27 fevereiro, 2025

Foliança 2025 - Criançada caiu na folia durante semana pré carnavalesca de Custódia



No último dia 23 (domingo), o PONTO DE CULTURA GRUPO DE DANÇAS LUAR DO SERTÃO - CUSTÓDIA-PE. sob comando de UBIRA QUEIROZ, saiu pelas ruas com o BLOCO FOLIANÇA 2025 - Ano 14. 

A concentração foi em frente ao Colégio Municipal Ernesto Queiroz, passando pelas principais ruas da cidade, Praça Padre Leão e finalizando no recém inaugurado Parque Zé do Povo, no centro da cidade. 

O Bloco Foliança é realizado desde 2010, seu objetivo é levar até o folião um conhecimento dos ritmos populares, bem como, as tradições que difunden o nosso Estado e contexto social, mostrando de forma direta ao público infantil, e os aproximando cada vez mais de sua história. 

Este ano, o Ponto de Cultura, ofereceu Oficinas Culturais de Frevo e Palestras, culminando com o Desfile do Bloco durante a semana pré-carnavalesca. 

Paulo Peterson

[Biografia] Maria do Socorro Simões Silva - "Dona Socorro do Cartório"

 


Maria do Socorro Simões Silva, conhecida como “Dona Socorro do Cartório”, primeira mulher Oficial do Cartório do Registro Civil de Pessoas Naturais de Custódia – PE, brasileira, divorciada, nascida aos 22.10.1946, na Cidade de Quipapá-PE, filha de José Rodrigues dos Santos e Maria Pereira Simões. 

Sua história de superação começa no ano de 1966, quando prestou concurso para o Distrito de Santo Antônio das Queimadas e no dia 06 de outubro do ano de 1966, foi nomeada, ”Oficial de Registro Civil” daquele Distrito, onde ficou até janeiro de 1976, ano no qual foi removida a Comarca de Custódia-PE.

Tomou posse no dia 20 de fevereiro de 1976, quando aqui chegou com o marido e três filhas e em Custódia nasceram os demais filhos, em 1986 divorciou-se e tornou-se a única provedora do seu lar, com 10 filhos, sendo 06 biológicos e 04 de coração, 18 netos e 3 bisnetos, onde permanece há 49 anos morando. 


Dona Socorro com sua família

Em 2021 aos 75 anos, concluiu graduação em Teologia, e aos 76 anos pós-graduada em Teologia.

Com uma infância muito difícil na zona rural de Quipapá - PE e por conta do sofrimento advindo das dificuldades de sobrevivência, quando criança morava no casarão do Sitio Gongo, porém não suportava ver seu padrasto agredir sua mãe e seus irmãos, vivenciando isso quase todos os dias. 

Em uma das suas andanças diárias pelo sitio para aliviar sua dor parava em frente a uma cruz que tinha em baixo de uma mangueira onde ajoelhava-se para clamar a Deus, em suas preces pedia que nosso Senhor todo Poderoso abrisse um caminho, para ela tirar a mãe e os irmão daquela situação. 

Aos 14 anos a família resolve mudar-se para cidade de Jurema-PE, foi quando teve a oportunidade de estudar. Certo dia a Oficial do registro Civil de Jurema-PE Maria do Carmo Monteiro, conhecida como “Dona Carminha”, foi até a escola em busca de uma menina inteligente, tranquila e educada para ajudá-la nas atividades do cartório e prontamente indicaram Socorro. E passou a morar com Dona Carminha que gostou tanto da dedicação de Socorro no Cartório, que a incentivou fazer o concurso de cartórios. A partir daí passou pela sua segunda maior prova. 

Aprovada no concurso público não teve ciência pois pessoas influentes da cidade esconderam a informação da sua aprovação, mais o que está nos planos de Deus ninguém tira. Foi quando um desconhecido foi usado por Deus e faltando um dia para encerrar o prazo de assumir o cargo, o Dono da indústria “Cachaça Mucuri” de Canhotinho-PE, o Sr. José Amorim, ficando sabendo do ocorrido e a comunicou sobre o prazo, ajudando-a a levar a documentação em Recife-PE. 

A partir dai assumiu o cartório de Santo Antonio das Queimadas, distrito de Jurema-PE no dia 06/10/1966 começou uma nova história, conseguiu alugar uma casa e trazer sua mãe e seus 09 irmãos para morar com ela. 

Após 10 anos já estabilizada fez o pedido de remoção e Deus preparou a cidade de Custódia-PE para lhe acolher, onde deste de 20/02/1976 assumiu o Cartório de Registro Civil das pessoas naturais de Custódia-PE até os dias atuais. 

Dentre tantos livros, foram registrados o nascimento de 38.548 Custodienses, 4.178 Casamentos e 8.330 óbitos até o dia de hoje.

Mulher de Deus, mulher de fibra, honesta, autêntica, forte, bondosa, criativa, independente, arrimo da família, profissional, ética, exemplo de mãe, avó e bisavó amorosa, que entrega o coração aquilo que acredita.

(*) Biografia cedida gentilmente pela família. 

26 fevereiro, 2025

Programação Completa da Festa de São José 2025





Foi divulgado hoje, durante entrevista no Programa Ponto de Impacto da Rádio Custódia FM, a programação completa da FESTA DE SÃO JOSÉ de Custódia. 

O prefeito Manoel Messias e a vice Anne Lira anunciaram as atrações entre outras informações de interesse do município. Este ano, a festa receberá duas atrações de peso nacional, o cantor sertanejo Leonardo, e Amado Batista, este vindo pela segunda vez a cidade. Mano Walter retorna mais uma vez, enquanto Nathanzinho Lima vem pela primeira.

Os shows começam no dia 9, com apresentação de William Sanfona, na Praça Padre Leão, dentro da programação religiosa no Novenário do Padroeiro São José.

Não foi deixado de fora as atrações locais: Vaqueiro Matuto, Ingrid Mickaelle, e Marcilio Amaral (gravação de um DVD),

No domingo dia 16, haverá uma extensa programação, no dia da MISSA DO VAQUEIRO. A programação começa com concentração no bairro da Rodoviária, onde haverá aboios e shows, finalizando no Parque de Exposição Armando Wanderley da Fonte, no bairro da Pindoba.

Dia 09 (domingo) -  William Sanfona
Praça Padre Leão

Dia 15 (sábado) - Vaqueiro Matuto, Thiago Carvalho e Leonardo 
Parque Zé do Povo

Dia 16 (domingo) - Missa do Vaqueiro: 

Rodoviária :
Aboiadores Jairinho, Paulo Barba e Divon Amorim, Peu cantor, Ademir e banda 

Parque de Exposição Armando Wanderley da Fonte:
Devyn Sampaio, Michel Brocador e Mano Walter.

Dia 17 (segunda) - Ingrid Micaele, Léo Foguete e Amado Batista
Parque Zé do Povo

Dia 18 (terça) - Marcilio Amaral, Tarcisio do Acordeon, Nathanzinho Lima
Parque Zé do Povo


Apoiando o Blog Custódia desde 2007




24 fevereiro, 2025

[Editorial] Revitalização do Centro Lítero Recreativo de Custódia


Fotos: Kleber Alves de Souza

O Blog Custódia Terra Querida vem há quase duas décadas, através de colaborações compartilhando e coletando textos, fotos e crônicas de assuntos relevantes da história local, bem como de pessoas que prestaram relevantes serviços à cidade. 

Esse trabalho coletivo, resultou num acervo imenso que serve de armazenamento para quem quer conhecer a história da cidade. Uma fonte de informação para consulta via internet.

Esse acervo, foi parar em diversos livros publicados, tanto por custodienses, como por outros escritores. ou pesquisadores. Os trabalhos escolares da rede municipal, estadual e de universidades são feitos em consulta ao site, que tá no ar desde de 2007.

Dessa forma, através desse editoral, solicitamos junto ao Poder Executivo, Iniciativa Privada de Custódia, Empresários e demais autoridades, que abraçem a causa para uma possível revitalização do CLRC - Centro Lítero Recreativo de Custódia, que se encontra numa situação de abandono, com seu prédio em ruinas, devido a falta de manutenção.

A importância valiosa e histórica do CLRC pode trazer muitos beneficios para a comunidade. Seu espaço realizou diversos eventos, como: shows memoráveis, conclusões, casamentos, apurações de eleições, concurso de Miss, Formaturas, Festivais de Chopp, Eventos Escolares, Bailes Municipais, Festa de Folclore, Noites Espanhola organizada por Zezita Queiroz e diversas outros eventos.


Fotos: Kleber Alves de Souza


A situação de abandono e degradação deste patrimônio, gera uma perda imensa de um espaço que é um marco na identidade cultural de Custódia. Revitalizado, este espaço, serviria de atração turística, e poderia ter um melhor impacto positivo na economia local. É de suma importância a preservação do patrimônio histórico do local.

A revitalização poderia ser com parcerias com organizações locais, financiamento público ou privado e a com participação dos sócios e pessoas que já administraram o imóvel. Participação de toda comunidade.

Temos uma cultura rica, que necessita de um espaço para abrigar nossa história. Uma restauração de forma sustentável, garantiria que o patrimônio local fosse preservado para as futuras gerações. Além de enriquecer a cultura local, poderá impulsionar o turismo e a economia da cidade, com eventos culturais, exposições por ser bem localizado, poderia abrigar um espaço para fotografias da cidade, e de diversas eventos realizados em Custódia e no CLRC ao longo dos anos, um Museu local.

Em suma, a revitalização deste espaço de patrimônio local não apenas preservará a nossa história e cultura, mas também proporcionará um ambiente mais acolhedor e acessível para todos os membros da comunidade. Acreditamos que, com o apoio de todos, podemos transformar este local em um ponto de encontro vibrante, onde as gerações presentes e futuras poderão se conectar, aprender e celebrar a rica herança que nos une. 

Contamos com a colaboração de todos para que essa iniciativa se torne uma realidade e, juntos, possamos dar vida nova a este importante espaço.


FOTOS DO CLRC - MARÇO 2025 









22 fevereiro, 2025

Uma noite em que Custódia não dormiu - Autor: José Ronaldo


Em 1977, a decisão do Campeonato Pernambucano de Futebol, foi entre Sport e Náutico. 

Esse jogo entrou para a história do futebol pernambucano e nacional, pois o mesmo, começou às 9 da noite, e só terminou com o Sport campeão, pouco mais de uma da manhã. 

O campeão tinha que sair de qualquer forma naquela noite de todo jeito, pois o Sport, por exemplo, tinha compromisso pelo Campeonato Brasileiro daquele ano, contra o América de Natal, naquela mesma semana. 

Nos primeiros 90 minutos, nenhum time abriu o placar. Na prorrogação de 30 minutos, continuou 0x0.

Então, o árbitro da partida, começou a dá mais 15 minutos de jogo por várias vezes, os jogadores de ambas às equipes, começaram a ficar exaustos, quando finalmente, em uma jogada pela esquerda do ataque do Sport, a bola foi cruzada, e o jogador Mauro, fez o gol do título do Sport. 

Ouvi tudo atentamente, pelo Rádio ABC, de minha casa. Quando o juiz apitou o final da partida, muitos torcedores do Sport correram em direção à casa do meu amigo Dr. Pedro Pereira. 

Em plena madrugada, vários torcedores do Sport em Custódia, partiram em direção a sua residência para comemorar o campeonato conquistado. Chegando ao local, o mesmo e sua família dormiam, devido ao horário. Muitos gritaram tentando acordar e avisar do feito conquistado naquela madrugada. Muita euforia e abraços dentro de sua casa. 

Saimos em caravana, pelas ruas de Custódia. Muito buzinasso, ninguém dormiu naquela noite. Dr. Pedro, era um torcedor símbolo do Sport na cidade, tanto que teve um time de mesmo nome que marcou época. 

Parabéns à todos os apaixonados torcedores do Sport Clube do Recife!

Lembrança do custodiense, José Ronaldo

21 fevereiro, 2025

Janúncio de Custódia: A Voz de um Povo, o Coração de uma Terra


Ao longo da história, poucos artistas conseguem transcender sua arte e se tornar símbolos vivos da cultura de um povo. Janúncio de Custódia é um desses raros nomes que, mais do que um cantor e compositor, representa a essência da identidade nordestina. Sua trajetória é um testemunho de resistência, amor à cultura e compromisso com suas raízes.

Não por acaso, fez questão de carregar em seu nome o orgulho de sua terra natal. “Custódia” não é apenas um sobrenome artístico, mas um ato de pertencimento, uma declaração de que sua arte nasce do solo sertanejo, das tradições de seu povo e da sonoridade única do forró pé-de-serra. Como Luiz Gonzaga, que eternizou Exu, sua cidade natal, Janúncio inscreveu Custódia no mapa musical do Brasil, provando que a grandeza da arte não depende do tamanho da cidade de onde se vem, mas da força da alma de quem canta.

Entretanto, como acontece com tantos artistas que se dedicam à valorização de sua própria terra, Janúncio nem sempre recebeu o reconhecimento que merecia em seu lugar de origem. Nas festividades locais, onde deveria ser celebrado como um dos maiores representantes da cultura custodiense, muitas vezes foi preterido em favor de artistas de fora. Esse fenômeno, infelizmente recorrente na história da música brasileira, reflete a injustiça da velha crença de que “santo de casa não faz milagre”. Mas Janúncio fez – e continua fazendo.

Suas músicas não são apenas melodias e letras, mas documentos vivos de uma cultura que luta para sobreviver em tempos de descaracterização das tradições nordestinas. Sua voz ecoa os sons da zabumba, do triângulo e da sanfona, mantendo viva a herança deixada por mestres como Jackson do Pandeiro e Dominguinhos.

Janúncio de Custódia é mais do que um artista; é um símbolo. Sua trajetória prova que o talento nordestino não precisa buscar validação externa, pois já nasce forte, legítimo e autêntico. Seu nome e sua cidade estão para sempre entrelaçados, e sua música é um patrimônio de Custódia e de todos que reconhecem na cultura nordestina um tesouro inestimável.

Que essa homenagem seja um lembrete de que devemos celebrar nossos artistas em vida, reconhecer seu valor e garantir que seu legado continue inspirando novas gerações. Janúncio é Custódia, e Custódia é Janúncio.

Com respeito e profunda admiração,


Jânio Queiroz
São Luis/MA
Fevereiro/2025


17 fevereiro, 2025

Sr. Durval e D. Minininha - Marta de D. Quitéria



Hoje recebi a notícia triste do falecimento de D. Minininha. De repente veio minhas lembranças, este casal maravilhoso que foram meus vizinhos por muitos anos. Na padaria deles consegui o meu primeiro emprego. Toda segunda feira, eles eram generosos, amigos de verdade. 

Deixaram muita saudades. Fizeram parte da minha adolescência. Sem palavras para agradecer a Deus por te-los conhecidos e convivido com eles.

Descanse em paz  D. Mininha e meus sentimentos a toda família.
 

Marta de D. Quitéria 
Bridgeport/USA
Fevereiro/2025

06 fevereiro, 2025

Né Marinho - "Um tabelião de firma reconhecida" - (Por José Carneiro)


Né Marinho
* 15/09/1902
+ 03/2002

Manoel Marinho de Rezende, Né Marinho, era um homem de personalidade marcante, como serventuário de justiça e empreendedor. Tabelião de competência reconhecida como oficial do registro geral de imóveis da comarca e proprietário do bar Fênix, que fez história como o Centro Social de maior importância da cidade por longo tempo.

Uma de suas particularidades era o indispensável uso da gravata. Dizia-se que ele não atirava nem para tomar banho e que para isso tinha uma especial, impermeável. Fez uma viagem de navio ao Rio de Janeiro que na época causou sensação.

Casado com Ester Pires Rezende, uma mulher bonita, simpática, ligeiramente estrábica, que vivia para o lar. Eu gostava muito dela e apreciava o seu modo de ser. Os filhos do casal, Leny,  Ivanise, Laise, Hélio e Herbert eram educados e retraídos, em face da maneira austera de criação do pai. Eu me dava bem com todos eles, em especial com Leny. Quando a família se mudou para o Recife, todos os anos, Herbert vinha passar as férias em Custódia e era hóspede da casa dos meus pais. Sobre ele nada se sabe do seu destino.

Leny era considerada a moça mais vaidosa e elegante de Custódia, no vestir e no andar, afora a caprichada maquiagem. Retraída, mas nem por isso alegre e educada. A vaidade não impediu que adquiriris um bom preparo intelectual, a ponto de, mais tarde conquistar um lugar de destaque no magistério como professora na capital do Estado.

Né Marinho depois de aposentado, sozinho, passou uma temporada em Custódia advogando como rábula. Como se vê era um homem afoito criativo.

Lembro-me das interessantes e espirituosas cartas, com o nome de músicas do cancioneiro popular brasileiro, que troquei com Layse e das serenatas, muitas delas a pedido de Leny.

Hoje só restam saudade e uma convivência sabia de um tempo feliz.


01 fevereiro, 2025

[Exclusivo] Custódia - A verdade histórica sobre o nome do município


Saulo de Tárcio Duarte
Advogado e Escritor
(Site oficial do Autor)

Sob a direção do advogado pernambucano Saulo de Tarcio Duarte, a TVM (TV Visão Municipal) se dedica a ser uma fonte confiável e acessível de conhecimento, com o compromisso de melhorar a gestão pública e contribuir para o desenvolvimento sustentável de todas as cidades do Brasil.

Nesta edição especial o articulista demonstra através de documentos e fatos históricos relevantes a origem do nome de Custódia para a próxima edição do Anuário dos Municípios Pernambucanos.

O nome que veio a ser a denominação do município de Custódia remonta com doses bem fundadas na década de 1830. Quanto a esta afirmativa todos os prognósticos, indícios e fontes que direta ou indiretamente apontam para esta assertiva. Entretanto, creio ser esta a data da origem do nome, mas não da povoação como núcleo urbano. O núcleo urbano começou a se formar somente nos finais do século XIX. A prova disto é que o próprio Distrito de Alagoa de Baixo, ao qual Custódia foi desmembrado, somente foi criado em 1842 e a vila e município data de 1873, hoje Sertânia. Em 1908 Quitimbu ainda era a sede do 2º distrito. Mas, como a questão aqui é sobre a origem do nome “Custódia”, vejamos:

Na década de 1830 havia apenas duas povoações que já possuíam certa importância no interior mais adentro da jovem Província de Pernambuco. Era Flores do Pajeú e Cimbres, está menos importante, pois Flores detinha a cabeça da Comarca do Sertão e mais adiante no alto sertão ainda havia mais duas povoações importantes que eram Cabrobó e Boa Vista, esta emancipada em 1838. Era o período regencial instalado logo após a abdicação de Dom Pedro I. Naquela década o Brasil passava, talvez, pelas maiores turbulências deste rio pertenciam outrora a Casa da Torre (BA) por carta de sesmaria de 1658. (*)

(*) Sampaio, Yony, Livro de Vinculo do Morgado da Casa da Torre Centro de Estudos de História Municipal - CEHM, Recife - 2012 - páginas 20,21,22.


A ORIGEM DO NOME

Nos arquivos do IBGE que datam das décadas de 1940/50 os pesquisadores descrevem sobre Custódia: “Diz a tradição que uma das origens do nome Custódia viria do fato dos jesuítas estarem "sob custódia" da população local que os acolheu, já que estavam sendo perseguidos e naquele local ficaram protegidos. Esta versão não tem sido aceita por falta absoluta de lógica e de documentos que corroborem com a verdade dos fatos. Outrossim, na primeira metade do século XIX não há registro que certifique a existência, nas cercanias da hoje cidade Custódia, fazenda com esse nome. Muito menos há registro de mosteiro, convento, abrigo ou até capela que abrigasse jesuítas ou outra congregação religiosa.

Contudo, entretanto, a versão mais aceita é que o nome seria uma homenagem a uma mulher conhecida por Dona Custódia, proprietária de uma pousada/barracão que hospedava e alimentava tropeiros e viajantes. Esta versão sim tem comprovações lógicas e documentais fartas e certamente eliminam quaisquer outras pela força das formalidades. Dito local seria certamente nas imediações do centro da cidade por onde passa um riacho e que aos poucos os transeuntes foram referenciando como o negócio de Dona Custódia e assim por diante até batizá-lo pelo direito consuetudinário. Fui buscar essa história e encontrei.

QUEM ERA DONA CUSTÓDIA?


Litografia de Maria Custódia Osório de Campos baseada em traços familiares. 
Por Karoba N. Salvi



Dona Custódia chamava-se na verdade Maria Custódia Osório de Campos, nascida na Fazenda Conceição, Flores do Pajeú, hoje Betânia, a 5 quilômetros de Sítio dos Nunes, em 1800, filha de Firmiana Barbosa de Aragão e do capitão de ordenanças Manoel José de Campos (marinheiro).

Dona Custódia foi a filha primogênita do casal que deixou uma das maiores descendências do sertão pernambucano. Foram 12 filhos, entre eles o Monsenhor Joaquim Pinto de Campos que foi sem sombras de dúvidas o mais poderoso e maior escritor sertanejo do século XIX. Pinto de Campos, o padre irmão de Dona Custódia chegou a ser tão influente que se tornou amigo do Imperador Dom Pedro II, Duque de Caxias, Machado de Assis, entre tantos escritores europeus a exemplo de Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco e obteve o título de Protonotário Apostólico de dois papas, (Pio IX e Leão XII).



Capitão - mor Aniceto Nunes da Silva
Terras do Sabá até lado do Sertão do Pajeú de Flores


Mestre de Campo Pantaleão de Siqueira Barbosa
Terras do lado lestre ao Sabá até léguas dos dois lados do Rio Moxotó


Dona Custódia, segundo o historiador Nelson Barbalho, citando Ulisses Lins de Albuquerque (em Moxotó Brabo) casou-se com José Joaquim de Siqueira que era neto do mestre de campo e maior latifundiário do Moxotó, Pantaleão de Siqueira Barbosa e não tiveram filhos. Vejam bem, Dona Custódia por um lado era casada com o neto do famoso mestre de campo e do seu lado era neta do sargento-mor Fellipe de Aragão Osório, este cunhado do Capitão-mor Aniceto Nunes, o maior latifundiário do seu tempo no sertão. A irmã de Aniceto, Bibiana Matildes, mulher muito rica, criou a mãe de Dona Custódia e deixou-lhe quase toda a herança em testamente que ainda hoje encontra- se intacto na Igreja Católica de Flores.

Dona Custódia, além de comerciante foi herdeira de terras intermináveis, especialmente para as bandas do pajeú sem contar com as terras deixadas pelo seu esposo. Seu espólio, como dito, certamente abocanhava terras tanto do lado maior proprietário de terras do pajeú como do Moxotó.

Seu estabelecimento em Custódia devia ter um movimento estupendo pois pegava a rota da estradas das boiadas que ia de Olinda até Cabrobó como era rota entre o médio pajeú de Flores, Baixa Verde e Serra Talhada rumo à capital.


VEIO DA EUROPA


O avô português de Dona Custódia era Custódio José de Campos (**), natural de Penedo da Comarca de Penafiel, sua mãe chamava-se Ana da Silva. Naqueles tempos era ainda mais comum homenagear ancestrais e certamente o pai de Custódia, Manoel José de Campos, saudoso do seu pai resolveu batizar a sua primogênita em solo brasileiro com o nome do avô paterno do rebento. Vale salientar que o pai de Custódia, Manoel José de Campos chegou ao Brasil no ano de 1792 precisamente no Porto do Recife. Não se sabe se sequestrado pelos marujos, segundo relato de Pinto de Campos, que merece crédito, ou se veio fugido de sua casa fraterna em busca de aventuras. Acredito na primeira versão, pois Pinto de Campos relatou ao Jornal Ilustrado em 1880 e era comum raptar crianças naquele tempo para servir de grumetes ou pajens(***) nos porões dos navios. Ditos raptos eram tão importantes que eram tratados até de forma comum e ignorados pelas autoridades constituídas.

(**) Certidão de Batismo de Manoel José Campos de 1780.

(***) Grumetes e Pajens: Adolescentes que faziam serviço de embarcações

Sobre documentos que atestam a existência inconteste de Dona Custódia há uma infinidade de citações em sites, livros, jornais e escritos de Pinto de Campos. Mas, registro oficial encontra-se seu nome na página 42 do testamento de Bibiana Matildes da Silva, arquivado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Flores (PE) e no batistério de Pinto de Campos quando ela foi a sua madrinha de batismo ao lado de Manoel Francisco da Silva, este o filho mais velho do Capitão Aniceto Nunes.

Custódia tornou-se a filha prendada do casal, maior herdeira de Bibiana Matildes, casou-se com um neto de Pantaleão Siqueira Barbosa que, segundo Nelson Barbalho em Cronologia Pernambucana (2688), livro 11, página 129 que morava ali nas terras onde hoje fica a cidade de Custódia onde certamente Dona Custódia fez o seu hotel, seu armazém, seu negócio, seu comércio que se tornou um ponto de parada obrigatória por todos aqueles transeuntes que circulavam pelos sertões adentro. Daí a expressão “vamos fazer uma parada descansar, se alimentar e alimentar os animais lá em Dona Custódia”.

Ela faleceu e o lugar ficou batizado: Custódia.até hoje.

AGRADECIMENTOS:

Quero agradecer imensamente a SAULO DE TARCIO DUARTE pelo envio desse trabalho ao BLOG CUSTÓDIA TERRA QUERIDA. Ambos temos compromisso de levar até a população informações importantes, esse material, de grande relevância histórica.

LEMBRETE

Peço encarecidamente as pessoas que puderem divulgar esse material, compartilhem com todos. E claro, deêm crédito ao autor do material, Saulo de Tárcio Duarte. 

Complementando, citem também o Blog Custódia Terra Querida e seu colaborador JORGE REMIGIO, outro grande incentivador, colaborador e pesquisador sobre o tema. 

Apoio Cultural






09 janeiro, 2025

Jovenildo Pinheiro - Melhor Entrevista Nacional pelo Canal Arte Agora no Youtube

 



Em 2022, o historiador custodiense JOVENILDO PINHEIRO, recebeu o Certificado de MELHOR ENTREVISTA NACIONAL, realizada pelo canal ARTE AGORA. O resultado foi transmitido no ambito da FLIPO2022. A Camara Brasileira de Desenvolvimento Cultural divulgou a relação de "Melhores de 2022.

Jovenildo Pinheiro foi protagonista numa entrevista sobre a TRAJETÓRIA POLÍTICA DE UM REVOLUCIONÁRIO, no programa AJFS CONVIDA. Dividida em 3 partes, temos um depoimento repleto de informações e conhecimento históricos da história recente do Brasil. Jovenildo um homem de coragem, um revolucionário nato.

Canal de ARTE AGORA, é destinado a divulgação de obras, ideias, pensamentos, empreendimentos e propostas de cunho artístico, cultural, científico, tecnológico e político que visem o desenvolvimento da sociedade, através de talk-shows e da exibição de filmes, reportagens e clipes. O canal Arte Agora integra a plataforma da Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural.


CONFIRA AS 3 PARTES DE SUA ENTREVISTA AO CANAL ARTE AGORA



PARTE I



PARTE II



PARTE III

02 janeiro, 2025

Parque Zé do Povo: contribuição de Leônia Simões a Narrativa Histórica de Jorge Remigio.

 


Foto: Django Alves
Divulgação

Caríssimo Jorge

Primeiramente, quero  parabenizá- lo pelo primoroso texto, recheado de informações importantes e significativas para a história local. Sua narrativa, além de nos ajudar a compreender o passado e  inspirar o presente, gera também uma memória coletiva para as gerações futuras. 

Em seu nome, quero saudar a todos os conterrâneos que fazem coro com essa narrativa, reforçando os fatos,  testemunhando o passado e nos fornecendo um sentido temporal de identidade histórica, no qual estamos inseridos. 

Antes de mais nada, quero enfatizar que a minha contribuição, não tem nenhum viés político ou rixa pessoal. Trata-se de uma opinião, genuinamente, pedagógica e cultural, afastada de qualquer influência partidária. Escrevo como cidadã custodiense, apaixonada por sua terra e que defende a preservação da história do seu povo, esteja eu, onde estiver. 

Voltando ao assunto do  novo parque da cidade, penso que o nome de Dona Nita, certamente, seria o mais apropriado para a homenagem do momento. 

Ainda que todos nós reconheçamos o ex prefeito José Esdras, como uma figura também singular, que tem os seus méritos para ser lembrado, em outros prédios públicos, não no sitio que pertenceu a ela.

Diante do exposto, tenho a mais absoluta convicção de que o nome do parque não deveria ter sido trocado de maneira tão intempestiva. Acredito que  o próprio, "Zé do Povo", se vivo fosse, honraria o nome de dona Nita com essa homenagem.  

Cada rua, cada casa,  cada prédio conta uma história única, de conquistas silenciosas e desafios que se conectam com nossas raízes.

Manter o nome da antiga proprietária seria um gesto de reconhecimento e gratidão para todos àqueles que vieram antes de nós e deram sua contribuição. Tal atitude ajuda a fortalecer o senso de pertencimento e orgulho comunitário.

Vale ressaltar que é dever do poder público garantir uma homenagem justa utilizando a consulta pública na escolha de nomes. Mas, para isso é preciso conhecer os fatos e as contribuições dos homenageados.

A transparência nos processos e critérios de escolhas, bem como a manutenção do bem devem ser respeitadas. Que a Câmara de Vereadores fique atenta a isto, nas próximas homenagens. 

Aproveito o momento para pedir ao prefeito eleito, Sr. Manoel Messias, que assumiu recentemente a responsabilidade de governar Custódia, que cuide das pessoas do campo e da cidade, da saúde, da educação e da segurança do nosso povo e não esqueça dos poucos prédios que restaram do passado, a exemplo, do CLRC. Que o novo gestor transforme nossa cidade num lugar bom de se viver e morar. Com oportunidades para todos e todas.

Por fim, insisto em dizer que o objetivo aqui pretendido, não é a critica pela critica, mas a busca pelo conhecimento dos fatos e a compreensão do contexto histórico de nossa terra, tão importante na tomada de decisão.

Feliz 2025 a todos!
Leônia Simões.


28 dezembro, 2024

Anna, Anita, Dona Nita - por Jussara Burgos


Dona Nita


Hoje, com tristeza, vejo que destruíram uma lembrança de uma pessoa muito querida, minha mãe Nita.

Quem foi Dona Anita?

Ela era Anna, Anita ou simplesmente Dona Nita, a dona do sítio verdejante no coração de Custódia. Um verdadeiro oásis. Quantos de nós custodienses temos boas lembranças desse lugar?

Eu fui criada por ela, e esse sítio foi o cenário de minha infância. 

Ora, o futuro não pode ser construído com o custo de apagar o passado. Mormente quando é perfeitamente possível que ambos sejam preservados.


Dona Nita com Jorge Remígio e Jussara Burgos

A linha do tempo é perene, é contínua. Estamos aqui porque tivemos aqueles que, mesmo que não lhes saibamos o nome, existiram, antecederam a nós, trouxeram a tocha da tradição até os dias em que nos encontramos; e, por nossas vezes, buscaremos carregar essa tocha com louvor para entregá-la às gerações vindouras – e todo esse estradar tem importância para nossa vida, nossa história, nossa descendência. 

Não há necessidade de negá-lo, não há por que plantar ingratidão quando somos todos filhos da mesma terra.

Dona Nita presenteou Custódia com cinco filhos: Maria Eunice, José, Claudionor, Maria Dulce e Murilo. Todos pessoas honradas. Muito moça, tornou-se viúva, vivendo o restante dos seus dias de maneira irrepreensível, com altivez e dignidade, a ponto de merecer a póstuma homenagem que lhe dedicaram os custodienses.


Maria Dulce, filha de Dona Nita, com Jussara, no início de 1954

Quando o sítio foi vendido, o prefeito assumiu o compromisso de preservar o local e manter seu nome: Sítio de Dona Anita.

Agora, intentam trocar-lhe o nome.

Nada tenho contra José Esdras, pelo contrário; minha mãe foi amiga de infância de Dona Dondon, e meu irmão mais velho, Arnaldo, era irmão de leite de Zé Esdras. Como se vê, nossas famílias têm raízes profundas e entrelaçadas. É evidente que meu amigo Zé Esdras merece ser homenageado. No entanto, não posso deixar de registrar meu sentido protesto por ver a memória de Mãe Nita ser apagada, a lembrança de personagem tão cara afetivamente aos custodienses ser desfeita.

Ademais, o que Zé Esdras tem a ver com aquele lugar? Há, decerto, um tanto de locais – ruas, praças, avenidas – que muito seriam honrados com ter-lhe o topônimo dignificando-lhe, sem precisar privar esse local específico do nome que a história e a urbe já consagraram.

Prefeito por tantas vezes, certamente fez e faz por merecer tantas justas homenagens.

Deixo aqui meu protesto e meu apelo para que essa iniciativa seja revista, e Custódia possa homenagear seus filhos e filhas diletos sem criar ruídos desnecessários – que essas iniciativas possam plantar apenas a alegria e o reconhecimento no coração de todos os que amam esta cidade e seu povo valoroso. Que a história seja, sempre, preservada. 

Texto:

Jussara Burgos

27 dezembro, 2024

Quem foi Dona Nita - por Jorge Remígio


Dona Nita


O seu nome era Ana Pereira de Sá. Na intimidade familiar a chamavam de Anita, mas ficou mesmo conhecida na cidade como Dona Nita. Nasceu em Vila Bela, hoje Serra Talhada, no dia 25 de julho de 1900, e faleceu em Custódia no dia 11 de outubro de 1963, com 63 anos de idade. 



Dona Nita no dia do seu casamento em 1918.

Aos 18 anos, contraiu núpcias com Antônio Remígio da Silva, oriundo de Monteiro, Paraíba, no dia 31 de outubro de 1918. Este era construtor e edificou vários prédios em Custódia. 



Filha de Cassiano Pereira da Silva e de Ana Pereira de Sá, conhecida por Naninha. Ficou órfã de mãe muito cedo, aos seis anos de idade. Juntamente com os irmãos, Manoel Cassiano Pereira de Sá (pai de Noême Sá), José Cassiano Pereira de Sá, e Maria Dolores Pereira de Sá (mãe de Zé Burgos), foram criados pela avó materna, Epifânia Auzéria Mariano de Sá. 

O filho da sua avó, Joaquim Pereira de Sá, conhecido por Quinca Sá, foi residir em Custódia, ainda no século XIX. Casou-se com Maria Augusta do Amaral, Dona Manoca, primeira professora da então vila, a qual era filha do Capitão Chico do Amaral da Fazenda Várzea Grande. 


A esquerda Genário Pereira, sobrinho, José Remígio (filho), Claudionor Remígio (filho), Maria Dulce (filha), Maria Eunice (filha), Zé Burgos (sobrinho) e por trás, Antônio Pereira Burgos (sobrinho)

Por volta de 1915, a família foi residir em Custódia. Após Dona Nita se casar, adquiriram um sítio na parte baixa da vila de Custódia, local que ficou popularmente conhecido por Várzea. É de bom alvitre observar que, várias famílias que ajudaram e contribuíram para o crescimento da cidade, são oriundas de outras cidades pernambucanas e também de outros estados. 

A título de referência, Dona Nita era prima de Maria Josefina Gomes de Sá, conhecida por Dona Maria de seu Ernesto, mãe de Ernestinho, Gracinha, Zito e Zezita Queiróz. Prima também de Luiz Epaminondas Nogueira de Barros, pai de Luizito, João Bosco, Terezinha e mais irmãos. 



Dona Nita com os filhos, Dulce, Murilo, Maria Eunice e a sobrinha Noême Sá.

Ficou viúva aos 39 anos, no dia 30 de agosto de 1939, criando com dignidade e muito zelo, os filhos, ainda menores de idade, Maria Eunice Remígio, José Remígio, Claudionor Remígio (pai de Jorge, Antônio, Jânio, Sérgio, Eliane e Ana Cláudia Remígio), Murilo Remígio e Maria Dulce Remígio. 


Dona Nita colhendo algodão em seu sítio.

Fez-se necessário essa breve informação de dados familiares, porém, considero que o grande legado que Dona Nita deixou para a cidade, foi a água. Sim, ela junto ao esposo, concederam à prefeitura no início da década de trinta, o fornecimento da água vindo de um cacimbão em seu sítio, e levada por canos até o chafariz público, prédio que, até pouco tempo, ficava na Rua João Veríssimo em frente do atual mercado público. 

Essa água, fundamental para a população custodiense, foi cedida gratuitamente para a prefeitura, a qual era distribuída a preço simbólico às pessoas que conduziam em latas na cabeça ou em galões nos ombros, para abastecer as residências da cidade. As carroças de tração animal só apareceram no final da década de sessenta. Essa água foi fornecida à população de Custódia por mais de quarenta anos, pois a água encanada na cidade foi inaugurada em outubro de 1971, na administração Sílvio Carneiro. 

Achei pertinente escrever esse texto, para informar a população da minha cidade, principalmente as gerações mais recentes, quem foi Dona Nita. Explicito também, que nenhum parente interferiu, pediu ou requisitou o seu nome no parque que ora inaugura-se. Foi uma decisão espontânea do gestor público municipal. 



Foto de 1983, quando o sítio foi vendido para Prefeitura de Custódia

O que me espantou foi o contrassenso na mudança brusca e repentina do nome do parque por parte desse poder, o que caracteriza-se uma total desconsideração aos familiares de Dona Nita. Não estou aqui discutindo o mérito da pessoa de José Esdras de Freitas Góis, amigo saudoso que sempre estimei desde a remota infância e sem sombras de dúvidas merecedor de muitas homenagens em nossa cidade por tudo que contribuiu, mas a forma que foi usada nessa homenagem. Já que vão mudar o nome do parque, que coloquem o nome de José Esdras de Freitas Góis, porque Zé do Povo é uma marca de campanha política.

Autor:
Jorge Farias Remígio, 
neto de Dona Nita.


21 dezembro, 2024

Tambaú Futebol Clube - Década de 80


Acervo : Nadilson Santos


Em pé:

Derni, Everaldo "Nen", Jorge Amador, Jailson Simões, Gerson, Nadilson, Marcos Ferraz, Marcos Ramalho e Mauricio.

Agachados:

Luciano "goiaba", Neto (in memorian), Valdemir, Damião do Bandepe, Jailson pequeno, Francielho Sobreira e Silvio Jader 

02 dezembro, 2024

Comunicador Cleber Santos: Uma das vozes inconfundíveis da comunicação de Pernambuco

O locutor e Marketeiro Cleber Santos.


A Voz de Custódia que Transforma Informação e conteúdo em mídia e divulgação.
Hoje vamos conhecer a Trajetória de um dos nomes da comunicação de Pernambuco.

INÍCIO 

Na pequena cidade de Custódia, localizada no coração do Pernambuco, um nome se destaca no cenário da comunicação e do marketing: Cleber Santos. Jornalista, locutor e especialista em marketing, Cleber tem desempenhado um papel fundamental na disseminação de informações e na promoção de eventos, contribuindo significativamente para a cultura e o envolvimento da comunidade.

Em meados de 1997 iniciei minha carreira como sonoplasta da rádio Comunitária Panorama fm, em 1998 tive a oportunidade de fazer rádio anunciando apenas a Hora certa. Meses depois de a oportunidade de iniciar um programa de madrugada, um ano depois eu entrei para a grade oficial da rádio ficando no ar em primeiro lugar durante nove anos. No ano 2000 eu tive a oportunidade de fazer propaganda em carro de som em um bloco de carnaval intitulado: Uga-uga, um ano e meio depois eu comprei o meu próprio carro e montei meu carro de som, já já estou estou no ramo de carro de som, mensagem ao vivo, propaganda volante locutor de eventos, mestre de cerimônia, há aproximadamente 24 anos, já tive a oportunidade de apresentar vários artistas renomados, entre eles Aviões do Forró, Zezé Di Camargo & Luciano Eduardo Costa, Elba Ramalho, Claudia Leitte e muitos outros.

Trajetória 

Com uma carreira que se estende por mais de uma década, Cleber Santos iniciou sua trajetória como jornalista em emissoras locais, onde rapidamente se destacou pela clareza e pela relevância de suas reportagens. Sua paixão pela comunicação o levou a se tornar locutor de rádio, onde sua voz se tornou familiar para os habitantes da cidade. Através de programas que vão desde notícias a entretenimento, Cleber criou uma conexão única com seu público, utilizando sua plataforma para levar à tona questões sociais e culturais que afetam Custódia e seus moradores.

UM POUCO MAIS 

Além de seu trabalho na rádio e no jornalismo, Cleber também é reconhecido por sua expertise em marketing. Ele tem ajudado diversas empresas locais a aprimorar sua presença no mercado através de estratégias inovadoras e campanhas bem-sucedidas. Sua abordagem centrada no cliente e sua compreensão das dinâmicas locais têm permitido que negócios pequenos e médios se destaquem, gerando mais empregos e fortalecendo a economia da cidade.

Em entrevistas, Cleber destaca a importância da informação de qualidade e do marketing ético como ferramentas poderosas para a transformação social. “A comunicação vai além de informar. É sobre criar diálogos e conexões que possam levar a mudanças reais”, afirma. Ele também se envolve ativamente em projetos comunitários, incentivando a participação dos jovens na mídia e proporcionando oportunidades de aprendizado e crescimento.

PREMIAÇÃO 

Com um futuro promissor pela frente, Cleber Santos continua a inspirar não só aqueles que desejam seguir carreira na comunicação, mas também toda a comunidade de Custódia, que se beneficia de sua dedicação e visão. Sem dúvida, sua trajetória é uma prova de que a paixão, aliada à determinação, pode realmente fazer a diferença.

Em 2024 Cleber recebeu mais um renomado prêmio de destaque na área de comunicação, como locutor,  publicitário e apresentador de eventos.

Publicado originalmente em Revista Meu Sucesso, clique aqui

Tambaú conquista o Prêmio Carrinho de Ouro 2024



É com muita alegria que compartilhamos esta notícia! A Tambaú Alimentos foi a empresa homenageada na categoria "Fornecedor Indústria Regional", no Prêmio Carrinho de Ouro 2024, por seu comprometimento com a modernidade industrial e o desenvolvimento da região.

Além disso, o evento marcou a comemoração do Dia Nacional do Supermercado e dos 50 anos da APES, a Associação Pernambucana de Supermercados. Uma noite especial para todos os envolvidos, inclusive nós, da Tambaú.

Na solenidade, fomos representados pelo presidente Hugo Gonçalves, Raissa Gonçalves (executiva de marketing), Maura Gonçalves (diretora administrativo), Irla Gonçalves (engenheira de processos), Matheus Gonçalves (advogado), Hudson Coelho (gerente regional de vendas), Jaldir Lima e Diogo Lima (representantes comerciais).

08 novembro, 2024

Homenagem ao meu Pai, Né Marinho de Custódia - (por Vanise Rezende)


Ester Marinho e Né Marinho

Retalhos... Recortes de uma memória rachada nas secas ventanias do tempo, areia difusa de uma saudade iluminada de alegrias. 

As doçuras simples de um tempo sem televisão e sem o toque frequente do Whats App. Não carecia ter o olhar atento ao celular carregado de informações sobrepostas na ligeireza dos raios fortes do Sertão, quando anunciam trovões e chuvarada.

Ele era escrivão no cartório que herdara de meu avô, em Custódia, região do rio Moxotó, a sua e a minha terra natal. Aqueles livros enormes com escritas à mão de caneta tinteiro. Ainda conservo a sua Parker de tampa dourada, ao lado do dedal que minha mãe Ester usava para consertar as roupas dos sete filhos que vieram. Eu, a segunda filha. Quando nasci, ele não veio logo me saudar porque esperava o filho homem que antes não chegara. A alegria tranquila de minha mãe nos cuidados do dia-a-dia. "Seu Né", o chamava. Ele era Manoel, e tinha uma assinatura de dar inveja a qualquer um de tão bonita e rebuscada.

Manoel Marinho vestia-se de terno de linho branco e gravata sempre. O calor não o impedia, mesmo se àquele tempo não houvesse ventilador, quanto menos ar refrigerado. A única mudança era o “guarda pó” sobre o traje, quando viajava de trem até Pesqueira onde estudávamos.

À hora do almoço a mãe mandava um dos filhos buscá-lo, pois havia antes a cerveja gelada com os amigos. A geladeira era peça rara, mas havia uma no bar que por algum tempo fora seu. O almoço devia estar servido à sua chegada, as crianças e a mãe ao redor da mesa. Ele, o primeiro a ser servido. Era gentil, Seu Né, mas exigente, e usufruía bem o lugar que a cultura de então dava aos homens. A obediência dos filhos era coisa sagrada. Como era sagrado fazê-los estudar, mesmo que lhe tivesse custado deixá-los ficar no internato, em Pesqueira, para os primeiros anos de estudo. 

Mais tarde viemos todos residir no Recife. Ele já aposentado. Não sabia que sua vida seria tão longeva, pois só nos deixou meses antes de completar cem anos. Nascera abrindo o século XX, em 1902, e partiu à chegada do novo século, em 2002. No fim da vida, o que mais desejava era saber se os filhos estavam desenvolvendo bem a profissão que haviam escolhido. Sorria feliz quando, ao seu lado, eu lhe contava – com os contornos que a veracidade me permitia – as conquistas de cada um e cada uma. E repetia tantas vezes ele quisesse ouvir, para me dizer em seguida: “Cumpri meu dever”.

Nessas rememorações, a minha gratidão imensa ao meu pai. Especialmente por ele ter apoiado uma das mais importantes decisões de minha vida. 


Vanise Rezende

Ainda jovem – depois de ter participado de um Congresso na Europa, (minha primeira viagem internacional), resolvi permanecer na Itália, integrando-me ao Movimento dos Focolares. Ele impôs uma só condição. Que eu o fizesse saber da minha inscrição na universidade. E foi, talvez, a convivência com as “escrituras” do cartório que me levaram à faculdade de comunicação e jornalismo.

Desejo imenso  de voltar a Custódia para rever cada detalhe e, quem sabe, encontrar a sombra de uma Algaroba num lugar qualquer, que me traga de volta a leveza e a graça da infância que lá vivi. 

A antiga casa de meus pais foi desfeita na pressa do tempo, mas o chão que pisei nas ruas da cidade ainda será o mesmo, e os amores da menina adolescente, que um dia fui, serão relembrados naquela nova paisagem sertão. 

Ali, quero ser uma presença feliz, e reavivar entre amigos – os poucos que ainda encontrarei – a presença de Ester e de Seu Né, que viveram seus tempos de encantamento naquela cidade, como os vivi também eu nos tempos da adolescência.  

(*) Texto publicado originalmente no BLOG ESPAÇO POESE, de Vanise Rezende. Para acessar, CLIQUE AQUI

Joaquim Pereira - "Um velho farmacêutico" (por José Carneiro)


Joaquim Pereira da Silva
* 10/03/1902 (Sertânia)
+ 25/07/1972 (Custódia)

Joaquim Pereira da Silva, farmacêutico licenciado pelo Departamento de Saúde do Estado, casado com Corina Marques Pereira, foi uma personalidade marcante na história de Custódia. Era um homem de tempera e Ação. Inteligente, dinâmico e social. Não perdia de vista o Chernovis (Dicionário de Medicina Popular e das Ciências Acessórias) usado pelas famílias, importante na divulgação do conhecimento e práticas medicinais nos meios Rurais. Único maçom do município, tinha a Maçonaria como centro de sua vida. Moscoso, por pertencer a ordem Rosacruz, com grande afinidade com a Maçonaria, tornou-se amigo dele.

Os dois se encontravam com frequência e decorriam bastante em torno das bases filosóficas das confrarias aqui pertenciam. Às vezes chegavam a se estranhar, cada um puxando a brasa para sua sardinha, isto é, cada qual defendendo a primazia da sociedade sobre o ponto de vista social e doutrinário. Joaquim Pereira, como um bom "pedreiro" de compasso e esquadro na mão, sabia como conservar as duas colunas que sustentavam as obras do Grande Arquiteto Do Universo.

A Farmácia Pereira era das maiores do interior do Estado por possuir único rádio da cidade, todas noites se enchia de gente para ouvir o Repórter Esso, com as últimas notícias da Segunda Guerra Mundial e, às segundas-feiras, assistir ao programa de Jararaca e Ratinho, de audiência Nacional.

O casal teve um filho caçula, Arnaldo Pereira Sobrinho, morto prematuramente, o que deixou a sua mãe inconsolável e sofrendo a dor da separação por muito tempo, só vindo a se conformar com a chegada do neto Arnaldo Pereira Burgos, filho de Zé Burgos e Noêmia Pereira., pois nele via o filho renascido.

Do consórcio houve ainda os filhos José Pereira Neto, Pedro Pereira Sobrinho, Noêmia Pereira e Joana Pereira, mais conhecida como "Joany" Pereira, todos os meus diletos amigos.

Um feito do engenhoso farmacêutico, que despertou a atenção da comunidade, foi ele ter naquela época sem meios adequados, ensinado a um sobrinho mudo e surdo, a ler, escrever e a contar. O povo exagerava dizendo que ele havia ensinado o mudo a falar.

Joaquim Pereira era um farmacêutico competente, inclusive se sobressaindo na área de manipulação. Gostava de ler e era enfronhado nos compostos gregos e latinos.

Para Joaquim Pereira, o nosso alfabeto, como quase tudo o mais, terminava na letra "G".

(*) Texto faz parte do livro A BARAÚNA (PROVAS E VERSOS), página 123-125, de autoria de JOSÉ CARNEIRO DE FARIAS SOUZA, lançado em 2015, em Recife pelo autor.