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11 junho, 2025

Relembrando o Monsenhor Urbano Carvalho


Filho de José Bernardino de Carvalho e Sá e de Lourança Gomes de Sá Carvalho, o monsenhor Urbano sertanejo da gema, nasceu no dia 25 de maio de 1895 em São José do Belmonte na vila de Santa Maria (hoje Tupananci e pertencente a Mirandiba), sendo descendente dos Carvalhos que se fixaram no Pajeú, luziram em feitos e trabalhos, quando levantaram os primeiros currais e as primeiras fazendas que depois foram as vilas e as cidades, nos primórdios da civilização sertaneja, a que mestre Capistrano de Abreu chamou pitorescamente a “civilização do couro”.

A mãe do monsenhor Urbano, dona Lourença, era irmã de Eustáquio Gomes de Sá Carvalho, assassinado em 21 de outubro de 1907 por Manoel Pereira da Silva Filho (Né Dadu), em decorrência da titânica briga de Carvalho com Pereira em princípios do século passado, portanto monsenhor Urbano era sobrinho do finado Eustáquio Carvalho.

Antes de entrar para o seminário, o jovem Urbano passou uns tempos na fazenda Oiticica em Belmonte, propriedade do casal Joaquim Leonel e Donana, seus primos. Ao tempo que passou na dita fazenda, manteve uma escola e preparou os filhos do major Quinca para ingressar no Ginásio Diocesano de Triunfo.

Fez curso eclesiástico no Seminário de Olinda com ajuda de fazendeiros parentes seus, inclusive, do major Joaquim Leonel Pires de Alencar cuja esposa Ana Pires Brandão o presenteou com a sua primeira batina e uma teca de prata para hóstia. Foi ordenado em 26 de abril de 1925 em Pesqueira.

De estatura mediana, forte, gestos mansos, olhar penetrante, a Diocese de Pesqueira tinha naquele vigário humilde um dos seus grandes valores. Corria mundo a fama do monsenhor Urbano de Carvalho como orador e profundo conhecedor do vernáculo. Monsenhor Urbano foi professor no velho “Colégio Cardeal Arcoverde” de Pesqueira. O Colégio do então padre Urbano recebia os meninos dos sertões, que chegavam espantados, agressivos, pés comprimidos nos sapatos ringidores, lanhados de espinhos e queimados de sol. Então padre Urbano os recebia, risonho e afável para desbastar as arestas nascidas na liberdade do pátio das fazendas, na vida livre dos campos. Dizia o escritor e jornalista Luiz Cristovão dos Santos que “aquele sacerdote era um São Francisco caboclo pregando aquelas aves agrestes que esvoaçavam de encontro aos janelões do velho sobrado.

Não usava de violência nem erguia a voz. Persuadia com os gestos e as palavras da imensa ternura humana que lhe brotavam do coração. E tal era a orientação que imprimia aos estudos, promovendo reuniões literárias, levando a cena pequenos dramas, incentivando, abrindo as almas e clareando as inteligências infantis, que pouco tempo depois bugrezinhos do Pajeú e do Moxotó declamavam versos de Castro Alves, de Olavo Bilac e de João de Deus, com a voz desacostumada dos aboios”.

O Bispo da Diocese, Dom José de Oliveira Lopes, certa vez mandou que constasse em ata, ter sido o padre Urbano “educador emérito de várias gerações sertanejas”.

Na Catedral de Santa Águeda em Pesqueira em solene celebração, com a presença do clero diocesano, familiares e fiéis, foi-lhe entregue o título de Monsenhor. A honraria foi concedida pelo Papa Bento XV, atendendo pedido feito por Dom José de Oliveira Lopes e o Conselho de Presbíteros. Esta concessão do título de monsenhor concedida pelo Santo Padre foi uma forma de reconhecimento os relevantes serviços prestados pelo sacerdote Urbano Carvalho na sua comunidade e a Igreja.

Em anos de fé, o monsenhor Urbano peregrinou a Roma mais de uma vez.

Em 31/08/1933 embarcou para Salvador para participar da grande solenidade do 1º Congresso Eucarístico Brasileiro na Bahia.

Em substituição a Antônio Correia da Cruz, foi nomeado prefeito do município de Floresta em maio de 1931 e por imperativo do seu sacerdócio, em janeiro de 1933 foi chamado a dirigir os destinos da Diocese de Pesqueira, em substituição ao saudoso bispo D. José de Oliveira Lopes que havia falecido. Desta forma, a vaga de prefeito de Floresta foi então ocupada pelo coronel João Novaes.

Presidiu o “1º Congresso Econômico do Sertão” ocorrido em Triunfo, em princípios do mês de julho de 1934, destinado a discutir e promover medidas de interesse para o progresso e desenvolvimento daquela vasta região. O referido congresso foi uma iniciativa de um comitê central composto das seguintes pessoas: Monsenhor Urbano Carvalho, presidente; Dr Deocleciano Pereira Lima, vice-presidente; Dr. João da Luz, 1º secretário; Dr. José A. de Souza Ferraz, 2º secretário, e Dr. José Cordeiro. À assembléia compareceram pessoas de destaque inclusive os prefeitos de todos os municípios do Sertão; registro aqui a participação no referido evento do prefeito de Belmonte, Sr. Jacinto Gomes dos Santos.

Monsenhor Urbano Carvalho, uma das mais destacadas figuras do clero pernambucano, no entanto foi na Paróquia de Sertânia que o mesmo realizou um trabalho invulgar assinalado por um intenso movimento religioso e por esplêndidas obras sociais que o tornam um benemérito da terra onde havia se fixado há vários anos, alvo da estima, do respeito e da admiração de todos os seus paroquianos.

Em Sertânia monsenhor Urbano construiu um santuário na cidade. Fundou um albergue para os pobres. Construiu nova Casa Paroquial. Ergueu a golpes de tenacidade um Centro de Estudos em Custódia. À frente de duas paróquias, ainda encontrava tempo para, no meio dos seus livros e dos seus quadros familiares, no gabinete modesto, onde uma caveira em cima de uma mesa sorria da humana vaidade, meditar, estudar e escrever artigos para os jornais.

No dia 1º de maio de 1965 Sertânia festejou os 40 anos de vida sacerdotal de monsenhor Urbano. Na ocasião os fiéis daquela cidade prestaram carinhosa homenagem ao velho pároco. Todos que o conheceram sabem de seu espírito de abnegação e verdadeiro amor pelas suas ovelhas. Monsenhor Urbano, pelos serviços prestados ao Clero brasileiro, por duas vezes mereceu o acesso ao posto de bispo tendo declinado, por não se considerar merecedor de tão alta distinção.

Por ocasião das comemorações dos seus 40 anos de sacerdócio, o reverendo fez distribuir, entre os presentes uma linda poesia de sua autoria e transcrita a seguir:

OFERTÓRIO

(À meus afins pelo sangue, sacerdócio, amizade e trato espiritual)

Senhor! Senhor! As minhas primaveras,
Que são belas, porque sacerdotais,
Recebei-as, Jesus. Tornai-as veras
Com os vossos carismos paternais.

São quarenta eras vividas. E, deveras
Passados tão somente entre os trigais
Das almas mais humildes, mais sinceras
Da terra sertaneja. Roseirais.

Em todo esse passado no Sertão
Neste dia, no altar, agradecido.
Enviai-me, ó Deus! – eis-me o pedido:

A benção do SANTÍSSIMO CORAÇÃO.

Sertânia – PE – 26/04/1965 – Monsenhor Urbano de Carvalho.

Aos 83 anos de idade, já suspirava pela união definitiva com seu Deus. No dia 2 de abril de 1978 depois de receber a Unção dos Enfermos, com o rosário nas mãos e nos lábios os nomes de Jesus e Maria, sua alma voou ao Céu.

Por: Valdir José Nogueira de Moura
Publicado no Blog Alvinho Patriota

21 maio, 2025

Padre Antônio Duarte. Um Pároco esquecido.


Padre Duarte


Eu ainda criança, por volta dos dez anos de idade, ouvi muito a minha mãe falar de um padre que exerceu o seu sacerdócio em Custódia, na juventude dela. O Padre Duarte, era assim que se referiam a ele. Até por minha pouca idade, não dei muita importância aos seus relatos, mas, na minha juventude, o interesse por esse personagem carismático foi evidente. Ele causou uma revolução na sociedade custodiense durante o seu paroquiato, por volta do ano de 1935 até meados da década de quarenta.

Usei a palavra revolução porque ela representa uma mudança radical no estado das coisas, e foi justamente o que ocorreu em nossa cidade. Ele tinha vários talentos, era poeta, compositor, eletricista, tinha noções de arquitetura e engenharia, orador, como também cantava divinamente as músicas sacras.



Igreja Matriz ainda sem a torre e com torre em construção.

O seu antecessor, Padre Leão Pedro Verzeri, que era arquiteto de formação acadêmica, dedicava-se quase exclusivamente às ordens sacerdotais, porém, deixou um grande legado: a construção da bela igreja de São José, iniciada próximo de 1920. Devido a precariedade e dificuldades econômicas, a construção do templo ficou inacabada e não foi possível edificar a torre, ficando assim por mais de dez anos.

Por volta de 1937 ou 1938, o Padre Duarte tomou a iniciativa de reunir várias pessoas de Custódia, autoridades, comerciantes, rapazes e moças, e foram em cima de caminhão até a fazenda São Gonçalo, pertencente ao industrial do caroá, Dr. Aurélio José de Vasconcelos, fazer um pedido, que ele custeasse a obra para conclusão da torre da nossa matriz. O qual, sensibilizado, arcou com todas as despesas, e no ano de 1939, finalmente a igreja ficava exatamente como na sua planta original.

O Padre Duarte, logo apôs a sua chegada, oriundo da paróquia de Floresta, encaliçou e pintou as paredes externas do templo, que eram em tijolos aparentes, construiu a calçada frontal e também a casa paroquial. O sacerdote deu vida e deu alegria à cidade, até então excessivamente monótona. A juventude, chamada à época de mocida
de, raramente tinha diversão. 

O padre contribuiu muito para que as festas tradicionais que se comemoravam durante o ano, tivessem uma maior participação do povo do lugar. A festa do padroeiro São José; o mês de maio cultuado com bastante veneração; o São João com balões, fogueiras, comidas típicas; e as festas do final do ano, Natal e Ano Novo, ficaram repletas de atrações culturais, a exemplo de pastoris; quermesses; dramas, que era uma encenação teatral; jogos e danças.

O salão paroquial, que ficava onde hoje é a Escola Maria Augusta, na Rua João Veríssimo, passou a ser um espaço dedicado à juventude. Alí encenava-se peças teatrais, a exemplo de uma que ficou na memória do povo, comentada por José Carneiro em seu livro, que foi a peça “A Louca do Jardim”, tendo como protagonista Luzia Aleixo, filha de seu Cassiano. Os afinados cantavam com desenvoltura, foi criado um jornal, enfim, todas essas atividades favoreciam a interação dos jovens daquela época.


José Farias na Praça Ernesto Queiroz


O meu tio José Farias (1933) contou-me que aos domingos, após o catecismo, o espaço em frente à igreja enchia-se de gente, todos ansiosos para ver e também participar das atividades criadas pelo Padre Duarte. Ainda não havia a praça, era chão batido em um largo retangular.

A Praça Padre Leão só foi construída na administração do prefeito Joel Inocêncio Gomes de Lima, entre 1952 e 1955. As moças participavam das corridas de sacos, e os meninos disputavam corridas, saindo ao lado da igreja, até o final do largo, onde hoje fica a sorveteria de Olímpio.

O vencedor ganhava, como prêmio, uma sacola grande, com várias guloseimas, feitas na própria cidade. Pirulitos, alfenim, cachimbo, chupeta… feitos de açúcar.

Quem perdia, ganhava uma sacola menor. Zé Farias era o campeão das corridas.

Magro, quando disparava não tinha para ninguém, era um raio, 
adquiriu até a fama de imbatível. 



Juracy Marinho

Um certo domingo, já se achando vencedor, foi batido por Expedito Marinho.

Inconformado, chorando, sem aceitar a derrota, foi consolado pelo padre.

Expedito era irmão de Juracy Marinho(foto) e Edinalva Marinho.

Zé Farias mantinha uma grande amizade com Juracy, o coroinha do Padre Duarte.

Um certo dia, Juracy vestiu a batina de sacristão, reuniu a meninada e trancaram-se no interior da igreja. Ali foi encenada uma missa, onde todas as hóstias foram distribuídas entre eles. Padre Duarte ficou bravo com o ocorrido, pois ficou impossibilitado de comungar os fiéis por mais de uma semana. Levou o coroinha até a presença do pai e relatou a presepada deste. Aquilo foi uma blasfêmia e o castigo foi necessário.

Juracy cresceu, e como era comum aos rapazes da época, foi para a capital tentar uma vaga em uma das Forças Armadas. Conseguiu ingressar na Marinha do Brasil. Não era fácil, até porque a concorrência era grande. Viajou muito, conheceu vários países mundo afora, mas o seu maior desejo era conhecer a Itália. Era ali coladinho que ficava o Vaticano, nem cogitava a possibilidade de ver o Papa João XXIII pela janelinha, porém, já seria muito grato passear pela Praça São Pedro.

Enfim, esse dia chegou, estava no Vaticano. Os marinheiros, divididos em grupos, observavam deslumbrados aquele conjunto arquitetônico barroco, estavam encantados com a beleza esplêndida daquele local. Realmente, estava em êxtase, quando foi chamado por colegas em um grupo à sua frente. “Juracy, tem um padre brasileiro aqui, disse que é do Estado de Pernambuco, queria saber se tinha alguém do Estado dele, venha falar com ele” Juracy se dirigiu às pressas até o sacerdote e este lhe perguntou de qual cidade ele era natural. Falou que era de Custódia. Então, o padre ainda lhe fez outra pergunta. -Você é filho de quem?

-Sou filho de Olímpio Marinho.

-Ah! então foi você que comeu todas as minhas hóstias

Foi uma gargalhada geral dos seus colegas de farda. Naquela época não se usava o termo bullying, mas Juracy foi importunado toda viagem de volta, com o apelido de “papa hóstia”.



Igreja Matriz em 1944

O Padre Duarte foi transferido de Custódia para a distante região do Norte do Brasil, por determinação do bispo de Pesqueira, no ano de 1945 ou 1946, por denúncia de assédio sexual. Fato não comprovado, ninguém testemunhou e não foi investigado categoricamente nada sobre esse assunto.

Entendo que este episódio, supostamente pode ter tido uma conotação política, uma vez que foi justamente na casa paroquial no ano de 1944, onde se deu o “banquete conspiratório”, com a presença do então Interventor do Estado, Etelvino Lins, que culminou com a ascensão ao poder local do industrial, dono do curtume, José Estrela, em detrimento do então Prefeito Ernesto Alves de Queiroz, nomeado pelo Interventor Agamenon Magalhães no ano de 1939.



Padre Duarte bem velhinho

O que fica claro, é o esquecimento e o não reconhecimento por parte das pessoas influentes da nossa cidade, da grande importância que teve o Padre Antônio Duarte, para nossa comunidade. Não existe nenhuma homenagem edificada ao padre que tanto contribuiu para o progresso da nossa terra. Pessoas que vivenciaram aquela época áurea, quase todas já se foram, logo a sua memória cairá em total desconhecimento para os habitantes da nossa cidade.

Termino essa crônica com uma estrofe de uma poesia em versos, de autoria do Padre Duarte, recitada pela menina Joany Pereira, nas comemorações do aniversário do Prefeito Ernesto Queiroz, no dia 20 de julho de 1940.

“Eu sou bem pequenininha,
mas já sei também, falar;
nesta cena meus senhores,
vem Joany representar;
nós estamos hoje em festa,
hoje em festa estamos nós,
porque é aniversário
do Ernesto de Queiroz!



Jorge Remígio.
Recife-PE
maio de 2025.




Fonte de pesquisa.

Livro. Um Coronel Sem Patente, de Ernesto Queiroz Júnior
Livro. Caminhos do Afeto, de Sevy Oliveira
Livro. A Baraúna, de José Carneiro de Farias Souza.

Agradecimentos a José Farias Souza (1933), Genésia Rezende (1920), Ozanira Farias Remígio (in memoriam, 1922-2010) e Olímpio Marinho pelos importantes relatos e informações preciosas.

12 abril, 2023

Padre Antônio Duarte


Padre Antônio Duarte, era um empreendedor de grande liderança catequética e pedagógica, destacou-se também nas atividades sociais e de lazer que envolviam adultos, jovens e crianças. A seu convite, o industrial Aurélio Vasconcelos, da fábrica beneficiadora do caroá, do povoado de São Gonçalo, pousou com seu avião teco-teco na rodovia principal. Foi um acontecimento inédito, atraindo um grande número de pessoas, principalmente crianças.


Padre Duarte saudou o industrial e lhe fez um original pedido, usando o prefixo do seu avião – PPTIB: “Padre Pede Torre Igreja Breve“, no que foi generosamente atendido. Com esses recursos e, em parceria com a prefeitura e a comunidade, construiu a casa paroquial, estucou a parte externa da igreja e ergueu a sua torre perfilada para o alto, que passou a ser um marco, na vista panorâmica da cidade, e um distintivo de sua passagem por essa comunidade.

Retirado do livro Caminhos do Afeto, de Sevy de Oliveira, pag.75, Autoridades Civis e Religiosas.

28 novembro, 2022

Padre João Rodrigues, o semeador de templos por Orlando Calado


Padre João Rodrigues, o semeador de templos

A freguesia de São Bento foi criada em maio do ano de 1853 por uma lei provincial. Desde então, são 157 anos de pleno funcionamento. Vários foram os párocos que estiveram à frente dela. Todos tiveram uma parcela de contribuição para o seu desenvolvimento, tanto material como espiritual, porém nenhum deles teve um desempenho que pudesse ser comparado à grande obra espiritual e material do padre João Rodrigues de Melo. 

Homem empreendedor ao extremo, ele logo conquistou a amizade, a confiança e o respeito dos seus paroquianos. Nunca na nossa histórica eclesiástica, um sacerdote disseminou, no território de sua paróquia, tantos templos os quais visitava constantemente dando o conforto necessário aos fiéis, moradores nos sítios e povoações, que antes precisavam se deslocar para a matriz a fim de tomar parte nos ofícios religiosos, como missas, novenas, batizados e casamentos.

Nosso saudoso pastor nasceu em Custódia, sertão pernambucano, no dia 16 de maio de 1897. Era filho de Nemésio Rodrigues de Melo, nascido em 12 de dezembro de 1866 e falecido em 10 de junho de 1931, e de Justina Pereira de Melo, nascida em 26 de setembro de 1871 e falecida em 26 de setembro de 1931 com exatos 60 anos. Seus pais eram pessoas exemplares e amigos fiéis que sempre tiveram, em Custódia, suas portas e muito mais seus corações abertos a todos quantos solicitavam auxílio ou uma palavra de consolo num momento de dor e de aflição. 

Naquele tempo, as famílias mais esclarecidas incentivam um filho a seguir o sacerdócio católico, pois era uma maneira de demonstrar toda a sua fé. João, criado em ambiente de religiosidade, sentindo-se com vocação para o serviço religioso, atendeu ao pedido dos pais, tendo sido ordenado no dia 8 de dezembro de 1922. O ano de 1931 foi um ano particularmente de grande tristeza e dor para o jovem sacerdote João Rodrigues de Melo, pois que num lapso de pouco mais de três meses perdia o pai e a mãe, seus esteios na fé e na religiosidade. 

Esse triste episódio fez com que o sacerdote redobrasse suas forças e partisse para realizações em que se entregou de corpo e alma em benefício dos mais necessitados, assim como do progresso material de sua gente por demais sofrida pela escassez de recursos.

Iniciando a carreira sacerdotal, João Rodrigues serviu como vigário de Cimbres, Barão do Rio Branco (hoje Arcoverde) e de Belém de Maria. Tomou posse como pároco de São Bento no dia 11 de fevereiro de 1934, encontrando no território de sua paróquia apenas cinco capelas. Foi um construtor de templos como a grande igreja de São José da então vila de Capoeiras e mais as capelas de Mulungu, Espírito Santo, Campo Limpo, Papagaio, Queimada Grande, Pimenta, Cacimbão, Beira-Mar, Maniçoba, Alegre e Jurubeba, reconstruindo as de Feijão, Pindorama e Salobro.

João Rodrigues, homem dinâmico e empreendedor, foi o fundador e presidente da Cooperativa dos Produtores Agropecuários de São Bento do Una, tendo erigido a sede e armazéns da entidade, hoje em ruínas. Ele foi um homem muito querido e admirado não só pelo seu elevado espírito público, mas pelo carinho que devotava a todos, ricos, remediados ou pobres. Fazendeiro e criador de gado bovino tornou-se homem de recursos. Sabedor de que em São Bento havia carência de habitações, construiu, com recursos próprios, ruas de casas, onde cobrava simbólicos aluguéis que logo eram consumidos pela inflação dos meios de pagamento.

No dia 11 de fevereiro de 1959, quando completou vinte e cinco anos à frente da paróquia são-bentense, foi agraciado com o título de cônego. Em São Bento do Una, homem de hábitos simples, foi amado, idolatrado e respeitado por toda a população e tido como o maior pároco de toda a nossa história eclesiástica e pessoa que influenciou positivamente várias gerações de paroquianos. Seu dinamismo era tanto que conseguiu colocar a paróquia de São Bento em primeiro lugar em movimento religioso na diocese de Garanhuns, composta, na época, por mais de duas dezenas de freguesias, conforme deixou assinalado, com propriedade, a historiadora municipal Ivete de Morais Cintra em seu livro: “São Bento do Una: formação histórica”.

O cônego João Rodrigues de Melo faleceu relativamente moço, aos 66 anos de idade, no domingo, 7 de julho de 1963, deixando a cidade consternada com tão grande perda, pois o povo tinha certeza de que outro pároco de fibra e empreendedor como ele dificilmente surgiria. Os sinos de sua igreja dobraram em sinal de pesar pela grande perda. A cidade parou. O povo chorou. 

O sepultamento ocorreu no mesmo dia do passamento. Uma incalculável multidão o levou à sua última e definitiva morada no cemitério municipal ao som de tristes marchas fúnebres executadas pela centenária Banda Musical de Santa Cecília. À beira da sepultura, vários oradores se fizeram ouvir. Palmas, soluços e vivas ao grande homem partiram da multidão emocionada com tão grande e inestimável perda, pois João Rodrigues foi uma personalidade central e parte integrante da vida da cidade, durante os mais de 29 anos que esteve à frente da paróquia.

Na missa de réquiem pelo primeiro aniversário da morte do cônego João Rodrigues, o celebrante, padre Antônio Barbosa, emocionado, recordou a saga do homem que honrou como ninguém o múnus sacerdotal a que se obrigou, ou seja, o encargo da orientação e da defesa do seu rebanho:

“Uma palavra de prontidão sempre esteve em seus lábios e um transbordamento de alegria sempre presente, com quem se encontrava pelas longas caminhadas. A queixa de um sol queimante ou de frio impertinente não lhe fazia resistência, por uma travessia em busca da ovelha necessitada. Mesmo que, fanhosamente, criticasse o cavalo trotão do matuto carrancudo nem assim se fazia omisso no cumprimento do dever. 

Amigo de todas as horas, serviçal a toda prova, generoso, hospitaleiro, atencioso para quem o procurava. A agilidade e prontidão em servir se converteu em paralisia e quietude sobre o leito de sacrifício. Com voz sumida ainda perdoava os pecados; no recanto da dor ainda celebrava o santo sacrifício, nos braços dos amigos ainda regenerava o batismo. Quis morrer como vigário de São Bento. Desejava completar o sacrifício de sua vida como pai da grande família e como pastor do amado rebanho”.

João Rodrigues de Melo, o sertanejo forte e destemido, filho de pais exemplares, dedicou toda sua energia vital em prol das causas que dignificam a pessoa. Foi o semeador de templos, o pregador firme e resoluto na defesa da fé, da esperança e da caridade. Foi um homem do seu tempo, tendo trocado o cavalo trotão do matuto por uma baratinha Ford 29, com a qual muitas das vezes esteve em Mulungu, enfrentando estradas carroçáveis, chuva, poeira, calor, riachos a transbordar, mas sempre trazendo uma palavra de amor e de solidariedade aos enfermos. 

Ele foi um edificador, um semeador e não merecia jamais sofrer o que sofreu no leito da morte. Amou sua paróquia como um pai extremoso ama os seus filhos. O seu sacrifício não terá sido em vão porque jamais será esquecido por todos aqueles que tiveram a felicidade de com ele conviver e receber dele os conselhos que forjaram cidadãos resolutos e solidários. Ele se foi, porém está eternizado num busto na praça são-bentense que tem o seu venerável nome.

Texto de Orlando Calado, publicado no Portal São Bento do Una, em 05/04/2011. Contato: e-mail 

O Padre João Rodrigues de Melo é tio da Senhora custodiense Etelvina Rodrigues, (Dona Teté) esposa do Sr. Nivaldo Gonçalves.

16 julho, 2022

Padre Frederico Nierhoff


Nascido em Gelsenkirchen, Alemanha, no dia 26 de Janeiro de 1916, Padre Frederico Nierhoff foi figura proeminente na cidade de Crato. Quando assumiu a Paróquia de São Vicente Ferrer – em 1948 – como segundo vigário, a igreja-matriz tinha proporções pequenas e acanhadas. Nos 20 anos nos quais administrou aquela paróquia (1948-1968), Padre Frederico comprou imóveis vizinhos ao templo e ampliou a igreja. Remodelou e ampliou, também, a casa paroquial dotando-a de ampla área anexa, uma espécie de área de lazer, destinada às crianças que se preparavam para a primeira comunhão. Construiu a Capela de São Miguel Arcanjo, hoje igreja-matriz da paróquia do mesmo nome.

Padre Frederico foi o oitavo filho de um casal profundamente católico: Hermann e Adolfina Nierhoff. Iniciou seus estudos teológicos em Oberhundem, transferindo-se depois para a cidade de Lebenhan Grave, na Holanda. Ainda estudante de Teologia – pertencente à Congregação dos Missionários da Sagrada Família – devido às incertezas da Segunda Guerra Mundial, deixou a Alemanha em sete de Março de 1938, com destino ao Brasil, onde deu continuidade aos seus estudos na cidade de Recife. Ali foi ordenado sacerdote no dia 1º de maio de 1941.

Antes de residir em Crato, exerceu atividades pastorais nas cidades de Picos e Pio IX (no Piauí), Saboeiro, Arneirós e Aiuaba (no Ceará). Em Crato, além de suas atividades no âmbito espiritual, construiu escolas, postos de saúde e capelas na zona rural na então vasta Paróquia de São Vicente Ferrer. Era um homem de grande dinamismo e enorme capacidade de trabalho. Deve-se ao Padre Frederico a construção de um conjunto de casas populares no sítio Malhada – que leva o nome da mãe daquele sacerdote, Adolfina Nierhoff – ainda hoje modelo de assentamento rural com geração de emprego e renda.

Nos anos 40 e 50 do século passado o Cariri cearense era conhecido no Brasil como um dos maiores focos de tracoma, infecção que afeta os olhos e, se não for tratada, pode causar cicatrizes nas pálpebras e cegueira. Padre Frederico selecionou voluntários da zona rural de sua paróquia para ajudar a “Campanha Federal Contra o Tracoma”, iniciativa do Departamento Nacional de Saúde Pública. No início da década 60 essa moléstia tinha sido erradicada da zona rural do município de Crato.

Desgostoso com a redução da Paróquia de São Vicente Ferrer a um território de poucos quarteirões no centro de Crato, Padre Frederico desligou-se em 1969 da diocese de Crato e foi ser vigário de Custódia (Pernambuco) onde renovou a pintura interna e retelhou a cobertura da nave central da Igreja de São José, padroeiro daquela cidade. Apesar do pouco tempo em que ali foi pároco, ainda modificou e reformou a casa paroquial, comprou um prédio comercial e fundou o Lions Clube de Custódia. Dali saiu para ser pároco e vigário-geral da diocese de Floresta (PE), aonde no dia 31 de outubro de 1975 sofreu um enfarte enquanto dirigia um carro. Este, desgovernado, capotou ocasionando a morte do Padre Frederico.

Sua repentina e inesperada morte foi muito lamentada em Crato, onde o Padre Frederico trabalhou com dedicação e carinho juntos aos mais necessitados e onde possuía muitos amigos.

Material enviado por José Soares de Melo

10 abril, 2015

Parabéns ao Padre Roberto Luciano




Hoje é aniversário do PADRE ROBERTO LUCIANO, todos nós, seus paroquianos, desejamos um dia cheio de graças do céu, um dia que lhe seja renovador e marcante de uma nova etapa em sua vida vocacional e humana! Que a misericórdia de Jesus possa fecundar o teu coração a fim de que sempre continues a revelar desse amor de Deus a nós que contigo convivemos e por ti somos guiados! 

PARABÉNS, somos gratos por tê-lo em nosso meio!

15 abril, 2013

50 anos de carisma espiritual do padre Roberto Luciano de Custódia

foto: Robson Patriota (Sertânia Vip)

Amigos e vários fieis da Igreja Católica comemoraram 50 anos do Padre Roberto Luciano,  na quadra do Colégio Municipal Ernesto Queiroz, no último sábado dia  (13). A comemoração foi organizada sem conhecimento do pároco, que chegou ao local com os olhos vendados, sendo surpreendido por uma grande festa, com direito a banda de música, Missa, bolo e muita festa. Parabéns Roberto Luciano, são os votos do Blog Custódia.

Mais fotos, acesse: Sertania VIP