11 agosto, 2026

Ferro, Fogo e Afeto: A História de Maria Pixô e o Legado das Engomadeiras de Custódia




No coração da história de Custódia, no Sertão de Pernambuco, paira a memória de uma família que, com suor e dignidade, marcou época.

Esta é a história da matriarca Maria Constância da Conceição Pereira, eternizada pelo apelido Pixô, e de seus filhos, cujas vidas se entrelaçaram com o desenvolvimento da região do sítio Peba e arredores do sítio Carvalho.

A família marcou a paisagem social e econômica da época através de um ofício que exigia força, paciência e maestria: o de engomadeiras. 

Usando os pesados ferros de engomar movidos uma cozinha a lenha, elas garantiam o impecável das vestes da sociedade custodiense, transformando calor e peso em elegância.

A descendência de Maria Pixô formava um cordão robusto de trabalhadores:

 * Maria José Pereira da Silva: A primogênita, nascida em 19 de agosto de 1912.
 * Ulisses Pereira da Silva: Nascido em março de 1915. 
 * Cícera Pereira da Silva: Nascida em 28 de maio de 1917.
 * Zulmira Pereira da Silva: Nascida em 1919.
 * Elvira Pereira da Silva: A caçula, nascida em 1925, que seguiu os passos das irmãs mais velhas.

(*) Zulmira teve sua trajetória tragicamente interrompida por um atropelamento nas imediações onde hoje se localiza o atual prédio do Fórum da cidade.

A rede familiar se estendia através de figuras como o sobrinho José Pereira de Siqueira, pai de Josa Pereira de Siqueira (o mais velho), Janúncio, Hilda e Geiza.

Na vizinhança, a convivência era estreita com outras famílias tradicionais, como as Simão — Virgínia, Rita, Joaquina, Júlia (filha de Manoel Bidó), Antônia e seu José Preto, pai de Beta.

O impacto dessa família na comunidade foi tão profundo que os laços de amizade se tornaram parentesco de alma. 

O professor Francisco Bernardo, por exemplo, as considerava como membros de sua própria família, fruto de uma convivência estreita e carinhosa desde a infância.

Resgatar a história de Maria Constância da Conceição Pereira (Pixô) e seus filhos, é honrar a memória de uma Custódia feita de trabalho duro, fumaça de carvão, cheiro de roupa engomada e, acima de tudo, de laços humanos que o tempo não apaga.

Com informações de Francisco Bernardo.
Fotos acervo Noêmia Pereira Burgos

9 comentários:

  1. Muito interessante esse texto sobre pessoas simples da nossa cidade, que exerciam um trabalho indispensável e de grande importância para muitas famílias de Custódia. Temos que falar, publicar, para que essas informações cheguem até às gerações que não vivenciaram essa época. Antônia que lavava e engomava as roupas da casa dos meus pais. Creio que até início da década de setenta. Jorge Remígio

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  2. Grande trabalho PP

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  3. Muito bom👏👏👏👏👏

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  4. Que memória linda. Está história resgata como era as pessoas da quela geração. Lutavam e não desistia até que o objetivo fosse alcançado. Lindo exemplo. Fiquem com Deus.

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  5. Eu sou Januncio de Custódia, tive a honra de viver e conhecer as pixô, uma delas era minha madrinha e todas elas prima de meu pai José Siqueira! Frequentavamos muito a casa delas na beira do rio, exatamente atrás do banco do Brasil, Que lembrança maravilhosa Paulo, Deus abençoe.

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  6. Tive o prazer de conviver com essa ilustre família. , que tinha residência fixa na Rua Tenente Moura mais conhecida como rua do rio que era por onde eu passava sempre qdo ia na casa de minha tia Terezinha ou quando vinha da Escola , do trabalho para minha residência que era no Texaco então via sempre trabalhando com seu ferro um parecia um ônibus e outro todo fechado e abanava com a boca e o outro com um abanador de palha As toalhas da Igreja eram todas passadas por elas com capricho e com carinho Família linda que não deixaram herança mas deixaram legados para nossa terra natal que jamais será esquecida Eram incansáveis , todas elas e seus familiares que merece todo nosso carinho e admiração por esta família ilustre que na diplomacia e simplicidade FEZ HISTÓRIA EM NOSSA NATAL Jfdm

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  7. Que bacana Peterson! parece que lendo essa história a gente se reporta para esse momento.

    Nossa cidade é realmente muito rica em cultura e em histórias que revelam a beleza das relações humanas.

    Um exemplo muito marcante é a história das engomadeiras que você tão bem nos explicou. Mulheres que, com muito trabalho e dedicação, passavam as roupas das famílias da cidade.

    Mais do que um simples ofício, o trabalho dessas mulheres acabou criando vínculos e amizades que ultrapassavam as diferenças sociais. Dentro das casas, nas conversas e na convivência do dia a dia, percebemos como a chamada elite e as pessoas mais simples se entrelaçavam, construindo relações de respeito, confiança e amizade.

    É justamente isso que torna a história de Custódia tão especial: por trás de cada profissão, de cada família e de cada costume, existem pessoas que ajudaram a construir a identidade da nossa cidade.
    As engomadeiras faziam parte dessa memória afetiva. pelo que entendi, elas não apenas passavam roupas; elas também carregavam histórias, conheciam famílias, compartilhavam momentos e, de certa forma, ajudavam a aproximar mundos sociais diferentes.

    Resgatar essas histórias é valorizar a nossa gente e reconhecer que a verdadeira riqueza de uma cidade está também na memória daqueles que, muitas vezes de forma simples e silenciosa, ajudaram a construir sua história.

    Custódia tem uma história bonita, humana e cheia de personagens que merecem ser lembrados.

    Humberto Guerra

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  8. Como a nossa cidade tem histórias lindas para serem contadas. Parabéns Paulo, por tão belo resgate.

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  9. Meu nome é Otacilio Gois e com muita admiração e respeito leio esta linda contribuição à história de Custódia. Lembro-me das muitas oportunidades que conduzi palitos, saias, calças, camisas e outra peças todas em linho, os paletós de meu pai e do meus tios as vezes de caroalinho, da casa de meus pais, muitas vezes lavadas nas caçimbas do Sítio de Dona Nita por Dona Lurdes de seu Ze Preto, todas para serem divinamente engomadas pelas Pixô. Nas janelas da casa os ferros de engomar comprados na Casa Góis, muitas vezes soprados e embalados para avivar as brasas que os aqueciam, num verdadeiro bailar entre mãos e depósitos em brasa, que logo em seguida eliminavam as cinzas acumuladas pela parte de tráz, depois de destravados os suspiros que continham. Impecáveis! As roupas já "passadas" eram devolvidas aos seus donos para enebriar os momentos de gala. Que lembrança linda Paulo por reviver momentos tão sublimes, demonstrando a importância das Pixô originárias do Quilombo Carvalho que, também, nos encantavam com suas negras louçeiras nas feiras de Custódia: potes, panelas, e demais utencílios de barro, pata o deleite das donas de casa da cidade.

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