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18 julho, 2026

Memória e Legado | Vanete Almeida: a voz sertaneja que transformou a luta das mulheres rurais




Há histórias que continuam inspirando mesmo muitos anos depois. Uma delas é a de Vanete Almeida, filha de Custódia (PE), educadora popular, feminista e uma das maiores defensoras dos direitos das mulheres rurais no Brasil e na América Latina.

Antes de partir, Vanete deixou como última mensagem o livro "Lutando e Lutando", escrito durante o enfrentamento de um câncer. A obra reúne reflexões sobre saúde, vida, limites, coragem e perseverança, especialmente voltadas às mulheres do campo, transformando sua experiência pessoal em um legado de esperança.

Reconhecida internacionalmente, Vanete foi fundadora da Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe (Rede LAC), participou da criação do Cecor, assessorou a Fetape e integrou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Sua trajetória também lhe rendeu importantes homenagens, como o Prêmio Cláudia (2002), a indicação ao projeto das Mil Mulheres para o Nobel da Paz (2005) e o Prêmio TRIP Transformadores (2009).

Natural de Custódia e moradora da comunidade de Jatiúca, em Santa Cruz da Baixa Verde, Vanete dedicou sua vida à organização política das agricultoras, tornando-se referência para gerações de mulheres sertanejas.

Relembrar o lançamento de "Lutando e Lutando" é manter viva a memória de uma mulher que transformou sua própria luta em inspiração para milhares de pessoas. Seu exemplo continua atual, mostrando que conhecimento, solidariedade e coragem também são sementes capazes de mudar o mundo.

Maria Vanete de Almeida, faleceu em 09 de Setembro de 2012, aos 69 anos, vítima de um câncer.

Preservar a história de Vanete Almeida é preservar a memória das mulheres que ajudaram a transformar o Sertão e o Brasil.

12 fevereiro, 2023

Educadora popular de Custódia é homenageada no 1º Festival Cultural da Mulher Rural


Mostrar que as trabalhadoras rurais também são importantes produtoras de cultura é o objetivo do primeiro Festival Cultural da Mulher Rural, que aconteceu neste mês de outubro. O evento foi organizado pelo Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR) em Pernambuco e contou apresentações de trancelim, reisado, xaxado, repente e maracatu, além de oficinas e mesas de debate.

Homenageada

Esta edição de estreia homenageia a educadora popular Vanete Almeida. Nascida no município de Custódia, Vanete foi uma das fundadoras do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR), e foi responsável por garantir que as trabalhadoras rurais fossem sindicalizadas na década de 1980, enquanto assessora da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape). Até então as mulheres só podiam se vincular à Federação ou aos Sindicatos da categoria como dependentes.

Para Cícera Nunes, agricultora familiar em Serra Talhada, no Sertão pernambucano, e a primeira mulher a presidir a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), Vanete e o festival tem uma grande importância para a valorização do trabalho das mulheres do campo. “Nós temos muitos desafios, mas temos a conquista de poder dizer que somos da categoria da agricultura familiar e de ser sócia dos sindicatos com a contribuição de Vanete nos anos 80, que outras contribuições ela fez. Então, para nós, este é um legado que deve continuar”, aponta.

(*) Para conhecer mais sobre Maria Vanete, CLICAR AQUI

07 agosto, 2022

Maria Vanete Almeida (1943-2012) - Lutou pelas mulheres do campo


ESTÊVÃO BERTONI
DE SÃO PAULO

Numa reunião que Vanete Almeida organizava, uma das participantes, na casa dos 60 anos, começou a chorar sem parar. Reservadamente, Vanete perguntou-lhe o motivo. 

"Você está falando tanta coisa bonita, mas eu não vou conseguir mudar mais minha vida. Já tenho filhos e netos", disse a mulher, explicando que sempre viveu com um marido machista e dono da razão. 

Vanete discordou: "Você pode sim. Pode contar suas experiências às suas netas. Quer contribuição maior?". Nascida na pernambucana Custódia, Vanete mudou-se para Serra Talhada após perder o pai, aos sete anos. 

Estudou até a sexta série e, devido às dificuldades financeiras da família, começou a trabalhar cedo. Atuou junto à igreja católica, foi secretária em escola e bordou por encomenda para ajudar na renda. 

Ao mesmo tempo, fez ações sociais em abrigos de velhos e passou a se engajar nas causas do trabalhadores rurais. 

Mas, nas reuniões, não via mulheres. Foi, então, às cozinhas atrás das "mulheres silenciadas por pais, maridos e irmãos". Queria que recuperassem a autoestima e participassem das decisões. 

Nos anos 80, criou o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertão Central, que se expandiu até virar a Rede de Mulheres Rurais da América Latina e Caribe. 

Nos últimos anos, adotando um discurso ecológico, lutou pela preservação de um rio. Ganhou os prêmios Trip Transformadores e Claudia. É descrita como "suave". 

Teve um câncer e deixou pronto um livro sobre a doença, que a matou no domingo (9), aos 69 anos. Deixa dois filhos adotivos e um neto.

27 novembro, 2013

Livro de Vanete Almeida será lançado em Serra Talhada


Por Kátia Gonçalves

‘Lutando e Lutando’. Este é um livro da feminista e educadora popular rural, Vanete Almeida, que será lançado neste sábado, às 9h, no auditório da Câmara Municipal de Vereadores de Serra Talhada. As 64 páginas evidenciam mensagens importantes sobre saúde, vida, limites e, acima de tudo, busca desmistificar a doença para as trabalhadoras rurais e para quem mais desejar fazer uma boa leitura. A obra foi escrita pela autora quanto lutava contra um câncer. A intenção da publicação foi deixar uma mensagem de perseverança e luta para as mulheres rurais.

Vanete lutou até onde pode para manter-se produtiva de conhecimentos voltados para o homem e a mulher do campo. Mas, infelizmente, veio a falecer em setembro do ano passado. Porém, deixou sob a responsabilidade da família e dos companheiros de luta, a missão de lançamento do livro que será marcado pela presença da família, amigas/os, lideranças rurais, políticos, religiosos e, principalmente, agricultoras e agricultores.

Sobre a autora:

‘Mulher negra e sertaneja’, como costumava se definir, Vanete Almeida nasceu no município de Custódia, mas vivia na comunidade de Jatiúca, distrito de Santa Cruz da Baixa Verde, no Semiárido pernambucano. Pela incansável atuação e pelo modo simples e agradável de lidar com a vida e com as outras pessoas, tornou-se uma feminista de referência na luta das trabalhadoras rurais da América Latina e do Caribe.

Ao perceber a ausência das agricultoras no Movimento Sindical de Trabalhadores Rurais, Vanete iniciou o trabalho com mulheres no início da década de 1980, no sertão Central de Pernambuco. Ao longo da história a mulher negra e sertaneja, contribuiu na criação de diferentes espaços de organização politica das mulheres rurais no Brasil. Além disso, se tornou uma das primeiras vozes na defesa dos direitos e autonomia das mulheres rurais no País.

Foi uma das fundadoras da Rede Lac (Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe), representando 25 mil mulheres trabalhadoras de 23 Países. Também foi uma das fundadoras do Centro de Educação Comunitária Rural (Cecor), que presidiu de 2009 a 2012, ano da sua morte. Assessorou a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (FETAPE) e integrou o Conselho Nacional de Politicas para Mulheres de 1996 a 2003.

Homenagens:

Entre as muitas homenagens que recebeu, Vanete Almeida foi agraciada como o prêmio Claúdia, em 2002. Em 2005 esteve na lista das mil Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo, produzida pela OGN Suiça, Peace Womem Across The Glober, que buscou coletivamente, indicar todas as listadas ao Premio Nobel da Paz daquele ano. No ano de 2009 ganhou o prêmio TRIP Transformadores.

Livros:

Vanete Almeida organizou vários livros, dentre eles, “Uma História Muito Linda”, (2007), “Riacho Olho D’Agua (2007)” e “Uma história de Mulheres” (2004). Em parceria com CornéliaParisius, publicou “Ser Mulher num Mundo de Homens” que conta a história de sua vida. Ela também é uma das personagens do vídeo “A Coragem de Ser” e do documentário “Eu Maior”, que está em cartaz, no cinema do shopping Rio Mar, em Recife.

Lançamento:

As/os leitoras/es terão oportunidade de adquirir o livro por apenas R$ 10,00. Quem não participar do lançamento pode comprar a obra, solicitando pelo e-mail: comunicação@cecor.org.br. Além dos R$10,00, será embutida a taxa dos correios. Outra forma é comprando na sede do Centro de Educação Comunitária Rural (Cecor), localizado na Rua Comandante Superior, 1.349, centro, Serra Talhada.

Serviço:

Evento:Lançamento do Livro Lutando e Lutando
Data: 30 de novembro
Local: Câmara de Vereadores de Serra Talhada
Horário: 09h
Endereço: Rua Enock Ignácio de Oliveira,1.280 – Centro


08 março, 2013

Maria Vanete recebe homenagem no Dia Internacional da Mulher


O estudante Gleymerson Vieira de Serra Talhada, prestou sua homenagem ao Dia Internacional da Mulher, com um homenagem a grande MULHER que foi MARIA VANETE. Falecida ano passado.

Saiba mais quem foi Maria Vanete clicando: AQUI

09 setembro, 2012

Morre no Recife líder feminista indicada para o prêmio Nobel


Vanete Almeida, 69 anos, lutava contra um câncer há um ano.

Ela era representante das trabalhadoras rurais de Pernambuco.
Do G1 PE

Morreu, por volta das 9h deste domingo (9), no Recife, Vanete Almeida, 69 anos, líder feminista e representante das trabalhadoras rurais de Pernambuco, indicada para o prêmio Nobel em 2005. Natural de Custódia, ela faleceu no Hospital Albert Sabin, onde estava internada por causa de um câncer. A luta contra a doença já durava um ano.

Maria Vanete Almeida, durante a década de 80, atuou pela inserção feminina no meio sindical, iniciando o processo de organização de mulheres no Sertão do estado. Inspirou o livro "Ser Mulher num Mundo de Homens", de Cornélia Parisius (Ed. SACTED/DED).

Ela também presidiu o Centro de Educação Comunitária Rural, no município de Serra Talhada, no Agreste do estado, e integrou o Conselho Nacional de Políticas para Mulheres de 1996 a 2003.

A partir de 1996, tornou-se coordenadora internacional da Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe, que ajudou a fundar. Foi ainda assessora da Federação dos trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape).

O corpo de Vanete será cremado nesta segunda-feira (10), às 11h, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista.


por CEDEESPE

Morreu, por volta das 9h deste domingo (9), no Recife, Vanete Almeida, 69 anos, líder feminista e representante das trabalhadoras rurais de Pernambuco, indicada para o prêmio Nobel em 2005. Natural de Custódia, ela faleceu no Hospital Albert Sabin, onde estava internada por causa de um câncer. A luta contra a doença já durava um ano.

Maria Vanete Almeida, durante a década de 80, atuou pela inserção feminina no meio sindical, iniciando o processo de organização de mulheres no Sertão do estado. Inspirou o livro "Ser Mulher num Mundo de Homens", de Cornélia Parisius (Ed. SACTED/DED).

Ela também presidiu o Centro de Educação Comunitária Rural, no município de Serra Talhada, no Agreste do estado, e integrou o Conselho Nacional de Políticas para Mulheres de 1996 a 2003.

A partir de 1996, tornou-se coordenadora internacional da Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe, que ajudou a fundar. Foi ainda assessora da Federação dos trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape). O horário e local do enterro ainda não foram definidos. 




Cem anos de luta, cem anos do Dia Internacional da Mulher [In Memorian}




Por toda parte do Brasil no dia 8 de março houve uma movimentação em reconhecimento à luta que travamos ao longo desses 100 anos para demarcar nosso território e conquistar nosso papel na sociedade. Apesar de 100 anos ter se passado, a luta continua.

O Jornal Hoje noticiou, no centenário da comemoração do Dia Internacional da Mulher, um estudo dizendo que no trabalho rude da terra, as mulheres ainda são discriminadas, rejeitadas e esquecidas. A elas não são oferecidas as mesmas chances que são dadas aos homens. As mulheres no campo não são apenas mal pagas, mas também são aproveitadas em trabalhos temporários, as suas áreas de cultivo são menores e elas têm muito menos acesso aos insumos do que eles.

Em Serra Talhada as trabalhadoras rurais não tinham o direito nem de participar das reuniões nos sindicatos. Vanete foi contratada para assumir a coordenação da FETAPE – Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco, em 1980. Em reuniões com mais de 100 homens, as mulheres apesar de trabalhadoras rurais, eram ausentes. Então ela deu início a reuniões na intenção de organizar um movimento em prol das mulheres e conseguiu.

Nas primeiras reuniões, lembra Vanete, elas não falavam e ainda traziam nos seus nomes a dominação dos maridos ou pais. Assim se chamavam Leonor de Zé Madeiro, Inez de Liro, Júlia de Zé Marques, Alzira de João Tico, Dora de Antonio Novo, Adalgisa de Expedito Torres, Maria de Osmá, Zuza de Antonio Maceno, Luzinete de Zé Alejado, Nenzinha de Alcido e Ana de Zé Nequinho.

Durante as reuniões, Vanete percebeu que elas conviviam com inúmeros problemas e dificuldades, como o preconceito, como educar os filhos, de como enfrentar a violência doméstica. Então iniciou um trabalho de palestras tentando fortalecê-las para enfrentar as adversidades.

No decurso do tempo as mulheres se fortaleceram, o movimento cresceu e na década de 90 foram eleitas as primeiras diretoras de Sindicatos de Trabalhadores Rurais e inda em torno dos anos 90, se construiu a comissão municipal de Mulheres Trabalhadoras Rurais em Serra Talhada.

Esse movimento chegou até o Sertão central – que abrange de Custódia a Terra Nova – e atualmente se consolida numa rede de mulheres rurais que abrange a América Central e o Caribe, contando atualmente com 15 grupos de mulheres na base. É um avanço considerável para quem antes nem participava como associadas hoje na condição de liderança. Graças a Vanete Almeida. Uma mulher de visão. Seu trabalho com as mulheres ao longo desses 25 anos é reconhecido pelo mundo a fora. Vanete recebe homenagens, incentivo, convites e tudo a estimula a prosseguir pois, que venha mais cem anos.

Parabéns Vanete por sua determinação, parabéns a todas nós que travamos as nossas lutas intimas, pequenas por nosso reconhecimento no mundo ainda machista.

* Helena Conserva é escritora, poeta e jornalista.