24 de maio de 2013

[Custódia-PE] Monumento aos soldados mortos - Coluna Prestes


Local histórico. Aqui houve um confronto da Coluna Prestes, com Forças da Polícia de Pernambuco em 1926. Localidade denominada Umburanas as margens da BR 232 à aproximadamente 17km da sede do município.

Mais detalhes sobre o confronto:


Aos heróis da Polícia Militar 

Publicado no Jornal do Comércio em 05 de Maio de 2008, escrito por Jorge Luiz de Moura.


No km 345, da BR-232, entre Custódia e o Sítio dos Nunes, existe um monumento branco, com a seguinte placa: “Homenagem da Polícia Militar de Pernambuco à memória dos seus heróis que, em 14/02/1926, aqui tombaram no cumprimento do dever, combatendo a Coluna Prestes”.


Mas, que combate foi aquele ocorrido há mais de 81 anos?

O combate em si, foi uma grande armadilha urdida pelos oficiais da Coluna Miguel Costa-Prestes, seu nome correto, tenentes-coronéis Djalma Dutra e João Alberto. (Livros: A coluna prestes, de Neill Macaulay, página 205, e o Cavaleiro da esperança, de Jorge Amado, página 149). Assim, os rebeldes dessa Coluna (que estavam na área esperando uma ligação com o tenente Cleto Campelo, que acabou falecendo em Gravatá), haviam interceptado nos fios do telégrafo, uma mensagem sobre o deslocamento de Custódia para Vila Bela (Serra Talhada) de uma tropa da Força Pública de Pernambuco, de 137 homens, transportada em cinco caminhões dos efetivos dos 1º, 2º, 3º Batalhões, Regimento da Cavalaria e Companhia de Bombeiros, (Boletim Geral da Força Pública, de 12 de fevereiro de 1926), sob o comando do coronel João Nunes, comandante Geral. No terceiro caminhão, vinham o tenente da PM José Coutinho da Costa Pereira, no quinto, o tenente da PM Olímpio Augusto de Oliveira e o capitão Luiz Sabino de Azevedo e, na retaguarda, o comandante João Nunes, em automóvel.

Na localidade Umburanas ou Imburanas, os rebeldes arquitetam uma emboscada, colocando na estrada um chapéu de tipo engenheiro, de cortiça, como isca! Por volta das 9h de 14/02/1926, (domingo de Carnaval), um soldado mandou parar o veículo para apanhá-lo. Em seguida, todo o comboio parou. O coronel João Nunes, vinha à retaguarda, em companhia, do seu secretário, tenente Sidrak de Oliveira Correia e outros oficiais. Imediatamente, dos serrotes laterais, surgiram os fogos cruzados das metralhadoras inimigas, ceifando a vida de inúmeros soldados.

Após seis horas de combate, o coronel João Nunes, ao escurecer, conseguiu romper o cerco dos rebeldes, (em número quase cinco vezes superior, e entocados) rumo à Custódia, perdendo quatro dos cinco caminhões, que foram queimados. No dia seguinte, em Custódia, a tropa, reorganizou-se e partiu ao encalce da força rebelde (História da PMPE – major da PM Roberto Monteiro, página 78, e revista APMP 1985 – página 10). A munição que se achava no quinto caminhão, que regressou a Custódia com o capitão Luiz Sabino de Azevedo, não foi perdida (Jornal A Província, de 27/02/1926, e Diário de Pernambuco de 27/02/1926).

De acordo com o Boletim Geral da Força Pública, de 12 de março de 1926, morreram oito soldados: Isídio José de Oliveira, (2º Batalhão), Castor Pereira da Costa, Ercias Petronillo Fonseca e Manoel Bernardino Fonseca (Regimento de Cavalaria), José Sebastião Bezerra, Pedro Cosme Alexandrino, Antônio Cassemiro Ferreira e Luiz José Lima Mendes, (Companhia de Bombeiros). (Livro: Epopéia de bravos guerreiros – Jorge Luiz de Moura e Carlos Bezerra Cavalcanti). Os feridos foram três soldados, Amaro do Espírito Santo e Benevenuto Cardoso Silva, (do 2º Batalhão) e Severino Lino dos Santos, (do Regimento de Cavalaria). No mencionado Boletim, o comandante João Nunes enaltece suas bravuras e sacrifícios no campo de luta, em defesa da legalidade.

Aqueles soldados foram sepultados no local, numa cova única, à beira da estrada, de acordo com o major da PM João Rodrigues da Silva, em artigo publicado na Revista Guararapes, em janeiro de 1950, – Os mortos do Riacho do Mulungu, onde assinala que pela voz do povo, o número de mortos se eleva a mais de 40 praças. Esse monumento foi construído durante o Comando Geral do Coronel Manoel Expedito Sampaio, em 1961 (Informação do coronel Cícero Laurindo de Sá).

Na fria placa de mármore, ficou o registro da reação daqueles heróis, que precisam ser lembrados e nominados todos os anos, àquele 14 de fevereiro de 1926, pois, transpuseram os umbrais da glória e precisam ser inseridos nos anais da grande história da PM e de Pernambuco.

» Jorge Luiz de Moura é coronel e ex-comandante-geral da PMPE.

Sertão Sangrento: Luta e Resistência
Jovenildo Pinheiro de Souza
(custodiense)

Umburanas é uma localidade perto de Custódia, em Pernambuco, onde a Coluna Prestes travou o combate mais importante, quando da passagem por este Estado. O combate foi travado no dia 14 de Fevereiro (primeiro dia de Carnaval) de 1926, era, então, Governador do Estado, Sérgio Loreto. A tropa pernambucana era composta de cerca de 200 soldados, comandados pelo “célebre Coronel João Nunes, velho perseguidor de Lampião”.

Era, portanto, conhecedor da região e afeito à dureza dos combates nas caatingas.

Vale salientar a opinião de outro célebre oficial militar, sobre o colega de farda, o Coronel João Nunes. Segundo Optato Gueiros, que foi também por muitos anos Comandante das Forças Volantes contra o cangaço, “o único comandante da tropa que, de fato, cometeu desatinos, foi o Coronel João Nunes. Não tivesse ele mandado fuzilar os pobres rapazes gaúchos que caíram prisioneiros nas mãos das tropas legalistas em Floresta, em Nazaré, e determinado que se acabasse de matar um pobre revoltoso, que, além de ferido estava tuberculoso, e se achava moribundo em Campo Alegre, não teria a polícia de Pernambuco adquirido por algum tempo a fama de perversidade …”

Em Umburanas a Coluna Prestes preparou uma emboscada e na qual caiu a tropa sob o comando do Coronel João Nunes. Diante da surpresa e do poder de fogo por parte dos revoltosos, a tropa legalista bateu em retirada, desordenadamente, perdendo no campo de batalha uma grande quantidade de material bélico, além de ter perdido um quarto do seu efetivo militar, entre mortos e feridos.

O Coronel João Nunes já tinha tido a oportunidade de contatar a Coluna, no sul do Estado do Piauí, quando enfrentou o destacamento comandado por Siqueira Campos. Nesta ocasião, João Nunes saqueou e incendiou a cidade de Valença.

Em Umburanas, o Coronel João Nunes teve o seu Waterloo. Segundo descreve Moreira Lima, “à frente dos fugitivos corria o Coronel João Nunes que abandonou seus comandados em pleno combate, com um mísero poltrão, e gastou dois dias para alcançar Custódia, a três léguas de distância, onde chegou ‘arrazado’, a pé e com a roupa estraçalhada pelos espinhos da caatinga”
40.

(14)Anos depois, em 1930, esse veterano perseguidor de Lampião, já aposentado da Polícia Militar de Pernambuco desde 1927, foi aprisionado por Lampião, quando repousava na fazenda Sueca, de sua propriedade, em Águas Belas, Pernambuco.

Disponível Clicando Aqui

Crítica do site Nação Cultural sobre o livro

Primoroso trabalho de Jovenildo Pinheiro de Sousa, Sertão Sangrento – Resistência e Luta, aborda o cangaço sobre as luzes da História Social e se apropria dos elementos epistemológicos para fundamentar as origens do cangaço, fenômeno social que envolveu os sertões nordestinos do final do século XIX a década de 40 da centúria seguinte e que não teve apenas um motivo determinante para seu início como muitos afirmam.

Longe das abordagens autodidatas e factuais que envolveu o tema do cangaço por todo século XX, e sem se preocupar em questionar se cangaceiro é bandido ou herói, Sertão Sangrento – Resistência e Luta tem bases fincadas em sólido instrumental teórico ao abordar tema de tamanha complexidade como o cangaço e seus desdobramentos.

Publicação com incentivo do Funcultura, Secretaria de Cultura e Governo do Estado de Pernambuco, Sertão Sangrento – Resistência e Luta é consequência de uma pesquisa realizada por Jovenildo Pinheiro, na área de História Social, para obtenção do título de Mestre em História, pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.


Um comentário:

  1. É justo que um monumento histórico, nas limitações da cidade, fique esquecido?
    Será que na escola nossas crianças chegam a ter conhecimento dos fatos históricos ocorridos no município?

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