Mostrando postagens com marcador Custódia em Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Custódia em Livros. Mostrar todas as postagens

08 agosto, 2026

O Sertão em Páginas Épicas: Mario Vargas Llosa, Canudos e o “Povo de Custódia”



Quando o escritor peruano Mario Vargas Llosa (Arequipa, 1936) mergulhou na história do Brasil para escrever A Guerra do Fim do Mundo (1981), ele não apenas criou um dos maiores romances da literatura em língua espanhola — ele imortalizou as narrativas, os caminhos e os povos do interior do Nordeste brasileiro.

Dedicado expressamente a Euclides da Cunha, autor do clássico Os Sertões, o romance recria com dramaticidade e rigor a saga de Canudos e a figura icônica de Antônio Conselheiro. No entanto, para além dos grandes eventos da guerra, a obra carrega a riqueza das rotas sertanejas e traz à tona territórios e populações que compõem a memória viva dessa epopeia.

"A literatura tem o poder extraordinário de resgatar geografias esquecidas e dar voz aos caminhos do sertão."

 

As Marcas da História: O Povo de Custódia na Literatura Global

Entre as páginas marcantes do romance, Vargas Llosa registra passagens de peregrinos e sertanejos vindos de diversas regiões do Pernambuco e do Nordeste rumo a Canudos. Nesses relatos de devoção e resistência, destaca-se a menção ao “Povo de Custódia”, revelando como os caminhos do Sertão do Moxotó se entrecruzam com a trama que conquistou leitores ao redor do mundo.

Esse resgate histórico e bibliográfico reafirma a importância das raízes locais em obras de dimensão universal:

  • Diálogo com os Clássicos: A transposição de Os Sertões de Euclides da Cunha para a prosa épica e polifônica de Vargas Llosa.

  • Geografia Afetiva: O registro da mobilidade dos sertanejos por vilas, feiras e povoados do interior de Pernambuco e da Bahia.

  • Memória Preservada: A presença de Custódia registrada na literatura mundial e acessível em acervos digitais como o Google Books.

    Para obter o livro impresso: CLIQUE AQUI

Material histórico e bibliográfico enviado por José Soares de Melo.

25 julho, 2026

Sertânia e Custódia nas rimas de Waldemar Cordeiro: a poesia que canta o nosso Sertão



O acervo literário do Sertão guarda preciosidades que conectam nossas cidades através da arte e da cultura. Um desses registros marcantes está no livro "Salão de Sombras", de autoria do renomado escritor, músico, compositor, poeta e líder cultural sertaniense Waldemar Cordeiro.

Na obra, o autor faz uma ode à nossa terra no poema "Paisagem do Sertão", mapeando a identidade da região através de suas subdivisões marcantes: Ipanema, Moxotó, Pajeú, Baixa Verde, São Francisco e Chapéu de Couro.

Entre os versos dedicados às riquezas da nossa região, o município de Custódia ganha um destaque poético especial:

II

Custódia. Nos grotões onde a água mina, 

Nos contrafortes de Jabitacá,

Destila como um filtro de água fina

E decantada fonte de Sabá.

 

Sobre a obra

Lançado em maio de 1992 pelo Conselho Municipal de Cultura (vinculado à Secretaria de Educação e Cultura da Cidade do Recife), Salão de Sombras permanece como um documento afetuoso e atemporal sobre as paisagens, a água e a força do povo sertanejo.

Uma verdadeira relíquia da poesia pernambucana que vale a pena relembrar e compartilhar!

23 julho, 2026

Custódia na Poesia de João Cabral de Melo Neto: O Cemitério Pernambucano

 


Texto:

A título de colaboração, trazemos um pequeno comentário a respeito do livro Quaderna, de autoria do nosso poeta maior, João Cabral de Melo Neto, onde ele nomeia a nossa querida Custódia em um de seus poemas.

"O livro Quaderna foi publicado primeiramente em Portugal, no ano de 1960. Sua escrita iniciou-se em 1956, quando João Cabral, trabalhando como cônsul, foi removido para Barcelona e autorizado a residir em Sevilha, a fim de fazer pesquisas no Arquivo das Índias. No Brasil, foi publicado em 1962, juntamente com 'Dois Parlamentos' e 'Serial', em um volume chamado Terceira Feira."

Após tematizar a morte na célebre obra "Morte e Vida Severina", João Cabral a presentifica em Quaderna com poemas dedicados a cemitérios. São quatro aparições localizadas geograficamente no título ou abaixo dele:

  • "Cemitério Paraibano" (Entre Flores e Princesas)

  • "Cemitério Pernambucano" (Custódia)

  • "Cemitério Pernambucano" (Floresta do Navio)

  • "Cemitério Alagoano" (Trapiche da Barra)

Tal localização demarca o espaço regional e, acima de tudo, as descrições feitas permitem identificar as particularidades de cada local. Desse modo, percebe-se que a identificação geográfica precisa não impede o poeta de revelar, até mesmo no tratamento da morte, a diferença socioeconômica entre as regiões.

Em "Cemitério Paraibano" (Entre Flores e Princesas), João Cabral considera o cemitério uma casa, transformando-o em um espaço necessário e coletivo:

Uma casa é o cemitério dos mortos deste lugar. A casa só, sem puxada, e casa de um só andar.

E da casa só o recinto entre a taipa lateral. Nunca se usou o jardim; Muito menos, o quintal.

E casa pequena: própria menos a hotel que a pensão; pois os inquilinos cabem no cemitério saguão,

os poucos que, por aqui recusaram o privilégio de cemitérios cidades em cidades cemitérios.

Mesmo delimitando a região geograficamente, em "Cemitério Pernambucano" (Custódia), a descrição do espaço aproxima-se da realidade do poema anterior. Percebe-se uma atmosfera semelhante, revelando a dificuldade financeira que assola seus habitantes e os acompanha até na morte:

É mais prático enterrar-se em covas feitas no chão: ao sol daqui, mais que covas são fornos de cremação.

Ao sol daqui, as covas logo se transformam nas caieiras onde enterrar certas coisas para, queimando-as, fazê-las:

assim, o tijolo ainda cru, as pedras que dão a cal ou a capoeira raquítica que dá o carvão vegetal.

Só que nas covas caieiras nenhuma coisa é apurada: tudo se perde na terra, em forma de alma, ou de nada.

Além de apontar uma situação social, o poema mostra uma região precisa: o Sertão pernambucano, castigado pela ação da natureza, salientando a presença do sol escaldante como elemento de identificação do espaço. O sol do sertão é severo, duro e cumpre a sina de "cremar" os corpos lançados ao chão.

Verifica-se também a junção de dois elementos: a terra e o fogo (sol). O primeiro esconde, e o segundo dá fim ao corpo sertanejo. Nem por isso, contudo, consegue livrar-se do que o move: sua alma. A terra parece herdar a essência do interior do corpo extinto, abrindo uma reflexão filosófica e uma dúvida sobre a própria existência nos versos finais.

(Sugestão enviada por Marcelo Genário Burgos Pereira)

15 julho, 2026

O Sertão em Versos: O Cangaço e a Geografia Poética de Nertan Macêdo



O resgate de registros históricos nos permite viajar no tempo e compreender a complexa teia social do Nordeste de meados do século XX. O verso a seguir, coletado pelo escritor e jornalista cearense Nertan Macêdo e publicado no Rio de Janeiro em 1950, reconstrói o imaginário do cangaço, misturando o nomadismo, as alianças com coronéis e a forte ligação com territórios que hoje guardam essas memórias.

O Registro Histórico (1950)


"Tenho casa, tenho fome,
bolandeira no Salgueiro,
na serra da Cana Brava
 coronel é coiteiro,
 na serra do Logradouro
o compadre é fazendeiro,
nas furnas da Serra Negra
viro bicho maloqueiro,
no Limão, no Canindé
tenho cavalo estradeiro,
 suspiro pelo descanso
no viver de cangaceiro,
quero moça de janela
em Custódia e Tabuleiro.
"


A Geografia do Verso

A poesia popular coletada por Macêdo funciona como um mapa do Sertão de Pernambuco e Ceará, citando locais emblemáticos para a dinâmica do cangaço:

  • Salgueiro, Custódia e Serra Negra: Cidades e acidentes geográficos pernambucanos conhecidos pelas rotas e esconderijos de bandos.

  • O "Coiteiro" e o "Fazendeiro": O verso escancara a rede de apoio que os cangaceiros possuíam entre os poderosos locais (coronéis), essencial para a sobrevivência no bioma da Caatinga.

Quem foi Nertan Macêdo?

Natural de Crato, Ceará (nascido em 20 de maio de 1929), Nertan Macêdo foi uma voz fundamental para a literatura e o jornalismo regionalista. Vindo de uma família de intelectuais — irmão de Denizard Macêdo, renomado jornalista com passagens pelo Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e O Jornal —, Nertan dedicou sua vida a registrar a cultura e a história do povo sertanejo. Sua relevância intelectual o levou a ocupar a cadeira número 17 do prestigiado Instituto Cultural do Cariri (ICC).

Matérias enviada por
José Soares de Melo

15 junho, 2026

Foi Assim 1 - 2ª Edição ampliada e revisada (Fernando Florêncio)

 


2ª edição de FOI ASSIM!...

Uma história autobiográfica de Fernando Florêncio.
Revisada e ampliada.

Quem quiser adquirir o exemplar, entrar em contato com o autor,
pelo e-mail:
florencio.fernando@hotmail.com 


 

03 junho, 2026

Bairros de Custódia em 1970


 

Circundada de fazendas e sítios, Custódia era dividida em: Centro, Várzea, Alto, Bomba e o Cruzeiro.

No Centro havia ruas paralelas, divididas em quarteirões. As casas tinham sua frente voltada para a Praça Padre Leão, e o muros para as ruas secundárias, com destaque para Igreja Matriz de São José. Ainda no centro, funcionava casas comerciais, escolas, feiras livres e locais de assistência médica, farmacêutica, jurídica e administrativa. Em noites de luar, a praça Padre Leão transformava-se em grande picadeiro para as cantigas de roda, jogos e correrias.

No oeste ficava a Várzea, num plano abaixo do nível da cidade, onde se passava os afluentes do Rio Moxotó. Existia um posto de saúde, uma escola municipal, uma fábrica de tanino (curtume), uma fábrica de caroá, o motor e o gerador da luz eletrica e um chafariz público para abastecer a cidade.

Para o leste, tínhamos o Alto, na parte mais elevada da cidade, onde a predominância era de casas residenciais. Existia o Grupo Escolar General Joaquim Inácio, o mercado público, o matadouro, a delegacia e a cadeia. Numa área mais reservada, ficava a zona meretrícia e ao lado o cemitério.

Outro local bastante movimentado da cidade, era a Bomba, onde havia o setor hoteleiro, casas de lanche, postos de gasolina e armazéns. Era a porta de entrada e saída da cidade.

Margeando a BR 232, a uns dois quilômetros, ficava o Cruzeiro, na parte mais alta de um morro, símbolo de religiosidade, para onde eram feitas romarias no período de Semana Santa. A caminha até o local, tinha em seu percurso carvoarias, olarias, fábrica de doce japonês, fazendas, sítios e casebres.

(*)Textos extraídos do livro Caminhos do Afeto de Sevy Oliveira.

10 fevereiro, 2026

Recém lançado Romance "O Doce Amargo do Açucar" de Paulo Mapu está à venda



O Romance "O Doce Amargo do Açúcar" tem início em Custódia-PE, no engenho de Zé Baé, no sítio Umbuzeiro, e avança em várias direções geográficas (Recife, Berlin, Lisboa, entre outras) para contar a trama do amor de Teresa, uma sinhazinha, por seu escravo Kalimba. 

A história se passa no período da Revolução Pernambucana e da Confederação do Equador, em pleno ciclo da cana-de-açúcar, em meio ao comércio transatlântico e a escravização. 

O autor resgata a história do quilombo do Catucá dos malunguinhos - no Recife - e as tensões políticas e revolucionárias do momento.
 
Apesar de o romance ser uma ficção, é totalmente ancorado na história em que Frei Caneca, Cruz Cabugá, Leão Coroado e figuras femininas aparecem como protagonistas envolvidas na luta pela liberdade.

Entre elas se destacam Nzinga, a angolana, Zeferina do quilombo do Urubu, em Salvador, e Nã Agontimé, criadora da Casa das Minas de São Luís do Maranhão.  

Tem ainda a saga do negro Baquaqua, o escravo, que passou por Olinda e se tornou referência por ter escrito sua biografia contando os horrores da viagem . 

O romance "O Doce Amargo do Açúcar" resgata um período que não pode ser esquecido pela nova geração.

Para adquirir seu exemplar, entrar em contato com o autor:

Paulo Mapu
Contato whatsapp:
(11 ) 96817-0744


 

19 julho, 2025

Otoniel Barbosa de Lima, 100 anos


O "Beco de dona Maroca, de Zezé, de seu Fernando...", em um dos vários bancos que existem naquele logradouro, era o ponto de encontro de todas as manhãs de Seu Otoniel com os amigos para "jogar conversa fora", trocar ideias, e onde se faziam brincadeiras uns com os outros. No dia 17 de maio de 2013, quando ele iria completar 93 anos de idade, estando em Afogados da Ingazeira conversei com o nobre amigo e transcrevi o nosso bate-papo:

Filho de Antonio Barbosa de Lima e de Maria Queiroz do Amaral, nasceu no sítio Saco dos Queiroz, em Carnaíba, PE no dia 17 de maio de 1920. De uma família católica, logo após o seu nascimento, já com a saúde debilitada, os seus pais, com receio de que ele falecesse sem ser batizado, procuraram padres em várias vilas na redondeza e, não os encontrando, numa última tentativa foram à então vila de Custódia, quando, finalmente encontraram um sacerdote e o batismo foi realizado.

Indagado sobre as alegrias e bons momentos da sua infância e juventude, disse não se recordar, pois a sua vida foi sempre de grandes dificuldades. Os seus estudos foram realizados através de professores particulares. Recorda-se do professor Bernardino, tio ou avô de Carlinho de Lica.

Em novembro de 1947, na Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, Otoniel contraiu matrimônio com a jovem Maria Dolores de Góes Lima (sobrinha de Luiz Bitu) com quem teve dois filhos que sobreviveram por apenas alguns dias. Esse casamento teve um lance interessante: Onde se encontrava a sua certidão de batismo? Procuraram em várias localidades, inclusive em Custódia, sem êxito. Tendo em vista que na época Custódia era uma Vila, somente conseguiram localizá-la na Paroquia de Sertânia.

Após esse casamento, em vista das dificuldades enfrentadas no dia a dia, chamou a esposa para irem residir na zona rural, no sítio Saco dos Queiroz, mas ela se negou dizendo que não iria, pois sempre havia morado na cidade. Passado algum tempo e, tendo em vista que continuava desempregado, resolveu, em 1950, seguir viagem em “pau de arara” para São Paulo, mas, em virtude da dificuldade desse transporte chegar à capital paulista, resolveu se dirigir para o Rio de Janeiro.

Inicialmente para Teresópolis, para trabalhar em uma Granja, mas as condições oferecidas eram subumanas e ele, no dia seguinte saiu em direção ao Rio de Janeiro, Capital do então estado da Guanabara. Lá encontrou um casal que lhe deu apoio moral, no entanto o que ele mais necessitava, no momento, era um canto para repousar e se alimentar, pois estava exausto e com muita fome.

Em um prédio, ao acaso, Otoniel contatou o porteiro que, mesmo receoso por se tratar de um estranho, lhe acolheu no porão do edifício, sem a autorização do proprietário. Nesse ínterim, um empresário que passava nesse prédio, na busca de um material naquele mesmo porão, encontrando-o dormindo sob papelões, perguntou se ele gostaria de trabalhar na construção civil, no que aceitou imediatamente a proposta.

Era carnaval na Cidade Maravilhosa e esse empresário o levou para um alojamento onde ele ficou cinco dias – com direito a alimentação e teto – até que os festejos passassem. Otoniel, com então 30 anos de idade, permaneceu uns oito anos trabalhando nos empreendimentos desse engenheiro. Já com um ano no emprego veio buscar a esposa e, passados 7 anos, ela saudosa pediu para que voltassem para Afogados da Ingazeira, pois há tanto tempo não via a sua mãe.

A contragosto Otoniel juntou seus pertences e retornou, trazendo algum dinheiro e, em Afogados investiu o que conseguiu economizar, fruto do seu trabalho, em outro imóvel na cidade, onde já possuía uma casa. Tempos depois, conseguiu um emprego Estadual na área da saúde, trabalhando como enfermeiro do Posto de Saúde local, indo, depois da inauguração do Hospital e Maternidade Emília Câmara, para aquele centro de saúde.

De outro relacionamento, com a jovem Maria do Carmo Ramos, teve uma filha – Fernanda – que lhe fez companhia desde que ficou viúvo.

No dia a dia, mesmo nonagenário, fazia sua caminhada e dava uma paradinha na travessa Major Antonio César (beco de dona Maroca, beco de seu Fernando ou beco do Zezé) para um bate-papo com os amigos até a hora do almoço, quando então fazia o caminho de volta à casa.

Neste sábado 25, nas primeiras horas do dia, aos 100 anos de idade, faleceu no Hospital Regional Emília Câmara, deixando um vazio nos seus familiares e nos muitos amigos que o prezavam.


Fonte

https://www.afogadosdaingazeira.com/

27 março, 2025

Paulo Peterson comenta "A Baraúna" de José Carneiro, lançado de 2015



Em 2015, recebi um exemplar do então


recém lançado livro de prosa e versos, "A Baraúna", de autoria do conterrâneo José Carneiros de Farias Souza (in memorian). 

Em "A Baraúna", você encontra um excelente resgate do contexto histórico cultural da cidade de Custódia, bem como da comunidade custodiense. Rico em informações sobre o anos 30/40. Citações de diversos moradores, em sua boa parte, amigos particulares. A obra está dividida em quatro partes, conta ainda com Sonetos, Poesias, Canções, Hinos, Motes e Glosas, finalizando com sextilhas.

Dr. José Carneiro, foi um dos inúmeros colaboradores do Blog Custódia Terra Querida, seus textos estão disponíveis na coluna Traços e Retraços. 

Seus 84 anos de idade, se confunde com a história de Custódia com seus 86 anos de Emancipação Política. Seus textos são verdadeiras relíquias, com informações preciosas de uma longínqua época, descritas de forma apaixonada pelo autor. Afirmava que este trabalho era o seu canto do cisne. Que é a síntese do melhor de tudo de bom do seu pensamento. Da Fé de seu espirito e a paz do seu coração. Não tenho dúvidas.

Por fim, fiquei muito feliz pelas várias citações a minha pessoa nesta obra, e pelo reconhecimento ao meu trabalho com o Blog Custódia Terra Querida. A satisfação de um trabalho, é isso, o reconhecimento, e disso, serei eternamente grato ao Dr. José Carneiro, pois foi graças a colaboradores do seu quilate, que o Blog Custódia Terra Querida, tem hoje um acervo que tem em suas páginas.


Paulo Joaquim Peterson Pereira.

COMPRAR: CLIQUE AQUI

23 julho, 2023

Escritor Nertan Macêdo citou Custódia em verso no ano de 1959


NERTAN MACÊDO

(1929-1989)

 Nertan Macêdo (Crato, Ceará, 20 de maio de 1929) é um escritor brasileiro. Filho de Júlio Teixeira de Alcântara e Corina Macedo de Alcântara e irmão de Denizard Macêdo, escritor e jornalista, redator do Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e O Jornal. Ocupou a cadeira número 17 do Instituto Cultural do Cariri.



MACÊDO, Nertan.  Cancioneiro de Lampião.  Desenhos de E. Bianco.  Rio de Janeiro: Editôra Leitura, 1959.  43 p.  26x36 cm.  “ Nertan Macêdo “ Ex. bibl. Antonio Miranda
 

CANCIONEIRO DE LAMPIÃO

     Faz-se poesia com palavras. Neste poema há muitas palavras e muita rima, aquela rima pobre e fácil que é a da preferência dos cantadores nordestinos. Talvez porque a nossa linguagem e a própria região a que pertencemos andem pejadas de palavras terminadas em "ão". De resto, tais palavras configuram o grande mundo do sertão, feito de solidão, vastidão, lampião, contrição, lentidão, assombração etc.

     Procurei, quanto me foi possível, ser fiel e autêntico ao "comunicar-me", isto é, na retransmissão das vozes interiores captadas na meninice e que perduram e ressoam pelo tempo a fora. Falta sequência ao poema.

     Explico, explico-me: cantam dentro dele, nele mesmo, os personagens do meio ambiente - o soldado de polícia, a mulher rendeira, o cego cantador, o menino do cego, o vaqueiro, a moça-donzela, o cangaceiro, a beata, o romeiro do padre Cícero Romão Batista.

     Este cancioneiro tem, assim, uma pretensão: a de ser a soma dessas vozes de humildade, violência, misticismo e solidão, quando cantam os feitos (bons e maus) do capitão Virgulino Ferreira da Silva, de alcunha Lampião.

                                                                 

Tenho casa, tenho fome,
bolandeira no Salgueiro,
na serra da Cana Brava
coronel é coiteiro,
na serra do Logradouro
o compadre é fazendeiro,
nas furnas da Serra Negra
viro bicho maloqueiro,
no Limão, no Canindé
tenho cavalo estradeiro,
suspiro pelo descanso
no viver de cangaceiro,
quero moça de janela 
em Custódia e Tabuleiro.


Foi peixe em Poço do Negro,
graúno em Pelo Sinal,
foi onça na Camatuba,
foi ema nas Aroeiras,
foi tatu no Pau de Ferro
e cobra nas Ipueiras,
gato em Cipó de Gato,
e raposa nas Caieiras,
camaleão nos Serrotes,
coruja nas Cabaceiras
cabrito nas Roças Velhas,
barbatão nas Cajazeiras.

para ver o verso completo: CLIQUE AQUI
Matéria enviada por José Soares de Melo

21 junho, 2023

Livro conta a decisão de um Juíz que resultou no tombamento da Igreja São Luz Gonzaga



A obra “Justiça Federal - 50 anos – Seus casos e suas causas contados por seus Juízes”, pela Editora Prismas no dia 19 de dezembro, publica artigo do juiz federal da 1ª Vara de Marabá, Marcelo Honorato, que narra a difícil trajetória para a prolatação de uma decisão judicial envolvendo o tombamento de uma igreja em Pernambuco.

O livro reúne a seleção de artigos de magistrados federais de todo o Brasil, que contam casos especiais e históricos, julgados na Justiça Federal nos últimos 50 anos. Os artigos retratam fatos de elevado interesse da histografia brasileira e contados pelos próprios juízes, como a contaminação com césio 137, em Goiânia (GO), o acidente ambiental em Mariana (MG); o caso Vladimir Herzog e a Operação Lava Jato, entre outros.

Em seu artigo, Marcelo Honorato aborda decisão judicial em defesa dos direitos humanos: a proteção da igreja quilombola de São Luiz Gonzaga diante da imperial força econômica do projeto de construção da ferrovia Transnordestina, empreendimento que planejava demolir o imóvel para a passagem dos trilhos.

 



A decisão de Marcelo Honorato, contada no livro, decretou o tombamento do Complexo da Igreja São Luiz Gonzaga, localizada no município de Custódia (PE), permitindo a preservação de parte relevante do patrimônio histórico e cultural da pequena e simples comunidade quilombola do Sítio do Carvalho, ainda que desafiada pelas máquinas de ferro do século XXI.

A decisão que envolveu essa pequena história foi confirmada em agravo de instrumento e, antes mesmo da prolatação da sentença, os próprios réus acabaram reconhecendo o valor imaterial do imóvel, tornando a questão da necessidade de proteção do complexo arquitetônico incontroversa. Acredito que o contato pessoal do juiz com os fatos pesou bastante, tanto para mim, como para as outras instâncias. Mas sabemos que essa técnica nem sempre é possível de ser efetivada”, diz trecho do artigo do magistrado.

 




 

Honorato conclui: “A antiga igreja que não valia nada, por fim, demonstrou valer tanto quanto uma moderna e importante estrada de ferro do século XXI, e o povo do Sertão, que não conhecia a justiça de perto, deve ter feito muitas outras festas na comunidade quilombola do Sítio do Carvalho de Custódia “PE).

Fonte: Justiça Federal - Seção Judiciária do Pará


02 junho, 2023

Livro: Gandavos: Os Contadores de Histórias



Escrever é um exercício que nos alça à cidadania universal. E este tal universo se manifesta nos temas simples do cotidiano, nas pequenezas diárias das grandes almas. Um texto de crônica ou conto é sempre uma vontade de dizer ao mundo: “Eu estou entendendo você”! É um desejo de falar ao outro que ele não está só, mas que somos todos feitos deste mesmo material comum – uma argila santa e pecadora. É isto o que somos. É a isto que chamamos “natureza humana”: complexa, contraditória, heroica e covarde ao mesmo tempo. Um ser capaz das mais nobres atitudes para com o próximo, mas, também, pronto a manifestar os sentimentos mais mesquinhos e cruéis. GANDAVOS – OS CONTADORES DE HISTÓRIAS é uma dessas exposições do que a vida é e do que é este ser humano que somos.

A iniciativa de Carlos Lopes é uma oportunidade de nos olhar bem de perto, mas com a devida distância de quem não quer se comprometer. Literatura será sempre isto: a identificação segura para, quem sabe, podermos avaliar melhor quem somos na vida de tantos personagens diferentes e semelhantes a nós. A literatura é o contato com esse“outro tão eu” e ele sempre operará em nós alguma mudança. Prepare-se para a leitura desse valioso livro.

Por: Fábio Ribas (blog Casal 20)


¨É uma coleção de história, memórias, dores e delícias¨
Celêdian Assis de Souza

¨Contar histórias é uma arte milenar que envolve as pessoas através da sensibilidade e ajuda a desenvolver uma atitude crítica e criativa perante a vida¨
Maria Olimpia de Melo

¨Tive a felicidade de conhecer o Carlos Lopes, este simpático pernambucano de Custódia PE há cerca de um ano mais ou menos¨
Gilberto Dantas

¨Aí está o nosso livro. Obrigado pela confiança¨
Carlos Lopes

¨Sejam bem vindos a este livro, meus senhores e minhas senhoras¨
Augusto Sampaio Angelim


Livro:
Título: Gandavos - Os contadores de histórias

Autores:
Carlos Lopes, Celêdian Assis de Sousa, Fábio Ribas, Gilberto Dantas, Augusto Sampaio Angelim, Geraldinho do Engenho, José Soares de Melo, Maria Olimpia Alves de Melo, Adriane Morais, Ana Bailune, Carlos Costa, José Eduardo Costa, Dilermando Cardoso, Jorge Farias Remígio e Fernando José Carneiro de Souza.

Ps. Colaboradores do Blog Custódia Terra Querida


SALES é um pintor paisagista, pernambucano, sua arte é interpretada como impressionista, alterando o abstrato e concreto em vários temas

Contato:

http:ateliersales.vilabol.uol.com.br/
(87) 3848-1780 / (87) 8807-2566

Publicado no blog: Gandavos

25 maio, 2023

Foi assim a minha infância na fazenda “Cangalha”


A FEIRA


         Puxo a rédea de “Charuto” e o cavalo estanca no meio da ladeira. O caminho estreito se estira entre juremas e catingueira, galgando a serra do Mandacaru.

         Em baixo, está a planície, cortada pela fita cinzenta da rodovia, onde a todo instante os “Volks” chispam, velozes, e, madrugada afora, pesados caminhões, com cargas gigantescas, rolam surdamente, estremecendo o agreste adormecido.

         Vejo a casa da fazenda aconchegada à sombra das árvores. O sol faísca no azul e rebrilha na água do açude, em cujas margens distingo as crianças. Devem estar brincando à volta d’água, os pés metidos na correnteza do sangra-douro, pescando de anzol, fazendo cacimba e ilhas na areia grossa.

         Foi assim a minha infância na fazenda “Cangalha”, na antiga vila de Custódia.

         E, hoje, num milagre, me revejo nos filhos, soltos ao sol, na festa da manhã radiosa, derramada sobre a fazenda, onde, fiel às raízes, reencontro os caminhos que ficaram perdidos na geografia da infância.

         Ajeito o loro da sela. Levanto um pouco mais os estribos. E, a um pinicado de espora, sacudo as rédeas e recomeço a viagem.

          Logo depois da várzea que está à frente, onde o capim ondula, feito um mar verde e o gado pasta, mansamente, aparece a ruazinha do povoado. Na singela torre da igrejinha estão abrigadas centenas de inquietas e barulhentas andorinhas, vindas com as primeiras chuvas, ninguém sabe donde. A matutada vai chegando para a feira com as cargas de cereais e frutas.

         Vou comprar carne de sol, correias para uns chocalhos, pólvora e chumbo para espingarda. Atravesso o borborinho, me sento no banco da Farmácia (era assim, na farmácia do meu pai, em Custódia), para saber das pobres notícias daquele mundo humilde, parado no tempo, distante do progresso, onde a vida escorre, simples e lírica, como um riacho.

         À tarde, quando o sol esfriar, arreio o cavalo para a viagem de volta. E, novamente, do alto da serra, olho a paisagem aberta como num anfiteatro imenso e que se desenrola na direção do horizonte, fechado em círculo pelas montanhas, que azulam, ao longe, para os lados da Paraíba.

         A volta é mais rápida pois a descida apressa os passos. Estaco à sombra do umbuzeiro, bem na frente da casa. Então a meninada me cerca. E, entre beijos e abraços, ouço a amorável pergunta de sempre, que me enternece e comove:

         - Que foi que trouxe prá mim, paizinho? 

Crônica de Luiz Cristóvão dos Santos
Extraído do livro Caminhos do Sertão. 1970

 

21 maio, 2023

[Crônica] Xarapa - por Luiz Cristóvão dos Santos (Livro Caminhos do Pajeú)


 

A canção vem de longe. Acorda a lembrança e sacode a memória, vinda do fundo do Tempo, doce e envolvente, percorrendo de volta os caminhos da infância.

Eu era o mais taludinho do grupo, criado ao sol e à chuva, seis a oito “capitães da areia” dos marmeleiros e das malvas da Fazenda Cangalha, na vila de Custódia, que branquejava ao sol do sertão.

Devia ser maio ou junho, íamos pela vereda estreita e de repente, num deslumbramento, apareceu aos nossos olhos atônitos o açude cheio, sangrando na fúria da enchente. Moitas verdes boiavam na água barrenta, onde o sol rebrilhava e as andorinhas ligeiras molhavam as penas nos voos curtos de flechas.

No ar pairava o cheiro forte da terra molhada, o odor da vegetação que surgira, de noite para o dia no milagre das primeiras chuvas, tapetando de verde o sertão, que ressurgia feliz. A babugem enchia o olfato, perfume agreste de mato novo surgindo da terra molhada, estadeada ao sol, salpicada de flor-de-jurema na festa da fecundação.

Paramos no alto e ficamos olhando a paisagem fulgurante, diante dos nossos olhos. Depois sentei-me à sombra de um pé-de-turco que floria ao lado, crivado de florzinhas amarelas. Ao redor em silêncio, o grupo aguardava ordens: Jobelino, de riso largo, Pedrinho que chamava manancia, Apolínio, invencível na baleadeira. Erasmo, orgulhoso no canivete Corneta, “Lulu” de claros olhos e cabelos caídos à testa, Quincas e Abraão, este o caçula da turma, gordinho e rosado, chorando com a picada das urtigas. Também havia a índia. Sim, ali estava Xarapa, de negros cabelos e talhe delgado, ágil como as corças, que a fome tangera de Vila-Bela para a vida farta da fazenda de “seu” Nemésio Rodrigues.

Um dia ela chegara, de olhos baixos e voz sumida, vestida de trapos, cabelos endurecidos pela poeira das estradas, quase nua e faminta, pedindo um pouco d'água e um pedaço de pão.

Dona Marta lhe matou a fome e lhe cobriu o corpo que desabrochava.

Ela ficou ajudando a preta Ana, nos afazeres da copa.

E quando a gente varava o mato em busca de fruta silvestre e de ninhos de pássaros, de uma curva qualquer dos caminhos, ela saltava à nossa frente, de olhos brilhando, o cabelo solto, o corpo esguio e moreno, ligeira como as corças. Nós a batizamos de Xarapa.

Porque ela era do grupo, tinha direitos adquiridos, tomava parte nas brincadeiras e nas traquinadas e quando menos se esperava, desaparecia, voltava para a preta Ana, chegava desconfiada, a malícia nos olhos de amêndoa, pisando de leve, com pés de gato.

E sem palavras, lavava os pratos, levava a ração aos porcos, varria o alpendre e o terreiro. Logo mais, porém, quando menos se esperava, lá estava ao nosso lado, caçando ninho de rolinhas e de pomba avoante, procurando umbu maduro e murta cheirosa. Ali à beira do açude, ficamos olhando a água nova, o voo certeiro das andorinhas, a paisagem deslumbrante do açude sangrando.

De repente Xarapa começou a cantar uns versos magoados que ela trouxe de Vila-Bela. Talvez a lembrança do pai morrendo à míngua, intoxicado com farinha de mucunã, a mãe desgarrada pelo mundo; dois filhos nos braços e um no ventre, talvez a via crucis da retirada exaustiva, sangrando os pés nos caminhos, tudo isso amolentou a garganta e adocicou a voz de Xarapa.

Porque a música era tão triste que doía na alma e nos chumbava em silêncio.

O tempo apagou os versos daquela canção dolorosa.

Só a música persistiu, a melodia é que ficou na memória, plangente e magoada como um poema que tivesse perdido as palavras e ficasse gravado na lembrança feito somente de sonoridade. 

Crônica de Luiz Cristóvão dos Santos, extraída do livro Caminhos do Pajeú. Ed. 1954

(*) Colaboração Jorge Remígio.

12 maio, 2023

O Valentão Zé Joaquim

De
Ulisses Lins de Albuquerque
Livro Moxotó Brabo
Organizações Simões
1960
                             
José Joaquim de Siqueira, filho de Manoel Alves de Oliveira Melo e de Maria do Ó de Siqueira – esta filha do Mestre de Campo Pantaleão de Siqueira Barbosa -, morava em Custódia, fazenda onde o pai levantara uma capela sob a invocação de São José, e que naqueles tempos – 1830, mais ou menos – era o começo de uma povoação.

Muito moço, casara-se com a irmã de um padre, enviuvando anos depois. Não houve filhos do casal.

Mas nas suas aventuras, José Joaquim era pai de alguns filhos naturais, dentre estes um mulato conhecido pela alcunha de Caipora e uma mocinha, que era a menina dos seus olhos – fruto de suas aventuras de rapaz descontrolado, com uma parenta do Piutá.

Um moço pedira-a em casamento, e tudo já estava bem encaminhado para a realização do ato, quando o noivo resolveu dar o dito por não dito. É que o pai havia sido assassinado lá para as bandas de Sororoca, nas imediações de Pesqueira, onde residiam uns parentes de José Joaquim, e havia suspeitas de que este participara do atentado: apontavam-no como mandante do crime, atribuindo-se o fato a certas divergências havidas há algum tempo entre ele e a vítima. Assim, tomando conhecimento do que os parentes lhe diziam, o rapaz resolveu desfazer o contrato de casamento.

Mas José Joaquim, valentão e desabusado (especialmente quando tomava um trago), mandou dizer-lhe que, naquela altura, não podia admitir a ruptura do noivado; e assim, que ele escolhesse: “Ou casava com a menina, ou casava com José Joaquim de Siqueira” ...

E o certo é que o casamento se realizou.

Naqueles tempos – 1840 ou alguns anos depois – O Governo Provincial ordenara forte perseguição ao célebre cangaceiro Luís Manuel Frazão, autor de umas mortes na vila de Flores, e que, com um grupo, andava em correrias pelas freguesias vizinhas.

O coronel Francisco Barbosa Nogueira Paes, chefe político liberal em Flores, e dois outros chefes sertanejos – Serafim de Souza Ferraz, de Floresta e José Rodrigues, da Serra Negra (Tacaratu) - organizaram uma tropa e saíram no encalço de Frazão. Sabendo que ele às vezes aparecia em Custódia procurando José Joaquim, ali chegaram alta noite e, enquanto Barbosa e José Rodrigues ficavam descansando, a uns 200 metros da povoação, o coronel Serafim põe cerco à casa de José Joaquim. Bate-lhe à porta. Ele levanta-se, envolve-se num capote, segura uma garrucha de dois canos e, aparecendo à porta, pergunta de que se trata. Serafim lhe diz que procura Frazão, que esperava encontrar-se em sua casa. Aí o velho sai para o terreiro, esbraveja, diz desaforos como o diabo, até que Serafim, danado da vida, retira-se com a tropa e vai comunicar aos companheiros o ocorrido. “E por que não o prendeu?”, disseram-lhe os outros. “Vão vocês prendê-lo”, respondeu ele, “mas preparem-se para morrer ou para matar! Pois o velho é uma cascavel, e eu não quis fazer com ele o que se faz com as cobras” ... 

Realizou-se um baile, à noite, decorrendo a festa na maior animação e perfeita harmonia.

Incidente interessante ocorreu naquele dia: um menino da ala dos conservadores, ao atravessar a rua, sentindo-se insultado por ter sido chamado de “guabiru” por outros do partido contrário, e, exaltando-se, bradou, batendo nos peitos, que era guabiru até morrer! Riram-se os presentes, o fato foi largamente comentado, e dali por diante ele não se libertaria mais do apelido... E ainda hoje existe a família Guabiru, descendentes do pequeno conservador daquela época.


Crônica extraída do livro MOXOTÓ BRABO, de Ulysses Lins de Albuquerque. 1970. Ulysses Lins nasceu no ano de 1889 em Alagoa de Baixo, que nos anos trinta mudou de nome para Sertânia, por sugestão do autor, e faleceu no Rio de Janeiro em 1979 aos 90 anos. É autor ainda dos livros: Um Sertanejo e o Sertão e Três Ribeiras. Memorialista, foi político e pai do governador de Pernambuco Etelvino Lins de Albuquerque.

(*) Colaboração de Jorge Remígio.