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08 junho, 2026

História do Município de Custódia (IBGE - julho 1958)


IBGE
 Enciclopédia dos Municipios Brasileiros vol. XVIII.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica.

Segundo a tradição local, a ocupação do atual território de Custódia teve início no século XVIII com o coronel Luiz Tenório de Melo Dodô. O ponto de partida, foi a localidade de Quitimbu, área então habitada por uma tribo indígena de nome desconhecido, originária da aldeia de Serra Negra.

Com o passar dos anos, Quitimbu consolidou-se como um núcleo de relativa importância. Tanto que, em 1º de julho de 1909, a Lei Estadual nº 991 elevou a localidade à sede de distrito, integrando o município de Alagoa de Baixo — atual Sertânia.

Paralelamente, ainda no século XIX, um grupo de pioneiros fixou residência em uma área próxima, atraindo novos moradores. Entre eles estavam Manoel Alves de Siqueira, Serapião Domingos de Resende, José Florêncio da Silva, José de Moura Leite, José Alves de Siqueira, Joaquim Pereira de Sá, Antônio Alves de Góis Melo e o tenente Antônio José de Moura.

Manoel Alves de Siqueira batizou a propriedade onde hoje fica a sede municipal como Fazenda Santa Cruz. Já Antônio Alves de Góis Melo e o tenente Antônio José de Moura doaram terras — com cerca de 160 metros de frente por 3.000 metros de fundo — para a criação de um patrimônio dedicado a São José, atual padroeiro da cidade.

Na mesma época, instalou-se na região Maria Custódia Osório de Campos, a "Dona Custódia". Nascida em 1800 na Fazenda Conceição (em Flores do Pajeú, hoje Betânia, a 5 quilômetros de Sítio dos Nunes), ela era filha de Firmina Barbosa de Aragão e do capitão de ordenanças Manoel José de Campos. O prestígio e a presença de Dona Custódia foram tão marcantes que, mais tarde, seu nome acabou batizando a sede do município.

Pouco depois, os padres jesuítas Ibiapino e Agostiniano chegaram à localidade enquanto fugiam de uma perseguição. Acolhidos calorosamente pelos habitantes, os religiosos permaneceram ali por alguns meses e ergueram uma capela também dedicada a São José, consolidando a fé e a comunidade local.

Em reunião com os antigos moradores para a escolha de uma nova denominação para o lugar, convencionou-se adotar o nome de Custódia. Embora o termo signifique "guarda" ou "proteção" (e, por extensão jurídica, "local de detenção"), a escolha foi uma homenagem direta à benfeitora Dona Custódia. Após a definição, os jesuítas enviaram cartas a Sua Santidade, o Papa, relatando as novidades do interior pernambucano, com especial destaque para o povoado que nascia.

O crescimento acelerado da localidade impulsionou o tenente Antônio José de Moura e José de Siqueira a criarem uma feira livre. A iniciativa transformou a dinâmica do lugarejo, atraindo moradores de fora e diversificando a economia local. 

Na agricultura e na pecuária, ganharam destaque pioneiros como Joaquim Barbalho, Antônio Cleto, os irmãos Antônio Palmeira e Lúcio Ferreira, o capitão Francisco do Amaral, João Veríssimo e o capitão Antônio Alves de Góis (popularmente conhecido como Antônio do "Umbuzeiro"). 

Já no comércio, os primeiros expoentes foram Manoel Rodrigues de Melo (o Manoel da Barra), José de Moura Leite, José Estrela de Sousa e José Ferreira da Silva.

Graças a esse desenvolvimento, uma lei municipal de 15 de outubro de 1909 elevou o povoado à categoria de vila. Na época, o território pertencia ao município de Alagoa de Baixo (atual Sertânia), e a mudança fez com que Custódia assumisse a sede do distrito, posto que até então pertencia a Quitimbu. Na divisão administrativa de 1911, a região consolidou-se nessa estrutura. 

O desejo de emancipação política crescia entre os habitantes. Em 1916, aproveitando a passagem do governador do Estado, Dr. Manoel Borba, a população prestou-lhe uma grande homenagem e apresentou formalmente o pedido de autonomia.

A aspiração popular concretizou-se 12 anos depois. Pela Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, a vila de Custódia foi elevada à categoria de cidade, constituindo um município autônomo com terras desmembradas de Alagoa de Baixo, Flores e Floresta do Navio.

Sua instalação oficial ocorreu em 1º de janeiro de 1929, inicialmente composta por dois distritos: a sede e Betânia. Embora tenha começado sob a jurisdição jurídica de Alagoa de Baixo, a independência plena veio com o Decreto-Lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943. O decreto estabeleceu a Comarca de Custódia, com termo único, mantendo em sua composição jurídica e administrativa os distritos da sede e de Betânia.

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA

O distrito foi inicialmente criado pela Lei Estadual nº 991, de 1º de julho de 1909, com sede na povoação de Quitimbu, então elevada à categoria de vila. Pouco tempo depois, em 15 de outubro do mesmo ano, uma Lei Municipal transferiu a sede do distrito para a povoação de Custódia.

Na divisão administrativa de 1911, Custódia figurava oficialmente como distrito pertencente ao município de Alagoa de Baixo.

A emancipação política ocorreu por meio da Lei Estadual nº 1.931, de 11 de setembro de 1928, que criou o município de Custódia com território desmembrado dos municípios de Alagoa de Baixo, Flores e Floresta, concedendo à sede os foros de cidade. Sua instalação oficial deu-se em 1º de janeiro de 1929.

Nas divisões territoriais subsequentes — incluindo o quadro de 1933 (publicado pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio), as apurações de 1936 e 1937, e o Decreto-Lei Estadual nº 92, de 31 de março de 1938 — o município permaneceu composto por dois distritos: o da Sede e o de Betânia.

Essa mesma estrutura com dois distritos (Sede e Betânia) foi ratificada e mantida pelos Decretos-Leis Estaduais nº 235 (de 9 de dezembro de 1938) e nº 952 (de 31 de dezembro de 1943), que fixaram a divisão territorial para os quinquênios 1939-1943 e 1944-1948, respectivamente.

PARTICULARIDADES GEOGRÁFICAS

O principal destaque geográfico do município é a Serra do Sabá, formação que abriga a famosa fonte de água mineral de mesmo nome.

A denominação do local foi dada em 1929 por Vicente Trevas, o responsável por descobrir a fonte. Segundo a tradição oral da região, Trevas teria obtido o roteiro de localização da nascente no estado da Bahia. Documentos históricos baianos da época confirmam que o nome escolhido por ele foi uma homenagem direta à lendária Rainha de Sabá.


Autor do Histórico:
José de França Filho - Agente de Estatistica 

Redação Final:
Denise Duarte de Barros 

Fonte dos Dados:
Agência Municipal de Estatistica e Departamento Estadual de Estatistica 

Enciclopédia dos Municipios Brasileiros vol. XVIII.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica.
Rio de Janeiro 1958. pag 103.

03 junho, 2026

Bairros de Custódia em 1970


 

Circundada de fazendas e sítios, Custódia era dividida em: Centro, Várzea, Alto, Bomba e o Cruzeiro.

No Centro havia ruas paralelas, divididas em quarteirões. As casas tinham sua frente voltada para a Praça Padre Leão, e o muros para as ruas secundárias, com destaque para Igreja Matriz de São José. Ainda no centro, funcionava casas comerciais, escolas, feiras livres e locais de assistência médica, farmacêutica, jurídica e administrativa. Em noites de luar, a praça Padre Leão transformava-se em grande picadeiro para as cantigas de roda, jogos e correrias.

No oeste ficava a Várzea, num plano abaixo do nível da cidade, onde se passava os afluentes do Rio Moxotó. Existia um posto de saúde, uma escola municipal, uma fábrica de tanino (curtume), uma fábrica de caroá, o motor e o gerador da luz eletrica e um chafariz público para abastecer a cidade.

Para o leste, tínhamos o Alto, na parte mais elevada da cidade, onde a predominância era de casas residenciais. Existia o Grupo Escolar General Joaquim Inácio, o mercado público, o matadouro, a delegacia e a cadeia. Numa área mais reservada, ficava a zona meretrícia e ao lado o cemitério.

Outro local bastante movimentado da cidade, era a Bomba, onde havia o setor hoteleiro, casas de lanche, postos de gasolina e armazéns. Era a porta de entrada e saída da cidade.

Margeando a BR 232, a uns dois quilômetros, ficava o Cruzeiro, na parte mais alta de um morro, símbolo de religiosidade, para onde eram feitas romarias no período de Semana Santa. A caminha até o local, tinha em seu percurso carvoarias, olarias, fábrica de doce japonês, fazendas, sítios e casebres.

(*)Textos extraídos do livro Caminhos do Afeto de Sevy Oliveira.

12 março, 2026

Praça Padre Leão na década de 1950


Foto: Família Gonçalves


Uma rara imagem da Praça Padre Leão, provavelmente na década de 1950, o registro foi feito do Hotel Sabá, de propriedade do sr. Amaro e Maria Gonçalves. Este hotel tinha sua fachada para a Avenida Inocêncio Lima e seus dormitórios, eram situados na parte de trás, com vista para a Praça Padre Leão.

Alguns detalhes chamam atenção, a Igreja Matriz de São José ainda não tinha o seu relógio. As canoa de Duda Ferraz, pai de Adamastor. Ele que também tinha o serviço da Rádio Difusora Duas Américas, que começava logo cedo com mensagens para namorados e propaganda das casas comerciais e de profissionais liberais da época.

O prédio da Farmácia Pereira aparece do lado direito e foi um dos primeiros edifícios de dois pavimentos do município.

Construída na administração do Prefeito Joel Inocêncio Gomes Lima, provavelmente concluída entre 1953 e 1954. Inicialmente tinha o nome de Praça 04 de Outubro, quando era ainda chão batido, e após a construção, passou a ser Praça Padre Leão. A foto é de março de 1960.





A segunda imagem, provavelmente é de 1958, de autoria do IBGE, também é de mesma época, porém mais antiga. O Centro de Custódia constituia-se de ruas paralelas, divididas em quarteirões de casas conjugadas, e alguns becos.

As moradias tinha sua frente para voltada para a praça Padre Leão, e os muros e quintais, para as ruas secundárias, formando assim, um largo retangularde terra batida, com a Igreja Matriz de São José em destaque.

Nesse largo, hierarquicamente o mais importante e o mais simbólico, funcionavam as casas comerciais, escolas, feira livre e locais de assistência médica, farmacêutica, juridica e administrativa. Nas noites de luar, o espaço transformava-se, sob a mágica das crianças, num grande picadeiro, para as cantigas de roda, jogos e correria.

Texto: Paulo Peterson, com informações de Berenice Gonçalves, José Melo e Sevy Oliveira.

Ps:

As fotos originais são preto e branco, foi usado IA para colorir, sem alterar as caracteristicas originais. Todos os Direitos Reservados aos seus autores: Familia Gonçalves e IBGE

23 maio, 2025

Quem foi Pantaleão de Siqueira Barbosa, o maior latifundiário do Moxotó.




Mestre-de-campo e um dos portugueses mais famosos da Ribeira do Moxotó, em todos os tempos, sendo ele o senhor de extensas sesmarias, onde foi encravadas diversas fazendas nos municípios de Sertânia, Custódia, Inajá, Águas Belas e Buique. 

Era avô de José Joaquim de Siqueira, que casou com 
Dona Custódia, segundo o historiador Nelson Barbalho, citando Ulisses Lins de Albuquerque (em Moxotó Brabo).

Nasceu entre Minho e Douros, em Portugal.

Foi casado com 
Ana Leite de Oliveira, com quem teve 9 (nove) filhos, foram eles: Manuel José de Siqueira (Capitão-Mor), Joaquim Ignácio de Siqueira Barbosa (Capitão-Comandante), Antônio de Siqueira Barbosa (Tenente-Coronel), Maria do Ó de Siqueira Oliveira Melo, Luís Rodrigues de Siqueira,, João de Siqueira Barbosa, Pantaleão de Siqueira Barbosa Filho, Napoleãode Siqueira Barbosa e Ana Leite de Oliveira

Essas suas terras, Pantaleão Siqueira as adquiriu em Sergipe del Rei, em 1738, ao que aqui chegou para tomar conta das mesma, que eram antes propriedade dos Padres da Congregação de São Filipe de Nery, no Recife (PE).

Nelas surgiu a bicentenária Fazenda Jeritacó, em 1842, onde erigiu uma pequena capela sob a invocação de Santana, em homenagem a moça com a qual casara. Fonte: Roteiros de Velhos e Grandes Sertanejos, pag. 1151, LUIS WILSON). 

Pantaleão chegou as margens do Moxotó juntamente com um irmão, Manuel José de Siqueira e de outro português chamado Gonçalo Correia da Cruz. Seu irmão Manuel se fixou no local "Poço do Boi", onde erigiu um cruzeiro de madeira. Já o outro, Gonçalo, se fixou na Fazenda Algodões, próximo a vila de Rio da Barra.

Fonte: Genealogia Pernambucana/Saulo Duarte 

21 maio, 2025

Padre Antônio Duarte. Um Pároco esquecido.


Padre Duarte


Eu ainda criança, por volta dos dez anos de idade, ouvi muito a minha mãe falar de um padre que exerceu o seu sacerdócio em Custódia, na juventude dela. O Padre Duarte, era assim que se referiam a ele. Até por minha pouca idade, não dei muita importância aos seus relatos, mas, na minha juventude, o interesse por esse personagem carismático foi evidente. Ele causou uma revolução na sociedade custodiense durante o seu paroquiato, por volta do ano de 1935 até meados da década de quarenta.

Usei a palavra revolução porque ela representa uma mudança radical no estado das coisas, e foi justamente o que ocorreu em nossa cidade. Ele tinha vários talentos, era poeta, compositor, eletricista, tinha noções de arquitetura e engenharia, orador, como também cantava divinamente as músicas sacras.



Igreja Matriz ainda sem a torre e com torre em construção.

O seu antecessor, Padre Leão Pedro Verzeri, que era arquiteto de formação acadêmica, dedicava-se quase exclusivamente às ordens sacerdotais, porém, deixou um grande legado: a construção da bela igreja de São José, iniciada próximo de 1920. Devido a precariedade e dificuldades econômicas, a construção do templo ficou inacabada e não foi possível edificar a torre, ficando assim por mais de dez anos.

Por volta de 1937 ou 1938, o Padre Duarte tomou a iniciativa de reunir várias pessoas de Custódia, autoridades, comerciantes, rapazes e moças, e foram em cima de caminhão até a fazenda São Gonçalo, pertencente ao industrial do caroá, Dr. Aurélio José de Vasconcelos, fazer um pedido, que ele custeasse a obra para conclusão da torre da nossa matriz. O qual, sensibilizado, arcou com todas as despesas, e no ano de 1939, finalmente a igreja ficava exatamente como na sua planta original.

O Padre Duarte, logo apôs a sua chegada, oriundo da paróquia de Floresta, encaliçou e pintou as paredes externas do templo, que eram em tijolos aparentes, construiu a calçada frontal e também a casa paroquial. O sacerdote deu vida e deu alegria à cidade, até então excessivamente monótona. A juventude, chamada à época de mocida
de, raramente tinha diversão. 

O padre contribuiu muito para que as festas tradicionais que se comemoravam durante o ano, tivessem uma maior participação do povo do lugar. A festa do padroeiro São José; o mês de maio cultuado com bastante veneração; o São João com balões, fogueiras, comidas típicas; e as festas do final do ano, Natal e Ano Novo, ficaram repletas de atrações culturais, a exemplo de pastoris; quermesses; dramas, que era uma encenação teatral; jogos e danças.

O salão paroquial, que ficava onde hoje é a Escola Maria Augusta, na Rua João Veríssimo, passou a ser um espaço dedicado à juventude. Alí encenava-se peças teatrais, a exemplo de uma que ficou na memória do povo, comentada por José Carneiro em seu livro, que foi a peça “A Louca do Jardim”, tendo como protagonista Luzia Aleixo, filha de seu Cassiano. Os afinados cantavam com desenvoltura, foi criado um jornal, enfim, todas essas atividades favoreciam a interação dos jovens daquela época.


José Farias na Praça Ernesto Queiroz


O meu tio José Farias (1933) contou-me que aos domingos, após o catecismo, o espaço em frente à igreja enchia-se de gente, todos ansiosos para ver e também participar das atividades criadas pelo Padre Duarte. Ainda não havia a praça, era chão batido em um largo retangular.

A Praça Padre Leão só foi construída na administração do prefeito Joel Inocêncio Gomes de Lima, entre 1952 e 1955. As moças participavam das corridas de sacos, e os meninos disputavam corridas, saindo ao lado da igreja, até o final do largo, onde hoje fica a sorveteria de Olímpio.

O vencedor ganhava, como prêmio, uma sacola grande, com várias guloseimas, feitas na própria cidade. Pirulitos, alfenim, cachimbo, chupeta… feitos de açúcar.

Quem perdia, ganhava uma sacola menor. Zé Farias era o campeão das corridas.

Magro, quando disparava não tinha para ninguém, era um raio, 
adquiriu até a fama de imbatível. 



Juracy Marinho

Um certo domingo, já se achando vencedor, foi batido por Expedito Marinho.

Inconformado, chorando, sem aceitar a derrota, foi consolado pelo padre.

Expedito era irmão de Juracy Marinho(foto) e Edinalva Marinho.

Zé Farias mantinha uma grande amizade com Juracy, o coroinha do Padre Duarte.

Um certo dia, Juracy vestiu a batina de sacristão, reuniu a meninada e trancaram-se no interior da igreja. Ali foi encenada uma missa, onde todas as hóstias foram distribuídas entre eles. Padre Duarte ficou bravo com o ocorrido, pois ficou impossibilitado de comungar os fiéis por mais de uma semana. Levou o coroinha até a presença do pai e relatou a presepada deste. Aquilo foi uma blasfêmia e o castigo foi necessário.

Juracy cresceu, e como era comum aos rapazes da época, foi para a capital tentar uma vaga em uma das Forças Armadas. Conseguiu ingressar na Marinha do Brasil. Não era fácil, até porque a concorrência era grande. Viajou muito, conheceu vários países mundo afora, mas o seu maior desejo era conhecer a Itália. Era ali coladinho que ficava o Vaticano, nem cogitava a possibilidade de ver o Papa João XXIII pela janelinha, porém, já seria muito grato passear pela Praça São Pedro.

Enfim, esse dia chegou, estava no Vaticano. Os marinheiros, divididos em grupos, observavam deslumbrados aquele conjunto arquitetônico barroco, estavam encantados com a beleza esplêndida daquele local. Realmente, estava em êxtase, quando foi chamado por colegas em um grupo à sua frente. “Juracy, tem um padre brasileiro aqui, disse que é do Estado de Pernambuco, queria saber se tinha alguém do Estado dele, venha falar com ele” Juracy se dirigiu às pressas até o sacerdote e este lhe perguntou de qual cidade ele era natural. Falou que era de Custódia. Então, o padre ainda lhe fez outra pergunta. -Você é filho de quem?

-Sou filho de Olímpio Marinho.

-Ah! então foi você que comeu todas as minhas hóstias

Foi uma gargalhada geral dos seus colegas de farda. Naquela época não se usava o termo bullying, mas Juracy foi importunado toda viagem de volta, com o apelido de “papa hóstia”.



Igreja Matriz em 1944

O Padre Duarte foi transferido de Custódia para a distante região do Norte do Brasil, por determinação do bispo de Pesqueira, no ano de 1945 ou 1946, por denúncia de assédio sexual. Fato não comprovado, ninguém testemunhou e não foi investigado categoricamente nada sobre esse assunto.

Entendo que este episódio, supostamente pode ter tido uma conotação política, uma vez que foi justamente na casa paroquial no ano de 1944, onde se deu o “banquete conspiratório”, com a presença do então Interventor do Estado, Etelvino Lins, que culminou com a ascensão ao poder local do industrial, dono do curtume, José Estrela, em detrimento do então Prefeito Ernesto Alves de Queiroz, nomeado pelo Interventor Agamenon Magalhães no ano de 1939.



Padre Duarte bem velhinho

O que fica claro, é o esquecimento e o não reconhecimento por parte das pessoas influentes da nossa cidade, da grande importância que teve o Padre Antônio Duarte, para nossa comunidade. Não existe nenhuma homenagem edificada ao padre que tanto contribuiu para o progresso da nossa terra. Pessoas que vivenciaram aquela época áurea, quase todas já se foram, logo a sua memória cairá em total desconhecimento para os habitantes da nossa cidade.

Termino essa crônica com uma estrofe de uma poesia em versos, de autoria do Padre Duarte, recitada pela menina Joany Pereira, nas comemorações do aniversário do Prefeito Ernesto Queiroz, no dia 20 de julho de 1940.

“Eu sou bem pequenininha,
mas já sei também, falar;
nesta cena meus senhores,
vem Joany representar;
nós estamos hoje em festa,
hoje em festa estamos nós,
porque é aniversário
do Ernesto de Queiroz!



Jorge Remígio.
Recife-PE
maio de 2025.




Fonte de pesquisa.

Livro. Um Coronel Sem Patente, de Ernesto Queiroz Júnior
Livro. Caminhos do Afeto, de Sevy Oliveira
Livro. A Baraúna, de José Carneiro de Farias Souza.

Agradecimentos a José Farias Souza (1933), Genésia Rezende (1920), Ozanira Farias Remígio (in memoriam, 1922-2010) e Olímpio Marinho pelos importantes relatos e informações preciosas.

01 fevereiro, 2025

[Exclusivo] Custódia - A verdade histórica sobre o nome do município


Saulo de Tárcio Duarte
Advogado e Escritor
(Site oficial do Autor)

Sob a direção do advogado pernambucano Saulo de Tarcio Duarte, a TVM (TV Visão Municipal) se dedica a ser uma fonte confiável e acessível de conhecimento, com o compromisso de melhorar a gestão pública e contribuir para o desenvolvimento sustentável de todas as cidades do Brasil.

Nesta edição especial o articulista demonstra através de documentos e fatos históricos relevantes a origem do nome de Custódia para a próxima edição do Anuário dos Municípios Pernambucanos.

O nome que veio a ser a denominação do município de Custódia remonta com doses bem fundadas na década de 1830. Quanto a esta afirmativa todos os prognósticos, indícios e fontes que direta ou indiretamente apontam para esta assertiva. Entretanto, creio ser esta a data da origem do nome, mas não da povoação como núcleo urbano. O núcleo urbano começou a se formar somente nos finais do século XIX. A prova disto é que o próprio Distrito de Alagoa de Baixo, ao qual Custódia foi desmembrado, somente foi criado em 1842 e a vila e município data de 1873, hoje Sertânia. Em 1908 Quitimbu ainda era a sede do 2º distrito. Mas, como a questão aqui é sobre a origem do nome “Custódia”, vejamos:

Na década de 1830 havia apenas duas povoações que já possuíam certa importância no interior mais adentro da jovem Província de Pernambuco. Era Flores do Pajeú e Cimbres, está menos importante, pois Flores detinha a cabeça da Comarca do Sertão e mais adiante no alto sertão ainda havia mais duas povoações importantes que eram Cabrobó e Boa Vista, esta emancipada em 1838. Era o período regencial instalado logo após a abdicação de Dom Pedro I. Naquela década o Brasil passava, talvez, pelas maiores turbulências deste rio pertenciam outrora a Casa da Torre (BA) por carta de sesmaria de 1658. (*)

(*) Sampaio, Yony, Livro de Vinculo do Morgado da Casa da Torre Centro de Estudos de História Municipal - CEHM, Recife - 2012 - páginas 20,21,22.


A ORIGEM DO NOME

Nos arquivos do IBGE que datam das décadas de 1940/50 os pesquisadores descrevem sobre Custódia: “Diz a tradição que uma das origens do nome Custódia viria do fato dos jesuítas estarem "sob custódia" da população local que os acolheu, já que estavam sendo perseguidos e naquele local ficaram protegidos. Esta versão não tem sido aceita por falta absoluta de lógica e de documentos que corroborem com a verdade dos fatos. Outrossim, na primeira metade do século XIX não há registro que certifique a existência, nas cercanias da hoje cidade Custódia, fazenda com esse nome. Muito menos há registro de mosteiro, convento, abrigo ou até capela que abrigasse jesuítas ou outra congregação religiosa.

Contudo, entretanto, a versão mais aceita é que o nome seria uma homenagem a uma mulher conhecida por Dona Custódia, proprietária de uma pousada/barracão que hospedava e alimentava tropeiros e viajantes. Esta versão sim tem comprovações lógicas e documentais fartas e certamente eliminam quaisquer outras pela força das formalidades. Dito local seria certamente nas imediações do centro da cidade por onde passa um riacho e que aos poucos os transeuntes foram referenciando como o negócio de Dona Custódia e assim por diante até batizá-lo pelo direito consuetudinário. Fui buscar essa história e encontrei.

QUEM ERA DONA CUSTÓDIA?


Litografia de Maria Custódia Osório de Campos baseada em traços familiares. 
Por Karoba N. Salvi



Dona Custódia chamava-se na verdade Maria Custódia Osório de Campos, nascida na Fazenda Conceição, Flores do Pajeú, hoje Betânia, a 5 quilômetros de Sítio dos Nunes, em 1800, filha de Firmiana Barbosa de Aragão e do capitão de ordenanças Manoel José de Campos (marinheiro).

Dona Custódia foi a filha primogênita do casal que deixou uma das maiores descendências do sertão pernambucano. Foram 12 filhos, entre eles o Monsenhor Joaquim Pinto de Campos que foi sem sombras de dúvidas o mais poderoso e maior escritor sertanejo do século XIX. Pinto de Campos, o padre irmão de Dona Custódia chegou a ser tão influente que se tornou amigo do Imperador Dom Pedro II, Duque de Caxias, Machado de Assis, entre tantos escritores europeus a exemplo de Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco e obteve o título de Protonotário Apostólico de dois papas, (Pio IX e Leão XII).



Capitão - mor Aniceto Nunes da Silva
Terras do Sabá até lado do Sertão do Pajeú de Flores


Mestre de Campo Pantaleão de Siqueira Barbosa
Terras do lado lestre ao Sabá até léguas dos dois lados do Rio Moxotó


Dona Custódia, segundo o historiador Nelson Barbalho, citando Ulisses Lins de Albuquerque (em Moxotó Brabo) casou-se com José Joaquim de Siqueira que era neto do mestre de campo e maior latifundiário do Moxotó, Pantaleão de Siqueira Barbosa e não tiveram filhos. Vejam bem, Dona Custódia por um lado era casada com o neto do famoso mestre de campo e do seu lado era neta do sargento-mor Fellipe de Aragão Osório, este cunhado do Capitão-mor Aniceto Nunes, o maior latifundiário do seu tempo no sertão. A irmã de Aniceto, Bibiana Matildes, mulher muito rica, criou a mãe de Dona Custódia e deixou-lhe quase toda a herança em testamente que ainda hoje encontra- se intacto na Igreja Católica de Flores.

Dona Custódia, além de comerciante foi herdeira de terras intermináveis, especialmente para as bandas do pajeú sem contar com as terras deixadas pelo seu esposo. Seu espólio, como dito, certamente abocanhava terras tanto do lado maior proprietário de terras do pajeú como do Moxotó.

Seu estabelecimento em Custódia devia ter um movimento estupendo pois pegava a rota da estradas das boiadas que ia de Olinda até Cabrobó como era rota entre o médio pajeú de Flores, Baixa Verde e Serra Talhada rumo à capital.


VEIO DA EUROPA


O avô português de Dona Custódia era Custódio José de Campos (**), natural de Penedo da Comarca de Penafiel, sua mãe chamava-se Ana da Silva. Naqueles tempos era ainda mais comum homenagear ancestrais e certamente o pai de Custódia, Manoel José de Campos, saudoso do seu pai resolveu batizar a sua primogênita em solo brasileiro com o nome do avô paterno do rebento. Vale salientar que o pai de Custódia, Manoel José de Campos chegou ao Brasil no ano de 1792 precisamente no Porto do Recife. Não se sabe se sequestrado pelos marujos, segundo relato de Pinto de Campos, que merece crédito, ou se veio fugido de sua casa fraterna em busca de aventuras. Acredito na primeira versão, pois Pinto de Campos relatou ao Jornal Ilustrado em 1880 e era comum raptar crianças naquele tempo para servir de grumetes ou pajens(***) nos porões dos navios. Ditos raptos eram tão importantes que eram tratados até de forma comum e ignorados pelas autoridades constituídas.

(**) Certidão de Batismo de Manoel José Campos de 1780.

(***) Grumetes e Pajens: Adolescentes que faziam serviço de embarcações

Sobre documentos que atestam a existência inconteste de Dona Custódia há uma infinidade de citações em sites, livros, jornais e escritos de Pinto de Campos. Mas, registro oficial encontra-se seu nome na página 42 do testamento de Bibiana Matildes da Silva, arquivado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Flores (PE) e no batistério de Pinto de Campos quando ela foi a sua madrinha de batismo ao lado de Manoel Francisco da Silva, este o filho mais velho do Capitão Aniceto Nunes.

Custódia tornou-se a filha prendada do casal, maior herdeira de Bibiana Matildes, casou-se com um neto de Pantaleão Siqueira Barbosa que, segundo Nelson Barbalho em Cronologia Pernambucana (2688), livro 11, página 129 que morava ali nas terras onde hoje fica a cidade de Custódia onde certamente Dona Custódia fez o seu hotel, seu armazém, seu negócio, seu comércio que se tornou um ponto de parada obrigatória por todos aqueles transeuntes que circulavam pelos sertões adentro. Daí a expressão “vamos fazer uma parada descansar, se alimentar e alimentar os animais lá em Dona Custódia”.

Ela faleceu e o lugar ficou batizado: Custódia.até hoje.

AGRADECIMENTOS:

Quero agradecer imensamente a SAULO DE TARCIO DUARTE pelo envio desse trabalho ao BLOG CUSTÓDIA TERRA QUERIDA. Ambos temos compromisso de levar até a população informações importantes, esse material, de grande relevância histórica.

LEMBRETE

Peço encarecidamente as pessoas que puderem divulgar esse material, compartilhem com todos. E claro, deêm crédito ao autor do material, Saulo de Tárcio Duarte. 

Complementando, citem também o Blog Custódia Terra Querida e seu colaborador JORGE REMIGIO, outro grande incentivador, colaborador e pesquisador sobre o tema. 

Apoio Cultural






30 junho, 2023

Novo Censo do IBGE aponta atualização da população de Custódia (PE)


Foto: Divulgação
 

O IBGE divulgou os primeiros resultados do Censo Demográfico de 2022

A população da cidade de Custódia (PE) chegou a 37.699 pessoas no Censo de 2022, o que representa um aumento de 11,35% em comparação com o Censo de 2010. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados do Censo também revelam que a população do Brasil é de 203.062.512, um aumento de 6,45% em relação ao Censo de 2010.

No estado de Pernambuco, a população é de 9.058.155, o que representa um aumento de 2,98% quando comparado ao Censo anterior.

No ranking de população dos municípios, Custódia está:

  - na 44ª colocação no estado;
  - na 253ª colocação na região Nordeste;
  - e na 866ª colocação no Brasil.

A pesquisa do IBGE também aponta que a cidade em Custódia tem uma densidade demográfica de 26,85 habitantes por km² e uma média de 2,8 moradores por residência.


O Censo

O Censo é uma pesquisa realizada a cada 10 anos pelo IBGE; a anterior foi feita em 2010.

O levantamento realiza uma ampla coleta de dados sobre a população brasileira e permite traçar um perfil socioeconômico do país.

A atual edição do Censo deveria ter acontecido em 2020, mas foi adiada por conta da pandemia de Covid-19. Em 2021, houve um novo adiamento em razão da falta de recursos do governo.

Além de saber exatamente qual o tamanho da população, o Censo visa obter dados sobre as características dos moradores —idade, sexo, cor ou raça, religião, escolaridade, renda, saneamento básico dos domicílios, entre outras informações.

FONTE: G1 Caruaru e Região

22 março, 2023

[História Política de Custódia] A Posse de Prefeito e Vereadores eleitos em 1936

 
Sob a presidência do desembargador Nevea Filho e de vários desembargadores, se reuniram no Tribunal Regional de Justiça Eleitoral para serem tomadas as últimas providencias relativa as eleições municipais de 1936. Restava apurações em alguns municípios e isso deixava entravado a ação do Tribunal para Posse dos eleitos. Depois de receber um relatório, de uma Comissão formada, foi proclamado assim os resultado finais deste pleito, definindo assim, o dia 15 de Setembro de 1936, para ser dado Posse aos Eleitos.


Custódia - 39ª Zona Eleitoral


Prefeito -

Progresso de Custódia: Inocêncio Gomes de Lima com 299 votos.

Vereadores -

Progresso de Custódia: Ernesto de Queiroz com 105 votos; Sabino Lacerda com 62 votos; Euclides do Amaral Filho com 39 votos; Francisco Gonçalves Lima com 38 votos e Osório Valeriano da Silva com 30 votos.

Partido Social Democrático de Pernambuco: José Marinho do Rego com 51 votos; Henrique Tenório de Mello com 50 votos; Horácio Pires Ferreira com 36 votos e Cicero Gomes de Oliveira com 24 votos.

Suplentes -

Progresso de Custódia: 
Joaquim Pereira da Silva com 13 votos; João Pires Ferreira com 8 votos; Lourenço Cavalcanti Albuquerque Maranhão com 8 votos e  José Miguel da Silva pela legenda.

Partido Social Democrático de Pernambuco: José Gregório da Silva com 22 votos; José Rodrigues de Mello com 21 votos; Manoel Pordeus Pires com 19 votos; José Gonçalves Lima com 15 votos e Izaias de Queiroz Amaral com 11 votos.

Câmara Municipal -

Ernesto Queiroz (Presidente), Henrique Tenório de Mello (Vice), José Marinho do Rego (1º secretário), Francisco Gonçalves de Lima, José Gregório Lima e José Rodrigues de Melo (2º secretário).

Fonte: Jornal Diário da Manhã, edição de 1 de Agosto de 1936.

26 dezembro, 2022

Pela primeira vez a Câmara de Vereadores tem uma mulher Presidente: Anne Lira


Na última semana, dia 15, foi realizada Sessão Extraordinária para votação da nova Mesa Diretora para o II Biênio 2023-2024 para Câmara Municipal de Vereadores de Custódia, foi eleita e definida a chapa 1, com unanimidade dos votos.


Ficando definido assim:

PRESIDENTE: ANNE LIRA
VICE-PRESIDENTE: NEGUINHO DA MARAVILHA
1º SECRETÁRIO: MANOEL MESSIAS
2º SECRETÁRIO: BITCHO GÓIS


Sendo assim a partir do dia 1 de Janeiro, pela primeira vez, a Casa João Miro da Silva será presidida por uma mulher, a vereadora Anne Lira de 57 anos, atualmente exercendo seu segundo mandato como vereadora. Já exerceu cargo de Secretária de Saúde em Custódia e em Flores-PE. Deixa seu nome marcado na História de nossa cidade.

03 julho, 2022

Aspectos Culturais e Turísticos de Custódia


Custódia, como outros municípios do Sertão pernambucano, amplia seu leque de opções de lazer durante o período de chuvas. Nessa época, a bica do Engenho Lagoinha, cujas águas cristalinas brotam na Serra do Sabá, chega a transformar-se em deliciosas cachoeiras de até seis quedas, favorecendo os banhos e o embelezamento das paisagens. Não menos pródigos tornam-se a corredeira da Região de Cachoeira – onde os afloramentos rochosos passam a abrigar verdadeiras piscinas naturais – e o Açude Marrecas.


É interessante conhecer o distrito de Quitimbu, remanescente de quilombo, com sua Igreja de Santa Rita de Cássia (século XIX) e o Santuário de Nossa Senhora do Livramento – que, anualmente, no período de 25 de janeiro a 02 de fevereiro, é motivo de turismo religioso.



Outros atrativos do município são a fonte hidromineral da Fazenda Feliciano, os mirantes da Serra da Torre e do Cruzeiro a Indústria de Doces e Derivados de Tomate Tambaú (que, além de atender ao mercado nacional, exporta seus produtos para os outros países), a Igreja Matriz de São José, a atividade artesanal (com trabalhos em couro e cerâmica figurativa) e a feira popular, realizada às segundas-feiras.



Na culinária do município, além dos pratos típicos da região sertaneja, proliferam os doces, como o de leite em corte, a cocada da batata de umbu e o quebra-queixo.

Texto: Wilame Venâncio
Fotos: Flávia Epaminondas, Cristiano Jerônimo, Funcate e Paulo Peterson.

03 dezembro, 2021

Geografia Sentimental da Várzea e alguma história [Jailson Vital]


Prezado Paulo

Lendo o livro Baraúna, escrito por Zé Carneiro, em certa parte destinada à memória da Várzea, ele recomenda como complemento a leitura da minha crônica sobre essa tão importante rua. Lembrei-me então que em certa época houve um problema com o seu servidor de onde "sumiram" várias publicações, entre elas a minha crônica. 

Hoje lembrei-me que tenho um Disco rígido que pertenceu a um notebook e uso eventualmente como backup. Fui procurar e lá estava a minha crônica sobre a Várzea. Aproveitei e fiz um reparo (edição) histórica, consertando um erro de pessoa. 

Diante dessa recomendação de Zé Carneiro, solicito encarecidamente a você, colocar de volta essa crônica na minha "página" do nosso tão querido blog.

Por Jailson Vital de Souza 



vár.zea 

sf 1 Campina cultivada. 2 Planície de grande fertilidade. 3 Terrenos baixos e planos, sem serem alagadiços, que margeiam os rios e ribeirões. 

Se fôssemos definir a Várzea, bairro (?) de Custódia, nos meados dos anos 50, não seria possível encaixá-la exatamente na definição do dicionário citada acima. No entanto a definição não é de todo inapropriada. Naqueles anos a Várzea começava no pé da ladeira (que ia do prédio do Forum onde hoje é a Biblioteca Municipal até onde hoje é a casa construída pelo Sr. Luiz Amaral) e terminava na casa do sítio de dona Izaque Lopes. 

Havia um espaço entre o pé da ladeira e a casa do sêo “Pedrinho da banca”, que não tinha nenhuma construção. Não havia ainda o clube, e os alicerces da casa do sêo Luiz Amaral foram erguidos alguns anos mais tarde. Esse espaço é que em alguma época de grandes chuvas poderia se assemelhar a uma várzea, pois corria aí um riacho que vinha das terras mais altas do sêo João Miro e barrado pela estrada da várzea inundava as terras a montante. 

Havia na estrada uma pontezinha de madeira sob a qual o riacho se metia para logo depois se espraiar por todo o espaço onde hoje é o clube, tomando o nosso campo de futebol, “a grama”, invadindo o sítio de dona Nita Remígio onde aguava os altos coqueiros, o canavial e as mangueiras da manga rosa mais cheirosa e saborosa que eu já chupei, passava por baixo da ponte da BR 232 e ganhava a Mata Verde. Aqui faço um parágrafo para explicar que a BR 232 nessa época passava pelo cemitério, pela Av. Inocêncio Lima (A Bomba) e seguia por onde hoje é a rodoviária. 

Não volto ainda ao ponto onde deixei a narrativa. Volto devagar e demoro-me um pouco na “grama” e aí me vejo jogando bola, embora fosse um perna de pau, pois sendo asmático não tinha muito fôlego para correr atrás dela, mas me vejo jogando pião, bola de gude, enterrando ferrinho, derrubando “pitelo” de castanha de caju ou prendendo besouro em caixa de fósforo para ouvir o zumbido dele tentando se soltar. Era a “grama” também o palco das “rolétas” como eram chamadas as brigas em que os parceiros se agarravam um tentando derrubar o outro, brigas essas muitas vezes incentivadas pelos companheiros para se divertirem. 

Pronto, retomemos a narrativa a partir da casa do sêo Pedrinho que ficava no lado direito da rua. Desse ponto em diante havia casas dos dois lados. Permitam-me citar como referências algumas pessoas do meu conhecimento e das minhas lembranças que moravam lá, assim como algumas construções. Após a casa do sêo Pedrinho morava a minha primeira professora, dona Alexandrina, a família de sêo Abílio Moura (Abílio “cacundo”) e havia algumas casas antes de se chegar à casa de força do grupo gerador, motor como chamávamos, que fornecia energia elétrica a toda Custódia. Além de energia o “motor” fornecia também um barulho ensurdecedor à vizinhança. Barnabé o encarregado de seu funcionamento deve ter terminado os seus dias, surdo. 

Logo depois do “motor” havia duas construções que merecem ser citadas. Do lado esquerdo o posto de saúde e do direito o dispensário. O dispensário deveria ser uma entidade destinada a abrigar indigentes. No entanto ficou apenas na intenção, pois a construção se resumiu aos alicerces, à fachada e dois quartos, um de cada lado da fachada. Em um dos quartos morava “Maria doida” e no outro um maluco do qual não me lembro o nome (Luiz?, Catrevagem?), mas que se irritava quando a meninada fazia a pergunta: onde está a guerra ? Ele respondia: a guerra tá embaixo do chão e depois corria e atirava pedra na meninada. 

Diante da inusitada pergunta e da resposta não sei bem se o maluco ficava atrás da pedra ou estava correndo à frente dela. Atrás do dispensário, um pouco mais afastado ficava o “cemitério velho”, abandonado e com muitas lápides de suas sepulturas quebradas deixando à mostra as ossadas. Depois do dispensário havia um espaço sem casas para depois recomeçar. Desse lado morava a família do marceneiro sêo Lunga e dona Lindalva que eram vizinhos dos meus pais, sêo Zé Vital e dona Jandira. No lado esquerdo havia a marcenaria do sêo Lunga, a casa de Adamastor e de sêo Catonho Florêncio. Ficava desse lado também um casarão de cumeeira alta onde morava Antuza. 

Ao lado do casarão tinha uma estrada que conduzia aos fundos deste e à porteira de entrada do sítio de dona Nita. Faço aqui uma pausa para prestar homenagem a um morador do sítio de dona Nita que era personagem das festas religiosas de Custódia. Zé Biá era exímio flautista que com seu pífano de taboca acompanhado por companheiros no zabumba, triângulo e outro pífano fazendo segunda voz animava as festas. Retorno mais uma vez a descrever a Várzea. 

Depois do casarão, do lado esquerdo, recordo que tinha apenas uma pequena bodega e um largo espaço sem construções antes de chegar ao chafariz de sêo Duda do Banheiro. O chafariz ou banheiro como também era chamado era um prédio com uma grande caixa d’água que era abastecida de um cacimbão construído ali mesmo. A fachada enegrecida parecia ter levado uma mão de cal apenas na inauguração sabe-se lá quantos anos atrás. Dela saiam duas grossas torneiras de ferro que jorravam a água para as latas de 20 litros dos que lá iam se abastecer. Pagavam cada lata d’água com uma fichinha de flandres marcada a punção que haviam comprado antes. Dentro do prédio havia vários banheiros igualmente sujos e de chão escorregadio, onde muitos homens iam tomar seu banho semanal. Pagavam igualmente com uma fichinha. Fazendo outra pausa nessa caminhada esclareço que sêo Duda do Banheiro não é o mesmo que sêo Duda Ferraz. 

Este poderia ser considerado um multi-empresário da sua época. Atuava como mecânico dando suporte à manutenção do grupo gerador que fornecia energia à cidade, juntamente com seu filho Adamastor e Zé de Isaías. no ramo do entretenimento (Parque de diversão, constituído de canoas e carrossel que ele e novamente com Adamastor, construíam) e no ramo da comunicação (Serviço de alto-falantes: Difusora Duas Américas). Embora atuasse nessas 3 frentes, não tinha sequer 1 empregado. Trabalhavam para ele o filho Adamastor e 3 filhas. Sêo Duda Ferraz morava próximo à “grama”, na fronteira entre a Várzea e a rua “de baixo”. 

Bom, voltemos a caminhar, porém agora do lado direito da rua pois do lado esquerdo depois do chafariz não tinha mais nada, era somente roça. Depois da minha casa havia somente umas 4 casas antes de começar o muro que cercava uma fábrica abandonada. Tinha uma chaminé alta, vários tanques e montes do que parecia um pó grosso de madeira, de uma cor avermelhada que chamávamos de tanino. Provavelmente tinha sido um curtume que algum tempo depois foi reativado por sêo “Manuel do curtume” um viúvo, pai da bela morena Jandira. 

Depois do curtume havia igualmente no lado direito, um grande vazio para depois surgir o sítio do sêo Zé Major, um senhor moreno, alto e cego que criava vacas e vendia leite para a população. Depois do sítio de sêo Zé Major tinha umas poucas casas onde morava sêo Fantim Simões pai de Totonho e onde chegado de Betânia veio morar também sêo Anfilófio pai de uma penca de filhos entre os quais Tadeu, Maristela e Célia. Daí para diante era somente vazio até chegar a casa de dona Izaque Lopes. Hoje para vencer essa distância entre o pé da ladeira e a casa de dona Izaque é um pulo. Naquela época era uma viagem com algumas aventuras no meio. Eu com certeza tive as minhas. 

Vitória – ES, 07 de setembro de 2007

02 dezembro, 2021

História de Samambaia - Por Facebook Distrito Samambaia


Foto: Evanilson Rezende

O nome do lugar era Santa Verônica uma santa dos Escravos negros do cativeiro do Tenente Henrique. A fazenda do Tenente era na estrada que liga Caiçara a Samambaia,hoje Fazenda Poço Escuro, que pertenceu a Artur Preto. o curioso é que esta Fazenda também se Chamava Poço da Cruz e foi mudada por do açude de Ibimirim. A antiga igreja desta santa era ladrinhada de Tijolos sem o uso de cimento. Foi encontrada uma telha, pertencente a esta antiga igreja, datada 1822, Segundo testemunhos de vários que a tiveram nas mãos-Dezim Pacífico e Jeremias da Caiçara.

O que vem a provar que os escravos foram os iniciantes na religiosidade local. o primeiro padre foi Manoel Marques Bacalhau, desde 1877.

Em 1862, o capitão Joaquim do Rego, lavrou uma escritura de 400 braças de terra que foram doadas ao padroeiro São Sebastião. As terras vão das margens do rio Cupiti até o rio Moxotó. Joaquim do Rego foi o primeiro morador de Samambaia.

A Usina de caroá de José Vasconcelos, empregava mais de 400 pessoas entre arrancadores, os carreiros carreiros com seus jumentos e carros de bois com duas juntas, fabricados de Pau Ferro em Águas Belas e Alagoas. O caroá era arrancado, transportado e pesado, era frequente alguém perder os dedos na desfibradeiras, caso de Paulino e Isabel. As fibras eram colocadas em fardos e transportadas por Tota, nun caminhão Chevolet, para armazéns da Companhia de caroá de Caruaru, Alias o nome Caruaru origina-se deste feito.

O armazém em Samambaia foi incendiado acidentalmente por João Pareira, que ao acender o fuzil do fogueteiro para fumar um cigarro, deixou cair as faíscas. Nesse dia, Crespe bezerra Lafaiete, o primeiro gerente da usina, estava cansado e foi chamado pelas sirenes da campanhia. Não houver tanto prejuízo porque tinha seguro de carga. Depois de Crespe, a gerência passou para o velho Jesus. Manoel Luis de Campos, da Cacimba de Baixo, foi quem tirou a madeira para a confecção das tesouras da usina.

Depois dos Vasconcelos, o Dr. Aurélio passou a ser dono, tinha até avião que pousava em terras da casa de Pedro Simão acima. Depois de Aurélio, Numeriano comprou a usina e seus filhos, Aristóteles e Clodoaldo ainda hoje conservam até hoje. No tempo de Numeriano o pesador era Dezim Felipe e depois, Abilio Ferreira da Silva irmão de Lidia Ferreira da Silva Avô de Evanilson Administrador do Site.

O policiamento era o Coronel Salgado, que vinha do Recife de burro com mais ou menos 10 soldados e percorria Samambaia, Ingá e Quintibu, voltando em seguida para o Recife. Maravilha e Custódia nem existiam.

O primeiro encarregado de samambaia foi o Coronel Joaquim Bezerra, o qual obteve a obediência de todos. A primeira professora foi a dona Aurora, de Buique, trazida por Numeriano em, 1930. Mas antes tinha a Dona Zizi e Dona Eliza mulher de Oiô. O primeiro comerciante podia ser dos Balbino. Antigamente se almoçava de 8 horas da manhã. Sendo que a feira de Samambaia era numa quinta-feira, onde se vendia tapioca e rapadura. Os feirantes almoçavam no hotel de Dona Eliza.

Mas antes da existência desse hotel, havia o da Dona Adelaide. Quilidona era a mulher de Zé Izidoro e colocou um hotel onde depois passou a ser de Chico de Abílio. Era costume comer bolo virado que custava, 1 vintém. Que é o equivalente a 20 reais, com café muido com mel, 100 tustões era 1000 réis. 1 tostão era 100 reais e 5 vinténs era, 1 tostão. 1 pataca era 8 Vintém, Uma rapadura era comprada por, 1 tostão; 250 gramas de café era grãos 400 reis 1 kg de açúcar custava 3 tostões em 1928.

10 tostões depois de, 1930 enquanto o café pulava para 10 "tões" para 1200 réis. O que equivalia a um dia de serviço na roça. Ainda em 1942 surgiu o cruzado antigo. Um escravo preto, com bons dentes e boa saúde físicas, era comprado por 1 conto e 500 réis era considerado muito rico. O bisavô de Dezim Pacífico era dono de senzala e o dinheiro era de ouro. Os correios vinham com a mala nas costas com cadeados, provindo de Floresta para o Rio Branco(Arcoverde). Uma carta poderia demorar mais de 30 dias, pois era transportadas de pé.

O cruzeiro de Samambaia era na frente da igreja enterrado e batido no chão, depois passou para as grandes pedras de Manoel Olímpio. hoje em dia fica no pequeno cercado do popular conhecido por "Pai João" pois reside atras do cruzeiro que é conservado ate hoje.

Em samambaia havia corrida de prado, com cavaleiros devida e orgulhosamente fardados, com calças brancas e camisas vermelhas. O enfrentante era Manoel Simão, irmão de Dona Chiquinha da Caiçara, cantora das novenas das festa religiosas. O melhor cavalo de prado era Vila Bela. Esse evento atraia gente de toda região e cidades vizinhas. Bala Seca e Malambec eram os cavalos que Pedro Cicero (Pedro Vaqueiro) cavalgava, trabalhando para Numeriano. Não havia vaquejada e sim muitas pegas de boi no mato.

Que se tornavam festa de boi visto que havia sanfona, cachaça e muito arrasta-pé. Todo vaqueiro tinha um lenço vermelho no pescoço.

Existiu também uma cavalhada comandada por João de Barro e seus 12 pares, segundo a Dona Josefa Luiz de Souza, esposo de Valdemar da Cacimba de Baixo, essa cavalhada acontecia na vila de Samambaia. Severino era rezador, pedreiro e carpinteiro afamado na Caiçara e região. Já na arte de medicina popular e sem formação educacional, tinha Joaquim Canário, fazedor de garrafadas. Cicero Bezerra era delegado particular de Samambaia. E Pedro Simão era o melhor chamador de Quadrilha da região.

João Canário era tocava oito baixos ou harmônico. Era de costume procurar Joaquim Canário para aliviar dores de dentes e outros pequenos problemas. Dona Olindina da Conceição era enfermeira e parteira da região de Caiçara e Samambaia. Sitônio lopes de Mendonça médico veterinario leigo e segundo contam, nenhum animla morreu por causa das suas operaçõs, sempre ponteadas com ponteiras de pinhão e agulha de saco.


Os melhores artesão da região pertenciam à família do senhor Dezim Pacífico, do Salgado. Esse mesmo senhor completou 90 anos lúcidos em, 13 de julho de 2002. Junto com Jorge Bezerra de Rezende (Jorge felipe de Samambaia) nascido em, 24 de junho de 1919, foram so principais testemunhos desda História de Samambaia.

Facebook Distrito Samambaia

20 outubro, 2021

Situação de Custódia após o Golpe de 1937


Governo Constitucional

Teve início em julho de 1934 com a eleição de Vargas pelo Congresso Constituinte e terminou em 10/11/1937 com o golpe do Estado Novo, quando Getúlio instituiu novo regime político. 

O crescimento de movimentos de inspiração fascista, encarnados principalmente pela Ação Integralista Brasileira, propiciou a união de setores socialistas e liberais na formação de uma frente política, a ANL. Com Luís Carlos Prestes na sua presidência e sob forte influência do PCB, a ANL iniciou uma campanha de agitação popular, o que levou Vargas a determinar seu fechamento e a prender alguns militantes.


Efeito do Golpe de 1937 em Custódia

Nessa época o Presidente da Câmara de Vereadores era Ernesto Queiroz, por diversas vezes, assumiu a Chefia do Executivo. Com o Golpe de Estado de 10 de Novembro de 1937 a situação em Custódia não sofreu solução de continuidade, sendo o Major Inocêncio parente do Interventor Agamenon Magalhães, foi conservado à frente da Prefeitura Municipal. Se afastou apenas à pedido por motivo de doença em 11 de maio de 1939, quando, pelo Ato nº 1.237, Ernesto Queiroz foi nomeado substituto.

Fonte: Livro "Um coronel sem patente" (Ernesto Queiroz Júnior)