22 outubro, 2020

Cidade no Mato Grosso tem uma via pública com nome de Custódia.


Em Peixoto de Azevedo-MT, tem uma via pública denominada Custódia. O ex prefeito daquela cidade por duas vezes, o saudoso Francisco de Assis Tenorio, era irmão de Luizinho Tenório e filho de Joaquim Tenório Sobrinho, nascidos em Quitimbú.


Francisco de Assis Tenório nasceu em Pompéia, interior de São Paulo, cidade que ele também homenageou com o nome de uma via pública. 

Conheça o custodiense que se candidatou a Deputado Federal com o nome de Bin Landen (2006)


Matéria encontrada na Internet, sobre o custodiense Adão Alves do Amaral.

Após a confirmação da morte de Bin Laden no Paquistão, no Brasil teve pessoais “faturando” alto com a semelhança física com o “dito cujo”. No Paraná, o candidato a deputado federal Adão Alves do Amaral (PMDB), se registrou como BIM BIM e complementou com uma “produção” pra árabe nenhum botar defeito.

O Bin Laden nascido em Custódia foi Vereador em Paiçandu, no Paraná. Matéria publicada no blog - http://angelorigon.blogspot.com/2006/10/bim-bim-e-as-prefeitas.html 

Vejam ficha do candidato, registrado no TRE do Paraná:


Dados fornecidos pelo candidato no processo de registro de candidaturas, entrar em contato com o Cartório eleitoral no município:



Matéria enviada por: José Soares de Melo 

Documentário filmado em Custódia de 1972


Fernando Monteiro é escritor, crítico de arte e cineasta. Nascido no Recife (1949), é bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Católica de Pernambuco e estudou Cinema no Centro Sperimentale de Cinematografia, em Roma (Itália), de 1969 a 1971.


Sua atividade profissional de cineasta se desenvolveu entre 1972 (ano em que realizou seu primeiro filme, Visão Apocalíptica do Radinho de Pilha (curta metragem filmado em Custódia), indicado para representar o Brasil, na categoria de documentário de curta-metragem, no Festival Internacional de Guadalajara, MÉXICO) e 1995, com um total de 15 filmes por ele produzidos e dirigidos, alguns dos quais (Filme de Percussão Mercado Adentro, Saideira) também escolhidos para representar oficialmente o país em festivais internacionais como os de Berlim e Varsóvia. 

VISÃO APOCALÍPTICA DO RADINHO DE PILHA
Categorias – Curta-metragem / Sonoro / Não ficção

Material original
35mm, COR, 11min, 302m, 24q

Data e local de produção - Ano: 1972 País: BR Estado: PE

Sinopse
“… sobre a penetração do rádio-transistor, da revista de grande tiragem e das modernas rodovias, como agentes de modificação de costumes e choque cultural nas comunidades sertanejas.” (Guia de Filmes, 42)

… mostra a presença transformadora do transistor no sertão do Nordeste e as implicações sociais do fenômeno.” (ACPJ/CCM)

Gênero – Documentário
Termos descritores – Telecomunicação; Comportamento social; Nordeste
Descritores secundários – Rádio; Comunicação de massa.

Termos geográficos Custódia – PE; Pesqueira – PE; Buique – PE

Produção – Companhia(s) produtora(s): Battaglin Produções Cinematográficas
Produção: Monteiro, Fernando; Pimentel, José
Direção de produção: Martins, Lenildo; Feitosa, Tairone

Argumento/roteiro - Monteiro, Fernando
Direção: Monteiro, Fernando
Direção de fotografia: Diniz, Vito
Câmera: Diniz, Vito
Som: Murakani, Mario
Montagem: Oliveira, Manoel
Montagem de som: Murakani, Mario
Título da música: É proibido trazer rádio de pilha para a igreja
Música de: Vila Nova, Sebastião
Intérprete(s): Quinteto Violado
Fontes utilizadas: CB/Transcrição de letreiros, Guia de Filmes, 42, F Curto/CRRS, ACPJ/CCM.
Fontes consultadas: INC/CESD e Embrafilme/FI

Observações:
F Curto/CRRS informa que os direitos de copiagem foram adquiridos pelo Departamento do Filme Educativo do INC – Instituto Nacional de Cinema. Guia de Filmes informa que o curta foi selecionado pelo Festival Brasileiro de Curta Metragem, 2 do Jornal do Brasil e escolhido pelo INC – Instituto Nacional de Cinema para representar o Brasil no Festival de Curta Metragem de Guadalajara, 1972, México. 

A mesma fonte menciona que o filme faz parte do acervo das escolas de Comunicação e Sociologia de Pernambuco e da Paraíba. E que, além ser o único filme realizado em condições profissionais, desde 1968, em Recife, o mesmo foi resultado de seis meses de pesquisas em várias cidades do interior pernambucano, como Custódia, Pesqueira e Buique, documenta a chamada revolução do transistor, através do método de observação social – e do comportamento – retomando as linhas mestras do documentarismo inglês.

O diretor Fernando Monteiro é o autor do Projeto Cinematográfico de Pesquisa Sociológica, Antropológica e de Comunicação Social, do qual VISÃO APOCALÍPTICA DO RADINHO DE PILHA é o primeiro filme.

Noticias sobre o tema:

No próximo ano os evangélicos de várias vertentes filmarão uma trilogia mostrando suas ações no Brasil. Eles contrataram o diretor e cineasta Fernando Monteiro (produtor e diretor do documentário “Visão Apocalíptica do Radinho de Pilha”), que está fazendo adaptação do roteiro para o cinema. Dez atores globais, incluindo Milton Gonçalves e Solange Couto, já foram contratados. A trilogia será filmada em 35 mm e contará a saga de cada uma das igrejas no Brasil. As locações começaram a ser feitas utilizando locais de Pernambuco e São Paulo. Tudo indica que em 2010, pelo menos o primeiro filme, sobre a Assembléia de Deus, esteja nas telonas.

A visita de Joel de Holanda à Custódia



Joel de Holanda – na época Secretário Estadual de Educação – quando se dirigia para a inauguração do Departamento Municipal de Educação, situado na época na Rua Tenente Moura, acompanhado do então prefeito Luizito, Alzira Tenório, Arnaldo Burgos e Severino do Rádio – vereadores, Dr. Pedro Pereira, Dr. Cândido – Delegado de Polícia, e Zito Antunes – diretor do Perímetro Irrigado do DNOCS e Zenilda Burgos.

A foto registra o momento em que passavam pela Rua José Ferraz (Beco da Difusora, hoje conhecido como Beco do Bar do Bengo).

Por Paulo Peterson
Colaboração: José Soares de Melo

21 outubro, 2020

As festas de fim de ano - por Zé Melo

       

Por José Melo

Por esses dias – início de dezembro veio-me à lembrança a alegria que era aquele período, nos meus tempos de criança. Recordo perfeitamente os preparativos para as noites de natal e de ano-novo, na acanhada cidadezinha que era Custódia. 

Já a partir da tardinha, começavam as chegar os “festeiros”. Vinham em cavalos, que ficavam amarrados nos fundos das “casas de arrancho”, geralmente residências de parentes que serviam de ponto de apoio. Automóveis naquele tempo era uma raridade. Apenas o Ford Vinte e Nove de João Correia e a “barata” de Zé Ferreira compunham a frota de veículos de aluguel na cidade. Além disso, apenas alguns veículos particulares, como a “Barata” de Elpídio Pires, o automóvel de João Miro e só. Caminhões, apenas o de Sêo Olegário, o de Claudionor e o de Livino Ferreira. 

A velha Praça Padre Leão – o “Quadro”, como era chamada, preparava-se para receber a multidão de sertanejos que vinham para “passear” na praça. Aquela multidão passava a noite praticamente toda, dando voltas pela praça. Casais de namorados apaixonados, de mãos dadas, ou os mais “modernos” abraçados, velhos andando lentamente, crianças correndo, outros sentados “nos bancos da pracinha”. 

Vez por outra um dos rapazes se dirigia a um dos becos, para colocar “extrato” no rosto. Extrato era um perfume barato, de cheiro forte e irritante, que os “da rua” chamavam de “Quebra na esquina”, justamente pela forma com os jovens iam colocar o dito cujo. Ainda lembro de duas marcas desses perfumes, que vinham em pequenos tubinhos de vidro, do tamanho e forma de um cigarro. Era o Royal Briar e o Dyrce. Vendi muito desse produtos nas noites de fim de ano. 

No centro da parte da praça que ficava mais próximo à Igreja, era armado o carrocel, se não me engano de João Preto. Na parte de baixo, próximo ao atual prédio do Banco do Brasil, era instalado o parque de “Seu Duda” Ferraz, pai de Adamastor, meu sogro. Ali ficavam as canoas, que nada mais era que pequenos balanços em forma de canoa, destinadas ao mais jovens, fortes para impulsionar as canos e corajosos para subir bem alto nas canoas. Havia verdadeiras disputas para ver quem subia mais. Passava a noite inteira se balançando até com fila de espera. Tinha também o Juju, destinado às crianças, que por isso geralmente encerrava as atividades logo cedo da noite. Para os idosos, um equipamento que nunca vi similar em parque nenhum: a Onda, que era um enorme círculo pendurado por fortes vergalhões a um mastro central, com vários assentos. Quando lotado, era impulsionado manualmente, e ficava girando, subindo e descendo. Louro Zeferino foi um dos últimos empurradores da onda. 

No Bar Fênix, o baile de natal, destinado a sociedade local. Praticamente exclusivo dos moradores da cidade, pois o ingresso era “caro” para os rurícolas, que lotavam os vários forrós espalhados pela cidade. Na “Bomba”, no “Alto”, nas ruas próximas ao centro se realizavam tais bailes. Era o autêntico forró pé-de-serra, com sanfona, zabumba e triângulo. Tinha o “tirador de cota”, que cobrava a taxa para pagar o sanfoneiro. Sempre havia o que hoje aqui na cidade chamam de “baculejo”: Alguns policiais ocupavam todas as saídas enquanto outros “corrigiam” os dançarinos, que era uma revista em busca de armas. 

Não raro ocorriam brigas, geralmente motivadas por discussões tolas, geradas pelo consumo exagerado da “branquinha”, ingerida no “butiquim”, que era improvisado barzinho num recanto do salão de danças. Também motivo de briga, era o “cavalheiro” ser “cortado” pela “dama”. Explico: o rapaz chamava uma donzela para dançar. Se ela não quisesse, isso era considerado uma ofensa, chamada “Corte”. Se o rapaz fosse “brabo”, ele não permitiria que ela dançasse com outro. Isso era o estopim para inúmeras brigas. Tais brigam por vezes deixavam feridos à faca, arma mais comum naquela época. 

Por toda a extensão da primeira parte da praça, ficavam as barracas de guloseimas. Barraquinhas que vendiam bolo de milho, tapioca, doces, café etc. Nenhuma dessa seduzia a meninada tanto quanto a de dona Aurora, uma senhora obesa que fazia verdadeiros quitutes para delírio da molecada. Bolo de goma, suspiros e salgadinhos faziam a festa dos meninos e meninas de então. 

Havia na época, um costume interessante (para a meninada): era permitido a toda criança pedir “as festas” aos adultos, que geralmente davam moedas que serviam para comprar desde os quitutes de Dona Aurora, até “bolas de encher”, o Japonês de Zé Benício, até pagar as “carreiras” no carrocel ou nas “Canoas”

Também havia um verdadeiro “cassino”, com jogos de azar espalhados pela Praça: “Maior Ponto”, “Explandim” “Caipira”, “Roleta”, Tiro ao alvo (com espingardas de ar comprimido) etc. Nos fundos do Bar Fênix, ouro cassino. Mesas de jogo de baralho disputavam a preferência dos jogadores em busca de lucro fácil. Tudo isso sem falar nos espertalhões de plantão com suas arapucas para enganar os tolos, na Praça, demonstrando como era fácil ganhar no jogo do “essa perde, essa ganha”, da correia, do dedal entre muitos outros. Fiquei impressionado neste final de ano (2011), ao observar que ainda existe alguns tipos desses jogos em pleno centro da cidade. 

A partir das três horas da manhã o movimento ia diminuindo, até o raiar do dia que encontrava a praça deserta, apenas alguns “bêbos” retardatários caídos nas calçadas, aqueles que trabalharam durante a noite na festa, tomando uma cerveja para encerrar o expediente, e mais ninguém. Todos se recolheram aos seus leitos, ou enfrentaram a volta para casa, na zona rural, em lombo de cavalos, burros e jegues. Cansados, mas felizes. E já fazendo planos para a próxima festa em Custódia.

Voltar só para votar - autor Cristiano Jerônimo


Uma homenagem a Geraldo Vandré

Gente que num pisa no chão;
Que não conhece o sertão,
O sofrimento do povo nordestino
Vivendo desde menino
Indo atrás de caminhão...

Pra tentar ganhar dinheiro
E votar no coronel
Que conseguiu algum papel
Para ele viajar;
Conseguir trabalho, emprego,
E só voltar para votar.
Quando o dono mandar chamar.

(Cristiano Jerônimo)

18 outubro, 2020

[Causo] O sumiço de Santa Luzia


Jussara Burgos
Brasilia-DF
Junho/2020


Um causo relatado por minha querida mãe Noêmia Pereira Burgos. 

Dona Maria Josefina casada com Ernesto Queiroz era uma mulher muito religiosa. 

Lembro-me que as paredes de um dos quartos de sua casa eram repletas de quadros de santos e ela era uma fiel amorosa do catolicismo. 

O senhor Ernesto Queiroz adoeceu gravemente e sua esposa fez uma promessa para Santa Luzia. 

Ele obteve a cura e todo ano o dia 13 de dezembro, dia de Santa Luzia, era festejado por dona Maria Josefina.

Eis que a chuva ficou escassa no nosso sertão e Auta Lins, nossa querida Batinha, ficou sabendo que se alguém roubasse um santo voltaria chover. 

Ela deu um jeito de "roubar" Santa Luzia e só devolveria quando chovesse. 

Dona Maria Josefina ficou contrariadíssima, ia na casa de minha mãe Noêmia desabafar sua perda. 

 O tempo passou, choveu e Batinha devolveu a santa. 

Foi aquela alegria. 

Houve choro de felicidade. Viva Santa Luzia! Que ela dê Luz para nossos olhos. 

Adoro história com o final feliz .

Dr. Pedro Pereira, nosso eterno Professor - Por Lúcia Góis


Dr. Pedro Pereira.


Foi aluno de Rosa Alves de Góis (minha mãe) no primário e após alguns anos, a mesma, fez uma complementação para uma Licenciatura Plena que o MEC exigia. Além de Rosa Góis, Zezita Queiroz e outras que não lembro o nome retornaram a estudar para complementar a Licenciatura.

O inglês que sei hoje agradeço a ele. Fui sua aluna no curso Ginasial no General Joaquim Inácio. Homem competente, educado, respeitoso, carismático etc.

Não tenho palavras para expor tantas qualidades e apreço que sinto por sua pessoa.

Dr. Pedro muito obrigada por tudo que nos ensinou.

Rosa Góis, minha mãe, sempre dizia:

“Que ironia do destino: Fui professora de Pedrinho e hoje ele é meu Professor maravilhoso. Nos trata com muito carinho e respeito”.

Dispensava até trabalhos para ajudar, posto que, minha mãe, estudava a noite, pois era Diretora do General Joaquim Inácio e não tinha tempo para tantas tarefas.

Receba um grande abraço.

Lúcia Góis Veríssimo

Relato de um filho de custodiense da Barra


Olá sou filho de um custodiense raiz, nascido no "boi velho" estrada que leva aos Barreiros, na década de oitenta. Meu pai comprou uma propriedade na comunidade chamada "Barra", próximo ao Lamarão.

Vivi parte de minha infância e início de adolescente pelas ruas de Custódia, estudei no Colégio Polivalente. Participei das festas do mês de Março. Enfim, tenho boas recordações e também tenho às más.

Estive em Custódia a última vez há quatro anos, mas foi de passagem, muito  breve. Aliviei a saudade de uma Custódia que conheci na minha infância e foi o lugar muito desejado por mim para passar as férias escolares. 

Acompanho as publicações que são feitas e mato a curiosidade de como está essa cidade que um dia tanto amei, mas não tenho mais motivos de ir aí pois os parentes já faleceram, inclusive meu pai, mas trago no peito e nas lembranças as melhores recordações desta cidade.

Escrevo às lágrimas, pois as lembranças são as melhores, obrigado por trazer a memória das pessoas que tão ilustres desta cidade e das lendas urbanas de Custódia.

Parabéns pelo trabalho e continue a trazer alegria aos que estão distante (assim como eu), pelas fotos e pelas histórias desta terra de meu pai Osmário da Fazenda Barra.

Forte abraço. 

Marcone Honório da Silva
Contato> https://www.facebook.com/marcone.honoriodasilva 

Comentário publicado na página:

https://www.facebook.com/CustodiaTerraQuerida/

17 outubro, 2020

Biografia: Marli Miro da Silva

 


Biografia

 Aos dezessete dias do mês de outubro do ano de mil novecentos e trinta e oito, na cidade de Custódia, estado de Pernambuco, nascia uma menina que recebeu o nome Marli Miro da Silva. Era filha do casal João Miro da Silva e Jovelina Alves da Silva.  

A menina foi batizada na Igreja Matriz de São José da cidade de Custódia, no dia oito do mês de dezembro do ano de mil novecentos e trinta e oito, teve como padrinhos seus avós maternos: Aureliano Simplício de Góis e Francisca Alves de Góis. 

Marli pequena e ao lado da Mãe Jovelina.



O senhor João Miro era um próspero comerciante, dono de dois estabelecimentos. A Padaria e Mercearia Confiança localizada na Praça Padre Leão, onde existia também um sobrado no qual foi construído a residência familiar e no térreo funcionava o comércio que ficava sob os cuidados de sua esposa. O outro estabelecimento ficava na Rua Inocêncio Lima, mais conhecida como Rua da Bomba, no prédio havia  posto de combustível, um bar e loja de peças automotivas, além disso, ele tinha fazenda, criação de gado, terrenos  e imóveis alugados.  

O Sr. João Miro da Silva foi prefeito de Custódia no período vinte e oito dias do mês de fevereiro do ano de mil novecentos e sessenta e seis aos trinta e um dias do mês de janeiro do ano de mil novecentos e sessenta e nove. 

Nas décadas de quarenta, cinqüenta e sessenta em Custódia só oferecia o curso primário, hoje conhecido como Ensino Fundamental. Na época os pais mandavam os filhos para a cidade do Recife, ou para as cidades de Triunfo, Caruaru e Pesqueira para continuarem seus estudos. 

Marli fez o curso ginasial no Colégio Nossa Senhora do Carmo, localizado na Rua Visconde de Goiânia, 370, no Bairro da Boa Vista na cidade do Recife. Esse educandário sobreviveu por noventa e dois anos, fechando suas portas no ano dois mil e onze. 

Na continuação Marli escolheu fazer o curso de Técnico de Contabilidade, um fato inusitado, nessa época era comum às moças optarem  fazer  o curso Normal, que depois ficou conhecido como Magistério. 



Ela se formou no Colégio das Damas da Instrução Cristã localizado na Avenida Rui Barbosa no Bairro das Graças. Colou grau no ano de mil novecentos e cinquenta e sete. (Dado fornecido pela secretaria do Colégio). 

Seus pais em comemoração a sua formatura, ofereceram, em sua residência uma festa para os familiares e amigos, sendo que, nessa oportunidade, o pai João Miro lhe proporcionou uma grande surpresa, mandando estacionar na frente da residência um veículo de luxo, de marca Plymouth, dando-lhe como o presente de formatura. Veículo este que se conservou até após a sua morte. 



De volta a Custódia, Marli auxiliou o pai em seus negócios. Um antigo funcionário do seu pai Nivaldo Aleixo recorda que ela era extremamente educada, cumprimentava a todos com um sorriso, era muito organizada e asseada, chegando ao estabelecimento tratava de pôr tudo em ordem e retirava a poeira do balcão. Marli tinha muitos talentos era musicista, pois tocava violão e acordeom e pintava telas maravilhosas.

Casamento com Orlando Ferraz (1960)


Aos trinta dias do mês de janeiro de mil novecentos e sessenta casou-se com médico Orlando de Souza Ferraz. A cerimônia foi realizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento na cidade de Arcoverde estado de Pernambuco e a festa comemorativa foi também em Arcoverde na Praça da Bandeira na residência do seu tio paterno Valdomiro Miro, vulgo Nenê. Depois o casal mudou-se para a cidade de Mata Grande no Estado de Alagoas onde Dr. Orlando clinicava e lecionava. 

No mesmo ano, em Arcoverde, aos doze dias do mês de dezembro nasceu o primogênito Marcos Antonio da Silva Ferraz. Aos vinte e nove dias do mês de abril de mil novecentos e sessenta dois nasceu em Mata Grande o segundo filho Márcio Jerônimo da Silva Ferraz, que teve uma vida breve faleceu aos sete de julho de dois mil e cinco com apenas quarenta e três anos de idade, vítima de um acidente de carro ocorrido na estrada de Betânia. 

Marli precisou tirar um sinal, depois um dente e descobriu que estava com um câncer que se espalhou atingindo aos olhos.   

Seu pai não mediu esforços para achar uma cura. Foi a Belo Horizonte em companhia do amigo Reginaldo Rafael procurar o famoso médium Zé Arigó que realizava curas. Diante do médium o senhor João Miro não conteve as lágrimas e Zé Arigó falou que sua dor era muito grande diante do sofrimento da filha, mas que ia ficar tudo bem e ela teria uma melhora, que de fato aconteceu. Mas a cura não veio.  Marli estava grávida e a doença avançava. 

Seu sonho de ser mãe de uma menina foi realizado, nos dias dois do mês de outubro do ano de mil novecentos e sessenta e quatro nasceu sua filha. Marli abraçou e beijou a criança.  Dona Jovelina ao ver a neta disse que seu nome deveria ser Maria das Dores por ela ter sentindo as dores de sua mãe. A menina viveu poucas horas e no dia seguinte Marli partiu para ficar juntinho dela...



Marli deixou um grande vazio e dor. Custódia ficou consternada diante desse indesejável desenlace.  O senhor João Miro na hora do sepultamento exclamava que o dinheiro de nada valia, pois ele não pode salvar seu bem mais precioso. Costumeiramente na hora do crepúsculo ele visitava o túmulo da filha. 

E durante anos a fio dona Jovelina manteve uma lâmpada acesa dia e noite no quarto que pertenceu a Marli. 

Marli vive nas nossas lembranças e no sangue que corre nas veias dos seus descendentes. 

Aqui rendemos essa pequena homenagem no dia do octogésimo segundo aniversário do seu nascimento.

 Descendência de Orlando de Souza Ferraz e Marli da Silva Ferraz

#Marcos Antonio da Silva Ferraz, nasceu aos doze de dezembro de mil novecentos e sessenta. Casado com Marli Pereira de Siqueira Ferraz 

Pai de: João Juliano de Siqueira Ferraz, Monique Maria de Siqueira Ferraz e Marcus Vinicius de Siqueira Ferraz. 

Netos: João Marcos Ferraz Barbalho, Túlio Gutemberg Ferraz Barbalho e Artur Gabriel Góis de Siqueira Ferraz     

#Márcio Jerônimo da Silva Ferraz, nasceu dia vinte e nove de abril de mil novecentos e sessenta e dois. Faleceu no dia sete de julho de dois mil e cinco.

Casou-se com Maria Sonia de Alencar Ferraz 

Pai de: Márcio Virgilio de Alencar Ferraz, Dalvino Orlando de Alencar Ferraz, Tatyanne de Alencar Ferraz e Marcílio Jeronymo de Alencar Ferraz 

Avó de: Alice Stephanny de Alencar Ferraz, Marcela Ferraz Lyra Pinheiro, Guilherme Melo de Alencar Ferraz, Mariana Holanda de Alencar Ferraz e Márcio Jerônimo da Silva Ferraz Neto. 

 Acervo familiar






Carta para os pais





Carta para os filhos





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Apreciações (comentários do Grupo Encontro de Custodienses)

A ideia de escrever uma biografia de Marli surgiu no grupo do WhatsApp ''Encontro de Custodienses''. Lúcia Góis publicou uma foto que Marli dedicou a sua tia materna Rosa Góis. Muitos comentários e relatos surgiram, fato que me chamou atenção, pois Marli faleceu em 1964 e cinquenta e seis anos depois ela é lembrada com muito carinho. Devidamente autorizada compartilho esses comentários. 

Maria Edina fala sobre sua prima Marli: 

‘’Muito querida por todos da família! Pouco convivi com ela, pois tínhamos distanciamento de idade, muito sensível, sensata e acolhedora. Quando se formou ganhou do pai um Aero-Willys laranja (lembranças), primeira vez que vi uma mulher dirigindo. Quando eu era criança o açude do DNOCS ainda não tinha sido construído e as terras pertenciam a Mareca, havia um pé de jabuticaba a uns vinte metros da casa grande e lá Marli tocou violão e cantou Imbalança, música de Luiz Gonzaga:  

"Óia a paia do coqueiro
Quando o vento dá,
Óia o tombo da jangada
Nas ondas do mar,
Óia o tombo da jangada
Nas ondas do mar,
Óia a paia do coqueiro
Quando o vento dá,
Imbalança, imbalança, imbalançá ''

   Outra música que Maria Edina recorda que ela gostava era: 

Prece ao vento

 ''Vento que balança as palhas do coqueiro
Vento que encrespa as ondas do mar
Vento que assanha os cabelos da morena
Me traz notícia de lá 

Vento que assovia no telhado
Chamando para a lua espiar ô
Vento que na beira lá da praia
Escutava o meu amor a cantar

 Hoje estou sozinho e tu também
Triste, mas lembrando do meu bem
Vento diga, por favor,

Aonde se escondeu o meu amor
Vento diga, por favor,
Aonde se escondeu o meu amor''

 Josamira Duarte (Josa de Seu Abílio) diz:

Linda mulher! Muito simples e simpática Lembro-me dela, pois foi a 1ª vez que vi uma jovem no volante Fiquei admirada e achei o máximo! 

E eu lembro quando ia p/escola ela estava na sacada de sua casa e a gente dava com a mão e ela correspondia sorrindo Já conheci formada e a cidade toda comentava do presente do Pai (o carro).  Dona Jovelina me contou que na hora que a criança nasceu, Dr. Orlando anunciou que era uma menina, Marli abraçou e beijou a criança. Dona Jovelina, disse: essa menina merece o nome de Maria das Dores por ter sentido dores juntinho com a mãe. 

Verônica Campos diz que Marli era vizinha e muito amiga de sua mãe Nilda. As duas iam com filhos Marcos e Verônica, que são da mesma idade, visitar o Sr. João Miro, o rosto do mesmo se iluminava quando via a filha. 

Quando o esposo de Nilda foi baleado e encontrava-se hospitalizado, Marli exclamou: ''suas meninas vão se criar sem o pai e meus filhos sem a mãe.''

Marcos Moura relatou: 

''Me lembro de muito Marli, certa vez fui comprar um cartucho de Pólvora Elefante, na Mercearia e Padaria do Sr João Miro e ela era me despachando dizendo que queria ir caçar também rsrs minha mãe contava que ela dizia pra ela: Elvira vai tendo os meninos que eu vou só copiando os nomes rsrs Eu sou Marcos José e O filho dela é Marcos Antônio e meu irmão é Marcio Wellington e o filho dela Márcio Jerônimo, são lembranças que não apagam de nossas memória. ''

Jorge Remígio relata o retorno de Marli para Custódia: 

''Quando Dr. Orlando e Marli foram se mudar com a família para Custódia, pois eles residiam em Mata Grande-AL, quem foi fazer a mudança foi o meu pai Claudionor Remígio, com o seu caminhão Chevrolet. Tenho quase certeza que o ano era 1963. Ele me levou para essa viagem e quem também nos fez companhia foi Branco. Tenho várias imagens que ficaram gravadas na minha memória. Os filhos de Marli, Márcio e Marcos ainda muito pequenos, 2 ou três anos, em seus velocípedes no quintal. Lembro Lourinho chegando na casa com o carro de passeio de Dr. Orlando. Eles eram muito queridos no lugar, pois foi muita gente na despedida. Lembro-me de muitos estudantes de farda, foi emocionante. Não tenho certeza se os primeiros sintomas da doença já haviam aparecido. A imagem que gravei dela foi nessas arrumações da mudança. ''

Lucia Góis incentivadora e colaboradora para construção desse texto, diz: 

''Realmente ela nunca foi esquecida.  Ficará para sempre as suas lembranças em nossos corações. Era uma jovem admirável, dócil, gentil, humana e uma simplicidade ímpar. Pessoa maravilhosa. Grande artista. Pintava telas e tocava muito bem VIOLÃO. Era uma artista. Temos várias telas que a mesma produzia. Era muito criança quando a mesma faleceu. Mãe de Marquinho e Márcio Ferraz. Grande mulher VIVA MARLI'' 

Ione Miro fez um comovente desabafo: 

''Na canção de Roberto Carlos "Outra Vez tem um trecho que diz: Das lembranças que  eu trago na vida você é a saudade que gosto de ter. Só assim sinto você  bem perto mim. Marli é  isso aí,  tenho por ela grande estima. Parte da trajetória devo a ela, inclusive  meu próprio  nome. Dentro de minhas  lembranças  de Mata Grande  a casa da muda, daqui o passeio de carro à  tarde  quando ela ia para casa de dona Maria de seu Anfilófio, que morava na casa do pessoal dos Nazara,  perto de onde era a coletoria. Trago alguns pertences , moro na casa onde a mesma passou boa parte de sua infância e adolescência.''

Além dos comentários acima postados no grupo, recebi esse comentário de Tatyane Ferraz: 

''É um orgulho poder escrever essas linhas sobre minha querida e inesquecível avó Marly. Neta, filha terceira do Márcio, seu segundo filho, não tive a oportunidade de conhecê-la em vida, mas aprendi a amá-la e admirar a a sua trajetória e tão breve passagem entre nós. Da sua sensibilidade para arte, dos belíssimos quadros que pintava, da sua afinidade com a música, da sua beleza e elegância, da sua força...  

“Uma mulher à frente do seu tempo”, como diria minha estimada tia Ione, grande responsável por preservar com muito carinho cada memória por ela deixada e assim fazê-la eternamente viva em nossos corações. 

A quem aqui agradeço por ter me honrado com uma lembrança mais que especial, o seu anel de formatura que guardo com muito orgulho e por todo esse zelo e amor trazido para nós, a história dessa grandiosa mulher, minha avó, minha raiz!" 

Escola Municipal Marli Miro da Silva.
Funcionava no Guarany.

Agradecimentos

Devo dizer que considero essa biografia  minha participação mais rica e importante nesse Blog. 

Eu tinha apenas onze anos quando Marli faleceu. Durante minha infância, ela estudava fora. Lembro-me de ter avistado Marli uma única vez, fato que me chamou atenção. 

Estava passando em frente à bodega do Sr. Joventino e Marli estava saindo conversando animadamente com sua  tia Anaurelina. Menina curiosa que era, parei e fiquei olhando  indiscretamente. Será que Deus soprou no meu ouvido para ficar atenta porque eu iria escrever sua história? 

Na hora que Marli  estava abrindo a porta do carro, seu olhar cruzou com o meu. Parecia cena de filme, uma mulher bonita, bem vestida e dirigindo carro? Somente as atrizes de Hollywood. Fiquei sua fã na hora, encantada  pela sua beleza, desenvoltura, bom gosto, com os trajes e  cabelos  arrumados com esmero. 

Nessa época, a nossa Custódia era pequenina e era comum seus habitantes se irmanarem pelos caminhos da vida e na morte. A doença e desenlace de uma jovem com apenas vinte e seis anos e com filhos pequenos, foi sentida por todos nós. Vivi o luto quando minha "Super Star" foi brilhar no alto, mas afinal, lugar de estrela é no infinito e não nos é dado o direito de conhecer o insondável propósito Divino. 

Se alguém me pedir para definir Marli em poucas palavras, respondo sem  pestanejar: Um Ser de luz! 

Por essa razão, é uma honra resgatar sua história. Sinceramente, gostaria que o "The End" fosse outro, porque adoro história com o final feliz. 

Minha gratidão a Marcos Antônio da Silva Ferraz, por ter autorizado fazer a biografia e pelo apoio. 

Dr. Orlando e Magda que autorizaram postar a foto do casamento e pelos dados fornecidos.

A minha querida amiga Lúcia Góis, minha ''assessora''.  

Ione, meu banco de dados. Grata pela colaboração. 

Josamira Duarte, Josa, você dignifica a raça humana, também sou sua fã.  

Dra. Maria Edina, para mim, simplesmente Edinha, pela amizade que temos desde nossa mocidade. Você trouxe o canto e a alegria de Marli, ela fez preces ao vento e ele trouxe de volta sua doce lembrança. 

Jorge Remígio, nosso possante HD de plantão com suas histórias. 

Marcos Moura Verônica Campos, Nirinha, Nivaldo Aleixo de Souza e sua filha Glaucia. Reginaldo Rafael e Antonio Medeiros (Totonho). Grata pela valiosa colaboração de vocês. 

Minha gratidão a Paulo Joaquim Peterson Pereira, meu dileto primo. Conte comigo para construção do seu trabalho. Futuras gerações custodienses serão beneficiadas por ele. Vejo que você está seguindo a mesma trilha do seu pai que amou e se doou a Custódia. Deus ilumine sua mente e coração. 

Resgatando essa história, lembro que ouvi várias vezes dizer: “O tempo cura tudo".  Permitam-me dizer que não é assim, tem feridas que Ele não cura, a gente aprende a conviver com a dor. E assim, com meu coração sangrando por meu filho Renato que partiu no dia treze de abril de dois mil e dezoito.

Solidarizo-me com a dor do casal João Miro e Jovelina, pois eu sei que eles partiram levando uma dor profunda em seus corações. 
 

Penso na dor de  um homem cuja vida é um exemplo de amor ao próximo, ele foi educador e médico. Meu amigo, Dr.Orlando, sei da sensação de impotência que invade nossa vida quando vemos quem amamos ir embora. O senhor sendo médico deve ter sofrido mais ainda perdendo sua filhinha e a esposa.  Nessas horas, a vida nos oferece uma única opção, pedir conformação para aceitar o fato.  

Diante dos meus netos pequeninos vejo Marquinhos e Márcio (in memória) crescerem na orfandade.  

Grata, meu Deus, pelo aprendizado de saber que não sou melhor que ninguém, estando sujeito às intempéries da vida. Grata por me dar força para continuar. 

É vida que segue... 

"Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade." 

Por Helena Jussara Pereira Burgos Monteiro