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12 maio, 2023

[Canal Gandavos] Zé Biá - De pai pra filho

 



Em mais um registro, o Canal Gandavos registrou depoimento do filho de Zé Biá, acesse agora e conheça um pouco mais sobre esse ilustre personagem da história e cultura de nossa cidade.

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13 fevereiro, 2023

Como eu conheci Zé Biá - por Miguel Pedrosa



Por Miguel Pedrosa


Hoje, com conhecimentos básicos sobre teorias quânticas, sei que o tempo linear é apenas uma ilusão, ou uma seqüência de eventos. É um tempo relativo. Na concepção quântica, o que existe mesmo é o eterno presente dentro do qual os eventos se movem. 

DESCULPEM! - Utilizei estas afirmações, apenas para enfatizar que aquilo que chamamos passado ainda existe dentro de mim. e no bojo deste espaço, imagens impossíveis de serem deletadas permanecem vivas e em alta definição. Imagens ricas de vida, de sons, de cores e odores. Imagens de um homem de pequena estatura, coração de criança, responsabilidade de um gigante, simplicidade de pessoa especial. Sons de um pífano projetando sons de uma musicalidade brejeira, traduzindo movimentos e sentimentos, obedecendo ao compasso emprestado por caixas e bombos. Odores misturados de extratos vendidos em bancas na feira, matutas cheirosas, moças da cidade incendiando os espaços com cheiro de "Marajoara". 

Difusora Duas Américas tocando músicas de Augusto Calheiros, Luiz Gonzaga, Carlos Galhardo, Jacob do Bandolim, Altamiro Carrilho, sem se falar nas valsas orquestradas. Povo de bom gosto o daquele tempo! Música era música mesmo. Ruídos, só os chiador dos discos de 78 rpm mas que ninguém notava, tamanha era a beleza das melodias. Os que observam o tempo linear chamam isso de passado. Para mim tudo isso é presente. Registros que posso acessar a qualquer momento, aqui e agora. 

E em apenas um click mental, lá está Zé Biá: hora tocando o seu "pife" de bambu fazendo peripécias ao lado da igreja, hora trepado nos pés de côco no sítio de madrinha Anita parecendo um magnífico símio, derrubando as frutas secas para serem vendidas na feira, hora sentado humildemente numa esteira, na sala de sua morada simples comendo feijão num prato de barro. E eu estive lá, comendo feijão com ele, dona Maria, Félix, Manoel e José. Eu era apenas mais um ali, até a hora de voltar pra casa, o chalé da rua da várzea, desconfiado, com medo do chinelo de minha mãe, mas feliz e realizado. 

COMO EU CONHECI ZÉ BIÁ!!!

Publicado na Comunidade do Orkut: Eu Conheci Zé Biá

02 setembro, 2022

Uma viagem no tempo por Jorge Remígio


Acho que estávamos no ano de 1957 ou início de 58. A minha residência ficava por trás da casa paroquial da minha pequenina Custódia, vizinha à residência de Zé de Isaías. Não me recordo da fuga, mas, tenho certeza que a minha mãe não me viu sair. Eu tinha uns 03 anos e costumava ficar sentado no batente da porta de entrada vendo o movimento da rua onde morávamos. Rua Vinte de Julho em homenagem ao aniversário do político local Ernesto Queiroz. 

Naquela tarde calorosa, fui guiado pelo som mágico de pífanos que vinha de não muito longe. Guardo esses flashes na memória até hoje como um filme antigo. Imaginem a cena que me deparo. ZÉ BIÁ e sua bandinha tocando ao lado esquerdo da igreja onde à tarde fica sombreado. Creio que ainda não havia o “caçoá” como os adultos chamavam o puxadinho que o Padre Luiz posteriormente construiu para servir de confessionário, alterando a arquitetura original do templo. Mas esse é outro papo.


Sim, lembro-me que no local ao lado da igreja não tinha cimento, era chão batido e eu com uma roupinha branca e gravata borboleta, impulsionado pela música, passei a dançar e rodopiar ao som de pífanos tarol e zabumba, levantando uma nuvem de poeira acinzentada. Os expectadores davam sonoras gargalhadas e em poucos minutos aumentou consideravelmente o número de espectadores. Acho que a plateia já beirava umas sessenta pessoas, que em círculo, constituíram uma grande roda, e eu no centro, dançando e rodopiando.

Como a minha casa ficava próximo, imagino que foram avisar a Dona Osanira, que chegando rápido, deparou-se com aquela cena dantesca, e atônita que estava não conseguiu transpassar toda aquela plateia para resgatar o filho hipnotizado com o som de ZÉ BIÁ. Naquele momento de aflição, pediu ajuda a Naimes de Seu Isaias para que tirasse o filho dela daquele “mico” ou ridículo. Isso na interpretação dela, pois eu estava nas nuvens de satisfação, me sentindo um autêntico astro.


Então, Naimes pediu licença às pessoas à frente e em seguida me colocou em seus ombros e saiu andando compassadamente margeando a igreja e o coreto da antiga praça. Conversava comigo alguma coisa seguindo em direção à minha casa. Eu lá no alto daquele rapaz forte olhei para trás e observei a minha mãe enxugar as lágrimas e agradecer a gentileza de Naimes. Os anos foram se seguindo na minha primeira infância e a bandinha de pífanos de Zé Biá passou a fazer parte constante da minha sonoridade e aventuras.

Jorge Farias Remígio.

27 agosto, 2022

Zé Biá na Festa do Folclore em 1975



Foto enviada por Jussara Burgos, durante Festa do Folclore em 1975, nela constam José Olavo, Marise Fernandes e o mestre Zé Biá. O registro foi feito na frente do antigo Parque Infantil Ernesto Queiroz.

08 julho, 2022

23 novembro, 2021

Luiz filho de Zé Biá



Vídeo gravado na Rua Tenente Moura, após apresentação no Bar do Bengo, dia 31 de Outubro de 2011.




Todos os anos um grupo de tocadores chama atenção durante feira do final de outubro e começo de novembro, é o grupo Nossa Senhora Aparecida.

Um dos integrantes é 
Luiz José da Silva, filho do saudoso Zé Biá. Circulam pela feira e ruas da cidade arrecadando fundos para a novena da capelinha do Bairro Mandacaru I.

Foto e Vídeos: Paulo Peterson

04 novembro, 2021

Zé Biá - Por José Melo



Parece que estou vendo Zé Biá, aquele minúsculo corpo negro que abrigava uma figura humana extraordinária, quase que da mesma altura do balcão da Bodega que nos separava. Extremamente educado, chegava a parecer um serviçal, sempre atencioso,atento e acima de tudo respeitoso, tanto com os adultos como com as crianças. Dono de um talento invejável, sua Banda de Pífanos alegrou muitas gerações, nas festas religiosas, acompanhando as procissões, as novenas, os terços, animando os leilões, acompanhando o andor solitário de uma sertaneja, carregando uma imagem ao som de sua bandinha, pedindo donativos para a realização de uma novena. Também nos eventos sociais, Zé Biá se fazia presente. Acompanhando os batalhões de Bacamarteiros nos períodos juninos, sua banda fazia a alegria dos participantes e dos expectadores. “Mulé Rendeira” era pedido obrigatório naqueles eventos. Também era bastante pedida a “Briga do Cachorro com a Onça”, onde o pífano imitava o ganido dos cães quando atacados pela onça. Foram dezenas de anos nessa atividade, sempre presente nos eventos.

Recordo sempre os leilões da festa de São José que eram animados pela Banda de Zé Biá. O Pregoeiro anunciava os lances, batia o martelo –simbolicamente, com o famoso “dou-lhe uma”, dou-lhe duas” e “dou-lhe três”, que era a senha para bandinha saudar o arrematante com uma música.

Cheguei a assistir outros leilões na zona rural, nas famosas novenas que existiam naqueles tempo. E jamais esqueci o bordão que Zé Biá – dublê de músico e de pregoeiro, utilizava, quando anunciava os lances:

-“ Dois contos mi já dão pela galinha assada! Quem mi dá mais?”

Já no final de sua vida, exatamente no mês de setembro de 1978, Zé Biá encantou a produção da TV Universitária, que, cobrindo as festividades do cinqüentenário da cidade, gravou cenas interessantes. Zé Biá tirando as humildes alpercatas, faz inúmeras piruetas dançando o xaxado. Tudo documentado para apresentação no dia onze de setembro daquele ano, quando Zé Biá estrelou a programação que tinha o título de “Custódia, nossa Terra, Nossa Gente”, que tive a honra de participar com participações na apresentação do mesmo, ao lado do Prof. Humberto Vasconcelos e o artista plástico Marcílio Rinaux.

É uma pena que não tenha guardado aquelas imagens. Creio que no acervo da TV Pernambuco, ainda existam.

De uma humildade extrema, Zé Biá era verdadeiramente amado pelas crianças. Todos gostavam de conversar com ele, ouvir seus causos, sempre pontuados de bons conselhos, e extremamente alegre divertido. Era por assim dizer o líder da bandinha, composta por pessoas simples, humildes mas talentosos na arte popular. Zézé, branco, estrábico, tocava na caixa – espécie de tarol que requer uma habilidade imensa; Manoel da Rabeca, que era uma espécie de homem dos mil instrumentos: tocava a rabeca, o pífano e a zabumba, sendo também flandeleiro, barbeiro e detentor de outros ofícios. Raimundo, era um senhor alto, magro e que tocava a zabumba com maestria. Zé Benício era o mais gaiato da turma, tocava pífano, e também a zabumba, quando não estava fabricando e vendendo o “doce japonês”, iguaria que há dezenas de anos não vejo.

Que saudades daqueles tempos! Pena que jamais imaginaria que aqueles tempos, aquela bandinha, aquela gente era tão importante para nossa história e nossa cultura, o que só fez deixar o tempo apagar marcas tão importantes. Que bom seria que outros custodienses procurassem resgatar essa história, contando fatos, mostrando fotos, enfim, registrando quaisquer fatos relativos aquela Bandinha e o Gigante da Cultura Popular de Custódia, que foi Zé Biá.

Por: José Soares de Melo 

01 novembro, 2020

O Zé Biá que eu conheci - por Jussara Burgos


Viveu em Custódia um pequeno GRANDE homem: Zé Biá. Era de estatura pequena, devia ter no máximo um metro e meio de altura. Mas de grande valor, era pai de família, trabalhador e tornava-se um gigante quando puxava ar dos seus pulmões e seus lábios junto ao pífano transformava o som em música. Nos dias de festa sua presença era indispensável, ele nos fazia feliz com sua música. Tinha uma senhora, dona Felizarda, que dançava ao som do pífano.

Houve um tempo que ele trabalhou de caseiro ou morador, como se diz ai no sertão, no sítio de Dona Anita, minha querida tia- avó e mãe de criação. A casa principal ficava próxima a Rua da Várzea e a casa de Zé Bia ficava no extremo oposto, acredito, que minha avó quis que ele ficasse ali para tomar conta do que estava fora do alcance de sua visão. A choupana ficava do outro lado do riacho. Era um antigo engenho de cana do falecido esposo de Mãe Nita, o senhor Antônio Remígio da Silva, pai de José, Claudionor, Murilo, Maria Dulce, Maria Eunice.

Zé Biá era casado com Dona Maria, também pequenina e nunca tirava um pano da cabeça e tinha os seguintes filhos: Felix, Luis, Manoel, Lurdes e Margarida. As meninas foram minhas amigas de infância. Brincamos muito de casinha e bonecas lá no sítio. Depois eles saíram de lá. No dia 11 de outubro de 1963 minha avó faleceu e alguns anos depois uma enchente provocada por uma barragem que estourou derrubou a casa principal.

Zé Bia foi morar na Cacimba Nova e nos dias de feira ele e a família ia para a cidade. Depois perdi o contato com eles. No ano de 1973, não pensei duas vezes para tirar essa foto ao lado do meu amigo.

Zé Bia, hoje em dia deve ser músico lá no céu. Vive tocando ladainhas e benditos para Nossa Senhora. Ou então ele deve estar agachadinho diante do trono do Todo Poderoso suplicando com música por todos que vivem no sertão.

OBS: Escolhi esse título, O Zé Bia que eu conheci, por que falo apenas daquilo que recordo. Tem muito para ser dito sobre nosso personagem. Meu tio Dr. Pedro Pereira Sobrinho me disse que alunas da Escola Normal Ernesto Queiroz, fizeram uma biografia de Zé Bia. Também tem um documentário feito pela TV Universitária de PE, segundo Zé Melo foi gravado em 1978. Deixo aqui meu apelo, se alguém ainda tiver esse material, peço que encaminhe para Paulo, para ser publicado aqui no Blog. Depois que publicaram o texto falando de Doca, descobri que o nome dele era Diocleciano. Espero descobrir também o nome de Biá.

Por: Jussara Pereira Burgos 14/10/2009