21 junho, 2026

Biografia: Veneranda Alves de Góis - Dona Sinhá



Veneranda Alves de Góis
nasceu em 20 de maio de 1919, na cidade de Afogados da Ingazeira, Pernambuco. Era filha de Antero Alves de Góis e Maria Madalena Alves de Góis.

Ainda criança, mudou-se com a família para o Sítio Várzea Grande, na zona rural deste município. Anos mais tarde, já na adolescência, passou a residir definitivamente na cidade de Custódia.

Realizou seus estudos no tradicional Colégio Santa Doroteia, em Pesqueira, instituição fundada pela Congregação das Irmãs de Santa Dorotéia e amplamente conhecida como "Colégio das Freiras". Com mais de um século de história, o educandário destacou-se pela excelência do ensino confessional católico e pela formação de inúmeras gerações de pernambucanos.

Dedicou parte de sua vida ao magistério, atuando como professora do Grupo Escolar Joaquim Inácio, em Custódia. Ao longo de sua carreira, lecionou para diversas gerações de estudantes, sendo lembrada pelo compromisso, dedicação e amor à educação. Seu nome permanece como uma das grandes referências da história educacional do município, ao lado da também renomada educadora Maria Augusta do Amaral, carinhosamente conhecida como Dona Manoca.


Na vida pública, ingressou no serviço estadual em 1952, quando foi nomeada pela Diretoria de Rendas do Interior para exercer o cargo de Auxiliar de Escrita na Secretaria da Fazenda, em Afogados da Ingazeira. Ainda naquele ano, foi transferida para a Coletoria de Pesqueira.

Foi nomeada para trabalhar na Escola General Joaquim Inácio, em maio de 1947 juntamente com a professora Aliete Ferreira Leal. Na mesma portaria foram nomeadas: Alice de Souza Ferraz (Betânia), Marieta de Souza Lima (Boa Vista) e Genesia Mariano de Rezende (Distrito de Maravilha).

Em 1954, foi aprovada em concurso público, da Secretária da Fazenda, para o cargo de Escrivão de 4ª Classe, conquistando a 25ª colocação.

No ano seguinte, passou a atuar na Coletoria de Alagoinha-PE, sendo posteriormente transferida para a Coletoria Estadual de Joaquim Nabuco, zona Mata Sul do estado de Pernambuco.


Foto recriada com uso de IA


Ao longo de sua carreira no serviço público estadual, Veneranda Alves de Góis foi sucessivamente promovida em reconhecimento à sua competência, dedicação e aos relevantes serviços prestados à administração fazendária de Pernambuco.


Em 1961, foi promovida do cargo de Auxiliar de Escrita de 3ª Classe para o de 4ª Classe, consolidando sua ascensão funcional. No ano seguinte, passou a exercer suas atividades na Coletoria Estadual de Custódia, onde permaneceu por mais de duas décadas, desempenhando suas funções com reconhecido zelo, responsabilidade e compromisso, até sua aposentadoria.

Aposentou-se em 10 de março de 1988, no cargo de Agente de Administração Fiscal, após décadas de relevantes serviços prestados ao Estado de Pernambuco.

Veneranda nunca se casou e não teve filhos. Dedicou-se, porém, à criação e educação de seus sobrinhos: Paulo Gilvan de Góis, Francisco de Assis Góis (Cleomates), Antônio Robélio de Góis, José Petrônio Góis e José Carlos Góis, aos quais dedicou carinho, cuidado e orientação.

Faleceu em 20 de abril de 1994, na Unidade Mista Elisabete Barbosa, em Custódia, aos 74 anos de idade, em decorrência de uma úlcera duodenal.

Pela sua dedicação ao ensino, ao serviço público e à formação de inúmeras gerações de custodienses, Veneranda Alves de Góis permanece como uma figura de destaque na história do município de Custódia, deixando um legado de trabalho, integridade e compromisso com a educação e com a administração pública.

A Família Góis no Sítio Várzea Grande, em Custódia (PE)


A história da família Góis no Sítio Várzea Grande confunde-se com a própria formação da zona rural de Custódia, no Sertão do Moxotó pernambucano. Ao longo de gerações, seus membros contribuíram para o desenvolvimento da comunidade por meio da agricultura, da pecuária e da preservação dos valores tradicionais que caracterizam as famílias sertanejas.

Raízes da família Góis

O sobrenome Góis — também grafado Góes em documentos antigos — possui origem toponímica, derivada da antiga vila de Góis, localizada no distrito de Coimbra, em Portugal. Com a colonização portuguesa, diversos ramos da família estabeleceram-se no Brasil, especialmente no Nordeste, onde participaram da ocupação do interior e da expansão das atividades agropecuárias.

Em Pernambuco, a família Góis consolidou sua presença em diferentes municípios sertanejos, entre eles Custódia, Betânia, Flores, Serra Talhada e Afogados da Ingazeira, tornando-se parte do conjunto de famílias tradicionais que contribuíram para o povoamento e o desenvolvimento econômico da região.

O Sítio Várzea Grande

Situado na zona rural de Custódia, o Sítio Várzea Grande integra a paisagem típica do Sertão do Moxotó, marcada pelo clima semiárido, pela vegetação da caatinga e pela proximidade do Riacho Várzea Grande, afluente da bacia hidrográfica do Rio Moxotó.

Historicamente, a economia local esteve baseada na agricultura de subsistência, com o cultivo de milho, feijão e mandioca, além da criação de bovinos, caprinos e ovinos. Como em grande parte do sertão pernambucano, a convivência com os longos períodos de estiagem moldou o modo de vida da população, fortalecendo os laços de solidariedade entre as famílias e consolidando uma cultura de resistência e adaptação às condições do semiárido.

Formação da comunidade

A ocupação das terras da região ocorreu de forma gradual, por meio da divisão de propriedades entre herdeiros e da formação de novos núcleos familiares. Dessa maneira, o Sítio Várzea Grande tornou-se um importante espaço de convivência entre famílias aparentadas, unidas por vínculos de parentesco, compadrio e casamentos.

Nesse contexto, a família Góis destacou-se como uma das responsáveis pela consolidação da comunidade, preservando tradições, transmitindo conhecimentos e participando ativamente da vida social, econômica e religiosa da localidade.

A importância da memória familiar

Grande parte da história das famílias sertanejas foi preservada por meio da tradição oral, complementada por registros paroquiais, documentos civis, inventários, escrituras e demais fontes históricas. Esses registros permitem reconstruir a trajetória dos primeiros moradores, compreender os vínculos familiares e preservar a memória das gerações que ajudaram a construir o município de Custódia.

O resgate da história da família Góis representa, portanto, mais do que uma pesquisa genealógica: constitui uma forma de valorizar o patrimônio cultural do Sertão do Moxotó e reconhecer a contribuição daqueles que, com trabalho, perseverança e espírito comunitário, participaram da formação histórica da região.


Texto: Familiares Alves de Góis
Pesquisa: Paulo Peterson

12 comentários:

  1. Parabéns Paulo pela Nobre descrição da Biografia de Minha Tia Avó e tão lembrada Honrosa Sinhá Goes. Contribuir nao só na Educação mas também na História de Nossa Querida custódia.
    Honrado Agradeço pela Família tão homenagem. Sucesso.
    Ps: Retificação Faleceu aos 84 anos de Idade.

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  2. Parabéns paulo pelo seu Brilhante trabalho Em Fazer a Biografia da Minha tia e mãe Sinhá gois , Muito obrigrado mesmo por esse grande Trabalho Em Resgatar Uma grande história do legado de senha gois

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  3. Parabéns Paulo por descrever tão bem a história de uma mulher guerreira que fez HISTÓRIA e deixou um legado extraordinário para as gerações presentes e um exemplo de vida único para ser aplaudida de pé !

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  4. Vivas a Paulo Peterson pela publicação da brilhante biografia da Professora Veneranda, Sinhá Góis, bem como da família Góis na Várzea Grande de Custódia. Neste sentido sabemos também que , na citada localidade, a segunda esposa do Capitão Chico Amaral foi da família Gois, constituindo o imenso ramo familiar Amaral Gois.Que maravilha!

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  5. Paulo , parabéns pelo trabalho impecável.

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  6. Nossa que emocionante relembrar a estória dessa grande mulher que foi Sinhá; lembro muitíssimo bem de muitos momentos que vivenciamos dela. Parabéns pelo seu trabalho Paulo.👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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    1. E ainda acrescento, mulher vaidosa , gostava de um batom vermelho e cabelo bem arrumado. Belas lembranças. Maria Nivanís

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  7. Belíssima biografia da família Alves de Goiás.
    Família do meu querido avô Isaías de Queiroz Amaral, filho de Maria Alves de Goiás.
    Ainda hoje sinto saudade de dona Sinhá sempre estava na mossa casa morávamos em frente, a casa de Nilda Campos.
    Guardo bons conselhos dados por Sinhá sempre dizia o saber está além do horizonte, quanta sabedoria que só com o passar dos anos foi que entendi o significado desse conselho, viajávamos nas suas histórias de vida.
    Ela amava seus sobrinhos tinha orgulho da família.
    Foi assim minha infância escutando dona Sinhá muito vaidosa e cheia de sabedoria.
    Saudade Sinhá e sua irmã Ninu mulheres guerreiras.
    Mônica zaíra Campos

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  8. Parabéns Paulo pela linda homenagem a minha tia

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  9. Obrigada Paulo pela linda homenagem a minha tia🥰

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  10. Gostei muito de saber que histórias verdadeiras e saudosas estão sendo resgatadas.
    Parabéns, Paulo Joaquim!

    Dona Sinhá Góis, nossa vizinha, fez parte de nossas vidas, das filhas de Nilda Campos.
    Eramos familia, por parte do meu avô materno, Izaías de Queiroz Amaral ( filho de Veneranda Alves de Góis, cujo nome, de sua mãe, minha bisavó, era igual ao de dona Sinhá).

    Sinhá era uma bela donzela, bem vestida, perfumada e bem maquiada. Ela possuía roupas, calçados e bolsas diferenciados, das demais mulheres de sua epoca! Gostava muito de viajar, lembro muito bem dos lugares que ela citava: Recife, Uberlândia, Jundiaí...

    Guardo em minha memória suas palestras, na sala da minha casa, como também, momentos engraçados, e de prosas que ela nos contava , incentivava-nos a estudar; falava de um amor (creio eu que era platônico) que teve por o primo Sebastião de Aurélio.; sentia Sentia orgulho de falar dos seus sobrinhos, Doutoures Petrônio e Paulo, Robelio, Vei, Mirian, Gildete, Cleomatson...e por último o seu pequenino sobrinho filho Zé Carlos, o qual criou educou até seus ultimos dias, juntamente com sua irmã Minú. Seus irmãos eram sua preocupação: Minú, Ancilon e Emerson !

    Sinhá é uma figura inesquecível, para àqueles que tiveram o prazer de conviver com ela, como nós as filhas de Nilda.

    Saudades de um tempo que precisa ser preservado, pelas gerações futuras. E pra que seja perpetuado essas histórias precisamos registrar, através dessa página, do amigo Paulo Peterson.

    Abraços, com sentimento de gratidão.

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