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21 setembro, 2025

Cerimônia de Descerramento de Placa na Biblioteca do EREFEM Gal. Joaquim Inácio.


Foto: João Paulo, Linalva, Lucia, Lindinalva e Arnaldo.

A justa indicação do nome de Dona Rosa Góis para a Biblioteca é o reconhecimento de anos de trabalho em prol de uma educação de qualidade. A escolha de seu nome revigora a nossa memória no que tange a essa dedicação e devoção desta grande mulher. Nasceu no dia 12 de junho de 1912, custodiense de berço, com raízes fincadas nessas terras do Padroeiro São José. Trazia no mais profundo de seu âmago o amor pela educação. Filha do Sr. Aureliano Simplício de Góis e da Sra. Francisca de Góis. Viúva do Sr. João Veríssimo, foi mãe de um casal de filhos: Lúcia Góis e Luciano Góis.

Sempre disponível à sua missão: educar e educar. Quando estava na escola, não se preocupava com o tempo. Trabalhava conforme o tempo lhe dispunha.

Neste doze de setembro, estiveram presentes neste evento: sua filha Lúcia Góis, seu esposo Geovane e a família Góis, a gestora e toda a equipe do EREFEM. Também estavam presentes um ex-aluno, Arnaldo Almeida, que teve Dona Rosa como sua primeira professora, além de amigos que vieram prestigiar esta linda homenagem. O pano da placa foi retirado com o objetivo de revelar a bela homenagem a Dona Rosa Góis, que será eternizada neste espaço físico, onde se proporciona o acesso ao conhecimento, sem dúvidas, o maior valor cultural para o aluno. Toda e qualquer biblioteca tem trânsito democrático, o que a torna grandiosa. Ah, quantas boas lembranças de um tempo que marcou as nossas vidas. Este gesto de reconhecimento da direção foi brilhante. Benigna e sua equipe merecem aplausos. São nesses registros da história que ficam nossas doces lembranças: as marcas de carinho, respeito, empatia e amor que Dona Rosa nos dispensava, registradas como digitais que nunca se apagam. Essas marcas estão nos jardins, nas salas de aula, na biblioteca, no laboratório, no palco, na secretaria, na direção, na quadra e na cozinha. Mesmo com a ampliação da escola, vemos que elas continuam vivas em nossas mentes.

A história da educação na vida de Dona Rosa me recorda a célebre frase de um dos intelectuais mais conhecidos de seu tempo, Dom Pedro II, Imperador do Brasil no século XIX, que disse:

"Se não fosse Imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e prepará-las para o futuro."

Essa frase corrobora a importância do professor em todos os confins da terra. Este processo que conduz o aluno ao conhecimento não é fácil. Contudo, se bem trabalhado, ele irá retirar as pedras encontradas e descobrirá que o terreno é fértil e promissor.

Uma vez professora, eternamente professora.

Lembranças que nos marcam e nos ensinam.



Eu tinha doze anos e estudava na Escola General Joaquim Inácio, onde Dona Rosa era a diretora. Era bonito ver a escola caminhar com tanta disciplina. Tudo muito limpo e organizado. A entrada central ficava na Avenida Doutor Manoel Borba. Hoje, o acesso central fica na Avenida Aparício Feitosa. Os jardins eram um convite para entrar e ver a beleza da natureza sendo bem cuidada, e ver ainda o processo educacional direcionado ao desenvolvimento.

Sete horas da manhã. Todos esperando os portões abrirem. Hora de concentração total. Momento cívico. Professores e alunos, apostos para o Hino e hasteamento das bandeiras. Dona Rosa, como sempre, muito atenta. O coral, composto por várias vozes, dava a certeza de um espetáculo.

O desfile de 7 de setembro, a Independência do Brasil, era um dos dias mais importantes da minha vida.

E foi em 7 de setembro que aconteceu um fato que nunca esqueci. 

Os preparativos para esse evento começavam com antecedência e, como o comércio de Custódia não tinha muitas opções, era necessário comprar tudo com bastante antecedência. Assim, todos se apressavam nas compras. Mamãe comprou tudo certinho para seus nove filhos, mas não percebeu que faltavam dois pares de meias brancas.



Os dias passaram. As fardas já estavam prontas. Saias de pregas bem passadas. Na época, não havia ferro elétrico; algumas roupas, no estilo das saias, eram colocadas embaixo do colchão para não amassar. O dia seguinte seria 7 de setembro, e mamãe se preocupou com nossas meias. E agora? Será que no comércio ainda havia meias? Chegando à loja, pediu dois pares de meias brancas, tamanhos 10 e 12 anos. A atendente disse que encontrou apenas um par branco e, depois de procurar muito, achou um bem clarinho. Mesmo assim, mamãe comprou, sabendo que não ia dar certo. Ao chegar em casa, nos mostrou, dizendo: “Uma de vocês não vai desfilar.” Percebi que minha irmã ficou triste, então optei por usar as meias diferentes. O grande dia chegou, 7 de setembro. Tudo pronto. Seguimos para a escola. Eu estava bem bonitinha. E ao chegar, percebi que os alunos olhavam para os meus pés. Comentei com minha irmã e com a amiga. Meu coração disparou, mas não desisti de desfilar. Não demorou muito e Dona Rosa apareceu pedindo que todos se organizassem em fila. Senti uma mão leve tocando meu ombro e uma voz suave, como se soprasse no meu ouvido. 

Era Dona Rosa. Eu gelei.

Ela disse: “Nenê, me acompanhe.” 

Na diretoria, ela pediu que eu sentasse. Minhas pernas tremiam muito. E, num gesto de carinho, perguntou: 

“Como estão seus pais?” 

Respondi que estavam bem. 

Perguntou ainda se eu me lembrava dos avisos sobre o fardamento escolar. 

Respondi que sim. E, com uma voz singela, disse: 

“Hoje você não vai poder desfilar. Suas meias não são brancas.” 

Ninguém me disse, eu vi. E, num murmúrio doído, murmurei: “Misericórdia!” 

Ela percebeu meu descontentamento por não poder desfilar. A tristeza estava estampada no meu rosto. 

E ela disse: “Entenda, Nenê, fica difícil para mim. Eu não posso abrir exceções para você e trair minha consciência, trair a confiança das mães, dos alunos e de todas as pessoas que estão assistindo ao desfile.” 

Eu justifiquei dizendo que mamãe não tinha culpa. Ela pediu que não fosse ao desfile e, desobedecendo, fui por amor ao 7 de Setembro. Peço desculpas! Ela chamou um funcionário e pediu para me acompanhar até minha casa. Eu disse que não precisava, mas fui acompanhada até a metade da Rua da Várzea.

Passados 51 anos dessa história, senti a necessidade de contá-la em um dia especial: o descerramento da placa na Biblioteca em homenagem a Dona Rosa pelo brilhante trabalho educacional no EREFEM Gal. Joaquim Inácio. E é neste contexto que me sinto à vontade para relembrar essa história.

Como é sabido, a história é a ciência que estuda as ações humanas no tempo e no espaço. 

Hoje, analisando o passado e suas transformações sociais e culturais desse estabelecimento de ensino, percebo que sua essência continua a mesma. E, numa soma de aprendizados, faço a melhor reflexão sobre um “espelho” do passado que reflete até hoje positivamente.

Essa história poderia ter sido interpretada como um motivo para a frustração de uma adolescente, mas não foi. Foi, na verdade, uma lição de aprendizado.

Este evento foi agradabilíssimo. Ver pessoas amigas que há muito tempo não se encontravam alegra o espírito.

A homenagem a Dona Rosa  foi registrada por Paulo Peterson. Paulo, a sua dedicação de registrar fatos de Custódia tem alimentado o Blog Custódia Terra Querida com importantes história que ficará para a posteridade. Parabéns!

Lúcia, querida, muitíssimo obrigada pelo convite. A minha irmã Linalva, Arnaldo e meu filho João Paulo, gratidão!

Gratidão!

Abraços de paz e luz,

Lindinalva-Nenê
Escritora.
Custódia, setembro de 2025.


12 setembro, 2025

Inauguração da Biblioteca da Escola General Joaquim Inácio. Uma Homenagem à Educadora e Diretora Dona Rosa Gois.


A década de 1970 foi um período marcado por mudanças significativas na sociedade e na educação. Os professores tinham um perfil distinto, moldado pelas condições sociais, políticas e econômicas da época. As dificuldades e a simplicidade eram características marcantes da vida no Sertão.

Diante das limitações de recursos, os professores precisavam ser criativos e engenhosos para proporcionar uma educação de qualidade a seus alunos.

Os alunos faziam de tudo para não serem chamados à atenção e evitar suspensão. As professoras eram figuras de autoridade que inspiravam respeito e admiração. 

A educação de ontem e hoje é diferente, mas a essência permanece a mesma: formar indivíduos capazes de pensar, criar e contribuir para a sociedade. 

Na minha infância, tive a honra de ser aluna da Escola General Joaquim Inácio - 1° e 2° graus, na gestão da professora Dona Rosa Gois. Uma mulher respeitada e reverenciada, não apenas por sua autoridade, mas por sua dedicação e amor à educação. Ela se destacava pelo seu jeito simples, sua paixão e compromisso com a escola. Uma mulher, que marcou gerações de alunos com atitudes e valores grandiosos. 

Com gestos suaves e mãos cruzadas para traz, ela percorria a escola, como se tivesse procurando o que corrigir, para melhorar e aperfeiçoar. Sua voz mansa, mas firme, era um reflexo de sua personalidade: uma mistura de doçura e autoridade. Até hoje, ecoa na minha memória o “sininho” que, ela usava para nos lembrar o horário de entrar na escola, hora do recreio e da saída. Como não lembrar o Hino Nacional Brasileiro, cantando durante a semana da pátria, como esquecer os desfiles de 7 e 11 de setembro, data da nossa emancipação política? 

Hoje, 12 de setembro de 2025, ao inaugurar a biblioteca, Dona Rosa Gois, celebramos também a importância dos livros e da educação. 

Os livros são janelas para o mundo, portas para o conhecimento e ferramentas para o crescimento. Eles nos ajudam a descobrir novas ideias e perspectivas, e desenvolver nossas habilidades e competências. Os alunos terão acesso a este tesouro de conhecimento e de inspiração.

Como disse Paulo Freire, "A educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. As pessoas transformam o mundo." E foi exatamente isso que Dona Rosa fez: mudou a vida de muitos alunos e inspirou uma geração de educadores.

Esta biblioteca é um tributo à sua memória e ficará como símbolo da importância da educação em nossas vidas.

Os filhos de Dona Rosa devem sentir um grande orgulho do trabalho dessa mãe, professora e diretora, que dedicou sua vida à educação e ao desenvolvimento de tantas pessoas em nossa querida Custódia.  Seu legado é um testemunho da importância da educação e do impacto que uma pessoa pode ter na vida dos outros. Aproveito para agradecer o convite de Lúcia Gois para participar desse momento de reconhecimento e gratidão. Ainda que distante, sinto-me parte.

Na Escola General não recebi apenas um certificado de conclusão do ensino médio, mas o conhecimento e o encantamento pelos livros. 


Muito obrigado a querida Dona Rosa.
Carinhosamente,  

Leônia Simões

07 novembro, 2023

Rosa Alves Góis - In Memorian




Dia 22 de julho de 2012, Custódia recebeu o corpo para sepultamento em sua terra querida de Dona Rosa Alves Góis, vindo de Mato Grosso, onde morava com sua filha Lúcia Góis. Dona Rosa por décadas, dedicou-se a educação, inclusive de minha época de criança e adolescência, na Escola General Joaquim Inácio, como diretora. E no Colégio Municipal Ernesto Queiroz, antigo Padre Leão, nossa mestra dedicada a nós alunos e aos filhos Lúcia e Luciano. A eles o nosso abraço e nossas condolências estendidas aos familiares.

Por Vanuzia Bezerra