Agachados: João Batista, Binha de Pedim da banca, Jorge Remígio, Luciano Góis Veríssimo e Savinho de seu Domingos. Julho de 1970




Essa foto é de julho de 1979 na Praça Padre Leão. A turma de trás. Otacílio Góis (1955), Marcelo Burgos (1955), Jorge Remígio (1954). A turma da frente. Enildo Pires (1956), Fernando José Carneiro (1956) e Antônio Remígio (1956).
A turma da frente já está no andar de cima. Vemos a casa a esquerda que foi de Severino Pinheiro que após a reforma ficou a casa mais chic da cidade.
Vemos ainda a casa dos meus tios avós Apolônio Carneiro e Maria de Souza, já modificada, seguida da casa onde residiu Demócrito e Terezinha Queiroz em 1964 e a seguinte residiu Nozinho Veríssimo até 1965.
Em 1966 passou a ser a sede da Prefeitura Municipal até o ano de 1968, quando o prédio novo foi inaugurado, no local que hoje é a Câmara de Vereadores.
Essa casa hoje pertence a Nazinha e foi modificada.
Foto e texto: Jorge Remígio
Esta foto foi tirada no dia em que o Governador de Pernambuco Manoel Borba teve uma passagem por Custódia, quando se dirigia para inaugurar a estrada que liga Flores a Triunfo. A última a direita, de trança, é a minha tia avó Maria Dolores Pereira de Sá. Ela foi escolhida para fazer uma saudação ao Governador com uma poesia. Nasceu em Vila Bela, atual Serra Talhada-PE, em 05/01/1898 e faleceu em Pesqueira no dia 06/06/1932, aos 34 anos. Foi casada com Antônio Burgos de Santana, natural de Flores (1896-1924) falecido em Custódia. Teve os filhos: Genário Pereira Burgos, Maria do Socorro Pereira Burgos, José Pereira Burgos (Zé Burgos) e Antônio Pereira Burgos. Maria Dolores era filha de Cassiano Pereira da Silva e de Ana Pereira de Sá (Naninha) falecida em Vila Bela no ano de 1902 aos 25 anos. Era irmã de Manoel Cassiano Pereira de Sá,( pai de Noême Sá) de Ana Pereira de Sá (Anita) minha avó e de José Cassiano Pereira de Sá (Zezinho). Os avós maternos de Maria Dolores eram Manoel Pereira de Aguiar, filho do primeiro casamento do Cel. Joaquim Pereira da Silva, da Fazenda Carnaúba, e de Epifânia Auzéria Mariano de Sá. Avós paterno:

Custódia, 11 de setembro de 1969.
Da esquerda. Gilberto de Avião, Ramon Japiassú Pereira e Jorge Remígio
São João em Sítio dos Nunes. 24 de Junho de 1978.
A partir da esquerda para direita: Tarcísio Duarte, Savinho Góis, Jorge Remígio, José Humberto Medeiros, José Venâncio Burgos, Jailson Simões, Evaldo Simões, Emerson Feitosa, Cláudio Simões, Rió Simões, Getúlio Bezerra, Lula Epaminondas e Cabrobó do Projeto Sertanejo.
Em pé. Jailson Simões e Jorge Remígio.
Embaixo. Marcos Ramalho, Zezinho Freire, César Constantino, Gilson Pereira, Cláudio Simões e Elione Constantino.
Sertão abençoado por Deus... Nesses treze anos de Cariri Cangaço, em andanças intermináveis pelas veredas sagradas das caatingas nordestinas aprendemos a valorizar ainda mais o chão de nossa origem, nosso berço sertanejo com a força de todo um país. A cada edição do Cariri Cangaço, novos cenários, novos caminhos, novas emoções. Hoje trazemos o "olhar apurado e sensível" de nosso amigo Jorge Remígio; pesquisador da cidade de Custódia em Pernambuco, Conselheiro Cariri Cangaço; registros fotográficos de momentos imorredouros em Serra Talhada, Calumbi e Bom Nome...
A juventude é uma fase da vida tão marcante, que muitos se referem a ela com: “no meu tempo”. Ela é muito significativa, porém bastante efêmera. É aquela coisa, “o que é bom dura pouco”. A minha juventude insiste em ficar cada dia mais distante, porém as lembranças lá da década de setenta são combustíveis que a mantém viva nas minhas memórias. Muitas vezes, envolto em pensamentos que levam aos meus verdes anos, tenho plena consciência de que fui um cara privilegiado. Vivi com intensidade uma juventude quase rebelde, lúdica, carregada nos prazeres inerentes à idade, como dançar, cantar, tocar, beber, conversar, namorar, jogar futebol, foram verbos bem conjugados na minha rotina de pouquíssimas preocupações ou quase nenhuma. Bem, a grande importância disso tudo, foi o compartilhamento junto aos diletos amigos e amigas que comungaram comigo nessa grande trajetória festiva, onde teve como território geográfico principal a minha amada cidade de Custódia. Todos eles estão representados nessa crônica. A maioria da minha turma estudava em Recife, residindo em casas de estudante ou em pensões modestas, mas nossas cabeças e pensamentos estavam sempre apontados para nossa cidade e, com certeza, isso interferia no andamento escolar. O Centro Lítero Recreativo de Custódia foi um templo festivo para todos nós, como também um espaço facilitador para o início de muitos namoros. Palco de carnavais inesquecíveis e de festas memoráveis organizadas em sua maioria por Zezita Queiroz, mas não devemos esquecer outros presidentes atuantes, caso de Sílvio Carneiro, Aparício Feitosa (Chandinha), Reginaldo Rafael, João Ivonaldo, Natalício Vieira, esses que lembro no momento que escrevo. O campo de futebol, batizado de Carneirinho, justamente por ter sido construído na administração do Prefeito Silvio Carneiro e concluído no ano de 1972, atraia multidões de espectadores aos domingos à tarde, para ver o futebol custodiense que naquela década inteira foi destaque em nossa cidade. E os bares? Ah! Esses foram muito presentes em nossa juventude. O Sabazinho, construído entre 1968 e 1969, ainda frequentamos, mas seus dias de glória haviam passado. O Ponto Certo, até pela sua localização em frente à Praça Padre Leão, era um “point” para os jovens da época. Seu proprietário era Jeferson Alves de Queiroz Filho, o amigo Deta. Funcionou de 1971 até 1973. No ano seguinte mudou a localização, porém, sem o glamour inicial, acarretando a ida de Deta para capital do Brasil. No ano de 1977 o amigo Lourival Barros abriu um bar na Rua Luiz Epaminondas. Não tinha muitas pretensões, mas passamos a influenciá-lo a transformar o espaço que era bastante imenso, em uma discoteca. Justamente porque era uma febre mundial naquele momento. Ele encampou nossa ideia, fez uma pista de dança e não demorou para ser um grande sucesso. Foi quase uma revolução em termos de transformar em pouco tempo um armazém em uma boate com jogos de luzes, decoração, música popular brasileira de boa qualidade, como também os sucessos de Bee Gees, Michael Jackson, Donna Summer, ABBA, e os dançarinos inspirados em John Travolta e Olivia Newton John, embalavam os sábados e domingos à noite com muita alegria em um CASARÃO superlotado. Abro um parêntese para falar de um bar muito especial. Com início por volta de 1974, o bar de seu Chiquinho de Panfila foi um local emblemático para toda aquela moçada, que às onze da matina já estava ávida para iniciar as reuniões etílicas. Isso durante as férias estudantis ou nos feriadões, quando íamos da Capital para Custódia, geralmente aventurando caronas na BR 232. Realmente, essas caronas é um capítulo à parte em nossas viagens ousadas, muitas vezes sofridas, mas, com a maior certeza, prazerosas. Quero fazer um preito de gratidão ao casal que, por quase uma década, foi tão generoso com todos nós. Seu Chiquinho e Dona Pura, obrigado por segurar tantos “pinduras” dessa turma tão descapitalizada, mas que no final dava tudo certo. O fiado era uma cultura, quase uma “instituição” em épocas passadas. Quando se ia até a padaria, era comum levar a caderneta para anotar a compra que era paga no final do mês. Como também as feiras que eram feitas nas bodegas. Um detalhe, não havia ainda supermercados. Me recordo que em uma farta bebedeira, acompanhada de batucadas e muitas conversas, estava o nosso amigo Josimar Siqueira, o querido Josa. Policial da Rodoviária Federal, era com certeza o destaque em termos financeiros no meio daqueles jovens e pobres estudantes. Esse detalhe deu até uma certa segurança para seu Chiquinho, esboçado claramente em seu semblante tranquilo e sereno, com os cotovelos sobre o balcão a nos observar. Em dado momento, após várias saideiras, decidimos levantar voo até outras paragens, então, pedimos a “dolorosa”. Era assim que chamávamos a conta e pela quantidade de garrafas de cerveja em cima da mesa e no chão, com certeza estava fora do nosso padrão de consumo. Seu Chiquinho deixou sobre a mesa o papel da conta com tudo discriminado e retornou ao balcão. Josa antecipou-se a todos nós e puxou a carteira do bolso traseiro da bermuda branca. Sinceramente, eu nunca tinha visto ao mesmo tempo uma carteira tão gorda e seu Chiquinho tão contente. Nesse exato momento, pularam três na direção de Josa, seguraram em sua mão e falam bem alto e quase ao mesmo tempo. “ôxe! Tais doido? Tu aqui não paga nada, tu és nosso convidado” Em seguida voltamos para seu Chiquinho, que certamente já estava em outro estágio, e falamos. “Seu Chiquinho, anote aí que depois a gente paga” Bem, a gente pagava mesmo, mas à vista é sempre melhor para o dono do bar. E o fígado que Dona Pura preparava com tanta maestria? Inigualável. Ainda hoje guardo lembranças daquele sabor de um tempero mágico no paladar da memória. Havia com certeza algum segredo naquela iguaria, alguma ciência. Sem falar na costelinha suína que ao lembrar dar água na boca. Todas as vezes que retorno à minha cidade, passo na Rua Nemesio Rodrigues com casas e espaços totalmente modificados, e fico procurando identificar o local onde fomos tão felizes. Gratidão “in memoriam” ao Seu Chiquinho e Dona Pura, pela paciência e por nos acolher tão bem naquele local inesquecível para todos nós que fizemos parte daquela juventude dourada, juventude paz e amor dos anos setenta.