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07 julho, 2022

A rua e casa de minha infância - por Célia Barros



Por Célia Barros
teinhafeitosa@hotmail.com


Morei dos 02 aos 07 anos de idade, lá pelos anos 57 a 62, numa casa que ocupava um pequeno quarteirão situada em frente à Central, hoje Av. Inocêncio Lima (chamávamos Central a estrada que ligava o interior ao Recife e que passava do lado direito da nossa cidade ou seja a BR 232 e que só a partir de mais ou menos 69/70 passou a ser do outro lado). Do lado direito da casa havia um terreno baldio e a próxima construção era a Coletoria Estadual, prédio que ainda hoje existe.

Do lado esquerdo era a Travessa Heleno Aleixo de cujos moradores e brincadeiras lembro com muito carinho. Posso até citá-los, na ordem das casas: Sr. Antonio do Posto e D. Anunciada , um outro casal que não recordo os nomes, mas que tinham um filho chamado Cida que era amigo dos meus irmãos, Zé Belarmino e Alice(eram recém casados), depois a Marcenaria de Pio, onde se fabricava belos móveis estilo chipandelle, a casa de Pio e Odete com sua prole – Fátima, Flavia, Fernando….(mesmo com pouca idade gostava de ajudá-la na hora do banho e comida dos meninos), Sr.Levino e D.Julieta (gente da melhor qualidade) sempre chegando a noite com seu caminhão carregado de dormentes, depois vinha a casa de D. Quitéria – (era uma casa com muita gente e costumavam chamá-los de paraibanos) , Sr. Cícero Cocão, também marceneiro, evangélico (crente) e que tinha um filha chamada Berenice, Valdomiro e Neta com seus filhos pequenos Socorro, Vânia…, Sr. Manoel Gonçalo e D. Maria com seu filho Luiz (este amigo foi-se com a Queiroz Galvão e nunca voltou a sua terra), D. Caboclinha e sua filha Célia, que já era um pouco mais velha do que nós, mas mesmo assim participava de nossas brincadeiras (Eu ficava horas admirando D. Caboclinha engomar ternos de linho).

Voltando neste mesmo quarteirão, do lado de baixo da travessa Heleno Aleixo, esquina com o açougue público (hoje o Prédio da Prefeitura) ficava um pequeno comércio e residência do Sr. João de Virtuosa e D. Anália pais de Nazaré, Bezinha, Zefinha(de Bidó) e Laudicéia. Do mesmo lado tinha ainda a casa de Fátima (cujo pai era de Arcoverde e trabalhava na construção do açude do Dnocs), havia também um prédio velho, acho que de taipas, onde funcionava a marcenaria do Sr. Cícero, onde também morava e trabalhava Joãozinho (um deficiente que tocava violão, guitarra e se não me engano também as produzia e que permaneceu em Custódia até os anos 70), existiam ainda outras pequenas construções até chegar a casa colada aos fundos da nossa. Lá residiam Manoel Bidó e Dona Júlia com seus dois filhos Antonio e Zé. Era lá que em tantas tardes de domingo, com meu irmão Feitosa, ajudava “ D. Jula” a preparar os bolinhos de milho que ela vendia na segunda – dia da feira. Tosa ajudava ela a “relar” o milho (moer na máquina), “cessar” (peneirar) e depois era comigo: ela ia juntando os ingredientes e “temperando”, como ela dizia, e eu mexendo, mexendo.

Uma vez por outra escapando um dedinho para provar se estava mesmo doce. Terminada a tarefa ela acendia o seu cachimbo, e de cócoras ia soltando as suas baforadas e aí era hora de nos mandar embora: “vão pra casa, Bidó já vai chegar e vem da rua bebo, bebo”. Não demorava muito para ouvirmos os gritos e brigas provocadas por sua bebedeira. Na travessa Heleno Aleixo só havia construções até a esquina com a Dr. Fraga Rocha. A ladeira era deserta e era por lá que íamos e voltávamos do Grupo Escolar (que hoje todos chamam de General). Às vezes, escapávamos pra dar uma olhada no “bueiro” que atravessava a Fraga Rocha, a Luiz Epaminondas e saía próximo a Coletoria. Na minha visão de criança aquilo era um tubo enoorrrme. Recordo também que na rua, sem calçamento, tinha areia e em determinada época do ano, apareciam uns besouros, que meus irmãos com os demais amigos da rua prendiam em caixas de fósforos, depois ficávamos ouvindo os zumbidos dos pobres besouros. Como minha irmã já estudava interna em Recife eu acompanhava todas as brincadeiras dos meus irmãos (Ferdinando e Feitosa) desde raspar os tijolos do cacimbão que havia em nossa casa, o que significava a “nossa fábrica de colorau”, até correr pela rua com um pano na mão derrubando tanajuras. Meu anjo da guarda era forte, quantas vezes não me debrucei naquele cacimbão para ver as enormes jias que ficavam presas as paredes do poço.

No nosso quintal, cheio de papoulas gorduchas que chamavam de “rosa-graxa”, com as quais escrevíamos no cimento e que produziam muitas nódoas nas nossas roupas, mamãe também cultivava milho (em determinada época) e gergelim. Lembro que era uma festa para a meninada quando a colheita era feita, cortavam-se as plantas e eram carregadas para o outro lado da “Central”, que, pasmem!, só era roça. Do Posto Fiscal (que ficava mais ou menos em frente a Coletoria ) até a entrada do hospital não havia uma só casa. Quantas lembranças tenho desta rua, dos nossos vizinhos… Fecho os olhos e vejo a nossa casa com todos os seus cômodos, móveis, meu pai, minha mãe, Nenê, o cachorro Tupã, os cágados, a radiola SEMP, os discos de Luiz Gonzaga e Nelson Gonçalves (aprendia com Tadeu as músicas que ele gostava e ainda sei até hoje…), as aulas de Catecismo que freqüentávamos, as visitas que fazíamos com mamãe a casa de D. Alice Simões, as brincadeiras na casa de Ceiça e Socorro (filhas do Coletor Sr. Zé Mariano), os passeios na casa de D. Mundinha (mãe de Jorge, Péricles, Socorro).

Ahhh! Quanta lembrança! Depois a mudança para Betânia/Triunfo e quando retornamos em 1967, a casa já havia sido vendida. Hoje dela quase nada mais existe, todo o quintal foi loteado e construído e nem consigo ver mais se há algo dela por trás das inúmeras lojinhas. Em tantas outras casas e ruas residi nesta cidade,encontrei amigos, vizinhos, juntos vivenciamos outras épocas/fases de nossa vida….., cada qual com sua devida importância. Hoje quando passo naquela rua não reconheço mais nada do que aqui descrevi, mas se me sento no “Restaurante Pais e Filhos” penso logo: era aqui o portão de entrada da nossa casa.

01 novembro, 2021

Futebol Custodiense - Anos 67 a 72 - por Célia Barros

Cada dia mais empolgada com este blog, porque através dele revivemos tantos momentos da nossa vida/cidade e ainda ficamos “por dentro” de tudo o que é mais novo: por exemplo “Daniel (filho de Nadilson e Rejane) escritor da melhor qualidade. 

A gente termina se encontrando nos seus escritos… no que um dia pensamos, sonhamos… em escrever… Aí procuro meu álbum de fotografias procurando contribuir com este cantinho…. e, ….encontrei fotos do futebol Custodiense :

I – Ano 1967 – Time do Ginásio M. Padre Leão

Em pé: Elione, Zé Esdras, Joel Lima, Genival Mariano, Dadá de Zé de Noca (goleiro) , Xia seu irmão (sem posição ou técnico?). 

Agachados: Antonio Ely, Marcos Moura, Hélio(não tenho certeza desse), Feitosa (meu irmão) e meu grande amigo Fernando Vitor.


II – SANTA CRUZ FUTEBOL CLUBE DE CUSTÓDIA – Ano 1971

Nos escritos que fiz para meu irmão Ferdinando Feitosa no seu cinqüentenário, constava: “Não sendo um craque da bola, mas gostando de jogar, criou o seu próprio time, prá no banco não ficar, não pode ser o Sport – seu time do coração, na cidade tinha outro usando aquele padrão, criou o seu Santa Cruz pra resolver a questão”.

Taí a foto: Este time foi criado em 1971 e deve ter perdurado apenas até 1973. A sua atuação se restringia as férias, uma grande parte estudava em Recife, mas fazia festa nas tardes de domingo, quer seja em Custódia ou nas cidades circunvizinhas – era o intercâmbio de nossas cidade interioranas – Custódia, Sertânia, Serra Talhada, Flores, Afogados, Floresta……

Quase sempre, à noite, tinha um bailinho…

Em pé: Urbano, Josa de Zé Siqueira, Jorge de Claudionor, Ferdinando, este não lembro o nome, Rui Mariano, Elione, o goleiro( não lembro o nome mas sei que era cunhado de Zé de Arnou). 

Agachados: Zezinho de Diva, Bartolomeu Quidute, Evaldo, Antonio Ely, Fernando Vitor e Zé Esdras ( que pela roupa devia ser o técnico).

Texto e fotos: Célia Barros

11 setembro, 2020

Poesia para Custódia (1973) - autora Célia Feitosa de Barros


    PARABÉNS CUSTÓDIA !!! 
    92 anos de Emancipação Política

    Parece que foi ontem! Logo após o desfile pelas ruas empilhadas de gente, disputando o melhor lugar para ver as escolas passarem, de longe, podia se ouvir minha voz ressoando da sacada da prefeitura em homenagem a Custódia pelo seu aniversário. 

    Cada ano era uma novidade: recitava uma poesia, lia novo texto, cantava ou representava. Era uma expectativa tão grande que, na véspera, quase não conseguia dormir. 

    Em 1973, recitei uma poesia, de autoria de Célia Feitosa de Barros, que até hoje guardo em minha memória. E como não poderia ser diferente, é com a mesma alegria e emoção que agora compartilho, com a autora, com todos os custodienses, com os amigos e amigas do Brasil afora, uma poesia que marcou minha infância.

    (*) Enviado por Leônia Simões



    11 DE SETEMBRO, 
    DIA DE GRANDE EMOÇÃO! 
    HOJE, O CALENDÁRIO MARCA. 
    A NOSSA EMANCIPAÇÃO.

    OS NOSSOS ANTEPASSADOS 
    ESTAVAM SEMPRE A BATALHAR,
     PARA QUE NOSSA CUSTÓDIA 
    CONSEGUISSE SE LIBERTAR.

    ERA UMA PEQUENA VILA, 
    DE UMA CIDADE VIZINHA MAS, 
    HÁ 85 ANOS.
     TORNOU-SE CIDADEZINHA.

    HOJE É GRANDE CIDADE, 
    DO SERTÃO PERNAMBUCANO 
    E SEMPRE TENDE A CRESCER, 
    CADA DIA, CADA ANO.

    JUVENTUDE DE CUSTÓDIA 
    SAIBA SEMPRE USAR À MENTE 
    PARA QUE NOSSA CUSTÓDIA 
    SEJA CIDADE PRÁ FRENTE

14 janeiro, 2015

Custódia de luto, pelo falecimento do ex-vice-prefeito João Bosco de Barros


AMIGOS

...e como já postado abaixo, mais uma vez na minha vida eu perdi pro Câncer....nesta manhã meu GRANDE AMOR nos deixou .....foi respirar outros ares mais leves. Cumpriu sua missão! 

Parabéns GUERREIRO você lutou com todas as suas forças prá viver, seu grande coração (em dimensões e capacidade de amar) finalmente rendeu-se...E aqui ficamos todos com a dor da separação mas certos que um dia nos reencontraremos....

Voa BOSQUILA ! Respira aliviado! Um mundo bem melhor o espera.

Haverá um pequeno velório em Recife, das 12:30 às 16:00 horas, na Central de Velório Monte Verde - Capela 1 - Rua Barros Barreto 438 - Santo Amaro. 

Após essa hora, será levado, atendendo ao seu pedido, para a Cidade de Custódia, onde será velado e sepultado amanhã(15.01) às 11.00 horas.

Célia Feitosa de Barros (esposa)

22 maio, 2014

Se eu pudesse eu tiraria esta data do calendário - autora Célia Feitosa de Barros


Se eu pudesse eu tiraria esta data do calendário.....há 40 anos atrás ....no amanhecer de 22.5 eu perdia o meu querido PAI (Anfilófio Feitosa), com apenas 62 anos (e eu que achava que ele já era velhinho)....deixando em seu lugar uma saudade que insiste em permanecer conosco....as vezes adormece....prá logo acordar mostrando-nos que o que aqui vivenciamos...não se apaga.....FICA .....O tempo passou...21 anos...e novamente ..vem a data: 22.05.95...e lá se foi meu primo, meu cunhado e amigo LUIZITO.....e novamente a dor da perda, do "ver nunca mais" ......... 

A vida continuou para nós....como assim deve ser.....restando-nos apenas a saudade, as lembranças e o grande mistério: um dia ....vamos nos encontrar?????? 

Obrigada Deus por tê-los colocado em minha vida...........

Célia Feitosa de Barros