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04 novembro, 2023

Origem dos Tenórios do Sul - por Luiz Tenório


(*) Matéria exclusiva do Blog Custódia Terra Querida. 

Recentemente foi levantado por um colaborador deste blog um questionamento sobre qual seria a ligação de minha família com Henrique Tenório de Melo, vulto da história de Custódia, dado o lugar de destaque que o amigo Paulo tem generosamente nos dado, estreitando, assim, nossos vínculos com nossa saudosa terra natal. Pois bem, meu nome, Luiz Tenório de Melo, foi escolhido por minha avó paterna, em homenagem ao velho coronel Luiz Tenório de Melo (Dodô). Quando estive visitando Custódia em meados dos anos 90 conheci, somente em Quitimbú, outros seis Luiz Tenório de Melo, todos batizados com esse nome pelo mesmo motivo.

O Coronel Luiz Tenório de Melo, Dodô, era tio de minha avó paterna Maria Tenório de Melo. Foram criados na região de Mimoso-PE, ela era prima em primeiro grau de Henrique Tenório de Melo, filho de Luiz, tendo herdado até mesmo o apelido do pai.

Luiz Tenório de Melo fundou o Distrito de Quitimbú e juntamente com padres jesuítas fundaram Custódia, que recebeu essa denominaçao porque existia no lugar, que era um ponto de boiada e uma pensão, uma senhora de nome Custódia, entretanto existe uma outra versão de que tal nome se deu para homenagear os padres que estavam custodiados, porque estavam fugindo da inquisição. Como se pode verificar, Quitimbú é mais antigo que Custódia, tendo sido sede da Lagoa de Baixo, hoje Sertânia.

O filho mais velho do coronel Dodô, Henrique, tinha seis irmãos, se não me falha a memória, entre homens e mulheres. Foi casado, mas não teve filhos biológicos, adotou alguns, que para ele eram mais que filhos … assim dizia!

Maria Tenório de Melo, minha avó, conforme citei acima, casou-se com Gabriel Ferreira Arcanjo. Deste matrimônio nasceram nove filhos, sendo cinco mulheres e quatro homens. As mulheres são: Maria Tenório Veras (apelidada de Mocinha, apelido que a acompanhou até sua morte em avançada idade!); Solidade Ferreira Cirilo; Rita Tenório da Silva, Antonia Tenório da Silva, já falecida; e Francisca Tenório de Melo, que vive em Afogados da Ingazeira. Os homens são: José Tenório de Melo, foi delegado de polícia em Custódia na década de 40 e comerciante próspero de secos e molhados em Novo Cravinho-SP, distrito de Pompéia, onde faleceu; Antonio Tenório Sobrinho, foi vereador em Custódia na década de 40 e comerciante em Quitimbú, Rosalia-SP e em Cassilândia, sempre no ramo de secos e molhados, assinava sobrinho em homenagem a um tio do mesmo nome; Sebastião Tenório de Melo, falecido em Rondonópolis-MT, onde morava; e Joaquim Tenório Sobrinho, que também assinava sobrinho em homenagem a um tio.

Deter-me-ei com maior acuidade ao último rebento por uma questão óbvia, trata-se de meu saudoso pai. Joaquim foi o primeiro da família a migrar para o sul, embora nunca tivesse deixado de proclamar sua paixão por sua terra. A circunstância, porém, assim o exigia, não chovia naquela região há algum tempo e desta forma tornou-se ele mais um retirante da seca. Foi vaqueiro, agricultor, comprador e vendedor de caprino e suíno, além de marchante (açougueiro) em Quitimbú; trabalhou em lavouras da região de Novo Cravinho, distrito de Pompéia-SP e no município de Marília. Mudou-se para Mato Grosso uno no ano de 1955, seu destino desde que saiu de sua terra natal, o que não aconteceu no primeiro momento porque o dinheiro findou-se por completo em São Paulo-capital, tendo sido obrigado a procurar na Estação da Luz o serviço de migração e de lá, acompanhado da esposa grávida e dos filhos Luizinho e Marizalve, tomar outro rumo e não o que projetara inicialmente.




Chegou a Cassilândia tempos depois, no dia 12 de abril de 1955. Sua família havia proliferado (coisas do sangue nordestino) haviam nascido mais três filhos: Lourdes, Cícera e Francisco de Assis, nascidos no interior do Estado de São Paulo. Deu uma volta na cidade, quando pode verificar não existir nenhuma carroça para fazer frete, sem pensar muito voltou ao interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Rubiácea, adquiriu uma com animal e tralha e rumou de volta a Cassilândia. Lá se foram 10 dias de viagem, dormindo ora embaixo da carroça ora em galpões ou paióis de fazendas.

Assim que retornou, iniciou o trabalho duro juntamente com seu filho mais velho, Luizinho; poucos dias depois estava de volta a Rubiácea para comprar outra carroça, o que foi feito sucessivamente durante 18 meses, período em que comercializou algo em torno de 40 destes veículos, tendo adquirido recurso suficiente para comprar um sítio, loteá-lo e homenagear seu estado de origem dando o nome do novo bairro de VILA PERNAMBUCO – o maior da cidade. Comprou fazendas, chácaras, sítios, gado, jipes, caminhonetes, caminhões e até aviões. Também foi o primeiro corretor de fazendas de Cassilândia.

Foi vítima de um acidente de avião quase fatal, no dia 02 de julho de 1968, no aeroporto de Ribeirão Preto-SP. Inexplicavelmente a aeronave caiu logo após decolar. Passou meses na UTI, teve seu rosto completamente deformado, o que não pôde ser corrigido a contento por cirurgias plásticas, dada a gravidade do acidente. Ainda assim não se deixou abater, dado seu carisma e coração devotado ao bem de seu próximo, tornou-se político por imposição do povo.

É, até hoje em dia, proporcionalmente o vereador mais votado da história de Cassilândia, obteve 35% dos votos válidos em sua primeira eleição. Para que tal votação seja superada, hoje, são necessários algo em torno de 4.500 votos! Foi Presidente da Câmara Municipal, uma vez vice-prefeito e duas vezes prefeito.

Maria Tenório de Melo, minha avó, a prima de Dodô, faleceu aos 77 anos, no dia 15 de abril de 1962, em Volta Redonda-RJ, vítima de um acidente, quando retornava ao estado de Pernambuco, depois de uma visita aos filhos em São Paulo e Mato Grosso, respectivamente. Ela pretendia fazer uma visita ao seu primo Tenório Cavalcante, o lendário “Homem da Capa Preta”, em Duque de Caxias, para onde seguia antes de voltar para sua terra, vez que na adolescência residira por aproximadamente 4 anos na pequena propriedade rural de seu tio, pai de Tenório, de quem a mesma cuidou.

Acalentava o sonho de conhecer um avião, achava, conforme ela mesma dizia: interessante ver aquelas máquinas voando como pássaros. Seu filho, Joaquim, sabendo disso a esperou em Jales-SP, no final de 1961, com um avião de sua propriedade. Lembro-me, como se fosse hoje, de lhe perguntar se havia gostado da viagem, ela respondeu que adorara, mas que havia ficado mouca (surda). Este foi o primeiro e único reencontro de Maria Tenório com Joaquim e sua família, dado o desfecho no Rio de Janeiro.

Os contatos anteriores a esse reencontro eram apenas por correspondência, via cartas, que demoravam de 30 a 60 dias para chegarem ao seu destino. O sistema de telefonia (interurbano) praticamente não existia, quando muito se falava de uma capital para outra ou de uma cidade grande para outra também grande, com demora nunca inferior a 10 horas.

O interurbano chegou a Cassilândia somente nos idos de 1976, com Pernambuco na prefeitura, quando fez questão que o então Pároco da cidade, Pe. Jhon Pace, fizesse a primeira ligação internacional para um parente residente em Washington, capital dos EUA. Na sequência, ele próprio ligou para o último governador de Mato Grosso uno, o sergipano José Garcia Neto, em Cuiabá.

Dois dos filhos de Joaquim Pernambuco enveredaram na política, eu, Luizinho Tenório, em Mato Grosso do Sul; e o caçula, Francisco de Assis Tenório, no Mato Grosso. As filhas são educadoras e também moram em Cassilândia. Concomitantemente a política, fui Fiscal de Rendas até me aposentar e hoje, enquanto economista, presto consultoria a diversas empresas, câmaras e prefeituras. Assis é empresário do setor madeireiro com atividades em diversos Estados do país.

Espero ter sido o mais esclarecedor possível, é muito bom, mesmo que a distância, sentir-me com um pé em minha terra, em meu berço! Aos conterrâneos custodienses um abraço fraterno do sempre sertanejo,

Luizinho Tenório

02 junho, 2023

Luizinho Tenório homenageia Sevy Oliveira


Sevy, que nesta data tão especial não só para você, mas para seus amigos e familiares, para seus ex-alunos, que tiveram a chance de ter uma vida melhor por terem tido a oportunidade de ter encontrado pelos caminhos da vida uma educadora na acepção mais plena que essa palavra possa ter; para todos os que te admiram, mesmo à distância como nós, teus primos do distante Mato Grosso do Sul; para todos os que foram tocados por sua arte, você possa olhar para trás e ter a convicção de que tudo valeu a pena, que olhe para o presente e receba os louros de uma vida devotada ao próximo e que olhe para o futuro e sinta a esperança renascer, pois a idade não precisa ser um fardo, uma sentença, para aqueles que têm consciência de seu valor e de seu papel neste mundo, como você, cada ano que passa é uma nova oportunidade de fazer de sua terra um lugar melhor para se viver.

Sem mais delongas, quero concluir com um poema de Mário Quintana que creio ser bem sugestivo para um momento. 

Um abraço, de seu primo Luizinho Tenório e de todos os seus familiares do estado do Pantanal.
 
Idade para ser feliz

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo, nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor. 

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa.

 

Luiz Tenório de Melo é sertanejo de Quitimbu, fiscal de rendas aposentado da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul. Foi por duas vezes secretário municipal de administração, prefeito de Cassilândia e duas vezes deputado estadual. Filho de Joaquim Tenório Sobrinho, vereador mais bem votado da história de Cassilândia, vice-prefeito e duas vezes prefeito.

11 maio, 2023

Biografia Joaquim Tenório Sobrinho


 

Joaquim Tenório Sobrinho foi o primeiro da família a migrar para o sul, embora nunca tivesse deixado de proclamar sua paixão por sua terra. A circunstância, porém, assim o exigia, não chovia naquela região há algum tempo e desta forma tornou-se ele mais um retirante da seca. Foi vaqueiro, agricultor, comprador e vendedor de caprino e suíno, além de marchante (açougueiro) em Quitimbú; trabalhou em lavouras da região de Novo Cravinho, distrito de Pompéia-SP e no município de Marília. 

Mudou-se para Mato Grosso uno no ano de 1955, seu destino desde que saiu de sua terra natal, o que não aconteceu no primeiro momento porque o dinheiro findou-se por completo em São Paulo-capital, tendo sido obrigado a procurar na Estação da Luz o serviço de migração e de lá, acompanhado da esposa grávida e dos filhos Luizinho e Marizalve, tomar outro rumo e não o que projetara inicialmente.

Chegou a Cassilândia tempos depois, no dia 12 de abril de 1955. Sua família havia proliferado (coisas do sangue nordestino) haviam nascido mais três filhos: Lourdes, Cícera e Francisco de Assis, nascidos no interior do Estado de São Paulo. Deu uma volta na cidade, quando pode verificar não existir nenhuma carroça para fazer frete, sem pensar muito voltou ao interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Rubiácea, adquiriu uma com animal e tralha e rumou de volta a Cassilândia. Lá se foram 10 dias de viagem, dormindo ora embaixo da carroça ora em galpões ou paióis de fazendas.



Assim que retornou, iniciou o trabalho duro juntamente com seu filho mais velho, Luizinho; poucos dias depois estava de volta a Rubiácea para comprar outra carroça, o que foi feito sucessivamente durante 18 meses, período em que comercializou algo em torno de 40 destes veículos, tendo adquirido recurso suficiente para comprar um sítio, loteá-lo e homenagear seu estado de origem dando o nome do novo bairro de VILA PERNAMBUCO - o maior da cidade. Comprou fazendas, chácaras, sítios, gado, jipes, caminhonetes, caminhões e até aviões. Também foi o primeiro corretor de fazendas de Cassilândia.

Foi vítima de um acidente de avião quase fatal, no dia 02 de julho de 1968, no aeroporto de Ribeirão Preto-SP. Inexplicavelmente a aeronave caiu logo após decolar. Passou meses na UTI, teve seu rosto completamente deformado, o que não pôde ser corrigido a contento por cirurgias plásticas, dada a gravidade do acidente. Ainda assim não se deixou abater, dado seu carisma e coração devotado ao bem de seu próximo, tornou-se político por imposição do povo.



É, até hoje em dia, proporcionalmente o vereador mais votado da história de Cassilândia, obteve 35% dos votos válidos em sua primeira eleição. Para que tal votação seja superada, hoje, são necessários algo em torno de 4.500 votos! Foi Presidente da Câmara Municipal, uma vez vice-prefeito e duas vezes prefeito.

Maria Tenório de Melo, minha avó, a prima de Dodô, faleceu aos 77 anos, no dia 15 de abril de 1962, em Volta Redonda-RJ, vítima de um acidente, quando retornava ao estado de Pernambuco, depois de uma visita aos filhos em São Paulo e Mato Grosso, respectivamente. Ela pretendia fazer uma visita ao seu primo Tenório Cavalcante, o lendário “Homem da Capa Preta”, em Duque de Caxias, para onde seguia antes de voltar para sua terra, vez que na adolescência residira por aproximadamente 4 anos na pequena propriedade rural de seu tio, pai de Tenório, de quem a mesma cuidou.

Acalentava o sonho de conhecer um avião, achava, conforme ela mesma dizia: interessante ver aquelas máquinas voando como pássaros. Seu filho, Joaquim, sabendo disso a esperou em Jales-SP, no final de 1961, com um avião de sua propriedade. Lembro-me, como se fosse hoje, de lhe perguntar se havia gostado da viagem, ela respondeu que adorara, mas que havia ficado mouca (surda). Este foi o primeiro e único reencontro de Maria Tenório com Joaquim e sua família, dado o desfecho no Rio de Janeiro.


Os contatos anteriores a esse reencontro eram apenas por correspondência, via cartas, que demoravam de 30 a 60 dias para chegarem ao seu destino. O sistema de telefonia (interurbano) praticamente não existia, quando muito se falava de uma capital para outra ou de uma cidade grande para outra também grande, com demora nunca inferior a 10 horas.

O interurbano chegou a Cassilândia somente nos idos de 1976, com Pernambuco na prefeitura, quando fez questão que o então Pároco da cidade, Pe. Jhon Pace, fizesse a primeira ligação internacional para um parente residente em Washington, capital dos EUA.

Na sequência, ele próprio ligou para o último governador de Mato Grosso uno, o sergipano José Garcia Neto, em Cuiabá.

Dois dos filhos de Joaquim Pernambuco enveredaram na política, eu, Luizinho Tenório, em Mato Grosso do Sul; e o caçula, Francisco de Assis Tenório, no Mato Grosso. As filhas são educadoras e também moram em Cassilândia. Concomitantemente a política, fui Fiscal de Rendas até me aposentar e hoje, enquanto economista, presto consultoria a diversas empresas, câmaras e prefeituras. Assis é empresário do setor madeireiro com atividades em diversos Estados do país.

Espero ter sido o mais esclarecedor possível, é muito bom, mesmo que a distância, sentir-me com um pé em minha terra, em meu berço! Aos conterrâneos custodienses um abraço fraterno do sempre sertanejo.

Luizinho Tenório

20 janeiro, 2023

Ele saiu do sitio Lajedo para fazer história no Centro-Oeste, saiba quem é esse custodiense...

Foto: Luisa(in memorian), Luizinho Tenório e a filha Mariane.

Nasci na região do Lajedo, distrito de Quitimbú, comarca de Custódia, no dia 10 de setembro de 1945, sou filho de Joaquim Tenório Sobrinho e de Dona Maria José de Oliveira, ambos já falecidos. Saímos dessa região em agosto de 1949, em um pau de arara como retirantes da seca, com destino ao estado de Mato Grosso uno, hoje Mato Grosso do Sul; nossa mudança sofreu uma interrupção de seis anos, período que ficamos trabalhando no interior de São Paulo (distrito de Novo Cravinho, município de Pompéia), com o objetivo de juntarmos numerário suficiente para concluirmos de vez nossa migração, fato que se deu somente em abril de 1955, quando chegamos à cidade de Cassilândia no dia 12.

Minha primeira atividade nesta cidade foi de carroceiro, a seguir de comerciário, alfaiate e Office boy, sou economista formado pela UNIMAR – Universidade de Marilia, fui por duas vezes secretário da Prefeitura Municipal de Cassilândia, fui Prefeito deste município de 1989 a 1992 e deputado estadual por Mato Grosso do Sul em duas legislaturas, aproveito o ensejo para parabeniza-lo pelo blog, tendo em vista que o mesmo está ótimo.

Abraça-o fraternalmente, bem como, a todos os conterrâneos custodienses, o sertanejo dessa terra querida.

Assinado: Luiz Tenório de Melo (Luizinho Tenório)

06 maio, 2022

Projeto Pesquisa - Luizinho Tenório "O amigo sincero"



Projeto de Pesquisa apresentado a história de vida do ex-Prefeito de Cassilândia e ex-Deputado Estadual pelo Estado de Mato Grosso do Sul por duas vezes.

Possibilitar o registro e resgate histórico é fundamental a um povo, estando pois, preservando as suas origens e mostrando, através das biografias, quem foram os homens que colaboraram para a história de um determinado lugar. Dessa forma, este é o tema escolhido e proposto ao Projeto de Pesquisa a ser desenvolvido: “Luiz Luizinho Tenório de Melo”. É fato e não se pode negar, a importância desse homem ao município de Cassilândia e ao Estado de Mato Grosso do Sul.

A presente pesquisa tem como objetivo levar ao conhecimento de quem possa interessar um pouco do que é o homem Luizinho Tenório e, por conseguinte, buscar, resgatar e contribuir substancialmente para a historiografia do Estado de Mato Grosso do Sul e do município de Cassilândia através da biografia de um homem que pode representar todos os outros pela sua solidariedade, humildade, lealdade, sinceridade e amizade sincera principalmente, pela representatividade política conquistada no município de Cassilândia e no Estado de Mato Grosso do Sul. Assim, procura-se apresentar a história de vida de Tenório, principalmente, sua participação na política, elencar e conhecer o que Luizinho proporcionou à Cassilândia e ao estado de Mato Grosso do Sul, entender a opção desse homem em ajudar ao próximo, conhecer o que algumas pessoas falam do homem e político Luiz Tenório.

Nesse contexto, se busca preservar e registrar às novas gerações, quem foi e é Luizinho, entendendo que para compreendermos a atualidade é fundamental conhecer, preservar e registrar a história de nossos antepassados e dos grandes homens que contribuem para a edificação, não só da estrutura física de um município, como e principalmente, das suas essências, valores, culturas e políticas.

Luiz Tenório de Melo, o Luizinho, nasceu no dia dez de setembro, no ano de um mil novecentos e quarenta e cinco, no distrito de Quitimbú comarca de Custódia, no Estado de Pernambuco, filho da senhora Maria José de Oliveira e do senhor Joaquim Tenório Sobrinho, o Pernambuco, como ficou conhecido e afamado em Cassilândia e região.

Ainda muito pequeno, aos 4 anos incompletos, como retirante da seca e das dificuldades que a demanda, Luizinho, acompanhando seus pais e juntamente com a irmã mais nova que ele Maria Izalve Tenório de Melo com 2 anos completos, saíram do nordeste a procura de melhores condições para sobreviver. Viajando em um pau-de-arara, foram quinze dias de um percurso exaustivo até chegarem e fixarem residência por um tempo no Estado de São Paulo, inicialmente, em, Pompéia e, finalmente, em Novo Cravinhos distrito de Pompéia, onde viu nascer os seus outros irmãos Maria Lourdes Tenório, Cícera Tenório de Melo e Francisco de Assis Tenório, porém passavam por muitas privações.

Em busca de um local mais promissor, a família de Luizinho chegou na cidade de Cassilândia estado de Mato Grosso uno em 12 de abril de 1955, onde fixou residência juntamente com seu pais, e onde a maioria da família ainda permanece até os dias de hoje. No município de Cassilândia Luiz Tenório de Melo passou toda a sua juventude e, viveu os seus melhores anos, onde a família conheceu altos e baixos. Com muito trabalho e perspicácia nos negócios o seu pai, o Pernambuco, em pouco tempo se tornou um homem abastado, sempre se notabilizando como um homem benevolente e que ajudava a todos indistintamente tendo sido esta sua marca durante todos os anos em que viveu entre nós. Pernambuco foi o primeiro carroceiro de Cassilândia, ao fazer alguns fretes alguém quis comprar sua carroça e ele prontamente a vendeu. Com este dinheiro comprou duas carroças no interior de São Paulo (Rubiácea) que também vendeu, e assim procedeu sucessivamente comprando e vendendo carroças juntando recursos suficientes para comprar e pagar um sitio ao lado da cidade onde fez um loteamento denominado Vila Pernambuco em homenagem ao seu estado de origem; grande parte destes lotes foram doados as pessoas mais carentes do município e o restante foi vendido. As ruas e praças deste loteamento foram abertas de enxadão e enxada por Pernambuco e trabalhadores por ele contratados nos idos de 1957.



Luizinho casou-se com Luisa Soares de Melo, em 08/08/1970, viúva, mãe de José Luiz Soares de Mendonça e de Fernando Cezar de Mendonça, ambos casados. Do casal nasceram dois filhos Afrânio e Mariane sendo que Luizinho tem mais uma filha de nome Marinalva.

Luizinho é formado em Economia pela Associação de Ensino de Marilia, hoje Universidade de Marilia – UNIMAR, é Economista militante devidamente inscrito no CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA – 20ª Região sob número 0531. Iniciou suas atividades Públicas em Cassilândia nos anos 60, quando foi Secretário Geral da Prefeitura, mais uma vez foi Secretário na década de 70 dessa feita de Administração, nessa mesma década foi nomeado funcionário da Secretaria de Estado da Fazenda por ato do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, sendo hoje AF aposentado.

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são bons; há aqueles que lutam muitos dias e por isso são muito bons; há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; porém, há aqueles que lutam toda a vida; esses são imprescindíveis (Bertolt Brecht- 1898-1956).

E, exatamente focado nesse pensamento que se escolheu o nome de Luiz Tenório de Melo para esse projeto, ele é um homem que não foge à luta, sendo assim, imprescindível a seu povo, sendo um homem que foi e, ainda é uma representatividade valiosíssima no município de Cassilândia e no estado de Mato Grosso do Sul e, como o objetivo do historiador é resgatar e registrar as origens de seu povo, ele representa fielmente o exemplo de homem que não pode ficar esquecido e perdido no tempo. Para falar sobre Luizinho existem vários caminhos a serem seguidos: o político, o administrador, o cidadão solidário, o funcionário público.

Algumas colocações são importantíssimas e, portanto, essenciais para o entendimento e relevância dessa pesquisa. Assim, de acordo com o depoimento de Adélia Dias dos Santos1 (2008), uma grande amiga, fica claro quem é, acima de tudo, o homem Luiz Tenório de Melo:

Adélia Diz:

Ex-Prefeito, Ex-Deputado, mas para nós é o nosso “Luizinho”. Luizinho pessoa humilde e honesta, de garra, fibra, persistência. Uma pessoa de família simples e muito boa, todos bem relacionados na comunidade onde vivemos. Ele é uma pessoa especial, um amigo querido, amigo das horas felizes e das horas difíceis principalmente. Costuma-se dizer que ninguém pode escolher a família em que nasce, mas é possível selecionar os amigos. E, Luizinho mora nos nossos corações numa poltrona bem macia. Confúcio, já nos dizia que: “para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. 

No sucesso verificamos a quantidade e, na desgraça a qualidade”. Luiz é uma pessoa com quem conversamos sem reservas, independente da hora, ele sempre sabe oferecer o aconchego de seu coração sem pedir nada em troca, e, quando ele precisa sabe que pode fazer o mesmo sem objeção, pois todos dessa comunidade onde vivemos o traz no coração. Não importa o tempo em que fica distante, ás vezes, até por problemas de saúde, porém sua “torcida” é fiel, isto porque a amizade é irmã do amor e não tem cara, tem reciprocidade, afetividade, respeito, carinho, confiança e alegria. Luiz é aquela pessoa que nos diz o que acha ser correto, mesmo não sendo o que gostaríamos de ouvir, e nós o respeitamos porque a amizade de todos nós por ele está acima das censuras. 

É um amigo que nos avisa do perigo, quando não conseguimos enxergar. Oferece o ombro amigo sem pré-requisitos, ele sabe ouvir, tanto quanto escutar com atenção. Não existe escola para formação de amigos. Eles por si já nascem aptos, por isto não impomos regras dentro de uma amizade, elas se compatibilizam sem invasões, unindo os verdadeiros amigos sem maldade, sem segredos, sem interesses, a felicidade de um amigo é a felicidade do outro. Luiz, a Amizade Sincera, nunca foi esquecida por todos nós, apenas cristalizada para um momento qualquer, seja de novo reacendida e vivida plenamente. Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. 

Mas, Luizinho não só cruzou o nosso caminho, ele ajudou, confortou e matou a fome de muitos de nossos irmãozinhos menos favorecidos pela sorte. Como homem público, desempenhou o seu papel de representante do povo com muita coragem e confiança. Seu coração enternecia com o sofrimento, e, eu daria a ele o título de Guardião da Pobreza, merecidamente. Algumas pessoas percorrem ao nosso lado, no mesmo caminho, vendo muitas luas passarem, outras vemos entre um passo e outro, a todas elas chamamos de amigos, porém não deixaram marcas, porque o essencial é visto com o coração e elas não tiveram essa sensibilidade. Há muitos tipos de amigos. 

Talvez cada folha de uma árvore caracterize um irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e, desejamos o bem. Há outros que se tornam a própria árvore, e, abriga em sua sombra todos aqueles que se aproximam. É assim que descrevo o meu amigo Luiz, como uma frondosa árvore, cujos galhos protegem o seu povo, dando guarida, sombra e conforto aos necessitados. Luiz, que Jesus seja teu abrigo nas tuas caminhadas, que seja a luz nas suas decisões e o amparo para sempre na amizade sincera.

Um abraço. Adelia Dias dos Santos

É assim que João Juarenço Girotto 2 (2008), fala de Luizinho:

Um dia pediram uma definição de Luiz Tenório de Melo, o Luizinho. Não titubeei “é um amigo sincero”. Luizinho. Como é chamado na intimidade, poderia escolher entre ser um homem rico ou um homem solidário. Escolheu o segundo e não deve ter arrependido. Mas, teve um grande exemplo, o seu pai, Joaquim Tenório Sobrinho, o Pernambuco. Nunca deixou de ajudar o próximo, mesmo quando em sua casa o dinheiro andava curto. Não tinha uma pessoa doente em Cassilândia que não recebia a visita do Pernambuco, sempre com uma garrafa de guaraná e um pedaço de carne. Luizinho nasceu e cresceu vendo seu pai fazer grandes negócios, como corretor e logo acabar o dinheiro, por ter dado a quem mais precisava. Foi o seu exemplo. Para ser sincero, acredito que até suplantou o mestre. Quando se fala em Luizinho, se lembra sempre da pessoa disponível para auxiliar quem a ele se socorre, da voz amiga e da casa sempre cheia de compadres. Luizinho foi prefeito, deputado estadual, mas nunca esses cargos “subiram à sua cabeça”. Manteve a humildade e os velhos amigos. Ficou muito doente. Todo mundo rezou para que se recuperasse. Mas, Deus acalmou a todos “ele tem crédito”. Com certeza, precisava de muito crédito para sair daquela. Resumindo: falar de Luizinho é fácil, quero ver ser igual a ele?

É assim que Silvio de Oliveira 3 (2008), fala de Luizinho:

Creditaram-me tarefa árdua. É!!! Missão para os renomados escritores, para autoridades políticas e para pessoas de alto saber, e sou sabedor de não possuir tais dotes e dons. Mas, já que me deram a honra para esse mister, então não poderia fugir a responsabilidade de render minhas homenagens a este sustentáculo da política sulmatogrossense. Filho do nordeste, honrado o cabra da peste, de tradição sertaneja, família pernambucana, da prole de Joaquim Tenório Sobrinho, o Pernambuco um carroceiro matuto que graças a sua astúcia fora duas vezes prefeito da terra de Cassinha. É!!! O que falar deste bravo retirante nordestino!? Homem cabloco que não se furtou ao destino de defender sua ideologia, talvez essa palavra para o Joaquim Pernambuco tivesse outro significado – mas acostumados chamar de filosofia, certo que a filosofia que ele cria era a fraternidade, viveu para a servidão, sempre dividiu seu pão com os menos favorecidos pela sorte. Contam nessas paragens que seu Pernambuco morreu pobre, mentira pura! Pois seu coração guardou e soube transmitir a maior riqueza que se pode cultuar e honrar no SER, foi um verdadeiro milionário da bondade, da amizade, do respeito ao próximo, e da fé inabalada no homem. Seu Pernambuco não passou em brancas nuvens pela vida, sorriu as alegrias e chorou as tristezas de seu povo. Exemplo de coragem, chefe de família respeitador, assumiu o papel de pai não só da prole, mas das pessoas desprovidas do mínimo para sobrevivência. Amigo, companheiro e fiel as suas origens e a sua ideologia. Foi o porto seguro da sua gente, tinha a decência e a vergonha por companhia. Peraí! Mas é de bom alvitre lembrar que seu Joaquim não levava desaforo para casa. Era manso, porém se transformava em fera, na proporção do desaforo recebido. Forrado de coragem e desprovido de vaidade, mandava praquele lugar qualquer desafeto que quisera lhe ferir a honra, por isso, também era temido pelos covardes de plantão.Pois bem senhores! Ante aos atributos aqui presentes não é de se admirar ter surgido na prole legitimada dois filhos legítimos seguindo o exemplo paterno na percepção abrupta da palavra. Mas, por delimitação do assunto, falaremos de Luiz Tenório de Melo, uma vez prefeito da nossa pacata Cassilândia e também duas vezes Deputado Estadual por Mato Grosso do Sul. O homem possui suas raízes, fincadas em solo fértil, produz frutos belos e raros. Luizinho, como é conhecido pelo povo de Cassilândia e região, é o produto mais puro da bondade do coração de Pernambuco “Pai”. Cresceu vendo exemplo paterno da fraternidade, do amor ao próximo, da retidão de caráter e do respeito às leis divinas e terrenas. Sua infância foi recheada de peraltices no solo aconchegante do seu chão e nas águas correntes e maliciosas do Aporé. Estudou. Economista de formação. Profissão – o fisco. Venceu na vida e poderia muito bem fechar-se em seu mundo e esquecer os problemas à sua volta. Isso Nunca! Seria traição aos dogmas paterno. O que fazer então? A resposta foi deixada ao povo da sua terra. A mesma gente que honrou Pernambuco Pai, na militância política, conduziu o filho nos braços rumo à vitória nas urnas.Pronto! A história continua! A arte de se fazer política no corpo a corpo, conforme os ensinamentos do patriarca, alcançou a chefatura do executivo, mas isso era só o começo, vôos ainda mais profícuos estavam por vir. Não que queira queimar etapas. Aconteceram vários episódios entre o primeiro mandato e o segundo, mas nos ensina o velho ditado: em briga de marido e mulher não se mete a colher. Isso serve perfeitamente para a política. E temerário que sou de mordida de cobra e de aparecimento de sombração, não me sinto habilitado para enveredar nos caminhos de filiações partidárias e nem tomar partido nos partidos partidos. E as suas lutas, as sua disputas eleitorais foram envoltas de campanhas efervescentes. Não foi uma e nem duas vezes que Luiz Tenório candidato, herdando a valentia Pernambucana, se pôs entre acaloradas discussões contra seus desafetos políticos em vésperas do pleito com preito de se eleger, o que fatalmente acontecia. Eleição para prefeito, no trevo abaixo da feira estava Tenório e Celino e todos os adjetivos pejorativos saltavam de suas ferinas línguas. Mas já diz o velho jargão: em eleição vale tudo, só não vale perder. Contida a desavença, ocasião que me fiz conhecedor de Luiz Tenório de Melo. Fui eleitor e expectador de sua eleição a Deputado Estadual. Na Assembléia Luizinho, não mediu esforços para ajudar seu povo. Projetou Cassilândia para todo o estado e trouxe um pouco do tão sonhado desenvolvimento econômico para sua gente, fazendo mais uma vez, tornar realidade os sonhos de seu patriarca. Difícil na remeter a seu Joaquim todas as glórias de Luizinho, o fato é que a bondade conhecida do pai se traduziu com maior grandiosidade no filho. Assim, se denota, em linhas gerais, que há uma mescla, ou seja, uma verossimilhança entre ambos, não adstrita a aspectos fisionômicos e sim na conduta, no caráter e no exemplo de vida. E como a vida imita a arte, Luiz segue os ensinamentos de Joaquim. Não é a toa que um terço da cidade de Cassilândia leva o nome político de seu fundador, a Vila Pernambuco, palco da infância de Luizinho. Ainda maroto desnudou o chão morno e aconchegante do vilarejo. No mister de auxiliar o pai na lida de carroceiro, profissão que lhes garantiu o sustento. Luiz Tenório de Melo se fez homem na acepção mais pura da palavra, alicerçado pela grandiosidade de amor e compreensão de Dona Luisa, sua companheira de luta, mulher incansável, soube na sua infinita bondade dividir o chefe de família e pai de seus filhos com uma população. Mulher que fez da vida um sacerdócio na arte de dosar ternura, afeto e atenção entre os anseios do lar e a vida pública, que cobrou muito mais de si, pelas infinitas horas de solidão , na difícil tarefa de se conduzir como modelo de mulher, mãe e cidadã, adjetivos esses que sobram quando se fala na Dona Luisa. Fazendo com que Luizinho tivesse todo o suporte necessário, material, humano e intelectual para se dedicar à missão que abraçou. O povo fez de Luizinho um gigante, um verdadeiro gigante de coragem, bondade e amor ao próximo.



Foi seguindo os passos do pai como homem honesto, respeitado e popular que Luizinho, gradativamente, também se enveredou para a política, tomando gosto por esse ofício. Sua vida pública começou no município de Cassilândia, como Secretário Municipal de Administração, entre os anos de 1964 e 1967 e de 1975 a 1977. Foi eleito prefeito de Cassilândia em 1988, administrando com o seu vice Hugo Eduardo Silva, de 1989 a 1992.

Luizinho Tenório foi eleito deputado estadual pelo PDT, em 04/10/1998, obtendo em sua cidade, Cassilândia, 7.548 votos 73% (setenta e três por cento) e outro tanto fora de Cassilândia. Nas eleições de 2002, obteve 12.848 votos e ocupou a segunda suplência da coligação, dois anos mais tarde, retornou à Assembléia Legislativa com a licença de Antonio Braga e Dagoberto Nogueira:

Na manhã do dia 09 de novembro de 2004, assumiu a vaga do Deputado Dagoberto Nogueira, que foi para a Secretaria de Produção e Turismo, o suplente Luiz Tenório de Melo, o popular Luizinho. A posse ocorreu na Assembléia Legislativa, contando com a presença de representantes de agremiações políticas que o apoiaram e amigos de todo o Bolsão. Luizinho agradeceu a recepção dos colegas parlamentares e disse que suas prioridades são lutar pelos projetos nas áreas da educação, saúde e segurança, principalmente pela região do Bolsão, pela qual obteve 12.848 votos (…) Representante do Bolsão de Mato Grosso do Sul, o Deputado Luizinho Tenório estará nos próximos anos trabalhando e defendendo a sua região, como fez em seu mandato anterior (ILHA INTEGRAÇÃO, 2004).

Em seu trabalho como prefeito e deputado sempre primou pelo social, buscando atender individualmente a quem quer que o procurasse. As portas do seu gabinete sempre estiveram abertas para toda a população. É homem público popular e sensível às causas do povo, com ótimo trânsito em todas as esferas do Governo Estadual, reforçou a bancada regional, contribuindo com as administrações das prefeituras da região, quando deputado.

Representante do Bolsão Sulmatogrossense, vestiu a camisa de muitos municípios em parceria com as administrações municipais, no sentido de ser no Legislativo a voz desses municípios, reivindicando repasses, verbas e todas as benfeitorias que cada um necessitasse, deixando marcas em muitas regiões e setores.

O progresso de Cassilândia se deve à perseverança de seu povo, tendo entre eles pessoas como Luizinho, que vem acompanhando e sendo responsável por importantes conquistas para o município, tanto como prefeito, no final da década de 80, quanto como deputado estadual representando a cidade e região na Assembléia Legislativa nos dois últimos mandatos. Em seu primeiro mandato, entre várias vitórias, Luizinho conseguiu R$150 mil para implantação do Projeto Amigão em Cassilândia e garantiu o repasse do Fundersul para asfaltamento da Rodovia MS-306 entre os municípios de Chapadão do Sul a Costa Rica. Em seu segundo mandato, as solicitações feitas à Assembléia Legislativa já foram transformadas em realidade para o município, demonstrando o trabalho árduo do parlamentar num curto espaço de tempo, de novembro de 2004 a março de 2006. Foram quase 200 indicações de melhorias para o Estado de Mato Grosso do Sul, principalmente para a região do Bolsão. A maioria direcionada para garantir melhorias para Cassilândia (SUPORTE, 2006).

Luizinho foi um Deputado extremamente presente em todos os municípios, além de Cassilândia, os municípios de Aparecida do Taboado, Inocência, Costa Rica, Água Clara, Camapuã, Chapadão do Sul, Selvíria, Paranaíba, Alcinópolis, Anastácio, Paraíso das Águas e, enfim, todos os 78 municípios do Estado de Mato Grosso do Sul foram beneficiados direta ou indiretamente pelo deputado Luiz Tenório de Melo, quando da sua participação no Legislativo Estadual, com emendas parlamentares importantíssimas.


Enumerar todas as conquistas obtidas por Luizinho como prefeito de Cassilândia e como Deputado Estadual fica difícil, porém, destaque especial para as questões da saúde com projetos e reivindicações de equipamentos hospitalares, aquisição de ambulâncias, UTIs, reforma de hospitais e construção de Postos de Saúde, construção de posto artesiano, é responsável pelo projeto da cirurgia de vasectomia gratuita em hospitais públicos e conveniados de Mato Grosso do Sul, bem como, o projeto que proíbe a comercialização de produto a base de amianto, cancerígeno sendo o primeiro estado a sancionar tal Lei, trazendo uma qualidade de vida melhor à população:

O deputado estadual Luizinho tornou-se o centro das atenções nos últimos dias. O deputado é autor do projeto de lei 2.210 que foi sancionada pelo governador Zeca do PT. Esse projeto proíbe a comercialização de produtos a base de Amianto que são formas fibrosas de silicatos minerais extraídos das rochas metamórficas usadas na construção civil e na pulverização. Mato grosso do Sul foi o primeiro estado brasileiro a sancionar tal lei proibindo a comercialização dos derivados desse produto, como telhas e caixas d’água, o amianto pode provocar câncer no pulmão (…). Esse material que já foi considerado mágico, hoje se tornou, segundo o deputado Luiz Tenório, a poeira assassina ( NOSSA OPINIÃO, 2001).



E também, Suporte (2006, pág. 06) destaca :

Através de emenda parlamentar, Luizinho destinou para Cassilândia mais de R$ 200 mil, tendo sido a maioria liberada até a presente data, beneficiando várias escolas e entidades do município. Destes, R$ 40 mil foram destinados para a construção de uma quadra poliesportiva na Escola Municipal Ilma Costa (CMEIC) e mais R$ 80 mil para aquisição de uma ambulância com UTI móvel para a cidade. Preocupado com a saúde, Luiz Tenório apresentou dois projetos de lei: vasectomia (esterilização masculina) gratuita em hospitais públicos e conveniados com o SUS (Sistema único de Saúde) e a obrigatoriedade da presença de aparelho desfibrilador, aparelho utilizado para restabelecer o batimento cardíaco, em locais com grande concentração de pessoas. Colaborou diretamente com mais de 1.300 pessoas, através de hospedagens, consultas, exames, cirurgias e internações hospitalares durante este último mandato.

Luizinho buscou recursos à asilos e APAES; doação de terrenos e construção de unidades habitacionais, contribuindo para a diminuição do déficit habitacional elevado; reforma e construção de estradas, como a MS-324, BR-158, pontes, como exemplo, a conquista que encampou pela reforma e manutenção da ponte Rodoferroviária, na divisa do estado de Mato Grosso do Sul com São Paulo; a construção, asfaltamento e sinalização de ruas e avenidas e reformas de estradas rurais, construção de redes de esgoto e drenagem, anistia de débitos fiscais de pavimentação asfáltica, dando maior conforto e segurança à comunidade:

Assim que assumiu em novembro de 2004, o Deputado Estadual Luizinho reivindicou, junto ao governador Zeca do PT, a implantação de novo asfaltamento dos 26 quilômetros da Rodovia Joaquim Tenório Sobrinho (MS-306), entre Cassilândia e o trevo do antigo Posto Fiscal do Aporé, como também o recapeamento total e sinalização até a cidade de Chapadão do Sul, obras executadas e concluídas. Outra grande conquista de Luizinho para Cassilândia e região foi a recuperação da ponte Rodoferroviária, entre Rubinéia-SP e Aparecida do Taboado-MS. A falta de manutenção estava deteriorando aquela grande obra, os pilares da ponte revestidos de madeira estavam tomados por cupins, as luminárias depredadas, fiação elétrica roubada, buracos nas pistas de rodagem, entre outros. Em audiência realizada em Brasília, com o então Ministro dos Transportes Alfredo Pereira do Nascimento, políticos da região, liderados por Luizinho, garantiram entendimentos para liberação da verba necessária. Luizinho assumiu a cadeira naquela Casa de Leis no último mandato por pouco mais de um ano, mas deixou um legado de conquistas para a região, contribuindo consideravelmente com o desenvolvimento da cidade, que se orgulha com o dinamismo de seu representante, um dos parlamentares mais atuantes e respeitados no Estado (SUPORTE, 2006).

Na educação, Luizinho buscou recursos para a construção e reforma de escolas, creches, bibliotecas, quadras esportivas, aquisição de computadores, uma necessidade essencial para o futuro da população; distribuição de cestas de alimentos, leite, pães e cobertores à comunidade carente, proporcionando maior dignidade; aquisição e reforma de veículos, maquinários e mobiliários da prefeitura; dentre muitas outras.

Não fugindo às responsabilidades de homem público, compromissado com suas bases eleitorais, sempre faz questão de participar de todos os acontecimentos sociais como inaugurações, festas, eventos, cavalgadas, principalmente, no município de Cassilândia.

No último dia 24, ocorreu em Cassilândia, a formatura de mais uma turma dos cursos de Português e Inglês da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS. A solenidade foi realizada no Cassilândia Tênis Clube (CTC), contando com a presença da Pró-Reitora Maria José de Jesus Alves Cordeiro, Professores, Formandos, Autoridades Municipais e Familiares. O Deputado Luizinho estava presente, sendo o Patrono dos Formandos. Na ocasião fez um belo discurso (FOLHA DE SELVÍRIA, 2004).

Mesmo representando o estado com um cargo de tamanha importância, Luiz Tenório de Melo jamais se esqueceu das suas origens. Com simplicidade, humildade e atenção, continuou sendo o nosso Luizinho, o braço ainda permanece sempre estendido, acenando, jamais negou um cumprimento a quem quer que fosse e, o mais importante, independentemente de ser ano político ou não. São esses pequenos detalhes, gestos e valores que caracterizam um homem de verdade e os munícipes de Cassilândia têm orgulho em dizer que, aquele menino que chegou de Pernambuco, agora é, inegavelmente um filho de Cassilândia, Custódia que nos perdoe…

Um grande homem demonstra sua grandeza pela forma como trata os pequenos.

Carlyle 

REFERÊNCIAS

ALVARENGA, Corino Rodrigues de. A Verdadeira História de Cassilândia. Campo Grande: Gráfica e Papelaria Brasília Ltda, 1986.
FOLHA DE SELVÍRIA, Jornal da Integração Regional, 2004, pág.07.
GIROTTO, João Juarenço. Depoimento colhido em 08/01/2008.
ILHA INTEGRAÇÃO. Jornal, Ano X, Edição nº 397, 12 a 18/11 de 2004, pág. 01.
LEAL, Hermelina Barbosa. Cassilândia A Princesa do Vale do Aporé, sua história e sua gente. Campo Grande – MS: Morena Gráfica e Editora – Santos & Faria LTDA, 2001.
OLIVEIRA, Silvio de. Depoimento colhido em 29/01/2008.
NOSSA OPINIÃO, Revista. Costa Rica e Aparecida do Taboado – MS: Editora Caiapó, Fevereiro de 2001, Ano 2 – nº 5, pág. 9. Revista. Costa Rica e Aparecida do Taboado – MS: Editora Caiapó, Dezembro de 2001, Ano 2 – nº 12, pág. 28. Revista. Costa Rica e Aparecida do Taboado – MS: Editora Caiapó, Abril de 2005, Ano 4 – nº 38, pág. 4. Revista. Costa Rica e Aparecida do Taboado – MS: Editora Caiapó, Julho/Agosto de 2005, Ano 4 – nº 40, pág. 12. Revista. Costa Rica e Aparecida do Taboado – MS: Editora Caiapó, Setembro de 2005, Ano 4 – nº 41, pág. 11. Revista. Costa Rica e Aparecida do Taboado – MS: Editora Caiapó, Novembro de 2005, Ano 4 – nº 42, pág. 7. Revista. Costa Rica e Aparecida do Taboado – MS: Editora Caiapó, Maio de 2006, Ano 5 – nº 45, pág. 17.
SANTOS, Adélia Dias dos. Depoimento colhido em 08/01/2008.
SUPORTE, Revista. Fernandópolis – SP: Editora Ferjal Ltda, Junho de 2006, Ano III – nº 02, pág. 06 e 07.

20 novembro, 2021

Custodiense Luizinho Tenório de Melo passa mal e é transferido para hospital em Campo Grande - MS

 

Segundo informações de familiares, o custodiense radicado em Cassilândia no Mato Grosso do Sul, Luizinho Tenório de Melo, teve um agravamento do seu quadro de angina, precisando de tratamento, foi transferido para Hospital em Campo Grande, capital daquele Estado.

Seu sobrinho Rogério Tenório de Moura, postou em suas redes sociais, a seguinte mensagem:

"O tio Luiz receberia um estente hoje de manhã, mas antes de iniciar o procedimento o cardiologista decidiu fazer uma reavaliação e foi constatado que ele está com uma lesão isquêmica importante no coração e enquanto o cirurgião não avaliar o melhor procedimento a ser feito (talvez uma angioplastia) ele não sairá da UTI. Teremos que aguardar o parecer do cirurgião. Pedimos orações!"

Luiz Tenório de Melo, o Luizinho, nasceu em 1945 no distrito de Quitimbú, filho da senhora Maria José de Oliveira e do senhor Joaquim Tenório Sobrinho, o Pernambuco, como ficou conhecido e afamado em Cassilândia-MS e região. Luizinho foi prefeito e Deputado por aquele estado.

Para conhecer um pouco de sua biografia, clique aqui

O Blog Custódia Terra Querida e todos custodienses desejam uma plena recuperação da saúde do nosso conterrâneo e colaborador de longa data deste site.

10 novembro, 2021

Luizinho Tenório comenta sobre Joaquim Tenório Sobrinho


Me orgulha muito ser filho do saudoso Joaquim Tenório Sobrinho (Joaquim Pernambuco), quando em vida, amou intensamente seus 5 filhos, sua esposa (minha mãe), saudosa Sra. Maria José de Oliveira, seus netos, seus genros e sua nora. Amou com todas as forças de seu coração sua Cassilândia querida e seu povo, por esta cidade muito fez e os cassilandenses reconheceram e muito fizeram por você! Em toda sua vida pública iniciada em 1958, jamais soube o que era derrota! Ganhou todas as eleições que disputou, se caracterizando desta forma uma liderança incontestável e fenômeno eleitoral. 

Papai querido, que Deus em sua infinita bondade o tenha a seu lado, você se foi no auge de sua vida quando tinha apenas 64 anos de idade, sofremos muito, más alguma coisa fizemos no sentido de dar continuidade a sua obra principalmente, procuramos amparar as pessoas mais humildes, como foi sempre seu lema. Aprendemos com você que quem ajuda ao próximo, empresta a Deus. 

Até hoje encontramos pelas ruas de Cassilândia, pessoas que dizem que você foi o pai dos pobres desta cidade! SAUDADES....

Luizinho Tenório de Melo

(*) Conheça um pouco mais da história desse custodiense que fez história: AQUI

14 abril, 2021

Prefeitura de Cassilândia tem nome de Custodiense



Essa é a Prefeitura de Cassilândia-MS, para nosso orgulho, batizada com o nome do conterrâneo Joaquim Tenório Sobrinho, nascido no sítio Lajedo, distrito de Quitimbú, e pai do nosso colaborador Luiz Tenório de Melo, conhecido como “Luizinho Tenório“. 

É uma honra para qualquer custodiense, saber que num lugar tão longínquo, uma prefeitura tenha o nome de um filho da terra, fruto do trabalho desempenhado pelo político que foi, e pela pessoa que foi, para cada cidadão de Cassilândia.

Qualidades herdadas pelo filho Luizinho Tenório, onde foi secretário da mesma, foi Prefeito de 1989/1992 e por fim, Deputado Estadual por dois mandatos pelo estado de Mato Grosso do Sul.

Texto: Paulo Peterson
Foto: Acervo Luizinho Tenório

19 dezembro, 2020

Origem dos Tenórios do Sul do País - Luizinho Tenório

Foto: Acervo Familiar


Recentemente foi levantado por um colaborador deste blog um questionamento sobre qual seria a ligação de minha família com Henrique Tenório de Melo, vulto da história de Custódia, dado o lugar de destaque que o amigo Paulo Peterson tem generosamente nos dado, estreitando, assim, nossos vínculos com nossa saudosa terra natal. 

Pois bem, meu nome, Luiz Tenório de Melo, foi escolhido por minha avó paterna, em homenagem ao velho coronel Luiz Tenório de Melo (Dodô). Quando estive visitando Custódia em meados dos anos 90 conheci, somente em Quitimbú, outros seis Luiz Tenório de Melo, todos batizados com esse nome pelo mesmo motivo. 

O Coronel Luiz Tenório de Melo, Dodô, era tio de minha avó paterna Maria Tenório de Melo. Foram criados na região de Mimoso-PE, ela era prima em primeiro grau de Henrique Tenório de Melo, filho de Luiz, tendo herdado até mesmo o apelido do pai. 

Luiz Tenório de Melo fundou o Distrito de Quitimbú e juntamente com padres jesuítas fundaram Custódia, que recebeu essa denominação porque existia no lugar, que era um ponto de boiada e uma pensão, uma senhora de nome Custódia, entretanto existe uma outra versão de que tal nome se deu para homenagear os padres que estavam custodiados, porque estavam fugindo da inquisição. 

Como se pode verificar, Quitimbú é mais antigo que Custódia, tendo sido sede da Lagoa de Baixo, hoje Sertânia. 

O filho mais velho do coronel Dodô, Henrique, tinha seis irmãos, se não me falha a memória, entre homens e mulheres. Foi casado, mas não teve filhos biológicos, adotou alguns, que para ele eram mais que filhos ... assim dizia! 

Maria Tenório de Melo, minha avó, conforme citei acima, casou-se com Gabriel Ferreira Arcanjo. Deste matrimônio nasceram nove filhos, sendo cinco mulheres e quatro homens. As mulheres são: Maria Tenório Veras (apelidada de Mocinha, apelido que a acompanhou até sua morte em avançada idade!); Solidade Ferreira Cirilo; Rita Tenório da Silva, Antonia Tenório da Silva, já falecida; e Francisca Tenório de Melo, que vive em Afogados da Ingazeira. Os homens são: José Tenório de Melo, foi delegado de polícia em Custódia na década de 40 e comerciante próspero de secos e molhados em Novo Cravinho-SP, distrito de Pompéia, onde faleceu; Antonio Tenório Sobrinho, foi vereador em Custódia na década de 40 e comerciante em Quitimbú, Rosalia-SP e em Cassilândia, sempre no ramo de secos e molhados, assinava sobrinho em homenagem a um tio do mesmo nome; Sebastião Tenório de Melo, falecido em Rondonópolis-MT, onde morava; e Joaquim Tenório Sobrinho, que também assinava sobrinho em homenagem a um tio. 

Deter-me-ei com maior acuidade ao último rebento por uma questão óbvia, trata-se de meu saudoso pai. Joaquim foi o primeiro da família a migrar para o sul, embora nunca tivesse deixado de proclamar sua paixão por sua terra. A circunstância, porém, assim o exigia, não chovia naquela região há algum tempo e desta forma tornou-se ele mais um retirante da seca. Foi vaqueiro, agricultor, comprador e vendedor de caprino e suíno, além de marchante (açougueiro) em Quitimbú; trabalhou em lavouras da região de Novo Cravinho, distrito de Pompéia-SP e no município de Marília. Mudou-se para Mato Grosso uno no ano de 1955, seu destino desde que saiu de sua terra natal, o que não aconteceu no primeiro momento porque o dinheiro findou-se por completo em São Paulo-capital, tendo sido obrigado a procurar na Estação da Luz o serviço de migração e de lá, acompanhado da esposa grávida e dos filhos Luizinho e Marizalve, tomar outro rumo e não o que projetara inicialmente. 

Chegou a Cassilândia tempos depois, no dia 12 de abril de 1955. Sua família havia proliferado (coisas do sangue nordestino) haviam nascido mais três filhos: Lourdes, Cícera e Francisco de Assis, nascidos no interior do Estado de São Paulo. Deu uma volta na cidade, quando pode verificar não existir nenhuma carroça para fazer frete, sem pensar muito voltou ao interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Rubiácea, adquiriu uma com animal e tralha e rumou de volta a Cassilândia. Lá se foram 10 dias de viagem, dormindo ora embaixo da carroça ora em galpões ou paióis de fazendas. 

Assim que retornou, iniciou o trabalho duro juntamente com seu filho mais velho, Luizinho; poucos dias depois estava de volta a Rubiácea para comprar outra carroça, o que foi feito sucessivamente durante 18 meses, período em que comercializou algo em torno de 40 destes veículos, tendo adquirido recurso suficiente para comprar um sítio, loteá-lo e homenagear seu estado de origem dando o nome do novo bairro de VILA PERNAMBUCO - o maior da cidade. Comprou fazendas, chácaras, sítios, gado, jipes, caminhonetes, caminhões e até aviões. Também foi o primeiro corretor de fazendas de Cassilândia. 

Foi vítima de um acidente de avião quase fatal, no dia 02 de julho de 1968, no aeroporto de Ribeirão Preto-SP. Inexplicavelmente a aeronave caiu logo após decolar. Passou meses na UTI, teve seu rosto completamente deformado, o que não pôde ser corrigido a contento por cirurgias plásticas, dada a gravidade do acidente. Ainda assim não se deixou abater, dado seu carisma e coração devotado ao bem de seu próximo, tornou-se político por imposição do povo. 

É, até hoje em dia, proporcionalmente o vereador mais votado da história de Cassilândia, obteve 35% dos votos válidos em sua primeira eleição. Para que tal votação seja superada, hoje, são necessários algo em torno de 4.500 votos! Foi Presidente da Câmara Municipal, uma vez vice-prefeito e duas vezes prefeito. 

Maria Tenório de Melo, minha avó, a prima de Dodô, faleceu aos 77 anos, no dia 15 de abril de 1962, em Volta Redonda-RJ, vítima de um acidente, quando retornava ao estado de Pernambuco, depois de uma visita aos filhos em São Paulo e Mato Grosso, respectivamente. Ela pretendia fazer uma visita ao seu primo Tenório Cavalcante, o lendário “Homem da Capa Preta”, em Duque de Caxias, para onde seguia antes de voltar para sua terra, vez que na adolescência residira por aproximadamente 4 anos na pequena propriedade rural de seu tio, pai de Tenório, de quem a mesma cuidou. 

Acalentava o sonho de conhecer um avião, achava, conforme ela mesma dizia: interessante ver aquelas máquinas voando como pássaros. Seu filho, Joaquim, sabendo disso a esperou em Jales-SP, no final de 1961, com um avião de sua propriedade. Lembro-me, como se fosse hoje, de lhe perguntar se havia gostado da viagem, ela respondeu que adorara, mas que havia ficado mouca (surda). Este foi o primeiro e único reencontro de Maria Tenório com Joaquim e sua família, dado o desfecho no Rio de Janeiro. 

Os contatos anteriores a esse reencontro eram apenas por correspondência, via cartas, que demoravam de 30 a 60 dias para chegarem ao seu destino. O sistema de telefonia (interurbano) praticamente não existia, quando muito se falava de uma capital para outra ou de uma cidade grande para outra também grande, com demora nunca inferior a 10 horas. 

O interurbano chegou a Cassilândia somente nos idos de 1976, com Pernambuco na prefeitura, quando fez questão que o então Pároco da cidade, Pe. Jhon Pace, fizesse a primeira ligação internacional para um parente residente em Washington, capital dos EUA. Na sequência, ele próprio ligou para o último governador de Mato Grosso uno, o sergipano José Garcia Neto, em Cuiabá. 

Dois dos filhos de Joaquim Pernambuco enveredaram na política, eu, Luizinho Tenório, em Mato Grosso do Sul; e o caçula, Francisco de Assis Tenório, no Mato Grosso. As filhas são educadoras e também moram em Cassilândia. Concomitantemente a política, fui Fiscal de Rendas até me aposentar e hoje, enquanto economista, presto consultoria a diversas empresas, câmaras e prefeituras. Assis é empresário do setor madeireiro com atividades em diversos Estados do país. 

Espero ter sido o mais esclarecedor possível, é muito bom, mesmo que a distância, sentir-me com um pé em minha terra, em meu berço! Aos conterrâneos custodienses um abraço fraterno do sempre sertanejo.

Luizinho Tenório