30 de março de 2016

Essa casa tem história, ou a ficha ainda não caiu? por Jorge Remígio


Não lembro o mês, mas em uma tarde do ano de 1961, chegamos enfim com a mudança a nossa nova casa. Ela foi totalmente reconstruída para nós habitarmos em seu seio. Tudo era novo. O cheiro de tinta ainda fresca e os móveis exalando um aroma de madeira trabalhada, não me incomodavam, pelo contrário, era a certeza do começo de uma nova etapa na vida da ainda pequena família Farias Remígio. 

Além dos meus pais, seu Claudionor e Dona Osanira, eu tinha como irmãos, Antônio e o ainda bebê, Jânio. Não tardou muito para a cegonha trazer Sérgio em 1962, Eliane em 1963 e encerrando o ciclo, a caçula Ana Cláudia em 1964. 



– Proto! A família estava completa. Somos seis rebentos de pais iluminados e crescemos em um lar cheio de harmonia e compreensão. A consequência desse tempero amoroso foi um grande estreitamento da nossa amizade e um imensurável amor fraternal que temos um pelo outro. 

Na minha casa sempre teve aqueles almoços familiares. Principalmente quando os parentes vinham de longe. Com o tempo em movimento, chegamos aos concorridos vestibulares acadêmicos nas décadas de setenta e oitenta e em consequência das vitórias, muito mais dos nossos pais do que nossa, as farras e pileques comemorativos foram muitos.


Nunca mais paramos de celebrar a vida na casa encantada, como minha irmã Eliane rotulou-a tão bem. Sempre compartilhamos nossos encontros com familiares e amigos tão queridos. A alegria sempre reinou naquele início da Rua Padre Leão. Minha casa ficava em uma localização muito privilegiada. No nascente ao lado da bela Matriz de São José, no coração da cidade. 

O natal foi escolhido espontaneamente para ser a festa de confraternização oficial. Sempre estávamos lá. Irmãos, pais, parentes e amigos. Como o ambiente da nossa casa conspirava com alegria, recepção, acolhimento e amizade, é natural que os nossos encontros foram se ampliando. O importante é que sempre fizemos questão da companhia da boa MPB. Astros como: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Novos Baianos, Gil, Caetano, Chico, Vandré, Tom, Vinícius, Paulinho da Viola, Cartola, Ednardo, Alceu, Geraldo Azevedo, Dolores Duran, Lulu Santos, Cazuza, Luiz Melodia, Augusto Calheiros, Noel Rosa e tantos outros, sempre foram presença garantida. 



A calçada era para nós, uma extensão da casa. Quantas e quantas vezes nos reunimos ali. Principalmente quando a sala estava lotada. Os nossos filhos foram crescendo e participando desde cedo desse ambiente festivo e acolhedor. Hoje são rapazes e moças totalmente integrados nesse lazer. 

No dizer deles: No “OSANIRA’S CLUB” Agradeço de coração, a companhia de familiares e amigos que nos proporcionaram momentos de extrema felicidade. Não quero enumerá-los, porque são muitos. Mas quem esteve um dia por lá, vai saber perfeitamente do que estou falando. Escolhi umas fotos entre milhares para ilustrar este texto, e foi tarefa muito difícil. 


Também escrevi o texto com o verbo no passando. Uma tentativa de habituar-me a essa nova realidade. Fui à Custódia para festa do padroeiro São José. Mas, o mais significante foi a reunião para nos despedirmos da nossa casa. Que bela festa! Bebi, comi, cantei, toquei,confraternizei,abracei,compartilhei, fiz tudo o que devia fazer. Claro que tenho plena consciência que a casa não mais me pertence. 

Porém, o meu cérebro ainda teima em não aceitar tal realidade. Como pensar em ir à Custódia e não ficar na casa número 12 da Rua Padre Leão? 

ACHO QUE A FICHA AINDA NÃO CAIU!

por Jorge Remígio

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