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23 julho, 2026

Custódia na Poesia de João Cabral de Melo Neto: O Cemitério Pernambucano

 


Texto:

A título de colaboração, trazemos um pequeno comentário a respeito do livro Quaderna, de autoria do nosso poeta maior, João Cabral de Melo Neto, onde ele nomeia a nossa querida Custódia em um de seus poemas.

"O livro Quaderna foi publicado primeiramente em Portugal, no ano de 1960. Sua escrita iniciou-se em 1956, quando João Cabral, trabalhando como cônsul, foi removido para Barcelona e autorizado a residir em Sevilha, a fim de fazer pesquisas no Arquivo das Índias. No Brasil, foi publicado em 1962, juntamente com 'Dois Parlamentos' e 'Serial', em um volume chamado Terceira Feira."

Após tematizar a morte na célebre obra "Morte e Vida Severina", João Cabral a presentifica em Quaderna com poemas dedicados a cemitérios. São quatro aparições localizadas geograficamente no título ou abaixo dele:

  • "Cemitério Paraibano" (Entre Flores e Princesas)

  • "Cemitério Pernambucano" (Custódia)

  • "Cemitério Pernambucano" (Floresta do Navio)

  • "Cemitério Alagoano" (Trapiche da Barra)

Tal localização demarca o espaço regional e, acima de tudo, as descrições feitas permitem identificar as particularidades de cada local. Desse modo, percebe-se que a identificação geográfica precisa não impede o poeta de revelar, até mesmo no tratamento da morte, a diferença socioeconômica entre as regiões.

Em "Cemitério Paraibano" (Entre Flores e Princesas), João Cabral considera o cemitério uma casa, transformando-o em um espaço necessário e coletivo:

Uma casa é o cemitério dos mortos deste lugar. A casa só, sem puxada, e casa de um só andar.

E da casa só o recinto entre a taipa lateral. Nunca se usou o jardim; Muito menos, o quintal.

E casa pequena: própria menos a hotel que a pensão; pois os inquilinos cabem no cemitério saguão,

os poucos que, por aqui recusaram o privilégio de cemitérios cidades em cidades cemitérios.

Mesmo delimitando a região geograficamente, em "Cemitério Pernambucano" (Custódia), a descrição do espaço aproxima-se da realidade do poema anterior. Percebe-se uma atmosfera semelhante, revelando a dificuldade financeira que assola seus habitantes e os acompanha até na morte:

É mais prático enterrar-se em covas feitas no chão: ao sol daqui, mais que covas são fornos de cremação.

Ao sol daqui, as covas logo se transformam nas caieiras onde enterrar certas coisas para, queimando-as, fazê-las:

assim, o tijolo ainda cru, as pedras que dão a cal ou a capoeira raquítica que dá o carvão vegetal.

Só que nas covas caieiras nenhuma coisa é apurada: tudo se perde na terra, em forma de alma, ou de nada.

Além de apontar uma situação social, o poema mostra uma região precisa: o Sertão pernambucano, castigado pela ação da natureza, salientando a presença do sol escaldante como elemento de identificação do espaço. O sol do sertão é severo, duro e cumpre a sina de "cremar" os corpos lançados ao chão.

Verifica-se também a junção de dois elementos: a terra e o fogo (sol). O primeiro esconde, e o segundo dá fim ao corpo sertanejo. Nem por isso, contudo, consegue livrar-se do que o move: sua alma. A terra parece herdar a essência do interior do corpo extinto, abrindo uma reflexão filosófica e uma dúvida sobre a própria existência nos versos finais.

(Sugestão enviada por Marcelo Genário Burgos Pereira)

21 julho, 2026

Baú do Blog: Desabafo Apressado e Meio 'Sem Tempo'



Por: Daniel Feitosa 



Nota do Editor: Resgatamos hoje dos nossos arquivos esta belíssima e necessária reflexão escrita por Daniel Feitosa. Em um mundo que parece girar cada vez mais rápido, reler estas palavras é um convite obrigatório para desacelerar e recuperar a nossa essência.

É que nessa correria de poucas horas, a gente esquece o quanto de vida há pra ser vivida. Os pequenos gestos, tão simples e tão grandiosos, olvidam-se num ostracismo ingrato. Pouco se percebe e pouco se aproveita da riqueza do cotidiano. É uma pena.

Os relógios correm, frenéticos em seu ofício regulador; já não há quase tempo para olhar para o céu; e os dias vão se repetindo num calendário tedioso, nos deixando empoeirados, cansados e carcomidos pelo que se habitou a chamar de “estresse”. Há tantas pessoas, tantas coisas, tanto ar a nossa volta; e acabamos por deixar a parte mais bonita de cada um abandonada em meio às poluições sonoras, visuais e industriais deste mundo.

"O que me angustia, apressadamente, é essa sistematização que toma conta das pessoas, numa padronização medíocre, em que tudo se repete num ciclo hipócrita."

Parece que cada vez mais se esquece do quanto vale um sorriso, um abraço ou um mero aperto de mãos. Cada vez menos eu vejo as pessoas serem solidárias, agirem com humildade ou se esforçarem para ao menos esboçar um mínimo de boa educação, de respeito, de consideração. É desgastante conviver com tamanha brutalidade do animal social que nos tornamos; é ensurdecedor o grito insensato da falta de tato das pessoas para com os sentimentos; é triste constatar que cada vez mais tudo se banaliza.

Quase sempre esquecemos o que nós mesmos podemos representar, mas só pra rapidamente exemplificar: nós somos a alegria de quem nos quer bem, somos as rimas dos versos de quem nos ama, somos o bem mais precioso de nós mesmos.

E podemos ser sempre mais, basta querermos: corramos, então, para recuperar a essência perdida, ainda há tempo pra se andar devagar.

Fico por aqui, e volto aos meus prazos.

Abraços saudosos àqueles que sumiram no ’sem-tempo’.

13 junho, 2026

Mirante - (Jussara Burgos)

 


Para Marcelo Burgos

No alto de Brasília,
onde o céu cobre a imensidão do Planalto
há um mirante suspenso,sentinela das alvoradas crepúsculos,
nele, nós dois.

Era um dia simples,
como são os dias que não sabem
que serão eternos.

O vento brincava entre os cabelos,
e o horizonte tão aberto
parecia caber dentro dos nossos olhos.

Você ao meu lado, meu irmão,
feito presença firme
num mundo ainda por descobrir.

Cinco décadas passaram
como quem atravessa uma ponte invisível.
A cidade cresceu,
o concreto ganhou histórias,
e nós  espalhamos pegadas pelos caminhos do tempo.

Mas aquela foto…
ah, aquela foto não envelhece.
Ela guarda um momento,

Ali, no alto da Torre,
o futuro era apenas um sopro
e a vida,
uma promessa silenciosa.

Hoje, quando olho de novo,
não vejo só dois rostos
vejo raízes.
Vejo o que ficou,
o que resistiu,
o que ainda nos liga
mesmo quando o mundo nos distancia.

Porque há lugares
que não são feitos de pedra,
nem de altura
são feitos de memória.

E há fotografias
que não são imagens,
são laços
que o tempo
não destrói. 

Jussara Burgos


12 março, 2026

Recomendações II - autor Cristiano Jerônimo



Não meça ninguém pela sua própria régua
Cada um de nós tem uma medida e uma cor
Respeite os povos que têm as suas próprias regras
Tente enxergar as coisas com um sentido mais de amor.

 Não deixe que todos vistam a mesma roupa
Nem propague culpa a quem afirma ser pecado
Os seres humanos foram abduzidos pelo consumo
O carro, a casa, os móveis, o trabalho, tudo propagado.

A vergonha, na pauta de costumes, não existe na verdade
As diferenças em cada cruzamento de latitude com longitude
Em cada ponto do planeta há uma cabeça pensando diferente
Há também as atrofias do não desenvolvimento das sementes.

Use o raciocínio lógico para conduzir as suas profundas emoções
Na vida, nenhuma proposição ou posição pode ser diferente do binário
Todas as sentenças são divididas em apenas duas opções: verdadeiro ou falso
Não existe, em verdade, aquela alternativa que configure em vida a terceira opção.

 Não existe mais ou menos uma árvore que canta com os galhos segredos
Ou é árvore ou não é; a vida segue e – no entanto – estamos na relatividade
Mas não somos. Estamos. E seguimos o caminho evolutivo pela nossa educação
Mas, a  gente pensa de uma forma que sufoca e nos atinge desde a mais tenra idade.

 Foi dito na tábua, não julgue o outro; mas muitos se usam como juízes morais
O complexo de subserviência do mais pobre em relação ao rico é algo escravizante
Muitas vezes, preferimos a caverna à luz do mundo de fora e, com isso, nos limitamos
A vida, em seu percurso, às vezes, não é nada do que prometeram nem do que sonhamos. 

Por pensar muito, eu sou vários... Permitam-me.

Cristiano Jerônimo
Recife - março 2026

Para conhecer mais sobre o autor, acesse seu blog:

LITEROMANIA

25 agosto, 2025

Positividade tóxica - Cristiano Jerônimo


Depois que proibiram a tristeza de ser triste
A felicidade tornou-se mais difícil de alcançar
Além de definida e estudada,
É obrigatório na escola da vida.
Então, ser feliz ficou sendo o que se aparenta
Na escola, na igreja ou no mercado
Ah, essa positividade é tóxica;
Força a gente a forjarmos falsidade.

Foi numa multinacional que me perdi
Sucesso: promoções, viagens, bônus…
A cabeça “atrofiava” e a grana aumentava
Todo esse conteúdo me deixou vazio
Eu buscava sentido naquilo e não achava
Era muito pouco para uma alma que existia
Fiz voluntariado na espiritualidade
Investi em projetos paralelos e cases de arte.

Mas faltavam propósito e bem-estar, o bem
nas relações humanas... Eu via e sentia o nada
Faltava a fé que poderia apontar o significado
Da vida, da morte, da sorte, do meio do espaço
Por bem, havia uma conexão com a natureza,
com a coletividade e uma causa para os dias
Eu vi que a felicidade é uma combinação
entre alegria, satisfação e significado de vida.

Mas lá estava o piloto automático da sobrevivência
Redes sociais e necessidade de dopamina automática
De uma gratificação instantânea
numa sociedade impaciente e ansiosa
Sempre em busca de mais estímulo
e cada vez menos satisfeita
Ávida por pequenas doses de prazer:
likes, séries, compras, vídeos curtos e streamings.

E havia sempre uma sensação de cansaço, vazio e tristeza crônica
Diante da ditadura da felicidade, sem poder ficar triste, com raiva
Mesmo frustrado com aquele programa de sol que choveu errado
A dor anestesiada anestesia a alegria genuína do prazer e desafios
Não devemos invalidar a dor; a nossa dor ou a dor do outro próximo
Muita gente está exausta de tentar performar felicidade o tempo todo
Mais conectados, menos acompanhados, numa rede de solitários
Quem se acostumou a viver sozinho, ser forte o tempo todo tem um preço.

Deixei o trabalho mesmo havendo boletos, filhos, insegurança e cartão
E me protegi criando a minha bolha de autocuidado e rede de proteção
Não fui fraco por estar cansado. Pelo contrário, fui muito forte por resistir
Lembrei do Grupo de Hábitos Saudáveis do psicólogo cabeludo do agreste
Nossos Z’s querem mudar o mundo e não podem ficar paralisados
Dizem que dá até para ser feliz a vida inteira sem mesmo pestanejar
Felicidade plena não é a ausência de dor, mas a presença de sentido
Viver boas relações com as coisas que mais nos façam avançar.



Cristiano Jerônimo
Recife-PE
 25.08.2025

30 julho, 2025

dois rios - de Rosane Vilaronga e Matuto Izaias Moura


 

dois Rios

Filha do Paraguaçu
Foi direto pro sertão
Fronteiriço ao Pajeú
Pra encontrar inspiração,
Lá, se deu a comunhão
Entre as águas de dois rios,
Confluências, desafios
Dentro da composição.

Esse filho do Sertão,
Em Custódia bem criado,
Sempre teve inspiração,
No cordel foi bem letrado,
Seu pensar versificado
Se fez leito ao encontrar
Outro rio a desaguar
Em seu curso bem traçado.

Olho d’água iniciado
A fluir sem ter barreira,
Rio já desembocado
Numa imensa cachoeira,
Amizade verdadeira
No remanso e nas torrentes,
Quatro mãos como vertentes
Dessa obra alvissareira.

Moxotó foi cabeceira
Pra fluir a poesia,
Da nascente à corredeira,
Toda escrita acontecia,
Uma grande parceria
Entre rios a fluir
Foi gerada ao confluir
Verso prosa e companhia.



(*) faz parte do recém lançado livro "Do Paraguaçu ao Moxotó"
de Rosane Vilaronga e Matuto Izaias Moura.

Quem quiser adquirir basta entrar em contato em:

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VALORES

R$ 45,00 (em mãos)
R$ 50,00 (com frete para qualquer lugar do Brasil)

28 julho, 2025

"Do Paraguaçu ao Moxotó" de Rosane Vilaronga e Matuto Izaias Moura já está à venda



É com muita alegria que compartilhamos com você a publicação do nosso mais novo livro de poesias, “Do Paraguaçu ao Moxotó”, escrito a quatro mãos numa coautoria entre Bahia e Pernambuco.

Viver essa experiência literária foi singular para nós durante a produção de cada poema que compõe os três capítulos da obra, construídos e organizados com muita inspiração e carinho.



Tivemos a honra de ter nossa primeira parceria literária apresentada pelo grande poeta cordelista Luiz Gonzaga Maia. E será um imenso privilégio ter você como nosso leitor!

Um abraço poético dos autores!

Rosane Vilaronga e Matuto Izaias Moura


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04 maio, 2025

Poeta Pedro Henrique Alves


 
Pedro Henrique Alves, filho de Henrique Francisco Alves e Maria Silvina da Conceição, nasceu no dia 10 de abril de 1946, no sítio Sabá em Custódia. Estudou apenas até a 4ª série do 1º Grau (hoje 4ª série do Ensino Fundamental). Trabalhou como Agricultor e Vigilante do Banco do Brasil, hoje é aposentado.

Em 2011, lançou no Auditório da Secretária de Educação de Custódia, seu livro: Sertão Versos & Poesia, onde aborda vários temas do passado e do cotidiano, relatando assim a verdadeira poesia do povo sertanejo, realizando assim seu grande sonho que era de colocar seus versos e poesias, que antigamente eram escritos e mostrados em pedacinhos de papel. 


Canal Musicalizando (Marcelo Moura)



Canal Mano Amigo (José Luis)



Reporter Matuto do Sertão

20 maio, 2024

Sexta de Repente esta semana na Escola Nossa Senhora Auxiliadora


 
Próxima sexta-feira, dia 24, a partir das 20h30, na Escola Nossa Senhora Auxiliadora, acontecerá SEXTA DE REPENTE.

Show presencial e on-line.

Evento cultural com a participação dos repentistas: Rogério Meneses, João Lourenço e João Lidio.

Evento organizado pela professora: Lina Oliveira


Apoio da Escola Nossa Senhora Auxiliadora
Apoio: Água Santa Clara e Rogério Meneses

Seja um colaborador do evento: Pix: 81 9913 9011

15 fevereiro, 2024

Grande Cantoria: André Santos & Raulino Silva no Sitio Logradouro


 
Na próxima semana, dia 24 (sábado), será realizado uma Grande Cantoria, no Bar Recanto dos Amigos, no Sitio Logradouro, zona rural de Custódia, com os poetas André Santos & Raulino Silva.  O evento tem inicio programado para às 20h, organização da professora Lina Oliveira, Cicera e Eugênia. 

18 novembro, 2023

Jussara Burgos lança seu livro de poesia Regaflor

 



Com alegria venho anunciar o lançamento do meu livro Regaflor, para comemorar meu septuagésimo aniversário. Não é livro de ficção, em cada página, cada verso e em cada palavra tem meu sentimento, meu momento e minha maneira de ver o mundo.

Um livro é uma cria, um filho.

Sua essência é atemporal, fiz o primeiro poema com dezesseis anos e assim vivi escrevendo tristezas e alegrias, melodias de minha alma  ao som do batuque do meu coração.

No auge da minha dor quando perdi meu filho surgiu: Meu menino, versos considerado por muitos meu melhor poema.

Mas também relato a alegria que senti, quando vi minha filha vestida de noiva.

Sou grata por esse momento tão gratificante que estou vivendo. Compartilho com vocês minha felicidade de realizar um sonho.

É assim vou regar o mundo com poesia e amor!




Jussara Burgos



Regaflor foi lançado no dia 12 de novembro, no Recado dos Buritis, no Lago Sul em Brasilia-DF. O livro está sendo comercializado por R$ 40,00. A renda dos livro será em prol da construção de um templo religioso. Os interessados deve entrar em contato pelo e-mail: jussaraburgos@gmail.com 


Fotos do lançamento















15 novembro, 2023

Fotografia da Solidão - por Daniel Feitosa


De logo já se via o jardim, provido de flores murchas, um banco de balanço branco, já um pouco desgastado, deixando-se embalar pela brisa matinal. Um caminho de pedras cravejadas que seguia desde a calçada até a entrada. Uma escada de poucos degraus dava acesso ao alpendre muito bem desenhado, com detalhes outonais encravados nas pilastras. Logo adiante, a porta – de comprimento e largura avantajados, composta de uma parte em vidro e outra de madeira de lei.

Por dentro, a figura residencial colonial rústica, as paredes cobertas de uma cor já sem muita definição, que deixava transparecer a longevidade embarcada pelo tempo. Era uma casa, mas não uma casa qualquer. Ali tanto se viveu, como também tanto se morreu. Foram longos verões, infindáveis invernos e muitas resenhas a definhar.

Uns poucos retratos figuravam sobre um móvel de madeira – o único que ainda havia ali, já aos cacos. Em cada imagem, numa força de expressão espantosa, as figuras humanas, em seus humildes trajes surrados por tantas secas, transpareciam suas marcas de expressão lapidadas pela amargura. O acervo de uma época em que vidas retratavam a vida em branco e preto. Resistindo à poeira, às numerosas teias de aranha e ao brusco efeito das horas, eram como os componentes vivos que ali viviam, intactos e eternos.

Os quartos escondiam os gritos abafados de misericórdia, num zumbido inconstante, entre soluços e palavras alternadas que desembocavam no corredor e se perdiam na escassez de ar que ali circulava. No chão, os resquícios de lágrimas derramadas eram representados pelas marcas escuras de mofo. E nos cantos, a presença fiel dos tocos de vela, com as pontas dos rastilhos inteiramente carbonizadas.

A luminosidade rara ali enfocada era explicada pela ausência de janelas. Havia apenas uma, disposta num pequeno ambiente, formatando a retangular entrada do vento brando e seco. Numa respiração ofegante, o ar e a luz disputavam espaços apertados para adentrarem o esquálido recinto.

Tudo estava a se manter inerte, entregue aos caprichos do estado atmosférico, estaticamente exposto aos desígnios naturais. Um pedaço de chão, entre paredes e sobre um teto abarroado, marcado pelo destino dos seus antepassados habitantes. Um vazio cheio de conteúdo, contendo a marca registrada daqueles que viveram sem ter vivido, num espaço cerceado de flores ávidas por florescerem, fez o cenário cruelmente perfeito à fotografia da solidão.

Autoria: Daniel José Feitosa Santos

27 agosto, 2023

Marcos Silva e Izaias Moura - Um canta lá e o outro devolve de cá



Conversa entre dois poetas, termina lógico em versos, e os dois sendo cordelistas, o resultado foi esse, quando Marcos Silva (reside em São Paulo) perguntou a Izaias Moura, como tava o clima em Custódia, informado que era de 31 graus, a prosa terminou em dois versos:


NOS JARDINS DA POESIA
OS MEUS VERSOS SÃO AS FLORES
QUE TEM O NÉCTAR ROUBADO
POR COLIBRIS VOADORES.
DANDO VIDA AS FANTASIAS
DAS MENTES DOS CANTADORES.

Izaias Moura.
De Custódia PE.


MEUS VERSOS SÃO VOADORES;
SÃO SOLTOS DA MINHA MENTE.
NASCEM NO MEU CORAÇÃO
E VEM ASSIM DE TEPENTE,
DANDO BANHO DE POESIAS
E, LAVANDO A ALMA DA GENTE.


Marcos Silva.
De Custódia PE.

03 julho, 2023

Poema "Em segundos" - Hayanna Ramalho



ao poeta e jornalista Cristiano Jerônimo Valeriano


Os minutos se inteiram
Vagarosamente...,
a ansiedade me envolve os sentidos e
Incansavelmente acompanho
cada fração de segundos como se fosse máquina.

Como se fosse máquina
relembro
Cada tom de voz,
Cada olhar insaciável,
Cada dito e escrito,
A tua filosofia humana.

E eu que penso na utopia,
ao virar-me
para seguir o caminho de casa,
Posso ser engolido pelo mar...

Hayanna Ramalho, dezembro de 2009.


(Poema classificado no Concurso Nacional Novos Poetas - Antologia Poética, Prêmio Poetize 2012.

19 junho, 2023

[Poeta Izaias Moura] - Glosas no Mote





Poeta Cordelista Izaias Moura
Levando o nome de Custódia, aos palcos da poesia por todo nordeste.
Em Concursos, Palestras e Festivais.

 

10 junho, 2023

Mesa de Bar - Por José Carneiro


MESA DE BAR
J.Carneiro

Não vale nada ser rico ou ser pobre
Ser branco ou negro conta não se faz
E muito menos ser plebeu ou nobre
Em mesa de bar todos são iguais.

Na mesa do bar nada a gente encobre
E tudo vem à luz sem mais nem mais
A mágoa oculta logo se descobre
E o fel do amor no vinho se desfaz.

Na mesa do bar se faz o que sente
O que se sente se diz à vontade
E quanto mais se fala mais se mente.

Mas mente sem sentir que estar mentindo
Ou mente mas sentindo ser verdade
Não mente quem diz o que estar sentindo.

09 junho, 2023

Amanhã tem Cantoria com Raulino Silva e André Santos no Bar do Zé do Peixe



Quero convidar as amigas e amigos que gostam de prestigiar a nossa cultura, venham todos juntamente com os colegas Poetas e Poetisas!!!! Essa cantoria será Show!!!

Organização da Professora e Poetisa Lina Oliveira !!!

30 maio, 2023

Aos Mestres Professores (Izaias Moura)


Matuto Izaias Moura
Poeta Cordelista
Custódia - Pernambuco

 

Aos mestres educadores,
O nosso total respeito,
Por tudo que tem nos feito,
Obrigado professores,
Seus braços acolhedores,
Quando todo dia vem,
Abraçar filhos de quem,
Não conhece mas confia,
Sem professor não teria,
Futuro para ninguém.
 
 
Quantas lições são passadas,
Através do professor,
Belas lições ofertadas,
Com carinho e com amor,
Uma estrutura pra vida,
Numa sala construída,
Com quadro, leitura e giz,
Meus parabéns aos senhores,
Por conduzirem valores,
Pra uma pátria feliz.
 
 

14 maio, 2023

Poeta Gonzaga Neto para as Mães


Ser mãe é arquivar amor
Na mente e também na alma
É regar uma semente
No ventre com fé e calma
Pra ver brotar uma vida
E seu autor bater palma

Ser mamãe é ter na alma
O brilho dos grandes brilhos
Pra refletir nos seus olhos
E brilhar pra filha e filhos
Mostrando a luz da verdade
Da vida entre seus trilhos

É quebrar os empecilhos
Tirar espinhos das flores
Ser paciente e prudente
E vê dos filhos valores
Os defeitos e fraquezas
Na alegria e nas dores

Ser mãe é ver lindas cores
Dos conselhos e afetos
É amar sem distinção
Os filhos filhas e netos
E o êxito que ela tiver
Vê nos filhos seus projetos

Ser mãe é regar afetos
No Jardim do coração
É semear a ternura
E adubar sempre a razão
Prá ver brotar o amor
A cada fecundação

Mãe é fábrica de emoção
No coração que traduz
Entre seu fecundo ventre
Outra vida ela conduz
Pra com sete ou nove meses
Poder sim dá sua luz

Ser mamãe é fazer jus
Ao santo amor profundo
É ser Santa sem altar
Com seu carinho fecundo
Bondade paz e respeito
Pra seus filhos nesse mundo

Ser mãe é espelho no mundo
Num reflexo de atitude
É ser mestra e ser juíza
Advogada com virtude
Enfermeira e até médica
Na doença ou na saúde



Poeta Gonzaga Neto
Petrolina - PE
Maio/2023