13 novembro, 2023

Câmara Municipal de São Luis-MA convida à todos para entrega de título a Jânio Nunes Queiroz



Conforme já noticiado, o Advogado custodiense Janio Nunes Queiroz, receberá no próximo dia 21 de Novembro, o Título de Cidadão de São Luis. O Presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Vitor, convida à todos para Sessão Solene, para entrega, que acontecerá no Plenário Simão Estácio da Silveira, do Palácio Neiva de Santana, às 15h. A homenagem foi proposta pelo vereador Thyago Freitas, através do Decreto Legislativo Nº 017/2022.



Leônia para Célia Barros


Célia,

Você não imagina quantas lembranças guardo da época em que fomos vizinhas. Não sei se você sabe, mas sua mãe era minha madrinha de fogueira (naquele tempo, madrinha de fogueira era tão importante quanto de batismo). Tinha por ela muito respeito e um imenso carinho que, até hoje, guardo em meu coração. Quando ela ficou doente, chorei muito e fui visitá-la (salvo engano), naquela casa que era de D. Rosa Góis. Lá, ela me disse que quando eu fosse casar faria o meu vestido de noiva… Ela conversava com mamãe sobre muitas coisas. Falava de todos os filhos com muita alegria.

De todas as lembranças, uma que está muita viva em minha mente é voz rouca de Madrinha Maria cantando “meu coração, não sei porque bate feliz quando te ver”.

Seu Anfilófio Feitosa também era uma pessoa extraordinária e um bom vizinho, como dizia papai. Uma vez, chovia muito, estávamos em casa, envolta de Lucinha que lia a estória da “gata borralheira”, como fazia sempre. De repente, um relâmpago clareou toda a rua, provocou a falta de energia e em seguida um trovão tão grande que nós começamos a gritar desesperadamente. Seu Anfilófio chegou imediatamente, trazendo vela e fósforo para alívio de todos nós. Eu morria de medo de relâmpago e trovão.

Quanto a você, lembro que discursou num comício de mulheres, na primeira campanha de Prefeito de Luizito. Em sua fala citou o nome de Gal Costa. Não me recordo de todo o texto, apenas dessa parte. Também já recitei (em 11 de setembro) uma poesia de sua autoria e que agora peço licença para em breve, enviá-la ao Blog.

Bem, a música a qual você se refere no comentário sobre os velhos carnavais é assim:

Juá, juá, Joaquina teu nome lembra o juá!
Teu nome é um convite Joaquina
Para nós irmos pra lá pro juá
Tira o juá do teu nome Joaquina
Ele não serve pra mim
É que o juá só não dar pra enjoar
Quando tem quina no fim
É que o juá só não dar pra enjoar
Quando tem quina no fim.

Um abraço e obrigada por trazer de volta boas lembranças.

Leônia Simões
onisimoes@hotmail.com

11 novembro, 2023

O céu hoje está em festa, né papai? por Maritônia Bezerra



O céu hoje está em festa, né papai?

E nós aqui só com a saudade e a memória de tão poucos momentos vividos juntos, pois sua partida foi tão precoce. Foram quatro dias de esperança ao seu retorno pra casa, de tristeza, sofrimento, uma angústia enorme. Os quatros filhos, muitos novos só percebíamos a tristeza nos olhos de mamãe e não entediamos quase nada, só que o senhor estava no hospital e cada notícia que chegava a dor aumentava. Nossa casa papai, naqueles quatro dias de espera nunca foi fechada a porta, pois não faltava gente pra saber notícias do senhor.

Hoje, entendemos o quanto o senhor tinha amizade, e quanto as pessoas gostavam do senhor (mesmo falando alto, como ouvi recentemente). O senhor, falava alto contando suas histórias pois conosco muitas vezes falava com os olhos para nos reclamar de qualquer coisa, e quando abria a boca pra falar com a gente era baixinho, cantarolando e expressando amor.

O tempo, foi tão curto entre a gente mais tão cheio de amor. Que mesmo depois de 37 anos de sua partido eu ouço a sua voz falando de amor! Gostaria muito de hoje estar fazendo seu bolo, comemorando seus 93 anos, mas Deus preferiu que essa comemoração fosse lá com Ele!

Te amo muito e gostaria de poder comemorar essa data com a presença do senhor! Em breve, comemoramos em grande estilo!
 
Por Maritônia Bezerra (filha)






Antônio Cavalcante de Souza, conhecido como Antônio Noé. Filho de Rosa Teixeira de Souza e Manoel de Abreu Cavalcante. Nasceu em 08 de Novembro de 1930, no povoado de Mata Verde, município de Tupanatinga-PE. Teve nove irmãos, desses nove, ficaram apenas dois, ele e uma irmã. Família grande e tradicional naquela região. Perdeu o pai muito novo. No ano de 1980 perdeu a mãe e com seis meses a irmã.

Era Agricultor, mesmo analfabeto, dominava bem a matemática nos negócios. Além de negociar, o que mais gostava de fazer era: caçar e contar suas estórias. Poucos dias antes de falecer, tinha ido uma caçada junto com seus primos de Tupanatinga, numa fazenda que pertencia a Luizito, na região de Betânia.

Foi casado com Josamira Bezerra de Souza (Pretinha). Teve quatro filhos: Rosa Mércia, Maritônia, Gabriela e Manoel Alcides ( Cidinho).

Faleceu em Custódia em 13 de Outubro de 1986.

10 novembro, 2023

Tambaú representa Pernambuco na maior feira da indústria alimentícia na Alemanha


 
A edição 166 da Revista Movimentto, tem como destaque, a participação da Tambaú Alimentos na Anuga 2023, evento realizado em Colônia, na Alemanha, no mês de outubro. Além de reunir profissionais, empresas e especialistas de todo o mundo para impulsionar o setor com foco em inovação, tecnologias, novos produtos e tendências, o evento também revela as principais tendências de mercado na indústria global de alimentos e bebidas.

A Anuga ocorre a cada dois anos e este ano está com o tema “crescimento sustentável”. A feira é reconhecida como uma das maiores da indústria de alimentos e bebidas do mundo, cobrindo dez setores temáticos: produtos lácteos, carne, bebidas, confeitaria, produtos frescos, alimentos congelados, alimentos orgânicos, serviços de catering, tecnologia e embalagem. Foi esperados 150 mil visitantes de todo o mundo durante todo o período da feira.

"A participação nesta feira foi muito interessante, pois é uma das maiores feiras no mundo no setor de alimentos, por isso foi uma experiência enriquecedora. Tivemos oportunidade de conhecer as tendências de mercado, para onde o mundo da indústria de alimentos tá seguindo, fazemos vários contatos, não com clientes, mas possíveis fornecedores, já que estavam presentes do mundo todo. 94% dos expositores, eram de outros países. Foi interessante constatar as novas tendências para o consumo de carne, rótulos limpos com informações se o produto tem gordura ou sal. Produtos saudáveis a base de plantas. Com isso podemos avaliar o que podemos futuramente aplicar em nossa empresa." destacou o Gerente comercial Igor Gonçalves. 

"Participar da Anuga 2023 foi uma grande honra e um momento de muito aprendizagem. Tive a oportunidade de conhecer as novas tendências do mercado e também conhecer marcas de outros países." complementou Raíssa Pessoa, analista de marketing da Tambaú. Estiveram ainda presentes ao evento, Hugo Gonçalves e Francisca Melo, respectivamente Diretor Presidente e Diretora Industrial da empresa.

Neste ano, de acordo com os organizadores, a feira conta com a participação de mais de 7 mil expositores de cerca de 100 países. Do Brasil, são 254 empresas distribuídas entre seis pavilhões organizados pela a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Outro momento importante no evento, foi a inauguração do Pavilhão Brasileiro onde são realizadas as negociações para expansão de negócios internacionais, conquista de novos mercados e a exposição e promoção de produtos. Da participação brasileira, são esperados uma estimativa de cerca de US$ 3,5 bilhões em negócios, entre acordos de venda imediatos e contratos futuros.

Distrito de Caiçara


Características do Povoado Caiçara

No século XVIII, uma família “Rodrigues de Melo” descendentes de católicos, vindo do Rio Grande do Norte, estabeleceu-se aqui como donos destas terras que chamava-se “Logradouro“. Esta mesma família elevou o nome das terras à Fazenda Caiçara.

Construíram uma capela e colocaram como padroeiro o Sagrado Coração de Jesus e em12/03/1980 o Padre Josef Butheniez celebrou a 1ª missa e só em 11 de setembro de 1984 o Decreto:

“Toda área denominada fazenda Caiçara fica considerada Perímetro Urbano“. Caiçara hoje se destaca como um dos povoados que serve de cartão postal para o nosso município. Entre os prédios públicos destaca-se: O Espaço Cultural que é o mais belo e acolhedor da região. Caiçara também conta com um Centro Vocacional que é modelo no sertão pernambucano.

Em Caiçara, a água que abastece a população é proveniente de um dos poços, localizado na Fazenda Porteiras. A principal escola do distrito é a Luis Crispino Bezerra. A maior parte das escolas funciona no turno da tarde. Aqueles que querem dar continuidade aos estudos (5ª série em diante) são obrigados a se deslocarem para Custódia. Caiçara apresenta uma área urbanizada, formada por uma via dupla calçada, praça, igreja, posto de saúde, espaço cultural, escolas, “vendas” e casas, além de um dessalinizador.


Apresenta uma área de 104 km². O acesso pode ser feito pela BR-232 até a sede municipal e daí percorre-se pela PE-312, cerca de 20 Km na direção sul.

O distrito participa do projeto “Conhecendo e Mobilizando o Social no Moxotó IV“, programa de Água Subterrânea para a região Nordeste, desenvolvido pela PROASNE, fruto de uma cooperação técnica firmada entre o Canadá e o Brasil desde 1999 com vista a transferência de uma tecnologia para a captação de água subterrânea, perfuração de poços no semi-árido, bem como o tratamento de água promovendo o processo de dessalinização no Nordeste do Brasil.

Professores e alunos do curso de Serviço social da UFPE estão engajados com a população residente na região de Samambaia, Caiçara e povoados de Fazenda Nova e Salgado, localizados em nosso município, assumiram o trabalho social tendo como objetivo: a sistematização do conhecimento local a respeito das potencialidades no semi-árido nordestino; criação de condições para a participação comunitária na implementação de projetos alternativos ao uso, beneficiamento, preservação e gestão da água; fomentação e/ou reforço do associativismo local ampliando os padrões de sociabilidade, equidade de gêneros e o empoderamento social.


09 novembro, 2023

Sport x Santa Cruz - Uma rivalidade no futebol custodiense em 1971


Sport Custódia

 Texto: Jorge Remígio
Recife/PE
Novembro/2023

O time do Sport Custódia foi fundado por Dr. Pedro Pereira no ano de 1971 ou início de 1972, ano em que o Carneirinho foi inaugurado na administração Municipal de Sílvio Carneiro. Vale informar que o terreno foi doado pelo senhor Pedro Mariano de Rezende, que era uma pessoa apaixonada pelo futebol. O Sport era um bom time, fazendo parte do seu elenco, grandes jogadores. Os irmãos Eli e Elione, Brasília, Evaldo, Zezinho, Luciano, Baiá e outros. Mas, como não podia comportar todos os jovens que gostavam de jogar, Ferdinando Feitosa criou o time do Santa Cruz no ano de 1972 ou início de 1973. Todos esperavam um jogo entre esses dois times, porém, nunca existiu. Dr. Pedro foi irredutível na posição de nunca haver esse confronto. A disputa poderia causar rivalidade descambando para violência. Não sei se chegaria a isso, mas a resenha era grande. 

 


Santa Cruz

Em pé: Urbano Rafael, Josa PRF, Jorge Remigio, Ferdinando Feitosa, Nego, Ruidegar, Elione, Dadá.
Agachados: Zezinho de Diva, Bartolomeu, Evaldo, Eli Agente, Fernando Vitor e Zé Esdras.

Esta foto do Santa Cruz, tem alguns jogadores do Sport. Eli, Elione, Evaldo, Urbano e Zezinho Freire. O jogo foi em julho de 1973 contra o time da cidade de Floresta e o placar foi um empate de 3 x 3. Um detalhe importante. Quando o Santa Cruz foi retribuí a visita e jogar em Floresta no domingo seguinte, os jogadores do Sport não foram cedidos. Saímos muito cedo para Floresta, e em Betânia foram convocados dois jogadores para completar e fortalecer o elenco. Zé Américo, o qual foi jóquei ainda criança nos prados de Custódia, e o segundo jogador não lembro o nome, mas, no futuro veio a ser o sogro de Val que foi prefeito de Betânia. O time todo improvisado era quase impossível ganhar do time de Floresta em seu campo. Resultado do jogo. Santa Cruz de Custódia 2 X 0 Floresta. Tudo deu certo. Outro detalhe. Na ida e na volta, abrimos e fechamos mais de vinte cancelas. Coisas do futebol.


América de Sertânia


Comentários:


Ferdinando, Zezinho, Luciano, este era o timaço do América de Sertânia na década de sessenta. Rivalizava com o Sport que era outro grande time. Joaquim Belo (Quinca) é o quarto da esquerda para direita. Eu passava minhas férias escolares em Sertânia na casa da minha tia. Assisti muitos jogos de nível elevado. Grandes jogadores tinha naquela liga. (Jorge Remígio)

Jorge, tudo muito bem lembrado...apenas as datas....o jogo que recebemos Floresta foi em janeiro de 1972 (tenho certeza)  Agora o jogo da volta eu não lembro mas creio que foi em 72 também. Então o Santa Cruz foi criado também em 71. Inclusive acho que essa foto foi do dia do jogo com Floresta - 1a quinzena de janeiro de 1972. (Célia Barros)

08 novembro, 2023

Professora Marinalva Silva e seus alunos levam literatura e poesia para Praça Padre Leão em Custódia


 
Por Juliano Oliveira


A Praça Padre Leão ganhou ares novos, diferente do cenário cotidiano de cidades desenvolvidas, de pessoas apressada e do trânsito bastante movimentado ao seu redor. No mês de outubro, onde a professora efetiva da rede municipal de  ensino de Custódia, junto com seus alunos transformaram a praça pública em um ponto de encontro de futuros escritores na área da poesia, onde a poesia e a literatura, onde a professora da rede municipal de ensino, juntamente com os seus alunos e todos aqueles que pararam pra prestigiar foram as grandes estrelas. O evento educacional marcou as comemorações ao Dia Nacional da Poesia, celebrado em 31 de outubro.Quem passava na nossa Praça Padre Leão se emocionava com o trabalho educacional cultural apresentado.


O trabalho pedagógico teve a participação dos alunos da Escola Municipal Maria Augusta, turma da professora Marinalva Silva. Os estudantes participaram desse emocionante momento cultural, onde meninas e meninos declamaram poesia e leram textos para todos que passasse pela Praça Padre Leão. Os estudantes venceram a timidez e compartilharam suas poesias favoritas dos seus poetas prediletos.  

Publicado Originalmente: Diário Político Custodiense

07 novembro, 2023

Primeira Turma de Magistério em 1976


Foto: Maria do Socorro Santos

Em 1976, o Colégio Municipal Ernesto Queiroz formava sua primeira turma de Magistério, anteriormente esses estudantes tinham aulas na Escola Maria Augusta, situada na Rua João Veríssimo. A oradora da primeira turma, foi a professora hoje aposentada, Maria do Socorro Santos. A diretoria da época, era formada por Terezinha Queiroz (foto com microfone), Dr. Pedro Pereira e Gracinha Queiroz. Ainda na foto publicada, temos a presença Lourinho Belarmino.


Algumas das professoras que concluíram o Magistério naquele ano: Socorro Rezende, Socorro Melo, Margarida, Cicera Sousa, Marli, Gorete, Salomé, Geralda, Magali, Socorro Freitas, Cecy, Neuza, Lurdinha de Ermírio, Elza, Lurdinha irmã de Neuza, Elza, Salomé, Quitéria, Socorro Melo entre outras professoras.


Rosa Alves Góis - In Memorian




Dia 22 de julho de 2012, Custódia recebeu o corpo para sepultamento em sua terra querida de Dona Rosa Alves Góis, vindo de Mato Grosso, onde morava com sua filha Lúcia Góis. Dona Rosa por décadas, dedicou-se a educação, inclusive de minha época de criança e adolescência, na Escola General Joaquim Inácio, como diretora. E no Colégio Municipal Ernesto Queiroz, antigo Padre Leão, nossa mestra dedicada a nós alunos e aos filhos Lúcia e Luciano. A eles o nosso abraço e nossas condolências estendidas aos familiares.

Por Vanuzia Bezerra

Há 12 anos, Fernando Florêncio recebia prêmio da Academia Limeirense de Letras de Limeira-SP

 


O custodiense Fernando Florêncio foi laureado em 2011, com um certificado LITTERARE EX CATHEDRA, prêmio  ALLe - Reconhecimento Literário, pela indicação a Academia Limeirense de Letras, pelo livro FOI ASSIM. A indicação foi feita por Francisco Alves, outro custodiense (radicado em Limeira-SP), membro da Câmara Brasileira de Cultura em São Paulo. 

06 novembro, 2023

Numeriano Blandino - "O espirituoso"

 



Fernando Florêncio

Ilhéus/Bahia,
de todos os Santos, todos os Deuses e todos os Orixás.

31 de Outubro de 2023.



Numeriano Blandino tinha como característica uma magreza extrema, assim como seus irmãos, Jose e Dedé Blandino. Podia-se dizer, sem medo do trocadilho, de que “trambos” eram extremamente magros.

Sr. José Blandino, era funcionário da prefeitura e feitor – uma espécie de faz tudo - no Grupo Escolar General Joaquim Inácio – Sua esposa, D. Julia, (?) esmerava-se na fabricação de pirulitos de açúcar que o Telmo, um dos inúmeros filhos do casal, saía a vender pela cidade numa tábua toda cheia de furos. Já as cocadas, de coco, naturalmente, eram vendidas num tabuleiro que uma das filhas carregava equilibrado na cabeça. Era uma festa para se vender os pirulitos e cocadas na época da romaria do Padre Cícero, quando uma infinidade de caminhões “Paus de Araras” faziam uma parada para almoço em Custódia. Detalhe: os filhos de Zé Blandino vendiam os pirulitos e as cocadas acompanhados de um copo de água grátis. Um segundo copo de água de pote, quente e barrenta, era cobrado em separado. Por fora. Água servida de uma moringa "quartinha" de barro, gentilmente cedida por “Zabé” de Cândida, dona do hotel onde a “romeirada” almoçava e fazia as demais necessidades. Muitos romeiros carregavam sua própria refeição num amarrado de pano. Normalmente farinha, rapadura e um pedaço de ceará (charque). Esses almoçavam sentados na calçada do hotel. Usavam a sombra do passeio do prédio. Um único caneco de alumínio com uma asa (alça) lateral era usado por todos. Alguns romeiros mais preocupados com a higiene, pegavam o caneco usado, jogavam um pouco d água, chacoalhavam, aí sim copo estava limpo. Podia ser usado à vontade.

Zé Blandino tinha uma prole muito grande. Mas o destaque era para o Edmundo, que além de jogar futebol e driblar como poucos, era extremamente hábil no jogo de sinucas. O outro filho, Hélio, tinha como profissão sapateiro. Como o irmão Edmundo, também jogava um futebol vistoso e bonito de se ver. Exímio cobrador de faltas. Hélio jogou algumas partidas pelo Sport Club Bandeirantes, de Arcoverde. Chegou a ser sondado para o Central de Caruaru. Chegou até a treinar. O bicho papão da época. Mas a saudade de Custódia falou mais alto.

Dedé Blandino era chegado ao jogo de azar. Vivia disso. Saía pelas cidades nos dias de feira, com o tabuleiro de pano verde, as fichas, os dados e a roleta. Seu ponto principal sempre foi em Custódia, no Bar de Zuca Pinto. Extremamente gago, Dedé se irritava quando estava perdendo. Certa vez, um matuto com toda sorte do mundo, começou a ganhar todas. Dedé, avermelhando-se começou a girar a roleta com toda força. Mesmo assim, o matuto continuava a ganhar. Quando um “peru” aquele intrometido que fica dando palpites, aconselhou:

--Dedé, é melhor parar. Este matuto vai te “quebrar”...Vai quebrar a banca com roleta e tudo. Ao que Dedé respondeu com sua gagueira, vermelho de raiva e levando as mãos ao meio das pernas, encheu as duas mão com o material ali contido, e sapecou:”—Ele quebra “isso” aqui, quanto mais minha roleta.

Dedé ficou uma fera porque o matuto trocou todas as fichas, recebeu o dinheiro investido, mais o ganho, saiu dando risada e agradecendo porque ia levar pra roça uma feira mais volumosa, separou o principal do lucro, tomou uma lapada de “Serra Grande” no bar de Zuca Pinto, e pernas pra que te quero.

Consta que Dedé nunca mais permitiu que aquele matuto se acercasse da sua banca de jogo.

Já o irmão, Numeriano, era um exímio fabricante se silos de zinco, vendidos na feira para acondicionar e guardar cereais. Fabricava-os lá pras bandas do Grupo Escolar General Joaquim Inácio, onde morava. Habilidoso, ele comprava as folhas de zinco brutas, recortava-as e soldava-as entre si numa forma arredondada, tendo na parte de cima um furo com uma tampa que sob pressão, protegia o cereal armazenado. Aquele tambor imenso, similar aos tanques de postos de gasolina, descendo a ladeira do Grupo Escolar às segundas – feiras, identificava que Numeriano estava embaixo. Trazia o Silo na cabeça, apoiado numa rodilha de pano, num equilíbrio de fazer inveja a qualquer artista de circo.

Mas, fiz todo este arrodeio, para chegar a mais “uma” estória, fruto da espirituosidade de Numeriano.

O Sr. Izaías Campos e Dona Feínha, eram donos da concessão da EBCT –Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, família numerosa dotada de uma grande prole entre filhos (Naime, Nacôr e Niraldo) e filhas (Neci, Neide, Niralda e Nilda) Família considerada uma das reservas morais da nossa cidade. Entre eles, apenas um tinha o nome que não começava com “N”. Era conhecido como Zé de Izaías. Extremamente habilidoso na área de mecânica, tanto que dava assistência técnica aos geradores de luz das cidades de Custódia e Serra Talhada.

Zé de Izaías, apesar de ter um braço amputado, jactava-se de que, um parafuso que ele apertasse, com uma só mão, duvidava que alguém desse mais um aperto de um quarto de volta que fosse.

Zé de Izaías apertou, tá apertado...

Como todos, se não a grande maioria dos rapazes daquela época, sem perspectiva de uma vida econômica que lhes proporcionasse um sustento futuro, “ganhavam” o mundo. São Paulo era o grande objetivo.

Com Nacôr não foi diferente. Partiu de Custodia para novos horizontes em busca de oportunidade de uma vida melhor. Conseguiu alguma ocupação interessante, tanto que só voltou a Custódia depois de algum tempo. Alguns anos, talvez 5, 10, ou mais, em gozo de férias. Retornou à sua terra com aquela postura de quem acertara na escolha e com isto a vida dera uma melhorada. Trajando calça branca boca de sino de brim diagonal bem vincado e camisa ban-lon de gola rolê, assim Nacôr retornou à sua cidade.

Revendo os amigos de longa data, cumprimentando a todos, deu de cara com Numeriano debruçado, pelo lado de fora, no batente de uma das muitas janelas do Bar Fênix, olhando e dando “peruada” numa partida de sinuca. Nacôr reconheceu Numeriano de primeira:

-- Eita Numeriano, quanto tempo! Como vão os negócios? Fazendo e vendendo muitos Silos?

Numeriano olhava Nacôr de cima a baixo, respondia todas as perguntas, mas estranhava quem seria aquela pessoa...(?)

Sentindo a dúvida de Numeriano em reconhece-lo, Nacôr tentou ajudar :

--Numeriano, sinto que você não está me reconhecendo, é natural, pois passei muito tempo fora, mas observe bem..N A C Ô R, homem, NACÔR!!?

--Tô vendo que você é BRANCO, respondeu-lhe o espirituoso e imprevisível Numeriano.

Com o Bar Fênix lotado, quem presenciou a cena, disse que houveram “gaitadas” ouvidas até na “Bomba”.

Feito o reconhecimento, seguiu-se um abraço de 5 ou 10 anos de saudades.





Essa "estória" e muitas outras, constam na Terceira Edição do FOI ASSIM 1, revisada e ampliada, em fase de impressão.



(*) Em tempo: O termo “matuto” ou “matuta” era o nome genérico pelo qual se identificava as pessoas vindas dos sítios e das fazendas, sem nenhuma conotação pejorativa.




04 novembro, 2023

Origem dos Tenórios do Sul - por Luiz Tenório


(*) Matéria exclusiva do Blog Custódia Terra Querida. 

Recentemente foi levantado por um colaborador deste blog um questionamento sobre qual seria a ligação de minha família com Henrique Tenório de Melo, vulto da história de Custódia, dado o lugar de destaque que o amigo Paulo tem generosamente nos dado, estreitando, assim, nossos vínculos com nossa saudosa terra natal. Pois bem, meu nome, Luiz Tenório de Melo, foi escolhido por minha avó paterna, em homenagem ao velho coronel Luiz Tenório de Melo (Dodô). Quando estive visitando Custódia em meados dos anos 90 conheci, somente em Quitimbú, outros seis Luiz Tenório de Melo, todos batizados com esse nome pelo mesmo motivo.

O Coronel Luiz Tenório de Melo, Dodô, era tio de minha avó paterna Maria Tenório de Melo. Foram criados na região de Mimoso-PE, ela era prima em primeiro grau de Henrique Tenório de Melo, filho de Luiz, tendo herdado até mesmo o apelido do pai.

Luiz Tenório de Melo fundou o Distrito de Quitimbú e juntamente com padres jesuítas fundaram Custódia, que recebeu essa denominaçao porque existia no lugar, que era um ponto de boiada e uma pensão, uma senhora de nome Custódia, entretanto existe uma outra versão de que tal nome se deu para homenagear os padres que estavam custodiados, porque estavam fugindo da inquisição. Como se pode verificar, Quitimbú é mais antigo que Custódia, tendo sido sede da Lagoa de Baixo, hoje Sertânia.

O filho mais velho do coronel Dodô, Henrique, tinha seis irmãos, se não me falha a memória, entre homens e mulheres. Foi casado, mas não teve filhos biológicos, adotou alguns, que para ele eram mais que filhos … assim dizia!

Maria Tenório de Melo, minha avó, conforme citei acima, casou-se com Gabriel Ferreira Arcanjo. Deste matrimônio nasceram nove filhos, sendo cinco mulheres e quatro homens. As mulheres são: Maria Tenório Veras (apelidada de Mocinha, apelido que a acompanhou até sua morte em avançada idade!); Solidade Ferreira Cirilo; Rita Tenório da Silva, Antonia Tenório da Silva, já falecida; e Francisca Tenório de Melo, que vive em Afogados da Ingazeira. Os homens são: José Tenório de Melo, foi delegado de polícia em Custódia na década de 40 e comerciante próspero de secos e molhados em Novo Cravinho-SP, distrito de Pompéia, onde faleceu; Antonio Tenório Sobrinho, foi vereador em Custódia na década de 40 e comerciante em Quitimbú, Rosalia-SP e em Cassilândia, sempre no ramo de secos e molhados, assinava sobrinho em homenagem a um tio do mesmo nome; Sebastião Tenório de Melo, falecido em Rondonópolis-MT, onde morava; e Joaquim Tenório Sobrinho, que também assinava sobrinho em homenagem a um tio.

Deter-me-ei com maior acuidade ao último rebento por uma questão óbvia, trata-se de meu saudoso pai. Joaquim foi o primeiro da família a migrar para o sul, embora nunca tivesse deixado de proclamar sua paixão por sua terra. A circunstância, porém, assim o exigia, não chovia naquela região há algum tempo e desta forma tornou-se ele mais um retirante da seca. Foi vaqueiro, agricultor, comprador e vendedor de caprino e suíno, além de marchante (açougueiro) em Quitimbú; trabalhou em lavouras da região de Novo Cravinho, distrito de Pompéia-SP e no município de Marília. Mudou-se para Mato Grosso uno no ano de 1955, seu destino desde que saiu de sua terra natal, o que não aconteceu no primeiro momento porque o dinheiro findou-se por completo em São Paulo-capital, tendo sido obrigado a procurar na Estação da Luz o serviço de migração e de lá, acompanhado da esposa grávida e dos filhos Luizinho e Marizalve, tomar outro rumo e não o que projetara inicialmente.




Chegou a Cassilândia tempos depois, no dia 12 de abril de 1955. Sua família havia proliferado (coisas do sangue nordestino) haviam nascido mais três filhos: Lourdes, Cícera e Francisco de Assis, nascidos no interior do Estado de São Paulo. Deu uma volta na cidade, quando pode verificar não existir nenhuma carroça para fazer frete, sem pensar muito voltou ao interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Rubiácea, adquiriu uma com animal e tralha e rumou de volta a Cassilândia. Lá se foram 10 dias de viagem, dormindo ora embaixo da carroça ora em galpões ou paióis de fazendas.

Assim que retornou, iniciou o trabalho duro juntamente com seu filho mais velho, Luizinho; poucos dias depois estava de volta a Rubiácea para comprar outra carroça, o que foi feito sucessivamente durante 18 meses, período em que comercializou algo em torno de 40 destes veículos, tendo adquirido recurso suficiente para comprar um sítio, loteá-lo e homenagear seu estado de origem dando o nome do novo bairro de VILA PERNAMBUCO – o maior da cidade. Comprou fazendas, chácaras, sítios, gado, jipes, caminhonetes, caminhões e até aviões. Também foi o primeiro corretor de fazendas de Cassilândia.

Foi vítima de um acidente de avião quase fatal, no dia 02 de julho de 1968, no aeroporto de Ribeirão Preto-SP. Inexplicavelmente a aeronave caiu logo após decolar. Passou meses na UTI, teve seu rosto completamente deformado, o que não pôde ser corrigido a contento por cirurgias plásticas, dada a gravidade do acidente. Ainda assim não se deixou abater, dado seu carisma e coração devotado ao bem de seu próximo, tornou-se político por imposição do povo.

É, até hoje em dia, proporcionalmente o vereador mais votado da história de Cassilândia, obteve 35% dos votos válidos em sua primeira eleição. Para que tal votação seja superada, hoje, são necessários algo em torno de 4.500 votos! Foi Presidente da Câmara Municipal, uma vez vice-prefeito e duas vezes prefeito.

Maria Tenório de Melo, minha avó, a prima de Dodô, faleceu aos 77 anos, no dia 15 de abril de 1962, em Volta Redonda-RJ, vítima de um acidente, quando retornava ao estado de Pernambuco, depois de uma visita aos filhos em São Paulo e Mato Grosso, respectivamente. Ela pretendia fazer uma visita ao seu primo Tenório Cavalcante, o lendário “Homem da Capa Preta”, em Duque de Caxias, para onde seguia antes de voltar para sua terra, vez que na adolescência residira por aproximadamente 4 anos na pequena propriedade rural de seu tio, pai de Tenório, de quem a mesma cuidou.

Acalentava o sonho de conhecer um avião, achava, conforme ela mesma dizia: interessante ver aquelas máquinas voando como pássaros. Seu filho, Joaquim, sabendo disso a esperou em Jales-SP, no final de 1961, com um avião de sua propriedade. Lembro-me, como se fosse hoje, de lhe perguntar se havia gostado da viagem, ela respondeu que adorara, mas que havia ficado mouca (surda). Este foi o primeiro e único reencontro de Maria Tenório com Joaquim e sua família, dado o desfecho no Rio de Janeiro.

Os contatos anteriores a esse reencontro eram apenas por correspondência, via cartas, que demoravam de 30 a 60 dias para chegarem ao seu destino. O sistema de telefonia (interurbano) praticamente não existia, quando muito se falava de uma capital para outra ou de uma cidade grande para outra também grande, com demora nunca inferior a 10 horas.

O interurbano chegou a Cassilândia somente nos idos de 1976, com Pernambuco na prefeitura, quando fez questão que o então Pároco da cidade, Pe. Jhon Pace, fizesse a primeira ligação internacional para um parente residente em Washington, capital dos EUA. Na sequência, ele próprio ligou para o último governador de Mato Grosso uno, o sergipano José Garcia Neto, em Cuiabá.

Dois dos filhos de Joaquim Pernambuco enveredaram na política, eu, Luizinho Tenório, em Mato Grosso do Sul; e o caçula, Francisco de Assis Tenório, no Mato Grosso. As filhas são educadoras e também moram em Cassilândia. Concomitantemente a política, fui Fiscal de Rendas até me aposentar e hoje, enquanto economista, presto consultoria a diversas empresas, câmaras e prefeituras. Assis é empresário do setor madeireiro com atividades em diversos Estados do país.

Espero ter sido o mais esclarecedor possível, é muito bom, mesmo que a distância, sentir-me com um pé em minha terra, em meu berço! Aos conterrâneos custodienses um abraço fraterno do sempre sertanejo,

Luizinho Tenório

03 novembro, 2023

Distrito de Maravilha - Origem



Origem do nome

Deu-se o nome Maravilha por ter sido um lugar acolhedor e transbordado, deixando todos os visitantes encantados que chegavam a falar: “Que Maravilha!”. E assim teve inicio a história da Maravilha.

MARAVILHA, Distrito o Município de Custódia, Pernambuco tem uma história. Tudo começou no ano de 1934, assim descrito:

Chegou a primeira professora a Maravilha, vindo de Custódia, sendo a mesma irmã de Chinelôn, conhecido como homem da “lei”. Em seguida veio outra, chamada Conceição, esposa de Zé Quebra Unha, e assim, foram chegando outros professores.

Primeiros Moradores

A primeira família a morar neste lugar foi a Cruz. Marcos e Rosa, há cerca de duzentos anos atrás, vieram do Sítio de Dona Rosa. Em seguida tivemos: Raimundo Pedro Juvenal, Manoel Leandro, Justino Leite, Cicero Inato Nogueira, Sebastião Bezerra e Miguel Justino. Os mesmo com suas famílias formadas necessitavam de uma professora.

Primeiros trabalhos

Surgiram do Armazém Bulandeira de descaroçar algodão. Nessa época, plantava-se algodão preto, a lã, extraída, descia para Arcoverde, Sertânia, Recife etc. para fabricação de tecidos. O caroço era jogado fora para os animais comer, pois ainda não se sabia das utilidades e comercialização desta semente. Depois veio a usina de caroá para fazer roupas, barbantes, etc. As roupas ficavam ótimas, prontas para usar. Mas logo veio a praga do algodão, tomando conta de toda plantação, trazendo assim para a região um grande prejuízo para todos os seus moradores.

Agricultura

Os agricultores ficaram plantando feijão e milho, para custear as despesas e para seu próprio consumo. Os a nos mais favoráveis ao agricultor foram: 1934, 1935,1937 e 1940, com boas colheitas para todos. E os menos favoráveis foram: 1936 1938 e 1939 onde muitos agricultores deixaram suas propriedades e de deslocaram para outros centros. Seus transportes eram os próprios animais, até alcançarem uma cidade mais desenvolvida e assim pegar o primeiro “Pau de Arara”.

Surgiu então o primeiro veiculo em Maravilha. Era o meio de transporte do Padre de Floresta, que vinha celebrar as missas. O veiculo foi apelidado de vinte e nove, pois era o ano de sua fabricação. O primeiro morador da Maravilha a possuir veiculo, foi o Sr. Sebastião Bezerra, em seguida o Dr. Adauto Pereira e assim sucessivamente vieram muitos outros.

Apelido

Chegaram duas moças muitos bonitas, de Mata Grande, uma delas chamava-se Madalena...dai então as pessoas ficavam chamando de Madalena da Maravilha.

Igreja

Foi construída pelo Sr. Adelino, com a ajuda de outros moradores, como: os Srs.: Antônio Pedro da Silva, Elias “o motorista” do Padre, Padre Luiz e muitos outros. Também foi construído um chafariz e um armazém, por um mestre de obras chamado Patrício. O primeiro mecânico chamava-se Augusto, e também fez parte da história da Maravilha, colaborando com os consertos que iam surgindo, bem como os marceneiros: Augusto Libório e José de Souza, estes fizeram os primeiros trabalhos utilizando a madeira.