05 novembro, 2026

Homenagem a Dona Francisca Lucena: Saudade, Amor e Eternidade



"A vida é breve, mas cabe nela tudo: o riso, a dor, o amor e o sonho".

Estar vivo, é ter a consciência de que tudo por aqui é uma preparação para o encontro definitivo do homem com o Altíssimo.

E após sete dias da partida de Dona Francisca Lucena de Lima, presto meus sentimentos aos familiares e amigos. A querida professorinha aposentada partiu para morar lá, onde não existe tristeza, onde não existe preocupação com o dia seguinte, onde não se escuta soluços e choros, onde todos são nutridos pela comunhão do Pai Celestial. E onde a incerteza não existe, porque lá, é onde mora o amor maior, esse sentimento grandioso que a maioria dos homens ainda não conseguiu trabalhar em toda sua dimensão.

E diferente de muitos, Dona Francisca viveu na intensidade do amor, da paz e da bondade. O seu olhar transmitia segurança e lealdade, o seu sorriso era cativante, a sua voz soava confiança e credibilidade.

Convivi pouco tempo com Dona Kinca, como carinhosamente era conhecida. E foi nesse pouco tempo que percebi a riqueza de valores dessa grande mulher.

Amigos, a saudade dói e machuca, mas, com o tempo será suavizada.

"A saudade que ficou! Há ausências que o tempo não consegue explicar. A gente continua vivendo, sorrindo quando pode. Seguindo os dias… mas existe um lugar dentro do coração onde os entes queridos continuam sendo presença". Essa frase me tocou e creio que cabe ser reproduzida aqui.

Em preces, peço a proteção da Virgem Maria para que todos tenham a certeza que, um dia, ressuscitaremos em Cristo Jesus.


Descanse em paz, Dona Francisca!


Custódia, novembro de 2026.
Lindinalva (Nenê)
Escritora.

Pontos Turísticos de Custódia-PE


 

Quem visita Custódia não pode deixar de conhecer seus pontos turísticos mais importantes:


1. Cruzeiro de Custódia







Visão Geral e Importância Histórico-Religiosa

  • Tradição e Fé: O Alto do Cruzeiro sempre funcionou como um espaço sagrado de peregrinação, oração e pagamento de promessas. A imagem do Cristo e a imponente cruz no topo simbolizam a proteção sobre o município.

  • Tradições da Semana Santa: Durante o período pascal, especialmente na Sexta-Feira da Paixão, centenas de fiéis sobem o morro logo nas primeiras horas da manhã para realizar a Via Sacra e orar em um momento de penitência e fé.

  • Panorama da Cidade: Por estar em uma posição privilegiada, o mirante oferece uma vista panorâmica completa da zona urbana de Custódia, do leito do Rio Moxotó e das formações de serras que pontuam a Caatinga ao redor.

Curiosidades e Destaques

  1. A Escadaria dos 365 Degraus: A construção da escadaria de acesso ao mirante foi realizada na segunda gestão do prefeito Luiz Epaminondas Filho. Uma das curiosidades mais marcantes é a sua estrutura com exatamente 365 degraus — um batente para cada dia do ano —, transformando a subida em um desafio físico e devocional para os visitantes.

  2. O Nascer e o Pôr do Sol: O mirante é o ponto preferido de fotógrafos e moradores para contemplar o alvorecer e o entardecer no Sertão do Moxotó, momento em que o sol ilumina toda a malha urbana da cidade.

  3. Cartão-Postal e Inspiração Cultural: A Serra do Cruzeiro serviu de inspiração para diversos poetas, cronistas e compositores locais, sendo celebrada em versos por retratar a transformação da pequena vila sertaneja na cidade atual.


2. Igreja Matriz de São José




Histórico e Origem

  • A Criação da Paróquia (1915): A Paróquia de São José de Custódia foi oficialmente criada em 22 de abril de 1915, pelo Decreto Bispal de Dom José Pereira da Silva Alves, primeiro bispo da Diocese de Pesqueira.

  • Origem da Povoação: A devoção a São José no local é anterior à própria criação da paróquia. O povoamento inicial da região desenvolveu-se ao redor da antiga capela dedicada ao santo padroeiro, servindo como ponto de convergência para as famílias sertanejas da bacia do Rio Moxotó.

  • Elevação à Matriz: Com o crescimento da vila e sua consolidação como município emancipado, a antiga capela foi ampliada e passou por reformas estruturais ao longo do século XX até consolidar seu porte atual de igreja matriz.

Arquitetura e Destaques Visuais

  • Estilo Arquitetônico: Apresenta traços do neoclássico sertanejo tradicional com elementos ecléticos, destacando-se pelas linhas retas da fachada, frontão trabalhado e arcos verticais nas janelas e portas.

  • Torre Campanário: Sua torre sineira lateral eleva-se no centro da cidade, abrigando o relógio público e os sinos que historicamente marcaram a rotina da comunidade custodiense.

  • Interior e Altar-Mor: O nave central acolhe a imagem do padroeiro São José com o Menino Jesus, mantendo um altar-mor de linhas solenes e naves laterais reservadas para a devoção popular aos santos tradicionais.

Curiosidades e Tradições

  1. A Festa de São José (Março): A festa do padroeiro acontece anualmente na primeira quinzena de março, culminando no dia 19 de março. É o maior evento religioso e cultural do município, reunindo celebrações litúrgicas, procissões pelas ruas centrais e quermesses tradicionais na praça da matriz.

  2. Dia de São José e a Chuva no Sertão: Na tradição sertaneja, o dia 19 de março (Dia de São José) é o marco divisor para o agricultor: a ocorrência de chuva nessa data é vista historicamente como sinal de bom inverno e safra farta no Sertão do Moxotó.

  3. Ponto de Referência Urbano: A praça defronte à Igreja Matriz sempre funcionou como o ponto de encontro geográfico, social e cultural de Custódia, presenciando os principais eventos civis e históricos do município ao longo das décadas.


3. Praça Padre Leão





Histórico e Origem

  • Homenagem ao Vigário: O nome da praça rende homenagem a uma figura marcante da história religiosa e comunitária do município: o Padre Leão Verseri, vigário que dedicou anos de sacerdócio à comunidade católica de Custódia, deixando uma marca profunda de caridade, liderança e evangelização.

  • Coração Urbano: Localizada no centro da cidade, a praça foi estruturada ao redor do eixo da Igreja Matriz de São José, acompanhando o crescimento e a modernização do município desde meados do século XX.

  • Espaço de Convivência: Tradicionalmente decorada com jardins e bancos centrais, o local consolidou-se como o ponto focal para o passeio das famílias, encontros de jovens ao final da tarde e bate-papos dos moradores mais antigos.

Curiosidades e Destaques

  1. Palco dos Grandes Eventos: É no entorno da Praça Padre Leão Verseri que acontecem os principais eventos culturais, festividades religiosas e comemorações civis da cidade. Na Festa de São José (em março), a praça acolhe o pavilhão cultural, barracas tradicionais e a multidão de fiéis após as procissões.

  2. Cenário do Natal e Festas Padroeiras: Durante o ciclo natalino e no período festivo de março, a praça costuma receber iluminação especial e decoração temática, transformando-se em um dos cartões-postais mais fotografados do Sertão do Moxotó.

  3. Memória Coletiva: A praça testemunhou as principais transformações políticas e urbanísticas de Custódia. Ao longo das décadas, o espaço passou por reformas de revitalização e arborização para preservar o conforto dos frequentadores e a preservação do patrimônio histórico ao seu redor.

  4. Antes conhecida como 4 de Outubro, essa denominação celebra uma data histórica para Custódia. Foi no dia 4 de outubro de 1909 que o povoado alcançou a categoria de Vila, conquistando sua emancipação administrativa inicial perante o antigo município de Moxotó, atual Sertânia.


4. Monumento aos Heróis da Intentona Comunista





O
Monumento aos Soldados da Polícia Militar (conhecido localmente como a homenagem aos PMs mortos no confronto com a Coluna Prestes) é um importante e instigante marco histórico preservado às margens da rodovia BR-232, no município de Custódia.

O memorial recorda um dos episódios mais dramáticos da passagem dos revoltosos tenentistas pelo Sertão do Moxotó na década de 1920.

Histórico do Confronto (Fevereiro de 1926)

  • O Contexto da Coluna Prestes: Em fevereiro de 1926, os integrantes da Coluna Miguel Costa-Prestes avançavam pelo território pernambucano. O governo estadual organizava forças policiais (as chamadas tropas "legalistas") para interceptar a marcha dos rebeldes.

  • A Emboscada do Sítio Carneiro: No dia 14 de fevereiro de 1926, nas proximidades da localidade de Carneiro / Imburanas, em terras custodientes, forças da Força Pública de Pernambuco comandadas pelo coronel João Nunes foram atraídas para uma armadilha tática elaborada pelos estrategistas da Coluna (entre eles João Alberto e Djalma Dutra).

  • O Desfecho: O forte confronto resultou em perdas significativas para as tropas governistas, com policiais militares tombando em combate na mata sertaneja durante a emboscada.

O Monumento e Suas Curiosidades

  1. Localização na BR-232: O monumento fica erguido no trecho da rodovia BR-232 (km 345), entre a sede de Custódia e o distrito de Sítio dos Nunes.

  2. Registro de Respeito da Corporação: Trata-se de uma estrutura branca com uma placa comemorativa erguida pela Polícia Militar de Pernambuco (PMPE). O local é periodicamente visitado por destacamentos e batalhões (como o BEPI) para solenidades em memória aos combatentes que ali tombaram em cumprimento do dever.

  3. Lampião e o Combate: Um detalhe bastante debatido pela historiografia regional é que a figura de Virgulino Ferreira da Silva (o Lampião) não participou deste combate em Custódia. Embora Lampião tenha recebido a famosa patente de "Capitão" do Exército Patriótico logo em seguida (em Juazeiro do Norte, por Padre Cícero) para combater a Coluna, no momento do embate em solo custodiense o confronto deu-se estritamente entre a Força Pública e a Coluna Prestes.

  4. Memória Sertaneja: O memorial converteu-se em um marco geográfico e cultural para os viajantes que cruzam a BR-232, preservando a memória de um tempo em que o Sertão pernambucano foi palco dos acontecimentos políticos mais conturbados da Primeira República.


5. Morros e Serras da Região do Sabá


Serra da Torre

A Serra da Torre (também conhecida localmente como Morro da Torre) é uma das elevações de maior destaque na paisagem de Custódia. Localizada estrategicamente na zona rural próxima à sede do município, a serra combina importância técnica para as telecomunicações com apelo turístico, ecológico e contemplativo.

Origem do Nome e Função Técnica

  • A Instalação das Antenas: O morro recebe esse nome popular por ter sido escolhido como o ponto mais alto e limpo para o posicionamento das antenas de transmissão e repetição de sinal de telefonia, rádio e televisão do município.

  • Hub de Conectividade: Devido à sua altitude e à ausência de barreiras geográficas na linha de visada, a serra atua como uma "espinha dorsal" para a retransmissão de sinais de comunicação que abastecem Custódia e partes do Sertão do Moxotó.

Aspectos Naturais e Geográficos

  • Relevo e Altitude: Formada por maciços rochosos típicos do Planalto da Borborema e formações sertanejas, a serra destaca-se no horizonte por sua inclinação acentuada e topo elevado.

  • Vegetação de Caatinga: A vegetação que recobre a subida é predominantemente a Caatinga hiperxerófila, com presença marcante de cactáceas (como mandacarus, xique-xiques e facheiros), arbustos sertanejos e vegetação rasteira adaptada ao clima semiárido.

Curiosidades e Potencial Turístico

  1. Mirante Natural Definitivo: Do topo da Serra da Torre tem-se uma das visões mais amplas e panorâmicas de toda a região: é possível avistar o desenho completo da malha urbana de Custódia, a calha do Rio Moxotó, o desenho recortado da BR-232 e outras serras vizinhas no horizonte.

  2. Prática de Ecoturismo e Trekking: O local tornou-se rota frequente para praticantes de caminhadas ecológicas, cycling (mountain bike) e corrida de montanha. A subida exige preparo físico devido ao aclive acentuado, recompensando os aventureiros com o vento constante do topo.

  3. Ponto de Fotografia e Contemplação: É um dos cenários prediletos para fotógrafos e moradores registrarem o nascer e o pôr do sol, além do espetáculo visual da cidade iluminada durante a noite.


    Fonte do Sabá


    Histórico e Importância 

    • Afloramento Natural de Água: Trata-se de uma nascente/bica natural de água potável que jorra entre as rochas da Caatinga. É uma das fontes de água subterrânea mais conhecidas e tradicionais da região rural de Custódia.

    • Socorro nos Tempos de Estiagem: Historicamente, nos períodos de seca prolongada, quando a calha do Rio Moxotó e os pequenos açudes secavam, a Fonte do Sabá serviu como ponto vital de abastecimento para as famílias sertanejas locais e comboios de animais.

    • Tradição Comunitária: Por muito tempo, o local foi ponto de encontro de lavadeiras, retirantes e moradores que buscavam água limpa para consumo doméstico, tornando-se um símbolo de resistência e subsistência na zona rural custodiense.

    Curiosidades do Local

    1. Água Mineral e Cristalina: A água da bica brota filtrada pelas camadas rochosas da serra, sendo reconhecida pelos moradores por sua temperatura agradável, leveza e pureza em relação às águas de superfície da Caatinga.

    2. Ponto de Lazer e Ecoturismo: Atualmente, a área da Fonte do Sabá também é frequentada por moradores e grupos da cidade como opção de banho e lazer em períodos de chuva, além de ser parada de descanso para praticantes de trilhas, mountain bike e caminhadas ecológicas.

    3. Memória Cultural: Assim como as cacimbas do leito do rio, a Fonte do Sabá faz parte da geografia afetiva de Custódia, sendo retratada em conversas de antigos moradores e crônicas locais sobre as estratégias de convivência com o semiárido.


6. Distrito de Quitimbu



O distrito de Quitimbu é um dos povoamentos mais antigos, culturalmente ricos e historicamente expressivos do município de Custódia. Localizado na zona rural do município, o povoado destaca-se como um verdadeiro bastião da memória secular do Sertão do Moxotó, combinando ancestralidade quilombola, devoção religiosa e forte ligação com a terra.

1. Origem e Ancestralidade Quilombola

  • Território de Resistência: Quitimbu destaca-se em todo o município por abrigar diversos remanescentes de comunidades quilombolas. A formação da comunidade remonta ao período em que negros escravizados buscavam refúgio e autonomia nos vales e formações rochosas às margens do Sertão.

  • Preservação de Tradições: A identidade dos moradores locais é profundamente marcada pelo orgulho de suas raízes afro-brasileiras, preservando saberes tradicionais, manifestações culturais e modos de vida ligados à agricultura de subsistência.

2. A Igreja e o Tesouro de 1822

  • Marco da Independência: O coração de Quitimbu abriga a secular Igreja de Santa Rita de Cássia, cuja construção foi iniciada no emblemático ano de 1822.

  • A Lenda da Imagem Oculta: Segundo a tradição oral, os quilombolas locais, sonhando com a liberdade, adquiriram uma imagem de Santa Rita de Cássia e a mantiveram oculta em uma gruta na Serra do Leitão durante anos. Somente após a concessão da proprietária das terras, a Sra. Felisbela, a imagem foi levada para o altar-mor da capela.

  • Arquitetura Singular: O templo preserva características únicas: fachada quadrangular com frontão triangular, torre sineira em linhas que remetem ao estilo gótico e janelas altas que lembram antigas seteiras (aberturas estreitas de caráter defensivo).

3. Geografia e Belezas Naturais

  • Serra do Leitão: A paisagem de Quitimbu é emoldurada por serras e formações rochosas marcantes da Caatinga, sendo a Serra do Leitão não apenas um ponto geográfico de relevo, mas também um local de valor histórico e de mistério ligado às lendas da comunidade.

  • Paisagem Sertaneja: O território do distrito combina a vegetação típica do semiárido com áreas de cultivo tradicional, sendo entrecortado por riachos temporários e caminhos rurais históricos.

4. Curiosidades e Vida Comunitária

  1. Calendário Festivo Religioso: O distrito ganha vida com celebrações ao longo do ano:

    • Maio: A grande Festa de Santa Rita de Cássia (padroeira principal).

    • Outubro: Festejos em homenagem a São Francisco de Assis.

    • Dezembro: Celebração de Nossa Senhora do Rosário, tradicionalmente integrada ao ciclo natalino.

  2. Ciclo Religioso Mensal: As missas na igreja histórica acontecem tradicionalmente nas primeiras sextas-feiras de cada mês, às 15h.

  3. Tradição Oral e Memória: Quitimbu conserva uma riquíssima tradição de contadores de histórias, parteira tradicionais, agricultores e guardiões da memória das antigas famílias que povoaram a região rural de Custódia.

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Igreja de Santa Rita de Cássia

Localizada no povoado e distrito de Quitimbu, em Custódia, é um dos mais valiosos e singulares patrimônios históricos, arquitetônicos e afro-religiosos do Sertão do Moxotó. Sua trajetória une a devoção popular à história de resistência dos remanescentes quilombolas da região.

Origem e a Lenda da Imagem Escondida

  • Promessa de Liberdade: A narrativa oral da comunidade conta que os escravizados e quilombolas da região, movidos pelo desejo de liberdade, fizeram uma promessa a Santa Rita de Cássia. Com sacrifício, adquiriram a imagem da "Santa dos Impossíveis" e a mantiveram oculta em uma gruta natural na Serra do Leitão como símbolo de proteção e fé secreta.

  • A Chegada a Quitimbu: Anos mais tarde, com o consentimento da Sra. Felisbela (proprietária das terras), a imagem foi trazida da gruta e instalada no altar do templo cuja construção se iniciou no ano de 1822 — ano da Independência do Brasil.

  • Território Quilombola: Quitimbu destaca-se até hoje como um polo de ancestralidade e identidade quilombola no município de Custódia, sendo a igreja o centro espiritual e comunitário dessa história de preservação cultural.

Arquitetura e Estrutura Interna

  • Alvenaria de Tijolos e Fachada: Edificada em alvenaria de tijolo maciço, possui fachada principal quadrangular arrematada por um frontispício triangular. Em cada extremidade do teto, destacam-se pequenos pináculos verticais, conservando o tradicional beiral de dois lances de telha colonial.

  • Torre Sineira em Estilo Gótico: No centro do frontão eleva-se uma pequena torre sineira com linhas verticais que remetem ao estilo gótico, coroada por uma simples e solene cruz de madeira.

  • Iluminação e Seteiras: O interior de nave única conta com janelas altas e estreitas que lembram as antigas seteiras (aberturas defensivas em construções históricas), conferindo um visual austero e rústico ao ambiente de oração.

  • Os Altares:

    • Altares Laterais: Acolhem as imagens do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora do Rosário (devoção profundamente ligada às irmandades negras do período colonial).

    • Capela-Mor: Possui três nichos em posição de destaque, abrigando a imagem histórica de Santa Rita de Cássia ao centro, ladeada pelas imagens de São Francisco de Assis e Nossa Senhora de Fátima.

Rotina Litúrgica e Festividades Tradicionais

  1. Missas Mensais: A celebração eucratística da comunidade ocorre pontualmente em toda primeira sexta-feira do mês, às 15h.

  2. Ciclo de Festas Padroeiras:

    • Maio (Festa de Santa Rita): É a principal festividade do distrito, celebrando a padroeira com celebrações novenárias, procissão e a renovação da promessa histórica da comunidade.

    • Outubro (São Francisco): Reverência ao santo protetor dos pobres e da natureza.

    • Dezembro (Nossa Senhora do Rosário): A celebração da Senhora do Rosário coincide com os festejos do ciclo natalino, reunindo famílias e visitantes de Quitimbu.  


      Sugestão de publicação de José Soares de Melo

Padre Frederico Nierhoff - Por Jorge Remígio

Padre Frederico em sua juventude


O Padre Frederico Nierhoff nasceu no dia 26 de janeiro de 1916, na cidade de Gelsenkirchen, Alemanha. Foi o oitavo filho do casal Herman e Adolfina Nierhoff, católicos de muita devoção. 

O início de seus estudos teológicos foi em Oberhundem, posteriormente transferindo-se para a cidade de Lebenhan Grave, na Holanda. Pertencia à Congregação dos Missionários da Sagrada Família. Devido a situação conflitante do seu país, próximo de eclodir a Segunda Guerra Mundial, migrou para o Brasil em 07 março de 1938, vindo residir em Recife, onde concluiu os estudos teológicos, sendo ordenado sacerdote no dia primeiro de maio de 1941. 

Antes de assumir a Paróquia de São Vicente Ferrer, na cidade do Crato-CE, em 1948, exerceu suas atividades pastorais nas cidades de Picos e Pio IX, no estado do Piauí; Saboeiro, Arneiroz e Aiuaba, no estado do Ceará. Nos vinte anos que exerceu o sacerdócio na sua paróquia do Crato, teve imenso destaque, além do campo espiritual, na área social, construindo escolas, postos de saúde e muitas capelas na zona rural. Bastante dinâmico, deve-se ao Padre Frederico, a construção de um conjunto de casas populares no sítio Malhada, que leva o nome da sua mãe, Adolfina Nierhoff. 

A sua paróquia teve atuação de destaque na “Campanha Federal contra o Tracoma”, doença que tornou-se um grande problema de saúde no Cariri Cearense nas décadas de quarenta e cinquenta. Ficou muito desgostoso com a redução significativa da sua paróquia de São Vicente Ferrer, resumida a poucos quarteirões no centro da cidade do Crato, desligou-se da Diocese, transferindo-se para a nossa cidade de Custódia-PE. 

Com a saída do pároco Luiz Klur, assumiu a paróquia de São José no ano de 1969. Não pretendo aqui fazer juízo de valor, mas, indiscutivelmente, a comunidade custodiense estava carente e necessitada de um padre que mobilizasse os vários setores da sociedade, e foi justamente o que ocorreu logo após a sua chegada. De imediato, viu a necessidade de pintar a Igreja, como também fazer o retelhamento de toda a nave e uma grande “arrumação” na Casa Paroquial era necessária urgentemente. Lembro que cursava o primeiro ano no Ginásio Padre Leão, e foi comunicado, em todas as salas daquele educandário, que o Padre Frederico iria falar para todos os estudantes logo após o término daquela primeira aula. 




Ficamos curiosos diante do ineditismo daquele ato e, minutos depois, o pátio do ginásio estava repleto de alunos e professores. Confesso que pensei que ele iria falar sobre religião, e acredito que a totalidade daquela plateia também, mas nem me recordo se ele abordou esse tema. Com um vozeirão que dispensava alto falante, após se apresentar, começou a falar no âmbito de vários assuntos do conhecimento humano, relações sociais, cultura, inclusive, sem falsa modéstia, incentivava a todos alí presentes, que fizessem qualquer tipo de pergunta.

Incrível como ele nos deixou tão à vontade. Os seus sermões nas missas dominicais eram extraordinários e esperados por toda comunidade católica que frequentava a igreja. Ele saia do altar e se dirigia entre os bancos de uma igreja lotada, sempre com uma prédica inovadora e interessante para todos os presentes. Não se restringia só e exclusivamente a parte litúrgica da missa, os seus sermões eram carregados de conselhos e reflexões. Em um deles, falava para a noiva, ou para o noivo, irem de surpresa na casa do outro, pois essa atitude surpreendente, poderia mostrar atitudes que os parceiros poderiam ocultar nos encontros pré determinados. 

O domingo à tarde era reservado à missa das crianças. Todos nós já íamos para aquela celebração religiosa pensando no encerramento da missa. O padre reunia todas as crianças após a missa ao lado da igreja onde tinha as escadarias e, de cima, jogava bombons em quantidade tamanha, que era impossível alguém não ser contemplado. 

Não demorou para o Padre Frederico conquistar crianças, adultos e população idosa. Luiz Lima Leite era coroinha, como também era o meu primo Tadeu Burgos e, para minha alegria, esse me falou que o padre estava querendo incorporar mais dois coroinhas. Morava ao lado da casa paroquial e naquele mesmo momento fui falar com o sacerdote. Que alegria, fui aceito, agora faria parte direta daquela comunidade. Realmente, foi muito prazeroso para mim. Conheci muitos lugares da zona rural e o interessante, para nós, eram os cafés e almoços oferecidos ao padre. Claro que os coroinhas estavam inclusos. Seu Quinca da Barra fazia banquetes, inclusive, com o adicional de muitas cervejas para o padre, que apreciava bastante. Eu nunca vi uma pessoa mais religiosa do que seu Quinca, e o Padre Frederico ficava justificando para o anfitrião, que beber cerveja não era pecado algum, que padre poderia beber sem problema. O pecado estava em fazer e desejar o mal. Os coroinhas tomavam guaraná, e tempos depois aderiram a cerveja do padre. Lembro que após uma missa no povoado do Ingá, após o padre trocar os paramentos litúrgicos, adentrou naquele recinto por uma porta lateral, uma senhora com uma criança de meses em seus braços e perguntou 

- Padre, o senhor poderia consultar meu filho? 

Eu vi o padre brabo nesse momento. Falou ríspido. 

- Eu sou padre, não sou médico, entendeu? 

- Justamente por isso, o Luiz foi transferido daqui. 

A mulher ficou sem jeito, saiu ligeiro e cabisbaixa. Até o ano de 1969, Custódia vivia um marasmo, os rapazes e moças que estudavam fora e vinham nas férias, não tinham opções de divertimento na cidade, além dos bares. 

O Padre Frederico alugou um imóvel grande e central, onde hoje ficam os comércios, “a fórmula”, a Ruy Farma, e a Panificadora & Lanchonete Custódia. Ali seria o Centro Cultural da Paróquia, com o objetivo de mobilizar os jovens em um ambiente para conversas, jogos, como tênis de mesa, xadrez,fubica e músicas de qualidade. A cidade, outrora tão carente, passou a viver uma efervescência na entrada da década de setenta. 



Clube de Castores em uma ação comunitária.

Agachados. Domingos Sávio Valeriano, Antônio Remígio, Elzir Valeriano, Fátima Rael, Jorge Aleixo e Cleide Fernandes

Em pé. Adson Amaral, Sérgio Remígio, Joãozinho Duarte. Gilson Pereira, Marise Duarte e Marcos Ferraz. O penúltimo a direta é Luciano, motorista da prefeitura



Lions Clube no CLRC


O padre criou o Lions Clube, integrando profissionais liberais, comerciantes, médicos, advogados e políticos, em um círculo de amizade e interação, até então inexistente. É interessante lembrar, que a participação das esposas foi de suma importância nesse contexto de sociedade. O Padre Frederico não esquecia a juventude, e fundou o Clube de Castores, integrando os jovens em ações sociais, principalmente. Custódia deu uma guinada sem sombras de dúvidas nesse período.

O prefeito da época, SÍlvio Carneiro, concluiu um excelente campo de futebol, o dentista e advogado Pedro Pereira Sobrinho, fundou o Sport Clube de Custódia, o músico e dono de movelaria, Expedito Batista, sempre melhorando o seu conjunto musical, Os Ardentes, Zé Melo com o seu programa de variedades e show de calouros aos domingos, no CLRC, já era um sucesso, e as grandes festas neste clube, organizadas pela presidente Zezita Queiroz, coroavam esse período brilhante da nossa cidade. 


Festa no CLRC.
Graça de Geni, Socorro Costa, Lírio, Fátima Rael,  Zezita Queiroz e Padre Frederico.


O Padre Frederico participava das festas no CLRC, e nos deu um grande presente, contratando o conjunto musical (banda) de sucesso, equivalente a uma orquestra, que era Os Ases do Ritmo, da cidade do Crato-CE. Padre Frederico desligou-se da Paróquia de São José no final de 1973, transferindo-se para a cidade de Floresta-PE, e no dia 31 de outubro de 1975, a poucos quilômetros da saída daquela cidade, sofreu um enfarte e capotou o carro que dirigia, vindo a falecer no local. Fato trágico que consternou a população do Crato, onde foi pároco por vinte anos, e também os custodienses, que tiveram por pouco tempo o seu paroquiato mas de uma importância tamanha, que marcou uma geração e ficará em nossa memória.


Recife, 04 de novembro de 2026
Jorge Remígio.

Agradecimentos a Armando Lopes Rafael, e ao Blog Crato de Outrora, onde foi publicado diversas informações contidas neste texto.


Outra publicação sobre o PADRE FREDERICO NIERHOFF:

 Clique aqui


03 novembro, 2026

Biografia de José Pereira de Sousa (Zé Caboclo)

 



Infância e Origens no Sertão

José Pereira de Sousa, conhecido artisticamente como Zé Caboclo, nasceu em 13 de janeiro de 1953, no Sítio Malhada Grande, no município de Custódia, Pernambuco. Filho dos agricultores Antônio Moura de Sousa e Aureliana Pereira de Sousa, cresceu ao lado de três irmãos vivenciando a rotina do trabalho na terra.

Sua ligação com a música começou cedo: enquanto seu pai tocava sanfona nos momentos de descanso da lavoura, o pequeno José o acompanhava no pandeiro. Em 1963, a família mudou-se para Poço do Boi (atual povoado de Ibimirim), onde, aos 10 anos de idade, ganhou sua primeira sanfona de 20 baixos.

Devido às dificuldades financeiras, a família precisou se mudar novamente para o povoado de Nazário e, posteriormente, vender a sanfona para abrir um pequeno bar e restaurante. Com o insucesso do negócio, retornaram à lavoura de macaxeira para enfrentar um período de extrema escassez.

Primeiros Passos e a Formação Musical

Determinado a apoiar o talento do filho, o senhor Antônio tomou a decisão de vender a própria casa para adquirir um conjunto de instrumentos: uma sanfona, um tarol e um pandeiro. Aos 16 anos, após ensaios intensos exigidos pelo pai, Zé Caboclo começou a se apresentar timidamente nos bares da região tocando "Asa Branca", de Luiz Gonzaga.

Sua primeira grande apresentação ocorreu nas festas de Santo Antônio, em Ibimirim, aos 17 anos, momento em que se destacou perante o público local e passou a ser requisitado em municípios vizinhos. Em busca de subsistência, a família retornou para a localidade de Samambaia, onde Zé dividia o tempo entre a agricultura e as apresentações musicais.

Vida Pessoal e Familiar

Aos 21 anos, casou-se com Vânia Bezerra, com quem teve quatro filhos: Wberlândio, Igor, Erolândia e Vânia. O matrimônio durou 21 anos, até o falecimento de Vânia por infarto. Zé Caboclo também teve duas filhas, Wirlândia e Luana.

Na década de 1990, uniu-se a Lucileide Cândido (Leide), com quem teve três filhos: Antônio (que faleceu precocemente aos 1 ano de idade por erro de medicação prescrita), Vitória e Natália, além de assumir a paternidade de Letícia, filha de sua esposa.


A Conquista do Festival Arizona (1981)

Em 1977, após uma viagem a Juazeiro do Norte com o pai para pagar uma promessa ao Padre Cícero Romão, a dupla compôs a canção "Já paguei minha promessa".

Essa composição foi o marco de sua projeção estadual e nacional:

  • O Festival: Em 1981, inscrito representando a região (com registros divididos entre Custódia e Arcoverde), participou do I Festival Arizona de Música Sertaneja, promovido pela Companhia Souza Cruz e Rádio Clube de Pernambuco, concorrendo com milhares de candidatos.

  • A Vitória: Sagrou-se o grande vencedor do festival, conquistando o Troféu Viola de Ouro no Ginásio Geraldão, no Recife, perante um público de cerca de 15 mil pessoas.

  • Premiação e Gravadoras: Recebeu o prêmio de Cr$ 30 mil, gravou faixas no LP coletivo do festival pela Rosemblites e assinou contrato com a gravadora Chantecler para a gravação de um compacto duplo em São Paulo.

Apesar do reconhecimento crítico e da repercussão nos meios de comunicação (como o Diário de Pernambuco), a escassez de divulgação mercadológica na época limitou o alcance de seu trabalho ao grande público comercial.



Projetos Musicais: Banda Sonho de Caboclo e Carreira Solo

No ano de 2000, com o apoio financeiro de seu filho Wberlândio, realizou o sonho de formar a banda "Sonho de Caboclo", levando o forró pé-de-serra em turnês pelos estados de Pernambuco, Bahia, Alagoas, Sergipe e Ceará, além de gravar um CD. Em 2002, devido aos custos de manutenção do grupo, encerrou as atividades da banda.

De volta à carreira solo como Zé Caboclo, lançou o CD "Ardendo de Paixão", patrocinado por Genivaldo Odilon e pela Câmara Municipal de Vereadores local, cuja tiragem original de 2 mil cópias ultrapassou a marca de 4 mil unidades vendidas.

Ao longo de sua trajetória, compôs e interpretou canções marcantes sobre a vida e a saudade do sertanejo, como a faixa escrita em parceria com José Melo:

"Ai que vontade danada / me aperreia o coração / De voltar lá pra Custódia / no primeiro caminhão / e rever a minha terra / e abraçar o meu rincão"

Superação e Fé

Residindo em Ibimirim, Zé Caboclo manteve a sustentabilidade da família alternando a música com trabalhos como pedreiro. Em 2017, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que o afastou temporariamente das sanfonas e comprometeu seu instrumento de trabalho.

Convertido à fé cristã, o sanfoneiro passou a direcionar seu talento para a música religiosa e o louvor, buscando apoio e mobilizações comunitárias para adquirir uma nova sanfona e dar continuidade ao seu legado musical e espiritual no Sertão.

Para ouvir suas músicas, acesse o site SUA MÚSICA: clique aqui




SAUDADES DE CUSTÓDIA

Letra: José Melo 
Música:Zé Caboclo de Custódia

Ô que saudade danada
Que me aperta o coração
Vou voltar lá pra Custódia
Vou rever o meu sertão
Visitar os meus amigos,
E abraçar os meus irmão.

Quando eu chegar em Custódia
Vou correndo pro Sabá
Tomar um banho na fonte
Que é a melhor coisa que há
Juntar côco catolé
E catar imbu cajá.

Vou também rever a feira
E as barracas de café
Chupar as laranjas doce
Da banquinha de Mazé
Comer xerém em Pretinha
Fumar e tomar rapé.

Vou tomar uma lapada
Lá no bar de sêo Chiquim
Com a costela de porco
Que ele faz para mim
Coisas boa de Custódia
Lá nun tem nada ruim.

Passo no café da Hora
E vou na feira do gado
Olhar porco vaca e bode
Como era no passado
Só lembrando de Custódia
Me sinto mais animado.



O anjo da Guarda me avisou






 

Zé Caboclo - Canta Nordeste



Zé Caboclo - Meu Azulão