25 outubro, 2021

João Miro e a cor da terra em Brasilia


Você sabia que na década de sessenta o Sr. João Miro da Silva, ex-prefeito de Custódia, esteve em Brasília e ficou tão impressionado com a cor da terra da Nova Capital que voltando para Custódia mandou pintar seu carro na cor ocre?

Jussara Burgos

23 outubro, 2021

Saiu EP com 7 músicas de Januncio Siqueira chamado Estilizado. Baixe agora.


Divulgação



O cantor e compositor Januncio Siqueira, acaba de lançar novo trabalho, um EP com 7 músicas, intitulado de Estilizado, disponível no canal Sua Música e no Youtube.

Para baixar pelo Sua Música, basta clicar AQUI e depois em BAIXAR CD COMPLETO.

Para ouvir pelo Youtube, clique AQUI.

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Projeto Atan nas Escolas realizou em Maravilha mais uma Palestra

 

                                                         Foto: Facebook Atanael Rezende.


Nesta semana foi concluído a penúltima rodada de palestras do Projeto Atan nas Escolas. Desta vez com o tema: Processos da Área de Gente, realizada na Escola Manoel Leandro de Morais - no distrito de Maravilha.

Ao ouvir alguns relatos de muitos alunos, através do nosso time de Gente Cultura e dos nossos gestores palestrantes do projeto, é difícil não se emocionar. Ainda mais quando se trata de uma escola pública, distante da cidade, a qual eu estudei até concluir o ensino fundamental.

A disciplina, a interação, o olhar e os ouvidos atentos de cada aluno, me faz acreditar minha que a maioria terá um futuro melhor. Provando que a doação do nosso tempo para realização do projeto será compensada.

Ao nosso time, muito obrigado… vocês têm a minha gratidão e admiração. 

Aos diretores e professores das escolas, obrigado pelo apoio. 

Aos alunos, meus parabéns pelo engajamento e pela demonstração de vontade de crescer. 

Assim como eu acreditei na minha força para mudar a minha condição social… eu acredito em vocês. 

Que Deus os abençoe.

Atanael Rezende
Diretor Grupo Atan

22 outubro, 2021

Dona Delícia: Um parâmetro de elegância e estilo em nossa cidade.



Nós costumamos prestar homenagens às pessoas que não estão mais em nosso convívio. É meio que paradoxal dizer da admiração, do respeito e do amor que sentimos por elas, se não mais nos escuta e não nos vê fisicamente. As coisas seriam diferentes, se esses sentimentos fossem externados em vida.


Custódia perdeu um símbolo de bom gosto, de personalidade forte e beleza nata. Dona Delícia, mulher extraordinária e autêntica na sua trajetória de vida. Católica praticante e de um grande amor a sua Igreja e ao seu Deus, soube viver sua história com seus altos e baixos. Foi esposa, mãe de 10 filhos, avó e bisavó. Nunca perdeu a classe de mulher elegante. Criou seu próprio estilo em pleno Sertão Nordestino; fez a diferença entre as mulheres da sua contemporaneidade.


Viver 103 anos é uma dádiva da misericórdia Divina. Esse tempo bem vivido nos mostra que Dona Delícia soube viver e para que isso aconteça com cada um de nós é necessário estarmos bem com nós mesmos.


Dona Delícia. Era uma delícia vê-la de chapéu, saltos altos, meias finas e colares enfeitando sua silhueta de mulher bonita.


Saudades,
Lindinalva Pinto Simões de Almeida

21 outubro, 2021

Conheça o custodiense que faz parte da Academia de Letras do Brasil


O custodiense Francisco Alves, foi incluído na Academia de Letras do Brasil em 2014, na função de tesoureiro. Mais uma vez a cidade de Custódia sendo bem representada por seus filhos ilustres no sudeste do país.

Conheça sua biografia, clicando ->: AQUI

[Há 9 anos] Estadão de São Paulo - "O trem que faça a curva"



Leonencio Nossa ENVIADO ESPECIAL / CUSTÓDIA (PE) 
O Estado de S.Paulo
Ferrovia e patrimônio

A revolta começou quando, há poucos meses, as máquinas que abriram o caminho da ferrovia Transnordestina derrubaram velhas baraúnas e apontaram na reta da Igreja de São Luiz Gonzaga, em Fazendinha, povoado perdido no sertão de Moxotó, em Pernambuco. Ali vivem cerca de 200 famílias descendentes de africanos e portugueses.

Engenheiros das empreiteiras que fazem a terraplenagem da "obra dos sonhos" do presidente Lula avisaram aos moradores que a estrada de ferro passaria por cima da igreja, que não é um templo qualquer. Trata-se de um raro símbolo do Brasil Colônia encravado desde o século 18 na caatinga.

Ninguém mais dormiu bem com a ameaça da demolição do templo branco e de portas marrons, conta o agricultor Estácio Siqueira, um senhor de 81 anos e olhos bem azuis, vestido com um jaquetão preto em meio ao mormaço do semiárido. Ele é descendente do português Pantaleão Siqueira, desbravador que teria mandado os escravos erguerem a igreja, no início do povoamento do sertão, segundo o livro Moxotó Brabo, de José Lins de Albuquerque.

"É esquisito", diz Estácio. "É preciso respeitar a idade de qualquer um. Quando eu era criança, a igreja já era caduca. O trem que faça a curva", defende.

Siqueira relata que parentes foram enterrados dentro da igreja. Era regalia de quem tinha terras. Os escravos e os homens livres sem posses eram enterrados no terreiro do lado de fora, onde agora virou um depósito de manilhas. "No meu caso não é tanto pela igreja, é pelos que estão enterrados lá", diz. "Vovô Benzinho foi enterrado no piso."

Um parêntese: é lá, no reboco de parede de quase um metro de largura, que podem estar os ossos do Capitão Lili, um dos mais temidos capangas da época do "cativeiro", como chamam o período da escravidão. Lili, conta Siqueira, tinha prazer de cortar as nádegas dos escravos e colocar sal e pimenta. Uma equipe de arqueólogos contratados pela Odebrecht, empresa que toca as obras, esteve no templo e retirou ossos do subsolo.

Numa terra em que caciques políticos são chamados de "pai" por quem ficou órfão, o mito do "Pai Arraia" - como era chamado o ex-governador Miguel Arraes - deu lugar ao do "Pai Lula" em Moxotó. Mas nem o "parentesco" com Lula contemporizou a situação em Fazendinha.

"Não vou mentir. Lula é meu pai, mas agora estou triste, com depressão", diz Marinez Teixeira Veras, de 36 anos. Mãe de três filhos menores, ela recebe R$ 200 como funcionária da prefeitura e mais R$ 145 do programa Bolsa-Família. A moradora diz que a ferrovia passará pelo povoado sem deixar benefícios. "Eles fazem as coisas sem nos ouvir", queixa-se.

As empresas aconselharam as professoras da escolinha do lugar a interromperem as aulas até o fim do mês. A professora Cintia Ribeiro diz que ainda não sabe onde a prefeitura vai pôr as crianças. O único benefício da chegada das empresas, até o momento, foi a instalação de duas cisternas para atender os trabalhadores, que os moradores aproveitam para abastecer as casas. Não há água encanada em Fazendinha.

O diretório do PT em Custódia não quis entrar na briga. O prefeito Nemias Gonçalves de Lima, do PSB do governador Eduardo Campos, não sabe de que lado fica. Gonçalves, que teve mais de 300 votos no povoado nas últimas eleições, diz que quem não sabe o que quer são os moradores. "O povo está dividido entre o desenvolvimento e a tradição", afirma. 

Link da Matéria: Clique Aqui

Colaboração: Márcia Hattori
Historiadora e mestranda em arqueologia
Museu de Arqueologia e Etnologia da USP


20 outubro, 2021

Biografia Anfilófio Feitosa


B I O G R A F I A


ANFILÓFIO FEITOSA - nasceu na Fazenda Rochedo, hoje Vila do Airi, no município de Floresta – Pernambuco,  no dia 12 de dezembro de 1911, filho de Pedro Joaquim de Sá Feitosa e de Teodora de Sá Feitosa. Sendo o seu pai, além de criador e comerciante, um professor leigo, alfabetizou-o e posteriormente cursou até o primeiro ano ginasial na cidade de Floresta, não prosseguindo seus estudos em virtude da transferência da família  para a Vila de Betânia,  onde já residiam tios e primos da família Feitosa, Sá e Souza Ferraz.

     Em 09.06.1938, casou-se com a jovem Maria de Lourdes de Sá, natural de Tacaratu – PE, estabelecendo domicílio naquela Vila e de cuja união nasceu os seus seis filhos: Emerson, Tadeu, Maristela, José Ferdinando, Pedro e Maria Célia.

     Nos anos de 1943/44, instalou-se temporariamente na Sede do Município, onde   assumiu o cargo de Secretário Municipal, na primeira  gestão do então Prefeito Ernesto Queiroz. Terminado este mandato ele retornou com a sua família para a vila de Betânia, onde exercia o seu comércio de tecidos, padaria, dedicava-se a agropecuária e também exerceu as funções de Oficial do Registro Civil.

     Em 1957, veio para a sede do Município de Custódia onde assumiu o cargo de Tabelião, do 2º Cartório, cujo titular Teófilo Pires havia se aposentado. Com a emancipação política de Betânia, em 19.03. 1962, desligando-se assim do Município de Custódia, licenciou-se de suas atividades de Tabelião, enveredou pela política, concorrendo as primeiras eleições daquela Cidade e elegendo-se Prefeito, em 15.11.1962. Cumpriu o seu mandato até o final do ano de 1966, quando retornou para Custódia, reassumindo as suas funções no Cartório do 2. Ofício até a aposentadoria e ali residindo com sua família até a sua morte .

    Muito embora não tenha continuado seus estudos, pelas dificuldades que se apresentavam àquela época, pois os colégios e faculdades eram raros e distantes da pequena Vila em que residia, sendo o estudo um privilégio de poucos, ele foi um incentivador e batalhador para que os filhos estudassem, não medindo esforços para vê-los formados.  Dono de uma caligrafia perfeita e ortografia correta, o que lhes rendia elogios de todos com quem trabalhava.

     Como homem público, desempenhou com honradez e honestidade o mandato que lhe foi confiado pelo povo, procurou favorecer seus munícipes com benefícios que até então lhes eram desconhecidos, entre os quais a luz elétrica e os primeiros calçamentos das pequenas ruas daquela cidade.  Acostumado que era ao campo, residia na sua Fazenda Caraíbas e procurava estar sempre perto dos pequenos agricultores que, como ele, sabiam o que era o sofrimento das grandes estiagens.

     Um homem firme em suas decisões, que seguindo o exemplo do seu pai, soube formar a sua família, dentro de princípios de honradez e respeito, enaltecendo sempre a importância do estudo e da formação acadêmica, mas por ironia do destino não chegou a ver a colação em grau superior dos seus filhos, pois acometido de um Acidente Vascular Cerebral, veio a falecer, prematuramente,  aos 62 anos de idade, no dia 22 de maio de 1974.

Por CÉLIA BARROS

Situação de Custódia após o Golpe de 1937


Governo Constitucional

Teve início em julho de 1934 com a eleição de Vargas pelo Congresso Constituinte e terminou em 10/11/1937 com o golpe do Estado Novo, quando Getúlio instituiu novo regime político. 

O crescimento de movimentos de inspiração fascista, encarnados principalmente pela Ação Integralista Brasileira, propiciou a união de setores socialistas e liberais na formação de uma frente política, a ANL. Com Luís Carlos Prestes na sua presidência e sob forte influência do PCB, a ANL iniciou uma campanha de agitação popular, o que levou Vargas a determinar seu fechamento e a prender alguns militantes.


Efeito do Golpe de 1937 em Custódia

Nessa época o Presidente da Câmara de Vereadores era Ernesto Queiroz, por diversas vezes, assumiu a Chefia do Executivo. Com o Golpe de Estado de 10 de Novembro de 1937 a situação em Custódia não sofreu solução de continuidade, sendo o Major Inocêncio parente do Interventor Agamenon Magalhães, foi conservado à frente da Prefeitura Municipal. Se afastou apenas à pedido por motivo de doença em 11 de maio de 1939, quando, pelo Ato nº 1.237, Ernesto Queiroz foi nomeado substituto.

Fonte: Livro "Um coronel sem patente" (Ernesto Queiroz Júnior)

Coisas que não se esquecem jamais - por Joaquim Belo

Foto: Cristiano Jerônimo

Custódia naquela na década de cinqüenta não tinha médico, pelo menos eu nunca ouvi falar, lembro que quando João – um dos meus irmão – quebrou o fêmur foi levado para Sertânia na fubica de João Correia. Minha mãe, Dona Julieta Januária, mais conhecida como dona Jília, era hipocondríaca, razão pela qual tinha um cuidado excessivo com a saúde nossa e um profundo conhecimento de remédio caseiro e era natural que tivesse uma aproximação muito grande com Dona Corina e Sêo Joaquim Pereira dono da farmácia da cidade, depois com o casal Zé Burgos e Dona Noêmia, que também eram donos de farmácia, pessoas de boa índole que se tornariam depois padrinhos do meu irmão Paulo. Tinham sempre algum remédio sobrando em nossa casa, morávamos numa casinha de taipa que ficava numa confluência do terreno de D. Izaac de Manoel Lopes, pais de Joãozinho o maior jogador de sinuca que já vi. Eu menino um pouco levado aproveitando a ausência de minha mãe peguei um vidro cheio de comprimidos engoli uma parte e o resto eu os joguei num buraco de rato afirmando que era aquele animalzinho o responsável pela façanha, até que poderia dar certo se não fosse eu começar a passar mal com um acesso interminável de vômitos. Graças aos préstimos e conhecimentos farmacêuticos de dona Corina e Sêo Joaquim Pereira, é que estou aqui contando o caso.

A situação estava braba em Custódia e meu pai resolveu mudar para o distrito de Betânia, como não tinha emprego foi tirar dormentes para meu tio Pedro Roberto vender a Rede Ferroviária do Nordeste. Lembro bem a viagem, nunca tinha andado de carro, à medida que o caminhão andava, eu tinha a impressão que eram as arvores quem se moviam. Chegando a Betânia, não sei por obra e graça de quem, nós fomos morar em um dos cômodos de uma escola, denominada Escola Típica Rural, a outra sala funcionava a sala de aula em outro cômodo morava a professora dona Maria do Carmo Moreira, que era de Flores ou Triunfo não me lembro bem, foi nessa escola que nasceu minha Irmã Maria Inez, a escola ficava situada entre a chácara de Sêo João Daniel e a vila de São Gonçalo, São Gonçalo era um povoado abandonado, parecia uma cidade fantasma, as casinhas, a usina e os depósitos onde eram armazenados os maços de fibras beneficiadas do caroá. 

Todo esse patrimônio pertencia à firma José de Vasconcelos, destacava-se uma casa muito boa avarandada, já um pouco deteriorada pela ação do tempo. Lá morava uma senhora com as filhas, ela tinha um nome esquisito parecido com Dona Tapuia. A situação foi melhorando e fomos morar no centro da vila em uma casa ao lado da residência de Sêo Pedro Pereira e dona Julieta, ele comerciante e irmão de Joaquim Pereira dono de farmácia em Custódia. Meu pai Augusto Belo tinha um único vício na época jogar baralho, graças a Deus não bebia, se não eu não estava hoje aqui contando essa estória, pois eu não era referência em comportamento para qualquer criança, e pai não dava refresco a peia rolava solto e quando ele não se saia bem no carteado a dosagem era em dobro.

Quando era uma dose cavalal eu me refugiava na casa de Major Zé Miguel e era bem acolhido por Doma Mariinha, a outra opção era na casa de Dona Julieta de Sêo Pedro Pereira, era lá onde eu encontrava a cura para a dor física e da alma. Em janeiro de 1957, meu pai já como Guarda Arrecadador, graças à ação do deputado Olimpio Ferraz. Tempo depois, já morando em Sertânia, voltei a Betânia em companhia do Veterinário José de Sousa Leal, em uma de suas viagens de trabalho, aproveitei para visitar aquelas almas boas. Dona Mariinha já estava no reino de Deus e Dona Julieta estava em uma cadeira de rodas vitima de um derrame cerebral, já não conseguia articular com clareza as palavras, porém as lagrimas que rolaram de seus olhos quando eu lhe abracei, foram bem mais significativas do que qualquer palavra e posso dizer que foi um dos momentos de maior tristeza que já passei, mas foi também uma das maiores emoções passei em toda minha vida.

Por Joaquim Belo

19 outubro, 2021

Volta ao passado - Família Carneiro Farias de Souza

Família Carneiro Farias de Souza

Tendo recebido um amável convite de Eliane Remígio, participei no final de semana passado de um dos momentos mais emocionantes que tive. Uma caravana com dezoito integrantes visitava a belas praias pernambucanas, e nessa ocasião, depois de mais de trinta anos, pude rever um dos melhores amigos de infância que tive, o Emilson Pires, juntamente com seus irmãos Elzirinha e Elson, bem como demais familiares. Também revi custodienses que não via havia muito tempo: Dr. José Carneiro, Juiz de Direito, Elvira Rodrigues, Jailson Vital, Dona Ozanira (mãe de Jailson), Creusa (a quem eu chamava de Dona Creusa, e os mais íntimos de Cristo), esposa do saudoso Sílvio Carneiro, Betinho Amaral e muitos outros. 

Voltei no tempo. Do amigo Emilson – carinhosamente apelidado na infância de Cebolinha, lembrei de uma das “traquinagens” que cometíamos. As brincadeiras “de render”, as peladas nas Gramas da Várzea (onde hoje está construída a quadra de Esportes e a minha casa). Um fato curioso me veio à lembrança. 

Próximo à Farmácia de “Sêo” Elpídio, tinha a mercearia de Djaci, pequeno estabelecimento comercial onde por vezes fazíamos ponto. 

Certa vez, num desses encontros, estávamos, eu, Emilson e um outro amigo comum. Não sei como, surgiu uma discussão em que Emilson afirmava que eu e o outro amigo não seríamos capazes de comer o conteúdo de um vidro exposto no balcão: tratava-se das saborosas “mariolas”, coqueluche daquela época. Come não come, até que Emilson propôs: se nós comêssemos todo o conteúdo de mariolas, ele pagaria a conta. Em princípio, tive medo de não conseguir, pois se isso ocorresse, nós teríamos que pagar. De minha parte eu não tinha um tostão no bolso. 

Mas, devido à pressão que se fez, nós topamos comer a “mariolada”. Contadas, creio que somavam umas trinta mariolas. 

Começamos a degustar as “benditas” Mariolas, deliciosas no início. Lá pela metade, Emilson resolveu apelar: mandou colocar dois copos com água em cima do balcão, para provocar a sede. Resultado: as últimas Mariolas desceram “na marra”. Quase não conseguimos devorar aquele pacote de mariolas. Aí foi uma sede – como diria o Lula “nunca antes vista nesse País”.

Bebemos água a mais da conta. Com estômago pesado, nós mal podíamos andar. E tivemos que esperar baixar o peso da barriga, deitados na sombra, lá nas Gramas. Passei um bom tempo sem nem poder olha para doces. 

Outro fato me veio à lembrança naquela agradável noite. Cheguei a comentar com o próprio Betinho. É que quando da doença que vitimou D. Eliza, sua mãe, Betinho, com seus doze ou treze anos causou verdadeira admiração na população, pelo seu comportamento. Cuidou de sua mãe igual ou melhor que muitos adultos poderiam fazer. Isso me fez admirar o Betinho, que abandonou nossas brincadeiras na rua para dar assistência a sua querida mãe. 

E mesmo ausentes, muitas outras figuras me vieram à mente naquele encontro emotivo. Geraldo de João Dentista, Zeraldo (de Chiquinho de Elizeu), Edinho (filho de Lourdes, uma protética que morava pertinho do PTB), e muitos outros que fizeram parte da turma que infernizava a vida do Padre Luiz, com as brincadeiras de render, ao redor da Igreja. Certa feita, sozinho, estava eu na calçada da igreja, aguardando a turma. Peguei um pedaço de carvão e comecei a desenhar no cimento grosso da caçada, um enorme revólver. Não percebi que o Padre Luiz, sorrateiramente, saiu da Casa Paroquial, e dando a volta pelos fundos da Igreja se postou de pé, por trás de mim. Quando concluí a “obra”, ouvi a frase, carregada do sotaque alemão: 

- “Custódia é sempre Custódia”! 

Bons tempos aqueles. Descompromissados, livres, sem o estresse das cidades grandes, aquele tempo realmente foi o melhor que vivi em toda a mina existência. Os passeios pelos arredores da cidade, em busca de Umbu, a caçadas de “rolinha”, com “petecas”, os banhos nos riachos e na cachoeira, os piqueniques organizados pela Escola, enfim, muitas atividades que preenchiam um pouco aquela monótona vida de cidadezinha do interior. 


(PS: Agradecimentos especiais a Eliane, que nos recebeu tão gentilmente, a mim, a Ana Carla e ao Bruno)

Texto e Foto: José Soares de Melo

Clube de Castores (1975) - por Fátima Rael


Por FÁTIMA RAEL SANTANA

Em 1975, havia em Custódia o LIONS CLUBE, cujos sócios eram os casais da nossa sociedade. E para não deixar os jovens sem participar da sua causa filantrópica foi criado o CLUBE DE CASTORES. As reuniões aconteciam geralmente aos sábados, no CLRC. Acredito que a maioria que dele fez parte, não lembra mais deste período que nós jovens e adolescentes da época nos reunia-mos com o objetivo de desenvolver ações voltadas para ajudar os mais carentes. Esta foto foi tirada no dia 11/05/1975, ao lado do Colégio Ernesto Queiróz, recém construído ainda sem a murada. Na ocasião os companheiros Castores fizeram a entrega de donativos às moradoras da “rua da remela”, hoje Esperidião de Sá. 

No centro segurando o estandarte do clube, JOÃOZINHO DE ABÍLIO, à esquerda DOMINGOS SÁVIO, TONHO REMÍGIO, ADSON AMARAL e SÉRGIO MURILO. Á direita GILSON, PAULO MOZART, ELZIR, eu, IVANILDA de Baião, ANA GÓIS, JORGE de Zé de Heleno, MARQUINHOS, CLEIDE FERNANDES e outros companheiros castores que já não consigo lembrar seus nomes. E finalmente aí no canto à direita fazendo pose, quem ? NÊGO LUCIANO.

18 outubro, 2021

Um sonho chamado Brasília - Autora Jussara Burgos

foto: Diário Web

Hoje eu sei, desde menina meu coração dizia... meu destino seria morar em Brasília!

A construção da nova capital foi um momento histórico e de mobilização nacional, nessa época eu era muito pequena. Nasci em 1953, mas lembro-me das pessoas falando à respeito desse acontecimento e presenciei o êxodo que houve no sertão. Muitos caminhões com quatro estacas nas extremidades da carroceria e com uma lona estendida formando a cobertura, era o meio de transporte, conhecido como pau-de-arara; eles saiam de minha cidade no interior de Pernambuco abarrotados de pessoas que queriam tentar a sorte. Na época, meu pai auxiliou muita gente que não tinha condições de comprar passagem.

Eu ficava olhando os chamados "retirantes", deixando a nossa terra para se aventurar no longínquo Planalto Central, considerando aquilo tudo um ato de coragem! Minha avó tinha um rádio à pilha que parecia um caixote de madeira, nesse tempo ainda não havia energia elétrica no meu sertão. Eu ficava ouvindo nesse rádio as notícias sobre a construção da nova capital e também gostava de ouvir minha música predileta “Rojão de Brasília” do paraibano Jackson do Pandeiro que dizia:


“O Brasil está construindo
Mais uma grande cidade
Que antigamente foi sonho
Mas hoje é realidade

Está ficando povoado
Todo o meu Brasil central
Riqueza, progresso e glória
Trouxe a nova Capital...”.

No auge dos meus dezoito anos, uma pessoa me aconselhou a mudar para Brasília. Na época, essa idéia pareceu uma realidade distante... sair do sertão de Pernambuco e ir morar longe dos meus familiares, estava fora de cogitação. Mas logo na sequência, a turma de concluintes do Ginásio Municipal Padre Leão organizou uma excursão para Brasília, e como haviam lugares disponíveis no ônibus, resolvi então, conhecer a nossa capital.

Meu caso com Brasília foi amor à primeira vista, sempre gostei de grandes espaços, e isso a cidade tem muito a oferecer. Foi e é encantador ver as faces dessa bela e jovem cidade refletida nos seus espelhos d’água, dentre eles o Lago Paranoá; adorei o conjunto arquitetônico do gênio Oscar Niemeyer, ele projetou uma cidade onde tem suntuosos palácios e belos jardins!


Numa tarde ensolarada, caminhando na Esplanada dos Ministérios, percebi a possibilidade de ampliar minha visão e ver até onde ela alcança. É como estar no centro de uma circunferência e ter 360 graus de linha do horizonte. Tela da natureza que se renova a cada dia propiciando lindas alvoradas e estonteantes crepúsculos. E o cerrado? À primeira vista, me pareceu feio, arbustos retorcidos. Mas, lembrei da caatinga que todavia parece morta, porém uma chuvinha rebrota sempre cheia de esperança! Então, pensei... o cerrado deve ter também seus encantos, e vi depois que estava certa. Suas flores são de uma beleza e delicadeza ímpar. E o Sol, ah... foi o momento mais impressionante, ver o Sol derramando sua Luz sobre o Planalto, abençoada claridade que ainda não vi noutro lugar. E diante de todos esses encantamentos decidi viver em Brasília.

Na Volta para Pernambuco juntamente com a excursão, decidi onversar com meus pais e com o consentimento deles, um mês depois cheguei ao Planalto de "mala e cuia". Fiquei hospedada na casa de um casal de amigos, meus conterrâneos. Antônio de Assis que havia trabalhado na Viação Aérea São Paulo - VASP, me apresentou ao chefe da reserva de passagens daquela empresa, havia uma vaga disponível, fiz testes de conhecimentos gerais, matemática e português, fui aprovada. Fiz curso de Air Imp (linguagem usada na aviação) também passei. A próxima etapa era fazer um curso em São Paulo onde aprendi a trabalhar com computador programado para atender as necessidades da empresa.

Cheguei em São Paulo com "a cara e a coragem" como se diz, e um denunciador sotaque nordestino. E preciso dizer que fui alvo de gozação? Naquele tempo não se conhecia o termo "bullying", mas passei vários dias ouvindo meus quatro colegas paulistanos me imitando e chamando de cabeça chata, paraíba, pau de arara, etc. Suportei calada, pois aprendi lá no meu sertão que em "terreiro estranho a gente não canta de galo". O jeito era não perder a esportiva e nem revidar as gozações.

Conheci as dependências da empresa, a central de informática, simuladores de vôo e tive aulas de segunda à sexta. Na tarde de sexta-feira fiz o teste de avaliação e na manhã de sábado eu teria que voltar para saber o resultado. Chegando à sala de aula, sentei-me no ultimo assento e fiquei esperando. Logo o professor Viana entregou a prova corrigida. Fiquei feliz, meu emprego estava garantido. Enquanto isso, os paulistas se entreolharam e comentavam aflitos que não tinham sido aprovados. Foi então, que lembraram de mim e perguntaram:

- E você?

Pensei... é agora que eles me pagam por toda gozação que me fizeram, decidi e falei calmamente:

- Vocês nunca pensaram que a quantidade de massa cinzenta é proporcional ao tamanho do crânio? Para alguma coisa essa cabeça chata serve. Passei com oitenta e oito por cento de aproveitamento, tchau e até nunca mais. Fui à forra! No dia seguinte, voltei para capital de todos os brasileiros, onde se encontra um bom reduto de nordestinos e nunca sofri discriminação. Sou bem grata à essa terra que me acolheu e que viu meus filhos nascerem!




Jussara Burgos

Praça Padre Leão 1950



Aqueles que nunca tiveram oportunidade de ver uma foto da antiga Praça Padre Leão, em meados dos anos 50, podem apreciar esta raridade. 

Provavelmente foi fotografada do Hotel Sabá (vizinho a Sorveteria de Olimpio), na época, de propriedade da família Gonçalves. Ainda não existiam as algarobas. 

No centro da praça, temos as canoas do Sr. Adamastor. O prédio da Farmácia Pereira aparece do lado direito, como o primeiro prédio com andar do município.

Quem tiver mais informações sobre essa época, por favor nos envie seus comentários, para ser acrescentado a essa foto.

Agradecimento: Olga Gonçalves

17 outubro, 2021

A revolução tecnológica - por José Melo



Por José Melo

Quando fui Secretário Municipal em Custódia, identifiquei uma raridade nos depósitos da Prefeitura: uma antiqüíssima máquina de datilografia, da marca Remington, que segundo os mais velhos da época, fora a primeira a chegar em Custódia. Limpei-a, mandei recuperar, e guardar nos arquivos da Prefeitura, tendo em vista o seu valor histórico. Decorridos tantos anos, não sei se ainda existe. 

Fiz esse registro antes de sugerir às autoridades competentes, que seja feito um levantamento do patrimônio histórico de nossa cidade, começando pelos bens públicos. Isso porque, revendo minhas memórias, me veio a mente um momento significativo prá mim, e por extensão para Custódia. 

Era metade da década de oitenta. Na gestão do Prefeito Djalma, através de iniciativa do então Secretário de Obras Luizito, a Prefeitura adquiriu o primeiro computador a chegar em Custódia. Era montado em Recife, pela Empresa Elógica, que despontava no cenário comercial como uma das mais competentes na incipiente indústria da informática Nacional. Na verdade era um micro-computador pequeno, cujo formato era idêntico às CPUs de hoje, apenas que operava na posição deitada, diferentemente dos de hoje. Naqueles tempos ainda não existia o disco rígido, e todos os arquivos eram armazenados em disquetes 5/4, de tamanho um pouco maior que um CD de hoje. O pequeno monstrengo tinha um nome bem regional: Corisco. 

Seu sistema operacional era próprio, fora desenvolvido pela universidade Federal de Pernambuco, e recebeu o nome de SOC – Sistema Operacional Corisco. Para funcionar,era inserido o disquete do SOC em um drive, e conforme a operação a ser executada outro disquete era inserido no outro drive. Lembro bem que dispunha de dois programas principais: Uma planilha de cálculo, cujo nome não guardei, e o editor de textos, então denominado de Word Star. Nem precisa dizer o malabarismo que era feito para acentuar uma palavra, ou mesmo colocar um ponto ou uma vírgula. Não havia mouse, tudo era feito mediante a combinação de caracteres. 

Naqueles tempos, computadores ainda eram um sonho. Lembro que na década de setenta, ao fazer um curso no SERPRO, fui apresentado aquela que era a mais moderna e sofisticada máquina que a mente humana já havia construído: um imenso computador IBM que mais parecia uma engrenagem de uma pequena máquina tipográfica. 

Voltando ao Corisco, após realizada a compra, fui designado pelo Prefeito para fazer um estágio em Recife, na fábrica da Elógica, para aprender a operar aquela maravilha que era o Corisco. Durante uma semana eu, meu saudoso amigo Feitosa e, salvo engano o amigo Enildo, fizemos o estágio que nos consagrou como os primeiros Operadores de Computador da história de Custódia. 

Chegamos a Custódia trazendo aquela maravilha de equipamento: a CPU, o monitor ( acho que de 12”), de tela verde, o teclado, a impressora e um “pequeno” estabilizador de corrente. Para vocês terem uma ideia de como a tecnologia era apenas iniciante, o estabilizador de que lhe falo media aproximadamente sessenta centímetros de altura,com cerca de trinta centímetros nas laterais. Era tão pesado que possuía duas alças para ser removido de um para outro local. A impressora não ficava atrás: uma matricial com aproximadamente oitenta centímetros de largura, por cerca de trinta de altura. 

Devidamente instalado em uma sala especial, o então Centro de Processamento de Dados da Prefeitura de Custódia causou frisson na cidade. Diariamente apareciam pessoas para conhecer aquela Maravilha. Afinal de contas, era algo inusitado e estava em evidência na época. 

Até a minha aposentadoria, tais equipamentos ficavam guardados no almoxarifado da Prefeitura. Seria de muito bom proveito se o Senhor Prefeito mandasse verificar, catalogar esses equipamentos, e iniciar uma coletânea de bens históricos, para quem sabe num futuro próximo Custódia vir a contar com seu acervo histórico em um Museu Municipal.

Minha Rua - Por José Carneiro


MINHA RUA
J.Carneiro

Ah! Como é bom recordar
As coisas boas da vida!...

Toda rua tem história
De pessoas ou de fatos
Do passado ou do presente
Verdadeira ou inventada
De boca em boca contada
Nem sempre da mesma forma
Pela voz de sua gente.

Das muitas coisas do mundo
Uma boa parte delas
Quase toda rua tem
Uma velha fofoqueira
E moça namoradeira
Paquerando da janela
Rapaz que vai ou que vem.

Ah! Como é bom recordar
As coisas boas da vida!...
Minha rua é formosa
Pela própria natureza
De verde toda vestida
É de todas a mais bela
E por gostar tanto dela
Por tudo que tem me dado
Faz parte da minha vida.

Eu gosto da minha rua
Pelo que é para mim
Por que nela eu nasci
Nela eu sempre morei
E nela te encontrei
Ó mulher que tanto amo
Desde o dia em que te vi.

Mas dela o que eu mais gosto
É da sua linda esquina
Onde eu ia te esperar
Quando vinhas do colégio
Em que tive o privilégio
De dar-te o primeiro beijo
E do teu beijo provar.

Ah! Como é bom recordar
As coisas boas da vida!...

Recife, 7.11.2011

O Filme (Reminiscências) - Por Jorge Remígio


Custódia, o ano era 1963, eu tinha 8 para 9 anos e a Praça Padre Leão era da meninada, como o céu é do avião. Como era comum à época, vivíamos brincando na rua, e naquela manhã clara de um sábado ensolarado, a molecada enchia a praça com brincadeiras que hoje é passado. Para citar algumas, como era bom o preso a favor. E o garrafão? Sentir toda aquela adrenalina do perigo de levar porrada, mas, também o gostinho de poder dar também, era excitante. Jogar bola descalço no calçamento, sem se importar com o perigo que o dedão do pé corria, guerrear com índios, bandidos e mocinhos, jogar bila; pião; puxar carros de madeira; apostar corrida de prado; “boquinha de forno, forno, jacarandá, já, quando eu mandar?, vou. E se não for? Bolo. Sinhô rei mandou dizer, que fossem na bodega de Sêo Joventino e pegassem um punhado de farinha” Era o máximo. Toda essa miscelânea de entretenimento, se completava com o filme de final de semana, exibido no cinema de ZEDIZAIAS, se não me falha a memória. Ficávamos esperando ansiosos a colocação dos cartazes à frente do passeio público, entre o clube e o Bar Fênix


Naquela manhã, corri para ver os cartazes já postos. Ao chegar, ofegante pela disparada, tive que esperar duas adolescentes terminarem de admirar as cenas em fotografias, para me deleitar também na imaginação, já prevendo um filme imperdível naquela noite. Uma das mocinhas, era Lourdinha Leite, irmã do meu amigo de presepadas, Chico Elizeu, a qual fez um comentário, no mínimo, inusitado para a colega. Disse: “EITA FILME BOM DA GOTA, ESSE EU NÃO PERCO, NEM QUE O CÃO BOTE O RABO NO MEIO”. Achei a coisa mais interessante daquele dia. Quando as mocinhas saíram, fiquei esperando os parceiros chegarem, para poder plagiar aquela pérola. Não demorou três segundos, lá estavam os contemporâneos, num misto de algazarra e observação. Esperei um momento certo, para fazer o meu brilhante comentário. Aí sapequei: “EITA FILME BOM DA GOTA, ESSE EU NÃO PERCO, NEM QUE O CÃO BOTE O RABO NO MEIO”. Não modifiquei nem uma vírgula. Ôba! À noite chegou. Como de costume me dirigi como um raio até a Bomba, não era chamada de rua, era simplesmente BOMBA. Isso, devido ao Posto Shell de Sêo João Miro e ao Posto Esso, que pertencia a Sêo Adauto Pereira, avô de Paulo Peterson. Ele era muito amigo do meu pai.

Tenho boas lembranças de minha infância naquele local, que vivia em constante movimento, efervescente, parecia está desconectado de uma Custódia calma e bucólica nos primórdios anos sessenta. Caminhões passando, carros abastecendo, ônibus parando nos hotéis dos postos, ou no Hotel Sabá, que era de Sêo Amaro e Dona Maria, pais de Gerson Gonçalves, ainda tinha o hotel de “Zabé de Câinda“, Café da Hora de Minu, irmã de Sinhá GóisFarmácia Galeno de Zé Burgosoficina de Luizinhobodega do meu avô Samuel Carneiroarmazém de Adão, borracharia de Júlio Bernardo, carinhosamente chamado de Júlio Buchudo. Queria citar um detalhe. Colado ao posto do Sêo Adauto, havia um barzinho, pequeno, mas aconchegante, onde o meu pai Claudionor Remígio, costumava tomar cervejas com os amigos. Lembro de Chico Eugênio, Antenor, não sei se Zé de França, mas, me recordo bem que quem atendia no bar, era um rapaizinho magro, moreno, recém chegado da Maravilha, chamado Airton. Muitos anos depois, ele conquistou um título merecido, é o Dr. Airton.

Uma coisa me intrigava naquela época, mexia com o meu raciocínio lógico de criança de 2ª infância, quando ouvia motoristas ao cruzarem com colegas, perguntar: “tá subindo ou descendo amigo?” e o outro responder. “tô descendo” apontando ou dirigindo o olhar para aquela ladeirona , que começava logo após o posto fiscal. Como descendo, se tinha que subir a ladeira para ir ao Recife. Sim, voltando ao FILME, comecei a procurar o meu pai, encontrando-o embaixo do seu caminhão Chevrolet. Acho que a bronca era grande, ele estava com Antônio de Ana, que o ajudava segurando um bico de luz, que alumiava alguma parafuseta. Pelo semblante, observei que ele estava nervoso. Coisa rara, pois ele era uma pessoa calma.

Então, me abaixei e falei uma frase que já havia sido repetida em mil sábados. “Pai… me dar dinheiro pra eu ir para o filme“ Ele de pronto, contrariando todo um histórico favorável, disse incisivo e forte “NÃO! vá para casa menino” Aquilo me causou calafrios, gelei, engoli seco, tentei me enganar fingindo não ter ouvido nada e tornei a repetir a mesma frase, porém, já sem muita segurança. “Pai, me dar dinheiro para eu ir para o filme”. Aí ele foi grosso mesmo e falou quase gritando. “MENINO! vá para casa, senão você apanha“ Não havia mais espaço para argumentar nada. Fiquei sem ação, sem querer acreditar no que estava ocorrendo, aquilo fugia a tudo o que eu poderia imaginar naquela noite. Saí cabisbaixo, contornei o final da Rua do Rio (Rua Tenente Moura), passei ao lado dos Correios, ao pegar a Rua Padre Leão em frente à Prefeitura, onde hoje fica o Banco do Brasil, veio-me a mente aquele estalo, levando-me de volta a bendita manhã daquele sábado ensolarado. EITA ! foi o danado do cão. Será ? Hoje seria mera conscidência, mas, para uma criança do interior, no início dos anos sessenta, onde tínhamos uma ideia real do inferno, sem nunca ter andado por lá, o fato ganha outra dimensão.

As histórias de almas penadas, casas “malassombradas”, causavam pânico nas crianças, a sociedade praticava um catolicismo quase arcáico e de hegemonia total sobre outras religiões, que quase não existiam na cidade. A ideia do inferno ficou mais aguçada e também mais aterrorizante em mim, quando após uma aula de catecismo ministrada na matriz de São José, por Dona Maria de Sêo Ernestomãe de Zezita e Gracinha Queiróz, esta convidou todas as crianças até a sua residência, que ficava por trás da casa paroquial, onde seguimos em fila indiana até o casarão.

Lá, foi apresentado às crianças, um livro muito grosso, com gravuras em bico de pena, onde a meninada, pávida e atônita, viam rios de sangue fervente, onde ardiam os culpados de violência contra o próximo, chuvas de brasas, almas penadas se contorcendo, nuas em um fogo abrasador, outras eram açoitadas por diabos com tridentes, torturadas por serpentes enroladas nos corpos nus…que cenário, hein? Muitos anos depois, descobri que aquele livro grosso, era A DIVINA COMÉDIA do poeta e escritor italiano Dante Alighieri (1265-1321). Todas essas imagens atormentavam a minha mente, até que fui despertado por um moleque, que me tirou daquele quase transe. “ÔXE, TU NÃO VAI PRO FILME NÃO É? “e eu mentindo disse: eu ainda vou em casa. Naquela noite demorei a dormir, olhando para o telhado ou rolando de um lado para outro da cama. E o pior de tudo, ainda estava para acontecer. Foi quando pela manhã do domingo, logo cedinho, os amigos correram até a minha casa na Padre Leão nº 12, e me contaram com detalhes minuciosos, O FILME.

Por Jorge Remígio

16 outubro, 2021

Jovenildo Pinheiro - "O guardião de um tempo de papel"

Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem 

Entre as oito estantes de metal, um conjunto de recortes de jornal relembra aquele turbulento Natal olindense de 1986. Incitados por um grupo de oposição ao prefeito José Arnaldo beatos radicais ameaçavam destruir o presépio confeccionado com bonecos gigantes feitos por Silvio Botelho para concretizar o projeto da então gestora de cultura da cidade, a artista plástica Tereza Costa Rêgo. As figuras bíblicas semelhantes às do Carnaval e, heresia suprema, Nossa Senhora de peito nu amamentando o Menino Jesus no Coreto do Carmo, viraram polêmica nacional. Misteriosamente incendiado, o presépio olindense motivou um debate com matérias em programas como o dominical Fantástico, sobre liberdade artística, respeito e intolerância religiosa. Arcebispos e até a atriz Fernanda Montenegro se manifestaram publicamente a respeito. Este e outros episódios com a memória de Olinda correm o risco de ficar sem guardião.

Na última quinta-feira, dia 29, o sertanejo Jovenildo Pinheiro de Souza deixou de subir, diariamente, os três lances de escadas do sobrado centenário localizado ao lado da Prefeitura de Olinda. Aos 70 anos, o historiador cuja vida pessoal deveria, ela própria, ter suas memórias rigorosamente arquivadas, se aposenta. E não há ninguém especificamente designado para assumir seu papel como coordenador da Hemeroteca do Arquivo Público de Olinda, o Arquivo Público Municipal Antonino Guimarães, criado em 1975 e que, em 1983, ganhou sede própria no casarão desapropriado da família Coelho Leal.

“Tenho mesmo muito medo de que isso aqui se acabe. Meu trabalho tem sido de sacerdócio”, diz ele que, desde 1986, diariamente, lê, recorta e arquiva com a paciência de uma criança diante do álbum de figurinhas tudo que sai sobre Olinda em revistas e jornais. Além da imprensa local e nacional contemporânea, o arquivo conta com exemplares raríssimos das antigas revistas Realidade, Crítica, do jornal O Pasquim, do antigo jornal gay o Lampião (editado pelo agora novelista Agnaldo Silva) e até o primeiro exemplar do Olinda Jornal, restrito à cidade, publicado em 1946. Tudo, tudinho original. “Há anos que pedimos computadores, mas nada”, ele diz. Ali, tudo é lido, recortado, guardado e mantido pelo sertanejo de 70 anos. Nenhum periódico da Hemeroteca foi microfilmado.

Jovenildo começou a trabalhar no arquivo em 1986, a convite de Tereza Costa Rego, a artista plástica que, como ele, voltava do exílio. Mas antes de cuidar com zelo dos fatos olindenses guardados para as próximas gerações, Jovenildo viveu, ele próprio, parte importante da história do século 20. Filho de um pequeno industrial enriquecido com o comércio de algarve na Segunda Guerra Mundial com uma de suas operárias em Custódia, no Sertão pernambucano, ele não conheceu a mãe biológica. “Ela morreu no parto”, ele diz. Criado como filho da irmã do pai com seu marido em Caruaru, era um jovem estudante secundarista quando recebeu, em 1968, o convite para participar do incipiente Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, PCBR, uma das siglas a aglutinar jovens dispostos a pegar em armas contra a ditadura.

Como estudante de História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi preso em 1972, na Praça Valdemar de Oliveira, no inesquecível dia 4 de abril de 1972.  Depois de 15 dias encapuzado no Destacamento de Operações Internas – Centro de Operações de Defesa Interna, o famigerado DOI-CODI das proximidades do Parque 13 de Maio, onde teve direito a choques elétricos e espancamentos, foi transferido para a sede da Secretaria de Segurança Pública da Rua da Aurora. Acabou, por falta de provas, inocentado nas acusações baseadas na Lei de Segurança Nacional. “Eu saí inocentado, mas os militares disseram que não ficaria barato”, diz ele. Nos bares em que chegava, encontrava, quase sempre, um dos agentes dos tempos de prisão. “O Serviço Secreto não era tão secreto assim”, diz ele.

Depois de uma conversa com o partido, resolveu que migraria para o voluntário. Governado pelo socialista Salvador Allende, o Chile era a meca dos exilados revolucionários da América Latina. “Havia gente trabalhando nos ministérios e secretarias para regularizar a situação e conseguir os passaportes de quem chegasse”, lembra.

Um mês, porém, depois de chegar a Santiago, houve o golpe que derrubou Allende. Com todos os militantes tarimbados já previamente avisados e abrigados em embaixadas de onde saíam para o exílio, Jovenildo, o revolucionário inocente, foi pego de surpresa. Sem abrigo ou destino, ficou mais de um mês vagando por Santiago até ser recolhido para um campo de concentração da ONU. “Havia o toque de recolher e quem fosse pego depois das 18h era fuzilado. Era horrível a quantidade de cadáveres na rua. Dormia em qualquer buraco, não sei como sobrevivi”, diz ele, que finalmente conseguiria exílio para um ano bem decepcionante em Cuba de onde saiu para Portugal – onde a família pôde saber finalmente de sua condição como ser vivo desde que desaparecera.

Com a anistia, ele voltou e se integrou ao mestrado de História da UFPE onde conheceu Tereza Costa Rego, com quem teve um breve relacionamento e a parceria na criação do novo arquivo de Olinda. Uma história que chega ao fim. A prefeitura diz que os funcionários dos outros setores se revezarão para dar conta de sua função. “Esses arquivos podem se acabar”, teme o historiador com aurea de personagem histórico. 

Arquivo Postado Originalmente no JC 30/05/2015 de autoria de Bruno Albertim.

Link para postagem original: Clique Aqui

15 outubro, 2021

Salmo Silva em nova série da Amazon Prime "Meu Corpo Minha Onda"


Salmo Silva, 30 anos, custodiense radicado no Rio de Janeiro desde 2012, começou artisticamente na peça O Cristo da Paixão (direção Huberto Guerra) em Custódia, em 2011. Neste período no sudeste, vem estudando bastante para se aperfeiçoar, fez participação em duas peças de teatro, oito aparições na TV e no cinema fez sua estreia no filme Alemão 2 (ainda não lançado).

Seu mais recente trabalho é a série Meu Corpo Minha Onda, lançado esta semana na Amazon Prime, com direção de Jorge Nassaralla, diretor de TV, tendo atuado bastante em programas no canal Multishow. Jorge criou a KN Video em 1990,que ficou conhecida por produzir programas jovens, com uma linguagem moderna. A KN produz programas para TV aberta e TV fechada, investindo pesado também na WEBTV.



"Faço o delegado Aurelino, na série, que no início da série é ambientada em uma cidade litorânea do interior do Rio de Janeiro. O personagem é um dos responsáveis que muda a vida da personagem principal em questões de preconceitos ideológicos, e também do maior sonho da vida dela, que é que competir de bodyboarder no Rio Janeiro" comentou o ator Salmo Silva.


Sinopse da Série:

Dispensada pela namorada, a bodyboarder Mari Mari vem para o Rio de Janeiro a fim de curar a dor de cotovelo e disputar um campeonato de bodyboard. No Rio, conhece uma galera moderna e liberal, que bagunça ainda mais seu coração.

Link para assistir: https://www.primevideo.com/

Paulo Peterson (Blog Custódia Terra Querida)