09 novembro, 2020

Poeta Cordelista: Matuto Izaias Moura


Poeta  Cordelista:
Matuto Izaias Moura:
Sítio Mata Verde: Custódia PE:
36  anos: 
Obras: 1 cordel e 1 Livro:
Ambos intitulado:
Sertão Pru Dentu e Pru Fora:

Cordel

Custódia terra querida 
Minha terra genitora,
Minha mãe terra gentil 
Pátria mais que acolhedora,
És rainha do Moxotó
Custódia és protetora.

Custódia merecedora 
De encanto varonil,
Tuas terras, teus pomares 
Encantam o céu cor de anil,
Paras teus filhos queridos 
És a melhor do Brasil.

Custódia forte e viril 
De grandes artistas nobres,
Tuas ruas, teus recantos 
São ricos de ouro e cobres,
Mas pra teu pesar custódia
Os teus gestores são pobres. 

Matuto Izaias Moura:
Custódia PE


Poema de Marcos Silva - O Poeta de Custódia



Estou aqui nesse grupo 
Fazendo a minha paródia 
Manifesto cultural 
É um grupo de concórdia 
Falo aqui mais uma vez 
Estou junto com vocês 
Meus amigos de Custódia.

Saí da minha Custódia
Ainda moleque novo 
Fui morar na capital 
Deixando meu belo povo
Nenhum me sai da lembrança 
Mas tenho grande esperança 
De morar aqui de novo.

Estou aqui com meu povo 
Em visita na cidade 
Feliz por está aqui 
E vou falar a verdade 
Falando aqui na paródia
E quando estou em Custódia
É grande a felicidade.

Marcos Silva. 
Custódia 08/11/2020.

08 novembro, 2020

[Causo] Dia de Finados, ou Tonho Remígio e suas tiradas

Antonio Remígio Neto (In Memoriam)

Texto e Fotos: Jorge Remígio
João Pessoa
Novembro/2020

O meu querido e saudoso irmão Antônio Remígio Neto, era de uma espirituosidade estupenda. 

Tinha as suas tiradas espontâneas e fazia piadas até mesmo das suas limitações físicas. 

Em um dia de finados no final dos anos noventa, minha mãe Ozanira, estava com parte de sua prole em visitação aos entes queridos no cemitério da cidade. 

Era por volta do meio dia e o sol não era de primavera. Aliás, no Sertão só existem duas estações. Poucas chuvas e muito sol o ano inteiro. Portanto, temperatura chegando aos quarenta graus, sendo amenizada um pouco pela pequena sombra produzida pelo guarda-chuva que Jânio, por ser o mais alto, segurava firmemente protegendo a nossa mãe. 


O termo mais adequado seria um guarda-sol. Após percorrermos os túmulos dos parentes, fazendo preces e até lembrando fatos marcantes dos nossos antepassados, foi lembrado que a grande maioria havia nos deixado após longa vivência. 

Tios e tias com mais de noventa, o meu avô materno Samuel Carneiro com cento e um anos de lucidez e, como era comum, depois de visitarmos a morada dos parentes mortos, sempre estava em pauta a peregrinação pelos túmulos de pessoas conhecidas e amigas. 

Tonho Remígio por residir em Custódia, era nosso cicerone. Sabia perfeitamente a localização dos jazigos e nos conduzia entre a multidão presente naquele dia dos mortos. 

Mulheres de preto rezando em voz alta, um grupo de jovens entoando cânticos religiosos muitas velas acesas. 

Minha mãe ao observar muitas sepulturas de jovens prematuramente mortos, foi se compadecendo e até se emocionou. Repentinamente parou e disse incisiva. 

- Eu quero dizer uma coisa para vocês. Entreolhamos sem saber o que dizer, mas ficamos bastante curiosos. 

Ela disse: 

-Eu quero fazer um contrato com vocês. “mas que contrato, mãe?” 

-Eu queria que nenhum de vocês morressem antes de mim. Então, Tonho Remígio de chofre, falou.

-Mãe, onde é que eu assino?

Ozanira Farias Remígio
* 13/01/1922
+ 19/10/2010

Antônio Remígio Neto
* 11/07/1956
+ 30/03/2016

06 novembro, 2020

[Canal Gandavos] A Paróquia do Glorioso São José - Parte 1

 

Canal Gandavos acaba de divulgar mais um vídeo em seu site, o entrevistado da vez é o Secretário Paroquial da Matriz de São José de Custódia, Cicero Leonardo Alves Ribeiro. 

Para acompanhar o GANDAVOS, se inscreva em seu canal: CLIQUE AQUI

Ative o SINO e RECEBA as atualizações.




04 novembro, 2020

Almir Mello o Filme-Book


Almir Mello(In Memorian) - Musico e pesquisador pernambucano da cidade de Custódia, com trabalhos reconhecidos no Brasil e no exterior, apresenta aqui seus projetos e realizaçoes.

Caminhão - por Cristiano Jerônimo



O meu juízo tem um para-choque mutante de caminhão;
A minha boca é um megafone horizontal de ideais;
Só acredito nos aprendizes que aprendem tudo sempre;
Eternamente, os mestres formam mestres e não súditos.

O medo do saber é uma ferramenta para manter o poder.
Em vão, porque, após algumas tentativas mais difíceis,
A manutenção de um estado permanente ainda não vinga.
Eu só creio em sementes que só insistem em brotar sempre.

O meu conciso é tão relativo quanto o retrato do nunca;
Infelizmente, o que vejo e o que calo não fazem muito bem.
Mas deixei de andar nas espirituais e negativas espeluncas;
Sem, por isso, ficar dando explicações a quase ninguém.

Sabemos de tudo o que nos faz mal e também do que faz bem.
O protagonismo é uma linha inevitável na independência do ser.
Nem sempre fazem o que, na verdade, melhor lhe convém.
Confundem a beleza de ser humano com a crueldade do ter.

Nem tudo aquilo que se aprende trata-se de um saber.
Se você não acredita, não imagino que possa ter.
Não adianta se enganar e partir para dizer foi sem querer.
Nós sabemos da verdade e não esperamos ver pra crer.

Cristiano Jerônimo


01 novembro, 2020

Assista o curta-metragem: Genesis, a Profecia - COVID-19, O Início

 

O Filme conta a história de um adolescente, estudante de química, João Pedro (João Pedro) que sua curiosidade junto ao fanatismo religioso, irá trazer problemas para sua mãe, Tânia (Josetânia Alves).

Com um final surpreendente. 

Com direção de Plínio Fabrício, o Filme ainda conta com a participação do ator, Pedro Donizetti, artista renomado que teve vários papéis na TV e no Cinema Nacional.

Filme - Ficção - Curta-Metragem
Produção Cifrinha 
Concepção: Plínio Fabrício 
Inscreva-se no Canal https://cutt.ly/3gjADKt 
Conheça nosso Projeto no Instagram https://www.instagram.com/cifrinha

Por que se passaram 12 anos - por Ana Amaral



Queridos,

Estes dias eu não tenho tido tempo para pensar muito, tudo tem sido atropelado com o corre corre dos preparativos da minha viagem. Mas, em meio a tudo isso, eu estou preparando meu currículo, e uma das coisas que me foi requisitada, foi uma explicação porque eu me afastei da ciência por 12 anos…isso me fez pensar em muito mais do que a minha vida profissional…me fez pensar na minha vida, na família, nos amigos, em tudo que ficou para trás…em dez anos de vida nova, língua e costumes novos, um engatinhar de novo…

Porque eu deixei tudo para trás e mudei de pais, deixando uma historia, duas filhas, familia, e amigos que me conheciam de muitos anos, foi uma escolha de sobrevivência. Me lembro que no começo da minha adolescência, eu sonhava com a minha própria “grande familia”, nunca gostei de ser filha única, eu viveria uma linda historia de amor, e teria filhos, muitos, e seria feliz para sempre…não foi assim, minha fantasia de menina nunca se concretizou, em todas as tentativas de amar, não tive muitos filhos, e nao fui feliz.

Apenas, minhas duas filhas no final de tudo valeram a pena, e por elas e para elas, eu “atravessaria o mar”, e atravessei o continente, e cheguei na América, dez anos atrás, sem dinheiro, sem documento, sem identidade, só com uma única motivação, continuar lutando.

Os primeiros dias foram dificies, o frio, a saudade, você chora até com comercial de TV, Globo, porque os canais americanos você não entende nada. Os outros dias você começa a se misturar com a vida, com a falta de vida, com a solidão. Ai um dia, por providência de Deus, você encontra uma Igreja, que fala a sua língua, que o povo fala alto igual a você, e beija muito e abraça muito, e todo mundo tem a mesma história, só muda o endereço.

No meio de tudo isso, o tempo passou, eu já não era mais a mesma Ana, mudei de casas, fiz novos e bons amigos, que permanecem até hoje. Já não riu em câmera lenta, o riso vem simultaneo com o programa na TV, já resolvo a vida na nova língua e cultura…

Ai, chega o dia de voltar, acabou a prisão voluntária, você é livre…vou visitar é claro, ainda não é hora de regresso. Então olho pra trás e vejo,…”quantas coisas tem feito o Senhor por nós”…aqui, virei mãe de duas mulheres maravilhosas, aqui, virei avó da Lalai, a menina mais linda e meiga do planeta, virei avó de um príncipe que se chama Henrique, aqui também virei esposa de um homem apaixonante, um presente do Pai, que conhece o coração da filha…aqui ganhei três filhos, aqui me apaixonei mais por Jesus…

Hoje ouvi muitas vezes, tudo mudou, Feira de Santana, a terra que cresci, já não é mais a mesma, a praça de Custódia, onde nasci, não parece nada de antes, talvez muita coisa não esta no mesmo lugar, mas, eu sei que a emoção de quando encontrei “Arroz Tio João”, e abracei e beijei, sabão Phebo, não pode ser diferente ou menor de quando, senti o cheiro da minha terra, o abraço do meu povo, o som da minha língua…essa essência não muda, a minha essência não muda, o sol do meu país não muda…as cores não mudam…eu serei sempre brasileira, de volta pra casa…

Um beijo de saudade aos amigos que ficam, um mês sem minhas histórias, e a expectativa de rever os velhos e bons amigos…

Por Ana Amaral Bennett

O Zé Biá que eu conheci - por Jussara Burgos


Viveu em Custódia um pequeno GRANDE homem: Zé Biá. Era de estatura pequena, devia ter no máximo um metro e meio de altura. Mas de grande valor, era pai de família, trabalhador e tornava-se um gigante quando puxava ar dos seus pulmões e seus lábios junto ao pífano transformava o som em música. Nos dias de festa sua presença era indispensável, ele nos fazia feliz com sua música. Tinha uma senhora, dona Felizarda, que dançava ao som do pífano.

Houve um tempo que ele trabalhou de caseiro ou morador, como se diz ai no sertão, no sítio de Dona Anita, minha querida tia- avó e mãe de criação. A casa principal ficava próxima a Rua da Várzea e a casa de Zé Bia ficava no extremo oposto, acredito, que minha avó quis que ele ficasse ali para tomar conta do que estava fora do alcance de sua visão. A choupana ficava do outro lado do riacho. Era um antigo engenho de cana do falecido esposo de Mãe Nita, o senhor Antônio Remígio da Silva, pai de José, Claudionor, Murilo, Maria Dulce, Maria Eunice.

Zé Biá era casado com Dona Maria, também pequenina e nunca tirava um pano da cabeça e tinha os seguintes filhos: Felix, Luis, Manoel, Lurdes e Margarida. As meninas foram minhas amigas de infância. Brincamos muito de casinha e bonecas lá no sítio. Depois eles saíram de lá. No dia 11 de outubro de 1963 minha avó faleceu e alguns anos depois uma enchente provocada por uma barragem que estourou derrubou a casa principal.

Zé Bia foi morar na Cacimba Nova e nos dias de feira ele e a família ia para a cidade. Depois perdi o contato com eles. No ano de 1973, não pensei duas vezes para tirar essa foto ao lado do meu amigo.

Zé Bia, hoje em dia deve ser músico lá no céu. Vive tocando ladainhas e benditos para Nossa Senhora. Ou então ele deve estar agachadinho diante do trono do Todo Poderoso suplicando com música por todos que vivem no sertão.

OBS: Escolhi esse título, O Zé Bia que eu conheci, por que falo apenas daquilo que recordo. Tem muito para ser dito sobre nosso personagem. Meu tio Dr. Pedro Pereira Sobrinho me disse que alunas da Escola Normal Ernesto Queiroz, fizeram uma biografia de Zé Bia. Também tem um documentário feito pela TV Universitária de PE, segundo Zé Melo foi gravado em 1978. Deixo aqui meu apelo, se alguém ainda tiver esse material, peço que encaminhe para Paulo, para ser publicado aqui no Blog. Depois que publicaram o texto falando de Doca, descobri que o nome dele era Diocleciano. Espero descobrir também o nome de Biá.

Por: Jussara Pereira Burgos 14/10/2009

31 outubro, 2020

Estreia hoje: Genesis, A profecia - Covid-19, o Início

 


Genesis, A Profecia - COVID-19, O Início..

Lançamento Ao Vivo pelo Youtube, HOJE dia 31/10/2020 às 20:00, no link. https://youtu.be/gPnyfRHlk2I

Ative o LEMBRETE para receber a notificação de Ao Vivo na hora da transmissão.

30 outubro, 2020

Quem foi General Joaquim Ignácio?

 



O Arquivo Joaquim Ignacio Baptista Cardoso contém documentos que o avô paterno de Fernando Henrique Cardoso acumulou desde o início de sua trajetória militar, em fins do século XIX, até pouco antes de morrer, em 1924. Embora com lacunas, o conjunto reflete sua participação em importantes eventos da história brasileira, bem como as relações que, a despeito da itinerância imposta por sua longa carreira no Exército brasileiro, manteve com os familiares.


Documentos textuais

Telegramas, cartas, relatórios, ofícios e notícias são alguns dos tipos documentais que compõem o arquivo, abarcando, em sua grande maioria, o período em que o titular exerceu diversas funções na estrutura administrativa do Exército. Totalizando cerca de 1.400 documentos, destacam-se aqueles produzidos e acumulados na década de 1890, quando, entre outras atividades, Joaquim Ignacio Cardoso atuou como ajudante-de-ordens do presidente Floriano Peixoto. Além da rotina, a documentação produzida e acumulada durante o exercício de suas funções evoca alguns dos principais episódios da chamada República Velha, a exemplo da Revolta da Armada (1893-1894) e da Revolução Federalista (1893-1895).

Documentos Fotográficos

O conjunto fotográfico do Arquivo reúne 48 imagens, a maior parte formada por retratos nas várias fases de sua vida militar, como tenente, capitão, major, coronel, general e marechal. Há também reportagens fotográficas nas quais o titular figura como personagem de momentos marcantes, como no retrato em que aparece com Sebastião Bandeira, ambos alferes, junto ao major Sólon Ribeiro, grupo que levou à família imperial brasileira a intimação para sair do país, em novembro de 1889.


Antigo Açougue Público de Custódia


Hoje onde funciona a Prefeitura Municipal de Custódia, e a Secretaria de Saúde Municipal, funcionou em seu passado o antigo Açougue Público.

Na foto:
Dorival Gois, Tenorinho, Adeilda Mariano, Francisquinho Laurentino, 
Francy Abreu, Zé do Fato

Foto enviada por Chico Elizeu

A vida e as suas surpresas!

Foto e Texto
Lindinalva Almeida


O tique-taque do relógio da vida da minha amiga Elza Valeriano parou, nos deixando tristes pela perda de tão grande ser humano. A sua alegria era contagiante, seu belo sorriso retratava um rosto de felicidade. 

Tive o privilégio de trabalhar com Elza no Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), nos anos 1980. O trabalho era agradável, coordenávamos turmas desse movimento e dávamos expediente em uma das salas de um dos prédios da Prefeitura de Custódia, que ficava na Rua Tenente Moura, instalada para esse fim, com estrutura e comodidade para os coordenadores e alunos, disponibilizado pelo grande e inesquecível prefeito Luiz Epaminondas Filho, Luizito.

E a vida, é como é, meu irmão... O tempo passou e Elza foi morar em Recife, deixou saudade, mas, essa saudade diminuía quando nos encontrávamos na festa do Padroeiro São José, na novena dos custodienses ausentes. E como a se despedir dos amigos, no mês de março deste ano, no Encontro de Custodienses que aconteceu no Restaurante Macambira, se fez presente com toda alegria e luz, abraçando todos que estavam ali, abraço de despedida, eu acredito. 

Vivemos tentando compreender os propósitos do Altíssimo. Vã é a nossa tentativa, pois somos partículas minúsculas para entender tão extraordinário mistério. Contudo, Deus nos mostra nas entrelinhas da bíblia, especialmente em Eclesiastes, que tudo tem seu tempo debaixo do céu. 

Amigos, o tempo vivido em família são todos aqueles que jamais serão esquecidos. É onde se vive a intensidade do amor e do respeito. Esses, sim, ficarão guardados nas nossas memórias. E o tempo contado por nós são meras convenções do próprio tempo. Afinal, “que além da vida que se tem, existe uma outra vida além, e, assim... o renascer, morrer não é o fim”.

Abraços fraternos a Sr. Djalma e Elzir, em nome dos quais estendo nossos sentimentos. 

Custódia, 29 de outubro de 2020.

Lindinalva Almeida "Nenê"

29 outubro, 2020

Inscrições abertas para o Alto de Natal 2020


Inscrições abertas para o Alto de Natal, dia 24 de Dezembro. 

Todos os inscritos passarão por uma oficina de teatro, a partir do dia 5 de Dezembro para o Espetáculo. 

Entre em contato no Whatsapp (87) 99978-6261 e saiba mais.

Grupo Rei dos Reis.

O instrumento que toca sem ser tocado - Zé Melo



Há muitos anos atrás – e bota anos nisso, conheci um instrumento musical até hoje praticamente desconhecido. Eu deveria ter pouco mais de dez anos, o que significa que isso deve ter ocorrido no início da década de sessenta.

Apareceu na então pequena Custódia, um “estrangeiro” que se propôs a fazer a apresentação de um novo instrumento musical. Novo, para nós, sertanejos isolados do mundo. Na verdade o tal instrumento fora criado no finalzinho da década de vinte.

O tal “estrangeiro” dizia ser o inventor daquela maravilha, e estava rodando o mundo apresentando aquela maravilha. O local escolhido foi um antigo prédio da paróquia, que servia para uma escola onde Tia Dona, como era conhecida, ministrava aulas, e também chegou a servir de cinema, sendo posteriormente a sede do Centro Lítero Recreativo de Custódia.

A apresentação foi um retumbante fracasso: praticamente ninguém foi assistir ao concerto programado.

Não sei se foi a Prefeitura ou comércio, mas na verdade foi programada uma apresentação pública daquele instrumento. 

De graça, a Praça Padre Leão abrigou muita gente naquela noite, para conhecer o invento. Creio que na época a cidade ainda era servida por energia gerada a motor.

Providenciado o palco – a carroceria de um caminhão - foram instaladas gambiarras para a iluminação, instalado o som da “Duas Américas”, e o espetáculo começou.

O “aparelho” mais parecia uma daquelas antigas caixas de sabão, com duas anteninhas nos cantos, e só.

O apresentador, com forte sotaque explicou aos presentes o que era aquela geringonça. Um aparelho musical que tocava sem ser ”tocado”. Explico: o músico executava seus números sem tocar no instrumento, apenas aproximando e afastando as mãos das anteninhas. Explicou que até trilhas de filmes sucesso de bilheteria foram executadas naquele instrumento.

Após a execução de algumas músicas – todas “estranhas” para nós, simples sertanejos, principalmente as crianças, o “estrangeiro” convidou algumas pessoas para experimentar aquela maravilha. O convidado subia na carroceria do caminhão, se postava frente ao invento e o apresentador segurava-lhe as mãos, aproximando e afastando-as do aparelho, o que produzia sons diferentes.

Lembro bem que o mesmo convidou uma conhecida professora da cidade, já chegada nos anos, solteira e famosa pela “braveza” que tinha com seus alunos.

Não esperando o controle do apresentador, ela aproximou bastante uma das mãos de uma das antenas, o que provocou um ruído fortíssimo, de muitos decibéis.

Afastando-a do aparelho, o apresentou com seu sotaque carregado explicou porque ocorreu aquele ruído tão forte:

- “É que a senhorra aqui ter muita energia guardado na sua corpo, e o aparrelho disparrou toda a sua potência!”.

Hoje, mais de meio século depois, curiosamente o meu cérebro disparou o “replay” das lembranças, trazendo-me essas recordações, e por curiosidade procurei me inteirar do que era aquele instrumento. Apenas recordava o nome do “aparelho” – THEREMIN.

Foi conhecer um pouco mais desse instrumento que ainda é praticamente desconhecido do povo, mas que na verdade é bastante utilizado em gravações e menos em apresentações públicas. Quem desejar conhecer mais é só vasculhar no Google.

Não sei se na verdade o apresentador daquele show era realmente o inventor do Theremin, o russo Leon Theremin, ou se algum divulgador do inventor. “Só sei que foi assim”.

Texto: José Melo Soares

Matéria exclusiva do Blog Custódia Terra Querida. 

Lampião amanhece em Custódia - autor Anildomá



SOUZA, Anildomá W. de. Lampião o rei da caatinga. 3ed. Serra Talhada/PE: gráfica aquarela 2001. 

Anildomá Willans de Souza, nasceu em Serra Talhada-PE, no dia 8 de abril de 1962. Filho de João Alexandre de Souza e Maria Ramalho Ângelo. É dedicado à atividade folclórica, tendo suas atenções voltadas para a pesquisa histórica da região sertaneja do Pajeú. Milita no movimento cultural do estado de Pernambuco.

O livro escrito por Anildomá busca passar informações históricas sobre a vida do cangaceiro Virgolino Ferreira da Silva, visando contribuir para o conhecimento da cultura nordestina. Segundo os estudos realizados, é preciso entender a época, a sociedade sertaneja das primeiras décadas do Século XX.

Segundo o autor, Virgolino Ferreira, não era apenas um bandido, era também um homem com valores respeitáveis e seguiria um rumo não traçado pelos seus pais.

Sua vida foi sempre determinada a se vingar da morte dos seus pais, que sofreram com as rixas entre a família de Zé Sartunino, um fazendeiro que após desentendimento com a família de Lampião, fez com que eles se mudassem para outro estado, indo para Alagoas.

Aos poucos os irmãos de Lampião foram sendo mortos, por participarem de grandes confrontos com policiais que lutavam no intuito de acabar com o bando do temido Lampião.

Lampião era um homem religioso, que sempre buscou respeito à igreja, aos valores familiares, não aceitava cangaceiros com atitudes fora do padrão moral, mas matava por acha que os bons eram perseguidos por coronéis que tinham apoio da justiça, e com isso precisavam ser eliminados ou roubados para poder ajudar os pobres que sofriam com essas injustiças.

No começo do século XX no Nordeste, as classes dominantes eram muito poderosas, detendo poderes políticos e financeiros, realizando um papel de “comandantes” do sertão. Naquela época, onde a polícia exercia um papel muito vezes confundida com a de bandidos, o povo sofria porque não tinha perspectiva de melhora de vida, porque ou servia aos coronéis ou entrava em algum bando de cangaceiros.

Virgolino Ferreira nasceu nunha família simples, de muitos irmãos, que trabalhavam na agricultura e também se dedicavam a outras atividades. Devido a uma confusão com outra família, eles tiveram que se mudar para outro estado, a fim de tentarem viver uma vida mais tranqüila e sem problemas. Mas não foi assim que aconteceu.

Desde criança foi acostumado a rezar, a trabalhar, sempre procurando ajudar a família no seu sustento. Aprendeu a ler e a escrever, quando aproveitou a oportunidade que era coisa rara no sertão nordestino daquele tempo. Como qualquer pessoa em fase de crescimento, Virgolino conheceu as coisas boas da vida, e como o destino ele não sabia, a vida o levou a caminhos perigosos a fazendo parte do cangaço.

Naquela época, muitas lutas eram deferidas por causas de mal entendidos, ciladas provocadas pelos coronéis que usavam da covardia para atingir seus objetivos, e uma delas, onde Virgolino, vulgo Lampião, participou foi a da morte de Gonzaga Ferraz, que morreu após um ataque do bando de Lampião a sua casa, apoiado por um sertanejo conhecido por Ioiô maroto, que após ter sido vitima de uma cilada de coronéis inimigos, partiu para se vingar. Não sabia ele que tudo era proveniente de uma cilada.

Nêgo Tibúrcio era um cangaceiro que espalhava medo e terror por onde passava, tendo no passado servido à família de Zé Saturnino. Por onde ele passava, sempre falava de Lampião, seu inimigo, a quem desejava muito matar. Num certo dia, Lampião sabendo de sua presença na cidade de Santa Maria, o confrontou e acabou matando-o.

Durante o período em que a família de Lampião vivia uma vida tranquila, um jovem rapaz de nome Antônio Rosa passou a fazer parte da mesma, após ser abandonado pela sua própria família, que o deixando por conta da família de Lampião um certo período de tempo prometeram após o retorno de uma viajem à juazeiro do Norte, pegá-lo de volta. Ele cresceu acompanhando Lampião e com o tempo foi se destacando chegando a fazer parte do seu bando. Mas por conta de ter matado um homem simplesmente por um motivo fútil, foi morto pelos cangaceiros.

Lampião num certo dia visitou uma cidade de nome Custódia, onde foi recebido pelos moradores com um certo espanto, após acordarem. Como ele não estava ali para promover alguma batalha e sim suprir as suas necessidades, logo foi se familiarizando com os comerciantes e com as pessoas da cidade que ficaram um pouco espantadas com as sua ações de homem respeitador dos conceitos de moral, comprando e pagando tudo como manda o figurino.

Naquele tempo estava acontecendo uma insurreição por conta dos revoltosos da Coluna Prestes que queriam derrubar o governo federal, e nesse período eles estavam percorrendo o sertão do nordeste. Sabendo disso o governo tratou de convocar um regime de urgência. O Dr Floro Bartolomeu foi designado para combater os revoltosos. Usando do posto de comandante, logo ele teve a ideia de convocar Lampião e seu bando para lutarem a favor das tropas do governo para combater a coluna prestes, dando a Lampião a patente de Capitão e aos cangaceiros a de soldados.

Os irmãos de Lampião também faziam parte do seu bando, e como a vida de um cangaceiro era sempre marcada por mortes, o fim mais esperado por eles, foi inevitável a morte dos seus irmãos em combates.

Como a vida de um cangaceiro não era apenas de viver combatendo com os seus inimigos, Lampião durante uma passagem a uma cidade na Bahia conheceu uma mulher de nome Maria Gomes de Oliveira. Ela faria parte do bando e seria chamada de Maria Bonita, a primeira mulher a participar do cangaço.

E no ano de 1938, na grota de Angicos, Lampião e seu bando foram assassinados sem nenhuma forma de reação. Seria o fim de um dos maiores nomes do cangaço no nordeste, que buscou fazer justiça com as próprias mãos.

O autor utiliza o método indutivo, recorrendo a bibliografias ligadas a história do cangaço para poder fornecer os dados expostos no livro. Foram adotados como ponto de vista o funcionalismo.O autor recorreu a técnicas de entrevistas formais e informais, historia de vida e etc.

Trata-se de uma obra que explora muito os problemas no sertão nordestino, usando técnicas de coletas de dados, informações pessoais, datas e etc, que permitem ao leitor um vasto perfil da época.

Esta obra é de grande interesse para os estudiosos e pesquisadores do sertão nordestino, de linguagem simples e de fácil interpretação.

Fonte: Classiguinet

28 outubro, 2020

Baú de Fotos: Custódia na década 70 (Jorge Remígio)

Final da década de setenta. 
Cruzamento das Ruas 20 de Julho, 
com Nemésio Rodrigues e Manoel Borba

Visão Panorâmica do sítio de Dona Nita 

Praça Padre Leão 

Rua Manoel Borba

Fotos: Acervo Particular Jorge Remígio

Atenção OX - por Willame Venâncio



Se “tirava muita onda” com relação às locuções do “Serviço de Auto Falante Duas Américas“, e de brincadeira diziam que os recados no dia de feira, eram mais ou menos assim:

Atenção muita atenção “Ó” “X”, ô seja: Ótoin Xofré, ôva essa gravação, que lhe oferece uma pessoa que está incostada numa “lombreta vremeia”, avisa que vai lhe esperar no bar de Géussu Pinto, tumano uma ceuveja gelada com ovos cunzinhado, no reseuvado, escuitano “Fulores Peufumadas cum Quilara Nunes”!

Enviada por Willame Venâncio

Um concerto sertanejo - por Miguel Lopes


Por Miguel Lopes da Silva

Como eu gostaria de voltar a ouvir o som daquele pífano, entrecortado de modulações as mais variadas dependendo do local e do momento. 

Ali, na procissão de São José no seu dia especial, notas reverenciais e compassadas como a querer suscitar estados de devoção e respeito. Os instrumentos de percussão em batidas moderadas, estabelecendo os espaços exatos numa espécie de diálogo no qual os instrumentos sempre estavam em completo acordo. A procissão caminhando neste ritmo... o ritmo estabelecido pela banda de Zé Biá. 

 Mais adiante, o cenário se modifica com relação ao espaço, pois o tempo continua estabelecido dentro das mesmas festividades do padroeiro. Um espaço no qual pode-se retratar a irreverência permitida para os momentos de alegria. Não mais a reverência cheia de religiosidade daquela outra ocasião, mas os sons e os requebros desenvolvidos sob o incitamento de uns bons goles de cachaça. Estamos no terreiro de uma “budega” na rua da várzea. E o povo aplaude, e o povo dança. 

 Uma pequena pausa e a caixa rufa numa sucessão de vibrações anunciando que algo diferente vai acontecer. E o pífano entra forte despertando a sensação de uma aproximação de perigo. Um dedo calejado percorre o couro do surdo produzindo um ronco grave. É o ronco da onça. É a caçada que começa. É um entendimento que se produz entre o pífano e os instrumentos de percussão fixando o cenário. Homens e cães encurralando o perigoso animal. 

Latidos angustiados e decididos, urros do felino acuado, e eu menino, ali assistindo aquele milagre em que os sons rústicos de uma bandinha de pífano se transformavam, em minha imaginação, em cenas de perigo. O meu cérebro recebia tudo aquilo como sendo real, determinando esguichos de adrenalina em minha corrente e fazendo meu coração disparar de ansiedade, ao mesmo tempo em que a musicalidade dos instrumentos me seduziam a cair na dança. 

Tenho assistido a grandes concertos envolvendo solos de flauta doce, orquestras sinfônicas, fanfarras e bandas marciais. Mas nada que tenha ficado em minha lembrança como o clássico da “Caçada da Onça”, executado pela Banda de Pífano de Zé Biá num dia longínquo de minha infância numa festa do Padroeiro São José na cidade de Custódia.

(*) filho de: Pedro Lopes da Silva (policial militar ) e Olívia Pedrosa Lopes.
Profissões: Radialista, professor de oratória e terapeuta holístico.
Nossa família morou em Custódia entre 1947 e 1953

Cenas com Humberto Guerra na novela Amor à Vida


02/12/2013


03/12/2013

27 outubro, 2020

Há 9 anos André Campos nos deixava

Texto: Elba Feitosa
Publicado em 28 de Outubro de 2011 no Facebook

A Notícia ruim chega como uma flecha certeira atingindo em cheio o coração, a alma, a vida...

E esse coração por ser o que nos impulsiona e nos dá VIDA, num instante se mostra frágil quando sente que um amigo não vai ser mais presença e aquele pedaço ocupado por esse amigo não aceita tamanha distância...

Só sei meu amigo André Campos que em algum momento ele vai se aquietar para lhe guardar pelo restos das vidas que irão permanecer aqui, nossas vidas.

Vai faltar o abraço tão amigo na hora do encontro, as boas risadas compartilhadas, a sua simplicidade de simplesmente ser do bem e saber ser amigo e saber viver com dignidade, respeito e responsabilidade.

Contudo, todas as lembranças vão ficar e você permanecerá presente!

Eu particularmente tenho uma lembrança muito especial e tá gravada: Missa do Vaqueiro em Betânia em homenagem ao meu pai, Você era presença marcante e até recebeu troféu por ser o vaqueiro mais novo, bem trajado (com as vestes de vaqueiro, perneira, chapéu, guarda-peito e gibão) representando Custódia.

Poucos sabem o valor que é ser Vaqueiro, e mesmo não sendo, poucos sabem também o que é gostar e valorizar a vida de gado e representar o Vaqueiro do nosso Sertão Navieiro. Como você gostava.

Lembro: quantas vezes você disse: Binha eu tenho todas as toadas da Missa, vamos botar num cd. Eita toadas bonitas num me canso de escutar.

E eu sempre dizia: Esse é meu Vaqueiro!

Mas, a vida impondo caminhos diferentes e uma coisa tão simples não tivemos tempo de fazer.

E o menino tornou-se homem assumindo suas responsabilidades, policial, quase Dr. Advogado, bom neto, bom filho, bom irmão, bom amigo, assim era você um ser do bem!

Só posso dizer agora tomada por uma tristeza tamanha: Eu não queria a vida desse jeito. Vai com Deus segue esse novo caminho de luz!

Vamos nos sentir mais sozinhos, porém com a certeza que estás bem guardado na casa do Pai.

E o bem que semeastes aqui muito mais receberás nesse novo caminho pelas mãos de Deus! Descansa em Paz! Saudades...

Custódia: Guardiã de mente e da Arte


Em maio de 1988 o Jornal do Bandepe (Banco do Estado de Pernambuco), trouxe uma matéria sobre nossa querida Custódia, com o singelo título “Custódia Guardiã de gente e da Arte“. Nessa época, a cidade ainda tinha uma agência do Bandepe, situada a Praça Padre Leão, onde atualmente, funciona o prédio da Fortunato Tecidos. A tiragem deste informativo foi de 17.000 exemplares.





Transcrição do texto:

“Para se chegar ao triunfo, tem que se ficar sob custódia e passar pelo caminho das flores“. Mais que um exercício poético, a frase do dentista, advogado, professor e etcetera (é um Leonardo da Vinci da profissão liberal) Pedro Pereira Sobrinho, é um traçado verbal de conhecido roteiro do sertão pernambucano. Em ordem geográfica e no sentido do litoral para o coração do semi-árido, alinha as cidades de Custódia, Flores e Triunfo. Particularizando Custódia, cidade natal (São João e carnaval) de Pedro Pereira, um estudioso das manifestações culturais, principalmente das populares, pode-se dizer que a frase também expressa o traço predominante do espírito da localidade: a tendência de bem guardar os visitantes, a conhecida hospitalidade. O próprio nome do lugar, segundo lendas, está ligado a esta característica de seu povo.

Conta a tradição que, séculos atrás, um grupo de religiosos, provavelmente da Ordem Ibiapina, for parar naquela área do Vale do Moxotó, a 340km do Recife. Perseguidos pelas labaredas da Inquisição, só conseguiram escapar devido à proteção (“custódia”) da população, em cumplicidade com os esconderijos naturais. Outra versão diz que em meados do século passado, uma preta velha, de nome Custódia, instalou uma barraquinha à beira do riacho que – como a cidade – hoje tem seu nome, e durante muito tempo atendeu viajantes oriundos das hoje Serra Talhada, Princesa Isabel e outras localidades pernambucanas e paraibanas. Fabricantes de pão de ló (também conhecido como chapéu de couro e bolo de coco), tornou-se figura querida, com o nome a percorrer estradas do sertão na garupa das conversas dos viajantes: “Vamos pra Custódia?“.

A cultura popular também encontro custódia no município atualmente administrado por Djalma Bezerra de Souza. Prestigiada por estudiosos e leigos de várias latitudes, a Semana do Folclore – desde 1970 realizada no mês de agosto, com apoio da Prefeitura e ativa participação dos colégios – é considerada espécie de apoteose das manifestações artísticas locais. Organiza no estilo das feirinhas típicas, oferece o que existe de mais autêntico em termos de artesanato e culinária. Mas pode-se dizer, considerado o volume da produção artesanal, que em Custódia todo dia é dia de folclore. Centenas de artesãos espalham-se pela área urbana e sítios, pontificando a figura de Osminda Carneiro, uma senhora que, no melhor dos sentidos, pinta e borda pra valer.

Tintas e linhas de vários matizes e texturas são utilizadas na confecção do folclore custodiense, cuja riqueza despertou o interesse de técnicos da Organização dos Estados Americanos (OEA). A banda de Pífanos de Quimtibu faz parte desde patrimônio folclórico. Há dez anos, em concurso estadual promovido pela TV Universitária, foi classificada em primeiro lugar. Extraindo de seus instrumentos um som menos harmonioso que os “pifeiros“, os bacamarteiros de Custódia, também perfilam entre os mais famosos de Pernambuco. Além de ser um robusto conjuntos – 63 componentes – o grupo tem como atração especial uma bacamarteira, uma das poucas pernambucanas a dar toques femininos ao marcial esporte/arte.

O aboio (toada de gado), o coco (ainda cultivado na zona urbana), a “Dança do Toré“(desenvolvida por uma comunidade de mamelucos de origem desconhecida, habitantes da Serra do Sabá, de onde se extrai uma água mineral que, pela quantidade, foi citada em livro de especialistas europeus) e o Cariri (manisfestação carnavalesca exclusiva do município) complementam o tesouro folclórico de Custódia – cidade do cerca de 45mil habitantes, a maior parte ligada a atividades agropecuárias, detentora de um menos que vale mais: é a localidade pernambucana onde se registra o menor índice de evasões escolares. No caso, Custódia, por seus méritos, é roteiro obrigatório para pesquisa sobre esse drama nacional.

Pela peculiaridade, o Cariri merece desfilar com relevo numa reportagem, da mesma forma que já muitos anos desfila pelas ruas de Custódia, nos primeiros segundos do domingo de carnaval, sem que ninguém saiba como tudo começou. O que todo custodiense sabe é que – como as diversas classes sociais, que se confundem na folia – instrumentos tipicamente carnavalescos e juninos convivem harmoniosamente, enquanto balões, lágrimas e outros tipos de fogos buscam transformar o céu num colorido espelho do que vai pela terra…

25 outubro, 2020

[Causo] Joaquim Tenório Sobrinho "Pernambuco, o homem que tinha o coração do tamanho do mundo"

 


Foto Cassilândia Urgente
Texto Cassilandia Noticias
Todos Direitos Reservados

Joaquim Tenório Sobrinho, o Pernambuco, era considerado o prefeito dos pobres. Em Cassilândia, exerceu o cargo por duas vezes e saiu da Prefeitura mais pobre do que entrou.

E Pernambuco chegou a ser um homem rico, dono de avião, seis fazendas, 18 carroças e tantos outros bens. Mas o seu coração não tinha artérias, tinha emoções. Era um cabra nordestino bom demais da conta. O que aparentemente era seu, na verdade, era dos pobres.

Fazia o bem sem perguntar a quem.

Ele foi prefeito nos anos de 1963 e 1973, depois de ter sido vereador e presidente da Câmara Municipal.

Nem o acidente de avião que sofreu, em que ficou com a face deformada, mexeu com os batimentos de seu coração. Mudou a voz, que ficou anasalada, mas seu coração permaneceu o mesmo, amigo e dócil como poucos.

Esta rápida história sobre Pernambuco só não foi parar nas páginas do livro A História de Cassilândia porque, infelizmente, eu só tomei conhecimento dela alguns meses depois. Infelizmente.

Soube por meio de uma interlocutora para lá de confiável.

Contou-me ela que, lá pelos anos 60, Pernambuco estava viajando no ônibus que fazia a linha Cassilândia a Paranaíba, que, naquela época, tinha uma estrada tão rudimentar, tão cheia de buracos, atoleiros e atalhos, que para se percorrer os 100 quilômetros perdia-se praticamente o dia inteiro. Ou mais.

E foi nessa viagem que entrou no ônibus um homem embriagado. E aí que o motorista parou o ônibus e obrigou o homem a descer.

Quando viu aquilo, Pernambuco também desceu.

O motorista disse:

Não! O senhor pode subir! Quem é para ficar aqui é só este bêbado porque está dando trabalho e poderá fazer sujeira, vomitar no ônibus.

Pernambuco olhou no relógio e respondeu:

- Senhor, já são 7h da noite, está muito tarde, já está escuro. O senhor não pode deixar este pobre homem aqui no meio do mato, onde tem muita onça e outros animais. Ele vai ser devorado por algum animal. Vai morrer.

O motorista mostrou-se irredutível. Deu com os ombros como dizendo “e daí?”

Então Pernambuco disse:

- Se não tem jeito, eu fico aqui com este homem. Não vou deixá-lo à própria sorte.

- Tudo bem. Se quer ficar aqui com o bêbado, que fique! Eu vou tocar o ônibus!

Quando o motorista subiu no ônibus, uma pessoa perguntou ao motorista:

- O senhor sabe quem é este homem aí?

O motorista respondeu:

- Não! Eu não sei!

- Este é o prefeito de Cassilândia! O senhor vai deixá-lo aqui no meio do mato?

Aí o motorista viu que não tinha jeito e deixou os dois subirem no ônibus – o Pernambuco, dono de um coração do tamanho do mundo, e o pobre bêbado.

Joaquim Tenório Sobrinho, o eterno Pernambuco, era capaz de gestos humanos como este. Pernambuco era conhecido, afinal de contas, como o prefeito dos pobres. 

Joaquim Tenório Sobrinho, que empresta seu nome ao prédio da Prefeitura de Cassilândia, era a doação em pessoa.

Ele e Dona Maria deixaram filhos, netos e bisnetos que estão aí para semear o bem e confirmar a generosidade dos Tenório Sobrinho.

CORINO RODRIGUES DE ALVARENGA

Joaquim Tenório Sobrinho, o Pernambuco, mais conhecido como o prefeito dos pobres, nasceu na cidade de Custódia, Estado do Pernambuco, sob o sol inclemente do sertão nordestino, no dia 23 de dezembro de 1922.