14 novembro, 2022

Nordeste celeiro de fé, de cultura e de calor humano.

 Região Nordeste | Mapa da região nordeste, Regiao nordeste ...

"Quanto mais sou nordestina mais tenho orgulho de ser!"


Ser nordestino é ter o espírito de coragem dos primeiros habitantes desta terra chamada Brasil. É  carregar a bravura do negro que com mãos e braços firmes trabalhavam sob o chicote que estalava no ar num impacto severo e brutal. Triste, não é?

Ser nordestino é ter a consciência de que por estas terras nem tudo são flores. É ter convicção de que a seca mata a semente que é plantada no chão. Ela, porém, só não mata a semente que está plantada no coração do valente nordestino.

É desolador ver o solo rachado pelo sol causticante do Sertão  Nordestino. A caatinga mostra seu cenário de solidão. Essa fotografia nos apresenta a coragem de um povo que sabe tirar "leite de pedra”, frase que representa  sabiamente a resiliência do homem do campo.

Ah..., quando a chuva cai molhando o solo que parece sem vida, o verde ressurge, os barreiros enchem, os animais pulam parecendo crianças e pássaros cantam em revoada. A esperança volta e a alegria de dias melhores, de fartura e bonança ressurgem no coração do sertanejo. Deus ouve e não esquece as súplicas de homens e mulheres que pedem com toda fé e força do coração pela chuva no Sertão.

Imaginar que nesse bioma nasce uma das mais belas rosas que brotam do cacto e que na grande maioria das espécies, seu corpo só apresenta espinhos.

O Criador se fez presente nessa planta forte e adaptável que vive em qualquer ambiente. Ela não tem limites, cresce nas mais precárias condições. As adversidades do tempo não a inibe e nos confirma que pra Deus nada é impossível, tudo é perfeito. A família dos cactaceae dá ao nordestino a mais perfeita lição de resiliência e força. O nordeste é simbolizado pela resistência do cacto e do juazeiro, eternizado na voz do extraordinário Luiz Gonzaga.

Tenho orgulho deste espaço geográfico e de tudo que existe por aqui: do povo solidário e trabalhador, da fé que fortalece a esperança, das estórias de trancoso, dos cordéis e cantorias em verso e prosa. Das músicas do Rei do Baião, de Alceu Valença, de Flávio José, de Geraldo Azevedo, de Genival Lacerda, de Chico César, de Lenine, de Chico Science, de Fagner, de Zé Ramalho, de Maria Betânia, de Caetano, de Gal Costa, Roberta Miranda, de Alcione, de Patativa do Assaré. Terra de Zumbi dos Palmares, Rui Barbosa, Antônio Conselheiro, Lampião e Maria Bonita. Tenho orgulho da sanfona de Sivuca, de Osvaldinho, de Domiguinhos e de Lucy Alves. Orgulho também dos ritmos do frevo, forró, maracatu, caboclinho, baião, axé, xote, xaxado, capoeira, ciranda, boi-bumbá e coco. E para dar asas a tamanha imaginação e criatividade, existem os poetas, contístas, historiadores e escritores: Jorge Amado, Tobias Barreto, João Cabral de Melo Neto, Augusto dos Anjos, Nísia Floresta, Raquel de Queiroz, Ferreira Gular, Castro Alves,  Graciliano Ramos, José de Alencar, Manoel Bandeira e Nelson Rodrigues. A cultura nordestina é  encantadora e nos permite conhecer outros escritores e escritoras, a exemplo de Ariano Suassuna, Socorro Aciole, Jarid Arraes, Itamar Ferreira Júnior, Isabel Nascimento, Bráulio Bessa, Mariane Bigio. Isso sem falar no talento humorístico de Chico Anizio e Renato Aragão.

Orgulho do educador e filósofo pernambucano Paulo Freire, conhecido como Patrono da Educação Brasileira.

A cultura gastronômica nordestina é rica e incrível. Saborear essas delícias, faz seu povo orgulhoso de sua culinária e os visitantes voltam e não esquecem a diversidade da região.

No cardápio tem: cuscuz, xerėm, feijão de corda, galinha de capoeira, arroz de coco, canjica, buchada, sarapatel, tapioca, baião de dois, carne de bode, vatapá, moqueca de peixe, carne de sol, caruru, acarajé, arrumadinho, chambaril, macaxeira, fritada de siri e camarão.

Orgulho das belas praias nordestinas: praias do francês (AL), Porto de Galinhas (PE), Pipa (RN), Praia do Forte (BA), Jericoacoara (CE), Praia dos Carneiros (PE), Canoa Quebrada (CE), Fernando de Noronha (PE), Arraial D'Ajuda (BA) e do Litoral Alagoano (AL).

Orgulho do maior São João do Brasil que está na Região Nordeste, nas cidades de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB).

Orgulho dos belos trabalhos  manuais da região, com destaque para os bonecos de Vitalino em Caruaru, das redes de dormir de Irauçuba (capital cearense da rede), também em São Bento na Paraíba, em Jardim de Piranhas no Rio Grande do Norte, das carrancas de Petrolina e Juazeiro no São Francisco entre a Bahia e Pernambuco, da renascença das cidades de Poção e Pesqueira-PE. São dessas duas cidades-polo que as rendeiras tecem os mais exuberantes fios da região. Sem esquecer das cidades de Toritama, com a grande produção jeans para todo o Brasil e de Santa Cruz do Capibaribe, ambas em Pernambuco, com uma estupenda confecção de peças masculinas e femininas que abastece o mercado da moda para os quatro cantos do país.

Orgulho ainda dos museus, dos teatros, dos casarios, das belas e ricas igrejas, dos conjuntos arquitetônicos, como prédios públicos, com destaque para o Espaço Brennand na capital pernambucana.

Orgulho do Nordeste que reúne pelo menos duzentas e cinquenta manifestações religiosas, que mobilizam turistas, sendo a região brasileira com maior número de procissões, romarias e celebrações religiosas do país, destacando-se Juazeiro do Norte do “Padim Ciço” no Ceará, Bom Jesus da Lapa, na Bahia; Nova Jerusalém em Fazenda Nova-PE; Sítio Histórico de Olinda-PE; visitação a lugares religiosos: igreja do Carmo, Convento de São Francisco e Igreja da Sé em Pernambuco; Canindé, Basílica de São Francisco e Casa dos Milagres no Ceará; Santa Cruz dos Milagres, ponto de peregrinação a quase 200 km da capital do Piauí, Teresina.

Concluo com essa síntese da grande e calorosa Região Nordestina. Foi nesse pedaço de chão sofrido pelas intempéries do tempo que nasceu o grandioso e extraordinário, Luiz Inácio da Silva. Pernambucano, eleito por três vezes a Presidente da República. Esse, sim, sabe o que é ser nordestino. Nunca fugiu às suas raízes. Tenho orgulho de saber que foi o presidente Lula que desafiou tudo e todos para  realização da maior obra que o nordeste já viu: Transposição do Rio São Francisco. Essa obra era um projeto do então Imperador, Dom Pedro I.

Viva o Nordeste! Viva o povo que valoriza a nossa gente e nossa cultura! Após quinze dias do pleito eleitoral do segundo turno, digo aos que vivenciam um processo de involução, marcado por preconceitos, xenofobia e desinformação, dando-lhes um conselho: mude o estado de INVOLUÇÃO que se instalou como erva daninha no país. Passado isso, voltem e sejam bem-vindos! LULA É O PRESIDENTE DA REPÚBLICA!

Sinceramente,

Lindinalva, Nenê


13 novembro, 2022

Tambaú é premiada pelo Carrinho de Ouro 2022


A Associação Pernambucana de Supermercados (APES) realizou mais uma edição do Carrinho de Ouro, um dos mais importantes rankings do mercado. Pelo segundo ano consecutivo, a Tambaú foi uma das contempladas na premiação. Em 2017 a empresa foi premiada pela categoria Qualidade de Atendimento, dessa vez, a marca foi destaque na categoria Fornecedor Indústria Regional.

Em um ano de muitas novidades e lançamentos, a Tambaú se orgulha por mais um prêmio conquistado, agora relativo ao comprometimento com a modernidade industrial e investimentos realizados para o desenvolvimento da região. A expectativa é de que em breve a marca seja reconhecida também como uma grande fornecedora nacional. A premiação Carrinho de Ouro aconteceu no Recife, no dia 22 de novembro, com solenidade realizada no Paço Alfândega. Quem recebeu o prêmio foi o Gestor Comercial, Igor Gonçalves, representando a Tambaú. A conquista é um reconhecimento que atesta a missão da Tambaú de produzir e firmar uma linha de produtos de altíssima qualidade. (Jornal Portal do Sertão)


Hugo Gonçalves comenta a premiação:

Na quinta feira, dia 10 de Novembro, Dia Nacional do Supermercado, recebemos o Carrinho de Ouro 2022 da APES, categoria Lançamento de Produto Regional com o Barbecue 100% Nordestino. Desejamos que seja outro campeão de vendas igual ao Catchup 100% Nordestino.

Agradeço de coração primeiramente a Deus, a Apes, a todos os varejistas, todos os consumidores também. Quero compartilhar essa premiação com a minha família e com toda nossa equipe de vendas e com a linda galera do chão de fábrica.

Bjs no coração de todos vocês… @tambaualimentos

10 novembro, 2022

Izaías de Queiroz Amaral - por Neide Campos



Izaías de Queiroz Amaral nascido em Custódia e sua esposa Francisca de Siqueira Campos, ambos funcionários dos Correios e Telégrafos. Foram os primeiros funcionários da Agência dos Correios de Custódia em 1919. Dona Francisca era conhecida na cidade por Dona Feinha, na época a cidade ainda pequenina, a chamava carinhosamente assim.




Izaías de Queiroz Amaral aos 73 anos na frente de sua casa.

Seu Izaías tinha o cargo de guarda fios, para percorrer os fios do telegrafo, observando se havia alguma anormalidade ou defeite (como na época era chamado).


Dona Francisca com 52 anos e seu Izaías com 59 anos no jardim de sua residência.

Seu Izaías passou por vários perigos na época de Lampião, pois onde ele e seus cabras passavam para cortas os fios a fim de deixar a cidade sem comunicação. Era o seu Izaías corria risco percorrendo o trecho, montado em um burro para corrigir os defeitos. Muitas vezes se encontrava com Lampião, mas ele só fazia debochar dele. Trabalhou 42 anos, quando veio a sua aposentadoria.



Era um homem íntegro cumpridor dos seus afazeres, muito inteligente para aquela época atrasada. Era muito querido e amado como um bom Pai. Nasceu no sítio Samambaia no dia 18 de Fevereiro de 1982. Faleceu no dia 21 de Outubro de 1973 com 81 anos.




Dona Francisca ou Dona Feinha como gostava de ser chamada, era a Tesoureira da Agência dos Correios entre 1919 a 1950. Mãe amorosa devotada, sofredora, mas mulher de fibra, teve 13 filhos: José, Romeu, Nicé, Necy, Nacor, Naldeny, Naldecy, Naimes, Neide, Niralda, Niraldo, Norma e Nilda.




Izaías de Queiroz Amaral no dia de seu aniversário em 18 de Fevereiro de 1967.


Hoje só tem 5 filhos vivos: Necy, Neide, Niraldo, Norma e Nilda que continuam em Custódia. Norma casou e foi residir no Recife, onde reside há 50 anos. Neide foi depois, há 33 anos.


Necy Campos - por Neide Campos



Necy Campos de Queiroz, filha de Izaías de Queiroz Amaral e Francisca de Siqueira Campos, nasceu no dia 24.03.1922 onde se criou, brincou, estudou fez amizade com suas colegas e amigas da época. Conforme a Lei da Natureza, tornou-se uma bela mocinha. Divertiu-se com as poucas e sadias brincadeiras que Custódia pequena cidade oferecia aos seus filhos na época, sem muitas opções. Aos quinze anos casou-se com rapaz de Sertania a velha (Alagoa de Baixo). 

Desse matrimonio nasceu um filho. Houve muita discórdia e veio a separação. Tornou em bela mulher, linda mesmo, elegante,vestia-se como uma Princesa, foi a mulher mais bela e elegante que Custódia já teve. Poucos são conterrâneos que se lembram dela. Os mais jovens não a conheceram. Foi nomeada para ser funcionária dos Correios e Telégrafos local onde nossos pais já eram funcionários. 

Ao passar uns tempos Necy foi transferida para o Recife onde trabalhou até se aposentar. Passou quarenta e um (41) anos no Recife. Sempre entrava de férias no mês de setembro

Nunca foi passa-las em outro lugar só em casa com a família. Nós suas irmãs já estávamos casadas cada uma com filhos e ela os amava.

Era bela, bem vestida parecia uma rainha para nós que amávamos muito, era especial. 

Quando ia se aproximando mês de Setembro, já começava a alegria e a contagem dos dias que faltavam para sua chegada. Eram 14 crianças. Enfim chegou o tão almejado dia de sua chegada:

Era uma euforia total, na época Custódia tinha uma linha de ônibus direto de Recife-Custódia e vice-versa, era da Empresa Realeza . Quando o ônibus buzinava lá em cima na avenida Dr. Manuel Borba, a meninada saia correndo em direção da parada que ficava em frente a residência do Sr. Moisés Valeriano, hoje pertence a família Guilherme.

Era o começo da festa, a distribuição dos presentes cada um recebia o seu presente, as crianças, nós as irmãs, os esposos e nossos pais.

Ninguém ficava sem o seu.

O tempo passa implacável, ceifando a vida de nossos pais: pai faleceu dia 21.10.1973 e mãe em 18.02.1975. Necy aposentada quis voltar para Custódia, aconselhei que não voltasse, estava bem, nós éramos tão amigas, mas não houve nada que a fizesse desistir. Voltou foi vista com maus olhos pelos seus acolhedores. Não houve aproximação dos conhecidos do passado, que nem se quer por ela perguntavam, (também a recepção era péssima).

Necy ficou só, confinada em uma sala, um quarto e um banheiro. Só Deus é testemunha do que ela sofria. Não saia para parte alguma, só quando eu ia para lá eu saia com ela.

Ficou completamente isolada, foi definhando, já pedia a Deus que a levasse, levantava as mãos para o céu e dizia: MEU DEUS O QUE EU FAÇO DA MINHA VIDA.

Deus em sua, onipotência a levou para sua eterna morada, o Céu, no dia 02.11.2013 às doze e quarenta cinco, dia de Finados

Creio que Deus lá no céu onde ela está, seja bem feliz. Por que as criaturas terrestres são ingratas. 

Murchou a flor tão bela e boa como uma rosa principalmente para mim e meus filhos. Sei que a alma onde reside o Espirito Santo exala um perfume tão grande e delicado quanto de uma videira em flores.

Eras boa de uma amizade firme, pena que, os que tu mais amaste foram os teus algozes... 

Descanse em paz, Deus te dê a luz que não se apaga.

Sua irmã seus filhos que não a esquece

Neide Campos de Queiroz e filhos. 


04 novembro, 2022

Esqueça a dor... Ela passa



Eu aprendi com a própria dor que ela passa.
E há alegria iluminada nos rostos sem graça;
Com a tranquilidade de ficar deitado na praia
E esperar que o mundo se levante; ou que caia...

Tu passaste numa vereda passaralho,
Em meu sonho havia um espantalho
Que beijava uma boneca montada num cavalo;
Destroiado com desejo de copular a dor.

Esqueça a dor... Que ela passa. Seja feliz!
Nas mãos do divino me entrego a você...
No que seria parceria foi incompreensão,
Mas fazer o quê? Nada é em vão, nem à toa.

Eu aprendi ver o sol e saber que horas são.
Meu avô me ensinou de onde vem a chuva
E eu só conseguia enxergar a desertificação.
Mas existe muita beleza nesse imenso grotão.

Embora todas as culturas tenham sido consumidas
O povo que foi embora levou consigo as tradições.
Onde sobra terra, falta gente. Mas germina a semente!
Onde a energia é pura, pessoas costumam andar tão sorridentes.

Cristiano Jerônimo
Recife-PE
Abril

03 novembro, 2022

Essa casa tem história, ou a ficha ainda não caiu?


Não lembro o mês, mas em uma tarde do ano de 1961, chegamos enfim com a mudança a nossa nova casa. Ela foi totalmente reconstruída para nós habitarmos em seu seio. Tudo era novo. O cheiro de tinta ainda fresca e os móveis exalando um aroma de madeira trabalhada, não me incomodavam, pelo contrário, era a certeza do começo de uma nova etapa na vida da ainda pequena família Farias Remígio. 

Além dos meus pais, seu Claudionor e Dona Osanira, eu tinha como irmãos, Antônio e o ainda bebê, Jânio. Não tardou muito para a cegonha trazer Sérgio em novembro de 1961, Eliane em 1963 e encerrando o ciclo, a caçula Ana Cláudia em 1964. 



– Pronto! Agora a família estava completa. Somos seis rebentos de pais iluminados e crescemos em um lar cheio de harmonia e compreensão. A consequência desse tempero amoroso foi um grande estreitamento da nossa amizade e um imensurável amor fraternal que temos um pelo outro. 

Na minha casa sempre teve aqueles almoços familiares. Principalmente quando os parentes vinham de longe. Com o tempo em movimento, chegamos aos concorridos vestibulares acadêmicos nas décadas de setenta e oitenta e em consequência das vitórias, muito mais dos nossos pais do que nossa, as farras e pileques comemorativos foram muitos.


Nunca mais paramos de celebrar a vida na casa encantada, como minha irmã Eliane rotulou-a tão bem. Sempre compartilhamos nossos encontros com familiares e amigos tão queridos. A alegria sempre reinou naquele início da Rua Padre Leão. Minha casa ficava em uma localização muito privilegiada. No nascente ao lado da bela Matriz de São José, no coração da cidade. 

O natal foi escolhido espontaneamente para ser a festa de confraternização oficial. Sempre estávamos lá. Irmãos, pais, parentes e amigos. Como o ambiente da nossa casa conspirava com alegria, recepção, acolhimento e amizade, é natural que os nossos encontros foram se ampliando. O importante é que sempre fizemos questão da companhia da boa MPB. Astros como: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Novos Baianos, Gil, Caetano, Chico, Vandré, Tom, Vinícius, Paulinho da Viola, Cartola, Ednardo, Alceu, Geraldo Azevedo, Dolores Duran, Lulu Santos, Cazuza, Luiz Melodia, Augusto Calheiros, Noel Rosa e tantos outros, sempre foram presença garantida. 



A calçada era para nós, uma extensão da casa. Quantas e quantas vezes nos reunimos ali. Principalmente quando a sala estava lotada. Os nossos filhos foram crescendo e participando desde cedo desse ambiente festivo e acolhedor. Hoje são rapazes e moças totalmente integrados nesse lazer. 

No dizer deles: No “OSANIRA’S CLUB” Agradeço de coração, a companhia de familiares e amigos que nos proporcionaram momentos de extrema felicidade. Não quero enumerá-los, porque são muitos. Mas quem esteve um dia por lá, vai saber perfeitamente do que estou falando. Escolhi umas fotos entre milhares para ilustrar este texto, e foi tarefa muito difícil. 


Também escrevi o texto com o verbo no passando. Uma tentativa de habituar-me a essa nova realidade. Fui à Custódia para festa do padroeiro São José. Mas, o mais significante foi a reunião para nos despedirmos da nossa casa. Que bela festa! Bebi, comi, cantei, toquei,confraternizei,abracei,compartilhei, fiz tudo o que devia fazer. Claro que tenho plena consciência que a casa não mais me pertence. 

Porém, o meu cérebro ainda teima em não aceitar tal realidade. Como pensar em ir à Custódia e não ficar na casa número 12 da Rua Padre Leão? 

ACHO QUE A FICHA AINDA NÃO CAIU!

por Jorge Remígio

23 outubro, 2022

Tu és responsável por aquilo que cativas.

Lindinalva "Nenê"
Custódia-PE
Outubro/2022


Uma das mais difíceis realidades nos dias de hoje é entender o outro num ato de contemplar a realidade. Contemplar não significa ver, olhar e enxergar. É bem mais profunda essa reflexão. Contemplar é desvendar, decifrar, mergulhar no "mistério das coisas". Já não se conhece as pessoas que pareciam tão centradas e tão realistas frente às abstrações e às fantasias.

Escuto sempre esta frase: O mundo mudou! Será? Ou nós mudamos? Há pouco tempo, acreditava-se que após a pandemia o mundo seria diferente, bem melhor. E o Brasil melhoraria sim, ficando mais reflexivo e empático. Ledo engano!

O Brasil está vivendo um “estado de coisas” como nunca visto. É tão sério que clama pela sensatez de todos os cristãos de verdade. Com toda sinceridade e tristeza da minha alma, vejo algumas igrejas usando seu espaço físico como palanque e seu púlpito dando lugar para a disseminação do ódio e de uma campanha mentirosa e antidemocrática sem precedentes. É tão imperiosa a necessidade do poder da política na prática de algumas igrejas evangélicas que contradiz o Evangelho de Jesus Cristo e mostra a carência de Deus e, daí, se instala a profusão de pastores sem compromisso com a fé.

O mandatário do país está doente. Todas as evidências apontam para essa constatação. Não tem condições morais e psíquicas de conduzir uma nação tão grande como a nossa. E o mais grave de tudo isso é que ele negociou com grande parte dos deputados do centrão o escandaloso orçamento secreto, dando-lhe a prerrogativa de não ser punido em seus absurdos delirantes.

Pasmem, o Brasil é o quarto país que mais se afastou da Democracia, em 2020, em um ranking de 202 países analisados. Esse resultado foi publicado em março de 2021. A Democracia, amigos, pede socorro: negros, índios, mulheres, trabalhadores, jovens, adolescentes, crianças, minorias e todas as pessoas preocupadas com o bem-estar social e coletivo. Da mesma forma, as universidades, as instituições, a educação, o meio-ambiente, as artes, enfim, tudo que é protegido pela Constituição Federal está ameaçado num trágico processo retrógrado que merece a atenção de todos.

Senhores pais, senhoras mães, igrejas cristãs e demais credos religiosos: reflitamos sem relativizar esta frase: “pintou um clima”, dita por Bolsonaro em uma das suas ridículas lives, se referindo à adolescentes venezuelanas que ele, o presidente, teve contato há alguns dias. É asqueroso para quem tem filhos, netos, sobrinhos, ouvir qualquer coisa que tenha ligação com erotização de crianças, afinal, elas não tem idade e nem conhecimento para saber ou viver histórias em que “pinte um clima”. Isso me faz lembrar o triste drama das vitimas vulneráveis desse absurdo. A impunidade desse ser abjeto abre espaço para todas as súcias de plantão que esperam a oportunidade para cometer seus crimes, deixando um rastro de tristeza e dor na vida das famílias de seus filhos menores, carimbando, sobremaneira, a marca da covardia e da brutal violência pelo resto da vida. Isto não é fake news; é a verdade.

Estive presidente do Conselho de Direito e Defesa da Criança e do Adolescente da minha cidade, Custódia, e lhes digo: durante esse tempo ouvi depoimentos de familiares sobre abuso de crianças e adolescentes. É constrangedor e dói ver o sofrimento de pessoas vítimas dessa violência e muitas vezes sem justiça. A cena é desoladora e revolta. Imaginem atitudes covardes dessa natureza encontrando identificação numa fala de um presidente da república! É preciso que essas atitudes sejam punidas; se não forem pela justiça da Terra, serão pela justiça de Deus! Eu creio.

Tempos atrás li o livro “Navio Negreiro” de Castro Alves. E marquei uma frase no seu poema com lápis grafite e minha mente nunca esqueceu. Hoje ela se faz presente neste meu texto: “Senhor Deus dos desgraçados,
Dizei-me Vós, Senhor Deus, Se é loucura ou se é verdade Tanto horror perante os Céus!”…

Por fim, te faço um convite para ler a passagem sobre os vendilhões do templo (João 2, 13-25).

Custódia, 23 de outubro de 2022,

Sinceramente,

Lindinalva (Nenê).

21 outubro, 2022

Custódia, a Princesa do Sertão

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas 

 
Custódia terra querida,
Foi fazenda Santa Cruz,
Lá eu ganhei minha vida,
Pra ter fé no Rei Jesus.
Custódia terra de brilho,
Eu sou também o teu filho,
Lhe trago em meu coração.
És terra de São José,
A nossa Custódia é,
A princesa do sertão.

É entre Arcoverde e Serra,
Que existe a bela cidade,
Meu lugar a minha terra,
Terra da felicidade.
Lugar de gente bacana,
Na terra pernambucana,
Nordeste é a região.
Fazendo a minha paródia,
Vou falando de Custódia,
A princesa do sertão.

Saí em 93,
A procura do Sudeste,
Eu vou dizer pra vocês,
Ruim foi deixar Nordeste.
Deixei minha mãe chorando,
Em casa se lamentando,
E saí nesse mundão.
No Sudeste eu viverei,
E jamais me esquecerei,
Da princesa do sertão.

Deus manda na minha vida,
Quem comanda tudo é Ele,
Nessa estrada bem comprida,
Vou na fé que tenho nEle.
Por aqui eu vou vivendo,
Seguindo e não esquecendo,
Do meu querido rincão.
De artistas, de poesias,
Minha terra de valias,
A princesa do sertão.

Marcos Silva.
De Custódia / PE.
São Paulo, 21/10/22.

17 outubro, 2022

Biografia - Antonio Siqueira de Lima "Antonio Vital"

 

Nascido em dia 11 de Fevereiro de 1928, em Solidão, no Pajeú, Antonio Siqueira de Lima, é filho do casal: Antonio Vital de Siqueira e Maria Dias de Lima.

Dessa união tem como irmãos: Eduardo Siqueira de Lima, Julieta Siqueira de Lima, Carmelita Siqueira de Lima, Olindina Siqueira de Lima, Corina Siqueira de Lima e João Siqueira de Lima.

Ainda jovem, trabalhou como vaqueiro para ajudar o seu tio Eduardo Domingos de Lima.

Casou com Niralda Campos de Queiroz, filha de Izaias de Queiroz Amaral e Francisca de Siqueira Campos (Feinha). Casado começou a trabalhar na Prefeitura Municipal de Custódia, durante o mandato do prefeito Ernesto Queiroz. Teve 7 (sete) filhos com Niralda, são eles: Marluce Campos Lima, José Alberto Campos Lima, Pacífico Campos Lima, Vera Lucia Campos Lima, Maria José Campos Lima, Gilberto Campos Lima e José Helder Campos Lima (Dinho). 

 

Foi um bom pai, bom marido e um trabalhador que sempre não deixou faltar nada em sua casa. De poucos amigos, era uma pessoa cativante. Muito conhecido na cidade e na região. Em Custódia os amigos mais próximos foram Zezito Caju, Ernesto Queiroz, Nozinho Veríssimo, Guilherme Andrada, pessoas inseparáveis. Valorizava bem as oportunidades que lhe eram dadas. Retribuía ajudando quem precisava.  

No casa onde foi criado

Pessoa de poucas palavras, porém de muito respeito em sua conduta e no que dizia. Trabalhou na Secretaria da Fazenda como Fiscal de Renda, até quando se aposentou. Sempre ajudava as pessoas que o procurava. Quando sabia que um comerciante passava por dificuldade em seu comércio, evitava cobrar os impostos, foi assim com as viúvas, até hoje essas pessoas lembram de sua atitude ajudando aquelas famílias que perdiam algum ente querido.

 

Um de seus hobbies preferidos era Vaquejada e Pega de Boi no Mato.

Sempre era visto no Café da Hora de Bebela, na sinuca do amigo Toinho Sapateiro ou na barbearia de Zé de Nazário.

Faleceu em 06 de Janeiro de 1998, em decorrência de complicações durante um procedimento cirúrgico.

Uma rua no Bairro Polivalente tem seu nome, uma merecida homenagem aos serviços prestados ao município de Custódia.

Texto: Paulo Peterson
Com informações de Dinho e Marluce, filhos.
Fotos: Acervo Familia

15 outubro, 2022

Relembrando OS ARDENTES




Por José Melo     

Na minha ida a Custódia, na última Semana Santa revivi momentos inesquecíveis da minha juventude, ao reencontrar, depois de mais de trinta anos, o Senhor Dida Boiadeiro, que vem a ser o baterista Dida, do Conjunto “Os Ardentes”, da década de setenta. 

Alquebrado pelos diabetes, não tem mais aquele vigor, aquela energia contagiante, como todos nós da mesma época já estamos todos na fase “sex” da vida, isto é, na fase sexagenária. 

Relembramos fatos ocorridos na curta existência do Conjunto “OS Ardentes”. 

Como a estréia, em uma cerimônia de colação de Grau, na antiga Petrolândia. Instalamos os parcos equipamentos – a bateria, um amplificados e caixa de som do Baixo, um amplificador acoplado a uma caixa de som para a guitarra, e o único microfone destinado ao canto, que era Paulo Félix. 

Como ainda era cedo, fomos conhecer o Cais do Rio São Francisco, onde ficamos observando meninos na faixa dos quatorze ou quinze anos pularem de uma altura de aproximadamente quinze metros, mergulhando nas águas do Velho Chico, admirados com a coragem ousadia deles. 

Foi aí que Paulo Félix resolveu aprontar uma. Comentando que também tinha coragem de dar aquele pulo perigoso, foi desafiado por Dida para provar isso. 

Sem pestanejar, Paulo começou a se despir para o perigoso mergulho, ocasião em todos nós insistíamos para ele não fazer aquela loucura, mas ele estava resolvido e afirmou que iria pular de todo jeito. Fizemos ver a ele o compromisso que tínhamos, e um acidente seria prejudicial ao grupo. 

Depois de mais ou menos meia hora de insistência, ele finalmente resolveu desistir, e retornamos ao hotel, para prepapar-nos para a apresentação. 

Já no hotel, eu que tinha ficado com a pulga atrás da orelha com aquele rompante de coragem, perguntei a Paulo: 

“Paulo, você ia pular mesmo no rio?” 

Ao que, rindo de nossa cara respondeu debochadamente: 

“Eu? Pular daquela altura? Só fosse doido. Eu estava era gozando da cara de vocês!” 

Finalmente nos deslocamos para o Clube local, para a apresentação. 

Por trás da cortina do palco, observamos a chegada dos convidados, e um detalhe chamou a atenção: a grande maioria das mulheres usava vestidos longos, que era o “chique dos úrtimo” em termos de moda. 

Assustado com tanta elegância, Paulo Félix cismou de que não teria gabarito para se apresentar para um público tão fino. E foi uma mão de obra conseguir convencer o mesmo que aquilo era normal, afinal “Os Ardentes” era um Conjunto Jovem e não podia ser considerado uma orquestra. 

E depois de muita delonga fizemos a apresentação, que se não foi um sucesso, tampouco deixou a desejar. 

Dida era a alegria da trupe dos Ardentes. Extremo gosador, fazia rir até quando não queria, com suas tiradas cheias de humor. 

Vindo de uma apresentação em Iguaraci, ao passarmos pelo terreiro de uma casa, no Açudinho, lá pelas cinco horas da manhã, Dida pediu ao motorista que tentasse atropelar uma galinha, que era para o almoço. 

Puxa pra um lado, puxa para outro, até que ouvimos o barulho da “vítima” por baixo da Rural. Parando, Dida correu, “socorreu” a vítima jogando dentro carro, e partimos antes que alguém da casa aparecesse. Estava garantido o tira gosto daquele domingo. A essa altura, já conseguiu com um dos componentes o almoça na casa dele, onde a galinha será preparada. 

Quando chegamos em Custódia – decepção! A vítima do atropelamento ao invés de ser uma galinha, era o galo do terreiro, de carne duríssima e difícil de cozinhar. 

Mas mesmo assim, ao meio estávamos na casa do anfitrião, para saborear o galo. 

Enquanto esperávamos o galo cozinhar, Dida viu na mesa uma enorme jarra com suco de frutas. Pediu um copo à mulher, e devido as peraltices que estava cometendo, o pedido lhe foi negado. 

Foi aí que entrou a esperteza dele. Ele cochichou prá gente: 

“- Quem duvida que eu não consigo um copo de suco?”. 

Claro que todos duvidaram, esperando pra ver a ideia dele. 

Simples. Dida apelou para a curiosidade feminina, e principalmente para a dona da casa. 

E foi logo para o ataque: 

“- Eu to na dúvida.Nem sei se conto o que Burro Preto (Chamava assim com o companheiro) aprontou ontem em Iguaraci!” 

Foi a conta para aguçar a curiosidade e o ciúme da mulher que insistiu prá que ele contasse, e ele sempre se negando, dizendo que não iria contar. Até que a mulher lembrou do suco e ofereceu a troca de um copo da bebida pela informação do que acontecera em Iguaraci. 

Bebendo o copo de suco de uma só “talagada”, Dida passou imediatamente a cumprir sua parte no trato, contando o que o companheiro aprontara durante a apresentação em Iguaraci: 

“ – Burro Preto essa noite em Iguaraci tava bufando tanto que ninguém aguentava tocar!!!!” 

Quase apanha de cabo de vassoura da mulher.  

            

Entendeu? Compreendeu? Bastou!!! - por José Melo

Foto: Jussara Burgos
por José Melo

ENTENDEU? COMPREENDEU? BASTOU!!! 

Dos muitos custodienses que conheci, uma figura foi bastante marcante. Quer pela personalidade forte, quer pela sinceridade a toda prova, e principalmente, pelo seu estilo popular, sempre considerando a todos iguais. Falo de Zé Burgos, verdadeiro benfeitor da pobreza de Custódia. Jamais se negou a auxiliar a quem necessitasse dele. Além de se prestar a auxiliar a quem lhe procurasse, ele tinha muita experiência no ramo de farmácia, o que lhe permitia, naqueles tempos em que não havia médicos na cidade, a receitar remédios para todos os males dos sertanejos de Custódia e adjacências. 

Outro aspecto também bastante forte em Zé Burgos era o humor. Recordo que nas manhãs quentes das segundas-feiras, a matutada ficava sob a marquise da Farmácia Pereira, protegendo-se do sol forte. Zé Burgos pegava uma seringa, daquelas grandes, enchia de água, e sentado por trás do balcão esperava um descuido de um dos matutos, e pressionava uma seringada de água gelada nas costas da vítima, depois retornava seriamente à leitura de um livro ou jornal. A matutada jamais desconfiava de que aquilo era presepada de Zé Burgos. 

Recordo que apareceu na cidade um doente mental, cujo apelido era Mãe Gorda, devido a sua obesidade. Chato, não dava sossego a ninguém, sempre tentando puxar conversa, dando uma de inteligente e enchendo o saco. Certa feita chegou na Farmácia dizendo que estava gripado, e pedindo um remédio. Zé Burgos disse que para aquela gripe só tinha jeito uma injeção. Mãe Gorda aceitou na hora. Só que Zé Burgos injetou água no músculo do braço de Mãe Gorda, provocando uma dor tão intensa que ele saiu em disparada e jamais voltou à Farmácia. 

Quando mais jovem Zé Burgos fora vendedor da Brahma, a famosa cerveja. Isso o fez apreciador da marca. Lembro que quando eu era menino, fui trabalhar em um boteco, de Joaquim Cabral, que ficava próximo à Farmácia Galeno, de Zé Burgos, que religiosamente tomava uma cerveja, sempre na boca da garrafa, próximo ao meio dia. Sempre via Joaquim Cabral atender ao mesmo, sempre sem nenhum problema. 

Ocorre que naquele tempo, a Brahma era a cerveja mais apreciada, enquanto que a Antarctica ninguém queria. Joaquim Cabral, que não era nada tolo, utilizava duas latas daquelas que serviam de embalagem para biscoitos “Maria” e “Creme Craker”, com metade cheia de água. Em uma delas colocava seis garrafas vazias de Brahma e na outra, seis garrafas cheias, de Antarctica. Depois de algumas horas, os rótulos ficavam escorregadios, soltos, e então era só retirar os da Antarctica e colar os da Brahma. Ninguém jamais reclamou da qualidade. Certa feita, na hora em Zé Burgos foi tomar a sua Brahma, Joaquim não estava e eu, inadvertidamente, servi um das brahmas da Antarctica. Ele levou a garrafa à boca, sorveu um gole, cuspiu foram derramou o resto na pia, e disse calmamente: 

- Essa aqui você bota na conta de Joaquim Cabral, que ele já sabe que eu só bebo Brahma! 

A partir daí, sempre tive o maior cuidado em servir Brahma da Brahma para Zé Burgos. 

Como se sabe, o matuto é profundamente grato a quem lhe presta qualquer favor. Zé Burgos prestava inúmeros favores aos caboclos, e certa feita, um deles quis ser agradável a Zé Burgos, porém não conhecia a sua sinceridade acima da média, e lhe disse: 

- Seu Zé Burgos, qualquer dia desse eu venho lhe chamar pra o sinhô ir lá em casa comer uma buchada! 

Ao quer Zé Burgos respondeu de imediato: 

- Eu não como merda na minha casa, quanto mais na dos outros!!! 

Com sua fala característica, sempre falando rápido, sempre encerrava uma conversa com a frase do título acima: 

- “Entendeu, compreendeu? Bastou!!!”. 

Salve o centenário de Zé Burgos.

 


Texto:
Jorge Remígio
Recife/PE
Outubro/2022

 

Ele foi para mim um ídolo. Muito próximo pelos laços familiares, ele era primo em primeiro grau do meu pai, sentia que a sua casa era uma extensão da minha. Foi essa vivência na minha infância, adolescência e  parte da minha juventude. Pena que ele nos deixou tão precocemente, poucos dias após o carnaval de 1978 aos cinquenta e cinco anos e quatro meses. 

Eu falei no início desse texto que ele era meu ídolo. Sim. Porque logo cedo eu percebi que Zé Burgos era uma pessoa diferenciada. A caridade dele era espontânea e muitos anos depois entendi como sendo um socialista no seu mais puro estágio do significado do termo. Não esperava recompensa pelas assistências que prestava, principalmente aos desprovidos ou aos que pouco tinha. Mas, não era só isso que me causava admiração. 

O seu jeito peculiar, brincalhão, firme nas atitudes e identificado com a juventude dos anos setenta, foi uma personalidade unânime para todos da nossa turma. Vez por outra ele passava na porta de um bar a caminho de sua casa para o almoço, vindo da Farmácia Pereira do seu sogro, então deparava-se com uma turma de estudantes descapitalizados, mas mesmo assim, tomando umas cervejas. Ele da porta. "Já tomaram quantas?" Tomamos onze, seu Zé. Então ele falava para o dono do bar. Essas aí pode anotar que são minhas. Nunca esquecerei dessa e de centenas de boas atitudes que esse homem teve em vida. 

Salve! Zé Burgos em seu centenário. 

Entendeu? Compreendeu?

12 outubro, 2022

Centenário de José Pereira Burgos

José Burgos

Manteve a família trabalhando como farmacêutico pratico e ganhou notoriedade pelo acerto dos diagnósticos, pela simpatia e por ajudar aos menos favorecidos. Lembro-me de ouvir minha mãe dizendo:

Zé Burgos, você tem que separar o amigo do comerciante.


Ele respondia prontamente:

Minha mulher está te faltando alguma coisa? Veja a situação: a pessoa está doente e sem recurso, eu tenho o remédio, não posso negar socorro...


Por esse motivo ele ficou foi reconhecido como o Pai da Pobreza.

Lembro-me de ver meu pai auxiliar muitas famílias que queriam vir para a construção de Brasília.

 José Pereira Burgos e Antônio Pereira Burgos 1944.

Na época da Segunda Grande Guerra, meu pai  serviu ao exercito na zona praieira, estava no Rio de Janeiro embarcado em um navio para ir a Monte Castelo na Itália, quando receberam a noticia que guerra havia acabado.

Homenagem póstuma, se estivesse vivo, hoje estaria completando 100 anos. Seu legado ainda é muito lembrado por aqueles que tiveram o prazer de conhece-lo.

Conheça mais acessando sua biografia: Clique Aqui

Participe do sorteio de vários brindes do Advogado Jânio Queiroz

Neste mês de Outubro, o Blog Custódia Terra Querida em parceria com o Advogado Jânio Queiroz, vai sortear brindes com nossos internautas. São 02 (duas) camisas de academia, 02 (duas) xícaras com pires, 02 (dois) copos de cristal de vinho, 02 (dois) abridores de bebidas e 02 (dois) porta álcool, todos personalizados.

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Participe!!!!

10 outubro, 2022

Procissão de São José em Custódia 2003


Enviado por Maxsuel Siqueira

Respondendo crítica de comentário anônimo


Por José Carneiro

Na poesia em que trato da minha infância e juventude em Custódia há um comentário de um anônimo que, nas entrelinhas e veladamente, faz uma crítica ao meu modo de proceder com ao distanciamento e abandono à terra que tanto amei. 

Meu caro desconhecido: é lamentável não se identificado. Esconder-se no anonimato, sem um motivo que justifique, como é bem o caso, caracteriza uma fuga de si mesmo. Mas, mesmo assim, respeito sua atitude. 

Com toda sinceridade tenho a lhe dizer que não fui eu quem se afastou de Custódia, que tanto amei e dela guardo as mais gratas recordações e as mais doces saudades. Muito pelo contrário. Foi ela que não me quis, ou melhor, não soube me compreender e conservar meu bem querer.

Fui a primeira pessoa, na história de Custódia, a concluir um curso universitário. Fui eu e o Deputado Estadual Manoel Novais, natural de Floresta, que fundamos o Ginásio Padre Leão de Custódia, que funcionou precariamente no Grupo escolar General Joaquim Inácio, tendo eu como diretor. 

Mas, infelizmente, em que pese o interesse e colaboração do então prefeito Luiz Epaminondas Nogueira de Barros, o educandário não obteve o reconhecimento oficial. Lembro que, nas comemorações do primeiro Sete de Setembro da gestão de Luiz Epaminondas, o desfile do ginásio foi deslumbrante, a ponto de receber rasgados elogios do prefeito, que era, reconhecidamente, um bom administrador e um homem de visão. 

Além disso, tive outras atuações em favor da terra e seu povo, sem, contudo, receber nenhum reconhecimento. Mas, como refere a Bíblia Sagrada, ninguém é bom profeta em sua terra. Ressalvo que a única lembrança e homenagem que recebi de minha terra, em toda minha vida acadêmica e profissional, foi por intermédio de Jussara Burgos, que me agraciou com o paraninfado de uma turma do ginásio Padre Leão, que credito à amizade que me unia ao seu pai José Burgos, meu grande amigo, de quem conservo na memória e no espírito os mais legítimos sentimentos de admiração e apreço.

Meu caro amigo, envolto no manto do anonimato, longe de mim o mais leve ressentimento do meu torrão natal. O fato de somente agora, depois de tanto tempo, retornar a Custódia, entre outras coisas, não é outro senão, a tendência natural e humana da humanidade, de na velhice voltar às origens.

Parafraseando o poeta "depois de um longo e tenebroso inverno", matando saudades, eu volto à minha terra!