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22 outubro, 2020
Cidade no Mato Grosso tem uma via pública com nome de Custódia.
Conheça o custodiense que se candidatou a Deputado Federal com o nome de Bin Landen (2006)
Documentário filmado em Custódia de 1972
A visita de Joel de Holanda à Custódia
Colaboração: José Soares de Melo
21 outubro, 2020
As festas de fim de ano - por Zé Melo
Voltar só para votar - autor Cristiano Jerônimo
18 outubro, 2020
[Causo] O sumiço de Santa Luzia
Adoro história com o final feliz .
Dr. Pedro Pereira, nosso eterno Professor - Por Lúcia Góis

Relato de um filho de custodiense da Barra
Escrevo às lágrimas, pois as lembranças são as melhores, obrigado por trazer a memória das pessoas que tão ilustres desta cidade e das lendas urbanas de Custódia.
Parabéns pelo trabalho e continue a trazer alegria aos que estão distante (assim como eu), pelas fotos e pelas histórias desta terra de meu pai Osmário da Fazenda Barra.
Marcone Honório da Silva
Contato> https://www.facebook.com/marcone.honoriodasilva
Comentário publicado na página:
https://www.facebook.com/CustodiaTerraQuerida/
17 outubro, 2020
Biografia: Marli Miro da Silva
A menina foi batizada na Igreja Matriz de São José da cidade de Custódia, no dia oito do mês de dezembro do ano de mil novecentos e trinta e oito, teve como padrinhos seus avós maternos: Aureliano Simplício de Góis e Francisca Alves de Góis.
O Sr. João Miro da Silva foi prefeito de Custódia no período vinte e oito dias do mês de fevereiro do ano de mil novecentos e sessenta e seis aos trinta e um dias do mês de janeiro do ano de mil novecentos e sessenta e nove.
Nas décadas de quarenta, cinqüenta e sessenta em Custódia só oferecia o curso primário, hoje conhecido como Ensino Fundamental. Na época os pais mandavam os filhos para a cidade do Recife, ou para as cidades de Triunfo, Caruaru e Pesqueira para continuarem seus estudos.
Marli fez o curso ginasial no Colégio Nossa Senhora do Carmo, localizado na Rua Visconde de Goiânia, 370, no Bairro da Boa Vista na cidade do Recife. Esse educandário sobreviveu por noventa e dois anos, fechando suas portas no ano dois mil e onze.
Na continuação Marli escolheu fazer o curso de Técnico de Contabilidade, um fato inusitado, nessa época era comum às moças optarem fazer o curso Normal, que depois ficou conhecido como Magistério.
Ela se formou no Colégio das Damas da Instrução Cristã localizado na Avenida Rui Barbosa no Bairro das Graças. Colou grau no ano de mil novecentos e cinquenta e sete. (Dado fornecido pela secretaria do Colégio).
Seus pais em comemoração a sua formatura, ofereceram, em sua residência uma festa para os familiares e amigos, sendo que, nessa oportunidade, o pai João Miro lhe proporcionou uma grande surpresa, mandando estacionar na frente da residência um veículo de luxo, de marca Plymouth, dando-lhe como o presente de formatura. Veículo este que se conservou até após a sua morte.
Aos trinta dias do mês de janeiro de mil novecentos e sessenta casou-se com médico Orlando de Souza Ferraz. A cerimônia foi realizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento na cidade de Arcoverde estado de Pernambuco e a festa comemorativa foi também em Arcoverde na Praça da Bandeira na residência do seu tio paterno Valdomiro Miro, vulgo Nenê. Depois o casal mudou-se para a cidade de Mata Grande no Estado de Alagoas onde Dr. Orlando clinicava e lecionava.
No mesmo ano, em Arcoverde, aos doze dias do mês de dezembro nasceu o primogênito Marcos Antonio da Silva Ferraz. Aos vinte e nove dias do mês de abril de mil novecentos e sessenta dois nasceu em Mata Grande o segundo filho Márcio Jerônimo da Silva Ferraz, que teve uma vida breve faleceu aos sete de julho de dois mil e cinco com apenas quarenta e três anos de idade, vítima de um acidente de carro ocorrido na estrada de Betânia.
Marli precisou tirar um sinal, depois um dente e descobriu que estava com um câncer que se espalhou atingindo aos olhos.
Seu pai não mediu esforços para achar uma cura. Foi a Belo Horizonte em companhia do amigo Reginaldo Rafael procurar o famoso médium Zé Arigó que realizava curas. Diante do médium o senhor João Miro não conteve as lágrimas e Zé Arigó falou que sua dor era muito grande diante do sofrimento da filha, mas que ia ficar tudo bem e ela teria uma melhora, que de fato aconteceu. Mas a cura não veio. Marli estava grávida e a doença avançava.
Seu sonho de ser mãe de uma menina
foi realizado, nos dias dois do mês de outubro do ano de mil novecentos e
sessenta e quatro nasceu sua filha. Marli abraçou e beijou a criança.
Dona Jovelina ao ver a neta disse que seu nome deveria ser Maria das Dores por
ela ter sentindo as dores de sua mãe. A menina viveu poucas horas e no dia
seguinte Marli partiu para ficar juntinho dela...
Marli deixou um grande vazio e dor. Custódia ficou consternada diante desse indesejável desenlace. O senhor João Miro na hora do sepultamento exclamava que o dinheiro de nada valia, pois ele não pode salvar seu bem mais precioso. Costumeiramente na hora do crepúsculo ele visitava o túmulo da filha.
E durante anos a fio dona Jovelina manteve uma lâmpada acesa dia e noite no quarto que pertenceu a Marli.
Marli vive nas nossas lembranças e no sangue que corre nas veias dos seus descendentes.
Aqui rendemos essa pequena homenagem
no dia do octogésimo segundo aniversário do seu nascimento.
#Marcos Antonio da Silva Ferraz, nasceu aos doze de dezembro de mil novecentos e sessenta. Casado com Marli Pereira de Siqueira Ferraz
Pai de: João Juliano de Siqueira Ferraz, Monique Maria de Siqueira Ferraz e Marcus Vinicius de Siqueira Ferraz.
Netos: João Marcos Ferraz Barbalho, Túlio Gutemberg Ferraz Barbalho e Artur Gabriel Góis de Siqueira Ferraz
#Márcio
Jerônimo da Silva Ferraz, nasceu dia vinte e nove de abril de mil novecentos e sessenta e dois. Faleceu
no dia sete de julho de dois mil e cinco.
Casou-se com Maria Sonia de Alencar Ferraz
Pai de: Márcio Virgilio de Alencar Ferraz, Dalvino Orlando de Alencar Ferraz, Tatyanne de Alencar Ferraz e Marcílio Jeronymo de Alencar Ferraz
Avó de: Alice Stephanny de Alencar Ferraz, Marcela Ferraz Lyra Pinheiro, Guilherme Melo de Alencar Ferraz, Mariana Holanda de Alencar Ferraz e Márcio Jerônimo da Silva Ferraz Neto.
Acervo
familiar
A ideia de escrever uma biografia de Marli surgiu no grupo do WhatsApp ''Encontro de Custodienses''. Lúcia Góis publicou uma foto que Marli dedicou a sua tia materna Rosa Góis. Muitos comentários e relatos surgiram, fato que me chamou atenção, pois Marli faleceu em 1964 e cinquenta e seis anos depois ela é lembrada com muito carinho. Devidamente autorizada compartilho esses comentários.
Maria Edina fala sobre sua prima Marli:
‘’Muito querida por todos da família! Pouco convivi com ela, pois tínhamos distanciamento de idade, muito sensível, sensata e acolhedora. Quando se formou ganhou do pai um Aero-Willys laranja (lembranças), primeira vez que vi uma mulher dirigindo. Quando eu era criança o açude do DNOCS ainda não tinha sido construído e as terras pertenciam a Mareca, havia um pé de jabuticaba a uns vinte metros da casa grande e lá Marli tocou violão e cantou Imbalança, música de Luiz Gonzaga:
Outra música que Maria Edina recorda que ela gostava era:
Prece ao vento
Vento que
encrespa as ondas do mar
Vento que
assanha os cabelos da morena
Me traz
notícia de lá
Vento que
assovia no telhado
Chamando
para a lua espiar ô
Vento que
na beira lá da praia
Escutava o
meu amor a cantar
Triste,
mas lembrando do meu bem
Vento
diga, por favor,
Aonde se
escondeu o meu amor
Vento
diga, por favor,
Aonde se
escondeu o meu amor''
Linda mulher! Muito simples e simpática Lembro-me dela, pois foi a 1ª vez que vi uma jovem no volante Fiquei admirada e achei o máximo!
E eu lembro quando ia p/escola ela
estava na sacada de sua casa e a gente dava com a mão e ela correspondia
sorrindo Já conheci formada e a cidade toda comentava do presente do Pai (o
carro). Dona Jovelina me contou que na
hora que a criança nasceu, Dr. Orlando anunciou que era uma menina, Marli
abraçou e beijou a criança. Dona Jovelina, disse: essa menina merece o nome de
Maria das Dores por ter sentido dores juntinho com a mãe.
Verônica Campos diz que Marli era vizinha e muito amiga de sua mãe Nilda. As duas iam com filhos Marcos e Verônica, que são da mesma idade, visitar o Sr. João Miro, o rosto do mesmo se iluminava quando via a filha.
Quando o esposo de Nilda foi baleado
e encontrava-se hospitalizado, Marli exclamou: ''suas meninas vão se criar sem
o pai e meus filhos sem a mãe.''
Marcos Moura relatou:
''Me lembro de muito Marli, certa vez
fui comprar um cartucho de Pólvora Elefante, na Mercearia e Padaria do Sr João
Miro e ela era me despachando dizendo que queria ir caçar também rsrs minha mãe
contava que ela dizia pra ela: Elvira vai tendo os meninos que eu vou só
copiando os nomes rsrs Eu sou Marcos José e O filho dela é Marcos Antônio e meu
irmão é Marcio Wellington e o filho dela Márcio Jerônimo, são lembranças que
não apagam de nossas memória. ''
Jorge Remígio relata o retorno de Marli para Custódia:
''Quando Dr. Orlando e Marli foram se
mudar com a família para Custódia, pois eles residiam em Mata Grande-AL, quem
foi fazer a mudança foi o meu pai Claudionor Remígio, com o seu caminhão
Chevrolet. Tenho quase certeza que o ano era 1963. Ele me levou para essa
viagem e quem também nos fez companhia foi Branco. Tenho várias imagens que
ficaram gravadas na minha memória. Os filhos de Marli, Márcio e Marcos ainda
muito pequenos, 2 ou três anos, em seus velocípedes no quintal. Lembro Lourinho
chegando na casa com o carro de passeio de Dr. Orlando. Eles eram muito
queridos no lugar, pois foi muita gente na despedida. Lembro-me de muitos
estudantes de farda, foi emocionante. Não tenho certeza se os primeiros
sintomas da doença já haviam aparecido. A imagem que gravei dela foi nessas
arrumações da mudança. ''
Lucia Góis incentivadora e colaboradora para construção desse texto, diz:
''Realmente ela nunca foi esquecida. Ficará para sempre as suas lembranças em nossos corações. Era uma jovem admirável, dócil, gentil, humana e uma simplicidade ímpar. Pessoa maravilhosa. Grande artista. Pintava telas e tocava muito bem VIOLÃO. Era uma artista. Temos várias telas que a mesma produzia. Era muito criança quando a mesma faleceu. Mãe de Marquinho e Márcio Ferraz. Grande mulher VIVA MARLI''
Ione Miro fez um comovente desabafo:
''Na canção de Roberto Carlos
"Outra Vez tem um trecho que diz: Das lembranças que eu trago na vida você é a saudade que gosto
de ter. Só assim sinto você bem perto
mim. Marli é isso aí, tenho por ela grande estima. Parte da
trajetória devo a ela, inclusive meu
próprio nome. Dentro de minhas lembranças
de Mata Grande a casa da muda,
daqui o passeio de carro à tarde quando ela ia para casa de dona Maria de seu
Anfilófio, que morava na casa do pessoal dos Nazara, perto de onde era a coletoria. Trago alguns
pertences , moro na casa onde a mesma passou boa parte de sua infância e
adolescência.''
Além dos comentários acima postados no grupo, recebi esse comentário de
Tatyane Ferraz:
''É um orgulho poder escrever essas linhas sobre minha querida e inesquecível avó Marly. Neta, filha terceira do Márcio, seu segundo filho, não tive a oportunidade de conhecê-la em vida, mas aprendi a amá-la e admirar a a sua trajetória e tão breve passagem entre nós. Da sua sensibilidade para arte, dos belíssimos quadros que pintava, da sua afinidade com a música, da sua beleza e elegância, da sua força...
“Uma mulher à frente do seu tempo”, como diria minha estimada tia Ione, grande responsável por preservar com muito carinho cada memória por ela deixada e assim fazê-la eternamente viva em nossos corações.
A quem aqui agradeço por ter me honrado com uma lembrança mais que especial, o seu anel de formatura que guardo com muito orgulho e por todo esse zelo e amor trazido para nós, a história dessa grandiosa mulher, minha avó, minha raiz!"
Funcionava no Guarany.
Agradecimentos
Devo dizer que considero essa biografia minha participação mais rica e importante nesse Blog.
Eu tinha apenas onze anos quando Marli faleceu. Durante minha infância, ela estudava fora. Lembro-me de ter avistado Marli uma única vez, fato que me chamou atenção.
Estava passando em frente à bodega do Sr. Joventino e Marli estava saindo conversando animadamente com sua tia Anaurelina. Menina curiosa que era, parei e fiquei olhando indiscretamente. Será que Deus soprou no meu ouvido para ficar atenta porque eu iria escrever sua história?
Na hora que Marli estava abrindo a porta do carro, seu olhar cruzou com o meu. Parecia cena de filme, uma mulher bonita, bem vestida e dirigindo carro? Somente as atrizes de Hollywood. Fiquei sua fã na hora, encantada pela sua beleza, desenvoltura, bom gosto, com os trajes e cabelos arrumados com esmero.
Nessa época, a nossa Custódia era pequenina e era comum seus habitantes se irmanarem pelos caminhos da vida e na morte. A doença e desenlace de uma jovem com apenas vinte e seis anos e com filhos pequenos, foi sentida por todos nós. Vivi o luto quando minha "Super Star" foi brilhar no alto, mas afinal, lugar de estrela é no infinito e não nos é dado o direito de conhecer o insondável propósito Divino.
Se alguém me pedir para definir Marli em poucas palavras, respondo sem pestanejar: Um Ser de luz!
Por essa razão, é uma honra resgatar sua história. Sinceramente, gostaria que o "The End" fosse outro, porque adoro história com o final feliz.
Minha gratidão a Marcos Antônio da Silva Ferraz, por ter autorizado fazer a biografia e pelo apoio.
Dr. Orlando e Magda que autorizaram
postar a foto do casamento e pelos dados fornecidos.
A minha querida amiga Lúcia Góis, minha ''assessora''.
Ione, meu banco de dados. Grata pela colaboração.
Josamira Duarte, Josa, você dignifica a raça humana, também sou sua fã.
Dra. Maria Edina, para mim, simplesmente Edinha, pela amizade que temos desde nossa mocidade. Você trouxe o canto e a alegria de Marli, ela fez preces ao vento e ele trouxe de volta sua doce lembrança.
Jorge Remígio, nosso possante HD de plantão com suas histórias.
Marcos Moura Verônica Campos, Nirinha, Nivaldo Aleixo de Souza e sua filha Glaucia. Reginaldo Rafael e Antonio Medeiros (Totonho). Grata pela valiosa colaboração de vocês.
Minha gratidão a Paulo Joaquim Peterson Pereira, meu dileto primo. Conte comigo para construção do seu trabalho. Futuras gerações custodienses serão beneficiadas por ele. Vejo que você está seguindo a mesma trilha do seu pai que amou e se doou a Custódia. Deus ilumine sua mente e coração.
Resgatando essa história, lembro que ouvi várias vezes dizer: “O tempo
cura tudo". Permitam-me dizer que não é assim, tem feridas que Ele
não cura, a gente aprende a conviver com a dor. E assim, com meu coração
sangrando por meu filho Renato que partiu no dia treze de abril de dois mil e
dezoito.
Solidarizo-me com a dor do casal João Miro e Jovelina, pois eu sei que
eles partiram levando uma dor profunda em seus corações.
Penso na dor de um homem cuja vida é um exemplo de amor ao próximo, ele foi educador e médico. Meu amigo, Dr.Orlando, sei da sensação de impotência que invade nossa vida quando vemos quem amamos ir embora. O senhor sendo médico deve ter sofrido mais ainda perdendo sua filhinha e a esposa. Nessas horas, a vida nos oferece uma única opção, pedir conformação para aceitar o fato.
Diante dos meus netos pequeninos vejo Marquinhos e Márcio (in memória) crescerem na orfandade.
Grata, meu Deus, pelo aprendizado de saber que não sou melhor que ninguém, estando sujeito às intempéries da vida. Grata por me dar força para continuar.
É vida que segue...
"Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade."
Por Helena Jussara Pereira Burgos Monteiro






















