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21 julho, 2024

[Causos] A tranquilidade e o humor do policial João Gaguinho.


João Gaguinho
Foto: Acervo familiar



Em Custódia, uma cidade pequena onde todo mundo se conhece, existia um policial muito conhecido por sua tranquilidade, a saber, João Gaguinho. Diziam os mais velhos que ele nunca tinha prendido ninguém. Certo dia, numa segunda-feira ensolarada, o delegado local chamou o policial e ordenou que ele prendesse um matuto que tinha causado confusão na segunda-feira anterior.

O policial, com sua calma habitual, saiu em busca do matuto. Não demorou muito para encontrá-lo, vagando pela feira. Chegando perto, o policial perguntou:

— Qual é o seu nome? é Bento

— Bento, senhor. — respondeu o matuto com certo receio.

— Então, Bento, o delegado quer falar com você. Vamos lá agora. — disse o policial, com um sorriso tranquilo.

Bento, meio desconfiado mas sem alternativa, decidiu acompanhar o policial João Gaguinho. Os dois foram caminhando pela cidade até chegarem à cadeia pública. Quando estavam subindo os degraus da entrada, avistaram o delegado, que estava parado à porta, esperando.

O policial, com uma atitude que ninguém esperava, agarrou levemente o braço de Bento e, em voz alta, declarou:

— Doutor, ele não queria vir de jeito nenhum! Mas eu trouxe ele à força!

O delegado olhou surpreso, sem saber se ria ou mantinha a seriedade. A verdade é que todos sabiam que o policial era um homem de paz, e essa história se espalhou rapidamente pela cidade, virando um causo contado e recontado nas rodas de conversa por muitos anos. E assim, o policial João Gaguinho ficou ainda mais famoso, não só pela sua tranquilidade, mas pela forma singular e bem-humorada de cumprir suas ordens.

Jânio Queiroz
Julho/2024
São Luís - MA

(*) Texto autorizado por familiares.

13 junho, 2023

Peba na Pimenta





Havia uma difusora em Maravilha, e dizem que saiu uma oferta musical assim:

Atenção fulana: assim como a flor se abre para receber o orvalho da noite, abra o seu coração para receber o “Peba na Pimenta”.

09 junho, 2023

[Causo] Os Dudas de Custódia

por Fernando Florêncio
Ilhéus-BA
Março/2013

Este texto faz parte do livro FOI ASSIM II

1 - "Sêo" Duda do Banheiro: Se não me engano era pai de Seu Lunga e do Ovídio (?) primeiro custodiense a ingressar na Marinha do Brasil. Este era funcionário da prefeitura e tomava conta do Banheiro. Daí seu nome. Vendia latas d'agua mediante uma ficha e banhos. Ainda "vejo" as pessoas que moravam do outro lado da cidade atravessarem todo o "Quadro" (Praça Padre Leão,) em direção ao banheiro, com uma toalha enrolada ao pescoço. Grande parte dos descendentes do Seu Duda do Banheiro moram em Feira de Santana, aqui na Bahia.

2 - O outro Duda, morava naquele casarão perto das "gramas". Tinha um imenso tamarineiro na porta da casa. Este Duda tinha um parque de diversões (carrossel e canoas) era pai de Adamastor, de Lia (Locutora da Rádio Difusora Duas Americas) e de Téa (Sonoplasta da mesma "rádio"). Sôbre este Duda, conta-se que ele vinha procedente do campo de aviação para a cidade numa bicicleta descendo a ladeira do cemitério no sentido da bomba. Quando passava embalado exatamente defronte ao cemitério, vendo que tinha que pedalar para subir a parte da ladeira já em direção à bomba, teria dito: 

"SE O CÃO EXISTE, QUE SAIA DAÍ DE DENTRO E ME EMPURRE ATÉ SUBIR O TOPO".


Rapaz, seu Duda montado nesta bicicleta, subiu o topo sem dar uma pedalada, desceu pra bomba, passou no posto fiscal com mais de 100. Dobrou a curva do Café da Hora, entrou na Praça, passou em frente à Farmácia Pereira, que todos saíram para ver o que era aquilo. Subiu até a igreja, fez a curva em direção ao Beco de Valentim, tentou descer o beco, errou o ângulo da curva estatelando-se na esquina da Farmácia de Otacílio Pires, lado oposto à casa do Valentim.

Quem estava na Praça, nunca tinha visto tamanha velocidade numa bicicleta. Deste dia em diante Seu Duda começou a escarrar com raios de sangue, não tendo saúde jamais. Ele contou a Tuta de Dona Manoca, locutor da difusora, que dissera aquela frase, daí perdeu todo o controle da bicicleta. Inclusive "gastou" todo o solado de pneu da alpercata, tentando parar a bicha.

Coisas da nossa terra.

18 maio, 2023

[Causo] - Alma Pornográfica


 

Por José Soares de Melo 
Recife-PE
Março/2012

O primo Ozório Amaral, de saudosa memória, era um gozador nato. Jamais perdia a oportunidade de aprontar uma das suas.

No período da gestão do Prefeito Silvio Carneiro, anualmente nós servidores internos, inclusive Ozório, tínhamos um período em que trabalhávamos durante várias noites, na elaboração das Prestações de Contas anuais. E era comum Ozório aprontar das suas.

Como se sabe, existem muitas lendas de pessoas que ficaram ricas, após receberem um “ aviso” do outro mundo, indicando o local onde estaria enterrada uma botija cheia de ouro, prata e dinheiro.

Em uma noite em que estávamos trabalhando no antigo prédio da Prefeitura – onde hoje funciona Câmara de Vereadores, aproximadamente à uma hora da manhã, com a cidade completamente deserta, Ozório observou pelo basculante a aproximação de uma pessoa, que já se dirigindo para o trabalho, pára e ajoelha-se diante da Santa que ficava na gruta que havia no oitão da Igreja para rezar. 

Era um popular bastante conhecido por Zé da Telha, por trabalhar em olarias, na fabricação de tijolos e telhas. Oculto na escuridão, Ozório grita para Zé da Telha:

“ Ô Zé da Telha, tu quer enricar?”

Ao que Zé da Telha, de acordo com o ritual costumeiro nas aparições do outro mundo, faz o “ requerimento” :

- “ Te arrequeiro, alma, em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo!”

E Ozório volta a perguntar:

“ Ô Zé da Telha, tu quer enricar?”

Ante a expectativa de conseguir um bom dinheiro com a botija, Zé da Telha responde todo animado:

“Quero!!!”

“Então vai dar o C….”

Com essa, Zé da Telha perdeu a compostura e o respeito pelo mensageiro do outro mundo e retrucou:

” – Vai dar tu, alma veia safada!” !!

[Causo] O vestido de um cruzado

Por
Vanise Rezende
Recife-PE
Junho/2020
      


De uma apagada fotografia de quando eu era criança, posso inferir que eu era uma menina gorducha de olhos repuxados, lábios volumosos, bochechas notáveis e cabelos abundantes. Tudo o que recordo daquela época são histórias que me mãe me contara mais tarde. Reminiscências com toques da imaginação. 

Um dia – eu tinha entre quatro a cinco anos – entrei na sala de costura da minha mãe e a encontrei fazendo um bonito vestido para Leny, minha irmã. 

- E o meu? – perguntei-lhe enciumada. 

- Depois eu vou fazer o seu e o de Laíse... 

- Vai ficar bonito como o esse? 

- Vai! Eu ainda vou comprar o tecido. Agora vá brincar, me deixe terminar aqui. 

A promessa de Ester, minha mãe, não me convenceu. Saí direto para o cartório do meu pai. Eram os anos ’40, um tempo em que as crianças circulavam tranquilas na rua. As famílias se conheciam e cuidavam uns dos outros. 

No cartório contei ao meu pai que queria comprar um vestido igual ao que mamãe estava fazendo para Leny. 

Seu Né – muito ocupado no seu ofício – enfiou a mão no bolso e me deu um cruzado. Era uma bonita moeda de prata um pouco maior do que o real de hoje, e mais pesada. 

Atravessei a rua e fui à loja de tecidos de Tio Zuzu. Na ponta dos pés depositei o cruzado no balcão, e lhe pedi um pano para meu vestido novo. Meu tio sorriu, deixando cair o pincenê, e fez um sinal para o balconista, que logo encontrou um retalho estampado. Meu tio me entregou o embrulho e o cruzado de volta, dizendo-me para voltar para casa. 

Minha mãe só percebera que eu tinha saído quando lhe entreguei o pacote, com o tecido para o meu vestido. E fui brincar feliz, porque ia ficar bonito como o da minha irmã! Quanto ao cruzado, não faço ideia do seu destino.

16 maio, 2023

[Causo] - O touro holandês ladrão

 


Enviado por Clênio Nunes
filho
Custódia-PE
Maio/2020

Certa vez, meu pai, conhecido por Dega Nunes, comprou dois touros mestiços dea raça holandesa, a seu primo paraibano o poeta Zé de Cazuza, poeta conhecido como homem gravador devido sua memória.

Um destes touros, tinha mais raça pura holandesa do que o outro. 

Era um animal brabo, não tinha ninguém que segurasse ele. Descobriram que ele vivia entrando na roça do vizinho de seu Dega para comer o milho. 

Seu Dega não pensou duas vezes, colocou no cocho para ele engordar e depois abater. 

Os vizinhos questionaram imediatamente a intenção dele. Um deles disse:

- Mais Dega, num venda um touro desse para matar não. Esse touro tem muita raça. É touro muito bom. 

Seu Dega não demorou para responder, e sem pensar afirmando na lata:

- Ora não vendo, um filho meu se der para ladrão eu mato, quanto mais um boi 

(*) Dega Nunes, é irmão de Belchior Ferreira Nunes, ex-prefeito de Custódia.

13 maio, 2023

[Causo] Adamastor e sua caderneta


Mais um causo bem espirituoso de Adamastor.

Certa vez Adamastor tinha ido com seu parque infantil para uma cidade vizinha. Após as festividades locais encerrarem as festividades, ele não retornou imediatamente a Custódia.

Pediu para que seu funcionário Fernando viesse embora com o parque, o rapaz prontamente desarmou e o trouxe de volta.

Enquanto isso, Adamastor ficou jogando baralho e bebendo, dois vícios que sempre o acompanhava.

Três dias depois chega em casa e dona Oscarina não muito mansa, soltou o verbo questionando por que o parque havia chegado e ele só agora tinha chegado. Falava, falava, falava e Adamastor ainda de ressaca dos dias jogando e bebendo, olhou mansamente para ela e disse:

- Oscarina anote tudo que você quer me dizer na caderneta(usava para fazer a contabilidade do parque), que amanhã quando eu acordar eu leio. 

(*) enviado pelos netos Rodrigo e José.
 

10 maio, 2023

[Causo] Pra tudo tem solução

Por
José Melo Soares
Recife-PE
Junho/2020


Lembro que assisti um amigo de Luizito – Paulo Peterson o conhece, contando a situação de saúde seu pai, que gostava de tomar uma branquinha, e que esteve doente, tendo o levado para um amigo seu, médico. Disse ele:

- Luizito, pai esteve doente, e eu o levei para um amigo médico, que o medicou e fez as recomendações de sempre, entre elas a de parar de beber.

Ao que o senhor, desolado, perguntou:

- Mas Doutor, eu não posso tomar nem uma, de vez em quando?

- Não, a bebida pode lhe fazer muito mal.

Diante da insistência do velho senhor, o médico abriu uma pequena exceção:

- Veja bem, lá alguma vez, quando for tomar um banho, o senhor pode tomar uma, pequenina, hein?

Dias depois, o amigo de Luizito encontra o Médico que lhe pergunta:

- E aí, amigo, como está seu pai?

Ao que este respondeu:

- Está bem. Só que agora está tomando banho de minuto em minuto!!!

08 maio, 2023

[Causo] Simpatia para arrumar marido

 

Enviado por
Lenilza Lopes (Rosa de Pedro Vitor)
Custódia-PE
Junho/2020


Causos de adolescente !

Quem na adolescência não pensou em casar ???

Pois bem! Num dia de Santo Antônio, minha irmã Lenira, chamada de Liro por nós irmãos e por seus amigos, chegou contando para mim e sua prima Socorro Costa, que morava conosco, que tinha feito uma simpatia de adivinhação, para descobrir com quem casaria e foi dormir.

Então, chamei Socorro para sabotar a bendita adivinhação, que consistia em colocar o nome dos paqueras enrolados em uma bacia com água do lado de fora do quarto e rezar a Salve Rainha pedindo para mostrar com quem ia casar, o que amanhecesse aberto era o pretendente.

Resultado: abrimos todos os papéis e deixamos para ela vê quando acordasse.

A reaçao dela foi de espanto quando viu aquele monte de papel com os nomes abertos.

Arregalou os olhos e disse: 

- Meu Deus, vou ser rapariga!!!!!

06 maio, 2023

[Causo] Sinceridade no Sepultamento


 

Outra de seu Dega Nunes 

Durante enterro do seu cunhado Zé do Norte, seu filho Chico, começou a ajudar os auxiliares do Cemitério, pegando uma pá e colocando com bastante força e rapidez terra em cima do caixão. 

Sua performance chamou atenção do pai, que com sua sinceridade acima do normal, afirmou: 

- Esse Chico meu filho é trabalhador demais, pena que tome muita cachaça todo dia, essa cachaça exagerada acaba com ele. Se não fosse isso, ele trabalhava mais ainda.

Os familiares e demais presentes, ainda consternados, quando escutaram o que seu Dega disse, ninguém segurou o riso.

(*) enviado por Clênio Nunes, filho.

05 maio, 2023

[Causo] Livros de enfeite


 

Esse causo aconteceu com meu Pai. 

Certa vez em seu escritório, local predileto quando não estava em casa, passava maioria do seu tempo nele, trabalhando, lendo, ou navegando na internet. 

No local uma vasta biblioteca, muitas revistas, jornais e um arsenal de aparelhos eletrônicos: computador, impressora, webcam, Microfone e claro internet, foi um dos pioneiros a usar na cidade. 

Um determinado dia, uma pessoa entrou e ficou conversando com ele, não sei se era um cliente, amigo ou pessoa especializada em informática. 

Enquanto batia um papo com ele, o indivíduo passou um ‘rabo de olho’ nas prateleiras lotadas de livros. 

Não se conteve de curiosidade, e fez a seguinte pergunta:

- Dr. Pedro, o senhor já leu esses livros todinhos que tem aqui? 

Meu pai sem tirar os olhos do computador - devia ta jogando paciência – escutou a pergunta e sem pestanejar respondeu: 

- Não meu filho, coloquei eles aqui apenas de enfeite.

04 maio, 2023

[Causo] Recado no banheiro do Posto


 

Outro causo de João Miro

Ele tinha um Posto de Gasolina na Bomba, onde hoje tem o Mercado Grande Rio. 

Havia no espaço, banheiros públicos. Sempre usado pelos clientes e pessoas das proximidades.

Todas as vezes que ele ia ao banheiro, encontrava-o sujo, usavam e não davam descarga. 

Para piorar a situação, o indivíduo que usava o banheiro, deixando sujo, tinha a audácia de usar as próprias fezes para riscar as paredes do local. 
 
Quando foi um dia, seu João Miro já enfezado pela situação rotineira, pegou um papel, mandou que um funcionário escrevesse nele:

- Merda não é tinta, dedo não é pincel, quando vier c****, traga o papel.

 

03 maio, 2023

[Causos] Viva Santa Luzia

Enviado por
Rodrigo Burgos
Custódia-PE
Maio/2020


Certa vez, durante Festa de Santa Luzia, em Rio da Barra, próximo da chegada da Procissão a Igreja, as luzes se apagam. Todo mundo em pânico pelo momento de encerramento, beatas aperreadas por conta Missa que seria realizada, foi até o padre e disse:

- "Padre, chama Adamastor, ele está ai ao lado com o Parque, ele resolve".

Sem perder tempo, o Padre foi até ele e finalmente a luz retornou, para alívio de todos.

Nisso, as beatas começaram a gritar:

- "Viva Santa Luzia, Viva Santa Luzia"

Adamastor rapidamente pegou o microfone e disse:

- "Viva Santa Luzia nada, viva Adamastor, que se não sou eu, não tinha missa".

02 maio, 2023

[Causo] A culpa foi a energia da CHESF

Jussara Burgos
Brasilia-DF
Junho/2020

Seu Adamastor e meu pai Zé Burgos eram bons amigos. 

Na época que a Companhia Hidroelétrica do São Francisco conhecida como CHESF instalou energia elétrica em Custódia, meu pai convidou seu Adamastor para almoçar em sua casa. 

Foi aquela alegria dos amigos de longas datas, presumo que os dois andaram bebericando algo. 

Terminando o almoço seu Adamastor todo animado propôs que meus pais fossem para sua casa. 

Chegando lá ele botou uns forrós para tocar na sua radiola. 

Diga-se de passagem um luxo prá época. 

Ele todo animado dançava com minha mãe e dona Oscarina com meu pai que nunca foi um pé de valsa. 

Não lembro de ter visto meu dançando uma única vez. 

Quando seu Zé Burgos viu que Adamastor não ia parar tão cedo, discretamente desligou a radiola. 

Isso se repetiu várias vezes e seu Adamastor presumia que a energia da Chesf não era boa. 

Bons tempo.

26 março, 2023

[Causo] Aula de Dr. Moura começa com risos e termina em expulsão


Dr. Ágapto Moura estava dando aula, no Ginásio Municipal Padre Leão, sobre o aparelho reprodutor das aves. Dizendo que as aves urinam, evacuam e reproduzem pelo mesmo orifício que se chama cloaca. Uns colegas ficaram rindo e conversando atrapalhando a aula. Ele pediu que eles que parassem não foi obedecido. Então, expulsou Pompeu da sala. Na hora que Pompeu ia saindo disse: "Dr. Moura o senhor vai me expulsar por causa de uma cloaca?"

Dr. Moura fechou a porta com cara feia e continuou a aula.

Enviado por: Jussara Burgos

23 setembro, 2021

[Causo] Joventino Feitosa - por Fernando Florêncio



Após o jantar, aquele homem enorme, Joventino Feitosa, devia medir mais de dois metros de altura, sentava-se no banco da Praça Padre Leão, defronte a sua venda, dobrava as pernas, uma de cada vez, apoiava o calcanhar no banco e começava a coçar frieiras, dizia ele.

Era bom papo. Um vozeirão inconfundível e excelente contador de estórias. Ficava ali até as luzes piscarem pela terceira vez. Era Barnabé dando o sinal de que iria desligar o gerador, apagando as luzes da cidade. Era perto das 22 horas. Quando a lua era cheia, o papo se alongava.

Uma das características de Joventino, é que invariavelmente, só andava de chinelos. Chinelos grandes. Devia calçar de 45 pra cima.

A galera dizia que Joventino só calçara sapatos para casar. E de quatro em quatro anos quando havia eleições.

Comerciante, Joventino tinha uma das melhores e mais sortidas Bodegas da cidade. Depois da de Sêo João Miro, que agregava também uma padaria. Era a melhor do quadro, como se chamava o centro comercial de Custódia. Nos dias de feira, a freguesia era grande. Se fosse hoje, seria um Bazar. Tinha de tudo.

Entre muitas mercadorias que Joventino vendia, tinha um produto químico que chamava-se BENZOCREOL, era um larvicida muito usado na cura de bicheiras e também excelente no tratamento de animais com infestação de carrapatos.

Não precisa falar do sucesso do produto. Poderia faltar na bodega de Joventino até Ceará (carne sêca) mas Benzocreol, nunca.

Pedir o produto pelo nome certo, em algumas situações era difícil, porque depois de algumas lapadas da “branquinha” dava um branco na cabeça da matutada e esqueciam o nome do Benzocreol.

Os matutos encostavam no balcão e pediam: Sêo Joventino, ainda tem REMÉDIO para carrapato??? Se tiver me dê um vidro.

Joventino, só de sacanagem devolvia a pergunta:

ÊLE ESTÁ SENTINDO O QUÊ, MEU FREGUÊS ????
 
 

Fernando Florêncio
Ilhéus/BA

03 setembro, 2021

[Causo] Severino do Rádio diz que Custódia é a terra, onde mais tem Padroeiro no Estado.

    

Foto: André Cavalcante (filho)

Quando foi vereador, durante a gestão do Prefeito Luiz Carlos Gaudêncio [2013-2016], Severino do Rádio afirmou durante uma Sessão Plenária na Câmara de Vereadores João Miro da Silva que, Custódia é o município que tem mais festa de padroeiro(a) no Estado. Segundo ele, não tem no mundo prefeito que aguente tanto apoio financeiro para a quantidade de festas. 

Quem riu na época de sua declaração, por ele ser uma figura bastante espirituosa, também deu razão as suas declarações quando na mesma sessão complementou sua declaração afirmando "A população de Custódia dá mais valor a festa do que mesmo a possíveis benefícios que podem ser trazidos para suas comunidades".

Para quem não entendeu a reclamação de Severino do Rádio, veja a seguir o roteiro do nosso calendário de Padroeiro em nosso município.

Começa em Janeiro com São Sebastião, na comunidade Samambaia. Em Fevereiro, Nossa Senhora de Lourdes, no bairro Matadouro; em Março, São José, padroeiro da cidade; Abril vem a Paixão de Cristo; em maio, mês Mariano, comemorado os 30 dias no povoado de Maravilha; Junho, São Pedro, na Vila da Cohab; Julho é a vez do Sagrado Coração de Jesus, na Caiçara; Agosto, São Luiz do Carvalho, ainda Santa Joaquina de Vreduna; Outubro, vem a festa de Santa Rita de Quitimbu e São Francisco na comunidade Bravo; Dezembro, Santa Bárbara, no Ingá, Imaculada Conceição na Redenção e Santa Luiza na Pindoba. 
 
Para finalizar, disse "E assim se encerra o ano com a comemoração natalina",


25 agosto, 2021

[Causos] Parabéns Para o Prefeito - Por José Melo




Por José Soares de Melo

Como disse na anteriormente, o caso do assalto em Custódia gerou um fato no mínimo curioso, do qual fui participante. Naquela época o Prefeito era João Miro, conhecido por suas tiradas irônicas, de quem fui Secretário. Foi no dia 02 de fevereiro, data de seu aniversário, se não me engano. Desde a ocorrência do assalto, o Prefeito vinha tentando a todo custo, conseguir com que o então Governador Eraldo Gueiros – que era seu amigo do tempo em que o mesmo residira em uma Fazenda de Custódia, lá para as bandas de Várzea Velha. Tentou, mas não conseguiu. Até que no seu aniversário ele deu o troco a Eraldo Gueiros. O Governador, como de praxe, passou um telegrama apresentando os parabéns pelo aniversário de João Miro. Li o telegrama para ele: 

“ Receba caro amigo e Prefeito João Miro, sinceros parabéns pelo seu aniversário.” 

Ao final ele falou entre sério e brabo: 

- “Sêo Zé Melo, eu quero que você faça um telegrama para o Doutor Eraldo. Eu seu que você gosta de escrever bonito, mas esse telegrama eu quero que você faça exatamente como eu disser, letra por letra.” 

Como manda quem pode e obedece quem tem juízo, apenas anotei todas as palavras que o Sr. Prefeito mandou e remeti para o Campo das Princesas. O telegrama passou de mão entre o Secretariado, por sua redação, digamos, pouco usual. Estava assim redigido, letra por letra, conforme exigência do Sr Prefeito João Miro: 

“Doutor Eraldo. Agradeço os parabéns, mas o que eu queria mesmo, era que o senhor trocasse o Delegado de Polícia, pois o que tem aqui não serve nem para botar o penico de um homem no Mato. Assinado João Miro da Silva”. 
 

 

15 agosto, 2021

Dadá e Xia - "Os profetas de Custódia" por Jânio Queiroz


Causo enviado por Dr. Jânio Queiroz
São Luiz-MA
Agosto/2021


Se eu perguntar as pessoas de Custódia, quem foi professor Edson e professor Eraldo, são pouquíssimas as pessoas que vão saberem me responderem. Mas por outro lado, se perguntar quem foi Dadá e Xia, quase todos, com certeza, vão responder que os conheceram.

Assim sendo, hoje eu vou dizer um fato que Dadá me falou que aconteceu com eles na cidade de Monteiro, interior da Paraíba. Dadá e Xia, ou melhor, professor Edson e professor Eraldo, conhecidos como os maiores profetas nas feiras do sertão de Pernambuco.

Segundo Dadá (prof. Eraldo), eles estava em uma praça um dia de feira, na cidade de Monteiro-PB, executando seus trabalhos de profecias, que iniciavam mais ou menos assim:

Sentado em um tamborete, Xia (prof. Edson), colocava um pano preto (venda) nos olhos de Dadá, e começava a falar as seguintes palavras: daqui há pouco, vai acontecer o maior espetáculo espiritual da face da terra, com o professor Edson e o professor Eraldo, direto de Cachoeira de São Felix na Bahia, ligado com Zé da Bola da Capital Pernambucana.

Professor Eraldo vai dizer o passado, o futuro e o presente, dizer o que você sente e o que não sente também.

Nessas alturas, eles já estavam arrodeados de gente que vinha dos sítios fazer a feira.

Segundo Dadá, quando eles iniciaram os seus trabalhos, a fim de levantarem seu ganha pão, chega de repente um daqueles cara, conhecido como diz no adágio popular, “atrasa bóia”.

Chegou logo gritando, esses caras são charlatões, eu conheço eles de Custódia, não advinha coisa nenhuma.

Foi quando Dadá levantou-se do tamborete, tirou o pano preto dos olhos e falou: se eu falar agora o local aonde seu pai está nesse momento? Ai eu duvido! Se tu acertares, aí sim, eu acredito que tu advinhas mesmo!

Diante disso, Dadá respondeu sem hesitar: teu pai esta agora na cidade de Campina Grande, em um barzinho, tomando aquela Skol bem geladinha, momento em que o moço respondeu; conversa!

Eu deixei você falar só pra ver o que você ia responder, pois saiba que meu pai faleceu há mais de 10 (dez) anos. Está vendo que tu não sabes de nada! Dadá respondeu; quem morreu foi teu padrasto, porque teu Pai está agora em Campina Grande, tomando uma cerveja bem geladinha.

13 agosto, 2021

O Detector de mentiras - Por Edgar Mattos




Acreditem vocês, minha intenção é apenas a de lhes contar um “causo” divertido. Para fazê-lo, no entanto, tenho que situar o cenário, explicar as circunstâncias. E isso vai implicar numa inevitável autolouvação. Porque vou ter que lhes falar de um dos pioneirismos que marcaram meus tempos de Secretário de Educação de Pernambuco. No caso, a informatização da administração escolar. Com um investimento relativamente modesto, conseguimos implantar um eficiente banco de dados que se constituiu num valioso instrumento de gestão, contribuindo, decisivamente, para a maior eficiência e rapidez do processo decisório

Para que vocês possam avaliar a dimensão daquele progresso tecnológico para a época basta que lhes diga que aquele nosso sistema eletrônico não diferia quase nada do que hoje, 25 anos depois, funciona na Secretaria Estadual de Educação..

Um monitor colocado em minha mesa de trabalho possibilitava-me, não só ter uma visão completa da situação de cada unidade de ensino, como também controlar todas as transferências de recursos para os Municípios.

É que, naquela época, os investimentos municipais na Educação dependiam, essencialmente, das verbas do Salário-Educação repassadas por intermédio das Secretarias Estaduais de Educação em forma de dinheiro ou de bens ( equipamentos e mobiliário escolar ). Cabia à Secretaria adotar critérios para que essa distribuição de recursos se processasse da forma mais equânime e justa possível, e eu, pessoalmente, me empenhava em fazê-lo sem qualquer ranço de discriminação política..

Como alguns prefeitos, independentemente da sua posição partidária, eram mais agressivos do que outros no seu reivindicar, era preciso procurar equilibrar as doações, evitando o favorecimento daqueles em detrimento dos mais tímidos. Havia até uns que, empenhados em beneficiar mais e mais seus municípios, eram capazes de tudo, inclusive de artifícios e burlas. Diante dessas matreirices era preciso ficar atento.

Dentre esses mais espertos estava o saudoso Luizito, simpática figura que tal qual um dos papas do nosso mundo cultural, se empenhava em “fazer o tipo’ pitoresco do matuto folclórico. Então Prefeito de Custódia, nosso Luizito para favorecer aquele município sertanejo, não media esforços, nem respeitava princípios.

Certa feita, chegou ele ao meu gabinete, pedindo, com a veemência de sempre, 100 bancas escolares. De memória, eu ponderei que, no mês anterior, eu já tinha repassado 200 bancas para a sua Prefeitura, a de Custódia. Ele, sem qualquer cerimônia e até de maneira ríspida como era do seu estilo, me contradisse, negando peremptoriamente que tivesse recebido da Secretaria aquela doação.

Foi então que vendo a discussão descambar para um impasse, nesse confronto de palavra contra palavra, resolvi recorrer ao computador que se encontrava ali mesmo no meu birô. Coloquei o código do município e consultei quais os repasses e doações feitos para Custódia nos últimos três meses. E, ali na tela do monitor, á vista de todos, de forma irrefutável, confirmava-se o que eu estava dizendo: 200 carteiras escolares haviam sido repassadas recentemente para o município.

Sem argumento para contrapor-se à tecnologia, Luizito, com a maior cara de pau, declarou alto e bom som para espanto dos circunstantes:

- É danado. Agora com esse tal de computador a gente não pode mais nem mentir… 

Link do texto: Segunda dos Sábios
Colaboração: José Soares de Melo