10 de abril de 2014

Volta ao passado - Família Carneiro Farias de Souza

Família Carneiro Farias de Souza

Tendo recebido um amável convite de Eliane Remígio, participei no final de semana passado de um dos momentos mais emocionantes que tive. Uma caravana com dezoito integrantes visitava a belas praias pernambucanas, e nessa ocasião, depois de mais de trinta anos, pude rever um dos melhores amigos de infância que tive, o Emilson Pires, juntamente com seus irmãos Elzirinha e Elson, bem como demais familiares. Também revi custodienses que não via havia muito tempo: Dr. José Carneiro, Juiz de Direito, Elvira Rodrigues, Jailson Vital, Dona Ozanira (mãe de Jailson), Creusa (a quem eu chamava de Dona Creusa, e os mais íntimos de Cristo), esposa do saudoso Sílvio Carneiro, Betinho Amaral e muitos outros. 

Voltei no tempo. Do amigo Emilson – carinhosamente apelidado na infância de Cebolinha, lembrei de uma das “traquinagens” que cometíamos. As brincadeiras “de render”, as peladas nas Gramas da Várzea (onde hoje está construída a quadra de Esportes e a minha casa). Um fato curioso me veio à lembrança. 

Próximo à Farmácia de “Sêo” Elpídio, tinha a mercearia de Djaci, pequeno estabelecimento comercial onde por vezes fazíamos ponto. 

Certa vez, num desses encontros, estávamos, eu, Emilson e um outro amigo comum. Não sei como, surgiu uma discussão em que Emilson afirmava que eu e o outro amigo não seríamos capazes de comer o conteúdo de um vidro exposto no balcão: tratava-se das saborosas “mariolas”, coqueluche daquela época. Come não come, até que Emilson propôs: se nós comêssemos todo o conteúdo de mariolas, ele pagaria a conta. Em princípio, tive medo de não conseguir, pois se isso ocorresse, nós teríamos que pagar. De minha parte eu não tinha um tostão no bolso. 

Mas, devido à pressão que se fez, nós topamos comer a “mariolada”. Contadas, creio que somavam umas trinta mariolas. 

Começamos a degustar as “benditas” Mariolas, deliciosas no início. Lá pela metade, Emilson resolveu apelar: mandou colocar dois copos com água em cima do balcão, para provocar a sede. Resultado: as últimas Mariolas desceram “na marra”. Quase não conseguimos devorar aquele pacote de mariolas. Aí foi uma sede – como diria o Lula “nunca antes vista nesse País”.

Bebemos água a mais da conta. Com estômago pesado, nós mal podíamos andar. E tivemos que esperar baixar o peso da barriga, deitados na sombra, lá nas Gramas. Passei um bom tempo sem nem poder olha para doces. 

Outro fato me veio à lembrança naquela agradável noite. Cheguei a comentar com o próprio Betinho. É que quando da doença que vitimou D. Eliza, sua mãe, Betinho, com seus doze ou treze anos causou verdadeira admiração na população, pelo seu comportamento. Cuidou de sua mãe igual ou melhor que muitos adultos poderiam fazer. Isso me fez admirar o Betinho, que abandonou nossas brincadeiras na rua para dar assistência a sua querida mãe. 

E mesmo ausentes, muitas outras figuras me vieram à mente naquele encontro emotivo. Geraldo de João Dentista, Zeraldo (de Chiquinho de Elizeu), Edinho (filho de Lourdes, uma protética que morava pertinho do PTB), e muitos outros que fizeram parte da turma que infernizava a vida do Padre Luiz, com as brincadeiras de render, ao redor da Igreja. Certa feita, sozinho, estava eu na calçada da igreja, aguardando a turma. Peguei um pedaço de carvão e comecei a desenhar no cimento grosso da caçada, um enorme revólver. Não percebi que o Padre Luiz, sorrateiramente, saiu da Casa Paroquial, e dando a volta pelos fundos da Igreja se postou de pé, por trás de mim. Quando concluí a “obra”, ouvi a frase, carregada do sotaque alemão: 

- “Custódia é sempre Custódia”! 

Bons tempos aqueles. Descompromissados, livres, sem o estresse das cidades grandes, aquele tempo realmente foi o melhor que vivi em toda a mina existência. Os passeios pelos arredores da cidade, em busca de Umbu, a caçadas de “rolinha”, com “petecas”, os banhos nos riachos e na cachoeira, os piqueniques organizados pela Escola, enfim, muitas atividades que preenchiam um pouco aquela monótona vida de cidadezinha do interior. 


(PS: Agradecimentos especiais a Eliane, que nos recebeu tão gentilmente, a mim, a Ana Carla e ao Bruno)

Texto e Foto: José Soares de Melo

Um comentário:

  1. Os textos de Zé Mello são tão ricos de detalhes, tão profundos que fazem desabrochar saudades adormecidas.
    Mariolas.Ilustre produto desconhecido desta geração cachorro quente com coca-cola.
    Untadas de grânulos de açucar e enroladas numa palha seca de cana.Era 3 por um cruzado.
    Sorri periferia.Se vç não viveu este tempo,mergulhe nos escritos do Zé, ou então contente-se com seu video game.Fernando Florencio
    Ilheus/Ba

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