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11 dezembro, 2022

I Cine Mandacaru – Custódia (2011)


Cada ano que passa, o público custodiense vai tendo mais contato com exibições de filmes. Mesmo sem ter um local apropriado, nos últimos três anos o município vem recebendo projetos com exibições de filmes em locais públicos. Em 2009 com o projeto BELA CAATINGA na Praça Padre Leão, a mostra exibiu filmes com o tema CAATINGA como cenário e o homem da região como personagem. A mostra buscava colocar em evidencia as potencialidades cultural, ambiental e econômica da região.

Em 2010, foi à vez do PROJETO CINE SESI CULTURAL, na ocasião exibido na Avenida Inocêncio Lima, em frente aos Correios. O projeto visava levar cinema a lugares onde não dispõe de salas de exibição. Durante três dias, em cada noite era exibido um curta e um longa metragem. Foram eles: Os filmes que não fiz (curta), Até o sol raiá (curta), Vida Maria (Curta), Se eu fosse você 2(longa), Pequenas Histórias(longa) e A Era do Gelo 3(longa).


Esse ano, dando sequência, foi apresentado o I CINE MANDACARU, idealizado pela jornalista RAQUEL SANTOS e pelo publicitário e fotografo PABLO MURILO, com alunos participantes da oficina de cinema da CASA DAS JUVENTUDES de Custódia. Dessa vez o cenário foi outro, em frente à Igreja Matriz de São José, durante a noite do dia 15 de Novembro, feriado nacional.



A mostra foi gratuita recebeu um bom público, em sua maioria, crianças acompanhadas de seus pais. A abertura ficou por conta de um casal de estátua, na figura de Lampião e Maria Bonita, eles são o símbolo do Cine Mandacaru. Interpretados pelo casal Pedro Henrique Alcântara como Lampião e Josetânia Alves como Maria Bonita declamaram o cordel Cine Mandacaru chamando em seguida o grupo Flor do Mandacaru. Apresentaram dança típica de coco, dança brasileira, com berço no sertão de Pernambuco. O grupo é formado por quatro alunos da oficina de cinema (Jéssica Carla, Rayane Santos, Monica Gomes e Mateus Moraes).

Momento divertido aconteceu com a Intervenção “Você esqueceu a pipoca, Salamé!”, quando duas palhaças interpretadas por Raquel Santos como Salamé e Ana Paula Alencar como Sarará. Nesse momento as crianças interagiram bastante com a encenação.



Em comemoração ao primeiro ano de fundação da Casa das Juventudes de Custódia, foi exibido o documentário “Casa das juventudes”, resultado da oficina de cinema ministrada durante férias escolares. O curso foi realizado com participação de 23 jovens, com idades entre 14 e 29 anos. Muitos nunca tiveram oportunidade de entrar numa sala de cinema. Alguns participantes do curso tiveram essa primeira oportunidade, em 22 de agosto deste ano, quando viajaram rumo ao 4º Festival de Cinema de Triunfo.


 

Antes da exibição do filme “A máquina” do cineasta pernambucano João Falcão (dirigiu a série Alto da Compadecida para a televisão), a jornalista Raquel Santos agradeceu o comparecimento do publico ao evento. Em sua fala final, comunicou que acontecerá no futuro o II Cine Mandacaru. Uma ótima noticia para um dos anos mais promissores da cultura local. O público agradece. 

Paulo Peterson
21.11.2011


Vídeos









11 julho, 2022

O cinema de seu Zé das Máquinas - por Carlos Lopes


Por Carlos Lopes

Depois de mais de duas horas chacoalhando dentro de uma boléia de camionete imprópria à cinco pessoas, a velha e fiel Ford 1951 aponta em direção ao centro de Custódia. Pouco havia de expectativa, muito mais de cansaço e desgosto por deixar para trás a cidade de nascimento. De todos, somente eu e o meu pai de nada tinha a reclamar. Ele por ter perdido o que conseguira em anos de trabalho e no meu caso apenas uma criança de nove anos aberto as mudanças da vida. Arregalei bem os olhos para admirar uma velha fubica ano 1929 estacionada na calçada da avenida Manoel Borba. Mais tarde vim a saber pertencer a João Correia.

A primeira casa em que moramos em Custódia foi na rua Coronel Nemésio Rodrigues de Melo. Nossos vizinhos eram os irmãos Vitor. Fernando constrói um carrinho de madeira para mim e estabeleceu-se uma grande amizade entre todos. A casa deles era muito freqüentada e quase sempre se via por lá Marcos e Márcio Moura, que juntamente com seus pais foram de grande importância na nossa chegada já que os conhecia de Tabira, onde tenente Ulisses fora delegado. Logo percebemos que nossa nova casa tinha fundos com o cinema e em dias de exibição dava pra ouvir com nitidez a trilha sonora dos filmes.

Seu Benedito, um senhor aposentado do exército, sentia muito gosto em se pompar usando farda de gala na entrada do seu cinema. Durante o dia atuava como ¨juiz de menor¨ perambulando atrás da criançada. Era um Deus nos acuda quando o velho aparecia com seu tradicional: ¨Espere aí¨. Normalmente findava com nossas brincadeiras de rua, mas em compensação de longe gritávamos: ¨Papagaio Verde!¨ No mesmo prédio do cinema de Seu Benedito surge o Cine Uirapuru, de propriedade de Seu Adolfo, provindo das bandas de Quitimbú. Aliás, a história da cenegrafia custodiense ainda contou com a participação de Zé de Isaias e Adamastor Ferraz, os pioneiros em produzir exibições cinematográficas que se tem conhecimento. Contam que Adamastor certa vez em São Caetano, cobrou a ¨entrada¨ pelo mesmo filme três vezes. Vendo cada rolo de filme terminar e a debandada dos nativos, anunciava novamente o filme e fazia um novo apurado.

Meu pai comprou o cinema de Seu Adolfo por uma quantia bastante razoável ficando um saldo a ser liquidado em pequenas parcelas, sob a alegação de que teria de assim ser feito antes de alguma desavença com algum pai de família. O cinema trouxe ao meu pai a notoriedade que hoje o torna conhecido por várias gerações de pessoas e é impossível quem não o reconheça pelo nome de Seu Zé do Cinema ou Seu Zé das Máquinas. O novo cinema veio a ser registrado oficialmente como Cine Santa Maria, porém foi com o nome Cine Custódia que ficou conhecido. O cinema funcionava na Avenida Inocêncio Lima em um salão de propriedade de um dos seus melhores amigos, o Sr. Guilherme Queiroz. Ele, fiscal de renda do Estado e filho de Nozinho Veríssimo, uma verdadeira lenda do município e também pai de Terezinha Queiroz, a nossa vizinha de frente, isso já na rua Dr. Fraga Rocha.

Como meu pai ¨exibia¨ filmes em outras cidades foi percebendo as inovações e procurava atualizar seu cinema. Daí vieram: piso em declineo, cadeiras apropriadas, ventiladores de teto, tela panorâmica e por fim, aquisição de projetor de 35mm, equipamento pouco comum à maioria dos cinemas da região. Coube ao meu pai exibir o primeiro filme colorido na cidade. E aí tem uma curiosidade. O filme fora produzido em cinemascop e cadê a lente especial? Tentou-se de tudo, inclusive transmitir imagem de espelho para espelho, mas não deu certo. Ninguém reclamou pela imagem comprimida, afinal tratava-se de um filme colorido. Foram infindáveis os títulos exibidos no Cine Custódia, destacando-se: Os canhões de Navarone, Meu ódio será sua herança, A meia-noite levarei tua alma, Os três mosqueteiros, Coração de Luto, Romeu e Julieta, Love story, A mulher do padre, Tarzan e as Amazonas e Teixeirinha e as sete provas. Este último, certa vez Fernando José o batizou de Teixeirinha e as 32 provas. Isto porque sempre que o faturamento caia meu pai o trazia de volta.

Enfim, o Cine Custódia funcionou durante quase uma década como um dos principais pontos de cultura e entretenimento de Custódia. Lá, além de assistir o Repórter Esso, ainda se assistia o filme: ¨A Copa do Mundo de 70¨. Filmes como este, juntamente com ¨O assalto ao trem pagador¨ e ¨Mineirinho vivo ou morto¨, traziam ao cinema até o vigário logal. Quantos namoros não tiveram início durante as sessões? Existia lugar melhor pra uns amassos naquele tempo? Mas nem sempre de glória vivia o cinema. A existência de um único público às vezes levava meu pai a loucura. Quando se instalava na cidade um parque de diversão ou um circo, ocasiões onde nem sempre se conseguia público mínimo que custeasse a exibição, meu pai ia ao desespero. Era hora de procurar outras ¨praças¨ para não deixar faltar comida à mesa. E isso meu pai fez muito bem protagonizando exibições em lugarejos onde nunca havia chegado a sétima arte e ainda fornecia filmes com renda dividida em cidades onde já havia cinema.

Certa feita, fomos ¨passar¨ filme num lugar chamado São Caetano. Na hora da exibição, nenhum pagante. Papai puxa conversa com morador do lugarejo e vem a saber de um lutador de um pequeno circo ter desafiado um ¨lutador¨ local e, naturalmente, todos estavam por lá. Uma meia hora depois lá vem papai acompanhado de umas oito ¨mulheres de vida fácil¨, lá de Custódia, que como nós foram faturar com a festa de rua do lugar. A mim foi entregue um disco de 78 rpm com a recomentação de que ficasse virando de um lado para outro, por ser o único disco. A segunda recomendação era coisa de pai pra filho: focar no som, nada de olhar a dança. Aqui aculá meu pai passava o chapeu e a matutada contribuia de forma satisfatória. No dia seguinte, o capim do quintal estava todo abaixadinho. Anos depois ainda havia ¨senhoras¨ me perguntando: ¨Ei menino, quando é que teu pai vai fazer outro forró daquele?¨ Minha mãe é que não gostou nada daquele acontecido!

No final da década de 70, o Cine Custódia fecha as portas encerrando a fase romântica do cinema no interior. Digo isto porque dezenas de outros cinemas também assim procederam. A televisão de ótima imagem e som, estava acessível a todos. Mesmo cinemas famosos não foram páreo às programações gratuitas, entre eles: Bandeirantes (Arcoverde), São José (Afogados da Ingazeira e Alvorada (Tabira). Em nome do meu pai, gostaria de aproveitar esta oportunidade para registrar o nome de pessoas que contribuíram com o cinema durante quase uma década sem receber uma prata sequer como pagamento. Foram valiosas as locuções feitas por José Melo e Fernando José, mesmo quando meu pai fazia exibição em outras localidade era a voz deles nas primeiras viagens, depois ficou sendo a de papai mesmo . Fica um agradecimento ao já falecido Humberto de João Anjo por ter sido o nosso primeiro operador de som e do projetor. Um carinho todo especial ao nosso Severino do Rádio pelos tantos reparos em nossos equipamentos. Alguém gritava: ¨Cadê o som¨. Meu pai dizia: ¨Chamem Severino!¨ Sem os amigos Guilherme Queiroz e Claudinete Simões o cinema não teria funcionado por muito tempo. O primeiro ¨esquecia¨ de cobrar o aluguel e ao segundo cabia o financiamento de filmes em épocas difíceis. Por fim, um agradecimento muito grande ao amigo da família Pedro Vitor. Este foi o fiel escudeiro da paz e da tranqüilidade em suas atribuições diárias pela cidade e a noite era o nosso anjo da guarda. Coitado, assistia até cinco vezes o mesmo filme. Sempre ao lado de Rosa, na época sua namorada. Quando lá não estava, aos primeiros ¨sapateados da turma¨ meu pai dizia: ¨Chama Pedrin¨. E Pedro ao entrar, dizia em alto e bom som: ¨Pessoal, eu estou aqui¨. A fita podia partir por vezes (e partia mesmo) e ninguém reclamava.

Com a chegada da televisão até a praça ficou vazia. A mulherada só desciam após a novela das oito. Houve até quem cobrasse entrada em sua residência daqueles desprovidos de um aparelho de receptor. Por estas e outras o prefeito Luizito disponibiliza um aparelho a céu aberto a quem quisesse assistir. Ao meu pai, coube perceber a chegada da hora do descanso de uma vida de trabalhos onde perambulou pelas mais diversas profissões. Isto porque aos nove anos de idade saiu de casa para trabalhar pelo simples prato comida. De lá pra cá, foi agricultor, carreiro, pedreiro, vendedor de ovos, vendedor de sapatos na feira, dono de padaria, militar, comerciante de móveis, entre outras. Prosperidade mesmo só no início dos anos sessenta quando se tornou um dos principais comerciantes da região do Pajeú. O rádio já existia mas foi o meu pai que o popularizou. O preço foi alto demais para uma pessoa acostumada a uma vida singela. Em um triste cair de tarde do ano de 1968 deixamos Tabira, enxotados pelas dívidas e pelo desencanto pelo lugar. Outra cidade teria que nos abraçar e por certo que nisto fomos felizes. Custódia representou o porto seguro em um momento de aflição, onde era difícil tomar um rumo certo ou dar sentido ao rumo. E por isso, só temos a dizer: 

Obrigado gente de Custódia!

Ps.
Venho por meio dessa mensagem mostrar meu profundo sentimento pelo ocorrido. Infelizmente nem tudo acontece como imaginamos, mas Deus sabe o que faz. O Blog Custódia se solidariza com todos componentes da família do sr. Zé das Máquinas, em especial, ao filho, colaborador e amigo em particular Carlos Lopes.

Paulo Peterson

02 abril, 2022

Conheça o Projeto Semiárido em Tela realizado em 2013 e os 9 Curtas-Metragens produzidos por alunos de Custódia.


Em 2013 foi realizado Projeto Semiárido em Tela, uma iniciativa do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) em parceria com o Projeto Cine Mandacaru. O objetivo foi pesquisar, capacitar, registrar e difundir a ciência e a tecnologia por intermédio do cinema, sendo a própria população protagonista na produção de obras audiovisuais que contam histórias de convivência com o Semiárido.

A metodologia utilizada se baseia na pesquisa-ação, onde os próprios alunos produzem vídeos de curtas-metragens sobre as suas vivências e experiências nas comunidades onde moram e (re) constroem uma imagem do semiárido para além da seca e da pobreza. Na pesquisa-ação desenvolve o conhecimento e a compreensão como parte da prática. O Projeto ainda tem como contexto a educomunicação que propõe utilizar de meios de comunicação para discutir e analisar a realidade de como é visto e vivido o Semiárido.

Além de aprenderem a fotografar e a filmar, os participantes são estimulados a conhecerem mais sobre suas comunidades a partir da pesquisa e investigação sobre os temas que se tornam vídeos. O Projeto promove uma interação entre ciência, cultura e a arte, com maior aproximação das pesquisas científicas e tecnologias sociais ao cotidiano das pessoas e a valorização dos aspectos culturais e humanísticos do fazer ciência.

CONFIRA ABAIXO OS CURTAS PRODUZIDOS


PAULO PETERSON




Paulo Peterson é um dos grandes incentivadores e agitadores culturais de Custódia. Criou em 2006 o Blog Custódia Terra Querida com objetivo de proporcionar à população uma ferramenta com informações de fácil acesso sobre a história da cidade.


MANOEL PADEIRO



MAESTRO GALDINO



SAMBA DE COCO



GRUPO DE DANÇAS LUAR DO SERTÃO



VAQUEIRO DIVOM AMORIM



MAURILIO ARTESÃO



EDUARDO RELOJOEIRO



JOSÉ ADENILTON



Para conhecer mais produções do Projeto Semiárido em Tela, acessando sua página no Facebook

Projeto Semiárido em Tela no Facebook


Oferecimento


07 setembro, 2021

O Cinema de seu Zé das Máquinas - por Carlos Lopes


Depois de mais de duas horas chacoalhando dentro de uma boléia de camionete imprópria à cinco pessoas, a velha e fiel Ford 1951 aponta em direção ao centro de Custódia.  Pouco havia de expectativa, muito mais de cansaço e desgosto por deixar para trás a cidade de nascimento. De todos, somente eu e o meu pai de nada tinha  a reclamar. Ele por ter perdido o  que conseguira em anos de trabalho e no meu caso apenas uma criança de nove anos aberto as mudanças da vida. Arregalei bem os olhos para admirar uma velha fubica ano 1929 estacionada na calçada da avenida Manoel Borba. Mais tarde vim a saber pertencer a João Correia.


A primeira casa em que moramos em Custódia foi na rua Coronel Nemésio Rodrigues de Melo. Nossos vizinhos eram os irmãos Vitor. Fernando  constrói um carrinho de madeira para mim e estabeleceu-se uma grande amizade entre todos. A casa deles era muito freqüentada e quase sempre se via por lá  Marcos e Márcio Moura, que juntamente com seus pais foram de grande importância na nossa chegada já que os conhecia de Tabira, onde tenente Ulisses fora delegado. Logo percebemos que nossa nova casa tinha fundos com o cinema e em dias de exibição dava pra ouvir com nitidez a trilha sonora dos filmes. 

Seu Benedito,  um senhor aposentado do exército, sentia muito gosto em se pompar usando farda de gala na entrada do seu cinema. Durante o dia atuava como  ¨juiz de menor¨  perambulando atrás da criançada.  Era um Deus nos acuda quando o velho aparecia com seu tradicional: ¨Espere aí¨. Normalmente findava com nossas brincadeiras de rua, mas em compensação de longe gritávamos: ¨Papagaio Verde!¨ No mesmo prédio do cinema de Seu Benedito surge o Cine Uirapuru, de propriedade de Seu Adolfo, provindo das bandas de Quitimbú. Aliás, a história da cenegrafia custodiense ainda contou com  a participação de Zé de Isaias e Adamastor Ferraz, os pioneiros em produzir exibições cinematográficas que se tem conhecimento. Contam que Adamastor certa vez em São Caetano, cobrou a ¨entrada¨ pelo mesmo filme três vezes. Vendo cada rolo de filme terminar e a debandada dos nativos, anunciava novamente o filme e fazia um novo apurado.

Meu pai comprou o cinema de Seu Adolfo por uma quantia bastante razoável ficando um saldo a ser liquidado em pequenas parcelas, sob a alegação de que teria de assim ser feito antes de alguma desavença com algum pai de família. O cinema trouxe ao meu pai a notoriedade que hoje o torna conhecido por várias gerações de pessoas e é impossível quem não o reconheça pelo nome de Seu Zé do Cinema ou Seu Zé das Máquinas. O novo cinema veio a ser registrado oficialmente como Cine Santa  Maria, porém foi com o nome Cine Custódia que ficou conhecido.  O cinema funcionava na Avenida Inocêncio Lima em um salão de propriedade de um dos seus melhores amigos, o Sr. Guilherme Queiroz. Ele, fiscal de renda do Estado e filho de Nozinho Veríssimo, uma verdadeira lenda do município e também pai de Terezinha Queiroz, a nossa vizinha de frente, isso já na rua Dr. Fraga Rocha.

Como meu pai ¨exibia¨ filmes em outras cidades foi percebendo as inovações e procurava atualizar seu cinema. Daí vieram: piso em declineo, cadeiras apropriadas, ventiladores de teto, tela panorâmica e por fim, aquisição de projetor de 35mm, equipamento pouco comum à maioria dos cinemas da região. Coube ao meu pai exibir o primeiro filme colorido na cidade. E aí tem uma curiosidade. O filme fora produzido em cinemascop e cadê a lente especial? Tentou-se de tudo, inclusive transmitir imagem de espelho para espelho, mas não deu certo. Ninguém reclamou pela imagem comprimida, afinal tratava-se de um filme colorido. Foram infindáveis os títulos exibidos no Cine Custódia, destacando-se: Os canhões de Navarone, Meu ódio será sua herança, A meia-noite levarei tua alma, Os três mosqueteiros, Coração de Luto, Romeu e Julieta, Love story, A mulher do padre, Tarzan e as Amazonas e Teixeirinha e as sete provas. Este último, certa vez Fernando José o batizou de Teixeirinha e as 32 provas. Isto porque sempre que o faturamento caia meu pai o trazia de volta.

Enfim, o Cine Custódia funcionou durante quase uma década como um dos principais pontos de cultura e entretenimento de Custódia. Lá, além de assistir o Repórter Esso, ainda se assistia o filme: ¨A Copa do Mundo de 70¨. Filmes como este, juntamente com ¨O assalto ao trem pagador¨ e ¨Mineirinho vivo ou morto¨, traziam ao cinema até o vigário logal. Quantos namoros não tiveram início durante as sessões?  Existia lugar melhor pra uns amassos naquele tempo?  Mas nem sempre de glória vivia o cinema. A existência de um único público  às vezes levava meu pai a loucura. Quando se instalava na cidade um parque de diversão ou um circo, ocasiões onde nem sempre se conseguia público mínimo que custeasse a exibição, meu pai ia ao desespero.  Era hora de procurar outras ¨praças¨ para não deixar faltar comida à mesa. E isso meu pai fez muito bem protagonizando exibições em lugarejos onde nunca havia chegado a sétima arte e ainda fornecia filmes  com renda dividida em cidades onde já havia cinema.  

Certa feita, fomos ¨passar¨ filme num lugar chamado São Caetano. Na hora da exibição, nenhum pagante. Papai puxa conversa com morador do lugarejo e vem a saber de um lutador de um pequeno circo ter desafiado um ¨lutador¨ local e, naturalmente,  todos estavam por lá. Uma meia hora depois lá vem papai acompanhado de umas oito ¨mulheres de vida fácil¨, lá de Custódia, que como nós foram faturar com a festa de rua do lugar. A mim foi entregue um disco de 78 rpm com a recomentação de que ficasse virando de um lado para outro, por ser o único disco.  A segunda recomendação era coisa de pai pra filho: focar no som, nada de olhar a dança.  Aqui aculá meu pai passava o chapeu e a matutada contribuia de forma satisfatória. No dia seguinte, o capim do quintal estava todo abaixadinho. Anos depois ainda havia ¨senhoras¨ me perguntando: ¨Ei menino, quando é que teu pai vai fazer outro forró daquele?¨ Minha mãe é que não gostou nada daquele acontecido!

No final da década de 70, o Cine Custódia fecha as portas encerrando a fase romântica do cinema no interior.  Digo isto porque dezenas de outros cinemas também assim procederam. A televisão de ótima imagem e som, estava acessível a todos. Mesmo cinemas famosos não foram páreo às programações gratuitas, entre eles: Bandeirantes (Arcoverde), São José (Afogados da Ingazeira e Alvorada (Tabira). Em nome do meu pai, gostaria de aproveitar esta oportunidade para registrar o nome de pessoas que contribuíram com o cinema durante quase uma década sem receber uma prata sequer como pagamento. Foram valiosas as  locuções feitas por José Melo e Fernando José,  mesmo quando meu pai  fazia exibição em outras localidade era a voz deles nas primeiras viagens, depois ficou sendo a de papai mesmo .  Fica um agradecimento ao já falecido Humberto de João Anjo por ter sido o nosso primeiro operador de som e  do projetor. Um carinho todo especial ao nosso Severino do Rádio pelos tantos reparos em nossos equipamentos. Alguém gritava: ¨Cadê o som¨. Meu pai dizia: ¨Chamem Severino!¨ Sem os amigos Guilherme  Queiroz e Claudinete Simões o cinema não teria funcionado por muito tempo. O primeiro ¨esquecia¨ de cobrar o aluguel e ao segundo cabia o financiamento de filmes em épocas difíceis. Por fim, um agradecimento muito grande ao amigo da família Pedro Vitor. Este foi o fiel escudeiro da paz e da tranqüilidade em suas atribuições diárias pela cidade e a noite era o nosso anjo da guarda. Coitado, assistia até cinco vezes o mesmo filme. Sempre ao lado de Rosa, na época sua namorada. Quando lá não estava, aos primeiros ¨sapateados da turma¨ meu pai dizia: ¨Chama Pedrin¨. E Pedro ao entrar, dizia em alto e bom som: ¨Pessoal, eu estou aqui¨. A fita podia partir por vezes (e partia mesmo) e ninguém reclamava.

Com a chegada da televisão até a praça ficou vazia. A mulherada só desciam após a novela das oito. Houve até quem cobrasse entrada em sua residência daqueles desprovidos de um aparelho de receptor.  Por estas e outras o prefeito Luizito disponibiliza um aparelho a céu aberto a quem quisesse assistir. Ao meu pai, coube perceber a chegada da hora do descanso de uma vida de trabalhos onde perambulou pelas mais diversas profissões.  Isto porque aos nove anos de idade saiu de casa para trabalhar pelo simples prato comida. De lá pra cá, foi agricultor, carreiro, pedreiro, vendedor de ovos, vendedor de sapatos na feira, dono de padaria, militar, comerciante de móveis, entre outras.  Prosperidade mesmo só no início dos anos sessenta quando se tornou um dos principais comerciantes da região do Pajeú. O rádio já existia mas foi o meu pai que o popularizou. O preço foi alto demais para uma pessoa acostumada a uma vida singela.  Em um triste cair de tarde do ano de 1968 deixamos  Tabira, enxotados pelas dívidas e pelo desencanto pelo lugar.  Outra cidade teria que nos abraçar e por certo que nisto fomos felizes. Custódia representou o porto seguro em um momento de aflição, onde era difícil tomar um rumo certo ou dar sentido ao rumo. E por isso, só temos a dizer: Obrigado gente de Custódia!

Por Carlos Lopes 
 

 

17 julho, 2015

Primeiro dia do Cine SESI em Custódia, confira filmes para hoje.

foto: Paulo Peterson

Hoje tem Cinema do SESI em frente a Igreja Matriz, a partir das 18h30. 

Filmes de hoje (dia 17/07): 

Salu e o Cavalo Salu e o Cavalo marinho (curta metragem)

Sinopse: O filme conta a história de Mestre Salustiano. Um dos artistas populares mais famosos do Brasil. Filho do rabequeiro João Salustiano, Salu logo cedo sonha em participar de um grupo de Cavalo Marinho, folquedo típico da região onde mora.

Cine Holliúdy (Longa metragem)

Sinopse: Um filme que se encaixa perfeitamente no já conhecido ótimo clichê da Sessão da Tarde: altas confusões, muitas aventuras e uma galera que se diverte pra valer, mas que ao mesmo tempo consegue ser diferente daquilo ao qual estamos acostumados a assistir. Sob direção de Halder Gomes, Cine Holliúdy é um filme para aqueles que têm sonhos e são apaixonado por cinema.

Quem cresceu no interior jogando bola ou se escondendo da mãe pra brincar mais um pouco e fugir das obrigações da escola, vai ter um motivo a mais para dar risada. Nas palavras do próprio diretor, Cine Holliúdy é "uma homenagem ao cinema, à música e ao Bruce Lee". Um longa que cumpre com excelência o seu papel: divertir o público. E tem coisa melhor? Em tempos de produções caríssimas e grandiosas, Cine Holliúdy sai do Ceará cheio de simplicidade e nos lembra, em 90 minutos, que sempre vale a pena lutar por um sonho e reconhecer o valor das pessoas que nos incentivam a realizá-los. Um filme para o Ceará, para o Brasil e, por que não, para o mundo!

05 fevereiro, 2014

Vídeos da 2ª Amostra Cine Mandacaru 2013

Eduardo Sanfoneiro

Maurilio Artesão

Divon Amorim

Grupo de Danças Luar do Sertão

Samba de Coco

Maestro Galdino

Manoel Padeiro

Paulo Peterson

José Adenilton

por Paulo Peterson

A Praça Padre Leão foi palco do Projeto Cine Mandacaru, dia 19 de julho de 2013, para apresentação da 2ª Amostra Cine Mandacaru. A programação contou com a exibição de uma série de sete curtas, produzidos nas oficinas do projeto, cada um em média com até 3 minutos de duração.

Para ler mais sobre a Amostra, acesse: LINK

19 julho, 2013

CINE MANDACARU está de volta a Custódia - 19/07


Hoje sexta-feira (19/07), Custódia, cidade a 340 Km de Recife, recebe pela segunda vez a Mostra Cine Mandacaru. O encontro que ocorrerá na praça Padre Leão, em frente a matriz, é resultado de seis meses de oficinas de cinema realizadas no município com jovens de 15 a 24 anos da rede pública de ensino. 

A programação conta com a exibição da série de curtas produzida pela juventude composta por sete filmes 
de até 3 minutos que apresentam pessoas e grupos que colaboram para a valorização da memória cultural do município.

Durante o evento a população também poderá assistir ao vivo apresentações de alguns dos artistas que fazem parte da série de vídeos. “A ideia primordial do projeto era que os jovens custodienses pudessem continuar em contato com o universo do cinema e que este promovesse um diálogo com a cultura popular de Custódia. 

A Mostra é a culminância das oficinas de formação e um espaço para que os grupos artísticos da cidade se aproximem cada vez mais da população e mostrem a beleza do que se tem produzido na cidade”, explica Kel Baster, idealizadora e facilitadora do Cine Mandacaru.

Cine Mandacaru

O Projeto Cine Mandacaru tem como objetivos principais fomentar a reflexão, produção e exibição de filmes na rua para a população do interior nordestino possibilitando acesso à cultura cinematográfica produzida em Pernambuco e no Brasil.

A proposta pretende dar continuidade ao trabalho iniciado em julho de 2011 com jovens que participaram da Oficina de Cinema: Módulo I – Introdução ao Fazer Cinema na Casa das Juventudes.

O Projeto Cine Mandacaru é financiado pelo Programa Mais Cultura: Microprojetos Rio São Francisco através da Fundação Nacional de Artes do Ministério da Cultura.

Serviço:

Mostra Cine Mandacaru
Dia 19 de julho de 2013, a partir das 19h
Local: Praça Padre Leão, Custódia-PE
Entrada franca
Facebook: Cine Mandacaru
Informações: (81) 9693-0022 (Pablo e Kilma), (83) 9969-7592 (Kel Baster)

Fotos




2ª Mostra Cine Mandacaru



Tá chegando moçada! É amanhã! Quem veio convidar é seu Manoel Padeiro, bacamarteiro arretado de Quitimbu, distrito de Custódia - PE. Vai perder?

15 julho, 2013


Povo, curtam a página do Cine Mandacaru e fiquem ligado que na próxima sexta-feira (19/07) teremos a segunda Mostra com o fechamento das atividades deste semestre em Custódia. Exibiremos a série de curtas que foi produzida pelos jovens com pessoas e grupos que colaboram para valorizar a memória cultural da cidade.

Serviço: 2ª Mostra Cine Mandacaru
Dia: 19/07/2013
Horário: 19h
Local: Praça Padre Leão
Cidade: Custódia
Evento gratuíto

22 abril, 2013

Cine Treloso na Praça Padre Leão


Numa noite atípica aos dias atuais, com bastante frio, a Praça Padre Leão recebeu agora à noite, o CINE TRELOSO. Projeto com objetivo de levar cultura e entretenimento ao interior de Pernambuco, exibindo sucessos infantis do cinema ao livre. As cidades já visitadas pela caravana foram: Caruaru, Santa Cruz, São Caetano, Garanhuns, Belo Jardim, Pesqueira e Arcoverde. Contando com uma tela de LED de 16m² acoplada a um caminhão, o cine Treloso proporciona momentos divertidos e gostosos as crianças. 


Antes da exibição do filme "A Era do Gelo", escolhido através de votação com crianças presentes, a caravana acompanhada por vários bonecos, interagiram com as crianças presentes. Vale destacar ações educativas, uma delas, ensinando a jogar lixo no lixo. Durante exibição do filme, vários presentes receberam biscoitos da marca patrocinadora do evento.


O projeto segue ainda pelas cidades de Serra Talhada, Triunfo, Floresta, Petrolândia  Salgueiro, Exu, Araripina, Trindade, Ouricuri e Petrolina.

Texto e fotos: Paulo Peterson

11 outubro, 2012

Cine Mandacaru está de volta a Custódia-PE



CINE MANDACARU ESTÁ DE VOLTA A CUSTÓDIA

Estão abertas as inscrições para as oficinas do Cine Mandacaru que terão início no próximo dia 16 de outubro (terça-feira). Serão seis meses de oficinas de cinema com teoria e prática sobre produções audiovisuais de Pernambuco. As atividades ocorrerão em um espaço próximo a Praça Padre Leão, no centro do município de Custódia. Podem participar jovens com idades entre 17 e 29 anos e não precisa ter nenhum conhecimento na área, basta ter vontade de fazer cinema. As inscrições são gratuitas.

As oficinas serão ministradas por Pablo Murilo Souza, publicitário e fotógrafo, e Kilma Russana, comunicadora formada em arte e mídia. A ideia é que os jovens custodienses possam aprender, pesquisar e fazer cinema sobre a história da região de forma contínua. A proposta é a realização de três módulos de oficina de cinema, cada módulo será composto de oito encontros que proporcione construir junto com os participantes uma produção de vídeo sobre a história do cinema na região do sertão nordestino, intercalando discussão sobre o conteúdo e exibição de filmes produzidos no interior de Pernambuco. Ao final dos módulos, serão realizadas mostras gratuitas intituladas “Cine Mandacaru”.

O Projeto Cine Mandacaru tem como objetivos principais fomentar a reflexão, produção e exibição de filmes na rua para a população de Custódia possibilitando acesso à cultura cinematográfica produzida em Pernambuco e no Brasil. A proposta pretende dar continuidade ao trabalho iniciado em julho de 2011 com jovens que participaram da Oficina de Cinema: Módulo I – Introdução ao Fazer Cinema na Casa das Juventudes.

O Projeto Cine Mandacaru é financiado pelo Programa Mais Cultura: Microprojetos Rio São Francisco através da Fundação Nacional de Artes do Ministério da Cultura.

Serviço:
Oficinas de Cinema Projeto Cine Mandacaru
Dia 16 de outubro de 2012, a partir das 20h.
Local: Igreja Batista, próximo a Praça Padre Leão.
Informações: (81) 9693-0022 (Pablo e Kilma) ou (87) 9927-7301 (Pedro Henrique)
Entrada franca – Vagas limitadas

Realização: