o que resistiu,
o que ainda nos liga
mesmo quando o mundo nos distancia.
Porque há lugares
que não são feitos de pedra,
nem de altura
são feitos de memória.
E há fotografias
que não são imagens,
são laços
que o tempo
não destrói.
Jussara Burgos
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